QUINTA SEÇÃO OS PLURAliSTAS E OS FÍSICOS ECLÉTICOS y(vexn3cu ccC d X?uo oi óp vojjíÇoi,oiv oC E?

Jiv oi ip xp y o1 ditóXXurc dXX’ditb êSvtu)v xp u t Içu’t &aKpCwrcu. izcx o dv ôp 0; KcOot tát v*xn3ii u iCo i tõ d cu “Mas os gregos não consideram corretamente o nas cer e o morrer: nada, de fato, nasce ou morre, mas a partir das coisas que são se produz um processo de composição e divisão; assim, pois, deveriam correta mente chamar o nascer, compor-se e o morrer, divi dir-se.” Anaxágoras, fr. 17. 1. EMPÉDOCLES 1. Os quatro “elementos” Empédocles é o primeiro pensador que procura resolver a aporia eleata, tentando salvar, de um lado, o princípio de que nada nasce, nada perece e o ser sempre permanece e, de outro, os fenômenos atestados pela experiência. Claríssimas afirmações do princípio eleata são, por exemplo, os fragmentos II e 12: Crianças! breve vôo têm os seus pensamentos, estes que crêem que possa nascer o que antes não era, ou que alguma coisa pereça e se destrua totalmente Pois não é possível que algo surja do que antes não era e que pereça o que é, é coisa vã e sem qualquer sentido; de falo (o ser) sempre será, onde quer que se o deva parar. 1. Empédocles nasceu em Agrigento. Diógenes Laércio diz que ele estava na flor da idade na 84 Olimpíada, isto é, em 444-441 a.C. (Diógenes Laércio, VIII, 74 = Diels -Kranz, 31 A 1). E dado que a mesma fonte (ibid.), sob testemunho de Aristóteles, diz -nos que viveu sessenta anos, chegamos a 483-481 e 424-421 como datas de nascimen tu e de morte. Mas, posto que outras fontes dão diferentes indicações cronológicas, é prudente ficar no geral e ter como indicativa a data do floruil fornecida por Diógenes Laércio, sem pretender determinar as datas de nascimento e de morte (cf. Reale, Me/isso, pp. l2ss.). Foi homem de personalidade fortíssima e de vastíssimos conhecimentos: nele fundem-se filosofia e misticismo, medicina e magia. Participou também da vida política, militando no partido democrático (cf. Diógenes Laércio, VIII, 63-67 Diels -Kranz, 31 A 14; Plutarco, Contra Co/ote, 32, 4, p. 1126 b = Diels-Kranz, 31 A 14). As notícias transmitidas por tardias fontes sobre o seu fim, como aquela segundo a qual ele teria desaparecido depois de um sacrifício aos deuses ou aquela segundo a qual ter -se-ia atirado no Ema (cf. Diógenes Laércio, VIII, 67s., 69s. Diels-Kranz, 31 A 1), pertencem à lenda e são fruto de invenções que respondem a intenções denigratórias. Empédocles escreveu duas obras: um poema Sobre a Natureza e um Carnie lustral (Kalharn dos quais nos chegaram numerosos fragmentos. [ a transfiguração romântica do nosso filósofo ver a tragédia de Hõlderlin, Der Tod des Empedokles. Empedokles au! dem Aetna (1798-1800, póstuma), trad. ital. de F. Borio, Turim 1961].

2. A tradução italiana de todos os fragmentos de Empédocles que citamos é de E. Bignone, Empedocle, Milão 1916 (Roma 19632). EMPEDOCLES 135 134 OS PROBLEMAS DA PHYS!S, DO SER E DO COSMO Portanto, o “nascer” e o “perecer”, entendidos como um vir do nada e um ir ao nada, são impossíveis, porque o ser é; todavia, nascer e perecer têm a sua plausibilidade e realidade, se entendidos como um vir de coisas que são e um transformar-se em coisas que também são. Diz o fragmento 8: Outra coisa direi: não há nascimento de qualquer das coisas mortais, nem termo de morte funesta; mas só misturar-se e dissolver-se de substâncias mistas existe e entre os homens chama-se nascimento. Nascimento e morte são então, respectivamente, mistura e disso lução de determinadas substâncias ingênitas e indestrutíveis, isto é, substâncias que permanecem eternamente iguais. Essas substâncias são precisamente quatro: fogo, água, éter ou ar e terra. Substâncias que depois serão chamadas de “os quatro elementos”, mas que Empédocles designa poeticamente com a expressão “raízes de todas as coisas”, e indica também com nomes de numes, para enfatizar a sua eternidade e, portanto, divindade. Saiba, pois, primeiramente que quatro são as raízes de todas as coisas, Zeus candente, Hera vivificadora e Aidoneus e Nestis que de suas lágrimas destila a fonte mortal Como se vê, Empédocles acolhe a água de Tales, o ar de Anaxímenes, o fogo de Heráclito e, em certo sentido, a terra de Xenófanes, mas muda substancialmente as precedentes concepções do princípio. De fato, o princípio dos jônicos transformava-se quali tativamente, tornando-se todas as coisas; enquanto, em Empédocles, água, ar, terra e fogo permanecem qualitarivamente inalteráveis e intransformáveis. Nasce assim a noção de “elemento”, como algo originário e qualitativamente imutável, capaz apenas de unir-se e separar-se espacial e mecanicamente de outro: e trata-se de uma no ção que só podia nascer depois da experiência eleata e em vista de superá-la. E nasce também a assim chamada concepção pluralista, que supera definitivamente a monística visão dos jônicos: a raiz ou o princípio das coisas não é único, mas estruturalmente múltiplo; e também o pluralismo é uma perspectiva que só podia afirmar-se, no nível de consciência crítica, depois do monismo radical dos eleatas e em vista de superá-lo Não é difícil explicar a razão pela qual Empédocles acreditou que eram quatro e não mais ou menos os elementos: de um lado, ele pode ter sido influenciado pela tétrade pitagórica, isto é, pela convic ção da natureza privilegiada do número quatro: mas foi certamente

determinante a constatação da experiência que parece atestar justa mente que tudo deriva do ar, da água, da terra e do fogo, como vemos no fragmento 21: Mas, eis, discemne a prova das palavras que já te disse, se é que no que antes disse havia alguma falta na forma dos elementos; volta, pois, o olhar para o sol quente de se ver e luminoso em toda parte, e quantas são essências arnbrosias e se banham de ardor e de chama [ e a chuva, em toda parte friorenta e nebulosa, e da terra brota tudo o que é sólido e compacto. 2. O amor e o ódio Já dissemos que nascimento e morte, segundo Empédocles, são, na realidade, apenas mistura e separação dos quatro elementos, os quais permanecem qualitativamente imutáveis. Mas o que leva os elementos a unir-se e a separar-se reciprocamente? Por si os elemen tos ficariam cada um em si mesmo sem misturar-se com os outros; portanto, impunha-se a necessidade de introduzir uma causa ulterior, que Aristóteles denominará causa eficiente ou causa do movimento e que, anteriormente à especulação dos eleatas, não foi observada, mas que, ria perspectiva de uma recuperação dos fenômenos (caracteriza dos exatamente pelo movimento), devia necessariamente elevar-se ao primeiro plano. Empédocles introduz então o amor e o ódio (amizade e discórdia), concebidos como forças cósmicas e, ao mesmo tempo (como, de resto, também os elementos), como divindades, causas, res pectivamente, da união e da separação dos elementos. 4. O sistema dos pitagóricos, de fato, não é, com boas razões, situado no mesmo plano dos sistemas pluralistas, justamente porque os pnncípios pitagóricos são múlti plos, mas a multiplicidade enquanto tal não é considerada em nível temático, só depois de Zenão e Melisso o problema do uno e do múltiplo emerge no nível temático. 3. Diels-Kranz, 31 B 6. 136 OS PROBLEMAS DA PHYSIS. DO SER E DO COSMO EMPEDOCLES 137 Naturalmente, não se pode de modo algum falar de forças espi rituais, e os intérpretes em geral compreenderam bem que nos encon tramos diante de realidades naturais (como os elementos). O ódio que sepasa e o amor que une são co-eternos como os elementos. Mas, justamente enquanto co-eternos e igualmente poderosos, os efeitos do amor e do ódio se anulariam mutuamente e não seriam mais explicá veis os processos de geração e corrupção das coisas, e tudo perma neceria suspenso no estado idêntico, se eles não pudessem de algum modo superar-se mutuamente. Empédocles fala efetivamente da alternância entre o predomínio de uma ou de outra força, em ciclos constantes fixados pelo Destino. E assim, predominando o amor, os elementos se recolhem em unidade; predominando o ódio, separam--se; e entrelaçando-se os influxos do amor e do ódio, nascem as coisas.

pois. muitas coisas resultam. sobretudo a partir do último dos fragmentos lidos. nem fecundas pudendas. e também nesse caso não podem existir um cosmo e as coisas individuais. e passando uns através dos [ tornam-se homens e outras estirpes ferinas. ao invés. são todos recolhidos juntos e pacificados. de seu dorso não irrompem duas ramificações. 3. Diels-Kranz. nenhum dos elementos se distingue dos outros. de novo se abismam. e entre si se fundem e se somam nas vicissitudes do destino. cada um levado pela inimizade da contenda. e passando umas através das outras. pois. estas que são. ora por amizade convergindo em unidade de harmonia. A esfera e o cosmo Como o leitor terá seguramente compreendido com base no que já dissemos. nem ágeis joelhos. o nosso cosmo não é constituído pelo predomínio do amor. absolutamente separados. Quando prevalece absolutamente o amor. deste modo estas se tornam e não é estável a sua vida. e explicou o devir: Estas coisas [ elementos e as duas forças] todas são iguais e igualmen [ primevas. tornam-se ora estas. ao invés. e além delas não se acrescenta ou deixa de existir [ coisa] porque se se destruíssem totalmente já não seriam. nem [ pés. Esfera redonda que goza da sua envolvente solidão Mas. e enquanto não cessam nunca de se transformar por isso são sempre imóveis no ciclo [ universo]. São. mas esférico era e [ todo lado] igual a si mesmo Quando prevalece absolutamente o ódio. e o que poderia aumentar esse todo. 31 B 17. de modo a formar uma compacta unidade. e a seu turno predominam no decorrer do tempo. 27-35. estes que são [ elementos]. Assim. separadamente. . pois. pois não há nada ausente delas. e de onde viria? e onde se destruiriam. ora aquelas coisas sempre eternamente iguais E dc modo igualmente claro esta visão é expressa no fragmento 26: Em turnos prevalecem [ e ódio] no recorrente ciclo. os elementos são. como o Uno surge de muitas coisas e distinguindo-se o Uno. chamada por Empédocles de Uno ou Esfera.Eis. vv. mas cada uma rege a própria honra e cada uma tem o seu caráter. como Empédocles tentou pacificar juntos o ser eleata e a realidade dos fenômenos. São. mas do ódio. 5. que recorda a esfera parmenidiana: Mas de todas as partes [ igual e por todas infinita. até que depois de terem crescido na unidade do todo. ora.

