A dimensão humana do Estado: o povo - Revista Jus Navigandi - Doutri...

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A dimensão humana do Estado:
o povo
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Publicado em 10/2004

Débora da Silva Roland (http://jus.com.br/revista/autor/debora-da-silva-roland)

1. INTRODUÇÃO
A linguagem utilizada pelo Direito sempre foi objeto de estudos e da busca de um significado único, garantindo-lhe então, pensavam os juristas, um caráter científico. Assim, com o tempo, a hermenêutica utilizada pelos romanos redundou num abuso, mormente na doutrina escolástica, que introduziu um quadro de distinções e classificações que amesquinharam a exegese, apelando exageradamente para o argumento da autoridade, para os pareceres dos doutores e glosadores, em vez de se dedicar ao estudo da lei e dos textos. Daí a idéia de que não seria preciso interpretar o Direito quando o vocabulário utilizado fosse claro o suficiente – in claris cessat interpretatio (1) – o que, certamente foi resultante desta restrição ao processo hermenêutico. Com o passar do tempo e com o desenvolvimento da lingüística e da semiótica, os grandes juristas perceberam que seria impossível conferir uma univocidade ao Direito. Ronald Dworkin, ao lançar o seu célebre "ataque geral contra o positivismo" (2) escolhendo a versão de H. L. A. Hart para tal, observa que este autor reconhece que as regras jurídicas possuem limites imprecisos, uma vez que têm "uma textura aberta", significando dizer que as normas em geral comportam significados diversos, que irão variar conforme a sua utilização, desafiando um constante processo hermenêutico por parte dos intérpretes. Larenz também contribuiu neste sentido, uma vez que estabelece uma fronteira para a interpretação, quando percebe que a linguagem tem uma capacidade expressiva, qual seja, o "sentido literal possível" (3), entendido como aquilo que do ponto de vista lingüístico é determinante para a apuração do sentido das regras jurídicas. Assim, no esforço de interpretação o operador do direito usa recursos como dados históricos, a lingüística, valores de natureza política, ética, cultural, entre outros. Este fenômeno ocorre também na ciência política e na teoria geral do Estado. Os vocábulos e expressões utilizadas comportam uma multiplicidade de significados para cada significante, o que exige do pesquisador uma reflexão constante para uma melhor compreensão e apuração do sentido empregado por estes pesquisadores. Termos como Estado, nação, soberania, poder, regime representativo, povo, entre outros, podem ter significados distintos conforme a época e o autor, exigindo um esforço hermenêutico do pesquisador. Não se pode tomar a teoria do Estado como uma ciência normativa pura, nem tampouco como uma ciência de fatos, o que significa que devemos olhar os fenômenos afeitos ao Estado do ponto de vista de vários métodos e teorias. Neste sentido, o entendimento de Zippelius (4): In summa: uma teoria do estado não cabe no molde de "unidade e pureza de métodos". Não obstante isso, sempre que se abordam temas relacionados com o Estado, devem-se separar teoricamente as questões segundo as situações reais e segundo as situações desejadas. Dessa forma, o presente trabalho pretende justamente investigar o significado deste elemento constitutivo do Estado, mais precisamente a dimensão humana do Estado, ou seja, o povo, levando em consideração diversos aspectos do seu conteúdo. O exame da palavra povo pode abarcar várias concepções. Neste sentido a obra de Friedrich Müller – "Quem é o povo?" – onde o autor, depois de ser questionado por estudantes de Direito no Ceará, numa palestra proferida neste Estado, realiza uma reflexão sobre o tema, investigando as diversas concepções e significados que o povo pode sugerir, resultando numa obra original e ímpar. Hans Kelsen, o genial autor da Teoria Pura do Direito, ao analisar o Estado também teceu algumas considerações a respeito do povo, considerado por ele como elemento constitutivo do Estado. No entanto, estava preocupado com a proteção do cidadão na ordem internacional, de forma que seu estudo se dirige para esta finalidade. Jellinek, Duguit e Zippelius foram autores que se dedicaram à investigação do sentido de povo, o que será apreciado no trabalho em tela. Entre os autores brasileiros podemos citar Paulo Bonavides, Dalmo Dallari, Lenio Streck como alguns estudiosos do tema, e que também serão considerados oportunamente. O presente trabalho não tem a pretensão de examinar todos os sentidos possíveis e admissíveis deste elemento constitutivo do Estado, mas, apenas traçar alguns limites e noções importantes para a Teoria da constituição, valendo-se de autores supra citados, que representam diversas correntes de pensamento, em diversas épocas. Desse modo, a contribuição pretendida é apenas construir um

