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SOBRE A INDUÇÃO

Maria Cláudia Cabrini Grácio Faculdade de Filosofia e Ciências UNESP / Marília e-mail: cabrini@marilia.unesp.br

1 Definindo indução

Os primeiros estudos sobre indução que se tem notícia foram realizados por Aristóteles, em seus tratados sobre o raciocínio formal, buscando o estabelecimento das proposições universais mediante a observação de casos particulares destas. Na obra Primeiros analíticos, o uso do termo aparece associado ao método pelo qual estabelecemos proposições de universalidade restrita, uma vez que “se realiza levando-se em conta a totalidade dos casos particulares” (ARISTÓTELES, 1967a, 68b). Neste caso, a noção de indução se parece mais com um tipo de silogismo. Na obra Segundos analíticos, Aristóteles está interessado no estabelecimento de verdades necessárias, proposições de universalidade irrestrita, usando princípios de compatibilidade e incompatibilidade. Neste contexto, a indução pode, então, ser considerada como o método pelo qual estabelecemos proposições universais na metafísica, uma vez que, segundo Aristóteles, “a intuição é sempre verdadeira ... [e] é a intuição que apreende as premissas primárias” (ARISTÓTELES, 1967b, 100b). Entretanto, o sentido da palavra indução pelo qual estamos interessados aqui é aquele usado nas ciências naturais, ou seja, os procedimentos ou métodos racionais pelos quais proposições são estabelecidas nas ciências naturais, cuja característica mais notável é o fato de suas conclusões estarem “em algum sentido além de suas premissas, que são os fatos singulares da experiência” (KNEALE, 1952, p. 44).

Na obra Investigação acerca do entendimento humano. 1972. 31). representa uma boa razão para acreditarmos na conclusão. nos quais a verdade das premissas. porém nasce inteiramente da experiência quando vemos que quaisquer objetos particulares estão constantemente conjugados entre si” (HUME. para enunciados universais” (POPPER. publicada originalmente em 1748. embora não acarrete a verdade da conclusão. Classicamente. o questionamento sobre a validade ou justificativa racional para as inferências indutivas. surge de forma indireta em suas obras que tratam da teoria do conhecimento. por sua vez. Hume parte do princípio de que todas as percepções da mente podem ser classificadas em dois tipos: impressões e idéias. 1972). p. À primeira espécie pertencem todas as afirmações que sejam intuitivamente ou demonstrativamente certas. A conexão com o “problema da indução” surge de sua visão segundo a qual todas as leis da natureza são raciocínios sobre questões de fato e estes. 1975b. segundo a qual a palavra indução é usada para cobrir os argumentos não demonstrativos. fundam-se na relação de causa e efeito. cujo conhecimento “não se obtém. realizadas em ciências naturais. . mais especificamente do conhecimento incerto. p. o significado da palavra indução pode ser apresentado pela definição dada em Edwards (1967). por raciocínios a priori. a palavra “indução” é usada para descrever uma inferência que “conduza de enunciados singulares (por vezes denominados também enunciados ‘particulares’) tais como as descrições dos resultados de observações ou experimentos. Hume também afirma que todos os objetos da investigação humana podem ser divididos em duas espécies: relações de idéias e questões de fato.Sobre a indução 2 Nesse sentido. 27). 2 O problema da indução Embora a palavra indução nunca tenha aparecido nos textos de David Hume. sendo que todas as nossas idéias ou percepções mais fracas são consideradas cópias de nossas impressões ou percepções mais vivas (HUME. em nenhum caso.

uma conexão necessária. Tal necessidade consiste. considerando esta última como uma relação entre eventos (causa e efeito). a indução não é válida porque leva a um regresso infinito. desde então. assim. dos quais não temos experiência?” (POPPER. A teoria de Hume é. esse filósofo tem gerado. gerado pelo fato de que . ou em outras palavras: “HL: somos justificados em raciocinar partindo de exemplos (repetidos). derivada inteiramente da uniformidade que se pode observar nas operações da natureza. apresentado por meio de dois questionamentos que focalizavam especificamente dois aspectos: o lógico e o psicológico. Tal expectativa está baseada na uniformidade da natureza que experimentamos (RUSSELL.Sobre a indução 3 Em sua teoria da causalidade. Ao afirmar que todas as leis da natureza baseiam-se na relação de causa e efeito e que “após a conjunção constante de dois objetos somos levados tão somente pelo costume a esperar após um deles. Um exemplo clássico utilizado para representar o uso das inferências indutivas é a nossa crença de que o sol nascerá amanhã. na conjunção constante de objetos semelhantes. Hume defende a existência de três princípios de conexão entre as idéias: semelhança. p. 1972. Sua origem deriva completamente do hábito e da experiência” (HUME. Segundo ele. Segundo ele. 1939). 54) e essa transição costumeira seria “o sentimento ou impressão que origina a idéia de poder ou de conexão necessária” (HUME. p. para outros exemplos (conclusões). 1972. então. 15). p. dos quais temos experiências. levando-os à procura de uma teoria que se contraponha à sua. a propulsora do “problema da indução”. p. 72). contigüidade e causação. a “transição do pensamento da causa ao efeito não se baseia na razão. uma inquietação entre os autores da área. 1972. 149). Hume responde que não há justificativa para a indução. 1975a. Aqui estamos interessados em analisar o problema lógico da indução. o aparecimento do outro” (HUME.

