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Revista Brasileira de Geof´ısica (2011) 29(1): 21-41
© 2011 Sociedade Brasileira de Geof´ısica
ISSN 0102-261X
www.scielo.br/rbg
UMA REVIS
˜
AO SOBRE A TURBUL
ˆ
ENCIA E SUA MODELAGEM
Jos´ e Francisco Almeida de Souza
1
, Leopoldo Rota de Oliveira
2
, Jos´ e Luiz Lima de Azevedo
2
,
Ivan Dias Soares
3
e Mauricio Magalh˜ aes Mata
4
Recebido em 25 marc¸o, 2010 / Aceito em 25 fevereiro, 2011
Received on March 25, 2010 / Accepted on February 25, 2011
ABSTRACT. The movements are characterized by turbulent fuctuations in instantaneous speed, temperature and other scalars. As a consequence of these fuctu-
ations, the turbulent state in fuid contributes signifcantly to transport momentum, heat and mass. Turbulence is defned as a state of the fow in which the time
dependent variables exhibit irregular fuctuations which are seemingly random such that, in practice, only statistical properties can be recognized and subjected to
analysis. The study of transport phenomena is greatly hampered by the presence of these fuctuations. Any simplifcation in the analysis of the effects of turbulence is
extremely advantageous in physical, mathematical and numerical terms. The constant search for such simplifcations is one of the main goals in the developing of new
models of turbulence. This article aims to review the phenomenon of turbulence and its modeling, focusing on its theoretical foundations and on the main technical
approaches used in the modeling of the phenomenon.
Keywords: turbulence, turbulence modeling, boundary layer, scales of turbulence.
RESUMO. Os movimentos turbulentos s˜ ao caracterizados por futuac¸˜ oes instantˆ aneas de velocidade, temperatura e outros escalares. Como consequˆ encia destas
futuac¸˜ oes, o estado turbulento em um fuido contribui signifcativamente no transporte de momentum, calor e massa. Defne-se turbulˆ encia como um estado de
escoamento do fuido no qual as vari´ aveis instantˆ aneas exibem futuac¸˜ oes irregulares e aparentemente aleat ´ orias tal que, na pr´ atica, apenas propriedades estat´ısticas
podem ser reconhecidas e submetidas a uma an´ alise. O estudo dos fenˆ omenos de transporte fca difcultado, sobremaneira, pela presenc¸a destas futuac¸ ˜ oes. Qualquer
simplifcac¸˜ ao na an´ alise dos efeitos da turbulˆ encia ´ e extremamente vantajosa do ponto de vista f´ısico, matem´ atico e num´ erico. A busca constante por tais simplifcac¸ ˜ oes
´ e um dos principais objetivos no desenvolvimento de novos modelos de turbulˆ encia. Este artigo tem como objetivo fazer uma revis˜ ao sobre o fenˆ omeno da turbulˆ encia
e sua modelagem, onde s˜ ao apresentados os seus fundamentos te´ oricos e as principais t´ ecnicas de abordagem utilizadas na modelagem do fenˆ omeno.
Palavras-chave: turbulˆ encia, modelagem da turbulˆ encia, camada limite, escalas da turbulˆ encia.
1
Universidade Federal do Rio Grande – FURG, Rua Eng. Alfredo Huch, 475, Centro, 96211-900 Rio Grande, RS, Brasil. Tel.: (53) 3233-6876; Fax: (53) 3233-6652
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2
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3
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4
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22 UMA REVIS
˜
AO SOBRE A TURBUL
ˆ
ENCIA E SUA MODELAGEM
INTRODUC¸
˜
AO
Os movimentos turbulentos s˜ ao caracterizados por futuac¸˜ oes
instantˆ aneas de velocidade, temperatura e outros escalares.
Como consequˆ encia destas futuac¸˜ oes, o estado turbulento em
um fuido contribui signifcativamente no transporte de mo-
mentum, calor e massa na maioria dos escoamentos de inte-
resse pr´ atico e, por isso, tˆ em uma infuˆ encia determinante nas
distribuic¸˜ oes destas propriedades no campo de escoamento. Os
escoamentos em rios e canais, em tubulac¸ ˜ oes, na esteira de um
navio ou avi˜ ao, na camada limite atmosf´ erica e a maioria das
correntes oceˆ anicas pertencem a esta categoria de movimento.
O “Glossary of Oceanographic Terms ” (Baker et al., 1966 apud
Schwind, 1980) apresenta a seguinte defnic¸˜ ao para escoamento
turbulento: “
´
E um estado de escoamento do fuido no qual as
velocidades instantˆ aneas exibem futuac¸˜ oes irregulares e aparen-
temente aleat´ orias tal que, na pr´ atica, apenas propriedades es-
tat´ısticas podem ser reconhecidas e submetidas a uma an´ alise”.
Estas futuac¸˜ oes constituem as principais deformac¸ ˜ oes do escoa-
mento e s˜ ao capazes de transportar momentum, energia e outras
propriedades a taxas muito maiores que aquelas da difus˜ ao mo-
lecular nos escoamentos laminares (e.g., Schwind, 1980).
Muitas teorias e conceitos tˆ em sido formulados na tentativa
de obter uma descric¸˜ ao universalista para o fenˆ omeno da turbu-
lˆ encia que seja adequada a qualquer problema de interesse pr´ a-
tico. Enquanto tal descric¸˜ ao n˜ ao ´ e alcanc¸ada, e h´ a d´ uvidas se
algum dia o ser´ a, modelos simplifcados tˆ em sido propostos
como forma de analisar problemas espec´ıfcos em cada ´ area de
interesse (Eiger, 1989). O certo ´ e que a turbulˆ encia ´ e um fator
complicador na an´ alise dos fenˆ omenos de transporte de massa,
momentum e energia. Em termos pr´ aticos, se for poss´ıvel que
em um determinado problema a infuˆ encia da turbulˆ encia seja
considerada de forma simplifcada, isto ser´ a extremamente van-
tajoso do ponto de vista f´ısico, matem´ atico e num´ erico. Por
exemplo, escoamentos em canais e tubulac¸ ˜ oes s˜ ao usualmente
estudados com o aux´ılio da conhecida f´ ormula universal de perda
de carga, a qual descreve satisfatoriamente o escoamento para
as fnalidades a que se prop˜ oe. Entretanto, se estivermos inte-
ressados em conhecer a distribuic¸˜ ao de um poluente no canal ou
tubulac¸˜ ao, esta abordagem n˜ ao ser´ a mais adequada, pois n˜ ao for-
nece detalhes da distribuic¸˜ ao das propriedades do escoamento.
A complexidade dos escoamentos turbulentos n˜ ao permite
uma abordagem estritamente anal´ıtica do problema (e.g., Kundu
& Cohen, 2002), o que j´ a foi destacado por diversos autores.
Tennekes & Lumley (1972) destacam que: (i) uma caracter´ıstica
muito importante dos escoamentos turbulentos ´ e a sua habili-
dade para misturar ou transportar propriedades a taxas muito
mais elevadas (v´ arias ordens de magnitude) do que aquelas
alcanc¸adas pela difus˜ ao molecular; (ii) escoamentos turbulen-
tos s˜ ao sempre dissipativos e o mecanismo da turbulˆ encia ne-
cessita de uma alimentac¸˜ ao cont´ınua de energia para suprir as
perdas viscosas de modo que, se nenhuma energia for forne-
cida ao escoamento, a turbulˆ encia decai rapidamente e (iii) a tur-
bulˆ encia ´ e umfenˆ omeno continuum, ou seja, mesmo os menores
v´ ortices encontrados nestes escoamentos s˜ ao tipicamente muito
maiores que a escala de comprimento molecular, fazendo com
que a Hip´ otese do Continuum seja v´ alida e o escoamento tur-
bulento seja governado pelas equac¸˜ oes de Navier-Stokes. Eiger
(1989) cita que a vorticidade desempenha um papel fundamental
na an´ alise da turbulˆ encia, pois escoamentos turbulentos s˜ ao sem-
pre rotacionais. Isto signifca que teorias bem estabelecidas de
escoamento potencial (estritamente bidimensionais) n˜ ao se apli-
cam ao estudo da turbulˆ encia. Al´ em disso, ´ e poss´ıvel provar que,
para que a turbulˆ encia seja mantida, mecanismos tridimensionais
devem estar presentes no escoamento (vortex stretching ). Kundu
& Cohen (2002) enfatizam ainda que escoamentos turbulentos
s˜ ao altamente n˜ ao lineares.
Al´ em das citac¸˜ oes acima, Tennekes & Lumley (1972),
Schwind (1980) e Kundu & Cohen (2002) salientam que es-
coamentos turbulentos s˜ ao aleat´ orios e n˜ ao predit´ıveis, por-
tanto, tornando-se imposs´ıvel uma abordagem determin´ıstica do
fenˆ omeno (caracter´ıstica conhecida como “irregularidade”).
Estes aspectos do movimento turbulento sugerem que mui-
tos escoamentos que parecem “aleat ´ orios”, tais como as ondas
de gravidade no oceano ou na atmosfera e ru´ıdos ac´ usticos, por
teremperdas viscosas insignifcantes, n˜ ao s˜ ao de fato turbulentos
(Tennekes & Lumley, 1972; Kundu & Cohen, 2002).
Este artigo temcomo objetivo fazer uma revis˜ ao sobre o fenˆ o-
meno da turbulˆ encia. Inicialmente ´ e feita uma breve introduc¸˜ ao
sobre a turbulˆ encia e a sua complexidade. A seguir, s˜ ao apresen-
tados os fundamentos te´ oricos, conceitos e defnic¸˜ oes associados
com a turbulˆ encia. Posteriormente, s˜ ao abordados os aspectos
relacionados ` a sua modelagem. Finalmente, apresenta-se a dis-
cuss˜ ao e as considerac¸˜ oes fnais deste trabalho.
FUNDAMENTOS TE
´
ORICOS
Esta sec¸˜ ao ´ e destinada ` a apresentac¸˜ ao da fundamentac¸˜ ao te´ orica
necess´ aria para a formulac¸˜ ao e compreens˜ ao dos modelos ma-
tem´ aticos associados com a turbulˆ encia. S˜ ao descritos aspec-
tos relacionados com camada limite, tipos de escoamento, es-
calas da turbulˆ encia, algumas propriedades dos escoamentos
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turbulentos e descric¸˜ oes de regi˜ oes espec´ıfcas do escoamento,
dentre outros.
V´ ortices e isotropia
Alguns conceitos essenciais para o estudo da turbulˆ encia ser˜ ao
apresentados nesta subsec¸˜ ao. Apesar do estado ca´ otico que ca-
racteriza os escoamentos turbulentos, certos padr˜ oes b´ asicos tˆ em
sido identifcados quer pela via te´ orica, quer pela via experimen-
tal (e.g., Eiger, 1989). O conceito de v´ ortice est´ a associado a estes
padr˜ oes b´ asicos, tamb´ em denominados de estruturas coerentes
ou grandes v´ ortices, observ´ aveis nas maiores escalas do escoa-
mento turbulento. Cabe salientar que a turbulˆ encia se manifesta
em diferentes escalas de comprimento, as quais est˜ ao relacio-
nadas com as dimens˜ oes caracter´ısticas destes v´ ortices. Entre-
tanto, nas pequenas escalas n˜ ao conseguimos identifcar v´ ortices
individualmente, e a equac¸˜ ao “pequenos v´ ortices” n˜ ao signifca
mais do que aquela parte do movimento turbulento que apresenta
coerˆ encia apenas em curtas distˆ ancias (isotropia local).
´
E usual
defnirmos o movimento turbulento como uma superposic¸˜ ao de
v´ ortices de diferentes tamanhos que interagem entre si, trocando
energia, momentum e outras propriedades.
A analogia entre estes v´ ortices e as mol´ eculas de um g´ as, as
quais s˜ ao as entidades fundamentais da bem estabelecida Teoria
Cin´ etica dos Gases, serviu como base para o estudo dos fenˆ ome-
nos turbulentos. Entretanto, a analogia n˜ ao ´ e perfeita, porque en-
quanto mol´ eculas s˜ ao entidades bem defnidas e facilmente iden-
tifc´ aveis, v´ ortices n˜ ao o s˜ ao. Ao contr´ ario das mol´ eculas, v´ ortices
exibem dimens˜ oes vari´ aveis no tempo e espac¸o, trocam massa
entre si e s˜ ao caracterizados por uma orientac¸˜ ao. Uma “colis˜ ao”
entre dois v´ ortices, por exemplo, ´ e umfenˆ omeno muito mais com-
plexo que uma colis˜ ao entre duas mol´ eculas (Eiger, 1989), o que
evidencia a imperfeic¸˜ ao da analogia.
Uma das caracter´ısticas dos escoamentos turbulentos ´ e a
presenc¸a simultˆ anea de uma grande quantidade de v´ ortices numa
vasta gama de escalas temporais e espaciais. O espectro de ener-
gia da turbulˆ encia ´ e an´ alogo ao espectro de cores que aparece
quando uma luz branca atravessa um prisma. Neste processo,
observamos que a luz branca ´ e composta por diversas cores (i.e.,
v´ arios comprimentos de onda ou frequˆ encias) superpostas. Com
relac¸˜ ao ` a turbulˆ encia podemos desenvolver uma an´ alise similar
e identifcar, dentro do campo turbulento, v´ ortices de diferen-
tes tamanhos contribuindo para a energia turbulenta total (Stull,
1988). Dentro deste espectro, os maiores v´ ortices drenam ener-
gia do escoamento m´ edio e a transferem para outros menores, e
estes para outros menores ainda, e assim sucessivamente. Cria-
se ent˜ ao um processo cont´ınuo de transferˆ encia de energia, que
vai em direc¸˜ ao a uma escala de tamanhos onde a energia passa a
ser dissipada pelas tens˜ oes viscosas, atingindo-se um estado de
equil´ıbrio (Rosman, 1989). Esse processo ´ e conhecido por “cas-
cata de energia” e foi descrito por Kolmogorov em 1941 (e.g.,
Schwind, 1980). A Figura 1 mostra um espectro de potˆ encia
t´ıpico de escoamentos turbulentos, o qual representa a energia
cin´ etica turbulenta ao longo das escalas espaciais do escoamento
em func¸˜ ao da frequˆ encia de futuac¸˜ ao.
Os grandes v´ ortices dependem fortemente da geometria do
escoamento e da maneira como s˜ ao gerados, por isso possuem
caracter´ısticas anisotr´ opicas e comportamento um tanto deter-
min´ıstico. Ao considerarmos v´ ortices cada vez menores, a in-
fuˆ encia da geometria do escoamento vai desaparecendo e o
padr˜ ao do campo turbulento torna-se cada vez mais aleat ´ orio
e, consequentemente, mais isotr´ opico. Em corpos d’´ agua rasos
o comprimento t´ıpico dos maiores v´ ortices ´ e geralmente muito
maior que a profundidade, logo, para haver prevalˆ encia da iso-
tropia ´ e preciso que as escalas envolvidas sejam inferiores a da
profundidade (Rosman, 1989).
De acordo comEiger (1989), umescoamento turbulento exibe
um espectro cont´ınuo de dimens˜ oes de v´ ortices, de modo que a
quantidade de diferentes tamanhos presentes no espectro ´ e dire-
tamente proporcional ao n´ umero de Reynolds do escoamento
m´ edio. Este espectro ´ e limitado superiormente pelos contornos
f´ısicos do escoamento (banda esquerda da Fig. 1). Por exem-
plo, no escoamento em um canal ´ e imposs´ıvel a existˆ encia de
um v´ ortice cuja dimens˜ ao vertical seja maior que a profundi-
dade do canal. Destaca-se que os v´ ortices maiores apresentam
frequˆ encias de futuac¸˜ ao mais baixas e, conforme pode ser obser-
vado na Figura 1, possuem as maiores escalas de comprimento,
ocorrendo o oposto na situac¸˜ ao dos v´ ortices menores.
Os v´ ortices mais energ´ eticos do escoamento turbulento s˜ ao
aqueles que, do ponto de vista estat´ıstico, mais contribuem para
o transporte turbulento de massa, energia e momentum. Na im-
possibilidade de simular numericamente todos os componentes
do espectro, devido ` as limitac¸˜ oes computacionais, os menores
v´ ortices (escalas) s˜ ao incorporados ao modelo num´ erico ap´ os
serem parametrizados pelos chamados modelos de turbulˆ encia.
Consideremos agora um elemento de fuido em rotac¸˜ ao ao
redor do seu eixo z, como ilustra a Figura 2. Se este elemento
estiver sujeito ` a infuˆ encia de uma deformac¸˜ ao linear ao longo
da direc¸˜ ao z, ou seja, ∂w/∂z > 0(∂w/∂z < 0), onde w
´ e a componente da velocidade do escoamento na direc¸˜ ao z, o
elemento ser´ a estirado (contra´ıdo) nesta direc¸˜ ao, a ´ area da sua
sec¸˜ ao transversal no plano xy diminuir´ a (aumentar´ a) e sua
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24 UMA REVIS
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AO SOBRE A TURBUL
ˆ
ENCIA E SUA MODELAGEM
Figura 1 – Espectro de energia de um escoamento turbulento (Fonte: Bedford, 1981 apud Rosman, 1989).
Figura 2 – Estiramento de um elemento de fuido na direc¸˜ ao z produzindo estiramentos menores nos elementos
da vizinhanc¸a nas direc¸˜ oes x e y, os quais provocar˜ ao novos (e menores ainda) estiramentos nos elementos
vizinhos n˜ ao mostrados na fgura.
velocidade de rotac¸˜ ao aumentar´ a (diminuir´ a) em virtude da
conservac¸˜ ao do seu momento angular. Desta forma, este(a) esti-
ramento (contrac¸˜ ao) diminuir´ a (aumentar´ a) a escala de compri-
mento do pr´ oprio elemento nas direc¸˜ oes perpendiculares (x e
y) estirando (contraindo) os elementos de fuido da vizinhanc¸a
nestas direc¸˜ oes, os quais tamb´ em sofrer˜ ao variac¸˜ ao no seu mo-
mento angular, conforme sugere a Figura 2, e assim por diante
(Zhurbas, 2001).
Percebe-se, por exemplo, que um estiramento na direc¸˜ ao z
(1
a
gerac¸˜ ao) propaga-se para os elementos vizinhos nas direc¸ ˜ oes
x e y, produzindo-se ent˜ ao estiramentos de menor escala nes-
tas direc¸˜ oes (2
a
gerac¸˜ ao) que, por sua vez, propagam-se e pro-
duzem estiramentos nas direc¸ ˜ oes y e z e nas direc¸˜ oes x e z,
respectivamente (3
a
gerac¸˜ ao), e assim por diante. Uma “´ arvore
de gerac¸˜ oes” (Bradshaw, 1971 apud Zhurbas, 2001), que mos-
tra a direc¸˜ ao destes estiramentos a cada gerac¸˜ ao, ´ e apresentada
na Figura 3. Podemos ver, qualitativamente, que um estiramento
inicial numa dada direc¸˜ ao produz quantidades aproximadamente
iguais de pequenos estiramentos em cada uma das direc¸ ˜ oes x,
y e z ap´ os poucas “gerac¸˜ oes” do processo, conforme mostra a
tabela da Figura 3. Destaca-se que os v´ ortices que caracterizam
o movimento turbulento est˜ ao associados com os estiramentos
indicados nesta fgura. Com isso, a escala de comprimento ca-
racter´ıstica destes movimentos vai diminuindo a cada gerac¸˜ ao, de
modo que os v´ ortices de pequena escala “esquecem” a orientac¸˜ ao
preferencial do movimento de larga escala (Zhurbas, 2001), isto
´ e, tendem ` a isotropia conforme sugere a tabela da Figura 3.
Dentro deste contexto, a energia vai sendo transferida dos maio-
res para os menores v´ ortices e, fnalmente, nos menores v´ ortices
ela ´ e dissipada em calor.
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Figura 3 – Representac¸˜ ao da “´ arvore das gerac¸˜ oes” mostrando como o estiramento dos v´ ortices em uma direc¸˜ ao produz isotropia nas pequenas
escalas. A nomenclatura xyz representa as direc¸˜ oes dos estiramentos em cada “gerac¸˜ ao”. A escala de comprimento diminui de uma gerac¸˜ ao
para outra (Fonte: Bradshaw, 1971 apud Zhurbas, 2001).
Camada Limite e escalas associadas
Escoamentos com altos n´ umeros de Reynolds s˜ ao caracteriza-
dos pela existˆ encia de v´ arias escalas de comprimento, as quais
possuem um limite superior, que ´ e imposto pelas dimens˜ oes
f´ısicas do escoamento (corpo d’´ agua), e um limite inferior, o
qual ´ e determinado pela ac¸˜ ao difusiva da viscosidade molecular.
Esta subsec¸˜ ao ´ e dedicada ` a revis˜ ao do conceito de Camada Li-
mite, introduzido por Prandtl em 1904, e ` a an´ alise das escalas
envolvidas nas camadas limite laminar e turbulenta, assim como
as Escalas de Kolmogorov.
Prandtl mostrou que a maioria dos escoamentos viscosos
pode ser analisada pela divis˜ ao do escoamento em duas regi ˜ oes:
uma pr´ oxima da superf´ıcie s´ olida confnante e a outra cobrindo
o restante do escoamento. Apenas em uma pequena regi˜ ao ad-
jacente ao contorno, denominada camada limite, se faz impor-
tante o efeito da viscosidade. Observa-se que, em qualquer es-
coamento viscoso, o fuido em contato direto com a superf´ıcie
possui a mesma velocidade desta superf´ıcie (condic¸˜ ao de “n˜ ao-
deslizamento”). Na regi˜ ao al´ em desta camada o efeito da viscosi-
dade ´ e desprez´ıvel e o fuido pode ser tratado como n˜ ao viscoso.
Uma melhor visualizac¸˜ ao da formac¸˜ ao da camada limite pode
ser obtida analisando-se um escoamento com velocidade uni-
forme sobre uma placa plana. Este fuido, na vizinhanc¸a imediata
da superf´ıcie, fca sujeito ` a ac¸˜ ao de forc¸as de cisalhamento devi-
das ` a desacelerac¸˜ ao imposta pela placa (ver Fig. 4). Estas forc¸as
tendem a ajustar a velocidade do fuido ` aquela da superf´ıcie em
virtude da condic¸˜ ao de “n˜ ao-deslizamento”.
Nesta fgura, U