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e somente por meio dessas ações conjuntas é que se formava uma sociedade. em nome dele. o que não é uma grande novidade. necessitando de uma reflexão e estudo maiores na atualidade. por serem. assim como qualquer outra estrutura social..Doutri. O CONCEITO DE POVO Inicialmente. (6) Já os adeptos da sociologia relacional. De qualquer forma.Revista Jus Navigandi . identidades culturais. um mero agrupamento de indivíduos só seria considerado uma sociedade quando passavam a interagir.. entre outros. procurando influenciar o destino uns dos outros. Tais elementos não conseguem explicar este organismo complexo. 2. ou. Para Max Weber. Outros autores se dispuseram a enfrentar o tema tendo como modelo o organismo natural. os autores do romantismo. pois teria a missão de manter o todo e ser mantido por ele. isto é. comunidade 2 de 8 04/04/2013 21:52 . Hans Kelsen. afeito à geopolítica. o Estado. identidade cultural. procuravam explicar as comunidades decompondo-as em indivíduos que permanentemente se relacionavam. da subjectividade . o agir do Estado é determinado pelo agir social. De outra forma. praticam absurdos e atrocidades. na medida em que a sua conduta recíproca é regulada através de uma e a mesma ordem jurídica" (7). Assim. assim.com. explicando-o como ciência. somente poderia ser concebido como processos e relações de ações de pessoas singulares. Nas palavras de Lenio Streck (8) é um conceito "psicossocioantropológico". é uma comunidade cultural com vocação ou aspiração a comunidade política". o individualismo do Iluminismo concebeu a comunidade humana tendo por fundamento a existência de relações contratuais entre os homens e. as bases da idéia de comunidade seriam estas relações intersubjetivas. Para o autor a sociedade é constituída através de uma ordem normativa.A dimensão humana do Estado: o povo . Este foi o caso de Herbert Spencer. tornando-o simultaneamente dependente e conservador do todo.br/revista/texto/5767/a-dimensao-humana-do-estado/print despretensioso painel dos múltiplos significados de povo. lingüística. cada indivíduo só será conservado enquanto se conserva o Estado como um todo. Assim. retirando do direito qualquer elemento metafísico. Assim entendeu Fichte (5). usualmente. uma vez que a ação humana é motivada e orientada no seu desenvolvimento por certas finalidades. ora é entendida como expressão de relações intersubjetivas. Assim. uma dependência recíproca entre as partes e uma susceptibilidade do todo a influências internas e externas". se poderia vislumbrar a comunidade estatal. Como se pode perceber cada autor procura explicar a estrutura da comunidade de um ponto de vista distinto. Ora se preocupa em situar a comunidade como um todo e como um organismo vivo. que necessita ser cuidado pelas suas partes. que formariam uma unidade. Uma nação não é qualquer grupo cultural. que objetiva regular as atividades e condutas dos indivíduos. ensina Zippelius a respeito do pensamento de Kelsen. portadoras de ações inteligíveis. que só a partir de então. ordem jurídica do Estado. étnica. buscou "purificar o direito". políticas e sociológicas de suas épocas. população e nação. quando apresentou o cidadão como uma parte que se integra no todo Estado. que a mantém e que por sua vez é mantida por ela. A ESTRUTURA DAS COMUNIDADES O estudo dos agrupamentos humanos envolveu uma série de considerações que se deixaram impregnar por correntes filosóficas. Passemos a analisar as diversas concepções de povo segundo a doutrina. Nação é um vocábulo que invoca certos sentimentos. sociais e políticas. O que se depreende deste entendimento é que a comunidade estatal é formada a partir da ordem normativa. que. modos de ver o mundo. território e poder (ou soberania. assim como também pelo entendimento kelsiniano é reduzida à norma jurídica. tentaram explicar a comunidade de homens como um todo vivo. 3. Com o advento do Estado Moderno. (10) Dessa forma podemos entender como nação uma comunidade que encontra denominadores comuns. uma especialização funcional das diversas partes. somente elas.. é necessário fazer uma distinção importante acerca de três vocábulos que. que desenvolveu a idéia de que organismos naturais e sociedades apresentam certas semelhanças em suas estruturas: "em ambos os casos há repartição de trabalho e. na medida que a comunidade é instituída por ela.. "Os indivíduos formam uma comunidade jurídica na medida em que estão submetidos a uma e à mesma ordem jurídica. humano. Dessa forma. da cultura.matemático. autor citado por Zippelius. Contrapondo-se a este entendimento. vocábulo tão utilizado por políticos e governantes. Jorge Miranda (9) afirma que "o específico da nação encontra-se no domínio do espírito. http://jus. É possível suscitar a partir desta consideração de Weber. podem ser confundidos: povo. a questão do sistema de representação nas democracias. o que será feito oportunamente. foi preciso visualizar o Estado por meio de elementos que o constituiriam: povo. tais como. População é um conceito demográfico. que significa o conjunto de pessoas habitam certo território numa certa época. a grande parte da doutrina ainda utiliza esta concepção. a partir da sua Teoria Pura do Direito. para alguns governo).