todavia. não tem qualquer força como argumento racional para justificar que o futuro continuará do mesmo modo. em girar num círculo vicioso e dar por admitido o que precisamente se problematiza (HUME. Hume afirma que a repetição de exemplos experimentados. A solução para o problema da justificação da indução tem sido perseguida há tempos pelos filósofos e encarada por alguns como um dos maiores desafios da ciência. ainda que insuficientes para a solução do problema da indução. lembrando. p. consiste. que todas se mostraram insuficientes. 1 . por maior que seja o número e por mais uniforme que tenham sido as operações da natureza. “inferências que levam a teorias. a seguir.Sobre a indução 4 todas as nossas conclusões experimentais decorrem da suposição de que o futuro estará em conformidade com o passado. 3. tentar provar a última suposição. aquelas que mais se destacam por oferecer respostas. Com base nesse argumento. as correntes mais significativas existentes1. Esboçaremos na seção seguinte algumas das soluções propostas para o problema da indução. o mais influente é Karl Popper. Portanto.1 Rejeição da indução Entre os autores contemporâneos que defendem a rejeição da indução como forma racional de gerar conhecimento científico. certamente. Popper defende que a indução por repetição não existe. 1972. ou seja. isto é. não falaciosas e com maior número de defensores. 3 Respostas para o problema da indução Apresentamos. Em 1934. partindo-se de enunciados singulares A categorização adotada para as respostas ao Problema de Hume é apresentada em Edwards (1967). por argumentos referentes à existência. por argumentos prováveis. 39).

pela experiência. provisoriamente. 42). formuladas conjecturalmente e ainda não justificadas de algum modo. em nenhum caso o método pode estabelecer a verdade de uma teoria. com o que se põe à prova a coerência interna do sistema e. então. todas elas podem ser derrubadas. Finalmente. Popper desenvolve uma teoria. . às vezes adequados ou verdadeiros e às vezes inadequados ou falsos. em sentido negativo: deve ser possível refutar. 1975b. p. de uma vez por todas. um sistema científico empírico (POPPER. p. Podemos assim. que sua forma lógica seja tal que se torne possível validá-lo por meio de recurso a provas empíricas. determinar no máximo a falsidade das teorias. com o objetivo sobretudo de determinar se a teoria representará um avanço de ordem científica. Essas conclusões são em seguida comparadas entre si. Em contrapartida. podemos tirar conclusões por meio da dedução lógica. Como a palavra “hipótese” é usada no sentido de uma proposição que apenas se conjectura ser verdadeira. em sentido positivo. 1975b. amplamente conhecida por método hipotético-dedutivo. ou teorias. Com base nas idéias novas. Segundo Popper. Ele não exige que um sistema científico seja suscetível de ser dado como válido. como hipóteses ou conjecturas. uma teoria enquanto ela não for refutada. fazemos a comprovação da teoria por meio de aplicações empíricas das conclusões que dela se possam deduzir. Aceitamos. O critério adotado por Popper para a busca de teorias empíricas verdadeiras é a comprovação pela experiência por meio do método de falsificação. uma vez que todas as teorias são hipóteses. na qual usa a expressão “senso comum” para denotar a opinião de muitas pessoas. 41). com outras teorias. o ponto de partida é o senso comum e o grande instrumento para progredir é a crítica.Sobre a indução 5 ‘verificados por experiência’ são logicamente inadmissíveis” (POPPER. devemos encarar todas as leis. Por sua tese. [exige] porém.

