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UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ – UVA

CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA, (Reconhecido pelo o Parecer n° 221/94 do CEC, D.O.E de 06/04/1995), ministrado e certificado pela Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA, e administrado, mediante convênio pela Faculdade Metropolitana da Grande Fortaleza – FAMETRO credenciada pela portaria n°. 220/02, D.O.U. de 29/01/2002).

VALMIR ARRUDA DE SOUSA NETO

A DICOTOMIA NO PROCESSO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA: UMA REFLEXÃO DAS DIRETRIZES CURRÍCULARS NACIONAIS DENTRO DE UMA PERSPECTIVA MARXISTA.

FORTALEZA 2010

VALMIR ARRUDA DE SOUSA NETO

A DICOTOMIA NO PROCESSO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA: UMA REFLEXÃO DAS DIRETRIZES CURRÍCULARS NACIONAIS DENTRO DE UMA PERSPECTIVA MARXISTA.

FORTALEZA 2010

VALMIR ARRUDA DE SOUSA NETO

A DICOTOMIA NO PROCESSO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA: UMA REFLEXÃO DAS DIRETRIZES CURRÍCULARS NACIONAIS DENTRO DE UMA PERSPECTIVA MARXISTA.

Monografia apresentada a Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA, como requisito parcial para obtenção do título de licenciatura em Educação Física, Sob orientação do Prof. Ms. José Pereira de Sousa Sobrinho.

FORTALEZA 2010

Monografia apresentada a Universidade Estadual Vale o Acaraú – UVA.VALMIR ARRUDA DE SOUSA NETO A DICOTOMIA NO PROCESSO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA: UMA REFLEXÃO DAS DIRETRIZES CURRÍCULARS NACIONAIS DENTRO DE UMA PERSPECTIVA MARXISTA. Jean Carlo Vidal dos Santos Coordenador do curso de Educação Física . Esp. Ms. como requisito parcial para obtenção do título de Licenciatura em Educação Física. Monografia aprovada em: ___/___/_____. Genilson César Soares Bonfim ____________________________________ Prof. Esp. Esp. Orientador: ___________________________________ Prof. Ronisson Luis Carvalho Barbosa 2º Examinador: __________________________________ Prof. José Pereira de Sousa Sobrinho 1º Examinadora: __________________________________ Prof.

Ao Departamento de Educação Física e Esportes do Colégio Antares e todo seu quadro de professores em especial ao professor Fernando Martins a quem devo minhas primeiras oportunidades dentro da educação física. Ao meu grande amigo e orientador professor José Pereira de Sousa Sobrinho. A minha esposa Mirella. uma pessoa que me ensinou que a educação física não são apenas corpos em movimento.DEDICATÓRIA Dedico a toda minha família em especial a minha mãe Ivana Lígia a quem devo uma educação digna e cercada de muito amor e ao meu pai Ulisses um exemplo de ser humano em que sempre me espelhei e com quem um dia pretendo parecer. principal incentivadora e admiradora do meu trabalho. Tenho certeza que estarão sempre olhando por mim. sem ela não teria conseguido e a minha enteada Maria Carolina. que eu possa de alguma maneira me tornar referencia para os dois a quem amo muito. . Valmir Arruda (In memorian) de quem herdei o nome e a vontade incessante pela busca do conhecimento e a minha avó Dona Lígia (In memorian) uma pessoa simplesmente indescritível. Aos meus irmãos Luiz Pedro e Murilo. Ao meu avô Sr. local onde pude mudar minha visão de mundo. A todas e todos que constroem o CBCE-CE. as mulheres da minha vida.

Ao meu avô e minha avó (In memoriam) por. Emanuel. muito obrigado. quando precisei lhe pedir socorro e a meu pai que sempre me serviu de referencial me aconselhando em todas as situações. direta ou indiretamente. que sempre abaixa o volume da televisão e me deixa passar o “maior tempão” no computador. Andrea. contribuíram na construção deste trabalho e no meu processo de formação. mesmo que a distância.AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus pela família que tenho e pelas oportunidades por ela me dadas para que sempre tivesse condições de só me preocupar com meus estudos. Aluisio. a pessoa com que escolhi construir minha família a maior incentivadora que tenho. João Cléber. Ricardo. pessoas com quem pude adquirir e compartilhar muitos conhecimentos. Ao meu orientador de quem me tornei um grande admirador e amigo. Rachel. minha esposa. Joice. Giovanni. Ao professor Fernando Martins que acreditou que um garoto de dezoito anos poderia ser um bom professor de educação física. A minha mãe por sempre estar presente. A minha amada. Olívia. muito obrigado. Macelli. a pessoa que me mostrou a grandeza da educação física. Alexandre e Vilson. minha vida. me encharcarem de valores e me ensinarem desde cedo que o homem é capaz de construir sua própria historia. . Aos amigos do DEFE – ATS: Paulo. À minhas tias e tios. Oliveira. Érico e Alex. Aos meus irmãos pelo seu carinho e atenção. por fazerem desta família uma grande alegria e por mostrarem que atos valem muito mais do que alguns telefonemas. Aos amigos do CBCE-CE que. A minha pequenina Carolina. minha Mirella. dentro da sua simplicidade. José Pereira. Tatiana. aquela que suporta meu mau humor e tem sempre uma palavra de afago nas horas críticas. Aos professores da FAMETRO.

não temos outro caminho senão viver plenamente a nossa opção. humanizálo... inviabilizando o amor.“(. torná-lo sério com adolescentes brincando de matar gente. Se a nossa opção é progressista. do direito e não do arbítrio. se estamos a favor da vida e não da morte. Encarná-la. da equidade e não da justiça.) não é possível refazer este país. democratizá-lo. da convivência com o diferente e não sua negação.)” Paulo Freire . diminuindo assim a distância entre o que dizemos e o que fazemos (.. destruindo o sonho.. sem ela tampouco a sociedade muda. Se a educação sozinha não transforma a sociedade. ofendendo a vida.

Buscando fazer uma análise histórica de como se dá o processo de desenvolvimento da educação a partir de um recorte de classes. Palavras chaves: formação de professores. realizada em forma de monografia de conclusão de curso tem como objetivo analisar os novos rumos que toma a formação de professores de educação física numa sociedade que convive com a crise do sistema capitalista a vê o advento do neoliberalismo como à solução para tal. Seguimos esse percurso passando pelas sociedades antigas – Grécia e Roma – passando pelo sistema feudal para enfim chegarmos aos dias de hoje e podermos analisar o embate que se estabelece dentro da formação dos professores de educação física sobre o modelo fragmentado de formação de professores de Educação Física instituído a partir da interferência direta sistema CONFEF/CREF. Diagnosticamos com intermédio do método marxiano que a formação fragmentada expressa o aprofundamento da precarização da formação de professores de educação física. educação física. onde percebemos a importância dada às questões educacionais quando percebido a possibilidade de dominação através de ideologias desenvolvidas pelas classes dominantes de diferentes épocas.RESUMO Esta pesquisa. suas relações de poder e como isso influenciava na formação dos professores. trabalho. desqualificando a possibilidade de acesso ao conhecimento das camadas menos favorecidas e supervalorizando as possibilidades de empregabilidade em detrimento ao emprego formal onde o trabalhador teria a possibilidade de maiores garantias. .

...... 24 3............................................................... 01 2...... 21 3.................... através do cristianismo................................ NEOLIBERALISMO NA EDUCAÇÃO FÍSICA: AS ESTRATÉGIAS DE REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO E AS INGERENCIAS DO SISTEMA CONFEF/CREF SOBRE O PROCESSO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES.............................................................................................. 29 3...... da educação como fator de dominação sociocultural ................................................3 O homem romano as suas relações de poder............................................................................................. 34 4..........................4 O feudalismo e a consolidação................. o capitalismo e a educação do físico como aliada deste sistema ..................... INTRODUÇÃO .............. 18 2...................... 15 2....SUMÁRIO 1............................................................ A INFLUÊNCIA DO CONTEXTO SOCIOECONÔMICO NA EDUCAÇÃO COM ENFOQUE NA EDUCAÇÃO FÍSICA .......1 A educação na comunidade primitiva.............................. 35 ................................2 As conseqüências de Políticas Neoliberais para a Educação em Crise ................ 05 2....................................................3 A influencia das Estratégias Neoliberais na formação de professores . 24 3.......................................................... 05 2..... 35 4.............................. 07 2..6 A educação física no Brasil e sua evolução dentro de um contexto socioeconômico .............. 11 2..............................................................................1 A educação física lado a lado com o sistema dominante .......................................2 Educação Grega: diferenças entre a educação de espartanos e atenienses e a valorização do físico como status quo .... A EDUCAÇÃO FÍSICA NA CRISE DO CAPITAL E O SURGIMENTO DO NEOLIBERALISMO .............................5 O ideal de educação do homem burguês...... educação e educação corporal.........1 A Crise no Mundo Capital e o Advento do Neoliberal .

.........................................3 A formação dos professores de educação física dentro desta nova perspectiva mercadológica: As DCN como delimitadoras de funções ............................................. 39 4..............................2 Regulamentação da educação física enquanto profissão: o que há por trás disso? ............................. COSIDERAÇÕES FINAIS .................... 56 ..................... 54 6............... 45 4....................................................................... REFERÊNCIAS .......... 48 5...............4 A divisão do currículo de educação física: bacharela e licenciatura ................................4......................

A real valorização acontece quando percebemos o qual grandioso é a compreensão de todos estes contextos e as possibilidades que atividades corporais historicamente construídas podem nos oferecer para trabalhar sobre o corpo como uma totalidade.1 1. unidade Fametro. historicamente. da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA. INTRODUÇÃO Este trabalho tem como função cumprir a exigência da disciplina Trabalho de Conclusão de Curso II. através de uma pesquisa sobre os reflexos das Diretrizes Curriculares Nacionais na formação de professores. neste caso específico o sistema CONFEF/CREF. a relação entre educação e uma sociedade dividida em classes. Temos como objetivo geral compreender as relações de classes existentes na nossa sociedade e como isso reflete na formação dos nossos professores. localizando a relação capital versus trabalho e a desqualificação dos trabalhadores como prerrogativa para justificar tais sistemáticas de ação neoliberais existentes no contexto pesquisado. investigar os reais intenções das Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de professores. analisar a crise no mundo capitalista e como advento o surgimento do neoliberalismo. entender como acontece a evolução da formação de professores no Brasil. voltados para a formatação de indivíduos historicamente contextualizados e criticamente embasados. O que nos leva a levantar tais questões em nossa pesquisa é o fato de acreditar que o ensino da Educação Física não é somente a educação restrita ao mover dissociado da intervenção no plano da consciência humana. verificar os prejuízos a área da educação física que propostas neoliberais possam vir a ocasionar. em especifico a formação em Educação Física. Fortaleza. refletir sobre a influência de classe nos projetos educacionais no transcorrer da historia das grandes civilizações. . que temos um homem por trás destes movimentos que historicamente vem se modificando e se moldando de acordo com o contexto social ao qual é submetido. E como objetivos específicos compreender. dando destaque para a dicotomia na formação em educação física como um reflexo destas relações entre sistemas de regulação e a classe trabalhadora. pontuar as ações de sistemas reguladores (CONFEF/CREF) para a consolidação de projeto hegemônico. com um enfoque na dicotomia gerada pelas próprias diretrizes na formação de professores de educação física em consonância com os sistemas reguladores.

a encarnar esse papel eram escravos e que este era um ofício indigno o qual muitos tinham vergonha. Diante desta trajetória. onde . nossa pesquisa terá como centro uma reflexão sobre a formação em educação física e influências por essa sofrida através da intervenção do capital. onde percebemos que os primeiros personagens. entretanto as oportunidades de atuação que me foram dadas deram uma origem a uma reflexão que negou as convicções até então estabelecidas sobre o desenvolvimento da educação física. para os membros de sua classe. característica que segue a educação no transcorrer da história. As compreensões dos porquês referentes à educação física foram um pouco amenizadas a parti da busca pela história desta disciplina e o entendimento dos contextos onde ela era aplicada. Portanto. com o crescimento da burguesia que ao assumir o poder econômico passa a exigir. não entendia direito o que significava bacharelado e licenciatura. uma educação diferenciada que cumprisse com suas necessidades imediatas.2 Durante os onze anos que passei no curso de graduação tinha a visão simplista que a Educação Física havia mudado. A transformação dessa realidade se efetiva ao concretizarem-se as oportunidades de acesso ao conhecimento. nos tempos medievais. ou licenciatura plena. Para tanto fizemos um resgate histórico de como se efetivou a educação em determinadas civilizações e como era tratada a figura do professor. O intuito da nossa pesquisa é buscar o entendimento. da atuação das camadas dominantes no acesso a formação por parte dos trabalhadores. Esta característica se mantém também com o cristianismo. dentro de uma lógica de uma sociedade divida em classes. estes fatores me levaram a questionar os rumos que a Educação Física estava tomando principalmente as gestões do sistema CONFEF/CREF que nos empurram uma series de normatizações “goela a baixo” e as conseqüências que estas trazem para a nossa formação. achava que estava ali para me tornar um “técnico” de um grande time de vôlei. o que nos coloca no centro do debate sobre divisão do currículo em bacharelado e licenciatura. na baixa idade média período marcado por inúmeras transições relacionadas à educação. local onde pude perceber que não estava sozinho diante dos meus anseios e fui muito estimulado a embasar a minha crítica que culminará com está pesquisa. o que me imputava como principal preocupação o meu trabalho. surgiu a possibilidade de participar do CBCE-CE.

Buscando uma forma de legitimar essa atuação fora do âmbito escolar. quando se referiam as áreas não escolares da atividade corporal. restringindo a atuação somente para os que fossem registrados. não estava atrelado somente aos trabalhadores que haviam freqüentado os cursos de educação física. Entendendo o funcionamento do mundo capitalista em crise e o advento do neoliberalismo. voltados para a dominação através da religião. com a prerrogativa de garantir o que os defensores da tese de regulamentação da profissão chamavam de “terra de ninguém”. dentro da lógica neoliberal. onde a educação voltada para a concretização das novas competências exigidas pelo capital no interior da lógica neoliberal. que atuará na escola e o bacharel ou graduado. também com os mesmos princípios ideológicos. Registro este que. garantiu uma fatia de parte deste novo mercado que surgia. por mais que estas instituições estivem atreladas a questões religiosas. responsável pelas práticas fora do ambiente escolar. mas também ao trabalhador que já ocupava este segmento. requisitos fundamentais para a manutenção da lógica capitalista. inclusive se adequando as necessidades do ensino as necessidades mercadológicas. inicialmente. Em nossa pesquisa ficam claros os requisitos necessários para o sucesso na vida social. é a capacidade que o homem tem de se adaptar ao mercado. O reflexo destas práticas neoliberais na educação física chega com a regulamentação da profissão. e as primeiras universidades. apenas. o sistema CONFEF/CREF através das Diretrizes Nacionais Curriculares normatiza que os cursos de formação deverão preparar dois modelos de profissionais na educação física: o licenciado.3 podemos destacar a proliferação das instituições de ensino. Percebemos que somente este argumento não proporcionou a valorização do professor de educação física. . passamos a compreender melhor as diferenciações que ocorrem dentro da educação e as suas utilizações como garantia de sustentabilidade destas sistematizações neoliberais. enquanto garantia do sucesso individual. teoricamente. não necessariamente essa adaptação é garantia de emprego. Chegando ao Brasil verificamos também o mesmo uso da “ferramenta” educação como objeto de dominação das massas e a educação física como instrumento de manutenção hegemônica das classes dominantes.

As incoerências do sistema capitalistas refletidas na educação e as conseqüências de políticas neoliberais vem tem como resultado no seio da formação de professores de educação física. Os quais são estimulados a disputarem uma posição no mercado com colegas que executam a mesma função. Para tanto. Lei 9696/98. os quais refletimos dentro de uma perspectiva marxista percebemos que na ruptura entre o saber intelectual e prático. pois não tem a “formação” necessária exigida pelo sistema CONFEF/CREF. realizamos uma pesquisa documental na qual nos debruçamos sobre as análises de documentos que fundamentaram esse processo que foram a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira nº 9394/96 – LDB -. após as analises de todos os esses dados. fragmentar o conhecimento oferecido para a classe trabalhadora. é que passemos a formar para que o sujeito possa “saber menos do mínimo”. Resoluções do sistema CONFEF/CREF. . a estrutura curricular imposta ao modelo de formação de professores de educação física. a contradição presente no novo projeto político-pedagógico pautado sobre a lógica da teoria das competências. Portanto. o processo histórico de especializações conduz a um tipo de formação em que o sujeito saiba mais do menos. Do que podemos concluir que uma análise sobre o modelo de formação não pode ser realizada dissociada de uma análise mais profunda sobre o modelo de sociedade onde esta se realiza. Revistas do CONFEF. Ou no caso de nosso objeto especifico desse estudo.4 Por fim. ou seja. de regulamentação da profissão de educação física. mas que por uma determinação arbitraria não pode estar ali. expomos nas páginas que compõem esse estudo uma análise rigorosa que denuncia as contradições da sociedade capitalista e as determinações de classes presentes no interior do processo de formação humana. Contudo. sejam esses no conteúdo selecionado a ser transmitido.