"Este conceito de povo do Estado que está sujeito ao poder estatal e o condiciona através da sua obediência não coincide com o conceito de povo. o corpo eleitoral".. Zippelius (13) sufraga o entendimento de que povo é o que vive no território estatal. Há noções ético-históricas ou históricos-orgânicas de povo: as do facismo italiano e do nacionalismo autoritário. Concluindo. assim como não há organização política sem povo. e uma face objetiva. já apresentado.com. Jorge Miranda (11) acentua esta multiplicidade de noções: Há noções de povo que se pretendem só jurídicas: as que remontam às Revoluções americana e francesa e prevalecem nos Estados de Direito de tipo ocidental. Este conceito é resultado de uma concepção recente. ou seja. pois participa ativamente da formação da vontade comum. jurídico e sociológico. aponta para aqueles "que se acham no território como fora deste. povo é a dimensão humana do Estado. Há noções económico-sociais de povo: as que se encontram no marxismo e também. é possível depreender várias concepções para a palavra povo. Como se percebe da lição do Mestre. Nas palavras de Jorge Miranda (16) "o povo vem a ser. conforme já assinalamos. 4. compreendendo "o conjunto dos indivíduos que. Assim. povo "é compreendido como toda a continuidade do elemento humano. as palavras de Jorge Miranda: (17) O povo só existe através do Estado. Dalmo Dallari (15) também apresenta o conceito de povo do ponto de vista jurídico. Não há povo sem organização política. pois se submete a esta vontade. mas também a de ser sujeito. o poder emerge do povo e precisa ser legitimado por ele. conforme já assinalamos. quando o que está em evidência é a qualidade de cidadão. iremos desenvolver estas noções.br/revista/texto/5767/a-dimensao-humana-do-estado/print disposta a cumprir um único desígnio. mas também aquele que participa da vontade comum. pois assim como o Estado tem apenas um território cuja unidade é jurídica. de forma que inexistindo um ou outro. mas está cindido. tem apenas um povo. princípio activo e princípio passivo na dinâmica estatal". dependente da organização específica do Estado (e a ela também subjacente). quando o que está em evidência é sua qualidade de súdito. O povo. O indivíduo só será considerado pertencente ao povo quando estiver na esfera pessoal de validade de sua ordem jurídica. através de um momento jurídico. Assim. convertendo-se em razão de ser do Estado. pois o poder se exerce por referência ao povo. http://jus. já que só identificava a comunidade estatal como um conjunto de súditos. estabelecendo com este um vínculo jurídico de caráter permanente. desde Rousseau por uma noção dúplice: ora se considera povo o conjunto de cidadãos que estão unidos ao Estado por um vínculo jurídico-político. A DUPLA QUALIDADE DO POVO: CIDADÃO E SUJEITO DE DIREITOS Povo é um termo permeado de dúvidas e variações. Assim. E há noções religiosas: as do fundamentalismo islâmico. as que sustentam o sufrágio censitário. a da Alemanha nacional-socialista. participando da formação da vontade do Estado e do exercício do poder soberano". projetado historicamente no decurso de várias gerações e dotado de valores e aspirações comuns". Assim.A dimensão humana do Estado: o povo . pelo vínculo de cidadania". se unem para constituir o Estado. Assim. Paulo Bonavides (14) ensina que a palavra povo comporta um significado político. levaria ao desaparecimento do povo. percebe-se que o conceito de povo é permeado por duas faces: uma face subjetiva. A palavra povo é plurívoca. buscaram definir seu sentido a partir de um ponto de vista próprio. não subsiste senão em face da organização e do poder do Estado. uma vez que o absolutismo não conhecia este aspecto. Este aspecto dúplice foi observado por Rousseau. sujeito e objecto do poder. povo é aquele que se submete à vontade do Estado. o poder político se define em relação ao povo e só então é possível se definir em relação a outros poderes.Revista Jus Navigandi . A seguir. unido por um sentimento de afinidade étnica". mas presos a um determinado sistema de poder ou ordenamento normativo. um único destino. no estrangeiro. em sentido sociológico. ora se 3 de 8 04/04/2013 21:52 . Conforme o que se apurou acima. No sentido sociológico. é sempre o povo do Estado em concreto. que nasce com o Estado. Este ponto de vista se confunde com o conceito de nação. e a dinâmica entre povo e Estado é tão íntima que é possível afirmar que o povo não subsiste sem a organização e o poder do Estado. os autores que se dedicaram ao estudo do Estado. O conceito político de Povo se refere ao "quadro humano sufragante. povo é o conjunto de homens e mulheres que se submetem ao mesmo Direito que por sua vez lhes confere a qualidade de cidadão e súdito. que confere dupla qualidade ao povo: a de ser cidadão. o Estado nasce desta comunidade que irá se transformar em povo. ou seja. pois ambos tem a mesma origem.Doutri. antes deste e com finalidade oposta. Há noções rácicas de povo: em especial. Kelsen (12) povo "é constituído pela unidade da ordem jurídica válida para os indivíduos cuja conduta é regulamentada pela ordem jurídica nacional. O autor entende que o povo constitui uma unidade jurídica e não natural. que se politizou. que para ele é o único a explicar plenamente o conceito de povo. é a esfera pessoal de validade dessa ordem".. R. simultaneamente. é a cidadania que mostra o vínculo entre o indivíduo e o Estado. Assim. Para H. de tal sorte que a eliminação de uma ou de outro acarretaria automaticamente o desaparecimento do povo como tal. uma vez que estamos diante de um Estado territorial. O conceito jurídico de povo.

