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Jogos teatrais Escola deve oportunizar aos alunos a aquisição da linguagem dramática

• VERA LUCIA POTTHOFF DA SILVA Licenciada em Letras. Professora de Teatro. Coordenadora da Área de Artes no Centro de Ensino Médio Pastor Dohms. Porto Alegre/RS. E-mail: veralucia@dohms.org.br

O teatro na educação tem como proposta básica promover atividades de expressão lúdica e momentos em que os alunos possam dar asas a sua imaginação desde a Educação Infantil. Enquanto brincam, as crianças criam e inventam histórias para, mais tarde, no Ensino Fundamental e Médio, descobrirem formas de ence­ nálas, divertindo-se, participando de jogos, perguntando e encontrando soluções. Hoje, o teatro, juntamente com as artes visuais, a música e a dança são os componentes lúdicos da cultura e do processo educativo em nossa sociedade. É importante a valorização do teatro na escola, por seus objetivos sociais e psicológicos, ao desenvolver a sensibilidade, a auto-estima, a expressão corporal, a fluência verbal e as atividades em grupo, além de ser um trabalho prazeroso para professores e alunos. É, também, importante a liberdade nas aulas de teatro, pois permite aos alunos poderem falar o que estão sentindo, soltar suas emoções e tensões, ao mesmo tempo em que têm contato com a linguagem teatral. É assim que percebem a importância do ser, do pensar, do expressar, do relaxar, do gostar e ter prazer. O professor deve mostrar ao aluno a diferença entre uma aula de teatro e as disciplinas ditas formais, onde os professores têm que cumprir um amplo planejamento e não têm a possibilidade de usar tanta liberdade quanto

nas atividades teatrais. Capacidades co­mo observação, imaginação, percepção, espontaneidade e relacio­ namento e suas diferentes formas de expressão devem ser estimuladas, a fim de que a criança esteja preparada para a iniciação nos jogos teatrais. O jogo teatral tem origem no jogo infantil, o que comprova seu valor no desenvolvimento intelectual e afetivo do educando. De acordo com Jean Piaget, o jogo está diretamente relacionado ao desenvolvimento da criança. Por ser a educação nela centrada, as atividades lúdicas atestam a importância da arte na educação e a educação por meio da arte, servindo para liberar a criatividade e propiciar um ambiente receptivo à criação. As sugestões de exercícios que apresentamos a seguir foram selecionadas a partir de nossa experiência com crianças e adolescentes, utilizando as idéias de Olga Reverbel, Maria Clara Machado e Viola Spolin. São exercícios para oportunizar ao aluno o desenvol23 (90):

vimento de suas capacidades de expressão, mas salientamos que a escolha do professor deverá ser feita a partir da faixa etária de seus alunos.

ûRelacionamento – exercícios

de apresentação pessoal onde os alunos, de várias formas, praticam as relações sociais 1. Em círculo, jogar uma bola a um colega e apresentar-se a todos, dizendo o seu nome, do que gosta, do que não gosta. Por exemplo: Meu nome é Paulo, gosto de sorvete, não gosto de fazer temas. O aluno que receber a bola repete o exercício, que prossegue até que todos tenham se apresentado. 2. Caminhar pelo salão, ao som de uma batida de tambor ou de palmas, desenvolvendo ritmo lento, rápido, normal. Quando a batida pára, os alunos param. 3. Fazer modelagem com os colegas, como se eles fossem a argila a ser modelada. Por exemplo: animais do zoológico, flores do jardim.
12-13, abr./jun. 2007

