Disciplina: Corpo e Movimento Conteudista: Martha Lovisaro Módulo III - PSICOMOTRICIDADE Aula 22: Avaliação Psicomotora

Meta da aula Demonstrar a importância da avaliação psicomotora como meio preventivo e de atendimento às necessidades dos alunos em processo de aprendizagem. Objetivos Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de: • • • • analisar a função e os aspectos éticos dos processos avaliativos; descrever a importância da avaliação psicomotora; listar os aspectos mais relevantes da avaliação psicomotora, seus objetivos e aplicação; identificar a observação como mecanismo eficaz de avaliação psicomotora inicial.

Pré-requisito Para esta aula, é importante o conhecimento já adquirido em outros momentos deste curso, específicamente na Aula 16, quando o desenvolvimento e a aprendizagem foram devidamente tratados.

Introdução A avaliação psicomotora é intermediada por inúmeros testes, baterias completas compostas pelas bases psicomotoras, já estudadas nas Aulas 17 e 18. Não compete a esta disciplina explorar pormenorizadamente essas baterias, tendo em vista que, neste curso, não pretendemos formar psicomotricistas, e sim mostrar a importância da Psicomotricidade e da ação corporal para a aprendizagem. Desejamos alertar o professor para o valor do movimento corporal na adaptação psicofísica dos alunos, mesmo porque os testes psicomotores são muito semelhantes aos testes neurológicos e dependem de um bom conhecimento do desenvolvimento infantil. Vamos, assim, nesta Aula, demonstrar algumas possibilidades avaliativas de ordem educacional, capazes de ajudar o professor em sua árdua tarefa preventiva e de atendimento às demandas emergenciais dos alunos.

como se vê. seus fins e suas tendências. podemos dizer que o professor avalia seus alunos para comprovar se o programa pedagógico desenvolvido é satisfatório e se os alunos apresentam rendimento no aprendizado. à formação do professor. tornando-o adequado à programação que se deseja desenvolver. emocional. moral e social. Um programa assim deve ser organizado e efetivado por pessoas preparadas e por escolas que se preocupem com suas instalações e com o aspecto agradável do ambiente. nas artes e na expressão lingüística e corporal. o professor deve estar apto a dinamizar as experiências em sala de aula onde pode.O ato de avaliar Ao refletirmos sobre o processo de avaliação. normalmente. incorporando. como a capacidade de liderança. dessa maneira. inicialmente. seguindo as propostas de Brueckner & Bond (1989). . . Assim. suas atitudes. Para tal. especialmente naquele que se refere às diferenças inter e intra-individuais que ocorrem entre eles.identificar os fatores que.comprovar ou apreciar se as metas educativas por ele estabelecidas estão ocorrendo satisfatoriamente. Por outro lado. que deve ter algumas preocupações em mente. levando o aluno a progredir. . A partir dessa avaliação. por exemplo. sua capacidade criadora. considerando. habilidades para tratar e resolver problemas da vida diária. às capacidades e aos interesses dos alunos e não do currículo ou do próprio professor. Um programa educativo eficaz exige que se tenha clareza do que se quer. Esse programa deve assegurar e prevenir experiências efetivas e diversificadas. a primeira pergunta que devemos nos fazer é: por que e para que avaliar? Vamos nos comprometer. na escola e no plano social. de forma a atender às necessidades. portanto. com a prática do professor. como: . permitindo compreender o aluno em sua dimensão humana. a existência de material escolar variado e atraente e.Esses conhecimentos sobre a ação pedagógica e educativa são capazes de produzir pensamentos ampliados sobre as possibilidades e limitações dos alunos? O pensamento ampliado consiste em ir além do conhecimento estabelecido no conteúdo curricular.adaptar os aspectos da situação ensino-aprendizagem às necessidades e características do aluno. principalmente. dos objetivos a atingir em cada etapa. podem interferir no desenvolvimento dos alunos. sensibilidade e criatividade social. devemos estar atentos às exigências provenientes da opção por um ensino de boa qualidade. que sustentam que o professor avalia para: . primordialmente. na situação ensino-aprendizagem. perceber nos alunos as tendências de natureza social. seus interesses.Seus conhecimentos básicos estão diretamente relacionados ao conteúdo do programa e exercem domínio sobre as técnicas de ensino? . sua saúde mental e física. também. como. seus gostos. o professor estará preparado para iniciar o processo de formulação de seus objetivos. assegurando seu progresso. como a capacidade de cooperação democrática. Essa visão geral nos remete às bases para a avaliação do aluno e dizem respeito.

