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VERVE: Revista Semestral do NU-SOL - Núcleo de Sociabilidade Libertária/ Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais, PUC-SP. Nº19 ( Maio 2011 - ). - São Paulo: o Programa, 2011 semestral 1. Ciências Humanas - Periódicos. 2. Anarquismo. 3. Abolicio­ nismo Penal. I. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais. ISSN 1676-9090
VERVE é uma publicação do Nu-Sol – Núcleo de Sociabilidade Libertária do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP (coordenadores: Vera L. Michalany Chaia e Lúcia Maria Machado Bógus); indexada no Portal de Revistas Eletrônicas da PUC-SP, no Portal de Periódicos da Capes e catalogada na Library of Congress, dos Estados Unidos.

Editoria Nu-Sol – Núcleo de Sociabilidade Libertária. Nu-Sol Acácio Augusto, Aline Passos, Anamaria Salles, Andre Degenszajn, Beatriz Scigliano Carneiro, Edson Passetti (coordenador), Eliane Knorr de Carvalho, Gustavo Ferreira Simões, Gustavo Ramus, Leandro Alberto de Paiva Siqueira, Lúcia Soares da Silva, Luíza Uehara, Maria Cecília da S. Oliveira, Rogério H. Z. Nascimento, Salete Oliveira, Sofia Osório, Thiago M. S. Rodrigues. Conselho Editorial Alfredo Veiga-Neto (UFRGS), Cecilia Coimbra (UFF e Grupo Tortura Nunca Mais/RJ), Christina Lopreato (UFU), Clovis N. Kassick (UFSC), Doris Accioly (USP), Guilherme Castelo Branco (UFRJ), Heliana de Barros Conde Rodrigues (UERJ), Margareth Rago (Unicamp), Rogério H. Z. Nascimento (UFPB), Silvana Tótora (PUC-SP). Conselho Consultivo Christian Ferrer (Universidade de Buenos Aires), Dorothea V. Passetti (PUCSP), Heleusa F. Câmara (UESB), João da Mata (SOMA), José Carlos Morel (Centro de Cultura Social – CSS/SP), José Eduardo Azevedo (Unip), José Maria Carvalho Ferreira (Universidade Técnica de Lisboa), Maria Lúcia Karam, Nelson Méndez (Universidade de Caracas), Paulo-Edgar Almeida Resende (PUC-SP), Pietro Ferrua (CIRA – Centre Internationale de Recherses sur l’ Anarchisme), Robson Achiamé (Editor), Silvio Gallo (Unicamp), Stéfanis Caiaffo (Unifesp),Vera Malaguti Batista (Instituto Carioca de Criminologia).

ISSN 1676-9090

verve
revista de atitudes. transita por limiares e instantes arruinadores de hierarquias. nela, não há dono, chefe, senhor, contador ou programador. verve é parte de uma associação livre formada por pessoas diferentes na igualdade. amigos. vive por si, para uns. instala-se numa universidade que alimenta o fogo da liberdade. verve é uma labareda que lambe corpos, gestos, movimentos e fluxos, como ardentia. ela agita liberações. atiça-me! verve é uma revista semestral do nu-sol que estuda, pesquisa, publica, edita, grava e faz anarquias e abolicionismo penal.

de novos/velhos modos. segue com a conduta da ditadura militar. apenas para para continuar. . que interessam pela força de inventar a vida livre no agora. propiciando outras leituras e perspectivas. eletrônica e no papel. mostra a partir de uma grande pequena situação. os comentários e problematizações lançados semanalmente pelo nu-sol na flecheira libertária vêm numa seleta reunindo flechas dos últimos seis meses. violência. como poema. descritas por hakim bey. por beatriz carneiro. verve dobras não termina. a moral do castigo e da obediência à autoridade superior. lembrada em sua potência e atualidade em verve 19. que seguiu destemida e livre. por edson passetti. experimenta imagens e a vida como obra de arte na companhia de hélio oiticica e lygia clark.verve se desdobra de novo. em fluxos. registra um hypomnemata extra escrito pelo nu-sol após o perdedor radical do realengo extravasar seu ressentimento e explicitar misérias de vida emolduradas em escolarização. noutros fluxos. verve dobras publica o pronunciamento que louise michel lançou. aberta. como a polícia. vibrando junto à comuna de paris. o exílio não acovardou louise. e com ela. com todos os programas e investimentos que a procuram modelar como “cidadã”. em tempos nos quais a democracia reafirma. vontade de morte e sujeições. enquanto o artigo de colin ward conversa com o potencial libertário das zonas autônomas temporárias. contra os juízes que a condenavam pela ousadia de ser insurreta.

em poesia e imagens .sumário Lygia Clark e Hélio Oiticica: 218 experiências de vida-artista Beatriz Scigliano Carneiro 243 A vontade de extermínio Nu-Sol 249 254 268 Polícia e cidadania Edson Passetti Flecheira libertária. seleta Nu-Sol Zonas autônomas temporárias Colin Ward 274 Louise Michel.

(. Dentre as formas de resistência ao poder político. independente desta pender ou não para um regime ditatorial. “O Estado foi.. 19: 218-242. 218 verve dobras. São Paulo. 2011 . Publicou o livro Relâmpagos com claror: Lygia Clark. ao mesmo tempo totalitário e individualizante. desde seu início. Beatriz Scigliano Carneiro é pesquisadora no Nu-Sol. ultrapassar a estética e configurar-se como uma ética capaz de alterar as relações de poder. mas às raízes mesmas da racionalidade política”. constrói-se no jogo mesmo das relações de poder por meio de práticas de liberdade. pois enfrenta o cerne da racionalidade política. não a um ou outro de seus efeitos. A vida como obra de arte toma por referência neste artigo dois artistas brasileiros de destaque: Hélio Oiticica e Lygia Clark.1 Trata-se de uma resistência que lida com as maneiras de se conduzir. doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.. Hélio Oiticica.19 2011 Lygia Clark e Hélio Oiticica: experiências de vida-artista beatriz scigliano carneiro A própria vida pode se tornar arte. vida como arte. 2004. cujas atividades marcaram-se por corajosas atitudes experimentais de afirmação de novos valores na arte e na vida. Imaginário/FAPESP.) A liberação só pode vir do ataque. há um aspecto que ultrapassa a luta contra um modelo autoritário específico.

Grande Núcleo (1960). . Hélio Oiticica.

2 Os filósofos gregos da Antiguidade inauguraram a problematização da construção de si dentro de uma dimensão ética de cuidado do outro e da vida da cidade.6 A questão da relação entre a verdade e a vida. como Max Stirner e Nietzsche. A outra refere-se à consistência desse cuidado e problematiza qual deve ser a vida a ser cuidada de modo a produzir a experiência da verdade de si. Agir a partir da experiência vivida. a experiência verdadeira de corpos vivos e a constituição do pensamento são marcas da própria cultura ocidental.4 A primeira vertente foi seguida por Platão. de uma ética. ao tema da verdade interior que deveria ser cuidada. mas “não apenas dizendo a verdade pelo dizer. pelos filósofos cínicos. dentro de uma dimensão política e além da política. Estes arriscavam a vida por dizer a verdade. afronta não apenas o poder de Estado. ou seja. o cuidado de si consistiu no modo pelo qual a liberdade se refletiu como ética. apresentado por Sócrates. mas pela própria maneira como se vive”. a segunda. Em grande parte da história greco-romana. A partir do cuidado de si. delinearam-se duas vertentes do pensamento: uma referente à questão de quem se é.19 2011 Foucault situou explicitamente a “relação de si para consigo” no cerne de uma resistência ao poder político. Hélio Oiticica.3 Esta formação de uma “hermenêutica de si” obteve ressonâncias em filósofos do século XIX. mas também as demais hierarquias arraigadas no dia-a-dia da vida social. ao anunciar que 220 . e não do assujeitamento a uma regra geral.5 Os cínicos faziam de sua vida expressões escancaradas das verdades que pronunciavam. e encontrou ecos nas atitudes anarquistas quando pensamento e militância instigaram experimentações de vida libertária em todos os seus aspectos.

Bicho (1963). . Lygia Clark.

mas jamais trai quem a pratica: simplesmente dá a cada um o seu encargo.19 2011 seu programa ambiental Parangolé pretendia “derrubar todas as morais”. Não foi apenas Oscar Wilde (1854-1900). a obra tornou-se também registro da construção de suas vidas e da mobilização para realizá-las.8 Os artistas seriam aqueles que ultrapassam sua cultura de algum modo para realizar sua obra. que um artista seja ligado à sua vida de um modo que esta seja a garantia da sinceridade da obra que realiza. dentro da própria forma que toma. o testemunho de minha obra não é mais minha obra. ou uma mera ‘reconciliação’ entre arte e vida. 222 . A relação entre vida e obra percorre a história da arte. ao menos desde o Renascimento. a vida de um artista passou a ser considerada como algo diverso da vida das pessoas não artistas. constituir um certo testemunho disso que é a arte em sua verdade”. mas eu-obra-pessoa humana”. A partir do século XIX.”7 Em Hélio Oiticica e em Lígia Clark não há cisão entre a invenção de formas artísticas e a invenção e construção de si.10 A vida artista aqui se constitui um testemunho da verdade encontrada pelos artistas em suas experiências estéticas e éticas.9 Espera-se. portanto. o foco na relação entre vida e arte ganha força. Reforça-se “a ideia moderna de que a vida do artista deve. baseada na experiência de cada um: é perigosa e traz grandes infortúnios. Lygia Clark conflui neste sentido ao afirmar: “De hoje em diante. explicou: “A liberdade moral não é uma nova moral. Mas é muito mais do que formulação de uma arte que se dirige à vida. mas uma espécie de antimoral. Na sociedade ocidental. quando se institucionalizou a autoria das obras de arte.

.B3 Bólide Caixa 3 “Africana” (1963). Hélio Oiticica.

