Análise e Projeto – 1

O Processo de Análise – Modelo Essencial
O modelo essencial ou análise essencial é uma evolução no desenvolvimento de sistemas. Trata-se de um aprimoramento do modelo estruturado que teve início em 1984. Aborda a essência funcional, os dados e a integração funcional e dados. É composto pelas ferramentas: DFD de contexto, DFD por eventos, tabela de eventos, diagrama entidade relacionamentos, diagrama de estrutura, normalização e dicionário de dados. A análise essencial deve começar com o entendimento daquilo que o usuário está solicitando. Este entendimento, no primeiro momento, refere-se apenas ao tracejamento dos limites fronteiriços do sistema.

DFD de contexto
Procure responder: O que o sistema deverá fazer? Quais são seus objetivos? Tendo claramente definido este aspecto você terá traçado as fronteiras daquilo que deverá ser desenvolvido. Exemplo: Controle da locação e consulta do acervo de uma biblioteca de universidade Depois de haver entendido claramente o que o usuário espera que seja feito, o analista de sistemas deverá mergulhar profundamente na busca de informações que envolvem aquela área. É a fase precedente do início de análise, chamada de análise de requisitos do sistema ou levantamento de eventos e dados iniciais. Após este passo, o analista de sistema deverá no mínimo conhecer todas as atividades mais essenciais ligadas ao sistema a ser desenvolvido. Exemplo: Quem são os usuários da biblioteca. Como alguém se torna usuário da biblioteca. Como e quando entra e sai o acervo (livros, revistas, jornais, periódicos). Quais são os eventos essenciais existentes no sistema. Quais são as regras e restrições envolvendo estes eventos. Quais as expectativas dos usuários sobre o sistema a ser desenvolvido. Quais são os problemas atuais. Quais as vantagens que o novo sistema proporcionará. Exemplo do resultado colhido pelo analista nesta fase de análise de requisitos do sistema: Sistema: controle da locação e consulta do acervo de uma biblioteca de universidade. Objetivos: controlar os empréstimos, devoluções, reservas, consultas e cadastros do acervo de uma biblioteca universitária.

dicionários. enciclopédias. O acervo da biblioteca é composto por livros. prevê ainda a possibilidade de inclusão de novos tipos de obras. o sistema acusará os usuários menos pontuais na devolução de obras ao acervo. para auxiliar futuras compras pela administração. os dados referentes a mesma serão guardados.2 – Modelo Essencial Abrangência: 1. alunos e funcionários) já se encontram cadastrados em sistemas já existentes. Completo controle sobre todas as obras do acervo. alunos e funcionários da universidade e outras bibliotecas não pertencentes ao Campus. Possibilidade de pesquisa a qualquer momento das obras reservadas. o Dos usuários mais ativos. Os usuários (professores. Mensalmente poderá ser emitido relatórios demonstrando as obras mais retiradas. 3. 10. o Dos usuários menos pontuais na devolução. desde que permaneça um exemplar nas dependências da biblioteca para consulta. e as bibliotecas que farão uso do acervo serão cadastradas pelo sistema. 5. permitindo à administração verificar se há a necessidade de aquisição de mais volumes daquela obra. Uma obra só poderá ser reservada se não estiver à disposição para empréstimo. Através de um relatório mensal. informando dados da obra e usuário. No caso de inexistência de uma obra no acervo. jornais. 9. locadas ou não. Os usuários do sistema serão professores. 8. O sistema permitirá identificar. Os livros clássicos de cada área poderão ser locados. O sistema atende a uma biblioteca central de uma universidade. 12. trabalhos acadêmicos. 7. O prazo de locação atual é de 3 dias. próprias ou de terceiros. através de relatórios mensais. estimulando assim os demais usuários. 4. quais os usuários mais ativos. 11. propiciando a administração algum tipo de premiação. . Absoluta precisão na cobrança de obras em atraso. Levantamentos estatísticos mensais: o Das obras mais retiradas. Periódicos. 2. 6. dicionários e enciclopédias não poderão ser locados. somente consultados na própria biblioteca. revistas. Funções: Empréstimos Devoluções Reservas Cobranças Cadastro de novas obras Cadastro de bibliotecas Estatística de obras mais retiradas Estatística de usuários mais ativos Relação das sobras solicitadas não existentes Estatística dos usuários menos pontuais Vantagens da implantação do sistema: Considerável ganho de tempo na localização física de uma obra do acervo.

