ADVERTÊNCIA Esta História da filosofia antiga que a partir da quinta edição (1987) realizou plenamente aquilo a que nos

propúnhamos — é fruto de mais de trinta anos de pesquisas cient(ficas e de paralela atividade didática. Ela foi antecipada mas só em medida limitada e parcial, e por razões de caráter didático — nos Problemas do pensamento antigo (2 vols., Celuc, Milão 1971 -1973), como uma espécie de “ensaio geral”, depois radicalmente refeita e completada em cinco volumes, entre 1974 e o início de /979, retocada gradativamente nos anos oitenta, e, na parte referente a Platão, totalmente reescrita na edição de 1987. O plano geral da obra é o seguinte. O volume / trata dos naturalistas, dos sofistas, de Sócrates e dos socráticos menores. O volume 11 é inteiramente dedicado a Platão e a Aristóteles, e integra as mais complexas e empenhativas pesquisas científicas até agora fritas por nós. O volume lii estuda a era helenística. Primeiro de/meia a progres siva involução da Academia e do Perípato, assim como a exaustão das Escolas de Sócrates. Sucessivamente examina os sistemas filosóficos criados pelo espírito da nova época (epicurismo, estoicismo, ceticismo e ecletismo) e segue o seu desenvolvimento até o fim da era pagã. O volume 1V reconstrói a filosofia pagã durante os primeiros sé culos da era cristã. Ele examina a última etapa das escolas tradicionais e a sua exaustão, detendo-se de modo particular sobre as correntes de pensamento que, embora referindo-se a doutrinas nascidas na era clás sica ou na era helenística, inovam-nas e as impregnam com as instân xx ADVERTÊNCIA ADVERTENCIA XX cias e as ânsias da nova era, ou até mesmo nelas introduzem conteúdos inéditos. São examinados, de modo particular, o neoaristoteljsmo, o neocetj cismo, o neoestoicismo, o encontro entre o helenismo e a teolo gia bíblica com Fílon de Alexandria, o médioplatonismo, o neopitagorismo e o neoplatonismo. Tal volume contém uma série de inovações de caráter hermenêutico, dos quais damos conta na Adver tência O volume V, o último, contém: a) um léxico, concebido como índice explicativo dos principais conceitos do pensamento antigo (ou seja, quase um dicionário filosófico), b) um repertório dos expoentes das várias escolas e da produção filosófica que nos chegou dos antigos pensadores com as relativas notas bibliográficas (principais edições críticas, traduções, comentários, léxicos, literatura crítica), c) um índi ce geral dos nomes dos antigos autores que foram abordados e/ou mencionados no curso de toda a obra.

Aos e/catas damos particular relevo. Mondolfo. Presentazione. uma tentativa (a primeira) de explicar todos os seres. o inventor da dialética. A “ciência” dos filósofos jônicos e itálicos é. Reale. Flo rença 1977. Além disso. Mondolfo. Florença 1970). porque eles puseram àfiloso fia antiga alguns problemas de fundo. que não só condícionaram os sistemas dos fisicos pluralistas. em acordo com M. La Nuova italia. eles atingem a mesma altura que. Reale. Parte prinia. chegado à civilização (e é por isso que a filosofia nasce nas colônias do Oriente e do Ocidente da Grécia. Os argumentos contra o movimento e a multiplicidade. III: Eleati. Testimonianze e frammenti. o fundador do eleatismo. que. como atualmente está bem estabelecido. Dos filósofos da natureza (da physis) oferecemos wna interpreta ção em chave ontológica. ao invés. de tanta importância na história subseqüente do pensamento grego. para conhecer desinteressada mente a verda de). Zeiler (tra duzida por R. estudamos as origens da filosofia. a nosso ver. c) por objetivos puramente teóricos e não pragmáticos (ou seja. a totali dade das coisas que são. Após um Prefácio de caráter teórico. mas incidiram de maneira determinante também sobre a formação da filosofia platônica e aristotélica. de fato (como tentamos demonstrar em Melisso. Aqui nos limitaremos. Untersteiner. longe de serem vagos sofismas. mas que. Zeiler -R. Milão 1991. atualizando de maneira sistemática o volu me lii da Primeira parte de A Filosofia dos Gregos de E. e preparando a edição dos fragmentos de Me/isso com comentário e ampla monogra fia introdutória: Melisso e la stona deila filosofia greca (ver: E. E a filosofia antiga. La Nuova Iralia. porque esta pressupõe liberdades essenciais. às características do volume 1.n bém sobre os “epígonos” Zenão e Melisso. Melisso. proclamando a onipotência da própria lei (do ponto de vista especulativo. tal como já emerge nas afir mações dos jônicos. Só as condições culturais. é o verdadeiro sistematizador do pensamento eleata. Reale. Ruggiu. sociais. . Iframmenti e le testimonian ze indirette. é u. longamente amadurecida sobretudo mediante o trabalho que realizamos. por tanto. justamente porque elas conquistaram tais liberdades antes mesmo da mãe pátria). políticas e econômicas da Gré cia antiga ofereciam as premissas das quais pôde surgir a filosofia. Poema sulia natura. foi confiada a nós para o complexo trabalho de atualização). vol. b) com base no puro lógos (ou prevalentemente com base nele). só as odes de Píndaro ou as líricas de Safo alcançam). de fato. numa introdução. é: a) tentativa de explicar a totalidade das coisas (ou o todo da realidade e do ser). Este último.nmenti dei poema a fronte e notas di G. antes dos gregos. enquanto o primeiro é. em função de um ou mais “princípios”.Remetemos às Advertências no início de cada volume para as in dicações das características da interpretação que propomos dos perío dos e dos autores paulatinamente tratados. organizado por G.na substancial criação do gênio helênico (provavelmente a sua mais conspícua criação). tornamos ao fundador do eleatismo na obra. são poderosas ele vações do lógos buscando contestar a experiência. mas ía. do ponto de vista poético. G. Parmênides. Detive mo-nos não só sobre Parmên ides. Saggio introduttivo e Comen taria filosofico di L. e a sua cosmologia é urna tentativa de explicar. das quais não pôde bene ficiar-se nenhum outro povo que tenha. La filosofia dei Greci nel suo sviiuppo storico. Rusconi. traduzione con testo greco dei fra. Testimonianze e frammenti).

