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geral

SEXTA-FEIRA, 23 DE DEZEMBRO DE 2011
FOTOS PIERO RAGAZZI

AN JARAGUÁ

Voluntariado

Ajuda do outro lado da linha
Fim de ano faz crescer o número de ligações para o CVV de Jaraguá do Sul
FERNANDA DELLAGIUSTINA
fernanda.dellagiustina@an.com.br

A sede do Centro de Valorização da Vida ou do Como Vai Você funciona no prédio da rodoviária de Jaraguá do Sul. Os voluntários também atendem pessoalmente no local.

com todos”, afirma. O voluntário destaca ainda que a competição no ambiente de trabalho e na família também pode contribuir para aumentar essa sensação de desconforto.

Tristeza
Na opinião do parapsicólogo Eduardo Carvalho, que acompanha e orienta a atuação do CVV, os sentimentos negativos na época de Natal não significam depressão e sim um período de tristeza. Mas a doença pode ficar mais intensa em quem já tem a patologia. Ele explica que não se enquadrar no modelo de felicidade propostos pela sociedade nesta época do ano dá a sensação de erro, falha ou fracasso. “No consultório, três em cada dez pacientes dizem que lidar com a data é difícil”, conta. Alguns também por terem perdido uma pessoa querida que deixava as festas mais alegres não conseguem encarar bem este período de confraternizações. Ele ressalta que os jovens também podem não se sentir bem. De acordo com Carvalho, a obrigação de passar o Natal com os adultos pode levar a conflitos familiares. O parapsicólogo aconselha as pessoas que se sentem tristes com o clima natalino a buscar os motivos que provocam esses sentimentos.

Chega o fim de ano, famílias e amigos se organizam para as festas. A magia do Natal está no ar. Só que este clima de felicidade pode provocar sentimentos nada agradáveis em algumas pessoas. Por isso, cresce o número de atendimentos no Centro de Valorização da Vida (CVV) de Jaraguá. Durante o ano, o CVV recebe cerca de 190 telefonemas mensais, mas em dezembro chegam a cerca de 300, com destaque para as semanas entre Natal e Ano-novo. Segundo o coordenador do centro, Oscar Luís Maba, o clima de Natal pode provocar uma certa angústia em algumas pessoas, principalmente por causa da solidão em um momento em que todos deveriam estar felizes e se confraternizando. “A pessoa começa a fazer uma reflexão de como foi o ano e vê que não conseguiu realizar tudo que queria, o relacionamento não está bem, está sem dinheiro e se vê sozinho em um período em que deveria estar ‘obrigatoriamente’ bem

AO TELEFONE Voluntários atendem a 190 ligações mensais. Em dezembro, recebem cerca de 300

11 anos de atuação na cidade
O Centro de Valorização da Vida (CVV) existe desde 2005 em Jaraguá do Sul. O trabalho começou com o bancário aposentado Josevaldo Martins da Costa, motivado pelo alto índice de suicídios que a cidade apresentava. Segundo ele, a média era de 30 casos por ano. Hoje, a média passou para 13, diz. O CVV conta com 25 voluntários, que trabalham 4h30 por semana, ouvindo as pessoas. As ligações costumam durar de 45 minutos a uma hora, todas custeadas pelo centro, que gasta por mês em torno de R$ 1 mil. “Queríamos incluir ligações feitas por celular, mas não temos condições de custear. Com certeza, a procura seria muito maior”, diz Costa. No ano que vem, a ideia é criar o serviço de batepapo virtual. Os voluntários passam por treinamentos, como palestras, e cursos para aprender a agir em diferentes situações. “Há pessoas que contam a mesma história várias vezes ou falam sobre tentativas de suicídio, casos de preconceito, relacionamento, falta de dinheiro, sexo, até pedofilia. Tudo fica no anonimato. Tratamos todos os tipos de situação com seriedade, mesmo quando sabemos que é um trote”, afirma o coordenador Oscar Maba. Segundo ele, o público feminimo demonstra mais coragem de ligar e desabafar. “As mulheres são mais sensíveis. Os homens têm dificuldades de falar da vida e mostrar fraqueza”, afirma o coordenador. O telefone do CVV é 0800642108, com atendimento das 7 às 23 horas.

No consultório, três em cada dez pacientes dizem que lidar com a data (Natal) é difícil.
EDUARDO CARVALHO, parapsicólogo

APOIO O fundador Josevaldo da Costa e o coordenador Oscar Maba

DICAS PARA VIVER BEM O NATAL

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Fazer uma autoanálise e se sentir livre para estar bem ou não. Quando você força a situação, significa que você não está feliz. Evitar fugir da data e focar no novo. Se sempre foi uma época ruim, procure fazer algo diferente, passe a data de outro jeito ou em outro lugar. Não é possível fugir dela. Procurar ter crianças na celebração. As crianças ajudam a animar o ambiente, correndo e brincado. Fazemos lembrar de quando éramos crianças. Perder algumas ilusões. Você não é obrigado a estar bem com todos e feliz por causa do Natal. Desabafar. Conversar e explicar o que aflige para pessoas de confiança aliviam a tensão e os sentimentos depressivos.
Fonte: Parapsicólogo Eduardo Carvalho e o CVV

Os homens têm mais dificuldade de falar da vida e mostrar fraqueza.
OSCAR MABA, coordenador do CVV

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