reservas. Uma não precede a outra. Demonstra-se ainda as resposta que saem do sistema para o meio ambiente. Ressalta-se que no objetivo(s) do sistema deve estar refletido aquelas atividades fundamentais que o sistema deverá ter (atividades custodiais).Análise e Projeto – 3 Manutenção de dados sobre obras inexistentes no acervo. Emitir estatísticas dos usuários menos pontuais. porém devem ser totalmente consistentes entre si. O usuário e seus problemas é que são a razão da existência do sistema).D de Contexto . pode ser dado o primeiro passo da análise essencial – a construção do modelo ambiental. O modelo ambiental é constituído de três partes: Declaração dos objetivos do sistema Elaboração do DFD de contexto Criação da lista de eventos As partes poderão ser desenvolvidas paralelamente.F. devoluções. Também deve refletir aquelas atividades que é o desejo do usuário que o sistema as tenha (o que também é fundamental – não adianta ter um sistema tecnicamente perfeito se o mesmo não satisfaz o usuário. O objetivo do modelo ambiental é mostrar qual a relação do sistema com o ambiente onde ele encontra-se inserido. consultas e cadastros do acervo de uma biblioteca universitária. quais problemas resolver. Emitir relação das obras solicitadas não existentes. Modelo ambiental Quando o analista de sistemas estiver de posse das informações mais essenciais sobre o sistema. Emitir estatística de obras mais retiradas. Declaração dos objetivos do sistema Uma forma textual para descrever o que se propõe a fazer. Cadastrar bibliotecas. mostrando quem os deflagrou. auxiliando futuras compras para o mesmo. Emitir cobranças de acervo emprestado com atraso na devolução. construindo o sistema em questão. Objetivos específicos essenciais: Cadastrar empréstimos do acervo a usuários previamente cadastrados Registrar devoluções do acervo pelos usuários. Emitir estatística de usuários mais ativos. Cadastrar novas obras no acervo. Efetuar reservas do acervo para usuários. Exemplo do estudo de caso: Objetivo geral: controlar os empréstimos. D. Procura-se documentar quais são os estímulos que partem deste ambiente.

Ela pode ter sido reservada previamente. ou necessitar efetuar algum empréstimo. Se houver apenas um exemplar de uma obra que seja um clássico em sua área. o usuário receberá uma carta de cobrança. Todo dia primeiro de cada mês é emitido os Estímulo Consulta Tipo de Estímulo F Ação Consultar obra Resposta Dados_obra ou Msg_01 02 Reserva F Reservar obra Empres -tar obra Msg_02 03 Dados_empréstimo F Empréstimo ou Msg_03 04 05 06 Usuário devolve obra Usuário recebe cobrança Adminis tração cadastra obras Obra F Dados_cobrança F Registrar devolução Gerar cobrança Cadastrar obra Msg_04 Carta_cobrança Dados_obra F Msg_05 07 08 Adminis tração cadastra biblioteca É hora de emi- Dados_biblioteca F Cadastrar_biblioteca s Emitir relato- Msg_06 T Relatórios_estáticos . Quando uma nova obra for fazer parte do acervo da biblioteca (via compra ou doação) a administração efetua o cadastro da mêsma. Decorrido o tempo destinado a devolução de obras. desde que não seja periódicos ou enciclopédias. O usuário passa os dados da obra que deseja levar. Quando uma nova biblioteca requisitar seu cadastro.4 – Modelo Essencial Dados_empréstimo Empréstimo Devolução Usuários Reserva Carta_cobrança Consulta Dados_obras Dados_consulta Dados_cobrança Departamento Administrativo Controle da locação e consulta do acervo de uma biblioteca de universidade Obras_inexistentes Relatórios_estatísticos Dados_biblioteca Lista de eventos Nº 01 Evento Usuário consulta obra Usuário reserva obra Usuário empresa obra Descrição do Evento Quando o usuário desejar verificar a existência ou situação de determinada obra O usuário pode reservar obras. também não poderá ser emprestado. Quando o usuário faz a devolução de uma obra que havia emprestado. Periódicos e enciclopédias não podem ser emprestados.