UM REGASTE HISTÓRICO. porque tomava parte nas funções sociais.5 2. educação. os seus membros eram indivíduos livres. As crianças se educavam tomando parte nas funções da coletividade. 2005). . educação física e formação de professores para assim podermos compreender melhor os caminhos historicamente percorridos pela educação corporal refletindo a importância na formação do homem. diríamos que. Entender a evolução da educação durante os tempos é resgatar a própria historia da evolução do homem e das sociedades. assentada sobre a propriedade comum de terra e unida por laços de sangue. A INFLUÊNCIA DO CONTEXTO SOCIOECONÔMICO NA EDUCAÇÃO COM ENFOQUE NA EDUCAÇÃO FÍSICA. Poderíamos ainda descrever este modelo de sociedade como uma coletividade pequena ou tribo. p.18). a comunidade persistia. com direitos iguais (Ponce. 2. 19) nos diz Usando uma terminologia a gosto dos educadores atuais.1 A educação na comunidade primitiva “Escrava da natureza. navegava. 2005. onde através da convivência os mais novos aprendiam com os mais velhos. Poderemos notar isto mais claramente quando Ponce (2005. nas comunidades primitivas. Quanto à educação neste modelo social se tratava de uma ação espontânea. Ao tentarmos fazer um paralelo entre sociedade e educação poderemos perceber a estreita relação existente e a forte influencia que uma exerce sobre a outra. p. buscando uma conexão entre a realidade socioeconômica. o ensino era para a vida e por meio da vida. mas não progredia” (Ponce. para aprender a manejar o arco. E. Tentaremos mostrar essa influencia desde a comunidade primitiva até as sociedades mais contemporâneas. no mesmo nível que os adultos. para aprender a guiar um barco. Ao analisarmos esta afirmativa de Ponce (2005) poderíamos sugerir que o homem primitivo buscava apenas a sua sobrevivência. elas se mantinham. a criança caçava. natural. não abstante as diferenças naturais.

o ínfimo domínio que o primitivo havia alcançado sobre a natureza e.6 A transmissão do acervo da cultura corporal1 ou educação corporal está presente neste contexto como o processo de educação que transmite os conhecimentos necessários a sobrevivência. Ponce. . A organização da tribo se dava de maneira democrática onde todos se ajustavam as resoluções de um conselho em que tinham voz ativa. a acumulação de bens. O pequeno desenvolvimento dos instrumentos de trabalho impedia que se produzissem mais do que o necessário para a vida cotidiana e. a sua religião é marcada pela ausência de deuses. 2005). uma dupla origem: o escasso rendimento do trabalho humano e a substituição da propriedade comum pela propriedade privada. pelo outro. tanto para suprir as necessidades básicas. ainda que nunca a tivesse formulado expressamente. (2005.32) aborda o assunto dizendo Podemos compreender. por um lado. Em síntese. Essa concepção do mundo. como para conseguir se defender dos predadores naturais e de outras tribos rivais. a origem da propriedade privada na apropriação privada do excedente propiciada pela avança das capacidades produtivas. a organização econômica da tribo. Logo o que se produz mais do que se consome gera um excedente. portanto. Uma vez que na organização da comunidade primitiva não existiam graus de hierarquias. os primitivos acreditavam em forças difusas que impregnavam tudo o que existia. estreitamente vinculada a esse domínio. portanto. da mesma maneira que as influencias sociais impregnavam os membros da tribo (Ponce. provavelmente. Contudo. refletia. O homem das comunidades primitivas também tinha uma concepção própria do mundo. Percebemos a comparação de nossa afirmativa quando observamos que a partir da utilização de animais como mão de obra e o descobrimento de determinadas técnicas agrícolas proporciona o aumento na produção. o primitivo supôs que a natureza também estava organizada desse modo: por esse motivo. p. os conhecimentos de uma época correspondem às possibilidades materiais criadas na sua época. se alimentar. que nos parece pueril. Este quadro começa a mudar quando vemos surgir uma sociedade divida em classes tendo. o que era produzido em comum era repartido com todos. 1 O acervo da cultura corporal de uma época se refere ao leque de conhecimentos motores enquanto linguagem corporal acumulados historicamente pelas sociedades e passado de geração em geração até a época existente. e imediatamente consumido.

como consequências necessárias. o qual está presente para consolidar os pensamentos das classes “superiores”. Uma análise rígida a respeito do modelo de sociedade constituída na Grécia Antiga deve refletir sobre o modelo sócio econômico erguido nos referidos estados nações que compunham o estado grego. primeira instituição social. Nesse processo encontramos a origem histórica da propriedade privada. onde a educação espontânea começa a dar lugar a uma educação dirigida para a manutenção de riquezas de uma pequena minoria. mas os escassos desenvolvimentos dos meios de produção não permitiam lançar no mercado um grande excedente de produtos. com isso a propriedade deixa de ser coletiva e passa a ser privada onde cada um tem enquanto propriedade uma parte da totalidade da produção. para então refletirmos adiante sobre suas implicações na educação nestes dois modelos de sociedade. Sobre nossa analise tal interpretação é por demais simplória. Atenas. O que podemos perceber neste momento de transição de uma comunidade primitiva para os primeiros modelos de sociedade dividida em classes é que a família. a submissão da mulher e dos filhos.2 Educação Grega: diferenças entre a educação de espartanos e atenienses e a valorização do físico como manutenção de status quo Sempre que ouvimos falar das diferenças entre atenienses e espartanos nos reportamos aos seguintes dizeres: educação guerreira.no momento em que surge a propriedade privada e a sociedade de classes. no poder de exploração. entretanto. aparecem também. a educação secreta. ganha força dentro desta filosofia. já que quase toda a técnica dos .7 se está “sobrando” é necessário guardar. Esparta. a autoridade paterna. Sem deixar. é o que pretendemos fazer nas páginas que seguem este tópico. de ter funções socialmente úteis. p. no modelo de educação corporal. uma religião com deuses. e a separação entre trabalhadores e os sábios. Para tanto. A reflexão de Ponce (2005. e a direção.. assim como.. e tem como única conseqüência o fato de subestimar as contribuições dadas por esses povos para o desenvolvimento social do ser humano. 2. 32) nos oferece uma exata medida das conseqüências da propriedade privada para a ordem social existente . a administração dos bens da coletividade transformou-se na opressão dos homens. educação filosófica. Classes dominantes essas que para manutenção de suas riquezas usufruíam de mão de obra escrava.

o Estado apoderava-se do jovem espartano. V a.. Eles atuavam no papel de fiscais da vida pública. com o crescimento do comercio. 2005). Assegurar a superioridade militar sobre as classes submetidas. que permitiu grandes viagens marítimas (Ponce. na realidade. Cinco éforos eram eleitos anualmente. em que a sociedade vai se dividindo em classes.8 antigos se resumia na força humana. roletes e planos inclinados (Ponce. poderemos diferenciar os modelos educacionais usados por estas duas comunidades. obrigando as classes superiores a transformar sua organização social num acampamento militar.000 ilotas. Aos sete anos. Neste momento. E como o exército era. De fato.40) 3 Os éforos eram os oficiais da antiga Esparta. 2005. existia também a preocupação com o aumento das riquezas gerando uma crescente concentração da propriedade nas mãos de poucos e um empobrecimento cada vez mais acentuado das massas.41). e era tal o desprezo que votavam a tudo que 2 . até aos quarenta e cinco anos pertencia ao exercito ativo. rigidamente disciplinada por meio da pratica da ginástica e austeramente controlada pelos éforos3. e até aos sessenta. tivemos duas inovações importantes: a cunhagem de moedas. . quase não existia entre os espartanos. percebemos que este ideal único de beleza.org/wiki/%C3%89foro. e o aperfeiçoamento dos instrumentos de navegação. e não mais abria mão dele.C. que facilitou muito o processo da troca. Instrução. “a nobreza em armas”. Poucos entre os nobres sabiam ler e contar. comumente falado quando nos referimos ao homem grego. não era a única preocupação entre a nobreza. ajudada por alavancas. no sentido moderno do termo. eis o fim supremo da educação. 2005). Contudo. (Ponce. um poder quase que absoluto. Percebendo este contexto.. 2005. que tinham sido dominados depois de sangrentas batalhas e que estavam reduzidos à condição de trabalhadores agrícolas escravos.. os cinco magistrados que exerciam.wikipedia. a partir do sec. Quando nos referimos ao estimulo das virtudes guerreiras supervalorizadas pela nobreza espartana entendemos que este fato se dava pela não submissão de parte da população que era muito mais numerosa2. o espartano vivia permanentemente com a espada em punho (Ponce. acessado no dia 01/outubro às 11h59min.o número de espartanos propriamente ditos – os nove mil cidadãos dos tempos de Licurgo – era bastante exíguo em relação ao número de habitantes submetidos a seu poder: os 220. inclusive da atuação dos reis. p. Dados retirados do site http://pt. à reserva. por delegação da nobreza. p.

de homens com suas túnicas brancas dialogando sobre a natureza. quando falamos na educação ateniense. nas classes oprimidas. que os jovens estavam proibidos de se interessarem por qualquer assunto que pudesse distraí-los dos exercícios militares (Ponce. era fundamental para a manutenção deste modelo. (2005. 42 ) nos relata que “Integralmente dedicado à sua função de dominador e de guerreiro.9 não fossem “virtudes” guerreiras. pelo outro. e não só reservava para si esses conhecimentos como castigava ferozmente. frenava. Sociedade guerreira. Ainda a respeito disso Ponce. o espartano nobre não cultivava outro saber que não o das coisas das armas. Para entendermos a importância de uma educação das “virtudes” guerreiras. 2005) . primeiros instrutores. ganha força e se torna um instrumento de dominação. por isso mesmo. a sociedade espartana necessitava deste vigor físico e o papel dos éforos. na concepção guerreira. formada à custa do trabalho do ilota4. pessoas pacatas e sutis que dedicavam seu tempo a apreciação da natureza e a busca pelo entendimento do comportamento humano. política e filosofia. as diferenças de fortuna foram tão marcantes (Ponce. Quando olhamos friamente. se faz necessário um entendimento sobre como estava à evolução do comércio ateniense já que era maior produtora de mercadorias do que Esparta. Mas. (nota do autor) 5 Assim eram chamados os comerciantes da época. por um lado. as massas exploradas. desta forma Esparta se apropriava e vivia a expensas do trabalho alheio. 2005). (Ponce. 2005). Enquanto. todo e qualquer intento de compartilhá-lo ou de apropriar-se dele. transformando-os em escravos. p. Mas não contente com acentuar as diferenças de educação segundo classes. surge em toda sua extensão o caráter de classe da educação espartana. o espartano ainda se esforçava por manter submissos e embrutecidos os escravos. pelo senso comum. as circunstâncias não impuseram a Atenas uma organização tão estritamente militar. Estar fisicamente preparado para a batalha se tornava muito mais importante do que saber ler ou entender números.” A educação do corpo. por meio de terror e da embriaguez. 4 Seguindo os passos para a formação de uma sociedade dividida em classes. passaram a usar a força de produção dos ilotas. Saindo de Esparta e nos voltando para Atenas. geralmente temos a idéia. aqueles que ganharam a batalha no caso os atenienses. e do comércio do periteco5. a educação reforçava o poder dos exploradores.

(2005. quando a sociedade foi complicando sua estrutura e o trabalho dos escravos assegurou às classes dirigentes um bem estar cada vez mais acentuado. puderam gozar as doçuras do ócio. O tempo dedicado a essas “atividades”. essas classes passaram. era impossível prescindir da “nobreza em armas”. ou também “repouso distinto”. quando entre os Aquiles e os Agamenons um só entre cem sabia ler e escrever.” Nos primeiros tempos da vida ateniense. 2005). quanto na sua compreensão dos deveres de cidadão. o número de escravos cresceu rapidamente. Cit. e levaram até a arte da flauta à dignidade de uma ciência. orgulhosos dos seus triunfos passados e dos êxitos conseguiram desde as guerras médicas. Para manter subjugado tal exercito de escravos.” Aristóteles. a conversa nos banquetes. tudo estava preparado para isso. ou “jogo nobre”. 2005) eles que que 184 . percebemos também que a educação corporal esta presente na vida do homem desde seu surgimento. As representações no teatro. servidor da nobreza. E como as concepções religiosas refletem passo a passo os movimentos da sociedade que as produz. 2005) “Desde que os nossos pais. um exame de Estado verificava até que ponto ele havia chagado em sua educação. mais ou menos equivalentes aos periecos dos espartanos. ob. ainda que com caráter de sobrevivência. tanto no manejo das armas. eles cultivaram todas as ciências com mais paixão do discernimento. Desvinculadas totalmente do trabalho produtivo. p. pouco a pouco. fundamentalmente.10 Com o aumento da riqueza. a considerar as atividades alheias à vida prática e às necessidades básicas. por causa da prosperidade conseguida. como verdadeiramente características das classes superiores. se entregaram com magnífico ardor à virtude. de acordo com as “virtudes” valorizadas pelos guerreiros (Ponce. ginásios instituições e efebos. seja ela da comunidade ou da classe que esta em posse das riquezas. como classe dominante. Reforçando esta importância Ponce. a preparação física dos seus cidadãos. outros elementos foram-se incorporando ao ideal de “virtude”7. as quais foram qualificadas com o termo – diagogos – que pode ser traduzida como “ócio elegante”. Ao terminar o jovem o seu período de efebia. Notamos claramente a importância de se educar o físico da população. 6 7 Estrangeiros e libertos. Entretanto posteriormente. portanto. 44) nos fala ainda que “Palestras. pág. a “virtude” do homem das classes dirigentes não estava muito distante do ideal guerreiro e brutal dos espartanos. as discussões na Ágora reforçavam nos jovens a consciência de sua própria classe.. de tal modo que para cada cidadão livre existiam pelo menos dezoito escravos e dois metecos 6. (Ponce. Ao Estado. (Ponce. interessava.

. as classes exploradas não tinham acesso a qualquer instrução intelectual já que os conhecimentos necessários para a realização das funções sociais a eles atribuídas eram assimilados na própria infância. própria à preparação para o “comandar”. Enquanto isso. e do mesmo modo a nobreza romana ainda era socialmente produtiva uma vez que a agricultura era a principal fonte de rendas. que até agora ainda não encontramos: a escola que ensina a ler e escrever.11 os deuses combativos e guerreiros das épocas bárbaras foram cedendo seu posto para outros deuses equilibrados e serenos que saboreavam no Olimpo uma vida de perpétuo diagogos. ler e escrever.3 O homem romano e suas relações de poder. Podemos perceber então que desde a sua concepção a escola foi direcionada para a classe que estava no poder. doutrinando os filhos dos nobres para a perpetuação da sua dominação e aumento das suas riquezas. da arte e da filosofia a nobreza. p. Saber ler era tão primordial quanto saber nadar. p. a música e o desenho compunham os conteúdos da escola grega. demonstrando a grande importância da instrução do físico nessa sociedade (Sousa Sobrinho. onde havia uma instrução cultural e física. A cerca disto Ponce (2005. este começou a perceber que os seus filhos necessitavam do auxílio de uma nova instituição. aprender a contar. Percebendo esta necessidade de ir além dos campos da poesia. educação e educação corporal Seguindo o mesmo modelo que pudemos observar na Grécia. notaram que além do corpo se fazia necessário a compreensão quanto ao comercio. A educação corporal também cumpria este papel “alienador”.58) nos diz que Ao mesmo tempo que este aspecto diagógico da vida foi aumentado de importância para o ateniense nobre. 2005). já que tais atividades passavam também a ser uma tarefa dos filhos da nobreza. em rotina prematura de trabalho. (2005. 16) diz que Uma escola que surge como privilegio das classes dominantes. Roma se expandia através da exploração do trabalho escravo. e a ginástica em conjunto com a gramática. A pratica agrícola era tão privilegiada que o valor de um homem era medido pela suas quantidades de terra. Discorrendo sobre o surgimento das instituições de ensino Sousa Sobrinho. 2. consolidado a formação das virtudes guerreiras para a nobreza em armas.

repercutiram de modo extenso e contraproducente sobre o rendimento desse trabalho. atrelando suas riquezas a sua nobreza. Em relação à política. que estavam debaixo das ordens de um intendente – um liberto ou um escravo de confiança – que cuidava atentamente das rendas do seu patrão. passada de pai para filho. Com maus-tratos não se conseguia produzir nada de boa qualidade. Assim os “escravos mais robustos e temíveis não eram apunhalados à traição como em Esparta. o romano nobre já não era colaborador dos seus escravos. 64) . a única maneira era a pratica. as relações entre amo e escravo adquirem um aspecto diferente do que tinham na época da pequena propriedade. p. A agricultura. o jovem romano aprendia os segredos da agricultura. nem em quantidades apreciáveis. Com o crescimento das propriedades8 crescia também o número de escravos e o afastamento dos nobres do contato com os mesmo. e. 2005). aparece claramente o desprezo pelo trabalho. 2005. 8 À medida que os domínios rurais aumentaram de tamanho. freqüentando-o. A guerra. com o que Roma conseguia. primeiro nos campos de exército. quanto mais tenho mais nobre sou. Como uma sociedade escravocrata em que a busca pelo usufruto da riqueza afastava o nobre dos trabalhos físicos o que gera um grande antagonismo entre trabalho e ócio. como ouvintes. ao mesmo tempo. conceito comumente encontrado entre alguns historiadores que apenas analisam a historia sem lhe expor a um pensamento critico. eles logo se familiarizavam. 2005. distrair-se e proteger-se” (Ponce. aumentava também a crueldade e pioravam as condições de trabalho. Para aprendê-lo. a guerra e a política constituíam o conjunto de conhecimentos sobre o qual o romano nobre devia ter o domínio para realizá-las. valorizava estas praticas e prepara o jovem romano para perpetuar o nome da família. função exclusiva dos escravos. O terror e os castigos. (Ponce. p. visando somente o aumento da produtividade. Vivendo longe das suas terras. pelo fato de terem sido durante muito tempo o único acicate para manter desperto o trabalho escravo. havia alguns banquinhos reservados aos jovens.12 A educação. com as próprias funções que logo mais deveriam desempenhar (Ponce. Devemos analisar cuidadosamente o que comumente é dito quando nos reportamos a Roma como um “grande centro de atividade física”. de um modo bem simples. 64). Já vimos que. depois na coorte do general. Perto da porta do Senado. ele tratava conhecimento com ela. levando também a um aumento do número de escravos. junto ao pai. ele se adestrava assistindo às sessões em que se debatiam os assuntos mais ruidosos. mas educados como gladiadores.

