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TERCEIRIZAÇÃO NO DIREITO DO TRABALHO

INTRODUÇÃO

EVOLUÇÃO HISTÓRICA E TERCEIRIZAÇÃO NO ÂMBITO MUNDIAL 1. Modelo Taylorista/ Fordista de Divisão do Trabalho 2. Modelo Toyotista de Divisão do Trabalho

A TERCEIRIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO BRASILEIRO Conceito de terceirização O que significa terceirizar Relação jurídica trilateral Finalidade da terceirização Quarteirização

ESPÉCIES DE TERCEIRIZAÇÃO DO PROCESSO PRODUTIVO BRASILEIRO 1. Quanto ao grau de evolução das atividades terceirizadas: a) Terceirização da atividade-meio b) Terceirização da atividade-fim 2. Quanto a forma de desenvolvimento do processo: a) Terceirização de Serviços ou Terceirização de Mão-de-Obra b) Terceirização de Atividades 3. Quanto a licitude do processo: a) Terceirização Lícita b) Terceirização Ilícita

FORMATO JURÍDICO DA TERCEIRIZAÇÃO 1. A Terceirização e o Trabalho Temporário 2. A Terceirização e os Serviços de Vigilância e de Conservação e Limpeza 3. A Terceirização das Atividades-meio e Atividades-fim do Tomador 4. A Terceirização e a Administração Pública

TERCEIRIZAÇÃO E FRAUDE 1. “Marchandage”: 2. Outras formas de fraude à lei: 2.1 - Subordinação Jurídica e Pessoalidade no Trabalho Terceirizado 2.2 - A Falta de Especialização e Idoneidade da Empresa Prestadora de Serviços

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RESPONSABILIDADE DO TOMADOR DE SERVIÇOS EM DECORRÊNCIA DA TERCEIRIZAÇÃO 1. Responsabilidade Subsidiária: 2. Reconhecimento do Vínculo de Emprego: 3. Responsabilidade Solidária: 4. Responsabilidade da Administração Pública:

VANTAGENS E DESVANTAGENS DA TERCEIRIZAÇÃO 1. Vantagens da Terceirização: 2. Desvantagens da Terceirização:

FORMAS DE PREVENÇÃO DOS RISCOS TRABALHISTAS 1. Quanto ao relacionamento com as pessoas contratadas 2. Quanto ao objeto da terceirização 3. Quanto aos aspectos do contrato 4. Quanto à regularidade da prestadora de serviços 5. Quanto à fiscalização do trabalho

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INTRODUÇÃO

O contrato de trabalho possui natureza jurídica e características próprias, o que o torna tão diverso das demais espécies de contratos, a ponto de merecer um ramo do direito especializado na sua regulamentação.

A especificidade do contrato de trabalho se verifica na ocorrência de 02 (duas) obrigações recíprocas: de um lado a obrigação do empregado, que tem por objeto a prestação de serviços e, de outro, a obrigação do empregador, que se perfaz no pagamento da remuneração.

O contrato de trabalho ainda caracteriza-se por um terceiro elemento, qual seja a subordinação jurídica, que significa o direito do empregador de fiscalizar e direcionar as atividades de seus empregados, de acordo com seus interesses.

No entender de Otávio Pinto e Silva, a subordinação e o poder de direção são verso e reverso da mesma medalha: a subordinação é a situação em que fica o empregado e o poder de direção é a faculdade conferida ao empregador. Ambas se completam, de modo que em um processo judicial é recomendável seguir uma diretriz para se concluir se há ou não subordinação, tal como a verificação da quantidade e intensidade de ordens permanentes de serviço a que está sujeito o trabalhador .
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Essa subordinação do empregado aliada ao poder de direção do empregador enfocam a presença de uma desigualdade entre as partes no âmbito da relação de emprego, o que caracteriza a diferença entre o contrato de trabalho e os demais contratos privatísticos.

Assim, na tentativa de restabelecer o equilíbrio entre as partes, numa relação originariamente desigual, o legislador trabalhista amparou o trabalhador com um elenco de normas protetivas, submetendo o empregador a inúmeros deveres e obrigações, de tal modo a garantir aos empregados, parte hipossuficiente, uma série de direitos e acomodações.

A máxime proteção se justifica, quando retornamos à época de criação e estabelecimento de tais normas protetivas (CLT – ano 1943). Naquele momento, a economia brasileira passava por um período de transação. Os trabalhadores rurais começavam a deixar o campo para ir trabalhar na cidade. Aos poucos, o país, até então agrícola, fincava suas estacas no desenvolvimento econômico da indústria, por meio de incentivo à entrada de capital e empresas estrangeiras.

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Otávio Pinto e SILVA. Subordinação, Autonomia e Parassubordinação nas Relações de Trabalho. Ed. LTr. São Paulo. 2004. p. 16.

. 4 A fragmentação do mercado e a elevação da taxa de desemprego demonstram a necessidade de redefinição do direito do trabalho. Ed. Nesta seara.. A precarização das relações de trabalho passa a ganhar espaço. Revista Jurídica nº 21. Saraiva. Revista Jurídica nº 21. Saraiva. Autonomia e Parassubordinação nas Relações de Trabalho. especialmente em virtude do uso constante de inovações tecnológicas que resultam na adoção de diversas formas de reestruturação produtiva. cuja frente de trabalho se vê solapada ou então não cresce”. 2 O processo de globalização da economia alterou e continua a alterar as relações de trabalho. Trabalho & Doutrina. 2 José Janguiê Bezerra DINIZ.4 Com o passar dos anos.. n° 58. seja com o aumento do número de trabalhadores autônomos. Subordinação. que busquem melhor adequar o direito do trabalho à realidade concreta. seja com a simples informalidade ou clandestinidade . São Paulo. “. v. Trabalho & Doutrina. 9. aos empregados somente restou se adaptar a este novo molde de relação trabalhista e. o entre choque da realidade econômica com as normas jurídicas trabalhistas. A Terceirização e o Direito do Trabalho. p. Da hipertrofia de demasiada proteção nasceu rigidez não só gravosa para as empresas. cooperativas). “O fenômeno da globalização despertou na classe empresarial a necessidade de dinamizar seus mecanismos de reprodução de riquezas. de criar novas respostas para a sempre presente pergunta feita pelo capital àquela que o detém: „Como você fará para me reproduzir em maior quantidade e em maior velocidade” . infelizmente. O que hoje está acontecendo é (. . 7. Flexibilização do direito do trabalho. Em contrapartida. Junho de 1999. p. então. seja com a ampliação das formas de subcontratação de trabalho (terceirização. LTr.) o direito do trabalho na atualidade passará de um direito de distribuição de riqueza a ser um direito de produção de riqueza. São Paulo. Ed.. 4 José Janguiê Bezerra DINIZ. 3 Originou-se. 2004. a economia mundial ganhou nova conotação. a terceirização se mostra como a saída encontrada pelos empregadores para contornar o rigorismo das normas trabalhistas e possibilitar o enquadramento de suas empresas na nova era da economia. LTr. mas indiretamente para os trabalhadores. (Cássio Mesquita de Barros. 3 Otávio Pinto e SILVA. São Paulo. A Terceirização e o Direito do Trabalho. p. Junho de 1999. 6. aguardar até que seja feita uma releitura dessa proteção e autonomia nas relações empregatícias. p. 2. Ed. 1038) . no Direito do Trabalho há demasiada proteção e pouca liberdade e a preocupação do Direito do Trabalho clássico foi muito mais a de proteger o trabalhador e muito menos de cuidar da viabilidade econômica da empresa que afinal é sua fonte de trabalho.

Eram destituídos de vontade própria. Com o surgimento da indústria. então. EVOLUÇÃO HISTÓRICA E TERCEIRIZAÇÃO NO ÂMBITO MUNDIAL No mundo antigo. é que as relações de trabalho se intensificaram. portanto. de autonomia nas relações de produção. novas formas de organização produtiva foram surgindo. No final da Idade Média. será feita a análise. sendo considerados. pura e simplesmente. Nesta fase de exacerbação do liberalismo econômico e jurídico. companheiro e mestre. o regime capitalista (assalariado) viveu seu apogeu. Tal época foi marcada pela livre concorrência e liberdade de trabalho. com a presença da servidão e de algumas corporações de ofício. como propriedades dos grandes detentores de terra. Por fim. Dada sua tendência de contrapor-se ao princípio de proteção do trabalhador. porque a lei da oferta e da procura impunha-lhe a aceitação das piores condições de trabalho. não gozando. ainda. se demonstrarão as vantagens e desvantagens do serviço terceirizado. a burguesia se firmou como classe hegemônica. a consolidação do capitalismo. a partir da crise do modelo feudal. Na Idade Contemporânea (marcada pela Revolução Francesa e Revoluções Industriais). Os escravos tinham o status não de homens. iniciando por sua evolução histórica. de seu formato jurídico. conhecido por “Estado Liberal”. a escravidão caracteriza-se como sendo a situação predominante de um trabalhador. bem como outras formas de contratação de prestação de serviços e. conceito e classificações. A Idade Média foi marcada pelo regime do feudalismo. o . Os poderes de organização e disciplina dessa relação concentravam-se nas mãos do respectivo mestre. O trabalhador era juridicamente livre para contratar as condições que deveriam regular o seu contrato de trabalho. mas essa liberdade era apenas formal. somente com a decadência total do feudalismo e o surgimento da burguesia. mas tão-somente uma sociedade de direitos e deveres recíprocos. que dividiu os trabalhadores em três classes: aprendiz. Em troca dos trabalhos prestados. sem qualquer interferência do Estado. todavia. sem haver qualquer relação jurídica entre este e seus empregados.5 O presente módulo tem a função de desenvolver a análise do processo de terceirização. Entretanto. também. mas de “coisas”. inclusive salários aquém do indispensável para a própria subsistência. Iniciava-se. recebiam tão-somente a proteção dos donos das glebas. as possibilidades de fraudes e as espécies de responsabilidades inerentes a esta figura. Os servos (trabalhadores rurais) estavam presos a terra em que trabalhavam. as formas de prevenção de eventuais riscos trabalhistas. A primeira forma que surgiu foi a chamada “corporação de ofício”.

Todavia. A influência das teorias surgidas a partir do século XIX contribuiu para o surgimento de diversas normas de proteção dos trabalhadores dos países de todo o mundo. desigualdade acentuada na distribuição de rendas. 2003. São Paulo. em nome do interesse coletivo e da justiça social. Ed. Terceirização . exploração de mão-de-obra e jornada de trabalho excessiva.] progressista. Foi nessa conjuntura que surgiu o princípio da “proteção. 7 Pois bem. princípios e institutos que compõem esse ramo jurídico especializado” . Houve. LTr. Por conseguinte. Como pondera Gabriela Delgado. com a concentração de renda nas mãos da minoria. 2003. „[. fizeram 5 6 Arnaldo SUSSEKIND. as indústrias retomaram sua fase de crescimento e a concretização de um novo avanço do capital. foi considerada a melhor estratégia para regular o desequilíbrio entre as classes sociais proporcionados pelo Estado Liberal. 6 A necessidade da intervenção estatal. Ed.6 trabalho humano nada mais representava do que mercadoria cujo preço oscilava em face da disponibilidade de braços. p.. 5 O capitalismo exagerado. . tuitivo ou tutelar”. Vol. o empregado.. parte hipossuficiente na relação empregatícia. 50. situação esta que acabou por gerar uma séria perturbação social. São Paulo. Gabriela Neves DELGADO.] inspirador amplo do complexo de regras. 2004. Após a Segunda Guerra Mundial.] sempre arrancando novas concessões ao capital‟.. regras e institutos jurídicos específicos.Paradoxo do Direito do Trabalho Contemporâneo. crescimento das empresas multinacionais.. com a imposição de barreiras à liberdade contratual. assim. p. 324. todos essencialmente teleológicos ou finalísticos. então. com a criação de normas de amparo ao trabalhador. São Paulo. destinada a realizar estudos sobre os problemas relacionados ao trabalho no âmbito mundial. Terceirização . irreversível.Paradoxo do Direito do Trabalho Contemporâneo. O sentimento de solidariedade e a construção da consciência de classe foram pressupostos inevitáveis para a formação do associativismo . Instituições de Direito do Trabalho. Ed. 41. aumento de privatizações e a crise do Estado do Bem-Estar Social.. Formaram-se. 7 Gabriela Neves DELGADO. acentuou o empobrecimento dos trabalhadores pela insuficiência competitiva em relação à indústria que florescia. irrenunciável. aumento do preço da força de trabalho. “o ramo juslaboral passou a ser considerado „[.. LTr. sustentáculo do Direito do Trabalho. a intensificação das discussões em torno da questão social do trabalho e o início de transição do Estado Liberal para o Estado de BemEstar Social. I. estava envolto numa redoma protetiva composta por princípios. LTr. [. duas classes sociais de interesse antagônico: a proletária e a capitalista. Em 1919. com a queda das taxas de lucros. p. foi criada a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

fará com que o referido fenômeno incremente a taxa de desemprego dos países que convivem com tais condições. verifica-se que a falta de instrumentos sofisticados de análise macroeconômica acrescida da falta de uma forte estrutura social. com redução acentuada na forma de regulamentação das questões sociais e econômicas. o taylorismo desenvolveu-se como alternativa a ser empregada para o aumento da produtividade no trabalho. a fim de aprimorar a acumulação de capital. Disponível em: www. Condições Organizacionais do Trabalho. A “era da globalização”. ignorava os efeitos da fadiga e os aspectos humanos. Desta forma. pode ser analisada em várias acepções. bastante lógico do ponto de vista técnico. conseguiu dobrar a produção. como a terceirização. Em qualquer de suas acepções. por meio da cronometragem de cada fase do trabalho. Disponível em www.com. Insta ressaltar que. Modelo Taylorista/ Fordista de Divisão do Trabalho: Elaborado pelo americano Frederick Taylor no final do século XIX. eliminando os movimentos muito longos e inúteis. através do chamado movimento de “transnacionalização” . Surgiu-se. . Infelizmente.7 da década de 70 e 80 mais um momento de crise do capitalismo. Acesso em 03 de julho de 2004. 9 Ing. este método. configurando-se como um fenômeno que ora provoca o encurtamento das distâncias do mundo pela maior acessibilidade proporcionada pelos modernos meios de transporte e comunicações. Preocupado com o esbanjamento de tempo. das condições de trabalho . provocaram a descentralização das atividades empresariais.eps. econômica e jurídica. Taylor iniciou uma análise racional. No Brasil.ufsc. ou ora provoca o fenômeno da internacionalização comercial. Acesso em: 17 de junho de 2005. em meio a esta evolução história citada. Néri dos SANTOS. do tipo cartesiana. por meio da adoção da teoria dos tempos e movimentos. tecnológica e cultural. então. psicológicos e fisiológicos. o referido modelo passou a ser utilizado a partir dos anos 30.br. 02 (dois) modelos de organização do trabalho merecem destaque: 1. A flexibilização das normas trabalhistas frente a globalização. financeira. Aula 07. o chamado “Estado Liberal” ou “Estado Mínimo”.br.jus. que significava para ele o tempo morto na produção. 8 A competitividade entre as pessoas em detrimento da solidariedade e a competitividade empresarial mediante a organização dos modos de produção e redução dos custos. obtendo grande repercussão na industrialização nascente. 9 8 Ancelmo César Lins de GÓIS. o que possibilitou não só a fragmentação da cadeia produtiva como também o surgimento de novas relações de trabalho. produtiva.

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Através do “taylorismo”, o controle do tempo somente foi possível mediante a separação e fragmentação das atividades de planejamento das de execução. Cada trabalhador era fixado em determinado posto de trabalho, sendo treinado para cumprir as tarefas impostas no tempo-padrão de produção, segundo sistematizado pela direção empresarial .
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Pois bem. Por este modelo, o homem foi reduzido a gestos e movimentos, sem qualquer oportunidade de desenvolvimento de suas habilidades mentais. Era considerado como máquina.

O aprimoramento do sistema taylorista adveio com o processo de divisão do trabalho criado por Henry Ford, após a Segunda Guerra Mundial, denominado de modelo fordista.

Ford verticalizou a empresa. Possibilitou a máxima racionalização das operações realizadas pelos trabalhadores, combatendo o desperdício na produção, reduzindo o tempo e aumentando o ritmo de trabalho, visando a intensificação das formas de exploração .
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No Fordismo, a segmentação dos gestos do taylorismo tornou-se a segmentação das tarefas, o número dos postos de trabalho foi multiplicado, cada um recobrindo o menor número de atividades possíveis. Falava-se, então, de uma parcelização do trabalho, que se desenvolverá igualmente no setor administrativo.

2. Modelo Toyotista de Divisão do Trabalho:

Desenvolvido no Japão, o modelo toyotista teve seu processo de implantação na empresa Toyota, pelo engenheiro Ohno, por volta de 1945, pós-guerra mundial.

Adotado pela maior parte dos empresários de todo o mundo, após a década de 70, o toyotismo vem sendo utilizado em larga escala como alternativa de adequação da empresa ao mercado de trabalho globalizado, onde imperam a necessidade de redução de custos e o aumento de competitividade.

Como bem elucida Gabriela Delgado, o toyotismo utiliza algumas técnicas para fazer funcionar a nova lógica do capital, o que somente é possível em virtude do exercício de controles internos e externos da produção, além da imposição de mecanismos mais modernos de relações interempresariais .
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Gabriela Neves DELGADO. Terceirização - Paradoxo do Direito do Trabalho Contemporâneo. Ed. LTr. São Paulo. 2003. p. 44. 11 Ibid. p. 52. 12 Ibid. p. 94.

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Segundo a autora, o controle interno decorre de mecanismos de “produção enxuta” ( lean production) ou da “queima de gorduras” (dowsizing) e do “pronto atendimento” (just in time), tendo por fim inserir a qualidade total em todo o processo produtivo. A produção enxuta torna-se rentável na medida em que as empresas passam a não estocar mercadorias – produzidas com alto grau de especialização, porém em pequena escala – atendendo, tão-somente, às demandas de públicos específicos. Ou melhor, a demanda do mercado é que define o que será fabricado pelas empresas .
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Por outro lado, o controle externo se verifica pela imposição de novos mecanismos de relações interempresariais, mediante a estratégia de implemento das “demissões em massa” ( fire) e da “criação de empregos” (hire) . Neste interregno, é que surgem os serviços terceirizados.
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Em suma, como lembra Carolina Pereira Marcante, o referido modelo de organização de produção tem como características básicas: a produção vinculada a demanda, ao contrário da produção em massa do fordismo; trabalho operário em equipe, como multivariedade de funções, processo produtivo flexível, que possibilita ao operário manusear simultaneamente várias máquinas; presença do just in time (melhor aproveitamento do tempo de produção); estoques mínimos; senhas de comando para a reposição de peças e estoque; estrutura horizontalizada – apenas 25% (vinte e cinco por cento) da produção é realizada pela própria empresa, o restante é realizado por empresas terceirizadas; organização de círculos de controle de qualidade, compostos de empregados, que são instigados a melhorar seu trabalho e desempenho .
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Ibid. Ibid. p. 100. 15 Carolina Pereira MARCANTE. A responsabilidade subsidiária do Estado pelos encargos trabalhistas decorrentes da contratação de serviços terceirizados. Disponível em: www.jus.com.br. Acesso em 15 de março de 2005.

