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I> C Rute 4 Capítulos 85 Versículos .

posteriormente. no mês de abib (ver a respeito no Dicionário). Seus familiares eram Noemi. o Senhor é Aquele que fere e cura a ferida. Os anos se tinham passado. Todavia. Portanto. o que transparece. 23. Significado do Nome Pano de Fundo Autoria Data Propósito do Livro Canonicidade Teologia do Livro Valor Literário Esboço do Conteúdo Bibliografia I. Agora.10. irei eu. e Quiiiom com Rute. IV. no caminho. de ter sido uma das antepassadas do Senhor Jesus. 3 . falecido marido de Noemi. Na genealogia de Cristo. as duas mulheres finalmente retornaram a Belém de Judá. ela foi. Somente Noemi guardava no coração sua profunda tristeza. Por isso. mesmo em Israel. sem marido. O livro era um dos cinco rolos (no hebraico.11. Se fosse viúva. com duas noras viúvas. respondia: “Não me chameis Noemi (no hebraico. A situação da mulher na antigüidade era da mais total dependência ao homem. e moabitas! Noemi sabia das dificuldades que as três enfrentariam. Mas. Se não houvesse homem que tomasse conta dela. Malom e Quiiiom. não durou muito. e dessa vez. na terra de Israel. Esse informe permite-nos saber que a seca ter­ minara em Judá — os campos estavam novamente floridos e produti­ vos. podemos ver a mão de Deus. O livro gira principalmente em torno de sua heroína. um habitante de Belém de Judá migrou para a terra de Moabe (não muito distante). Noemi: “Não me instes para que te deixe. Mas. em sua famosa declaração à sogra. Era o tempo da sega das cevadas. Embora viúva. porque grande amargura me tem dado o Todo-poderoso” (Rute 1. Rute mereceu ser uma exceção à regra. VII. há menção a quatro mulheres: Tamar. porém. Com a permissão de Noemi. III. O amargor e a desesperança de Noemi cederiam lugar à satisfação e ao senso de realização. megilloth).5. Entretanto. e onde quer que pousares. X. e me obrigues a não te seguir. a que fora mulher de Urias. Então ela resolveu voltar à sua terra. mais ou menos correspondente ao nosso abril. com as quais acaba­ ram se casando: Malom com Orfa. sua esposa. o teu Deus é o meu Deus” (Rute 1. o grande rei de Israel.. também faleceram. Bate-Seba e Maria eram israelitas. porquanto Deus havia decretado que nenhum moabita faria parte do povo de Israel. para Rute.RUTE 1091 Introdução Esboço: I. têm de ser atribuídos a duas causas: ou esses israelitas afrouxaram na proibição acerca dos moabitas ou. nem ainda a sua décima geração entrará na assembléia do Senhor. então. Mas Rute. Ela pertencia a um dos povos cuja entrada na comunidade de Israel era vedada até a décima geração (ver Deu. o romance de sua vida e de sua fé no Deus de Israel. Alegria de Noemi. Rut. Aliás. muito triste e amargurada de espírito. e o futuro próximo traria a Noemi perenes alegrias. como é natural. cada um dos quais usado em uma das cinco principais festividades de Israel. E também faz-nos saber que elas chegaram em abril/maio. as coisas começavam a perder os tons sombrios e iam-se tornando róseas e promissoras! Havia um parente rico de Elimeleque. De acordo com Lev. velha e amargura­ da. levando consigo sua esposa e seus dois filhos solteiros. por três razões principais a heroína. na versão latina da Vulgata. Rute . e Rute desejou ser uma das segadoras. “agradável”).16). Agora a família de Noemi era composta de somente três pessoas. Embora haja estudiosos que dão a esse nome próprio feminino o sentido de “companheira”.5. De fato. e se ela não tivesse recursos próprios. II.3). a família estava em situação difícil como nunca. Significado do Nome No hebraico. pôs a vista em Rute e perguntou ao encarre­ gado: “De quem é esta moça?”. O nome desse parente era Boaz (ver a respeito no Dicionário). Rute. já amargurada com sua viuvez e distante de sua terra.6). os hagiógrafos (ver a respeito no Dicionário). Rute. acima de tudo. ali pousarei eu. E a resposta que recebeu foi: “Esta é a moça moabita que veio com Noemi da terra de Moabe” (Rute 2. pois eram três viúvas numa só casa. Elimeleque faleceu em Moabe. E bastaria esse fato para torná-la uma figura estranha. Desoladas diante da situação de Noemi e Rute.. ela se integrou perfeita­ mente ao povo de Israel. na Septuaginta. ambas sem filhos.20). Mas os habitantes da cidade ainda se lembravam dela. como ela nem imaginava. con­ forme toma consciência todo leitor do livro de Juizes. Nessa casualidade. Muitas mulheres nessas condições só dispunham de uma solu­ ção: entregar-se à prostituição. ela mesma e seus dois filhos rapazes. Mas Rute era moabita. Os dois primeiros capítulos do livro armam palco para a introdução de Rute na vida e história do povo de Israel. E ela. VIII. IX. eternamente”. Portanto. resolveu atender às instâncias de sua sogra e desistiu de continuar viagem. Assim. E “por casualidade” entrou na parte do campo plantado que pertencia a Boaz. a diferen­ ça de idade entre os dois era bastante grande. II. dentro da genealogia do Senhor Jesus Cristo. Yahweh. “amarga”). O livro era lido por ocasião da festa das Semanas ou Pentecostes. na Septuaginta Routh. o livro de Rute vem imediatamente depois de Juizes. como já vimos. doze no próprio livro de Rute. entretanto. porque aonde quer que fores. tentou convencer suas duas noras moabitas a retornar à terra delas. era a primavera! Semanas mais tarde começaria a colheita do trigo e do linho. Havendo uma época de escassez de alimentos em Judá. então.3: “Nenhum amonita nem moabita entrará na assembléia do Senhor. a moabita. com Boaz (ver sobre os dois nomes no Dicionário). Um dado interessante aparece no último versículo do primeiro capítulo do livro: Noemi e Rute “chegaram a Belém no princípio da sega das cevadas”. no livro de Mateus. 2. apreensivas quanto ao presente e ao futuro. eles se enamoraram de duas jovens moabitas. Pano de Fundo A origem racial de Rute faz parte do pano de fundo da narrativa. na época dos Juizes. Era insustentável a situação de Noemi em Moabe. No cânon hebraico. seus dois filhos. O chefe da família chamava-se Elimeleque. 0 fato. outros preferem pensar que o significado do nome é desconhecido. Rute. devido à sua excelência de caráter. 23. Na Palestina. nora de Judá. as mulheres judias perguntavam: “Não é esta Noemi?”. Quanto à Rute. chamando-a de “filha”. Lemos em Deuteronômio 23. o livro de Rute faz parte de sua terceira seção. 1. conseqüente do anterior. disposta a compartilhar as durezas da vida diária de mulher estrangeira e viúva na terra de Israel. onde poderiam casar-se de novo. sem netos. ao dizer logo no início da obra: “Nos dias em que julgavam os ju iz e s . ficava reduzida à mais abjeta situação. porque o autor situa sua narrativa dentro daquele período da história de Israel. e na Bíblia portuguesa. que controla desde os movimentos das estrelas até o vôo dos pássaros. Quando Boaz veio ver como ia a colheita. ocorreria a entrega das primícias do campo. sem filhos. não quis afastar-se dela. e uma vez em Mat. seu estado piorava mais ain­ da. seu casamento com Quiiiom e. período extremamente conturbado para o antigo povo de Deus. uma já idosa e as outras duas ainda bem jovens. O fato de ter sido bisavó de Davi. Menos de dez anos depois. e Maria. Imediatamente Boaz interessou-se por ela.. geralmente. O nome dela aparece treze vezes na Bíblia. V. Sua mãe.. merece figurar como uma das grandes personagens femininas da Bíblia: 1. Tamar era cananéia. e Noemi envelheceu. E essa arruma­ ção parece historicamente lógica. conforme se vê no decorrer da história.” (Rute 1. tudo era festivo em Israel. Malom e Quiiiom (ver a respeito de todos esses nomes no Dicionário). VI. viúva de Malom. chamai-me Mara (no hebraico.1). e teu povo é o meu povo. Orfa. posto que com grande discrição e respeito. Bate-Seba.

Jer. Juizes. e as pessoas não se sentiam ameaçadas de extinção repentina. quando a nação de Israel já se havia separado em duas Israel (ao norte) e Judá (ao sul) -. que isso é improvável. Procuraremos mencionar aqui os mais pesados desses argumentos. Pois. 27. estas questões secundárias dão mar­ gem a intermináveis discussões e debates. ver a respeito no Dicionário). em seu original hebraico. dentro do fluxo da história revelada. aponta para uma data pré-exílica. que se vê no livro de Rute. Mas. seu autor não se identifica.21. E isso arrasta novamente mais para a antigüidade a data da composição do livro de Rute. Visto que em Rute 4. 25. que envolve o livro de Deuteronômio (D).3. quanto à gramática e ao estilo. sem também mostrar-se vulgar. com a apresentação de argu­ mentos especiais. ainda durante o período monárquico dividido. Esse aspecto será ventilado com maiores detalhes na seção VII. esse Boaz. por que haveríamos de pensar que Rute fosse feia e sem graça? Quando Rute contou à sua sogra. houve hostilidades entre Israel e Moabe. que nunca mais voltará. ou mesmo per pura especulação. Mas pré-exílica até que ponto? O outro extremo é obtido graças à genealogia que se encontra em Rute 4. já falecido. III. Levando-se em conta todos esses argumentos. Além disso.7.. E Noemi disse. até que a sega da cevada e de trigo se acabou. Noemi agiu como cupido.17. entretanto. à menção a Davi e à explicação acerca de um costume antigo. Mas Boaz era um nobre de sua época e todas as suas ações refletem sua condição social. Não há necessidade alguma de apelar para Deu.D. ao que editores posteriores vieram juntar suas anotações e acréscimos. Isso nos mostra que a época da composição do livro deve ter sido após a subida de Davi ao trono de Israel. 15 e 16. Há muitos lances.10. todavia. 25. Lev. a questão tem suscitado muitos debates. 25. que diz que os livros de Rute.8-11.P. conforme se vê.12 (trechos que o leitor deve examinar para que entenda a força desse argumento). conforme temos insistido no tocante a outros livros do Antigo Testamento.C. um parente seu. argumen­ tando que essas notas sobre Davi foram adicionadas por algum edi'tor posterior.E. e o Deus de Israel como seu Deus! Além disso. 23. Autoria O livro é anônimo. instruindo a nora viúva sobre como comportar-se de modo que atraísse a atenção de Boaz. O parente-remidor tinha varias obrigações: cuidar dos membros necessitados de sua família mais imediata e mais remota. em rela­ ção aos demais livros do Pentateuco (ver sobre esse termo no Dicio­ nário). porém. Uma aproximação talvez maior é obtida levando-se em conta a falta de hostilidade contra os moabitas. pois. É verdade que os tempos em Israel eram conturbados. Outros opinam.(S. I e II Samuel devem todos ser atribuídos a Samuel. Havia muito respeito pelos sentimentos das pessoas. para colher. diremos apenas que a “redenção” é um dos temas-chaves do livro de Rute. Não há que duvidar que ele sabia que ela era nora de Noemi.26. Todavia. 8. e Israel só conseguia sobreviver graças às intervenções divinas. questões como autoria e data de composição não são de primária importância. E a opinião dos autores da teoria do J. Alguns aramaísmos e outras formas literárias posteriores têm levado certos eruditos a aceitar uma data pós-exiiica para o livro. nos primeiros anos de Davi. Esse capítulo do livro é interessante porque nos mostra antigos costumes sociais na antiga nação de Israel. é um dos nossos parentes chegados. e tudo quanto se possa dizer será dito por inferência. inclusive aquele de outro parente ainda mais chegado que Boaz. 9. quase sempre miraculosas. o livro de Rute pelo menos fornece-nos um indício seguro quanto à questão da data. onde se encontra a proibi­ ção da aceitação de amonitas e moabitas na comunidade judaica. já era homem maduro. de acordo com o cânon hebraico.. apelando para o Talmude (Baba Bathra. pertencente ao século VII A. que contudo não quis cumprir o seu dever de parente-remidor. sugere que a obra tenha sido escrita durante o período da monarquia de Israel. conforme se aprende em I Sam. sabendo-se que Davi só se tornou o segundo monarca de Israel após a morte de Samuel.3 e Eze. e não ao período mosaico propriamente dito. em muitos casos. também sabia que Rute havia aceitado o povo de Israel como seu povo. por exemplo. Esse argumento. .25-28. a própria Escritura não nos fornece tais dados. uma época romântica e repleta de mesuras e respei­ to. embo­ ra esse quadro seja um tanto negado em II Sam. Se aceitarmos as datas extremas de Samuel como 1170-1060 A. A maioria dos eruditos conti­ nua atribuindo a Moisés a autoria do Deuteronômio.4. isto é. por isso mesmo o livro deve ter sido escrito após a época daquele profe­ ta. Por enquanto. em face de uma explosão atômica. estampou-se um sorriso na enrugada fisioncmia da velha judia. em Rute 4. por que Rute procu­ raria outra ocupação? Por isso mesmo. Encontramos ali menção à lei mosaica do parente-rem idor (ver a respeito no Dicionário). O livro pode ter sido colocado ali devido ao fato de que era um dos cinco livros lidos nas festividades judaicas (os Megiiloth . o segundo capítulo do livro termina com esta informação acerca de Rute: “Assim passou ela à companhia das servas de Boaz. o véu do tempo. d. porque o trecho de Rute 4. também argumentam que o livro de Rute não pode ser posterior a Deuteronômio 23.2. Voltam à carga os que defendem a autoria de Samuel.C. Segunda uma tradição judaica. e fazer tudo em favor do bem-estar deles. Ele é um dos nossos possíveis resgatadores” (ver Rute 2. as mulheres casavam-se muito jovens. Todavia. O que realmente importa é a mensagem do livro. não havia hostilidades entre Israel e Moabe. alguns intérpretes defendem a autoria de Samuel. então teremos de datar o livro de Rute depois disso. visto que.19-21. os filólogos ajuntam que o estilo literário do livro. viúva de Elimeleque. em Isa.5-10. Narra o namoro entre Boaz e Rute. 35. IV. 22.1092 RUTE provavelmente ainda não havia chegado aos vinte 25 anos. conforme a história nos permite depreender. que afirmam que os aramaísmos podem ser vistos nos livros da Bíblia desde o período mosaico. Data A questão da data da composição do livro está presa à questão da autoria. o que já implica uma data posterior.17-22 Davi aparece como rei e. a fim de que penetre naquela atmosfera para nós tão diferen­ te. Boaz.20). depende inteiramente da data da composi­ ção do livro de Deuteronômio. triunfante: “Esse homem. Penso que somente a pró­ pria leitura do livro será capaz de descortinar. Mas esse argumento é rebatido por outros estudiosos. e ficou com a sua sogra”. No entanto. 25. o autor do livro de Rute foi o profeta Samuel. sem dúvida. incluindo o dever de ser o vinga­ dor do sangue (ver também a respeito no Dicionário). O terceiro capítulo do livro de Rute é muito romântico. embora ele só possa ter sido o cronista do âmago histórico dessas obras. como é lógico. saldar as dividas incorridas por esses membros. O segundo capítulo do livro permite-nos ver com que carinho Boaz tratou Rute. Eram outros tempos. c. embora não se possa precisar uma data exata para a composição do livro de Rute. a. Ver Deu.3. tudo isso mostrou a Noemi que a mão do Senhor estava com ela e com sua nora. e isso anula (possivelmente) esse argumento. Núm. Entretanto. não determina necessariamente uma data posterior para a obra.22 menciona Davi. sabe-se que mais tarde. quanto a essa amizade entre israelitas e moabitas. Todavia. b. Teologia do Livro. onde estivera traba­ lhando durante todo aquele dia. Aqueles que dizem que o livro de Deuteronômio é uma obra posterior. Noemi. Mas. na antigüidade. que não levam a coisa alguma. dizendo que ele é de composição tardia. afinal de contas! A esperança brilhava cada vez mais intensamente para as duas! Diante de um protetor da qualidade de Boaz.) (ver a respeito no Dicionário). E os profetas posteriores chegaram a ameaçar os moabitas. 14). e. para o leitor.3. 25. cada vez mais cai no descrédito.47-49. É verdade que a pureza do hebraico. A inclusão do livro de Rute entre os Hagiógrafos (ou Escritos).18-22. Ora.

Canonicidade A canonicidade do livro de Rute nunca foi posta em grande dúvi­ da. Podemos citar um trecho neotestamentário para avivarmos a memória: “ . Se a isso ajuntarmos que o livro serviu de importante elo na corrente histórica do povo de Israel. preenche um periodo histórico que formaria um hiato misterioso e obscuro sem ele. “préstimo”. V. c. Todavia. mediante a reden­ ção que há em Cristo Jesus” (Rom. publicamente.RUTE 1093 pelo menos pode-se afirmar. não havendo evidências de anacronismo. 12. veio ilustrar exatamen­ te isso. em suas várias formas. em­ bora não se saiba quando nem por quê.. em muito. como reflexo da providência abrangente e amorosa de Deus. 15. o Senhor decretou: “ . o maior de todos os monarcas de Israel. a Quiiiom e a Malom. lido que era anualmente. dentro do cânon. f. Lembre­ mos que ela rompeu definitivam ente com o seu próprio povo. VI.18). de mulher amargura­ da em mulher feliz. Esse termo é gaal. sobretudo o gover­ no perenemente decantado de Davi. em uma de suas epístolas: “Pois tudo quanto outrora foi escrito. o livro tam bém nunca viu sua canonicidade ameaçada em nenhum sentido. Esta última dis­ posição do livro. Para alguns. mas especialmente em certos perí­ odos de sua história. Obede foi pai de Jessé. é o grande tipo de Redentor. O livro de Rute foi preservado por seus próprios méritos. “amargurada”. da data da sua composição. mas do próprio Cristo! Boaz. A canonicidade do livro dependeu. feliz. Boaz. a moabita. que ele deve ter sido escrito no começo da monarquia de Israel unida. D entro do cristian ism o . “companheira”. d.1). com alguma segurança. No entanto. b.3). têm esquecido esse fato e sido até exclusivistas e xenófobos.. Quiiiom. de judeus que eram herdeiros espirituais de Esdras e Neemias.. du­ rante a festa das Semanas ou Pentecostes. Muito mais dramática. talvez nenhum outro livro do Antigo Tes­ tamento. entretanto.4). no livro de Rute. Teologia do Livro Quando Abraão foi abençoado por Deus.”. radiante de esperança (4. como já dissemos.21.5). Talvez não devêssem os pensar em um único propósito abrangente.23. e que deveríamos incluir algo mais. tornando-se leal à nação e à religião que preferiu adotar. um tipo do nosso grande Parente-Remidor. seria uma novela sem valor histórico. alguns pensam que esse propósito é pequeno demais. da presença do Senhor. pois.20-34.. Outros pensam que Rute é o modelo mais fulgurante de proselitismo. em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gên. que nos remiu da servidão ao pecado ao preço de Seu próprio sangue vertido. na opinião dos eruditos. nos dias de Davi ou Salomão. “agradável”. para os judeus. mas que acei­ tara tornar-se parte integrante do povo de Israel. Também não podemos esquecer o papel de Boaz como o parente-remidor. moabita. Orfa. na história da redenção. tenha tan­ tos propósitos. pela paciência e pela consolação das Escrituras. Há muitas lições preciosas no livro de Rute. no seu Prologus Galeatus. Essa lei impedira a extinção de uma importante família em Judá. 3. Para outros. estando vedada sua entrada na comunidade de Israel por dez gera­ ções) e. Destacá-se. Esta promessa permanece de pé. ocorre por nada menos de vinte e três vezes no livro. pelo menos o principal propósito dessa jóia literária sagrada de Israel é servir de elo de ligação entre o conturbado período dos juizes. Josefo (Contra Apoio 1. então. Boaz fez isso publicamente. há fortes razões para não se aceitar essa opinião. e Jessé foi o genitor de Davi! Contudo. tenhamos es­ perança” (Rom. e a monarquia. desamparada. que condescende em dirigir a vida simples de pessoas como Noemi e Rute. No tocante a Noemi. eles o teriam rejeitado. quando não havia rei em Isra e l. Ela foi um exemplo vivo da verdade de que a participação no reino de Deus não depende de carne e sangue (pois ela era moabita. em cada geração. quando a nação chegou a perder a arca da aliança.. “en­ fermidade”. 1. Malom. em face da “obediência por fé” (Rom. perfazendo assim vinte e dois livros. trineto de Rute (I Reis 4. e dai pas­ sou para a paz e a prosperidade dos primeiros anos do reinado de Salomão. é a transformação experimentada por toda alma remida ao sangue de Cristo. segundo o cânon hebraico. Um apelo para que se desse continuidade à lei do levirato. “servo”). sem filhos. e também tomo por mulher a Rute. pois todos pecaram e carecem da glória de Deus. em grande escala. Ela aceitou de todo o coração ao povo de Deus e ao Deus do povo de Israel. uma estrangeira. E isso de mistura com sentimentos humanitários para com Rute. O termo hebraico correspondente. muitos judeus. “ . o livro quis mostrar como uma moabita foi incluída na linhagem ancestral de Davi. viúva.4). porquanto fala de bênçãos universais e eternas! . A história de Rute. Ela chegou ali empobrecida (1. pois. que não tardaram em incluí-lo entre seus livros mais conhecidos. pelo que. dirigido como estava sendo pelo Autor maior.1-5). Assim também disseram rabinos posteriores. “desperdício”. se esse tivesse sido o propósito do livro. para o nosso ensino foi escrito. englobando todos os povos.” (Jui. E esse segundo reflexo a teologia do livro de Rute é ainda maior que o primeiro. Podemos ver dois refle­ xos disso. ensina o erro desse exclusivismo judaico. o Espírito de Deus. sempre que eles se conservam obedientes ao Senhor e entendem sua missão na terra. de­ solados e destituídos de seus entes queridos. destituí­ da de todos os seus parentes (1. a possibilidade de uma guerra literária em torno de questões ideológicas é muito duvidosa naquele período tão remoto. Na opinião de muitos estudiosos. o Senhor Jesus Cristo. um dos pais da Igreja. Noemi. Contudo. tal como reuniu Lamentações com Jeremias. um relato idílico em torno de personagens com nomes bem escolhidos: Rute. De fato.. Não há que duvidar que esse motivo é forte no livro de Rute. sim. Propósito do Livro O propósito do livro de Rute também depende. após a morte de Eli (I Sam. No entanto. o próprio livro apresenta-se como uma obra histórica (Rute 1..25). A história é muito consoladora para os desesperançados. O clímax da narrativa do livro é atingido quando Rute dá à luz a Obede (no hebraico. Mas Deus a aceitou de tal maneira que ela se tornou antepassada não somente de Davi. “teimosa”. “Deus (El) é rei”. Elas nos fazem lembrar do que diz Paulo. Assim pensam ou­ tros eruditos. introduzido por Esdras e Neemias. Jerônimo. o estatuto deles contrário a casamentos de mulheres estrangeiras com homens judeus. Mara. dos menos volumosos... É claro que a bênção mais definitiva chega a todos os povos da terra por meio de Jesus Cristo. foi feita na sinagoga judaica. 3. Elimeleque. VII. Nem pelos judeus. e. 21. a moabita. diante de testemunhas: “Sois hoje testemunhas de que comprei da mão de Noemi tudo o que pertencia a Elimeleque. a fim de que. Isso é o máximo que se pode dizer sobre a história do cânon hebraico quanto ao livro de Rute. Há quem creia que o livro foi escrito como um tratado pós-exílico a fim de combater o estreito exclusivismo dos judeus.8) aparentemente contou Rute juntamente com o livro de Juizes. do que todo o Novo Testamento dá testemu­ nho. O amor de Deus é universal.. por sua graça. então teremos penetrado na mente e no coração do autor sagrado. e terminou uma mulher segura de si. à porta da cidade. Que rei não tem sua genealogia? O livro de Rute. a “redenção” é o conceito central do livro. também indica. sem dúvida uma das atitudes de defesa à qual eles apelam quando muito perseguidos. 5.24). depois que voltou à sua terra. descendente de Boaz e Rute. Primeiro na história nacional de Israel. 4. embora também tivesse dito que outros punham Rute e Lamentações entre os hagiógrafos. sendo justificados gratuitamente. o relato acompanha a transformação pela qual ela passou. fosse ele quem fosse.13-17). por sua vez. Conforme dizem alguns comentadores. por excelência. O livro de Rute. que os judeus jun­ tavam Rute com Juizes.17). o emblema visível. conforme se pode observar na lista a seguir: a.

