8.

A NATUREZA DO ~ C I O N I S M O
S ~ ~ L I C O Herbert Blumer
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O lnteracioniamo simb6lico 1 baseia-as, em 6ltima an4ibe, em três premissas. A primeira estabelece qbe os aera humanos agem em relação ao mundo fundamentandoae nos aignificadoa que este ! lhe8 oferece. Tais elementos abrangem tudo o que 6 possivei ao homem observar em seu univeno objetos fhicos, como Irvores .ou cadeiras; outras pessoas, como mães ou balconistas de loja; categorias de seres humanos, como amigos ou inimigos; instituições, como escolas ou o governo; ideais norteadora, como independ&ncia individual ou honutidade; atividades alheias, como ordens ou soiicitações de outrem -, aiem das situações com que a indivíduo se depara em seu dia-a-dia. A segunda premissa consiste no fato de ,i os significados de tais elementos serem provenientu da ou provocados pela interação social que se mantCm com as demais pessoas. A terceira premissa reza que tais significados são manipuladospor um processo inttrpretativo (e por este modificados) utilizado pela pessoa ao se relacionar com os elementos com que'cntra em contato. Dese jamos' analisar brevemente bada uma dessas tr&s premissas funda% mentais. Seria de ae esperar que poucos paquiaadorea fizessem qualquer 2. objeção A primeira premissa a saber, que os seres humanos relu-. cionam-se com o mundo de acordo com os significados que este ihes traz. Contudo, por mais estranho que possa parecer, esta simples constatação C ignorada. ou relegada a um segundo plano, em praticamente todo o pensamento e pesquisas das ciencias sociais e psicol6gicas contemporineas. O significado ou C aceito tacitamente como ponto pacifico, e, desta forma, negligenciado como algo sem importkncia, ou considerado como mero elo neutro entre os fatores responsAveis pelo comportamento humano, sendo este o produto de tais fatores. Podemos observar o fato nitidamente n A atitude crítica atual predominantemente adotada pelas eiencias sociais e psicoi6gi-

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Reproduzido por perrnlssdo de Symboilc Intcractionism: perspcctivc ap<l Mcthod. de Herbert Blumer (Enplewood Cllffs, NJ.: Prenllcc-Holl, Inc. 0 1969). pp. 2-21.

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Antes. Tal justaposição psíquica é julgada como uma expressüo de fatores integrantes da psique. ignorar o significado dos elementos com que os seres humanos se relacionani & falsificar O COmpOItamento que se analisa. a transferência de sentimentos . 2. Uma delas consiste em considera-lo intrínseco ao elemento que o contém e parte natural da estrutura objetiva deste. se se for instado a tal. o significadonecessita ser simplesmente desprendido por meio da observaçáo. na segunda. ç O interacionismo simbólico considera que o significado possui uma origem diferente das defendidas pelas duas correntes m d s em vogaanalisadas acima. do elemento. desta forma. como tal.natureza psicol6gica e abrangem a coanicão. os psic6logos voltam sua atenção para estímulos. p'ap6is sociais.. . referente A fonte de significado. percepção e cogniçáo e inúmeros aspectos da organização pessoal. Para um indiví: duo. o . uma nuvem.È atitude do indivíduo que o observa. passível de ser ignorado em favor dos fatores desencadeadores. da mente ou da organização psicoldgica.' e a associação de idéias.~~ .resultantes dos fatores específicos que presumivelmente os causam.juiga que o significado emana da estrutura intrínseca do elemento detentor de significado. procura-se explicar o sign':ficado mento isolando os fatores psicolbgicos específicos que produzem o Significado. uma cadeira 6. r. Segundo essa perspectiva.nitidamente uma cadeiraem si. prescrições culturais. ciaq. A principal diferença entre estas e o interacionismo simbblico é determinada pela segunda premissa. Não resta dúvida reflete a posição tradicional do "realismo" na largamente adotada e profundamente avaigada nas ciências sociais e psico!6gicas. reuni! os fatores psicol6gicor especific& produtores de sigiiificado. 6 a de que os significados proporcionados pelos elementos ao homem são intrinsecamente fundamentais. pressões sociais e associação em grupos para fornecer explicações.e através das atividades humanas determinantes em seu processo interativo. etc. A simples premissa de que o homem se relaciona com o mundo de acordo com o significado deste é por si simples demais para existem diversas outras caracterizar o interacionismo simb6iico atitudes críticas que tamb&m a utilizam. a repressão. ao contrario. normas e valores. Sendo inerente ao elemento que o ret&m. relativos A percepção do de um ele' elemento. O significado nada mair. De maneira semelhante. a . Desta form? 0 interacionismo simbólico conSidera os significados produtos sociais. Tais processos são de. considera que o significado & produzido a partir do plocesso de interação humana. uma rebelião.nerceocão. uma rebelião. cessos de formação de significado aos processos ..preocupam-se em defini-lo para o indivíduo. O signi: ficado emana. os sociólogos baseiamse na posição social. do intiivlduo.4 cas.. não se verifica nenhum processo em sua formação. Assim. criações elaboradas em . compreendendo sensações. significado de um elemento nasce da maneira como outras pessoas agem em relaçáo a si no tocante ao elemento. Contornar o significado em favor de fatores supostamente causadores do comportamento constitui uma grave desconsideração para comi o papel do significado na formação do comportamento. motivos e atitudes. . Na primeira dessas possibilidades. é que uma expressão dos fatores psicol6gicos específicos trazidos B baila.que s e analisa o significado de um objeto identificando as sensações envolvidas n a p e r à p ç ã o deste ou no h6bito contemporâneo de associar o significado de u m elemento prostituicjüo. a fim de explicar determinadas formas ou' situações d a conduta humana. Esta reclusão do significado em fatores psieolbgicos confina os pro. tudo o que se necessita contido no elemento. procurar localizar o elemento de significado encaixando:^ entre os fatores desencadeadores ou considerando-o um elo neutroiaterposto entre os fatores desencadead0res:e o comportamento que supostamente causam. uma nuvem. NSo. não 6 necessário se preocupar com o significado dos elementos em relação aos quais o homem age: apenas se identificam os fatores desencadeadores e o comportamenta decorrente. torna-se um mero elo de transmissão. os fatores desencadeadores ou causadores. Verifica-se essa postura crítica no costume psicológico cl8ssico e algo antig0em. motivos conscientes ou inconscientes. e. necessidades de status. Assim.de uma coaie~cênciade fatores p~icol6~icos no indivíduo.do elemento objetivo que o possui. memórias. o significado desaparece ao se mesclar cor. Se se declara que determinados tipos de comportamento são . A outra ati!ude tradicional considera o "significado" um acréscimo psíquico contedido ao elemento pela pessoa para quem este possui significado. pOr exemplo -. Tanto nos esclarecimentos típicos da psicologia como nos da sociologia os significados dos elementos para os seres humanos em ação encontram-se ou contornados ou absorvidos pelos fatores utilizados para justificarem seu comportamento. A posição do interacionismo simbólico. uma vaca. sentimentos. Este ponto de vista empresta no - I ! - .$ dois campos do conhecimento. nem pressupõe que o significado origina-se atrav&s. reduzindo seu ambito de. Também 6 possível. por assim dizer. analise ao comportamento e aos fatores que presumivelmente o influen. uma vaca.empenhados em suscitar e. A tend2ncia de considerar o comportamento humano como o produto de infimeros fatores que agem sobre o homem & comum a esse. ideais. diversos tipos de inpurs psicoi6gicos. Há duas maneiras tradicionais e conhecidas de explicar a origem do significado. ati'tu'des. Todas as suas açõcs.

