FEEMC41041 METROLOGIA

Tema 4.

Erros de medição

Profa Rosenda Valdés Arencibia

Janeiro, 2013

Tema 4. Erro de medição Tipos de erros.

Fontes de erros.

Erro de medição

Resultado Erro de de = medição medição

valor verdadeiro o mensurando

valor verdadeiro convencional

Erro de medição erro sistemático erro aleatório erro grosseiro

ERROS GROSSEIROS

Enganos nas leituras e nos registros dos dados. Deslizes do observador, tais como a leitura errada de uma escala e a transposição de algarismos no registro do resultado.
Exemplo: ler 28,3 e registrar 23,8

. porém geralmente sua existência é facilmente detectável.ERROS GROSSEIROS Seu valor é totalmente imprevisível.

Uma vez determinados.ERROS SISTEMÁTICOS Permanecem constantes em grandeza e sinal ou variam de acordo com uma lei definida. . quando um número considerável de medições de um mesmo valor é efetuado sob as mesmas condições. ocorrem de maneira previsível e podem ser corrigidos.

ERROS SISTEMÁTICOS O erro sistemático é a parcela de erro sempre presente nas medições realizadas sob condições de repetitividade. que se repetirá enquanto o ponteiro estiver torto. . Exemplo: Um indicador com o ponteiro "torto" é um exemplo clássico de erro sistemático.

. todas as medições efetuadas com esta vareta estarão sistematicamente erradas de um valor constante.ERROS SISTEMÁTICOS Exemplo Supor a medição de comprimentos com uma vareta. Desta forma. na qual um pequeno pedaço tenha sido cortado junto à extremidade do zero.

.ERROS SISTEMÁTICOS Devido ao maltrato ou aos efeitos de sobrecarga Um bom instrumento não usado de maneira inteligente pode dar fracos resultados. Exemplo: Esquecimento de fazer-se o necessário ajuste do zero em um instrumento micrômetro.

. Desgaste das superfícies de medição de um paquímetro.ERROS SISTEMÁTICOS Erros dos instrumentos de medição Inexatidões adicionais que podem advir no decurso do tempo e com o uso.

Erro de graduação da escala de um paquímetro. .ERROS SISTEMÁTICOS Erros dos instrumentos de medição Devidos a tolerâncias admissíveis na fabricação dos elementos que conformam o instrumento de medição. Imperfeições na fabricação desses instrumentos. Exemplos Erros no passo do parafuso do micrômetro.

. . para medir o mesmo mensurando. monotonia. O treinamento do pessoal é a melhor maneira de prevenir erros humanos. não duplicam necessariamente os resultados.ERROS SISTEMÁTICOS Erros dos operadores Várias pessoas usando o mesmo SM. (relacionados com a capacidade e a habilidade do operador e com o estado psicológico (fadiga.). ..

ERROS SISTEMÁTICOS Erros dos operadores Um observador pode. . e falhar na eliminação da paralaxe. possivelmente por causa do seu ângulo de leitura. tender para leituras mais baixas (ou mais altas) do que o valor correto. caracteristicamente.

podendo-se apenas ter noção de seus limites. . Em geral diferem para cada leitura. que provocam o aparecimento de erros não repetitivos.ERROS ALEATÓRIOS São o resultado de influências externas e internas não controladas.

É atribuída a eles a indeterminação do resultado das medições. indistintamente. . ser avaliados Na maioria dos casos são pequenos e podem ter sinal positivo ou negativo.ERROS ALEATÓRIOS Somente podem estatisticamente.

.Causas que medição provocam os erros de A existência de desgaste e deterioro de partes.

pressão atmosférica.ERROS SISTEMÁTICOS Erros ambientais Oriundos do efeito das condições ambientais que impedem a obtenção correta do valor procurado. Temperatura . temperatura diferente de 20 ºC. umidade. dentre eles: diferença de temperatura entre padrão e peça. etc.

20ºC como foi adotada sendo a .Causas que provocam os erros de medição Temperatura de referência ou padrão A temperatura de internacionalmente temperatura padrão.

Dilatação térmica linear ∆L = L0 ⋅ α ⋅ ∆T Onde: ∆L = quanto o corpo aumentou seu comprimento. ∆T = variação da temperatura ( Tf .Ti ) . : = coeficiente de dilatação linear. Lo = comprimento inicial do corpo.

.

∆L = L0 ⋅ α ⋅ ∆T ∆L = 500 mm ⋅1.022 mm −5 0 C ⋅4 C 0 −1 .1x10 ∆L = 0.Dilatação térmica linear – Exemplo Uma peça de aço de 500 mm foi medida a 240C.

4 x10 ∆L = 0.048 mm −5 0 C ⋅4 C 0 −1 .Dilatação térmica linear – Exemplo Uma peça de alumínio de 500 mm foi medida a 240C. ∆L = L0 ⋅ α ⋅ ∆T ∆L = 500 mm ⋅ 2.