Os escravos libertos e os pequenos proprietários que. E como estas exigiam muitos braços. Os que haviam sido antigos proprietários. mas os seus próprios. nas mãos de homens que trabalhavam com rancor. uma nova parcela da sociedade ganha respeito. em sua maioria. passaram a se dedicar ao comércio e as indústrias livres. tinham considerado desprezíveis (Ponce. os romanos estavam sempre à procura de terras aráveis.dicionariodoaurelio. Para remediar de algum modo esta falta de qualidade do trabalho do escravo. com aparelhagem tosca. nem a exploração das minas podia ir muito longe. Os que haviam sido antigos escravos aprenderam o seu ofício na casa de seus amos. Por outro lado. Nesse sentido. até então. nem as terras rendiam satisfatoriamente. os proprietários começaram a premiar os melhores trabalhadores. além da possibilidade de comprar a sua liberdade. arruinados pelos latifúndios. Essa “nova educação” sugue fruto desta disputa comercial. Com esta nova camada social surgindo e ganhando força no declínio do império romano eis que surge uma “nova educação” para suprir os anseios desta nova classe que ascendia pelo domínio das riquezas. Economia de escravos. que exigiam certo esmero. dos escravos instruídos. as camadas sociais que atingiam algum status passaram agora a lutar pelos seus direitos. de algum velho e instruído escravo. o exercito de escravos se tornava cada vez mais compacto.com/. . foram. surgindo assim novas “camadas” na sociedade romana. que necessariamente não são os direitos de todos.C. não era possível entregar aparelhos complicados ou técnicos. muitas coisas que. 2005).. que está vinculado a este novo quadro as condições econômicas resultante da acumulação de bens que com o objetivo de manter seu patrimônio exigia esta uma melhoria na educação dos seus filhos. oferecendo-lhes algum peculium9. resultava que libertar escravos era um negocio quase tão bom quanto adquiri-los (Ponce. Incapazes de fertilizar o solo e de trabalhar com competência o mineral. ao contrario. E como este preço era sempre superior ao da compra. Portanto a historia das lutas de classes é a historia pela luta do controle do material e político dos diversos modelos de sociedade existentes até aqui. no século IV a. Dados retirados do site http://www. 9 Peculium – parte do rebanho doado ao escravo que o guardava. no dia 13 de outubro de 2010 às 10h35. cada lar romano foi para os escravos uma escola elementar de artes e ofícios.13 Além disso. Com este novo contexto. tiveram de aprender agora. 2005).

eximindo assim os governantes de qualquer responsabilidade quanto ao que era ensinado. Consolidada esta necessidade. Como as instalações davam para a rua. se recusou a incluir a profissão de professor entre as profissões liberais. isto é.priberam. a educação nada mais é do que uma “prestadora de serviços” para as classes dominantes. . e é sabido que Sêneca. que haviam aprendido a defender-se desse modo. da mesma forma que. o professor primário – o ludimagister – era um antigo escravo. o salário era uma prova de servidão.. p. Entretanto o que poderia ser um espaço para a construção de uma consciência critica nos jovens da época estava longe desse objetivo e qualquer outro que não fosse a perpetuação do domínio através da força e a supervalorização da condição de nova nobreza dando menos ênfase a formação formal e os preparado para a vida pratica. eles têm lugar de honra nos espetáculos e passam a ser convidados para os banquetes (Ponce. era profundamente desprezado. no dia 13 de outubro às 10h38.” Fica claro que. e os retores. 67). as primeiras escolas que se abriram em Roma se instalaram no Foro. 2005. Da mesma que sempre encontramos na sociedade de classes uma divisão entre aquela que domina e a que é dominada. no mesmo momento em que a antiga classe aristocrática e rural começa a ceder posições a outra classe que se firmava. uma turba10 de professores: os ludimagister.pt/DLPO/default. os comerciantes e os artesãos. desde o surgimento do oficio de professor. da mesma forma que na opinião dos gregos.C. que fazem seu uso para disseminar ideologias. p. para a superior (Ponce. a comerciante e industrial.. todos os ruídos chagavam até a escola. da mesma forma que em qualquer outro que se ganhava salário. 67) nos descreve que o Artesão como qualquer outro. começaram assim a exigir uma nova educação. União de vozes que cantam em coro. A cerca da estrutura dessa escola Ponce (2005. entre as mil e uma tendas de mercadorias que ali existiam. mesmo com as transformações acarretadas pela luta de classes no interior da própria classe dominante. depois de Cícero.C. os membros da nova classe começaram a divergir das idéias relacionadas à educação considerando-a insuficiente o conteúdo ministrado até então aos nobres. que alugava um estreito compartimento chamado pérgula e abria ali a sua “loja de instrução”. um século atrás na Grécia. A partir do século III a.aspx?pal=turba. para que a semelhança com os outros “negócios” fosse completa. e. da mesma forma que anteriormente acontecera na Grécia. Apareceu. em Roma. 2005. começaram a ter influencia política e a gozar de consideração social. Unidos em confrarias e corporações. a primeira que explora e 10 Multidão ou magote de gente. então. Não é necessário dizer que o oficio de professor.14 A necessidade de uma “nova educação” começou a se fazer sentir em Roma a parti do século IV a. Vale ressaltar que estas instituições de ensino eram particulares. 66). um velho soldado ou um proprietário arruinado. p. para a média. Aos olhos dos romanos. os gramáticos. entre as profissões de “homens livres. para educação primária. Dados retirados do site http://www.

de tal modo que. Já que. Será que só a propagação junto aos escravos da idéia de . O que percebemos neste período foi a crise desta nobreza agrícola e a ascensão do comercio e da indústria foram elementos determinantes para que a educação mais uma vez fosse inserida como ferramenta de dominação.o que significa afirmar que a escravidão se tornou desnecessária. encontrou entre os romanos que nada possuíam uma atmosfera propícia para sua difusão. quando. a própria evolução da educação surge como meio de garantir aos trabalhadores condições mínimas de sobrevivência e que não significa necessariamente a conquista de melhores condições de vida. foram-se extinguindo. o cristianismo foi atenuado pouco a pouco o seu ímpeto inicial. mas rebeldes. no decorrer de poucos séculos. 2005). O fim do império Romano é concretizado quando o cultivo em pequena escala volta a ser o melhor modelo de produção agrícola para atender as necessidades sociais da época. Assim como. o escravo passou a produzir menos do que custava a sua manutenção. 2.4 O feudalismo e a consolidação.15 usufrui das riquezas produzidas e a segunda que é explorada e produz as riquezas materiais de uma dada época histórica. A religião cristã. se transformou na religião do Império. Neste cenário de crise surge o cristianismo onde Ponce (2005. que ressoaram todavia durante algum tempo entre os primeiros padres da Igreja. Os gritos contra propriedade privada e contra a exploração por parte dos poderosos. A nobreza dona destas grandes extensões de terra entra em crise oportunizando o crescimento de outras camadas da sociedade (Ponce. . tal fato apenas confirma que a exploração dos domínios enormes – latifúndios – por verdadeiros exércitos de escravos já não era capaz de produzir a riqueza suficiente para a continuidade do modelo reprodução da vida instituído no interior da Roma Antiga. ele já havia perdido totalmente a sua primitiva significação. ainda que não de molde a alterar o seu conteúdo de classe. Perseguindo a principio como ameaça. p. em relação à Antiguidade.87) nos diz que As transformações que a sociedade sofreu durante o feudalismo impuseram no domínio religioso. dos exploradores de Israel. algumas diferenças de importância. não sem o protesto das massas. através do cristianismo. da educação como fator de dominação sociocultural A decadência do império romano está expressa no aumento da miséria. e a partir desse momento o escravismo desaparece como um sistema de exploração em grande escala. Essas afirmativas nos levam a pensar quais teriam sido os fatores que fizeram a Igreja evoluir tanto neste período. que nos seus começos encarnou os ideais confusos.

encontramos monastérios espalhados por todos os países que constituíram o velho Império Romano. em que se ministrava a instrução religiosa necessária para a época. muito exagerada. nem a escrever. podemos constatar em tal modelo de formação uma total separação entre educação corporal e educação intelectual. categoria essa que. chamadas “escolas para oblatas”. seria redundante ressaltar a importância de uma instituição que não só tomou em suas mãos a direção da agricultura. Em um regime como o feudal. p. mas familiarizar as massas campesinas com as doutrinas cristãs e. poderosas instituições bancárias de crédito rural” (Ponce. Ainda sobre a educação feudal. 2005. e outras. ao mesmo tempo. propositadamente. que era nessas escolas – as únicas que podiam ser freqüentadas pela massa – não se ensina a ler. E como não poderia ser diferente a igreja também utiliza educação enquanto ferramenta de controle quando encontramos como as primeiras “escolas” medievais justamente os monastérios. Infelizmente veremos que este artifício ainda será muito usado no transcorrer dos tempos dentro das sociedades. mas sim com a pregação. entretanto continua servil e submissa a classe detentora do poder. a formação para o corpo é separada da mente e os trabalhos manuais são de uso exclusivo da plebe que deixa de ser escrava no nome. 2005). 91) diz Desde o século VII. Veremos que além desses fatores. onde a economia se baseia na exploração agrária. temos um ponto crucial para este crescimento do cristianismo que era “porque os monastérios foram.16 que todos eram iguais perante Deus e que o reino do céu esta prometido aos homens de “bem”. Herdeiras das escolas catequistas dos primeiros tempos do cristianismo. Desaparecidas as escolas “pagãs”. estas escolas não se incomodavam com a instrução. no momento. 89). tornemos claro que as escolas monásticas eram de duas categorias: umas destinadas à instrução dos futuros monges. estava novamente sendo usada como ferramenta de manutenção das camadas dominantes. Acerca deste assunto Ponce (2005. a Igreja se apressou em tomar em suas mãos a instrução pública. A finalidade dessas escolas não era instruir a plebe. durante toda a Idade Média. Sobre a educação neste período. Mas como a influencia cultural dos monastérios tem sido. dos meios de aquisição violenta que caracterizavam o mundo feudal (Ponce. . como podemos perceber ao longo de todo este trabalho. destinadas à “instrução” da plebe. como organizou laboriosamente a primeira economia estável que se conhece: economia isenta. não nos interessa. mantê-las dóceis e conformadas. em grande parte. p. Esta afirmação só vem consolidar o pensamento da educação como ferramenta de dominação de uma determinada classe social que esta no poder.

muito tempo antes. sendo o ingresso dos filhos desta burguesia nas ordens religiosas um dos fatos de maior relevância uma vez que somente os filhos dos nobres poderiam usufruir de tal “privilégio”. era a riqueza destas pessoas que dominavam as universidades. 2005. 100). as pensões em que viviam. onde as “virtudes” guerreiras são substituídas pela educação cavaleiresca. dos alunos aos reitores..C. essa marcada por uma profunda aculturação. p. de certo modo equivalentes as das nossas universidades atuais (Ponce. no dia 01 de novembro de 2010 às 13h16m. 2005). A riqueza dos comerciantes e dos industriais – burguesia – estava criando agora nas universidades medievais um clima adequado para o aparecimento dos doutores. todos os seus membros eram ricos.br/filosofia/sofistas. em Atenas. “Os cavaleiros mais experientes ensinavam aos mais jovens onde aos vinte anos tinham sua educação concluída e eram proclamados cavaleiros em uma cerimônia na qual recebe uma ofensa física e as armas para uma vida de milícia” (Sousa Sobrinho apud Manacorda. 11 Os sofistas foram os primeiros filósofos do período socrático. da mesma forma que. . A fundação das universidades permitiu que a burguesia participasse de muitas das vantagens da nobreza e do clero. custear viagens e pagar enormes taxas exigidas. 22). mais tarde. acompanhada por uma institucionalização. substituíram a natureza que antes era o principal objeto de reflexão pela arte da persuasão. A grande alteração que podemos perceber durante este período encontra-se na educação corporal. De fato. p. no século V a. Gozavam todos de boa situação financeira. que até então lhe tinham sido negadas. já em Roma. que no seu inicio não passavam de reuniões livres de homens que se propuseram o cultivo das ciências (Ponce. ao modo de vida dos castelos e das cortes.com. os retores. onde desde os primeiros passos lhes eram ensinados as técnicas de guerra e da política. Dessa forma. tinham feito surgir os sofistas11 e. Dados retirados do site http://www.mundoeducacao.htm. Esses se opunham à filosofia pré-socrática dizendo que estes ensinavam coisas contraditórias e repletas de erros que não apresentam utilidade nas polis (cidades).17 Processo natural dentro deste novo molde de educação o surgimento das primeiras universidades. O simples fato de que o ensino era pago indica bem qual espécie de aluno frequentava à universidade. o suficiente para pagar os seus professores. 2005.