Mill defende que a suposição subjacente em todo o desenvolvimento de seu método. 562). p.2 Reconstrução da indução Nessa linha de resposta.Sobre a indução 6 3. 1967. O método que Mill propõe usarmos para a descoberta da causa de um evento é uma adaptação da indução por eliminação de Francis Bacon. um antecedente. é derivada do Princípio de Causalidade Universal. tem uma causa. que se enveredam a justificar a indução mediante a busca por um princípio indutivo supremo. baseado na justificativa de que se as induções de um certo tipo produzem sistematicamente conclusões verdadeiras. abordamos os trabalhos desenvolvidos por John Stuart Mill e seguidores. O método da concordância (correspondente ao teste de co-presença de Bacon) fornece-nos as condições necessárias de um fenômeno. Ele defende que a indução . o método das diferenças (correspondente ao teste de co-ausência de Bacon) leva-nos às condições suficientes de um fenômeno e o método das variações concomitantes (correspondente ao teste de co-variação) leva-nos às condições necessárias e suficientes. publicada originalmente em 1843. Sob o questionamento de como podemos garantir a verdade deste princípio. a saber. Ele oferece alguns métodos. sobre a existência do qual ele é invariavelmente e incondicionalmente conseqüente” (MILL. que existe alguma causa para o fenômeno. ou o começo de todo fenômeno. Mill tenta não admitir qualquer demonstração a priori e admite que esse princípio é por si mesmo estabelecido por indução. “todo evento. Mill defende o estabelecimento de um princípio supremo da indução. que recorrem a conceitos de probabilidade em sua justificação. e por Rudolf Carnap e seguidores. a saber. Mill propõe que esse princípio é obtido por meio do Princípio de Causalidade Universal. cada um concebido como um argumento positivo ou mesmo como uma demonstração da conexão causal. Na obra A system of logic. deve existir uma regularidade global no universo que deve ser suscetível de expressão na forma de um princípio ou postulado da indução. a serem aplicados à hipótese sobre a causa de um fenômeno.

Sobre a indução 7 usada para o estabelecimento do Princípio de Causalidade não é a mesma que o princípio pressupõe. Desse modo. uma informação observacional” (CARNAP. Carnap destaca que a verdade e o conhecimento da evidência E. 23). por exemplo. E) = q como “ ‘o grau de confirmação de H com respeito a E é q’. O conceito de grau de confirmação está associado ao conceito de probabilidade. especificamente. onde H e E são sentenças e q é um número real do intervalo 0 – 1” (CARNAP. como para aquelas em lógica dedutiva” (CARNAP. entendemos que E dá forte suporte para a suposição H. assim. A definição de c constitui as regras de indução. que procura definir um conceito de confirmação da hipótese H. ou que H é altamente confirmada por E. 19). “são irrelevantes para a validade das proposições em lógica indutiva. que seja puramente lógico e. p. p. A lógica indutiva desenvolvida por Carnap é construída sobre o conceito de grau confirmação. 1950. confirmada pela evidência observacional E. 1950. 1950. Quando dizemos que a probabilidade de H sobre E é alta. embora sejam relevantes para as aplicações da regra indutiva. um círculo vicioso no método. mediante a introdução de uma definição de “c”. mas também das sentenças obtidas pelas regras de dedução. Carnap concebe. então. Ele usa o símbolo “c” para denotar o grau de confirmação e anota c(H. a lógica indutiva como a teoria do conceito de probabilidade enquanto “grau de confirmação de uma hipótese H com respeito a uma proposição de evidência E. Entre as tentativas de se justificar a lógica indutiva por meio da associação a noções de probabilidade. A lógica indutiva de Carnap é construída tomando-se por base a lógica dedutiva. p. expresse relações lógicas entre proposições. 192). consideramos o sistema proposto por Carnap. definida como uma certa relação lógica objetiva entre duas proposições (hipótese e evidência). os teoremas da lógica indutiva não tratam somente da função c. não existindo. .

ou seja. que consiste em deduzir com base na freqüência da ocorrência de um atributo em uma população. Entre as soluções desse tipo estão as oferecidas por Charles S. Ele usa esse procedimento combinado com o processo de dedução estatística. concebido como um limite de freqüências relativas da ocorrência do atributo em uma seqüência infinitamente longa de eventos. as tomadas de decisões podem ser justificadas no efeito prático do conhecimento formulado no argumento. Do ponto de vista de Reichenbach. Reichenbach sustenta o uso de freqüência relativa averiguada experimentalmente sob uma justificação pragmática. se a seqüência é irregular o suficiente para derrotar a política indutiva por ele adotada. que não perdemos nada ao adotarmos esse procedimento indutivo. o uso de freqüência relativa é compelido a produzir o resultado definitivamente desejado. surgem situações nas quais. na vida cotidiana. . nenhuma outra política fornecerá solução satisfatória.Sobre a indução 8 3. ou seja. ao passo que. Em sua obra Ampliative reasoning. Uma concepção menos complexa de método indutivo sob a defesa pragmática da indução é aquela oferecida em Reichenbach (1938).3 Defesa pragmática O princípio defendido por autores que apresentam soluções para o problema da indução sob este tipo de abordagem é a reflexão que. uma vez que se uma seqüência de eventos sob investigação é suficientemente regular para tornar possível a indução. a justificação da indução defendida por ele depende essencialmente da casualidade das amostras usadas. Assim. a ocorrência provável e aproximada daquele atributo numa amostra retirada aleatoriamente dela. Peirce concebe a indução como um processo de testar hipóteses estatísticas mediante o exame de amostras aleatórias. na falta de argumentos válidos. o único modo possível de se defender racionalmente uma conclusão de um argumento indutivo é usando o conceito de probabilidade. do conhecimento das conclusões verdadeiras. algumas vezes. Peirce e por Hans Reichenbach.