∆L = L0 ⋅ α ⋅ ∆T ∆L = 50 mm ⋅ 2.Dilatação térmica linear – Exemplo Uma peça de alumínio de 50 mm foi medida a 280C.011 mm −5 0 C ⋅8 C 0 −1 .8 x10 ∆L = 0.

8 x10 ∆L = 0. ∆L = L0 ⋅ α ⋅ ∆T ∆L = 50 mm ⋅ 2.Dilatação térmica linear – Exemplo Uma peça de alumínio de 50 mm foi medida a 280C.011 mm −5 0 C ⋅8 C 0 −1 .

∆L = L0 ⋅ α ⋅ ∆T ∆L = 10 mm ⋅ 2.4 x10 ∆L = 0.Dilatação térmica linear – Exemplo Uma peça de alumínio de 10 mm foi medida a 280C.002 mm −5 0 C ⋅8 C 0 −1 .

diferentes pressões atmosféricas podem.Causas que provocam os erros de medição Vibrações. umidade do ar excessiva. . afetar o sistema de medição. em maior ou menor grau. existência de campos eletromagnéticos.

Vícios de má utilização ou SM inadequados. . tamanho ou capacidade do SM podem não ser as mais indicadas para aquela aplicação. . afetar a medição. .O operador e a técnica de operação empregada podem. também. .Causas que provocam os erros de medição .A forma. podem levar a erros imprevisíveis.O uso de força de medição irregular ou excessiva.

. O número e posição das medições efetuadas.Causas que provocam os erros de medição O procedimento de medição adotado deve ser compatível com as características do mensurando. o modelo de cálculo adotado. a interpretação dos resultados obtidos podem também introduzir componentes de incerteza relevantes no resultado da medição.

Exemplo. Para conviver com estes diversos fatores que influenciam o comportamento do SM. é comum o fabricante fixar as condições em que o SM deve operar.A influência dos diversos fatores é superposta ao sinal de medição. . etc. temperatura (20 ± 1) °C. tensão da rede (220 ± 15) V. sendo impossível identificar e separar.

Reside em descobrir meios de reduzi-los .Qual a importância do estudo dos erros de medição? .Na avaliação da confiabilidade do resultado final das operações de medição .

facilitando a visualização do comportamento metrológico do SM nas condições em que estas estimativas foram obtidas. Estes valores podem ser representados graficamente. curva de erros.Curva de erros do SM Os valores estimados para a tendência e repetitividade de um SM normalmente são obtidos em vários pontos ao longo da sua faixa de medição. .

15.320.Como traçar uma curva de erros? Exemplo Um micrômetro com faixa nominal de 0 a 25 mm foi calibrado em 5 pontos.452 e 23.040. utilizando blocos-padrão de classe 0. . 19. 9. Os comprimentos dos blocos são: 2.923 mm.500.

do bloco Leitura 1 Leitura 2 Leitura 3 Leitura 4 Leitura 5 Média Desvio pad.0008 23.040 15. 2.4502 0.328 mm 15.920 23.499 2.449 19.041 15.329 9.0008 19.498 2.9212 0.450 19.042 15.920 23.498 2.923 23.Cada bloco foi medido 5 vezes resultados são dados na tabela 1.328 9.040 mm 19.500 mm 9.0013 15.923 mm 2.921 23.501 2.041 15.452 mm os 23.0015 9.040 15.0408 0.3288 0.497 2.4986 0.451 19.450 19.451 19.330 9.330 9. Comp.327 9.922 23.0013 .

452 mm os 23.011 0. Comp.004 9.002 -0.0008 -0.4986 0. do bloco Média Desvio pad.0013 0.001 -0.500 mm 9.002 -0.004 .923 mm 2.4502 0. Média .0088 0.040 mm 19.0018 0.9212 0.0008 0.006 15.0018 0.Cada bloco foi medido 5 vezes resultados são dados na tabela 1.000 -0.0013 -0.3288 0.0408 0.320 mm 15.0008 0.003 23.0015 -0.001 19.0014 0.VVC E +2s E -2s 2.

Curva de erros hipotética do SM Curva de erro 14 Erro Erro+2s Erro-2s Erro de medição (micrometro) 12 10 8 6 4 2 0 0 -2 -4 -6 5 10 15 20 25 Comprimento (mm) .

Fabricante O fabricante de um SM geralmente especifica um parâmetro que corresponde ao limite dos máximos erros presentes neste SM quando este é utilizado nas condições típicas de operação. Este parâmetro deve ser usado verificando-se que não são violadas as condições especificadas pelo fabricante nem as recomendações a nível operacional e de manutenção. .Erro máximo do SM .

com uma probabilidade definida.Erro máximo do SM . contém o maior erro do qual pode estar afetada qualquer indicação apresentada pelo sistema de medição (erros sistemáticos e aleatórios) em toda a sua faixa de medição. Faixa de valores. . que. centrada em torno do zero.Fabricante Erro máximo (Emax): parâmetro de um SM.