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A TERCEIRIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO BRASILEIRO

Orlando Gomes e Elson Gottschalk afirmam que a história do Direito do Trabalho no Brasil deve ser dividida em 03 (três) fases: uma pré-histórica e duas históricas. A primeira, que abrange o período de 1822 (Independência) à 1888 (abolição da escravatura). A segunda, que se inicia com a abolição da escravatura e termina com a Revolução de 1930. E, a terceira e última fase, que se principia com a Revolução de 1930 e estende-se ao longo de todo o século XX .
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Antes da Revolução de 1930, as relações de emprego no país eram de pouca relevância, uma vez que o país caracterizava-se por uma economia essencialmente agrícola. As poucas indústrias que existiam eram compostas em sua grande maioria por imigrantes europeus, que se concentravam sobre tudo em São Paulo e na região sul do país.

Somente em meados do século XX é que a população brasileira passou a integrar a massa de trabalhadores urbanos do Brasil. Entretanto, os efeitos do capitalismo sobre os obreiros (péssimas condições no ambiente de trabalho, miserabilidade de salários e jornadas excessivas, má distribuição de renda, etc.) também marcaram o mercado de trabalho brasileiro.

Tendo em vista tais condições de trabalho neste período, se fez necessário a adoção de medidas destinadas a proteção eficaz dos trabalhadores urbanos brasileiros, vez que até então existia, tão-somente, legislações trabalhistas esparsas, destinadas a proteção de determinados grupos (ex.: trabalho do menor).

Em 1943 foi a provada a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), pelo Decreto n° 5.452/43, que nada mais fez senão proteger minuciosamente cada trabalhador inserido em uma relação de emprego existente no país naquela época.

No ano de 1988, pós-fase do regime militar, o legislador constituinte sob a influência do estabelecimento de uma sociedade democrática e cidadã, promulgou a Constituição Federal de 1988, hoje vigente. A Carta Magna tem como objetivo primordial a defesa e garantia dos direitos dos cidadãos, enquanto seres humanos, através da concretização de direitos individuais (de cunho social, político, civil e cultural) e direitos coletivos.

Neste interregno, tem-se a década de 60, onde as primeiras noções sobre serviços terceirizados foram enfatizadas no Brasil, pelas empresas multinacionais que naquele período aqui se estabeleciam.

Os decretos-leis n° 1.212 e 1.216, ambos de 1966, autorizavam a utilização de serviços de segurança terceirizado. O decreto 62.756/68 legalizou a locação de mão-de-obra através de agências
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Orlando GOMES e Élson GOTTSCHALK. Curso de direito do Trabalho. Ed. Forense. São Paulo. 1995. p. 6.

passou-se a terceirizar o setor de serviços. o Tribunal Superior do Trabalho. Entretanto. na tentativa de conter o avanço da terceirização. posteriormente. Visando conter tais abusos. Posteriormente. editou o Enunciado 256 que. 17 Carolina Pereira MARCANTE. Acesso em 15 de março de 2005. de 11 de setembro de 2000.034/69 regulou os serviços de vigilância em bancos. ato contínuo. regulamentada pelo decreto 89. . em virtude de não haver legislação específica sobre o tema e dado o rigor inerente a proteção das relações de emprego.11 especializadas. permitindo a terceirização de serviços de vigilância e de transporte de valores . no ano de 1986. diretamente ou através de empresas intermediadoras.019/74. Não havendo uma legislação específica sobre o assunto. que dia-a-dia se consolida como a melhor saída encontrada pelas empresas para sustentar a competitividade das relações de produção. consolidado no país. elaborou o Enunciado 331. veio a Lei 7. 17 A partir da década de 70.102/83. O decreto 1. através da adoção do modelo toyotista de divisão de trabalho. as empresas impulsionaram novas técnicas de estratégias produtivas (just in time). o TST o revisou (para permitir a terceirização de determinados serviços) e. que trata do trabalho temporário. programas de qualidade e a terceirização dos serviços. o sistema terceirizado foi implementado e. os serviços de limpeza e de segurança/ conservação para estabelecimentos bancários. A competição empresarial fundava-se na redução dos custos. Disponível em: www. Elaborou-se a Lei 6. tornou-se um obstáculo ao desenvolvimento econômico nacional. Na década de 70. Não há como fechar os olhos para a terceirização.056/83. principalmente. em 1993. mas apenas legislações esparsas regulamentando determinados serviços e casos. A responsabilidade subsidiária do Estado pelos encargos trabalhistas decorrentes da contratação de serviços terceirizados. tal sistema é passível de várias críticas ante aos reais problemas que causa aos empregados.br.com. posteriormente alterado pela Resolução n° 96. As taxas de desemprego aumentaram e a defasagem do salário saltava aos olhos. conforme poderá se observar nos capítulos seguintes.jus. Em virtude do rigor excessivo com que o citado Enunciado tratava os serviços terceirizados.

Subordinação. correspondente aos recursos naturais (agricultura. Como cita Maranhão. Arion Sayão Romita conceitua a terceirização a partir do neologismo criado pela palavra terciário. “a terceirização tem múltiplas e variadas definições. 2004. São Paulo. p. 21 Marcelo Augusto Souto de OLIVEIRA. O que significa terceirizar? A expressão terceirização resulta de neologismo oriundo da palavra terceiro. segundo a qual muitas grandes empresas estão transferindo para outras uma parte das funções até então por elas diretamente exercidas. fora da cultura do Direito. 20 José Augusto Rodrigues PINTO e Rodolfo Pamplona FILHO. sendo que estas atividades poderiam ser desenvolvidas pela própria empresa‟.12 CONCEITO 1. de terceiro. é a „contratação. por determinada empresa. Curso de direito do trabalho. 2004. Autonomia e Parassubordinação nas Relações de Trabalho. Ed. 21 20 19 Em posição divergente. de serviços de terceiro. visando enfatizar a descentralização empresarial de atividades para outrem.br Acesso em 15 de março de 2005. como aquele que é estranho a certa relação jurídica entre duas ou mais partes. LTr. apontam para sua disseminação. Vol. O neologismo foi construído pela área de administração de empresas. 2000. LTr. Há ainda. Ed. Como aponta Marcelo Augusto Souto de Oliveira. pelo uso da expressão “terciarização”. p. Em outras palavras. Não se trata seguramente. em rol de atividades cada vez mais restrito‟. portanto. setor secundário. 60. progressivamente. 500. Romita ensaia a preferência pelo vocábulo “terciarização”. e afirmam que a terceirização é a „horizontalização da atividade econômica. I. preocupados em limitar seu campo de incidência. terceirização é a transferência de segmento ou segmentos do processo de produção da empresa para outras de menor envergadura. São Paulo. Para alguns conformados com o fenômeno. Terceirização: Avanço ou Retrocesso?. um terceiro à empresa . define a terceirização como sendo uma técnica de administração que reflete a tendência de transferir a terceiros atividades que anteriormente estavam a cargo da própria empresa . porém de maior especialização na atividade transferida . recordando os setores em que a atividade econômica está subdividida: setor primário. compreendido como intermediário. os que definem como sendo o „processo de repasse para a realização de complexo de atividades por empresa especializada. p. 428. interveniente. manifestando sua preferência. . Repertórios de Conceitos Trabalhistas. LTr. para suas atividades-meio‟. São Paulo.ibcbrasil. onde reside um processo de 18 19 Maurício Godinho DELGADO. fazendo crítica à „exclusão.com. no sentido jurídico. Otávio Pinto e SILVA. concentrando-se. Otávio Pinto e Silva. pecuária). Para outros. o apartamento e a fragmentação da classe trabalhadora pela terceirização como intermediação de mão-de-obra‟” . Ed. Disponível em: www. 18 Sob esta mesma lógica de raciocínio.

Esta segmentação econômica adquire a expressão de linha divisória para significar. p. Ed. Instituições de Direito do Trabalho. que possui vínculo de emprego (relação jurídica trabalhista) com a empresa fornecedora. através da desconcentração produtiva. por exclusão. Ed. por meio da qual o trabalhador presta serviços a um tomador de serviços. São Paulo. A possibilidade desse desmembramento ocorrer tem lindes no próprio setor terciário (serviços) . que provoca uma relação jurídica trilateral. Vol.13 transformação (indústria). 2004. que os setores primários e secundários da economia estão infensos a repasse de terceiros. . mantendo com os empregados da primeira uma relação econômica de trabalho e não jurídica. possuindo com estas um contrato interempresário. Relação Jurídica Trilateral: Ao invés de uma única relação jurídica. 2003. a empresa tomado de serviços. Em suma. O primeiro. prestador de serviços. ligado essencialmente a serviços. entre a fornecedora e o trabalhador . envolvendo as partes. I. de natureza civil. entre a empresa fornecedora e a cliente. 277. 2. que contrata empregados especializados para laborar para as empresas tomadoras. que recebe a prestação de serviços. apesar de possuir contrato laborativo com uma empresa interveniente ou fornecedora. 22 23 Délio MARANHÃO. temos agora três sujeitos e dois contratos: o interempresário e o de trabalho. e o setor terciário. O segundo. 22 Entende-se que a conceituação empregada pelo nobre jurista supracitado não deve prosperar.Paradoxo do Direito do Trabalho Contemporâneo. mas que executa seu trabalho junto a empresa tomadora de serviços. onde também se encontram trabalhadores terceirizados. o vocábulo “terceirização” deve ser entendido como uma técnica administrativa de desconcentração produtiva. 140. Terceirização . O segundo vocábulo retrata um segmento da economia (setor terciário). LTr. a empresa terceirizante. LTr. 23 Os sujeitos dessa relação trilateral são: o trabalhador. uma vez que os termos “terceirização” e “terciarização” não se con fundem. p. São Paulo. Gabriela Neves DELGADO. A primeira expressão tem origem no ramo de Administração de Empresas e consiste em um modo de organizar a empresa e a força de trabalho.

a terceirização permite a dedicação e emprenho da empresa em seu foco ou objetivo final. 24 Em outras palavras. Trabalho & Doutrina. tem-se: Empresa Terceirizante Relação Jurídica Trabalhista Trabalhador Relação Econômica de Trabalho Empresa Tomadora Relação Jurídica Civil Cí vil Empresa Terceirizante Cumpre mencionar que o referido gráfico vislumbra as hipóteses de terceirização lícita. . as empresas buscaram a terceirização. São Paulo. Por meio da consecução do controle externo inerente ao modelo toyotista. 2. as fases do processo produtivo. Segundo informa Robortella. devendo ser desconsiderado para as situações de serviços terceirizados ilegais. A competitividade entre as empresas nacionais e internacionais. a década de 60 marcou o início do estabelecimento da terceirização no Brasil. mas 24 Luiz Carlos Amorim ROBORTELLA. sendo o fornecimento de serviços buscado fora da empresa. a terceirização tem a função de dinamizar a relação produtiva. Junho de 1999. Em verdade. Ela provoca um desmonte da estrutura organizacional clássica. vez que é o meio pelo qual uma empresa obtém trabalhos específicos de quem não é seu empregado. ou quase todas. Saraiva. Tendência em doutrina e jurisprudência. que se responsabilizava por todas. Ed. como forma de concentrar-se na realização das atividades em que se especializaram e delegar a outros a execução de certos serviços diferenciados ou a produção de determinados bens. casos em que ocorrem a formação de vínculo de emprego direto entre empregado e tomador de serviços (configuração da relação jurídica trabalhista). obrigaram a adoção do modelo toyotista de divisão de trabalho para a conquista do mercado. instaladas no país. em mãos de terceiros . ela se movimenta no sentido da desconcentração produtiva. que concebia a empresa como uma entidade auto-suficiente. autárquica. Revista Jurídica nº 21. p. 33. Finalidade: Conforme já explanado.14 Ilustrativamente. Terceirização.

as conseqüências de um processo de quarteirização serão as mesmas do processo de terceirização . 1995. assim. p. portanto. gera os mesmos efeitos do processo de terceirização. A Terceirização e o Direito do Trabalho. . Quanto ao grau de evolução das atividades terceirizadas : a) Terceirização da atividade-meio Atividade-meio é aquela tarefa que não se relaciona com o objeto principal desenvolvido pela empresa tomadora de serviços. 2000. da chamada “quarteirização” em nada difere do que se verifica no processo de terceirização. 19. acessória desta. em função do grande número deles . a “quarteirização” de serviço. 3. dentre as quais: 1. tem-se uma maior qualidade e segurança na execução dos serviços especializados. São Paulo. Atlas. uma vez que o trabalho prestado pelo terceiro. Wilson Alves POLONIO. sendo. Como esclarece Polônio. vem ser a contratação de uma empresa especializada que se encarrega de gerenciar as empresas terceirizadas. pois todo e qualquer serviço prestado por pessoa não vinculada à empresa contratante. pode ser subdivido em diversas espécies. trabalhistas ou fiscais. p. Terceirização – Aspectos legais. trabalhistas e tributários. de acordo com o critério para sua classificação. caracterizando. os efeitos comerciais. Normalmente se contrata uma empresa completamente distinta das terceirizadas e especialista no mercado num determinado ramo de serviços ou de administração de serviços. Quarteirização: “Quarteirização” ou “terceirização gerenciada”. as parceiras. 25 Através da quarteirização. Ed. é aquela atividade que corre paralelamente a atividade principal. Malheiros. ou seja. independentemente da posição em que se encontra. 26 ESPÉCIES DE TERCEIRIZAÇÃO DO PROCESSO PRODUTIVO BRASILEIRO O processo de terceirização. 127. Dessa feita. segundo definição de Sérgio Pinto Martins. Esta empresa passa a administrar os fornecedores da terceirizante. São Paulo. será fiscalizado e administrado por outra empresa. 25 26 Sérgio Pinto MARTINS. dependendo da forma como ela se opera. Ed. que configura o processo de terceirização.15 que pertencente ao quadro de trabalhadores de empresa especializada no ramo almejado pela contratante.

Quanto a forma de desenvolvimento do processo: a) Terceirização de Serviços ou Terceirização de Mão-de-Obra (terceirização para dentro da empresa tomadora de serviços) Por essa forma de terceirização. Essa forma de terceirização. têm-se as indústrias automobilísticas que. p. LTr.16 b) Terceirização da atividade-fim Atividade-fim é aquela função relacionada ao objeto principal da empresa. através da transferência de certas atividades para outras empresas. sem qualquer relação subordinante entre elas. cuja prestação será realizada no âmbito destas. 2003. os empregados da empresa contratada não se sujeitam ao poder de comando da empresa contratante . b) Terceirização de Atividades (terceirização para fora da empresa tomadora de serviços) Também denominada de subcontratação. . ou seja. Ed. dada a horizontalização da organização da produção pela tomadora de serviços. direta ou indiretamente ligada ao ciclo produtivo. cumpre-nos mencionar que o tema em questão será minuciosamente analisado em capítulo próprio. pela desconcentração produtiva. como seus próprios empregados ou prestadores de serviços. por alguns autores. Em virtude da polêmica sobre tais tipos de terceirização. que se ajusta ao núcleo essencial do processo produtivo desenvolvido pelo tomador de serviços. 27 Gabriela Neves DELGADO. mas com divisão e definição de responsabilidades. Da mesma forma. 27 Nessa espécie de terceirização verifica-se com bastante clareza a desconcentração do processo produtivo. 120. entende-se que a empresa tomadora incorpora em seus quadros o trabalhador terceirizado (contratado pela empresa terceirizante). esta disciplinada pelo nosso ordenamento jurídico através da Súmula 331 do TST. essa espécie de terceirização tende a dar origem a parceria entre empresas. A título de ilustração. delegam à determinadas empresas de pequeno e médio porte a fabricação de peças a serem utilizadas no veículo. cada qual especializada em determinada atividade. Terceirização – Paradoxo do direito do trabalho contemporâneo. conforme veremos adiante. 2. São Paulo.

442. atividades de vigilância. sem que esse tomador responda juridicamente.jus. LTr. b) Terceirização Ilícita A terceirização ilícita configura-se justamente na intermediação de mão-de-obra por empresa interposta. do TST e o regime próprio da Administração Pública. 30 28 Desireé de Araújo PIMENTEL. caput. CLT). pela relação laboral estabelecida . serviços especializados ligados à atividade-meio do tomador. IV. Disponível em: www. Acesso em 14 de fevereiro de 2005.17 3. Curso de Direito do Trabalho. 2°. . O Enunciado n° 331. caput. Quanto a licitude do processo: a) Terceirização Lícita Por terceirização lícita entende-se a terceirização cujo objeto contratual é a transferência das atividades-meio do ente tomador de serviço para empresas que as desenvolvam como sua atividade-fim . p. excluídas as quatro hipóteses de terceirização lícita. e 3°. São Paulo. 29 Ibid. 28 As hipóteses de terceirização lícita vêm expressas pela Súmula 331 do TST: situações empresariais que autorizem contratação de trabalho temporário. 30 Maurício Godinho DELGADO. onerosos.com.br. atividades de conservação e limpeza. não na ordem jurídica do país preceito legal a dar validade trabalhista a contratos mediante os quais uma pessoa física preste serviços não-eventuais. onde a empresa terceirizada fica responsável por transferir o objeto do contrato ao trabalhador . 29 Como bem salienta Maurício Godinho Delgado. 2004. Ed. pessoais e subordinados a outrem (art.

37. de 21. IV – O inadimplemento das obrigações trabalhistas. formando-se o vínculo empregatício diretamente com o tomador dos serviços. salvo no caso de trabalho temporário (lei 6. de 03. formando-se o vínculo diretamente com o tomador dos serviços. Tendência em Doutrina e Jurisprudência. é ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta. Junho de 1999. para não dizer exclusiva . inclusive quanto aos órgãos da administração direta. indireta ou fundacional (art. Considerada pelos empregadores como alternativa encontrada à dinamizar as relações de produção frente a rigidez da legislação pátria trabalhista. Em lugar de somente direito de proteção ao trabalhador e redistribuição da riqueza. Revista Jurídica Trabalho & Doutrina. por parte do empregador. 71 da Lei 8. desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. p. quanto àquelas obrigações.1983) e de conservação e limpeza. que o direito do trabalho tem a função de organizar e disciplinar a economia. III – Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (lei 7. a terceirização não está regulamentada por norma específica.1.102. mediante empresa interposta. implica a responsabilidade subsidiária do tomador de serviços.74 e 7102. As hipóteses de terceirização lícitas permitidas pelo ordenamento jurídico brasileiro encontram-se previstas tão-somente na Súmula n° 331 do TST (revisão do Enunciado n° 256 TST). converteu-se em direito da produção. desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. Nesta seara.18 FORMATO JURÍDICO DA TERCEIRIZAÇÃO Nos dias atuais. nos seguintes termos: “I – A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal. II.06. podendo ser concebido como verdadeiro instrumento da política econômica. das fundações públicas. II – A contratação irregular de trabalhador. 32. salienta Luiz Carlos Amorim Robortella. a terceirização configura-se como sendo uma prática consagrada pelo sistema econômico e jurídico.” . A revisão dogmática do direito do trabalho é hoje uma realidade concreta. das autarquias. com especial ênfase para a regulação do mercado de trabalho. O protecionismo deixou de ser sua preocupação maior.019. não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta. Terceirização.666. Deixou de ser apenas um direito de proteção do mais fraco para ser um direito de organização da produção. bem como a de serviços especializados ligados à atividade-meio do tomador. de 3.” 32 do 31 Luiz Carlos Amorim ROBORTELLA. das empresas públicas e das sociedades de economia mista.01. previstos na s Leis n° 6019. Ed. Saraiva.1993). 31 Todavia. de 20. de 20. em que pese essa realidade. da CF/1988). São Paulo. 32 “Salvo os casos de trabalho temporário e de serviço de vigilância.1974). dizem que a terceirização tornou-se medida hábil para a solução de problemas como o desemprego.6.83.06.

do artigo 443 da CLT: “a) de serviços cuja natureza ou transitoriedade justifique a predeterminação do prazo.019/74.concretizado pela vigência de contratos a prazo indeterminado – apenas será válido diante das hipóteses consignadas pelo § 2°. . para atender à necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimos extraordinários de serviços”. ainda merece destaque a terceirização dos serviços inerentes à Administração Pública. embora preste o primeiro serviços para a empresa tomadora de serviços. Essa espécie de contrato. § 1°. empresa de trabalho temporário e empresa tomadora de serviços. quais sejam: situações empresariais que autorizem a contratação de trabalho temporário. portanto. composta por 04 situações-tipo.” e diante das hipóteses autorizadas pela Lei 6. tem-se tão-somente uma relação econômico-trabalhista. A Terceirização e o Trabalho Temporário Segundo definição constante no artigo 2°.19 O inciso I constante da Súmula n° 331 do TST consagra o princípio basilar referente a intermediação de mão-de-obra.019/74 menciona as hipóteses de terceirização de mão-de-obra no trabalho temporário. Como exceção à regra geral. tem-se o vínculo de emprego do trabalhador temporário com a empresa de trabalho temporário. a relação jurídica trilateral entre trabalhador temporário. atividades de conservação e de limpeza e serviços especializados ligados à atividade-meio do tomador. b) de atividades empresariais de caráter transitório. atividades de vigilância. formando-se vínculo diretamente com o tomador de serviços”.019/74. nos termos que dispõe o artigo 443. c) de contrato de experiência. tem-se a terceirização lícita. configura-se como sendo um contrato de emprego por prazo determinado. sendo certo existir uma relação jurídica de natureza civil entre esta e a empresa de trabalho temporário. 1. Além dessas 04 hipóteses. Assim. Por este conceito pode-se concluir que o contrato de trabalho temporário. entre o trabalhador temporário e a empresa tomadora de serviços. qual seja: “a contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal. Estabeleceu-se. da CLT: “Considera-se como de prazo determinado o contrato de trabalho cuja vigência dependa de termo prefixado ou da execução de serviços especificados ou ainda da realização de certo acontecimento suscetível de previsão aproximada”. embora regulado por lei especial. A Lei 6. da Lei 6. “trabalho temporário é aquele prestado por pessoa física a uma empresa. Pois bem. por se tratar de uma exceção ao princípio da continuidade da relação de emprego .