a interpretação não deveria ser considerada como uma mera aplicação automática de significados existentes. o agente: determina a si mesmo os elementos com que se relaciona. estando fundamentada nessas três premissas. autoridade e prestígio refere-se Bs tela. mas sim como' um processo formativo em que os significados são utilizados e trabalhados para orientar e formar as ações. seja definida como costume. . 8 O interacionismo simb6lico fundamenta-se em uma série de ou "imagens-raiz". . As atividades pertencem' aos indivíduos agentes e sãa por estes realizadas sempre no tocante A s situações em qpe-devem agir. j i especificada anteriormente. O agente seleciona. sob qualquer um de seus aspectos.' . Esta operação equivale a algo bem diferente de uma'combinação de fatores psicoiógicos. Da mesma forma. zado. A terceira premissa.. Ao passo que o significado dos elementos é constituído no contexto de interaçáo social e é originado pelo indivíduo a partir dessa mesma inte. Não é objetivo do presente ensaio discutir os méritos das três perspectivas que encerram o significado no elemento. nenhum dos três assimila o fato de a utilização de signi.seus atos. a cultura. . mente. Esta imagem da sociedade humana deve representar o ponto de partida (assim como o ponto de chegada) de qualquer sistematização que se propõe considerar e analisar a sociedade humana empiricamente. A execução de tais designações constitui um processo social interiori. < O Q . respectivamente. nem elaborar a premissa de que os significados. Tomadas em conjunto. . atividade humana e conjugação das linhas de ação. Tais pesquisadores não se dão conta de que o uso de significados poralguém em plena ação envolve um processo interpretativo. reagrupa e transforma os significados sob o ponto de vista da situação em que se encontra e da direção de seiis atos. ficados pelo agente ocorrer atrav6s de um processo de interpretoçáo. a estrutura social. constituindo nossa estrutura de estudo e ariálise. a serem analisadas adiante. o homem como agente. representa um erro pensar que o uso do significado por uma pessoa nada mais é que uma aplicação do significado de tal sorte originado. Este possui duas fases distintas. interpretar torna-se uma questão de manobra de significados. embora sejam adeptos da corrente do interacionismo simbólico. necessita especificar para si próprio os elementos possuidores de significado. - - 3 . interaçáo social.são flexivelmente manobrados pelo agente no decurso da formação de. - . Como tal.< interacionismo simbólico uma posição bastante caracteristica com profundas implicações.' derivação dos atos humanos.. Todos os'três pecam ao julgar o uso de significado pelo homem em suas atividades nada mais que suscitação e aplicação de significados j6 existentes. As sistematizações conceituais que retraiam esta sociedade de alguma outra maneira serão apenas derivações da complexa e continua atividade que constitui a vida em grupo. Deve-sz levar sempre em consideração que os significados desempenham seu papel na açiio por intermédio de um processo de auto-interação. n o fato de os grupos ou dciedades humanas existirem e m açrío e deverem ser considerados relativamente B ação. a in- - terajiio simbólica v&-se obrigada a desenvolver uma sistematização anzlltica da sociedade e do comportamento humano bastante caracteristica. em virtude desse processo de autocomunica$ão. valor. de forma ainda mais incisiva. ração. C. Nesse aspecto. Na segunda. ! . sociologia contemporânea Como concepçiiõ. O agir compreende a infinidade de atividades que os indivíduos desempenham no decurso de toda a sua existência ao entrarem em contato uns com os outros e ao lidarem com as sucessivas situações que enfrentam. na psique e na açáo social. nossa meia consiste apenas em : demonstrar que. Isto se verifica nas duas concepçóes mais importantes da sociedade na a de cultura e a de estrutura social. : r 123 . NATUREZA DA SOCIEDADE HUMANA OU COEXISTBNCIA GRUPAL HUMANA 4 . fundamentalmente. alCm de poderem tomar atitudes em nome ou como representantes de alguma organização ou grupo de outras pessoas. Passemos então A descrição sucinta de cada uma dessas imagens-ralz. nitidamente a uina . ? 3 essa sistematização qpe nos propomos delinear a partir 4 deste momento. Os indivíduos podem agir isolada ou coletiva-. representada por fatorescomo posição social. . Por conseguinte. -. norma. Antes. Esse equívoco prejudicada sobremaneira o trabalho de muitos estudiosos. 0 s grupos humanos são constituídos por seres humanos em ação. susta. o interacionismo simbólico. referem-se A e descrevem a natureza dos seguintes problemas: grupos ou sociedades humanas. no qual o agente interage consigo mesmo. regras ou conceitos afins. tais imagens-raiz representam a maneira pela qual o interacionismo simb6lico considera a sociedade e o comportamento humano. modera. sfotur. como preferinios denominá-los. assemelham-se aos seguidores das duas coros que encerram o signifirentes dominantes analisadas acima cado na estrutura objetiva do elemento que o contém e os queconsideram-no expressão de elemeiitos psicológicos. . equivale. A importância dessa definiçáo simples e intrinsecamente redundante consiste. tradição. distingue. : . papel. trata-se de uma situação em que o indivíduo empenha-se em um processo comunicativo consigo próprio. Na primeira.