REVISTA DO PROFESSOR, Porto Alegre, 12

coelho.. 4. os móveis de um ambiente e depois nomeá-los e dar suas características. Dia da Criança e outras. justificamos a escolha destes jogos teatrais por entendermos que eles podem abranger um grande número de alunos e professores. ler. raios.... 2. Natal. 5. 23 (90): ûImaginação – exercícios natu- REVISTA DO PROFESSOR. Reproduzir quadros famosos: os alunos têm que perceber as minú­ cias das obras para posterior encenação./jun. 2. olhar os objetos numa mesa. 2. no zoológico. que pode ser a praça. ûEspontaneidade – exercícios que promovem o amadurecimento e a auto-confiança do aluno. Exercitar-se como sombra imaginária: os alunos devem ter cuidado para não pisar na sombra uns dos outros.4. adultos e velhos. 3. Contar o primeiro parágrafo de uma história ou conto de fadas e os alunos devem continuar a história por meio da dramatização. 4. pedreiros nas obras. Por exemplo: comunidades que sintam dificuldade de locomoção e alimentação por causa do frio ou do calor intensos. Observar pessoas em seus locais de trabalho. usando fios invisíveis nos braços. 2007 13 . Por exemplo: pessoas esperando condução na parada de ônibus.. comer. vento. Como variação. aos seres. que são os próprios alunos. 3. macacos nas árvores. ralmente usados pelas ­cri­an­­­­­­ças durante os jogos e as brincadeiras 1. Por exemplo: dormir. Por exemplo: tartarugas e peixes na água. 12-13. professores nas escolas. Por exemplo: pracinha e escola. 3. de Sandro Botticelli. visitas e convidados. Por exemplo: no trabalho. Criar cenas em cidades geladas pela neve ou quentes de tanto calor. com as personagens escolhidas: pai. crianças em playgrounds. Família de Retirantes. 3. de Cândido Portinari.. Porto Alegre. como aniversários. tristeza. Ela tinha esse nome porque sempre usava uma capinha com um chapeuzinho vermelho. Um espaço será para o início e outro para o fim do jogo. incentivando-os a utilizarem o teatro como uma das tantas e valiosas ferramentas de trabalho nas atividades em sala de aula. Observar atitudes de pessoas em diversos locais. Por exemplo: bater. Por exemplo: mexer só com os braços.. fechar os olhos e dizer como eles estão vestidos. ódio. fazer gestos enquanto o outro os copia.. acordar. 2. 5. Um dia sua mãe chamou e disse-lhe para ir até a casa da vovó levar uma cestinha com ovos. Modernidade. a igreja ou qualquer outro espaço que a criança quiser. praia e prisão. Por exemplo: – Estava caminhando na floresta quando vi. piscar os olhos. Trabalhar com marionetes gigantes. Por exemplo: Era uma vez uma menina muito bonita que se chamava Chapeuzinho Vermelho. cabeça e cotovelos. Criar e dramatizar diferentes situações pelo grupo de alunos. ûObservação – exercícios que exigem que se focalize a atenção às coisas. acenar e saltar. Perceber o peso e o tamanho dos objetos carregados. Frente a frente com um colega. dançar. Fazer exercícios com mímica. pintor de retratos.. estudar. nos espetáculos de rock. cortar diferentes tipos de alimentos. Observar ações e gestos do cotidiano. Observar animais em seus diferentes hábitats para posterior encenação. Criar cenas com gestos espe­ ciais. Por exemplo: A Primavera. Por exemplo: macaco. Realizar jogo em que o foco é o espaço cênico. Idade Média. Por exemplo: amor. Páscoa. passarinhos e moscas no ar. a escola. com gestos de carregar objetos imaginários.. queijo e suco. 4. Observar pessoas de diferentes faixas etárias. vestir diferentes roupas. Por exemplo: crianças.. Criar cenas com a manifestação da natureza em qualquer espaço. 5. sol. chuva. pernas. animais na mata se abrigando ao ver que um temporal se aproxima. Para concluir.. ûPercepção – exercícios que exigem a apreensão da realidade por meio dos sentidos 1. com pequenas cenas apresentadas ao grupo de colegas. Promover a seleção de emoções (em duplas de alunos). velhinho. Trabalhar as festas infantis. Roma. Escolher personagens que serão dramatizados ao restante da turma. fazer careta. em exposições de arte. 4. escolhidos pelo grupo. do ponto de vista de quem assiste 1. sem que ele tenha medo de estar agindo certo ou errado 1. Oganizar os alunos em grupos para citação de frases que deverão ser continuadas e dramatizadas. Por exemplo: sombra. abr.. 5. adolescentes. meio minuto depois. nos espetáculos de teatro. Por exemplo: telefonistas e secretárias no escritório. 5. Olhar com atenção a roupa dos colegas e.. mãe. Criar cenas de épocas diversas. aos eventos e que servem de ponto de partida para a criação teatral. como se fosse um grande espelho. Por exemplo: Grécia.