Emáx e + Emáx. Nas condições de operação. os erros apresentados pelo sistema de medição não deverão ultrapassar os limites definidos por .Erro máximo do SM . A curva de erros deve estar inteiramente inscrita dentro do espaço definido por duas linhas horizontais localizadas em .Fabricante Erro máximo (Emax): parâmetro de um SM. .Emáx e + Emáx.

.Fabricante O erro máximo do SM é o parâmetro reduzido que melhor descreve a qualidade do instrumento. Segundo a NBR NM-ISO 3611:1997 Micrômetro para externo.Limite inferior da faixa de medição. A E max = 4 + 50 [µm] A .Erro máximo do SM .

.Curva de erros hipotética do SM Curva de erro 15 Erro Erro+2s Erro-2s Erro de medição volta Erro de medição (micrometro) 10 Erro Max Erro Min 5 0 0 -5 5 10 15 20 25 -10 Comprimento (mm) O instrumento não esta apto para uso.

Como reduzir os erros de medição 1.Correta definição do mensurando. . .Conhecimento da natureza do processo ou da grandeza que está sendo medida.Seleção correta do SM .

Deve-se verificar se o valor do mensurando situa-se dentro da faixa de medição do SM. O tipo de grandeza deve ser compatível com o SM: um micrômetro para dimensões externas não se aplica para dimensões internas.Como reduzir os erros de medição 2.Modelação correta do processo de medição Operacional e funcionalmente o SM deve ser apropriado para o tipo de mensurando. .

4.Adequação do Erro Máximo do Sistema de Medição. Os erros de medição (calibração) são comparados com as especificações do fabricante. . ao menos.Calibração do Sistema de Medição O SM deve ser calibrado ou.Como reduzir os erros de medição 3. seus erros devem ser verificados em alguns pontos. e ou com as características metrológicas requeridas na aplicação para a qual se destina este SM.

Como reduzir os erros de medição 5. . A ordem de grandeza dos erros provocados por estes fatores deve ser avaliada e estes corrigidos quando significativos para a aplicação. Fortes campos elétricos ou magnéticos ou vibrações.Avaliação das influências das condições de operação do SM Deve-se prestar especial atenção às variações de temperatura.

isto é. é recomendável efetuar a calibração deste SM "in loco". .Como reduzir os erros de medição 6. padrões do mensurando são aplicados sobre este SM e os erros são avaliados nas próprias condições de utilização. Para tal. nas condições reais de utilização deste SM.Calibração “in loco” do SM Quando se suspeitar que existe forte influência de diversos fatores sobre o desempenho do SM.

Como reduzir os erros de medição 7.Capacitação do pessoal .

. É razoável eliminar yi do conjunto de dados.Critérios de rejeição de medidas • Critério 1. Isto pode ocorrer devido a erros grosseiros ou eventuais falhas momentâneas do equipamento de medição. Quando uma grandeza y é medida n vezes. pode ocorrer que o desvio de uma determinada medida seja muito grande comparada com o desvio padrão do conjunto de medidas.

. Rejeitar o resultado yi se a probabilidade de ocorrência é menor que um valor po.1%). Um valor arbitrário. mas razoável é: po = 1 / 1000. yi deve ser rejeitado se este resultado tem probabilidade menor que 1 em 1000 de ocorrer (0.Critérios de rejeição de medidas • Critério 1.

29 σ. ou seja.29 ⋅ σ .Critérios de rejeição de medidas • Critério 1. um resultado yi deve ser rejeitado se o erro for maior que 3. No caso da distribuição gaussiana de erros. a medida deve ser rejeitada se: desviox( x ) = xi − x > 3.

Critérios de rejeição de medidas Critério 2. Conforme este critério. uma medida yi deve ser rejeitada se: desviox( x ) = xi − x > d Ch .

65σ 1.24σ 2.58σ 2.04σ 2.96σ 2.76σ 1.50σ 2.48σ 3.80σ 3.54σ 1.02σ 3.66σ .15σ 1.Limite de rejeição de Chauvenet n 2 3 4 5 6 8 10 12 15 dCh 1.29σ 3.73σ 1.39σ 2.13σ n 20 30 40 50 100 200 500 1000 2000 dCh 2.38σ 1.

1995. INMETRO “Vocabulário Internacional de Termos Fundamentais e Gerais de Metrologia” – VIM. Laboratório de Metrologia e Automatização. “Apostila de Metrologia” Parte 1. A. A. Universidade Federal de Santa Catarina.Gonçalves Jr. Brasil. Florianópolis. 2002. . Capítulo 4 “O erro de medição”. Departamento de Engenharia Mecânica.