18 A cerca desta nova formatação de educação do físico Sousa Sobrinho (2005. 23). Com ênfase para a preparação de novos governantes a nobreza voltava sua educação para tais ideais. valoriza a honra. Tal ideário desprezava a instituição escolar como um mecanismo de divulgação da cultura. o que neste caso seria a maior honra para o cavaleiro. influencia que chegou até os gramáticos que se esforçam em dissuadir às classes populares do estudo. na qual a educação corporal passou a se distanciar do cotidiano das classes dominantes. Eis aí que surgem as primeiras escolas voltadas para as classes dominadas. influencia direta do cristianismo. morrer servindo a seu rei. onde poderemos perceber a influência causada na educação de uma sociedade divida em classes e qual a importância de um sistema de educação do corpo neste contexto. não coincidentemente. mesmo continuando a serviços desta. as atividades de poder vão aos poucos se tornando apenas o “dizer” político. percebendo as mudanças geradas na economia que acabaram por refletir no modelo educacional. No século entre 1300 e 1400. o comportamento moralmente correto mais do que as próprias técnicas de guerra. que marca o fim da Baixa Idade Média. começa a surgir à classe burguesa e. mesmo que isso lhe custasse à vida. p. o capitalismo e a educação do físico como aliada deste sistema Analisaremos agora como se comporta esta nova classe social – a burguesia -. uma vez que estas classes apenas recebiam migalhas de instrução formal de ler. fez surgir a necessidade da criação de escolas profissionalizantes. Essas teorias deterministas impregnaram a própria educação. através da historia. 2005. Com efeito. O que veremos a frente apenas consolidará todo esse processo histórico educacional. desqualificada. no mesmo período se propagam as idéias humanísticas. escrever e fazer contas. enquanto a educação guerreira estava por completa substituída pela educação cavaleiresca onde o aprendiz era formado para servir a seu rei e a Deus. .5 O ideal de educação do homem burguês. p. sua consolidação como uma liderança social dentro da comunidade feudal em crise. 2. isto é. fortalecendo a divisão social existente neste período histórico. refletindo assim uma mudança gradual. Enquanto isso os modos de produção se desenvolviam e a mão de obra. caracterizando assim uma forte mudança. argumentando que era uma atitude anti-humanista a classe aristocrática desejar um trabalhador culto (Sousa Sobrinho. 23) afirma que A formação cavaleiresca. além de afirmar que o individuo é nobre por força da natureza. exclusiva das classes dominantes.

pelo fato de que nem o capitalista. portanto. ainda não se mostravam muito acentuadas as diferenças existentes entre o operário e o mestre do seu grêmio. A educação corporal. com ênfase exagerada sobre o fortalecimento moral do individuo. 2005). E isso pela razão extremamente simples de que a orientação geral da produção capitalista consiste em valoriza o mais possível o capital e. E. à medida que as distâncias entre o capitalista que dirige e o operário que produz aumentavam. p. opressivo. despotismo. transformado em capitalista. ambos podiam prescindir dessa cultura técnica que o primeiro exigia dos seus trabalhadores (Ponce. passa agora a se fazer presente na preparação dos pobres e reeducação dos delinqüentes. participavam diretamente do trabalho. foi se separando cada vez mais do trabalho material. 2005. até então distante das classes consideradas inferiores. mais desaparecia a antiga colaboração que existia entre eles. p. Distância do trabalho material. 2002. e mais se acentuava o caráter despótico12 do capitalista. Olinto. as atividades corporais continuam sendo vistas como atividades inferiores. Esse crescimento da burguesia associado às novas técnicas de produção fez surgir no mercado novas necessidades. 165. sobre o feudalismo. em explorar e tiranizar cada vez mais a força de trabalho do operário (Ponce. Viviam sob o mesmo teto e colaboravam nas mesmas tarefas. o patrão. Como já falamos anteriormente. Nos primeiros tempos da burguesia. eis aí os dois traços fundamentais da psicologia do capitalista. uma mão de obra mais qualificada onde a simples instrução para a leitura e o fazer contas não bastavam para garantir o bom andamento da produção. apenas significou realmente triunfo do método de exploração burguesa sobre o método de exploração feudal. uma tomada de consciência sobre o valor laico da educação. E que outra coisa encontramos também na psicologia do barão feudal. . nem o nobre. – Minidicionário Antonio Olinto da língua portuguesa – São Paulo: Moderna. p. politização e estatização da instrução após as revoluções francesas e americanas (Sousa Sobrinho. até mesmo as atividades guerreiras. por um lado. Mas logo que o “mestre” do grêmio se converteu em comerciante e começou a organizar a produção em grande escala. além de uma crescente democratização. onde o intelecto esta dissociado do pratico. tão distinta do burguês em outros pontos? O triunfo do capitalismo. 150). 2001. com a crise do feudalismo e o crescimento da burguesia chegamos a um momento histórico. 24). tirânico. pelo outro.19 Com isso temos claro esse modelo de educação antagônico. A. Há também uma grande 12 Próprio de déspota. E.

26) o período de transição do antigo sistema feudal para a sociedade do capital é de extrema importância para a educação física. p. na Europa. 24). O sustentáculo deste novo modelo de sociedade é o trabalho da classe suprimida. o meio necessário para justificar a divisão em classes superiores ou inferiores como um fenômeno da natureza. 2. atividades necessárias para sua sobrevivência – correr. passa então a ser uma mercadoria. a classe burguesa encontra na abordagem positivista das ciências biológicas. estando ocupados com atividades físicas não estariam “pensando” ou até mesmo se articulando por melhores condições de vida e mesmo após essas atividades estariam cansados e teriam de repousar para a longa jornada de trabalho que os aguardava no dia seguinte. que se exaure nas longas jornadas de trabalho sem que com isto estejam garantidas as condições mínimas para viver. Como analisa Soares apud Sousa Sobrinho (2005. onde o homem deveria contentarse com sua condição de existência (Sousa Sobrinho. A partir das duas grandes revoluções burguesas ocorridas no século XIX – a revolução francesa e a revolução industrial na Inglaterra – o capitalismo consolida-se. Para justificar essa miséria e desigualdade sem desmistificar o falso ideário de igualdade presente na revolução francesa. como uma nova organização social. em força primaria de trabalho do sistema de produção “o corpo individual enquanto unidade produtiva máquina menor da engrenagem da indústria capitalista. . p.20 importância em sua atuação como atividade de distração no tempo livre da classe trabalhadora. 2005). 2005.” Assim a “educação física” tornou-se parte insuprimível da reflexão sobre a formação humana (Sousa Sobrinho.6 A educação física no Brasil e sua evolução dentro de um contexto socioeconômico Assim como na comunidade primitiva os indígenas que habitavam nosso país tinham como atividade corporal. Mas adiante veremos os reflexos destes modelos sociais na educação do Brasil e poderemos entender o processo histórico da evolução da educação física no nosso país onde enfatizaremos a formação do professor dentro deste quadro e as atuais diretrizes que regem os cursos de Educação Física. pois dentro desta nova sociedade o ser humano transforma-se em recurso humano.

51) Nas missões (reduções).). (2006. Onde deixaram um número de colégios e seminários que não excedeu a vinte. ainda as aulas ministradas em latim e grego. mais uma vez vemos a educação a serviço de quem esta no poder. sendo. em convertê-los ao catolicismo e alterar os seus hábitos culturais (poligamia. 2006). passaram pelas escolas dos jesuítas dois ou três mil alunos e não fundaram. estritamente. p. começando no Brasil um processo de desenvolvimento cultural elitizado. – dentre estas poderíamos destacar o remo. Com a chegada dos colonizadores. nos duzentos e dez anos que por aqui estiveram. etc. . Outro fato marcante na historia do Brasil e conseqüentemente na educação é a chegada da família real portuguesa em 1808. que durante algum tempo foi uma das modalidades mais populares no Brasil (Oliveira. reproduzindo unicamente os interesses colonizadores da Corte”. Já o ensino que era praticado no colégio era destinado à classe dominante (latifundiários e representantes da corte). onde ficaram até serem expulsos pelo mesmo marquês de Pombal no ano de 1759. etc. nudez. um fornecedor de mercadorias para Portugal que. inclusive em 1747 o marquês de Pombal. Relacionado à cultura nada era produzido. Sua “educação” consistia. O ensino superior passa a receber uma atenção especial. uma Universidade. no qual são criadas a imprensa Régia e a Biblioteca Real. os índios trabalhavam e eram catequizados. não está preocupado no desenvolvimento daquela nova porção de territorial. 2006). o país se torna. Diante deste quadro não era de se esperar alguma iniciativa em nome da Educação Física. Na parte da manhã o aprendizado era intelectual. Fato marcante na historia da educação brasileira é a chegada dos jesuítas em 1549. como forma de liberar as tensões que lhes estavam sendo impostas. A tarde era destinada aos exercícios físicos. p. secretário do Estado português. Tratavam de assuntos desvinculados das necessidades locais. Uma informação importante.21 saltar. Segundo Oliveira. destruiu a primeira tentativa de instalação de uma gráfica na colônia (Oliveira. sequer. 51) “Era uma cultura alienada e alienante. principalmente. apesar de sua inexistência até então. mas o que marca o período é a estruturação de um sistema de ensino primário e . pescar. Segundo Oliveira (2006.

as expectativas da vida na sociedade brasileira estavam alteradas: a influência de jovens aos grandes centros. A cerca disso Castellani Filho. assume status junto à formação desta nova pátria. 53). tanto que a primeira constituição (1924) dava poderes ilimitados ao imperador (Oliveira. 2006. gravidez. puericultura. indispensável à implementação do processo de desenvolvimento do país que. começa a legislação referente à matéria. No final do império foi recomendada a utilização nas escolas da ginástica alemã. Oliveira. começa verdadeiramente a história da educação física no Brasil. p. “saudável”. à Saúde Corporal. Continuando. juntavam-se os médicos que. comandada pela classe médica e a militarista pelos “homens de farda”. aos militares. nessa compreensão. foi entendida como um elemento de extrema importância para o forjar daq uele individuo “forte”. no início da segunda década daquele século buscava construir seus próprio modo de vida. escola na qual se incluiu a ginástica nos seus currículos. etc. Contudo. pois chegam ao país os primeiros livros sobre a matéria contendo assuntos diversos como: eugenia. 2006). que levou por associar a Educação Física a Educação do Físico. obrigando a pratica de ginástica nas escolas da Corte (Rio de Janeiro). p. 53). criado como instituição modelo. A eles. Após a abolição e a Proclamação de República. saindo de sua condição de colônia portuguesa. Já que o importante era a formação do “doutor”. assim. mediante uma ação calcada nos princípios da medicina social de índole higiênica. Montado tal quadro. sem nenhuma universidade (Oliveira. não se deve exclusivamente e nem tampouco prioritariamente. os fundamentos próprios ao processo de reorganização daquela célula social. ainda afirma que nesta época. Contudo.22 médio. p. persistia a exploração e dependência financeira – agora da Inglaterra – e a censura e repressão era uma pratica institucionalizada. . 2006. desde o século XIX. p. 55). Esse episódio só tornou a forma de exploração diferente e a falsa impressão de existência de uma evolução sociocultural da comunidade que habitava nosso país. a iminência de sedentarização provocada pela revolução nos meios de transporte e a influência da imigração fomentada após a Abolição precipitou impulsos decisivos em relação à preocupação mais sistemática com a Educação Física (Oliveira. 2006. a Educação Física. através da instituição familiar. 2006. esse entendimento. tendo duas vertentes claras neste inicio de caminhada: a higienista. Tal período também é marcado pela fundação do Ginásio Nacional. Brasil imperial. Em 1851. imbuíram-se da tarefa de ditar à sociedade. (2008. 39) fala que A Educação Física no Brasil. que havia sido adotada nos meios militares (Oliveira.

onde tudo começou no nosso país. seus reflexos na educação e seus artifícios (neoliberalismo) transformando. ou tentando transformar. .23 Está então plantada a raiz da nossa profissão. Para tanto iremos agora dialogar um pouco com a crise do capitalismo. apesar de sabermos que as causas estão sempre ligadas a interesses outros. a Educação Física em mercadoria. naquele momento a presença da educação do físico se fez presente para cumprir um determinado objetivo e veremos que no transcorrer da historia os muitos papéis que a educação física ainda irá representar. O que queremos buscar é o entendimento sobre o atual quadro da Educação Física no Brasil e quais são os reflexos disto na sociedade.

09-23. baixas taxas de crescimento com altas taxas de inflação. do movimento operário. Perry. . A EDUCAÇÃO FÍSICA NA CRISE DO CAPITAL E O SURGIMENTO DO NEOLIBERALISMO Para que possamos compreender melhor o mundo que vivemos hoje. A origem da crise do capital esta na sua imensa capacidade produtiva associada à incapacidade de distribuição de tamanha coleção de bens vinculado invariavelmente ao paradigma de reprodução de valor. pela primeira vez. uma era a força excessiva dos sindicatos e. Nos momentos históricos que se efetiva a possibilidade de escoar a produção momentânea. Rio de Janeiro: Paz e Terra. In: SADER. que estava vencendo a “guerra” contra o capitalismo corroendo suas bases de acumulação de bens. 1995. Contudo. as supostas razões da crise estavam eram encontradas exclusivamente nas polarizações bem definidas da luta de classes. temos buscar um entendimento sobre seus processos históricos e principalmente os contextos sociais e econômicos em que acontecem as “crises”.24 3. com suas pressões reivindicativas sobre os salários e com sua pressão 13 ANDERSON. os apologistas do sistema são incapazes de reconhecer as contradições inerentes do sistema capitalista. quando todo o mundo capitalista avançado caiu numa longa e profunda recessão. Emir & GENTILI. Pablo (orgs. Segundo Anderson (1995)13 a chegada da grande crise do modelo econômico do pós-guerra. e buscam explicar a crise da década de 1970 a partir de argumentos que culpam o movimento operário e o Estado. combinando.) Pósneoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. o sistema encontra as suas crise de superprodução. o nascimento do neoliberalismo. o mundo capitalista entra em crise. assim como aconteceu também após a primeira guerra. pp.1 A crise no Mundo Capital e o Advento do Neoliberalismo Após a segunda grande guerra. Daremos continuidade ao nosso trabalho buscando algumas explicações sobre o que foi a crise do capitalismo. de maneira mais geral. em 1973. 3. Balanço do neoliberalismo. impôs severas alterações na ordem capitalista. particularmente na formação de professores de Educação Física. suas características e particularidades para chegarmos a influência que do referido modelo político no interior do sistema educacional. Assim.

Foi uma reação teórica e política veemente contra o Estado intervencionista e de bem-estar social. inicia-se todo um processo de retração econômica que abre as portas para o . e a reestruturação da taxa “natural” de desemprego. O livro era um ataque apaixonado contra qualquer limitação dos mecanismos de mercado por parte do Estado. com a contenção dos gastos com bem-estar. nesta crise do capital. não somente econômica. mas parco em todos os gastos sociais e nas intervenções econômicas. para incentivar os agentes econômicos. 14 Segundo o pensamento keynesiano. Ademais reformas ficais eram imprescindíveis. A solução então segundo Anderson (1995) era claro: manter um estado forte sim. Para isso seria necessária uma disciplina orçamentária. Como cada crise leva a um surgimento de um novo conceito. Um dos seus propósitos era combater o keynesianismo14 e o solidarismo reinantes e preparar as bases de outro tipo de capitalismo. O neoliberalismo nasceu logo depois da II guerra mundial – momento em que já falamos da crise no mundo capitalista – na região da Europa e da América do Norte onde imperava o capitalismo. mas também política (Anderson. a permissa fundamental para se compreender uma economia encontrase na simples observação dos níveis de consumo e investimento do governo. isso significava reduções de impostos sobre os rendimentos mais altos e sobre as rendas. denunciadas como uma ameaça letal à liberdade. enfim. Origina-se a partir do texto “O caminho da Servidão”. Partindo desse principio a doutrina keynesiana aponta que no momento em que as empresas tendem a investir menos. a oportunidade de colocar em pratica todos os seus princípios. 1995). Como conseqüência desses processos. em sua capacidade de romper o poder dos sindicatos e no controle do dinheiro.25 parasitária para que o Estado aumentasse cada vez mais os gastos sociais (Anderson. ou a repaginação de um mesmo. ou seja. 1995). de Friedrich Hayek escrito já em 1944. A estabilidade monetária deveria ser a meta suprema de qualquer governo. a criação de um exército de reserva de trabalho para quebrar os sindicatos. são nos momentos de crise que surgem as “soluções” e os pensadores neoliberais percebem. Em outras palavras. 1995). o que vem a seguir é a destruição dos níveis necessários de lucros das empresas o que desencadearam processos inflacionários que não podiam deixar de terminar numa crise generalizada das economias de mercado. das empresas e dos próprios consumidores. duro e livre de regras para o futuro (Anderson. para tanto precisamos entender como isto se concebe.

por ou através de uma série de estratégias culturais orientadas a impor novos diagnósticos acerca da crise e construir novos significados sociais a partir dos quais legitimar as reformas neoliberais como sendo as únicas que podem (e devem) ser aplicadas no atual contexto histórico de nossas sociedades.brasilescola. educacional. Percebemos que o neoliberalismo atua em todas as frentes da realidade social pautados sobre uma lógica alicerçada sobre a coerência mercadologica necessaria para a manutenção do capitalismo.html Acessado em 12 de novembro de 2009 . uma não menos intensa dinâmica de reconstrução discursico-ideolgica da sociedade. que sempre visa o lucro de determinada camada dominante. isto se deve ao fato de ter conseguido impor uma intensa dinâmica de mudança material e. Gentili (1996)15 nos ajuda na compreensão dos contextos do atual modelo de sociedade. alicerçado em um resgate histórico. (1996) Se o neoliberalismo se transformou num verdadeiro projeto hegêmonico.cefetsp. Isto é. Neoliberalismo e educação: manual do usuário. etc. Definir o neoliberalismo é uma tarefa não tão simples devido a natureza dialética em que se propoem tais ideais. e. ao mesmo tempo. Dados retirados do site keynesiana. como uma estratégia de poder que se implementa sentidos articulados: por um lado. economicas e juridicas orientadas para encontrar uma saída dominante para a crise capitalista. processo derivado da enorme força persuasiva que tiveram e estão tendo os discursos. Por outro lado. trata-se de uma alternativa de poder extremamente vigorosa constituida por uma série de estratégias politicas. ela expressa e sintetiza um ambicioso projeto de reforma ideológica de nossas sociedades através da construção e a difusão de um novo senso comum que fornece coerência. os diagnosticos e as estratégias estabelecimento da crise. através de um conjunto razoavelmente regular de reformas concretas no plano econômico.br/edu/eso/globalização/manualusuario. afirmando que: a importância teórica e política de se compreender o neoliberalismo como um complexo processo de construção hegemônica.htm no dia 08 de novembro às 17h52m. Texto disponível em http://www.com/historiag/doutrina- GENTILLE. ao apresentar o neoliberalismo como solução para a crise. sentido e uma pretenssa legitimidade às propostas de reforma impulsionadas pelo bloco dominanate (Gentille. 15 http://www. político. jurídico. Pablo.26 Estabelecido este quadro os neoliberais encontram o caminho livre para utilização de todas as suas idéias para salvar o mundo capitalista. que demonstra a caminha do mundo capitalista em crise. 1996). proporcionando o advento do neoliberalismo como única saída possível para tal crise. Para Gentille. por um lado.