E. por ser homem de meia-idade. Orfa percebeu a desvantagem de ir para Judá com Noemi. Rute e Boaz Conhecem-se (2. que te ama.9-12) F. Nesse episódio.6-18) 2. enquanto em Moabe tinham sofrido priva­ ções. o deu à luz. que lhe cabia. Noemi e Rute chegam a Judá (1. e entrou a cuidar dele”. e ela te é melhor do que sete filhos”. a moabita. com o coração transbordando da felicidade recém-encontrada. Introdução: O Drama de Noem i (1. passando por um cativante enredo.C. onde eles não tinham nenhum direito como cidadãos. durante o milênio. talvez adquiridas antes que a fome apertasse em Judá.1-8) 2.. por causa de seus próprios interesses.8-16) 3. 3. Uma data aproxima­ da para esses acontecimentos. aquele que começa a ler o livro de Rute só cessa a leitura quando chega ao fim. Esboço do Conteúdo A.1-23). pois as mulheres da localidade comentavam: “A Noemi nasceu um filho” (4. que prende o interesse dos leito­ res.”.1-5).22. Noemi planejou de modo estratégico certo. Para nós. respeitado em sua co­ munidade. quando da volta do Senhor Jesus.12). É um conto rápido. Rute começa a colher (2. Sem dúvida. Encontro de Rute e Boaz (2. O Plano de Noemi (3. o que o parente mais chegado não aceitou. a outra persona­ gem é um homem de meia-idade. Mas certas palavras de Rute mostram que ela já havia aceitado Yahweh como o seu Deus. serviu de previsão de abundância de bênçãos materiais e espirituais.6-22) 1. 2.18 e Heb.1-5). com sua crise quase insolúvel. para a cidade de Belém (no hebraico.. filho nascido de Boaz e Rute. deixando três mulheres viúvas. por dever. transferindo-o a Boaz. Bondade de Boaz para com Rute (2. Apesar do perigo. “. então.23. A Desastrosa Migração a Moabe (1. e Boaz teve o parente mais chegado ainda. para que ele desempenhasse seu papel de parente-remidor. Cristo já não mostrou como nos tratará? Eis que ele mesmo diz: “Eis aqui estou eu. O primeiro obstáculo para Boaz foi afastar o parente ainda mais chegado. salientando suas qualidades de caráter e de realização. soube oferecer-se sem ser coquete. Rute volta a Noemi (2. Os antigos israelitas sabiam escrever.16-18).” (1. abastado. Boaz não era homem irresoluto para ficar pelo meio do caminho. desempenhando seu papel feminino com muita dignidade. até a solução mais feliz. não tomaria a iniciativa. Conclusão: A Felicidade de Noemi (4. Outros lances da narrativa não são menos dignos de comentá­ rio.. e. Epílogo: Genealogia de Davi (4. Rute. Em gênero. estrangeira e desamparada em sua viuvez. representou grande consolo para ela.. tomou o menino. e que.1-12) 1.. por sua vez. naquele tempo. A solução começa a descortinar-se exatamente no meio do livro.. Além disso. Noemi representa o povo judeu do futuro.. Boaz torna-se o remidor e casa-se com Rute (4. o que. Rute apega-se a Noemi (1. Isso cons­ tituiu uma autêntica restauração. mas escrito com consumada habilidade. Rute e Boaz na Eira (3. Mas. Aquele foi o sinal público de que o parente mais chegado desistia do dever de ser o parente-remidor. E voltaram no tempo da sega. e os filhos que Deus me deu” (Isa. a fim de sustentar a si mesma e à sua idosa sogra.18 e 4. Ver Rute 3. se formos retrocedendo da genealogia de 4. Na observação de vários comentadores. Volta de Noemi a Belém de Judá (1. porém o Senhor me fez voltar pobre. Na Porta da Cidade (4. o livro mostra-se muito simétrico em seus lances. naquela viagem de apenas 80 km até Belém da Judéia. E Ele nunca cansará de nós. E assim Rute partiu com Noemi.1-23) 1. mas esse castigo pode aparecer implícito nos desastres que se abateram sobre a família com a morte dos três membros masculinos: Elimeleque primeiro. que ficou muito aquém dela em valor.. A melhor técnica de obra literária de fic­ ção é ali observada. Tem-se também observado que o encerramento de cada episódio facilita a transição para o que vem em seguida (ver 1.7. talvez não tenha igual dentro da Bíblia inteira. Obede. Boaz desempenha o papel masculino de protetor com admirável ternura. Rute teria de tomar a iniciativa na conquista amorosa. Rute trabalhou arduamente. por si só. 2. O ato solenizou e deu legalidade ao casamento de Boaz e Rute. quando Noemi diz à sua nora: “. Assim como Rute mostrou-se dis­ posta a trabalhar para sustentar a sogra. pois tua nora. Noemi Volta a Judá (1. antes mesmo de resolver partir para Judá.1-18) 1. Com um automóvel. Damos a mão à palmatória.13). Não há menção a algum castigo divino por haverem eles deixado a sua terra. ernbora não fosse neto autêntico de Noemi. Boaz começou a agir. “casa do pão”).20). em outra terra que não a sua. duas mulheres podem ter passa­ do vários dias no trajeto. haveremos de apegar-nos a Ele para nunca nos cansarmos. tal distância pode tomar apenas uma hora de viagem. Outra característica do livro. judiciais e sociais.1-7) 2. é 1100 A. A primeira é jovem.19-22) C. O parente mais chegado nega-se (4. Rute teve uma Orfa. Boaz Prepara-se para Casar com Rute (4.1-5) B. Esse homem é nosso parente chegado. IX. não cumpriu seu papel de parente-remidor. o que ele conseguiu valendo-se do argumento de que ele também deveria casar com Noemi.. Malom e Quiiiom.. Boaz resolve ser parente remidor (3. Todos devem ter percebi­ do o apego de Noemi pela criança. em Israel. Nessas instruções.8. ainda não tem deixado a sua benevolência nem para com os vivos nem para com os mortos. suas duas noras viúvas teriam mais pro­ babilidades de arranjar novos casamentos em Moabe. 3. Noemi e Rute voltaram a Judá. sente o seu espírito refrigerado.17.21 sugere a perda de consideráveis possessões materiais.18. mesmo quando sofre penúria? 4. também Noemi planejou a felicidade de sua nora. Os cuidados demonstra­ dos por Boaz em favor de Rute mostram-nos quão indefesa estava uma mulher. mas cujo nome nunca é dado. faça-me o Senhor o que lhe aprouver. Quem gosta de uma mulher preguiçosa. tendo começado a tomar providências para casar com Rute. Interessante é o antigo costume refletido em 4. mostrando assim que o aceitaria com prazer como marido.17). Talvez Noemi tenha visto que Boaz.” (2.. por ser parente ainda mais chegado que Boaz. então.6-15) 3.. Quando Noemi resolveu voltar à sua terra. . conforme Noemi reconheceu. Essa porta sempre dava para a praça principal das cidades antigas. E Noemi.. Outrossim. O período de fome. viajando a pé. o Senhor. e Rute.15-17). Rute volta a Noemi (3. E. Disse Rute: “ ... que a família teria trazido de Belém. desde a introdução. são as duas personagens principais: Rute e Boaz. a lamentação de 1. Valor Literário O valor literário do livro de Rute é indiscutível. As instruções de Noemi a Rute foram um apelo indireto a Boaz.1-12). Instruções de Noemi a Rute (3. Enfim. 8. que satisfez a todos os envolvidos.1-5) 2. e solteirão. Assim. ambas as personagens principais contaram com alguém que fez contraste com elas.1094 RUTE VIII.17-23) D.13-17) G..18-22) Queremos ainda tecer alguns comentários esclarecedores sobre certos pontos desse esboço do conteúdo: 1. nas estradas modernas. Mas de­ pois que Rute pediu que ele lançasse a capa sobre ela. representa todos os povos gentílicos que tiverem permissão de compartilhar a sorte renovada e feliz do povo de Israel. enfrentando os mais diversos perigos. Ali se faziam os negócios comer­ ciais. e consolador da tua velhice. isso não deixou de ser observado por Boaz. E. tornou Elimeleque e os três membros de sua família “peregrinos” em Moabe. e em face do casamento de Malom e Quiiiom com jovens moabitas. jovem e estrangeira. Ombreia-se com o melhor que a literatura mundial tem produzido. compartilhando a felicidade da idosa e simpática Noemi. essa distância nada representa. e o pôs no regaço. Diz aquele versículo: “Ditosa eu parti. Também nós. 2. 5.6-22). As mulheres judias compreen­ deram isso e lhe disseram: “Ele (o menino) será restaurador da tua vida. e um dentre os nossos resgatadores.

5. Tendo estuda­ do essas questões. No livro de Rute. que culminou na pessoa de Jesus. em Sua graça. 19. 4. porquanto ali a palavra “estrangeiro” sempre aparece como sinônimo de “opressor". a lei de Israel forçava o divórcio de hebreus que se tivessem casado com estrangeiros.18-21). porquanto “Deus amou o mundo de tal maneira” (João 3.7) parece refletir os dias de Salomão. por sua vez. na genealogia de Jesus. um parente mais remoto (não o irmão do morto) teve permissão de fazer a redenção. em lugar de Noemi. de acordo com o livro de Rute. O livro recebe seu nome de uma jovem moabita que se casou com um homem hebreu que fora viver na terra de Moabe. Alguns estudiosos crêem que Rute foi contemporânea do juiz Gideão. Problemas Específicos: 1. cuja intenção era suavizar a postura acerca dos “estrangeiros”. se ele não era irmão do falecido. data. Noemi. a viúva cuspiria no rosto do homem que não estivesse disposto a desempenhar o seu papel de parente-remidor. Bibliografia AM E I IB LAN MOF TI Z Ao Leitor O estudioso sério das Escrituras nunca começará a estudar a exposição de um de seus livros sem primeiro examinar a sua Introdu­ ção. pois. a nora. e não apenas um romance. 1. sendo assim alçada a uma posição que garantiu a sobrevivência do povo de Israel em tempos atribulados. teologia. 1). o Messias também serviria de “luz para os gentios” (isa.16). Alguns estudiosos supõem (sem dúvida de forma errônea) que Rute seja um livro de tempos pós-exílicos. o betelemita. Seja como for. visto que o Novo Israel. em diferentes épocas. C. De fato. não seria um relato histórico autêntico. que começou logo depois do cativeiro babilônico (ver a respei­ to no Dicionário ). Visto que Salomão não é mencionado na genealogia existente no final do livro (ver 4. recebendo a sua recompensa (cap. Além disso. realizou o propósito da redenção. No entanto. todavia. o costume de trocar de sandálias (ver 4. supõem que as explicações dadas quanto às diferenças e adições sejam adequadas para preservar a convicção de que o livro é uma obra literária histórica. “Essa amorosa história deve ser lida em conexão com a primeira metade do livro de Juizes. 3.RUTE 1095 IX.16 do Antigo Testamento. e até uma humil­ de viúva moabita. foi Rute. de tal modo que uma mulher foi capaz de tomar o lugar de outra. servindo (cap. o Cristo (ver Mat. porquanto nos apresenta um quadro da vida em Israel. não há nenhuma menção à idéia de . A cerimônia da sandália. OS críticos. Um dos propósitos do livro de Rute pode ter sido a tentativa de afirmar os direitos de Davi ao trono de Israel.. descansando (cap. Data do Livro. a viúva. o que explica a conexão histórica (ver Rute 3. como a noiva gentilica de Cristo. conhecida através de outras fontes. Ambas as mulheres desempenharam um papel- chave na história de Israel. canonicidade. Após verificar esse ma­ terial. 3. e as suas terras. decidindo (cap. não envolveu nenhum senso de vergonha. O casamento de Rute ocorreu durante o tempo dessa festa religiosa. juntamente com a terra que nem ao menos era dela. também operou no caso de Davi. que foi remida. Rute foi usada por Deus a fim de perpetuar a linhagem do Messias. 3). capaz de redimir. mas no trecho de Deuteronômio 25. Introdução). coisas essas jamais ouvidas fora do livro de Rute. Os livros de Jonas e de Rute.5). mas. A união que resultou desse encontro tor­ nou Rute a bisavó do rei Davi. O fato de que os antepassados de Jesus incluem indivíduos gentios. atuam como se fossem os trechos de João 3. Visto que Rute foi a bisavó de Davi (4. Mui tipicamente. pelo que seus informes não deveri­ am ser sempre tidos como acurados. por sua vez. algo que também só aparece no livro de Rute. provavelmente ainda nos dias de Davi. propósi­ tos. Ester casou-se com um rei gentio. as experiências do livro devem ter ocorrido na última metade do século XII A. Rute migrou para Israel em companhia de sua sogra. Idéia Geral do Livro de Rute. 2. Não existem citações diretas do livro de Rute no Novo Testamento.17).6). e não por ser obrigado a isso. em lugar de qualquer outro preten­ dente. 2). 4. o qual. Talvez um dos propósitos do livro consista em criar um sentimento favorável acerca dos estrangeiros e de seu potencial espiritual. embora nada tenha em comum com os relatos sangrentos das guerras internacio­ nais e intertribais que são narradas no livro de Juizes. Quando ele morreu. o livro de Rute pode ser tido como uma visão antecipada da Igreja (Rute). Rute apresentou a questão como se Boaz tivesse o dever de realizar o ato de redenção. ela era aplicada de formas diversas. A introdução prefixada ao livro de Rute explica questões como: significado do nome. No livro de Rute. a Igreja. para a cidade de Belém. Época Refletida. o leitor estará devidamente preparado para en­ trar no estudo do livro propriamente dito. A história passou nos dias dos juizes de Israel. Rute e Ester. e como. durante a época deles. supõem que o livro de Rute seja apenas uma novela romântica dos hebreus. então somente por um ato de graça e amor poderia desempe­ nhar o papel de parente-remidor. A providência divina especial. Problemas em Rute Quanto à Lei do Levirato. Rute. é instrutivo e dificilmente pode ter ocorrido como mero acidente histórico. simboliza a noiva gentilica de Cristo.9. O livro de Rute é lido anualmente pelos judeus ortodoxos por ocasião da festa do Pentecoste. Ao casar-se e ter filhos com Boaz. a menos que a lei tivesse assumido aspectos nunca ouvidos atra­ vés de outras fontes informativas. 4)” (Scofield Reference Bible.2 e cf. O leitor deve exami­ nar no Dicionário os artigos intitulados Goel e Lei do Levirato quanto a informações necessárias sobre essa questão. Os dois livros com esses nomes são os únicos volu­ mes formadores da Bíblia que foram chamados de acordo com duas personagens femininas. dotado de uma compreen­ são geral que o ajudará em um estudo mais detalhado. tinha de ser racialmente puro. Rute também serve de exemplo do serviço cristão normal: 1. Os estudiosos conservadores. tornar-se-á patente ao leitor que o livro de Rute vai além das provisões dessa lei. É impossível determinar com precisão a data do livro. Ver no Dicionário o artigo intitulado Providência de Deus. é possível que o livro tenha sido escrito antes dos dias do seu reinado. e que suas referências históricas não deveriam ser tomadas literalmente e de forma estrita. para torná-lo rei. Em outras palavras. Isso supõe grande liberalidade na aplicação da lei do levirato. de fato. Nos tempos pós-exilicos. autoria. Rute 1. 2. o qual começou a reinar em Hebrom em 1010 A. Citações de Rute no Novo Testamento. C.24). Ali a providência divina mostrou-se graciosa e fê-la conhecer Boaz. pano de fundo histórico. um próspero agricultor hebreu. valor literário e conteúdo. que tinha operado em favor de Rute. o amor universal de Deus brilha atra­ vés de todos os limites nacionais e até os transcende. Rute tornou-se a bisavó do rei Davi (ver Rute 4. ao passo que o livro de Juizes tem o efeito precisamente oposto.1322).22). fazendo-a assim entrar na genealogia de Jesus. Embora houvesse uma nação escolhida (ver isa. 49. Boaz tipifica Cristo. ao mesmo tempo que terras puderam ser legal­ mente transferidas para outrem. Rute tornou-se uma fonte de informações sobre a flexibilidade da lei. Os nomes Boaz e Rute aparecem em Mateus 1. E o povo escolhido de Israel veio à existência precisamente para tornar essa Luz mais brilhante e eficaz. Foi assim que uma desprezada viúva m oabita entrou na genealogia de Davi.

até mesmo em Israel. nada tendo que ver. não há indicio. 25.10 96 RUTE pejo. o que. por sua vez. o rito era aplicado sem rigidez. e de época para época. pois. O episódio do livro de Rute pode representar um estágio histórico no desenvolvimento das leis envolvidas no caso. Cf. no livro de Rute. diante da substituição de um parente-remidor por outro. John Gill mencionou a cerimônia da sandália em conexão com negocia­ ções. de que o parente-remidor era irmão do falecido Elimeleque. essa lei do levirato tinha suas variações de cultura para cultura. seu suposto dever era uma questão de escolha pessoal. com o problema do casamento levirato. . Sem dúvida. pelo que. íicando assim automaticamente resolvidos todos os problemas relacionados ao caso. significa que havia ampla aplicação daquele costume.6-9. Deu. Os códigos legais dos assírios e de Nuzi mostram que a cerimônia da sandália era a renúncia a um direito. Além disso. Por­ tanto.