a interação social 6 normalmente aceita como ponto pacífico e encarada como se não possuísse qualquer importância em Si. . - 124 125 . A NATUREZA DA iNTERAÇA0 SOCIAL 10A vida em grupo pressupõe. ' . são obrigados a dirigir seu próprio comportamento ou manipular as situações em função de tais observações. Acrescente-se que o desprezo pela interação sociai não 6 rcparndo pcln espccificbção de iittcrnçócs dc clemcntou sociais (como a descoberta soclol6glcade u m a interaçao de pap6ls sociais ou da interação entre os componentes de um sistema social) ou de elementos psicológicos (como a observaçio das ciências psicológicas sobre a interação entre atitudes. a sistematização sociológica típica atribui o comportamento 'a fatores como posição. ou.sociai análise esta que enquadra o assunto com a atitude realista acima especificada. o que quer dizer. ções derivadas da maneira pela qual os homens agem'uns em relação aos outros. essa atitude 6 patente consideram a interaçáo social simplesmente um meio atravks do qual as determinantes do comportamento passam a produzir ' o comporta.ou então examiná-los. em um processo contínuo de ajuste das atividades de seus' membros. basicamente. devem considerar o quo cnda um faz ou está para fnzer. esforçar-se-ia no sentido de certificar-se do significado do golpe.tRncia per se. que neste ensaio serão. ao interagirem uns com os outros.. exprensbes o tona de voz uns dos outros. ser observada mais facilmente em reações sob a forma de reflexos. necessidades de papel e exigências do sistema social. Para se tornar empiricamente válida. embora seu modo de interaçáo típico esteja no nível simbólico. as atividades dc outrem constitdm fatores positivos na formação d e sua própria conduta. normas. Em sistematizações socioiógicas e psicológicas. A vida de qualquer sociedade humana consiste. ernpiricamente. A interação simb6iica ocorro quando se reage diretamente B ação de outra pessoa sem interpretá-la.. sociai. . compkxos ocultos.simb6lica.i. com a interação sociai tornando-se mero jorum que as determinantes socioldgicas atravessam rumo à produção de manifestações específicas de comportamento. . embora derivada. Desta maneira. de seu oponente. alem de poder' se opor ou impedir tais projetos. ao invds de equivaler simplesmente a u m meio ou contexto para a expressão ou liberação da conduta humana. De uma forma ou de outra. a Sistematização deve estar de acordo com a natureza da ação social do: homem. de acordo com os desígnios. valores. necessariamente. prescriçbes culturais. a interação simbólica refere-se B interpretação do ato: A interação não-simb6lica pode. dades ocorrem predominantemente umas em rcação B umas em relação às outras. respectivamente. Estes não devem ser esquecidos e considerados como mera arena para a expressão do que se está disposto ou propenso a realizar. em outras palavras. os homens. . Neste caso. como no caso de um boxeador que levanta automaticamentd o braço para se esquivar de u m goipe. os seres humaflos dedicam-se plcnamcntc h. Em outras palavras. h medida que reagem iniedlata o lrrellctidamcnte aos movimentos eorpornls.interação nHo. i . requerer siia revisão ou exigir outra sdrie diferente de proje{os. Seu valor reside no fato de constituir um processo que forma o comportamento. as explicações relativas a' tais fatores :bastam-se a si mesmas. Suas ativis outras. necessariamente. intensific4-10s ou substit'uf-10s.. As ações de outrem cabe determinar o que se planeja fazer. . estaria empenhado em uma interaçáo simbólica. uma sociedade 6 constituída deindivfduos que interagem uns com o s outros. Mead identifica duas formas ou níveis de interaçáo social na sociedade humana. 'Muito embora este fato seja reconhecido quase universalmente nas definições d e sociedade humana. \L Devemos a George Herbert Mead a mais penetrante análise da interação. isto e. tomadas 'por diferentes i - pessoas). e não entre fatores a eles atribuídos. Em seu processo associativo. mento. moderá-los ou sustá-los. de piss8as empenhadas em agir representa um princípio fundamental do intcracionismo simbólico. deve-se adaptar a própria linha de atividade aos atos do outro. este complexo de atividades ininterruptas que determina e representa uma estrutura ou organizaçiio. ou. análogo.propiciam. sanções. Assim. se o boxeador identificasse refletidamente o goipe prestes a ser desferido por seu oponente como uma finta visando a confundi-lo.. atitudes. elementos de organização psicológica e processos psicológicos s i o utilizados para descrever o comportamento sem a mfqima necessid a d e de se importar com a interaçáo social. dever levar em consideraç80 que a sociédade humana 4 constitiiida. uma interação entre seus membros. Refere-se aos mesmos como "a conversação dos gestos" e "o uso de símbolos signifiçantes". B medida que procuram compreender mutuamonto o significado de suas ações.impor. Dos fatores causativos passa-se para o comportamento que supostamente . . i 8 . ' . O fato de qualquer sistematização da sociedade humana confeccionada. fatores como motivo. sem levar em conta a interação social que seu desempenho necessariamente pressupõe. n a sistematização psicológica típica. pode-se abandonar intenções ou objetivos. Todnvin. De modo... \ \ A interação simbólica não apenas recebe de braços abertos o processo interativo social como tambkm o considera de vital . face hs ações de outras pessoas. denominados "interação nto-simbóiica" e "interação simbólica". A interação sociai equivale a um processo interativo entrè agentes.