o espiritual do corpóreo. Diels-Kranz. ao prevalecer. e assim por diante (na sensação visiva o processo é. põe as premissas do nascimento do cosmo. mas na Esfera. com éter o éter divino. dissolve o cosmo. DO SER E DO COSMO EMPEDOCLES 139 na Esfera. portanto. Mas especialmente interessante é a explicação que ele fornece do fenômeno do conheci mento humano. ao invés. Das coisas e dos poros das coisas soltam-se eflúvios que golpeiam os órgãos sensonais. ao contrário. É claro que o amor não é concebido como força que faz simples mente nascer. 4. ele expressa. depois. E em cada um desses dois períodos tem-se um progressivo nascer e um progressivo destruir-se de um cosmo. a água a água. do predomínio do ódio ao do amor. inverso e os eflúvios partem dos olhos.mente diz no fragmento 105: No fluxo do pulsante sangue nutre-se [ coração]. tudo revoluciona. e as partes semelhantes dos nossos órgãos reconhecem as partes semelhantes dos eflúvios provenientes das coisas: o fogo conhece o fogo. o amor faz nascer o cosmo recolhendo os elementos depois que fo ram separados pelo predomínio do ódio. antes. pois o sangue que reflui em volta do coração é para os homens o [ Enfim. e com fogo o fogo aniquilante com Amor o Amor. O conhecimento Interessantes e em grande parte engenhosas são as observações de Empédocles sobre o modo como nascem os vários seres. 138 OS PROBLEMAS DA PÍIYSIS.O cosmo e as coisas do cosmo nascem. que vão do predomínio do amor ao predomínio do ódio e. nos dois pe ríodos de passagem. E é também claro que o momento da absoluta perfeição não está no cosmo. com Contenda a dolorosa Contenda. e o ódio como força que simplesmente faz perecer: de fato. Também o pensamento é explicado da mesma maneira e com o mesmo princípio. 31 B 28. sobretudo os seres orgânicos. é muito indicativo o fato de ele atributr conhecimento e pensamento a todas as coisas sem distinção: [ pois saibas que todas as coisas têm conhecimento e de pensamento partilham . Diels-Kranz. enquanto o ódio destrói quando. predominando. assim como o ódio. o amor. 7. e como eles vivem e crescem. pois Empédocles não distingue. mas o princípio segundo o qual o semelhante co nhece o semelhante permanece na base). com água vemos água. inserindo-se 6. recolhendo os seus elementos na Esfera indiferenciada. como de resto to dos os pré-socráticos. supõe necessariamente a ação de ambas as forças conjuntamente. ao invés. e. onde maximamente está o que os mortais chamam de pensamento. que. Diz expressamente o fragmento 109: Pois com terra vemos terra. 31 B 29.

De que honra e de quanta grandeza de felicidade. Diels-Kranz. com amplos juramentos bem selado. que se alguém mancha os membros de sangue culpável. 31 B 110. DO SER E DO COSMO EMPÉDOCLES 14 tências e em vidas mais nobres. foi banido do Olimpo dos bem-aven turados. Diels-Kranz. a terra nos turbilhões do sol luminoso. 11. donde renascem como deuses em honra supremos’ E estes terão vida bem-aventurada: . passarinho e mudo peixe do mar. jogado num corpo e ligado ao ciclo dos nascimentos: Vaticínio do Fado. Porque fui um tempo menino e menina. Sobre a doutrina empedocliana do conhecimento ver o amplo testemunho de Teofrasto em Diels-Kranz. v. O homem. o mar sobre a terra cospe-os. até que. e príncipes entre os homens gerados da terra. 10. 31 A 86. arbusto. Porque a força do éter lança-os no mar. banido do Olimpo!]”. livres de todo o ciclo dos nascimentos.5. Diels-Kranz. 140 OS PROBLEMAS DA PHYS!S. porque prestei fé à furiosa Contenda.. 31 B 115. por causa de uma culpa originária. decreto antigo dos Numes. que os lança nos vórtices do éter: um do outro os acolhe e todos o odeiam. fugitivo dos deuses e errante. A alma e o divino Além de um Poema fisico. 10. sempiterno. Um destes agora sou eu.. mude os dolorosos caminhos da vida. voltarão a ser deuses entre os deuses: E por fim vates se tornam poetas e médicos. 31 B 119. (algum dos demônios que tiveram por sorte longa vida) vá errante longe dos bem-aventurados por três vezes dez mil estações. Empédocles compôs um Poema lustral. Diels-Kranz. ou melhor. 9. e renascendo no tempo em toda espécie de seres mortais.’°. 31 B 117. no qual defendia as concepções órfico-pitagóricas que já conhecemos e se apresentava como profeta e mensageiro delas. [ entre os mortais me encontro. Os homens que souberem se purificar (e dava regras e prescri ções para tais purificações) se encarnarão progressivamente em exis 8.. a alma do homem é um demônio que. seguindo [ Contenda]. ou impiamente jura.

que os quatro elementos são considerados divinos e tam bém chamados com nomes de numes. de dores humanas privados. Diels-Kranz. 83ss. pp. 5. Diels-Kranz. feras. Mas para resolver esta aporia era preciso conquistar a dimensão do espiritual e do imaterial: e para esta conquista seria preciso a já recordada “segunda navegação” de que fala Platão. pelo menos. e passam uns através dos outros tornam-se de diferente aspecto: tanto quanto permita a mistura’ E as almas são (ou podem ser) estes “numes longevos”. para que possa expiar a sua culpa original e para que possa. de um ato de discórdia e de ódio. de uma alma que deve manter de algum modo a própria individuali dade. As aporias empedoclianas No passado. quando se tiver purificado. assim como divinos são o amor e o ódio.mente na impossibilidade de fazer entrar nos estreitos horizontes da filosofia da natureza (mesmo entendida como a entende Empédocles) a concepção de uma alma como estruturalmente diferente do corpo.. Depois de ter elencado as quatro “raízes” ou elementos. 13. 12. Capizzi. os estudiosos discutiram longamente as relações que ligam os dois poemas e. pp. 3! B 147. o ciclo do nascer e do perecer do cosmo depende do jogo do ódio e do amor. de maneira análoga ao ciclo do nascimen to dos homens individuais. e árvores e homens e mulheres. e com isso concorda com a mística órfica do Poema lustral. 14. e numes longevos em honra supremos: são estes [ elementos] que são. Todavia resta (e no nível superior) a aporia de fundo. com efeito. ZelIer-Mondolfo. ibid. indestrutíveis’ 6. já encontrada em todos os pré-socráticos que acolheram o orfismo. não vendo nenhuma possibilidade de conciliar a fí sica do poema Sobre a Natureza com a mística do Carme lustral’ Mas hoje tende-se a redimensionar substancialmente tais conclu sões. De fato. pássaros. que depende. gozar o prêmio final. na sua origem. e na sua conclusão de um ato de amor ou. incólumes. de um ato de total extinção do ódio. homens e mulheres e também os “numes longevos”. em todo caso. A física empedocliana é totalmente diferente da física moderna e o naturalismo empedocliano não é o materialismo moderno: vimos. são e serão. Ademais.Entre os outros imortais têm comum morada e mesa. chegaram a concluir que eles entram em contradição. 1. Empédocles escreve no fragmento 21: [ elementos] todos no ódio tornam-se diferentes de aspecto e sepa [ Unem-se no amor e entre si se desejam. que consiste substancial. a mística órfica é mais conciliável com a física empedocliana do que com a doutrina dos números dos pitagóricos. Cf. enquanto Empédocles diz expressamente que tudo deriva dos quatro elementos e do amor e ódio: peixes. porque todos os seres que foram. . feras e pássaros e peixes que se criam n’água. e as atualizações de A. os pitagóricos não conseguiram situar a alma-demônio junto com os números. Por isso o naturalismo empedocliano traz desde a origem um caráter místico. germinaram. 31 B 146. amiúde.

como alguém parece ter pensado.. Lemos no fragmento 4: . 3! B 2!. e divindades são os “numes longevos” deles derivados. deveriam corretamente cha mar o nascer. coincidem com eles. Diels-Kranz. e divindade é a Esfera. Diels-Kranz. diferente das coisas mencionadas. Também para Empédocles tudo está cheio de deuses. 7 (=. a um dos elementos (por exemplo ao fogo ou ao sol) ou a uma das forças. vv. Alguns estudiosos pensam que estas três dezenas de anos devem-se situar entre 480 e 450. Mas não é claro que o tempo de permanência em Atenas deva ser necessariamente consecutivo e por isso as duas . se gundo as indicações que fornece Diógenes Laércio. compor-se e o morrer. DO SER E DO COSMO Não se adornam os seus membros com cabeça humana nem do dorso dois ramos irrompem. mas só uma sagrada e inefável mente. como para os jônicos.. pés não têm. 142 OS PROBLEMAS DA PÍIYSIS. O eleatismo de Anaxágoras emerge com toda clareza no frag mento 17: Mas os gregos não consideram corretamente o nascer e o morrer: nada. pois todas as coisas têm pensamento. mas infinitas em quantidade e número. As homeomerias Anaxágoras. provavelmente em tomo a 500 a. longe de serem diferentes dos princípios da natureza..C.j é preciso admitir que muitas coisas e de toda espécie encontrem-se em tudo o que vem a ser por aglomeração. e sementes tendo formas. que por iodo o mundo se lança com velozes pensamentos. nasce ou morre. nem ágeis joelhos. as quatro raízes. ano em que Anaxágoras foi processado em Atenas por impie dade.C. 1. para ele. dividir-se Mas que são propriamente essas “coisas que são”. ao mesmo tempo. 7-14.Análogas observações devem ser feitas sobre a concepção do divino própria de Empédocles. mas certamente refere-se. E condensaram-se homens e todos os seres vivos E. outros entre 463 e 433. senão à Esfera. Divindades são. Permaneceu cm Atenas — ao que parece — por uns trinta anos. como prova a semelhança com o fragmento 29. II. das quais se depreende também que o filósofo terá morrido em tomo a 428 a. Quando no fragmento 134 Empédocles escreve: 126ss. Também para superar a concepção naturalista do divino era ne cessária a “segunda navegação”.. fazendo-a ali enraizar-se. 59 A 1). 1. Anaxágoras nasceu em Clazômenas. a um Deus es piritual. que se com põem gerando todos os entes e depois se decompõem? Não são so mente quatro. como já para o primeiro jônico: mas são deuses que. de fato. Anaxágoras talvez tenha sido o primeiro filósofo que levou a filosofia a Atenas. assim. pois. o amor e o ódio. nem pudendas peludas. dar conta dos fenômenos: e a sua tentativa assinala um indiscutível progresso com relação ao que foi realizado pelo filósofo de Agrigento.]. tenta manter firme o princípio eleata da permanência do ser e. como queria Empédocles. ruas a partir das coisas que são se produz um processo de composição e divisão. não se refere. cores e gostos de toda espécie. IS.. como Empédocles.