representa a velocidade do escoamento li-
vre, ou seja, longe da infuˆ encia da superf´ıcie. No caso espec´ıfco
da Figura 4 (escoamento unidirecional na direc¸˜ ao x) a tens˜ ao de
cisalhamento τ
yx
ser´ a dada por
τ
yx
= μ
du
dy
. (1)
Na Equac¸˜ ao (1), conhecida como Lei de Newton da Visco-
sidade, μ ´ e o coefciente de viscosidade dinˆ amica molecular do
fuido e u(y) ´ e a func¸˜ ao que defne o perfl de velocidade do es-
coamento. Se a placa estiver em repouso o momentum junto ` a
superf´ıcie ser´ a nulo, enquanto no escoamento livre ser´ a expresso
por ρU

. Isto signifca que a presenc¸a da placa provoca, na ca-
mada adjacente, um d´ efcit de momentum em relac¸˜ ao ` aquele do
escoamento livre. Por exemplo, o movimento ao redor da asa de
um avi˜ ao, do casco de um navio ou sobre o fundo do oceano, po-
demser representados, de maneira aproximada, pelo escoamento
do fuido sobre uma placa plana.
A tens˜ ao de cisalhamento, que atua sobre o perfl de velo-
cidade nas adjacˆ encias da superf´ıcie, trazendo a velocidade do
fuido para o mesmo valor daquele do contorno, mostra que
tanto as forc¸as de in´ ercia quanto as viscosas s˜ ao importantes
na camada limite. N˜ ao ´ e de surpreender ent˜ ao que o n´ umero de
Reynolds seja importante na caracterizac¸˜ ao dos escoamentos em
camada limite. O comprimento ou dimens˜ ao caracter´ıstica utili-
zado na determinac¸˜ ao deste parˆ ametro ´ e aquele que caracteriza o
escoamento na regi˜ ao de interesse, podendo ser tanto o compri-
mento na direc¸˜ ao do escoamento, sobre o qual a camada limite
se desenvolve, como alguma medida (transversal) da espessura
da mesma (e.g., Tritton, 1977).
O escoamento na camada limite pode ser tanto laminar como
turbulento. Esta camada se desenvolve inicialmente laminar e as
instabilidades fazem com que ela se torne turbulenta. A Figura 4
(lado esquerdo) mostra que uma regi˜ ao laminar se forma na borda
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˜
AO SOBRE A TURBUL
ˆ
ENCIA E SUA MODELAGEM
Figura 4 – Transic¸˜ ao entre o escoamento laminar e turbulento na camada limite.
Figura 5 – Subcamada viscosa da camada limite turbulenta.
esquerda da placa (“bordo de ataque”), a qual cresce em espes-
sura, atingindo uma regi˜ ao de transic¸˜ ao onde o escoamento muda
de laminar para turbulento. Devido ` as perturbac¸˜ oes de veloci-
dade na direc¸˜ ao y, o perfl de velocidade do escoamento dentro
da camada limite turbulenta ´ e mais “achatado” que o correspon-
dente perfl para a camada limite laminar. Na regi˜ ao turbulenta da
camada limite a turbulˆ encia diminui em direc¸˜ ao ` a parede em tal
extens˜ ao que comec¸am a predominar os efeitos laminares (visco-
sos). Isto sugere que mesmo na camada limite turbulenta se de-
senvolve uma fna subcamada laminar, onde os efeitos viscosos
(moleculares) predominam sobre os efeitos de in´ ercia, conforme
mostra a Figura 5 (e.g., Shames, 1973).
Camada Limite Laminar (CLL) e escalas associadas
Um escoamento laminar viscoso, suposto incompress´ıvel, esta-
cion´ ario e com viscosidade constante, pode ser descrito pelas
equac¸˜ oes de Navier-Stokes na forma
1
u
j
∂u
i
∂x
j
= −
1
ρ
∂p
∂x
i
+v