por seus intelectuais orgânicos. 50 . isso seria um desafio prioritário para garantir o sucesso na construção de uma nova ordem regulada nos principios do livremercado e sem a “poderosa” inteferência estatal (Gentille. O neoliberalismo deve ser compreendido na dalética existente entre tais esferas. J. O que segundo os teoricos neoliberais terá como consequência que os piores seram os primeiros. Segundo Gentille (1996). Fortaleza: Impressa Universitária. o neoliberalismo seria então um “mal” necessário para a sobrevivência de todos. Rabelo. política. 1996). Desde de seu inicio o maior desafio que seus pensadores sabiam que iriam enfrentar seria a construção deste novo imaginario social. 2006. dentre outros. o totalitarismo aumentará e a planificação centralizada tomará conta da vida das pessoas. a retórica. a divisão do trabalho e a fragmentação das funções. p. Com isso os governos neoliberais não só transformam materialmente a realidade econômica. (org. jurídica e social. como também conseguem que esta transformação sejam aceitas socialmente como a única saída possível para a crise.27 argumentativas. as consequencias são nefastas para a propria democracia. sua liberdade de escolha. a separação da elaboração/execução no processo do trabalho. não bastava produzir receitas bem elaboras. Não importando os cortes que tenham que ser feitos. elaborada e difundida por seus principais expoentes intelectuais (num sentido gransciano). o controle dos tempos e movimentos. dentro da visão dos seus idealistas. densidade ideológica. Tal contexto oferecerá a oportunidade necessária para que se produza esta confluência histórica entre um pensamento vigoroso no plano 16 Algumas características que singularizavam o fordismo: a produção em massa. Assim a linha argumentativa dos defensores do neoliberalismo afirma que se o homem comum não afirma na sua vida cotidiana o valor da competição. Portanto. Educação e a Critica Marxista. será no contexto da intensa e progressiva crise estrutural do regime de acumulação fordista16 que a retorica neoliberal ganhará espaço político e também. principios estes seriam contrarios aos ideais neoliberais (Gentille.) Trabalho. é claro. 1996). era necessario o convencimento social de que aquelas medidas eram as unicas possiveis para solucionar antigos problemas estruturais. sua vocação de melhoria contínua. as quais se articulam adquirindo múltua coerência. impedido-lhes de expressar seus desejos individuais. se a sociedade não aceita as enormes possibilidades modernizadoras que o mercado oferece quando passa a atuar sem a prejudicial interferência do Estado.

naturalmente. 1995). Apenas não há como prever quando ou onde vão surgir. militate. como o capitalismo jamais havia produzido no passado. o momento de virada de uma onde é uma surpresa. ainda que. todavia. em escala verdadeiramente mundial. ao contrário. o neoliberalismo conseguiu muitos dos seus objetivos. o neoliberalismo alcançou êxito a um nível com o qual seus fundadores provalvelmente jamias sonharam. enfraquecer os órgão de luta . O aumento da produção de maneira desordenada gera um quadro de demanada maior que procura ocasionando a acumulação dos bens de consumo. embora não tão desestatizadas como queria. que todos. se o que é produzido não é vendido. não conseguindo nenhuma revitalização básica do capitalismo avançado. seja confessando ou negando. o que ao nosso entender foi o causador de todas as outras crises que se seguiram (alta de juros. Trata-se de um corpo de doutrina coerente. 1995). pela lógica mercadologica. esse mercado entra em colápso gerando a crise. Historicamente. criando sociedades marcadamente mais desiguais. Politica e ideologicamente. inflação. As estratégias gerais do neoliberalismo são: desacreditar que as pessoas são capazes de progredir coletivamente.28 físico e econômico e a necessidade política do bloco dominante de fazer frente ao desmoronamento da formula keynesiana cristalizada nos Estados de bem-estar (Gentille. estimular a competição. Tudo que podemos dizer é que este é um movimento ideológico. Apesar de economicamente o neoliberalismo ter fracassado. 1996).). milhões de pessoas não acreditam em suas receitas e resistam a seus regimes. O que gostariamos de mostrar é justamente este caráter hegemônico. autoconsciente. A tarefa de seus opositores é a de ofercer outras receitas e preparar outros regimes. em sua ambição estrutural e sua estensão interacional (Anderson . lucidamente decidico a transforma todo o mundo à sua imagem. A cerca disso Anderson (1995) nos fala que Este fenômeno chama-se. sistema este monopolizado e submisso a uma força maior – o Estado – que como manobra para a crise e teve no neoliberalismo seu reordenamento estrutural. reproduzido garças a crise do modo de produção capitalista. têm que adaptar-se a suas normas (Anderson. etc. Tendo o entendimento de todos esse aspectos acima citados poderemos sugerir a definição de Anderson (1995) para o fenomêno chamado neoliberalismo. Socialmente. disseminando a simples ideia de que não há alternativas para os seus principios.

29 desestabilizando a classe trabalhadora. pode gerar situações de desigualdades na escola tais como a evasão escolar. assim como. mesmo em países subdesenvolvido. a produtividade. da realização de uma profunda reforma administrativa do sistema escolar orientada pela necessidade de introduzir macanismos que regulem a eficiência. ineficácia e improdutividades dos que comandam a educação – Estado e professores – apectos diretamente ligados a qualidade. segundo este enfoque. sem garantia de uma distribuição eficiente dos serviços prestados por parte do Estado. já que está não se sustenta sobre o conceito de competição individual. mas sim uma crise gerencial o que. a repentência. em suma: a qualidade dos serviços educacionais. Montado este quadro o que podemos perceber é a existência de mecanismos de exclusão e discriminação oriundos do argumento de (in)competência daqueles que gerenciam a educação. a propria estrutura estatal. inexoravelmente. permissa fundamental do sistema neoliberal de gestão. aponta como culpado sempre aquele que organiza os serviços juntamente com os que excecutam. Caracterize-se assim – segundo os argumentos neoliberias – não uma crise de democratização. etc. Alicerçados sobre estes argumentos as teses neoliberais adquirem uma posição hegemonica. Para tanto. os defensores do sistema capitalistam avaliam que o problema da educação não está na falta de escola ou na falta de . Segundo Gentille (1996) A crise das instituições escolares é produto. segundo os neoliberais. Esta crise é gerada durante a segunda metade do século XX. Trata-se fundamentalmente de uma crise de qualidade decorrente da improdutividade que caracteriza as praticas pedagógicas e a gestão administrativa da grande maioria dos estabelecimentos escolares. a eficácia.2 As Consequências de Políticas Neoliberais para a Educação em Crise Dentro das perspectivas neoliberais a origem da atual crise do sistema educacional é gerada pela ineficiencia. a utilização dos professores como ferramenta para a manutanção deste sistema e suas implicações na formação docente. 3. em elguns casos. evitando a articulação coletiva para as reivindicações de uma forma geral. Gentille (1996) ainda deixa claro que O objetivo político de democratizar a escola está assim subordinado ao reconhecimento que tal tarefa depende. devido. a uma expansão desordenada. da expansão desordenada e “anárquica” que o sistema educacional vem sofrendo nos últimos anos. Partiremos agora para as implicações desde modelo hegemônico dentro da educação.

que a “amarrou” demais. Dados retirados do site http://www.com/conc-01. promovendo uma mudança cultural.qualidadetotal. onde estão também iseridos novos programas de qualificação de professores e uma ampla reforma curricular (Gentille.” A forma com que se compõe o Estado. Para exemplificar melhor Gentille (1996) relata que o clientelismo. sob a perspectiva neoliberal. Sendo assim transformar a escola se trata de um grande desafio gerencial. labirintos do burocratismo estatal explicam. Ainda segundo os neoliberais as explicações para a crise estão no caratér estruturalmente ineficiente do estado para gerenciar políticas publicas. Considerando Qualidade Total como o estado ótimo de eficiência e eficácia na ação de todos os elementos que constituem a existência da Empresa. que tem um plano de ações centrados e o clientelismo que caracteriza as praticas estatais impedem o individuo da pratica do 17 O termo Qualidade Total representa a busca da satisfação. a obsessão planificadora e os improdutivos.30 professores ou ainda na falta de recursos para a educação. sendo ela o pré-requisito fundamental para garantir aquilo que os neoliberias chamam de equidade. assim como. não é de causar estranhamento esta centralização atraves de leis de parâmetros e diretrizes das instituições de ensino tendo em vista que quem detinha o poder financeiro também buscava o domínio intelectual. o que está faltando são escolas melhores. professores mais qualificados e melhores políticas de distribuição de renda. para que isso ocorra se faz necessario uma mudança concreta nas praticas pedagogicas. a incapacidade que tiveram os governos de garantir a democratização da educação e. tornado-as mais eficientes. mas de todos os stakeholdrs (entidades significativas na existência da empresa) e também da excelência organizacional da empresa. Gentille (1995) ainda afirma que “não existe mercado sem concorrência. 1996). aplicando nesta nova sistematica os conceitos de qualidade total17. a eficiência produtiva da escola. Para os neoliberais cria-se a necessidade da instalação de uma mercado para a educação.htm no dia 09 de novembro as 10h47. Se relembramos. uma reestruturação do sistema para sua flexibilização. Deste modo a educação não funciona porque não foi bem estruturada pelo estado. veremos que a educação sempre foi usada pelas classes dominantes como ferramenta de dominação. . ao mesmo tempo. não só do cliente.

a grande estratégia do neoliberalismo consiste em transformar a educação em um produto. Os culpados pela atual crise na educação estão bem determinados na lógica neoliberal. sistema onde o mérito pessoal determina a hierarquia. 1996). Neste quadro Gentille.31 empreendedorismo. enquanto indivíduo que luta para conquistar (comprar) propriedades-mercadorias de diversa índole.br/meritocracia/ no dia 16 de novembro de 201 0 as 13h20. Dados retirados do site http://www. constitui na perspectiva neoliberal uma barreira quase intransponível para desenvolver os mecanismos de competição individual que garantem o progresso social..) Com efeito. o que seria garantia para o estabelecimento de um sistema de prêmios e castigos baseado em critérios verdadeiramente meritocráticos18 (Gentille.” As relações de desenvolvimento dentro do sistema neoliberal estão ligados a capacidade que o individuo tem de se promover e este deve ser o papel da escola. quetionando seu caratér de direito e reduzindo-a a sua condição de propriedade. Transformar o sistema educacional na “máquina” que irá proporcionar esse novo modelo de homem é o grande desafio do sistema neoliberal. sendo a educação uma delas. e sua não menos implacável fragmentação das organizações sociais. formar pessoas capazes de se auto promover. mesmo quando os neoliberais chegam o poder e desenvovem (muitas vezes com êxito) sua implacável desarticulação dos mecanismos de intervenção do Estado. o menos em parte. deveria supor-se que a simples redução do primeiro à sua mínima expressão e a desaparição definitiva dos segundos constituem uma garantia mais do que suficiente para superar a crise atual das instituições educacionais.. Porém. o estado assistencialista e os sindicatos.com. se o Estado e os sindicatos são os principais responsáveis pela crise. Uma vez a frente do processo. “atrevés de uma revalorização da ação do indivíduo enquanto proprietário. Da perspectiva neoliberal isso e. . Segundo Gentille (1996) Neste sentido os principais responsáveis pela crise educacional se encontram os prórpios sindicatos de professores e todas aquelas organizações que defedem o direito igualitário a uma escola pública de qualidade (. efetivamente assim. (1996) reconceitua a noção de cidadania. os quais proclamam a defesa de um interesse da classe trabalhadora baseado na necessidade de construir e expandir a esfera dos direitos sociais. os pensadores neoliberais aplicam sua falsa lógica da educação para o trabalho. enquanto instrumento de luta e pressão da classe trabalhadora.dicio. educação esta que garante o que eles chamam de empregabilidade o que necessariamente não é garantia de trabalho. nem sempre a crise educacional se soluciona. Portanto. A existência e atuação de sindicatos fortes. Esta educação deve ser 18 Meritocracia: sistema (educacional ou administrativo) em que os mais dotados ou aptos são escolhidos e promovidos conforme seus progressos e consecuções.

1996). Seguindo essa lógica se faz necessario a criação de um plano de ação voltado exclusivamente para a centralização do modelo de educação. Transpondo as escolas das esferas federais para as estaduais e desta para a municipal. é culpa individual. nada está aqui determinado de antemão. fracassar. Gentille (1996) nos coloca três questões básicas para essa centralização: a) A necessidade de desenvolver sistemas nacionais de avaliação dos sistemas educacionais (basicamente provas de rendimento aplicadas à população estudantil). embora saibamos. Em contrapartida os governos neoliberais centralizam certas funções.. que alguns triufarão e outros estarão condenados ao fracasso. nos transforma em causa e efeito para o nosso “sucesso” como homem.32 subordinada às necessidades do mercado de trabalho. Para Gentille (1996). A função “social” da educação esgota -se neste poto. as estratégias neoliberais representam uma clara resposta descentralizadora diante dos supostos perigos do planejamento estatal e dos efeitos improdutivos das burocracias governamental e sindicais. necessariamente se desobriga das suas funções. Como no jogo de baccarat do qual nos fala Friedman. . a formação para a empragabilidade se define como a a capacidade flexível de adaptação individual às demandas do mercado de trabalho. as quais. transferindo responsabilidades e evitando a ação centralizante do governo. A educação deve apenas oferecer essas ferramenta necessária para competir nesse mercado. Ela encontra o seu preciso limite no exato momento em que o indivíduo se lança ao mercado para lutar por um emprego. e portanto. b) A necessidade de desenhar e desenvolver reformas curriculares a partir das quais estabelecer os parâmetros e conteúdos básicos de um Currículo Nacional. dentro desta lógica. o que Gentille (1996) nos coloca como “uma dinâmica aparentemente paradoxal (. defedem a urgência de que o sistema educacional se ajuste às demandas do mundo dos empregos. esse efeito cascata municipaliza a escola. as quais não são transferidas aos municípios. A lógica neoliberal. Essa fragmentação reflete também na luta dos trabalhadores pois descentralizados e regidos de maneira micro aumenta a dificuldade para a articulação sindical (Gentille. O restante depende das pesoas.” De fato por um lado. aos governos estaduais nem muito menos as pessoas que comandam diretamente o processo como os professores ou à propria comunidade..) as lógicas articuladas de descentralização centralizante e de centralização-descentralizada. O Estado.