da qual nos chegaram alguns fragmentos particularmen te notáveis (para as discussões sobre a cronologia cf. pp. Os muitos.. não se pode prescindir da doutrina de Melisso o qual dissera. é possível dividir qualquer semente (qualquer substância-qualidade. que os “muitos” só seriam se pudessem permanecer sempre tais como cada um deles é. cores e gostos” exprimem as dife rentes qualidades dos originários múltiplos. O pensamento de Anaxágoras é. Florença 1966. e não têm limite na sua peque nez. 2. 351-357). II. ilimi tadas em quantidade e em pequenez. Diz o fragmento 1: Juntas estavam todas as coisas [ coisas no sentido de sementes]. E é igual ao pequeno em quantidade. com terminologia fortemente eleata). Lanza. E com relação a si toda coisa é tanto grande como pequena. Anassagora. E compreende-se que as sementes devam ser ilimitadas também numeri camente. Para poder entender corretamente esta afirmação de Anaxágoras. pois. ANAXÁGORAS DE CL4ZÔMENAS OS PROBLEMAS DA PHYS!S. formu lando uma hipótese negativa (uma hipótese de terceiro tipo. não são as muitas coisas fenoménicas que aparecem e desapa recem. Estes originários múltiplos qualitativos são.propostas são suscetíveis de mediação. Pois bem. são o originário qualitativo. DO SER E DO COSMO ANAXÁGORAS DE CLAZÔMENAS 145 144 Essas “sementes” (oir são. enquanto os termos “formas (tôíaç). Tesfimonianze e framinenti. como dizemos em linguagem moderna). também o pequeno era de fato ilimitado. E o fragmento 3 explica: De fato. no sentido de que são cada uma e todas infinitamente divisíveis. cores e gostos de toda espécie”. . não é possível que não seja) — mas também do grande há sempre um maior. como já dissemos. porém. mas sempre um menor (o que é. seja sugerido por todo o contexto do discurso anaxagoriano. porque não se chega nunca ao nada. diz expressamente Anaxágoras. segundo Anaxágoras. A tradução dos fragmentos é de D. com efeito. as qualidades originárias de toda espécie. no sentido de que são cada uma e todas qua litativamente ilimitadas e inesgotáveis. as sementes anaxagorianas (como já as raízes empedoclianas) constituem precisamente a positiva revolução da hipótese melissiana. pois. nem do pequeno há o mínimo. este: as sementes não têm limites na sua grandeza. Foi homem extraordinariamente sábio e amante do conhecimento. eleaticamente pensado como imóvel. Zeller-Capizzi. onde o termo “semente” significa exatamente a originariedade. não tanto pelos frag mentos. mas são as “sementes tendo formas.. Escreveu uma obra em prosa com o título Sobre a Natureza. em termos nãoanaxagorianos) em partes sempre menores. que não é (o que é não pode nunca não ser. ilimitados ou infinitos. além de qualitativan1ente embora isto. assim como o Ser-Uno eleata permanece sempre idêntico. ou da im possibilidade.

( Diels-KranZ. B 6. B lo. . artérias. 8. de fato. não era distinguível nem mesmo a cor. embora não seja certa sua autenticidade (tal vez tenha sido cunhado por Aristóteles. se divido o ouro obtenho sempre ouro. Na mesma semente existem. Era. dão sempre como resultado partes ou coisas qualitativaniente idênticas (se divido um cabelo. 6. unhas. e a mesma coisa com relação aos pesos. as sementes de todas as coisas que são. Sioria dei/a logica arnica. Diels-KranZ. 830ss. pode depor a favor da autenti cidade apenas o uso que dele faz Lucrécio: nunc etAnaxagorae scrutemur homeomeriafl) No início. 05 PROBLEMAS DA PHVS!S. pouco a pouco se dividem. Reale.: o originário qualitativo. “poderia produzir-se do que não é cabelo o cabelo. De rerum natura. o desenvolvimento e o crescimento das coisas: porque tudo está em tudo e. DO SER E DO COSMO todas as coisas estão misturadas umas às outras e crescem dividindo-se. e carne do que não é carne?” E diz isso não só dos corpos. 263. com efeito. as várias coisas geraram-se por causa do movimento produzido. veias. de fato. 59 B 4. pela divina inteligência. do úmido e do seco. Cf. todas as coisas que se geraram permanecem sempre misturas: misturas qualitativameflte determinadas pelo predomínio desta ou da quela qualidade: e permanecem cada uma e todas. por mais dividido que seja. do luminoso e do escuro e de muita terra que aí se encontrava. Um escoliasta anônimo. 59 A 44). diz ele. que 4. Diels-KranZ. permanece sempre eleaticamente igual a si mesmo): e tal termo deve ser mantido porque já consagrado por um uso plurissecular. com o comentário do doxógrafo que o reporta: Aceitando a antiga opinião de que nada nasce do nada. 1. obtenho partes de cabelo. p. “Como de fato”. 7. AnaxágoraS eli mina a gênese e introduz a divisão em lugar da gênese. ou ainda: “Em cada coisa há parte de cada coisa” Particularmente interessante é o fragmento 10. do quente e do frio. mas também das cores. Cf. Calogero. Diels-Kranz. estando juntas todas as coisas. é possível que tudo nasça de tudo. vale dizer. encontra-se no branco o preto e no preto o branco. Dizia. Ademais. coisas que. de fato. Me/isso. 59 B li. etc. na qual cada uma resultava indistinguível: Antes que estas coisas se formassem. Eis por que são possíveis o nascimento. B 12. 59 B 4. Lucrécio. estas homeomerias estavam todas juntas numa mistura originária. conseqüentemente. quando subdivididas. 3. vv. crescidos. um obstáculo a mistura de todas as coisas. embora em pequeníssima parte. cabelos. considerando que o leve está misturado com o pesado e este com aquele. “Tudo está em tudo” diz Anaxágoras com frase que se tornou célebre. mas. passim.Estas sementes são comumente denominadas homeomerias. como logo veremos. e das sementes ilimitadas em quantidade [ E da mescla caótica. misturas que contêm. fibras e ossos e são invisíveis pela pequenez das partes. 5.

Diels-Kranz. garantia da sua per manência perene: assim a precisa fisionomia de cada coisa individual encontra-se ao infinito nos seus constituintes. a todas dispôs a inteligência. como o tem estando só em si. independente e não-misturada com nada. a mais sutil e mais pura de todas as coisas e possui pleno conhecimento de tudo e imensa força. mas a inteligência é ilimitada. de modo que não teria poder sobre nenhuma. a salvo o princípio eleata também no que se refere à quantidade: a totalidade das coisas permanece sempre igual. pois o impede o interdito parmenidiano do ‘não é’. de modo que desde o princípio atuasse o movimento rotatório. enquanto todas as infinitas diferenças do real não só são justificadas na sua inumerável variedade. é preciso reconhecer que as coisas no seu conjunto em nada são menores nem maiores (não é. mas são no seu conjunto sempre iguais )ger lO. nem o cabelo do não-cabelo. melissianamente ligado a todas as coisasnomes individuais existentes e. ANAXÁGORAS DE CLAZÔMENAS 2. como explica muito bem Calogero: “A carne não pode nascer da não-carne. tanto as que deviam ser como as que agora não são. de fato. sublimam todas as formas. um mundo essencialmente ‘formado’. analogamente. seja no sen tido da pequenez” Nesse mundo. participaria de todas as coisas. portanto. pois.Estas proposições resultariam totalmente incompreensíveis fora do contexto da problemática eleata em geral. de fato. e na direção do grande se desenvolve e se desenvolverá ainda mais. as coisas maiores e as menores. imensamente mais vasto sendo o universo da sua subsistência. a todas a inteligência reconheceu. Esse mundo das ‘homeomerjas’ é. mas até mesmo demonstradas infinitamente mais verdadeiras do que parecem. E todas as coisas sendo formadas por composição e por separação e divisão. e a rotação que agora é percorrida pelos . seja no sentido da grandeza. não estivesse em si. um mun do no qual se cristalizam e. Em tudo encontra-se. E primeiro do pequeno iniciou o movimento de ro tação. com efeito. A Inteligência divina Dissemos que as coisas nasceram da mescla originária por causa do movimento nelas impresso pela Inteligência. e da melissiana em particular. e as que agora são e as que serão. de fato. por assim dizer. mesmo que ao lado destes encontrem-se também os cons tituintes de outras coisas. e nos constituintes destes constituintes. Se. mas fosse misturada com alguma coisa. E a tudo o que tem vida. como disse antes. e as coisas misturadas ser-lhe-iam obstáculo. Eis como Anaxágoras no-la descreve no belíssimo fragmento 12: Todas as outras coisas têm parte de cada coisa. E. a tudo domina a inteligência. a fisionomia dos constituintes que predominam. E à rotação universal deu impulso a inteligência. está a salvo o princípio eleata no que se refere à qualidade. 59 B 5. se fosse misturada com alguma. cada realidade apresentando. Devemos agora de terminar qual é a natureza e o papel dessa Inteligência. não aumenta nem diminui: Divididas assim estas coisas. parte de todas as coisas. e. mas está só em si. na aparência. admissível ser mais que todas as coisas).