A não-consideração desse ponto vital constitui a deficiência fundamental das sistematizaçóes que hocuram explicar a sociedade huinaiia em conformidade com a organização social ou com fatores psico16gicoç. um fantasma. iissipi como do qiie deseja que o reagente faça ou compreenda. etc. ou alguma mescla de ambos. '. isto 6. uma doutrina religiosa. tirar o dinheiro da vítima e (c) indicação do ato conjunto em formação. desta maneira. A natureza de todo e qualquer objeto compreende o significado que possui para a pessoa para quem constitui objeto. é a ação conjunta originada da articulação dos atos de ambos. (b) objetos sociais. pistas e declarações equivalem a gestos que transmitem aos que os reconhecem uma idbi'a da intenção e desígnio do ato a ser realizado pelo indivíduo que os expóe. no presente caso um assalto. impede-se a interação e bloqueia-se a feitura do ato conjunto. O gesto consiste em qualquer parte ou aspecto. De modo análogo. desta maneira empenhados na interaçáo social. Para nossa maior conveniência. o gesto possui significado tanto para quem o faz como para quem é endereçado. pode-se verificar que o significado do gesto percorre tr8s caminhos (a natureza tri6.0~ como indicnçõcs ou signos daquilo que ieiicio~infazer. Esse piocesso interativo da sociedade humana encontra-se característica e predominantemente no nível simbblico. declaração de guerra por algum pafs ou marca da posição e linha de ação desta nação. discutamos mais um aspecto de sua teoria. Com base nesses dados. exploração ou compaixão. coiidutn pcssoni. padres. à medida que os homens que agem individual. o presidente. para ordenar que a vítima erga suas mãos o ladrão necessita considerar essa reação sob a perspectiva da vítima. Uma sociedade ou gmpo consiste de pessoas relacionando-se entre si. Entende-se por objeto tupo que for passível de ser indicado. árvores ou bicicletas. evidenciado ou referido . as duzs partes entendem-se mutuamente. Assim. eniram em contato uns com os outros. através de um processo bilateral em que indicam a outrem como agir e em que interpretam as indicaçóes por estes realizadas.uma nuvem. uma legisiatura. tendo de compreeder a intenção e o ato a ser cometido por parte do ladrão. não equivalem a meras expressões ou produtos dos rlementos. qua non da comunicação e da interação simbólica eficaz. Por exempio. por exemplo. tais como justiça. O objeto pode possuir difereiites significados para diferentes pessoas: uma árvore. considerando-a um processo de apresentação de gestos e de reação ao significado dos mesmos. a ordem de um ladrão A sua vítima para erguer as mãos constitui (a) indicação do que a vítima tem de fazer. a saber.< A posição e a importância central da interação simbólica na vida e no comportamento grupai humano i patente. a comunicação não se efetiva. constituirá . Pnra indicar o que a outra pessoa fará. e que estes são o produto da interação simb6iica. pela qual se encontra prepaiado para agir em relação ao mesmo a pela qual apronta-se para comentá-lo. a coexistência grupal humana representa necessariamente um processo formativo e não mero campo para a expressão de fatores preexistrntes. Tal significado determina a maneira pela qual vê o objeto. como estudantes. Quando possui o mesmo significado para ambos. Procedem. um brandir de punhos representa indício de um possível ataque. de papbis constitui o sirle. Para encerrarmos nossas considerações sobre a análise da interação Slmb6lica segundo Mead. que as partes envolvidas na interação devem. Repetimos mais uma vez: o objeto é qualquer coisa passível de ser indicada ou referida. A pessoa que reage organiza sua resposta conforme o significado que OS gestos lhe transmitem: o expositor dos geslos apresenta. Elementos como solicitações. deve-se elaborar tal indício a partir do ponto de vista da mesma.1 3 A anáiise feita por Mead da interação simbólica é de extrema importância. atravis desse sistema os seres humanos vêm a adaptar suas atividades uns aos outros e a formar sua pr6prin. obrigatoriamente.dica do significado de Mead): significa o que a pessoa para quem é destinado deve fazer o que a pessoa que o apresenta tenciona reaiizar. Se porventura houver confusão ou mal-entendidos no decurso de qualquer uma. Desta forma. são obrigados a pesar mutuamente suas ações ao formarem as suas pró. prins.destas três linhas de significado. como princípios morais. ordens. Tal relação existe necessariamente sob a forma de indivíduos agindo uns para' 126 c$rn os outros. Tal apreensão. \6 A NATUREZA DOS OBJETOS O interacionismo simbólico defende a hipótese de que os "universos" acessíveis aos seres humanos e seus gruppscompõem-se de "objetos". ou ainda como agentes de alguma organização. a mãe ou um amigo e (C) objetos abstratos. A guisa de exemplo. pedidos. um livro.levados à interação ou das condições anteriores ao processo. (b) indicação do què o ladrão planeja executar. como cadeiras. a vítima deve considerar a ordem sob o ponto de vista do ladrão que a emite. um banqueiro. de uma ação contínua que traz consigo o ato global de que faz parte. podemos classificar os objetos em três categorias: (a) objetos físicos. A coexistência grupai humana representa um complexo processo de definição reciproca sobre como proceder e de interpertaçáo das mesmas. Tlinto a ntividnde conjunta como o comportamenio indivlduni compõem-se etn e o t r n v k de os8c pioce8so continuo. estar uma no papek da outra. Face à interação simb6' lisa. doutrinas fiios6ficas ou conceitos. ou coletivamente.