en tal situación. advinda dos laços que unem os indivíduos. Entre estos miles de esclavos faltaría un lazo jurídico que uniese los unos a los otros. a qualidade subjetiva de uma certa comunidade. o reconhecimento expresso na constituição de que o homem é portador de um conjunto de direitos de liberdade. então colônias inglesas. Solo entre hombres libres. Podemos concluir que. Este é um fator decisivo.Revista Jus Navigandi . solo tendría de Estado el nombre. em 1689 o Bill of Rights. este deve exteriorizar sinais de reconhecimento de que tal indivíduo é membro da comunidade. que mantém uma relação jurídica com o Estado. O Estado segundo a ordem jurídica consegue a colaboração dos indivíduos criando obrigações ou concedendo direitos. Estes 4 de 8 04/04/2013 21:52 . O indivíduo visto como membro do povo vai participar da vontade do Estado.Doutri. e especialmente na Inglaterra. y sin este derecho no hay Estado. sendo. que esta comunidade não seja detentora de direitos subjetivos. Por outro lado. 2. a cuyo frente estuviera un gran dueño de plantaciones. sendo esta resultante da vontade do povo. Mas. pois uma simples comunidade que se submete ao poder de uma única pessoa ou de um grupo. 1. O primeiro documento não criou nenhum novo direito. as limitações legais da coroa britânica. uma vez que a subordinação dos indivíduos ao Estado deve ser disciplinada pelo direito. No entanto. não se atribui a condição de povo porque não se reconhece esta qualidade subjetiva. para que esta subjetividade verdadeiramente se oponha ao Estado. permitiu. Este fato contribuiu para a primeira tentativa de positivação de direitos públicos subjetivos na América do Norte. a qualidade subjetiva do povo ficou em segundo plano. inspirou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 26/8/1789.br/revista/texto/5767/a-dimensao-humana-do-estado/print considera povo o indivíduo sujeito de direito público. o reconhecimento por parte do Estado de que o indivíduo é uma pessoa dotada de um direito público subjetivo. obrigando o Estado a agir no sentido de proteger e favorecer os indivíduos. que acabou por ser reproduzida na Constituição Francesa de 1791 e em outras constituições européias posteriores. pois esta relação está fundada juridicamente. Esta unidade. Cuando la doctrina antigua del Estado limitaba los fenómenos del mismo a los hombres libres. http://jus. tendo em vista que não podem ser reconhecidas senão num Estado organizado democraticamente. percebendo-o como pessoa dotada de uma esfera de direito público. Assim. ou seja. que percebe o indivíduo como detentor de certa posição como pessoa perante o Estado. a concepção de que sendo portador de direitos públicos subjetivos. A Declaração de Direitos da Virgínia. que deve. dice Aristóteles. que previa um elenco de direitos que os indivíduos poderiam exigir em face do Estado. uma vez que primeiramente se reconheceu o homem como dotado apenas de uma esfera de direito privado. O POVO COMO SUJEITO DE DIREITOS Foi possível tal diferenciação a partir da teoria da soberania do povo desenvolvida por Rousseau. o indivíduo passa a ser visto como membro do povo. ao passo que a subordinação lhes confere uma sujeição ao poder do Estado. já na idade média.com.. Como membro da comunidade estatal o indivíduo está subordinado ao Estado até onde o direito determina. temos que o povo passa a ser sujeito de direitos porque membro do Estado e. Mediante este reconhecimento. empreender ações que proteja e garanta a segurança do povo. reafirmando apenas o antigo. Mas. permite que seja sujeito de direitos. o direito originário da liberdade de consciência religiosa. como também surgem exigências positivas. O POVO COMO CIDADÃO De tudo que foi exposto no item anterior podemos resumir deste modo: quando o Estado reconhece que os indivíduos têm um direito público subjetivo surgem exigências negativas. tal reconhecimento se deu tardiamente. o sentido da palavra "povo" pode também ser entendido do ponto de vista subjetivo. por sua vez. É a noção que será desenvolvida a seguir. es posible un derecho en el sentido político. As doutrinas posteriores que superaram o Direito natural reconheceram o povo como elemento constitutivo do Estado. expresaba con esto una de sus más profundas verdades. segundo Rousseau. que em 1628 editou a Petition of Right e. ou seja. Estas ações podem ser consideradas como uma compensação que o Estado oferece ao indivíduo pelos sacrifícios impostos. com a finalidade de proteger a comunidade estatal. entretanto. sujeito de deveres. o Estado deve implementar ações positivas que estarão