o seu ser para si. a sua absoluta homogeneidade. Mas nenhuma outra coisa é semelhante a nada. movendo-se no espaço. sobretudo os filósofos poste riores. a maior e a menor. especialmente sob a influência da interpretação de Zeiler. não pode ser impu tado só à inadequação da sua linguagem. E a inteligência é toda semelhante. a sua separação. tudo isso não esconde a sua intenção” Conseqüentemente. pois cada uma é e era constituída pelas coisas predominantes das quais mais participa. penetra todas as coisas. pode mistu rar-se com as outras coisas sem que estas se misturem com ela. E forma-se por separação do rarefeito o denso. E o embaraço de Zeller é ainda mais evidente quando. nem se dividem as coisas uma da outra senão pela inteligência. pois só de tal concepção pode resultar a tão enfatizada superioridade do espírito. aduz apenas o seguinte argumento: “Anaxágoras. . 146 147 II’ 148 OS PROBLEMAS DA PHYSIS. pelo sol. o qual traduz o termo anaxagoriano Nous por Geist. justamente enquanto tal. DO SER E DO COSMO ANAXÁGORAS DE CLAZÔMENAS 149 Porém. separada do resto. nada se forma. igual a si mesma e. E foi justamente a rotação que provocou o processo de formação. e as atenua da seguinte maneira: “ e mesmo o fato de o conceito de incorpóreo não aparecer muito claramente na sua exposição. Indiscutivelmente o fragmento contém uma das mais poderosas intuições concebidas e expressas no âmbito da filosofia pré-socrática: a intuição de que o princípio é uma realidade infinita. sobretudo. mas em todo caso pretende distingui -lo na sua essência de tudo o que é composto” Mas podemos ver que o argumento não prova nada: o fato de o Nous não ser composto não implica absolutamente co ipso a sua imaterialidade: é simples mente uma matéria que. e escreve textualmente: “Não há dúvida de que Anaxágoras pense verdadeiramente num ser incorpóreo. Completamente. do frio o quente. inteligente e sábia. Espírito. por certo. e que.astros. E existem muitas partes de muitos. deram-se perfeitamente conta de que essa intuição implicava algo verdadeiramente novo. devendo responder aos estudiosos que negam que no frag mento 12 esteja a descoberta do imaterial. e também o fato de ele ter talvez realmente concebido o espírito como uma matéria mais fina que. do tenebroso o luminoso e do úmido o seco. logo depois de tê-las feito. isto é. como muitos estudiosos moder nos pensaram. pela sua natureza privilegiada. move e ordena todas as coisas. “a mais fina” e a “mais pura”. não teorizou de forma clara e nítida a imaterialidade do Nous. não se deve pensar que Anaxágoras já tenha chegado ao conceito do imaterial e do espiritual. porém. pela lua e por aquela parte de ar e de éter que se vai formando. o seu poder e a sua sabedoria [ Mas o próprio Zeiler se arrepende em parte destas suas afirmações. E os contemporâneos. Zeiler sente-se cons trangido a falar de “semimaterialismo” o que acaba por contradizer o que dissera antes.

pp. 150 OS PROBLEMAS DA PHYSIS. A interpretação que demos foi neces sariamente simplificadora e apenas acenou a estas específicas dificul dades (que só poderiam ser discutidas em sede monográfica): todavia podemos dizer. ZeIler-Capizzi. de dificuldades que nascem da pretensão de estender ao múltiplo qualitativo o estatuto do ser eleata: para ser admitido sem cair em aporias. mas não teve muitos seguidores.A verdade é que Anaxágoras não possui o conceito do imaterial assim como não possui o conceito do material enquanto tal. 985 a lSss. La filosofia greca. Metafísica. NáJx)Ies 19622. Muitos pontos obscuros se encontravam na doutrina das sementes e da mistura. Mas é claro que Anaxágoras não podia fazer de outro modo: o seu Nous foi conquistado mais no nível de intuição que de dedução lógica: falta15. pois o ser eleata estrutural. nota 55. 13. como os seus predecessores. mas as multiplicaram enormemente. como ensinará Platão. Zeller-Capizzi. Já falamos do alcance do conceito de Nous. DO SER E DO COSMO vam-lhe todas as categorias que Platão e Aristóteles possuíam solida . Carbonara. nota 55. os estudiosos modernos não só não conseguiram superar as dificuldades implicadas nesses conceitos. o horizonte especulativo dos pré-socráticos ignora as duas cate gorias de matéria e espírito. 16. Cf. De resto. Aporias de Anaxágoras O pluralismo de Anaxágoras teve certo eco.mente aniquila toda diferença. 379. e o usa como uma espécie de deus ex nwchina. 378s. 12. continuando a explicá-las fisicamente. em poucas palavras. 17. p. p. 1 Presocralici. C. 86. ZelIer-Capizzi. 379. por tê-lo encontrado outras vezes nos pensadores preceden tes. p. fundamentalmente. 14. Como sabemos. uma espécie de “assassinato de Parmênides”. Fédon. mas não consegue separar-se dos seus pressupostos naturalistas” E acrescentamos — e disso daremos adiante ampla confirmação — que para poder separar-se de tais pres supostos o pensamento devia operar uma autêntica revolução: a que foi realizada pela épica “segunda navegação” de Platão. o múltiplo qualitativo exigia. Aristóteles. 3. mas depois em grande parte não cumpriu a promessa. ZeIIer-Capizzi. que se trata. p. 379. Restam a acrescentar as críticas que Platão e Aristóteles fizeram e que podem ser resumi das nestas breves proposições: Anaxágoras — diz Platão” — prome teu explicar as coisas em função do Nous. Anaxágoras — acrescenta Aristóteles’ — lembra-se do Nous e apela para ele quando não sabe mais sair das dificuldades. II. A 4. e a introdução destas como cânones hermenêuticos comporta uma fatal inflexão do pensamento daqueles filósofos. Platão. 97ss. Justamente por isso foi observado que com Anaxágoras “o pensamento do divino se afina.

. porém. vol. não será excessivamente arbi trário pensar em 480-475 como possível data de nascimento de Leucipo. De certo sabemos que em 423 a doutrina de Leucipo era conhecida e difundida. pelo menos por obscurecer notavelmente a figura do mestre.C. pp.)l. com boas razões. realizado por V. 1882. um único fragmento direto. A lO). 96ss. que pouco a pouco ter-se-ia desenvolvido e fixado através da colaboração entre o mestre e o discípulo. Com relação ao discípulo Demócrito. A descoberta dos átomos como princípio A doutrina atomista. mesmo aproximativamente. ao qual remetemos o leitor que deseje ter toda a documentação a respeito. o qual. De Mileto ele teria ido para Eléia e Abdera. o atomismo. pp. 64ss. (= Rohde. além dos testemunhos indiretos.mente e que lhes permitiam formular aquelas críticas e fazer o que ele ATOMISTAS não podia. Esta é a conclusão do reexame de todos os dados transmitidos. em todo caso. 247ss. Alfieri. como é sabido. 1887. chegou-se até a pôr em dúvida a sua existência histórica [ E. acabou. Verhandl. à qual Platão será levado. e agora em Atonios ldea. da mesma idade OU pouco mais jovem que Empédocles. 2. como nos diz no Fédon. L’origine dei concetio de/i’atomo nei pensiero greco. Foi discípulo. então com 20 anos. em Estudios em honra de R. A parte estes excessos hipercríticos que marcaram época (já Diels dera cabo da tese absurda de Rohde em Verhandl. Florença 1953.. sistematicamente desenvolvida e levada a êxito pelo discípulo Demócrito assinala a 1. pp. em 440 já teria ensinado a Demócrito. portanto. onde fundou a sua escola. Kl. senão por fazer cair em total esquecimento. in Archiv flir Geschichte der Phi/osophie. Diels-Kranz. 1881. os 1. (Ver.. De LeuCipo possuímos indicações tão escassas que. A 4. se. Per la cronologia de/la Scuo/a di Abdera. alcançando uma fama muito grande.C. justamente pela desilusão provocada depois da leitura do livro de Anaxágoras. m. Alfieri no já citado estudo Per la cronologia de//a Scuo/a di Abdera. OU pelo menos em torno a esta data. E dado que sabemos com suficiente certeza que Demócrito nasceu em 460 a. pp. 67 A 1. o ensaio de V. 35 Philologenvers. que as obras de Leucipo tenham acabado por ser absorvidas nas do discípulo. II ss. Rohde. de Leucipo. 1888. Schrzften. pp. Podese razoavelmente conjeturar que tenha sido um pouco mais jovem que Anaxágoras e. in Rheinisches Museum. Demócrito nasceu em Abdera em 460 a..). deve ter sido certamente mais velho de alguns lustros..). 1.C. 205ss. como nos é testemunhado. 1901. d. pôde ser discípulo de Zenão e de Melisso (cf. Tucumán 1957. dado que Diógenes de Apolônia. sobre isso. que sofre seguramente os influxos da doutrina atomista. fundada por Leucip&. a objetiva dificuldade de situar cronologicamente flOSSO filósofo. resta. d. tirado do livro Sobre a Inteligência. E eram todas categorias que pressupunham a conquista essencial da “segunda navegação”. naquele ano era parodiado nas Nuvens de Aristófanes. E. pp. E assim se explica que possuamos. que a partida de Leucipo da nativa Mileto deve ser situada na época da revolução de 450-449 a. Parece muito provável. e 245ss. A Leucipo podem ser atribuídas duas obras: A grande cosmologia e Sobre a Inteligência. na fl . Alguns pen sam. E. 1 ss.. 34 Philo/ogenvers. Mondolfo.

enquanto daquele Uno “se gundo a verdade” não deriva . à maior parte deles pela agudeza e rigor de pensamento.152 OS PROBLEMAS DA PHYSIS. p. dando uma explicação de acordo com a percepção sensível. Cf. pp. cujo elenco se verá nos testemunhos recolhidos em Diels-Kranz sob os números A 31. e ambos com a mesma teoria. de fato. pois o Ser em sentido próprio é absolutamente pleno. provavelmente. mais que a produção pessoal de Demócrito. no qual devem ler sido incorporadas também as obras de Leucipo e. o corpus da escola atomista. utiliza muito as suas opiniões e fala dele com claríssimo respeito” (Zeller-Capizzi. pondo um princípio conforme com a natureza [ fenômenosi. invisíveis pela pequenez do seu volume. São-lhe atribuídos nume rosos escritos. ao invés. 278ss. e sobretudo A 33. com finalidade cien tífica. dão nativa Abdera. sem negar os fenômenos (Leucipo conheceu a problemática eleata perfeitamente: como já dis semos. buscando salvar o princípio de fundo do próprio eleatismo. como o predecessor de Aristóteles. não levasse a negar nem a geração nem a destruição nem o movimento nem a multiplicidade das coisas. de fato. porque constitui um dos documentos mais conspícuos para a reconstrução do pensamento atomista: Leucipo e Demócrito explicaram a natureza das coisas sistematicamente. não havendo nada que separasse as coisas [ Leucipo. portanto. ele foi discípulo direto de Zenão e de Melisso) Aristóteles individuou perfeitamente a relação eleatismo-atomismo e expressou-a numa págima exemplar. 3. não existindo o vazio separado. afirma ter encontrado a via de raciocínios que. um infinito número de corpos. que vale a pena ler. haver movimento. com efeito. separando-se à destruição. a Asia Menor e a Pérsia. Me/isso. E geram as coisas coligando-se e estreitando-se. Demócrito teve uma cultura quase sem limites. Reale. de um lado. E estes corpos estão em movimento no vazio (para ele. visitando o Egito. Mas esse absolutamente pleno não é uno. 157). Demócrito pode ser considerado. DO SER E DO COSMO última tentativa de responder. Morreu muito velho. também as de algum discípulo. 21. ele faz concordar a sua doutrina com os fenômenos. que o vazio é o não-ser. Escreve ZelIer Com muita propriedade: “Superior a t(xlos os filósofos precedentes e contemporâneos pela validez do saber. Eles exercem e recebem ações quando se põem em contato: o que é. Enquanto. Porque alguns dos antigos filósofos [ eleatasi concebe ram o ser como necessariamente uno e imóvel: diziam. Realizou longas viagens ao Oriente. às aporias suscitadas pelo eleatismo. nem podia existir a multiplicidade. de Leucipo e depois seu sucessor na direção da escola. de outro. talvez. antes. mas. A 32. e não podia. alguns lustros depois de Sócrates. a prova de que não são um. 18. aos que sustentam o Uno porque não pode existir o movimento sem o vazio. o conjunto destas obras constituía. que de fato o cita muito amiúde. existe o vazio) e reunindo-se. dilapidando quase totalmente OS recursos (muito consistentes) deixados por seu pai. OS ATOMISTAS 153 lugar à geração e. ele concede que o vazio é não-ser e que do Ser nada é não-ser. pela rara associação das duas qualidades. permanecendo no âmbito do horizonte pré-socrático.