43). regente e regido pela comunicação. o termo é psicossomático.53). essa história pessoal. O sentido do ato de avaliar. 53) Verbete “O soma refere-se ao corpo como um todo orgânico. A expressão corporal dinamiza a comunicação. excluindo as funções mentais. ao contrário.o corpo não nos limita. O professor ajuda o aluno a formar sua humanidade somática . Cabe aqui nos perguntarmos o que fala o corpo do professor ao corpo do aluno. a multidimensionalidade desses sujeitos e do lugar que cada um ocupa.o que Keleman denomina como sendo a prática de corpar -. nos possibilita. Sua afirmação nos remete à capacidade de observar.. é possível entender a afirmação: “Ele (o sujeito) existe sem corpo.360) Podemos sentir o peso dessas formulações no ambiente educacional onde o professor é a chave para a transformação. Cabe agora abordar. receptáculo de informações e de aprendizado. de nossa essência. Incluindo as funções mentais. Por que e para que avaliar o corpo? Para Gaiarsa (1986). pode ser desse modo sintetizado: “Como uma foto que fixa uma imagem. não acreditamos em quem somos. Ele dá sustentação. Nesse caso. 1999. Assim.quando vivemos conceitos e imagens que não estão enraizados em nosso corpo.” (Cabral. p. estigmatizado pelo descaso da sociedade e sujeito à baixa remuneração entre outras vicissitudes. que são bastante sutis quando usamos uma ótica globalizante e complexa . para ler. Quando o corpo perde contato com a própria imagem somática interior. Keleman (2001. “. mas.57) afirma que “as imagens enraizadas no soma são autênticas”... E prossegue: “. nesses princípios gerais. muitas vezes amedrontado. p. 2001. Tudo o que é parte integrante do corpo. ao realizar uma comunicação entre corpos. ressaltamos. a valorização do sujeito-professor e do sujeito-aluno. que são da ordem pedagógicoeducativa.” O papel do corpo fica. assim. “o corpo fala – demais!”. pois a carência desse material pode ser uma das fontes de agressividade entre os alunos. no corpo e através do corpo. mais uma vez. que serão beneficiados pela avaliação permanente de suas ações. ainda lembrando o pensamento complexo desenvolvido na Aula 21. salientando o papel do corpo do professor e do aluno nesse processo desenvolvimentista. p.em quantidade para todos. O que ele quer dizer com isso? Ficamos alienados de nós mesmos. O que pode expressar o corpo cansado.. entendemos que é através de nossa realização como seres vivos que nos tornamos seres conscientes que existem na linguagem. 1971. força e sentido àquilo que é dito. Atividade 1 . o corpo revela uma história e um destino” (Celano. p. O que pode revelar um corpo amedrontado e abandonado? Aqui está referendada. ficamos alienados do sagrado”. Em outras palavras.” (Keleman. Já para Maturana (2002. a importância da avaliação. especialmente por intermédio do corpo. Ela explicita essas questões. chama-se somático.

