O racionalismo Crítico de kant

“Embora todo o nosso conhecimento comece com a experiência, isto não significa que todo ele proceda da experiência.”

Immanuel Kant

1724 – 1804 – Königsberg Recebeu uma educação religiosa rígida, exigente e de índole pietista. Propõe um sistema filosófico que procura superar o empirismo e o racionalismo. • Dupla ordem da realidade: fenómeno e númeno.

• Crítica da Razão Pura – análise racional sobre a natureza do conhecimento.
• • Conhecimento não se resume à experiência. • As verdades universais são possíveis e não estão dependentes da experiência. Crítica da Razão Prática; Fundamentação da Metafísica dos Costumes; Crítica da Faculdade de Julgar.

Uma mente brilhante
“Era uma criatura singular, com menos de um metro e sessenta de altura, o peito achatado, o abdómen saliente, o ombro direito torcido para trás e o esquerdo desabado e com a cabeça inclinada para um lado. Usava um chapéu cinzento, um capote cinzento e uma bengala cinzenta com que batia delicadamente no pavimento no pavimento, ao encaminhar-se para a Avenida das Tílias, a que os seus concidadãos chamavam o "Passeio do filósofo“.
JN, 16 Out, 2004

Provável origem do Sol e dos Planetas A formação do sistema Solar seria devida à contração de uma nebulosa gasosa em rotação. Esta nebulosa teria adquirido rapidamente a forma de um disco com uma saliência na parte central. Essa saliência iria aumentando, assim como a velocidade de rotação, originando no centro o protossol. Dele, de tempos a tempos, saltar-se-iam anéis de matéria que iriam dando origem a cada um dos planetas conhecidos.

O telescópio espacial Hubble confirmou uma previsão avançada há mais de 200 anos pelo filósofo alemão Emanuel Kant, segundo a qual os planetas se formam em discos de detritos que rodeiam as estrelas. RTP, 10 Out, 2006

Kant e o passado
• Racionalismo
– para conhecer, não chegam as capacidades racionais do sujeito.

• Empirismo
– conduz ao ceticismo, à descrença na possibilidade de conhecimento • Pensar que o conhecimento se baseia exclusivamente no que é dado pela experiência ou intuição sensível e não contém nada mais é ter uma conceção errada do conhecimento.

Racionalismo crítico
• Para Kant, a questão da possibilidade do conhecimento não se coloca. O que importa saber é como é possível o conhecimento.

1. Qual a origem do conhecimento e como começa?

1. Todo o conhecimento começa com a experiência.
• Só podemos conhecer realidades empíricas.

2. De onde provém? O que o torna objetivo?
3. Que faculdades envolve o processo cognitivo? 4. Que limites para o conhecimento?

2. O conhecimento científico não deriva da experiência • Provém de formas a priori do sujeito.

"O que posso conhecer?".
a) Todo o conhecimento começa com a experiência. b) O conhecimento científico não deriva da experiência, mas sim de certas formas a priori do sujeito que conhece. c) O conhecimento científico, embora não derive da experiência, começa com ela e por isso só pode ser conhecimento de realidades empíricas ou sensíveis.

A importância da sensibilidade
Sensibilidade – Onde se dá o contacto imediato com os objetos; faculdade recetiva.
Texto 1, pág. 196 "Não há dúvida que todo o nosso conhecimento começa com a experiência. (...) Nenhum conhecimento precede em nós a experiência e é com esta que todos os conhecimentos principiam. Mas, se todo o nosso conhecimento principia com a experiência, daí não resulta que proceda todo da experiência (...)."

• Condições para o conhecimento: • Objetos – coisas para conhecer • Formas de entrarmos em contacto com esses objetos - forma de receber informações dos objetos.
• • • É a experiência. É o conhecimento direto e imediato das qualidades sensíveis do objeto externo: cores, sabores, odores, paladares, texturas, dimensões, distâncias. Ato pelo qual recebemos dados para conhecer.

• Conhecimento começa com a intuição empírica.

• Intuição – Como entramos em contacto com as coisas?
• Tomamos consciência nos objetos num tempo e num espaço.
São estruturas da sensibilidade. Só há intuição sensível só podemos conhecer o que surge no tempo e no espaço.

Ponto de partida do conhecimento.

Não podemos experienciar aquilo que não acontece (i.e, aquilo que não surge numa dada altura e num determinado lugar).

Espaço e tempo constituem o quadro em que nos é possível falar do que acontece.
Só é possível intuir o que pode ser enquadrado num tempo e num espaço. Sensibilidade é imprescindível para o conhecimento • mas não suficiente

ENTENDIMENTO

• A sensibilidade diz que o fenómeno B(aquecimento de um objeto) aconteceu depois do fenómeno A( aumento de temperatura) num dado lugar • mas só estabelece esta relação espacial e temporal entre as impressões sensíveis! • Conhecer é explicar um fenómeno através de outro ou de outros.

Sensibilidade só estabelece uma relação de sucessão entre dois fenómenos! Não permite perceção de uma ligação necessária.

O conhecimento deriva do entendimento

• explica um fenómeno através de outro • permite constituir conhecimentos • liga os fenómenos mediante relações de causa e efeito

É a faculdade de compreender; Faculdade de conhecer através da inteligência, por oposição à sensibilidade.

Exercício
• Atente nas seguintes afirmações e decida sobre a sua validade: 1. Kant parte do ceticismo, procurando as condições de possibilidade do conhecimento.

1. F

2.
3. 4. 5. 6. 7. 8.

Todo o conhecimento brota da razão humana.
Por admitir que todo o conhecimento brota da experiência, podemos afirmar que Kant é empirista. O homem não pode conhecer senão o númeno. A sensibilidade refere-se à forma como os objetos nos afetam. Kant é racionalista uma vez que afirma que “pensamentos sem conteúdo são vazios”. Embora a sensibilidade seja imprescindível para o conhecimento, não é suficiente. O tempo e o espaço são condições imprescindíveis para o conhecimento.

2. F
3. F 4. F 5. V 6. F 7. V 8. V

9.

É o entendimento que faz a ligação dos diferentes fenómenos, permitindo o conhecimento.

9. V
10. V

10. Contrariamente a Hume, Kant admite a possibilidade de estabelecimento de relações causais, cabendo essa tarefa ao espírito.