a serviço de interesses individuais. considerado em sua qualidade subjetiva. garante o sentido de povo. que por sua vez é a causa da unidade do Estado. quando se percebe que o povo é constituído por um conjunto de cidadãos.. O segundo reconhecia a liberdade de consciência estendendo a todos os homens que habitavam o território da colônia. objeto da atividade do Estado. Neste sentido o exemplo de Jellinek: (18) Por esto un Estado. Diante desta dupla qualidade que se confere ao indivíduo. formado por esclavos. portanto. o indivíduo se submete à vontade do Estado. O conhecimento de um direito público subjetivo foi resultado de um longo processo histórico que teve início na Antiguidade e começou a se efetivar a partir da luta entre Estado e Igreja. Estos esclavos.A dimensão humana do Estado: o povo . Mas. sujeito de deveres enquanto objeto do poder do Estado. Concluindo. Esta luta acabou por permitir o surgimento da doutrina do direito natural. Dessa forma e por impulso do princípio constitucional nasce a doutrina do direito público subjetivo. passemos a analisar estes dois aspectos. no tendrían la menor conciencia de su existencia recíproca. Nasce assim.

segundo Carre de Malberg. tem larga base territorial. Para que este corpo de parlamentares possa ser considerado como um corpo representativo é preciso que exista. Os direitos do cidadão são conferidos aos nacionais.br/revista/texto/5767/a-dimensao-humana-do-estado/print direitos são concedidos para que o Estado possa realizar seus fins e são fundamento de uma posição mais ampla da personalidade. Assim. fixada no momento jurídico da unificação e da constituição do Estado. é. Após esta crítica. Tal hipótese ainda é comentada pela doutrina pátria. uma vez que a ordem jurídica estatal permite tal situação. Dessa forma. O CIDADÃO E O SISTEMA REPRESENTATIVO A idéia de que o povo é órgão do Estado e assim atua na formação da vontade estatal é uma teoria construída para explicar o sistema de representação no direito público moderno. (21) Este é o pensamento de Zippelius acerca da nacionalidade. (23) Jellinek também critica o fato de que alguns doutrinadores procuravam transpor para o direito público. cidadão. a da nação. Para esses doutrinadores os parlamentares eram meros mandatários do povo.com. da qual as decisões implementadas pela assembléia sejam apenas uma expressão desta vontade. sino el reconocimiento por éste de que puede obrar en nombre de él". e o direito público. Neste sentido. ao atendimento de certas condições objetivas. senão que entra em jogo uma só vontade. grande número de indivíduos e que atua conforme o princípio da supremacia. tornando-se a assembléia eleita em órgão do Estado. 5. a polis grega. a cidadania ativa. que se realiza por meio destes parlamentares. que atua como órgão do próprio daquele. a assembléia de parlamentares é escolhida pelo corpo de cidadãos. Jellinek defende uma nova definição para o regime representativo. devendo. no seu aspecto subjetivo. Só os que atendem àqueles requisitos e. que no momento mesmo de seu nascimento atende aos requisitos fixados pelo Estado para considerar-se integrado nele. assim. porquanto agem como órgãos do Estado. ou melhor. Para ele. A partir da Revolução francesa. Todos os que se integram no Estado. o indivíduo. fica mais clara a conexão entre o povo.Doutri. os ensinamentos de Dalmo Dallari (20) são elucidativos: Essa participação e este exercício podem ser subordinados.Revista Jus Navigandi . não são. O povo. afirmando que no sistema representativo não é possível esta representação de vontades. a saber. que permite a participação do indivíduo na vida do Estado mediante o direito do voto e do direito do exercício de cargos públicos. Não existe. portanto reconhecer a condição de cidadão ativo. se realiza pelos deputados. adquirem estes direitos. pois. reconhecendo que o corpo de deputados é um órgão direto do Estado. É dessa forma que o poder estatal vai encontrar legitimação. desde logo. no seu entender. por motivos de ordem prática. o comentário de Dallari (24): Entendem alguns estudiosos que é impróprio falar-se em mandato político. o titular do poder do Estado é o povo. razão pela qual eram detentores de um mandato parlamentar. as palavras de Jellinek (19): "Estas exigencias no se proponen ni una omisión ni una prestación por parte del Estado. a idéia de mandato. Acham que só existe representação 5 de 8 04/04/2013 21:52 .A dimensão humana do Estado: o povo . uma vontade nacional. http://jus. qual seja. cujo atendimento é pressuposto para que o cidadão adquira o direito de participar