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Resenha do livro : “O caso dos exploradores de cavernas” O livro “ O caso dos exploradores de caverna” do escritor Lon L.

Fuller conta a história de quatro exploradores de cavernas, membros de uma Sociedade Espeleológica, de natureza amadorística que Em princípios de maio de 4299, entram em uma caverna de rocha calcária em Commonwealth. Quando estes já estavam distante da entrada ocorre um desmoronamento bloqueando e impedindo a saída. Observando a demora da volta dos 4 exploradores, o secretário da Sociedade comunicou a família e enviou uma equipe de socorro prontamente no local, onde esta, revelou que a tarefa era difícil. Foi necessário suplementar as forças de resgate originais mediante repetidos acréscimo de homens e máquinas, que tinham de ser transportados á remota e isolada região. O resgate ainda enfrentou diversas dificuldades ocorrendo inclusive um acidente que resultou na morte de dez operários que participavam da equipe. Muitos temiam ainda que os homens aprisionados não resistissem muitos dias, por não terem levado alimentos, ou seja, poderiam morrer por inanição; após vinte dias soube-se que havia com eles um rádio transistorizado, e com este, foi possível proporcionar um contato; os engenheiros responsáveis pelo salvamento informaram que seria necessário mais dez dias para salvá-los (os médicos informaram que a possibilidade de conseguirem sobreviver por mais dez dias era reduzida) e, os exploradores representados por Roger Whetmore que indagou se seria possível sobreviver mais dez dias se um deles morresse para alimentar os outros? porém nenhuma das autoridades presente no local quis responder a tal pergunta. só conseguiram uma resposta em sentido afirmativo proporcionada pelo presidente da comissão, e depois disto, o contato pelo rádio foi quebrado por causa do descarregamento das pilhas. No trigésimo dia após a entrada na caverna os exploradores foram resgatados; observouse que Roger havia sido morto e servido de alimento a seus companheiros. Em sua defesa, os quatro acusados declararam que Roger foi o primeiro a propor que buscassem alimento na carne de um dentre eles para que, os outros quatro conseguissem sobreviver; isto ocorreu através de um par de dados que a própria vítima carregava consigo mas, pouco antes do arremesso dos dados a vítima declarou que desistia do acordo mas, os outros o acusaram de violação e assim procederam o lançamento. Quando chegou a vez de Roger, este não quis jogar e um dos acusados o representou, jogando em seu lugar, perguntando após o lançamento se este tinha alguma objeção sobre o resultado, a vítima respondeu que não, tendo-lhe sido adversa a sorte, ele foi então morto. Os quatro sobreviventes após o resgate, foram denunciados por homicídio; no julgamento, que ocorreu através de um veredicto especial de primeira instância, os réus foram condenados a forca pelo assassinato de Roger que, os membros do júri pediram ao chefe do Poder Executivo para que a sentença fosse comutada em prisão de seis meses. Foster, J. Este defende os quatro acusados e, faz sua tese em cima do direito natural. Tatting, J. acha, que o mais correto é cumprir o que havia sido decidido, ou seja, matar os quatro acusados mas, se exclui inteiramente do julgamento. Keen, J. Na opinião dele deve confirmar a sentença condenatória. Handy, J. Acha que os réus são inocentes da prática do crime que constitui objeto de acusação e que a sentença deve ser reformada.

Ocorrendo, destarte, empate na decisão, foi a sentença condenatória do Tribunal de primeira instância confirmada. E determinou-se que a execução da sentença tivesse lugar às 6 horas da manhã da sexta-feira, dia 2 de abril do ano 4300, ocasião em que o verdugo público procederia com toda a diligência até que os acusados morressem na forca. O livro não se tem a audácia de pretender construir aqui uma argumentação que figure como única e absoluta solução admissível para o tema, antes pelo contrário. Reconhece-se que uma situação como esta, dado as condições peculiares que a envolvem, favorece argumentações que defendem teses opostas. O escritor nos informa ainda que este caso foi imaginado com o único propósito de focalizar certas posturas filosóficas divergentes a respeito do direito e do governo. Posturas estas que são hoje ainda as mesmas que se agitavam nos dias de Platão e Aristóteles. E talvez elas continuem a apresetar-se mesmo que a nossa era tenha pronunciado a propósito a sua ultima palavra. Se há alguma espécie de predição no caso não vai além da sugestão de que as questões nele versadas encontram-se entre os problemas permanentes da raça humana.

pois no momento do ato eles não se encontravam em um “estado de sociedade civil” e por esta razão estavam em um estado natural onde estavam sobre jurisdição do direito natural. Além disso. atuou como professor de Teoria do Direito e publicou diversos estudos de direito civil. foram informados que poderiam vir a morrer por inanição antes que a entrada da caverna fosse desobstruída. onde por causa do local onde os acusados estavam à lei não poderá ser aplicada. Ele comenta que o princípio da clemência neste caso. tendo em vista isto afirma que estas não são aplicadas aos acusados. onde cinco membro da Sociedade Espeológica. O Presidente do Tribunal. pois era um local isolado do Estado. Tiago da Silva Costa. tendo como argumentação que a lei positivista deve prevalecer sobre a natural e que eles como juízes devem julgar apenas pela letra da lei. Deve sua fama a um breve ensaio intitulado O caso dos exploradores de cavernas. * Lon Luvois Fuller. é a favor da plena absolvição dos acusados. porem outro fez o lance por este que acabou sendo o sorteado e conseqüentemente morto. pois esta deve ser aplicada segundo seu propósito e que outros objetivos os mesmos são imputados a lei penal. acabam ficando presos em uma caverna devido a um desmoronamento de terro onde a única abertura da mesma foi totalmente bloqueada. se absteve da votação por causa de sua divisão entre a simpatia aos acusado e ao ato que estes cometeram. Este também assumiu a posição que o que ocorreu não pode ser tradado como legítima defesa por causa de sua premeditação. mitiga o rigor da lei e que a letra for seguida “será realizada a justiça sem debilitar a letra ou o espírito da nossa lei e sem se propiciar qualquer encorajamento a sua transgressão” O juiz Foster. leva em conta a limitação geográfica. O livro conta a história fictícia ocorrida no ano de 4299. é a favor da condenação a morte pela forca. O juiz Tatting. o contrato foi aceito por todos mas Whetmore acabou desistindo te participar do sorteio. O juiz Keen. que é uma organização amadora de exploração de cavernas. cursou direito na Universidade de Stanford. é a favor da condenação à morte pela forca. devido a isto o personagem Roger Whetmore faz um contrato entre os outros 4 personagens presos no qual consistia de que um deles seria sacrificado para servir de comida aos outros sendo este escolhido pela sorte com lançamento de dados. porém criticou o juiz Foster. A segunda parte de sua argumentação esta em que os acusados não violaram a lei. ele defende que a lei deve ser aplicada a sua. o juiz Truepenny. A história desenrola-se sobre o fato de que enquanto eles esperavam serem resgatados pela equipe de resgate. pois este levou em consideração a legítima defesa e segundo ele a legítima defesa é um ato reflexivo e sem premeditação e o ato foi premeditado e por ter sua argumentação baseada no direito natural mesmo este não sendo sua área. segundo este. sua argumentação é que as leis positivistas só são aplicadas a membros de uma sociedade. (1902-1978) foi um jurista americano nascido no Texas.Resenha do livro “ O Caso dos Exploradores de Caverna”. Ao final ele afirma que a .