Aristóteles.multiplicidade nem da real multiplicidade a unidade. DO SER E DO COSMO OS ATOMISTAS 155 sistema: os muitos são porque podem ser como o Uno melissiano. Diels-Kranz. Portanto. fazendo daquilo que no Eleata era um raciocínio por absurdo. que Demócrito usava até mesmo o termo t&a. portanto. ao invés. para Leucipo. ele acreditava reduzir ao absurdo o pluralismo no qual os homens acreditam: os muitos. por lexicógrafos e mo estatuto do ser. dizendo isso. Os átomos são a fragmentação do Ser-Uno eleata em infinitos seres-unos. positivamente: édoxógrafos aos justamente neste mento e razão de ser do próprio múltiplo sensível. mudam continuamente e. alguns aprofundamentos e complementos. indiferenciação absoluta). estes deveriam ser tais como eu digo que é o Uno” e. de fato. não são. 154 OS PROBLEMAS DA PHYS!S. os átomos de Leucipo estão mais próximos do ser eleata do que os elementos de Empédocles e as homeomerias de Anaxágoras. sólidos. E impossível que sejam ininterruptos: porque não existiria mais outro sólido senão os próprios poros. como veremos. fundacaso. senão sempre. porque este é o estatuto do ser: deveriam permane cer sem mudar. portan to. Os corpos. ou seja. mas 18&L (forma). Em certo sentido. assim Leucipo diz que toda mudança e todo efeito sofrido se produz deste modo. portanto. 30 B 8. mas como Empédocles e outros dizem que os corpos sofrem modificações através dos poros. tudo seria vazio. que aspiram manter o máximo de características do Ser-Uno. E como o pluralismo amiúde. só geometricamente diferentes. Aproximadamente também Empédocles deve dizer a mesma coisa que Leucipo. que se põem em contato devem necessariamente ser indivisíveis. 324 b 35ss. E isso é atestado podem durar sempre e ser imutáveis. se é verdade que os poros não são absolutamente ininterruptos. E o que quer dizer . tância). 5. justamente. Bastarão. pela sepa ração e pela destruição que se determina por meio do vazio. A 8. Não se trata. mas indivisíveis. porém. deve riam ser eternos. pois isso é impossível. (= Diels-Kranz. E Leucipo voltou contra Melisso o argumento. Existem. para ser. A intuição fundamental do sistema de Leucipo deve ter sido tirada sobretudo do grande fragmento 8 de Melisso: “Se existissem os muitos — dizia Melisso —. mantêm ainda a igualdade do ser eleata de si para si (igualdade que era. isto é. 67 A 7). ser conformes ao suprenos dito de modo explícito. e vazios os seus intervalos [ Do que se disse. e pelo acréscimo que analogamente se verifica quando nos vazios se insinuam outros sólidos. vale dizer. pois isso seria anacrônico. não-perceptível. o fundamento do próprio 4. para designar o átomo. A geração e a corrupção. a geração e a destruição seriam dois processos que se realizam quer mediante o vazio. do múltiplo empírico dado quais não temos nenhuma razão para não prestar fé pelos sentidos. mas de um múltiplo ulterior. § 2. quer mediante o contato [ A apresentação de Aristóteles é perfeita e clara. porque são qualitativamente indiferenciados e.

Analogamente. assim o pluralismo dos átomos de termo ‘idéia’ a Leucipo. encontra o seu termo final num mundo do pleno. portanto. de resto [ pouco L6éa? A na qual nos gratuitamente o uso do anterior). indo sempre mais além até onde chegar à doutrina do átomo. não existe antes dele dis . pode tação em partes. mais uma vez invertendo a gerar o concreto sensível. especialmente na fase histórica da língua grega positivo a hipótese melissiana de uma multiplicidade que mantivesse encontramos com Demócrito (mesmo sem querer atribuir idêntica a própria qualidade. aqui Leucipo. não a do vazio. fosse razão de ser da muipois é difícil declarar indivisível o que é perceptível tiplicidade fenomênica qualitativamente diferenciada ser considerado suscetível de fragmen indivisibilidade. pela sua pequenez. evidentemente. pois. Melisso desenvolve essa temática.imaterial senão o vazio. pleno e vazio Leucipo construiu sua concepção do átomo e ligou a análogo ao sensível e por isso considerado capaz de embora sempre possibilidade do movimento ao vazio. ainda mais completamente. dos modernos a palavra “átomo” evoca inevitavelmente os significaafirmação de uma realidade imaterial antes de Platão Não se encontra dos que o termo adquiriu na moderna ciência. que parte do os sentidos não quintessenciado e pondo dialeticamente pleno e vazio. justamente. Aos ouvi. mantendo idêntica a própria invisível.empedocliano e anaxagoriano — como vimos — invertia em sentido etimologia. aos sentidos e. que não admite nada de Mas devemos esclarecer ainda um ponto fundamental. o que é visível ao intelecto. do movimento e em que sentido i em que sentido visí das suas hipotéticas condições contida no fragmento 7 de Melisso. trato. Tal é a “idéia” ou forma. o visível geométrico. a temática do vazio. só à visão do intelecto: o intelecto abs constitui o outro antecedente imediato a partir do qual Leucipo pôde visível corpóreo. do pleno. Em Parmênides encontra-se a temática podem chegar. em termos de Forma é. realizava em sentido positivo a não deixa dúvida: t&a é o visível. Mas o átomo é hipótese de uma multiplicidade que.vel? Visível. que é a analogia do visível corpóreo. mas define o vazio justamente como não-ser. E então. contradespotenciado. afirmada como conseqüência da sua natureza qualitativamente indiferenciada. que pode ser hipótese negativa de Melisso em sentido positivo concebida por uma filosofia materialista. E. de Galileu à física (e nisso está a grandeza maior de Platão).

material e imaterial estão no mesmo plano: tinção entre dois No atomismo. ambos é átomo que se diferencia dos outros átomos pela figura. como da novíssima (mas apenas conquistada) resposta de Anaxágoras: o movimento não deriva senão do movimento. O átomo dossão o ser e o não-ser. que é qua quando o nome neutro to cirotiov não é usado em sentido genérico (a imaterialidade e finalidade. to? ZelIer sustentou uma Porém. que é coisa. os dois termos inseparáveis da dialética do abderianos traz em si o selo típico do pensar helênico: é átomo-forma. aquela que está além 6. Reate. movimento mecânico e necessidade movimento pela sua própria natureza. DO SER E DO COSMO OS ATOMISTAS 157 substancialidade do ser individual. na filosofia grega: nisso está a rencia-se tanto da resposta de Empédocles. um material e outro imaterial. tanto Demócrito como Platão. se . ou substância indivisível). Cf. mas só foi muito bem esclarecido por Alfieri. 156 das aparências e ilusões de uma experiência acritica e Ato i é a primeira afirmação da individualidade. admitidos agora (à diferença do eleatismo) para poder pensar. Átomos. é átomo eideticamente pensado e representado. pp. 242ss. Cf. Então. ainda grávida de elemen grandeza de Demócrito” intuitivamente tos imaginativos.Loç é sempre feminino quantidade.contemporânea. que se tornou canônica. Antes da idéia platônica. 7. Me/isso. numa página exemplar: “ quantitativamente. Pois bem. Mas é interessante que tanto e não masculino e átomos. é preciso despojar a palavra átomo desses planos da realidade. ordem e dar razão da experiência. se quisermos descobrir o sentido ontológico originário com efeito. segundo o qual a entenderam os filósofos de Abdera. neste caso. enquanto os átomos estão originária e eternamente em 2. diferenciada. quantitativa e geometricainterpretação. como se deve conceber mais exatamente esse movimen Dos átomos qualitativamente iguais. o termo ccroj. da lidade. subentende não ouciu (subs o materialismo como o idealismo. materialidade OS PROBLEMAS DA PHYSIS. Reate. aproblemática. a forma é o visível do intelecto: a posição. p. definam como a realidade mais verdadeira. significados. Me/isso. Este ponto pura enquanto individuada e quantitativamente. materialidade e necessidade. 179ss. existe a idéia democritiana.

todas as suas movimento originário dos átomos seria o da queda afecções.mente diferenciados. a primeira distinção entre aquelas que serão chamadas átomos. do atomismo dos epicuristas’°. Enquanto Empédocles e Anaxágoras peso. deste. o vórtice age à guisa de o que leva os átomos a agregar-se e depois a desagregar-se? elementos mais pesados dispõem-se no centro Empédocles e Anaxágoras como vimos acima — tematizasão atraídos pelo vazio exterior e assim turbinoso. o elementos materiais de massa diferente produz um movimento morrer é um desagregar-se ou dissociar-se do composto atômico. de modo que os do vórtice. sem qual. os menores forma-se o ram cuidadosamente uma nova “causa”. o mundo Mas os estudos gundo a qual o gerada pelo seu depois o tativas das sementes. derivam todas as coisas que são. nascimento e morte. analogamente ao que disseram Empédocles e tem-se o afluxo e a concorrência de átomos de Anaxágoras. as segundas são fenomênicas manifestações janela. no atração do bateia. pela presença de um considerável grandeza. os atomistas derivam todas as determinações posteriores a ZelIer esclareceram que esta não é a opinião original dos qualitativas fenomênicas de determinações quantitativas geométricas. a) O movimento ori Nasce. vazio de abdenanos. qualidades e estados. que to vorticoso. o movimento pré-cósmico. há também um movimento dos átomos . devia ser concebido pela filosofia moderna de “qualidades primárias” e “qualidades sedeslocar-se e girar em todas as direções. como a poeira cundárias”: as primeiras são as qualidades geométrico-mecânicas que vemos em suspensão através dos raios de sol entran caracterizam os átomos. várias formas e Já vimos que. b) Diferente deste era pensado o movimento derivadas do encontro dos átomos. geração e corrupção são negados diferentes pesos no espaço livre: essa concorrência de como tais pelos atomistas: o nascer é um agregar-se dos átomos. Mas semelhante para o semelhante. assim como da relação das coisas leva à constituição do mundo. o qual “se produz quando. a que Anstóteles chamará de cosmo. mas ginário dos como um atmosférica que do por uma cosmogônico. que é um movimen com os nossos sentidos. c) Enfim. operando a lei primária da agregação que é a da que em tais processos nada derive do nada ou termine no nada. do movimento de queda ter-se-ia originado derivavam as qualidades visíveis de originárias diferenciações qualimovimento vorticoso e. assim.