com o te vem os ainda jazendo! Acim a do sono profundo e sem sonhos das estrelas. As par bolas de Jesus deveriam ser um a leitura o b rig a tó ria antes de o livro de Rute ser e xpos­ to e a p licado” (Louise P. Posterior­ mente. mas esses foram escolhidos seletivamente. pois os três homens haviam morrido) a retornar a Israel. 2. Portanto. Personagens do Drama.2). 35.11. Os Targuns também procuram afirmar. Um neto de Obede foi Davi. Mas é impossível determinar isso com algum grau de certeza. . e. ou seja.23 20.).. Quiiiom: Completo. 2. A leitura do livro de Juizes (ao qual o livro de Rute está associado) mostranos claramente muitas áreas de julgam ento divino. não há razão algum a para duvidarm os da histo ricid a d e desse relato bíblico. Malom: Enfermidade. havia razoável suprim ento para as necessi­ dades básicas da vida. Listar as personagens principais de uma narrativa fazia parte de um antigo m odo de introduzir livros. foi um fator favorável. especificam ente. Esses nomes e seus significados têm sugerido. segundo é de presum ir. a aldeia da consagração (I Sam. Não obstante. am bos os filhos de Noemi (vs. Todas as esperanças concentram -se em Jesus! (Phillips Brooks) 1. a morte tinha obrigado aquela família (agora já sem o chefe da casa e sem os dois filhos. e não a abordagem de e scrito re s com o João C alvino. 16.17. laboriosam ente. Efrateus. 3. Juí.4-7). Noemi.1. Ao todo. a aldeia de Miquéias e da esperança (Miq.1 Nos dias em que julgavam os juizes. sem dúvida.. mas isso não determina nenhum a data exata de sua escrita. Isso quebrou a tradição dos hebreus acerca de casam entos m istos com pagãos. A família de Elimeleque precisou abandonar seu lar. “O controle divino das colheitas foi sem pre um fator im portante no desenvolvi­ mento dos eventos do livro de Rute” (John W. essa força ou pessoa abandonou a sua criação.27-33 quanto a ilustrações sobre esse tema. 4. e fugiram para o território de Moabe. e “alim ento próxim o” era a grande necessidade do m om ento. o Filho maior de Davi (Luc. onde é dito especificam ente que a fome foi usada por Deus como modo de juigar um povo desobediente.19. mas provavelm ente devem os entender que as mulheres se tinham convertido ao yahwismo. Os m oabitas eram inimigos tradicionais de Israel. Obede. laboriosam ente. Ver no Dicionário os artigos Teism o e Deísmo. 1. 5). 16. Após dez anos. temos aqui uma típica m aneira antiga de introduzir um relato.1-5) A narrativa começa de maneira sombria. 18. V er no Dicionário o artigo denom inado Moabe. também nasceu em Belém. perfeito. o teism o ficou assim. o qual também nasceu ali.. m orreram tam bém am bos. a aldeia de Davi..). ilustrado: o homem não vive sozi­ nho. Noemi: Bela. 1. “Visto que se tra ta de um conto popular.2 Elim eleque. um a gem a entre as histórias breves de to d as as épocas. desde que Elimeleque e seus fam iliares haviam feito a viagem de Belém a Moabe (vs. pelo que essa circunstância não pode ser usada para determ inar um periodo histórico. mas com muitas sugestões variantes.10. Ver no Dicionário o artigo cham ado Fome. Esses pensamentos foram sugeridos por Jam es T. na antiguidade. esses significados são instrutivos no que diz respeito ao relato propriam ente dito. /te Circunstâncias. Morreu.1-23). a aldeia de Jesus. e todos eles com base nas narrativas bíblicas. Uma maneira antiga de introduzir livros foi exatam ente a que encontramos no livro de Rute: são dados os nomes das principais personagens. Portanto. finalmente. portanto.. Os Targuns sobre essa passagem listam. A aldeia da cortesia (Rute 2. o ponto de vista que devem os salientar na análise deve ser a p e rspectiva de um poeta ou de um contador de histórias. e. Am igos entre Inimigos. no lado oposto do m ar M orto. Noemi resolveu voltar a Judá e Rute preferiu acompanhá-la. A ssim expressou-se um a autora que não crê na historicidade do livro de Rute. O próprio livro situa as ações no tem po dos juizes de Israel. 12. E.58). C. 5. I Reis 16. 5. houve muito mais do que dez períodos de fome. e então são esclarecidas as circunstâncias em que o dram a se desenrolou. Ver os detalhes sobre essa questão. N âo som os inform ados sobre a razão pela qual a fam ília para lá se dirigiu. S m ith. Jos. O marido hebreu de Rute nascera ali. Mas parece que a decisão de Noemi voltar a Belém ocorreu muito depois da morte de seu marido. Fome. a despeito dessa verdade. quando os homens são humilha­ dos ao ponto em que nem ao m enos podem encontrar o bastante para comer. John Gill (in loc. em bora não no período pós-exílico. a saber: 1. 5. 17. deixando-a entregue ao sabor das leis naturais. Rute e Orfa. amigável. por algum tempo. É óbvio que ali havia alim entos. igualmente. recom pensar e intervir na história humana.16. visto que seus filhos cresceram e se casaram com mulheres moabitas. o que indica que a vida continuou norm alm ente. Não nos é dito quanto tempo se pas­ sou entre a chegada da família em Moabe e a morte de Elimeleque. M alom . Em seguida. Aldeia de Belém. Cf. Em tuas ruas escuras brilhou a eterna Luz. O nome Elimeleque (“ Deus é Rei”).) listou todas as sugestões e acabou falando sobre “a incerteza que cerca toda essa questão” . conform e já disse na Introdução. O uso dos nomes antigos confir­ ma a antiguidade da narrativa.. uma das quais era Rute.1-13). dez periodos conspícuos de fome que Deus im pôs contra um povo pecam inoso. Todos os nom es próprios deste versículo receberam artigos separados no Dicionário. mas a proxim idade. onde. Gideão. Ela ficava cerca de oito quilômetros ao sul de Jerusalém.). 2. mais uma vez. Ver Rute 4. que ensina que. o rei (ver Rute 4. A fome era um dos instrum entos de julgam ento nas mãos de Deus. Agora havia três viúvas m orando na m esm a casa: Noemi e suas duas noras. Esse era outro nome aplicado à aldeia de Belém (ver também . 19. “rei” . E foi então que acabaram morrendo.21. E o sexto desses periodos foi precisam ente aquele que envolveu Rute. o Cristo.37. com freqüência são determinados por algum modo de julgam ento do pecado. ao passo que Orfa escolheu ficar em Moabe. A viagem de Belém a M oabe cobriu som ente cerca de oitenta quilôm etros para o leste. Isso deve ser contrastado com o deísmo. e os eventos. Quiiiom . 7. Ver no Dicionário o artigo Eírata. São apresentadas nos versículos 1 e 2. o artigo cham ado Belém).. Surtos de fom e eram comuns. sem nenhum a autoridade. da esperança e do triunfo (Luc. Uma das arm as divinas. 4). Naturalmente. Ver a respeito dessa cidade no Dicionário.16. portanto. O trecho de Rute 1.. Deus criou. o rei. filho de Boaz e Rute. a fé dos hebreus. Cleland. fazendo o bem proceder do mal. in loc. em Belém. Ver tam bém Deu. tanto gerais quanto pessoais. Tem os ai o elemento tempo da narrativa de Rute. É possivel que o livro tenha tido o propósito de aliviar “as relações tensas” entre esses dois povos. in loc. Significados dos Quatro Nomes: Elimeleque: Deus é meu Rei. há sem ­ pre graça divina abundante para reverter as circunstâncias e “fazer virar a maré” .. apesar de talvez haver algum a força criativa (pessoal ou im pessoal). cerca de dez anos se tinham passa­ do. A Septuaginta alterou o nome dele para Abimeleque. Os “ju ize s” talvez tenha sido. Gên. ou então m ostrar com o a providência de Deus predomina sobre todas as situações. Mas.10. m eram ente por ser um iindo épico.13-17).3-5 . mas isso apenas exagera a questão dos nomes e seus signifi­ cados. qual juiz esteve relacionado à história prestes a ser relatada. havia uma designação acerca de quando as ações ocorreram. Reed. Essas são as quatro personagens iniciais da história. mas também faz-se presente para julgar. no Dicionário.RUTE 1097 Exposição Capítulo Um Introdução: 0 Drama de Noemi (1. quando já haviam desaparecidos nomes com postos com melech. onde a fome ameaçava extinguir a todos. que a história prestes a ser relatada é apenas uma novela religiosa. a aldeia de três heróis e da dedicação (II Sam. e não uma narrativa histórica.7 e Miq. 23. pode ser achado nas cartas de Tell EllAmarna (século XIII A. Belém. 48. Belém de Judá. I Sam.17 sem dúvida subentende 1. A escassez de alimentos tinha forçado uma família a sair da cidade de Belém a fim de refugiar-se no território de Moabe. in loc.2. à necessidade e à dor. comumente usadas contra o pecado era a fome.30-17. a abordagem usada por John Bunyan (autor de O P eregri­ no). na porção intitulada Idéia Geral do Livro de Rute. Mas a graça e a providência de Deus estavam atuando. O texto não dá a entender nenhum conflito em torno do fato de que os filhos de Elimeleque se casaram com jovens moabitas. para alguns estudiosos.18-21.. Vários significados circundam essa cidade.1-20). Um plano mais amplo estava sendo desenvolvido em meio à tristeza. dentre muitas possibilidades. Belém foi ainda o lugar do nascimento de Jesus. P or outro lado. Todos os e stu d io so s concordam que o livro é um notável exem plo antigo de épicos e idílios.

Uma nova linhagem haveria de ter inicio. E assim. teria sido um grande consolo para ela.1-6 e Mal. O Senhor use convosco de benevolência. mas isso é uma exaltação desnecessária. seja com o for. . seriam bem acolhidas na casa de seus pais. Tudo agora era só esperança: “Algum dia. Quanto ao Pacto Abraâmico. Noemi estava ouvindo e obedeceu. Parecia que o retorno aplicar-se-ia som ente a Noemi. Ambas. Além disso. 1. até que surgissem novos m aridos para elas. continuou a acompanhá-la. as duas m ulheres tiveram de viajar sozinhas. embora. a vontade divina manifestase nas boas reversões. Rute. que cuida das pessoas m elhor do que os mortais. Tem os aqui exibida graficamente a triste situação das viúvas. Mas parecia que a acom panhariam somente por uma parte do caminho. nos dias antigos. Cum pre-nos observar que a tragédia armou o palco para coisas maiores à frente. O Senhor (Yahweh) sem dúvida abençoaria a ambas.5 e Am ós 3. porém. e. “O am or de Noemi não era egoísta. pois Ele foi um descendente de Rute. Nesse caso. se não m esm o abertam ente condenado. 2. Os homens da família já haviam sido arrebatados pela morte. que esperava por ela na estrangeira terra de Judá. assim sendo. 4. Uma Tragédia. muitas gerações mais tarde. Seu coração já lhe estava falando sobre um Novo Dia. e ver em Êxo. embora. que se casaram “fora” de Israel. ao passo que Belém representava m em órias muito agradá­ veis e gratas. Talvez Noemi não conseguisse garantir um lar para elas em Belém ” (Ellicott. quanto a significa­ dos e detalhes pessoais. desde todos os tempos. A narrativa na terceira pessoa muda para conversação. hesed). “Muitas são as aflições do justo” (John Gill. A vontade de Deus. a decisão de Rute acom panhar Noemi. Na verdade. O chamado óscuio santo. O Pacto A braâm ico envolve todos os povos. mas Noemi convenceu-a a ficar em Moabe. onde os nom es tivessem sido cuidadosam ente es­ colhidos para retratar o caráter geral das personagens.9 ss. e. E isso facilitou. sem dúvida alguma.1098 RUTE Diante de nós tem os uma narrativa. Ver sobre am bos esses nom es no Dicionário. mas agora Ele também havia “visitado” o Seu povo com abundância de víveres. e Noemi seria abençoada em Belém. Senhor. Boaz estava esperando a chegada de Rute. As localizações geográficas não podem im pedir as Bênçãos de Deus. Suas raízes a estavam cham ando. depois de Rute. As chuvas tinham preparado o cam i­ nho para a abundância.2 a fom e com o uma expressão de julgam ento divino. por meio das quais podemos prosperar. por conseguinte. Rute. Noemi estava pensando em term os de um novo casam ento para as duas mulheres moabitas.). ela não gostava muito de Moabe e de sua crassa idolatria. Ali teriam um suprimento natural de tudo o que poderiam precisar. mas a vontade de Deus promoveu um plano mais amplo. entretanto. Casam entos Mistos. especi­ alm ente depois que foi universalizado em Cristo. Nada acontece por mero acaso. Parece que o nome O rfa significa “teim osa". No caso de Orfa. lá em Judá. é uma prova difícil para uma mulher. o que consti­ tuiu uma surpresa para Noemi. nada tendo em Moabe. Sem dúvida ele gostaria muito de acolher em sua casa a filha viúva. Oh. A com panhia de Rute e de Orfa. Am bas tinham Mãe e um lar. uma reversão da decisão inicial. 84 a abundância de alim entos como uma expressão de bênção divina. o que estava prestes a ocorrer era a viagem de Rute para Belém. mas de todas elas o Senhor nos livra. 15. O trecho de Rute 1. um acontecim ento que já havia sido deter­ m inado pela Providência divina.16). que os antigos geralm ente tom a­ vam com o prova de que havia em andam ento um juízo divino. através disso. juntam ente com seu povo. 1. que as racionalizações de Noemi não poderiam perscrutar. meninas. Cinqüenta e nove dos oitenta e quatro versículos do livro contêm diálogos. E.3 a lei que bania esse tipo de casamento. Voltar para casa estava em seu coração. E Je­ sus. e agora a separação haveria de causar uma divisão até entre as mulheres. como é lógico. A introdução havia term inado. sem dúvida.8 Voltai cada uma à casa de sua mãe. E beijou-as. ainda não havia um herdeiro. m as o próprio texto sagrado não nos fornece indícios nessa direção.). sem pre de acordo com a vontade de Deus. Algu­ mas vezes. Davi estava esperando. onde esse casamento misto seria desencorajado. segundo se esperava. E agora a narrativa propriam ente dita com eçava. o arrependim ento é um retorno. Noemi estava certa. 20. os comentadores judeus anelam por encontrar algum a form a de julgam ento divino em operação. Noemi estava pensando “racionalm ente”. mas dificil­ mente isso tem algo que ver com o alegado fato de que ela se m ostrou rebelde e não acom panhou Noemi até Belém. cada qual na casa de seu pai. Jer.7 Então. e Rute teria sido uma chuva na vida de Noemi. Por enquanto. a com eçar pelo oitavo versículo. Ver no Dicionário os artigos cham ados Providência de Deus e Teismo. antepassada de Jesus. V er sob o titulo A o Leitor uma discussão sobre algu­ mas im plicações desse casam ento misto. e sobre o fato de que. Porém. concede-nos tal graça! Orfa só foi até a fronteira que separava os territórios de Moabe e Judá. A “dependência” feminina fica assim ilustrada. As duas noras de Noemi sem dúvida eram m erecedoras da benevolência divina. tinha obtido o afeto leal de suas duas noras. Ver no Dicionário o verbete cham ado Viúva. 1. ela se m ostrou grande amiga de Noemi. uma boa sogra. e não sofreriam necessidade alguma. e onde ofereço com entários suficientes. Contudo.6. O ato de beijar era um sinal de afeto. Noemi garantiu que ELAS deveriam procurar essa benevolência entre a sua própria gente. as duas m ulheres m oabitas teriam melhores chances de casarem-se de novo em Moabe. in loc. Os pais das jovens teriam de renovar suas responsabilidades. O Targum sobre este texto faz de Rute a filha de Eglom.6-18) Espalharam-se as noticias de que a fome term inara em Belém de Judá. São necessárias razões muito poderosas para 'uma pessoa não d ar ouvidos a esse tipo de chamado. por muitas vezes a idolatria encontrava pene­ tração em Israel. A bondade de Deus não . sem dúvida não soa uma nota azeda no que toca a Orfa. e não em Israel. Por outro lado. de acordo com a m entalidade dos antigos. entre isso. De volta para a terra de Judá.. E isso com outra viagem de Noemi. Os casam entos não resultaram em filhos. terão novos m aridos e novos lares” . Rute se tornou a bisavó de Davi. porquanto “ Deus amou o mundo de tal maneira" (João 3. vocês. De fato. Ver em Exo. A condição das mulheres. O nome Rute quer dizer “amiga” . até mesmo Orfa tencionava ir para Judá. dizendo. Rute. Os versiculos 3 a 5 não fornecem detalhes sobre a morte de Elimeleque e seus dois filhos.18. Parece que tanto Orfa quanto Rute acompanharam Noemi por algum a distância. O trecho de Rute 2.11 mostra-nos que pelo m enos ainda vivia o pai de Rute. a m enos que o relato tivesse tido a intenção de ser uma represen­ tação poética do caráter e dos atos humanos. Ver tam bém I Reis 11. possam facilitá-las. desde então. e. o que também representava uma calamidade. sem nenhum a base em fatos históricos. pois. afinal. por causa desse e de outros pecados. Vam os e voltamos. até certo ponto. Acresça-se que Moabe se tinha tornado para ela um lugar de retrocesso e tragédia. No caso dos dois filhos. Seria apenas natural pensar que uma “mãe" estava esperando por Orfa. Outrossim. Através desse tipo de casamento. mas nesse caso o retorno consistiu em seguir ativam ente a vontade de Deus. tendo assu m id o um a a bordagem m ais universalista da fé religiosa e deixando cair por terra proibições e restrições ine­ rentes ao antigo yahwism o. e outra “m ãe” estava esperando por Rute. Falamos em reversões da sorte. não queria que elas se sacrificassem por sua causa. porém. o Cristo. um ato benévolo da Providência divina. finalmente. é um tipo de João 3. ver as notas expositivas em Gên. Mas o destino de Rute ficava para além daquela fronteira. Orfa teria sido uma nuvem.se limita a fronteiras nacionais. lem mudado radicalmente para m elhor em muitas (em bora não em todas as) sociedades m o­ dernas. V er em D euteronôm io 7. nos concede graça e glória. in loc. que poderia significar “chuva” . Deus sempre abre diante de nós boas reversões. era benévola (no hebraico. No entanto. ela tenha preferido ficar em Moabe. não havia razão para Noemi não retornar à sua terra natal. Os dois casamentos m istos (com Orfa e Rute) não produziram filhos. de volta a Belém de Judá. Rute não conseguiu ser convencida a voltar para seu povo.11 quanto aos maléficos resultados dos casam entos mistos religiosos. trata-se de uma das mais belas histórias breves de todos os tempos. quando esta resolveu voltar a Belém. Noemi. dirigiu-se com passos firmes ao seu destino. Alguma enfermidade ou acidente fatal sobrevieram aos homens. rei de Moabe. Como é óbvio (ver o décimo versículo). por exem plo. Noemi Volta a Judá (1. estava esperando. naturalm ente.9 Cada uma em casa de seu m arido. Por sua parte. o rei. Alguns eruditos têm pensado que o livro. provavelm ente isso é querer extrair demais do sentido dos nomes. Deus é o Pai Supremo.16 do A ntigo T estam ento. e logo ela passaria a agir nesse sentido. e. Orfa. Três gerações adiante. 29. e Noemi agora se encam inhava para a abundância. Mas a viuvez. Na realidade. algum as vezes. no livro de Rute. a vontade de Deus tinha algo diferente em vista. No caso de Rute. Isso poderia ser verdade se o livro fosse m esm o uma novela religiosa. que teria repercussões históricas e proféticas.31.. Deus tinha “visitado” Belém com um período de fome. O utras deriva­ ções têm sido sugeridas. “ Retornar” é a idéia-chave aqui.6-22) Rute Apega-se a Noemi (1.10 e Sal. em todos os sentidos da palavra. tal com o o de Jonas.

e foi quanto a isso que Rute se destacou.6) provavelm ente estava por trás de toda a argumentação de Noemi. 1. Isso serve de ilustração da profunda amizade e do afeto que se tinha desenvolvido entre aquelas três m ulheres. mas sem negar que existem deuses que se aplicam a outros povos. com o seus cunhados. Mas Rute não atendeu à insistência de Noemi. pois nenhuma discussão convenceu-a a abandonar sua sogra. todas as coisas eram lançadas na conta de Deus. que a im pelia a continuar até Belém. de ficarem com sua sogra. era usualmente dado na mão. que agora faz muito tempo está na casa do Pai". sim plesm ente não tinha solução. Não fora isso. Esse aspecto da vida de Noemi tinha term inado. Ela estava idosa demais para casar-se de novo e ter filhos que pudessem casar-se com suas duas noras. transbordante de condições im possíveis. Pontos de vista exagerados sobre a predestinação repousam sobre essa antiga e insuficiente teologia dos hebreus. eles não serviriam para casar com as duas mulheres moabitas.16. 1. eloqüente pregador e autor. em uma explosão de amargura. 1. mas agora. conform e acontece com a vasta maioria das mulheres que enviúvam. de m odo que fiq u e m de fora. É provável que esses dois versículos sejam a passagem m ais co nhecida do livro de Rute. apelem os para a terrível história do homem que já nascera aleijado. embora ainda não organizado como uma teoria. estava confinado ao território de Moabe. pois. mas isso para ela. Noemi lançou a culpa de toda a sua sorte cruel sobre Yahweh. uma m ulher viúva era forçada a depender ou de seu pai. ide-vos em bora. porque havia uma voz. até hoje minha companheira. por isso mesmo. para se casarem com elas. Não houve. em Moabe. Ela não estava sufici­ entemente iluminada. então ela estaria ansiosa para produzir outros filhos para elas. Naquele momento. A vigorosa e convincente argumentação de Noemi levou Orfa a voltar à casa de seu pai. Assim sendo. Têm até m esm o sido usados na bibliom ancia. pelo que não se deve falar em term os de censura para uma e de elogios para outra. Elas sim plesm ente eram pessoas diferentes.13 Até que viessem a ser grandes? A triste argum entação de Noemi prosse­ gue aqui. Os Targuns capitalizam dem asiadam ente este versículo. essa palavra é Yahweh. que acabou retornando a Moabe (vs. ao voltar à casa de seu pai.15 Eis que tua cunhada voltou ao seu povo. as orelhas da tesoura.11 Voltai. e ela só poderia mesmo esperar infortúnio e reversões. quanto a uma aplicação dessa lei. reiniciava suas antigas práticas idólatras. pelo que elas tinham de procurar socorro em outro lugar. a separação não é definitiva. A m ente dele volveu-se para a “causa única” de todas as coisas. Ora. E também: “• minha casa. Podemos falar em termos de algum afeto superior existente em Rute. A teologia dos hebreus era deficiente quanto a causas secun­ dárias. e o segundo após a morte dela. N om es Bíblicos de. afirm ou enfaticam ente que ela era inca­ paz de resolver o problem a que suas duas noras estavam enfrentando. Noemi. Som ente seis palavras foram usadas. Ver no Dicionário o artigo detalhado cham ado Lei do Levirato. um irm ão que se casasse com a esposa de um seu irmão falecido tinha de ser alguém gerado pelo m esm o pai que o falecido. O henoteísm o foi uma espécie de introdução ao m onoteismo. a voz de Yahweh.14 Orfa com um beijo se despediu de sua sogra. seguindo o exem plo de Orfa. quando não há nenhum indício nos próprios textos bíblicos. É ridículo criticar Orfa quanto a esse particular. na verdade acende a espe­ rança. mas tão-som ente o pressuposto de que a volta aos m oabitas seria o retorno às form as e práticas religiosas anteriores. encam inhando-se assim para o seu verdadeiro destino. Esses latos ficaram registrados no livro intitulado Experience Works Hope. e um novo período tinha com eçado para Rute. então todas as coisas derivam -se dessa causa única — todas as coisas. A lei do levirato (ver Deu. A “m ão” Dele tinha-se voltado contra ela. longe de deixar-nos desconsolados. “Não há que duvidar que Noemi via os ídolos m oabitas com o realidades cujo poder. Alguns estudiosos têm visto na declaração de Noemi um laivo de henoteísmo. filhas m inhas. Ver tam bém as notas sobre o versículo 20 deste capítulo. havendo algo de consolador na observação de que a experi­ ência durante a vida. pois não levava a coisa nenhuma. O Senhor. ao suporem que as duas jovens estavam resolvidas a converter-se à fé dos hebreus. ou seja. Mas então. ao passo que Rute também estava seguindo o seu próprio destino. nenhum a apostasia.12 Tornai.10 Não. Um novo período tinha com eçado para Orfa. Fraca quanto a Causas Secundárias. A dedicatória dizia: “■minha esposa.17 Não me instes para que te deixe. e o que ela fez foi correto para ela. Ver no Dicionário o artigo cham ado Monoteísmo. pois têm sido citados incessantem ente por to d os os séculos. Rute escolheu um cam inho mais excelente. por sua vez. O caso. e assim permitiu-lhe acompanhála até Belém (ver o versículo 18 deste capítulo). O espirito de sacrifício pessoal era o conceito que governou aquele momento. Entretanto. para perceber que o Senhor (Yahweh) era mais do que m eramente o Deus de Israel" (Ellicott. Naquele tempo. im portava em desistirem elas de se casarem de novo. O argum ento final de Noemi tencionava convencer Rute a voltar à casa de seu pai. O outro caminho foi o caminho mais excelente. minhas filhas. o que abriria para am bas a possibilidade de um novo casamento. a m enos que viesse a casar-se de novo. vendo o coitado e feio homem. Ver no Dicionário o artigo chamado Beijo. 1. iremos contigo ao teu povo. Foi com base nessa idéia que os homens inventaram a terrível doutrina da reprovação ativa. não houve nenhum “cálculo teológico” dessa natureza. Arthur John Gossip. não há causas secundárias. se há apenas uma única causa. A lei do levirato não pesava sobre um filho não-nascido. na qual há espaço somente para Uma Causa de tudo. o “beijo” era uma maneira de dizer “adeus” ou de saudar a alguém. a utilidade de Noemi para suas duas noras era uma perda de tempo. 1. é correto supor que Rute. no caso de Orfa. Teologia e F iloso­ fia. com gratidão. a fim de transm itir um sentido com pre­ ensível.RUTE pessoas de sexo diferente. A dedicação dela a Noemi não era m enor que a de Rute.. 1. no capítulo 38 de Gênesis. e não fosse verdade que as próprias m ulheres já estava idosas bastante para esperar que novos filhos de Noemi nascessem e crescessem. Não havia irmãos vivos que pudessem assum ir a responsabilidade de casar-se com as jovens. com eçou a rir-se. Mas esse argumento também falhou. eram a única grande esperança para que aquele desastre fosse revertido. Em outras palavras. Um a form a dessa ad ivin h a çã o consiste em prender uma tesoura dentro de um a Bíblia. Orfa fez o que Noemi m esm a insistira que ela fizesse. O cam inho mais excelente é sempre aquele que é governado pelo am or (ver I Cor.5. amor e esperança” . V er a história. Teologia e Filosofia os verbetes intitulados R eprovação e Predestinação. Mas o homem que tanto ria de súbito parou. A determ inação das duas jovens. 1099 De fato. a recom endação que voltassem ao povo delas era a única orientação que lhes podia dar. in loc. Mas Rute conti­ nuou com a sua sogra. de form a a poderem se r usadas com o pontos de apoio . E até mesmo a reprovação passiva é uma teologia inadequada. Mas é uma tolice pintar de preto os textos bíblicos. Elas teriam de buscar socorro em algum outro lugar. dedicou dois de seus livros à sua esposa. Os códigos legais dos hititas e dos assírios continham provisões sim ilares. entretanto. pois lem brou a sua teologia hebréia: “Deus fez ele ser assim !” . Ver na Enciclopédia de Bíblia. Novos casamentos. Os Targuns procuram lançar uma “luz” desnecessária sobre o texto. dando-se a Deus o crédito por Ele tê-las guiado de maneiras diferentes.31). por ter ido para Belém. Têm sido usados nas cerim ônias de casam ento e fazem parte dos votos tom ados. se quisesse sobreviver. Ela simplesmente estava seguindo o destino dela. Naqueles dias. essas condições eliminavam toda esperança de que Noemi pudesse aju­ dar suas duas noras. Viva e deixe viver. e elas tam bém não haveriam de querer esperar o tem po necessário para que os meninos se tornassem adultos e casassem com elas. Ver no Dicionário os artigos intitulados Yahweh e Deus. tal como hoje em dia. Essa é a crença que diz que “há um Deus que se aplica a nós”. sobre o que d iscuti na E nciclopédia de Biblia. e. Dizer “adeus” é uma espécie de “pequena morte". 1. Ainda que Noemi tivesse novos filhos. Era um m onoteísm o prático. E não haveria m ais filhos. Para ilustrar. Isso é até m esm o enfatizado no versículo seguinte. Noemi já era m ulher muito idosa para produzir filhos com os quais as duas jovens pudessem casar-se. quanto à sua religião. entretanto. pois. com filhos. 25. Além disso. mesmo quando essa experiência traz a morte. o que incluía a recusa de voltarem às suas respectivas casas paternas. e devem os dar-lhe o crédito por essa excelência. para Orfa. na ocasião. ao que poderia parecer. tal com o tinha acontecido com todos os demais. Contudo. que dessa maneira nos oferece a essência do henoteísmo). 14). entretanto. 12. m as nem m esm o isso detrata Orfa em coisa alguma. Ela não podia oferecer nenhum a esperança para as duas m ulheres moabitas. Era uma argum entação fútil. tanto as boas quanto as m s. dizendo que Orfa tinha abandonado a idolatria dos moabitas. Mas os tradutores são forçados a expandir a frase. Noemi prosseguiu em suas racio­ nalizações. No original hebraico. aquele homem aleijado era uma piada pespegada pela natureza. O original hebraico é aqui muito com pacto e vigoroso. mesmo nos casos de “morte grande”. pelo lado de cim a da B íblia. apreciou a determ inação e o am or de Rute. Portanto. ou da prostituição. converteu-se deveras à fé dos hebreus. Aproxim ou-se outro hebreu e. Noemi.