da formação da vontade do Estado e do exercício da soberania. conceituar o povo como o conjunto dos cidadãos do Estado. como já foi assinalado.. tendo seus principais formuladores Gierke e Jellinek. somente realiza um ato de nomeação. o que. Carre de Malberg (22) critica esta noção. mas. É certo que o sistema representativo surgiu por razões de ordem prática. constituindo-se como condição permanente na formação concreta do próprio Estado e uma das funções necessárias da comunidade popular como elemento constitutivo estatal. Estes. os representantes de uma vontade nacional distinta da sua. "A nacionalidade é um estatuto jurídico ao qual o direito estatal associa direitos e deveres específicos reciprocamente relacionados e que exprimem uma vinculação ao destino político de um estão". a partir deste reconhecimento os indivíduos podem gozar de um direito de cidadania. Assim. Laband criticou duramente esta doutrina dos órgãos do povo. tendo em vista que o Estado moderno não é mais a Estado-cidade. adquirem a condição de cidadãos. na tentativa de explicar a natureza da representação. o status activus. ao eleger seus parlamentares. ou melhor. Referindo-se a participação do povo na formação da vontade do Estado e do exercício do poder soberano.. sendo responsáveis pela emissão da vontade desta nação. representação de uma vontade por outra. aqueles que ao nascer já se vinculam a um determinado Estado. sendo tal fato insuficiente para transformá-la em órgão do povo. que se expressa. que assegurem a plena aptidão do indivíduo. neste regime. passou-se a entender que a assembléia de parlamentares era um dos órgãos da nação. O item a seguir examinará de que forma o cidadão é representado nas democracias indiretas ocidentais. o Estado pode estabelecer determinadas condições objetivas. através da vinculação jurídica permanente. podendo-se. significa uma transposição inadequada de um instituto do direito privado par ao âmbito do direito público. é que obtêm a condição de cidadãos ativos. e aos indivíduos que lhes forem equiparados. uma vez que o poder do Estado vai nascer do povo. previamente. conseqüentemente. o indivíduo passa a operar como um órgão que vai formular a vontade do Estado mediante o voto. senão que são um órgão por meio do qual a nação chega a ser capaz de querer.

que é um poder executante. necessitam de uma instancia legitimidora de suas atividades. a distinção entre direitos de cidadania e direitos humanos não é apenas diferencial. que já tem a seu favor uma tradição de vários séculos. De forma sintética vamos expor suas diversas concepções de povo.Revista Jus Navigandi . Müller também dá ao povo a concepção de "instância global de atribuição de legitimidade".. advém do direito romano. como em eleições fraudadas. agindo com absoluta autonomia e independência. http://jus. tornada inofensiva para o poder-violência – "notre bom peuple". é preferível que se continue a usar o termo mandato. atribuindo um caráter político ao tema. o mandato político na atualidade deve obedecer a princípios de natureza pública. que todo homem. não fica vinculado a estes eleitores. afirma que o "o povo atua como sujeito de dominação nesse sentido por meio da eleição de uma assembléia constituinte e/ou da votação sobre o texto de uma nova constituição". mas também os direitos humanos enquanto realizados são imprescindíveis para uma democracia legítima". expulsão. em última análise. termo que já se tornou tradição no direito constitucional pátrio. O Judiciário. Neste sentido. Analisando a palavra "democracia". (27) CONCLUSÃO 6 de 8 04/04/2013 21:52 . cujos destinatários são potencialmente o povo. sendo também irrevogável. Müller fala na possibilidade de se "criar o povo". Neste caso.A dimensão humana do Estado: o povo . Estas instruções determinavam. constituindo-se fonte da determinação do convício social por meio de prescrições jurídicas. O POVO SEGUNDO FRIEDRICH MÜLLER Instigado por um aluno cearense. em que demo significa povo e cracia significa dominação. Na verdade. Assim. Nos Estados onde os funcionários públicos e juízes não são eleitos pelo povo. não obstante as diversas correntes a respeito da natureza da representação. os titulares de nacionalidade. de caráter contratual. Assim. Tal prática foi repudiada pela Constituição francesa de 1891. como nos casos de colonização. Müller trata o povo como "destinatário de prestações civilizatórias do Estado". pois. suficientes para a prática de quaisquer atos. que obrigava o mandatário a seguir as instruções escritas pelos eleitores. induz a práticas extremadas.. o