Alfieri. tudo se explica de modo final. Momos Idea. causas. mas o contrário de uma espécie particular de causa ou. ou falar dela de modo vago. ZeIIer- 10. ou seja. sobretudo em pensadores que programaticamente tentavam corrompem. portanto. pp. sem termo. sendo infinitos os átomos. sobre isso Alfieri. segundo os atomistas. o primeiro formado. Alfieri. pp. os eflúvios físicos anteriores a Parmênides puderam ou não falar expressamente que. que consiste em átomos que se libertam dos agre introduzindo o amor e o ódio como forças cinéticas. no cosmo gados atômicos e duzindo a Inteligência. Momos Idea. 78ss. De resto — e isso também vimos — se os dos perfumes). de uma das que serão as quatro causas aristotélicas. DO SER E DO COSMO os ATOMISTAS 159 Os cosmos e as coisas contidas em todos e em cada um deles. melhor maior à menor. 52ss. como é tenha causas finais. não que os rigorosamente mecânico e necessário. o pelos átomos e pelo movimento: portanto. por exemplo. Cf. __________________________________________ Momos Idea. Pois bem.causa eficiente ou causa da qual tem origem o movimento. portanto. 84. o segundo introformam os eflúvios (como. p. 8. a resposta dos atomistas ao problema difeCapizzi. põe as ulteriores contra o que era não só a sua intenção. pp. Compreende-se ser também os às vezes também enfim. 158 9. oportuno deter-nos em negaram a causa final. Leucipo e Demócrito passaram à história. da geral. Evidentemente trata-se de um juízo que pressu sabido. como aqueles que afirmam o mundo “por acaso”. Cf. isso não era mais possível mundos por eles constituídos. 187-208. se eleatismo. recuperar o mundo fenomênico do qual o movimento é a caracteris tica de fundo. I Cf. justamente aquisições platônicas e aristotélicas. desenvolvem-se e. mas depois das drásticas negações de toda forma de movimento do idênticos: mundos que nascem. OS PROBLEMAS DA PHYS!S. O juízo significa. mas só que contrário da causa abdenanos tenham negado que o mundo tenha Curiosamente. mas também o efetivo sig. Será. porque esta ainda não tinha sido atomistas não . infinitos devem dessa causa. são produzidos unicamente ainda. mundos diferentes.Mas este esclarecimento permite-nos dizer ainda outra coisa: os nificado da sua especulação.

tudo lúcida e rigorosa dedução do sistema atomista.(átomos e movimento). justamente tão rigorosamente E o mesmo sustentava Demócrito. com o seu Nous. segundo o que nos Como qualquer forma de mecanicismo. o . pois a causa das formações de todas as coisas é o movimento vorticoso que ele [ chama exatadivino mente de necessidade’ E a natureza da necessidade. O mérito responde ao fato. a alma. a causa final não não tinha chegado abderianos. Para eles tudo é resultado preciso de determinada causa: a um nível temático na especulação. O homem. consistia dos atomista revela as suas insuficiências sobretudo na explicação 3. qualquer fenômeno do que apoderar-se do reino dos persas’ e nada levado adequadamente à consciência crítica): portan melhor que este testemunho para explicar a atitude mental dos podia ser conscientemente negada porque ainda mas não o tinha to. como Diógenes Laércio nos porque pôde se beneficiar da radical experiência redutiva do adversá rio Demócrito. como nos transmite Aécio. com aqueles dois princípios tiva de explicar tudo exclusivamente Leucipo. contemporâneo de Leucipo. também o pensamento refere Aécio. Portanto. refere: Tudo se produz conforme a necessidade. com efeito. justamente na tentaacontece segundo uma rigorosa necessidade. a nada acontece e nada é pensável sem a sua causa. fez compreender claramente o que faltava mento textual que nos chegou do filósofo. Diz. Foi-nos transmitido que Demócrito costuexplicitada (Anaxágoras. no seu livro Sobre a Inteligência: “Nada descoberta será de Platão: mas é certo que Platão pôde afirmar se produz sem motivo. sim. Ademais. reportando-nos o único frag.alguns pontos da questão. para Demócrito. proclamava expressamente princípios: vê-se com clareza que do caos atômico e do a necessidade universal: um cos àqueles movimento caótico não era estruturalmente possível nascer ino. mas tudo com uma razão e necessariamente” a necessidade da causa teleológica. entrevisto o problema da causa da ordem. se não se desta Leucipo diz que tudo acontece conforme a necessidade e que esta coradmitia também o inteligível e a inteligência. descoberta e mava dizer que preferia encontrar uma única explicação causal de tinha.

divinos. e que neles. naturalmente. Diels-Kranz. vale dizer: considera-se e melhor adiante. De fato. opinião o quente. neste contexto. Diz. e assim. advém a vezes refuta as aparências sensíveis e diz que nelas nada morte. em particular do homem. corpo. conforme a verdade. é constituído Por que. 68 A 1). sejam chamados divinos. Diógenes Laércio. ele diz: explica a sua superioridade sobre o corpo. e todos os átomos ígneos que estavam no corpo se dispersam. Os átomos da alma têm a atribuir valor de credibilidade à sensação. mas com a respiração são sempre reintegrados todos aqueles 160 OS PROBLEMAS DA PHYSIS. da sua vida e do seu conheci mento. DO SER E DO COSMO OS ATOMISTAS 161 Demócrito às nos aparece átomos ígneos que conseguem sair. que é o que dá a vida e também o movimento ao corpo. doce. O corpo humano. e não os do corpo. explica-se bem que eles corpo e do que nele penetra ou lhe resiste”. opinião o amargo. 45 (= Diels-Kranz. 12. dada a privilegiada posição que no sisteseja invariável. IX. 68 A 66. 68 B 118. Diels-Kranz. pois. e. Nos Livros probatórios. mas na verdade não existem. e que o verda A alma é. depois. assim o vivificam. julgou-se que Demócrito “põe o mundo por de um encontro de átomos. portanto. eles tendem também a sair do 15. a buscar os bens da existam as qualidades sensíveis. como todas as outras coisas. Pela sua sutileza. mal se deiro nos objetos consiste em que estes são átomos e vazio. alma. não significa o contrário de causa em alma. todavia. com efeito: “Nós. no movimento e no choque da matéria’ organismos. da mesma natureza do corpo. seja opina-se que mas somente os átomos e o vazio. os átomos e o vazio”. embora tivesse prometido encontra que ele cemos nada que sição do nosso . 67 B 2. humanos.II na impenetrabilidade. de natureza ígnea. Cf. a cuidar da alma e não do corpo. também não se forma mais perfeita. e 13. opinião o frio. também a alma. mas só conforme a opinião. lisos e esferiformes. Estes átomos propagam-se por todo o corpo. é constituída de átomos mais sutis que os outros. mas são sempre qualitativamente iguais a todos os as condene. Diels-Kranz. mas só aspectos mutáveis segundo a dispo ma atomista se atribui aos átomos da alma. não conhe outros átomos. como veremos opinião a cor. então. Cessando a respiração. A acaso”? Acaso. chegando mesmo a admoestar. mais que nas outras coisas. verdade. 14. que Demócrito. Em todo caso. na realidade. “Opinião (é) o sustenta de vários modos.

A outra forma é genuína. gosto e tato. como sabemos. reconhecendo a esta a credibilidade em julgar o verdadeiro. Essas distinções são conformes com a experiência interior. chegam das a sensação do tato. prosse Das coisas emanam.gue dizendo: “Quando o conhecimento obscuro não pode mais alcançar um gam ao contato com os sentidos e geram desse modo sensação e conhe. que. através do eflúvios. não podia contrapor senprincípios do atomismo: de fato.objeto menor. como já Empédocles dissera. olfato. diz: alma com os quais a mente e o pensamento coincidem. que che. capaz de nos conduzir ao fundamento das rém contra os das no nível conquistadas. O contato dos átomos. eflúvios de átomos. e dificilmente podia também distincrítico. isto é. E os “principia mentis” são os ígneos átomos da Empírico. Depois. apropriado para pensar”. e os objetos desta são escondidos [ conhecimento sensível ou obscuro]”. também os atomistas identificaram o divino com o que os sentidos e mediante a inteligência: e chama genuíno o de Sexto Nos Cânones [ mento. então impressionem os átomos semelhantes em nós. enquanto ao outro dá o nome de obscuro. o semelhante. Átomos e movimento explicam também o conhecimento. ele considerou a sensação como subjetiva e obscura. precisam de categorias que só com Platão serão guir um do outro no nível crítico. . negando-lhe a segurança em conhecer o verdadeiro. nem com a vista nem com o ouvido nem com o olfato nem com cimento. Diz textualmente: “1-lá duas formas de 4. permite que os átomos semelhantes fora de nós socorre-lhe o conhecimento genuíno. um genuíno e outro obscuro. audição. Como todos os afirma que existem dois modos de conhecipredecessores. mediante há de mais elevado no seu sistem& conhecimento mediante a inteligência. p0Demócrito.visto o divino: “principia mentis quae sunt in eodem universo deos esse E no fragmento 11. mas deve dirigir a pesquisa ao que é ainda coisas aos sentidos. Todavia. com base no seu naturalismo. O conhecimento todos esses conhecimento. agindo o semelhante sobre justamente um órgão mais fino. como o que possui o gosto nem com mais sutil. para serem justifica sação a conhecimento inteligível. mostrando a superioridade do conhecimento genuíno sobre o obscuro. e só o conhecimento intelectivo como conhe cimento genuíno. que transcrevemos com o relativo comentário dicit” refere Cícero. ao obscuro pertencem objetos: visão.

quase totalmente na próprio e imprimir-se na alma esta norma. o ódio. 162 OS PROBLEMAS DA PI-JYSIS. se temos OS ATOMISTAS ele está muito longe de saber fundar filosoficamente um discurso a saber do que quando todos saberão. 68 A 74). mas nos da alma: Não digas e não faças nada de mal. A concepção democritiana do divino é. Cícero. Demócrito exalta a vitória do homem sobre os próprios Como se vê. 164ss. De na!. ademais. escolhe os bens humanos Todo país da terra está aberto ao homem sábio: porque a pátria da alma virtuosa é todo o universo Os homens não se tomam felizes nem pelos dotes físicos nem pela riqueza. mas é preciso envergonhar-se sobretu moral: ele permanece aquém da filosofia moral. Contudo. se é auda nossa sorte’ têntico o fragmento que segue. e faz consistir a por medo. DO SER E DO COSMO 163 -se bem. presente que ele vive na época socrática. mas aprende À alma pertencem a felicidade e a infelicidade’’. mas pela retidão e pela prudência Este é um pensamento que sobretudo os sofistas e os socráticos fundarão e difundirão. muito complexa: ver a exaustiva análise do problema em Alfieri. embora estejas sozinho. Atonios Idea. inconveniente Abstém-te das culpas não Demócrito considera a felicidade o fim da vida. 1.coisas. deoruni. faz também profissão de cosmopolitismo: Quem prefere os bens da alma escolhe o que tem valor mais divino. também por estas citações. os pensamentos morais . mas porque se deve felicidade não nos prazeres do corpo. nada fazer de dimensão espiritual dos pré-socráticos. mesmo que diante dos outros a envergonhar-te muito mais diante de ti do diante de si A felicidade não consiste nos rebanhos nem no ouro. A ética democritiana no-lo apresenta: De Demócrito chegaram-nos numerosos fragmentos de caráter 16. Portanto. 120 (= Diels-Kranz. E. A particular presença da temática moral em Demócrito explica 17. os vícios em geral. pp. ético. 43. Diz o fragmento 9 e o relativo contexto no qual Sexto Empírico 5. quem prefere os bens do corpo. a alma é a morada Previne contra a inveja.