aparentemente. transmitida de uma geração para outra e cristalizada na forma de proibições e licenças. é uma tarefa impossível de se cumprir (EDWARDS. como P. esquemáticas e limitadas em sua utilidade prática. exigir que ela satisfaça condições de correção apropriadas somente para a dedução da lógica clássica é transferir os critérios de avaliação de um domínio para outro. embora não imutável. Segundo esses autores. como outras instituições. Entretanto. 178). para garantir sua sobrevivência. cada abordagem parece estar preocupada em explicar uma forma diferente de raciocínio indutivo e estar dirigida a uma finalidade específica. As regras que constituem a instituição indutiva são. segundo esta abordagem. altamente abstratas.Sobre a indução 9 3. Edwards. p. fundadas pelos nossos antecedentes. 1967. está a defesa de que o uso correto de termos como “razoável” e “boas razões” provém de uma instituição indutiva. 1949). que argumentam que a justificação racional solicitada para uma resposta positiva ao problema da indução. 4 Considerações finais Observamos que. Sob esta abordagem. As normas podem ser pensadas como cristalizações formais dentro das regras lingüísticas que oferecem maneiras gerais de responder ao universo. inferências realizadas no dia a dia e justificação das leis das ciências naturais.4 Justificação como pseudo-problema Existem autores. . Segundo Edwards. em que eles são inadequados. esta “tem uma estrutura relativamente fixa. máximas de conduta e preceitos informais de performance” (EDWARDS. como tradicionalmente formulado. definida como um sistema complexo de modos de aprendizagem com base na experiência. uma vez que elas estipulam importantes condições gerais que não podem ser violadas sem gerar insensatez. por exemplo. as experiências anteriores da raça nunca têm autoridade absoluta. uma vez que a indução é por definição uma operação não dedutiva (no sentido clássico).

críticas sobre todas essas abordagens destinadas a solucionar o problema da indução (conferir em Edwards (1967)). parece ser a melhor abordagem. Ele afirma que os conceitos de “verdadeiro” e “conhecido como verdadeiro” são de natureza totalmente diferente. observamos o desenvolvimento de várias outras tentativas para a representação de algumas formas de argumento indutivo. em que algumas proposições inferidas não são certas (válidas). todavia. Essa inserção de uma teoria indutiva dentro do método de Popper pode ser considerada assumindo como hipóteses todas as proposições válidas daquela teoria que estejam baseadas na experiência. de Lógica do Padrão (Default Logic). valores de probabilidade são fundamentalmente diferentes de valores de verdade. que nos indicam que nenhuma delas constitui uma teoria de indução plenamente satisfatória. 17). o método pragmático. Segundo Da Costa (1981. Nas últimas décadas. “em certo sentido óbvio. Reiter chama um sistema lógico não-monotônico. . Em 1980. uma vez que a construção de teorias e hipóteses aceitas provisoriamente. o método hipotético-dedutivo que toma hipóteses como verdadeiras e trabalha sob esta teoria até que ela se mostre errada parece ser o melhor. O segundo refere-se às evidências dadas e o primeiro não. as inferências indutivas todas se reduzem ao método hipotético-dedutivo”. 1975b). após testa-las. constitui traço marcante da atividade científica (POPPER. R. Popper estava preocupado em justificar a presença de generalizações universais nas teorias naturais. que não tenciona levar em conta a verdade absoluta da proposição. Nessa edição. p. Assim. por vezes. Carnap não se propõe a atribuir certeza absoluta às suas proposições de confirmação. a revista Artificial Intelligence dedicou uma edição inteira às abordagens não-monotônicas destinadas à formalização de raciocínio sob incerteza. Existem.Sobre a indução 10 Peirce e Reichenbach estavam ocupados com modos de tomarmos a melhor decisão diante de situações em que não temos todas as informações. Por vezes. dado que até hoje nosso conhecimento parcial tem-nos levado a avanços em todas as áreas da ciência.