2
u
i
∂x
j
∂x
j
. (2)
Na Equac¸˜ ao (2) u
i ( j )
´ e a velocidade do escoamento na
direc¸˜ ao x
i ( j )
, p ´ e a press˜ ao, v ´ e o coefciente de viscosidade
cinem´ atica e ρ ´ e a massa espec´ıfca do fuido.
Uma an´ alise de escala aplicada na Equac¸˜ ao (2) permite es-
timar o termo de in´ ercia como tendo ordem O(U
2
/L), onde
U e L s˜ ao as escalas caracter´ısticas de velocidade e compri-
mento do escoamento (na direc¸˜ ao paralela ` a superf´ıcie), respec-
tivamente, enquanto o termo de fricc¸˜ ao viscosa possui ordem
O(vU/L
2
). A relac¸˜ ao entre estes dois termos, que compara
as forc¸as de in´ ercia com as forc¸as viscosas que atuam sobre
o fuido, ´ e o n´ umero de Reynolds, dado por Re = UL/v.
Um elevado valor de Re indica que o termo viscoso ´ e negli-
genci´ avel quando comparado com o termo de in´ ercia. Entre-
1
A notac¸˜ ao indicial ser´ a utilizada em grande parte deste trabalho.
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SOUZA JFA, OLIVEIRA LR, AZEVEDO JLL, SOARES ID & MATA MM 27
tanto, determinadas condic¸˜ oes de contorno podem tornar im-
poss´ıvel negligenciar este termo emalguma parte do escoamento.
Por exemplo, no escoamento sobre uma superf´ıcie s´ olida ´ e ne-
cess´ aria a existˆ encia de uma “camada limite”. Conforme citado
anteriormente os efeitos viscosos s˜ ao importantes nesta regi˜ ao,
o que sugere a associac¸˜ ao destes efeitos com uma nova es-
cala de comprimento que seja compat´ıvel com a camada limite.
Pode-se ent˜ ao investigar uma escala de comprimento , onde
os termos viscosos subsistam e sejam t˜ ao importantes quanto
os termos advectivos (in´ ercia), o que implica em um n´ umero
de Reynolds na camada limite, Re
CL
, de ordem (1) . Tendo
em vista que a ordem do termo viscoso foi agora modifcada
para ordem O(vU/
2
), pode-se escrever
Re
CL
=
U
2
/L
vU/
2
=
U
2
vL
_
L
L
_
= Re
_

L
_
2
. (3)
Na Equac¸˜ ao (3), Re ´ e o n´ umero de Reynolds no escoamento
livre. A partir desta equac¸˜ ao, a escala da espessura da camada
limite laminar pode ser relacionada com a escala de compri-
mento do escoamento livre L pela seguinte equac¸˜ ao:

L

1
Re
1/2
. (4)
Uma escala de tempo t , caracter´ıstica dos processos difusi-
vos viscosos, possui ordem O(L/U), o que permite, a partir
de (3), escrever
t ∼

2
v
(5)
A escala de comprimento , associada ` a espessura da CLL,
´ e transversal ` a superf´ıcie (ver lado esquerdo da Fig. 4), tendo em
vista que ela est´ a associada ` a difus˜ ao de momentum na direc¸˜ ao
normal ao escoamento. Destaca-se que esta difus˜ ao, na direc¸˜ ao
paralela ao escoamento, ´ e negligenci´ avel quando comparada ao
transporte advectivo de momentum nesta mesma direc¸˜ ao (e.g.,
Tennekes & Lumley, 1972). A Equac¸˜ ao (4) mostra que a escala
da espessura da CLL ´ e consideravelmente menor que a escala L
do campo de escoamento no qual ela se desenvolve, sendo t˜ ao
menor quanto maior o n´ umero de Reynolds do escoamento.
Camada Limite Turbulenta (CLT) e escalas associadas
As escalas de comprimento e velocidade na CLT s˜ ao ilustradas no
lado direito da Figura 4. A turbulˆ encia transfere o d´ efcit de mo-
mentum, a partir da superf´ıcie, na direc¸˜ ao normal ao escoamento,
a uma taxa
t
/t ∼ u
t
, onde
t
´ e a escala de comprimento as-
sociada ` a espessura da CLT, t ´ e a escala de tempo e u
t
´ e a escala
das futuac¸˜ oes da velocidade do escoamento dentro da CLT.
Como os processos advectivo e difusivo ocorrem simulta-
neamente, podemos escrever t ∼ L/U ∼
t
/u
t
, ou,

t
∼ L
_
u
t
U
_
. (6)
O mesmo procedimento seguido aqui para encontrar uma
relac¸˜ ao entre as escalas difusiva e advectiva na CLT poderia ter
sido aplicado para encontrar a relac¸˜ ao entre as escalas difusiva
e advectiva na CLL (sec¸˜ ao anterior). Todavia, l´ a preferimos fazer
uma an´ alise de escala entre os termos advectivo e difusivo na
Equac¸˜ ao (2), do momentum.
A Equac¸˜ ao (6) mostra que a escala da espessura da CLT,
assim como a da CLL, conforme a Equac¸˜ ao (4), ´ e consideravel-
mente menor que a escala L do campo de escoamento no qual ela
se desenvolve.
Escalas de Kolmogorov
Podemos observar que a escolha de
t
(ver Fig. 4) como es-
cala de comprimento caracter´ıstica da CLT faz com que, impli-
citamente, estejamos considerando apenas os v´ ortices de maior
escala desta camada.
`
A medida, por´ em, que nos aproximamos da
superf´ıcie, o tamanho dos v´ ortices vai diminuindo e outras esca-
las menores tˆ em que ser consideradas (e.g., M¨ oller e Silvestrini,
2004). Entretanto, n˜ ao devemos perder de vista que a viscosidade
molecular imp˜ oe um limite inferior para a escala dos menores
v´ ortices. Em escalas muito pequenas a viscosidade molecular se
torna muito efetiva e os termos viscosos previnem a gerac¸˜ ao de
escalas menores ainda, quando ent˜ ao a energia cin´ etica dos pe-
quenos v´ ortices ´ e dissipada antes que atinjam a escala molecu-
lar. Este mecanismo garante que os menores v´ ortices sejamainda
maiores que as dimens˜ oes moleculares, o que d´ a sustentac¸˜ ao
` a hip´ otese do continuum, sobre a qual se baseia a teoria dos
escoamentos turbulentos e a mecˆ anica dos fuidos (Deschamps,
2002). Como os movimentos nas menores escalas tendem a ter
escalas de tempo tamb´ emmenores (pois as futuac¸˜ oes fcammais
r´ apidas), podemos assumir que estes movimentos s˜ ao estatisti-
camente independentes da turbulˆ encia de larga escala e do esco-
amento m´ edio, comparavelmente mais lentos. Se esta hip´ otese ´ e
v´ alida, este movimento de pequena escala depende somente da
taxa de energia que ele recebe das grandes escalas e da visco-
sidade molecular. No equil´ıbrio, a taxa de suprimento de ener-
gia (oriunda das grandes escalas) tem que ser igual ` a taxa de
dissipac¸˜ ao de energia (envolvida com as pequenas escalas) e
esta concepc¸˜ ao ´ e a base da chamada teoria do equil´ıbrio uni-
versal de Kolmogorov (e.g., Tennekes & Lumley, 1972 e M¨ oller
& Silvestrini, 2004).
Brazilian Journal of Geophysics, Vol. 29(1), 2011
“main” — 2011/7/22 — 12:00 — page 28 — #8
28 UMA REVIS
˜
AO SOBRE A TURBUL
ˆ
ENCIA E SUA MODELAGEM
Esta discuss˜ ao sugere que os parˆ ametros que governam o
movimento nas pequenas escalas devem incluir, no m´ınimo, a
taxa de dissipac¸˜ ao de energia por unidade de massa ε(m
2
s
−3
)
e a viscosidade cinem´ atica v(m
2
s
−1
). Com estes novos pa-
rˆ ametros, seguidos de uma an´ alise dimensional, pode-se formar
escalas de comprimento, tempo e velocidade caracter´ısticas do
movimento associado com as pequenas escalas, que s˜ ao expres-
sas por:
Escala de comprimento:
λ =
_
v
3
ε
_
1/4
(7)
Escala de tempo:
τ =
_
v
ε
_
1/2
(8)
Escala de velocidade:
ϑ = (vε)
1/4
(9)
Estas escalas s˜ ao referidas como microescalas de Kolmo-
gorov. O n´ umero de Reynolds formado com estas escalas ´ e ex-
presso por Re
k
(ϑ ∙ λ/v). Com a utilizac¸˜ ao das express˜ oes
(7) e (9) observa-se que o n´ umero de Reynolds ´ e unit´ ario nas
pequenas escalas de Kolmogorov, o que ilustra que o movimento
nas pequenas escalas ´ e viscoso e que a dissipac¸˜ ao viscosa se
adapta ao suprimento de energia pelo ajuste destas escalas (e.g.,
M¨ oller & Silvestrini, 2004).
Com base nestes conceitos, se a taxa de dissipac¸˜ ao vis-
cosa ε puder ser relacionada com as escalas de comprimento e
velocidade da turbulˆ encia de larga escala, uma melhor compre-
ens˜ ao das diferenc¸as entre os aspectos macro e micro da turbu-
lˆ encia pode ser formada. Para escoamentos completamente de-
senvolvidos, a taxa de dissipac¸˜ ao viscosa (nas pequenas esca-
las) ´ e igual ` a taxa na qual a energia, por unidade de massa,
´ e suprida aos grandes v´ ortices pelo escoamento m´ edio (gran-
des escalas), a qual ´ e expressa por (U
2
/t ), onde t = L/U.
Assim pode-se escrever
ε ≈
U
2
t
=
U
3
L
. (10)
Observa-se ent˜ ao que a dissipac¸˜ ao viscosa pode ser expres-
sa em func¸˜ ao de grandezas caracter´ısticas do escoamento m´ edio.
Relac¸ ˜ oes entre as pequenas e as grandes escalas
A substituic¸˜ ao da Equac¸˜ ao (10) nas express˜ oes (7) a (9) permite a
obtenc¸˜ ao das seguintes relac¸˜ oes entre as pequenas e as grandes
escalas da turbulˆ encia:
λ =
_
v
3
ε
_
1/4
=
_
v
3
L
U
3
_
1/4
=
1
Re
3/4
L

λ
L
= Re
−3/4
,
(11)
τ =
_
v
ε
_
1/2
=
_
vL
U
3
_
1/2
=
1
Re
1/2
t

τ
t
= Re
−1/2
,
(12)
ϑ = (vε)
1/4
=
_
vU
3
L
_
1/4
=
1
Re
1/4
U

ϑ
U
= Re
−1/4
.
(13)
Observa-se que as escalas de comprimento, tempo e veloci-
dade dos menores v´ ortices da turbulˆ encia s˜ ao muito menores que
aquelas dos grandes v´ ortices e, principalmente, esta diferenc¸a
´ e t˜ ao maior quanto maior for o n´ umero de Reynolds do escoa-
mento m´ edio. Escoamentos geof´ısicos, por exemplo, em virtude
das suas largas dimens˜ oes horizontais, comumente apresentam
n´ umeros de Reynolds da ordem de 10
8
. Neste caso, as relac¸˜ oes
entre as escalas de comprimento, tempo e velocidade das pe-
quenas e largas escalas ser˜ ao, respectivamente, λ = 10
6
L,
τ = 10
−4
t e ϑ = 10
−2
U.
Viscosidade e difusividade turbulentas
A mais antiga proposta de modelagem da turbulˆ encia, a qual uti-
liza o conceito de viscosidade turbulenta, ainda constitui parte
importante da maioria dos modelos de turbulˆ encia. Este conceito
foi introduzido por Boussinesq em 1877 que, em analogia com a
Lei da Viscosidade de Newton [ver Equac¸˜ ao (1)], estabeleceu uma
relac¸˜ ao entre as tens˜ oes turbulentas (−u
i
u
j
) e os gradientes de
velocidade m´ edia do escoamento, de acordo com a equac¸˜ ao
−u

i
u

j
= v
t
_
∂u
i
∂x
j
+
∂u
j
∂x
i
_

2
3

i j
. (14)
Nesta equac¸˜ ao, vt ´ e a viscosidade turbulenta, δ
i j
´ e o delta de
Kronecker (cujo valor ´ e 1, se i = j e 0, se i = j ) e k repre-
senta a energia cin´ etica turbulenta (por unidade de massa), que ´ e
expressa por
k =
1
2
u