i I .. para um madcirdii~. para se designar o contexto. o termo "universo" 6 mais adequado do que "ainbiente". . como um indivíduo do sexo masculino. as adjacências e a textura dos elementos com que' se depara. habitarem diferentes universos. Para tanto. Em segundo lugar. . ou o jovem sacerdote que se enxerga atravhs dos olhos do clero. a não ser significado. . estar em ambientes bem distintos. O SER HUMANO COMO U M ORGANISMO AGENTE ( 4 O interacionismo simbólico admite que o. o ambiente constitui-se apenas de objetos que o homem identifica e conhece. provenientq de uma famliia obscura e assim por diante. i . necessariamente. de todas as categorias serem pass(veis de sofrer mudanças quanto ao significado.. Podemos tirar virias conclusões :dos pontos analisados acima. etc. uma estmtura que se ndapte B natureza da interasão social. . i: i I' ! : .. o que constitui importante aspecto do processo. os seres humanos. Formamos os . O homem necessita relacionar-se com o universo de seus objetos e desenvolver suas ações visando aos mesmos.para um leal correiigionirio de seu p polftico e para um membro da oposição. objetos estes que possuem o mesmo si para um dado conjunto de pessoas e por elas são considerados da mesma maneirn. o s elementos de um étnico poderão ser considerados como um tipo diferente de para os mernbros de outros grupos. Dessa for vés de indicações de outrem.. por exemplo. Os objetos surgem a partir de um pro indicações recíprocas. Em suma. por exemplo. . aprendemos que uma cadei -cadeira. ainda que ocupando ou habitando o mesmo espaço geogrifico.da maneira pela qu definido por outras pessoas com quem interage.em um processo no qual os objetos são criados. Primeiramente. o presidente dos Estados Unidos sentari objeto distinto . A vida e os atos do homem são necessariamente alterados conforme as mudanças ocorridas em'seu universo de objetos.(o "outro generalizado"). Esta procura estabelecer que'ohomem pode ser o objeto de sua pr6pria ação. . . . como Mead procurou enfatizai com tanta veemência. somente devido ao fato de o homem possuir Não se prMende nada de esotérico com tal afirmaçáo. r. que os medicos são um determinado tipo de pr liberal.. assimiladb e transmitido através de u m processo de indiciaçáo. podem coexistir lado a lado e. E bastante evidente o fato de os objetos 1' . o presidente que fracassa em dpocas conturbadas de seu pals podo se tornar um objeto totalmente diferente para os cidadãos que governa. contudo. jovem. transformados e dqsprezados. !:. oferecem-nos um novo: quadro d o ambiente ou meio em que os seres humanos convivem. o casamento constituía um objeto diferente do considerado pelos primitivos habitantes de Roma. Ao tratar da apreensão de papéis.:' . . . a ser analisado adiante. o indivfduo encontra-se preparado para se dirigir ou se aproximar de si mesmorcomo. Isto acontece.. . a fim de s e compreender os atos humanos. B medida que Ihes concede fixo. O ser humano é um organismo que não apenas reage a outrem no nivei não-simbólico como tambbm Ihes fornece indícios s interpreta suas indicações. basta colocar-se no lugar dos outros e considerar-se do ponto de vista dessa posição. . Os objetos n i o possuem qualquer ~lnrur' quando seus significados mantêm-se por meio de indicações e definições feitas pelo homem. Ao assumir tais papéis. Conseqüentemente.significado de qualquer elemento deve ser formado. ii i i j . o eu-objeto origina-se do processo de interaçáo social em que outras pessoas definem um indivfduo para ele mesmo.i i diferente objeto para um botânico.um "eu". . a fim de se tornar um objeto para si mesrno.. mantem e transforma os objetos de seu universo. 0. . a coexistência gmpal humana traduzae. . a menina que ao "brincar de mamãe" faia sozinha da maneira como sua mãe o faria. O significado dos objet cada um 6. . Este con-ceito do indivlduo como objeto náo 'foge A nossa analise anterior. Um astrofísico moderno vê uma estrela no céu de maneira bem distinta de como o fazia um pastor dos tempos bíblicosi para os últimos romanos. Estes ou os grupos de que fazem parte podem. . . que a Constituição dos Estados Unidos 6 um tipo es de documento. o qual. . :Deste ponio de vista. do ponto de vista do interacionismo simbólico. - i . A natureza desse meio é determinada pelo significado q e os objetos que o compõem proporcionam aos 'indivíduos. . A coexisi@ncia grupal humana ao nível da interação simb6iica representa um complexo sistema n o q u a l o indivíduo foima. desse :processo. gerado a partir . os objetos (quanto a seu significado) devem ser considerados como criaçõer sociais como elementos formados e originados do processo de definição e interpretação. I . p o r assim dizer. é preciso ideqtificar seu universo de objetos. . basicamente. . necessita visualizar-se A distância. : . Em todos esses aspectos ele 6 uni objeto para si mesmo. Assim.I. Sem drlvida. Os papéis assumidos variam desde os relativos a indivíduos discretos ("fase de desempenho"). a grupos organizados discretos ("fase de jogo"j até os referentes a comunidades abstr+tas. :. pode identificar-se. é também social. . confirmados. uma pessoa. Assim como oiitros objetos. Segundo ele. endividado.p a poeta ou para um jardineiro. A medida que este ocorre na interação humana. . tentando tornar-se médico.homem deve possuir . : . estudante. Mead estabeleceu a dinâmica. agindo para consigo pr6prio e orientando-se em sua?aeões para com outra? pessoas de acordo com o tipo d e objeto que constitui para si mesmo.

Antes. universalmente aceita. idéias. de reagir a outras pessoas (estlmuios sociais) ou de encontrar. portanto. res envolvidos em sua organização ou uma expressão dos efeitos recíprocos verificados entre a& partes desta. sempre que observamos e pesamos uma ou outra questão. %$A visão do homem defendida peio interacionismo simb6lico é intrinsecamente diversa. o indivlduo empenhado na auto-interação não constitui mero organismo respondente. em que necessitamos nos apressar em nossas tarefas. o indivíduo identifica-o como um tipo especifico de objeto e considera sua relevkncia ou importância para sua linha de ação. em que lembramos a n6s pr6prios a necessidade de se fazer isto ou aquilo. que essa circunstância o capacita 8 interagir consigo próprio. por exemplo. 8 A NATUREZA DA AÇKO HUMANA 23 A capacidade do homem de proceder a indicações a si mesmo empresta um car6ter distintivo A ação humana.. Como tais.m organismo agente. As escolas de pensamento iumbém divergem quanto' ao prisma sob o qual consideram a organização humana. O homem é considerado social em um sentido mais profundo . ' . impulsos - . a auto-interação existe. tais correntes teóricas não criam polêmicas quanto ao fato de o homem constituir um organismo respondenta. mas sim .como um organismo que se empenha na i n t e ração social consigo mesmo por meio da autoconfeççiio de indlcios e da resposta aos mesmos. o homens passa a ser visto como um organismo que necessita lidar com aquilo que observa. com o indivlduo dirigindo-se a si mesmo como a um indivíduo e a isto reagindo. associações grupais de referência e pressões institucionais. Essa interação não se apresenta sob a forma do processo interativo entre duas ou mais partes de um sistema psicológico. D e acordo com esta loerspectiva. . que necessita elaborar uma linha de ação de acordo com os elementos que verifica.'casos indicam. ao arquitetar algum plano de ação. Isto significa que o homem defronte-se com um mundo que deve interpretar a fim de . papéis sociais. como um processo de feitura de auto-indicações. mas. A existência de cada um consiste de uma série de tais indícios feitos pela pessoa para si própria. dos quais se utiliza para determinar seu comportamento.. entre idéias ou entre o id o ego na sistematização uma fsrma de teórica freudiana. O . a coiisciência ou a atenção relativa a qualquer elemento equivale a indicar esse mesmo elemento para si pr6prio. no referente ao qu'e observa. não teceremos maiores comentirios a respeito. situações em que percebemos estar zangados conosco mesmos. Podemos identificar nitididamente tal operação em nossas vidas quando de. ou seja. c .