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Dadaísmo

São os dadaístas em Berlim que inventam a fotomontagem, nome encontrado de comum acordo por Grosz, John Hartfield, Baader, Hoech e Hausmann. Hausmann define o caráter da novidade e os seus desenvolvimentos: "Os primeiros criadores da fotomontagem, os dadaístas, partiam do ponto de vista, para eles incontestável, de que a pintura do período de guerra, o expressionismo pós-futurista, havia fracassado por causa da sua não-objetividade e da sua falta de convicção, e que não apenas a pintura, mas todas as artes e as suas técnicas tinham necessidade de uma mudança revolucionária fundamental para permanecer em relação com a vida da sua época.Os membros do Clube Dadá não estavam naturalmente interessados em elaborar novas regras estéticas, segundo as quais ter-se-ia realizado a arte. Antes de mais nada, eles se preocupavam com as atitudes excitantes do novo material e, através dele, da renovação das formas do novo conteúdo..." (...) "...a idéia da fotomontagem é revolucionária quanto ao seu conteúdo; sua forma é subversiva quanto à aplicação da fotografia e dos textos impressos que, juntos, se transformam em filme estático. Os dadaístas...foram os primeiros a se servir da fotografia como material para criar, com a ajuda de estruturas bastante diversas, uma nova entidade que arrancava do caos da guerra e da revolução um reflexo óptico intencionalmente novo..."(...) "A fotomontagem impôs a consciência de que o elemento óptico oferece possibilidades extremamente diversas. Permite elaborar as fórmulas mais dialéticas, devido ao antagonismo das estruturas e das dimensões, a exemplo do áspero e do liso, da vista aérea e do close-up, da perspectiva e da superfície chata." (colocação de Hausmann no Museu das Artes e Ofícios, em 1931, durante a exposição histórica da fotomontagem). Os dadaístas, que tinham inventado o poema estático, o simultâneo e o puramente fonético aplicaram os mesmos princípios à representação plástica. Sabiam que a fotomontagem encerrava uma grande força propagandista, que a vida contemporânea não tinha coragem de desenvolver e acolher. O domínio de aplicação da fotomontagem é, sobretudo, a propaganda e a publicidade. Uma das características de dadá foi o romper as barreiras dos gêneros literários e artísticos. O quadro-manifesto-fotografia foi o resultado obtido na direção dessa busca, como as poesias-desenhadas, a impressão tipográfica figurativa, os poemas fonéticos. Sobre o dadá em Zurique, Hans Richter escreve: "O Dadá de Berlim não se distinguiu do Dadá de Zurique apenas pela nota política e pelas formas de expressão na pintura e literatura lá descobertas. Enquanto o Dadá de Zurique, na Suíça, mais tranqüila, se mantinha numa espécie de equilíbrio pesíquico, a situação febril em Berlim favorecia a rebelião. Sobre o Dadá em Berlim pairam a desgraça e as vantagens de uma neurose. Havia vários motivos para tanto:

 a matança sem sentido durante a guerra.  o insucesso de uma revolução que na época se alastrava por todas as esquinas. ódio e a falta de sucesso moral e prático da maioria dos participantes.  a pressão de energias comunistas. que durou quatro anos. contando que a pessoa aproveitasse bem a oportunidade. com cujos slogans as pessoas se identificavam. e durante a qual em ambos os lados morreram muitos amigos. que despertava a vontade de imitar o exemplo. sem saber exatamente a que isso levaria.  finalmente. . que prometia tornar tudo possível.  a oposição reprimida por tanto tempo.  desespero.  o exemplo bem sucedido de dada em Zurique. o vácuo resultante da súbita erupção da liberdade.