20 A empresa de trabalho temporário. de quem recebe suas parcelas salariais e de quem é subordinado. conforme se verifica pela leitura dos artigos 9° e 11 da Lei 6. em face de nova e excepcional contratação. em atenção ao que dispõe a regra geral constante do inciso I. o legislador especial consagrou duas situações-tipo: a primeira para atender as necessidades transitórias de substituição de pessoal regular e permanente da empresa tomadora e. licençamaternidade.019. por elas remunerados e assistidos ” . Ed.). vez que este último encontra fundamento nas hipóteses constantes do artigo 443 da CLT. trabalhadores. da Súmula 331 do TST. temporariamente. . A segunda abrange situações de elevação excepcional da produção ou de serviços da empresa tomadora. São Paulo. trabalhador temporário é toda pessoa física vinculada a uma empresa de trabalho temporário (vínculo empregatício). Neste interregno. a outra. elevação excepcional de vendas. fora tais hipóteses de cabimento. de 03 de janeiro de 1974. portanto. não havendo possibilidade para contratação meramente tácita ou verbal. devidamente qualificados. outras licenças previdenciárias. 34 Insta ressaltar que. seja para atender alguma necessidade transitória em decorrência de substituição de pessoal ou para atender acréscimo extraordinário de serviço. Ademais. que o trabalhador temporário não se confunde com a figura do trabalhador contratado a prazo determinado. não há o que se falar em licitude acerca da existência do trabalho temporário. Ilustrativamente. Segundo esclarece Maurício Godinho Delgado. etc . uma vez desrespeitadas tais situações. Com relação às hipóteses de cabimento do trabalho temporário. etc. cuja atividade consiste em colocar à disposição de outras empresas. para atender a necessidade resultante de acréscimo extraordinário de serviços dentro da empresa tomadora. elevação de vendas em face de períodos de festas anuais. 451. outras formalidades ainda devem ser observadas quanto a celebração dos contratos de trabalho temporário. compreende “ a pessoa física ou jurídica urbana. para prestar serviços a outra empresa. importante mencionar. Os contratos que ligam os sujeitos da relação trilateral devem ser necessariamente escritos. configurado estará o vínculo de emprego entre o trabalhador temporário e o tomador de serviços. Maurício Godinho DELGADO.019/74: 33 34 Artigo 4°. a primeira dessas hipóteses diz respeito a situações rotineiras de substituição de empregados originais da empresa tomadora (férias. Por conseqüência. da Lei 6. 2004. LTr. 33 Sob a mesma ótica. O trabalhador temporário é regido por legislação especial enquanto que outro tem seu contrato regido pelas normas celetistas. Curso de Direito do Trabalho. p.

p. da lei 6. afasta a possibilidade de caracterização de vínculo direto com o tomador dos serviços. determina o prazo máximo de vigência do contrato temporário. de 03 de janeiro de 1974. de 03 de janeiro de 1974. inciso III. o artigo 10 da mencionada Lei. do TST. Ed. previdenciárias e demais encargos sociais . salvo nas hipóteses de insolvência da empresa prestadora de serviços. portanto. da Lei 6. 2004. Atlas. Excedido este prazo. o inciso I do Enunciado parece ter endereço certo: as terceirizações fraudulentas ou simuladas utilizadas no intuito único de evitar a contratação de funcionário e o correspondente pagamento das verbas trabalhistas. formando-se o vínculo empregatício clássico celetista com o tomador de serviços. não somente referente ao segmento bancário. os direitos conferidos aos trabalhadores por esta Lei. com respeito ao trabalhador envolvido . 453.” 36 Como bem salienta Maurício Godinho Delgado. expressamente. LTr. Curso de Direito do Trabalho. obrigatoriamente. São Paulo. 28.019. 37 Por fim.019/74. isto porque a especificidade do contrato de trabalho temporário reside no fato de não transferir ao contratante nenhuma responsabilidade sobre o trabalho alheio.019/74 estará descaracterizada. salvo autorização conferida pelo Ministério do Trabalho. A Terceirização e os Serviços de Vigilância e de Conservação e Limpeza A Súmula n° 331. São Paulo. mas quaisquer modalidades 35 36 Artigo 9°. 2000. Pelo que se percebe. Diante de todo o exposto. Artigo 11. 37 Maurício Godinho DELGADO. p.21 “O contrato entre a empresa de trabalho temporário e a empresa tomadora de serv iço ou cliente deverá ser obrigatoriamente escrito e dele deverá constar expressamente o motivo justificador da demanda de trabalho temporário. assim como as modalidades de remuneração da prestação de serviços. 38 2. por tempo indeterminado. qual seja: 03 (três) meses com relação a um mesmo empregado e a empresa tomadora de serviços.” 35 “O contrato de trabalho celebrado entre a empresa de trabalho temporário e cada um dos assalariados colocados à disposição de uma empresa tomadora ou cliente será. escrito e dele deverão constar. 38 Wilson Alves POLONIO. Terceirização – Aspectos Legais. nos estritos termos da Lei n° 6. a ausência desses requisitos formais do contrato temporário implica sua automática descaracterização. pode-se concluir que a contratação de trabalhador por intermédio de empresa de trabalho temporário. dando origem a um contrato empregatício clássico. arrolou como forma de terceirização lícita as hipóteses de serviços de vigilância. Trabalhistas e Tributários. a relação de trabalho consagrada pela Lei 6.019. . Ed.

a entidades sem fins lucrativos. a Súmula n° 331. p. vigilância e transporte de valores. 439. com a devida “exclusão de substâncias indesejáveis. atualmente. 145. essa situação-tipo preponderava no mercado de trabalho brasileiro. os serviços de copeira. guarda de obras. em condomínios. conservação. 40 No que se refere às atividades de conservação e limpeza. permitindo a prática do processo terceirizante destes serviços à Administração Pública. bens. periódicas e permanentes. 2003. O vigilante submete-se a regras próprias não somente quanto à formação e treinamento da força de trabalho como também à estrutura e dinâmica da própria entidade empresarial . objeto de execução indireta. ao passo que.). 2004. vigilante não é vigia. intenta-se traçar alguns aspectos que lhes são distintivos. etc. ao ponto do legislador ordinário elaborar semelhante rol. De cunh o genérico. em geral. de prestação de serviços e residenciais.645/70 . mediante a Lei 5. Desde a década de 70. pequenas lojas. com a revisão efetuada pela Súmula n° 331.” 40 Maurício Godinho DELGADO. como bem salienta Maurício Godinho Delgado. a situação-tipo foi ampliada. a detetização. LTr. monumentos e objetos pertencentes a instituições públicas ou privadas”. purificação. que visam à proteção e à manutenção em bem estado de bens. depuração” de lugares. mediante contrato. além das hipóteses previstas nos incisos do caput deste artigo. São Paulo. do TST também é bastante clara ao consagrar como possível a terceirização de tais serviços. Ed. 42 39 Artigo 2°. a limpeza de vidros. operação de elevadores. As atividades de conservação caracterizam-se pelo “conjunto de medidas e práticas. a estabelecimentos comerciais. Ed. limpeza e outras assemelhadas serão. Este é empregado não especializado ou semi-especializado. materializam-se especialmente por meio das atividades de limpeza. Como exemplos de atividades de asseio e conservação. 42 Gabriela Neves DELGADO. custódia. Entretanto. constituídas sob a forma de empresas privadas. Paradoxo do Direito do Trabalho Contemporâneo.645/70: “As atividades relacionadas com transporte. é permitida a terceirização de serviços de vigilância para quaisquer segmentos do mercado de trabalho. O Enunciado n° 256 do TST admitia apenas a terceirização de atividades de vigilância ligadas ao setor bancário (Lei 7. São Paulo. 41 Artigo 3°. inciso III. industriais. diferenciada – ao contrário do vigia.Vigilante é membro de categoria especial. de preferência. que se vincula ao próprio ente tomador de seus serviços (trabalhando. citem-se: a faxina. LTr.102/83: “As empresas especializadas em prestação de serviços de segurança.22 do mercado de trabalho. § 2°. Terceirização. Curso de Direito do Trabalho.102/83 ). 41 Apesar de considerados como atividades de apoio semelhantes. poderão se prestar ao exercício das atividades de segurança privada a pessoas. monumentos e objetos. 39 Nesta seara. p. . § 7°. que contratem esta espécie de atividade através de empresas especializadas. da Lei 5. da Lei 7. e órgãos e empresas públicas. etc . do Decreto-lei 200/67 (que regulamenta as atividades da Administração Federal)”. de acordo com o artigo 10. que se submete às regras da categoria definida pela atividade do empregador.

Por outro lado. cumpre-nos identificar a dualidade existente entre as atividades-meio e atividades-fim de uma empresa. atividades nucleares e definitórias da essência da dinâmica empresarial do tomador de serviços. salvo casos específicos e isolados. Ed. 34. Terceirização – Aspectos Legais. destacando a dificuldade que doutrina e jurisprudência têm em caminhar de forma convergente. em sua obra Curso de Direito do Trabalho. Entretanto. que as demais atividades. Wilson Alves Polônio. expresso em contrato social ou 43 Wilson Alves POLONIO. prefere diferenciar as atividades sob a ótica dos sistemas operacionais da empresa. LTr. os estudos sobre a referida polêmica desdobram-se em duas correntes de opinião. que retrata sua tendência pela adoção da primeira corrente doutrinária. e todas são.”. Para alguns. Outros doutrinadores propugnam que a atividade-fim está intrinsecamente relacionada com o objeto social da pessoa jurídica. atividades-meio são aquelas funções e tarefas empresariais e laborais que não se ajustam ao núcleo da dinâmica empresarial do tomador dos serviços. dessa dinâmica e contribuindo inclusive para a definição de seu posicionamento e classificação no contexto empresarial e econômico. São Paulo. atividades periféricas à essência da dinâmica empresarial do tomador de serviços” . o que permitiria a conclusão absurda de que atividade-meio não seria essencial. 43 Nesta seara. senão vejamos: “Atividades-fim podem ser conceituadas como funções e tarefas empresariais e laborais que se ajustam ao núcleo da dinâmica empresarial do tomador dos serviços. portanto. 44 Maurício Godinho DELGADO. São. por outras palavras. portanto. antes do aprofundamento do tema. nem compõem a essência dessa dinâmica ou contribuem para a definição de seu posicionamento no contexto empresarial e econômico mais amplo. a atividade-fim está relacionada à essencialidade do serviço. p. 2000. Ed. 440. que diz respeito a “serviços especializados ligados à atividade-meio do tomador. Segundo aponta Wilson Alves Polônio.. ainda que ligadas indiretamente a seu objeto. . não seriam caracterizadas como atividades-fim . de tal modo que a atividade-fim se configure como aquela concernente ao objetivo principal da empresa. A Terceirização das Atividades-meio e Atividades-fim do Tomador A parte final do inciso III. 2004. p. da Súmula n° 331 do TST permite uma outra forma de terceirização lícita.23 3. tem-se o conceito trazido por Maurício Godinho Delgado.. 44 Por outro lado. Trabalhistas e Tributários. São Paulo. compondo a essência. São. defensor da segunda corrente. Curso de Direito do Trabalho. o que permitiria dizer. Atlas.

assim. 35. a aplicação do critério de identificação da atividade-fim por ela sustentada. uma vez que a essencialidade está intrinsecamente relacionada à necessidade. Aplicação dos incisos I e III do Enunciado nº 331 do C. que aqueles serviços não ligados a tal atividade (portanto. 45 Wilson Alves POLONIO. os tribunais assim têm decidido: TERCEIRIZAÇÃO. A contratação de trabalhadores através de supostos empreiteiros. J. ligados a atividade-fim) gera vínculo de emprego entre o trabalhador e o tomador. por exemplo. para a execução de serviços ligados à atividade-fim da tomadora de serviços. todo e qualquer tipo de serviço poderia ser terceirizado. 20ª Região. Forma-se. Trabalhistas e Tributários. Publicado em 21-03-2003). revela-se com o objetivo de fraudar a proteção trabalhista. diretamente com a tomadora dos serviços o vínculo empregatício. São Paulo. mesmo adotando como base os preceitos exarados pela segunda corrente. Entretanto. . aquela que corre paralela à atividade principal. Atlas. TST. a identificação das atividades seria mais coerente. Terceirização – Aspectos Legais. maioria de votos). RO n° 10614-2003-002-2000-4. p. Somente pode-se falar em terceirização válida quando é repassada atribuição que não se insere na atividade-fim do tomador do serviço. Em contrapartida. IMPOSSIBILIDADE. Relator: AUGUSTO CÉSAR LEITE DE CARVALHO. (TRT. independente da corrente adotada pelo doutrinador. do TST. ao mencionar expressamente que “não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços especializados ligados à sua atividade-meio”.24 no registro de firma individual. que se choca com a realidade concreta. na prática (na análise de cada caso concreto). TERCEIRIZAÇÃO IRREGULAR. faz concluir. um posicionamento excessivamente radical. conseqüente. ATIVIDADE-FIM. 14/01/2004. enquanto que a atividade-meio se caracterize pela atividade acessória da empresa. 9ª Região. (TRT. há uma séria dificuldade em classificar e identificar tais atividades. inclusive por não se enquadrar na exceção a que se refere o Enunciado n° 331. pela adoção da segunda corrente. distinção entre atividades-meio e atividades-fim é sempre possível de ser efetuada. A nosso ver. a conceituação e. 45 Pois bem. Vínculo empregatício com a tomadora. TRT-PR-24555-2000-007-09-00-0/RO-06792-2002. 2000. III. A Súmula n° 331 do TST. na prática. Relator: LISIANE SANSON PASETTI BORDIN. de vez que não estaria diretamente ligado ao objeto social . Segundo o autor. Ed. Na área administrativa. Teoricamente. através de raciocínio inverso. ou seja. Aracajú – SE. Todavia. na primeira linha de pensamento reside certa dificuldade em visualizar.

(Ministro Vantuil Abdalla. Quando tal ocorrer e a matéria for levada a juízo. Vislumbrando a ocorrência de tais hipóteses. ficará ao prudente arbítrio do juiz defini-la. a concentração de esforços naquilo que é a vocação principal da empresa. considerando-se o grau de especialização atingido pelos novos métodos e tecnologias. Há atividades-fim que. a redação atual do inciso III. Terceirização. o Enunciado 331 (que só admite a terceirização na atividade-meio e não na atividadefim) em descompasso com a doutrina mais recente a respeito da matéria . tem-se a hipótese da indústria automobilística. Por essa razão. E. . São Paulo. Em outros. do TST. e não apenas a diminuição de custos”. p. a clara distinção entre atividade-meio e atividade-fim desaparece. Terceirização: atividade-fim e atividade-meio – responsabilidade do tomador de serviço.25 Para muitos casos concretos. então. pois. levando em conta as razões mais elevadas do instituto: a especialização. etiquetas. Saraiva. se confunde a terceirização das atividades-fim e atividades-meio. estando. Ilustrativamente. Pedro Vidal Neto. maio de 1996) . como o fornecimento de peças usadas na composição dos veículos. torna-se um contra-senso à dinamização da produção. entre outros. p. que delega para outras empresas serviços inerentes a sua atividade-fim. na dinâmica empresarial. 46 Acompanham o posicionamento do autor citado. a terceirização da atividade-fim se faz necessária. LTr. gerando efeitos gravíssimos aos contratantes quando aplicada. da Súmula n° 331 do TST. o caso da indústria têxtil. naturalmente. O Ministro Vantuil Abdalla. 34. 60(5): 588. principalmente quando há delegação de serviços no que toca ao processamento de dados referentes às contas bancárias e aplicações financeiras. Amauri Mascaro Nascimento. Ou. 47 Ibid. a atividade-meio. Revista Jurídica Trabalho & Doutrina. José Janguiê Bezerra Diniz. Junho de 1999. nem sempre é de fácil conceituação. São Paulo. comenta Robortella que. Reginaldo Melhado. etc. Na área financeira. Sérgio Pinto Martins. a depender da orientação tecnológica. “É verdade que não há parâmetros bem definidos do que sejam atividade -fim e atividade-meio e muitas vezes estar-se-ia diante de uma zona cinzenta em que se aproximam uma da outra. Revista LTr. a busca de maior eficiência na sua finalidade original. 35. Ed. podem converter-se em atividades-meio e vice-versa. que contrata com outras empresas serviços referentes à colocação de botões nas peças fabricadas. entende o autor que a terceirização das atividades-fim não pode ser necessariamente reputada ilegal. Tendência em doutrina e jurisprudência. E fá-lo-á. 47 46 Luiz Carlos Amorim ROBORTELLA. muitas vezes. para todas estas situações.