i
u

i
=
1
2
_
u
2
1
+u
2
2
+u
2
3
_
. (15)
A presenc¸a do termo que cont´ em o delta de Kronecker
na Equac¸˜ ao (14) ´ e necess´ aria para a correta considerac¸˜ ao das
tens˜ oes normais que comp˜ oema diagonal principal do tensor das
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SOUZA JFA, OLIVEIRA LR, AZEVEDO JLL, SOARES ID & MATA MM 29
tens˜ oes turbulentas, quando ent˜ ao i = j . Caso este termo n˜ ao
estivesse inclu´ıdo na Equac¸˜ ao (14), a soma das tens˜ oes normais
seria nula para atender o princ´ıpio de conservac¸˜ ao da massa no
escoamento m´ edio, ou seja,
u
2
1
+u
2
2
+u
2
3
= −2v
t
_
∂u
1
∂x
1
+
∂u
2
∂x
2
+
∂u
3
∂x
3
_
= 0 . (16)
Entre a Equac¸˜ ao (14) e a equac¸˜ ao an´ aloga para as tens˜ oes
viscosas [ver Equac¸˜ ao (1)] existem dois aspectos que as di-
ferenciam fundamentalmente. O primeiro ´ e que, em contraste
com a viscosidade molecular v, a viscosidade turbulenta n˜ ao
´ e uma propriedade do fuido e sim do escoamento, pois de-
pende fortemente do estado da turbulˆ encia, ou seja, v
t
pode va-
riar signifcativamente de um ponto a outro no interior do es-
coamento. De acordo com a Teoria Cin´ etica dos Gases, o coe-
fciente de viscosidade molecular ´ e proporcional ao livre cami-
nho m´ edio das mol´ eculas do fuido e a uma velocidade carac-
ter´ıstica destas mol´ eculas. Isto signifca que sob determinadas
condic¸˜ oes de temperatura e press˜ ao, o coefciente v mant´ em um
valor constante e caracter´ıstico para cada fuido. No movimento
turbulento, o correspondente coefciente de proporcionalidade
recebe a denominac¸˜ ao de coefciente de viscosidade turbulenta
v
t
e, por analogia, ´ e considerado proporcional a uma velocidade
e um comprimento caracter´ısticos das futuac¸˜ oes turbulentas,
o qual Prandtl denominou “comprimento de mistura”.
Como j´ a salientado, a analogia entre os escoamentos lami-
nar e turbulento n˜ ao ´ e perfeita, pelo fato que os v´ ortices n˜ ao po-
dem ser considerados corpos r´ıgidos, nem entidades capazes de
manter sua identidade no tempo e espac¸o (como s˜ ao supostas
as mol´ eculas na Teoria Cin´ etica). Al´ em disso, o “livre caminho”
dos grandes v´ ortices n˜ ao ´ e pequeno quando comparado com o
dom´ınio do escoamento, como ´ e requerido pela Teoria Cin´ etica
(Rodi, 1993). Deve-se observar ainda que, al´ em do coefciente de
viscosidade turbulenta v
t
variar de ponto para ponto no campo
de escoamento, isto ´ e feito de forma n˜ ao previs´ıvel teoricamente,
forc¸ando ent˜ ao o uso de informac¸˜ oes experimentais para que se
possa estabelecer esta variac¸˜ ao (Eiger, 1989).
Embora fr´ agil do ponto de vista f´ısico, o conceito de visco-
sidade turbulenta tem demonstrado ser extremamente ´ util para
muitos escoamentos de interesse pr´ atico (e.g., Tennekes & Lum-
ley, 1972; Stull, 1988; Rodi, 1993). Vamos agora enfatizar o fato
que a viscosidade turbulenta v
t
´ e proporcional ` a escala de veloci-
dade
ˆ
U e de comprimento
ˆ
L, ambas caracterizando o movimento
turbulento de larga escala, de forma que se pode escrever
v
t

ˆ
U ∙
ˆ
L . (17)
Destaca-se que, na realidade, ´ e a distribuic¸˜ ao destas duas
escalas ao longo do campo de escoamento que pode ser razoa-
velmente bem aproximada (e.g., Eiger, 1989; Rodi, 1993).
Quanto ao segundo aspecto a ser considerado, observa-
se que a Equac¸˜ ao (14) introduz um coefciente de viscosidade
turbulento igual para todas as componentes das tens˜ oes de
Reynolds τ
i j
. Esta concepc¸˜ ao de viscosidade turbulenta isotr´ o-
pica ´ e uma simplifcac¸˜ ao, cujo realismo ´ e limitado em escoa-
mentos mais complexos. Por isso, em algumas situac¸ ˜ oes, intro-
duzimos coefcientes de viscosidade turbulentos diferentes para
diferentes direc¸˜ oes do campo de escoamento. Por exemplo, em
grandes corpos d’´ agua como oceanos, rios, estu´ arios, ´ e comum
prescrever coefcientes de viscosidade diferentes para as direc¸ ˜ oes
horizontal e vertical, para que a anisotropia seja considerada.
Cumpre salientar que, a despeito da fragilidade f´ısica do conceito
de viscosidade turbulenta, ele tem sido muito bem sucedido e
ainda ´ e a base da maioria dos modelos em uso (e.g., Rodi, 1993).
Com relac¸˜ ao ` a difusividade turbulenta, em analogia com
a difus˜ ao molecular, ser´ a suposto que a difus˜ ao turbulenta de
uma propriedade qualquer seja proporcional ao gradiente do
valor m´ edio da propriedade. Sendo assim, para uma propriedade
ϕ, podemos escrever
−u

i
ϕ

= D
∂ϕ
∂x
i
, (18)
onde D ´ e a difusividade turbulenta da propriedade considerada.
A difusividade turbulenta possui a mesma fragilidade conceitual
da viscosidade turbulenta, ou seja, ela n˜ ao ´ e uma propriedade do
fuido. A analogia de Reynolds entre o transporte de massa/calor
e o transporte de momentum sugere que haja uma relac¸˜ ao muito
aproximada entre a difusividade e a viscosidade turbulentas (e.g.,
Rodi, 1993). De fato, esta relac¸˜ ao pode ser escrita na forma
D =
v
t
σ
t
, (19)
onde σ
t
corresponde ao n´ umero de Prandtl turbulento, para o
transporte de calor, ou o n´ umero de Schmidt, para o transporte
de massa. Note que D e v
t
tˆ em as mesmas dimens˜ oes e suas
unidades s˜ ao m
2
s
−1
. Sabe-se que, ao contr´ ario da difusividade
turbulenta de momentum e calor ou massa, σ
t
varia muito pouco
de um ponto a outro do escoamento e at´ e mesmo de um escoa-
mento para outro.
Interpretac¸ ˜ ao estat´ıstica da turbul ˆ encia
As vari´ aveis de um escoamento turbulento n˜ ao s˜ ao determin´ıs-
ticas e, como tal, devem ser tratadas como vari´ aveis aleat´ orias.
Brazilian Journal of Geophysics, Vol. 29(1), 2011
“main” — 2011/7/22 — 12:00 — page 30 — #10
30 UMA REVIS
˜
AO SOBRE A TURBUL
ˆ
ENCIA E SUA MODELAGEM
Figura 6 – Turbulˆ encia gerada em uma grade (Fonte: Lesieur, 1997).
As propriedades estat´ısticas m´ edia, desvio padr˜ ao e variˆ ancia
s˜ ao coletivamente chamadas momentos estat´ısticos da vari´ avel.
Quando os momentos estat´ısticos de uma vari´ avel aleat´ oria s˜ ao
independentes do tempo dizemos que o processo ´ e estacion´ ario.
Se eles forem independentes do espac¸o, o processo ´ e dito ho-
mogˆ eneo e se forem independentes da orientac¸˜ ao dos eixos co-
ordenados em relac¸˜ ao aos quais a vari´ avel foi medida, o processo
´ e considerado isotr´ opico (e.g., Kundu & Cohen, 2002). Em ou-
tras palavras, a turbulˆ encia ser´ a dita homogˆ enea se as estat´ısticas
forem invariantes por translac¸˜ ao dos eixos coordenados, e dita
isotr´ opica se invariantes por rotac¸˜ ao dos eixos (e.g., Silveira Neto,
2002a).
Apesar da turbulˆ encia homogˆ enea e isotr´ opica ser uma idea-
lizac¸˜ ao, o escoamento observado na frente de uma “grade de
turbulˆ encia” constitui uma boa aproximac¸˜ ao experimental para
este tipo de escoamento, permitindo que predic¸ ˜ oes te´ oricas sejam
comprovadas experimentalmente. Uma “grade de turbulˆ encia”
consiste de uma grade posicionada transversalmente ao escoa-
mento, no interior de um t´ unel de vento, conforme mostra a
Figura 6. Esta grade permite o estudo da turbulˆ encia homo-
gˆ enea e isotr´ opica, possibilitando ent˜ ao a determinac¸˜ ao de v´ arios
parˆ ametros que governam as taxas de transporte de quantidade
de movimento, calor e escalares no interior dos escoamentos
turbulentos (e.g., Silveira Neto, 2002a).
Destaca-se que nos escoamentos turbulentos os valores ins-
tantˆ aneos das vari´ aveis (u, v, w, θ, ρ, p, S...) futuam, com
certa frequˆ encia, em torno de um valor m´ edio. Para a maioria dos
prop´ ositos, conhecer o comportamento m´ edio do escoamento,
e, portanto, o valor m´ edio assumido por suas vari´ aveis descriti-
vas, ´ e sufciente. Para outros, entretanto, ´ e justamente no car´ ater
futuante destas vari´ aveis que estamos interessados. Reynolds,
em 1895, foi o primeiro a sugerir que o escoamento instantˆ aneo
fosse desdobrado em uma componente m´ edia (de grande escala)
e outra futuante (de pequena escala) pela separac¸˜ ao das vari´ a-
veis, conforme mostra a Equac¸˜ ao (20):
˜ x = x + x

. (20)
Na Equac¸˜ ao (20), ˜ x corresponde ao valor instantˆ aneo de
uma vari´ avel qualquer, x ` a componente m´ edia desta vari´ avel e
x

a sua parte futuante. Na aplicac¸˜ ao da t´ ecnica de separac¸˜ ao de
Reynolds a m´ edia efetuada sobre as realizac¸ ˜ oes obedece a cer-
tas regras que s˜ ao mostradas a seguir. Para maiores detalhes,
sugere-se a leitura de Stull (1988) e Kundu & Cohen (2002). A
aplicac¸˜ ao da Equac¸˜ ao (20) a duas propriedades a e b deve obe-
decer ` as seguintes regras de promediac¸˜ ao:
a

= 0 ˜ a = ˉ a +a

= ˉ a +a

= a
ˉ a ˉ a = a ∙ a ˉ aa

= ˉ a ∙ a

= 0 a

∙ a

= 0 a

∙ b

= 0
˜ a ∙ ˜ a = (a +a

)(a +a

) = a a +aa

+a

a +a

a

= a a +aa

+a

a +a

a

= a a +a

a

˜ a ∙
˜
b = (a +a

)(b +b

) = ab +ab

+a

b +a

b

= ab +ab

+a

b +a

b

= ab +a

b

.
(21)
Revista Brasileira de Geof´ısica, Vol. 29(1), 2011
“main” — 2011/7/22 — 12:00 — page 31 — #11
SOUZA JFA, OLIVEIRA LR, AZEVEDO JLL, SOARES ID & MATA MM 31
No conjunto de Equac¸˜ oes (21) os valores m´ edios a e b
representam o primeiro momento estat´ıstico, enquanto as variˆ an-
cias e covariˆ ancias a

a

, b

b

e a

b

s˜ ao interpretadas como o
segundo momento (e.g., Stull, 1988).
O comprimento de mistura de Prandtl
Considere a situac¸˜ ao simples de um escoamento turbulento uni-
direcional na direc¸˜ ao x, com velocidade u(y), conforme apre-
sentado na Figura 7a. Apesar da velocidade v na direc¸˜ ao y ser
nula, sua futuac¸˜ ao v

move a parcela de fuido situada na posic¸˜ ao
1 para cima, assim como a parcela situada na posic¸˜ ao 2 ´ e deslo-
cada para baixo. Assim, a parcela 1 ´ e substitu´ıda pela 2 e vice-
versa. Este tipo de troca ocorre em todo o campo de escoamento
turbulento, produzindo uma interac¸˜ ao entre as camadas do fuido
emescala macrosc´ opica. Partindo dessa observac¸˜ ao, Prandtl, em
1925, desenvolveu sua hip´ otese do comprimento de mistura e
propˆ os um modelo alg´ ebrico de turbulˆ encia (e.g., Deschamps,
2002).
Figura 7 – (a) Troca de parcelas de fuido devido ` a turbulˆ encia e (b) escoamento
na camada limite turbulenta ilustrando a hip´ otese do comprimento de mistura.
Se du/dy ´ e positiva, como indicado na Figura 7b, ent˜ ao
as velocidades das part´ıculas obedecem a desigualdade u(y +

m
) > u(y) > u(y −
m
). Ser´ a suposto agora que a part´ıcula
na camada (y+
m
), devido ` a turbulˆ encia, sofra uma perturbac¸˜ ao
v