representa totalmente. Seu ponto de partida é o "povo como povo ativo". vai aplicar as normas produzidas por um Legislativo eleito pelo povo. uma vez que também existe o instituto da representação no âmbito do direito privado. Müller resolve fazer uma reflexão acerca do tema. mas é utilizado como figura mítica num discurso de legitimação. A iconização consiste em abandonar o povo a si mesmo. produzindo uma obra única. não obstante ser eleito por parte do povo. formando um ciclo de atos de legitimação que não pode ser interrompido. a saber (26): O povo como ícone. em hipostasiá-la de forma pseudo-sacral e em instituí-la assim como padroeira tutelar abstrata. desde que em território de Estado democrático será destinatário de benefícios e proteção. "Não somente as liberdades civis.br/revista/texto/5767/a-dimensao-humana-do-estado/print política. entre outras situações. que trazia a figura da manus datio. 6. Assim. não resolve o problema. afirma que a invocação do povo é apenas icônica. ou quando o texto constitucional invoca o poder constituinte. mas é posta em vigor sem um procedimento democrático. Assim. como o fato de que o mandatário. Assim o povo desempenha seu papel de instância global da atribuição de legitimidade democrática. os autores referem uma origem comum entre o mandato privado e o público. quando a população real impedir a os planos de legitimação. a nossa Constituição de 1988 utiliza a expressão "mandato". enquanto população. reassentamento. cuja origem mais remota. Numa reflexão da legitimidade. detalhadamente. (25) O termo povo ativo significa a totalidade de eleitores. sendo considerado então. O mandato confere poderes gerais. E Friedrich Müller aqui quer dizer. e até mesmo por meio da "limpeza étnica" denotando uma prática tão bárbara quanto antiga. Embora seja eleito por uma parte do eleitorado. tomando decisões em nome de todos.com. em mitificá-la (naturalmente já não se trata há muito tempo dessa população). Ao povo não são impostos somente ônus e obrigações. o povo como ícone não se refere a ninguém. Ocorre que no fim da idade média até a revolução francesa havia o mandato imperativo. o que. onde consegue examinar a noção "povo" sobre diversos ângulos. justamente por ser um conceito plurívoco. o autor examina a utilização da palavra povo mesmo quando o Estado funciona sem obedecer aos ditames democráticos. De qualquer forma.Doutri. mas também direitos. que expressamente proibia o mandato imperativo. não importando se nacional ou não. mas relevante. Por fim. como não foi ainda apontado um substituto nitidamente superior. que lhe fez a pergunta "Quem é o povo". em ‘desrealziar’ [entrealisieren] a população. erigido em sistema. como os seus representantes deveriam se comportar no momento da votação das leis e em outras questões que seriam discutidas e decididas.

Raymond. o direito deixa de ter seu eixo central as relações privadas. 391. p. Georg. Elementos de teoria Geral do Estado. que ao contrário. cit. 25.com. 74 a 78. São Paulo: Martins Fontes. 93. 19. p. 8. 2002. 334. BONAVIDES. p. p. p. 2. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p. p. p. Depetre. é e sempre foi um conceito de combate". cit. sendo talvez o autor que mais profundamente estudou o tema Estado. Dalmo. 183. São Paulo: Malheiros. 182. 16. CARRE de MALBERG. 26.Revista Jus Navigandi . MIRANDA. Karl. Ciência Política.. 2001. 454. Rio de Janeiro: Forense. JELLINEK. pp. José Luiz Bolzan de. DWORKIN. ZIPPELIUS. Version espanhola de J. Cidade do México: FCE. cit. 35. 1994. Teoría General Del Estado. ocorrendo o fenômeno da constitucionalização do direito. 2002. Assim. 14. p. 9. p. Hans. DALLARI. valorativo. que se importou basicamente com seu sentido jurídico. 1997. Jellinek. 2002. mais precisamente. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. Ver em MAXIMILIANO. 85. São Paulo: Saraiva. 154. Reinhold. 7 de 8 04/04/2013 21:52 .. 2003. L. 4. porque reduziu o Estado e seus elementos ao estudo da norma jurídica.. abordando-o tanto do ponto de vista político como do ponto de vista sociológico. 1948. mais ainda. 67. 1021. 43. Mas só recentemente passamos a dar valor ao tema. p. É. Quem é o povo? São Paulo: Max Limonad.. 36. Teoria General Del Estado. desenvolveu e defendeu com ardor seu pensamento. São Paulo: Saraiva. Jorge. o povo deve ser tema constante no direito constitucional quando se está diante de um Estado Democrático de Direito como professa a Constituição da República de 1988. 