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D. 1. Na lógica medieval, todos os silogismos indicados por palavras mnemônicas que começam com D são redutíveis ao terceiro modo da primeira figura (Darii). Cf. PEDRO HISPANO, Summ. log., 4.20.

2. No algoritmo de Lukasiewicz, indica a não-conjunção (cf. CHURCH, Introduction to Mathematical Logic, n. 91). DABITIS. Palavra mnemônica usada pelos escolásticos para indicar o sétimo modo da primeira figura do silogismo, mais precisamente o que consiste em uma premissa universal afirmativa, uma premissa particular afirmativa e uma conclusão particular afirmativa, como p. ex.: "Todo animal é substância; alguns homens são animais: logo, algumas substâncias são homens" (PEDRO HISPANO, Summ. log., 4.08). DADO (in. Given; fr. Donné, ai. Gegebeti; it. Dato). Em geral, o ponto de partida ou a base de uma indagação qualquer, o elemento, o antecedente, a situação da qual se parte ou que serve de respaldo para formular um problema, fazer uma inferência, aventar uma hipótese. O D. tem, portanto, caráter funcional: o que se assume como D. para certo tipo ou ordem de indagação pode ser, por sua vez, tomado como problema para outro tipo ou ordem de pesquisa. A palavra moderna tem provavelmente origem matemática ("um segmento D.", "um número D.", etc). Na filosofia moderna, a existência de D. últimos, irredutíveis, foi utilizada como a existência de um limite ao conhecimento, ou seja, de uma condição que ao mesmo tempo restringe e garante a validade do próprio conhecimento. Foi desse modo que Locke utilizou as idéias: sem idéias não é possível o conhecimento, que é percepção de uma relação entre as próprias idéias (Ensaio, IV, 3, 1). Para ele, além das idéias, também são ciadas

(embora ele não lhes dê esse nome) as condições da percepção, do conhecimento racional e do conhecimento sensorial; estas limitam a extensão do conhecimento, que acaba sendo menor do que o das idéias (Ibid., IV, III, 6). Para Kant, o D. é a presença do objeto na intuição sensível (Crít. R. Pura, § 1): presença que torna a intuição uma faculdade passiva, não criadora, como poderia ser a intuição intelectual de Deus (Ibid., IV, § 8). Como é óbvio, nesse sentido o D. é eliminado das filosofias que negam o caráter condicionado e limitado do conhecimento humano e o transformam em atividade criadora. Assim, Fichte de certo modo contrapõe o conceito de posição ao conceito de D.: "Fonte da realidade é o Eu. Só através do Eu e com ele é D. o conceito da realidade. Mas o Eu é porque se põe e põe-se porque é. Portanto, pôr-se e ser são uma e a mesma coisa'1 (Wissenschaftslehre, 1794, § 4, C). Por outro lado, não é só o idealismo romântico que elimina a noção e a função do dado. O próprio neocriticismo, que interpreta a doutrina de Kant como idealismo gnosiológico, nega a função do dado. Diz Cohen: "O pensamento não é síntese, mas produção, e o princípio do pensamento não é um D., de algum modo independente dele, mas é a origem (Ursprung). A lógica do conhecimento puro é uma lógica da origem" (Logik der reinen Erkenntnis, 1902, p. 36). E, para Natorp, o D. não está no início do processo do conhecimento, como a sua matéria bruta, mas no fim do processo como determinação final. Considera-se como D. o objeto que se conseguiu determinar completamente (Philosophie, 1911, p. 60). Na filosofia contemporânea, interessada em estabelecer as condições limitativas do conhecimento, a noção de D. volta a ter seus direitos. O espiritualismo francês, de Maine de Biran a