“a avaliação é a sistemática de dados por meio da qual se determinam as mudanças de comportamento do aluno e em que medida estas mudanças ocorrem. a sistemática de dados será obtida na determinação . assim. a fim de nortear. entretanto. 1975. que só é possível oferecer ao outro aquilo que se tem ou aquilo que já se tornou conhecido daquele que se dispõe a ajudar o outro. Nesse caso. de maneira mais segura. b) Você deve ter percebido que foi dada à avaliação uma dimensão além da esfera da escolaridade. desse modo. estar em condições de possibilitar-lhe experiências de crescimento. compreendendo a saúde mental e física. tanto o aluno quanto o professor entram em relação com uma certa realidade que lhes diz respeito. moral e social. Permite conhecer os aspectos positivos e negativos do programa que utiliza. o professor. Nossos afetos estão depositados em nosso corpo. dessa forma. seus passos futuros . fala de nós. contudo. Na avaliação. prevenindo dificuldades futuras. fica simples entender a relação entre o corpo do professor e o corpo do aluno. Possibilita. emocional. Primeiramente. A avaliação traz para o professor a possibilidade de formular e reformular os objetivos educacionais. tendo em vista as idéias sobre avaliação discutidas nesta aula: a) O que você entende por ato de avaliar? b) Quais os benefícios da avaliação? c) Como você analisa o diálogo entre corpo do professor e corpo do aluno? Resposta comentada: a) Certamente. para. c) Você. Para Bloom.180). dessa forma. Trata-se de um relacionamento onde cada um vive sua realidade: o aluno. preocupando-se com o ambiente e os recursos necessários para um melhor desempenho e. A avaliação psicomotora A avaliação para Vayer et alli (1990) envolve comparações daquilo que se observa. p. embora seja de extrema importância e presente em todo processo avaliativo. daí dizermos que o corpo fala. Queremos. você deve ter entendido que avaliamos para conhecer melhor uma determinada situação. valorizando-se a formação humana. ocorrências de contato com a realidade e com o seu potencial corporal. aquele que ensina e que deve estar consciente de como está desempenhando sua tarefa. no papel de quem adquire um determinado conhecimento.” (Turra et alli. deixar evidente a forma como o professor pode fazer uma avaliação psicomotora inicial.Responder às questões abaixo. ser possível estabelecer um diálogo eficaz com o outro e. Assim sendo. Entenda-se. de nossos sentimentos. porque é necessário estar consciente do corpo que possuimos. nesse momento. deve lembrar-se de momentos nos quais o corpo falou mais do que as palavras. adequando a programação de seu curso e valorizando sua atuação junto aos alunos. possivelmente. fazer sua auto-avaliação. a questão da observação está fora do foco desta Aula. enfim.

seguindo o procedimento anterior. por exemplo. de olhos abertos. que poderão constranger a criança. pede-se que fique em pé. O professor deve ter em mente que “a atividade corporal é o princípio dinâmico de todo desenvolvimento. Para o exame da motricidade global. É bom lembrar que a criança que não consegue realizar adequadamente esse tipo de exercício merece uma avaliação mais criteriosa. quando a satisfação nas trocas se traduz em calma e a não satisfação em tensão. existem dois pontos relevantes. A função relacional favorece a comunicação e exprime a afetividade. se ocorre um estado de relaxamento muscular. a observação do tônus baseia-se no estudo da passividade do movimento. Um terceiro aspecto refere-se às sincinesias. o indivíduo é capaz de perceber o ambiente e se orientar. A esse movimento desnecessário e repetitivo. Para a criança de 4 anos. olfato e tato -. como desenhar ou recortar. durante um minuto. impedindo-a de realizar o exercício. a partir da imobilidade. 1990. além daqueles já estudados na Aula 17: a função neurofisiológica. acompanhando a mão que age sobre o papel. sem se mexer. À criança de 6 anos e mais. podemos esperar que a criança de 8 anos em diante possa manter-se equilibrada . de forma sincronizada. quando alguém corta papel com uma tesoura. quando detectados. que pode ocorrer em qualquer outra parte do corpo. Por outro lado. tornando-se visível a tensão dos jogadores e as sucessivas falhas. somente na próxima aula. que. emotividade. 1985. que ocorre. segundo Vayer: o sensorial e o de ação. se eles se extendem normalmente. poderão ser verificadas a partir da análise de situações comprometidas com as tarefas de construção e de desenho livre. ansiedade. do movimento. gustação. é provocado um movimento brusco de flexão e extensão em qualquer segmento corporal. Analisaremos. isto é. há dois sistemas de organização. quando não ocorre nenhuma oposição e sim um estado de lassidão. pede-se que feche os olhos. por exemplo. Esses problemas podem ocorrer devido à existência de lesão neurológica ou. audição. sempre. quando. Esses três aspectos. Simplificando as provas de Ozeretzki (Masson. de precisão. Já por meio da ação. Para tal. Na atividade corporal há duas funções importantes: a tônica e a de movimento. Guilmain sugere a prova do equilíbrio com o corpo imóvel. quando se flexionam os dedos das mãos e. quando a equipe não consegue integrar-se para obter um bom resultado. revelam desajustes de ordem neurológica e merecem encaminhamento adequado. p. ao mesmo tempo. Através dos órgãos dos sentidos visão. depois. favorecendo os deslocamentos corporais e a apreensão do mundo material e beneficiando o conhecimento. que possibilita o endireitamento do corpo e a manutenção das atitudes. simplesmente. A maneira como a pessoa se mostra é uma representação das interações consigo mesma.de mudanças de comportamento psicomotor. com o mundo das outras pessoas e com a realidade do mundo material. os temas da brincadeira e da observação. Na função tônica. de todo o conhecimento” (Vayer et alli.86). o indivíduo interage com o mundo. inibição. e verifica-se se ela mantém o equilíbrio corporal. Observa-se a existência da oposição ao movimento. p. São os conhecidos movimentos parasitas. quando um determinado movimento é realizado carregando com ele outros conjuntos musculares. por sua vez.106-111). Outra verificação tônica diz respeito à extensibilidade. por correspondência a um movimento fino. o movimento não ocorre só na mão que controla a tesoura. denominamos de sincinesia e ele ocorre. Você percebe como é complexa uma avaliação psicomotora? Algumas dicas poderão orientar o professor em termos do desenvolvimento da coordenação motora dos alunos. Nesse caso. por questões afetivas como instabilidade. pode ocorrer o movimento da língua dentro da boca. Isso pode ser percebido nas competições.