mulheres e crianças são salvos primeiro em detrimento aos homens. são aquelas isoladas geográfica e culturalmente. Como exemplo de defesa. tiraram a vida de Whetmore ativamente. pois no naufrágio as pessoas salvas não exerceram uma força ou ação ativamente para que os homens que ficaram para traz venham a morrer ao contrario do caso apresentado no livro em que os acusados. . os acusados são culpados. edição por Sergio Antonio Fabris. Em minha opinião. ele chama atenção ao senso comum que deveria ser levado em consideração. é a favor da absolvição dos acusados. O Caso dos Exploradores de Cavernas. todos os cinco a conheciam. pois mesmo estando sob o risco de morte por inanição e presos em uma caverna. não seria justo comparar os dois casos em igualdade. edição de 1993. mas no caso. chamo à atenção ao o que acontece quando uma embarcação vem a naufragar. as únicas pessoas que estão imunes à aplicação das leis positivistas. O juiz Handy. Como crítica a obra em si. mas sem seguir a pena imposta pela norma e sim alguma pena alternativa como pena com trabalhos comunitários ou mesmo a reclusão por determinado tempo. Lon L. *Aluno do curso de Bacharelado em Direito UERN. Porém a lei vigente. ainda estão sob o direito positivista. quando isto ocorre. O agravante é realmente o fato que eles assassinaram Whetmore e por isso devem responder. Porto Alegre. pois estas segundo ele futuramente virão a criar problemas futuros. de certa forma os homens são sacrificados para que estas sejam salvas e elas não tem que responder judicialmente que por sua causa outros tenham que vir possivelmente a morrer. é um texto de fácil entendimento que proporciona a chance para desenvolvermos nosso raciocínio diante de situações não convencionais onde o direito e o emocional estão influenciando seu pensamento ao mesmo tempo. por tudo que levaram os acusados a privar Roger Whetmore de sua vida. 1976. durante o salvamento das vítimas. Tradução por Plauto Faraco de Azevedo. mas por outros indivíduos e que um bom governo se dá quando os governantes compreendem o sentimento e concepção popular e. pois este não existe apenas em uma sociedade elaborada e em um território “livre” e sim nas próprias pessoas. de todos os ramos do governo. 27/01/2012.lei deve ser seguida a risca sem a criação de exceções. como tribos indígenas isoladas que não por seu desconhecimento total desta. apesar do contrato existente entre eles. 1º período. deveria ser aplicada com menos rigor. pois segundo ele. o povo é governado não pela lei. FULLER. é uma leitura que para podemos entender melhor mergulhamos no Direito Penal e por isto influencia os leitores a se interessarem mais pelo assunto. é o judiciário que tem a maior possibilidade de perder o contato com o povo pelas contraposições teóricas que tratam suas questões. manhã. mas uma comparação entre os dois pode ser levada em consideração no julgamento pois nas duas situações alguém foi sacrificado para que outros venham a sobreviver.

O livro foi publicado com o título original de “The Case of the Speluncean Explorers” na revista acadêmica Harvard Law Review. Quando eles adentraram mais a fundo nesta caverna houve um deslizamento de terra que bloqueou a única saída conhecida. US v. o que gerou grandes despesas. O autor tirou a inspiração para escreve-lo de dois casos reais. a respeito de um caso polêmico. foram explorar uma caverna formada por pedras calcarias. . Durante a operação de resgate. Ele traz os votos de cinco ministros da suprema corte dos Estados Unidos.Resenha do livro: O Caso dos Exploradores de Cavernas Raphaela Oliveira[1] Introdução Esse trabalho foi feito como requisito para a avaliação na disciplina Introdução ao Estudo do Direito. nos quais dez homens que trabalhavam na limpeza da entrada da caverna foram mortos. Como os homens não retornaram as suas casas. Os exploradores haviam deixado na sede da sociedade a localização da caverna que iriam explorar e um grupo de resgate foi mandado a região pra resgatá-los. O livro “O Caso dos Exploradores de Cavernas” se passa no ano fictício de 4299. Dudley & Stephens. em função do seu deslocamento para região do acidente. publicou estudos sobre direito civil e teoria do direito. que foi escrita por Lon Luvois Fuller. Nascido nos Estados Unidos. as famílias procuraram as autoridades para noticiar o desaparecimento. Holmes e Regina v. Um de seus livros mais importastes foi The Morality of Law no qual defende sua posição jusnaturalista. nas tentativas de remoção dos escombros aconteceram novos deslizamentos. ministrada pelo prof. publicado pela editora Sérgio Antônio Fabris e é amplamente utilizado em faculdades de direito para o estudo da disciplina de Introdução ao Estudo do Direito. estudou direito e economia da universidade de Stanford e foi professor na universidade de Harvard. a qual era constituída por amadores. Rodrigo Andrade de Almeida. O caso dos exploradores de cavernas foi traduzido para o português por Plauto Faraco de Azevedo. assim como oito livros e diversos artigos na área da filosofia do direito. Os responsáveis pelo resgate encontraram muitas dificuldades para a remoção dos escombros e fez-se necessário o aumento do numero de trabalhadores e o uso de maquinário. Os exploradores tinham levado poucas provisões e ficaram esperando o resgate para libertá-los da “prisão subterrânea”. Fuller . quando cinco homens pertencentes a Sociedade Espeleológica. Lon Luvois Fuller (1902 – 1978) . A avaliação consiste na resenha da obra “O caso do exploradores de cavernas”.