~ u acompõe l um objeto a partir do que observa. prescrições culturais. isto pode ser verificado pela diversificada gama de fatores estudados. psicoiógici ou social adquirida. como entre necessidades. cujo comportamento representa uma resposta a fatores envolvidos na erganização do organismo. o homem relaciona-secom seu ambiente de maneira acentuadamente diversa da pressuposta pela difundida perspectiva convencional descrita acima. valores. N o entanto. ' p H 6 Outro importante aspecto do processo sendo analisado e que decorre do fato de o ser humano possuir um eu. ao inv6s de simplesmente emitir uma resposta A ação de algum fator sobre sua organizaçáo. ou sempre que tomamos conscjCncia deste ou daquele fato. . I' ' i . apesar de sua grande importância. ptribuindo-lhe uni significado e utilizando-o como o fundamento que norteara suas ações..se incorporado A organização de seu grupo. entre os quais encontram-se estímulos. O fato de que eslc faz de si mesmo um objeto atraves do processo pelo qual os outros o definem a si própr:'O tem sido estudado com bastante competência pelos trabalhos científicos contemporâneos. ou em que estamos falando sozinhos. Entra . Nesse sentido. ia possuímos. incorporada B estrutura social do grupo a que se pertence. exigencias de darus. empenhando-se em um processo de auto-indicação n ~ . cujo comportamento representa um produto dos fato. emoç6es. o ser humano é "social" apenas no tocante ao fato de ser um membro de categorias sociais. 1 l 1 \ 1 \ t 1 I i i . .u. . para o scr humano. H'.em contato com o que verifica. esta interação é social comunicação.. . Z\ orgâiiicos. normas. distribuii20' de necessidades. portanto..( " . como nos vemos por meio da apreensão de um dos tres tipori de papéis de outrem mencionados acima. seja como uma espécie de organização biológica. Tal operação desenvolve-se cpntinuamente durante toda a nossa existência. motivos conscientes e inconscientes. As escolas d e pensamento das ciências sociais e da psicologia diferem bastante quanto aos fatores quq condderam significativos. Ao invés de equivaler simplesmente a um organismo que responde ação dos fatores sobre ou através do mesmo. Seu comportamento. antes. atitudes. um quadro geral do ser humano como um organismo que interage consigo mesmo por intermédio de um processo social de feitura de auto-indicações. A teoria mais em voga considera o ser humano um organismo complexo. nu. não é uma resposta suscitada pela apresentação do elemento observado. Devido a este empenho na auto-interação. Esta constitui uma perspectiva do homem radicalmente diferente da defendida pelas ciências sociais e psicológicas contemporâneas. mais precisamente. basicamente.. objetos de n6s mesmos por intermédio da forma como os outros nos vêem ou nos definem. uma ação originada da interpretação realizada através do processo de autoindicação. entre emoções. Não resta dúvida que.

ao invés de estar em contato com um ambfènte ao q"al reage devido i sua organização. como já tivemos oportunidade de mencionar. os atos por parte de um ser humano consistem na atenção despedida aos vários elementos que observa e na confccçáo de uma linha de conduta fundamentada n a maneira pela qual os interpreta. A ação conjunta ou coletiva em que estão envolvidos vários indivíduos.triintes que participam de sua formulação. seja um exército empenhado em uma campanha. igualmente. distribuição de necessidades. segundo o qual o homem dirige seus atos elaborando auto-indicações. Esta constitui o principal foco de atenção da psicologia. Assim. ao invbs de sob o prisma individual. complexos inconscientes. entre importações e exportações necessita elaborar seus atos por meio de uma interpretação do que esta oco. quaisquer que sejam. ENCADEAMENTO DE AÇÓES Como j6 tivemos oportunidade de constatar anteriormente. pode-se ptinc. tal fator. da mesma forma identificar a ação conjunta a partir -e como é posslvel descrevê-la ou analisá-la sem a necessidade de associ6-la aos atos isolados que a compóem.ípio.rrendo em sua área de operação. Deve. elaborar e orientar seus atos. motivos. . A ação remonta a aspectos como motivos. ainda. confinadas A mera intenção. igualmente bem. envolvem indivlduos que procuram adaptar suas linhas de ação umas Bs outras. a uma combinação de tais fatores. . O fator causativo não abrange ou explica como esse ou outros aspeftos são considerados no contexto em que se exige urn comportamento. transaçóes %? - I . constitui um aspecto para o qual o agente humano atenta ao elaborar sua linha de. por exemplo. podem se transformar. 'A ação conjunta. abandohadas ou adiadas. no comportamento grupal. Deve-se penetrar no processo definidor do agente a fim de compreender seus atos. atribui a ação humana a um fator causativo ou. Essa ayáo conjunta não perde a característica de ser elaborada atraves de um processo interpretativo quando de situações em que a coletividade é cxortada a agir. Fecha-se então a porta para o fundamental processo de interpretação no qual o indivíduo observa e avalia o que lhe 6 apresentado e por intermédio do que elabora linhas de comportamento nítidas anteriormente B sua execução. os atos e os atos antecipados de outrem.poder agir. E tanto adequado quanto possivel considerar e analisar tal comportamento por seu lado coletivo. seus objetivos. não importa quão infeliz seja ao elabora-Ia. o qual reside em uma articulação ou encadeamento que independe dos' elementos pos$ivelmente articulados ou encadeados. de papel e situacionais. mas sim chamar a atenção para s u a presença e efeito sobre a formação dos atos humanos. Nesse processo. Tal ponto de vista. Tal perspectiva do comportamento humano aplica-se. diverge acentuadamente da perspectiva da ação humana dominante nas ci2trcias e na psicologia contemporineas. a coexistência grupal humana compreende a adaptação recíproca das linhas de açáo pelos membros do gmpo. ' - '% . Tais aspectos do comportamento social. organizações e classes sociais. Possui um carster distintivo intrínseco. instituições.realiverifica-se pelas indicações recíprocas zadas pelos participantes. a forma como são observados e os tipos de'linhas de ação planejados que elaboram. especificando o significado das ações de outrem e planejar sua própria linha de ação h luz de tal interpretação. i? desta maneira que procedemos no referir-nos a elementos como casamentos. na medida em que se conipóe de diversos atos consti. Basicamente. s6 sendo possível devido a esse processo. atitudes. Devemos igualmente reconhecer que a atividade dos seres humanos consiste em enfrentar todo um fluxo de situações nas quais têm de agir e que suas ações são construídas de acordo com os elementos observados. ao invés de simplesmente produzi-los em resposta aos fatores quc os influenciam ou q u í através deles produzem seus efeitos.linhas de conduta tanto origina uma organização social de como representa uma "ação conjunta" compbrtamentqde diferentes atos de diferentes participantes. expectativas sociais ou regras sociais) que se acredita desencadearem o.açáo. 'Jy Este posicionamento. ou a realidades íntimas de fantasia. Tal articulação d e . Deve enfrentar as situações em que é chamado a agir. distribuições de necessidades. difere de cada um destes e de sua mera agregação. Considera-se que associar a ação a um ou mais de tais agentes causadores basta para explicar o processo de auto-ititeração através do qual o indivíduo manipula seu universo e elabora seus atos. ou alguma representação do mesmo. como se verificn. ou. configurações de estimulas e exigências de srorus. a imagem que faz de si mesmo e o provável resultado da uma determinada linha de ação. exigências de papel. se porventura forem iniciadas. certas linhas de ação podem ser iniciadas ou encerradas. A sçãc coletiva ou conjunta surge como resultado de tal processo de interaçáo interpretativa. Esta. por exemplo. os meios disponíveis para a consecução destes. Seu comportamento Ç formado e orientado através do referido processo de indicação e interpretação. Tais elementos abrangem aspectos:como desejos e necessidades. Esse processo não pode ser assimilado conferindo-se ação a alguma esp6cie de fatores (como. . uma empresa procurando expandir suas operações ou um país tentando controlar um saldo desfavorhvel. Esse processo interativo e não individuais . . 132 .ato e impelir a sua conciusão. E necess6rio arquitetar sua linha de ação. Nossa finalidade não é analisar o processo.