) Apenas em caso de fraude à lei (CLT. O fenômeno da terceirização. porquanto. por isso mesmo. 9ª Região. 2004. que considera perfeitamente lícita a terceirização de qualquer parte do sistema produtivo. ainda minoritárias. e não à atividade-fim do contratante. 49 Nesse sentido.02. mediante a utilização de serviços prestados por terceiros. Relator: Armando de Souza Couto. não pode ser considerada empregadora. manifestamos concordância com o autor. São Paulo. LTr. Em que pese todos os argumentos expostos. p. LICITUDE. Subordinação. se adequam a esta nova leitura do processo de desconcentração produtiva. 60 (2):209. AC. A empresa pode descentralizar a execução de determinadas tarefas utilizando-se. da Súmula n° 331 do TST.. (. mediante a análise de caso a caso. inadimplemento ou inidoneidade financeira do fornecedor ou prestador. Ainda que se diga que uma atividade é permanente ou essencial. Presentes estes elementos estamos com Luiz Carlos Amorim Robortella. b) a direção da atividade pelo fornecedor. para isso. Revista LTr. arts. pouco importando se os serviços são realizados no estabelecimento da fornecedora ou da tomadora. de tal modo a retirar-lhe as amarras do inciso III. Admitir-se a terceirização apenas na atividade-meio seria o mesmo que inadmiti-la. pois uma empresa que se constitua com o objetivo único de colocar mão-de-obra a serviço de outra não possui atividade empresarial alguma e. fevereiro 1996) . 10. o essencial para a validade da terceirização é a especialização da empresa prestadora de serviço. o tomador responderá subsidiariamente e não solidariamente pelas verbas dos empregados fornecidos .1995). sem que tal hipótese implique burla na aplicação da legislação trabalhista ou ilegalidade do que foi pactuado. tal não afasta a possibilidade de ela vir a ser executada de forma descentralizada. DJ. de convênios e contratos com empresas ou organizações prestadoras de serviços. se assim 48 49 Ibid.”. 9° e 444). Ed.26 “As características básicas da terceirização ou subcontratação de serviços são: a) especialização do trabalho. LTr.885/95. (José Janguiê Bezerra Diniz. na maioria das vezes. O requisito da especialidade dos serviços prestados é fundamental para a distinção entre a terceirização lícita e ilícita. o vínculo com a empresa tomadora dos serviços . pois. ou se se trata de atividade-fim. principalmente quando diz respeito à atividade-meio.. . obrigatoriamente. 48 Algumas decisões dos tribunais. RO 401/92.. se torna impossível fazer essa distinção. para Jorge Luiz Souto Maior. 1. 69. c) a sua idoneidade econômica e d) inexistência de fraude. formando-se. essencial ou atividade-meio (acessória ou de apoio). (TRT.. São Paulo. autonomia e parassubordinação nas relações de trabalho. Vejamos: TERCEIRIZAÇÃO. 1ª Turma. Otávio Pinto e SILVA.

impessoalidade. 51 Luiz Carlos Amorim ROBORTELLA. Ed. os serviços sem especialização são aqueles que não necessitam de treinamento específico. mas tão-somente dinamizar a produção para a competitividade. Atlas. desnecessária seria a previsão contida na Súmula 331 do TST – “serviços especializados ligados à atividade-meio do tomador”. Terceirização – Aspectos Legais. vem se solidificando dia-a-dia e. publicidade e eficiência. qual seja: a terceirização. inviável para o pleno desenvolvimento dos fundamentos e objetivos consagrados pela República Federativa do Brasil. que compete a profissionais especialmente treinados e experientes ou com formação acadêmica para tal. 2000. 51 4. Junho de 1999.27 não fosse. Tendência em doutrina e jurisprudência. A Terceirização e a Administração Pública O Poder Público está desacreditado pela sociedade. p. Terceirização. Essa última hipótese. A tendência não é mais erigir-se a terceirização na atividademeio como critério absoluto de legalidade ou validade. dos Estados. 50 Atualmente.. Por outro lado. Assim. Serviços especializados são aqueles serviços que exigem certa habilidade ou conhecimento específico para a sua realização. São Paulo. o Estado aderiu à prática do processo de desconcentração produtiva. Trabalhistas e Tributários. Muitos já afirmam que o Estado está falido. 52 “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade. Revista Jurídica Trabalho & Doutrina.. com o intuito de reduzir o volume na sua estrutura estatal. Portanto. Princípios como o da eficiência e moralidade. São Paulo. O sistema não funciona. sem o intuito de fraudar os direitos dos trabalhadores. Inexistente a intenção de fraudar direitos do trabalhador. reconhecida que é como instrumento do progresso econômico e geração de emprego . consagrados pelo texto constitucional (artigo 37. na maioria das vezes. caput ) não são observados pelos administradores em geral. embora possa exigir orientação para sua realização . a Administração Pública acabou por adotar o mecanismo utilizado pela empresa privada frente a globalização. Ed. para dividir com o particular a realização de determinadas obrigações públicas. p.”. 37. em virtude da dinâmica empresarial. . Saraiva. A burocracia e incompetência estatal se digladiam com a era da informação e informatização. 50 Wilson Alves POLONIO. a subcontratação na atividade-fim vai sendo lentamente admitida. 34. a verificação desse requisito torna-se muito mais apropriada e urgente para a caracterização da terceirização lícita ou ilícita do que propriamente a constatação da existência de terceirização na atividade-fim do tomador de serviços. moralidade. 52 Na tentativa de resgatar os preceitos fundamentais e na busca de seu enquadramento a modernidade. uma coisa é certa.

em consonância com o que dispõe o inciso II. II.. portanto. Tal garantia estaria fundada na suposição de que a administração e patrimônios públicos sintetizam valores e interesses de toda a coletividade. em tais situações. São privados. Vol. Entretanto. o Direito do Trabalho . da CF). inclusive quanto aos direitos e obrigações (. da Constituição Federal. que são criados por lei (art. § 1°. Curso de Direito do Trabalho. por expresso comando constitucional (art. ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação ou exoneração. 446. aos interesses de pessoas ou categorias particulares . o que pretendeu a Constituição foi estabelecer. § 1°. Logo.. a título de argumentação. sujeitam-se ao regime jurídico próprio das empresas privadas. tornou-se um dos meios de modernização da estrutura estatal. ED. não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração direta. em face da tradição fortemente patrimonialista das práticas administrativas públicas imperantes no país. 2004. não gera reconhecimento de vínculo empregatício com os entes da Administração Pública.” Como pondera Delgado. exploradoras de atividade econômica. 53 Com relação ao posicionamento sedimentado pelo inciso II.. a). quando irregular. LTr. da Súmula 331 do TST. Por não estarem submetidos ao Regime Jurídico único.28 A terceirização. os empregados destas sociedades. aplicável aos servidores da Administração direta. que o artigo 37. p.112). . inciso II. Délio Maranhão afirma que este entendimento se mostra censurável em relação às sociedades de economia mista e empresas públicas. uma garantia em favor de toda a sociedade. LTr. II. 61. Délio MARANHÃO. determina que: “II – a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos. seus cargos ou encargos não são “públicos”. São Paulo. mediante empresa interposta. II). São Paulo. na medida em que a Administração Pública busca a colaboração do setor privado para a realização de determinados serviços públicos relacionados as atividades-meio do Estado. da Súmula n° 331 do TST ( “A contratação irregular de trabalhadores. Tanto é assim. II. permitindo ao órgão público se concentrar no desenvolvimento de suas atividades principais. na forma da lei. a terceirização no serviço público.) trabalhistas. 173. por extensão constitucional do direito de regência. Isto porque o Setor Público é regido pelo princípio da supremacia do interesse público e bem-estar coletivo sobre o particular. Ed. assim. que não obstante a regra acima (art. indireta ou fundacional”). 280. 2004. diferentemente das situações de terceirização ilícita que ocorrem no setor privado. o legislador constitucional trouxe uma exceção à contratação mediante concursos públicos. sobrepondo-se. p. 37. 54 Cumpre mencionar. I. que não possuem “cargo ou emprego público” (artigo 37. autárquica e fundacional (lei 8. Instituições de Direito do Trabalho. da CF). ao 53 54 Maurício Godinho DELGADO. de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego.

“As atividades relacionadas com trans porte.745/93. recorrendo. do Decreto-lei 200/67: “A execução das atividades da Administração Federal deverá ser amplamente descentralizada. mediante contrato. conservação. do Decreto-lei 200/67. uma vez que se perfaz uma contratação direta entre o Estado e o trabalhador temporário. § 7°. § 7°. alterada pela Lei 9. não mencionou quais as atividades que poderiam ser objeto de terceirização. custódia. objeto de execução indireta. a execução indireta. função esta que ficou a cargo do artigo 3°. desde que exista. a contratação por prazo determinado para o atendimento de necessidades temporárias de excepcional interesse público: “IX – a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público. limpeza e outras assemelhadas serão. As normas jurídicas que fundamentam o processo de terceirização no serviço público brasileiro são: O artigo 10. na área. coordenação. supervisão e controle com objetivo de impedir o crescimento desmesurado da máquina administrativa.” Conforme se verifica pela leitura do dispositivo legal supracitado. Entretanto. da Lei 5. inciso IX.849/99. sempre que possível. de acordo com o art. entendemos não se tratar das hipóteses de terceirização. § 7°: Para melhor desincumbir-se das tarefas de planejamento. da Constituição Federal.645/70. iniciativa privada suficientemente desenvolvida e capacitada a desempenhar os encargos de execução. não havendo a intermediação da empresa de trabalho temporário. 10. . de preferência.” A Lei que regulamenta a contratação por tempo determinado de servidores pela Administração Federal é a Lei 8. mediante contrato. atividades de apoio ou meramente instrumentais. operação de elevadores. o legislador permitiu ao Estado contratar serviços de empresas privadas especializadas em determinadas atividades. a Administração procurará desobrigar-se da realização material de tarefas executivas.” A permissão para a contratação de empresas terceirizadas no âmbito do setor público sempre esteve limitada à execução de atividades-meio.29 permitir em seu artigo 37. Entretanto.

independente da responsabilidade solidária e/ou subsidiária a que eventualmente venha obrigar-se. de 13 de julho de 1962. com as modificações da Lei 4. informática.30 A Lei que trata das licitações e contratos administrativos (Lei 8. a cada trabalhador.” O artigo 1° do Decreto 2. da União. § 1°: “Para os fins previstos nesta lei. que admitir trabalhadores a seu serviço.036/90 (Lei do FGTS).666/93). manutenção de prédios. § 1°.com. operação.jus. Acesso em: 15 de março de 2005. seguro ou trabalhos técnicosprofissionais”. Mas há situações excepcionais a esta regra. conserto. adaptação. 55 Por fim. transportes. montagem. § 1°: entende-se por empregador a pessoa física ou a pessoa jurídica de direito privado ou de direito público. de 12 de agosto de 1965.090. instalação. transporte. encontrar-se nessa condição ou figurar como fornecedor ou tomador de mão-de-obra. em seu artigo 6° traz um rol exemplificativo de serviços que podem ser contratados pela Administração Pública. em conta bancária vinculada. autárquica e fundacional estabelece que podem ser executados indiretamente os serviços de conservação. a importância correspondente a 8% (oito por cento) da remuneração paga ou devida. tais como: serviços de “demolição.271/97. segurança. cumpre citar a Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar 101/00) que em seu artigo 18. total ou parcialmente. em seu artigo 15. locação de bens. equipamentos e instalações. limpeza. até o dia 7 (sete) de cada mês. vigilância. reprografia. Já o § 2° da mesma norma prevê que não poderão ser objeto de execução indireta atividades inerentes às categorias funcionais abrangidas pelo plano de cargos do órgão ou entidade. indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes. É o caso da necessidade transitória de serviço ligado à atividade-fim. 457 e 458 da CLT e a gratificação de Natal a que se refere a Lei 4. A responsabilidade subsidiária do Estado pelos encargos trabalhistas decorrentes da contratação de serviços terceirizados. .br. telecomunicações. reparação.749. do Distrito Federal e dos Municípios. incluídas na remuneração as parcelas de que tratam os arts. Disponível em: www. publicidade. regido por legislação especial. que regula a contratação de serviços pela Administração Pública Federal direta. todos os empregadores ficam obrigados a depositar. copeiragem. admite a terceirização no serviço público. recepção. Outra norma que diz respeito a terceirização no serviço público é a Lei 8. no mês anterior. nos seguintes termos: 55 Carolina Pereira MARCANTE. manutenção. Exemplo: a contratação de um jurista consagrado para a elaboração de parecer técnico . da administração pública direta. dos Estados. no âmbito do quadro geral de pessoal. bem assim aquele que. salvo expressa disposição legal em contrário ou quando se tratar de cargo extinto. conservação.

tais como vencimentos e vantagens. § 1o Os valores dos contratos de terceirização de mão-de-obra que se referem à substituição de servidores e empregados públicos serão contabilizados como "Outras Despesas de Pessoal". fiscalização. diplomacia. sob pena de incorrer na responsabilidade prevista no inciso IV. funções ou empregos. como bem afirma Carlos César Pimenta. subsídios. Entretanto. 56 Ibid. “o Estado pode terceirizar e efetuar parcerias no caso dos serviços que não sejam considerados estratégicos e que apresentem um mercado atomizado e competitivo entre os possíveis fornecedores. cargos. que analisaremos mais adiante. . reformas e pensões. horas extras e vantagens pessoais de qualquer natureza. etc. relativos a mandatos eletivos. a qualidade e o preço dos bens e serviços ofertados”. como de justiça. bem como os serviços públicos essenciais. bem como encargos sociais e contribuições recolhidas pelo ente às entidades de previdência. proventos da aposentadoria. entende-se como despesa total com pessoal: o somatório dos gastos do ente da Federação com os ativos. 56 A terceirização do serviço público deverá obedecer às mesmas regras inerentes a terceirização do serviço privado. segurança pública. intimamente relacionados à soberania e a supremacia do Estado . inclusive adicionais. Em suma. com quaisquer espécies remuneratórias. civis. do TST. militares e de membros de Poder.31 “Para os efeitos desta Lei Complementar. gratificações. não poderão terceirizar serviços que lhe são peculiares.. fixas e variáveis. mantendo apenas o controle sobre a quantidade. os inativos e os pensionistas. da Súmula n° 331.

se por um lado foi a saída encontrada pelos empregadores para dinamizar a produção.32 TERCEIRIZAÇÃO E FRAUDE A terceirização. o que significa fraudar a lei? Como bem define Wilson Polônio. p. 57 Porém. A fraude à lei. Entretanto.” Pois bem. Por outras palavras. a doutrina faz distinção entre a violação da lei ( agere contra legem) e fraude à lei (in fraudem legis agere). No que diz respeito à prática de atos fraudatórios. p. Dispõe o artigo 9°. por qualquer meio ou artifício. mediante a fraude à lei . à lei. com o intuito de descentralizar suas atividades. conforme analisada em capítulos anteriores. A complexidade da legislação trabalhista e o aperto do protecionismo por parte do Estado. Atlas. direta ou indiretamente. é o processo pelo qual a empresa tomadora de serviços. cumpre-nos voltar a atenção para o processo terceirizante. da CLT: “Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar. 104. aliado ao constante crescimento dos encargos previdenciários. a fraude à lei consiste em buscar um resultado. O processo de desconcentração produtiva é uma realidade do mercado de trabalho. contrata outra empresa. 58 Ibid. 58 A legislação trabalhista é expressa ao considerar como nulos qualquer ato praticado com o intuito de violar. 2000. a terceirização passou a ser utilizada como forma de precarização das condições de 57 Wilson Alves POLONIO. dada a rotatividade do sistema e a abertura para as fraudes. Age contra a lei quem a viola diretamente. A fraude à lei trabalhista não é novidade. com o objetivo de prejudicar terceiros. Terceirização – aspectos legais. que a lei cogente pretendeu evitar. foram aos poucos aguçando a criatividade de alguns empregadores que passaram a empregar métodos sofisticados para fugir de suas obrigações trabalhistas e previdenciárias. diz-se que a fraude à lei é a violação indireta da lei . Em virtude da ineficiência do critério jurídico adotado pela Súmula n° 331 do TST. Ed. São Paulo. trabalhistas e tributários. pressupõe a incompatibilidade do resultado obtido em determinado suporte fático e a regra que se pretendeu ver aplicada. irá intermediar algumas das atividades da primeira. Segundo o autor. portanto. Age em fraude à lei aquele que indiretamente frustra o resultado que dela se espera. impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. 102. que por meio da utilização de mão de obra própria. acarretou aos trabalhadores uma redução em suas garantias laborais. por outro. .

o agenciador transfere ao tomador de serviços a respectiva mão-de-obra. adverte que. 60 A finalidade dessa prática fraudatória tem como fundamento o objetivo escuso do empregador de se eximir de qualquer responsabilidade perante os empregados.33 trabalho . 6170. parágrafo único. v. comporta a técnica imensa gama de desvantagens: redução dos postos de trabalho. inciso I. Junho de 1999. mantendo. Ed. portanto. . A grande questão nessa forma de fraude à lei é que o segundo empregador. quanto será e até mesmo de que maneira será produzido o bem a que ele assenhorará. degradação de condições de higiene e segurança e redução de valores salariais.019/74 e Súmula 331. do TST) e trabalho avulso sindicalizado (artigo 513. Segundo José Janguiê. (Fraude à lei em tempos de crise. Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região. Os agenciadores. Nele o empregador de fato se desprende do vínculo que o une ao empregado. Através da simulação de um aparente contrato de trabalho com o empregado. N° 21. 60 José Janguiê Bezerra DINIZ. da CLT). No marchandage o empregado fica subordinado a dois empregadores: ao “de direito”. elevação da produtividade com concentração de forças no foco da atividade central. visto que a subordinação do empregado continua a existir e a interferência nas relações de produção subsiste mesmo com o distanciamento jurídico. A forma regular de contratação da força laborativa por empresa interposta somente é aceita pelo ordenamento justrabalhista em 02 (duas) hipóteses: trabalho temporário (Lei 6. Saraiva. pp. julho a dezembro de 1996). destruição do sentimento de classe. que passamos a analisar a seguir: 1. “Marchandage”: 59 O marchandage se verifica através de formas de intermediação de mão-de-obra não disciplinadas e autorizadas por lei. quando este determina de quanto será a remuneração e qual será seu local de tra balho. Apenas diante destas duas possibilidades. e o “de fato”. do ponto de vista das empresas. ingresso rápido e simples de mão-de-obra. quando determina o que será. 21. por meio do agenciamento de mão-de-obra. através da ocorrência dos denominados casos de “marchandage” e outras fraudes à lei. seu patrimônio protegido de eventuais reclamações e execuções trabalhistas. ocupando outro aquela posição. crescimento de lucros. a terceirização apresenta vantagens: redução de custos. Contudo. Revista Jurídica Trabalho & Doutrina. 9/10. é que o tomador de serviços poderá contratar serviços de terceiros para substituir sua própria mão-de-obra. o marchandage foi o meio encontrado de burlar a vinculação contratual entre o empregador e o empregado. não se alheia à relação jurídica. gatos ou empreiteiros não autorizados. vende e explora a força de trabalho de trabalhadores para a prestação de serviços. o que caracteriza a fraude . pois. para que este exerça todos os atos inerentes de 59 Márcio Túlio Viana afirma que. para os trabalhadores. o “de fato”. aumento da carga de subordinação. A terceirização e o direito do trabalho. São Paulo. razão pela qual todas as demais hipóteses são consideradas como práticas fraudatórias à lei. p.

dos quais recebia ordens e orientações. o lucro da intermediação aviltar o salário. no Brasil. acabou legalizando a mera intermediação de mão-deobra. Publicação: 14/08/2001). A Súmula n° 331. subordinada a chefias constituídas por empregados do banco. do TST: . pois havia subordinação e pessoalidade. Baneser. Uma vez que os depoimentos pessoais das representantes da Cooperativa e do Hospital. a ponto de. No Código Penal Brasileiro. 442 da CLT. Publicado em 01. Relação de emprego. ( TRT. É bancária a empregada contratada pelo Baneser e imediatamente posta a serviço do Banespa em função administrativa inalienável de seus objetivos empresariais. de Souza. deve ser reconhecido o vínculo de emprego com a primeira. O marchandage é prática rotineira na realidade do mercado de trabalho.34 um típico vínculo de emprego (poder de direção e fiscalização com a conseqüente subordinação jurídica). inciso III. para se deparar com os mais diversos casos de intermediação de mão-de-obra irregular. que se intensifica ainda mais pela ausência de amparo jurídico. ativando-se sempre e exclusivamente nas dependência do estabelecimento bancário. 15ª Região. INTERMEDIAÇÃO. observando seus horários de entrada/saída e com eles convivendo e concorrendo funcionalmente. com fiscalização por ambas reclamadas. O sistema de marchandage.2004). Basta pesquisar nas jurisprudências dos Tribunais Superiores. ou comércio de mão-de-obra não raro dissimulado como terceirização. Processo n° 20000413032/2000. 2ª Região. conforme orientação que se continha no Enunciado 256. revelam a prática da marchandage. como se mercadoria fosse. no combate a tal espécie de burla. imiscuindo-se na relação direta entre o trabalhador e seu patrão natural. o locador é mero intermediário. observados os arts. Sob o pretexto de regularizar a terceirização. (TRT. beneficiário final da mão-de-obra.10. RECURSO ORDINÁRIO - COOPERATIVA DE TRABALHO - FRAUDE CARACTERIZADA . ao arrepio do próprio art. é proibido em vários países e até punido criminalmente. pura exploração da mão-de-obra. Processo 00411-2001-094-15-00-3 RO. 128 e 460 do CPC e vedada a reformatio in pejus. RELAÇÃO DE EMPREGO. como pretendido pelo Autor. a matéria aproxima-se da configuração de crime contra a organização do trabalho (arts. Recurso improvido. Nesse sistema. que era considerada ilícita. em grau extremo. Tomadora bancária.VÍNCULO DE EMPREGO COM ELA RECONHECIDO – RESTRIÇÃO DO PEDIDO. Juiz(a): José Pedro de Camargo R. Relator(a): Wilma Nogueira de Araújo Vaz da Silva. 203 e 207). do TST foi a grande precursora das hipóteses de marchandage.