lhes mostrando os dados que trazia consigo.Sabia-se que os exploradores haviam levado escassas provisões e que a caverna não lhes forneceria nenhuma forma de alimento. descreveram a situação em que estavam e perguntaram se sobreviveriam por mais dez dias sem alimento. A comunicação com os exploradores foi interrompida por 8 horas. O caso foi encaminhado para a suprema corte onde cinco ministros votaram para a resolução do caso. Não houve resposta. e Whetmor então questionou se seria aconselhável que eles tirassem na sorte quem iria se sacrificar para esse fim. Mesmo com a desistência de Whetmor o acordo firmado continuou tendo validades. Os réus foram condenados a morte pelo assassinado de Roger Whetmor. Nenhum do presentes se disponibilizou a responder a essa pergunta. mas foram jogados em seu lugar e o mesmo aceitou o resultado. Foram informados que seriam necessários pelo menos mais dez dias. usando a sorte.e o modo para escolher quem se sacrificaria. falou com o chefe dos médicos e perguntou em seu nome e em nomes de seus companheiros se eles sobreviveriam por mais dez dias se ingerissem carne humana. Os aprisionados perguntaram se havia algum juiz. C. o seu voto foi a repetição do que foi proferido pelo juri de primeira instancia.( Presidente) Como presidente da Suprema Corte. foi ele o responsável por relatar o caso aos outros membros. Em depoimento aos jurados os réus disseram que foi o próprio Whetmor que sugeriu que usassem carne humana como nutriente. pela complexidade do caso os jurados decidiram pedir clemencia. padre ou alguém que pudesse responder essa questão. Após vinte dias. Análise dos Votos • Truepenny. Então. Os dados foram jogados por seus companheiros e na sua vez ele se recusou a jogar. que perguntaram o tempo estimado para a conclusão do resgate. A contragosto o medico respondeu que sim. J. os espeleologistas presos inquiriram se havia algum medico na equipe de resgate e como a resposta foi positiva. a resposta do médico foi negativa. . e quando foi retomada um dos aprisionados. o grupo de resgate conseguiu manter contato com os exploradores. contudo. e descobriu-se que Roger Whetmor fora morto pelos seus companheiros. Roger Whetmor. Os réus seriam condenados pelo assassinato de Roger Whentmor e sentenciados a morte por enforcamento. Foi dito também que antes de serem arremessados os dados Whetmor desistiu de sua proposta e decidiu esperar por mais uma semana antes de considerar tal opção. O resgate foi concluído após trinta e dois dias.

mesmo perante a óbvia e extraordinária circunstancia.2122). o presidente pede juntamente com a condenação dos acusados clemencia ao executivo.( Ministro) O segundo ministro a se pronunciar foi Foster. de aplicar a lei como ela é deixando para o executivo a tarefa de atender o pedido de clemencia para os réus. “Quando a premissa de que pessoas vivendo em comunidade. perde-se a verdade. pois colocou o código acima de qualquer circunstancia.22-23) • Foster. sendo assim estavam afastados de qualquer força coercitiva dos dispositivos legais como se estivessem a milhares de quilômetros dali . quando a vida somente seira possível em se retirando a própria vida. não deveriam se deixar comover pela emoção que envolve o caso. far-se-á justiça sem ofender a letra ou o espirito de nossos estatutos e sem oferecer encorajamento pelo desrespeito à lei”. J. mesmo que a situação apresentada no caso se mostrasse de grande tragédia.(p. deverá ser punido com a mote”(p. “Qualquer um que. Ele pede a seus colegas que o sigam em sua decisão. estavam separados da sociedade por um camada de terra que os mantinham em um carcere. Ele vota pela absorvição dos condenados de qualquer crime e traz argumentos para justificar a sua decisão. se tão convivência se torne inviável as leis vigentes na sociedade perderiam o seu valor. como Truepenny diz nessa passagem: “Se esta for concedida. não havendo exceções. para que a pena de morte seja mudada para prisão de seis meses. em detrimento da situação trágica que enfrentaram. então as premissas básicas que suportam toda nossa ordem legal perderão seu sentido e força. juntas. Se o pedido de clemência for atendido pele executivo a lei será cumprida e os acusados terão a pena justa.25) Em seu discurso. Toda lei positiva só tem validade quando há meios que propiciem a vida em sociedade.Ele se mostrou exegeta na sua decisão.”(p. defende que as leis só seriam válidas quando os indivíduos pudessem viver em sociedade. e dentro de um certo limite de territorial. Caso fosse esse o veredito dado por aquela corte. retira a vida de outrem. de própria vontade. garantindo a aplicação da lei de acordo com seu conteúdo. deveriam ser levadas em consideração as “leis naturais”. O ministro não acreditava que os exploradores fossem assassinos. Para Trupenny a lei se mostrava clara. que se mostrou revoltado com a atitude e decisão tomada pelo presidente da suprema corte. Da mesma forma que o juiz e o jure de primeira instancia. que seria uma injustiça se os réus fossem condenados naquele tribunal. Para ele as leis existentes naquele Commonwealth seriam inaplicáveis naquele caso. condenaria as suas lei ao tribunal do senso comum. Foster traz essa perspectiva de territorialidade por conta da situação vivida pelos condenados.