Carnielli e Veloso (1999) e Carnielli e Veloso (1997)2. Esta abordagem proporciona uma base para o raciocínio genérico em que Desde então. essas inferências correspondem ao processo de derivar conclusões baseadas em padrões (defaults). justifica o autor. Sette e W. dando origem às publicações Sette. de “na ausência de qualquer informação contrária” com “é consistente assumir que”. Veloso (2001a). em argumentos da forma “na ausência de qualquer informação contrária. M. apesar da ausência de conhecimento completo do mundo. Carnielli e Veloso apresentam um sistema lógico monotônico para a formalização de argumentos do tipo “maioria” ou “quase todos”. Sette. uma propriedade que é quase sempre verdadeira para os indivíduos da população. para o qual não temos informação completa. Veloso (2001b) e Veloso e Carnielli (2001)).. Veloso (1999). Carnielli e Veloso (1999) afirmam que a lógica de Reiter não captura a noção de “maioria” ou “quase todos”. 2 . Nesses artigos. diversos trabalhos sobre a Lógica dos Ultrafiltros têm sido desenvolvidos (por exemplo.. Argumentam que a identificação proposta por Reiter. Sette. representa uma forma de inferência indutiva. assuma que. as mesmas críticas atraíram o interesse de P. destinada a buscar um sucedâneo para a lógica não-monotônica. isto é.”. Carnielli apresentaram uma tentativa de substituir a Lógica do Padrão de Reiter por uma lógica monotônica baseada no conceito de ultrafiltro (Carnielli e Sette (1994)). tipicamente requerida quando conclusões devem ser tiradas. As abordagens não-monotônicas para a formalização do raciocínio sob incerteza têm sido bastante criticadas por alguns autores. Esta proposta foi bastante criticada naquele momento em que a abordagem mais popular era a de Reiter (1980). A idéia central nessa proposta é a interpretação semântica do quantificador “quase sempre” por uma estrutura de ultrafiltro próprio. Esse tipo de raciocínio. S. Entre eles. Veloso. Numa proposta de 1994. A. mediante a introdução de um quantificador generalizado na linguagem clássica de primeira ordem. Entretanto. é inadequada ao tratamento do problema de como atribuirmos a um indivíduo genérico da população.Sobre a indução 11 Em tais sistemas. A. A.

Madri: Aguilar. Recife: UFPE. LANGUAGE. 1981. formalizando as noções de “ maioria”. SETTE. chamados quantificadores modulados. na atualidade. Referências: ARISTÓTELES. consideramos que as abordagens monotônicas apresentam-se como as propostas que melhor atingem seus objetivos. C. Samaranch. p. Obras.Sobre a indução 12 o indivíduo definido como genérico é “aquele que possui as propriedades que a maioria dos indivíduos possui” (CARNIELLI e VELOSO. 1967a. Tradução de F. Particularmente. Madri: Aguilar. 351-412. ed. N. A. Analítica posterior. têm surgido. n. 273-348. 1994. 34).. 2. Tradução de F. Default Operators. Analítica primera. como o fato de serem sistemas dedutivos simples. “muitos” e “para uma ‘boa’ parte”. Logical foundations of probability. 1967b. A. R. Além disso. Como podemos observar. . CARNIELLI. In: ARISTÓTELES. In: WORKSHOP ON LOGIC. ARISTÓTELES. Entre as propostas contemporâneas. Obras.. apresentou uma família de sistemas lógicos denominada lógicas moduladas. corretos e completos. propõem-se três sistemas lógicos monotônicos. Recife. São Paulo: [s. sintaticamente. p. 2. M. DA COSTA. A. com a qual compartilham algumas propriedades. Carnielli e Veloso (1999). In: ARISTÓTELES. essas lógicas constituem extensões conservativas da lógica clássica. W. Grácio (1999). INFORMATION AND COMPUTATION (WOLLIC’94). Lógica indutiva e probabilidade.. Abstracts .]. R. Tais quantificadores representam algumas formas de raciocínio indutivo. 1994. R. elaborando perspectivas abertas em Sette. Essa família é caracterizada. CARNAP. semanticamente interpretados por subconjuntos do conjunto das partes do universo. 1950. pela inclusão de quantificadores generalizados na linguagem da lógica clássica de primeira ordem. Samaranch. diferentes abordagens formais destinadas à formalização de proposições sustentadas por evidências empíricas. ed. p. London: Routledge and Kegan Paul. 1997.

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