Ademais. ao invés da açao conjunta em sca forma preestabelecida. assim procedem utilizando-se dos mesm'os significados recorrentes e constantes. à empresa. existe sob a forma de padróes recorrentes de ação conjunta. discussóes parlamentares ou missas.comerciais. Primeiramente. 1 0 A seguir. evidenteniente. O comportamento coletivo repetitivo e estável representa tanto conseqüência de um processo interativo como uma nova forma de ação conjunta sendo desenvopida pela primeira vez. jamais tivemos noticia de qualquer sociedade isenta de problemas. sem termos de identificar seus membros isolados. que se prolonga desde o tratamento. ainda.da semente pelo lavrador até. Tal ponto de vista evidencia-se mais nitidamente nos conceitos de "cultura" e "ordem sociai". cada interagente é capaz de orientar seu pr6prio comportamento através de tais significados. através do processo duai de designação e interpretação analisado acima. podem ser ítanto desafiados quanto aprovados. é o processo sociai que cria e mantém as regras. à universidade ou ao país. para as quais asregras existentes são inadequadas. Esta não é uma afirmação infundada ou pedante: os significados subjacentes à ação conjunta fUÍa e recorrente encoiitram-se tanto sujeitos a pressões quanto a reforços. a venda do pão em uma panificadora. ' L 6 No estudo das coletividades e da ação conjunta. somos levados a perceber que o que iealinente importa é o livre movimsnto e destino dos significados. tanto tratados com desinteresse quanto revitalizados com o sopro de "ovos alentos. desejamos fazer três comentários acerca das implicações do encadeamento constituidor da. De nossa parte. Jt Nossa segunda observação sobre o encadeamento relativo B açáo conjunta refere-se A extensa corrente de atos responsáveis por grande parte da vida humana em grupo. principalmente quando esta é sedentária. é falso que todo o decurso de existência em qualquer sociedade humana nada mais é que uma expressão de formas preestabelecidas de ação conjunta. Aos participantes ainda cabe orientar seus respectivos atos através da formação e da utiiização de significados. A aceitação gratuita dos conceitos de norma. muito embora possa representar uma forma repetitiva e constante 'de ação sociai. t9. cada uma de suas manifestações deve scr reelaborada. Tomando essas observações como base. regra social e outros afins não deveria desviar o cientista sociai do fato de qualquer um dos referidos conceitos ser subentendido por um processo de interação social processo este necessário não apenas para sua mudança. esse processo de formação quepropicia sua existência ocorre. obrigatoriamente. por exemplo. como também para sua retenção em uma forma fixa. Os casos de formas interativas e preestabelecidas de ação conjunta são tão freqüentes e comuns que é ficii compreender a razão de osestudiosos terem-na considerado a essência ou a forma natural da vida humana em grupo. No caso da ação conjunta repetitiva. Podemos. N a coexistência grupal. finalmente. caso não se tenha em mente que a ação conjunta da coletividade constitui um encadeamento dos atos isolados dos participantes. Na maioria das situações em que os indivíduos agem uns em relação aos outros. Por conseguinte. A maior parte das sistematizaçóes sociológicas baseiam-se no pressuposto de que a sociedade humana existe sob a forma de uma ordem de vida fixa e redutivei a relações com séries de regras. todos hão de concordar que mesmo no caso de aç6es conjuntas preestabelecidas e repetitivas cada zma de suas manifestações deve ser reelaborada. Tais tipos de comportamentos não prescritos são'tão naturais. A maior parte da ação social em uma sociedade humana. Estamos bem familiarizados com essas complexas e interminiveis redes de ação. como. guerras. pode-se faciimente incorrer em erro. E evidente que a esfera de ação do cientista social compreende justamente o estudo da ação conjunta e das coletividades nela empenhadas. ou. igualmente. Por 116s da fachada da ação conjunta objetivamente observada existe todo um conjunto de significados que a sustém e que os cigniistas sociais não podem se permitir ignorar. valor. tanto a insatisfações quanto à indiferença. normas. congêoitos e recorrentes na coexistência grupal humana como os 'regidos por prescrições preestabelecidas e fielmente obedecidas de ação conjunta. Possuem conjuntamente significados comuns e preestabelecidos do que esperar dos atos dos participantes. por conseguinte. n a divisão de trabalho. Em segundo iugar. Em primeiro iugar. à igreja. Os participantes tamb6m necessitam preparar suas linhas de ação e adapta-Ias umas às outras através do processo dual de designaçáo e interpretação. estes possuem de antemão uma sólida consciência de como agir e de como outros agirão. na elaborada sucessão de elos que se desenvolve desde a prisão de um supeito at8 ! - i 1 8 1 i j ! ! 134 . tão constantes na bibiiografia das ciências sociais. ação conjunta. nos referir à cole8:vidade empenhada na acio cooiunta . Criam-se ~ ~ constantemente novas situações problemiticas dentro do âmbito da vida grupal. analisemos as manifestaçóes de comportamento conjunto repetitivas e estiveis. teceremos algumas considerações referentes a esta concisa sistematização. ou cujos membros náo tivessem que discutir para eiaborar formas de açáo. nas quais se verifica o encadeamento e a interdependência de diferentes atos de diferentes pessoas. Esse engano faz com que se negligencie o fato de uma ação conjunta sempre dever passar por um processo de formação. como em relação à família. e não as regras que criam c mantêm a coexistência grupal. valores e sanções que determinam ao homem com'o proceder em diferentes situações.