como na figura a seguir. observe qual a perna dominante da criança. coordenação global. A observação da forma de andar pode mostrar incorreções como um andar preso ou pouco movimento nos membros superiores e ou inferiores. com a mão esquerda ou desenhar com ambas as mãos. sendo que o olho dominante não acompanha a lateralização dos membros. basta ter uma folha A4 e.. Quando a criança está em movimento. o ideal é que a criança tenha um domínio definido de direita ou de esquerda. a perna esquerda deve estar para trás. é bom verificar a potência e o equilíbrio da queda. recortar figuras. depois. é importante verificar se ela tem respostas de pronto atendimento como. sem mexer com as mãos e. isso poderá gerar dificuldades de espacialidade. ao saltar no mesmo lugar. o pé direito. andando ou correndo. O estudo do esquema corporal do aluno é de grande importância e. Enfiar contas. nas junções desses segmentos. Pode-se ver o contrário. com impulso correndo. por meio da qualidade de suas produções. parar. ainda. de acordo com a dominância. nela.Quanto ao salto. Para essa prova. também. Mas o esquema corporal pode ser examinado através do desenho da figura humana. Quando há distúrbios na lateralização. Como você deve supor. Ao pedir que suba em um banco ou chute uma bola com o objetivo de atingir um determinado objeto. movimentos exagerados nos membros superiores. no chão. segue todos os passos já expostos até aqui: tônus. no ordenamento das partes. desenhar. lateralidade. A dissociação de movimentos dos membros superiores e inferiores também vem a ser uma prova muito importante na verificação da coordenação global do corpo. Pode-se notar. A lateralidade pode ser desenvolvida solicitando-se à criança que realize atividades como atirar uma bola dentro de uma caixa com a mão direita e. uma má coordenação entre os movimentos superiores e inferiores que devem ser cruzados: quando o braço direito se dirige para a frente.sobre um pé só. fazer um orifício no centro do tamanho de um olho. por exemplo. enquanto dão um salto. por exemplo. nos detalhes. da mesma forma como o andar. por exemplo. Na avaliação da corrida. como no caso da lateralidade cruzada. colorir são atividades que mostram a destreza manual da criança. no traçado. Como já foi estudado na Aula 18. a seguir. equilíbrio postural. e ir aproximando lentamente a folha do rosto até focar com um olho só. na harmonia. sendo que haverá uma diferença de padrão quando se trata da perna dominante. é muito comum ver-se a destreza ou canhestrismo de membros superiores e inferiores. como pode ser analisado no desenho a seguir. ou sem impulso. a prova do olho dominante. que poderá ser o direito ou esquerdo. . podendo ser obtida pedindo-se à criança que bata as mãos e. Peça à criança para segurar a folha diante do rosto com os dois braços esticados. Aos 10 anos. A falta de inibição de movimentos pode acarretar dificuldades no grafismo. deve ser verificada a harmonia dos movimentos. sem dúvida. consecutivamente. Há. focalizando algo mais adiante. assim. meninos e meninas conseguem bater palmas três vezes. tanto nos membros superiores quanto nos inferiores. com os dois olhos.