19-22) onde a pessoa põe seus dedos in d icadores. Reed. O povo de N oem i teria de ser o povo de Rute. A tragédia haveria de ceder espaço para um Novo Dia. o rei. “zum bido” . Shaddai é a palavra hebraica aqui usada. de modo geral. A resolução dela foi mais forte do que a própria morte. mas o próprio texto sagrado não diz isso. 4. cujas aplicações finais de graça e poder ultrapassam todos os retrocessos anteriores. As respostas “ sim ” ou “ não" são dadas de acordo com o giro da B íblia para a d ireita ou para a esquerda. sem m ais nem m enos. e tem sido empregada por muitas versões desde então.5. para a terra dos moabitas. o Todo-poderoso. A fim de selar a qualidade de sua decisão. não escoíheste a m elhor parte. Nosso conhecim ento é uma tocha fumegante Que ilumina o cam inho um passo de cada vez. traduzida por “Todo-poderoso". tornaria possível o cum prim ento de todas as provisões do com ­ prom isso assumido. em suas forças e em sua aparência. A B íblia. Uma Lição Inesquecível.18 Deixou de insistir com ela. Miq. e não tinha mapa. se ela viesse a trair seu com prom isso de lealdade para com a sua sogra” (John W. dará respostas pelo m esm o m étodo. Porém. que insistia em que ela seguisse um curso “lógico” . continuou a segui-la. N ão é sábio ser apenas sábio. ou seja. Não fica claro se Rute já tinha recebido ou não a noção da im ortalidade. na qualidade de o Todo-suficiente. de acordo com a sua sorte . pois foi então que o conceito passou a crescer em Israel. Não obstante.. Todavia. Através de um vazio de m istério e espanto. Rute tinha de seguir Noemi. O trecho de Ezequiel 32. lá em sua própria alma. o Rei Messias. P ergu n ta s são feitas. “Nunca antes se fizera uma tão perfeita rendição de sentimentos amigáveis para com um am igo” (Adam Clarke. As experiências tam bém Têm d e m o n strad o que a B íblia ou outros livros que girem assim não dão respostas de scon h e cid a s para as pessoas presentes. Esse impulso vinha de dentro dela.. Fé Oh. R epeti esse artigo no D icio n á rio da presente obra. visto que. juntam ente com Orfa. 4. É algo hum ano. tinha-a tratado com tal aspereza que ela fica ra am argurada.15). 1. Um elem ento conspícuo desses dois versículos não deveria jam ais ser negligenciado. da parte do Deus de Israel. a Noemi e Rute Chegam a Judá (1. I Sam. quando isso aconteces­ se.21-30 dá a entender que cada nação tem o seu próprio lugar no sheol. só com eçou a ser aceito em Israel quando do período interm ediário entre o Antigo e o Novo Testam ento. e o ponto é im possível de determinar.45. ver no Dicionário o artigo cham ado Deus. o que o seu destino requeria dela. deixando-o destituída. Belém era uma m inúscula aldeia. ou que estejam expe rim e n ta n do o jo g o . antes. 2. pois tudo não passa de um a brincadeira. aum entando ainda m ais a co n ste rna ção de N oem i quanto a tudo quanto lhe havia aco n te ­ cido. venceu todas as racionalizações de Noemi. Isso posto. E fechar os olhos para a visão interior. nesse caso. lhe era prejudicial. Sem dúvida. A chegada dela fez a cidade inteira comentar. m as era necessário vadear ou de outro m odo atravessar os rios A m om e Jordão. “ Deus era considerado autor de todas as ações e de todos os eventos. o propósito já teria operado na vida de Rute. O “ Deus Tod o -p o de ro so ” . chegado o tem po de Noemi morrer. Continuam os a avançar quando não parece haver outra saída senão continuar avançando. O som da palavra hebraica é hoom. sem que haja contato físico . contudo. e não doce. Ordena. A viagem era de apenas oitenta quilôm etros. Teologia e Filosofia o artigo intitulado Psicocinésia. Noemi estava am argurada. Havia um “lugar certo” para que o drama futuro com eçasse a acontecer. de sua própria alma. Aben Ezra observou que tanto Elim eleque quanto Noemi tinham sido cidadãos destacados de Belém. estava superado o primeiro obstáculo para a concretização do plano de Deus. I Reis 1. Os judaítas não tinham certeza se a m ulher que viam era m esm o Noemi. e com idêntico júbilo adotou um novo povo. Isso não poderia tornar-se uma realidade se ela voltasse. Insistências contrárias ao destino que com eçava a descortinar-se tinham de parar im ediatam ente. com o conseqüente abandono dos antigos cam inhos e sua idolatria. “A decisão de Rute era tão definitiva que incluía referência à morte e ao sepultamento. finalm ente. A única capaz de dirigir nosso coração m ortal /4os pensam entos sobre as coisas divinas. As m ulheres judias é que fizeram as observações registradas neste versículo. Os anos e a viagem a tinham abatido.1100 RUTE Confiar na empresa invencível da alma Era toda a sua esperança. Um propósito constante tinha removido a primeira barreira. Notemos que a idéia de “am argura” foi adicionada. A percepção interior de Rute. serve de eixo em torno do qual a te so u ra gira. ao ser repetida no verbo usado. que é Todo-poderoso.13 sobre com o a teologia dos hebreus era fraca quanto a causas secundárias. Quanto a detalhes sobre os nomes divinos. Sim ilaridade de localização geográfica precisava ser conseguida. dependendo do po d er da m ente para m over objetos. Colombo achou um mundo. Como Rute poderia vir a ser a ■bisavó de Davi. Teologia e F ilosofia o verbete intitulado P roblem a do Mal. O Deus que dá todas as coisas em abundância também tira de nós todas as coisas. e então. e. 5. Invocação de algum a espécie de ju ízo se o intuito divino não se cumprisse. E tinham sido as m ortes do m arido e de seus dois filh o s que a tinham deixado p sicologicam en­ te exausta e am argurada. o verbo é fem inino. 3. que age conform e Ele quer. Deus. que significa “a g radável” . Rute não abandonou Noemi. Uma nova fé religiosa. e uma das antepassadas de Jesus. N ão é algo nem divino nem diabólico. espe cia lm e n te de um ente querido. in loc. Cf. com a tesoura e stendendo-se acim a. pois. V er na E nciclopédia de B íblia. 15. no original hebraico. 7. o rei. Deus tinha amargado a sua vida. M ara (“am arga") seria um nom e m ais apropriado. Não é fácil enfre n ta r a m orte.). visto que a vitória final é certa em El. assim elevada. Ela estava destina­ da a tornar-se a bisavó do rei Davi. nem leis naturais sobre as quais lançar a culpa. um Satanás para acusar. Nomes Bíblicos de. muito parecida com o vocábulo inglês hum. Salvo o da fé. (George Santayana) 1. embora muitos outros ainda tivessem de ser vencidos. m as ela objetou ao uso desse nom e. tanto bons quanto m aus (I Sam. d e m o n strar que q u a lq u e r livro assim preso por um fio. Elem entos da Dedicação: 1. A Dedicação Total: Rute não conseguia separar-se de Noemi. Ela ficaria com Noemi até a morte e mais além. o Cristo. A s m ulh e re s tin h a m -n a cham ado de Noemi. Essa palavra veio a ser em pregada para indicar qualquer tipo de ruído. decifrado nas estrelas. Rute invocou o julgam ento. visto que o destino dela estava em jogo. alegrem ente abandonou seu próprio país e seu próprio povo. louvam os ao nome de Deus. As experiências com essa estra n h a form a de ad ivin h a çã o m ostram que o que está em operação é a p sicocinese. Esse conceito. É fácil. Como podem os re co n cilia r um Deus que tudo sabe. 1. o qual. e esse destino dependia de sua ida para Belém de Judá. como se fossem um enxame de abelhas. tinha tirado toda a suficiência de Noemi. toda a sua arte. “do ce ” . a qual estava avançando na direção em que o destino dela a guiava. M as é sabedoria acreditar no coração. para que o propósito tivesse cum prim ento. porém . Essa tradução com eçou a ser usada na Septuaginta. 2. De acordo com ela.19 Não é esta Noemi? Todos se surpreenderam ao ver Noemi de volta a Israel. quanto à vontade Deus. uma característica bastante rara nas linguagens. Mediante a fé.20 Não m e cham eis N oem i. clam or ou agitação. m esm o naquele lugar espiritual continuaria a identificação de Rute com Israel. Algum as vezes é melhor confiar no coração do que na mente. Essa convicção interior e esse conhecim ento foram capa­ zes de derrotar os argumentos de sua sogra. se não fosse viver em Belém? Som ente ali ela poderia participar da comunidade que haveria de produzir. que é Todo-benévolo e que é on iscien te com os m ales e sofrim entos que há no m undo e que tanto afligem os hom ens? A quele artigo diz o que os eruditos pensam sobre esse problem a. a tradução “Todo-suficiente” seria muito mais apropriada. Rute tinha sido capaz de saltar por cima das barreiras que haviam sido postas à sua frente. pelo que todos conheciam Noemi. o po d er da m ente para m over objetos. 6. mundo. que brilhe a luz terna da fé. V er os co m e n tário s de Rute 1. V er na E nciclopédia de B íblia. in lo c ). na teologia dos hebreus. é duvidoso que a declaração feita aqui por Rute queira dar a entender qualquer coisa dessa natureza. o que é sugerido pela palavra onomatopéica que aparece no texto hebraico. e não favorece a ninguém . Rute sabia.12 quanto a outros usos dessa mesma palavra. Mas figura com clareza nos Salm os e nos Profetas. A atitude de Noemi para com Deus flutuava. Embora a m orte haveria de separar as duas. Naquele tem po não havia. antes que im pedissem Rute de cum prir o propósito que a estava cham ando desde o fundo do coração.

irei eu. Cícero .7 Não há nunca amor perfeito sem tortura e sem cuidado. É a estrela de toda barca ao léu. e onde quer que pousares. outra vez crucificado.. o teu Deus é o meu Deus.. Amar é ter Deus no peito. Ou se inclina para remover o removedor. o teu povo é o meu povo. Goethe Os estóicos definem o amor como a tentativa de formar uma amizade inspirada pela beleza. ali pousarei eu.16 0 MATRIMÔNIO DE MENTES VERAZES Que ao matrimônio de mentes verazes Não admitia eu empecilhos.p A VEREDA DA DEDICAÇÃO Aonde quer que fores. William Shakespeare ★ ** *** *** 0 AMOR APERFEIÇOADO 0 amor é a prova da espiritualidade João 4. Oh não! Mas é um alvo sempre fixo. Amor não é amor Se se altera quando encontra alterações. Rute 1. Que encara tempestades e nunca se abala. Augusto Gil 0 amor concede em um momento o que o trabalho não poderia obter em uma era.

e que fosse um homem de m ão fechada. a providência e a direção de Deus. O parente de Noemi era um homem poderoso. . 4. Boaz. reduzida a uma abjeta pobreza. uma parte necessária do desdobram ento do propósito divino que nela estava operan­ do.30 e I Sam. m e fa v o re c e r.1-7) Rute.21. Esse calendário dividia o ano em: 1. m as isso é extrem am ente fantasioso. 9. parece que o favor que Rute estava esperando ia além da questão da respiga. uma possível vocalização da palavra usada neste texto. Rute 1.19. 24. não se enver­ gonhava de trabalhar para poder sobreviver. informando-nos. rico em todas as coisas. a fim de respigarem o que fosse deixado. provavelm ente feita por algum editor posterior. com o propósito específico de perm itir que os pobres viessem. ou dinheiro. Esse pequeno informe revela-nos que uma sogra exercia autoridade sobre uma nora mesmo depois da morte do marido. Cleland. Os proprie­ tários de terras que eram generosos deixavam nada m enos que a quarta parte de seu grão plantado para uso dos pobres. cuja redenção resulta em abundância de bênçãos. porquanto em todo aquele incidente havia o propósito divino.1-23) Rute Começa a Colher (2.5. V er Lev. e alguns estudi­ osos supõem que a presença dessas palavras aqui represente uma inserção desajeitada. Mas. o poder divino testificou contra ela. Ver no Dicionário o artigo intitulado Colheita. 2.6 quanto à queixa do profeta contra a m esquinharia. era agora uma convertida à fé dos hebreus (vs. um detalhe importante no desdobramento do drama. V er Êxo.). Os Targuns dizem: “poderoso na lei”. homem de boa reputação. dizem os Targuns: “Elas chegaram a Belém no com eço do dia da páscoa.. a história da redenção. porém . Smith. no dia dezesseis do mês de nisã. 47. A colheita da cevada com eçava no segundo dia da festa dos pães asmos. Cf. No hebraico. Elimeleque. que distribui a todos generosamente. em bora pudesse.14. Rute. 2. porquanto não poderia existir o tema central de todo o dram a. “A colheita da cevada era a prim eira do ano. 2.18 ss. casar-se com ela e gerar filhos que seriam considerados de seu parente. Uma palavra usada som ente aqui. A descrição utilizada pode referir-se a poder militar.20. por sua vez. em Gên. então o verbo assume um sentido técnico de “respigar”. mas El-Shaddai (vs. um abastado agricultor. em bora pequeno mas “ necessário”.22 Assim voltou Noemi. (cf. C. uma vez m ais (ver o vs. Ver Deu. Ele era aparentado de Noemi e do falecido marido dela. 7. com o a Revised Standard Version. Daí foi que surgiram tanto Davi. E também outros estudiosos im aginam outros graus de parentesco. mas voltou amarga. mas não é isso que as palavras significam. No hebraico. era de natureza agrícola. continuou influenci­ ando as expressões de desespero de Noemi. Ela não se m anteve orgulhosa por ter sido antes uma pessoa abastada.8). V er Rute 4. o rei. pelo que estava em posição de redim ir Rute. com o se ela estivesse sob julgam ento. in loc. a redimida. por vontade do Todo-suficiente. em com panhia de Rute. de cevada”. foi arranjado pela providência de Deus. agora. Alguns estudiosos pensam que o pai de Boaz era irmão de Elimeleque.2 e Pro. por causa das bênçãos divinas.). aconteceu algo e Ele cortou todo o suprim ento de Noemi. sachar o linho. no Dicionário. Noemi e Rute (que passa agora a ser a figura principal do drama). in loc. tudo sucedeu em harm onia com o propósito. e naquele dia os filhos de Israel com eçaram a colher os molhos a serem movidos. Porém.3). O novo fato aqui oferecido é que o tem po era o da colheita da cevada. O uso da teologia antiga dos hebreus. 1. e constituía uma obra de caridade.3 Ela se foi. 12). mas nunca antes. Desse modo. Indivíduos mesquinhos pouco deixa­ vam para ser respigado pelos pobres. não o fez. A gora desem penhava. O artigo sobre Boaz fornece aquilo que pode ser dito sobre a sua linhagem. e ela ficou desesperada. A verdade. 3. Outra lição que podem os aproveitar deste versículo é que Rute.3.2. pelo que tanto a colheita da cevada quanto a respiga dos grãos arm am o palco para o passo seguinte do drama. 31. um parente próxi­ mo de seu falecido sogro” (John Gill. V er Isaías 17. moda. Boaz tinha a capacida­ de de redimir. Este versículo é encorajador para todos quantos olham para Deus. seive para enfatizar a triste volta. tem os um verbo geral que indica “apa­ nhar” . 2. é requerido o sentido de parente de sangue. que corresponde a nossos meses de março-abril.46. Boaz prestaria atenção nela e a favoreceria. espiritualizando assim o texto. Ela saíra uma m ulher agradável. meyudda. Sal.. 19) que Noemi voltou a Belém da Judéia. colher a cevada. ou mesmo amizade íntim a (ver II Reis 10. o parente rico e poderoso. cuidar da vinha etc. a fim de proteger seus bens. O autor agora sum aria o dram a do capítulo. que antes tinha conhecido certa abastança m aterial. term inada a colhei­ ta.15. Ver o artigo detalhado sobre ele. A lg u n s e s tu d io s o s p e n s a m que e ssa id é ia de faw 3vorecim ento estava ligada à noção de ter o bastante para comer. embora aparentem ente supérflua. o homem rico cujos grãos ela foi respigar. 23. generoso e sensível para com as necessidades alheias.1102 RUTE mesma raiz que significa irmã. ver tam bém Jó 2. Noemi. in loc.14. e isso m uito m ais do que o necessário. 1. Oh.” (Louise P. podendo indicar qualquer tipo de parentesco.19-21 quanto ao primeiro incidente bíblico dessa lei.4. foram as duas personagens envolvidas.21 Ditosa eu parti. Ela poderia ter entrado no cam po de outro proprietário. 20) fê-la voltar pobre. os colhedores deixavam proposi­ tadam ente alguns grãos. e assim a história de Rute se tornou possível. um abastado agricultor judaita.11). 3. E então.6. perm i­ tindo que a sua sogra exercesse certo controle sobre a sua vida. Os moabitas eram excluídos da congregação de Israel (ver Deu. Ver um paralelo em Jó 19. e algum as frutas eram deixadas nas árvores frutíferas. Ou então a adição. Quando da colheita. e ela precisava estar no lugar certo e no tem po certo. Neste ponto é apresentado Boaz. para então. graciosamente. Rute.10” (James T. por ignorância. o seu novo papel de dam a pobre. Nada acontece por m ero acaso. fosse encontrada culpada e m erecesse todo o mau tratam ento recebido. Algum as versões. entretan­ to. o que era contra a lei da generosidade que tinha inspirado a prática. Estas palavras são idênticas às de Rute 2. ou aquilo que algum as pessoas cham am de boa sorte. ao desencorajar Rute de vir com ela a Belém da Judéia. Parente.6. em sua carência. Ou então Rute estava som ente sendo cortês. Capítulo Dois Encontro de Rute e Boaz (2.).32” (Ellicott. mas som os informados pelos eruditos do hebraico que a idéia de “testificar contra” é a única tradução possível do original. o que o tornava um tipo de Cristo. 31. é um tipo da Igreja. cujo único sustento dependia dessa “lei da respiga”. A palavra hebraica relacio­ nada. agora cooperava plena­ mente. esperando Dele suprim ento e orientação. em Israel. dizem que Deus “a afligira". ela sabia que algum grande acontecim ento estava prestes a ocorrer. Com a passagem dos dias. que ela tenha ido trabalhar após os colhedores naquela parte do cam po que pertencia a Boaz. Com sua capacidade de intuição. porquanto Rute entrou tanto na linhagem real quanto na linhagem divina. quando os filhos de Israel ofereciam os m olhos dos prim eiros frutos ao Senhor. As tradições judaicas indicam que Boaz foi Ibzã. No presente texto. 1. 23. O fato é que ela precisava ir respigar no cam po de Boaz. que era deficiente quanto a causas secundárias (ver as notas expositivas sobre isso nos versículos 13 e 20 deste capítulo). quanto o Rei dos Reis. 35. O Senhor se m anifestou contra mim. também era honrado.10. Núm. uma atividade perm itida aos pobres. onde é usada a mesma construção gramatical. incrivelm ente. dando ‘a nora o consentim ento para respigar a cevada. Isso ia além das exigências da lei no tocante à prática. é usado para juntar pedras. com eçar sua colheita. Ela fora para M oabe ditosa. 3. plantar do cereal. tinha procurado impedir o propósito divino. “colher” .). o Messias. é que esse detalhe. Senhor. concedenos tal graça! “ Embora para ela possa ter parecido m era acaso. o Redentor. in loc. um dos juizes de Israel (ver Juí. O relato antecipa o grande resultado final desse ato ao referir-se a Boaz. e assim seguir ao longo do fluxo do poder divino.11. é um vocábulo de sentido muito amplo. e ordinariam ente caía em tom o do fim de abril. 2. mas a graça divina operou através do yahwism o. Ela estava tratando com o Deus Todo-suficiente. que não fosse parente de Noemi. ou seja. Ver igualmente Lam. Por isso mesmo. que antes.13. O idioma hebraico posterior dava esse sentido de honroso ao adjetivo poderoso.1 Tinha Noemi um parente de seu m arido. bem como o fato de que as duas m ulheres. 12. em Gên. encontrado em Gezer e pertencente a cerca de 1000 A.31. 2. em Rute 3. mas tudo não passa de conjectura.2 Apanharei espigas. embora da . No entanto. porém o Senhor. Rute teve a “boa sorte” de acabar respigando no cam po de Boaz. O segundo capítulo oferece-nos o relato de que Rute ficou respigando o grão nos cam pos de Boaz..20. Convém fazer a exposição deste versículo falando sobre os fatos que ele contém: 1. Mas quando o term o é aplicado a grãos e frutos. respigava a fim de poder sobreviver. Talvez Boaz tivesse a sua própria milícia. “O mais antigo calendário da Palestina.21.