toda a ética e a própria metodo logia. só na era imperial. este volu me 1. de notável importância e alcance. em co-edição com a editora Bibliopolis de Nápoles. Bibliopolis. com base nos testemunhos que nos chegaram. Edizioni dell’Ateneo. O segundo é dedicado a uma série de esclarecimentos do conceito grego de filosofia.Dos sofistas damos uma interpretação que se beneficia da reava /iação essencial do seu pensamento feita no nosso século: eles repre sentam a crise de crescimento que dirige a descoberta e a fundação da filosofia moral. convictos de que a sua palavra e o seu esp frito foram de incidência e alcance só comparáveis aos de Platão e Aristóteles. introduzimos. que planejou e promoveu as últimas edições desta nossa obra. Sarri na obra Socrate e la genesi storica dell’idea occidentale di anima. aprofundando e motivando o que dissemos no prefácio e na introdução. à qual remetemos os leito res pelas ricas e precisas documentações). a partir da terceira edição. mas toda a filosofia helenís tica é profundamente impregnada de esp frito socrático e. recolhendo num volume também os depoimentos antigos sobre Sócrates. e é indispensável para compreender toda a obra.. Roma 1983-1985. XX ADVERTÊNCIA ADVERTENCIA XXIII De Sócrates apresentamos uma exegese não habitual. Ademais. e contém uma série de documentos. Giannantoni. Socraticorum Reliquiae. Damos a Sócrates um relevo marcante. a tese de J. As doutrinas dos socráticos menores são interpretadas como redu ções diferentes e unilaterais das múltiplas valências do pensamento socrático e como antecipações de algumas instâncias que explodirão na era helenística. é justa mente a chave para reler e entender a mensagem especulativa dos gregos. Burnet e de A. Nápoles 1 990-1991. E em fim ção dessa descoberta da alma como sede da inteligência e da mo ralidade do homem (e. Dois apêndices completam. explicita e documenta aquela que. significado que ainda hoje damos ao terma. Como hoje em dia é reconhecido por muitos. a nosso ver. Edizioni Abete. a filosofia antiga esquece Sócrates. Taylor. à medida que. (Importantes confirma ções desta nossa interpretação foram desenvolvidas pelo nosso aluno F. GIovAr REALE . como essência do homem) relemos as várias doutrinas socráticas. mas com radical reforma.. Agradecemos vivamente à direção da editora Vita e Pensiero. 2 vois. que recolhe e comenta todos os testemunhos sobre os socráticos e se impõe como irrenunciável ponto de referência. pode-se falar de uma teologia e de uma teleologia de Sócrates. 4 vois. Não só Platão é impensável sem Sócrates. Roma 1975. que retoma. construídas sobre bases éticas e intuitivas. Sócrates seria impensável sem a sofistica: ele é. fornecendo abundante documentação. parecenos que.. 4 vols. a mensagem do “theorein”. E. as referências a G. apresentando-a sob o novo título de Socratis Socratico rum Reliquiae. ou seja. portanto. antes. O primeiro é dedicado ao orfismo e à novidade da sua doutrina. nas últimas edições. (Giannantoni reeditou esta obra. segundo a qual Sócrates é quem por primeiro deu ao termo psyché o significado ocidental de alma. a sua realização verda deira. indispensáveis para compreender alguns aspectos essenciais do pensamento dos présocráticos e de PIa tão.