Revista Jurídica Trabalho & Doutrina. mostrou-se inteiramente divorciado da realidade palpitante de nossos dias. mas em contrapartida alguns equívocos sérios no texto do enunciado. por uma razão muito maior. Quando da edição do Enunciado n° 331 do TST. fundado nas apontadas razões a decidir. assim se pronunciou: “O colendo Tribunal Superior do Trabalho. nasceu divorciado da realidade concreta. o Enunciado n° 256 não merece prosperar. Otávio Bueno Magano ressaltava que: “O Tribunal Superior do Trabalho ao adotar o Enunciado em tela.. Pedro Carlos Sampaio Garcia (in Magistratura & Trabalho. é ilegal a contratação de trabalhadores por empresas interposta. A terceirização e o direito do trabalho. p. elaborado em 1986. 2). senão tivesse o Supremo Tribunal 61 José Janguiê Bezerra DINIZ. de 20. Tais inquéritos resultaram em ações civis públicas. inúmeras manifestações de repúdio. em razão de inquéritos policiais promovidos por esse órgão em casos de terceirização de serviços por empresas participantes da administração pública indireta. 13. de 03. Ed.01. n° 11. p.1983. explicável pelas exigências da técnica e pela exacerbação da concorrência. que substituiu e inovou a temática do Enunciado n° 256 do TST.”.06.1974. emperrava o empreendimento empresarial. . editou o recente Enunciado 331. que trata de diversas questões relativas à matéria destaque especial à participação do Estado nestas relações. por outro. Janeiro/ Feveiro 1994. o que gerou. formando-se o vínculo empregatício diretamente com o tomador de serviços. Saraiva. Ano II.35 “Salvo nos casos de trabalho temporário e de serviços de vigilância. 61 Se. previstos nas Leis 6. O enunciado 331 revisou o enunciado 256 a pedido do Ministério Público do Trabalho. Junho de 1999. Se a Súmula n° 331 do TST mostra-se ineficiente para disciplinar e regulamentar todo o processo terceirizante.. 2° caderno. pois a nosso ver existem alguns avanços.102. por um lado.019. Vale a pena examinar o conteúdo dessa orientação jurisprudencial.” Não estamos aqui na defesa pelo resgate do referido Enunciado. N° 21. buscando dar orientação às diversas hipóteses de terceirização dos serviços no setor público e privado. O Enunciado n° 256 do TST. São Paulo. e 7. nas quais se imporia o reconhecimento de relação de emprego com as empresas estatais. em que sobressai o fenômeno de cooperação entre as empresas. o Enunciado n° 256 do TST protegia os direitos dos trabalhadores terceirizados da mera intermediação de mão-de-obra (sob a proibição expressa da mera intermediação de mão-de-obra). por parte da doutrina.

TST que vinham excluindo a administração pública do rigor com que a matéria era tratada no enunciado 256. Segue anexo ao final deste trabalho o projeto em referência. permitindo uma interpretação mais compatível com as várias situações que podem ocorrer quando se contrata empresas prestadoras de serviços. 58-01/7). que dispõe sobre as relações de trabalho na empresa de trabalho temporário e na empresa de prestação de serviços a terceiros. 182. E. Vale inicialmente observar que a nova Súmula. que podem em não implicar em intermediação fraudulenta de mão-de-obra. .36 Federal decidido recentemente que também essas empresas estão submetidas à regra do concurso público para a contratação de empregados (v. formando-se o vínculo diretamente com o tomador dos serviços. Portanto. O trabalho relaciona-se à atividade-fim do tomador dos serviços. intacto o entendimento expresso em seu item I. a serem integradas ao ordenamento jurídico brasileiro. em medida que nos parece acertada. como saída encontrada pelas empresas para dinamizar a produção e integrar na competitividade imperante no mercado de trabalho. Orienta assim alargando o campo de análise não só para a administração pública. que poderão disciplinar e regulamentar o processo terceirizante imperante no nosso mercado de trabalho. se perfaz como uma realidade concreta e. de que a interposição fraudulenta de mão-de-obra continua não sendo aceita. faz-se necessário encontrar no ordenamento justrabalhista alternativas hábeis a manter a proteção dos trabalhadores. no seu item III. Juruá.: terceirização de atividades especializadas inerentes a etapas do processo produtivo da empresa tomadora de serviços). é por ele dirigido e a ele beneficia. Terceirização do Trabalho. sob a égide da Súmula n° 331 do TST. novamente a realidade concreta impõe uma releitura de tais normas atenta as novas técnicas de produção.302/98. p. Manteve. dando tratamento diferenciado à administração pública direta e indireta no caso de intermediação ilegal de mão-de-obra. a Súmula jurisprudencial. mas também para que se deixe de considerar como fraude terceirizações absolutamente lícitas. atualmente. em capítulo exclusivo. 63 62 63 José Luiz Ferreira PRUNES. tendo em vista precedentes das turmas do C. Ocorre a intermediação fraudulenta quando o trabalho está inserido na atividade econômica do tomador dos serviços. Mais adiante. mais. inadequado para as inúmeras hipóteses de terceirização de serviços. sobre este assunto matéria editorial da Revista LTr de janeiro/94 – p. entretanto. Tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei n° 4. Ed. até que seja publicada uma lei que regulamente tal instituto . atualmente. sem negar o processo terceirizante que. o referido Projeto de Lei determina novas regras. não só para o combate ao marchandage. para fazer uso das expressões utilizadas no verbete sumulado.” 62 Ora. deixou de lado o rigor excessivo do Enunciado 256. como também para a iniciativa privada. o Enunciado n° 256 do TST foi revisto e. demonstraremos as formas e os mecanismos de identificação das práticas fraudatórias e as técnicas de prevenção dos riscos. Curitiba. Em outras palavras. efetuadas sem qualquer objetivo de burlar à lei ou causar prejuízos aos direitos dos trabalhadores (ex. Diante de tal impasse a revisão de tal enunciado foi pedida pelo Ministério Público do Trabalho. 1995. O Enunciado 331 acabou por ser editado.

. . Jorge Luiz Souto MAIOR.. Não há dispositivo jurídico que faça distinção das referidas atividades. deve ser coibida. em se tratando de um hospital. “é plenamente inseguro tentar definir o que vem a ser uma e outra”. cumpre resgatar o conceito a pouco fornecido por Wilson Polônio. cada sujeito da relação trilateral são conceituados e identificados. no sentido de que “age em fraude à lei aquele que indiretamente frustra o resultado que dela se espera”. 64 65 José Luiz Ferreira PRUNES. Curitiba. considerar como prática fraudatória uma atividade não regulamentada por lei. n° 82. Doutrina. p. Entretanto. por inúmeras razões de conveniência. ao contrário do que ocorre com o trabalho temporário – em que cada forma de prestação.37 2. A terceirização sob uma perspectiva humanista. E. se não existe lei. Havendo. Mas não pode ser vista como um princípio operacional quando a empresa. Outras formas de fraude à lei: Não comungamos com os que vêem a fraude em qualquer das situações de terceirização. então. Cabe nesta quadra histórica rememorar – para muitos juízes e juízes – a velha expressão romana: Fraus nunquam praesumitur ( . a fraude somente ocorre na hipótese de violação de lei. indaga: ”o serviço de limpeza. Entretanto. Como bem acentua Souto Maior. distinguem a licitude ou ilicitude da terceirização de serviços com fulcro na distinção entre atividade-meio e atividade-fim. a fraude não se presume). Terceirização do Trabalho. Ed. por exemplo. Fevereiro de 2005. tais conceitos não se demonstram totalmente hábeis para a referida caracterização do processo terceirizante. normalmente apontado como atividade-meio. O critério adotado pela Súmula 331 do TST para a distinção entre terceirização lícita e terceirização ilícita não foi feliz. como ocorrerá tal violação? Para responder a esta questão. 64 Os tribunais. 183. usa meios que não são vedados em lei . Revista Nacional de Direito do Trabalho. 65 Não há em nosso ordenamento jurídico qualquer lei. As muitas formas de terceirização não devem e não podem ser encaradas como um excesso. 1995. em quase toda a sua totalidade. tolhida pela sociedade e reprimida pelos tribunais. nem com os que vislumbram procedimento desonesto quando um empregado (que conhece bem os métodos da empresa) evolui e se estabelece por conta própria – mesmo modestamente – para participar da produção autônoma. dada a peculiaridade de cada caso concreto e a falta de lei específica regulamentando o assunto. Como. norma ou preceito que disponha diretamente acerca da regulamentação de empresas prestadoras de serviços nas atividades-meio e atividades-fim da empresa. conforme já mencionado. mas tão-somente conceituada pela doutrina? Ora. seria realmente uma atividademeio?” . Juruá.

deve ser aquela que observa os preceitos legais relativos aos direitos dos trabalhadores. não podem existir elementos pertinentes à relação de emprego no trabalho terceirizado. desde que inexistentes a pessoalidade e a subordinação direta entre o trabalhador 66 Sergio Pinto MARTINS. para que a terceirização seja plenamente válida no âmbito empresarial. ilícita a mera intermediação de mão-de-obra. Mas. também.38 O que se espera como resultado do ordenamento justrabalhista é a manutenção dos direitos e garantias inerentes a categoria dos trabalhadores. Por outro lado. pois. da CLT. portanto. entendemos que não se configura como fraude à lei qualquer forma de terceirização. de tal modo a coibir as fraudes à lei através do processo terceirizante. . serviços especializados ligados a atividade-meio do tomador) não suscitará reconhecimento do vínculo de emprego. A nosso ver. que afirmamos ser necessário o estabelecimento de uma nova distinção entre terceirização lícita e ilícita. A terceirização e o Direito do Trabalho. Ed. 2. distanciando-se da existência da relação de emprego. portanto. Em contrapartida. em que serão considerados como nulos os atos praticados com o intuito de desvirtuar. deve-se atentar para a especialização e idoneidade econômica das empresas prestadoras de serviços. Passemos. São Paulo. ao estudo de cada um deles. principalmente os elementos da pessoalidade e subordinação jurídica. da Súmula n° 331 do TST. desde que a prestação de tal serviço seja feita por empresas especializadas e idôneas. mas somente aquelas que possuem como único objetivo precarizar as condições de trabalho. é bastante clara ao determinar que a terceirização das atividades ali mencionadas (serviços de vigilância. destinada a complementar o raciocínio da referida Súmula – que arrola apenas 04 (quatro) situações-tipo lícitas –. A terceirização lícita. ressalte-se: fraudes à lei (situações que colocam em risco os direitos e garantias dos trabalhadores). pois.103. É nesse sentido. Malheiros. Além disso. quando permanente e dirigida por aquele que se beneficia (tomador de serviços). impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na referida lei. a terceirização ilícita deve ser entendida como aquela que se refere a locação permanente de mão-de-obra. perfeitamente lícita à terceirização de atividades essenciais da empresa. mediante a redução dos direitos e garantias mínimas estabelecidas pela legislação trabalhistas aos trabalhadores.1 . A importância dos ditames celetistas pode ser vislumbrada pela regra contida no artigo 9°. Assim. cujas regras basilares encontram-se previstas na Consolidação das Leis do Trabalho. que pode dar ensejo a fraudes e a prejuízos em relação aos trabalhadores . 66 Por fim. conservação e limpeza. não pretendendo fraudá-los. 1995.Subordinação Jurídica e Pessoalidade no Trabalho Terceirizado A parte final do inciso III.

Isto porque. Ed. O empregador. Ensina Otávio Bueno Magano que o contrato de trabalho é o “negócio jurídico pelo qual uma pessoa física se obriga. . o que enseja a fiscalização. Nessa hipótese. a hipótese de terceirização regular. p. 68 Ibid. São Paulo. pois é somente mediante o cumprimento destas que o empregado. Ed. assim. a inerente a execução da prestação dos serviços. b) pela retribuição. que organiza e controla os fatores da produção. dada a concretização pura e evidente da relação jurídica trabalhista. São Paulo. afastando-se. Deveali. A terceirização e o direito do trabalho. não há como considerar lícito um processo terceirizante em que fica evidente a existência de uma relação jurídica trabalhista entre o tomador e o trabalhador terceirizado. 68 Essa subordinação jurídica. detém a faculdade de determinar um conteúdo concreto à atividade de seus empregados . N° 21. 67 A pessoalidade reflete na obrigação principal do empregado. onde se enquadraria a função específica e determinada da empresa tomadora de serviços? Com certeza. a prestar serviços não eventuais.39 terceirizado e o tomador de serviços. sob a direção de qualquer das últimas” . 69 Ora. com a presença de todos os elementos do contrato de trabalho. portanto. descaracterizada está a relação econômica de trabalho entre ambos. O trabalhador vincula-se ao seu empregador. na função de mero 67 Otávio Pinto e SILVA. Subordinação. em existindo tais elementos na relação entre trabalhador terceirizado e tomador de serviços. p. O empregado submete-se ao poder de direção do empregador. 19. 69 José Janguiê Bezerra DINIZ. qual seja. A subordinação e a pessoalidade são elementos que compõem as características do contrato de trabalho. conquista o mínimo de condições que possibilitam a sua sobrevivência e de toda a sua família. c) realização do trabalho em estabelecimento do empresário. de tal modo que o contrato de trabalho é executado intuitu personae. sem olhar para o resultado econômico. segundo Mario L. pode-se manifestar de diversas maneiras. a outra pessoa ou entidade. haverá relação de emprego entre eles. d) caráter pessoal da prestação de serviços” . Saraiva. Mediante uma leitura inversa. mediante remuneração. pois. Revista Jurídica Trabalho & Doutrina. sendo as mais freqüentes as seguintes: “a) jo rnada de trabalho. tem-se que uma vez configurada a pessoalidade e a subordinação direta entre tomador e empregado. 21. Dessa forma. 06. LTr. Intimamente relacionada a esta característica encontra-se a subordinação – mais precisamente a subordinação jurídica – que considera o poder de comando e de direção do empregador. p. Junho de 1999. 2004. parte hipossuficiente da relação de emprego. Autonomia e Parassubordinação nas Relações de Trabalho. o verdadeiro empregador não pode se desincumbir de suas obrigações contratuais justrabalhistas.

70 A terceirização trata-se. chamado de fornecedor ou prestador de serviços. quando a prestadora de serviços possua uma atividade empresarial própria. que empresas de mera prestação de serviços sejam constituídas. que é o próprio da atividade 70 71 Ibid.2 . para a empresa contratante. Importante. concretamente. em nome da qualidade. para possibilitar a especialização dos serviços empresariais. 72 71 Assim. 16. de técnica administrativa. N° 82. “consiste na existência de um terceiro especialista. conjuntamente com o tomador. com o intuito de. o enunciado 331. nestas hipóteses. como aponta José Janguiê Bezerra Diniz. o que tem permitido. em condições de parceria. chamada de tomadora ou cliente” . pior. sem idoneidade econômica . salta aos olhos. 72 Ibid. especializada no serviço que se propõe a prestar . como visto. a fim de se evitar a concretização fraude no processo terceirizante. não há como admitir a figura daquela empresa terceirizante que contrata mão-deobra barata e desqualificada e a oferece à empresas que estão objetivando reduzir custos. efetuar uma análise no âmbito empresarial da prestadora de serviços (principalmente no que diz respeito a sua especialização e idoneidade econômica). empresas estas sem qualquer finalidade empresarial específica e.A Falta de Especialização e Idoneidade da Empresa Prestadora de Serviços O fenômeno da terceirização. Para Souto Maior. através da demissão de seus empregados efetivos. de modo a abalar à finalidade protetiva do direito laboral. RESPONSABILIDADE DO TOMADOR DE SERVIÇOS EM DECORRÊNCIA DA TERCEIRIZAÇÃO A terceirização só se concretiza. do TST. com conseqüências desastrosas à parte hipossuficiente (trabalhador).40 empregador aparente. pois. não vincula a legalidade da terceirização a qualquer especialização. que com competência. se é verdade que o pressuposto técnico da idéia de “terceirização” é a especialização dos serviços. validamente. burlar as disposições legais. Revista Nacional de Direito do Trabalho. portanto. Doutrina. diante de um caso concreto. para atendimento desta característica de tal modelo produtivo. No entanto. é essencial que a empresa prestadora tenha uma atividade empresarial própria sendo. . A terceirização sob uma perspectiva humanista. no sentido de manter a relação de emprego entre os trabalhadores e a empresa prestadora. 2. habilidade e qualidade técnica. Jorge Luiz Souto MAIOR. presta serviços especializados ou produz bens. p. O intuito fraudulento. assumindo o risco econômico. Fevereiro de 2005.

73 Conforme observamos em capítulos anteriores. além de causar prejuízos imensuráveis ao trabalhador. através da precarização das condições de trabalho. pode acarretar uma série de responsabilidades ao tomador de serviços. isto é. Forense. pelas faltas cometidas por seus serviçais. desde que ocorridos no exercício do trabalho que lhes é cometido. como também vem prejudicando o aperfeiçoamento da administração empresarial de empreendedores sérios. implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços. mediante a idéia preconceituosa de que apenas serão tidas como lícitas às terceirizações previstas pela ultrapassada Súmula 331 do TST. empregados ou prepostos. do TST. Responsabilidade Subsidiária: Dispõe a Súmula n° 331. Ed. Vamos a elas: 1. é a que se atribui ao proprietário. Nº 82. . motivadores dos danos e prejuízos . Rio de Janeiro. por isso. uma situação excepcional e com duração determinada dentro do contexto empresarial da empresa tomadora . etc. na execução de atos ou omissões que possam causar danos a outrem. em razão de prejuízos ou danos causados a outrem. quando mal estruturado. a terceirização. 73 Jorge Luiz Souto MAIOR. Fevereiro de 2005. a ele se impõe o dever de zelar pelo cumprimento das obrigações trabalhistas dos empregados terceirizados. Revista Nacional de Direito do Trabalho. Um processo de terceirização.41 empresarial. conseqüentes da falta de vigilância ou atenção que deveria ter. 74 PLÁCIDO E SILVA. empregador. a culpa in eligendo (resultante da escolha). Vocabulário Jurídico. Como bem define Plácido e Silva. Já a culpa in vigilando (falta de vigilância) é a que se imputa à pessoa. configurando-se. de que resultaram os fatos. sob sua dependência. 234. por atos de pessoas. ou por animais de sua propriedade.. Ela advém pura e simplesmente da falta de cumprimento das obrigações trabalhistas por parte da prestadora de serviço e se fundamenta na presunção de culpa in vigilando ou in eligendo do tomador. 74 Sob esta ótica. A terceirização sob uma perspectiva humanista. que em havendo o “ inadimplemento das obrigações trabalhistas.. por parte do empregador. e a sua contratação se destine à realização de serviços especializados. quanto àquelas obrigações”. não só vem trazendo conseqüências desastrosas a classe operária. em sendo o trabalho terceirizado executado em favor do tomador. 1999. A referida responsabilidade se impõe independe do vínculo de emprego ou da contratação ilícita no processo terceirizante. p. inciso IV. serviços que não sejam indispensáveis ou permanentes no desenvolvimento da atividade produtiva da empresa contratante (tomadora). da forma como vem sendo contemplada. patrão. Doutrina.