2000. Zipellius se interessou sobre o tema. Cf. Reinhold. para se dar destaque ao direito público e. Os autores nacionais também têm obra volumosa e consistente sobre teoria do Estado. Ob. 21. Ficamos com as palavras de Friedrich Müller (28): "Constata-se logo que "povo" não é um conceito simples nem um conceito empírico. Dalmo. que produziu uma obra dedicada ao estudo da teoria do Estado. Ob. Metodologia da Ciência do Direito. Grifos do autor. Teoria Geral do Estado. 85. 24. Paulo. Georg. 2001. Tarefa árdua para qualquer estudioso no tema. MIRANDA. 190. como Kelsen. 18. 6. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p. Levando os Direitos a Sério. O Direito constitucional passou a ocupar um lugar de destaque depois de ser ignorado por grande parte da doutrina. 1997. Tradução de Luis Carlos Borges. NOTAS 1. p. e que encontra sentido de natureza política. apud ZIPPELIUS. attamen non est negligenda interpertatio ejus). portanto um termo dotado de historicidade. Ob. 23. contudo não se deve descurar da interpretação respectiva" (Quamvis sit manifestissimum edictum proetoris. Reinhold. Grundlage des Naturrechts. cit. 10. 55. DALLARI. Teoria Geral do Direito e do Estado. 20. 17. jurídica. 2002. p. Teoria Geral do Estado. LARENZ. 989. p. Ronald. 2. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. 15. foi possível perceber o sentido plurívoco que evoca a partir da história e dos grandes mestres que se dispuseram a enfrentar o tema.. p. 2002. 3. Ciência política e Teoria Geral do Estado. 13. Teoria Geral do Estado. encontramos autores. G.br/revista/texto/5767/a-dimensao-humana-do-estado/print Diante desta panorâmica em que buscamos as formas variadas com que os autores empregam a palavra povo. Cidade do México: FCE. Elementos de teoria Geral do Estado. pp.Doutri. DALLARI. Teoria do Estado e da Constituição. STRECK. Porto Alegre: Livraria do Advogado. MÜLLER. p. ZIPPELIUS. 104.. p. Ob. religiosa. 1997. 7. sociológica. São Paulo: Saraiva. Jorge. nas palavras de Ulpiano entendia que "embora claríssimo o edito do pretor. Lenio Luiz e MORAIS. Reinhold. não teve origem no Direito Romano. Teoria General Del Estado. entre outros. 198. 27 e 28. cit. Dalmo. J. povo é um conceito artificial. http://jus. 2002. Teoria do Estado e da Constituição. Assim. México: Fondo de Cultura Economica. JELLINEK. Rio de Janeiro: Forense. composto. Friedrich. 5. Ob. Hermenêutica e Aplicação do Direito. Elementos de teoria Geral do Estado. Kelsen. 1997. Carlos Maximiliano ensina que apesar do brocardo estar expresso em latim. 11. p. Teoria Geral do Estado. Carlos. p. cit. São Paulo: Martins Fontes. 22. 38. FICHTE.A dimensão humana do Estado: o povo . ZIPPELIUS. o direito constitucional. 12. Rio de Janeiro: Forense. étnica. Ob. 1796. p.

cit. Teoria General Del Estado. José Luiz Bolzan de.Revista Jus Navigandi . 1 (/revista/edicoes/2004/10/1) out. Teoria General Del Estado. 1997. Version espanhola de J. Teresina. Teoria Geral do Estado. STRECK. 2000. 1948. Levando os Direitos a Sério. Autor Débora da Silva Roland (http://jus.Doutri. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. Disponível em: <http://jus. REFERÊNCIAS BONAVIDES.com. Débora da Silva. Ronald. L. Karl. Paulo. Ob. São Paulo: Martins Fontes. 2003. Friedrich. 118. Rio de Janeiro: Forense.A dimensão humana do Estado: o povo . p. 8 de 8 04/04/2013 21:52 . Teoria do Estado e da Constituição. 1997. mestranda em Direito Público e Evolução Social pela Universidade Estácio de Sá (RJ) Informações sobre o texto Como citar este texto (NBR 6023:2002 ABNT): ROLAND. 2002. Depetre. MÜLLER. n. 2013. ZIPPELIUS. São Paulo: Saraiva. 2001. KELSEN. professora dos cursos de MBA da Fundação Getúlio Vargas. Acesso em: 4 abr. 2001. Jus Navigandi. São Paulo: Martins Fontes. CARRE DE MALBERG. Raymond. MIRANDA. 1994. 2002. Lenio Luiz e MORAIS. DALLARI. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Hans. cit. 28. Reinhold. p. Teoria Geral do Direito e do Estado. Elementos de teoria Geral do Estado. Ob. Metodologia da Ciência do Direito.. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. Ciência política e Teoria Geral do Estado. 451 (/revista /edicoes/2004/10/1). Quem é o povo? São Paulo: Max Limonad. DWORKIN. Cidade do México: FCE. México: Fondo de Cultura Enonomica. 2002. JELLINEK. (/revista/edicoes/2004/10) 2004 (/revista/edicoes/2004) . http://jus. ano 9 (/revista/edicoes/2004). Dalmo...br/revista/texto/5767/a-dimensao-humana-do-estado/print 27. São Paulo: Malheiros.br /revista/texto/5767>. Ciência Política. 76. LARENZ.com. Jorge. Georg.br/revista/autor/debora-da-silva-roland) professora da graduaçã em Direito na Universidade Santa Úrsula.. A dimensão humana do Estado: o povo.com.