como Rute. naquela situação. sem im portar se Boaz tives­ se ou não consciência. estivessem respigando o grão. Podemos im aginar várias causas da beleza física de Rute. inclinando-se. e ela sentia a graça de Deus fluindo nela e através dela. e Rute. mas também que era nora de Noemi (isso era bom!). Rute era um a estrangeira. acabou ficando im pressionado pela bela jovem que respigar grãos em sua propriedade.14. a estrangeira. haveria segurança. 12. assim foi capaz de dizer a Boaz o que ele queria saber.7 Esta é a moça moabita. “por casualida­ de” era a mesma coisa que “providencialm ente” . Rute não ia e voltava até a casa de Noemi. Chegara mesmo a fazer-lhe perguntas e estava bem informa­ do sobre ela. Yahweh Elohim era essa força diferenciadora.6. “Ela tinha sido recebedora da graça e m ostrava-se agradecida por isso" (John W. o que ela respigasse iria para Noemi. você não tem o direito de respigar aqui. E Boaz recomendou que ela não fosse procurar trabalho em outro campo. Ela estava guardando um bom suprim ento de grãos. O oitavo versículo mostra que ele fez arranjos im ediatos para não perder a jovem. Haveria tanto Davi. 2. Boaz precisava encontrar-se com Rute. outro toque para enfatizar a diligência de Rute. Na com panhia delas. Assim sendo. e essa recompensa con­ sistia no tratam ento diferenciado que Boaz lhe dispensava.RUTE Shaddai. mas na palhoça que havia no campo. findaria toda a questão da existência. acim a de todas as considerações m e­ ram ente hum anas.11 m ostra-nos que Boaz era um homem já idoso. O . Rute. A última porção do vs. mais parecendo com uma dona de casa que de nada precisava e exercia autoridade sobre os colhedores. Nos cam pos podia e realm ente havia casos de violação de mulheres. mas mantinha-se ocupada no seu m ister de respigar.). Muito trabalho estava envolvido nessa tarefa de tirar água e levar para os cam pos. Ela era uma jovem de ótim a aparência e parecia inteiramente deslocada. serviu com o mais uma demonstração de sua bondade e feminilidade inerente. o Rei Messias. a desobedecer às ordens de Boaz. afinal. Os Targuns dizem que ela com eçou “antes do am anhecer” . provavelmente. Porém .10. se Ele deixasse de dar-Se para nós. 48. Não na casa onde agora Noemi estava residindo. Uma pessoa estrangeira não tem esse privilégio” . que quase não podia acreditar no que seus olhos lhe mostravam.2. Adem ais. Mas era exatamente isso que com eçava a ser prom ovido. Rute era diferente das trabalhadoras es­ trangeiras contratadas para trabalhar nos cam pos. O vs. em bora nunca sejam os infor­ m ados que ela era excepcionalm ente bela. 2. Algum trabalhador preconceituoso talvez não perm itisse que um “estrangeiro” participasse do líquido precioso. Boaz estava profundamente im pressionado diante de tudo. estava desprotegida. Seja com o for. 23.10.4. como reforço. nos sonhos e nas visões. a respigar? E quem seria ela. Prostrar-se ou inclinar-se diante de alguém superior era um costume comum naquela época. mas isso já é um exagero. Tomara-se largamente conhecida a história inteira dos atos heróicos de Rute. devido ao sol escaldante. e essas foram as características que se tornaram largam ente conhecidas. Assim respondeu o capataz dos colhedores. essa diligência tinha cham ado a atenção de todos.12. o vs. ela não tinha o direito de respigar. Sem dúvida não estavam em foco outras mulheres po­ bres que. É curioso que. Ocasionalm ente ela ia até a choça. que vinham de um povo proibido de entrar na congregação do S e­ nhor (ver Deu. M as o mais provável é que o sétimo versículo m ostra que o capataz continuava falando. essa terra tornou-se a Terra Prometida. 11 faz-nos lembrar com o Abraão tinha deixado sua terra e seus fam iliares a fim de tornar-se um estrangeiro em outra terra. Mas os olhos de Boaz acabaram fixando-se em Rute. No entanto. De conformidade com uma estrita teologia da época. acim a de tudo. daquela união entre Boaz e Rute. Ele também tinha presta­ do atenção em Rute. que te não toquem ? Todo este versículo é revelador. m uitas gerações mais tarde. que respigava pelo campo. ela parecia estar gostando de estar respigando o grão. vendo o que sucederia em toda aquela questão curiosa. Ela era diligente no trabalho e ta m ­ bém foi generosa com sua sogra. que vinha vigiando para que fizessem um trabalho a contento. e nisso demonstrava extraordinária diligência. Um Toque de Ternura. que dá generosamente a todos. Podemos im aginar que o capataz tenha perguntado: “Jovem. em Quem Rute tinha chegado a confiar. Rute. garantindo provisão e proteção. A Septuaginta e a Vulgata adicionam que Rute “não havia tomado nenhum descanso” . caindo de rosto aos seus pés. Na choça. Alguns estudiosos pensam que o versículo sétim o pertence ao versículo oitavo. recebemos o que há de melhor. embora ele ainda não soubesse dizer de que modo. bem com o o território pátrio de Israel. E quando ele veio inspeci­ onar como estava indo a colheita. 42.9 Não dei ordem aos servos. Ver Gên. agora transm itindo a Boaz o que Rute havia dito a ele. lhe disse. a princesa. Deus é o grande Doador e. o ato de cultivar um cam po sim boliza engravidar uma mulher. ele tinha dado ordens diretas aos trabalhadores m asculinos que “deixassem Rute em paz” . Boaz. Boaz ordenou a Rute que sempre estivesse por perto das outras mulheres que trabalhavam como colhedoras. 1. e agora. Os registros históricos antigos m ostram que mulheres. capataz. ainda pior. V er Gên. 5. Havia jovens empregados nesse trabalho. O texto sagrado em Rute 3. 19. já ficando corcunda. haveria de contribuir para a Terra Prometida e entrar na linhagem do Messias. Cf. Mas as mulheres que traba­ lhavam na colheita. ela era a própria pessoa favorecida. em lugar de esperar pela misericórdia ajudadora deles. Haveria uma colheita m aior do que a da cevada. A ntes. Quando damos o que há de melhor em nós. 43. que Boaz proveu o necessário para Rute. E Boaz ficou sabendo que ela era uma jovem moabita (isso era ruim!). De fato. algo muito m aior do que Rute e Boaz.5 De quem é esta moça? O poder divino tinha arranjado o passo seguinte. Porém bastou um olhar de Boaz em Rute para ele compreender que. tendo com eçado cedo e continuando ali até tarde. estava tornando-se rapida­ mente Rute.8 Então disse Boaz a Rute. e os jovens receberam ordens para que não faltasse água para todos os trabalhadores. E esse era precisam ente o propósito de Deus.8-16) 1103 trecho de Rute 3. Como estrangeira. com um olhar de desam paro no rosto. Ele tinha intenções bondosas. mas ela havia pedido ao capataz. pois.1. eram usadas nessa tarefa. estava sozinha e. fazendo com que as palavras ditas a Boaz tenham sido ditas por Rute. havia mais pontos positivos do que negativos. sem dúvida apelando para sua relação com Noemi. no Oriente Próximo. E essa inform ação lhe dera esse direito porque. o rei. Muitos desprezavam aquelas m ulheres. Reed. Os dias de privação pelos quais ela tinha passado haviam terminado. As m inhas servas. por conseguinte. O que ela estaria fazendo ali. além daquilo que a lei requeria. O ato de humildade de Rute. mas ficasse em companhia das servas de Boaz (talvez não quisesse que ela ficasse andando entre os ho­ mens). Naturalmente. A Rute foi dado fácil e pronto acesso à água potável. 2 .1. para ela. Nenhum homem arriscar-se-ia a perder seu trabalho ou. especialm ente. no tocante a Noemi — como ela não tinha abandonado sua sogra. Boaz dirigiu-se a Rute como sua “filha”. envelhecida prem aturam en­ te.3). a m enos que recebesse ordens específicas para m ostrar-se generoso. Lembrando Abraão. Ver o vs. rosto em terra. 2 .10. porque a própria vida é criada e impulsionada pelo am or de Deus. Dar e receber constituem a lei espiritual do amor. que operava enquanto os olhos de Boaz acom panhavam Rute. A Rute tinha sido dado tudo ela recebera. Jos. falou diretam ente com ela. in loc. O Deus Todo-suficiente. 2. imediatam ente buscou inform ações sobre ela. e não somente homens. Ele queria continuar de olho nela. Mas ela deve ter respondido: “Sou nora de Noemi” . Parte da providência de Deus consistia em fazer Boaz prover a segurança dela. havia o propósito divino em operação.6. ao passo que Yahweh a estava recom pensando.12. pois talvez se tivesse tornado uma prosélita. 20 quanto a notas sobre esse nome divino.13 O S enhor retribua o teu feito.11 Então ela. 12 deixa claro que o poder divino tinha estabelecido certas diferenças. Mulheres achavam -se ali.26. com o também . pelo que homens podiam tirar proveito delas. estava as­ sim começando a fazer reverter as circunstâncias adversas que tinham reduzido Noemi a Rute a quase nada. que era deficiente quan­ to a causas secundárias (ver os versículos 13 e 20 deste capitulo). a fim de descansar e refrescar-se. Houve saudações form ais entre Boaz e seus trabalhadores (“Yahweh seja convosco!”). Vemos. O sexto sentido de Boaz segredou-lhe que a presença de Rute definitivam ente representava algum a vantagem. 2. im pressionando assim tanto o capataz dos colhedores quanto o próprio Boaz. Para im pedir qualquer incidente desagradável. encorajando-a a continuar trabalhando em seu cam po. Bondade de Boaz para com Rute (2. Ela tinha praticado boas obras.11 também dá a entender que ela era suficientem ente graciosa e bela para obter sucesso entre os homens mais jovens. 22. era da idade que uma filha dele poderia ter. II Sam. Por certo ela não se parecia com alguma pobre m ulher que tinha doze crianças para alimentar. porque primeiramente ela dera de si mesma a outrem. O am or estava com eçando a fluir com o as águas do rio Am azonas. Como é óbvio. que estavam sendo contratadas para ajudar nesse trabalho. O versículo 16 deste capítulo salienta esse fato.

sendo eu estrangeira? R ute 2. lhe disse: como é que me favoreces e fazes caso de mim. vai às vasilhas. inclinando-se.nniii A C O L H E IT A SrnitIYs B ible D id io n a ry Estarás atenta ao campo que segarem. 9-10 . e bebe do que os servos tiraram. Não dei ordem aos servos. rosto em terra. e iras após elas. Então ela. que te não toquem? Quando tiverdes sede.iiu.

no campo a ser colhido.3-5). Se houvesse mais álcool do que isso. que dava cerca de vinte e oito litros de cevada. 1) atribuía toda espécie de benefício ao uso do vinho e de m olhos com vinho. Quanto a mim. em tudo. de fato. e também porque diminui um pouco a taxa de colesterol. Aqueles que tivessem feito o voto de nazireado não podiam tocar em nenhum tipo de vinho (ver Núm. A resposta foi “o campo de Boaz” e o próprio “Boaz” . O versículo 12 é uma declaração da lei da sem eadura e da colheita. 2. Todos os olhos devem ter estado fixados nela. 9. certamente mais do que poderia esperar por um dia de trabalho de sua nora.. para que haja abundância. quanto a detalhes. Senhor. Assim sendo. ampla suficiência. Por outro lado. tem os o poder e a capacidade de alguém que recolhe. e não pela fé” . aos trabalhadores foi ordenado que deliberadam ente dei­ xassem grãos escolhidos para ela respigar. A história apresenta um interesse cada vez mais intenso de Boaz por Rute. O am or sempre vai 1105 além da lei. em um a capa ou veste. protege seus filhotes. o vs. uma espécie de molho prepa­ rado com vinho e água como principais ingredientes. ferm entado. é que teria sido adicionado. esfregados para perder a casca e com idos im ediatam ente" (Louise P. Cf. John Gill calculou que o trabalho de Noemi.14 À hora de com er Boaz lhe disse. Boaz não estava presente para ouvir Noemi. aparente­ mente significa molhos de grãos que ainda não haviam sido atados. 57. uma doutrina pobre. Talvez algum azeite fosse posto no vinho. durante um dia. o uso m oderado de vinho talvez faça você viver um pouco mais. poderíamos abundar grandemente. Os handfuls of purpose (“punhados de propósito") permitiram que Rute respigasse com maior rapidez. e de nada adianta tentar transformálos em cristãos totalm ente abstêmios. Boaz ofere­ ceu a sua própria refeição à respigadora.19. . usado com m oderação. e havia assim abun­ dância para todos. “Boaz está favorecendo essa m oabita. Rute tinha-se tornado parte da família de Israel. em seu amor crescente. Um homem espiritual não precisa preocupar-se com a tentação do auto-enriquecimento. ou. para rebuscar. ver Rute 1. o vinho.17-23) 2. O trabalho de um dia chegava a cerca de um efa de cevada. A moderação não é uma escolha pecam inosa. 2. 6. o Todosuficiente. criava um menor conteúdo alcoólico. ocasionalm ente. Ver no Dicionário o verbete intitulado Lei M oral da Colheita segundo a Semeadura. (II Coríntios 9. onde dei com entários sobre o tratam ento especial dado a Rute. “O vinho azedo. 20).7.20 Onde colheste hoje? Adm irada diante da prodigiosa quantidade de grão respigado.16 Levantando-se ela. Oh. e sem pre haverá maiores louvores a Deus quando essa condição prevalecer. que antes parecia tê-las abandonado (os três hom ens da fam ília haviam morrido. ninguém deveria dizer uma única palavra dura para ela. 13. 2 . Por “coincidência". proteção. e isso. uma espécie de com entário sobre estudos de palavras. Ver no D icio­ nário o artigo cham ado Eta (Medida). Ver no Dicionário o artigo cham ado Amor. A primeira idéia nessa m etáfora é: 1. Ver no D icionário o artigo cham ado Pesos e Medidas. os antigos m isturavam vinho com água. Todas as coisas estavam contribuindo juntam ente para o bem (ver Roma­ nos 8. Vinho com pedacinhos de frutas é uma mistura usada no Oriente. que é apenas outro nom e para o amor.8 ss. e isso nos transfere para a lei do amor. Um efa pesava cerca de treze quilogram as e meio.1 e Êxo. sem o que elas não poderiam realizar-se. ninguém podia aproximar-se dela com intenções sexuais. Esse vinho era levemente azedado. Rute Volta a Noemi (2. e muito mais bênção ainda viria. A m edida de um hom em é a sua generosidade. Ela se tornara urna princesa no campo. Igualmente. Podem os pensar aqui nas asas de um pássaro. 36. A ave-mãe é m aior que a avezinha recém -nascida. in loc.17 Quase um efa de cevada. Term inado o almoço. “punhados1 ’ (usada som ente aqui). Havia diversas misturas.8) Muitas boas obras dependem de um pouco de dinheiro.3). Então sempre haverá algum outro projeto que precisará de ainda mais dinheiro. 25. O vinho era usado como substância na qual o pão era ensopado.48 quanto a vinho m isturado com água. cap.).20. pelo me­ nos no caso de algum as espécies. prefiro a completa abstenção. e tinha adquirido certo teor alcoólico. enchendo a idosa m ulher com expectativa. Os hebreus eram um povo que gostava de vinho. Cf. mas uma preferência que abre o caminho para todos os excessos associados ao alcoolismo. Q uanto a outras referências ao vinho azedo. e é capaz de cum prir a sua missão. Fala sobre “coisas escolhidas extraídas das Escrituras respigadas do todo” .16.36). “O espírito de Noemi reviveu diante do sucesso de Rute. já separada de sua palha. O am or altera e enobrece as coisas. O am or é a própria prova do novo nascim ento e da espiritualidade (ver I João 4.26. Deus. Boaz. e Rute era a convidada especial. Boaz baixou or­ dens para que a Rute fosse dado um tratam ento especial.18 Tirou e deu a sua sogra. 16.37. “A volta de Rute à casa onde estava Noemi term inou o vazio que esta sentia. Vinha. agora sorria para elas. tem os a idéia de identificação na família. A doutrina que diz que “ser pobre é m elhor” é. 2. É melhor viver um pouco menos do que cair em excessos crassos. V er tam bém Rom. Ver no Dicionário o artigo Vinho. 2 . Essa circunstân­ cia provocou uma série de indagações para que fosse explicado o pequeno mila­ gre. e em breve estaria com endo à mesa do proprietário das plantações. porque é bem conhecido com o uma ave-mãe. Nenhum a lei requeria que um proprietário de campo plantado agisse desse modo. que serviam de produto alim entar principal. ao vinho eram adicionadas certos elem entos. Outrossim. Natural 1. E um pouco de “ludibrio generoso” (por ordem de Boaz) proveu tão bom resultado. Tão grande quantidade de grão não podia ser explicada por circunstâncias normais. para aqueles que tenham necessidade. Boaz. Smith. senso de agradecim ento e esperança” (John W. Por outra parte. Sempre é melhor ter em abundância do que ter pouco. A ferm entação natural só é capaz de dar ao vinho um conteúdo de oito por cento. Tudo quanto Rute precisava fazer era atê-los. Ver no D icionário o artigo cham ado Amor.7). Além disso. quanto a declarações similares. aum enta a expectativa de anos de vida. 10.RUTE Sob cujas asas viesle buscar refúgio. 19) e ao Senhor (vs. era também parente próximo de Noemi (ver o vs. garantiria um suprim ento alim entar para Rute e Noemi pelo espaço de cinco dias. E. e juntam ente com ela vem a responsabilidade de não ofendermos a nossos sem elhantes com nossos atos. Noemi recebeu um generoso presente. o versículo 12 com Mateus 23. Essa palavra. (Robert Browning) . qualquer quantidade de álcool que flua livrem ente pela corrente sangüínea m ata algumas células do cére­ bro. de tal modo que nossa fé possa ser fortalecida. Noemi quis saber de Rute o “onde” e o “quem ”. os grãos tosados (grãos maduros tostados sobre uma pequena fogueira. Reed. há uma atividade rem idora nessa metáfora. in loc.23. danças e canções. concede-nos tal graça! O B enfeitor é A bençoado. tom ando-os debaixo de suas asas. Os romanos tam bém tinham uma embam ma. 17. e ela bendisse a Boaz (vs. e rum ores e m aledicências já se estavam espalhando. Ver M ateus 27. talvez porque o vinho atue com o um suave tranqüilizante. Se dispuséssemos de grande abundância. Usualmente. A palavra-chave dessa situação é m oderação. mas você irá gradualm ente perder a sua acuidade m ental com a passagem dos anos. hoje em dia. Dentro de poucos dias ele redim iria form alm ente a Rute. A hora era a refeição do meio-dia. Shaddai. Ela deveria ser ajudada em tudo quanto fizesse. era possível fazer grande quantidade de pães.28). De súbito. em taxa mais elevada do que a causada pelo envelhecim ento natural. Certo livro foi intitulado Handfuls on Purpose. que é superior à lei de Moisés. o Deus Todo-suficiente. Os estudos modernos demonstram duas coisas. pois ele espalhará esse dinheiro em redor. Todas as bênçãos giravam em torno de Boaz. as coisas tinham dado uma guinada para melhor. m etaforicam ente. e não uma refeição form al em uma casa. o El Shaddai. mas a generosidade dele foi louvada. Cleland). Plínio ( H ist. O ôm er (uma décim a parte de um efa) aparece como suficiente para alim entar a um hom em pelo período de um dia (ver Êxo. mas o vinho e a água eram os ingredientes princi­ pais. estava d is ­ posto a ultrapassar a lei que governava a questão da respiga. As duas com eram bem e tam bém conversaram muito. 3. ver Pro. Uma de minhas fontes inform ativas critica Noemi por “andar pela vista. tendo sempre.). e o tratam ento diferenciado que ele lhe estava dando se encam inhava na direção desse ato maior. Com isso. o homem. Devemos com preender que essa era uma grande quantidade de cevada para ser respigada em um único dia de esforço. A grande lei universal que contém em si m esm a todas as leis é a Lei do Am or. Ele tinha-se tornado o homem de Yahweh para ajudar a seus sem elhantes necessitados. Trabalhar som ente um dia de semana para o próprio sustento básico era um bom trabalho.15. estava distribuindo suas riquezas para os outros. Precisamos de abundância a fim de podermos abundarem boas obras. finalmente.8. e isso já caído no chão. A liberdade cristã aplica-se aqui. Até onde irá essa questão?” Molha no vinho o teu bocado. precisam os de ver a reversão da sorte. todos nós. superabundeis em toda boa obra. 20)" (Jam es T. Ver tam bém Sal.. naturalmente. 4. Todavia. pois a avemãe recolhe os filhotes debaixo de suas asas.