< 0 (vertical), e se desloque para baixo at´ e a camada y. Este
deslocamento
m
mede a distˆ ancia necess´ aria para que a troca
de momentum produza futuac¸˜ oes de velocidade u

da mesma
ordem de grandeza daquelas que ocorrem num escoamento tur-
bulento real. A parcela fuida, ao chegar ` a posic¸˜ ao y, tende a
acelerar e aumentar a velocidade u das part´ıculas desta regi˜ ao
de uma quantidade u

. Em outras palavras, ela transfere uma
determinada quantidade de movimento ` as part´ıculas da regi˜ ao y.
Note que a futuac¸˜ ao v

< 0 provocou o surgimento de ou-
tra futuac¸˜ ao, no caso, u

> 0. O produto destas futuac¸˜ oes
(u

v

) ´ e negativo e representa uma das componentes do tensor
de Reynolds (−u

i
u

j
), por unidade de massa.
A distˆ ancia
m
, que Prandtl chamou “comprimento de mis-
tura”, ´ e aquela que produz futuac¸˜ oes de velocidade da mesma
ordem de magnitude que as ocorridas num escoamento turbu-
lento real. A futuac¸˜ ao de velocidade provocada pelo desloca-
mento da parcela de fuido, quando se desloca para baixo desde
(y +
m
) at´ e y, ´ e expressa por
|u

| = |u(y +
m
) −u(y)| , (22)
a qual representa o valor de |u

| no campo de escoamento real.
As barras indicam o m´ odulo de u

uma vez que esta futuac¸˜ ao
pode ser positiva ou negativa, conforme a part´ıcula se deslo-
que para baixo ou para cima, respectivamente. Dividindo-se a
Equac¸˜ ao (22) por
m
= y, resulta
|u

|

m
=
|u(y +y) −u(y)|
y
. (23)
Esta Equac¸˜ ao (23), no limite, fornece
|u

| =
m
¸
¸
¸
¸
du
dy
¸
¸
¸
¸
. (24)
O mesmo resultado seria obtido caso uma part´ıcula de fuido
se deslocasse para cima desde (y −
m
) at´ e y. Ent˜ ao, o valor
m´ edio das futuac¸˜ oes produzidas no entorno da posic¸˜ ao y ser´ a
expresso por
|u

| =
1
2
_

m
¸
¸
¸
¸
du
dy
¸
¸
¸
¸
+
m
¸
¸
¸
¸
du
dy
¸
¸
¸
¸
_
=
m
¸
¸
¸
¸
du
dy
¸
¸
¸
¸
. (25)
Prandtl tamb´ em supˆ os que o valor m´ edio do m´ odulo das
futuac¸˜ oes v

, da outra componente da velocidade, fosse da
mesma ordem de magnitude do m´ odulo das futuac¸˜ oes u

, ex-
pressa por (25), ou seja,
|v

| =
m
¸
¸
¸
¸
dv
dx
¸
¸
¸
¸
−c
1

m
¸
¸
¸
¸
du
dy
¸
¸
¸
¸
, (26)
onde c
1
´ e uma constante de ajuste.
O produto ρu

i
u

j
, que representa as tens˜ oes de Reynolds, se
deve ` a presenc¸a das componentes futuantes do escoamento, ou
seja, n˜ ao corresponde a uma tens˜ ao real do ponto de vista f´ısico.
Brazilian Journal of Geophysics, Vol. 29(1), 2011
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32 UMA REVIS
˜
AO SOBRE A TURBUL
ˆ
ENCIA E SUA MODELAGEM
Devido a este fato, s˜ ao tamb´ em chamadas de tens˜ oes turbulentas,
aparentes ou fct´ıcias. Assim, pode-se escrever
τ
apar
= −ρu

v

. (27)
Conforme mostrado acima, quando u

´ e positiva, v

´ e nega-
tiva e vice-versa, de modo que o produto m´ edio u

v

ser´ a dife-
rente de zero e sempre negativo. Em vista disso, Prandtl supˆ os
que u

v

= −c
2
|u

| |v

|, onde c
2
´ e um fator de correlac¸˜ ao,
cujo valor est´ a compreendido entre 0 e 1. A partir das Equac¸ ˜ oes
(24) e (26) podemos escrever
u

v

= −c
2
|u

||v

|
= −c
2

m
¸
¸
¸
¸
du
dy
¸
¸
¸
¸
∙ c
1

m
¸
¸
¸
¸
du
dy
¸
¸
¸
¸
= −c
3

2
m
¸
¸
¸
¸
du
dy
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
du
dy
¸
¸
¸
¸
.
(28)
Na Equac¸˜ ao (28) c
3
= c
1
c
2
. Uma vez que o valor de
m
ainda precisa ser determinado a partir de algum experimento ou
f´ ormula emp´ırica, podemos incluir nele o valor da constante c
3
,
fazendo-se c
3

m
2 =
m
2 , e expressar a tens˜ ao aparente na
forma
u

v

= −
2
m

¸
¸
¸
¸
du
dy
¸
¸
¸
¸

¸
¸
¸
¸
du
dy
¸
¸
¸
¸
. (29)
Se na Equac¸˜ ao (29) for defnido que

2
m
∙ |du/dy| ≡ v
t
, (30)
pode-se, com a utilizac¸˜ ao de (30), reescrever a Equac¸˜ ao (29) na
forma
−u

v

= v
t

du
dy
. (31)
Na Equac¸˜ ao (31) v
t
´ e o coefciente de viscosidade cinem´ atica
turbulenta. A Equac¸˜ ao (31) ´ e uma vers˜ ao simplifcada da Equac¸˜ ao
(14) para um escoamento unidirecional que ocorre na direc¸˜ ao x
com um gradiente de velocidade u na direc¸˜ ao y. A Equac¸˜ ao (31)
´ e a hip´ otese do comprimento de mistura de Prandtl. Ela relaciona
a viscosidade turbulenta ao gradiente da velocidade m´ edia local e
envolve o parˆ ametro comprimento de mistura
m
como inc´ ognita
(Rodi, 1993). Substituindo-se −u

v

de (27) em (31) chega-se
` a Equac¸˜ ao (32), que representa o an´ alogo, para um escoamento
turbulento, da Lei da Viscosidade de Newton, que ´ e representada
pela Equac¸˜ ao (1), ou seja,
τ
apar
i j
= μ
t

du
dy
. (32)
Na Equac¸˜ ao (32), o parˆ ametro μ
t
´ e o coefciente de viscosi-
dade dinˆ amico turbulento, onde v
t
= μ
t
/ρ. Eliminando-se o
“sublinhado” na Equac¸˜ ao (29), assim como as barras, visto que a
derivada ´ e elevada ao quadrado, obt´ em-se
u

v

= −
2
m

_
du
dy
_
2
. (33)
A seguir, as caracter´ısticas do escoamento pr´ oximo a contor-
nos s´ olidos ser˜ ao examinadas, uma vez que a presenc¸a destes al-
tera o comportamento do escoamento e a estrutura da turbulˆ encia
em relac¸˜ ao ` a corrente livre (Versteeg & Malalasekera, 1995).
A Lei da Parede
Na regi˜ ao pr´ oxima de um contorno s´ olido ocorre um decr´ escimo
na transferˆ encia de quantidade de movimento entre as camadas
do fuido, pois a turbulˆ encia ´ e inibida, ou at´ e suprimida, devido ` a
diminuic¸˜ ao da escala de comprimento dos v´ ortices. Isto signifca
que o comprimento de mistura diminui ` a medida que o contorno
s´ olido est´ a mais pr´ oximo. Observando isso, Prandtl fez a hip´ otese
de que o comprimento de mistura nesta regi˜ ao ´ e proporcional ` a
distˆ ancia normal ` a parede, conforme mostra a equac¸˜ ao

m
= κ ∙ y , (34)
onde y ´ e a distˆ ancia perpendicular ` a parede e κ ´ e a constante
de von Karman, igual a 0,4. A Equac¸˜ ao (34) mostra que o tama-
nho caracter´ıstico dos v´ ortices cresce quando nos afastamos da
parede e tende para uma dimens˜ ao caracter´ıstica do escoamento
ou para um valor limite, quando ent˜ ao a parede deixa de exercer
qualquer infuˆ encia sobre a turbulˆ encia local.
A Figura 8 mostra uma camada limite turbulenta sobre uma
placa plana, onde U

´ e a velocidade da corrente livre e δ uma
dimens˜ ao caracter´ıstica do escoamento nesta regi˜ ao, que pode ser
a espessura desta camada, a qual ´ e composta por duas regi ˜ oes.
A primeira, aderida ` a parede, ´ e chamada subcamada laminar, onde
predomina os efeitos viscosos e a segunda, denominada subca-
mada turbulenta, que se estende at´ e a fronteira da camada limite,
onde predomina os efeitos turbulentos. Como o perfl de velo-
cidade ´ e diferente em cada uma destas regi ˜ oes, alguns autores
reconhecem a existˆ encia de uma camada intermedi´ aria, que se-
ria necess´ aria para o ajuste dos diferentes perfs (Shames, 1973).
A Figura 8 mostra as diferentes regi ˜ oes da camada limite, as quais
ser˜ ao analisadas abaixo.
Subcamada viscosa da camada limite turbulenta
Como consequˆ encia da condic¸˜ ao de nenhum deslizamento, o
fuido ´ e estacion´ ario junto ` a parede s´ olida. De acordo com a Lei
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SOUZA JFA, OLIVEIRA LR, AZEVEDO JLL, SOARES ID & MATA MM 33
Figura 8 – Subcamadas laminar, turbulenta e zona de ajuste entre os perfs de velocidade (Fonte: Shames, 1973).
da Viscosidade de Newton, a tens˜ ao de cisalhamento na superf´ıcie
τ
o
´ e expressa pela equac¸˜ ao:
τ
o
= ρv
du
dy
. (35)
Uma vez que esta camada ´ e muito fna sup˜ oe-se que a tens˜ ao de
cisalhamento permanece constante ao longo de toda a sua espes-
sura. Assim, integrando-se (35) ao longo desta espessura resulta
numa equac¸˜ ao que governa o perfl da velocidade u na subca-
mada viscosa, dada por
u =
τ
o
ρv
y . (36)
Na obtenc¸˜ ao desta equac¸˜ ao linear foi considerado que a velo-
cidade u ´ e nula em y = 0 (condic¸˜ ao de nenhum deslizamento).
Por isso, algumas vezes, esta regi˜ ao ´ e tamb´ em chamada subca-
mada linear.
Uma importante relac¸˜ ao no estudo da camada limite ´ e a cha-
mada velocidade de atrito, que ´ e expressa por u

=

τ
o
/ρ.
Dividindo-se (36) por u

obt´ em-se uma relac¸˜ ao adimensional
para a velocidade e para a distˆ ancia normal ` a parede, da seguinte
forma
u
u

=

τ
o

v
y , (37)
onde u/u

≡ u
+
e
_√
τ
o
/ρ/v
_
y ≡ y
+
defnem, respec-
tivamente, a velocidade e a distˆ ancia em termos adimensionais.
A subcamada viscosa ´ e muito fna e se estende da superf´ıcie at´ e
y
+
= 5 (e.g., Kundu & Cohen, 2002). Da Equac¸˜ ao (37) conclui-
se que u
+
= y
+
, mostrando a relac¸˜ ao linear que existe entre os
adimensionais.
Subcamada turbulenta da camada limite turbulenta
Para y
+
> 30 (e.g., Kundu & Cohen, 2002) existe uma regi˜ ao
onde os efeitos de in´ ercia dominam e o escoamento ´ e turbulento.
Nesta regi˜ ao, a tens˜ ao de cisalhamento τ varia suavemente com
a distˆ ancia ` a parede, fazendo com que a forma do perfl de ve-
locidade mude em relac¸˜ ao ` aquele da subcamada viscosa. Ap´ os
alguma manipulac¸˜ ao alg´ ebrica com as Equac¸˜ oes (30), (31), (34)
e (36) obt´ em-se o perfl de velocidade para a subcamada turbu-
lenta, o qual tem como equac¸˜ ao
u
u

=
1
κ
∙ ln y
+
+C , (38)
onde κ = 0, 4 e C = 5 ´ e uma constante de integrac¸˜ ao cujo
valor ´ e obtido experimentalmente (e.g., Kundu & Cohen, 2002).
Com esses valores, a Equac¸˜ ao (38) se transforma em
u
u