das atividades dos participantes. Surpreendem-se em q$m~complexoprocesss de interação s outrss. Não pode ser analisada fora d'esse contexto. deve-se que as atividades da cpletividade são formadas atrav& de um processo de designação e interpretaÇá0. . são formados. que se empenhaem seus atos de acordo com a utilização de conjuntos de significados especlficos. contudo. que qualquer manifestação de comportamento conjuntd. constitui-se em grave erro. o que. .processo global deveria ser analisado do ponto de vista do caráter diferenclado que necessariamente possui. mesmo em tais casos h4 sempre alguma iigaçáo ou continuidade com os fatos passados. mas no computo geral pouco foi dito a. dão coipo à id6ia de que a vida humana em gmpo possui o car& de um sistema. como s e sua constitulção e seu caráter tivessem surgido d o nada. . sustados. Tal processo no qual adaptam suas açóes em curso umas A interativo consiste na confecçáo de indícios destinados ao outro.. A medida que se manifestam nos diferentes conjuntos de:participentes.' . e n ele se associa. Um novo tipo de ação jamais se origina separadamente de experiências passadas. com u m a empresa industrial ou com um partido pol~tico. Tais redes e a participaçãO'"ni de diferentes ?essoas em diferentes atos e em ijiferent . sustentados. Não C posslvel compreender a nova forma sem incorporar o conhecimento dessa continuidade B an6lise d o novo comportamento. fadas do assunto em nigumas pesquisas sobre tomadas de decisão. derar tal encadeamento juntamente com manifestações precedentes de comportamento conjunto. mas tambdm uma concatenação vertical com o comportamento iconjunto sua soltura da penitenci4ria. conforme ocaso.. muito adequadamente. seja rcc6mformada o u já há muito existente. Os participantes envoividos na formação d o novo comportamento conjunto trazem ao meimo o universo de objetos. . atravis'de um processo socialmente definidor. deve-se consi. sobre c o m o proceder e na interpretação das indicações feitas +r este. diiso. esperamos ter feito uma exposiçio clara da perspectiva geral do interacionismo simb6lico. Essa. em diferentes pontos da urdidura. vivem . Essa exist8ncia constitui um processo de atividade continua no qual os participantes 'desehvolvem linhas de ação nas inúmeras situações com que se deparam. Vivem em universos de objetos e sáo orientados em seu caminho e ação pelo significado desses mesmos objetos. Observando-se todo esse vasto c ~ ~ de ~ i ~ x dade9 dlversificadas. o homem pede ser levado a desenação conjunta acentuadamente diferentes daqueias em que se empenharam anteriormente. Tanto o funcionamento comò a sorte das instituições são determinados por esseprocesso de interpretiição. devido ao fato de os homens se .o s distintos da rede. 6 fácil. Estes.em universos. enfraquecidos e transfoimados no processo interativo mfiiuo.. Por c ~ n ~ e g u i n l aproximam-se e. mas sim porque os indivlduos. Evidentemente.teoria estabelece que a soci&de humana compõe-se de indivlduos empenhados em viver. segundo nosso parecer.respeito. : ~ i '. entidades que se comportam autonomamente. tais significados sáo formados. ou seja. realizam atos. Deve-se compr der que os conjuntos d e significados que levam os participantes. Uns dos outros de formas diferentes.reunirem em diferentes grupos. diferentes e pdr diferentes conjuntos de significados. Deve-se-ia dar mais atenção aos verdudei fatos de que A diversificada gama de phrticipantes. H 6 uma terceira e importante ob4ervação a ser feita. Assim.. ! . e c constituem resultado da maneira pela (luai definem a situaç5o em que são chamados a agir. . Face a situaçóes e tensas. compreender a razão de tan pesquisadores terem considerado tais redes ou institui^^^^ como . dependentes bem urdidas. 33 . tem sido Um dos principais focos de interesse dos soci6logos. a agir como agem em seus yespectivos pontos na rede possueni seu próprio contexto em um processo localizado de intera~ãosocial. inclusive os objetos de si mesmos. surge necessariamente de vm alicerce proporcionado pelas açóes anteriores dos participantes. enfraquecidos. esse.ter... A maior pa das anilises socioiógicas de insfifuiçóe's e de organizaFão são partidarias dessa perspectiva. N ã o obstante. segundo s dinâmica e dispensando o estudo de seus participantes. Atualmente :encontram+se avaliagões iimi. 8 produzem Um quadro de instituições que. Percorrem-se caminhos movediços e empiric'amente destituídos de validade caso se conclua que qualquer forma específica de ação conjunta podo ser desvincuiada de seu encadeamento histbrlco. OBSERVAÇOES FINAIS A partir desse nosso sucinto esboço de suas imagens-raiz. e que. por assim dizer. atrav6s de uma criação espontknea. A ação conjunta não apenas representa um cpcadeamcnto horlzontai. os conjuntos de significados e as sistematizações de interpretação que j& possuem. fortalecidos ou transformados. ao dos elementos passados. Uma rede ou uma instituição não funciona automhticamente devido a algu dinâmica interna ou a exigências do sistema. . quer se esteja relacionando com a famllia. com uma turma de ma." <. todas unidas em uma operação uniformiza e a organização complementar dos participantes em relações jr. . a nova forma de ação conjunta sempre surge de um contexto de comportamentos coletivos anteriores. . què ocupam pon. pertencerem a diferentes sociedades e ocuparem diferentes posipões.

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