1 quanto a especulações sobre o grau de parentesco entre eles.? Não há que duvidar que.2). Mas parece que o incidente estava livre de motivos ulteriores. Assim sendo. 27. em Moabe. ou seja.1-18) Instruções de Noemi a Rute (3. Poderia haver alguma experiência hostil e imoral no campo. Usualmente. O oitavo versículo deste capítulo m ostra que Rute deveria perm anecer entre as servas de Boaz.2 Ora. Rute trabalharia a maior parte do tempo com outras mulheres.6 ss. Por isso mesmo. Rute continuou a viver com Noemi. e não m eram ente os interesses de Rute. Boaz era o parente-rem idor. Cf. Ver Núm. ela estava pensando em conseguir para ela um casam ento.1-5) 3. para as mulheres. pois. através de Boaz. Noemi assu­ miu essa tarefa. o que significa que Rute tanto estaria em segu­ rança como mostrar-se-ia especialmente produtiva. aquele que podia cum prir os requisitos da lei do levirato e gerar filhos em nome do ex-m arido de Rute. entretanto. alimentação abundante e um relacionam ento romântico que começara a desenvolver-se com Boaz. O indivíduo deve respeitar e ajudar a si mesmo. um tanto egoisticam ente. seriam gerados. Nos cam pos plantados havia vários perigos ocultos. não devendo envolver-se em situações potencialmente perigosas. Noemi estava planejando com o fazer a vida de Rute m elhorar de uma vez. pelos pais (ver Gên. Naturalmente. Acompanhar as servas de Boaz também era benéfico. No antigo Israel. por meio da le i do levirato (ver a respeito no Dicionário). ama. a exem plo do que acontece com a maioria das pessoas. para si mesm a.? Uma mulher. e com e­ çou a respigar som ente na com panhia das servas de Boaz. homens inescrupulosos esperavam oportunidades dadas por mu­ lheres ingênuas. 14.12. Contudo.. se Rute ficasse a vaguear pelos cam pos de outros proprietários. na antiguidade. Entrementes. “Embora Boaz não fosse irm ão de Malom. não é Boaz. mas pelo m enos haveria herdeiros na família. Nenhum a explicação é dada acer­ ca de por que Noemi não m encionou o parente ainda mais próximo. Mas m elhor ainda é uma m ulher ter um bom marido. para que também nossas respectivas m issões sejam devidam ente cumpridas. verdadeiros motivos e motivos ulteriores. e devem os amar a nós mesmos. Além disso. não havia herdeiro algum. provavelmente.23 Assim passou ela à com panhia das servas de Boaz. Mas estes já haviam recebido ordens estritas para que se com portassem com o perfeitos cavalheiros. “parente” é goel. A Revised Standard Version. Rute atendeu aos .. Ver Rute 2. revertendo a tragédia que tão profun­ damente havia marcado a vida dela. visto que essa é a pessoa pela qual somos responsáveis. Provi um artigo sobre essa palavra no Dicionário. e que eram m uito comuns. 2. A colheita do trigo ocorria no início da festa de Pentecoste. 2. Todavia. sob nenhuma circunstância. o falecido marido de Rute. Reed. pois. e recom endou que Rute acom ­ panhasse sem pre os trabalhadores de Boaz. Alguém já disse: “ É melhor viver solteira do que desejar ser solteira” . A m esm a palavra usada em Rute 1. mas apenas um parente chegado da família. (Goethe) Se queres ser am ado. No hebraico. Uma herança. Era ótimo ter um lugar para habitar. aprovariam e se alegrari­ am. Nem para com os mortos. nos campos. ele podia agir com o um levir (no latim. e não seria am eaçada em nenhum sentido por trabalhado­ res homens. pois podemos estar certos de que seriam deixados para três “molhos não atados” .8. Sem dúvida.13 quanto à herança das filhas. todos os problem as delas. 36. Noemi. conforme com entei na questão sobre o “lar”. seus próprios inte­ resses. se nenhum herdeiro fosse encontrado. elas tinham de casar-se dentro da tribo na qual tinham nascido. onde se encontram comentários. ela quebrou todas as regras da etiqueta e até daquilo que era considerado apropriado. pois. Rute. e um bom suprim ento de alimentos. Esse é um sentido aceitável. Mas a pergunta que continuava sem resposta era: O que aconteceria term i­ nado o período da colheita? Benevolência.. se fossem empregados de Boaz. acabava sendo perdida. Alguns estudiosos têm rebelado diante da idéia que os “m ortos” ficaram literalmente satisfeitos pelo rumo dos acontecim entos. Juí. Capítulo 3 Rute e Boaz na Eira (3. os casamentos eram arranja­ dos. houve dois tipos de advertência para Rute.. se assim desejasse.16 e 23.22 Para que noutro campo não te molestem. Ela deveria acompanhar as próprias servas de Boaz. uma herança po­ dia passar para filhas.. se não fosse esposa ou concubina. são ingênuas. mas visto que os pais de Rute estavam a oitenta quilôm etros de distância. e a colheita da cevada começava no início da páscoa. Isso posto. Rute seria o instrumento que proveria um herdeiro da família. ela tinha um lugar onde ficar. As heranças passavam através das linhagens e não podiam ser vendidas para outrem. Nosso parente chegado. mais segurança e uma vida melhor para Noemi. Herdeiros. mas isso não era suficiente. As mulheres. esse foi o plano ousado de Noemi. E esse último desenvolvimento haveria de resolver. Rute não deixou de m encionar todos os vários atos de bon­ dade da parte de Boaz. e mesmo de violência sexual. poderiam observar o que o bondoso Boaz estava fazendo às mulheres que eles tinham deixado para três. motivos enganadores e prejudiciais. porém. Noemi estava buscando.3-5) Yahweh. o mais certo é que Noemi fosse tanto pró-Rute quanto pró-Noemi. in loc. Entre esses atos estava a proteção oferecida.4. 7. haveria o perigo de abu­ so. em bora os nomes dos homens mortos não continuassem. E o que aconteceria em seguida? O peixe grande poderia escapar. Tobias 6. é melhor o estado de casadas. foi aconselhada a m ostrar-se prudente e a seguir as recom endações que lhe haviam sido dadas.3. o bom motivo era um lar e um marido para Rute. pois os três. referido em Rute 3. A colheita do trigo em breve terminaria.. diz aqui “m o­ lestar” . e assim dar prosseguimento à linhagem e à herança da família. e Noemi precisava agir rapidamente. Noemi já tinha em m ente a aplicação da le i do levirato (ver a respeito no Dicionário). No caso em foco. paga). 2. Se não houvesse herdeiros m asculinos. um bom casam ento para Rute significaria. e provavelm ente m ais em consonância com a teologia da época. Devemos lem brar que a m oralidade andava muito baixa nos dias dos juizes. indefinidamente. os vss. é claro. mas essa não era a espécie de condição de vida que alguém quisesse.). 4 s M ulheres Valorizam D em ais o Casamento. havia dem onstrado bondade. seguida de perto pela nossa versão portuguesa. Isso posto. Noemi estava pensando em um novo casamento para Noemi. do que viverem solteiras. Entre os servos tam bém havia homens. E assim continuou fazendo até term inar a colheita da cevada e do trigo. Boaz era parente próximo do falecido m arido de Noemi. era extrem am ente im portante a unidade e a continuidade das famílias. O motivo verdadeiro era. definitivamente. É bem provável que já houvessem passado três meses desde que Rute e Boaz se tinham conhecido.1106 O am or concede em um m om ento O que o trabalho não poderia obter em uma era. Provavelmente. os estupros. 3. acima. se acompanhasse servos varões que estivessem traba­ lhando nas plantações de algum outro proprietário. teria coragem de entrar no lugar onde um homem costumava dormir para deitar-se aos seus pés. ansiava por que tais coisas fossem evitadas. O próprio “eu” é uma pessoa.10).. pelo que cerca de dois m eses separava um a colheita da outra. mediante o ato da respiga. Aos três homens que tinham morrido (ver Rute 1.. 24. Em outras palavras. no caso. supondo que seriam abençoados vicariam ente nos filhos que Rute daria a Boaz. Por isso. Noemi tinha ficado alegre com a amizade entre os dois. o que quer dizer que. Ela não queria arriscar-se a esperar o curso natural dos eventos.12” (John W. algumas vezes.21 Continuou Rute. contanto que não seja a única m otivação para o que fazemos em favor dos outros. sentido que sem dúvida é apropriado. (Hecato) RUTE conselhos que lhe tinham sido dados tanto por Boaz quanto por Noemi. não devem os esquecer-nos do motivo que envolvia os “m ortos”. o falecido marido de Rute (ver Rute 4. cunhado). tem os um eufem ism o que diz “caiam em cim a” (no hebr. No caso de Rute. Este versículo é paralelo aos versículos oitavo e nono.1 Não hei de eu buscar-te um lar. Conseguir um bom marido traria descanso para a vida de Rute. Desenvolvera-se uma forte amizade (mas dificilmente um romance). Existem bons motivos. 8. nem m asculino nem feminino. Mas não há nisso nada de errado.8. Ora. autom aticamente. E devemos amar ao próximo com o a nós mesmos. Seu instrumento. 34. No original hebraico. e nenhum dos trabalhadores haveria de agir de modo contrário a essa recom enda­ ção do proprietário. uma situação melhor para Noemi. de propósito. com essas palavras. olhando “lá do alto”. na vida de Rute. Contudo. Resgatadores. contanto que se casassem dentro de sua própria tribo.

7). provavelmente.). Esse autor. pelo que certas liberdades. in loc. sob a brisa fresca que soprava desde o Mediterrâneo e lhe esfriava os pés. apesar de ter taxado o plano de peculiar. vinho e muitas m ulheres que dançavam .2).). a fim de espalhar a palha para longe. haveria de investigar por que seus pés estavam frios. havia aquela “liberdade própria do tem po da colheita” .9-12 e Oséias 2. Ele te dirá o que deves fazer.. estando assim mais inclinado para o sexo. E Neemias adiou a apresentação de sua petição até depois que o rei já tivesse bebido o seu vinho (ver Neemias 2. tão bela. Podemos ter certeza de que Rute não era mais inocente do que Noemi. e põe os teus m elhores vestidos. agora eram permitidas. Ela se havia preparado bem. como parente chegado. E o chão era ligeiram ente escavado. uma sogra é que teve de ser a esquematizadora. chutando-a para fora. quando os grãos fossem jogados para cima. Seria fácil. apesar de todo o planejam ento um tanto duvido­ so de Noemi. Ali estava a jovem Rute. perfumada e vestida em sua m elhor cam isola de dormir. faria o que Rute fez. que a cultura dos hebreus caracterizava-se pelas canções. 3 .1. Devemos lembrar. em sumário: “Oh. temos de lembrar que estamos aqui tratando com “a moralidade do período dos juizes de Israel”.1)” (Louise P. no tem po da colheita. Poderia ele resistir à bela Rute.13. Os Targuns tolam ente dizem que ela deveria “pedir os conselhos dele” acerca dos problem as da vida. a vontade de Deus estava cum prindo um plano superior.21 e Isa. Ela estava ansiosa para levar adiante aquele plano agradável.5 Quando ele repousar. Nenhuma mulher. e o Rei M essias estava esperando que surgisse mais um elo de Sua linhagem humana. sem a form alidade de um docum ento oficial. O sucesso parecia inevitável. Pelo menos. Alguns comentadores ingênua e tolamente chegam a elogiar a obediência de Rute! Boaz Resolve Ser o Parente-rem idor (3. Mas isso eqüivale a dizer que “qualquer coisa é v lida quando se tem em mira um bom propósito”. perfumou-se e vestiu suas roupas mais atrativas. Esta noite. Talvez fosse casado. ela saberia onde ele se deitaria para descansar. É ridículo tentar fazer a moral da história chegar ao nível da típica m oralidade cristã. as mães mostram -se boas planejadoras no que diz respeito aos arranjos do casamento de suas filhas. “O plano de Noemi é tão estranho aos nossos costumes sexuais que seria mais sábio rejeitar todo o incidente com propósitos homiléticos" (Louise P. pelas danças e pelo vinho. 9. uma vez mais. Este quinto versículo frisa a obediência absoluta de Rute ao plano de Noemi. isso significa: “Tendo-te deitado ao lado dele. E a moralidade era a moralidade própria do “tempo da colheita” . 3. Outros estudiosos. Por qual motivo Noemi não procurou esse outro parente? Provavelmente porque Boaz era um peixe maior e melhor.7 E se deitou. Antes. por ocasião do carnaval. que se aproxim ava do lugar onde ele jazia a dormir? John Gill fala sobre “a alegria inocente” que era permitida na eira.8 Sucedeu que. O rei Davi estava esperando por sua bisavó. ao dizer que o papel desempenhado por Rute era. tudo seria fácil e rápido. onde qualquer coisa poderia acontecer.RUTE Usualmente. aquilo que sabem os a respeito do tempo dos juizes de Israel e da grande liberalidade que predom inava no tem po da colheita do cereal. “ele te dirá o que deves fazer” .). Mas pelo menos os hebreus não corrompiam o seu lugar de adoração! “Ele tinha com ido e bebido: um pouco de conhecimento acerca da natureza humana. teriam que ver com instruções dele atinentes ao casamento levirato. havia um parente ainda mais chegado do que Boaz. por qualquer razão que fossei”.).6 Então foi para a eira. Naturalmente. O ato de padejar o grão requeria a força constante do vento que soprava da banda do m ar M editerrâneo.12 quanto a esse parente ainda mais chegado. pois assim ninguém chegaria a saber o que tinha acontecido. pelo que se sentiu inspirada a obedecer ao plano de Noemi. aos seus pés” . mas isso não seria provável. tudo aconteceu “lá no cam po”. Smith. Naturalmente. procurou justificar a sua impropriedade. provavelm ente não é a opinião mais acertada. deitada ali. Havia grandes quantidades de grãos já padejados na eira. Os preparativos pelos quais Rute passou eram os mesmos de uma noiva para a sua noite de desposórios. tudo estaria bem se Boaz rejeitasse a proposta. Boaz. a guardar seu montão de grãos. Limpa. para perm itir o máximo de exposição ao vento. em Israel. embora este. na. porém. Se tivessem contato sexual. conform e Noemi pensava. Reed.3 Banha-te. Talvez meio embriagado (vs. Em seguida. pelo que ninguém deveria ser criticado por isso! Uma de minhas fontes informativas tem mesmo a coragem de comentar: “Talvez toda a cena tenha ocorrido no escuro. farei. exceto uma pros­ tituta. Por igual modo. para que não fosse furtado. Juí. Tinha havido uma grande festividade. Uma vez mais. tinha o dever de redimir Rute. Adam Clarke tem um curioso comentário neste ponto: “Alguns dizem que as mulheres orientais. poderia cum prir seus deveres como o goel. Rute precisava agir com presteza. ocupando um lugar ao lado do homem”. A colheita já esta­ va chegando no fim. Mas há também eruditos que supõem que essas palavras. a fim de ali ficar contido o grão. Dessa vez. Assim tam bém . e ficaria por perto. E assim. em substituição ao seu cobertor! A natureza se encarregaria do resto. por uma questão de modéstia e como sinal de sujeição.). Mui provavelm ente. Naturalm ente. pelo que Boaz teve a oportunidade de rejeitar a proposta sem que toda a cidade ficasse sabendo do acontecido” (John W. tinha sido celebrada em meio a ritos de fertilidade. e o casam ento seria consumado. a fim de descansar e dorm ir. mediante a poligamia. em sua cam isola de dormir. tendo feito tudo quanto fom enta a força de atração feminina. E lhe descobrirás os pés. salientando que Boaz. Mas nós retorquimos: “E daí? Dificilmente era justo tentá-lo daquele jeito. o grão. ao deitarem-se com seus maridos legítimos. A parte final deste versículo quase certam ente significa que Boaz.6-15) 3. 3. fossem felizes! É verdade que ele poderia rejeitar Rute. Na realidade. Ele esta­ va longe de casa. ficou irresistível. tão fragrante.27. 21. isso de “descobrir os pés” é um eufemismo para “escorregar para debai­ 1107 xo das cobertas. e talvez sexualm ente carente. E não tiraria vantagem da bela Rute. o parente-rem idor. na verdade. e não explicações filosóficas sobre os dilem as da vida. daí por diante. Boaz haveria de sentir que seus pés estavam descobertos. in loc. algumas mulheres de respei­ to. erguem gentilmente as cobertas e escorregam por debaixo delas. levando a efeito o plano ousado de Noemi. por pensarem que tudo não passou de uma obra de ficção. m ulhe­ res respeitáveis praticam atos tresloucados que não fariam em nenhuma outra época do ano. esperarás seu convite direto para praticares o sexo. Os Targuns acrescentam aqui as palavras “quando o vento soprar” . muitas passagens de moral duvidosa (como . de baixo para cima. no Brasil. Ela banhou-se. Ademais. Os homens também poderiam dançar. As eiras eram sem pre lugares altos. Mas dificilm ente isso am ortiza aquilo que sabem os sobre a história. Assim sendo. crêem que um pouco de intriga estranha apenas aumentaria o drama. fosse um plano imoral. seria exercida pressão sobre ele para casar-se com ela. 9. Cf. a terrível música “rock” e suas danças imorais têm corrompido a própria Igreja organizada. Rute passaria por tudo. Boaz estava ligeiram ente estonteado. por que não celebrar? Havia grande abundância de alimentos. nenhum homem do mundo seria capaz de oferecer resistência. Cf. 16. os pregadores e os mestres sempre usaram esta passagem (e o livro inteiro de Rute) para apresentarem sermões e lições interm ináveis. está com a razão. “A colheita.esperança de que. Mas tudo quanto ela estava procu­ rando era o sexo. Limpa. Não obstante. in loc. oferecendo-lhe uma proposta de natureza sexual. ela tinha seu próprio interesse para cuidar. deve ter bebido bastante vinho. E o que temos à nossa frente é como brincadeira de crianças em compara­ ção com outras coisas que costumavam acontecer durante aquele período. Noemi saberia onde poderia encontrá-lo. isso com os trechos de Ezequiel 16. sem dúvida. Nesse caso. Observando continuam ente a Boaz.). perfumada e vestida em uma cam isola reveladora. Ele estava sozinho. cuidando do cereal. Noemi estava cansada de “mera am izade” . em nossos dias. bem! Boaz era um homem bom. e assim o plano será bem-sucedido” . por estar longe de casa.4.. estaria presente para orientar esses atos. Por conseguinte. precisava ser guardado. de acordo com os padrões cristãos. ao redor do mundo inteiro. uma proposta de união sexual. Ellicott (in loc. vão até os pés da cama.3” (Louise P. espe­ cialmente. em seus comentários. Ester também esperou que o rei tivesse festejado e bebido (ver Ester 7. e eis! uma bela m ulher estaria ali. faziam coisas que nunca fariam em qualquer outro tempo do ano. Naturalmente. Tudo quanto me disseres. Não podemos esquecer que aquilo que Noemi aconselhou Rute a fazer era contrário a uma conduta fem inina apropriada. Mas visto que tudo ocorreu no escuro. Por outra parte. ali estava Boaz. para ficar abaixo do nível do terreno em redor. Ela haveria de atacá-lo ali. mas. enquanto o vinho lhe alegrava o cérebro. naquele tempo. a m ente cristã sente-se chocada. 3. livre assim da palha. Assim sendo. Nesse nível ligeiram ente rebaixado é que Rute encontraria o alvo de seus esquem as. Smith. unge-te. Dizendo a mesma coisa em termos mais modernos: “Rute deitar-se-ia com Boaz”. até ocupar uma posição ao lado do homem". Ellicott {in loc. Parece que qualquer coisa poderia acon­ tecer na oportunidade. Ver o trecho de Rute 3. Boaz ajeitou-se perto de um montão de grãos. o que ajudava no ato de padejar o cereal. mas isso. aconselhada por Noemi. como que disse. Usualm ente esse vento soprava desde às cinco da tarde até o pôr-do-sol. Smith. Os olhos de Rute seguiram-no. sua mente ainda balançando por causa da música. Por outra parte. meio embriagado. in loc. apesar de m itigar a forte conotação sexual. não perm itidas em nenhum a outra épo­ ca do ano. em conso­ nância com o espirito festivo da colheita. se quisessem.

29. Esses aconteci­ mentos são raros. Assim sendo. uma antepassada de Cristo. quando ainda estava escuro. Na verdade.18 e 21. Boaz. visto que Boaz era um parente-rem idor qualificado. Boaz baixou ordens estritas de que nãe ç» deveria saber que uma m uiher dormira ao lado dele a noite inteira. isso inclui a idéia de que se Boaz dominou diante de qualquer tentação que tenha sentido. o tem po todo. embora. Epicteto chegou a indagar: “Quan­ do a jovem bonita foi demais para você. Cf.9 Sou Rute. ou com o Pelatiel. era o casamento. 31. Boaz m anteve Rute ali pelo resto da noite. foi-lhe possível até mesmo zombar de uma jovem que se despira diante dele. com o ferro em brasa. O Incidente que yia comentamos teve lugar com uma descendente distante de Ló. 3. f — O texto hebraico é assinalado com um símbolo especial. sem perda de tempo. 19. Esse símbolo. enviaram uma bela e jovem mulher. Mas as palavras dela deram a entender m ais do que isso. Entrementes. Modelo de Comportamento Sexual. Uma decisão favorável seria tomada. filho de Laís. Em algumas ocasiões. todas as com plicações são finalmente resolvidas. um fato que todos reconhe­ ciam. Em contraste com isso.. Quando os efeitos do vinho já haviam passado um pouco. pois. depois daquele chocante ato da meia-noite. sim plesm ente m ostrou ser muito superior ao resto da matilha. E Rute seria considerada uma m ulher virtuosa por todos. Reed. afinal. 3. para visitá-lo em seu quarto. nesse caso. verdadeiram ente. in loc. entretanto. a filha de Saul e esposa de Davi. segundo algumas crenças. mas talvez Boaz acabaria che­ gando à decisão que tomou. Ela pediu a proteção dele. que punha uma espada entre Mical e ele mesmo porquanto não queria aproximar-se dela” (assim comentam os Targuns acerca deste versículo). Assim sendo. neste m esm o versículo. Afinal. “dignida­ de” . “habilidade" “virtude". Virtuosa. Também tem os a história de Tom ás de Aquino. E. de acordo com a lei do levirato. na realidade. lhe dera uma atenção pessoal muito especia1 .2). foi. fez no caso de Mical. Boaz faria tudo quanto fosse possível para garantir Rute pata si mesmo. para que houves­ se uma proteção verdadeira. que Boaz e o falecido marido de Noemi fossem primos. Isso apresentou outra com plicação. E logo ela deixou claro com qual propósito tinha vindo ali. Devemos com preen­ der que a figura feminina de Rute era tal que ela poderia conseguir homens jovens. que já vinha pensando sobre o assunto. A fim de debilitarem a sua força de vontade. outro gigante moral. tua serva. que eram resultados de um incesto. que obsen/ou: “ Uma jovem indigna fez de mim um escravo. No caso dele. O quarto capítulo conta a história dessa questão. Deu. A carne de Boaz “ficou fraca como um nabo”. Eia fugiu do quarto e bateu a porta no rosto dele. Huth. Provavelmente. 12. ela deslizou para fora. O parente mais chegado de todos tinha primazia. Boaz ficou muito satisfeito com o que tinha acontecido. e assim sua reputação seria resguardada. você saiu sem ser punido?". embora ela também pudesse estar com frio e quisesse cobrir-se com alguma coisa. Rute não estava esperando de Boaz m enos do que isso. Alguns estudiosos supõem que a referência à capa (no original hebraico foi usada a palavra kanaph. A verdade da ques­ tão. Ver no Dicionário o artigo intitulado Providência de Deus. “ . 31 -4. Ver também Rute 4. Boaz. e não tocou em Rute naquela noite. Nobre. Rute 2. Porque tu és resgatador. E Boaz. Boaz jurou por Yahweh que ele cumpriria o seu pape! de parente-remidor. ambas essas histórias (de Ló e de Boaz) apontam para a grande provi­ dência de Deus. então chegaria a oportunida­ de do segundo. na verdade.. Os livros de Rute e de Jonas são uma espécie de João 3. Rute. e foi atrás dela. A refe­ rência ao resgatador. No hebraico tem os o vocábulo hayil. 34. fez uma proposta de casamento. aquelas repletas de matanças) sem pre foram usadas com o base de serm ões e lições. nesse caso. Essa m esm a palavra hebraica foi usada para descrever o próprio Boaz (2. ela tinha o direito legal de fazer tal proposta. homossexuais ou homens geneticamente defeituosos. de súbito Boaz tomou consciência de uma presença. mas naquela noite. porque ele não tinha a mínima . Tanto Noemi quanto Rute estavam com pressa. Foi ótim o que Boaz se tenha mostrado tão favorável. se aproxi­ mam das pessoas à noite! Mas era apenas Rute. E nem estava ela.12 quanto à m etáfora da galinha ou da ave e seus filhotes. sendo ele um homem um tanto idoso.24. E Jarchi experimenta que Boaz estendeu a mão e tateou os longos cabelos daquela pes­ soa.10 Disse ele. “Boaz subjugou a sua concupiscência. e assim também todo o povo da cidade. portão.16 do Antigo Testamento. de tal modo que nada teria de ser censurado por quem quer que fosse. Mas os cínicos explicam essas histórias sugerindo que esses gigantes morais eram. Rute tinha proposto casamento a Boaz. Pelo m enos o pedido de ele estender a capa dele sobre ela teve esse significado. o outro parenteremidor em potencial seria um irmão do falecido marido de Noemi. Gên. e ele agiu assim como medida preventiva. e aqueles que contam essas vitórias morais obtêm uma espécie de aura moral ao seu derredor. 11) que Rute era uma m ulher virtuosa. A jovem moabita identificou-se e. não há grande diferença entre uma bela mulher e um demônio. meramente. 3. e agiu para com Rute conform e José fizera no caso da esposa egípcia de seu senhor. ou seja. através de Rute. Portanto. pois talvez tivesse havido testem unhas oculares. longe de ficar ofendido com o que ela tinha feito. Epicteto foi outro desses heróis morais. vincuia as duas passagens.3 quanto a outras idéias. e teria a primeira chance de redimir a m uiher e a herança. embora houvesse um pequeno período de dem cia. sentiu-se lisonjeado diante da atenção dada por Rute. 14). in loc. tudo quanto restava fazer naquela noite era dormir e esperar que acontecesse o melhor. o lugar onde os oficiais se assentavam e ditavam julgamento. como uma garantia do intuito de casamento.13. um herdeiro manteria viva a linhagem de Elimeleque. mas essa é toda a inform ação de que se dispõe sobre o assunto. Ele casar-se-ía com ela de acordo com a m aneira legal. E como foi que Boaz descobriu o que ou quem estava deitado ao seu lado? Aben Ezra explicou que a lua estaria clara o bastante para revelar o fato. Ele referia àqueles demônios que.4. Quanto ao portão. Toda a cidade. As coisas seriam feitas de forma decente e em boa ordem. acabaram no regaço de Boaz. 3. que significa “valor”. embora nenhum adversário jamais me tivesse subjugado”. O texto sagrado tem o cuidado de informar-nos (vs. Boaz considerou que era um ato de benevolência. foi resultado do incesto de Ló” (John GUI. mas quando o destino está em jogo. tivesse feito com um m odus operandi deveras ousado.19.14 Tão certo como vive o Senhor. Boaz ficou muito feliz diante do fato de que ela o tinha escolhido. a operação do goel (parente-remidor) entraria em ação. Ele tinha resolvido que se tornaria padre.1). o piedoso. Boaz. Podem os estar certos de que a “asa” de proteção.1108 RUTE intenção de atender à solicitação dela. embora saibamos de casos bem conhecidos através da história. Se ele declinasse.). é que realmente existem alguns poucos gigantes morais. mas ainda de madrugada. Irado. ele fez a marca da cruz pelo lado de dentro do quarto. 16. um tio de Boaz (ver Midrash. a fim de não causar m aledicência e escândalo (vs. embora estivesse resolvido. Mas eis que nos lembramos de que essa descendente distante também ocupa um lugar nas genealogias do rei Davi e do Rei Messias. o propósito de Deus opera na direção da redenção e da restauração universal. temos o ponto admirável que os moabitas. tão intenso foi o medo que o invadiu de súbito. fossem eles endinheirados ou não. algumas vezes. Em prim ei­ ro lugar. Ela não tinha procurado homens mais jovens e ricos. “Coisa algum a tinha acontecido que fosse imprópria. E de presumir. Pela meia-noite. mas. 34. que passava constante­ mente por aqueles portões. e é precisamente isso que esperamos da parte do amor de Deus. reconhecendo assim que se tratava de uma mulher. ele apanhou um ferro quente. a casar-se com Rute. e não deveríamos desacreditar de tais relatos somente por causa de alguns maliciosos. os oficiais julgariam Rute digna de casar-se com Boaz. e o seu nome não seria esquecido em Israel. Jarchi asseverou que ele ficou com medo por ter pensado que algum espírito ou demônio teria vindo deitar-se a seu lado. a bela moabita. Ver tam bém Pro.1. mas os que usam de m aledicência não têm cuidado para fazer o levantam ento dos fatos” (John W. Os Targuns interpretam este versículo com o uma proposta de matrimônio. Os oficiais da cidade reconheceriam a virtude de Rute. tirado da lareira.11 Tudo quanto disseste eu te farei. não pode indicar outro sentido à capa. senão o casamento. Mas parece que essa interpretação exage­ ra o significado do texto.). 3. todavia. É possível que todas essas inform ações sejam meras conjecturas. concordou im ediatam ente com ela.12 Outru resgatador há mais chegado do que eu. por fazer a luz brilhar dentre as trevas. E. houve o comandante militar. se o outro parente-rem idor não quisesse cum prir o dever. era m ister que Boaz se casasse com Rute. “asa”) indique o ato sexual no mesmo instante. Adem ais. A herança seria legalmente preservada. mas seus pais queriam que ele fosse advogado. Menandro.20. cf. o mesmo que também se encontra na história do incesto de Ló com suas duas filhas. não há muitas dessas histórias que possam ser registradas. pedindo que Boaz a cobrisse com algum pano. é uma boa tradução para essa palavra. Ela sempre se m ostrara atenciosa e bondosa para com ele. Grande deve ter sido a sua surpresa ao descobrir uma bela mulher deitada ao seu lado! Os Targuns apresen­ tam aqui um breve mas excelente comentário. E.10. como homem. de acordo com as fontes informativas judaicas. assim sendo. Os homens gostam de contar e escrever histórias assim porque.