= 2, 5 ∙ ln
_
u

y
v
_
+5 . (39)
As Equac¸˜ oes (37) e (39), as quais descrevem os dois perfs
de velocidade nas regi ˜ oes viscosa e turbulenta, respectivamente,
s˜ ao representadas na Figura 9.
Destaca-se que entre a subcamada viscosa e a subcamada
turbulenta (5 < y
+
< 30) existe uma regi˜ ao onde tanto o efeito
viscoso como o turbulento s˜ ao importantes (regi˜ ao de ajuste dos
dois perfs).
MODELAGEM DA TURBUL
ˆ
ENCIA
Esta sec¸˜ ao ´ e destinada aos aspectos relacionados com a modela-
gemda turbulˆ encia. Inicialmente ser˜ ao apresentadas as principais
t´ ecnicas de abordagempara o estudo da turbulˆ encia, seguindo-se
uma descric¸˜ ao dos m´ etodos num´ ericos.
Brazilian Journal of Geophysics, Vol. 29(1), 2011
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34 UMA REVIS
˜
AO SOBRE A TURBUL
ˆ
ENCIA E SUA MODELAGEM
Figura 9 – Perfl de velocidade junto a uma superf´ıcie s´ olida.
T´ ecnicas de abordagem da turbul ˆ encia
Para o estudo da turbulˆ encia est˜ ao dispon´ıveis trˆ es metodologias
de abordagem, i.e., as metodologias anal´ıtica, num´ erica e experi-
mental.
A metodologia experimental ´ e conduzida em laborat ´ orios de
turbulˆ encia e apresenta vantagens e desvantagens. Os experimen-
tos, em geral, fcam limitados pela infraestrutura do laborat ´ orio,
disponibilidade de equipamentos e pela escala m´ axima do mo-
delo f´ısico, a qual, frequentemente, ´ e inadequada aos objetivos
pr´ aticos do estudo (Yu &Righetto, 1999). A maior vantagemdesta
metodologia ´ e poder tratar com a confgurac¸˜ ao do problema real,
especialmente quando n˜ ao se disp˜ oe de um modelo matem´ atico
bem estabelecido que represente adequadamente o problema que
se deseja modelar.
As metodologias anal´ıtica e num´ erica formam uma classe
de m´ etodos te´ oricos que procuram resolver as equac¸ ˜ oes dife-
renciais que comp˜ oem o modelo matem´ atico que descreve o
fenˆ omeno f´ısico de interesse. A diferenc¸a entre elas est´ a na com-
plexidade das equac¸˜ oes matem´ aticas que cada uma pode resolver.
A abordagem anal´ıtica, em geral, exige geometrias e condic¸ ˜ oes
de contorno muito simples e hip´ oteses simplifcadoras, visando
reduzir a complexidade matem´ atica do problema. A simulac¸˜ ao
num´ erica, por sua vez, permite a soluc¸˜ ao de problemas mais
complexos. Grandes esforc¸os tˆ em sido empreendidos para o de-
senvolvimento de ferramentas que possam ser empregadas na
modelagem num´ erica e que permitam a obtenc¸˜ ao de respostas
mais r´ apidas e precisas.
Modelagem num´ erica da turbul ˆ encia
Como citado acima, a modelagem num´ erica ´ e uma das ferramen-
tas dispon´ıveis para o estudo da turbulˆ encia. Entretanto, mesmo
dentro deste enfoque, existem diferentes t´ ecnicas de abordagem,
as quais ser˜ ao brevemente descritas a seguir. Destacam-se os
m´ etodos: (i) baseados na cl´ assica decomposic¸˜ ao de Reynolds,
(ii) de simulac¸˜ ao num´ erica direta e (iii) de simulac¸˜ ao das grandes
escalas da turbulˆ encia.
Modelos baseados na decomposic¸ ˜ ao de Reynolds
(RANS)
Os modelos de turbulˆ encia baseados na decomposic¸˜ ao de Rey-
nolds s˜ ao tamb´ em conhecidos como modelos RANS (Reynolds
Averaged Navier-Stokes ), modelos de fechamento em um ponto
(single-point closures ) ou modelos de fechamento local (local
closure ). A denominac¸˜ ao RANS se deve ao fato das vari´ aveis
das equac¸˜ oes de Navier-Stokes serem decompostas numa parte
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SOUZA JFA, OLIVEIRA LR, AZEVEDO JLL, SOARES ID & MATA MM 35
m´ edia e outra futuante, conforme j´ a apresentado. A segunda e
terceira denominac¸˜ oes se devem ao fato da vari´ avel turbulenta,
em qualquer ponto do escoamento, ser parametrizada a partir do
gradiente do valor m´ edio da vari´ avel no mesmo ponto ou local.
Dentro desta classe de modelos, a parametrizac¸˜ ao das in-
c´ ognitas turbulentas (por exemplo, u

i
u

j
) ´ e feita atrav´ es de
equac¸˜ oes alg´ ebricas ou diferenciais, relacionando-as com pro-
priedades do escoamento m´ edio (normalmente com ∂u
i
/∂x
j
).
Estas parametrizac¸˜ oes empregam o conceito de viscosidade/difu-
sividade turbulenta e o conceito de Comprimento de Mistura. As
express˜ oes abaixo s˜ ao exemplos deste tipo de parametrizac¸˜ ao:
u

i
u

j
= v
t
_
∂u
i
/∂x
j
_
u

i
θ

= D
_
∂θ/∂x
j
_
u

i
s

= D
_
∂s/∂x
j
_
.
(40)
A vari´ avel θ representa a temperatura, s ´ e a salinidade e D a
difusividade turbulenta.
Modelos emp´ıricos
Uma classe de modelos que vem recebendo a atenc¸˜ ao dos mo-
delistas compreende os chamados modelos emp´ıricos, tamb´ em
baseados nas equac¸˜ oes RANS simplifcadas pela aproximac¸˜ ao da
camada limite. Ao contr´ ario dos modelos RANS apresentados na
subsec¸˜ ao anterior, cujos fuxos turbulentos s˜ ao modelados com
base nas Equac¸˜ oes (40), aqui a modelagem dos fuxos ´ e condu-
zida de forma diversa, fundamentada no conhecimento emp´ırico
dos fuxos na camada limite (e.g. Burchard et al., 2008). A para-
metrizac¸˜ ao do perfl-K, ou simplesmente KPP, constitui o mais
recente modelo que representa esta classe. Introduzido por Large
et al. (1994) ele se distingue dos demais modelos emp´ıricos,
e tamb´ em de todos os modelos apresentados neste artigo, pela
introduc¸˜ ao da correlac¸˜ ao n˜ ao-local (non-local closure ) entre os
fuxos, ou seja, correlac¸˜ ao de fuxos turbulentos em diferentes
pontos do escoamento.
Large et al. (1994) desenvolveram a parametrizac¸˜ ao do perfl-
K para aplicac¸˜ oes no oceano profundo. O primeiro passo ´ e a
determinac¸˜ ao da profundidade (−h) da camada limite super-
fcial. O m´ etodo considera separadamente a regi˜ ao da camada
limite superfcial (z > −h) e a regi˜ ao interior, abaixo dela
(z < −h) sendo os coefcientes de viscosidade/difusividade
parametrizados de forma diferente em cada uma destas regi ˜ oes.
O esquema KPP consiste em ajustar a taxa de mistura apropriada
para a camada limite superfcial (z > −h) ` aquela do oceano
interior (z < −h) atrav´ es de uma func¸˜ ao polinomial chamada
func¸˜ ao de forma que faz o ajuste entre as duas na base da camada
limite. O procedimento conduz a um perfl cont´ınuo para a visco-
sidade/difusividade que vai da superf´ıcie ao fundo do oceano.
O esquema KPP de Large et al. (1994) foi concebido para
aplicac¸˜ oes em modelos globais, no oceano profundo, e por
isso n˜ ao considera a presenc¸a da camada limite de fundo. A
aplicac¸˜ ao deste modelo ` a regi˜ ao da plataforma, onde a camada
limite de fundo pode exercer infuˆ encia sobre os processos de
mistura na camada interior e superfcial, pode resultar em in-
tensidades de mistura irreais. Durski et al. (2004) ampliaram o
campo de aplicac¸˜ ao do esquema KPP para a regi˜ ao da plata-
forma continental estendendo o ajuste entre as taxas de mistu-
ra para levar em considerac¸˜ ao, tamb´ em, a presenc¸a da camada
limite de fundo.
Durski et al. (2004) fzeram estudos comparativos entre o
esquema KPP e o modelo n´ıvel 2.5 MY82. Um destes estu-
dos foi o aprofundamento da camada de mistura superfcial em
um fuido estratifcado e inicialmente em repouso sujeito a uma
tens˜ ao de vento atuando na superf´ıcie. O outro se relaciona
com o fenˆ omeno da ressurgˆ encia costeira induzida pela ac¸˜ ao do
vento. Em ambos os estudos o resultado em favor de um ou
outro esquema de fechamento turbulento fcou na dependˆ encia
das intensidades da tens˜ ao do vento e da estratifcac¸˜ ao da coluna
d’´ agua. Maiores detalhes a respeito do modelo KPP podem ser
encontrados nas referˆ encias citadas.
Simulac¸ ˜ ao Num´ erica Direta (DNS)
Esta t´ ecnica de modelagem ´ e conhecida na literatura inglesa
por direct numeric simulation (DNS), e consiste em resolver as
equac¸˜ oes completas de Navier-Stokes para todos os pontos da
grade e para todas as escalas temporais e espaciais do movi-
mento. O problema ´ e que o escoamento turbulento ´ e sempre
tridimensional e transiente, caracterizado pela presenc¸a de uma
mir´ıade de v´ ortices que ocupam uma larga faixa de escalas de
comprimento e de tempo e, portanto, para a resoluc¸˜ ao de to-
das estas escalas ´ e requerida uma discretizac¸˜ ao espacial e tem-
poral extremamente refnada, o que demanda um grande esforc¸o
computacional. Uma caracter´ıstica dos escoamentos turbulentos
´ e o seu alto grau de liberdade, o qual corresponde ao n´ umero
de equac¸˜ oes lineares discretizadas a resolver em todos os pon-
tos da grade, para que se possa bem caracterizar o escoamento
(Silveira Neto, 2002b).
O elevado n´ umero de graus de liberdade, para n´ umeros de
Reynolds de interesse pr´ atico, limita assim a utilizac¸˜ ao desta
metodologia ` a escoamentos com baixos n´ umeros de Reynolds
(Silveira Neto, 2002b; Silvestrini, 2003). Apesar das limitac¸ ˜ oes,
Brazilian Journal of Geophysics, Vol. 29(1), 2011
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36 UMA REVIS
˜
AO SOBRE A TURBUL
ˆ
ENCIA E SUA MODELAGEM
como a DNS resolve diretamente as equac¸ ˜ oes de Navier-Stokes
sem a necessidade de parametrizac¸ ˜ oes, ela se constitui em uma
importante ferramenta de an´ alise, tanto qualitativa como quanti-
tativa, da transic¸˜ ao do escoamento ` a turbulˆ encia, uma vez que
simula todas as escalas espaciais e temporais (Martinez, 2006).
De acordo com Silvestrini (2003) a DNS deve ser interpretada
como uma ferramenta de pesquisa, an´ aloga a um experimento de
laborat´ orio, a partir da qual pode-se obter informac¸ ˜ oes importan-
tes para a simulac¸˜ ao do movimento turbulento.
Simulac¸ ˜ ao das Grandes Escalas da turbul ˆ encia
A Simulac¸˜ ao das Grandes Escalas (SGE) ou Large Eddy Si-
mulation (LES) ´ e outra alternativa dispon´ıvel para a simulac¸˜ ao
num´ erica de escoamentos turbulentos, a qual vem ao encon-
tro das difculdades enfrentadas com a t´ ecnica da simulac¸˜ ao di-
reta, descrita na sec¸˜ ao anterior. Nesta t´ ecnica, utiliza-se um fl-
tro que separa as grandes estruturas da turbulˆ encia, ou seja,
os grandes v´ ortices que transportam energia e quantidade de
movimento, das pequenas estruturas, representadas pelos pe-
quenos v´ ortices, onde prevalece a isotropia (Silveira Neto,
2002b). O procedimento tem o objetivo de reduzir o n´ umero
de graus de liberdade e, com isso, permitir a simulac¸˜ ao de
escoamentos com maior n´ umero de Reynolds em comparac¸˜ ao
com a DNS.
A simulac¸˜ ao das grandes escalas ´ e conduzida tal como a
t´ ecnica DNS, com discretizac¸˜ oes espaciais e temporais bastan-
te refnadas, onde s˜ ao resolvidas as equac¸˜ oes instantˆ aneas de
Navier-Stokes apenas para as escalas energ´ eticas do escoamento.
As pequenas escalas de comprimento e tempo, as quais tˆ em um
comportamento mais isotr´ opico e menos dependente dos contor-
nos f´ısicos, s˜ ao conhecidas como escalas submalha e s˜ ao mo-
deladas por um modelo alg´ ebrico simples, o qual ´ e denominado
modelo submalha.
De acordo com Silvestrini (2003), em LES as pequenas esca-
las s˜ ao pobremente resolvidas de forma que a principal fnalidade
da parametrizac¸˜ ao submalha ´ e extrair energia das grandes escalas
fazendo o “papel” da cascata de energia. Do ponto de vista das
futuac¸˜ oes das vari´ aveis, a t´ ecnica LES pode ser situada entre a
t´ ecnica DNS, onde todas as futuac¸˜ oes s˜ ao, em princ´ıpio, resol-
vidas, e a modelagem RANS, onde somente os valores m´ edios
s˜ ao resolvidos, enquanto as futuac¸˜ oes s˜ ao parametrizadas (e.g.
Silvestrini, 2003).
A seguir, um maior detalhamento dos modelos RANS ser´ a
apresentado, visto que estes modelos s˜ ao largamente utiliza-
dos na modelagem de escoamentos geof´ısicos. Para os leito-
res interessados em mais detalhes sobre os modelos DNS e
LES recomenda-se a leitura de Silveira Neto (2002b), Silvestrini
(2003) e Martinez (2006).
Modelos RANS
A existˆ encia de uma grande quantidade de modelos de tur-
bulˆ encia baseados na t´ ecnica de decomposic¸˜ ao de Reynolds
torna dif´ıcil defnir um crit´ erio ´ unico que permita uma distinc¸˜ ao
adequada entre eles. Alguns destes modelos, por exemplo,
n˜ ao utilizam o conceito de viscosidade/difusividade, mas em-
pregam equac¸˜ oes diferenciais para o transporte de “entida-
des” que caracterizam a turbulˆ encia, tais como o momentum,
u