O primeiro argumento de seu antecessor. os acordos formados para melhor a convivência. para tirar a vida de uma pessoa. J. como o caso do indivíduo que estacionou o em um certo local e ultrapassou o tempo permitido e não sofreu ônus pois só cometeu infração devido a um evento público que impediu que o mesmo retirasse o carro. Sobre o estado de natureza. ele acredita que os acusados agiram dessa forma por estarem no estado de natureza.35) Em grande parte do seu discurso Tatting desconstrói os argumentos apresentados pelo colega que o antecedeu. e decidir o caso com base em uma demonstração lógica e conveniente com resultado requerido pela nossa lei.A linha argumentativa de Foster é jusnaturalista. ele questiona o memento em que aqueles homens passaram a viver nesse estado. por presar a racionalidade e a não interferência de questões externas em ponto de vista em relação ao caso. acho-me dividido entre a simpatia por essas pessoas e um sentimento de aborrecimento e repugnância para com o ato monstruoso que elas cometeram. essa possibilidade não me foi concedida. pois ele não conseguiu se desvencilhar o lado emocional na hora de decidir a questão apresentada.”(p. A lei do Commonwealth não poderia ser aplicada em decorrência dos indivíduos estarem vivendo no chamado estado de natureza. Infelizmente. o ministro procura a entender como devem-se avaliadas as questões regidas nesse estado natural. No fim ele afirma que é possível violar a letra da lei sem violar a própria lei. dependendo da forma como ela é interpretada . no momento que ficaram presos com a obstrução da caverna. juiz Foster.(Ministro) Ao se pronunciar o juiz Tatting se declarou incapacitado de proferir seu voto. Para ele nenhum código deve ser usado para esse fim. Foster nos traz exemplos em que por um erros na letra da lei ou uma má interpretação. • Tatting. ao tomar essa decisão. considerando de natureza fantasiosa as doutrinas que deram base a esse argumento. por ficarem ambíguas ou q anulem a sua validade. como irrelevantes. . Mostrou também como a letra da lei pode conter erros gramaticais que modifiquem ou invalidem o seu cumprimento. Tenho esperança de que seria capaz de colocar estas emoções contraditórias de lado. o qual a lei vigente seria derivada dos princípios apropriados aquela situação. que os indivíduos estavam em no “estado de natureza”. com o agravamento da fome ou no ato do contrato. “ No lado emocional. Por um lado comovido pela trágica situação em que os acusados se encontravam e por outro lado repugnando o ato cometido por eles. E ele nega que qualquer argumento que afirme que tirar uma vida é legitima defesa deve ser desconsiderado no caso proposto . Apresentou uma postura positivista.

e rejeita atitude do presidente Truepenny ao se portar como o chefe do executivo. Tatting afirma que “Nenhum estatuto. em que há uma lacuna. independentemente da linguagem. Questionou o argumento de Foster sobre a letra da lei. • Keen. No fim de sua argumentação Keen.”(p.Ele acreditas que os réus tiram a vida de Roger Whentmor de forma premeditada se encaixando perfeitamente no que diz a lei.essa é sua opinião como cidadão. uma decisão dentro do código traz benefícios a longo prazo.55). e que Foster usou uma única vertente sobre a lei e que outros aspectos também devem ser considerados.e diz que toda dificuldade apresentada pelos juizes para resolver o caso está associado ao fato deles não saberem distinguir os aspectos legais e morais. E afirma se tivesse o poder de conceder a clemencia aos acusados os daria. declara os réus culpados pelo assassinado de Roger Whentmore. J. não se deve procurar os propositos da lei “Uma decisão difícil nunca é uma decisão popular”(p. deveriam julgar o caso por . demonstrando uma postura exegeta. Ele irá julgar o caso na prerrogativa da lei. havendo assim muita interferência do judiciário sobre o legislativo que gerou uma grande insegurança jurídica.(Ministro) Keen começa seu discurso afirmando que a clemencia só poderia ser concedida pelo executivo se os réus fossem condenados e cabe somente a o chefe do executivo tomar essa decisão. J.Para o segundo argumento de Foster. tendo suas atitudes baseadas na razão humana e no cumprimento do código. deverá ser aplicado de maneira que esteja em contradição à sua proposta. Afirma que existiu um tempo em que o judiciário legislava livremente e nesse período não havia uma tripartição rígida entre os poderes. e sim se a pessoa em seu ato estava certa ou errada em detrimento da lei. pelo fato deles já terem sofrido o suficiente com todo o ocorrido. Em vez de se basear em teorias abstratas. alem de prevenção ao ato. • Handy.(Ministro) Handy começa seu posicionamento questionando qual seria o prismas adotado para a análise do casos. A lei deve ser cumprida como ele é. Em seu ver não esta contido em sua função julgar valores morais.39). a qual deve ser preenchida pelo judiciário.

Mas como desespero por comida era tamanho. Volksgeis.”(p. Passaram vários dias na espera de resgate. Sem contar que foi o próprio Whentmor que propôs a forma como seria escolhida a pessoas pra este fim. “ Essa é uma questão de bom senso a ser exercitada no contexto. torna-se.uma questão de bom senso exercitada no contexto das razões humanas. com isso o estado virou as costas pra esses homens. os deixando sem segurança jurídica. Com a conjuntura desses fatos os aprisionados tiveram que pensar em formas de conseguir sobreviver. as outras pessoas julgaram absurda. 70) Veredicto Mesmo tendo analisado amplamente esse caso ainda me espanto com sua complexidade. “O mundo não parece ter mudado muito com exceção de que dessa vez não é uma questão de um julgamento de cinco ou seis mil frelars. Ele toma sua decisão baseada no clamor popular. mas ninguém se propôs a responder. Cinco homens saíram em uma inocente expedição e acabaram presos em um cavernas com poucos mantimentos. enquanto isso a situação física e provavelmente mental dos exploradores vinham se deteriorando. um dos casos mais simples para decidir dos que foram apresentados para este Tribunal”(p. aceitaram fazer esse contrato. As pessoas são bem governada quando seus governistas entendem seu verdadeiro espírito. Sua decisão final é de absorvição dos réus do crime de assassinato de Roger Whentmor. não em alguma teoria abstrata. Peguntaram a quem estava do lado de fora como seria a repercussão de seus atos. elas não são governadas pelas leis escritas ms por outras pessoas que fazem essas leis saírem do papel. e são mau governadas quando não há o entendimento. penso eu. descobriram que amargariam naquele lugar por um período ainda maior e tinham certeza que não sobreviveriam sem comida pelo tempo em que os técnicos julgaram necessário para que o resgate em si fosse efetuado.57) Ele afirma que o proposito do governo é entender as pessoas e trata-las com humanidade. e essa caverna não lhes fornecia nenhuma outra forma de alimento. Ao ouvirem a proposta trazida por Roger Whentmor. Na sorte decidiriam quem iria ser a pessoa a se sacrificar em prol dos outros. consumir carne humana. O judiciario é o poder que esta mais perto da população. Ao verem a comida acabar suponho que a convivência na prisão subterrânea se tornava cada dia pior. Quando conseguiram se comunicar com a sociedade. o espirito do povo que caracteriza uma postura historicista. . mas sob esta luz. Creio que a partir do momento em que os exploradores ficaram presos e sem alimento eles não poderiam estar em sua razão perfeita. não importando as regras abstratas existentes os advogados sempre estão aptos a fazer distinções. mas sobre a vida ou morte de cinco ou seis pessoas que já tinha sofrido mais tormentos e humilhações que a maioria seria capaz de suportar por milhares de anos.