” E onde está a solução para a crise? Ou melhor quem é capaz de solucionar esta crise dentro da perspectiva neoliberal? Mas uma vez poderemos perceber uma questão que é central para a compreensão da lógica neoliberal é o empreendedorismo. que adotando uma escola acabam por implementar nela a sua lógica emoresarial. dentro de um conceito de qualidade total. Neste sentido a quem os governos neoliberais iram pedir socorro? Aos empresarios “humanistas”.. uma vez que mostramos que quando mudam os interesses das classes dominantes mudam os objetivos . ou seja.. segundo Gentille (1996) O raciocínio neoliberal é. ainda. onde a escola se adapta ao mercado preparando uma mão de obra descontextualizada políticamente e que vê na educação a única forma de ascensão social. é aquele que sabe adaptar-se as leis de mercado e ao tornar-se em empreendedor a ponto de ter crescimento e consequentemente sucesso em determinado ramo. para o transcorrer do nosso trabalho. O Estado neoliberal é mínino quando deve financiar a escola pública e máximo quando define de forma centralizada o conhecimento oficial que deve circular pelos estabelecimentos educacionais. quem melhor do que eles pata dar-nos as dicas necessarias para triunfar? O sistema educacional deve converter-se ele mesmo em um mercado. Fica claro quem consegue ter exito na visão neoliberal. transparente: se os empresários souberam triunfar na vida (isto é. Temos que levar em consideração. Para Gentille (1996) “centralização e descentralização são as duas faces de uma mesma moeda: a dinâmica autoritária que caracteriza as reformas educacionais implementadas pelos governos neoliberais. de como esse novo modelo de gestão estatal vai refletir na formação dos professores. que é a capacidade flexivel de adaptação individual as demandas do mercado de trabalho. fundamentalmente. entre eles.33 c) Associada à questão anterior a necessidade de desenvolver estratégias de formação de professores centralizadas nacionalmente e que permitam atualização dos docentes segundo o plano curricular estabelecido na citada reforma. neste aspecto. devem então ser consultados aqueles que melhor entendem do mercado para ajudar-nos a sair da improdutividadee da ineficiência que caracterizam as praticas escolares e que regula a lógica cotidiana das instituições educacionais em todos os níveis. na visão empresarial. aos professores. se souberam desenvolver-se com êxito no mercado) e o que está faltando em nossas escolas é justamente “concorrência”. quando estabelece mecanismos verticalizados e antidemocráticos de avaliação do sistema e quando retira autonomia pedagógica às instituições e aos atores coletivos da escola.

a ferramenta utilizada pelo sistema para assegurar a manutenção do mesmo. responsabilidade pessoal sob a produção. recorre-se à formação para a competitividade: uma formação flexível. ao contrário do trabalhador do modelo taylorista/fordista (Kuenzer. Para isto se faz necessario preparar os trabalhadores com novas capacidades tais como abstração. Com esse novo mercado. modifica a organização do trabalho e traz a demanda da formação de um trabalhador de novo tipo.3 A influência das estratégias neoliberais na formação de professores. passando pelos reordenamentos legais no âmbito escolar. causado pela introdução de novas tecnologias operacionais. 2004). mudando consequentemente o modelo de formação deste trabalhador. fundado na base técnica do trabalho. volta a ser. Atuar na sua formação se torna a primeira ação dentre outras as quais vamos abordar no próximo tópico. Os reflexos desta formação para a sociedade e como o neoliberalismo cria seus mecanismos de dominação também neste campo. criatividade. e a elaboração de documentos que se tornam balizadores ideologicos – ideia da descentralização-centralizada . O sistema vingente precisa de profissionais qualificados para a sua manutenção e a formação destas pessoas tedem a suprir tais necessidades mercadologicas. op. Aqui demonstramos a sua consolidação enquanto superestrutura hegenomica. 3. conhecimentos gerais e técniscostecnologicos. abstrata e polivalente (Frigotto.). facilidade de trabalho em equipe. resolução de problemas. a educação ganha a função de formar as novas competência necessárias ao trabalhador. como a aprovação da nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB). partiremos agora para os reflexos desta necessidade na formação dos professores. entre outras tornaram-se fundamentais para o ingresso no mundo do trabalho (Nozaki. p. O professor então. decisão. Ao entendermos que para se consolidar o neoliberalismo há a necessidade de constituir esse modelo de gestão alicerçado sobre uma base ideolagica eregida sobre a o egide do individualismo enquanto uma superestrura hegemonica. Neste sentido Nozaki (2004. Cit. Neste contexto. 5) cita Kuenzer e Frigotto quando explana que O reordenamento do trabalho. altera a base técnica da produção. para tentar a promoção desta qualificação. O que podemos perceber em nosso país são políticas de ajustes estruturais.34 da educação que ela oferece a classe trabalhadora. comunicabilidade. 1986). executor de tarefas repetitivas e segmentadas.

mas também de transformação social. 2004).” E no enciso segundo deste mesmo artigo diz que “A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à pratica social. educação não formal. Ao refletirmos sobre o artigo e as observações acima citadas perceberemos. de 20 de dezembro de 1996 a popurlamente conhecida como LDB nos fala em seu artigo 1º que “A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar. um sentido limitado. na convivência humana. em alguns casos. Fala-se em educação formal. sempre. como os sindicatos.. O que não significa um derrota do modelo neoliberal que vem ganhado força a cada dia. Embora a lei verdadeiramente “certificada”pelos cânones legais era aquela encorpada na modalidade ensino.” Em relação a estas observações Carneiro (1998. no trabalho. era sinônimo de ensino. soma de processos historicos determinados pelas ações dos homens. Estariam esses coceitos ligados a pratica da “cidadania” neoliberalista? A educação aqui referida neste 2º inciso atrai quatro conceitos estruturantes do novo mapa de referência da escola neoliberal. nas instituições de ensino e pesquisa. por parte dos trabalhadores da educação. como os Parâmetros Currículares Nacionais e as Diretrizes Currículares para o Ensino Superior. quase sempre. 1) nos diz O termo educação tem um sentido abrangente. Sob o ponto de vista legal. nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. ou amoldamento. educação ambiental. formar um ser preparado para à prática social. enquanto palco principal do processo educativo: a) prática social: atividade socialmete produzida e. Que pratica será essa? Certamente não será o envolvimento nas lutas de classes ou nas entidades representativas. educação tem . ao mesmo tempo. c) movimentos sociais: esforços organizados de construção de espaços alternativos de organização coletiva. entre outras (Nozaki. produtora de existência social. educação continuada. educação sexual.35 . a ação neoliberal no momento em que há uma “expanção” do conceito de educação e ao percebermos que a escola deverá vinvular-se ao mundo do trabalho o que poderiamos supor uma sugestão para a formação humana dentro de uma perspectiva mais ampla. etc. educação à distância. Em contrapartida a todas essas investidas neoliberais podemos observar a resistência. Significa também. à educação formal. ou seja. talvez ainda sutilmente. por exemplo. b) mundo do trabalho: Ambiente de sobrevivência. seja de ensino supletivo: Portanto refiria-se. A criação da nova lei nº 9.394. Na legislação anterior. Seja de ensino regular. p. d) manifestações culturais: trata-se de expressões da cultura .

tanto para o ensino formal quanto para o ensino superior. há. através do seu trabalho. isto sim. 2). ou seja. Analizaremos desde a lei de regulamentação as DCN´s para os cursos de Educação Física dentro de uma abordagem critica. Montanda esta estrutura o que veremos mais adiante é a influência neoliberal dentro das regulamentações das profissões. uma vez que reestruturado o ensino se fazia necessária uma reestruturação na formação desses professores. Em consequência a LDB. Seguindo o efeito cascata provocado pelo neoliberalismo. que integra o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES). 1998. foi-se necessaria também uma reforma no âmbito formativo.36 eanquanto conceito antropológico e se reporta ao mundo que o homem cria através de sua intervenção sobre a natureza. As Diretrizes Curriculares Nacionais – DCN´s – vieram cumprir o papel de regulamentação da nova LDB. Neste sentido. tem o objetivo de aferir o rendimento dos alunos dos cursos de graduação em relação aos conteúdos programáticos. dando um enfoque maior a Educação Física. todos regidos pelo mesmo instituto – Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) – que define o ENADE como o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes. uma vez istaladas a LDB e as DCN´s seriam agora feitos exames de avalição periódicos. neste momento surgem o Exame Nacional para o Ensino Médio – ENEM – e o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE – aplicados em alunos que estão prestes a se formar. onde perceberemos todas as manobras organizacionais elaboradas pelos neoliberais para a justificativa das suas praticas.força de trabalho – pautadas apenas num dominio histórico-econômico sem uma argumentação plausível (Carneiro. não há cultura superior a outra. . p. suas habilidades e competências. culturas diferentes que se construiram através dos tempos num contexto de exploração da capacidade de produção .

(Soares citada por Nozaki. p.1 A educação física lado a lado com o sistema dominante A educação física. 2004 ). a educação física sempre teve um grande impacto nos projetos das camadas dominantes. sempre esteve em concordância com o mundo capitalista. no início da segunda década daquele século. Castellani Filho. Já que. p. historicamente. 39) nos fala que a Educação Física no Brasil. foi entendida como um elemento de estrema importância para o forjar daquele indivíduo “forte”.37 4. 6). “saudável”. como podemos percerber ao longo deste trabalho. sempre foi tida como um instrumento ideologico voltado para a manutenção do regime dominante. (2008. desde o século XIX. tema central da nossa pesquisa. Após esse período também é importante destacar a década de 60 onde. 4. onde poderemos analizar a lei nº 9696/98 que regulamenta a profissão de educação física criando o Conselho Federal de Educação Física – CONFEF – e consequentemente os Conselhos Regionais de Educação Física – CREF´s – e a figura do profissional de educação física e suas consequências no campo de atuação e nas DCN´s o que acarretará na dicotomia na formação dos professores de educação física. na tentativa de uma inserção internacionalizada. o esporte se tornou uma ferramenta privilegiada para uma propaganda ideológica. uma vez que. buscava construir seu próprio modo de vida. sendo tratado na educação física como único conteúdo possível (Nozaki. saindo de sua condição de colônia portuguesa. . Dentro de uma perspectiva critica-histórica iremos analisar o percurso da educação física como aliada do modelo capitalista no Brasil passando pela regulamentação da profissão chagando enfim a formação deste professor diante deste quadro. 2004. no sistema vingente tem a função de formar o “homem trabalhador de novo tipo para este modo de produção então emergente”. em outro momento de crescimento do capitalismo no país. NEOLIBERALISMO NA EDUCAÇÃO FÍSICA: AS ESTRATÉGIAS DA REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO E AS INGERÊNCIAS DO SISTEMA CONFEF/CREF SOBRE O PROCESSO DE FORMAÇÃO DOS PROFESSORES Passaremos agora as questões centrais da nossa pesquisa. nas diversas fases do capitalismo no Brasil. na tentativa de equiparação do desenvolvimento cultural ao desenvolvimento ecônomico. Portanto. indispensável a implementação do processo de desenvolvimento do país que.

como historicamente costumou ter. Para entendermos melhor como se deu essa reestruturação e a sua aplicabilidade na educação física primeiro temos que entender o que quer essa chamada educação do novo trabalhador. no terreno das modificações por que passava a sociedade brasileira daquela época (Nozaki. para Nozaki. 2004). (2004 p. O passeio historico acima citado. e é marcada pela retomada de projetos neoconservadores e pelo avanço das políticas neoliberais no país. 2004). 7) Ao mesmo tempo em que o campo educacional se reconfigura atualmente para formar um trabalhador polivalente. sob o ponto de vista imediato. segundo Nozaki.38 Continuando esse nosso passeio historico chegaremos a década de 80. 2004). périodo em que a sociedade brasileira passou por um processo de redemocratização com o fim da ditadura militar. Deste modo. por outro lado. ela acabou perdendo. a educação física gestada pelos modelos hegemônicos foi sempre vista como uma disciplina reprodutora de movimentos. com capacidade de abstração. racicínio lógico. Percebendo esta momentanea desvalorização da disciplina educação física neste novo modelo de formação humana em contradição com algumas materias que adquirem uma importancia maior devido as suas caractericas peculiares que podem ajudar a . 1997). onde existirá a valorização das competências. a década de 1980 trouxe questionamentos de fundo para esta área. 2004 apud Caparroz. Para esta nova perspectiva. Os debates presentes na decada de oitenta em torno da função social e objeto da educação física adquirem uma forma mais explicita em publicações como: Para que educação física e para quem educação física? (Nozaki. interatividade e decisão. crítica. período no qual a crise capitalista se agrava. que possibilitou neste período a quebra de paradigmas e a transformação da prática docente do professor de educação física. A conquista de liberdade de expressão permitiu a abertura de discussões teóricas para todos os campos etambém para a educação física. (Nozaki. sua centralidade na composição do projeto dominante. na década de 90. (Nozaki. (2004). Dinate da nova ordem do capital marcada pela pelo processo de reestruturação produtiva – superação do padrão de acumulação fordista/taylorista pela padrão toyotista – e pelo avanço das estratégias neoliberais se faz necessario um novo modelo de formação humana. servirá para que agora possamos buscar um maior entendimento das investidas do capital sobre a educação física que culminará. Essa foi uma das questões centrais.

será que antes os professores que davam aula não eram profissionais? O que vem a ser um profissional? Segundo qualquer dicionário profissional é aquele que exerce uma profissão. (2004. Segundo Nozaki. por meio da regulamentação da profissão de educação física (Nozaki. p. alguns de caráter geral. por estar desvalorizada. a educação física. Concomitantemente. de modo imediatista a tais questões de avanço do neoliberalismo e emveredarm-se para um outro campo de atuação profissional. tem sofrido vários ataques. os setores conservadores e corporativistas da educação físicaaliaram-se. de crise do capital e conseqüente intensificação da exploração do trabalho na forma de sua precarização e da modificação do seu conteúdo. No âmbito das políticas públicas educacionais. Entretanto isto me gera uma dúvida. sob o ponto de vista imediato. 165) No contexto até aqui debatido. que aviltam todos os trabalhadores da educação. a regulamentação da profissão de educação física tratou-se . no projeto dominante. desde a criação da nova LDB que viria a padronizar o ensino em todo o país e mais especificamente para a educação física com a regulamentação da profissão. Então.2 Regulamentação da educação física enquanto profissão: o que há por trás disso. sem distinção. 4. 8). Portanto. p. A docência não é uma profissão? Ser professor de educação física não era uma profissão? Tentando entender estas questões vamos tentar entender melhor alguns aspectos deste fato. a partir do dia 1º de setembro de 1998. começa a existir o profissional de educação física. Como já falamos anteriormente as decadas de 80 e 90 são marcantes para a educação física no Brasil. o das práticas corporais do meio não escolar. por sua vez. as questões de estetica corporal e saúde que passam a ser cada vez mais valorizadas com o discurso de que esse trabalho deveria ser acompanhado por um “profissional” de educação física Montadado este panorama vamos agora entender como se deu este processo de regulamentação da profissão de educação física para podermos analisar a lei 9696/98 e suas consequencias na formação de novos professores. e outros de caráter particular. quando a educação física fica sofre um esvaziamento pedagogico no interior da escola essa materia passa a se readequar ao projeto dominante com as chamadas atividades fisicas realizadas fora do meio escolar entre as quais ganham destaque.39 formação das novas competências exigidas pelo capital como necessarias aos futuros trabalhadores. 2004.

a estabelecer importantes relações com ele. por outro lado. Este contexto trouxe uma exploração exponencial para o campo do trabalho. (2004. apesar de não ser ela a responsável pelo reordenamento da educação física da década de 90. o referido processo. não só processos de discussão teórico-acadêmica. Da mesma forma. a própria modificação do trabalho do professor de educação física para o campo escolar. seja sob a forma do aumento do desemprego estrutural. nessa década. Especialmente no que se refere ao ponto de vista do preparo do professor para a atuação nos vários campos de trabalho. políticas neoliberais e de anexação aos países centrais do capitalismo internacionalizado. No entanto Nozaki. no momento em que se presenciou. condomínios e nos espaços de lazer fez com que a própria formação do profissional da educação física fosse insistentemente questionada. como também um movimento real e vinculado com às transformações políticas pelos quais o país passava. 2004). por outro lado desde ofinal do século XX. clubes. através destas atividades estariam garantido mais saúde e consequentemente uma melhoria na qualidade de vida. Se por um lado a educação física escolar tem sido desvalorizada pelas politicas educacionais. no Brasil.40 simplesmente de um processo de gerenciamento desta crise. p. que aprofunda. A educação física brasileira foi influenciada. as práticas corporais realizados nos ambientes não escolares vem sendo muito valorizadas. este último também mediado pelo trabalho precário Estabelecida essas questões poderemos agora tentar formular um debate teórico com os defensores da regulamentação da profissão posto que segundo Nozaki. Atrelado a isso a discussão sobre a regulamentação da profissão passou por um embate importante que sofreu influências deste cenário político brasileiro que se iniciaram na década de 80 (Nozaki. ainda mais. por este processo de democratização e questionamento político. 165) salienta que a efetivação da regulamentação da profissão de educação física – lei 9696/98 – em setembro de 1998. assim vislubrandos no horizonte daquela área. veio. Nozaki. 166) “um dos seus argumentos é o de que tal processo é justamente uma forma de resguardo dos trabalhadores da educação física. (2004. o que fez surgir. em seu interior. sendo “vendidas” como um produto novo criando assim o mercado do fitnnes – estrategias neoliberais – onde o individuo. p. Somente neste terreno é que se insere a força do projeto de regulamentação da profissão como uma saída coporativista a estas contradições do trabalho abstrato. ocorreu num contexto de tentativa de recomposição da crise acentuada do capital. (2004) ainda completa o raciocínio dizendo que a prolifaração das práticas nas academias de ginástica. contra o processo de desregulamentação . via reestruturação produtiva. das precarizações das relações de trabalho e de mudanças no seu conteúdo. no Brasil. por outro lado.