. que podem ser violados inclusive nos casos em que a lei não obsta a intermediação de mão-de-obra. ante a falta de amparo legal para tanto. assim. Acesso em: 15 de março de 2005. Entretanto. se o principal não vier a cumprir com suas obrigações. cujos efeitos não vemos como. em que pese o posicionamento jurisprudencial sumulado e as decisões quase que unânimes de nossos tribunais. Mantém-se. A responsabilidade subsidiária do Estado pelos encargos trabalhistas decorrentes da contratação de serviços terceirizados. alguns poucos doutrinadores não admitem qualquer forma de responsabilização do tomador de serviços. sendo o fim colimado pelo aludido verbete a preservação dos créditos laborais. 331 do C. a responsabilidade subsidiária imposta à empresa tomadora dos serviços. não se é possível determinar o retorno do empregado ao status quo ante. se resguardar de problemas futuros.. (. Isto porque. Forçoso concluir. Publicação 04/07/2003). O Juiz Francisco Rodrigues de Barros. em qualquer hipótese. com bem justifica Sérgio Pinto Martins. uma vez que não pode ser devolvida a sua energia de trabalho . incidirem sobre o tomador. é prudente que o mesmo exija da prestadora de serviços os comprovantes de pagamento das parcelas trabalhistas e fiscais devidas aos empregados.42 No momento da contratação da empresa terceirizada. razão pela qual impõe-se a cobrança de débitos trabalhistas ao devedor secundário (tomador de serviços). onde consubstanciam-se as teorias da culpa in vigilando e in eligendo. 15ª Região. Relator: Vera Teresa Martins Crespo. (TRT.jus. 75 Nesse sentido. inclusive. assim.TST aplica-se. tem decidido nossos Tribunais Superiores: RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA – IMPOSIÇÃO – FATORES DETERMINANTES. . adepto a esta corrente.com. A imposição da responsabilidade subsidiária tem como premissa o disposto no artigo 186 do vigente Código Civil (anterior 159). Decisão n° 019130/2003. que o inciso IV do E. às hipóteses de terceirização lícita.) 75 Carolina Pereira MARCANTE. O inciso IV da Súmula n° 331 do TST tem como finalidade única proteger o trabalhador de eventuais problemas que o mesmo venha a ter com seu empregador (empresa prestadora de serviços). destarte. Durante a vigência do contrato. cumpre ao tomador se atentar para a idoneidade moral e econômica da contratada. assim justifica seu entendimento: “O simples fato de a empresa apresentar-se idônea no momento da contratação não obsta que ela venha a se tornar inidônea durante a execução do contrato.br. Disponível em: www. visando.

..sp. necessário seria que existisse a possibilidade de vir o tomador a controlar os empregados do prestador. . nec poena esse debet‟.. Ademais.br.) Comenta-se muito acerca da culpa „in eligendo‟ ou „in vigilando‟.. já foi recusada. Disponível em: www.” 76 Nesse sentido. VINCULAÇÃO E RESPONSABILIDADE DO DONO DA OBRA. pois.) Destarte. Nesta razão se assenta o brocardo jurídico: „culpas non potest imputari ei. etc.. não deve haver pena. mesmo diante da inexistência de previsão legal criando para o tomador a obrigação de acompanhar a regularidade do vínculo mantido entre a tomadora e seus empregados ou qualquer outra relação jurídica. a quod facere no tenebatur‟. também. qui non facit. pois não era obrigação do tomador cumprir com os encargos trabalhistas decorrentes dos vínculos mantidos entre a prestadora e os seus empregados. Empreitada de mão de obra. É bem verdade que ele precisa de emprego. no momento da contratação a tomadora era pessoa adimplente com suas obrigações.. Acesso em: 10 de março de 2004. já que dizia a velha máxima de onde se extrai a lição de que onde não existe culpa. Não se pode falar que a tomadora tivesse eleito mal a prestadora. já que o reclamante não era seu empregado e não tinha com o mesmo qualquer relação de subordinação. controles de horários e demais condições de trabalho. de modo a atrair a culpa „in eligendo‟. (. inclusive quanto à prova dos recolhimentos de encargos. a responsabilidade solidária. ao contrário. com idêntico risco. encontramos a seguinte decisão: CONTRATO DE TRABALHO. não tem como contestar as alegações fáticas.. (.. a culpa „in vigilando‟ não pode afigurar -se presente. já que esta decorre da falta dos devidos cuidados em relação ao comportamento de outra pessoa. ou negligenciado na escolha. há que se convir que o reclamante também o teria feito. escalas. até que se prove ao contrário. da análise dos fatos e do seu enquadramento legal. Contratos de prestação de serviços.) Também. E na presente hipótese não existe culpa.oas. como também o tomador precisa de alguém para executar aquelas atividades. o que não é viável. mesmo quando denominada de contrato de 76 Francisco Rodrigues de BARROS. Somente quem conhece os fatos que nortearam a relação jurídica empregatícia é o verdadeiro empregador. não se pode imputar culpa a quem não fez o que não era de sua obrigação. indicado como responsável subsidiário. Não há responsabilidade subsidiária do dono da obra se.org. inclusive fixando os horários de trabalho. por cujo ilícito deve responder. para que se pudesse falar em culpa „in vigilando‟. Eventuais descumprimentos de obrigações do verdadeiro empregador não foram por culpa do tomador e „culpa ubi non est. ou seja. recibos de pagamentos. ao escolher seu empregador. (.43 Há de salientar que o tomador. sem gerar recurso. Responsabilidade subsidiária. Impossibilidade..

todavia. cabendo. Processo n° RO – V – 452/96.” Ora. A responsabilização subsidiária do tomador de serviços no processo terceirizante pelo inadimplemento das obrigações trabalhistas. 186 e 187). negligência ou imprudência. mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público”. causar dano a outrem. 77 “Aquele que. mas que se origina de um contrato pactuado na esfera cível. Dispõe o artigo 455 da CLT: “Nos contratos de subempreitada responderá o subempreiteiro pelas obrigações derivadas do contrato de trabalho que celebrar. Relator: Roberto João Motta. perfeitamente aplicáveis tais conceitos na esfera trabalhista.08. por analogia. . Por fim. 79 “As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho. tem-se a possibilidade de aplicação de fundamentos desse ramo jurídico para configurar a responsabilidade do tomador. comete ato ilícito”. violar direito e causar dano a outrem. decidirão. pois retrata de uma relação jurídica não propriamente trabalhista. (TRT. principalmente do direito do trabalho. 12ª Região. que prevê a responsabilidade do empreiteiro. conforme o caso. por equidade e outros princípios e normas gerais do direito. Todavia. advém da aplicação analógica do artigo 455 da CLT. insta ressaltar que.44 prestação de serviços por terceiros (pois o nomem juris diverso não altera a definição legal) não se confunde com a contratação por interposta pessoa. fica obrigado a repará -lo”. cumpre mencionar que o tomador somente responderá subsidiariamente pelo inadimplemento das obrigações trabalhistas se figurar no pólo passivo da presente Reclamação. se a responsabilidade constante do dispositivo citado possui natureza civil. Trata-se das responsabilidades pautadas na culpa “in eligendo” ou “in vigilando” tratadas pelos artigos 186 77 78 e 927 do Código Civil. 78 “Aquele que por ato ilícito (art. o direito comparado. Nesta seara. aos empregados. cremos que razão assite ao posicionamento defendido pela maioria dos doutrinadores e juristas. pela jurisprudência. de acordo com os usos e costumes. o direito de reclamação contra o empreiteiro principal pelo inadimplemento daquelas obrigações por parte do primeiro. em consonância com o que dispõe o artigo 8° 79 da CLT. na falta de disposições legais ou contratuai s.1997). uma vez que não pode ser considerada parte no processo de execução quem não foi parte na fase de conhecimento. ainda que exclusivamente moral. a responsabilização subsidiária do tomador de serviços possui sim amparo legal condizente com a figura jurídica. Ao contrário do que afirmam essa minoria. e. Publicação em 04. em caso de inadimplência das obrigações trabalhistas do subempreiteiro para com seus empregados. ainda. por ação ou omissão voluntária.

. Reconhecimento do Vínculo de Emprego: Em consonância com o que dispõe o inciso I e III. LTr. d) uma empresa contrata um serviço de outra. mesmo diante das situações-tipo autorizadas pelo verbete jurisprudencial para o processo terceirizante. Além dessas hipóteses. A mera intermediação de mão-de-obra é ilegal e. de forma econômica e administrativa” . inciso IV. com ampla interferência no curso da execução da obra. da CF). com amplo poder de mando e comando sobre aqueles. 2003. da Súmula 331 do TST. “a) uma empresa cria outra que irá absorver o seu setor de manutenção. c) uma empresa ajusta um serviço com uma prestadora. p. sem ampla e total autonomia da prestadora. cujo objeto social não guarda harmonia com a prestação do serviço ou com a execução da obra. e os empregados da prestadora ficam à inteira disposição da tomadora. serviços de vigilância. Diferentemente da responsabilidade subsidiária. por conseqüência. não assume os risco da atividade e não aufere os lucros do empreendimento econômico.019/74) e quando a empresa cliente configura-se como um órgão da administração pública direta. Paradoxo do direito do trabalho contemporâneo. Terceirização. Várias são as práticas ilícitas de terceirização. 80 80 Gabriela Neves DELGADO. que não direciona o trabalho. que irá lhe prestar serviços com exclusividade. Ed. que ocorre nas hipóteses de terceirização lícita. também haverá reconhecimento do vínculo de emprego quando ficar caracterizada a subordinação jurídica e a pessoalidade entre os trabalhadores e o tomador de serviço. São Paulo. salvo nos casos de trabalho temporário (artigo 2° da Lei 6. b) uma empresa que contrata o serviço de outra. II. 3. indireta ou fundacional (artigo 37.45 A própria Súmula n° 331. de conservação e limpeza. como: serviços especializados ligados a atividade-meio do tomador. tem-se que o reconhecimento do vínculo de emprego ocorre diante da configuração das situações de terceirização ilícita. diante do inadimplemento das obrigações trabalhistas por parte da empresa prestadora de serviços. porém. enfim. 148. forma vínculo diretamente com o tomador de serviços. que direciona o trabalho realizado. parte final é expressa ao determinar que a responsabilidade subsidiária somente recairá sobre o tomador dos serviços “ desde que hajam participado da relação processual e constem do título executivo judicial ”.

cada credor terá direito à totalidade da prestação. 3º da CLT. A fundamentação para a responsabilidade solidária do tomador de serviços num processo de terceirização lícito. Relator: ARNOR LIMA NETO. que é hipossuficiente e tem sua remuneração como de natureza alimentar. como se fosse o único devedor . tem decidido nossos tribunais: TRT-PR-05-11-2004. por conseqüência. (TRT. é aquela que ocorre quando cada um dos devedores for responsável pelo pagamento de toda a dívida. advém da questão social em relação ao trabalhador. Responsabilidade Solidária: Como salienta Maria Helena Diniz. 9ª região. Essa espécie de responsabilidade tem ganhando força entre alguns doutrinadores. 151. Curso de Direito Civil Brasileiro. havendo multiplicidade de credores ou de devedores. mas sim de intermediação ilícita de mão-de-obra. p. . Ed. ou de uns e outros. para que as decisões na esfera trabalhista não fiquem sem a devida e 81 Maria Helena DINIZ. 2000. nas mesmas condições do contrato de trabalho anterior. INTERMEDIAÇÃO ILEGAL DE MÃO-DE-OBRA. II. São Paulo. Nesse sentido. como se fosse o único credor. que se manifestam contrariamente à responsabilidade subsidiária prevista no inciso IV. PR-00576-2003-072-09-00-2ACO-25228-2004. não se enquadra na hipótese de terceirização de serviços. ou seja. Saraiva. Vol. Empregado que após quase oito anos de vínculo empregatício com a empresa é imediatamente contratado por empresa interposta. configura a chamada solidariedade passiva. deve-se levar em conta a efetividade do exercício jurisdicional. deverá o Juiz do Trabalho declarar a inexistência do vínculo de emprego entre o trabalhador e a empresa prestadora de serviços e. A hipótese é de vínculo direto entre o obreiro e o tomador dos serviços. continuando a prestar as mesmas funções. na forma do art. reconhecer a existência de vínculo empregatício entre aquele trabalhador e a empresa tomadora dos serviços.46 Uma vez configurada a terceirização ilícita. VÍNCULO EMPREGATÍCIO COM O TOMADOR DOS SERVIÇOS. Ademais. em que ocorre o inadimplemento de obrigações trabalhistas por parte do empregador. ligadas à atividade fim da tomadora. da Súmula n° 331 do TST (para os casos de terceirização lícita) ou ao reconhecimento de vínculo de emprego com o tomador disposto nos incisos I e III do mesmo verbete jurisprudencial (para os casos de terceirização ilícita). 81 A solidariedade passiva. a segunda. nas próprias instalações desta e subordinando-se aos seus empregados. ou cada devedor estará obrigado pelo débito todo. a obrigação solidária é aquela em que. Publicado no DJPR em 05-11-2004) 3. que no momento nos interessa. A primeira hipótese configura a chamada solidariedade ativa.

A responsabilidade subsidiária do Estado pelos encargos Trabalhistas decorrentes da contratação de serviços terceirizados.br. Terceirização. captação e agendamento de visitas. Ou decorre da lei ou da vontade das partes.com. de tratar-se à atividade-fim ou não. a responsabilidade em uma terceirização considerada válida. sobretudo em se tratando de atividades de suporte à gerência. a partir do momento que contratou empresa inidônea e/ou não a fiscalizou no tocante ao cumprimento de suas obrigações trabalhistas. por sua omissão.47 necessária execução e satisfação diante da competência dos contratados.jus. 151. Disponível em: www. 82 Autores como Jorge Luiz Souto Maior defendem esta corrente doutrinária. LTr. Decisão 021334/2005.2005). 2003. 942 do CC/02. Os mesmos fundamentos jurídicos encontrados nos artigos 186 e 927 do Código Civil para a caracterização da responsabilidade subsidiária. Nesse sentido.05. Entretanto. portanto. entendem que esta somente ocorrerá nas hipóteses de terceirização ilícita. dos intermediadores. também aplicável. É que o ato ilícito praticado pela empresa terceirizante conjuntamente com a tomadora de serviços não pode lhe gerar apenas vantagens. Juiz: Edison dos Santos Pelegrini. do art. TERCEIRIZAÇÃO ILÍCITA. causou prejuízo ao trabalhador. Não há no ordenamento justrabalhista qualquer disposição legal ou mesmo jurisprudencial prevendo a referida hipótese para o processo terceirizante. até. é aqui. ensejando a responsabilidade solidária dos co-autores envolvidos na prática de atos ilícitos trabalhistas. abertura de contas. Segundo Gabriela Delgado. p. sob pena de enriquecer sem causa . Paradoxo do direito do trabalho contemporâneo. 83 Gabriela Neves DELGADO. SERVIÇO DE ATENDIMENTO A CLIENTE. Pertence a categoria bancária pessoa contratada por empresa interposta para execução de serviços relacionados diretamente com o atendimento pessoal de clientes na agência. Portanto. 15ª Região. citamos algumas decisões: BANCÁRIO. ainda que indiretamente. a não ser a regra 82 Carolina Pereira MARCANTE. incorreu na culpa “ in eligendo” e/ou na culpa “in vigilando”. Sentença mantida. caso reconhecido o vínculo empregatício com a tomadora de serviços. . pois de uma forma ou de outra as empresas contratantes utilizam o trabalho prestado pelo empregado. não haver responsabilidade da empresa terceirizante. entende a autora não ser esta a devida interpretação para a norma. Ed. Acesso em: 15 de março de 2005. a responsabilidade solidária é uma figura jurídica que não se presume. São Paulo. O beneficiário da terceirização não pode estar alheio ao prejuízo do trabalhador. Contudo. de constituir-se em terceirização legal ou ilegal. É ilícita a terceirização efetivada. ser responsabilizado por tais atos. independentemente. o texto do enunciado 331 do TST pode parecer sugerir. que defendem a responsabilidade solidária do tomador. Para ele. Publicação em 13. em que a reclamante desempenha tarefas afetas ao contato pessoal com os clientes. Outra parte de estudiosos. a teor do § único. 83 A responsabilidade solidária perquirida por tais doutrinadores possui pertinência no processo terceirizante. sem contrapartida da responsabilidade . devendo. O tomador de serviços. deve ser sempre solidária. (TRT.

embora. cumpre-nos citar o que dispõe o mencionado dispositivo de Lei: “No caso de falência da empresa de trabalho temporário. constituindo grupo industrial. não há o que se falar em reconhecimento de vinculo de emprego entre o trabalhador terceirizado e a Administração Pública. § 2° .” Dessa forma. a solidariedade. ao determinar que: “A solidariedade não se presume. Apenas a título de elucidação. em que pese os argumentos favoráveis a responsabilidade solidária do tomador de serviços. Pois bem. no tocante ao tempo em que o trabalhador esteve sob suas ordens. entendemos que. ante a falta de fundamento legal para tanto. somente ocorrerá na hipótese contida no artigo 16 da Lei 6. resulta da lei ou da vontade das partes. tendo. tendo em vista o princípio da supremacia dos interesses públicos sobre os particulares. na hipótese da empresa terceirizando e tomadora de serviços pertencerem ao mesmo grupo econômico (artigo 2°. ou diante da existência de cláusula no contrato entre as partes (manifestação de vontade das partes). serão.019/74 (solidariedade da empresa cliente na hipótese de falência da empresa de trabalho temporário). A nosso ver. não é possível. para os efeitos da relação de emprego. personalidade juríd ica própria. da CLT). no âmbito justrabalhista.019/74. a empresa tomadora ou cliente é solidariamente responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias. O artigo 265 do Código Civil é bastante claro. solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas”. Responsabilidade da Administração Pública: A terceirização no serviço público possui um tratamento diferenciado das formas de terceirização no setor privado. Entretanto. pela remuneração e indenização prevista em Lei. estiverem sob a direção. 84 4.” A regra contida no artigo 16 da lei 6.019/74 é expressa ao determinar a responsabilidade solidária do tomador de serviços pelas verbas trabalhistas e previdenciárias. controle ou administração de outra. no momento. 84 “Sempre que uma ou mais empresas. limita-se a ocorrência de casos de falência da empresa de trabalho temporário. . comercial ou de qualquer outra atividade econômica. assim como em referencia ao mesmo período. Em se tratando das hipóteses de terceirização ilícita. cada uma delas.48 do artigo 16 da Lei 6.