mesmo ele tendo desistido do contrato a idéia já tinha dado esperança de sobrevivência a todos e ninguém iria voltar atrás. Mas não tendo essa alternativa os absorvo da sentença de morte. Muitas pessoas estavam envolvidas no resgate. Em momento algum Whentmore questionou a validade do resultado dos dados. tendo o “estado” virado as costas para eles. em um estado de necessidade. a medida foi tomada para a sobrevivência dos outros. todos esses esforços seriam em vão.da disciplina de Introdução ao Estudo do Direito. ou de quinze. Se houvesse uma outra forma de fazer com que eles pagassem pelo crime eu os condenaria. Infelizmente Roger foi o “escolhido” para o sacrifício. Foi uma vida no lugar de cinco. . e todo o trabalho para tira-lo de lá foi em vão. Com isso acredito que o inocentá-los os tira de um fim trágico. no estado de natureza. pois quando chegassem na caverna não haveriam sobreviventes. se levar em conta os trabalhadores que morreram na tentativa de resgate. ----------------------[1] Discente do 1º semestre turma A . mas também não tiro de suas mão uma morte. pois mesmo livres irão morrer.O ato que eles cometeram foi sem duvida inimaginável. Acredito sim que eles devam pagar pela morte do companheiro mas não com a vida. mas em decorrência da situação em que eles se encontravam. Eu não os condenaria a forca pela morte de Roger Whentmor. Se os espeleologistas não tivessem tomado aquela decisão estrema. com isso creio que foi quase uma concordância. do curso de Bacharelado em Direito do Centro Universitário Jorge Amado(Unijorge) Salvador . muito dinheiro foi gasto na tentativa de tirar aqueles homens dali e o pior muitas vidas foram perdidas.

jogando em seu lugar. membros de uma Sociedade Espeleológica. onde esta. ou seja. Fuller conta a história de quatro exploradores de cavernas. Quando chegou a vez de Roger. Foster. . Observando a demora da volta dos 4 exploradores. perguntando após o lançamento se este tinha alguma objeção sobre o resultado. que tinham de ser transportados á remota e isolada região. observouse que Roger havia sido morto e servido de alimento a seus companheiros. foram denunciados por homicídio. isto ocorreu através de um par de dados que a própria vítima carregava consigo mas. os membros do júri pediram ao chefe do Poder Executivo para que a sentença fosse comutada em prisão de seis meses. os engenheiros responsáveis pelo salvamento informaram que seria necessário mais dez dias para salvá-los (os médicos informaram que a possibilidade de conseguirem sobreviver por mais dez dias era reduzida) e. os réus foram condenados a forca pelo assassinato de Roger que. J. só conseguiram uma resposta em sentido afirmativo proporcionada pelo presidente da comissão. e com este. ele foi então morto. após vinte dias soube-se que havia com eles um rádio transistorizado. os quatro acusados declararam que Roger foi o primeiro a propor que buscassem alimento na carne de um dentre eles para que. se exclui inteiramente do julgamento. tendo-lhe sido adversa a sorte. Quando estes já estavam distante da entrada ocorre um desmoronamento bloqueando e impedindo a saída. Este defende os quatro acusados e. Em sua defesa. Na opinião dele deve confirmar a sentença condenatória. o secretário da Sociedade comunicou a família e enviou uma equipe de socorro prontamente no local. pouco antes do arremesso dos dados a vítima declarou que desistia do acordo mas. o contato pelo rádio foi quebrado por causa do descarregamento das pilhas. acha. Foi necessário suplementar as forças de resgate originais mediante repetidos acréscimo de homens e máquinas. Os quatro sobreviventes após o resgate. ou seja. Muitos temiam ainda que os homens aprisionados não resistissem muitos dias. J. No trigésimo dia após a entrada na caverna os exploradores foram resgatados. este não quis jogar e um dos acusados o representou. entram em uma caverna de rocha calcária em Commonwealth. os exploradores representados por Roger Whetmore que indagou se seria possível sobreviver mais dez dias se um deles morresse para alimentar os outros? porém nenhuma das autoridades presente no local quis responder a tal pergunta. Tatting. e depois disto. no julgamento. que ocorreu através de um veredicto especial de primeira instância. foi possível proporcionar um contato. Keen. de natureza amadorística que Em princípios de maio de 4299. revelou que a tarefa era difícil. poderiam morrer por inanição. a vítima respondeu que não. matar os quatro acusados mas. os outros o acusaram de violação e assim procederam o lançamento. J. O resgate ainda enfrentou diversas dificuldades ocorrendo inclusive um acidente que resultou na morte de dez operários que participavam da equipe. que o mais correto é cumprir o que havia sido decidido. faz sua tese em cima do direito natural.esenha do livro : “O caso dos exploradores de cavernas” O livro “ O caso dos exploradores de caverna” do escritor Lon L. os outros quatro conseguissem sobreviver. por não terem levado alimentos.

Acha que os réus são inocentes da prática do crime que constitui objeto de acusação e que a sentença deve ser reformada. Se há alguma espécie de predição no caso não vai além da sugestão de que as questões nele versadas encontram-se entre os problemas permanentes da raça humana. Posturas estas que são hoje ainda as mesmas que se agitavam nos dias de Platão e Aristóteles. antes pelo contrário. dado as condições peculiares que a envolvem. dia 2 de abril do ano 4300. E determinou-se que a execução da sentença tivesse lugar às 6 horas da manhã da sexta-feira. Reconhece-se que uma situação como esta. Ocorrendo. E talvez elas continuem a apresetar-se mesmo que a nossa era tenha pronunciado a propósito a sua ultima palavra. empate na decisão.Handy. J. favorece argumentações que defendem teses opostas. destarte. . ocasião em que o verdugo público procederia com toda a diligência até que os acusados morressem na forca. foi a sentença condenatória do Tribunal de primeira instância confirmada. O livro não se tem a audácia de pretender construir aqui uma argumentação que figure como única e absoluta solução admissível para o tema. O escritor nos informa ainda que este caso foi imaginado com o único propósito de focalizar certas posturas filosóficas divergentes a respeito do direito e do governo.