12 A vida como arte converge na direção da estética da existência proposta por Foucault. Em determinado momento de seu percurso intelectual. contestavam o conservadorismo. Consiste em uma atitude experimental que a cada instante confronta o que se diz e se pensa com o que se faz e é. O anarquista procurou unir sua vida cotidiana ao que fala. Não foi coincidência que a maioria destes artistas foi composta de anarquistas declarados. que realizou a vida como arte. sem que nada seja deixado de lado de modo intelectual”. Foucault se pergunta: “A vida de cada indivíduo não poderia 224 . mas o tema era comum em diversos outros escritores e artistas que lotavam cafés literários. estamos na presença de um programa de resistência eficaz à uniformização planetária dos comportamentos”.11 Hoje. na sua totalidade. sem distinguir suas ações entre públicas e privadas. Como sugere o curador e crítico de arte Nicolas Bourriaud no final do século XX: “Trata-se de fazer de nossa existência um texto onde se inventa um modo de vida.19 2011 inventor da expressão “fazer da vida obra de arte” como mote de sua vida-obra. lançavam revistas. militavam em causas sociais. afirmou: “A própria vida deve ser continuação de toda experiência estética. independente de intenções abstratas. Hélio Oiticica. Esta estética da existência coloca em primeiro plano as relações efetivamente vividas entre os indivíduos e do indivíduo consigo mesmo. em 1969. um trabalho de produção de si por meio de signos e objetos: além da arte. a urgência da vida-artista coloca-se no cerne de uma discussão que ultrapassa a arte contemporânea ao fazer dela uma arma possível.13 confronta-se com os efeitos de suas ações.

.Caminhando (1963). Lygia Clark.

este reiterou que inventava sua vida concomitante à sua obra: “a sucessão de obras é para fazer inteligível o que eu sou. capaz de transformar a vida do artista em obra de arte também. de 1968. Entre os temas que a experiência de viver como obra de arte problematiza. O eu autoral se dissolve na vida inventada pelas práticas de si exercitadas pela atividade estética. é a obra que instaura o autor — se é que ainda se pode manter aqui a noção de autoria. a resposta teria sido: “de há muito a obra para mim é cada vez menos importante e o recriar-se através dela é que é o essencial”. situa-se a noção de obra e de autoria dessa obra-vida. na realidade eu não sei o que eu sou. O autor não precede a obra pois.17 Não saber quem se é. Por que um pintor trabalharia se não fosse para ser transformado por sua pintura?”15 Se esta questão de Foucault sobre o efeito da arte no artista tivesse sido dirigida a Lygia Clark. 226 . “Essa transformação de si pelo próprio saber é algo bem próximo da experiência estética. como em Lygia Clark e Hélio Oiticica. porque se é invenção eu não posso saber”.19 2011 ser uma obra de arte? Por que uma lâmpada ou uma casa são objetos de arte e não nossa vida?”14 Em relação às afinidades entre a arte e seu pensamento. eu passo a me conhecer através do que eu faço. assim como não saber o que são as coisas. demandam a invenção — não há pressuposto de uma verdade intrínseca de si ou de um princípio essencial das coisas que será desvelado pela arte. reconheceu que as artes plásticas consistem em uma prática de transformação de si.16 conforme encontra-se em uma carta para Hélio Oiticica. Em 1979.

Lygia Clark & Hélio Oiticica.Diálogo de Mãos (1966). .

um comparticipador. desabituá-las de seu dia-a-dia. Sem essa experimentação coletiva. Na formulação do “SupraSensorial”. Observar uma pintura ou escultura é uma ação ativa em que o espectador aciona seu conhecimento. trata-se de liberação e expansão de forças sempre novas. Lygia Clark exigiu maior ação do espectador. Hélio Oiticica visava também atingir. dissolver as barreiras das pessoas à percepção das coisas. em 1967. sem fórmulas que fixem o caminho da experiência. as obras de arte não teriam 228 . suas obras destinaram-se à experimentação ativa pelo outro que era convidado a usar o corpo na fruição da arte.18 proporcionado pelo campo criado em seus programas ambientais. de 1959. Fim do império do olho ou do toque furtivo em prol do manuseio e de uma ação corporal como parte construtiva intrínseca à própria obra.19 2011 Lygia Clark problematizou a instituição da autoria na arte por meio das propostas de seus trabalhos que transgrediam os limites das categorias autor e obra. A partir da série de esculturas denominadas “Bichos”. transformar-se em um parceiro. Com os “Núcleos”. Trata-se aqui de invenção de mundos. os “Bólides” — caixas destinadas ao manuseio para que suas potencialidades se realizassem — e especialmente as proposições ambientais inauguradas com as séries “Parangolé” e “Penetrável”. Oiticica propôs o dilatamento de todos os sentidos como ação para o descondicionamento dos hábitos das pessoas. A solicitação para reorganizar os planos das esculturas “Bichos” traz a prática de outra noção de artes plásticas e visuais. sensibilidade e disposição em conhecer e habitar a proposta de um artista. deste modo. Mas Lygia foi além ao solicitar que o espectador utilizasse seu corpo e outros sentidos além da visão para realizar a obra e. incorporar o outro.

Hélio Oiticica (1968).Parangolés (1965) de Hélio Oiticica na abertura da mostra coletiva Opinião (1965) no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (foto de Cláudio Oiticica). . Parangolé P25 Capa 21 Xôxoba para Nininha da Mangueira. Apresentada por Nininha em Apocalipopótese (1968).

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razão alguma para serem elaboradas. A autoria deslocase devido a obras que só se concretizam com as ações do chamado espectador na proposta. O artista deixa de ser artista realizador de obras-objeto para ser um propositor de ações. Após “Bichos”, Lygia Clark radicalizou a dissolução do autor com “Caminhando”. Uma arte “(...) que era menos obra, menos autoria, menos objeto de arte. Eu pegava uma fita topológica, que eu não inventei, pois a topologia existe, e pedia às pessoas que cortassem e fizessem o seu próprio ‘Caminhando’; a estrutura não era minha; a obra não era minha, a autoria não era minha, só o conceito era meu; a participação, que era o ato de criatividade foi dada ao outro”.19 A experiência é simples: monta-se uma fita de Moebius e, com a ponta da tesoura, perfura-se a superfície e corta-se continuamente. Ao dar a volta completa — prestando atenção para não recair no corte já feito e sem dividir em duas partes — escolhe-se entre caminhar, cortando à direita ou à esquerda do corte já feito. Essa noção de escolha é decisiva. O único sentido dessa experiência reside no ato de fazê-la. A obra é seu ato. À medida que se corta a faixa, ela se afina e se desdobra em entrelaçamentos. No fim, o caminho é tão estreito que não se pode mais abri-lo. É o fim do atalho.20 Não é interatividade, como nos jogos eletrônicos e em muitos objetos da atual arte tecnológica, pois o “espectador” precisa incorporar a obra e nela se incorporar, deixando assim de ser espectador e tornando-se o performer de uma proposta. Esse fluxo contínuo experimentado ao se cortar a fita de Moebius é um ato vivo, cujo sentido consiste simplesmente em fazê-lo. Aqui não se trata de vida que se estende à arte, nem de arte que invade a vida, e sim de fluxo vital em
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Ninho (1971), Hélio Oiticica. Este ninho fora construído em seu apartamento em New York.

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movimento, até o esgotar de suas possibilidades de escolha. Lygia Clark escreve sobre o novo papel do artista que “Caminhando” apontou: “Nós somos os propositores: nós somos o molde, cabe a você soprar dentro dele o sentido da nossa existência. (...) Sós não existimos, estamos à sua mercê. (...) enterramos a obra de arte enquanto tal e chamamos você para que o pensamento viva através de sua ação”.21 O que ‘restaria’ ao artista que entrega sua obra para ser incorporada pelo outro? Em um texto, sem data, Lygia Clark diz: “Porque para o artista o importante é o fazer, não é a obra pronta. É no fazer que ele caminha com ela e depois que termina ela não lhe serve para nada a não ser para apontar-lhe novos caminhos”.22 A dissolução da autoria faz emergir a vida-artista, deslocada de uma autoridade identitária e que se manifesta em sua verdade pelas experimentações de liberdade. Em função das propostas de Hélio Oiticica e Lygia Clark para incorporação dos chamados espectadores como elementos centrais da realização das obras, a autoria se dissolve para dar lugar a uma circulação de proposições, de “estados de invenção”, que ultrapassa a circulação de objetos assinados entre museus e galerias. As atividades desses artistas plásticos criam campos de possibilidades que dependem da confluência com outras pessoas para se realizarem. Esta confluência só acontece se houver a instauração de um campo ativo de uma coexistência amalgamada às práticas dos artistas. Entra-se aqui no campo do experimental como atividade da estética da existência colocada pelos dois artistas enquanto algo que envolve o outro e uma ação coletiva,
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Obra apresentada na retrospectiva: Lygia Clark e Hélio Oiticica.Rede (1974). Lygia Clark. Realizada com alunos de curso ministrado por Lygia Clark no Instituto de Artes da Universidade de Paris-Sorbonne. Lygia Clark. organizada pela FUNARTE no IX Salão Nacional de Artes Plásticas. Corpo Coletivo (1986). .

onde se reuniram propostas de vários artistas: os “Parangolés” de Hélio Oiticica. Hélio Oiticica e Lygia Clark mostram como a estética da existência abrange o coletivo. em suas proposições. ocorreu um evento de arte. não se ocupa apenas de si mesma. “Contato grupal coletivo: não imposição de uma ideia estética grupal. pois também instiga os outros a se ocuparem de si. Para Hélio.23 Em 1968. (…) não para fazer obras de arte. as “Urnas Quentes” de Antonio Manuel. observando como este funcionava. os cães amestrados de Rogério Duarte. buscaram possibilitar uma efetiva experimentação. Ambos buscaram condições de incorporar esses outros.24 Hélio Oiticica notou o sentido de um ‘grupo aberto’. “Apocalipopótese”. nos jardins do MAM-RJ. esta foi a mais profícua experiência que envolveu participação até aquele momento — todas as obras se destinavam ao uso do público. O evento assinalou um momento de mudança em sua trajetória: “Apocalipopótese desvendou-me o futuro”. visando o deslocamento do cotidiano. inventor do título da manifestação. os chamados espectadores.19 2011 a partir de um processo de subjetivação que requer o verdadeiro e o atento. quebra de hábitos e novas atitudes.25 Grupo aberto era antes imaginado por ele como 234 . não se isola. mas a experiência do grupo aberto num contato coletivo direto”. e várias esculturas e objetos manuseáveis distribuídos no local. Hélio Oiticica assim formulou suas preocupações em relação ao coletivo: “Sinto que a ideia se orienta em direção da necessidade de uma nova comunidade. mas algo como a experiência da vida real — todo tipo de experiências que poderia levar a um novo sentido de vida e sociedade — um modo de construir um ambiente para a própria vida baseada na premissa que a energia criativa é inerente a cada um”. de Lygia Pape. os “Ovos”.