melhorando a adaptação. Pode observar sua intensidade e se há delicadeza e domínio da atividade. assim. . ou mesmo o trabalho feito. possibilidades de observação de atividades espontâneas. c) Equilíbrio postural: as crianças brincam de amarelinha. Comente o que pode ser observado nos exemplos a seguir: a) Tônus: as crianças correm no pátio da escola.Compete ao professor avaliar o aluno quanto à qualidade de seus movimentos. estamos orientando o professor a não só fazer uso de sua intuição referente às dificuldades das crianças ou mesmo sua prevenção. uma exploração rigorosa. Alcançar essa qualidade de movimento. como também utilizar os conhecimentos adquiridos sobre a Psicomotricidade e. ao mesmo tempo. Após os estudos desenvolvidos neste módulo de Psicomotricidade. para cada base psicomotora estudada. baseada na aplicação de determinados testes. . permite: . as inibições de movimentos necessários a determinadas ações. que vão muito além do conhecimento formal proposto para cada série escolar. com ambas as mãos. adaptados a um fim. A delicadeza ou precisão do gesto depende do grau de dissociação e de coordenação muscular. b) Coordenação motora: as crianças correm numa brincadeira de pique-esconde.o trabalho com uma das mãos. Atividade 2 Elabore. A habilidade reduz a turbulência dos movimentos. e) Dissociação de movimentos: as crianças correm e. em sala de aula ou nos espaços livres de brincadeiras. jogam a bola para o alto e a recebem de volta. graduando os esforços musculares de acordo com as distâncias de arremesso e de tempo para agir. enquanto a outra repousa. distintamente. especialmente os intencionais. d) Lateralidade: as crianças brincam com bolas. A intensidade corresponde à manifestação pelo desejo do movimento e rapidez. É preciso ter claro que o exame psicomotor realizado por um psicomotricista segue uma metodologia. que podem ser vistos nas crianças muito novas. poder ser mais um observador das reais necessidades dos alunos.a ação espaço-temporal. chutando e atirando as bolas com as mãos e pés. f) Espaço-temporalidade: a forma como a criança ocupa a sala de aula. .

pés e mãos). p. deve girar e parar de frente para você. de costas para você. Apresentamos. para a frente. os alunos deverão vendar os olhos. Se esse teste for realizado em grupo.RESPOSTA COMENTADA: a)Pode-se perceber os estados de hipertonia e de hipotonia na forma de movimentação e de contato corporal entre elas. parar freqüentemente. a rapidez de reação e de parada dos movimentos. quando ela consegue ter independência de movimentos dos membros superiores em relação aos membros inferiores (braços e pernas. Peça a ele para tocar seu próprio corpo nos joelhos. na sua direção. a destreza. como também a coordenação global. . olhando para suas mãos. na boca. o equilíbrio postural. é possível avaliar a dominância lateral e a afirmação da lateralidade. como pisar fora da tábua. a seguir. necessitará melhorar.ou ir muito rápido para evitar o desequilíbrio. olhos. não esbarra todo o tempo nos colegas e no mobiliário nem derruba o material que está com ela. na cabeça. cotovelos. no pulo de um pé só. em seguida. pés. e)Com essa atividade. lentamente. será considerado lento e necessitará melhorar. durante 5 segundos. f) É possível observar se a criança se movimenta bem nos espaços. lateralidade e controle viso-motor O aluno deve andar sobre uma tábua de caminhar baixa. Peça que ele ande sobre a tábua. b) É possível verificar as condições dos movimentos cruzados de membros superiores e inferiores.11): 1) Esquema corporal O aluno deve permanecer em pé. 3) Coordenação motora geral. equilíbrio e capacidade de sustentação dos movimentos: • • o aluno deve ficar em pé sobre seu pé direito. ombros. a uma distância de 3 metros. quadris. c) Pode-se ver. 2) Equilíbrio. no pescoço e no peito. um modelo simples de avaliação do desenvolvimento motor apresentado por Capon (1989. de frente para você. Se ele mostrar qualquer dificuldade. com ambos os pés no chão. d) Nesse jogo. nessa brincadeira. é possível verificar a capacidade de dissociação da criança. Se ele tiver mais de um erro.