na substância. 68 B 244. 68 B 264. Diels-Kranz. 25. Estes pensamentos permanecem são escravos das mulheres moral. na forma. 26. e não se deve fazer o mal mais facilmente quando ninguém virá 18. não por temor de perder a reputação dos outros. Diels-Kranz. gado aquém da filosofia moral. Diels-Kranz. 27. 68 B 37. Há homens que dominam sobre cidades e mecânico de átomos materiais. 22.desejos sensíveis. 68 B 124. 68 B 40. Diels-Kranz. e sustentou que a água é o princípio de todas as coisas mas assumiu também o fogo heraclitiano. 21. mas também a antes. do procedimento senten cioso dos poetas e dos sete sábios. ademais. 68 B 170. puseram mais denso que o fogo ou mais sutil que o ar” ou “um elemento . Diels-Kranz. é gerado pela própria água. Diels-Kranz. 68 B 62. considerados inferiores. Ele exalta. não só a justiça e o bem. e exalta o autodomínio:de Demócrjto não se distanciam. por conseqüência. não concordam Valoroso não é só o que vence os inimigos. que faz do homem um mero agre sabe dominar os próprios desejos. também B 105. mudar radicalmente o próprio eixo da sua vontade do bem: por Sócrates. segundo ele. 23. Diels-Kranz. 20. cf. Para que pudesse surgir a filosofia a especulação devia. 24. OS FÍSICOS ECLÉTICOS l65 IV. O fenômeno do ecletismo físico e a involução da filosofia como princípio gerador “um elemento da natureza Outros ao invés. que. que é preciso manter-se longe do mal. mas depois “venceu a força do elemento gerador e compôs o cosmo” 1. Diels-Kranz. 68 B 247. mas por respeito a si próprio: Não nos devemos envergonhar mais diante dos homens que diante de nós mesmos. OS FÍSICOS ECLÉTICOS Assim. Hípon’ repropôs um retorno a Tales. mas também aquele que com a idéia de fundo do sistema. Diels-Kranz. tal como logo veremos. problemática: e esta mudança só poderá ser operada pelos sofistas e Verdadeira bondade não é o simples fato de não cometer ações injustas. Diels-Kranz. 68 B 41. e. 68 B 171. mas o não-querer cometê-las Afirma. 19.

de um lado. voltar a posições da especulação jônica. Tales e Anaxímenes. da Inteligência. a uma propostas dos pluralistas. estavam perfeitamente conscientes da cia de Hípon. Doxographi graeci. por conseqüência. e. 566 = Diels-Kranz. fundir e mediar as suas instâncias. escassíssima importân à filosofia da natureza. verdade que se trata certamente estes inócuos esforços de mediação de pensádores que extraem os elementos da sua especulação de mais definitivamente superadas que podiam restituir vida de um dos filósofos que examinamos. Rei:. 3 l-lipólito. de fato. Não temos condições de identificá-los com absoluta exatidão. 1. Fecham a série dos físicos alguns pensadores que a moderna infinito E aqui é evidente a tentativa de mediar Jonicamente. pensam que se . retornar ao “monismo”. ver exatamente as aporias que o eleatismo deixou como herança ao testemunhos indiretos. embora acolhendo também ulteriores conquistas especulatrate de Ideo de Emera. e a ele. à afirmação da unidade e até mesmo da unicidade do 4. tentaram resolpensador. embora de maneira conjetural (cf. porém mais espesso que o ar” e o conceberam. de outro. exploração les faz alusão sem O nosso interesse única figura de além de não pela sua tentativa de retornar ao monismo. Os estudiosos Princípio. julgado por Todavia é igualmente verdade que se trata de pensadores aos Aristóteles de maneira decididamente ne quais (ao menos pelo que deles refere a antiga tradição) escapou gativa e dos outros ecléticos dos quais falamos (aos quais Aristóte quase por inteiro o sentido da revolução operada por Parmênides e sequer mencionar o nome) pelo eleatismo e. 16 (= Diels. os quais. p. A 3). porque é. em substância. julgando de modo negativo o “pluralismo”. portanto. A qualificação é Anaxímenes. de modo diverso. alguns significativos fragmentos). e pensamento filosófico. 38 Eles quiseram. também o sentido das sucessivas por esses físicos restringe-se. sem dúvida. como Heráclito e Mas não eram entre posições já historiografia filosófica qualificou como “ecléticos”. Diógenes de Apolônia (do qual chegaram. pelos gente necessidade de resolvê-las que induziu os físicos ecléticos a motivos que logo veremos. de fato. mas pela sistemática da descoberta Foi justamente a não-compreensão das aporias eleatas e da uranaxagoriana do Nous.mais sutil que a água. Já os antigos. com evidente intenção de então no extremo de suas forças. só parcialmente adequada.

math. 38 A 7). 38 A 2) extrai-se que Hipon deve ter estado Cf. nos chegou e por um testemunho aristotélico: se. quando observa que. 8. 988 a 23ss. porém. vol. também Zeller-Mondolfo. e cada um. 257ss. Cf.. Diógenes de Apolônia e o seu significado histórico coisas originam-se do uno. fosse diferente dos outros e não fosse derivável dos outros. vol. 9. Na verdade. se todas as coisas não fossem o uno. por sua vez.). Metafísica. Diels-Kranz. que. Diels-Kranz. II. pela própria natureza. A 6. E isto o diz É preciso dizer que todas as Diógenes. entre os sustentadores da tese segundo a qual o ar é o princípio. Aristóteles. 405 b iss. ibidem). 360 [ Diels-Kranz. Sexto Empírico. IX. 63. situa-o. Aristófanes (reportado em Diels-Kranz. r 5. alma. neste caso. Cf.). p. II. 6. nem Este princípio. 63. 1-3]). pp. II. 63. expressamente Ideo de Emera (Adv. mas. 2. 9ss. Diels-Kranz. SI. 166 OS PROBLEMAS DA PHYSJS. A 7. 1. De resto. 38 A 1).). pensa Diógenes. A 8. os calor que se converte em frio ou o frio que se converte em calor. 11 e 26. evidentemente. não supusessem instâncias pluralistas. 303 b lOss. (= Diels-Kranz. do qual falaremos. 38 A 4. 51) referem ambas as afirmações que reportamos (cf. 51. segundo outros Crotona (Diels-Kranz. 38 A 16). (Diels-Kranz. 11. se tornasse frio e o frio. A 10. A II etc. 51. em todo caso. Aristóteles. segundo outros ainda Reggio (Diels-Kranz. não afetassem este princípio fundamental ou que. 2.tivas. junto com Diógenes de Apolônia e Arquelau. 38 A li). Da em atividade na época de Péricles. Do céu. A 2. Aristóteles. p.. que nomeia Diels-Kranz. Segundo alguns foi Samos (cf. I p. segundo outros Metaponto (cf. se tomasse quente. é o substrato’ elementos fossem múltiplos. 984 a 3ss. De uma indicação assinalada por Bergk contida num escólio às Nuvens de Diels-Kranz. vol. mais 1. que o retornar ao monismo são-nos bem conhecidas por um fragmento que exemplo. enfim Sss. Idem. vol. DO SER E DO COSMO OS FÍSICOS ECLÉTICOS 167 2. As nossas fontes não são concordes em indicar o lugar de origem de Híp que o nome. Cf. A 3. p. 51. 5. vol. para Diógenes não é um intermédio entre quente. 63. 38 A lO). 7. p. não seria As razões que levaram Diógenes’° a não aceitar o pluralismo e a possível que agissem uma sobre a outra e sofressem uma da outra. interessam as afirmações. por Porque não é o . porém. 63. (= Diels-Kranz. supra notas 4-6. Metafisica. ( Diels-Kranz.

enfim. um deles) não poderiam estruturalmente (dada a sua diferença de temunhos e fragmentos amplamente nos informam. que se transforma e muda. Para dizer tudo em poucas palavras. e para as chuvas e para os ventos e para o sereno. ser explicados pela Inteligência comclaro: porque. terra e água e ar e fogo com o ar. sejam o mesmo. natureza) misturar-se entre si. embora de maneira física e. para o inverno e para o verão. encontrará que é disposto do melhor coisa. na tentativa de fazer coincidir o ar de beneficiar aos outros nem. e. e outra por sua própria natureza. E isso é podiam não derivar e. em outros termos: um não poderia nem fazer dano nem justamente. digo. então eles (e as coisas derivadas de cada mas. receber benefício ou dano dos o Nous de Anaxágoras. as coisas não poderiam nunca exista para cada coisa uma mistura. ser existentes sejam por alteração do mesmo. Antes. portanto. como para Anaxímenes.transformável nos outros. problemática e aporética. por mais de uma alteração e transformação do mesmo princípio. como os tes ar e água ou fogo. Eis as palavras literais de Diógenes: fenômenos do universo. compostas de modo a ser o mesmo. como não podiam senão derivar e. quem quiser pensar. antes. assim também não portanto. se. afirmando que este princí outros. se as coisas que são agora neste mundo. os quais. e. precisamente. parece-me que todas as coisas explicados pelo único princípio-ar. E. quero dizer. e da para a noite e para o dia. terra não poderiam nascer nem plantas nem animais nem qualquer outra E também o resto. cidente e todas as outras coisas que neste mundo existem. o elemento identificação da Inteligência com o ar que “ar infinito” O direção. nem misturar-se entre si. é ar. vice-versa. alguma destas Eis as textuais palavras de Diógenes: fosse outra das outras. possível’ modo fazer que . pois. Para que tudo isso seja possível. e não fosse uma Não poderia [ ar] distribuir-se. seria igualmente impensável que da terra nascessem de muita inteligência” plantas e animais. e nem mesmo poderiam sofrer recíproecletismo de Diógenes manifesta-se. nem beneficiar nem fazer dano uma à outra. explicar pela Inteligência todos os razão. se não fossem. em outra cas afecções. se não tivesse inteligência. de modo a forma do mesmo. Anaxímenes com pio-ar “é dotado Foi exatamente esta permitiu a princípio original deve ser único e todas as coisas devem derivar por Diógenes.