. Hélio Oiticica.Penetrável PN28 Nas Quebradas (1979).

mas “Apocalipopótese” mostrou-lhe que “o ponto comum seria a predisposição em que os participantes admitem a direta interferência do imponderável: a desconhecida ‘participação coletiva’”. 27 A atitude experimental exercita-se no ato de inventar e. é que me estabelece a referência de que estou fazendo alguma coisa. mas o experimental. que as chamadas ideologias eram insufi236 . inauguradas. elas estão inaugurando cada vez uma situação. de uma opção pela prática de liberdade. mediante o abandono das certezas. A invenção compreende. porque cada coisa que eu faço. isto é. que não só assume a ideia de modernidade e vanguarda. já em meados dos anos 1960. Uma invenção dá em outra invenção.26 Construir-se pelo experimental decorre de uma decisão. descascada até a nossa raiz”.28 “Urge ter coragem de renunciar a artificiosas compensações. da identidade bem colocada. urge ser despida. com experiências semelhantes. ela buscava realizar a escolha a partir do que se viveu e se sentiu. uma realidade nova”.29 Assim escreveu Lygia Clark acerca da sua própria transformação. Percebera. ao mesmo tempo. se as coisas estão sendo feitas. Como reitera Hélio Oiticica: “eu não sei o que eu faço. pela avaliação dos efeitos e das consequências. isto é inventadas. inclusive da sua posição de artista reconhecida. para seguir as evidências das experimentações. mas também a transformação radical no campo dos conceitos-valores vigentes: é algo que propõe transformações no comportamento-contexto”. Ao mesmo tempo. e não como uma reação ou apelo a uma autoridade externa. Segundo Hélio Oiticica: “Não existe ‘arte experimental’.19 2011 sendo agrupamento de pessoas “afins”.

Parangolé P4 Capa 1 (1964). . Hélio Oiticica.

238 . com as técnicas de que se dispõe no decorrer da vida. sejam estas decorrentes da arte. inventando mundos. o indivíduo a que ambos artistas se referem não seria um “núcleo elementar” no qual viria aplicar-se o poder para subjugá-lo. segundo Foucault. compartilhada. sem nunca perder a dimensão de que. da filosofia. A experimentação pode ser coletiva. O trabalho artístico por si não assegura mudança de valores. experimentáveis.19 2011 cientes para apontar um caminho de transformação. resistir às programações. experimentar outras verdades.31 É a partir da afirmação individual que se estabelecem condições para uma experimentação coletiva. Hélio Oiticica e Lygia Clark buscaram atrair o outro para suas invenções por meio de propostas sensoriais. pois a constituição mesma do indivíduo é. ultrapassando soluções coletivas abstratas. Contudo. correr riscos. A arte é uma prática.32 Por esse motivo. ou de alguma outra atividade que possibilite pensar e agir sobre si mesmo e na relação de si com o mundo. conforme Hélio Oiticica.30 A partir de sua própria experiência de vida e arte. ela concluiu que a ligação com o coletivo só poderia ocorrer a partir das possibilidades de cada um. uma experimentação. pois “há sempre a busca da autoridade que é um elemento de ordem externa e tira a responsabilidade do ato”. explorar. É preciso haver uma confluência interessada. “um efeito do poder”. vontade e coragem de perceber de outra maneira o que ocorre no espaço vivido. A arte situaria o indivíduo como a referência para esta responsabilidade. é possível transformar-se quando se trabalha corajosamente sobre si e na verdade de si mesmo a partir de efetiva vivência. “a opção individual é a única q pode optar pelo experimentar como exercício livre. SOLTOS DAS AMARRAS da terra-terrinha”. e não de exigências externas.

Hélio Oiticica. .Parangolé P15 Capa 11 Incorporo a Revolta (1967).

135. 585.cit. 392. A hermenêutica do sujeito.cit. p. p. op. p. “À propos de la généalogie de l’éthique: um aperçu du travail em cours” in 1994. 3 Michel Foucault. de 2 de abril de 1968” in Hélio Oiticica. in 1994. “HO por Ivan Cardoso — depoimento especial para o filme HO em janeiro 1979” in César Oiticica Filho et. Paris. Fundaciòn Antoni Tàpies.. 2009. 1999. 227. Hélio Oiticica. Formes de vie: l’art moderne et l’invention de soi. 1994. op. 4 5 6 7 8 9 Idem. Ibidem. Gallimard/Seuil. p. Idem.. 12 Michel Foucault. p. “Une Interview de Michel Foucault par Stephen Riggins”.. Paris. p. Cartas.cit. 16 Hélio Oiticica. 306. p. al. “Omnes et singulatim: vers une critique de la raison politique” in Dits et Ecrits IV. São Paulo. 1986. p. Rio de Janeiro. op. “Politique et éthique: une interview” in 1994. 2009. p. Tradução de Marcio Alves da Fonseca e Salma Tannus Muchail. Denoel. Paris.. p. 15 Lygia Clark. “Pensamento Mudo” in Lygia Clark.. Michel Foucault. p. 172-3. 1996. 1994. Jeu de Paume. Martins Fontes. p. op. Michel Foucault.. 17 240 . Rio de Janeiro. p. 10 Hélio Oiticica. 1998. 11 Nicolas Bourriaud. 239. Gallimard. 161. 271. 712. cit. 81. 216. op. UFRJ. Barcelona. Michel Foucault. 169. “Carta de 26/10/1968” in Lygia Clark & Hélio Oiticica. 14 Michel ������������������������������������������������������������������� Foucault. Lygia Clark. 13 Michel Foucault.cit. 2004. cit. “L éthique du souci de soi comme pratique de la liberte” in 1994. Paris. op. “Carta a Guy Brett. p. 56. Beco do Azougue.19 2011 Notas 1 2 Michel Foucault.(orgs.) Hélio Oiticica. 2009. pp. La courage de la verité. 536.

p. op. 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 Lygia Clark. p.. op. Rio de Janeiro. op. 1998. p. Funarte. São Paulo. Hélio Oiticica. 104.cit. Hélio Oiticica. 135. “Caminhando” in Lygia Clark.. 1999. Em defesa da sociedade. “Anotações” in 1998. Patrulhas Ideológicas.cit. 25-6.. p. Idem.cit.. 19 Lygia Clark.128. p 156. Michel Foucault. p. Aspiro ao grande labirinto.cit.cit. p. p. Rio de Janeiro. 32 241 ..verve dobras Ligia Clark e Hélio Oiticica: experiências de vida-artista Hélio Oiticica. Martins Fontes. Idem. p. “Mundo Abrigo. p. p. 1986. op.1994. 27 de outubro de 1973” in Documento 1624/71. p. Brasiliense. São Paulo. 2009. Rocco. Hélio Oiticica. p. 35.119. 154-5.cit. Hélio Oiticica. Pereira & Heloisa Buarque de Hollanda. 1980. 167. Idem. 240. Catalogue Raisonnée. Caderno textos de Hélio Oiticica. 1986. 1980.. 130. op. Lygia Clark. “Depoimento” in C. “Nós somos os propositores” in 1998. Projeto HO. Lygia Clark. CD/ROM. 2003. 156. 233. Tradução de Maria Ermantina Galvão. op. Ibidem. 18 Lygia Clark.

estética da existência. experimentação. aesthetics of existence. The aesthetic inventions of both artists are stressed by works that potentiate changes of habits and experimentations of new values and other truths to the interested ones. novos valores. Abstract Lygia Clark and Hélio Oiticica built their lives as art through their artistic activity: the artist-life. new values. Recebido para publicação em 15 de dezembro de 2010.19 2011 Resumo Lygia Clark e Hélio Oiticica construíram suas vidas como arte por meio da atividade artística: a vida-artista. practice that converges with the aesthetic of existence in Foucault. 242 . prática que converge com a estética da existência em Foucault. Confirmado em 10 de fevereiro de 2011. experiment. keywords: art. palavras-chave: arte. As invenções estéticas de ambos os artistas são marcadas por obras que potencializam alterações de hábitos e experimentações de novos valores e de outras verdades para as pessoas interessadas.

Wellington Menezes de Oliveira foi interceptado por um policial e ‘suicidou-se’ com um tiro na cabeça. Reviraram-se cartas. matou e se ofereceu em martírio. começaram as incessantes buscas dramáticas pela descoberta dos motivos.A VONTADE DE EXTERMÍNIO No dia 7 de abril. sua repugnância ao que não fosse o mundo de pureza e castidade que havia empreendido para si. O ‘perdedor radical’ ensimesmado. Extravasou seu ressentimento e vontade de morte. . ‘instant messengers’. sua história de vida. incluindo instruções sobre seu ‘embalsamento’ como homem santo que acreditava ser. e difundiu um momento de conversão e redenção. lida na televisão. sua ‘meta’. ruminou à espera da hora derradeira de agir. vídeos. emudecido e recluso. Após a tragédia. preferencialmente meninas. para tentarem chegar próximo a uma conclusão sobre o ‘novo monstro’. seu ódio pelas meninas. compartilhada na internet. Deixou uma carta. opiniões de conhecidos. Construiu. Em nome desse ‘mundinho’. laudos médicos. atingiu seu objetivo. um jovem de 23 anos entrou na escola onde cursara o Ensino Fundamental e metralhou crianças entre 9 e 14 anos. cuidadosamente. Sabia que ela seria publicada nos jornais. anotações pessoais. seu momento de celebridade e vingança.