i
u

j
, e o fuxo de propriedades escalares associadas ao es-
coamento, u

i
ϕ

, onde ϕ representa um escalar qualquer. Tais
modelos est˜ ao fora do objetivo deste trabalho, cuja fnalidade
´ e descrever modelos que utilizam o conceito de viscosidade
turbulenta. Dentre estes, alguns fazem uso de uma viscosi-
dade/difusividade constante que, apesar da simplicidade, torna
a modelagem da turbulˆ encia muito limitada, pois n˜ ao consi-
dera sequer as variac¸˜ oes locais da estrutura da turbulˆ encia e,
por isso, n˜ ao podem ser utilizados, em geral, para descrever
corretamente os detalhes do campo de escoamento m´ edio.
Os modelos mais simples que adotam uma distribuic¸˜ ao para
v
t
no campo de escoamento, o fazem relacionando este parˆ a-
metro diretamente ` a distribuic¸˜ ao da velocidade m´ edia, por exem-
plo, com o gradiente local desta. Estes modelos, implicitamente,
assumem que a turbulˆ encia ´ e dissipada no mesmo local onde
foi gerada, o que signifca que n˜ ao existe transporte da turbu-
lˆ encia (ou da entidade que a caracteriza) no campo de escoa-
mento. Para os casos onde o estado da turbulˆ encia num ponto
seja infuenciado pela turbulˆ encia em outro local do escoamento
(ou pela turbulˆ encia gerada em tempos pret´ eritos), os modelos
mais simples, que negligenciam o transporte da turbulˆ encia, s˜ ao
inadequados.
Modelos que empregam equac¸˜ oes de transporte para “quan-
tidades” que caracterizem o estado de turbulˆ encia do escoamento
foram desenvolvidos para levar em considerac¸˜ ao o transporte da
turbulˆ encia. Estas “quantidades”, que caracterizam a turbulˆ encia,
podem ser chamadas “entidades turbulentas”. Uma equac¸˜ ao de
transporte ´ e aquela que cont´ em termos que: (i) representem o
transporte advectivo da entidade atrav´ es do escoamento m´ edio,
(ii) representem o transporte difusivo pelo movimento turbu-
lento, (iii) possam reproduzir a gerac¸˜ ao de turbulˆ encia devido
aos gradientes de velocidade m´ edia (cisalhamento) ou de densi-
dade (buoyancy ) e (iv) representem a dissipac¸˜ ao (destruic¸˜ ao) da
entidade turbulenta nas pequenas escalas (e.g., Rodi, 1993).
Revista Brasileira de Geof´ısica, Vol. 29(1), 2011
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SOUZA JFA, OLIVEIRA LR, AZEVEDO JLL, SOARES ID & MATA MM 37
Alguns destes modelos empregam uma equac¸˜ ao de trans-
porte para a escala de velocidade
ˆ
V, supondo que esta enti-
dade bem represente a intensidade da turbulˆ encia (futuac¸˜ oes do
campo de velocidade m´ edia). Existem modelos, mais complexos
ainda, que resolvem duas equac¸˜ oes de transporte para duas enti-
dades representativas do estado da turbulˆ encia do escoamento
como, por exemplo, a escala de velocidade
ˆ
V e a escala de
comprimento caracter´ıstica da turbulˆ encia,
ˆ
L (Mellor & Yamada,
1982; Hassid & Galperin, 1983; Blumberg & Mellor, 1987; Gal-
perin et al., 1988; Kantha & Clayson, 1994; Burchard & Petersen,
1999; Umlauf & Burchard, 2003; Ilicak et al., 2008).
Independentemente do crit´ erio de classifcac¸˜ ao, ´ e importante
que a turbulˆ encia seja vista como uma entidade que pode ser pro-
duzida, dissipada e transportada atrav´ es do escoamento. Entre-
tanto, muitos modelos, at´ e que bem sucedidos em alguns casos,
n˜ ao consideram equac¸˜ oes para o transporte destas entidades e,
portanto, n˜ ao devem ser empregados para situac¸ ˜ oes muito dis-
tintas daquela para a qual foram validados (Eiger, 1989).
A subsec¸˜ ao abaixo apresenta as principais classifcac¸ ˜ oes dos
modelos RANS, com destaque para aquela com relac¸˜ ao ` a ordem
do fechamento.
Classifcac¸ ˜ ao quanto ` a ordem do fechamento
Em geral, quando um escoamento ´ e modelado, descreve-se o
seu comportamento m´ edio atrav´ es de um conjunto de equac¸˜ oes
diferenciais parciais escritas para as vari´ aveis m´ edias. Entre-
tanto, a obtenc¸˜ ao deste conjunto de equac¸˜ oes incorpora novas
inc´ ognitas, caracter´ısticas dos processos de pequena escala e
representadas por correlac¸ ˜ oes das futuac¸˜ oes das vari´ aveis m´ e-
dias, tais como: (i) u

i
u

j
, interpretadas como “tens˜ oes de Rey-
nolds”; (ii) u

i
θ

, como fuxo turbulento de calor; (iii) u

i
s

, co-
mo fuxo turbulento de sal e outras. Equac¸˜ oes evolutivas (prog-
n´ osticas) podem ser escritas para que o valor destas inc´ ogni-
tas possa ser encontrado. Este procedimento, al´ em de aumen-
tar o n´ umero de equac¸˜ oes diferenciais a resolver, faz surgir
correlac¸˜ oes tr´ıplices (momentos de terceira ordem) como novas
inc´ ognitas (u

i
u

j
u

k
, u

i
u

j
θ

, entre outras), mantendo sempre o
n´ umero de inc´ ognitas maior que o de equac¸˜ oes, permanecendo
o sistema em aberto. Na teoria da turbulˆ encia isto ´ e conhecido
como problema de fechamento.
Do ponto de vista estat´ıstico, estas novas correlac¸˜ oes s˜ ao
reconhecidas como momentos de segunda ordem ou de ter-
ceira ordem (segundos momentos ou terceiros momentos, res-
pectivamente), criando-se ent˜ ao a nomenclatura encontrada para
certas formas de classifcac¸˜ ao dos modelos de fechamento.
Baseada nesta explicac¸˜ ao, uma classifcac¸˜ ao muito frequente-
mente encontrada na literatura especializada faz referˆ encia ` a “or-
dem do fechamento” adotada. De acordo com essa classifcac¸˜ ao
s˜ ao encontrados:
a) Modelos de Primeira Ordem – Nestes modelos o sistema
de equac¸˜ oes escrito para as vari´ aveis m´ edias u, v e ω ´ e resol-
vido e as tens˜ oes de Reynolds e os fuxos (u

i
u

j
, u

i
θ

, u

i
s

)
s˜ ao parametrizados atrav´ es de uma equac¸˜ ao alg´ ebrica, por exem-
plo, em func¸˜ ao da velocidade m´ edia.
b) Modelos de Segunda Ordem – Para estes modelos s˜ ao
escritas equac¸˜ oes diferenciais evolutivas para os momentos de
segunda ordem e os terceiros momentos s˜ ao parametrizados, ou
seja, as equac¸˜ oes diferenciais para u
i
e u