os apologistas da regulamentação. Ou ainda “poderiamos ser uma profissão que ocupe todos os espaços nas academias.. (2004. fundamento da crise do capital (Marx. 51). nos diz o que não perceberam. no inteiror do contraditório modo de produção capitalista. 50). 166). Já a regulmantação da profissão diz respeito simplesmente a uma demarcação territorial destinada a uma parcela dos trabalhadores – para este caso. (2004. ou não queriam perceber. de precarização do trabalho como forma de gerenciamento da crise. 2004.41 próprio do neoliberalismo”. No Brasil. contudo. deveriamos nós ocupá-los antes que outros o façam” (Steinhilber apud Nozaki. os assim chamados profissionais de educação física – sem. Para isto basta o instrumento jurídico. A respeito disso Nozaki. constatamos que não existiu. congruente com a perspectiva neoliberal que nos coloca o mercado como função existencial fundamental para a sobrevivência do capital. Procuraremos fundamentar os prós e contras da regulamentação no exato momento em que ela ocorre para podermos assim justificar nosso posicionamento diante de tal questão. 166). o que vivenciamos nos anos 90 foi um artificio capitalista. A regulamentação da educação física em nenhum momento esteve preocupada nas relações essênciais do modo de existência humana. Nozaki. Fundamentada em afirmações sem consistencia teorica e baseada na apropriação de determida camada do mercado de trabalho. p. p. p. são ESPAÇO VAZIO. p. Entendamos que a regulamentação da profissão constitui uma estratégia moldada para gerência do capital. considerar as relações mais profundas de confronto entre trabalho e capital. é que há uma sensível diferença entre regulamentação do trabalho e regulamentação da profissão. . p. Portanto. nos apresenta a diferença entre regulamentação da profissão e do trabalho quando afirma Neste sentido. Sendo espaço vazio qualquer um pode ocupá-lo. a regulamentação do trabalho consiste em uma estratégia de proteção da classe trabalhadora e acúmulo de força contra a compressão ou redução do salário abaixo do seu valor como causa contrariante à queda tendencial da taxa de lucro. uma preocupação com o trabalhador. nos condomínios e etc. Basta REGULAMENTAR A PROFISSÃO” (ibid. 1985c). nos clubes. durante o processo de regulamentação da preofissão de edicação físca. mas o discurso de quem a defendia esteve sempre voltada a conquista de um mercado emergente das praticas corporais: “Hoje as atividades neste segmentos são TERRA DE NINGUEM.

afirma que os defesores da regulamentação da profissão se apoiam também na tese de reserva concorrencial para. em uma análise imediatista e apologética. em nenhum momento histórico. Portanto sobre a ponto de vista da noção do mercado de trabalho como centro das análises das mudanças do trabalho nesta área. espaço esse que já existia antes da regulamentação. a pratica da educação física em todos os níveos e ramos de ensino. o que torna o discurso dos que defedem a regulamentação vazio.. o mercado de trabalho torna-se uma noção ideologica que visa adaptar o trabalhador às condições de mais alta precariedade e servir aos interesses do capital. p. Sobre isto Nozaki. Garantia de mercado de trabalho não é garantia de emprego. inclusive. Além de ter sido obrigatória. 167) escreve Assim. o que anualmente precisa ser renovado (é cobrada uma taxa anual a todos os registrados) para assim você ter todas as condições de trabalho. De um ponto de vista mais geral. ante o fênomeno da mudança do seu trabalho: Cabe relatar [. p.. 45) As questões aqui citadas estão diretamente ligadas a reserva de mercado. após a regulamentação. para enfim chegarmos a formulação do que viria a ser esse mercado de trabalho que seria. apudNozaki . Na verdade o que estamos buscando aqui é a resposta para o questionamento que lançamos neste tópico.] que um dos fatores decisivos para a permanência dos profissionais de educação física no contexto escolar foi sobretudo a garantia do mercado para o exercício da profissão.42 Naço existiram garantias para os professores além do espaço para trabalhar. o local onde o trabalhador mais facilmente poderia vender sua única mercadoria: a força do trabalho. as condições eram plenamente favoráveis. no caso. tese defendida pelos que apoiam a regulamentação da profissão. para que haja a atuação docente é necessário o registro profissional. foi garantia de emprego para o então chamado profissional de educação física. Nozaki. no contexto de crise do trabalho abstrato que vivemos. . somentem poderima atuar na disciplina os profissionais que tivessem a habilitação condizente. reserva esta que. (2004). a licenciatura em Educação Física” (Sartori. ou ainda de melhores condições de trabalho. o que realmente queriam as pessoas que tomaram a frente neste processo de regulamentação da educação física e notamos no decorrer da nossa pesquisa que o principal aspecto foi a recerva de mercado.. que depende da intensificação da exploração do trabalho para continuar se reproduzindo. (2004. entretanto. justificar a atividade mais intensa dos professores no seio escolar. 2004.

ou ainda.696. organizar. II . revalidado na forma da legislação em vigor. até a data do início da vigência desta lei. . O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta.Compete ao Profissional de Educação Física coordenar. e estas existem como superestruturta de um determinado modo de produção e complementa dizendo que “nem toda lei é fruto de conquista dos trabalhadores. 1º . Dispõe sobre a regulamentação da Profissão de Educação Física e cria os respectivos Conselho Federal e Conselhos Regionais de Educação Física. consultoria e assessoria. programar. Esses posicionamentos ganham mais sentido quando vamos analisar a lei nº 9696/98. planos e projetos. contendo somente seis artigos. dirigir.os possuidores de diploma em Educação Física expedido por instituição de ensino superior estrangeira. sobre os quais faremos uma análise dos seus pontos mais importantes e poderemos assim observar quais os “benefícios” que tal lei proporcionou aos professores de educação física. avaliar e executar trabalhos. nos termos a serem estabelecidos pelo Conselho Federal de Educação Física.43 Concordamos com Nozaki (2004). programas. III . Art. todos nas áreas de atividades físicas e do desporto.os que. 4º . participar de equipes multidisciplinares e interdisciplinares e elaborar informes técnicos.Ficam criados o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Educação Física. lei esta minimalista. de 1º de setembro de 1998. p. dinamizar. Lei nº 9. Art. 171). científicos e pedagógicos. planejar. tenham comprovadamente exercido atividades próprias dos Profissionais de Educação Física. oficialmente autorizado ou reconhecido. bem como prestar serviços de auditoria. quando ele coloca que o significado da regulamentação da profissão nada mais é do que simplesmente a concretização de intenções no plano jurídico. 3º . 2º . realizar treinamentos especializados.os possuidores de diploma obtido em curso de Educação Física. pode-se dizer que existem leis neoliberais para justamente assegurar. 2004. Art.Apenas serão inscritos nos quadros dos Conselhos Regionais de Educação Física os seguintes profissionais: I .O exercício das atividades de Educação Física e a designação de Profissional de Educação Física é prerrogativa dos profissionais regularmente registrados nos Conselhos Regionais de Educação Física. eu sanciono a seguinte Lei: Art. supervisionar. intervir e maximizar as conquistas dos capitalistas” (Nozaki.

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Art. 5º - Os primeiros membros efetivos e suplentes do Conselho Federal de Educação Física serão eleitos para um mandato tampão de dois anos, em reunião das associações representativas de Profissionais de Educação Física, criadas nos termos da Constituição Federal, com personalidade jurídica própria, e das instituições superiores de ensino de Educação Física, oficialmente autorizadas ou reconhecidas, que serão convocadas pela Federação Brasileira das Associações dos Profissionais de Educação Física - FBAPEF, no prazo de até 90 (noventa) dias após a promulgação desta lei. Art. 6º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Em seu primeiro artigo já fica claro o caratér descriminativo, uma vez que este registro tem um custo, não bastando o diploma de formação o profissional tem que pagar uma anuidade, para assim garantir o direito de poder ingressar no mercado de trabalho. Ou seja, para se lançar ao mercado de trabalho não bastava o curso superior de educação física, mas se fez necessario o registro profissional. Logo em seguida no seu segundo artigo a lei diz quem pode e quem não pode atuar nas “terras de ninguém”, delimitando outra vez esta atuação a uma inscrição, pois neste primeiro momento quem já trabalhava na área poderia até a data da lei registrar-se, mas segundo os que defedem a regulamentação como o Sr. Steinhilber nos diz que
Normalmente me indagam por que os leigos podem atuar no nosso mercado de trabalho. Ficam boquiabertos quando percebem que para [atuar] nestes seguimentos (sic.) não há a necessidade de formação específica. Ficam estarrecidos ao enxergar que este mercado não é nosso. Que este mercado pertence a qualquer um. Qualquer pessoa, com qualquer formação e, mesmo sem nenhuma formação pode atuar em academias, clubes, condomínios, etc” (Steinhilber apud, Nozaki, 2004, p.48, grifos nossos).

Nos parece contraditorio, ou seria mais uma estratégia capitalista para angariar mais adeptos, assim como, adquirir força junto aqueles que eram contrários a regulamnentação? Para isto mais uma vez usaremos Nozaki, (2004) que nos esclarece
Por outro lado, a defesa da regulamentação da profissão está intimamente ligada à ética neoliberal, ou seja, a do individualismo, dando por vencedora a tese da exclusão. A defesa da regulamentação da profissão de educação física esteve o tempo todo apoiada em pressupostos corporativistas profissionais que atacam outros trabalhadores, ao invés de investir contra os detentores do capital, neste caso, os grandes proprietarios do mjundo das atividades físicas. Desta feita, criou-se a figura do leigo enquanto inimigo central da educação física.

Entendendo agora os bastidores de como se deu o porcesso de regulamentação da profissão de educação física procuraremos analisar seu reflexo na formação dos novos profissionais. Procuraremos o entendimento quanto as questões estruturais necessarias dentro da lógica neoliberal para a consolidação de tais ações, que, ao nosso entender, refletem diretamente nas DCN´s.

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4.3 A formação dos professores de educação física dentro desta nova pesrpectiva mercadologica: As DCN´s como delimitadoras de funções Tentaremos agora entender como se deu o processo de formulação das DCN, especificamente para a Educação Física – DCNEF – onde necessitaremos fazer uma localização historica para que possamos compreender todo percursos e percausos durante sua elaboração.
A preocupação com a formação docente de forma mais sistematica remonta ao século XVI quando as elites propugnavam que para ensinar bastava que o professor soubesse o conhecimento a ser tratado. Para o professor em formação era mister aprender observando como os mestres mais experientes o faziam. Deste empirismo inicial até a organização da formação com base em fundamentos científicos mais de três séculos passaram. As mudanças no modo de produção da existência colocavam a necessidade de cada vez mais pessoas instruídas (e cada vez mais instruídas) para atuar num mercado em expansão 19 (TAFFAREL e SANTOS JÚNIOR, 2010).

Quando a burgesia chega ao poder a escola ganha importância na formação das massas, neste cotexto a educação, insitucionalizada sobre a direção da burgesia tinha como objetivos tanto oferecer os conhecimentos e o pessoal necessário a máquina produtiva como também gerar e transmitir os valores morais que legitimam os interesses dominantes atráves da internalização, ou seja, de uma dominação estrutural e uma subordinação hierárquica imposta (Mészáros, apud Taffarel e Santos Júnior,2010). Cumprindo este objetivo, a formação dos professores ocupava e, ainda hoje ocupa um lugar estratégico para os agentes do capital. Na outra ponta, onde está a classe trabalhadora, a educação vai aos poucos sendo reivindicada como elemento chave para, como diz Taffarel e Santos Júnior (2010, p. 25) “o projeto emancipatório e a formação de professores objeto de acirrada disputa”. Os autores completam ao afirmarem a importância da função de ser professor nesta sociedade:
Este debate apresenta interesses políticos indiscutíveis, em função do papel que os professores desempenham, ou podem desempenhar, no movimento social e econômico. Se, por um lado, existe o reconhecimento dessa importância, por outro, continuam a prevalecer problemas específicos na fromação cuja busca de respostas se converte em grande desafio para a prática pedagógica. (TAFFAREL E SANTOS JÚNIOR, 2010, p. 25)

No nosso país as questões ligadas a formação só vão aparecer após a Independência, pois o povo necessitava de instrução para o progresso, seguindo uma
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Terra, D V; Souza Junior M. – Formação em educação física & ciências do esporte: políticas e cotidiano – São Paulo, 2010.

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tendência mundial o Brasil adota o modelo da escola normal20. No momento em que se torna República o país começa a repensar criticamente o modelo da escola normal para a formação de professores, que primavam pelo treinamento pratico em detrimento das bases teóricas. Iremos chegar a proposição das licenciaturas para formar professores de disciplinas específicas e do curso de padagogia para formar professores para a escola normal, sob forte orientação de Anísio Teixeira, já no final da década de 30 (TAFFAREL E SANTOS JÚNIOR, 2010). Pudemos perceber durante a nossa pesquisa a forte influencia do sistema capitalista na formação destes professores, onde concordamos com Taffarel e Santos Júnior (2010, p. 26) ao afirmarem, concordando com Arroyo (1985), que
A persistência e o agravamento de determinadas problemáticas no porcesso de formação de professores – como são a fragmentação do processo de trabalho pedagógico, a desqualificação profissional já no processo de qualificação, a fragmentação do conhecimento, as antinomias entre as áreas do conhecimento específico e padagógico, os anacronismos ante os avanços das forças produtivas e das exigências do modo de produçãocapitalista, entre outros – fazem parte “de uma política global de negação do saber às camadas populares”.

A educação de qualidade, dentro deste contexto, não deve ser para todos, somente para aqueles que tenham condições de recebé-la. Isso é o que quer capital, manter as classes dominadas cada vez mais alienadas e isso incluiria também as pessoas responsáveis por transmitir este conhecimento – os professores – estes teriam que estar moldados a forma do capital para que o discurso da classe dominante agora ganhasse fundamentação. No âmbito mais específicos das licenciaturas, como nos diz Taffarel e Santos Júnior (2010), foi indentificado como preocupação primordial dos proponentes a reforma

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A primeira Escola Normal brasileira foi criada em Niterói, Rio de Janeiro, no ano de 1835. O Curso Normal criado em 1835 tinha o objetivo de formar professores para atuarem no magistério de ensino primário e era oferecido em cursos públicos de nível secundário (hoje Ensino Médio). A partir da criação da escola no Município da Corte, várias Províncias criaram Escolas Normais a fim de formar o quadro docente para suas escolas de ensino primário. Desde então o movimento de criação de Escolas Normais no Brasil esteve marcado por diversos movimentos de afirmação e de reformulações, mas não obstante a isso, o Ensino Normal atravessou a República e chegou aos anos 1940/50, como instituição pública fundamental no papel de formadora dos quadros docentes para o ensino primário em todo o país. TANURI, L. M. Contribuição para o estudo da Escola Normal no Brasil. Pesquisa e planejamento. São Paulo, v.13, dez.1970, p. 7-98.