a questão se apresenta bastante nebulosa. inclusive perante o registro de imóveis .666/93. que dentre outras prerrogativas. LTr. exclusivamente ele. pode ser aplicada para as hipóteses de terceirização de serviços? O inciso IV. através de empresa interposta. Curso de direito do trabalho. . da Constituição Federal)” Como bem salienta Maurício Godinho Delgado. São Paulo. 458. no Direito do Trabalho. da Súmula 331 do TST. II. apresenta-se contrário à lei ou a lei é que se apresenta contrária ao restante do ordenamento jurídico? 85 Maurício Godinho DELGADO. da Lei 8. § 1°. Qual seria. nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações. estabelece normas a serem observadas sobre o procedimento de Licitações e Contratos na Administração Pública: “O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas. no caso de terceirização lícita? Vige a regra contida no inciso IV da Súmula 331 do TST? A regra geral. portanto. a Súmula 331 em análise reporta-se aos entes estatais apenas para conferir a eficácia à vedação constitucional de não estabelecimento de relação empregatícia (ou administrativa) de trabalhador com o Estado sem a observância do requisito formal do concurso público . é de que o empregador. 37. 85 Pois bem. fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento. da Constituição Federal. direta. da Súmula 331 do TST: “II – A contratação irregular de trabalhador. Nesse sentido.49 face o que estabelece o artigo 37. previdenciários. que prevê a responsabilidade subsidiária em caso de inadimplemento das verbas trabalhistas por parte do empregador. aplicável também à Administração Pública. § 1°: A inadimplência do contratado com referência aos encargos trabalhistas. fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. Entretanto. 2004. deverá responder pelos débitos trabalhistas com relação aos seus empregados.” A referida norma legal. quando esse empregador é a Administração Pública. não gera vínculo de emprego com os órgãos da Administração Pública. inciso II. O problema surge com a redação do artigo 71. a responsabilidade do Estado frente a hipótese de terceirização ilícita? E. p. estabeleceu o inciso II. indireta ou fundacional (art. Ed.

caput) e bem 86 Carolina Pereira MARCANTE. da CF. (TRT.com. citamos o seguinte julgado: PETROBRÁS. impõe-se. 9ª turma. RESPONSABILIDADE TRABALHISTA SUBSIDIÁRIA. Relator: LUIZ EDUARDO GUNTHER. através de outra empresa. Acesso em: 15 de março de 2005. ATO ILÍCITO. conforme já estudado no início deste capítulo. assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. com fundamento na Súmula 331. § 6° . da lei 8. O Órgão da Administração Pública. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E A RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. seus defensores sustentam a inconstitucionalidade da norma contida no artigo 71. com base no artigo 37. 86 identifica 02 (duas) correntes inerentes a possibilidade ou não A primeira.666/93. que exige contratação somente mediante concurso.na esfera da administração pública. nessa qualidade. Disponível em: www. da CF. que determina a responsabilidade objetiva do Estado por danos causados por seus agentes a terceiros.” . 71 DA LEI 8. responde. do TST. 87 “As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes. Processo n°20000058372/2000. 87 INAPLICABILIDADE DO ART. 2ª Região. Em se tratando de concorrência a ilicitude. (TRT. inciso IV. causarem a terceiros.br. vislumbrandose a clara intenção de se burlar o art.50 Carolina Pereira Marcante da responsabilização estatal. Publicação: 29/05/2001). de afastar a responsabilidade do tomador dos serviços. haja vista ter sido o trabalho do empregado revertido em seu proveito. PR-17596-2002-006-09-00-6-ACO-218442004. Nesse sentido. em face da ocorrência de sua culpa "in ilegendo" e "in vigilando" (Artigo 159.666/93. Publicado no DJPR em 01-10-2004). 37. 942 do novo Código Civil). não se cogita de subsidiariedade (art. A responsabilidade subsidiária do Estado pelos encargos trabalhistas decorrentes da contratação de serviços terceirizados. pelos encargos trabalhistas do empregado de empreiteira financeiramente inidônea. Seus defensores subdividem-se em 02 (duas) outras correntes: aqueles que propugnam pela responsabilidade subsidiária (a maioria dos autores) e aqueles que defendem a responsabilidade solidária. 37.A ocorrência do processo licitatório exigido por lei não tem o condão. direta ou indireta. § 1°. Além disso. do Código Civil). com argumentações favoráveis à responsabilização estatal. no caso a responsabilidade solidária das demandadas. subsidiariamente. por si só. Incontroversa a prestação de serviços a pessoa jurídica de direito público.Em face dos incontornáveis princípios constitucionais da legalidade e da moralidade (CF. 9ª Região. art. Os fundamentos para essa primeira corrente advêm dos conceitos de culpa “ in eligendo” (má escolha da prestadora de serviços) e/ou culpa “ in vigilando” (má fiscalização sobre os atos praticados pela prestadora de serviços). Relator: LAURA ROSSI. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. II.jus.

da Carta Magna e do padrão interpretativo consubstanciado no Enunciado 331. não há como agasalhar confortável alheamento do administrador diante do inadimplemento das obrigações trabalhistas por parte de empresas inidôneas junto às quais a empresa pública. quando este é entidade pública. Publicação em 10/12/2004). o não pagamento das obrigações trabalhistas. solidificada em argumentações desfavoráveis à responsabilização estatal. ressaltar que o interesse público deve prevalecer sobre o interesse individual . daqueles sobre os quais fundamenta-se a República e que velam pela dignidade da pessoa humana (CF. II. §1º.666/93. vez que não se amolda aos textos constitucionais referidos. Disponível em: www. Ora. AUTARQUIA.51 assim. da atual carta política. não implica na responsabilidade subsidiária do tomador de serviço. XXI. IV. inciso III) e os valores sociais do trabalho (CF. § 1°. qualquer espécie de indenização deve ser alcançada junto à empresa fornecedora de mão-de-obra ou do serviço. devendo-se. com aplicação do art.a responsabilidade trabalhista subsidiária da PETROBRÁS. 173. não sendo possível o reconhecimento do vínculo de emprego. 4ª Turma.666/93. Recursos providos . não há como se reconhecer o direito de pleitear verbas trabalhistas correspondentes. inc. Lei 8. André Wilson Avellar Aquino se manifesta da seguinte maneira: “Quanto à responsabilidade pelas parcelas decorrentes do trabalho realizado. 2ª Região.br. da lei 8. Processo n°02553-2003-201-02-00-0. sem maiores cuidados. IV). fundamenta seu posicionamento na absoluta falta de vínculo de emprego entre o tomador de serviços e o empregador da firma terceirizada. in casu. . Verificada esta situação.com.jus. do C. Além disso. (TRT. Acesso em: 15 de março de 2005. por empresa fornecedora de mão-de-obra. em seu art. proveu-se de mão-de-obra. tenho que. 71. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. decorrente da culpa in eligendo. A responsabilidade subsidiária do Estado pelos encargos trabalhistas decorrentes da contratação de serviços terceirizados. mais uma vez. parágrafo 1° e art. 37. da administração direta ou indireta. Relator: RICARDO ARTUR COSTA E TRIGUEIROS. isto em relação à Administração Pública. declarando-se.TST. não incide a regra do artigo 71. artigo 1º. justifica-se pela leitura literal do artigo 71. cumpre-nos citar o seguinte julgado: TERCEIRIZAÇÃO. tomadora dos serviços. Considerando-se que a administração pública fulcra-se no princípio da legalidade. A segunda corrente. Ao estado não pode resultar essa responsabilidade do mau administrador.” Nesse sentido. artigo 1º.666/93. por força do que dispõe a Lei 8. 88 88 Carolina Pereira MARCANTE.

que é o da dignidade humana. Ed. é questão. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. Recorrente: Petróleo Brasileiro S/A – Petrobás. ainda que através de outro empregador. Processo n° 10792-2002-902-02-00-6. como visto. II. da regra da responsabilidade objetiva do Estado. simplesmente de justiça e. “mesmo que se entenda não caber a incidênc ia. 1ª Turma.666/93 – seria o mesmo que incentivar a fraude no processo terceirizante e deflagrar o princípio de proteção ao trabalhador.52 Pois bem. atendendo. impede a exploração do trabalho humano. da Constituição Federal. aprofundou a responsabilidade dos entes estatais)” . como também uma decorrência da abrangente função social da empresa. 89 Ora. ao elevado princípio. Entretanto. Curso de direito do trabalho. § 1°.2002). pela regra constante do artigo 37. no presente caso. . E. 2ª Região. Entretanto.Escolher bem e fiscalizar a satisfação dessas obrigações das empresas contratadas não só é uma exigência ética. TERCEIRIZAÇÃO. Deixar de responsabilizar o Estado com base em um privilégio manifestamente inconstitucional – artigo 71. quer em face de sua responsabilidade objetiva quer em face de sua responsabilidade subjetiva. da Lei 8. mais que isso. responderá o Estado pelos valores resultantes de tais débitos. que em regra ou desaparece ou não tem como satisfazer as obrigações trabalhistas. como ressalta Godinho. na terceirização de serviços que poderiam ser executados com mão-de-obra própria. 459. São Paulo. 2004. Não se pode olvidar da questão social. havendo inadimplemento de verbas trabalhistas e fiscais por parte do empregador. A terceirização não permite que a contratante lave as mãos diante da angústia daqueles que trabalharam em prol dos seus interesses. LTr. Relator: Eduardo de Azevedo Silva. as posições doutrinárias e as decisões judiciais são as mais diversas possíveis. A responsabilidade da empresa contratante. não se pode negar a validade da incidência da responsabilidade subjetiva da entidade estatal terceirizante (responsabilidade própria a qualquer pessoa jurídica e que não foi excluída do estado pela Carta Magna – ao contrário. portanto. p. não há o que se falar em reconhecimento de vínculo de emprego entre a entidade estatal e o trabalhador terceirizado. seja diante da hipótese de terceirização ilícita ou terceirização lícita. universal e constitucional. (TRT.08. a Constituição. 89 Maurício Godinho DELGADO. 20. entendemos que os argumentos favoráveis a responsabilização estatal são aqueles que melhor atendem aos anseios da Carta Magna. Conforme pode ser observado.

Nesta seara.53 VANTAGENS E DESVANTAGENS DA TERCEIRIZAÇÃO A terceirização. Flexibilização esta. a terceirização traz uma série de mudanças. que empregam milhares de pais de família. Como conciliar Desenvolvimento Econômico e Direito do Trabalho dentro de um país subdesenvolvido. Geralmente. que pode ser classificada sob diversos aspectos: flexibilidade da remuneração. A terceirização e o direito do trabalho. o processo de desconcentração produtiva torna-se um tanto espinhoso. as vantagens e desvantagens da terceirização. 91 Marcelo Augusto Souto de OLIVEIRA. para os contratos de trabalho. Acesso em: 17 de março de 2005. a dinamização da produção necessita ser implementada.aceleração na capacidade de produção da empresa sem a necessidade de novos investimentos de capitais . São Paulo. 90 91 José Janguiê Bezerra DINIZ. passemos ao seu estudo: 1. o processo terceirizante implica em inúmeras vantagens e desvantagens. 90 Como se pode notar. Portanto. . flexibilização da força de trabalho. reformular suas relações de produção a fim de superar os efeitos advindos da chamada “globalização”.ibcbrasil. com o fechamento em massa de grandes empresas e indústrias nacionais. Revista Jurídica Trabalho & Doutrina. conforme já relatado. N° 21. e flexibilidade em relação à estabilidade no tempo de duração do contrato de trabalho . sob pena de se instalar o caos econômico-social. Segundo Cássio Mesquita de Barros. a longa listagem dos malefícios incidirão sobre os trabalhadores. parte hipossuficiente da relação empregatícia. dependendo sob qual aspecto se analisa o fenômeno. de modo geral. que consiste na possibilidade de oferecer mecanismos jurídicos que permitam a empresa ajuste a sua produção. dada a flexibilidade do Direito do Trabalho frente a terceirização. tem-se a necessidade de conhecer. Saraiva. Enquanto fenômeno econômico. consiste na saída encontrada pelos empresários para. Ed. Vantagens da Terceirização: Sob o aspecto administrativo.com. identificam as seguintes vantagens para a utilização do processo de terceirização: . de maneira menos dispendiosa. seja em maior ou menor grau. primeiramente. para acompanhar os avanços tecnológicos e vencer a competição no mercado de trabalho. Terceirização: avanço ou retrocesso? Disponível em: www. Junho de 1999. Entretanto. os doutrinadores. mas que possui uma rígida legislação trabalhista de proteção a parte hipossuficiente? Para encontrar a solução para o problema exposto. 15/16. emprego e condições de trabalho às flutuações rápidas e contínuas do sistema econômico. a principal destas alterações é a flexibilização do Direito do Trabalho.br. p.

p. Acesso em 17 de março de 2005. 93 . e estava sujeito a ordens de serviço.). dada a redução interna de funcionários . com a concentração na atividade-fim da empresa . 1995. uma vez que a relação jurídicotrabalhista será firmada não entre a empresa tomadora e o trabalhador. mas entre este e a empresa terceirizada . nem país em que. 97 Astried Brettas GRUNWALD. além de economia em escala .jus. p. em virtude da diminuição de aglomeração de pessoas num mesmo local.jus. faxineiro.br. 36. São Paulo. reduzindo acidentes de trabalho e. São Paulo. 98 Sob o ponto de vista social. 97 . 95 .melhoria nas condições de segurança e saúde. para o trabalhador é possível apontar as seguintes vantagens implementação do sonho de adquirir e trabalhar no seu próprio negócio. Malheiros. Acesso em 17 de março de 2005. deixando de ser empregado para ser patrão.br. com a redução. maior motivação para produzir. 35. Ed. segundo estatísticas confiáveis. Acesso em: 17 de março de 2005.desburocratização da estrutura organizacional da empresa.diminuição dos riscos financeiros.melhoramento na qualidade do produto ou serviço vendido.racionalização da produção. Terceirização: avanço ou retrocesso? Disponível em: www. 96 Ibid. Disponível em: www. 95 Sérgio Pinto MARTINS. qual seja. Ed. transformando também os custos fixos em variáveis e aumentando os lucros da empresa. A Terceirização e o direito do trabalho. A Terceirização e o direito do trabalho. p. 94 . São Paulo. a terceirização se apresenta como meio de incremento de emprego. 35. Terceirização: a flexibilidade em prol do desenvolvimento jurídico-social. inclusive. quando se utiliza mão-de-obra desqualificada e ociosa para a prestação de certos serviços (vigia. identifica-se uma única vantagem. A Terceirização e o direito do trabalho. . 94 Astried Brettas GRUNWALD. que não tinha quando era empregado. por conseqüência.com. Malheiros. Ibid. Ed. 1995.54 . etc. através da concentração de recursos e esforços por parte da empresa na sua própria área produtiva . 96 . gerando eficácia e eficiência nas ações desta. pois o negócio é 99 92 93 Sérgio Pinto MARTINS. trazendo um mecanismo de proteção ao próprio trabalhador . de perdas no processo produtivo e diminuição em setores completamente ociosos .com. p. Terceirização: a flexibilidade em prol do desenvolvimento jurídico-social.com. Disponível em: www.diminuição nos encargos trabalhistas e previdenciários. com redução dos custos fixos. 36.facilitação na administração e gerenciamento da empresa. 99 Marcelo Augusto Souto de OLIVEIRA.br. Malheiros. Segundo Sérgio Pinto Martins. independência na prestação dos serviços. 1995. 92 . 98 Sérgio Pinto MARTINS.ibcbrasil. o número de trabalhadores desempregados ultrapassa os sete milhões .

insegurança no emprego. Revista Jurídica Trabalho & Doutrina. de produzir alguma coisa por sua própria conta 100 . redução nos custos. acarretaria o fechamento de tais estabelecimentos. . principalmente aos trabalhadores. com a eliminação de benefícios sociais diretos (decorrentes do contrato de trabalho) e indiretos (decorrentes de normas coletivas). refletem a nova forma de gerenciamento (desconcentrado) praticada pelas empresas como alternativa para a tentativa de superação da crise econômica instalada no país.precarização das condições de trabalho. sob o aspecto social. . 102 Carolina Pereira MARCANTE.55 seu. 36. do processo de desconcentração produtiva.com. Saraiva.jus. Junho de 1999. . os traba lhadores se submetem a prestar seus serviços sob pagamentos salariais aquém da média destinada a sanar suas necessidades mínimas vitais. destinado a reorganização da estrutura empresarial.redução salarial.aviltamento das relações trabalhistas. A Terceirização e o direito do trabalho. pois os empregados terceirizados perdem as possibilidades de acesso à carreira e ao salário da categoria. A terceirização e o direito do trabalho. Disponível em: www. aumento da produtividade e lucro. que advém do próprio conceito de terceirização beneficiam tão-somente os empresários. Em síntese. p. . desenvolve no trabalhador o seu lado empreendedor. vantagens como: especialização nos serviços. pouco a pouco. a maior parte das vantagens apresentadas. Ed. diminuição de funcionários. que. Dentre tais desvantagens. situação que se agrava quando os trabalhadores exercem suas atividades nas mesmas condições e ao lado de empregados do quadro 102 . Dessa forma. aponta-se: . tendo em vista a competitividade do mercado. São Paulo.br. 1995. isto porque o processo terceirizante trata-se de um fenômeno econômico. p. 2. São Paulo. dada a ocorrência da ampliação da rotatividade de mão-deobra 101 . Em virtude da chamada “Lei da Oferta e da Procura”. Ed. 100 101 Sérgio Pinto MARTINS. melhoria na qualidade do produto. José Janguiê Bezerra DINIZ. A responsabilidade subsidiária do Estado pelos encargos trabalhistas decorrentes da contratação de serviços terceirizados. Desvantagens da Terceirização: São inúmeras as desvantagens. Malheiros. 17. N° 21. Acesso em: 24 de janeiro de 2005.

Ed. A terceirização e o direito do trabalho. . 37.56 . com perda de sua identidade e.dependência total da empresa prestadora de serviços para o desenvolvimento de certas atividades.br.possibilidade de queda da qualidade dos serviços que ficam a cargo da empresa terceirizada 107 . ou. Disponível em: www. dada a dificuldade de . São Paulo. 17. N° 21. p.tendência de individualização das profissionais .gera o paradoxo de existir dois patrões a comandar o processo. com alta qualidade. a necessidade de proteção dos direitos de uma classe considerada hipossuficiente. as desvantagens que a utilização do processo terceirizante são incontáveis. Revista Jurídica Trabalho & Doutrina. 1995. Pois bem. p. sem margem de dúvida. Saraiva. . Ed. São Paulo. do poder organizativo dos trabalhadores.fragmentação da classe trabalhadora. 106 Ibid. Junho de 1999. São Paulo.permite a degradação do ambiente de trabalho e das condições de segurança e higiene. Ed. Acarretam. Em síntese. de inexistir patrão definido 105 . Saraiva. as empresas utilizam a terceirização como meio para o achatamento de salários e demais direitos dos trabalhadores. Entretanto. algumas desvantagens também poderá ocorrer para a empresa contratante. 106 .jus. 107 Carolina Pereira MARCANTE. em certos casos. N° 21.com. já que as subcontratadas geralmente não têm a estrutura das empresas contratantes 104 103 . A Terceirização e o direito do trabalho. A responsabilidade subsidiária do Estado pelos encargos trabalhistas decorrentes da contratação de serviços terceirizados. Revista Jurídica Trabalho & Doutrina. estes empreendedores não se atentam para o fato de que somente a camada da população com poder aquisitivo é que poderá consumir os produtos ali fabricados. encontra-se a necessidade de desenvolvimento econômico do país. A terceirização e o direito do trabalho. malefícios enormes ao trabalhador terceirizado. Acesso em: 24 de janeiro de 2005. 104 Sérgio Pinto MARTINS. conseqüentemente. de outro. justificada está a enorme polêmica e discussão que engloba o referido tema: de um lado. tais como: . p. Sob o ponto de vista administrativo. Dado o rol de vantagens e desvantagens advindas de um processo de desconcentração produtiva. . Sob a prerrogativa de redução de custos. . Junho de 1999.enfraquecimento dos sindicatos e desestruturação da categoria filiação da categoria subcontratada. 105 José Janguiê Bezerra DINIZ. . Malheiros. 17. 103 José Janguiê Bezerra DINIZ.