Simultaneidade: a ocorrência de um evento é simultânea com a ocorrência de outro. A última coluna especifica um nome para resposta(s) que a ação do sistema dará para o meio externo a ele. referente ao mês anterior. enumerando-os de forma crescente. ajudando no entendimento do mesmo. Excludência: a ocorrência de um evento deve necessariamente excluir a ocorrência de outro. introdução de um cartão. Na segunda coluna a atribuição de um nome para o evento (acontecimento externo ao sistema. Exemplo: o cliente é do sexo masculino ou feminino. o outro não terá ocorrido. Uma breve descrição sobre o evento deve ser colocada na terceira coluna da lista de eventos. acioná-lo).Análise e Projeto – 5 Nº Evento tir relatorios estatísticos 09 É hora de emitir obras inexisten tes Descrição do Evento relatórios: Obras mais lidas. Estes programas são aqueles que você está prevendo ou projetando que deverão ser desenvolvidos. Há uma sequência entre os eventos. que vai servir de estimula a ele. Pode haver coincidência. etc. Independência: não há nenhuma relação de simultaneidade. Na quarta coluna indica-se o tipo de estímulo – fluxo de dados (F).). Exemplo: o cadastramento de um empregado deve preceder o cadastramento de seus respectivo dependente. Todo primeiro dia de cada mês é gerado um relatório com as obras solicitadas e que não existem no acervo. Há alternância entre os eventos. A primeira coluna é apenas para identificação dos eventos. precedência ou de excludência entre os eventos. fluxo temporal (T) ou fluxo de controle (C). Isto permite observar alguns detalhes que não estão expressos no nome atribuído ao evento. Fluxo temporal é um estímulo gerado de acordo com certo tempo. deve-se seguir uma estrutura frasal. Exemplo: o cadastro de clientes independe do cadastramento de fornecedores. Usuários menos pontuais. Na quinta coluna tem-se o nome da ação que será executada pelo sistema (programas que serão acionados). Ao atribuir o nome a um evento. preocuparse com o detalhamento deles. deve-se observar que podem ocorrer situações que terão maior peso quando se tratar de um sistema em real-time. Um relatório é uma resposta (saída) do sistema que irá para o meio externo a ele. Porém. sempre que um evento ocorrer. Precedência: a ocorrência de um evento deve necessariamente preceder a ocorrência de outro. neste momento. . como: o término do verão coincide com o início do outono. Há total assincronismo. Estímulo Tipo de Estímulo Ação rios estatísticos Resposta T Listar obras inexistentes Obras_inexisten tes Cada linha na lista de eventos corresponde a um evento (acontecimento) que de alguma forma estimula (aciona) uma ação (programa) no sistema. Usuários mais ativos. Fluxo de controle é gerado por algum dispositivo físico de controle (movimento de uma catraca. sem contudo. A lista de evento em tabela não aborda o momento de determinado evento acontecer em função dos outros. Fluxo de dados refere-se ao trânsito de dados.

Modela o sistema como uma rede de processos funcionais. fluxos de dados. São representados através de setas que indicam o destino do dado. conteúdo ou estado. dois tipos eventos são pensados: funções e dados. Se preocupar em mostrar quais as ações que o sistema deve executar para responder adequadamente aos eventos previsto no modelo ambiental. Começa-se a detalhar como se fará um determinado programa. que é apresentar as respostas adequadas ao ambiente em que está inserido. o particionamento do sistema deverá ser feito a partir dos eventos existentes. que é o ponto de partida. 1 Calcular comissão 2 Verificar pedido cliente Fluxo de dados: representam caminhos por onde passam os dados. mostrando o que faz e o que não faz parte do sistema. depósito de dados e entidades externas. como tudo aquilo que virá determinar o comportamento do mesmo. Pode ser usado para descrever processos computadorizados e não computadorizados. definindo qual era o universo de interesse. preocupando-se em delimitar fronteiras. Processos: representam transformações de fluxos de dados de entrada em fluxos de dados de saída. No modelo ambiental o analista de sistemas descreve o sistema sob o ponto de vista externo. pedido 2 Verificar pedido cliente fatura Um mesmo fragmento de dados pode ter significados diferentes em pontos distintos de um DFD (CPF_válido e CPF_inválido) Um fluxo apenas não modifica os dados durante o transporte. Um DFD é composto por processos. usando um estilo do tipo estímulo-resposta. Para decompor um sistema. A decomposição deve ser feita a partir da necessidade de resposta aos eventos que afetam o sistema. O nome do processo deve descrever o que ele faz. . interligados Proce por dutos e depósitos de dados. DFD particionado por eventos O DFD (Diagrama de Fluxo de Dados) é a principal técnica de modelagem funcional. ou seja. O modelo comportamental é definido do ponto de vista interno (o modelo interior do sistema). observado pelo lado de fora. Descreve de que maneira o sistema reage aos estímulos do exterior. Um processo geralmente provoca mudanças de estrutura. Têm nomes que devem constar no dicionário de dados. O que é produzido pelo sistema? A que estímulos o sistema deve responder? Quais são as funções do sistema? Quais são seus arquivos ou depósito de dados? Dados armazenados e funções (programas) são meios para atingir o verdadeiro objetivo do sistema.6 – Modelo Essencial Modelo comportamental Nesse momento o analista de sistemas passa a se preocupar com os aspectos internos do sistema.