sem importar qual o peso da carga transportada. por causa dos acontecimentos recentes. dez homens era tanto o menor . através de Rute. Metáforas e Símbolos Fantasiosos. Os Targuns falam aqui. in lo c ). o fato é que se tratava de um excelente presente.17 E disse ainda. Cf.12 mostra que Noemi se considerava idosa demais para casar-se. não confiando muito na força física das mulheres. o vazio deu margem à. 3. perto de um monte de grãos já padejados. A m adrugada escura era adequada para isso. Conform e disse Aben Ezra. 4. Portanto. o manto não iria servir para cobrir Rute. algumas traduções dizem: “Quem és tu?” com o se ainda fosse escuro e Noemi não tivesse reconhecido Rute. e executado à risca por Rute. especialm ente quando são verazes. Contudo. Tudo isso fica subentendido. algumas vezes. contenta-se com o mínimo. cerca de quatro quilogramas e meio. e não com a nora dela?” (Louise P. que determinam muitos acontecim entos na terra. Seja com o for. Ver as notas sobre o versículo 12 quanto ao relacionam ento de parentesco envolvido. Noemi sabia que Boaz agiria ainda naquele m esm o dia. uma medida (no hebraico. haveria seis pessoas extraordinárias: Davi. o qual aceitou de imediato a proposta. mas John Gill. se Rute não tivesse experimentado executar o ousado plano. Se aquele homem declinasse da oportunidade de redimir Rute e as terras da família (sobre as quais ele se tornaria o proprietário e administrador). e lá se foi ela. Deu. Rute com partilhava com Noemi.16 Rute tinha efetuado uma missão arriscada e muita nervosa. que era a décima parte de um efa. Boaz foi até a “porta" da cidade.1 12) O P arente M ais C hegado N ega-se (4. Todavia. e os homens. conform e o quarto capitulo nos mostra que sucedeu. quase sem poder dormir. é significativo que os Targuns tenham posto o Messias na linhagem de Rute. visto que ele não era irmão do fatecido. Ver no Dicionário o artigo chamado Pesos e Medidas. 16. ela levou para casa cerca de vinte e sete quilogramas de cereal. Noemi tinha certeza das boas intenções de Boaz. feita por Rute. Portanto. já havia grande amor no coração de Rute e de Boaz. Boaz procurou providenciar tudo quanto era mister. Reed. Boaz estaria agindo com diligência. mas poderia uma mulher levar tanto peso sobre a cabeça? Os Targuns e a Vulgata Latina dizem ambos seah. Nesse caso. Os Targuns empregaram muita imagina­ ção. literalmente. Antes. foi inspirado pelo fato conhecido pelo autor do comentário de que o rei Davi era descendente de Rute. E perguntou im ediatam ente com o tinha saído o plano. Rute. Rute Volta a Noemi (3. E o homem voltou-se na direção dele. que a fazia lembrar constantemente do triunfo daquela noite.15 Manto. procurando o parente-rem idor mais chegado e apresentando a questão às autoridades constituídas. para nada falarm os sobre o am or Mas Boaz precisava agir de acordo com a lei. Talvez isso fosse permitido em casos de idade avançada ou podemos supoi que a lei era flexível o bastante para perm itir que uma viúva se retirasse voluntariam ente para segundo plano. todos os decretos “descem do céu”. pensando que o dever era ser o goel ou parente-remidor. seah) eqüivalia a um terço de um efa. ria com pra do terreno que tinha sido de Elimeleque. que Boaz lhe deu. e Rute teria carregado apenas cerca de dezoito quilogramas. arfando debaixo da carga. uma demonstração inequívoca da bondade e das intenções de Boaz de redimir f iute e casar-se com ela. a carga teria seu peso diminuído em cerca de uma terça parte. o parente mais próximo ainda ia passando. Se.16-18) 3. ele conseguiu a corte necessária para julgar o caso. ele precisava entrevistar o parente ainda mais chegado do que ele. No vs. O relato. Sadraque. 16. Isso posto. Além disso. fartura" (John W. igualmente. Até mesmo irmãos poderiam escapar da obrigação do casamento levirato. Preparei um artigo detalhado na Enciclo­ pédia de Bíblia. já tendo preparado os seus argu­ mentos rara tornar-se o parente-remidor. o que. não há nenhuma evidência de que ele fosse obrigado a isso.1 diz que Boaz também entrou na cidade. Em primeiro lugar.2 Boaz to m o u dez h o m ens Esses dez homens foram escolhidos dentre os anciãos que tinham autoridade em Belém. Talvez isso fosse perm itido em casos de idade avança­ da e enfermidade. até de maneira ansiosa. um plano ousado que estava completamente distante do que seria considerado uma conduta apropri­ ada para uma mulher de respeito. igual­ mente ansiosa. Ver no Dicionário os artigos cham ados Predestinação. o presente sob a form a de grãos.“Como lhe passaram as cousas?" (conform e faz a nossa versão portuguesa). Que poderia haver melhor do que isso? Ver o nono versículo deste capítulo quanto à proposta de Rute. Além disso. podem os supor que a lei era flexível o bastante para que uma viúva pudesse retirar-se voluntariam ente para segundo plano. algumas vezes. Por esse exato motivo. era sempre um lugar movimenta­ do. quando Boaz chegara ali especifica­ mente para cuidar da questão.1 B oaz s u b iu à p o rta da cid a d e . O trecho de Rute 1. mas feliz. então a oportunidade caberia a Boaz. e Boaz havia aceito a proposta. pois. Noemi estava esperando ansiosam ente pelas notícias. o manto serviria para ela transportar um bom suprimento de cereal. John Gill sugeriu que talvez Rute tivesse recebido o cereal pesado em ômeres. relatou a história inteira. per exem plo. fazendo assim o sobrenatural entrar na questão e transformando-a em um pequeno milagre. embora feliz. Este versículo. O texto 1109 hebraico diz. Elas tinham levado a efeito seu plano ousado. fosse necessário restaurar o nome do morto e sua herança (quinto versículo). além de ser o ponto pelo qual os habitantes de uma cidade entravam e saíam da cidade. trans­ portando nas costas todo aquele cereal. 4. na eira. Mas neste versículo é m elhor a palavra “ela” . contém em si mesmo a lembrança de tudo quanto sucedera. Mesaque. intitulado Véu da Mulher. Rute precisava ser uma mulher forte para transportar esse tanto até sua casa. quanto a redim ir Rute e a herança. Ela tinha proposto casamento. com o se o sujeito da ação fosse Boaz. ali estava ela. Mas a verdade é que. “ele não se manterá quieto” . que envolvia o cum prim ento da lei do levirato (ver a respeito no Dicionário). Determ inism o e Uvre-arbítrio. sem dúvida. uma prova de seu am or a ela. que deveria relatar tudo quanto acontecera durante a noite. com o a “coisa certa” a fazer. “Não são explicados os costum es antigos que serviram de base da conten­ ção de Boaz. a vontade de Deus opera de maneiras realmente estranhas. Daniel. Teologia e Filosofia. A cidade era Belém. O utras traduções dizem. Rute deixou o cereal aos pés de Noemi. e isso faz melhor sentido. O mesmo com entador dem onstrou ter fé que alguns casamentos especiais resultam de decretos especiais. permitindo que a nora tomasse o seu lugar. dizem aqui “ele”. Mui provavelmente. Aquele também era um lugar de negociações. Noemi e Rute já haviam feito tudo quanto lhes era possível. No judaísm o posterior. ou seja. Abede-Nego e o Rei Messias. Alguns estudiosos dizem que a carga foi posta em sua cabeça. e espera que lem brem os tudo quanto havia acontecido. resolvendo a questão com aquele homem que era parente m ais chegado do que ele. é extremamente econômico. mas ela se sentiu inspirada a fazê-lo. por que Boaz não planejou casar-se com a viúva de Elimeleque. na esperança de resolver toda a questão diante das autoridades constituídas. e isso explica por qual motivo. in loc). Nenhuma mulher hebréia de respeito jam ais pensaria em sair em públi ­ co sem o manto que lhe cobria os cabelos. nem foram claram ente elucidados por referências às Escrituras do Antigo Testamento. de maneiras nada convencionais. Ali estava todo aquele cereal. foi por mais do que mera coincidência que o parente ainda mais próximo estivesse passando por ali naquele momento. Quando Boaz chegou à porta da cidade. Boaz havia aceitado a proposta de casamento. sim plesm ente precisam esperar para ver o que acontecerá. se seria ou não o qoel ou parente-remidor. Alguns manuscritos. Então Boaz chamou-o. pois Rute 4. a história do livro de Rute teria sido muito m enos interessante. Assim sendo.1-8) O ousado plano de Noemi (terceiro capítulo) que levou Rute a deitar-se ao lado de Boaz. Entrou ela na cidade. vendo nas “seis medidas” uma m ensagem profética que prometia que. pensava que era peso demasiado. ambos entraram na cidade. O clímax da questão. obtido mediante o plano ousado de Noemi. Os Targuns também ajuntam que Yahweh ajudou Rute a carregar todo aquele peso.18 Aquele homem não descansará. produziu esplêndidos resultados. Ali achavam -se os anciãos da cidade. Boaz depositou o peso em suas costas. Ele tinha um caso a ser apresentado. C a p ítu lo Q u a tro Boaz P repara-se para C asar-se co m R ute (4. Na verdade. Também parece indiscutível que Boaz agiu movido pela graça. contudo. “Essa conclusão (capitulo quarto) da narrativa contrasta lindamente com a triste introdução do livro (ver Rute 1 1-5) Uma profunda tristeza transformava-se rapidamen­ te em uma alegria radiante. Smith. permitindo que sua nora tomasse o seu lugar. 3.18 quanto à porta da cidade como o lugar onde funcionava otribunal. perm itindo-se ser publicamente infam ados pela viúva. Todos deleitam -se em contar boas-no­ vas. Um Golpe de Boa Sorte. ansiosa para narrar a Noemi o retumbante sucesso que havia conseguido. Embora aparentem ente fosse prática comum que um parente mais distante cum prisse a função do goel. Mas nesse caso.RUTE 3. Rute propôs casamento a Boaz. A ela cabia administrar tudo quanto Rute estava trazendo para casa. sobre os decretos celestes. que Boaz aceitou prontamente.

ou então “resolveu vender” . O parente mais próximo desistiu de seu calçado. coisas essas nunca ouvidas fora do livro de Rute. Não há como determinar a verdade do grau de parentesco exato entre eles. determinando questões como aquela que Boaz viera propor. Ver o com entário de Josefo sobre essa passagem (Antiq. Por todos os períodos da história de Israel. nem a questão se reveste de maior importância. o que é seguido por algumas traduções. não poderia ser dada por menos do que dez dessas pessoas ( Talmude Bab. 2. Ele queria o terreno. Em Deuteronômio 25. devidam ente testem unhada pelos anciãos da cidade e pelos circunstantes. 25. o parente mais próximo hesitou e desistiu. foi.9. aque­ la transação legal. 24. Pcjtanto. 3. sua herança. que tinham de ser m antidas dentro das fam ílias herdeiras. terás de casar com a mulher. não há nenhuma idéia de vergonha. 107. Mas Boaz tinha outra carta do baralho escondido na manga: havia uma m ulher que estava envol­ vida com o terreno. e suas terras. O ano do Jubileu (ver no Dicioná­ rio) autom aticamente redim iria a terra.4 Compra-a na presença destes.32. pelo m enos. 4. foi selada ou legalizada pela cerim ônia da sandália. foi considerada proprietária do terre­ .22. 1.6 Tam bém a tom arás da mão de Rute. 4. Por pouco não houve um desastre. antes que alguma terceira pessoa o fizesse. 4. considerando-a um bom investim ento. A lei do levirato (ver a respeito no Dicionário) evidentem ente tinha vários m odos e condições que se iam modifican­ do lentam ente com a passagem do tempo. A “presença” aqui referida seriam os anciãos e os circunstantes. e nunca com base em uma obrigação. 2.1. e ela queria o seu dinheiro. o homem que não quisesse cum prir seu dever para com a cunhada viúva recebia uma cusparada em pleno rosto. 4). fariam com ela o que lhes parecesse melhor. porquanto já tinha seus com promissos. ao passo que Boaz era apenas um primo.. tendo de cuidar de mais uma família.9. 1. as terras foram oferecidas prim eiram ente ao parente chegado (aquele ainda mais próximo que Boaz). ou antes que a herança revertesse para os anciãos. arruinando tudo. A cerim ônia da sandália não envolve nenhum senso de vergonha no livro de Rute. Anciãos quanto à Idade e ao Ofício. Talvez o episódio referido no livro de Rute represente um estágio histórico no desenvolvim ento da lei do levirato e outros estatutos legais. Os críticos. Teologia e Filosofia. Cerubot.12. Eles eram cabeças de mil. por ocasião de seu casamento. a última é a m ais provável. bem como o artigo mais longo. tendo sido ele o primeiro marido de Rute (Rute 1.1)” (John Gill.8. foi.24. preferindo retirar-se para o anonim ato. 23. seus filhos. 4. de fato. se ele não era irm ão do falecido. Mas os estudiosos conservadores supõem que as respostas dadas são suficientes para salvar a historicidade do livro. mas não a mulher m oabita. juntam ente com o terreno que nem ao m enos lhe pertencia.6-9. e a negociação fosse sentida com o algo decidido.1. Por isso mesmo. ao mesmo tempo. Boaz exortou ostensivam ente o parenterem idor mais chegado para que com prasse o terreno. ele suscitaria filhos para o nome de Malom. Ele andaria em suas terras com a sandália. O terreno pertencia a Noemi. e não por meio de algum docum ento escrito. Além disso. então só podia agir mediante graça e misericórdia.3 Aquela parte da terra. Por conseguinte. mas. De acordo com as tradições judaicas.6-16) rejeitou o conselho dos anciãos com resultados desastrosos. Jos. No livro de Rute.). a nora. Eliaquim. Ela haveria de vender o terreno. Queria o terreno. O versículo significa que Noemi tinha vendido a sua propriedade. Ao descalçar-se. pelo que havia ampla aplicação daquele costume. isso lhe outorgou o direito e as obrigações pertinentes ao acordo feito. 7.2. Ver Esd. Em primeiro lugar. Disse ao resgatador. mas. e não queria esforçar-se mais ainda.5. a autoridade dos anciãos não cessou. Mas quando Boaz apresentou a sua carta de trunfo: “ Para com prares a terra. tendo entrado no lugar de Noemi com o a m ulher viúva a ser redimida. essa era a metáfora que havia por trás do rito. sua família. cap. Adem ais. e a viúva tam bém cuspia em seu rosto. Os códigos leais da Assíria e de Nuzi m ostram que a cerim ônia da sandália era a renúncia a um direito. Ver as notas sobre o versículo anterior. Os judeus supunham que a bênção conferida a uma noiva e a um noivo. sec. 14. não há indício de que o parente m ais chegado fosse irmão de Elimeleque. teria de com prar a terra. Em Juizes 11. Isso deixou Boaz inteiram ente livre para cum prir ambas as condi­ ções: com prar o terreno e casar-se com Rute. por esse e por outros m otivos. Cf.23. sem im portar qual a sorte de Rute. essa lei era aplicada de form a diferente de uma cultura para outra e de uma época para outra. Foi por isso que ele empregou as palavras “para que não prejudique” a minha herança. Dez deles formavam o quórum para que um tribunal pudesse funcionar.8. o tem po verbal perfeito. sec. O livro de Rute expõe uma aplicação diferente da lei do levirato. constituir outra fam ilia deixá-lo-ia sob tremenda pressão financeira. e terras podiam ser legalmente transferidas para outrem. Isso dá a entender grande liberalidade na aplicação dessa lei. o parente mais chegado desistiu de seu direito de redimir Rute e as terras da família.8 E tirou o calçado. e. Alguns eruditos pensam que esse parente-remidor mais chegado seria um irmão mais velho de Boaz. mas Boaz é lem brado até número possível para a formação de uma sinagoga com o também o quórum neces­ sário para uma bênção de casamento (ver Mídrash Rabbah Ruth 7. é possível que ela tinha prom etido vendê-lo. in loc . Naturalm ente. do que era im possível retroceder. Boaz e esse parente mais chegado seriam três irmãos. Mas o ano do Jubileu podia estar muito distante ainda.7 Este era outrora o costum e em Israel. que já o tinha assum ido com o um direito e um privilégio. então é difícil ver com o tal terreno poderia entrar na questão da redenção. cujo nome e herança viveriam graças a Boaz. Ver as notas sobre Rute 3. a viúva do ex-proprietá­ rio. Das Três possibilidades. e essa era a questão que tornava tão im por­ tante o parente-remidor. Se o tem po passado for preferido. Q uando Boaz tomou a sandália do homem. e não seu tio. com o dem onstração de opróbrio.36. os direitos de herança foram transferi­ dos de Noemi para Rute.9. o falecido. 3. Deve-se notar que Rute. John Gill m encionou a cerim ônia com a sandália em cone­ xão com negociações que nada tinham que ver com o problema do casam en­ to levirato. conferiu a Boaz esse direito. e a substituição de um parente-rem idor por outro solucio­ nou totalm ente os problem as relativos ao caso. no hebraico. 1. Mas o fato é que ele não queria outra mulher. devido à venda do terreno. A cerim ônia com a sandália evidente­ mente era um antigo rito que envolvia a enunciação de um direito. Nesse caso. “Não m eramente quanto à idade. têm pensado que o livro é uma novela religiosa.. Durante o período pós-exilico. Ver no Dicionário o artigo cham ado Ancião.5). dota­ do de ampla autoridade civil e religiosa. 25. Os Targuns e Josefo pressupõem que o homem já era casado.1110 RUTE no. foi Rute. que foi redimida. mas nada queria com Rute. pode significar “vendeu” (um ato no passado). Uma viúva não podia con­ servar terras sem um herdeiro. a sandália do irmão que se negasse a fazer o seu papel para com a viúva era afrouxada. e este último seria o irmão mais velho. passando a ser associada com a questão do goel (parente-remidor). em seguida. por ter-se negado a cum prir o seu dever. No livro de Rute. então a questão fica mais simples: 1. Assim sendo. Joel 1. Ver Gên. 4. e cf. Midrash Ruth.7. Sal. O parente mais próxim o inicialm ente concordou em com prar o terreno (ver o versículo anterior). 3. 105. quanto à natureza desse costume. Deu. 4 . E Josefo asseverou que o homem deve ter antecipado conflito entre sua esposa e alguma nova esposa. o parente mais chegado concor­ dou em com prar a terra. em relação ao que se vê em outras fontes. A situação era esta: quem com prasse o terreno teria de casarse com a mulher. lemos como eles puse­ ram a tribo de Judá sob a autoridade de Jefté. Mas ainda um terceiro grupo de estudiosos pensa que Elimeleque. cap. 9. Ademais. mas também quanto ao oficio. Sem dúvida. de cinqüenta e de dez. A terra aqui referida tem dado origem a várias inda­ gações. a ponto em que uma m ulher podia substituir a outra. ele já era casado. mas ainda não tivesse recebido o dinheiro. a m enos que a lei tivesse adquirido aspectos que só transparecem no livro de Rute.13. os anciãos sempre foram um grupo importante. os quais. Isa. Nesse caso. Mishnah Negillah. 4. envolvendo-o assim em opróbrio. Quatro Diferenças em Rute quanto á Lei do Levirato. que é a dona do terreno”.8). esse homem era irmão de Elimeleque. 11. Diante dessa condição. Se Noemi não tivesse vendido o terreno. algo que só se vê no livro de Rute. até para lam entação de Boaz. ou. a moabita. provavel­ m ente por estar em necessidade financeira. Sem dúvida. Reoboão (ver I Reis 12. pelo que até m esm o em Israel aquele rito era aplicado de vários modos. o parente-rem idor. ele só teria de assum ir o papel de parente-rem idor se quisesse. mas a poligam ia perm itia-lhe tom ar outra mulher. em lugar de Noemi. e não uma com posição histórica séria. a fim de recuperar as terras e redimir a herança. não seria m ister redimi-lo. 1. e frisam a m aneira como essa lei foi tratada no livro com o evidência de um crasso erro histórico. um parente m ais distante (que não era irmão do falecido) teve a perm issão de realizar a redenção. sobre o mesmo assunto. 10.5. Assim sendo. Sal. Deu. visto que as terras eram heranças perpétuas. Porém.3. na Enciclopédia de Bíblia. Cf. Rute apresentou a questão com o se Boaz tivesse o dever de ser o parenteremidor. ele desistiu. Sem dúvida. em D euteronôm io 25. se o presente determ inativo tiver de ser entendido. Esses seriam testem unhas de tudo quanto se desenrolasse. a venda em processo seria considerada com o já vendida. por causa da morte do marido.