O juiz de primeira instancia decidiu que os réus eram culpados do assassinato de Whetmore. O Juiz. Logo foi acusado de violação do acordo proposto por ele mesmo e procederam. perguntou se seria possível a sobrevivência nos próximos dez dias se se alimentassem de carne humana. foram a julgamento pelo homicídio de Roger Whetmore. E a resposta foi que sim. Na vez de Whetmore. um dos exploradores atirou os dados no seu lugar. falando em seu nome e em representação dos demais. Perguntando assim qual seria a probabilidade de resistirem sem alimento por mais dez dias. Pois os exploradores haviam levado consigo apenas escassos alimentos. (n. Inicialmente os outros exploradores hesitaram o ato. sem respostas. morreram dez operários que participavam do resgate. Logo. em um destes. permitido por ele. faz sua tese em cima do Direito Natural. Em segunda instancia. foi descoberta a existência de um rádio transmissor no qual passaram a se comunicar com os homens no interior da caverna. Whetmore. se esgotou e as transmissões foram interrompidas.O CASO DOS EXPLORADORES DE CAVERNA Autor: Lon Fuller Publicação: Estados Unidos em 1949 / Brasil em 1976. e o socorro enviado ao local do desmoronamento.S. Temia-se que os exploradores morressem de inanição antes que o resgate chegasse até eles. e na caverna não haveria subsistência animal ou vegetal. Em princípios de maio do ano imaginário 4. onde foi completamente bloqueada sua única abertura. seguindo um caminho que era não só correto e sábio. Assim foram condenados a forca. para que a sentença fosse temporariamente revertida em prisão de seis meses. a bateria do rádio transmissor. mas nenhumas das autoridades ali presentes quiseram os aconselhar sobre o assunto.organização amadorística de exploração de cavernas -. entraram numa caverna de rocha calcária e quando se encontravam já bem distantes da entrada.299. Durante as tentativas de salvamente.A. No vigésimo dia. Entretanto Whetmore declarou que desistiria e sugeriu que esperassem mais uma semana. mais após um dialogo logo concordaram. Não voltando para suas devidas casas. Então os exploradores procuraram a presença de um médico no acampamento. Whetmore foi quem propôs que eles se buscassem a sobrevivência alimentando-se de um dentre eles e que tirassem na sorte qual seria o escolhido. ocorreram vários outros deslizamentos de terra no qual.” N. Sendo assim então o escolhido. Os membros do júri pediram ao chefe do Poder Executivo. E a resposta foi que seria escassa a possibilidade de sobreviverem. Assim. mais também o único que lhes restava em faces legais e citou a lei: “Quem quer que intencionalmente prive o outrem da vida será punido com a morte.Este propõe a absolvição dos réus e. Num desses contatos os exploradores perguntaram quanto tempo ainda levaria para o resgate. cinco membros da Sociedade Espeleológica . Foster . o secretário da Sociedade foi avisado pelos familiares. Whetmore. A sorte foi lançada em dados que Whetmore carregava nos bolsos. Depois de oito horas sem o contato os exploradores pediram para falar novamente com os médicos. tirando na sorte quem seria o sacrificado. houve um desmoronamento de terra.C. Após o resgate os exploradores foram submetidos a tratamentos de saúde. indagou se seria aconselhável que cometessem tal ato. o caso foi analisado por quatro juízes: Foster. Tatting. E a resposta foi que precisariam de no mínimo dez dias. .) § 12-A. Keen e Handy.s. Foi morto e sua carne serviu de alimento para os outros exploradores que só foram resgatados no trigésimo segundo dia após a entrada na caverna.

Este defendendo o positivismo sustenta que as leis devem ser aplicadas a qualquer custo. os réus são inocentes do crime de homicídio contra Roger Whetmore e que a sentença de condenação deve ser reformada. Keen . A conseqüência disto é que a lei que lhes é aplicável não é a do estado.A. Keen acusa Foster de estar usando furos na legislação para tentar defender os réus. a Foster não agradam as leis. pois crê que eles já sofreram o suficiente para pagar por qualquer delito que . Keen afirma que como cidadão na sua condição privada concederia aos réus perdão total. O homem que atua para repelir uma ameaça agressiva a sua própria vida não age “intencionalmente”. e nem ele pode descobrir por si próprio nenhuma fórmula capaz de resolver as questões relacionadas ao fato que por todos os lados o perturbava. não é outro o sentimento de seu colega com respeito às leis. de um homem que comeu um par de sapatos. pela primeira instancia mais se recusou a participar da decisão se excluindo inteiramente do julgamento. Contudo apresenta a questão “Se é justo que estas dez vidas tenham sido sacrificadas para salvar as dos cinco exploradores.s. diz: a lei referente ao homicídio requer um ato “intencional”. memorizada por gerações de estudantes. e mesmo demonstrando-se emocionalmente envolvido. Afirmando assim. mais ele (Foster) as aprecia.) § 12-A. quanto mais buracos (lacunas) elas tenham. Em resumo.S. Assim Foster concluiu que. mas aquela apropriada a sua condição. Afirma que seu colega Foster não o propiciou. Contudo Tatting opta por ficar de fora do caso por estar cada vez mais. sob qualquer aspecto que este caso possa ser considerado. que engenheiros e os demais funcionários públicos envolvidos na operação de salvamento não sabiam que os esforços seriam perigosos e envolveriam um sério risco para as vidas dos trabalhadores. porque dizer que tenha sido injusto que estes exploradores executassem um acordo para salvar quatro vidas em detrimento de uma?” A fundamentação de seu voto se dá pela razão geográfica e o fundamenta no artigo 7º do código civil austríaco. O juiz não fica indeciso em dizer que segundo este princípio os réus não são culpados de qualquer crime. ele replicou que preferira os buracos. mas em um "estado natural". Quando lhe perguntaram se os havia apreciado. Tatting . como se diria na singular linguagem dos autores do século XIX. eles se encontravam não em um "estado de sociedade civil". tal como foi sancionada e estabelecida. mas em resposta a um impulso profundamente enraizado na natureza humana. Usando o significado do N. e confessa nunca ter ouvido a explicação dada pelo colega. narrada por um antigo autor. cita que o mais correto é cumprir o que havia sido decidido. (n.Este cita exemplos. Onde Foster diz que no momento em que Roger Whetmore foi morto pelos réus. Este Juiz ainda faz uma comparação entre a inclinação de seu colega Foster para encontrar lacunas nas leis e uma história. que considera relevantes para demonstrar as inúmeras dificuldades ocultas contidas no raciocínio de Foster. Foster usa na sua argumentação também o fato de dez operários morrerem no trabalho de remoção das rochas à entrada da caverna. Tatting se revelou completamente incapaz de afastar suas dúvidas sobre o caso.Afirma que o Direito Positivo é inaplicável ao caso e que este se encontra regido pelo que os antigos escritores da Europa e da América chamavam "a lei da natureza" (direito natural). Segundo Keen . Reforça sua opinião dizendo que a doutrina ensinada nas escolas de Direito. envolvido emocionalmente. afirma que os réus privaram intencionalmente da vida a Roger Whetmore.C. Citando o texto exato da lei: "Quem quer que intencionalmente prive a outrem da vida será punido com a morte".