Para um processo pode haver respostas externas ao sistema ou internas a ele. uma organização externa. Os procedimentos executados pela entidades externas não são especificados no modelo por não fazerem parte do sistema. Nem sempre um depósito de dados é um arquivo ou SGBD. o nome deve identificar os dados transportados pelo fluxo. O nome de um depósito de dados deve estar no plural. desenha-se uma função (DFD) ou processo de resposta ao evento (ação). dados_cliente.  Fluxo de acesso à memória: entre Processo e Depósito.  Fluxo interno: entre dois Processos. Exemplo: dados_fatura. Também pode representar um outro sistema. . Uma pessoa. O DFD particionado é um detalhamento de cada uma das ações que serão acionadas por eventos. Pedidos Clientes Quando um pacote de dados é recuperado (ou inserido) por completo do depósito de dados. Alunos Setor Vendas Clientes Setor Entrega Sistema de cobrança O nome das entidades externas deve ser escrito no plural quando se referir a um grupo de pessoas (clientes). pode-ser omitir o rótulo do fluxo. um grupo de pessoas. Não pode-se esquecer de representar no DFD as respostas oriundas do processo. conforme indicado na lista de eventos. Cada fluxo deve ter um único nome.  Fluxo de erro ou rejeição: para fora de um Processo. Deve ser incluída a palavra sistema quando se tratar de um sistema (sistema de contabilidade). O nome atribuído ao processo deverá ser de acordo com a coluna ação existente na lista de eventos. recibo_pagamento. A partir do Diagrama de Contexto e da Lista de Eventos. Deve conter o nome do setor ou organização externa (diretoria de negócios).Análise e Projeto – 7 Transportam dados entre os elementos do DFD  Processo Processo  Entidade Processo  Depósito de dados Processo Tipos de fluxos:  Fluxo externo: entre Entidade externa e Processo. pastas de arquivos em papel e diversas outras forma não computadorizadas. Depósitos de dados: representam uma coleção de pacotes de dados em repouso. Esse passo só deve ser iniciado quando analista de sistemas entender que a sua lista de eventos está completa. Pode representar microfilmes. Deverá existir tantos processos quantos forem os eventos existentes na lista de eventos. Evento 01: Usuário consulta obra. Para cada evento do sistema. pode receber o nome do fluxo de dados (no plural) Entidades externas: são as fontes/destinatários das informações que entram/saem do sistema. 2. adota-se a seguinte conduta para obter o particionamento do sistema: 1. DFDs particionados por evento. decorrentes e em conformidade com a lista de eventos. um setor dentro de uma empresa são exemplos de entidades externas.

8 – Modelo Essencial Usuário Msg_01 consulta Dados_obra 1 Consultar obra Cadastro_Obras Cadastro_Obras_Inexistentes Evento 02: Usuário reserva obra Usuário Msg_02 Reserva Dados_obra Cadastro_Reserva 2 Reservar obra Cadastro_Obras Cadastro_Usuário Evento 03: Usuário empresa obra Usuário Msg_03 Dados_empréstimo Obra Cadastro_Reserva Cadastro_Usuário 3 Emprestar obra Cadastro_Obras Cadastro_Empréstimo Evento 04: Usuário devolve obra Usuário Msg_04 Obra Cadastro_Reserva Cadastro_Usuário 4 Registrar devolução Cadastro_Obras Cadastro_Obras_ Mais_Lida Cadastro_Usuário_ Menos_Pontual Cadastro_Empréstimo Evento 05: Usuário recebe cobrança Cadastro_Usuário_ Menos_Pontual .

Crie um DFD para cada evento do sistema. Crie um Diagrama de Contexto mostrando a função principal do seu sistema.Análise e Projeto – 9 Usuário Dados_cobrança Cadastro_Usuário 5 Gerar cobrança Cadastro_Obras Carta_cobrança Cadastro_Empréstimo Assim deve-se proceder para todos os eventos que compõem a lista de eventos. 3. onde os dados manipulados serão armazenados. em paralelo com a modelagem funcional. Nesse momento começam a existir os depósitos de dados. Faça uma lista de todos os eventos que fazem parte do seu sistema. Exercícios 1. 2. 2001 . todos os fluxos de dados de entradas e saídas e as entidades externas. Portanto. Essa parte do trabalho (detalhamento dos processo) é conhecida como Modelagem Funcional (desenhar um modelo de como funciona as ações existentes no sistema. Bibliografia Modelagem de Sistemas de Informação Geraldo Xexéu Versão 2007/AGO Análise e Projeto de Sistemas I Curso de Tecnólogo em Processamento de Dados Sérgio Luiz Tonsig Faculdade de Tecnologia da Alta Noroeste. existe a necessidade da Modelagem de Dados. 2000 Análise Estruturada Moderna Análise Estruturada Universidade Estácio de Sá.