. Ao analisarmos percebemos a intenção de reserva mercadológica. No início deste século. produzir e apropriar-se do conhecimento – configurando isso como os parâmetros teóricomedológicos que orientam o processo de trabalho pedagógico (Taffarel e Santos Júnior. fundamentou a resolução nº 7.”Encontram-se nesta questão os contornos de um interessante caminho a ser explorado na difícil solução do problema da articulação entre formação do futuro professor na licenciatura e a realidade escolar que o espera” (Candau. atrevés do parecer CNE/CES 58/2004. apud Taffarel e Santos Júnior. 2010) Sobre estas questões Taffarel e Santos Júnior 2010. como o leitor achar melhor. A estratégia agora usada pelos que comandam o sistema CONFEF/CREF é a criação deste profissional (bacharel). Para que as perspectivas neoliberais venham a se concretizar no campo de formação de professores de educação física o sistema CONFEF/CREF. 2010. estabelecendo assim novas modalidades para exercer a profissão de educador físico: bacharelado e licenciatura. precensiamos o debate sobre a direção geral do processo de formação de professores tomar novo fôlego. p. podem ser localizadas no modo como o capitalismo se apodera do Estado e de como influencia amplamente a cultura.. formatação e aplicação dos cursos das chamadas lincenciaturas sofreram as gerências ou ingerências. de 31 de março de 2004 quanto as DCNEF. 27 ampadados por Ianni comentam que [. 27).] configuram a cultura pedagógica construida no processo de produção e apropriação do conhecimento na formação dos professores. ideia que inclusive fundamenta os regulamentadores da educação física. p. Compreendemos que a criação. As raízes que asseguram. . do mundo capitalista que por sua vez se utilizou mais uma vez desta “aliada” chamada educação no seu projeto hegemônico. uma vez que o estatuto epistemológico é materializado no interior de um curso nas ações de professores e alunos para construir. e conformam tal cultura pedagógica. com o capital em crise e a crescente onda neoliberalista.47 universitária a necessidade de uma reflexão sobre a própria matriz do pensamento que serve de base para a formação de professores. O procedente desta preocupação.

nos termos definidos nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores de Educação Básica. Vejamos quais as nossas opções.4 A Divisão do Currículo de Educação Física: bacharelado e licenciatura Partiremos agora para a análise dos artigos da Resolução 07/04 que julgamos mais pertinentes para nossa pesquisa para que possamos compreender melhor as questões que cercam este assunto. são duas as opções de saída para todo ensino superior: a licenciatura e o bacharelado. já os bacharelados excluem de sua formação a possibilidade de atuar na educação básica. As licenciaturas visam preparar o profissional para atuar como docente na educação básica.. assim como estabelece orientações especificas para a licenciatura plena em Educação Física.asp?id=3613 acessado em novembro de 2010 em . Argumentar que os cursos de licenciatura não preparam para trabalhar nas academias e demais espaços de atividades corporais e que a escola então não seria o lugar para essas práticas também consistem em argumentações vazias.org. Cada uma delas com perfil de formação e intervenção profissional próprios. no qual sua defesa expressa um discurso que converge com a enfática defesa da conquista do mercado de trabalho do meio não-escolar para os professores de Educação Física respaldada pelo sistema CONFEF/CREF. 2004) A divisão do currículo tem por finalidade segregação da classe de professores de educação física dentro da sistemática neoliberal de centralização-descentralizada.confef. em nível superior de graduação plena.br/extra/revistaef/show. estando claro que um formado em curso de licenciatura não poderá atuar na área do formado em curso de bacharelado e vice e versa. 1º A presente Resolução institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de graduação em Educação Física. Disponível http://www.. segundo Steinhilber (2006)21 De modo geral. (BRASIL. se conclui que aqueles alunos que desejarem atuar como professores de educação física curricular na educação básica devem procurar freqüentar o curso de LICENCIATURA.48 um verdadeiro retrocesso histórico as lutas dos professores de educação física pelo seu reconhecimento enquanto trabalhadores da docência. 4. Sendo assim o que pudemos observar destas afirmativas é a tentativa clara de desarticulação da classe trabalhadora – professores de educação física – com a prerrogativa de garantia de determinada “fatia” do mercado do trabalho para os bacharéis em educação física.] Desta forma. Foi produzido assim um texto. Revista Educação Física. nº19. Começaremos já com o 1º artigo que diz: Art. Para tanto existia necessidade 21 STEINHILBER. março de 2006. [. e aqueles outros que desejarem atuar em demais nichos do mercado de trabalho especifico da educação física. que foi a base para a DCN’s para os Cursos Superiores de Educação Física. Jorge. devem procurar cursos superiores de GRADUAÇÃO (bacharelado conforme já esclarecido).

mas também porque. que buscariam desenvolve-las para as suas atividades.no que se refere ao caráter polivalente do modelo de formação. não só porque a segunda depende da primeira. domínio da língua nativa.49 de uma formação especifica para esse campo de trabalho. citadas por Leite presentes nos escritos de Cardozo apud Sousa Sobrinho (2009.. desenvolvimento de atitudes cientificas. Fazia-se necessária a apropriação deste novo mercado em acessão para que assim se pudesse “criar” um novo tipo de profissional – o bacharel ou graduado em educação física – que estivesse apto a atuar. a formação técnica contraria com o interesse das empresas. o que envolve as seguintes características: desenvolvimento de habilidade cognitiva. Kunz (1998. quando afirmam que hoje em dia uma solida formação geral seria mais importante para as empresas do que a formação profissional. capacidade de comunicação. representados pelo sistema CONFEF/CREF’s. defendem o caráter generalista em seu modelo de formação. p. a formação deveria estar voltada para a treinabilidade. 139). 140).] Apesar das Diretrizes Curriculares para os cursos superiores de Educação Física apresentarem acordo com o projeto internacional de educação do capital – mundialização da educação . fundamentalmente. Para desvelarmos as contradições que permeiam a reflexão dominante quanto ao embate em torno das Diretrizes Curriculares. Nozaki (2004) aponta que os “idealistas" de plantão deste sistema não refletiram as reais circunstâncias de expansão do setor de serviços ordenada pelo sistema do capital em crise. desenvolvimento de habilidades comportamentais voltadas para as relações interpessoais e desenvolvimento da autodisciplina. 38) expressa essa idéia com os seguintes termos: a criação do bacharelado foi. da responsabilidade e da lealdade. basta observarmos que as diretrizes do Banco Mundial. por estar mais relacionada com as atividades especificas de vários ramos industriais. Com essas afirmações o que nos fica claro é a importância da garantia mercadológica para a consolidação neoliberalista dentro da educação física. Segundo Cardozo citado por Sousa Sobrinho (2009. p. p.. uma reposta aos argumentos de que a formação do licenciado não vinha atendendo ao desenvolvimento das qualificações e das competências necessárias a intervenção do profissional nas diversos campos de trabalho não-escolar. . resultando na extrema proletarização do trabalho docente. [. o embate se efetivou no interesse do capital internacional com inserção no campo da educação contra os interesses dos capitalistas nacionais com investimento de capital no setor de fitness e ensino superior.

A garantia de colocação no mercado de trabalho de tais profissionais também é usada pelos defensores da divisão como sendo argumento de legitimidade. ou curso de provisionado22 do sistema CONFEF/CREF’s. que atuam fora da escola. desta forma. ou seja. p. a partir dessa análise. por intermédio do consumo da mercadoria educação. a construção de uma forma de consumo artificial imposta pela lógica de expansão e acumulação deste sistema. . O mecanismo de controle subjetivo do desemprego está justamente no conceito empregabilidade. constituição de um profissional que deve deter as características de um prestador de serviços no campo não-formal de trabalho. Concordando com esta lógica e descrevendo a respeito deste tipo de manobra mercadológica Sousa Sobrinho (2009.50 Essas manobras estruturais estão presentes desde os primeiros modelos de sociedades divididas em classes. a criação de uma necessidade artificial de consumo do curso de bacharelado em Educação Física. O curso de bacharel representa. Esses são os meios para transformar a sua força de trabalho em valor-de-troca. garantido. e Sadi (2009) que os interesses do capital nacional defendidos pelo sistema CONFEF/CREF’s. a permissão para a venda da sua força de trabalho. cria a produção da formação em bacharel – associada à necessidade de seu consumo por parte dos professores que almejam trabalhar no campo não-escolar de práticas corporais. entretanto sabemos que a formação não é garantia de emprego em um sistema que necessita do desemprego como mecanismo de controle do valor do trabalho. A cerca disso Sousa Sobrinho (2009. após a regulamentação da profissão. 22 Curso ofertado pelo sistema CONFEF/CREF aos trabalhadores das práticas esportivas. assim. p. e garantidos com a divisão do currículo. Percebemos. onde sempre a classe dominante “educou” a classe dominada conforme seus interesses. para adquirir o registro profissional e. já que o processo de regulamentação cria a necessidade de uma formação específica para um campo de trabalho – ou seja. a circulação da mercadoria educação. como a estrutura do capital constrói a sua relação artificial entre produção. A força de trabalho do ser social que domina os conhecimentos históricos de uma determinada cultura corporal deve recorrer ao diploma de bacharel. são: a legalidade do próprio sistema em constituir um “profissional de Educação Física” responsável pelo mercado de práticas corporais no campo não-escolar. O qual relaciona a conquista do trabalho as capacidades dos indivíduos de se colocar no mercado – o empreendedorismo é como uma capacidade necessária para sobreviver no mundo do desemprego – do que empregos formais. O registro é ofertada sobre a condição de comprovação da atuação profissional com as práticas corporais até três anos antes da confirmação da regulamentação da profissão de Educação Física. 142) Podemos constatar a partir das análises de Nozaki (2004). circulação e consumo em sua lógica metabólica. com isso. 150). concretizada ao instituílo como único meio de acesso legal ao mercado das práticas corporais fora da escola. Taffarel e Lira (2005). como exigência para concessão do registro profissional na modalidade de provisionado.

51 Além disso. seja para qual motivo for (guerra. Desde a comuna primitiva onde a caça. percebendo esta manobra neoliberalista dentro da educação e percebendo que a tese de regulamentação se baseia na garantia de mercado de trabalho a diferenciação entre bacharelado e licenciatura nada mais é que o local onde será ministrada a aula. o retrocesso que tal prática representa para as conquistas históricas da educação física. Compreender que a educação física caminha lado a lado com a própria evolução do homem. conseqüentemente o que veremos é o esfacelamento da profissão. se fazia necessária nesta pesquisa para dar um sustentáculo histórico a evolução desde corpo através dos tempos. mesmo que em algumas situações esta condição não seja respeitada. quando. seja na escola ou fora dela. sendo o transmissor um professor de educação física. estava a preocupação com a educação do seu corpo. sobrevivência. Fica claro. apontado por Taffarel e Lacks (2005) se fundamenta justamente na perda de centralidade da docência na educação Física. Percebemos nesta tese um dos maiores equívocos para a sua fundamentação. o que a caracteriza como um conhecimento humano. os defensores da regulamentação. a pesca. beleza). após analise da importância histórica dentro das construções das civilizações que a educação corporal sempre teve. Estabelecer que sempre. a corrida faziam parte do cotidiano do homem para a sua sobrevivência e que mais adiante também veremos está preocupação na educação do corpo em civilizações que serviram de modelo para a construção da sociedade como conhecemos hoje quando seus jovens eram trabalhados para a valorização das suas “virtudes” e o trabalho corporal tinha a mesma importância que os outros. . o equívoco dessa tese estar em negar o elemento intelectual e histórico presente em todos os conteúdos da cultura corporal. que ao chegarmos hoje. em ambos os casos o que está sendo praticado é a docência. desde quando deixamos de ser atividade e passamos a disciplina curricular. afirmam que a pratica fora da escola não se caracteriza como uma ação docente. que deve ser repassado às demais gerações de homens e mulheres. junto à formação humana. sem compreender o ser ontológico que está executando este movimento. o que vale ressaltar é que se estamos formando técnicos voltamos a valorizar o movimento pelo movimento.

2005. implica em diferenciar o trato com o conhecimento entre um e outro” (TAFFAREL e LIRA. que têm como indicadores a separação entre “teoria e prática”. teríamos então uma separação entre os vários saberes que englobam a formação em educação física.) e os saberes ontológicos (evolução do homem. etc. o referido autor analisa que a fragmentação do currículo entre bacharelado e licenciatura provoca antinomias. a dicotomia do currículo proporciona danos que vão para além da divisão da categoria. pedagogia. anatomia. 156) que afirma recorrendo também a Lira e Taffarel que Usando a análise de Lira. anacronismo e contradições que podem ser entendidas no sentido de “oposições recíprocas”. Para salientarmos tais questões vamos recorrer a Sousa Sobrinho (2009. p. a qual aponta que a divisão do currículo efetiva a fragmentação do conhecimento e desqualificação do professor no processo de formação acadêmica. já que. conhecimento filosófico. Percebemos na segregação do currículo o próprio adiantamento da formação de professores em Educação Física. pesquisa e extensão. qualificação individual x desqualificação do coletivo de trabalhadores.) desvalorizando cada vez mais o professor de educação física uma vez que este teria superficialmente os conhecimentos que lhes são necessários para um bom exercício docente. a divisão do currículo entre bacharelado e licenciatura traz problemas “de ordem epistemológica e políticas porque implicará a seleção de conteúdos e procedimentos e a desarticulação do ensinopesquisa-extensão para um. De acordo com Sousa Sobrinho (2009) que nos esclarece que “a dicotomia é expressa na descentralização entre a competência política e a competência técnica”.52 Apesar disto. p. Em sua tese. fisiologia. a separação entre as áreas de conhecimento técnico (ou área de conteúdo) e a área de conhecimento pedagógico. Lira (2004) complementa sua critica ao apontar a impossibilidade de definição teórica de quais seriam os conteúdos referentes à formação de bacharel ou licenciado. 123). 2004. . na alienação x consciência de classe. qual disciplina é especifica de um determinado curso e suas demais áreas transversais. As contradições podem ser identificadas nas relações de produção e segregação do conhecimento. p. Haveria uma separação entre os saberes corporais (biologia. conhecimento sociológico. Quanto à desarticulação entre ensino-pesquisa-extensão. psicologia. (LIRA. etc. conhecimento biológico. ou para os dois cursos. 63) Analisando a citação acima percebemos que a fragmentação na formação em educação física só traz perdas para as relações entre ensino.

ratificando o que vimos em todo transcorrer desta pesquisa. talvez a única oportunidade de ascensão social para o trabalhador lhe vai ser negado em troca de uma empregabilidade fajuta. com a fragmentação do conhecimento. onde o real prejudicado sempre será a classe trabalhadora.53 As DCNEF representam mais uma relação de poder do capital versus trabalho. . que não poderá lhe proporcionar uma verdadeira melhora de vida. decidindo como deverá ser seu acesso ao conhecimento e como melhor se adequar as necessidades mercadológicas Educar as massas nada mais é do que domesticá-las para melhor servir as camadas dominantes. onde a classe detentora do poder econômico e sobrepõe a classe trabalhadora. Quem ganha com isso? Os verdadeiros donos do poder.

percebemos a força desta influência nas determinações que regem o sistema educacional quando os planos de ação tem que passar pelas mão de quem tem o poder. estamos falando de uma educação voltada para o trabalho. Percebemos. que os preparavam para a função de governar. que em momento algum se referia aos conceitos culturais. onde vimos a caminhada da educação do homem desde sua fase mais primitiva. gerando excedente na produção. Ao analisarmos a crise do capitalismo no pós-guerra. Dentro deste novo quadro social as regulamentações das profissões são mais uma estratégia de descentralização-centralizadora dos neoliberais. alta na inflação e vimos a consolidação do neoliberalismo como a solução para a crise. Neste ponto já nos fica claro a divisão da sociedade em classes uma vez que esse modelo de educação acima citado era dado aos trabalhadores enquanto para os filhos da classe dominante eram trabalhados as “virtudes”. passando por sua construção enquanto sociedade e todas as influencias que eram determinadas pelas clases dominates. não resolveram a crise economica mas conseguiram uma reestruturação social e estão transformado a educação em mercadoria criando assim o mercado escolar. Quando este poder entra em crise os seus administradores buscam medidas e reformas para garantir o seu sucesso. CONSIDERAÇÕES FINAIS Após a montagem deste panorama. onde o mercado de . no transcorrer da história do homem o quão valiosa era a educação da classe menos favorecida para cumprir os interesses dos que estavam no poder e entendemos aqui não o conceito de educação que temos hoje. uma instrução. As estratégias neoliberais foram instrumentos ideologicos que ganharam força na atual crise do capital.54 5. Este passeio pela história só veio salientar as relações de classe existentes na sociedade e que dentre todos os processos a educação sempre foi utilizada como um instrumento idealizador a serviço da classe dominante. analisamos o crescimento do neoliberalismo como a estratégia usada para manobrar a crise e os reflexos que ele trouxe para a educação onde nos detemos as especificidades da formação em educação física. Na nossa pesquisa especifica. Quando procuramos entender como os sitemas ecônomicos influenciam na educação. aquela que serve para ensinar as primeiras letras e a fazer as primeiras contas. temos aí um exemplo claro de artificio para combaté-la. aumento do desemprego. pudemos nos debruçar na evolução da educação face este contexto.

tem que se tornar “empreendedor”. . reduzindo a nossa atuação a uma pratica descontextualizada e alienante (quando bacharelado) esquecendo que a função do professor de educação física em qualquer local que esteja atuando é a transmissão dos conhecimentos referentes a cultura corporal. Ao analisarmos tais diretrizes nos fica claro o verdadeiro sentido de sua criação. criar suas próprias oportunidades de emprego. . O professor. nada mais é do que uma estratégia neoliberal para a fragmentação de uma classe trabalhadora. que institui a divisão do curriculo de formação de professores em licenciatura e bacharelado. Vemos tais medidas como contraditórias e conflitantes e concluimos nossa pesquisa perbendo o quão grande é a batalha que nos espera no campo de trabalho mas certos de que a resistência crítica e a produção de uma ciência embasada nos proporcionará uma valorização enquanto professor e enquanto membro de uma sociedade que busca por respeito e igualdade de oportunidades. no popular “se virar”. Baseados em um discurso incosistente. dentro desta nova lógica mercadologica. através da resolução nº 07/2004. onde se é desrepeitada toda a historia da cultura corporal humana. neste caso os professores de educação físisca.etc.55 trabalho é “demarcado” tendo especificidades para que o individuo possa exercer determinadas profissões. No caso da educação física surge o profissional de educação física e a função de professor é colocada em segundo plano abrindo espaço para o personal treiner. pois no nosso entendimento. as acessorias esportivas. Com o embate que tais questões se fez necessario a criação legal desta nova “categoria” profissional e para isso os órgão reguladores – o sistema CONFEF/CREF – utiliza de sua influência para consolidar a divisão a do curriculo através das Diretrizes Curriculares Nascionais.

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