No cumprimento dos seus deveres como juiz não lhe incumbe dirigir instruções ao chefe do Poder Executivo.” A suprema corte. a convicção e sentença do Tribunal de apelações foi mantida. em razão de seu oficio. 02 de abril de 4. E foi ordenada a execução da sentença as 06h00min da manhã de sexta. Mas no papel do ‘Juiz Keen’. Handy relata ainda uma pesquisa que foi feita para saber a opinião pública e 90% das pessoas absolvem os réus. Tatting . Contudo. Afirma que os juízes são os que mais se afastam da realidade . adquiriu um íntimo conhecimento dos fatos deste caso. Hendy – Este inocenta os réus e acha que devia ser analisada a natureza do contrato. a fim de chegar à sua própria decisão que deverá ser inteiramente guiada pela lei desta Commonwealth . a conclusão final de Keen é que os exploradores cometeram homicídio e portanto devem ser condenados.possam ter cometido. . E diz: “Quero expressar que depois de ouvi-los sinto-me bastante fortalecido em minha convicção de que não devo participar do julgamento. Conclue então que os réus são inocentes da prática do crime que constitui objeto da acusação e que a sentença deve ser reformada. nem tomar em consideração o que ele possa ou não fazer. contando com o voto do presidente do Tribunal de Primeira Instancia.O presidente do Tribunal o questiona posteriormente se queria rever a sua opinião mas reafirmou que não queria participar da decisão deste caso.300 ocasião em que o verdugo público procederia com toda a diligência até que os acusados morressem na forca. estando igualmente dividida. Propõe uma analise dos fatos à luz da realidade humana e não de teorias abstratas.

.............................................................05 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA..........O CASO DOS EXPLORADORES DE CAVERNAS INTRODUÇÃO..............................03 DESENVOLVIMENTO..........06 ..................................................................04 CONSIDERAÇÕES FINAIS..........................................................................................................................................................................

Roger Whetmore foi morto por quatro colegas. Fuller e foi traduzida para o português por Plauto Faraco de Azevedo. Trata-se de quatro exploradores de cavernas. Tiraram a sorte e assim foi feito. o grupo concorda em matar um colega e comê-lo para que não morressem diante dessa adversidade. O livro conta o deslinde de um caso que ocorreu na Suprema Corte de Newgarth.A obra é constituída pela narrativa de . Após dias sem água e alimento. Os sobreviventes conseguem sair da reclusão graças aos esforços da equipe de resgate. mas logo foram indiciados por assassinato. Apesar da apreensão. que adentram numa caverna localizada em Commonwealth e lá ficaram presos. o desespero chega a seu ápice quando Roger Whetmore sugere que um deles seja sacrificado em prol dos demais.1. INTRODUÇÃO A obra original foi escrita em inglês por Leon L. resultando em recurso de apelação. membros da Sociedade Espeleológica (Organização Amadora). Foram condenados em primeiro grau. É este fato que inicia o drama da história.

deram dois votos a favor da absolvição(Foster e Handy). acordo sugerido por Roger Whetmore. e encontravam-se não em um “estado de sociedade civil”. tendo em vista o trauma que já sofreram na caverna. dá-se o empate e a sentença condenatória foi confirmada. tendo em vista. pelo assassinato de Roger. – •O juiz Foster tem uma visão mais voltada ao “senso comum”. que expuseram seus argumentos. "Idade das Trevas" e também das penas cruéis. teria sua vida tirada para servir de alimento para os demais. contando com o voto do presidente do Tribunal de Primeira Instância(Truepenny). o contexto da Constituição de 1988 que trouxe o princípio da dignidade da pessoa humana. 2-Personagens •Roger Whetmore •Os quatro exploradores •Presidente do Tribunal Truepenny •Juiz Foster •Juiz Tatting •Juiz Keen •Juiz Handy 3-Argumentos do Caso Foster. um os condenou(Keen) e outro se recusou a participar da decisão do caso(Tatting). descobriu-se que Roger Whetmore fora morto e servira de alimento aos outros exploradores. •O juiz Foster começa o segundo fundamento. que em relação a esse contrato não cometeram crime algum. julgando os acusados de forma que. acontece outro desabamento e dez operários.Assim ele encerra o primeiro fundamento de seu voto. tenham sido em vão. Fuller1-Resumo Cinco integrantes de uma organização amadorística de exploradores de cavernas. contratados para resgatá-los. O escopo dessa leitura é fazer com que os operadores jurídicos e as demais pessoas que tenham acesso à obra façam uma crítica ao modo como foi realizado o processo e a aplicação da respectiva pena. são inocentes. Foram julgados então por mais quatro juízes. para que não morressem de inanição.Os sobreviventes são processados e condenados a morte pela forca. a idéia de que não era justo que dez vidas de trabalhadores. J. Impõe a idéia de que os acusados estavam fora de uma abrangência territorial por estarem presos na caverna. ele critica a aplicação da lei da legítima defesa e deixa a entender que o caso entraria em um caso . entre os cinco. mas em um“ estado natural” e que a lei que deve ser-lhes aplicada não era a civil. primeiramente aceito pela própria vítima. ficam presos ao fazerem uma escavação em que ocorre um desmoronamento.um caso jurídico verídico que ocorreu na Idade Média. Os acusados foram mortos na forca. DESENVOLVIMENTO O Caso dos Exploradores de Caverna Lon L.Quando ficaram sem mantimentos fizeram um acordo entre si: quem perdesse na sorte. mas a lei natural. morrem soterrados. que morreram ao tentarem resgatar os cinco indivíduos presos na caverna. •Expõe a idéia de que os acusados fizeram um contrato que servia de lei dentro da caverna e.Ao serem resgatados. a despatrimonização do Novo Código Civil e a regra do in dúbio pro réu que serve de diretriz para o Direito Penal. argumentando de forma que cita casos passados em que houve modificação da letra da lei sem aviolação da mesma. Os acusados recorrem da decisão. 2. No momento que tentaram ser resgatados.