  Orquestra-se a algaravia com comoções e perplexidades. seu corpo aguarda. comprou o recarregador de pistolas por cinco dólares na internet. racionalizadas explicações. ódio. ‘bullying’. Estampase o medo ao próximo justiceiro invisível. Em sua cruzada pela pureza redentora. fundamentalismos. e gravou um vídeo para sua efêmera posteridade. religião. choros. frustrações. Wellignton. virgindade.. édipos. Junto a outros ‘perdedores radicais’ que já morreram e aos que virão. alguém para reclamá-lo.Foram enumerados variados elementos explicativos para a morte destas crianças em uma escola no Rio de Janeiro: internet. . realizou a vontade de extermínio dos demais covardes dissimulados. ele conforma e atualiza o inacabado ‘programa’ desta ‘irmandade de mártires’. como futuro indigente. televisão. o inimigo imprevisto e jamais antecipado. pagou duzentos e cinquenta reais por uma das armas. pureza. expectativas e falta de expectativas. compras legais ‘on line’. desespero. heróis midiáticos. videogames de guerra.. armas ilegais. irmandades. No necrotério. dizem que também conhecido como ‘Al Qaeda’. Jesus. escola. solidão. turbas de vingadores e clamores por segurança.

Não há o ‘criminoso’ para a polícia e o tribunal. enfim. dos ‘ambientes’ de jovens. empurrando-as ao sucesso a qualquer preço. equipamentos de ponta. . causas socioeconômicas. monitoramentos. Instala-se o inevitável: o assombroso desterro destinado às crianças condenadas às escolarizações forçadas e às suas famílias desesperadas e crentes na felicidade. penalizações. Educadas no secular sistema de recompensas e punições como futuro ‘capital humano’ são presas das metas a serem perseguidas. assunto para enfadonhos jantares familiares. rádio e jornais. diagnósticos de especialistas sobre transtornos psiquiátricos. ladainhas no ‘facebook’. no governo das condutas. medicalizações. ONGs e anuncia a etérea esperança em polícias. nem para a moral que o criou e o despreza como bastardo. Este ‘criminoso’ não está vivo para ser esmiuçado pelos saberes da consciência. postagens eletrônicas. agenciado pelo ‘empreendedorismo de si’. da escola. ‘orkut’ e demais redes sociais digitais. educação para o futuro. permanece um vazio. Não há nada para amenizar o teatro de horrores transformado em notícias de televisão. sociologia da violência. Sua morte escancara a disseminação do medo no interior das famílias.Entretanto.

embalsamada. psiquiátricos. afeitos a parecerem vencedores por um instante. Por não suportarem a condição de ‘losers’. da mediocridade do ‘empreendedorismo de si’. covardes. da fraqueza de pessoas incapazes de se defenderem”. cuidados especiais pedagógicos. que se aproveitam da bondade. maquiada e forçosamente moderadora. não suportam serem perdedores ‘a priori’. Incapazes de insubmissões e revoltas.   Wellington é uma criação da família. sociais. da inocência. recomenda-se a administração da apatia com fé em mais segurança. ao que devem ver na internet e na televisão.   “A luta pela qual muitos irmãos no passado morreram e eu morrerei não é exclusivamente pelo que é conhecido como bullying. . da escola. psicológicos. ao que devem fazer para satisfazê-los. do ‘bullying’.Enquanto isso. e sedentos por uma restauração moralizadora em uma sociedade de ventríloquos. das redes sociais digitais. da ciência dos transtornos. sob o regime das acentuadas atenções de pais e mães aos seus filhos. escancara o policiamento às amizades indesejadas. atingem o estágio do insuportável e transbordam suas derrotas em extermínios relâmpagos. da apatia dos jovens preparados para ser capital humano. A nossa luta é contra pessoas cruéis. e o pesadelo real.

Contudo. que celebra a morte de uma parte impura em nome da pureza de todos. Ampliam-se as práticas de contenção de supostos perigosos. Cedo ou tarde. a fraqueza da fraternidade e a necessidade de sangue assinando o escândalo de sua obstinação. um bosta. e não fica vivo para ser alvo da ‘justiça’. ao mesmo tempo. Atinge as vítimas selecionadas. enquanto se aguarda o momento em que seu ato de violência mostrará que não é fraco. covarde. ambiente favorável à produção do ‘nerd’ e de seu autodegredo como futuro vencedor. atira merda para todos os lados. E como tal. ‘o perdedor radical’. outros ‘irmãos’ como estes virão para explicitarem. A proximidade entre este ‘perdedor . isolado ou em dupla. transforma-se em fato inquestionável para a disseminação dos discursos punitivos e medicalizadores de jovens com sua posologia genérica para normalizar as condutas recomendáveis. Traz à tona seu análogo vexatório. refazendo o lote dos anormais e fortalecendo a prevenção geral em ‘defesa da sociedade’.Este ‘perdedor radical’ reside na escola. Os ‘incapazes de se defenderem’ solidificam as covardias de cada um com suas ações de ‘perdedores radicais’. estúpido. a sociedade que os produziu. mais uma vez. Cada ‘perdedor radical’ expressa a vontade de extermínio própria do racismo entranhado nas tecnologias modernas de poder.

lentamente. dinheiro e reconhecimento. boletim eletrônico do NuSol. empregos e universidades não descobrirem e demolirem o que estão sendo levados a servir. bom e inocente. o vencedor à mercê das metas exigidas. própria do regime das penas. não vê outra saída senão matar e morrer. a iminência da matança estará cada vez mais presente. seu corpo aguarda. Wellington não era um terrorista. realiza. se expandirá. alguém para reclamá-lo. como futuro indigente. No necrotério. abril de 2011. que tem na escola e na família seus lugares privilegiados. se houver. Quem?! [Publicado como ‘hypomnemataextra’. nem um doente. é no extermínio dos inimigos escolhidos que o ‘perdedor radical’ encontra-se com a vitória do fraco. a prisão e seus monitoramentos a céu aberto se elastificarão. Enquanto os jovens de hoje nas escolas. expressa em atos de violência o que o seu duplo.] . em busca de sucesso. está na disposição para morte como meio para atingir a sua meta de cruzado contra o mal. Assujeitado na condição de vítima. Ele é a expressão macabra da cultura do castigo.radical’ e os terroristas islâmicos. Se a imagem do vencedor é a daquele capaz de trucidar seus adversários num emaranhado supostamente ético. a suspeição.

Prefiro seguir em frente. indica que eu estacione o automóvel em 45 graus. Um policial me para e propõe o teste do bafômetro. intimam-nos a sair do carro. ao seu redor. Saímos para um lanche. que não me recuso a fazer. Em seguida. Na esquina da Rua Dr.POLÍCIA E CIDADANIA São onze horas da noite e encerramos nossa reunião de pesquisa. com as mãos nos revólveres. vários policiais armados. dou carona a quatro pesquisadores. Estão à nossa frente quatro ou mais viaturas enfileiradas e. no Largo do Arouche. Em alguns instantes estaria na porta do edifício onde reside o último amigo. Perguntam. Poderia ter virado à esquerda ou à direita e escolhido uma rota de fuga de um imediato incômodo. Conhecedores da linguagem. observo uma “batida” policial adiante. Esbravejam respeito às ‘suas’ autoridades com lapidares frases histriônicas próprias a uma comédia vulgar e ordenam que . respondemos: não! Exigem os documentos de identificação de cada um e do automóvel. Mais tarde. Dois deles. Procuro responder de forma amistosa e me informar sobre o que acontece. Eles exigem que me cale e os trate por ‘senhor’. de forma autoritária. Veiga Filho com a Amaral Gurgel. diante do semáforo vermelho. se temos ‘passagem’.

simultaneamente. os ‘tensos’ policiais consideram cada cidadão um suspeito. é a ‘lei’ e está ‘acima da lei’. enquanto verificam os documentos. Eles não admitem estar diante de um cidadão. um sujeito perigoso. na madrugada ou à luz do sol. Rememoro. por policiais tão superiores. muitas vezes. autoritários e presunçosos? Como sempre. na mesma hora. a conduta autoritária que deve . Estabelece-se um comando apodrecido que pretende a policial e à condição Reproduz-se sujeição do cidadão à autoridade deixá-lo reduzido. um ‘sim.esperemos na calçada. Pergunto-me: como seria tratada uma ‘senhora’ ou uma garota que passasse naquele local. rapidamente. a velha e velhaca cena contracenada pelo policial e o bandido numa ‘batida’. cabeça baixa. os tempos da ditadura e as ‘batidas’ idênticas a essa durante a caça aos ‘subversivos’: todo policial vê o cidadão como um ‘fora da lei’ enquanto ele. ou um submisso esperto e capaz de representar o ato esperado dos delinquentes: mãos para trás. alguém que deve obedecer às suas ordens sem responder. enfim. senhor’ para qualquer ordem. de ‘passageiro para o cárcere’. mas tratam cada um como um ‘vagabundo consumado’.

