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AN JARAGUÁ

QUARTA-FEIRA, 15 DE AGOSTO DE 2012

ANJ.geral 5

Uma homenagem nas alturas
Descendentes de italianos constroem complexo no morro do Boa Vista para lembrar os imigrantes da região de Veneto
FERNANDA DELLAGIUSTINA
fernanda.dellagiustina@an.com.br

Uma obra inspirada na Igreja San Simon, de mais de 1,3 mil anos, na localidade de Valada Gordina, em Belluno, na região de Veneto, nos alpes do Norte da Itália, começa a tomar forma em Jaraguá do Sul. O local escolhido foi o morro do Boa Vista, um dos pontos mais altos e visitados da cidade. A réplica levará o nome de Igreja Cristo dos Alpes e será uma homenagem aos imigrantes que vieram das montanhas da Itália, entre eles o papa João Paulo 1º; da Alemanha, da Áustria e de outros países europeus. A previsão é de que o templo, a primeira parte do complexo no terreno doado por Dorval Spézia, de mais de 20 mil m², seja inaugurada em novembro.

A obra é da iniciativa privada. Associações criadas por descendentes de italianos e o Círculo Italiano de Jaraguá do Sul se mobilizam para tirar o projeto do papel com a ajuda também da comunidade. O investimento só na igreja deverá ser de aproximadamente R$ 600 mil. Parte do material foi doado por empresários da cidade e as associações de italianos vão pagar a mão de obra. No sábado, uma feijoada arrecadou cerca de R$ 3 mil. “Com o dinheiro, teremos como pagar cerca de um mês de trabalho dos pedreiros”, conta Valdemar Dalagnolo, que organizou a feijoada. Mas, para que a obra continue, serão necessárias mais ações para arreca-

dar dinheiro. “Já foram investidos cerca de 30% do valor da obra. Temos de conseguir o restante”, afirma um dos integrantes da comissão da construção e presidente da associação Bellunesi Nel Mondo, Aclino Feder.

Todas as religiões
Desde maio, sete pedreiros trabalham diariamente na construção da igreja que tem a parede dupla, com mais de 60 centímetros de espessura e terá lugar para 64 pessoas sentadas. O altar medirá 24 m² e a torre, cerca de 27 metros de altura. A igreja na Itália é maior. Tem capacidade para cem pessoas sentadas.

“A ideia é abrigar todas as religiões que quiserem. As pessoas poderão usar para batizados, casamentos e turismo”, afirma Feder. A longo prazo, serão construídas outras áreas: um galpão de festas de 250 m², a residência do caseiro de aproximadamente 45 m², e o estacionamento para 35 carros. Há dois anos, o Círculo Italiano da cidade planejava construir um monumento em homenagem aos imigrantes. “O italiano Franco Gentili, que vive em Florianópolis, tinha a ideia de fazer essa igreja lá. Sugerimos que a construção fosse em Jaraguá do Sul, onde há um grande número de descendentes. Chegamos a ter mais de 50 sobrenomes na cidade”, destaca.

ALFREDO FONTANIVE, DIVULGAÇÃO

MÃOS À OBRA Igreja inspirada em templo italiano (detalhe) será a primeira parte a ficar pronta

FOTOS LUCIO SASSI

Mais perto da infância do pai
Descente de italianos, Alfredo Fontanive, 73 anos, vê a obra que está em andamento no morro do Boa Vista como uma lembrança do pai Domingos, que veio para o Brasil em 1891. Antes de deixar a Europa, ele morou a poucos metros da Igreja San Simon, nos alpes de Valada Gordina. Integrante da associação Bellunesi Nel Mondo, o aposentado ajuda a arrecadar dinheiro para a obra. Em 2009, Alfredo conheceu a igreja original na Itália, para se aproximar a história da família e conhecer suas origens. Com pouco mais de cinco anos, o pai de Alfredo desembarcou em Itajaí e foi para a região de Luis Alves. Depois, mudou-se para Massaranduba e, por último, Jaraguá do Sul. “Sem dúvida, será uma honra ter essa obraem Jaraguá do Sul”, acredita.

Um pedaço de casa na cidade
A IGREJA
Em um terreno com 20 mil m², será construído um templo que terá 127 m², com um altar de 24 m². A torre terá 27 metros de altura. A capacidade para 64 pessoas sentadas.

Sem dúvidas, será uma honra ter essa obra em Jaraguá.
ALFREDO FONTANIVE, 73 anos

PROJETO FUTURO
Estacionamento para 35 carros. Galpão de festas de 250 m². Residência para o caseiro de 45 m². Paisagismo.

A cultura dos italianos aqui é forte e a igreja fará eu me reconhecer ainda mais na cidade.
GIOVANNI ANTONIO ANDRICH, 59 anos

Um italiano que veio para visitar a namorada jaraguaense, Giovanni Antonio Andrich, 59 anos, deverá ver, na próxima vez que voltar à cidade, uma igreja igual a que frequenta a 700 metros da casa em que mora na Itália. Desde a primeira vez que visitou Jaraguá, ele percebeu que os descendentes de italianos mantêm a cultura dos antepassados. “A cultura dos italianos aqui é forte, e a igreja fará eu me reconhecer ainda mais na cidade”, destaca. A namorada, Zenaide Maria Giovanella, 56 anos, é também descendente de italianos que viviam nos alpes, mas em uma região um pouco mais distante da Igreja San Simon. “A obra é um tributo aos antepassados não só dos italianos, mas de todos os europeus das regiões altas. Fará a gente voltar ao passado”, diz Zenaide.

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