através do casal. o que não é nenhum pequeno privilégio. O Tipo. de algum a m aneira legal. era a linhagem dela que estava continu a n d o . 38. A união de Rute e Boaz foi abençoada por Deus. sec. devido à fle xib ilida d e da lei do levirato. e Boaz chamou a atenção deles para que notassem que ele havia redim ido as terras de Elimeleque e a “sua esposa” (substituída no caso por Rute. nem vive realm ente isolado de seus semelhantes. P ortanto. que aparecem no fim deste versículo. de prever as trem endas conseqüências de seu casam ento com Boaz. Sem ter consciência disso. Em bora Obede tenha tido uma vida bastante com um . A m ulher moabita foi assim recebida na linhagem que produziu tanto o rei Davi quanto o Senhor Jesus. Obede. em Belém. A exortação e a bênção enfatizavam o papei desem penhado por Boaz na comunidade e na nação. A final. Seja com o for.12 1111 Como a casa de Perez.9 Boaz disse. neste caso. 2. Vei sobre esse homem em Gên. 4).13-17) 4. o prim eiro a “rom per” a madre. A Referência. disseram . as testem unhas diziam agora a Boaz: “S* um vencedor. tornou-se uma espécie de João 3. o filho de Boaz também o foi. mesmo distantes. As testem unhas. m as o mais provável é que significam que ela passou a cuidar dele de m aneira especial.5. sois sim ilares a casas.14 As m ulheres disseram a N oem i. Ela estava se ndo redim ida. as testem unhas. O que ele fizesse ali seria importante para a nação como um todo. Seja como for. falando m etaforicam ente. Os Edificadores de Família. Rute apegou-se a Noemi. Em adição. vós. tinham edificado a casa de Israel. Reed. Rute foi capaz de su b stitu ir N oem i em toda essa negociação. O valor de Rute foi relacionado à ocasião do nascim ento do filho dela" (John W. ele se tornaria fam oso em Belém e em outros lugares. tendo sido assim. que não nos é e xplicada no livro. sois os construtores das crianças. Mostell. Foi Ele quem corrigiu as coisas diante de Deus Pai. sua nora. Portanto. Os nomes e a herança deles seriam perpe­ tuados. Elimeleque teve dois filhos. Boaz Torna-se o Rem idor e Casa-se com Rute (4. pois.2). nasceu Perez. Boaz valeu-se do direito de realizar seu dever com o parente-rem idor. por sua vez.. com o Perez. 2. mas de súbito. 4. Quilíom e Malom (este tinha sido o m arido de Rute. O texto refere-se à história de Perez e seu irmão gêmeo. p essoalm ente. De a co rd o com circun stân cia s norm ais.11 Todo o povo que estava na porta. N oem i é que p recisava ser redim ida. é tanto a Boaz quanto ao herdeiro. uma família muito numerosa. Tam ar deu à luz a gêmeos para Judá. 1. que teve a oportunidade de redimir Rute mas a negligenciou. e recebeu um fio verm elho no pulso. Porém . obtendo m aior sucesso que seu irmão gêmeo. não houve a escrituração de nenhum docum ento.5. Josefo (Antiq. nora daquela). visto que a m ão direita era a mão de poder. que se tornou o cabeça da casa de Judá. Eles fizeram Boaz lem brar que as duas matriarcas. sec. visto que a herança da fam ília passava agora para as mãos de Boaz e Rute. criaria seus filhos nos cam inhos da lei do Senhor. m as fica en ten d id o que o casal tom aria co n ­ ta dela. tendo apenas cuidado de seus pequenos e limitados negócios locais.23. 9. e o seu nome entrou na árvore genealógica do rei Davi e do Rei Messias. As palavras “cuidar dele".3). Mas eles proferiram o que parece ter sido uma bênção padronizada e muito usada. O irmão gêmeo de Perez pôs a mão para fora primeiro. passou para o anonim ato. mas a representava. homens. Ela te é melhor do que sete filhos. poderiam indicar que Noemi dava de m am ar ao menino.11).9-12) 4. Isso sim bolizava o uso de poder. Era um nom e alternativo para Belém. 4. pois já era uma m ulher idosa na ocasião. Os intérpretes com preendem ou um ou outro. foi o pai de Davi. O qual entregou tudo em Suas mãos. e era ali que Boaz haveria de constituir família. Entrementes. foi o primeiro a nascer. Pelo m enos seus descendentes o foram . A sorte de Noemi não foi especificam ente m encionada.3) foi espiritualmente revertida. em consonância com o capitulo 25 de Deuteronômio. mas essa é uma tentativa inútil de harm onizar as duas passagens bíblicas. na realidade. juntam ente com o livro de Jonas. que aum entaria a glória da tribo de Judá. 4. sec. em face de sua benignidade e disposição em cum prir todos os seus deveres (ver Rute 4. que fambém merece um verbete no Dicionário. e então exortaram -no a agir de modo digno em seu próprio lugar.5. A cidade não era a nação inteira de Israel. “Eu tam bém observaria que vós. Não há como term os certe­ za. Os dez anciãos. Em algum estágio da história. em bora ela não dispusesse de meios. Judá cumpriu a obriga­ ção do casam ento levirato no tocante a seu filho m ais velho. vicariam ente. Noemi tornou-se a ama especial e guardiã de Obede. O bede foi avô de Davi. As m ulheres que be n disse ra m a N oem i m anifestaram o desejo de que o “filho d e la ” fosse fam oso. 23. Foi por meio dele que a linhagem de Judá continuou. Os outros nomes próprios que figuram neste versículo aparecem como verbetes no Dicionário. honra a linhagem de Judá”.15 Restaurador.RUTE hoje por seu ato de amor e misericórdia. Boaz tornou-se um tipo do Senhor Jesus Cristo. na ocasião. calculando desde o tem po do casam ento deles (Antiq. o qual. e dessa linhagem foi que vieram tanto Davi quanto Jesus. O nom e do m enino era O bede. mas em Rute ela conseguiu o equivalente a sete filhos. Todos testificaram acerca da validade daquela transação verbal. em que Boaz tirou uma luva da m ão direita do parente mais próximo. Ele seguiria a fé de Israel. e quaisquer circunstantes. I Sam. tinham visto tudo quanto acabara de acontecer. Foi assim que. o parente mais próximo. Rute veio para B oaz ju n ta m en te com o terreno. in lo c). embora já mortos. O herdeiro não dem orou a aparecer. conform e nos é dito no décim o sétim o ve rsícu lo. pelo que qualquer coisa boa que Boaz desse a Rute. Ninguém é uma ilha. m esm o que talvez não ele. “Sete filhos sim bolizavam a bênção suprem a que poderia ser propiciada a uma família hebréia (cf. o livro de Rute. Do M al Pode Vir o Bem. o filho de Boaz deu continuida­ de à linhagem de Perez. O bede foi pai de Jessé. 5. Raquel e Lia. Noemi bendisse aquele homem cujo nome tornouse fam oso em Israel.2. Ver sobre esse nom e no Dicionário. Todos eles. desejaram para Boaz e Rute uma família numerosa. M alom e Quiliom. visto que Ele é o irmão m ais velho de todos os remidos. Ver Gên. O texto está falando aqui de uma das cinco principais fam ílias de Judá. havia um p ropósito superior que operava a tra vé s dele. Ato 1. através de Rute. onde se lê: “ Reis serão os teus aios.. Conclusão: A Felicidade de Noemi (4. e daquela união incestuosa veio Perez. e a comprou. cap. vs. de tal modo que o filho de Rute se tornou filho de Noemi. o nome dele chegou até nós. A atitude dos hebreus sem pre foi que os filhos são um presente e uma herança da parte do Senhor (ver Salmo 127.” . 4. a antiga lei que dizia que os m oabitas não podiam ingressar na congregação do Senhor (ver Deu. e de outras m aneiras diversas haveria de honrar a Deus e à nação de Israel. e sem pre se destacou. tam bém dava a Noemi. pais. sobressai-te em todas as coisas. 4. de m aneira deveras significativa. uma mulher moabita foi ascendente tanto de Davi quanto do Rei Messias! Josefo declarou que o nascim ento do filho de Boaz e Rute ocorreu no fim daquele tempo.27-30. O Targum sobre essa passagem adiciona uma cerim ônia da luva. A idosa ju d ia tinha razões especiais para estar feliz e re ceber B ênçãos da parte de suas vizinhas. Embora não tivesse recebido o fio verm elho. em bora não seja provável que isso tivesse tido papel na redenção de Rute. 37). Naturalmente. Na verdade. Se Boaz agisse corretamente. porque aquilo que Boaz foi para Noemi. Jó 1. Ver o capítulo 38 de Gênesis quanto à extraordinária narrativa. conforme verem os logo adiante. No . e rainhas as tuas amas.16 do A ntigo Testam ento. 4) diz que Rute tomou a sandália do parente mais próximo e cuspiu no rosto dele.10 Tam bém tom o por m ulher a R ute. a m oabita).16 Noemi tomou o m enino. e elas são os alicerces do edifício” (Plauto.19 e Miq. Efrata. o nosso universal Parente-Remidor. O am or fazia ampla provisão quanto a tudo isso. estavam envolvidos. se quisermos falar sobre o corpo inteiro. ela não precisava de redenção. cap. e os anciãos. Talvez este versículo fale em adoção formal. não há diferença.13 E teve um filho. 9. 35. ainda que não universalm ente. que ouviriam falar de seu nome e aprovariam os seus atos. 4. Isaías 49. no caso de algum casamento. sendo honrado no Antigo Testa­ mento. Cf. Israel teve esse rito da luva. Em conseqüência. Rute entrou assim na linhagem de Davi e do próprio Messias. Noemi tinha perdido dois filhos seus. 1. Ao que tudo indica.

Boaz. e não a cadeia propriam ente dita. que foi a bisavó de Davi. Deus faz mais por nós do que tudo quanto podemos pedimos ou pensamos. embora alguns digam que viveu um pouco antes disso. O Avô do R ei Davi. 4. mostrando que é necessário supor que o nome representa uma seleção de elos. 4. 5. a de Mateus 1. Epílogo: Genealogia de Davi (4. Jessé. d is tin g u in d o -s e p e lo fa to de te r sido avô do rei Davi. por isso mesmo reverteu todos os infortúnios descritos no primeiro capítulo do livro.3-6. Deus o perou sobre a h is tó ria p ara tra ze r o M essias a este m un­ do. m as R aabe vive u nos d ia s de Jo s u é . Propósitos da Genealogia. agora se tinha enri­ quecido. ações com ­ pletas (2:???). in Ioc. produzem re su lta do s brilhantes. O a m o r de D eus u ltra p a s s a to d o s os lim ite s que os hom ens te n tam im ­ por. e não completa.13 ).5 e seu contexto. Mas é a mesma palavra usada em Isaías 49. com o Obadias (servo de Yahweh). C. re sp o n sa b ilid a d e (2. a q u i no livro de R ute. genética e espiritualmente. Os versículos 18 a 22 deste capítulo fornecem -nos a linhagem que poderia representar uma adição posterior ao livro.18-22) Há na Bíblia quatro genealogias em que são mencionados os nomes de Obede (e de Davi): aquela do texto presente. 3.12. H e zro m e sta va e n tre a q u e le s que p e rte n cia m à fa m ília de Jacó que fo ra m p a ra o E g ito (v e r G ê n . a genealogia é representativa. o livro de Rute é com o se fo ra o João 3. tomando-se o herdeiro que deu continuidade à linha­ gem e herança dela. no hebraico. Assim sendo.7. Os crentes tam bém deveriam estar ocupados nas atividades de seu Pai celeste. Rão a p a re ce a li co m o filh o de Je ram eel. 3. Uma provisão do Espirito de Deus. As recom pensas por uma vida responsá­ vel são sem pre o fruto doce da graça divina” (João W. Por que temos aqui uma genealogia? Consideremos os cinco pontos seguintes: 1. pois. 3. a vazia (ver sobre Mara. J e ­ sus.21). R aabe. O livro de Rute contém a ve rd a d e ira p e rcepção de que fortes convicções na p ro v id ê n c ia d iv in a a ju d a m nos a to s de um a p e sso a e. distinguiu-se por este grande fato: ele foi o pai de Jessé. 8. V er m eus com entários sobre a introdução ao versículo 18 quanto a outras observações pertinentes.7. d e te r­ m inação e d ilig ê n cia no tra b a lh o (2 . 4. Outro incidente do costume hebreu de enfatizar a importância das genealogias. som ente alguns poucos anos após o com eço desse período (desde a entrada na terra de Canaã até Rute). O qual atraí todos os homens após Si.16 do Antigo Testamento. 4 6 . le a ld a d e (2 . 1.” .12. de a co rd o com os p a d rõ es legais.). que quis m ostrar-nos algo da origem humana de Jesus. Rute e Boaz concordaram em dar à criança esse nome.2). a m oabita. C o n tu ­ do. A nossa versão portuguesa diz Salmom. O que se sabe sobre ele aparece no Dicionário sob o título Salma. in ioc. g e ­ nerosidade (2.20. 2. Lições m ora is e e s p iritu a is no c a rá te r de Boaz: fé re lig io sa (2 . Importantes Lições Morais e Espirituais do Livro de Rute: No liv ro de R ute te m o s o im p o rta n te tip o s im b ó lic o de B oaz. que não se notabilizam. e a de Lucas 3. Esse nom e significa “adorador” . senso de re sponsabilidade (3. é diferente da que encontramos aqui. que era um apelativo im portante dentro da cultura dos hebreus. não p re cisa ria ser realizado. A brange todas as te rra s e pessoas.16 do A ntigo Testam ento: “ Pois Deus am ou o m undo de tal m aneira q u e . yanaq. c o rte s ia (2. o fiel Deus estivera agindo em favor de Rute. e não com pleta. 1. mas S a l. as gerações de Perez. ao m enino Boaz. se Raabe deu à luz a Salmom. Sim. Ver Êxodo 2.1 2 ). vicariam ente. 4. 5. em Rute 1. Apenas alguns dos nomes mais distinguidos foram arrolados. Rute e B oaz.27-30) e Salmom (ver sob esse nome).14). com um ou mais dos propósitos que acabam os de mencionar. V er R om anos 4. que p re fig u ro u C ris to em S ua re d e n ç ã o d o s h o m e n s.32. 3. P or e x e m p lo .5 diz que a M ãe de B oaz era R aabe.2 3 ). Noemi. Por m uitas vezes. Existem pessoas assim im portantes. a genealogia com eça com Perez. “Apesar de todas as aparências em contrário. 2. a palavra ordinariamente usada para indicar o ato de dar de m am ar a uma criança. o Cristo. Em N oem i tam bém e n co n tra m o s a lg u m a s dessas ca ra cte rística s. Nessa genealogia aparecem dez nomes.. g e n e ro s id a d e (2 . Lições m orais e e sp iritu a is no c a rá te r de Rute: dedicação religiosa (1. in cluindo definidam ente aqueles que não fazem parte “do g ru p o ” . o tem po todo. Muitos elos da cadeia foram propositadam ente deixa­ dos de fora.1 2 ). no Antigo Testam ento. V er na E n c ic lo p é d ia de B íblia. É cla ro que dez hom ens não poderiam te r vivido bastante (coletivam ente falando) para cobrir todos os sete sécuios e m eio. por parte de sua mãe.3). M as ta m b é m há qu e m p e n s e q u e o a u to r e I C rô n ic a s é que co p io u a g e n ea lo gia de Rute. O tre ch o de M ateus 1. com o fo rm ad o re s de elos im p o rta n tes da linhagem do M essias. porquanto Boaz era um parente re la tiva m e n te d ista nte de E lim eleque. Há referências neotestamentárias a ele (ver Mat. e que. A m in a d a b e era o so g ro de A rão (Ê xo. Este versículo fornece-nos a inform ação que Obede.. Outra demonstração de que Davi era descendente de Judá e tinha o direito de ser rei. Assim sendo. Essa genealogia é apenas representativa.1 8 ). visto que os poucos nomes m encionados dificilm ente cobrem o longo período de tempo im plí­ cito nos nomes oferecidos. c e rc a de d u ze n to s e cin q ü e n ta anos a n tes de B oaz. a p ro s titu ta ca n a n é ia de Je ricó . Salmom.21). esse nome era com binado com nom es divinos. Observações: O te m p o co b e rto p o r e ssa g e n e a lo g ia va i de 1750 a 1000 A. Ele foi um homem-chave. o livro de Rute é um João 3. A ssim sendo.). Um cum prim ento profético: o M essias haveria de proceder da tribo de Judá (ver Gên.4-13 (quase idêntica).18-22 1. o C ris to .5. a m ere triz. e não por seus próprios méritos. O que era bom para N oem i era bom para Rute.1 0 . Isso posto. ele foi um homem distinto.. Salm om era o pai de Boaz.16). Jesus de N azaré.1 2 -3 0 . Ver também I Crô. Luc. M as esses dois fa to re s não são n e ce ssa ria m e n te co n tra d itó rio s. 6.10). em Lucas 3. Ela tin h a uma aura de fé. que viveu uma vida bastante comum. E sse ato. se m p re que possível. Há notas expositivas sobre todos eles no Dicionário. Exigüidade de Número de Nomes. em apenas trés gerações.12. 3. Ver Efésios 3.5. Uma exaltação da pessoa de Rute. Ao que parece. aquela de I Crônicas 2. 3 8 . estava e ntre S uas a n tepassadas. Uma co m p a ra çã o com o p a ra le lo em I C rô n ica s 2.20 quanto a esse conceito. Teologia e F ilosofia o a rtig o in titu la d o U n iv e rsa lid a d e da M is sã o de C risto. isso só p o d e q u e re r d iz e r que R aabe era a n te p a ssa d a de Boaz. é yanaq. 38. e não sua M ãe im e d ia ta . co rte sia (2. que significa “cuidar com o ama". Por conseguinte. mas isso dificilm ente é crível” (Elíicott.2 5-2 8 revela algum as p e q u e n a s d is c re p â n c ia s . As dez p e ssoa s cuja genea lo gia é registrada nos últim os cinco versículos do livro de R ute podem se r e n co n tra d a s na passagem de M ateus 1. C. m ais ou m enos do m esm o m odo que falam os a re sp e ito de “ nosso pai A b ra ã o ” .. em ­ bora não fosse im portante em si mesmo. ou seja. Não obstante. Ele viveu em 1150 A.1112 RUTE Salmom (vs. São estas. um a ca n a n é ia . 1.20). Ver tam bém Obede-Edom e Ebede-M eleque.23. N a tu ra lm e n te . As boas o b ra s de Rute se a fu n ila ra m em seu d e scen d e n te d ista nte . em Mateus 1. Eílicott ilustrou isso com uma parte da genealogia. 2. ". 6 . P o rta n to . embora em seus descendentes. o prim eiro dentre uma lista de cinco pessoas que aparecem com esse nome.4. ao passo que aquela que quer dizer dar de mamar. N enhum a raça e n e n h u m a c o n d iç ã o h u m a n a e s te v e e ou e s tá fo ra do e sc o p o do ato rem ídor de Je su s C risto. “servo’’ ou “escravo” . o qual foi o pai do rei Davi. . O bede foi o filh o de B oa z e R ute.17 À Noem i nasceu um filho. le a ld ad e e am or. 10. 7.4 .11. A questão tem sido com entada por vários eruditos. N a a so m e ra o ch e fe da ca s a de Ju d á (v e r N úm . e não com o filh o de H ezrom .10). Há inúme­ ros exemplos disso. Obede. Reed.7 ). 2. tal com o Rute. A bênção de Deus tem uma maneira de expandir-se como nem sonhávamos. acerca da qual praticamente nada se sabe.. então são cobertos cerca de trezentos e sessenta e seis anos. O nome sen/o provavelmente foi dado originalmente a Obede porque ele serviu de forma tão destacada a Noemi.4. Essa palavra deriva-se do som feito por um bebê quando está m amando: yanaq.1 2 ). isso e s ta v a a c im a de to d a e q u a lq u e r e xp e cta ção de N oem i. Rute 4 . excetuando Perez (ver as notas em Gên. E possível que essa genealogia tenha sido acrescentada por um escritor posterior. e vice-versa. mais ainda do que quando tinha marido e vivia em Moabe. que também significa “sugar”. 4. incluindo os desprezados moabitas..32 e seu contexto. 9. m as isso não a fe z e sq u e ce r as a tivid a d e s práticas da vida diária. o fiiho de Judá que deu continuidade à sua linhagem.1 1 . fica su b e n te nd id a a u niversalidade da m issão de C risto .. mas se tornam progenitores de pessoas de destaque. com o supérfluos para o propósito em m ira neste ponto. 7. Isso posto.1 2).14).16). Isso sig n ifica que Deus faz m ais do que tudo quanto pedim os ou pensam os (ver Efé. Portanto.15. 4.20. hebraico. 21) era filho de Naasom e antepassado de Boaz (ver Rute 4. é m ais d ifíc il se p a ra r o que pode te r sido m otivado pelo a u to-in te re sse e a q u ilo em que N o e m i a g iu re a lm e n te em fa v o r do b e m -e s ta r de Rute. o ato de re d e n çã o fo i e fe tu a d o . yanaq. A lg u n s e stu d io so s supõem que um a u to r p o ste rio r tenha copiado a p a s­ sa g e m do s e g u n d o c a p ítu lo de I C rô n ic a s . V er no D icionário o artigo cham ado Obede. P erez e ra filh o de J u d á p o r m eio de T a m a r (v e r G ên. 49. E então lhe deram o nome de Obede. a fim de provar a grande linhagem que Obede enca­ beçava. m o tiva ­ do p or sua m is e ric ó rd ia e am or.