Eles querem saber quem é o proprietário. Volto a abordá-lo outras vezes até que. Mais de 40 minutos depois. Não apresento o documento do automóvel. Respondo-lhe. Eles dão as costas. Fazem o ‘seu trabalho’! Eu e meu amigo conversamos na calçada calmamente. O policial ‘manda’ que eu espere. traçando reticências. que aguardarei o documento de autuação e retorno à calçada. alguns carros são parados. Não só por exigências do meu trabalho de pesquisa. Comunico que posso solicitar que o documento esteja ali em poucos minutos. nós entramos no carro para prosseguir. pergunto-me: qual o resultado dos variados programas implantados com dinheiro público para ‘reformar’ a polícia? Cresceram . Decido ir ao policial e perguntar quanto tempo ainda demorará. que nos liberará em breve. Sabemos que ‘tudo’ é possível. depois de informarmos uma advogada pelo celular. Uma palavra que desagrade o poderoso policial pode ser o início de um macabro teatro do absurdo! O tempo passa. depois de idas e vindas.silenciar e que exige obediência calada do cidadão. Estamos cansados e eles nos querem ‘dar uma canseira’. apenas. ele fala mansamente. outros seguem caminho.

as polícias e seus contingentes. conserva-se a longo tempo a instituição. seguida da UPP ‘social’. A conduta entre o policial e o ‘suspeito’.. isso é evidência de outro perigo a mais para cada um. seja ele quem for. os relatórios científicos elaborados para colaborarem com ‘políticas públicas’ e/ou as intermináveis palestras sobre cidadania: a polícia permanece um agente repressivo poderoso como instituição porque cada policial. Em nome da panaceia chamada ‘combate à impunidade’ os cidadãos apreciam esta conduta. O governo policial sobre a vida encontra-se tanto no fardado como no civil e fortalece uma austeridade e um autoritarismo escancarados no cotidiano. é um repressor. antes de tudo. e se cada cidadão quer mesmo que a polícia trate o ‘outro’ como suspeito e bandido. Pouco importa os quadros estatísticos sobre crescimento ou redução sazonal da ‘criminalidade’ metropolitana. o policial e o cidadão educados pelo . por certo similar à sua conduta com filhos. mulheres e subalternos. Qual a diferença entre a polícia ditatorial e a polícia cidadã? Se a polícia imagina que a utopia do cidadão é a UPP.. permanece inalterada. Assim.

org] . científica e ‘humanitária’. tínhamos ‘passagem’ (se tivéssemos. no site do nusol: www. com os documentos obrigatórios do automóvel. naquele momento. continua sendo a velha e podre polícia! Edson Passetti [intervenção urgente.nu-sol. A polícia cidadã. à punição. Mas para um homem e pesquisador apreciador da liberdade não é assim que as coisas acabam. estaríamos prestes a sermos encaminhados para a ‘delegacia’ e.). compondo a sanha tolerante: a de fazer do ‘outro’ aquele que deve ser manso e flexível para acatar o comando. Não cabem as justificativas institucionais ou as palavras bem intencionadas dos reformadores do discurso policial. à obediência ao superior. produzindo uma sociedade de agentes e zeladores da ordem.. estigmatizados como qualquer infrator dimensionado como delinquente. Como nem eu. Qual ordem? A do superior: seja ele um ditador ou um democrata disposto ao ‘diálogo’. tudo deveria acabar como mais um adendo à rotina do cidadão que não estava. armada ou não. nem meu amigo. publicada em fevereiro de 2011.amor ao castigo..

afirmam uma prática anarquista e abolicionista penal libertária.19 2011 flecheira libertária. 19: 254-267. o uso e abuso da palavra revolução e da produção de energia nuclear. 2011 . reinventou-se no espaço da tela. a flecheira libertária aboliu as epígrafes insurgentes que abriam e encerravam suas edições. quatro anos de existência. As flechas escolhidas anunciam combates desvelados no presente. ganhando cor na fonte e no fundo que abriga o texto. acompanhados por imagens inventivas. problematizam a democracia representativa. a política proibicionista. em 2011. Os mais de 200 números. período compreendido pela seleta contida nesse número. 254 verve dobras. coisas e o planeta — completou. seleta nu-sol uma nota A flecheira libertária — boletim semanal sobre pessoas. No último semestre. a prática psiquiátrica. explicitam o fogo dos embates que instigam o Nu-Sol. manifestações conservadoras.

o hypomnemata. a seguir. Ela está disponível ali. ao alcance da vista.verve dobras Para além da precisão no alvo. sobretudo. estão em movimento e fazem parte dos deslocamentos de cada pesquisador em suas lutas para dar forma a uma existência libertária.org). sem abandonar o humor anarquista. no site do Nu-Sol (www. agora e as aulas-teatro. a flecheira libertária é mais uma prática do Nu-Sol. à sua maneira. A flecheira libertária é uma reunião de breves escritos disruptivos e pode ser acompanhada. a série de antiprogramas ágora.nu-sol. a flecheira libertária valoriza o exercício da escrita como batalha. semanalmente. às terças-feiras. não somente para leitura mas. As flechas. Assim como a verve. 255 . para quem se interessar em lançá-la.

Dispensamos. Foi‐se o tempo em que uma citação. revoltados. intempestivos. vieram acompanhados. aplaude. reconhecidos como importantes. de palavras que emergiram das e nas lutas de homens e mulheres insurgentes. propagandas na mídia são alguns dos espaços tomados pelas citações. programas de televisão e rádio. nesse momento. a flecheira das citações. Gente de hoje ou do passado. E. Revistas de celebridades. vinha para conversar com um 256 . muitas aspas. tasca uma citação. durante estes cinco anos.19 2011 quando deixamos de usar epígrafes A flecheira libertária é agitada pelos breves e intensos textos redigidos pelas pessoas que vivem no Nu‐Sol. A supressão das citações expõe nosso incômodo com certa mediocridade preguiçosa que consiste em capturar as palavras de pessoas extraordinárias para legitimar o lenga-lenga de manuais de auto‐ajuda. capturadas no rescaldo modorrento deste estado das coisas. das notícias em tempo real. bem-nutrida e estúpida. proliferam aspas. as pessoas e o planeta. escritos de maneira libertária. impressionar seguidores no status do facebook ou oferecer a promessa de uma erudição fast food. mas que a maioria nunca leu. então. Estes comentários sobre as coisas. um texto ou fala ganham um colorido erudito. como uma epígrafe ou referência. É fundamental que sejam nomes conhecidos. É mais ou menos assim: quando alguém quer dar uma conotação de profundidade ou esbanjar conhecimento. E a plateia feliz. Na velocidade incrível das imagens e sons. A afirmação da existência destes homens e mulheres libertários anima o fogo livre da vida e continuamos saboreando suas respectivas companhias. comove‐se e acha-se inteligente. de filósofos ou artistas consagrados.

não apenas para articular reivindicações de melhorias de salários ou 257 . autogestão e ação direta A década de 1870 foi decisiva para o movimento anarquista internacional. de forte marca mutualista e federalista. 190. A resistência radical às tecnologias disciplinares tomou forma em 1º de novembro de 1910.] uma seleta 1º de novembro: internacionalismo. Como a década de 1840. com a CNT (Confederación Nacional del Trabajo) iniciada na região da Catalunha. Ano V. sabotagem. se espargiu pela Europa e chegou à Espanha.verve dobras texto. ação direta e greve geral para se opor à guerra no Marrocos (1911) e depois à I Guerra Mundial (1914). O sindicalismo francês. A CNT imprimiu sua luta. Hoje são violentadas fora de contexto para reforçar verdades conservadoras [n. 8 de fevereiro de 2011. tensionando leituras. momento de invenção. desde as associações operárias. usando as táticas de boicote.

multiplicadoras de autogestão e associativismo. sindicalistas.] qual democracia? A democracia é uma prática. característico da política brasileira. ao realizar o perigo da liberdade. Consolidada institucionalmente no Brasil. paternalista e estatista. segue firme como força de luta e dores de trabalhadores braçais que devem ser lembradas e atualizadas. Assim. ela não se livrou do perfil autoritário. Fortalecidos pelas práticas libertárias. O que dizem os trabalhadores do capitalismo imaterial de hoje? É preciso memória e invenção! [n. É preciso memória e invenção! 258 .19 2011 redução de jornada de trabalho. sem alterar a reiteração da mesmice. e ratificada por jornalistas. à esquerda e à direita. Se a democracia é uma prática e não um valor. Mesmo saudosa do seu passado. ongueiros e cidadãos que amam a obrigatoriedade do voto. 2 de novembro de 2010. absorvida pelo conflito organizado na disputa eleitoral e o segundo. dirigentes de partidos. foi o alvo das forças nacionais do mundo todo. recolocando a potência de liberdade de cada um e não seus valores universais e imobilizadores a serem defendidos. especialistas. Nessa semana. Efeito imediato da regra: a ex-guerrilheira tem como vice o delegado de polícia da Ditadura Militar. Novidades são inseridas na agenda e na conformação institucional. é preciso tomá-la como regime da série liberdade e avançar para além de sua encenação procedimental e suas formalizações em direitos. completa 100 anos de existência. após 20 anos de ditadura militar. longe da organização estatal ou privada. 181. jamais deixará de sê-lo. empresários. Ano IV. A primeira. combatiam no presente.

No atual investimento das designadas “comunidades terapêuticas” que redimensionam neste instante.. também. Nos CAPS (Centro de Atendimento Psicossocial). pela primeira vez em humanos. na Itália fascista. neste instante. voltados. Na seletividade dos CAPS escolhidos para funcionarem de portas abertas 24 horas por dia. O resto apodrece na miséria da ração mensal de medicamentos psiquiátricos fornecidos nos postos de saúde do governo. a polícia e o trabalho voluntário! . Certo dia. um oficial de polícia entrega um homem identificado como vítima de alcoolismo para quem deveria ser destinada a cura de seu vício. colaborando assim com o bem da coletividade. nestes espaços. que a partir de 2010 passaram a funcionar sob a designação de “dispositivo estratégico territorial” distendendo conexões entre territórios ampliados. os fascistas. era testado.verve dobras eletrochoque. para jovens usuários de drogas. o eletrochoque. a psiquiatria. Até aquele momento. Em CAPS específicos. O médico-psiquiatra-pesquisador Ugo Cerletti pode finalmente passar dos porcos aos humanos. em especial o crack. E o fia259 . Aquele homem foi submetido à ação da nova parafernália psiquiátrica. as antigas colônias psiquiátricas-penais. eis: 1938. Nos CAPS-zonas intermediárias de conexão dos governos psiquiátricos.. Esta não é a origem do eletrochoque. ele apenas havia testado o aparelho e o método em porcos que iam para o matadouro. alas de internação. que passam a incorporar. preferencialmente. Apenas um de seus inúmeros baixos começos: os porcos. durante o governo do ditador Benito Mussolini.