sugere uma série de mudanças das leis. e questiona se foi quando a pedra os aprisionou ou quando a ameaça de inanição atingiu um grau elevado. sem que a destrua completamente. – •O juiz Handy questiona que ninguém tenha levantado a questão danatureza jurídica do contrato celebrado na caverna: se era unilateral ou bilateral. esse não poderia considerar que Whetmore revogou a sua anuência antes que tivesse atuado com fundamento nela. •Ele expõe um pensamento mais racional. como que um condenado não pode abater seu verdugo enquanto ele vai por a corda em seu pescoço. som uma espécie de pena simbólica. O pensamento de que a exceção ao cumprimento das leis. ao mesmo tempo que tem o pensamento de dar perdão aos acusados. que. •O caso dos exploradores teve grande repercussão na imprensa. será provável que um homem morra a mingua para evitar uma sentença de prisão pelo furto de um pão? Esse exemplo expõe que nenhum efeito preventivo poderia ser atribuído a este caso se os acusados forem julgados culpados. perdão por já terem sofrido o suficiente para pagar qualquer delito. em seguida. como no caso em que se encontravam inseridos em um “estado de natureza”. Handy. Esta observação a penas reduz a distinção a uma questão de grau. Um caminho no qual se pode evitar cometer uma injustiça e ao mesmo tempo preservaria o . faz mais mala longo prazo. mas no final se mostra confuso e emocional na decisão optando por não participar da decisão do caso. ele escondesse em sua roupa um revólver e matasse os acusados.ação. Handy expressa uma vontade de seguir um curso de “senso comum” embora saiba que seus colegas não sejam adoradores da idéia •Handy apóia a idéia de que os acusados fossem condenados à forca e que.Ele rejeita a posição do presidente do Tribunal que ela dá instruções ao chefe do poder executivo do que fazer sobre o caso e sugere alguns inconvenientes que adviriam se tais instruções não fossem atendidas. tanto no país. ele questiona o momento em que isso ocorre. J. como ela pode justificar que se assassine e se devore um homem? Essa situação se nós olharmos o litígio em termos de prevenção.Houve uma pesquisa em 90% dos entrevistados expressaram a opinião deque os acusados deveriam ser perdoados ou deixados em liberdade. •Mas. Kenn. O tribunal recusou-se a aceitar esta defesa. pois eles estariam agindo legalmente. seus posicionamentos. do que as decisões rigorosas. é sua própria. Valjean em que o acusado foi processado pelo furto de um pão e ofereceu como defesa à circunstância de que beirava a morte por inanição. – •Tatting critica o juiz Foster. não poderia usar-se da excludente da legítima defesa porque ele estaria quebrando o contrato contraído na caverna. para tirar-lhe a vida. quanto no exterior. Se a fome não pode justificar o furto de um alimento natural e saudável. – •Ele deixa claro uma visão de “senso comum” mas popular que concede aos acusados. diz que as sentenças severas podem até mesmo ter um certo valor moral fazendo com que o povo sinta a responsabilidade em face da lei. em que os acusados só mataram Roger para sobreviverem. •Tatting da como exemplo o caso Cammonweath v. J. quedespertou um enorme interesse público.se esse é condenado pela lei a morte.Tatting. e sustenta o seu voto de condenação. ele prefere uma decisão mais voltada ao direito positivo. solução já proposta pelo presidente do Tribunal. J. levado a efeito pelo poder judiciário. como no caso da legítima defesa. que critica os pontos expostos por Foster. outro poder os absorvesse.em ultima analise. •Ele expõe que se quando os acusados se lançaram sobre Whetmore.de jurisprudência.

a entregada liberdade. foi uma ação corajosa e necessária desses homens. Lon. coisa que para qualquer ser humano seria devastador. visto que o ato que cometeram foi fundamentado em um acordo dentro da caverna para que se fossem salvas quatro pessoas. L. já que condenados os réus à forca? Terá sido um esforço desnecessário?Devemos pelo menos honrar o trabalho exercido que privou a vida a estes cidadãos. que morreram no desmoronamento da caverna. O caso dos exploradores de cavernas. pois morreu em prol de salvar a vida de seus companheiros. Meus Argumentos Penso que os réus devem ser considerados inocentes. •Ele termina o seu voto expressando a consternação sobre os acusados que já haviam sofrido mais tormentos e humilhações do que a maioria de nós suportaria em mil anos e os absorve concluindo que a sentença deverá ser reformada . 1976. concluo que os réus são inocentes do crime de homicídio contra Roger Whetmore e que a sentença de condenação deve ser reformada.Depois de analisadas as circunstâncias. visto que já sofreram dentro da caverna.CONSIDERAÇÕES FINAIS Minha Posição Depois de analisadas as circunstâncias. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA FULLER.respeito à lei. Tradução do original inglês e introdução por Plauto Faraco de Azevedo. Porto Alegre: Fabris. . quando ainda tentavam resgatar os exploradores. Acredito que a ação dos acusados foi algo sim monstruoso. teriam sido vidas perdidas em vão.Acredito que a liberdade a estes homens seria também uma forma de não deixar ter sido desperdiçada a vida de Roger que devemos considerar herói. tanto tormento e humilhação já foi demais para pagarem o ato que cometeram. se não fossem levadas em conta à situação em que ocorreu. pais de família. concluo que os réus são inocentes do crime de homicídio contra Roger Whetmore e que a sentença de condenação deve ser reformada. Os litigiosos devem ser absorvidos. mas a possibilidade de o “chefe” do Poder Executivo se recusar a perdoar estes homens ou comentar sua sentença.mas devido a esta situação de elevado grau de complexidade não haveria outra escolha. era uma questão de sobrevivência. 3.Devemos considerar as dez vidas de operários.