Pedir ao aluno que: • • • passe por sobre a barra transversal baixa. pedir. ande sob a barra transversal alta. Caso ambos os pés não deixem a caixa ao mesmo tempo. a cerca de 3m. finalmente. perda de controle.• • • saltar para frente 5 vezes. tente segurar a bola lançada por você. sem tocá-la. Marque “necessita melhorar”. marque “necessita melhorar”. durante 5 segundos. Pedir ao aluno que: • • • permaneça em pé.. Ele terá 3 chances para agarrá-la. ande entre as 2 cadeiras. deixando-a ao mesmo tempo. forme com as mãos uma concha para receber a bola. sem esbarrar). sem parar. Caso o aluno superestime ou subestime o espaço. Este exercício deve ser feito com uma bola de 18 a 20 cm de diâmetro. tocando o chão ao mesmo tempo. Caso o pé oposto toque o chão enquanto o aluno está parado ou saltando em determinado pé. . sem parar. salta da caixa com ambos os pés. em sua direção. as cadeiras estão de costas.. 4) Coordenação motora geral. 5) Orientação espacial e percepção corporal. deve ficar em pé (sobre seu pé esquerdo). equilíbrio dinâmico e bilateralidade (controle dos dois lados do corpo): • • • o aluno fica em pé sobre uma caixa com os pés afastados 25cm. Utilize 6 cadeiras e 2 bastões. que salte para a frente 5 vezes. uma para a outra. ou se houver contato corporal com os obstáculos. nem aterrisem simultaneamente. há falta de ritmo. sem tocá-las (para esse exercício. marque “necessita melhorar”. ou se o aluno perder o equilíbrio ao aterrisar. aterrisa com ambos os pés. voltado para você. 6) Coordenação olho-mão e acompanhamento ocular. ou se o desvio postural não for o regularmente observado. sem perder o equilíbrio. ou equivalente. próximas o suficiente para o aluno necessitar virar-se de lado para passar por elas. sem tocá-la.

ao contrário. No ato avaliativo. integração. Não termina o trabalho que está . que. programação. se levarmos em consideração que os resultados da avaliação não estão a serviço de um diagnóstico capaz de reduzir o outro a uma deficiência. nas três oportunidades. deve observar esses alunos. seguido das 6 tarefas. O avaliador ético é aquele que não se deixa levar por julgamentos precipitados induzindo a erros e estigmatizando o outro com um rótulo. não podendo servir como uma avaliação conclusiva. no quadriculado. deve ser comunicada. e. pois. de uma questão ética. Caso o professor encontre no grupo crianças que necessitem melhorar em mais da metade das 6 tarefas. que diz respeito ao caráter e às relações humanas. mas naquilo que queremos que ele seja. a avaliação tem a função de prevenção. com eles. mas do caráter intrinsecamente psíquico do movimento.Caso o aluno acerte apenas uma vez. pretensamente. quando deseja. e não apenas seu grau de rendimento. Fonseca (1995) diz tratar-se da representação. Numa boa recepção. geralmente. Outro fator de vital relevância está em nossa possibilidade de ver e ouvir. ajudar. lembrar que esse outro necessita ter novas oportunidades. elaboração. porque ao perceber atrasos no desenvolvimento. Quando em atividade na sala de aula. através do ato avaliativo. marque “necessita melhorar”. Esse aspecto é de grande relevância ética. oferecendo-lhes possibilidades maiores de auto-conhecimento corporal. nos conduzem ao erro e à ilusão. marcar N= necessita melhorar e S= satisfatório. Para a prática psicomotora. mas. regularização e verificação da atividade. sem estabelecer juízo de valor. quais os objetivos e para que fim. Trata-se. Não se trata apenas do movimento pelo movimento. O teste apresentado é muito simples. atravessando a realidade e transformando o fato. assumindo seu corpo. tendo em vista a situação descrita: Seu aluno apresenta um comportamento motor preocupante. torna-se necessário desenvolver nosso conhecimento próprio. precisamos nos comprometer unicamente com o objetivo de perceber o outro e. para não avançarmos além de nossa tarefa e de nossa capacidade. O professor poderá fazer esses registros montando um quadro com o nome dos alunos. Atividade final Leia e responda às questões abaixo. Sobre isso. o psicomotricista preocupase em oferecer ao seu atendido situações que lhe permitam reviver seu desenvolvimento. Questões éticas do processo avaliativo A avaliação psicomotora. A criança ou o adulto devem saber que estão sendo avaliados. para tal. a bola deve ser agarrada com os dedos e as mãos e não com os braços e corpo. No processo de avaliação devemos estar atentos às nossas dificuldades pessoais. fica desatento a tudo o que faz. para acontecer. não no que ele é. a sua personalidade. sua imagem e.