i
u

j
s˜ ao resolvidas e
as correlac¸˜ oes tr´ıplices (u

i
u

j
u

k
) s˜ ao parametrizadas utilizando-
se relac¸˜ oes do tipo difus˜ ao-gradiente dos segundos momentos.
Destaca-se que o Modelo das Tens˜ oes de Reynolds se enquadra
nesta ordem de fechamento.
´
E claro que quanto mais alta ´ e a ordem do fechamento, maior
´ e o n´ umero de equac¸˜ oes diferenciais parciais a resolver e maior
ser´ a o custo computacional. Existem concepc¸ ˜ oes de fechamento
que utilizam apenas uma parte das equac¸ ˜ oes dispon´ıveis dentro
de cada categoria. Por exemplo, suponha que as equac¸ ˜ oes do es-
coamento m´ edio sejam resolvidas juntamente com as equac¸ ˜ oes
evolutivas para a energia cin´ etica turbulenta e para as variˆ ancias
de temperatura e salinidade. Neste caso, parametrizando-se os
segundos momentos restantes, tem-se um fechamento de ordem
mais alta que a primeira, por´ emmais baixa que a segunda, porque
nem todos os momentos de segunda ordem possuiriam equac¸˜ ao
evolutiva (por exemplo, os fuxos de calor e sal). Um modelo
deste tipo seria classifcado como de uma e meia ordem de fe-
chamento (Stull, 1988).
Um modelo de ordem zero, dentro desta classifcac¸˜ ao, n˜ ao
resolveria qualquer equac¸˜ ao progn´ ostica, nem mesmo para as
vari´ aveis m´ edias. Neste caso, a velocidade, temperatura e salini-
dade m´ edias s˜ ao parametrizadas diretamente em func¸˜ ao do espa-
c¸o e tempo. Obviamente, um modelo deste tipo n˜ ao corresponde
nem a um fechamento “local”, e nem “n˜ ao local”, pelo simples
fato que ignora completamente a turbulˆ encia. Ummodelo de meia
ordem resolveria as equac¸ ˜ oes do escoamento m´ edio e parametri-
zaria apenas alguns momentos de segunda ordem, deixando de
fora, por exemplo, os fuxos de calor e sal. Obviamente n˜ ao seria
um modelo de primeira ordem completo.
Apesar de n˜ ao haver hoje em dia nenhum interesse em
modelos de ordem zero, de meia ordem e at´ e mesmo de primeira
ordem, eles podem ser defnidos e j´ a tiveram bastante utilidade.
Brazilian Journal of Geophysics, Vol. 29(1), 2011
“main” — 2011/7/22 — 12:00 — page 38 — #18
38 UMA REVIS
˜
AO SOBRE A TURBUL
ˆ
ENCIA E SUA MODELAGEM
Classifcac¸ ˜ ao quanto ao n´ umero de equac¸ ˜ oes
diferenciais utilizadas para o fechamento
Para os modelos de turbulˆ encia centrados na hip´ otese de Bous-
sinesq [ver Equac¸˜ ao (14)] existe uma classifcac¸˜ ao baseada no
n´ umero suplementar de equac¸˜ oes diferenciais ordin´ arias e par-
ciais necess´ arias para resolver o problema de fechamento da
turbulˆ encia. Exemplos desta classifcac¸˜ ao (e.g., Stull, 1988; Fon-
toura Rodrigues, 2003) s˜ ao os modelos ` a zero equac¸˜ ao, a uma
equac¸˜ ao e a duas equac¸˜ oes, os quais utilizam, respectivamente,
nenhuma, uma e duas equac¸˜ oes diferenciais parciais (EDP) au-
xiliares na determinac¸˜ ao da viscosidade turbulenta. Modelos
a meia equac¸˜ ao fazem uso de uma equac¸˜ ao diferencial ordin´ aria
(EDO), enquanto modelos a uma e meia equac¸˜ ao utilizam uma
EDP e uma EDO.
Classifcac¸ ˜ ao por categoria
Uma classifcac¸˜ ao menos frequente divide os modelos em ca-
tegorias, o que ´ e feito da seguinte forma (Fontoura Rodrigues,
2003): (a) Categoria I – que re´ une todos os modelos que se
fundamentam no conceito de viscosidade turbulenta, (b) Ca-
tegoria II – dos modelos que partem das equac¸ ˜ oes evolutivas
para o tensor das tens˜ oes de Reynolds e (c) Categoria III – que
re´ une modelos de simulac¸˜ ao das grandes escalas da turbulˆ encia
(LES – Large Eddy Simulation ), concebidos por Deardorff
(1970 apud Fontoura Rodrigues, 2003). Estes modelos fogem
dos objetivos deste trabalho.
A hierarquia de Mellor & Yamada
Mellor & Yamada (1974), alegando haver certa confus˜ ao na
nomenclatura adotada para a classifcac¸˜ ao dos modelos, julga-
ram conveniente a adoc¸˜ ao de uma “nova” nomenclatura para esta
classifcac¸˜ ao que fosse semanticamente neutra. Para tanto, pro-
puseramque os modelos fossemclassifcados por n´ıveis de com-
plexidade, sendo o mais complexo classifcado como n´ıvel 4,
correspondendo ao modelo das tens˜ oes de Reynolds, enquanto
o mais simples, n´ıvel 1, corresponderia a um modelo alg´ ebrico.
Entre os n´ıveis 3 e 2 desta classifcac¸˜ ao enquadra-se o conhecido
modelo n´ıvel 2
1/2
de Mellor & Yamada (1982), o qual se consti-
tuiu numa referˆ encia para a modelagem da circulac¸˜ ao oceˆ anica,
e que corresponde a uma simplifcac¸˜ ao do n´ıvel 3 (e.g. Hassid &
Galperin, 1983; Blumberg & Mellor, 1987; Galperin et al., 1988;
Kantha & Clayson, 1994; Burchard, 2001; Burchard & Bolding,
2001; Umlauf et al., 2003; Ilicak et al., 2008).
Esta classifcac¸˜ ao se fundamenta no chamado parˆ ametro de
anisotropia a
i j
. De forma absolutamente simplista, se pode dizer
que os autores partem da equac¸˜ ao para as tens˜ oes de Reynolds e
avaliam o quanto cada termo da equac¸˜ ao se afasta da condic¸˜ ao de
isotropia. Com isso, negligenciando de forma racional os termos
de ordem mais alta, os autores v˜ ao obtendo modelos com dife-
rentes n´ıveis de complexidade. Este procedimento n˜ ao ´ e trivial e
sua an´ alise ser´ a feita em um trabalho futuro.
DISCUSS
˜
AO E CONSIDERAC¸
˜
OES FINAIS
Este trabalho procurou apresentar uma vis˜ ao geral do fenˆ omeno
da turbulˆ encia e os v´ arios tipos de modelos de turbulˆ encia
existentes.
Conforme apresentado na sec¸˜ ao introdut´ oria, a turbulˆ encia ´ e
um fenˆ omeno bastante complexo. A analogia com a Teoria Cin´ e-
tica dos Gases, apesar de n˜ ao ser perfeita, permitiu uma me-
lhor compreens˜ ao do fenˆ omeno e serviu como base para o es-
tudo e modelagem da turbulˆ encia (e.g., Eiger, 1989). Por exem-
plo, a isotropia que fundamenta o estudo da Teoria Cin´ etica s´ o
´ e observ´ avel nas pequenas escalas da turbulˆ encia enquanto, nas
grandes escalas, os v´ ortices dependem fortemente da geometria
do escoamento e exibem um comportamento anisotr´ opico.
Algumas contribuic¸˜ oes se mostraram fundamentais para o
avanc¸o da modelagem da turbulˆ encia. Boussinesq em 1887, por
exemplo, deu um passo importante ao introduzir o conceito de
viscosidade turbulenta. Igualmente importante, foi a iniciativa de
Reynolds, em 1895, de separar o escoamento em uma parte
m´ edia e outra futuante, cujo efeito desta ´ ultima sobre o es-
coamento m´ edio ´ e introduzido por meio de modelagem. Outra
contribuic¸˜ ao signifcativa no estudo da turbulˆ encia foi dada por
Prandtl, cujos estudos entre 1904 e 1925, conduziram ao con-
ceito de Camada Limite e a chamada Teoria da Camada Limite,
evidenciando que o efeito da viscosidade em um escoamento s´ o
´ e relevante em uma pequena regi˜ ao adjacente aos contornos, po-
dendo ser tratado como inv´ıscido longe deles. Tamb´ em se deve
` a Prandtl a introduc¸˜ ao do conceito de Comprimento de Mistura,
no qual os modelos de turbulˆ encia mais simples se baseiam.
Um recurso valioso, por´ em pouco explorado na literatura
especializada, ´ e aquele apresentado por Bradshaw (1971 apud
Zhurbas, 2001), que foi denominado “´ arvore de gerac¸˜ oes”. Esta
representac¸˜ ao permite uma visualizac¸˜ ao da cascata de energia e a
compreens˜ ao da forma como a turbulˆ encia tende ` a isotropia nas
escalas menores da cascata.
Com o avanc¸o dos recursos computacionais, modelos mais
sofsticados foram sendo desenvolvidos, tais como os modelos
a uma equac¸˜ ao e a duas equac¸˜ oes, todos do tipo RANS. Mo-
delos emp´ıricos, tal como a parametrizac¸˜ ao do perfl-K (KPP),
Revista Brasileira de Geof´ısica, Vol. 29(1), 2011
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SOUZA JFA, OLIVEIRA LR, AZEVEDO JLL, SOARES ID & MATA MM 39
desenvolvido por Large et al. (1994) para modelos globais, e
a vers˜ ao KPP de Durski et al. (2004), modifcada para a regi˜ ao
da plataforma, tamb´ em s˜ ao dispon´ıveis e constituem boas alter-
nativas ao modelista. Ainda com aplicac¸ ˜ oes limitadas, e em or-
dem crescente de esforc¸o computacional, se pode citar o Modelo
das Tens˜ oes de Reynolds, a Simulac¸˜ ao das Grandes Escalas da
Turbulˆ encia (LES) e a Simulac¸˜ ao Num´ erica Direta (DNS).
Uma grande variedade de modelos hidrodinˆ amicos utiliza-
dos na modelagem de escoamentos geof´ısicos nas mais di-
versas regi˜ oes do globo, empregam um ou outro dos mode-
los de turbulˆ encia comentados neste artigo. O Princeton Ocean
Model (POM), por exemplo, utiliza o conhecido esquema de
fechamento turbulento de n´ıvel 2.5 (e.g., Mellor & Yamada,
1982), o qual pode tamb´ em ser classifcado como um mo-
delo de turbulˆ encia a duas equac¸˜ oes, sendo uma para a ener-
gia cin´ etica turbulenta e outra para a macro-escala de com-
primento (e.g., Blumberg & Mellor, 1987; Kantha & Clay-
son, 2000a,b). Mais detalhes podem ser encontrados em:
http://www.aos.princeton.edu/WWWPUBLIC/htdocs.pom/.
No Regional Ocean Modeling System (ROMS) a parametriza-
c¸˜ ao dos processos de mistura vertical pode utilizar um esquema
de fechamento local (emumponto) ou n˜ ao local (emdois pontos).
O modelador pode escolher entre as v´ arias opc¸˜ oes dispon´ıveis de
fechamento turbulento. Maiores detalhes deste modelo podem
ser encontrados em: http://www.myroms.org/index.php.
No HYbrid Coordinate Ocean Model (HYCOM) o modela-
dor disp˜ oe de uma variedade de submodelos de turbulˆ encia
para escolha, entre elas o modelo a duas equac¸ ˜ oes de Mel-
lor & Yamada (1982) e o modelo KPP. Maiores detalhes po-
demser encontrados em: http://hycom.rsmas.miami.edu/hycom-
model/documentation.html. J´ a o MOdel Hydrodynamic (MOHID),
um sistema de modelagem de corpos d’´ agua tridimensionais
emprega, entre outros, um esquema de fechamento turbulento a
duas equac¸˜ oes para a parametrizac¸˜ ao da mistura vertical. Maio-
res detalhes em http://www.mohid.com/what is mohid.htm.
Finalmente, pode-se constatar que, hoje em dia, os modelos
de turbulˆ encia a duas equac¸˜ oes se constituem na ferramenta
mais utilizada na simulac¸˜ ao num´ erica de escoamentos turbulen-
tos geof´ısicos. Segundo Fontoura Rodrigues (2003), ´ e a relac¸˜ ao
custo-benef´ıcio destes modelos a principal raz˜ ao de seu sucesso
em aplicac¸˜ oes t´ ecnicas e cient´ıfcas.
AGRADECIMENTOS
Este trabalho ´ e uma contribuic¸˜ ao ao Projeto MOVAR (CNPq / Edi-
tal Universal-2008:474057/2008-9).
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40 UMA REVIS
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“main” — 2011/7/22 — 12:00 — page 41 — #21
SOUZA JFA, OLIVEIRA LR, AZEVEDO JLL, SOARES ID & MATA MM 41
NOTAS SOBRE OS AUTORES
Jos´ e Francisco Almeida de Souza possui Graduac¸˜ ao em Engenharia Civil pela FURG (1979) e Mestrado em Engenharia Civil, ´ area de concentrac¸˜ ao de Recursos
H´ıdricos e Saneamento, pela UFRGS (1990).
´
E professor da FURG e atualmente cursa o Doutorado em Oceanografa F´ısica, Qu´ımica e Geol´ ogica nesta instituic¸˜ ao.
Sua pesquisa atual est´ a direcionada para a modelagem da turbulˆ encia com aplicac¸˜ ao na formac¸˜ ao de plumas futuantes com a utilizac¸˜ ao do Princeton Ocean Model
(POM). Tem como ´ area de interesse os aspectos turbulentos da circulac¸˜ ao costeira e estuarina.
Leopoldo Rota de Oliveira ´ e graduado em F´ısica pela UFPEL (1998) e possui Mestrado (2003) e Doutorado em Oceanografa F´ısica, Qu´ımica e Geol´ ogica pela
FURG (2008). Trabalhou como docente na ´ area de F´ısica (4 anos UFPEL/FURG). Seus trabalhos cient´ıfcos tˆ em ˆ enfase em Oceanografa F´ısica, sobre a circulac¸˜ ao
oceˆ anica de meso e larga-escala, atuando principalmente nos seguintes temas: Variabilidade da Corrente do Brasil e Confuˆ encia Brasil-Malvinas, Convers˜ oes de
energia e processos de instabilidade, fuxo de calor superfcial para o Oceano Atlˆ antico sudoeste.
Jos´ e Luiz Lima de Azevedo possui Graduac¸˜ ao em Engenharia Qu´ımica pela FURG (1982) e Mestrado em Engenharia El´ etrica pela UFSC (1996) e Doutorado em
Oceanografa F´ısica, Qu´ımica e Geol´ ogica da FURG (2009).
´
E professor da FURG desde 1984. Sua pesquisa atual est´ a direcionada para a modelagemanal´ıtica e num´ erica
do encontro de v´ ortices anticiclˆ onicos com a borda continental e a respectiva corrente de contorno. Tem ainda como ´ areas de interesse a modelagem num´ erica, com a
utilizac¸˜ ao do Princeton Ocean Model (POM) e do modelo Bleck & Boudra , e o estudo de dados climatol´ ogicos oriundos dos futuadores perfladores do projeto ARGO.
Ivan Dias Soares possui Graduac¸˜ ao em Oceanologia pela FURG (1986), Mestrado em Oceanografa F´ısica pela USP (1995) e Doutorado em Meteorologia
e Oceanografa F´ısica pela Rosenstiel School of Marine and Atmospheric Science – University of Miami, Florida, USA (2003). Atualmente ´ e professor adjunto IV
da FURG.
´
Area de atuac¸˜ ao: modelagem num´ erica de processos costeiros e oceˆ anicos.
Mauricio Magalh˜ aes Mata ´ e graduado em Oceanografa pela FURG (1991) e Mestre em Sensoriamento Remoto pela UFRGS (1996). Em 2001 tornou-se Doutor em
Oceanografa F´ısica pela Flinders University of South Australia, Adelaide, Austr´ alia. Desde 1992 ´ e professor permanente do Instituto de Oceanografa da FURG.
Atualmente ´ e Coordenador do Curso de P´ os-Graduac¸˜ ao em Oceanografa F´ısica, Qu´ımica e Geol´ ogica da FURG. Sua linha de pesquisa concentra-se na circulac¸˜ ao
oceˆ anica de meso e larga-escala, com ˆ enfase em correntes de contorno oeste e Oceanografa Ant´ artica. Tem especial interesse nos processos interanuais que controlam
a formac¸˜ ao e exportac¸˜ ao de ´ aguas de fundo no entorno do continente Ant´ artico.
Brazilian Journal of Geophysics, Vol. 29(1), 2011

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