Terceirização: avanço ou retrocesso? Disponível em: www. culturais que fundamentam nosso ordenamento. tornamo-nos vulneráveis às oscilações e às crises políticas e econômicas dos países importadores” (Os empresários e a terceirização. p. amplia a concentração de renda e leva nosso País. 76) 108 . necessita ser controlado. . faz-se necessário repensar os mecanismos legais e.ibcbrasil. Palestra proferida no Seminário p romovido pelo Instituto Brasileiro de Direito Social. marginalizando-os do poder de consumo. até mesmo. cumpre-nos citar a constatação Roberto Ferraiuolo: “a política de aumentar seus lucros à custa do sacrifício dos trabalhadores. LTR. Acesso em: 17 de março de 2005. entretanto. Para que a terceirização se configure como o cenário do futuro. naturalmente.br. São Paulo.com. posto que. pela falta de mercado interno. O processo terceirizante é instrumento hábil para o crescimento e desenvolvimento da economia. reduzindo o seu poder de compra. de forma a obedecer aos ditames legais. de modo a não se instalar no ordenamento jurídico como forma de precarização dos direitos trabalhistas conquistados. Ed. 108 Marcelo Augusto Souto de OLIVEIRA. 1993.57 Neste ponto. a uma total dependência econômica internacional. colaborando para o desenvolvimento econômico-social do País.

É preciso. a jurisprudência deve adotar e combinar trilhas para percorrer o caminho de adequação jurídica da terceirização ao Direito do Trabalho: 1. a introdução da terceirização na normativa jurídica trabalhista gerou um fosso entre os princípios cardeais do Direito Constitucional. Ed. seja no âmbito econômico ou social.. Utilizá-la para pagar salários menores que os observados pela tomadora 109 Gabriela Neves DELGADO. p. desde a data de sua primeira ocorrência no País trouxe uma série de modificações. há quase duas décadas nossos legisladores se mantêm inertes ao fenômeno. p. Entende Delgado que o critério isonômico deve ser estendido para além das hipóteses de trabalho temporário. implicar em desigualdade social. 462. 110 Maurício Godinho DELGADO. Os objetivos da terceirização não se lastreiam em lucro maior ou menor. CF). caput. conforme observamos ao longo deste estudo.176. sem distinção de qualquer natureza. que se demonstra incapaz de regular todas as hipóteses lícitas e ilícitas do processo terceirizante. ou em acirrar a sociedade injusta para atrair a prevalência de menor custo em detrimento do trabalhador com aumento de lucratividade do empreendimento. Isonomia remuneratória entre os trabalhadores terceirizados e os empregados originais da empresa tomadora de serviços. nos termos desta Constituição”). como salienta Gabriela Neves Delgado. quando trabalhadores efetivos e terceirizados venham a exercer a mesma função (trabalho temporário). LTr. princípios cardeais do Direito do Trabalho e o novo sistema de gestão da força de trabalho 109 . 2003. pois. que acabam por harmonizar-se com o princípio da valoração do trabalho humano (artigo 1°.58 FORMAS DE PREVENÇÃO DOS RISCOS TRABALHISTAS A desconcentração produtiva. restabelecer o caminho para a adequação e possível democratização das relações trilaterais terceirizantes por meio do que Maurício Godinho Delgado denomina de “controle civilizatório da terceirização”. advém do princípio isonômico central do artigo 5°. de serviços ou de mão-de-obra) não pode ser instrumento de redução dos custos de mão-de-obra. A terceirização. 2004. da CF (“todos são iguais perante a lei. “A evolução que admite a terceirização não pode. deixando a sua regulamentação ao arbítrio de um mero verbete jurisprudencial. para tanto. artigo 3°. qualquer que seja sua espécie (lícita ou ilícita. Paradoxo do direito do trabalho contemporâneo. inciso IV. LTr. mas para todo e qualquer empregado terceirizado. Curso de direito do trabalho. São Paulo.”) e inciso I (“homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. . validamente. inciso III e artigo 170. Ed. O fundamento jurídico. seja ele permanente ou não. caput.. Nesta seara. Entretanto. Terceirização. São Paulo. 110 Na concepção de Maurício Godinho Delgado .

N° 82. 3ª Região. a idéia de formação de um sindicato de trabalhadores terceirizados. DJMG 29. Fevereiro de 2005. defendem a tese de fixação de co-responsabilidade da empresa terceirizante junto à empresa tomadora de serviços. LTr. p.. Segundo o autor.) com o objetivo de desvirtuar. Marcos Túlio Viana. 2. tem os mesmos direitos individuais e salários dos empregados da tomadora dos serviços exercentes da mesma função”. O fundamento legal para tanto advém dos artigos 186. Ed. Nesse sentido. RO 08157/94. Maurício Godinho Delgado. que desenvolve seu trabalho em atividade terceirizada. (TRT. autores como Gabriela Neves Delgado. Jorge Luiz Souto Maior. Revista Nacional de Direito do Trabalho. 3ª turma. . atuação e representação coletivas dos trabalhadores terceirizados. 927 e 942. o mesmo enunciado. São Paulo.95. nos termos de seu art 9°” 112 . 112 Gabriela Neves DELGADO. 56) 111 . 2003. Doutrina. Representação e Atuação Sindical. Relator: Freire Pimenta. Dentre as suas vantagens não se inclui a diversidade salarial ou de direitos individuais do empregado e independente da pessoa que seja seu empregador. Terceirização. A terceirização sob uma perspectiva humanista. Responsabilização do tomador de serviços pelos valores trabalhistas oriundos da prática terceirizante. O empregado de terceirizante. portanto. que de algum modo também se beneficiou com a ilicitude.59 quanto aos seus empregados que exercem a mesma atividade é ilegítimo.08. determina o reconhecimento do vínculo empregatício do trabalhador com a empresa tomadora de serviços. Como bem salienta Maurício Godinho Delgado. do Código Civil combinados com o artigo 8° da CLT. O enunciado 331 do TST estabelece a responsabilidade subsidiária da tomadora de serviços para a hipótese de terceirização lícita em que ocorreu o inadimplemento das verbas trabalhistas por parte do empregador. Paradoxo do direito do trabalho contemporâneo. p. já que ambas praticaram atos “(.181.. em seu inciso I e III. os quais servem a dezenas de diferentes tomadores de 111 Jorge Luiz Souto MAIOR. constituindo-se em prática voltada à distorção dos preceitos protetivos da legislação trabalhista. a terceirização desorganiza perversamente a atuação sindical e praticamente suprime qualquer possibilidade eficaz de ação. Entretanto. não há qualquer responsabilização da empresa prestadora de serviços (empresa terceirizante) quando das hipóteses de terceirização ilícita. No caso de terceirização ilícita. impedir ou fraudar a aplicação dos prec eitos contidos” na Consolidação das Leis do Trabalho. 3.

operadores do direito. 113 114 Maurício Godinho DELGADO. integrantes estes de segmentos econômicos extremamente díspares. que trata da similitude de condições de vida oriunda da profissão ou trabalho em comum para a formação de uma categoria profissional. seus interesses profissionais. contrato de trabalho. entre a empresa terceirizada e os trabalhadores. São Paulo. 469. São Paulo. Portanto. concomitantemente. Um segundo. encontrarmos fórmulas operacionais para a condução com segurança do referido processo. fica claro que o “controle civilizatório” da terceirização é uma alternativa. trabalhistas e tributários. Apenas a título de elucidação. . social e jurídico. envolvendo a empresa tomadora de serviços e a empresa terceirizada. os trabalhadores da empresa tomadora de serviços do obreiro! Toda a formação profissional. 2000. para que se evitar maiores gravames. é simplesmente um contrasenso 113 . 2004. de natureza civil. Nos resta apenas apontar os cuidados que as partes contratantes devem ter para evitar problemas futuros. Ed. conforme já comentado. Ibid. p. de modo que. Um primeiro contrato. 468. materiais e culturais. existirá tão-somente uma relação econômica de trabalho. Aspectos legais. Quanto ao relacionamento com as pessoas contratadas A terceirização. cabe a nós. e não à mera intermediária de mão-de-obra. a empresa alcance a tão sonhada qualidade e produtividade e que os empregados não tenham seus direitos precarizados pelas novas relações de trabalho. retrata uma relação jurídica trilateral. para a adequação dessa realidade concreta ao Direito do Trabalho. Até que surja a tão esperada lei que discipline a realidade concreta do fenômeno de terceirização e ao mesmo tempo proteja os direitos dos trabalhadores. O caminho para um julgamento mais justo foi demonstrado. p. A real categoria profissional desse obreiro é aquela em que ele efetivamente se integra em seu cotidiano labor 114 . Um processo de terceirização mal conduzido pode trazer graves prejuízos no campo econômico. Atlas. Curso de direito do trabalho. LTr. tudo se encontra direcionado à empresa tomadora de serviços.60 serviços. também hegemonicamente. 109/116. Por todo o exposto. Somente pode ser organização sindical efetivamente representativa da categoria profissional do trabalhador terceirizado aquela entidade sindical que represente. Terceirização. toda a vinculação laborativa e essencial do trabalhador terceirizado. O fundamento jurídico encontra-se previsto no artigo 511. § 2°. 115 Wilson Alves POLONIO. entre a empresa cliente e os trabalhadores terceirizados. p. no momento. Ed. da CLT. Wilson Alves Polônio a serem observados: 115 sugere os seguintes cuidados 1.

quer sejam empregados. Portanto. Portanto. Em suma. .a permanência de um trabalhador terceirizado por muito tempo no ambiente de trabalho do tomador de serviços pode acarretar a configuração da pessoalidade. com todos os seus requisitos caracterizadores (pessoalidade. nos estritos termos do contrato. para se evitar o reconhecimento do vínculo de emprego entre o tomador de serviços e os trabalhadores terceirizados. deve-se ter atenção para os seguintes aspectos: . 116 117 Ibid. efetua o repasse da quantia destinada ao pagamento mensal de cada um de seus empregados. portanto. . Caso sejam necessárias orientações durante a execução dos trabalhos. razão pela qual havendo a ocorrência de tal hipótese a empresa tomadora estará incorrendo no risco do reconhecimento de vínculo de emprego entre ela e os trabalhadores terceirizados.é imperioso que os pagamentos pelos serviços prestados sejam efetuados diretamente à empresa prestadora dos serviços. individualmente 117 . p. que após receber o pagamento da empresa tomadora. quer administradores. 110 Ibid. nunca às pessoas incumbidas de realizar as tarefas. tal como entende a maioria dos julgados. essas devem ser dirigidas diretamente ao representante da empresa prestadora de serviços 116 . Pois bem. recomenda-se que de tempos em tempos haja uma rotatividade da mão-de-obra. esta espécie não é aceita pelo nosso ordenamento jurídico.61 O vínculo de emprego. Quanto ao objeto da terceirização A Súmula n° 331 do TST arrola quais as situações-tipo possíveis de serem terceirizadas: trabalho temporário. serviços de conservação e limpeza e serviços especializados ligados à atividade-meio do tomador de serviços. . subordinação jurídica.as pessoas que realizam as tarefas contratadas não devem receber ordem ou orientação de qualquer pessoa relacionada com a empresa contratante. sob pena do processo de terceirização vir a ser considerado como ilícito. Quem remunera o trabalhador terceirizado é a empresa prestadora de serviços. pagamento e habitualidade) se perfaz apenas entre a empresa terceirizada e seus trabalhadores. em que pesem os argumentos favoráveis à terceirização de atividades-fim ligadas a uma etapa do processo produtivo da empresa tomadora. a terceirização. serviços de vigilância. 2. é considerada ilícita. Fora tais hipóteses.

sob pena de extinção da prestadora dos serviços em eventual não-renovação ou rescisão do contrato. Por essa razão. Doutrina.cumprimento da legislação trabalhista e da seguridade social: como forma de prevenir futuros questionamentos fiscais e trabalhistas decorrentes da relação contratual estabelecida. . por óbvio. 119 Wilson Alves POLONIO. N° 82. 3. . da empresa contratada. Terceirização.exclusividade: não obstante a exclusividade na prestação de serviços não represente. deve possuir uma atividade empresarial própria. FGTS. Atlas. Esse aspecto deve estar claro no contrato.o cuidado com a livre concorrência: a terceirização com cooperativa de trabalho implica um cuidado adicional em relação às cláusulas contratuais. vez que este é o pressuposto técnico para se terceirizar. É o resultado final. especializada no serviço que se propõe a prestar 118 . Esse cuidado. A empresa prestadora. 118 Jorge Luiz Souto MAIOR. a apresentação dos comprovantes de pagamento das remunerações. será de todo conveniente que a tomadora do serviço exija mensalmente. nunca a disponibilização (locação ou concessão) de mão-de-obra. esta deve ser evitada. Inclusive quanto às penalidades aplicáveis em caso de inadimplemento das condições contratuais. a forma de acompanhamento dos serviços prestados. trabalhistas e tributários. portanto. indício de vínculo empregatício. o serviço concluído. de vez que não se trata de requisito para sua caracterização.metas a serem atingidas e o modus operandi: deve ser evitado qualquer indício de ingerência sobre a prestadora dos serviços ou seus empregados. e demais encargos sociais pertinentes aos funcionários alocados ao serviço contratado. 2000. . da contratante. é de maior interesse da empresa/ cooperativa prestadora de serviços do que.objeto do contrato: o contrato de prestação de serviços deve ter como objeto. no entanto. Esse cuidado relaciona-se à exclusividade (ou contrato de adesão) na relação dos cooperados com a cooperativa. que possa lesar o princípio da livre concorrência. A terceirização sob uma perspectiva humanista. ter um cliente exclusivo representa uma dependência econômica que deve ser evitada. p. Revista Nacional de Direito do Trabalho. . isoladamente. De fato. que interessa ao tomador. Ed. máxime se esta e de pequeno porte.62 Além disso. bem como das guias de recolhimento das contribuições relativas à seguridade social. a prestação de serviço. importante verificar a especialização dos serviços. Aspectos legais. . São Paulo. Quanto aos aspectos do contrato 119 . Fevereiro de 2005. 112. quanto à qualidade. propriamente. deve constar do contrato de prestação d serviços. ao tempo ou ao modus operandi.

Por ocasião dessa fiscalização. para comprovação do recolhimento das contribuições previdenciárias de seus empregados. função. .carta de referência em relação a serviços prestados a outros tomadores. . faz-se necessário a confecção de um cartão de identidade (crachá) para cada empregado terceirizado contendo nome completo.o registro do empregado deve permanecer no local da prestação de serviços (geralmente. a culpa in eligendo (má escolha) e a culpa in vigilando (má fiscalização) são os fundamentos jurídicos norteadores da responsabilidade subsidiária (ou solidária. .prova de inscrição no cadastro de contribuintes da Prefeitura Municipal de sua sede social. Revista Nacional de Direito do Trabalho. N° 82.certidões negativas de débitos junto aos órgãos competentes: INSS. Fevereiro de 2005. Receita Federal e Prefeitura Municipal. 120 Jorge Luiz Souto MAIOR. Quanto à fiscalização do trabalho A terceirização é um fenômeno que traz inúmeras desvantagens para os direitos dos trabalhadores. devidamente assinado e registrado no cartório competente. diante do inadimplemento das verbas trabalhistas e fiscais por parte do empregador (empresa prestadora de serviços).63 4. 5. imperioso que a empresa tomadora de serviços elabore um processo de investigação acerca da idoneidade econômica. Se assim não for possível. chegando a ser considerada por alguns doutrinadores como “técnica de precarização das condições de trabalho” 120 .contrato social. no estabelecimento da empresa tomadora) para exame do contrato e identificação do cargo para o qual o trabalhador foi contratado. Para tanto. . na tentativa de se evitar problemas futuros. para comprovação do recolhimento do FGTS de seus empregados. Em virtude dessa situação estabelecida. como pretendem alguns julgadores) do tomador de serviços. .prova de inscrição junto a Receita Federal (CNPJ). Quanto à regularidade da prestadora de serviços Conforme já estudado. A terceirização sob uma perspectiva humanista. se faz necessária à adoção de algumas medidas para impedir eventuais punições administrativas: . Doutrina. Assim. financeira e moral da empresa contratada. necessário que se exija da empresa prestadora de serviços a seguinte documentação: . Caixa Econômica Federal. para comprovação do recolhimento dos respectivos impostos. o processo terceirizante é sempre objeto de inspeção pelos órgãos responsáveis pela fiscalização do trabalho.

Portanto. que restringe a prestação de serviço a empresas habilitadas 122 . São Paulo. a prestação de serviços destinados a seus próprios cooperados. Quanto aos aspectos específicos relacionados à terceirização com a cooperativa de trabalho Todos os cuidados acima mencionados deverão ser observados na ocorrência de um processo terceirizante com a cooperativa de trabalho. igualdade e comunhão de interesses dos participantes). cumpre-nos ressaltar outros pontos específicos que ensejarão maior atenção: . 234.em se tratando de trabalho temporário. ao reverso. constar o motivo justificador para a contratação de trabalhadores temporários. p. atender as regras constantes da Lei 5. . Suas atividades devem coincidir com o objeto do contrato de prestação de serviços. ainda. sob pena de caracterizar um desvio de função. constante de seu objeto social.o controle de horário e as atividades prestadas pelo trabalhador terceirizado são objetos de fiscalização na própria empresa tomadora de serviços. indicando um desvio de finalidade. LTr. Entretanto. na maioria das vezes o seu serviço. deverão. dada a peculiaridade que envolve essa espécie de contratação.949/94.102/83. 123 Ibid. Portanto. Cooperativas de Trabalho – Sua relação com o Direito do Trabalho.as cooperativas não podem desenvolver atividades especializadas de segurança. ainda. Atlas. p. 2000. p. São Paulo. Terceirização. há necessidade. situação esta em que o fiscal se dirigirá para a sede da empresa prestadora de serviços para apuração dos registros 121 . salvo autorização do Ministério do Trabalho. . 114. 6. sob pena de ferir o princípio norteador desta espécie de sociedade (princípio da solidariedade. .764/71 e Lei 8. Aspectos legais. a opção pelo processo de terceirização deve partir dos associados e não do contratante. 122 Marcelo MAUAD. As atividades executadas pelos trabalhadores terceirizados não devem coincidir com a atividade principal da tomadora de serviços. 235. A finalidade principal da existência das sociedades cooperativas não é a prestação de serviços a terceiros. para seu enquadramento no regime jurídico. Ed. para as exigências constantes dos artigos 9° a 11 da Lei 6. trabalhistas e tributários. vez que é no estabelecimento desta que o empregado presta. e. Ed. .as cooperativas devem ser administradas por seus próprios associados e. .019/74: os contratos (seja entre empresa prestadora e tomadora ou entre prestadora e trabalhador) deverão ser obrigatoriamente escritos. 2001. seu prazo de vigência não poderá ser superior a 03 (três) meses. em face do disposto na Lei n° 7.64 data de admissão e número do PIS/Pasep. o objeto dessas cooperativas deve ser conciliado com o interesse dos próprios membros do grupo 123 . 121 Wilson Alves POLONIO.a exigência de prestação de serviços especializados também existe em relação às cooperativas de trabalho. mas.