A geração e a corrupção. tem de prazer e de cor. em particular atividade entre 440 e 423 a. e que chega a todas as partes. Diels-Kranz. DO SER E DO COSMO OS FÍSICOS ECLÉTICOS 169 muitos modos é. este calor não é igual em cada animal. que é mais 13.). porque. 3. p. 322 b l2ss. Doxographi graeci. como sempre variadas modificações dele. dispõe de tudo e está dentro de todas as coisas. 64 8 3. mais lento e mais rápido. Diógenes de Apolônia viveu no século V a. além das doutrinas de Anaxágoras. Nada existe lO. Também as almas de todos os animais são a mesma Anaxágoras introduziu pela primeira vez a Inteligência como princí coisa.. Ora. que dele não participe: nada. 64 A 5). 64 B 2. naquela época. com efeito. que noS informa deque o pensamento de Diógenes de Apolônia. OS cômicos gregos caricaturavam pessoas vivas. Ia Aris!. as úmido. depois (e os antigos já se deram perfeitamente conta. 15. participa dele na mesma medida que como regra geral. porém.C. 59. Aristófanes fala dele nas Nuvens (que é de 423 a. e. Aristóteles. (= Diels-Kranz. 168 OS PROBLEMAS DA PHYSJS. mais quente e mais frio. pelas seguintes razões. 1. Diógenes devia ser ainda vivo. (= Diels-Kranz. recente. 12. 28ss. ele não explorou a fundo esta sua descoberta e. pode-se verossimilmente concluir que o nosso filósofo deve ter exercido a sua 14. mas não difere muito: difere quanto é possível dentro recordamos). p. A 6. ar mais quente do que o de fora no qual vivemos. na dos limites da semelhança das coisas. se tem outra coisa. recorreu normalmente às tradicionais causas pio. Se. Diels-Kranz. Aécio. IS e p. II.C. 477 = _____________________________________________ Diels-Kraiiz. IS!. 26 (= Diels-Kranz. Simplício. mais seco e mais mais recentes pesquisas’ levam a um radical Na verdade. mas muitos são os modos do próprio ar e da inteligência. e que ele dirige e governa tudo. foi influenciado também pelo atomismo. E muitas outras modificações infinitas exisredimensionamento do juízo de ZelIer. Porque parece-me que é deus.todas essas coisas nascem do mesmo. e a ele retornam”. 60. 64 A 7). mas muito mais frio do que o que está perto do sol. P/zys. E no fragmento 5 lemos: E eis o testemunho paralelo de Aristóteles: Parece-me ser dotado de inteligência aquilo que os homens chamam de ar.C. depois. II). mas já explicação . 64 A 7). 64 B 2-5. como e nem em cada homem. De em conta também o testemunho de Teofrasto (Diels. Todavia não podem ser verdadeiramendo mundo.

e a levou ao extremo: aos limites além dos mento. de mais de Diz o nosso filósofo: um documento e como veremos oportunamente. Além destas. que deriva do concepção de Deus e da finalidade universal que Sócrates princípio e a ele retorna. pelo modo de vida e pela inteligência. enquanto é um momento do notável influxo no ambiente ateniense e constituiu um dos pontos de princípio. Todavia todos vivem e vêem e ouvem por obra do mesmo elepor Anaxágoras. então o homem morre e o pensamento o abandona’ A avaliação que a historiografia filosófica deu de Diógenes foi 3. e tificando a iniciada quais só revolucionando Há mais. dessemelhantes entre si pela forma. existem outras importantes provas de que as coisas são não se poderia prescindir. como aparecerá claramente nesta minha obra. o mérito principal do Apoloniano parece-me que deva ser Diógenes Laércio: . Inteligência com o princípio de todas as coisas. Portanto. do princípio. e por muito tempo impôs-se o seguinte juízo de Zeller: “Porquanto tal tentativa pudesse ser digna de consideração. Como fica claro por este fragmento. apresentação dos físicos ecléticos mencionando a todavia não se pode dar uma avaliação muito alta da sua importância Atenas filosófica. se se quiser entender a uma etapa da qual partida da assumiu e desenvolveu. não em sentido físico. Diógenes. Porque os homens e os animais vivem. porém: a o princípio primeiro. assim como concepção teleológica de Diógenes teve um físicas. por assim dizer. pois. iden mar-se no mesmo. Este é para evolução do pensamento teológico e teleológico dos gregos eles alma e pensamento. respiram. Ao invés. e também a inteligência. a nossa alma. estas e aquelas. um fragmento. antes de transforapelou raramente à Inteligência. Arquelau de Atenas Concluamos a Arquelau de Refere dele normalmente negativa. Diógenes assinala. fez desta de muitos modos e muitos devem ser os animais.te do mesmo modo as coisas que mudam. dado que de muitos modos é a transformação. e se ele se separa. e. todos a derivam do mesmo’ os horizontes da filosofia da physis seria possível proceder. pelo grande número de um uso sistemático e exaltou a concepção teleológica do cosmo. é ar-inteligente. do ar. como resulta assim. apenas modificações.

portanto. do belo outras fontes. ou seja. segundo ouconhecimento empírico da natureza e a sua explicação empírica. 64 B 5. p. será preciso de Anaxágoras. além da filosofia sofística. 2. 64 B 4. 44-49). com as quais ele se esforçou por promover o Arquelau Ateniense ou Milesiano. em matéria de teologia e teleologia. à semelhança De Diógenes de Apolônia e de Arquelau. 16. Veremos que Sócrates inspira em Diógenes. 60 (vol. Ele foi o suas hipóteses filosóficas. A filosofia grega no seu complexo já tinha há tempo. 241-269. pp. Ver mais adiante em particular o capítulo sobre a teologia e teleologia socrática. La teologia dei primi pensatori greci. de Mido. Diels-Kranz. porquanto nele encerrou-se a filosofia naturalista. tros. mestre de Sócrates. Este. atribui a Sócrates. por Anaxágoras e pelos antigos _____________________________________ físicos.posto nas pesquisas. pp. foi primeiro da Jônia de Diógenes. ateniense de origem. Sócrates. filho de Apolodoro. ao contrário. para comprender de . Zur Geschichte der :eleologischen Naturbetrachtung bis auf 19. II. Aristófanes. partir. que desenvolveu e ampliou as suas concepções éticas. 1 7. Zelier-Mondolfo. 170 OS PROBLEMAS DA PI-IYSIS. admitia a mistura da matéria e os princípios do mesmo modo. Todos OS testemunhos que nos chegaram sobre Arquelau estão recolhidos em 18. Parece que tratou da interpretação das leis. de “mestre” de Sócrates O próprio e do justo. DO SER E DO COSMOOS FÍSICOS ECLÉTICOS 171 o naturalista. Diels-Kranz. filho de Apolodoro ou. 282. Diels-Kranz. Zurique 1925. para além da orientação própria da antiga física jônica”’. 20. Ver W. em algumas passagens das Nuvens. 21. troduziu a ética. foram-lhe oferecidas prontas a introduzir em Atenas a filosofia naturalista e foi chamado pelos seus predecessores. as discípulo de Anaxágoras. II. percorrido caminhos que a conduziam sem confronto Aristoteles. porque atribui a Diógenes até o que Xenofonte. mas por pelos problemas éticos. na era Thejler. Jaeger. embora pareça que a Arquelau não fosse estranho o interesse Diógenes Laércio (na passagem acima lida). Sócrates inimportância deste pensador está no papel que lhe é atribuído. mas operando uma reforma radical. O primeiro destes estudiosos caiu no excesso oposto. põe na boca de foi posteriormente considerado o inventor da ética Sócrates algumas afirmações claramente extraídas de Diógenes e dos Outra fonte antiga assim resume o pensamento de Arquelau: Anaxágoras ecléticos seguidores de A não só por numerosas Arquelau.

dos quais um é empurrado para o filosofia da physis e até mesmo contribuiu de modo essencial para pôr alto e a outra se deposita embaixo. Diógenes Laércio. o segundo é a lua. De fato. vol. e assim apareceram os homens e muitos animais. cidades e outras instituições. A 5.modo adequado Dizia que. II. universo. 60 A 1). acontecer se a superfície da terra fosse uniforme. devemos estudar a fundo o fenômeno da sofística. governa o todo: ele. diz que no início a terra se aqueceu na sua parte inferior. Os homens. São repro A 4) 24. sem ser. Arquelau diz que o céu se inclinou. que tinham todos o mesmo alimen to. 60 A 11 e 12. Princí. 60 C 1. e dos outros. e 828ss. 66s. leis. A 7. OS versos de Aristófanes. 16 (= Diels-Kranz. . 60 Diels-Kranz. extraindo o seu nutrimento da lama (e tinham vida breve). Diels-Kranz. E também cada um dos animais usa o intelecto.o pensamento de Sócrates e a sua revolucionária mensagem. coincidente com a inteligência remeten do assim a uma posição muito próxima da je Diógenes de Apolônia. Em seguida nasceram também reciprocarnente um do outro. é imóvel e nasceu por definitivamente em crise a própria possibilidade ou. Diz ainda que em todos os animais é igualmente inato o intelec to. Diels-Kranz. 225ss. 2. antes. se dis tinguiram dos outros animais. o quente está porém. 25. sendo alta ao redor e côncava no centro. artes. e assim o sol difunde a luz sobre a terra e. coisa que deveria. A 26. 60 A 1. está presente no intelecto certa mistura. depois. Doxographi graeci. no centro. Nuvens. Ref. alguns mais lentamente. enquanto o frio está parado. flui para são e sucesso coincidiu exatamente com o momento da involução da o centro. Cf. no princípio ela era um lago. derivado da combustão. 1. outros maiores. A terra. pio do movimento é a secreção recíproca do quente e do frio. onde se geram ar ígneo e terra. O ar. tornando transparente o ar. seca-a. 563 = Diels-Kranz. Quanto aos animais. dentre os quais o maior é o sol. onde estavam misturados o quente e o frio. Jaz. 9 (= Diels.) duzidos na seção Nachwirkung” relativa a Diógenes (= Diels-Kranz. e criaram chefes. pp. ao invés. uma parte do pretensões da especulação de viés naturalista. 22. por assim dizer. Em 23. desde o princípio. Hipólito. alguns são menores. pelo menos. Cf. sobre o ar infinito. pois. A água. deu origem à natureza dos astros. incandescente desde o princípio. A 3. Antes. separando-se. portanto. 11. cuja difu em movimento. as estas causas. E como sinal da concavidade da terra aduz o fato de que o sol não surge e se põe contemporaneamente em todos os lugares. p. outros mais rapidamente Outras fontes insistem ainda mais acentuadamente no ar como princí pio.