Ano IV. Quem se interessa por um preso. Dizem que os presídios estão tomados pelo tráfico de crack. 16 de novembro de 2010. 182. O resto é o passo do pasto. E que ninguém venha aporrinhar com essa tal e atual “qualidade de vida”. Mortes. preto. fundada em 1917 no Rio de Janeiro. autoridades entrevistadas. É preciso avançar sobre isso para lhe dar um fim. tropas de choque.] 20 de novembro. decapitações. [n. Prisão e polícia também são inseparáveis. 183. foi um dos primeiros 260 . do haloperidol. Ano IV. se ele não for expressão de conformismo? Quem quer acabar com as prisões? Quem está nas prisões? Para que servem as prisões? Para também incluir ilegalismos lucrativos! Enquanto isso. resta o ‘matem e morram’. outras histórias Domingos Passos. No passo.19 2011 po do refugo do resto aguarda sua última morte nos hospícios que se renovam. militante que conheceu o anarquismo na União dos Operários em Construção Civil. no pasto. O mesmo ramerrame de sempre. As prisões sempre estão incluídas na circulação das drogas! Dizem que a sociedade só se ocupa com polícia nas ruas e que é preciso cuidar dos terminais repressivos. denúncias de superpopulação encarcerada.] mais cemitério de vivos Rebeliões nas prisões nordeste adentro. porque vocês já estão mortos para a sociedade! [n. 9 de novembro de 2010.

que o havia escolhido como o alvo privilegiado de sua sanha. 23 de novembro de 2010. Conseguiu retornar a São Paulo para os embates do Comitê Pró-liberdade de Sacco e Vanzetti. novas práticas liberadoras contra o Estado. Passos fez de sua vida. A cada 20 de novembro.verve dobras libertários presos no navio Campos em 1924. com destino à Espanha. Ano IV. José Oiticica e Roberto Freire não somente se interessaram pela capoeira. onde desafiou a polícia. um jornal de Santos publicava: “Passou pelo porto de Santos. Em 1938. no presente. fundeado na baía de Guanabara. 184. anarquistas. mas também experimentaram seus movimentos e a ginga no próprio corpo. entrou pela última vez em contato com os libertários.] 261 . seu corpo. prática de liberdade que irrompeu com a luta dos escravos por libertação no Brasil. Pouco tempo depois foi preso novamente no campo de concentração da Clevelândia. é preciso atualizar a gana e a consistência destas existências para que possam emergir. Encarcerado novamente em 1927 e posteriormente abandonado com o corpo torturado em Sengés. comícios e festas organizadas pelos governos. de onde fugiu para a Guiana Francesa atravessando rios a nado e se alimentando de plantas da região. agora Certos anarquistas no Brasil estiveram sempre atentos às lutas e práticas de libertação. sua pele. o famoso anarquista Domingos Passos”. [n. divisa do estado de São Paulo com o Mato Grosso. conhecido como o “inferno verde”. diante da celebração da “consciência” nos palanques. combate permanente ao Estado.

Gramsci. A linha tênue entre o conservadorismo e o fascismo.. promoção de debates de “alto nível intelectual”. Do outro lado do panfleto.. instalação de base permanente da polícia militar no campus. debates. Chico Buarque de Hollanda. mostra seu poder de guerra! [n. lançando mão de uma austeridade cristã ultrapassada. monitoramento do CRUSP. formação de militância organizada. esquerdas. De um lado. estampa fotos de pessoas ilustres a serem queimadas. controle da entrada no campus. confrontos de ideias e políticas. Ano IV. o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. assinado pela Chapa UCC (União Conservadora Cristã) para eleição do DCE. Dentre elas estão o presidente Lula. Adolf Hitler.. os bem intencionados inquisidores do momento pregam o mercado com bem-estar social. 262 A Wikileaks anda publicando documentos que importu- . fortalecimento do ensino à distância. Marx. 185. despistando seu totalitarismo. Barack Obama. Lênin e.19 2011 conservadorismo e inquisição 1 Panfleto colorido em papel de primeira qualidade circula pela USP. em nome da sua conduta “alternativa” no “combate à uniformização”.. 30 de novembro de 2010. utilização da universidade pela iniciativa privada. conservadorismo e inquisição 2 Pretendem higienizar a universidade para torná-la imune a grevistas.] quem vai levar.

mas pelo que poderá vir a ser divulgado. por sua vez. então. os de maconha como normais. o exemplo da descriminalização portuguesa. e os traficantes como os bandidos de sempre. Sua voz é mais uma no atual coro do senso comum esclarecido: o consumo de drogas não vai acabar apenas com a repressão. É preciso dizer algo francamente: basta que haja uma droga qualquer ilícita para que surjam negociantes clandestinos dispostos a vendê-las. Ela usa a democrática Internet para veicular alguns documentos secretos. Os cidadãos participativos. acreditam na sua função de fiscal e delator de mixórdias. 7 de dezembro de 2010. Não há governo. Publica um conjunto de monitoramentos estatais e empresariais que surpreendem as autoridades nem tanto pelo conteúdo dos documentos. Os moderninhos evocam. Legalizar ou descriminalizar a maconha faria a alegria de consumidores 263 . o governador do Rio de Janeiro afirmou que as “drogas leves” — leia-se maconha — deveriam ser legalizadas. seria preciso tratar os usuários de “drogas pesadas” — leia-se todas as proibidas que não a maconha — como doentes. E estes são segredos da dominação de Estado sobre populações de pasmados contentes. nem mesmo o democrático que se sustente sem segredos de Estado. por isso. governos e empresas.verve dobras nam as agências de segurança internacionais. [n. que levou usuários para a clínica e traficantes para penas ainda maiores. Ano IV.] capturas e capturados 3 Depois da ocupação midiática do Complexo do Alemão. alegremente. 186.

infindáveis violências sem fronteiras. nem pretendem ser algozes de ninguém. 14 de dezembro de 2010. Os acusados se negam a responder as perguntas que lhe são feitas. [n. acusados de terrorismo. advogados e autoridades não sabem mais o que fazer. No dia 17 de janeiro começou o julgamento de 13 jovens anarquistas. Sua lógica e sua moral seguiriam intactas e. o julgamento não cessa de ser interrompido e suspenso. Para o tráfico de drogas. Ano IV.19 2011 de classe média. Escracham a seriedade do“procedimento impessoal”. Um novo tribunal antiterrorista foi criado. multidões foram às ruas exigindo a renúncia . Recusam a representação dos advogados que lhe são designados. promotores. seria nada. Localiza-se em uma das salas da prisão de Koridallos. Escandalizaram e foram postas para fora e proibidas de ocupar o espaço designado para a “assistência”. 1º de fevereiro de 2011. O que se explicita. e para o proibicionismo. 187. 189. neste pequeno e imenso acontecimento. Ano V. seria menos que cócegas. Suas jovens mulheres anarquistas botaram pra quebrar na plateia.] na grécia: jovens impossíveis diante do tribunal Atenas.] multidão oca 264 Na Tunísia. é que eles não se fazem de vítimas. especialmente para o caso. de empresas que venderiam baseados legais e do Estado que arranjaria nova fonte de tributação. que é transterritorial. Juízes. [n. com elas. Desde seu início.

. dissolvendo o congresso e suspendendo a constituição: um golpe de Estado contra o ditador. 15 de fevereiro de 2011. Um governo “de transição”. Finalmente. Algo mais ou menos assim parece. terminou em traque. no Cairo. contra Hosni Mubarak. ocupando a Praça Tahrir. [n. 191. rezou agradecido. buzinou. os manifestantes pararam de se manifestar e foram festejar. Uma vez apontada uma saída “democrática”. também.. foi formado prometendo eleições.verve dobras do ditador. Depois de vinte dias. Satisfeito com a promessa de “transição e eleição”. mesmo que conduzida por militares e quadros politicos caquéticos. Marta e de outras UPPs. E voltou pra casa. algo parecido aconteceu no Egito: milhares de pessoas enfrentando a polícia e o exército. o povo comemorou. fez as malas e fugiu. da democracia ocidental ou da teocracia. se anunciar no Iêmen. E a mídia internacional chamou essa grita de “revolução árabe”. todos os integrantes da bateria estavam uniformizados de Bope e as integrantes amarraram o cabelo igualzinho às capitãs do morro da D. A potência explosiva das ruas. E voltou pra casa. com seus mortos e enfrentamentos. O povo comemorou. com muita gente do antigo regime.] sem mais avesso No desfile de uma escola de samba carioca. Ben Ali raspou o cofre. imitando seus sor265 . rezou agradecido. o homem renunciou e uma junta militar assumiu o governo. Tunisianos e egípcios fizeram da praça um balcão de reclamações. Ano V... espaço circunstancial de protesto contra ditadores. porque quem estava lá parecia estar mais interessado em reforma e acomodação que em invenção de novas práticas para além da ditadura. buzinou. Logo depois.