f) É preciso que fiquem claros os objetivos da avaliação. Procuramos conhecer o outro mais profundamente para poder ajudá-lo. gerando tensões. passando para outros interesses. para poder orientar e atuar eficazmente no seu desenvolvimento. certamente. agressividade. Ele precisa saber que o professor deseja conhecê-lo particularmente. d) O esquema corporal. Nesta Aula. Quanto à forma de fazê-lo. podemos suspeitar de algo mais sério. especialmente a espaço-temporalidade. para se conhecer melhor o aluno. e) Espero que você tenha entendido os princípios éticos que envolvem o ato de avaliar o outro. terá condições de juntar as peças recolhidas e chegar a algumas descobertas importantes para o processo de ajuda à criança. da capacidade do professor de observar o comportamento. derrubando constantemente os objetos próximos e esbarra e empurra tudo o que está no seu caminho. Uma das condições será. enfim. parece não conseguir controlar suas ações. Quando a criança apresenta o comportamento do caso descrito. Muitas vezes. as manifestações corporais do aluno. momentos na escola fora do formalismo da sala de aula. apresenta um estouvamento nos gestos. Resumo Toda avaliação está a serviço do planejamento. desde comprometimentos de ordem neurológica a dificuldades de ordem relacional que dificultam a comunicação. propusemos uma avaliação psicomotora que possa ser desenvolvida pelo professor. a entrada no colégio. justamente. a merenda. Avalia-se para planejar ações eficazes que melhorem a atuação. ansiedade. você diria ao aluno o motivo da avaliação? f) Para que serviria o resultado da avaliação feita? Resposta comentada a) O desinteresse do aluno pode ter várias origens. da irresponsabilidade ou da forma como o aluno é educado pela família. registrando. c) A sala de aula nem sempre revela quem seu aluno é. desde as que estão centradas no próprio aluno. existe uma . angústia e outras mais manifestações de fundo psicológico. o recreio. Para tal. registrando seus comportamentos? c) Basta o acompanhamento em sala de aula ou você propõe outros locais? Quais? d) Que bases psicomotoras você procuraria avaliar? De que forma? e) Ao aplicar testes. tendo a ver com as questões de origem afetiva. Qualquer lugar ou situação fora dela pode fornecer dados comportamentais importantes para essa avaliação: o pátio.fazendo. educacional. inicialmente. Uma ação isolada pode não dizer muita coisa. a) Será essa uma atitude de aluno que não tem interesse em estudar? b) Você deve acompanhar suas ações. informar esse outro de que está sendo avaliado. como achar que a falta de interesse pelo estudo é resultante da preguiça. b) A avaliação. de ler no corpo o que esse quer dizer. no caso. para prevenir futuras dificuldades. a lateralidade. depende. durante um certo período. foi bastante exemplificada na atividade 2. àquelas decorrentes do sistema educacional. o tônus e a coordenação dos movimentos são bases importantes a serem pesquisadas. fazemos leituras destorcidas. mas se você se comprometer mais com essa tarefa.

tornar-se-ia pouco ético avaliar. ser possível planejar ações que permitam ajudar o aluno deficitário a ultrapassar suas dificuldades ou mesmo preveni-las. 1972. 1995. GAIARSA KELEMAN KEPHART. N. São Paulo: Editora Manole. VAYER. & LÉZINE. Barcelona: Editora Toray-Masson. Petrópolis: Editora Vozes. MASSON. Barcelona: Editorial Luis Miracle. Informações sobre a próxima aula Na próxima aula. vamos desenvolver as técnicas de observação. Planejamento de ensino e avaliação. 1999. 1975. V. São Paulo: Editora Manole. El alumno retrasado. Generalidades sobre a reeducação psicomotora e o exame psicomotor. Porto Alegre: Artes Médicas. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura. CAPON. FONSECA. 1971. I. A. A observação da criança. 1985. e planejar de forma a dar ao ato motor a importância que lhe é devida enquanto parte vital no processo de aprendizagem. Manual de observação psicomotora. 1989. 1990. Propostas de atividades para educação pelo movimento. J. Caso essas condições não existam. Porto Alegre: PUCEMMA. Para avaliar é preciso conhecer as bases psicomotoras. Test de imitación de gestos. Referências COMPLETAR BERJÈS. Dicionário de psicologia e psicanálise. dando continuidade ao tema da avaliação psicomotora. CABRAL. .questão ética que diz respeito às condições da escola e do professor de. S. S. MATURANA TURRA & Colaboradores. São Paulo: Editora Manole. Corpo e mente na educação uma saída de emergência. 1975. no sentido de oferecer ao professor mais um recurso de pesquisa e de conhecimento do aluno. CELANO. J. a partir da avaliação psicomotora. P.