O SR. ALOYSIO NUNES FERREIRA (Bloco/PSDB – SP. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) – Sr.

Presidente desta sessão, Senador Flexa Ribeiro; Srª Ministra-Chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; Sr. Embaixador do Estado de Israel; Sr. Presidente do Museu do Holocausto; Sr. Michael Stivelman, sobrevivente do Holocausto; Presidente da Federação Israelita do Paraná, que aqui representa o Sr. Cláudio Lottenberg, Presidente da Confederação Israelita do Brasil; minhas senhoras, meus senhores, que bela iniciativa, meu caro Senador Flexa Ribeiro, essa que teve V. Exª de promover esta sessão solene para homenagear a memória das vítimas do Holocausto, especialmente para honrar o heroísmo daqueles que se levantaram, há 70 anos, no Gueto de Varsóvia, contra a barbárie nazista. Isso me faz voltar à minha mocidade, meu caro Flexa Ribeiro, quando tive ocasião de, inúmeras vezes, participar de cerimônias, muito mais modestas do que esta, promovidas em centro cultural judaico, em São Paulo, a Casa do Povo, que agora está sendo reconstruída e reorganizada – tive notícias disso agora – , em que se homenageava esta façanha singular na história do gênero humano: o Levante do Gueto de Varsóvia, há 70 anos. O mundo, hoje, é melhor do que há 70 anos. Hoje, existe um número muito maior de pessoas vivendo em regimes democráticos; o número de tiranias diminuiu, embora sobrevivam tiranias como a do Irã, que oprime o povo iraniano, que tem a audácia histórica de negar o Holocausto; o colonialismo praticamente desapareceu; os organismos multilaterais adquirem importância cada vez maior na vida das nações; existe intercâmbio cultural, econômico e comercial que suaviza as relações internacionais e que aproxima as pessoas, mas, nem por isso, deixamos de nos lembrar, com muita emoção, desse episódio que ocorreu há 70 anos, em abril de 1943. Qual era a conjuntura da guerra no início de 1943? O início da mudança de rumo era muito recente, a Batalha de Stalingrado teve seu desfecho em fevereiro de 1943. Talvez, os judeus que viviam no Gueto de Varsóvia nem tivessem ainda notícia da vitória do exército soviético contra as tropas nazistas. Demorariam ainda mais de dois anos, quase três anos, para que a guerra na Europa se encerrasse. No entanto, aqueles homens, mulheres e jovens se levantaram numa causa que parecia

impossível, que era impossível, mas que se inscreve na tradição dos grandes feitos da história humana, como a resistência no desfiladeiro das Termópilas e como, na própria história do povo judeu, a resistência na fortaleza de Massada. Ali, não havia a menor perspectiva de vitória militar; o que havia, ali, era resistência moral, a afirmação dos valores da humanidade. Aquelas pessoas morreram para dizer: “Nós lutamos. Nós não nos deixamos abater. E nós estamos afirmando aqui que a essência do homem feito à imagem e semelhança de Deus não perecerá”. Eles contribuíram para que o mundo de hoje, 70 anos passados, fosse muito melhor para se viver do que em 1943. E prosseguiu a história do povo judeu. Criou-se o Estado de Israel. Reconquistou-se o direito ao seu lar nacional. Hoje, não teria sido possível a repetição de um episódio como aquele, como o nazismo, porque, entre outras razões da evolução política e cultural da humanidade, existe o Estado de Israel. Meus amigos, ao me associar a esta homenagem, não poderia deixar de dizer que aquelas pessoas, cujas fotografias vemos hoje nos folhetos que nos foram distribuídos, aqueles rostos, aquelas faces encovadas, aqueles olhos perplexos representaram, naquele momento, o que a humanidade tinha de mais bonito, de mais digno e de mais eterno. Obrigado. (Palmas.)

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