Não era fantasia. Durante a década de 1970. mesmo com o efeito das manifestações ecológicas e da explosão de quarto reatores em Chernobyl. localizada a quase trezentos quilômetros de Tóquio. de almirantes de cruzeiros de luxo. césio e urânio suficientes para matar dezenas de pessoas e contaminar outras centenas de milhares. nos anos 1980. [n. Os comentaristas de carnaval da madrugada elogiavam a ‘desconstrução’ simpática da imagem do policial em um momento tão importante no Rio de Janeiro: o da pacificação das favelas. 195. Não era alegoria. nos Estados Unidos. este modo de produzir energia continuou a receber investimentos nos quatro cantos do planeta. estado da Pensilvânia. época em que esta usina foi erguida e na qual aconteceu o primeiro acidente nuclear considerado grave. É um insidioso choque de ordem num mundo em que parece não haver mais avesso. Não é carnaval. a produção de energia nuclear foi contestada radicalmente. Ano V. emergências Um dos efeitos do maior tremor de terra registrado na história do Japão foi a danificação do sistema elétrico e de refrigeração da estação nuclear de Fukushima. esposa do mais rico empresário do Brasil e amigo de todos os políticos da ordem. liberando quantidade de iodo. Todos lembramos daquele bombeiro que “pegou” a encoleirada rainha da bateria. em “Three Mile Island”. Foi sim uma oportunidade de ouro de se enraizar a polícia como um novo “símbolo carioca”. 15 de março de 2011. na União Soviética. Contudo.] 266 . ninguém estranha.19 2011 risos. Outra “escola” vestiu sua bateria de policiais honestos do passado e a vencedora. Bombeiro.

poderia Obama passar em algum país nas Américas onde seu silêncio não seria canalha? [n. pois mostrava que liberdade política e desenvolvimento econômico podiam andar juntos. onde o mesmo apoio ao autoritarismo aconteceu. Terminará sua viagem pelo continente em El Salvador. Pulou a Argentina.verve dobras obama. Ano V. O que ele canalhamente não disse é que os EUA apoiaram o golpe e a ditadura que interromperam um governo democrático no Brasil. 22 de março de 2011.] 267 . outra democracia assassinada com patrocínio estadunidense. como muitos especialistas daqui foram aprender nas universidades e institutos de lá. mas ali teria omitido também esse fato. Obama saudou a democracia brasileira. 196. e incluindo simulacros de democracia como a Colômbia e o México. Tirando o Canadá. dizendo que o país era um exemplo. Então. acabando a visita por aqui. Obama foi ao Chile. orra! Na sua performance à la Broadway.

foi arquiteto. Holanda e Itália questionaram minha opinião2 sobre as perspectivas de Hakim Bey3. 268 verve dobras. como França. Muitos de nós. fundado por Piotr Kropotkin no século XIX. Anarquista nascido no Reino Unido. Depois da Segunda Guerra. e a outra o recente livro de Murray Bookchin4 Anarquismo Social ou Anarquismo Estilo de Vida: Um Abismo Intransponível. urbanista e pedagogo. incluindo eu mesmo. passou a contribuir com o periódico Freedom. Entre suas obras mais importantes estão Anarquia e ação (1973) e A Criança na Cidade (1978).19 2011 zonas autônomas temporárias1 colin ward Tenho uma longa lista de livros que eu gostaria de ler ou de escrever. são hesitantes em revelar o vasto escopo da própria ignorância. pois por muito tempo eu não fiz ideia de quem era essa pessoa e de quais eram ou são suas opiniões. É sempre constrangedor. 2011 . como uma renda baixa. é o inestimável artigo da Freedom “Food for thought… and Action!”. certamente. Alemanha. mas por razões prosaicas. Isso explica porque anarquistas de diferentes países. 19: 268-273. Uma.5 Colin Ward (1924-2010). Duas fontes me explicaram sobre o quê os questionadores estavam falando. acabo ficando em casa até ser atraído para fora quando alguém paga a conta. Editou o periódico Anarchy entre 1961 e 1970.

mas prosseguimos em nossas próprias condições”. de imaginação) e se dissolve para se re-fazer em outro lugar e outro momento. Enquanto propagandista. Anarquismo Ontológico. de alguma maneira. Terrorismo Poético e Outros Crimes Exemplares6. A minha é seguir a política de Paul Goodman5. A dele é pulverizá-las com críticas para que não emerjam novamente. Goodman gostava de contar uma fábula: “Tom diz a Jerry: ‘Quer brigar? Cruze a linha!’ e então Jerry a cruza.verve dobras Zonas autônomas temporárias Bookchin e eu temos maneiras opostas de confrontar pessoas cujas ideias têm algum tipo de conexão com as nossas. ‘Você está do meu lado!’. e que seu livro tem uma série de noções que não exercem apelo em pessoas da geração Bookchin/ Ward. de tempo. ‘Agora’. O que aprendi com o livro de Bookchin é que o livro de Hakim Bey se chama TAZ: A Zona Autônoma Temporária. afinal. que o nome verdadeiro do autor é Peter Lamborn Wilson. descrevendo-a como: “uma espécie de rebelião que não confronta o Estado diretamente. ao invés de fazê-las desaparecer sob um dilúvio de desdém. e salientar nossos pontos em comum. mas das quais nós discordamos. lamenta Tom. é uma ‘zona autônoma temporária’?” E ele explica com uma citação de Hakim Bey. Desenhamos a linha nas condições deles. uma operação de guerrilha que libera uma área (de terra. 269 . E após seu trabalho de demolição. que tem sido objeto do desdém de Bookchin. antes que o Estado possa esmagá-la”. Murray pergunta: “O que. parecidas com as minhas. geralmente acho mais útil reivindicar como camaradas pessoas cujas ideias são.

como cita Murray. naturalmente. o Beltane idílico dos neo-pagãos. Murray Bookchin. dos quais me recordo vividamente. o conclave florestal de eco-sabotadores.19 2011 E continua citando do ensaio de Hakim Bey como. Murray observa que: “Oh. A maioria dos ‘vagabundos’8 nômades da era da Grande Depressão. nós podemos “compreender muitos dos nossos verdadeiros desejos.” Corretamente. ao meu ver. e uma aventura. com certeza. Muitos de nós. uma pervertida zona-livre dentro do velho contínuo do espaço-tempo” e como “TAZs em potencial” incluem “a ‘reunião tribal’ dos anos 60. Ele nos vence com seu árido realismo. as festas gays” isso sem falar. numa TAZ. doença e indignidade e em geral. enquanto o nomadismo é a luxúria característica daqueles que podem permitir-se uma vida sem ter de ganhar seu sustento. uma breve Utopia Pirata. mesmo que seja apenas por uma temporada. já vivemos situações nas quais pensamos como certas experiências nos parecem estar exatamente de 270 . morriam cedo — como ainda hoje acontece nas ruas da América”. adoraria ver a cara de Bey e seus discípulos num ‘piquenique dos antigos libertários’!” E faz alguns comentários pé-no-chão ao elogio de Hakim Bey ao “analfabetismo voluntário” e ao ser sem-teto “no sentido de uma virtude. ser sem-teto pode até ser uma ‘aventura’ quando se possui um confortável lar para retornar. e muito provavelmente também a ele. as conferências anarquistas. de “casas noturnas. que vale a pena considerá-lo fora do contexto de Hakim Bey. sofriam de uma vida desesperada de fome. banquetes” e “os piqueniques dos antigos libertários” — nada menos. comenta que “tendo sido um membro da Liga Libertária nos anos 60. mas o conceito de Zona Autônoma Temporária é tão familiar a mim.

de um gesto ou de uma conjunção de formas. era recompensado ‘pela aparição de um rosto ou de uma parte de um rosto.verve dobras Zonas autônomas temporárias acodo com o modo como elas seriam se estivéssemos em uma sociedade anarquista. no Café des Varietés. Mas. uma vez que as sociedades mais libertárias que conhecemos tiveram seus elementos autoritários. especialmente o evento de Woodstock no Estado de Nova York. um auto-intitulado anarquista que era também um monstro em criar em torno de si a versão particular de anarquia que o agradava. ela descreve um conceito mais útil do que o de uma sociedade anarquista. uma vez que a expressão Zona Autônoma Temporária se instala na nossa mente. Neste sentido. Acho que foi por volta de 1970 que um leitor da Anarchy. o acordeão tocava e. lugar que este havia deixado às pressas em 1939: “A cozinha francesa já não era mais como antigamente e o vinho parecia ter-se ido. que eu reconhecia como pertencendo a 271 . e vice-versa. ele ainda podia obter aquele peculiar equilíbrio de espírito e corpo que descrevia como um ‘distanciamento-na-intimidade’. Mas ao fim da tarde. Holroyd descreve o retorno de John. em seu septuagésimo terceiro aniversário em 1950. à St-Rémy. de vez em quando. Houve ainda muitos outros mais próximos de casa nos 25 anos subsequentes. em agosto de 1969. escreveu sobre o equivalente das zonas autônomas temporárias que ele percebia nos grandes festivais de rock ou pop que começaram a acontecer em 1967. A conversação rodopiava ao seu redor. Grahan Whiteman. começa-se a vê-la em todos os lugares: efêmeros esconderijos de anarquia que ocorrem na vida cotidiana. Li recentemente a biografia do pintor Augustus John6 escrita por Michael Holroyd. na França.

T. Tradução de José Paulo M. Hakim Bey (1945.19 2011 um mundo mais real e harmonioso do que aquele com o qual estamos habituados’”. intelectual anarquista estadunidense.) Augustus John (1878-1961) — pintor galês celebrado pelo seu estilo pós-impressionista.) 7 Hoboes designa a condição de sem-teto e a desocupação dos desempregados durante a Grande Depressão nos EUA.T. (N. (acesso em: 24/04/2011). co-fundador da Gestalt Terapia. (N. Diposnível em: http://theanarchistlibrary. Brian Richardson. Paul Goodman (1911-1972) — sociólogo.) 4 5 6 Edinburgh.) é autor de diversos textos que circulam na web e que causaram grande impacto no movimento libertário nas décadas recentes. Souza Notas Texto extraído de The Anarchist Library. na primavera de 1997.) Murray ������������������������������������������������������������������ Bookchin (1921-2006) — importante teórico e militante anarquista estadunidense. colaborou com o movimento pacifista e estudantil na década de 1960.) 8 272 . chamava de “momentos dourados”. formulador do chamado anarquismo social e crítico às ideias de Hakim Bey. (N.org/HTML/Colin_Ward__Temporary_Autonomous_Zones.T. É autor do livro Growing Up Absurd.E. frete grátis da Freedom Press. html.) 1 2 3 Apareceu originalmente na publicação Freedom.T.T.95. (N. alguns de seus livros foram publicados no Brasil pelas editoras Conrad e Deriva. (N.  Seu raro vislumbre de um mundo mais real e harmonioso é o significado que estou inclinado a atribuir às palavras sobre as Zonas Autônomas Temporárias. AK Press f5. (N. ainda não publicado no Brasil. Esta última frase do velho pintor descreve de maneira ainda mais bela a sensação que um outro colaborador da Freedom.

