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4 ANJ.

geral

SÁBADO E DOMINGO, 21 E 22 DE ABRIL DE 2012

AN JARAGUÁ

Educação
Programa ajuda alunos de Jaraguá a resolver conflitos em casa e na escola
FERNANDA DELLAGIUSTINA
fernanda.dellagiustina@an.com.br

EM CÍRCULO Meninos e meninas de sete anos conversam sobre seus problemas. A meta é ser um adulto mais resolvido

A lição é ter jogo de cintura
FOTOS PIERO RAGAZZI

Em uma hora por semana, 1.511 alunos da 2ª série do ensino fundamental de escolas municipais de Jaraguá do Sul têm aprendido a lidar com o mais complexo dos monstros que enfrentam no dia a dia: o turbilhão de emoções da infância. “A intenção do Amigos do Zippy é que a criança saibam enfrentar as crises da adolescência e da vida adulta”, explica a coordenadora do programa em Santa Catarina, Rosane Voltolini. A chance de desenvolver os lados social e emotivo das crianças em sala de aula veio para Jaraguá em fevereiro, depois de um intercâmbio por 28 países e 40 cidades brasileiras. No Estado, quatro aderiram: além de Jaraguá, Brusque, Luís Alves e Massaranduba. O Zippy é representado por um inseto conhecido como bicho-pau, cuja aparência imita um graveto como forma de sobrevivência. Ele é o mascote das crianças. Os amigos do Zippy são as crianças que convivem com conflitos (divórcios dos pais, ciú-

mes entre irmãos etc.) relatadas nas histórias narradas nos seis meses de trabalho. A aula começa com relaxamento e a contação de uma história. Depois, por meio de jogos, desenhos e discussões sobre o assunto, os alunos aprendem a lidar com os sentimentos em relação a si e aos outros. Oito aulas do Amigos do Zippy já ocorreram. Mais 16 são previstas. Mesmo sem ainda ter chegado à metade do caminho, na escola Luiz Gonzaga Ayroso a direção calcula que cessou a maioria das brigas entre alunos que participam do programa. “O comportamento e o tratamento entre eles mudou. E deles com professores também”, comenta a coordenadora da escola, Eli Antunes. Para ela, o programa ensina os pequenos a expressar melhor as emoções. “Perguntei esses dias a um adolescente que estava chorando o por que da reação e ele não soube me dizer. Uma criança de sete anos do programa, como aprendeu a nomear o que sentia, saberá lidar melhor com as emoções no futuro”, acrescenta. Mesma percepção teve o coordenador da escola Gertrudes Milbratz, no Rio da Luz, Luiz Nogueira dos Santos. Ele diz ter notado que, desde que o projeto estreou, alunos passaram a respeitar mais a si e ao próximo. “Eles passam a perceber o outro como igual. Sentimentos, todos têm.”

O programa foi idealizado pela entidade Befrienders International nos anos 1990, para evitar suicídios na Escandinávia. Chegou ao Brasil em 2004. Até 2011, havia atingido mais de 124 mil brasileirinhos no 2o ano.

FORMAÇÃO Monitora da iniciativa em SC, Eline Câncio ministra curso para educadores de Jaraguá

Professores também aprendem
Em Jaraguá, 74 professores fazem um curso mensal com a Associação pela Saúde Emocional de Crianças (Asec), responsável pelo programa no País. Ontem, professores e coordenadores encerraram as primeiras 24 horas de curso. Serão trabalhados seis módulos, que abordam sentimentos, maneiras de comunicação e de relacionamento, técnicas de resolução de conflitos e de como lidar com pessoas. Professores também afirmam ganhar com o curso. “É tudo muito novo. Nós, adultos, não tivemos esta educação emocional na infância. A intenção é fazer com que os professores também saiam transformados, para começar a modificar dentro da sala de aula e ao entorno”, explica a presidente da Asec, Tania Paris. Segundo a coordenadora da escola Luiz Gonzaga Ayroso, no Jaraguá 84, Eli Antunes, os formadores passam a ter mais facilidade em se colocar no lugar dos alunos. “O professor consegue ter uma visão mais consciente sobre o estudante e respeita as singularidades dele.”