Confirmado para publicação em 02 de maio de 2011. anarquia. o autor estabelece um diálogo com o conceito de TAZ a fim de reforçar seu valor como meio para pensar e experimentar uma vida libertária na sociedade atual. Colin Ward apresenta sua leitura das proposições de Hakim Bey. Palavras-chave: TAZ. 273 . Apesar de suas diferenças em alguns aspectos.verve dobras Zonas autônomas temporárias Resumo No artigo. especialmente o conceito de Zona Autônoma Temporária (TAZ). Despite his differences in some issues. Hakim Bey Recebido para publicação em 25 de abril de 2011. anarchy. the author establishes a dialogue with the concept of TAZ in order to stress its value to think and to experience a libertarian life in the current society. Hakim Bey Abstract In this article. specially the concept of Temporary Autonomous Zone (TAZ). Keywords: TAZ. Colin Ward presents his view on Hakim Bey’s propositions.

de Amsterdã. em poema e imagens nu-sol Em 1871. na forma de poema. disponíveis no arquivo eletrônico do International Institut of Social History (IISH). na sequência. 2011 . As imagens. Lá. publicou um jornal e se envolveu numa rebelião ao lado dos colonizados contra os franceses. na Oceania. são as duas faces do documento de deportação outorgado a Louise Michel. sendo deportada para a colônia francesa da Nova Caledônia.19 2011 louise michel. Louise Michel foi presa como milhares de outros communards. Em 1873. estabeleceu uma escola para jovens e adultos kanak. o que permitiu o retorno de Louise Michel à Europa. lançado por Louise Michel à corte que a julgava. escrevendo e militando até sua morte em 1905. a população local. O governo da Terceira República francesa anistiou os communards. em 1872. onde seguiu educando. 274 verve dobras. com a destruição da Comuna de Paris pelos exércitos francês e alemão. 19: 274-278. Os versos publicados a seguir são um corajoso pronunciamento. em 1880. seu julgamento terminou em condenação ao exílio.

Sofremos. froidement accomplis. Eh bien. friamente executados tanta covardia e incompetência vos desmascararam totalmente. 7 da manhã A la Comissions des Grâces Central d’Auberive. 28 novembre 1872. Senhores! A orgia branca está completa! Bravo. 28 de novembro de 1872. Nous avons souffert mais la cause est sauvée. escutais vossa hora? Assassin. mas a causa se salvou. Tantos crimes cinicamente acumulados.verve dobras Louise Michel. Entendez-vous l’ heure qui sonne? Pois bem. tant de lâchetés et d’incapacités vous démasquent largement. Bravo. 7 heures du matin Assassinos. Messieurs! l’orgie blanche est complète! 275 . em poema e imagens À Comissão de Misericórdia Central d’Auberive. tant de crimes cyniquement entassés. je me félicite de ce qui s’ est passé. alegro-me pelo que se passou.soar Entendez-vous l’ heure qui sonne? Assassins.

car vous êtes horribles et vous êtes grotesques Louise Michel Tradução de Martha Gambini e Thiago Rodrigues 276 ..! Na história da comissão do golpe de misericórdia sereis para sempre os serviçais do carrasco! Vous serez à jamais pour l’ histoire de la commission du coup de grâce. lembrai-vos bem que vamos nos horrorizar e rir. pois sois horríveis e grotescos. les valets du bourreau! Senhores. Entendez-vous l’ heure qui sonne? Retirai agora vossos nomes de lá! Impossível! Otez maintenant vos noms de là! impossible. on aura horreur et on rira. Souvenez-vous bien Messieurs.19 2011 Assassin..

em poema e imagens documento de deportação de louise michel 277 .verve dobras Louise Michel.

19 2011 documento de permissão para permanência de louise michel 278 .

boletim eletrônico mensal. FOUCAULT. ágora. DVD ágora. os insurgentes. CD-ROM Um incômodo. reapresentação de junho a agosto de 2008. reapresentação de abril a julho de 2009 e de julho a outubro de 2009. limiares da liberdade. carmem junqueira-kamaiurá — a antropologia MENOR. FOUCAULT: intempéries. carmem junqueira-kamaiurá — a antropologia MENOR. novembro de 2008 e fevereiro de 2009. edição de 9 programas. ágora. Foucault. Um incômodo (2003). último (2004). Aulas-teatro Emma Goldman na Revolução Russa. outubro de 2007. apresentação da série de setembro a dezembro de 2008. Assista em: www. semanal. émile henry. Coleção Escritos Anarquistas. agora. junho de 2009. apresentação entre agosto e outubro de 2010. outubro de 2010 e fevereiro de 2011. agora 3. Vídeo-Fogo (2009). ágora. eu. apresentação de abril a junho de 2008.org/tv.nu-sol. os insurgentes. drogas-nocaute. maio de 2008. Canal universitário/TVPUC e transmissão simultânea em http://tv. poesia. agora. maio e junho de 2007. flecheira libertária. de dezembro de 2008 a fevereiro de 2009. A guerra civil espanhola (2006). reapresentação de janeiro a março de 2008 e de fevereiro a abril de 2009. Manu-Lorca (2005). 2003 (artigos e intervenções artísticas do Colóquio Um incômodo). estamos todos presos. agora 2. Bigode (2008). outubro de 2009 e fevereiro de 2010. edição de 8 programas da série PUC ao vivo. hypomnemata. 1999-2004 29 títulos. Foucault-Ficô (2000). anarquistas (2006). maio de 2010. resistências. . do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP. desde 1999. apresentação da série ao vivo de setembro a outubro de 2007. apresentação da série de outubro de 2010 a abril de 2011. Eu. Vídeos Libertárias (1999). ágora. desde 2007. agora 3. Cage. Émile Henry.. edição de 7 programas. ágora. agora 2. maio de 2011.NU-SOL Publicações do Núcleo de Sociabilidade Libertária. A guerra devorou a revolução.nu-sol. terr@. em “on-demand”. edição de 12 programas.org.

000 caracteres contando espaços (aproximadamente 4 laudas). Os textos enviados à revista Verve devem observar as seguintes orientações quanto à formatação: Extensão. Resenhas não devem conter notas explicativas. para identificá-lo em nota de rodapé. corpo 12. corpo 12. em fonte Times New Roman.19 2011 r recomendações para colaborar com verve Verve aceita artigos e resenhas que serão analisados pelo Conselho Editorial para possível publicação. fonte e espaçamento: a) Artigos: os artigos não devem exceder 17. Resumo: Os artigos devem vir acompanhados de resumo de até 10 linhas — em português e inglês — e de três palavras-chave (nos dois idiomas). em fonte Times New Roman. de no máximo 03 linhas. Identificação: O autor deve enviar mini-currículo. concisas e de caráter informativo. devem vir em nota de fim de texto.000 caracteres contando espaço (aproximadamente 10 laudas). espaço duplo. espaço duplo. b) Resenhas: As resenhas devem ter no máximo 7. Citações: As referências bibliográficas devem vir em nota de fim de texto observando o padrão a seguir: 280 . Notas explicativas: As notas.

“Título” in Título da obra. ano. Tradução de Sérgio Milliet. Editora.42. cit. Título da Obra. p. II) Para artigos ou capítulos de livros: Nome do autor. Cidade. Editora.verve dobras I) Para livros: Nome do autor. Disponível em: http://www. Martins Fontes. Michel de Montaigne. c) para citação recorrente e não sequencial: Nome do autor. As palavras e as coisas. b) segunda e demais repetições: Ibidem. Florentino de Carvalho: pensamento social de um anarquista. página. Título do livro. Ex: Michel Foucault. vol. op. p. Ex: Claude Lévi-Strauss. Cidade. Ano. “Da educação das crianças” in Ensaios. 1987. p. Achiamé. Coleção Os pensadores. VI) Para resenhas: As resenhas devem identificar o livro resenhado.pucsp. Pelo 60º aniversário da Unesco. Cidade. Rio de Janeiro. Nova Cultural. número da página. p. V) Para textos publicados na internet: Nome do autor ou fonte. ano. 76.htm (acesso em: 24/09/2007). Tradução de [nome do tradutor]. 2000. Ex: Rogério Nascimento. ano. página. São Paulo. logo após o título. IV) Para obras traduzidas: Nome do autor. 2000. Título. p. I. número da página. Disponível em: http://[endereço da web] (acesso em: data da consulta). Editora. número da página. 69. p. da seguinte maneira: 281 . III) Para citações posteriores: a) primeira repetição: Idem. São Paulo. número da página. Muchail.br/ponto-e-virgula/n1/indexn1. Tradução de Salma T..

pede-se que a colaboração em disquete ou cd seja encaminhada pelo correio para: Revista Verve Núcleo de Sociabilidade Libertária (Nu-Sol). fone: 55 11 3670-8372. 4º andar.org 282 . Perdizes. São Paulo/SP. 1987. Na impossibilidade do envio eletrônico.org salvos em extensão “.19 2011 Nome do autor. 969.rtf”. 193 pp. Título da Obra. Informações e programação das atividades do Nu-Sol no endereço: www. As colaborações devem ser encaminhadas por meio eletrônico para o endereço nu-sol@nu-sol. Ex: Roberto Freire. Editora. Rio de Janeiro. Tradutor (quando houver). ano. CEP 05015-001. Rua Ministro Godói. Guanabara. sala 4E-20. Sem tesão não há solução. Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP.nu-sol. Ed. Cidade. número de páginas.