RESUMO

Nesse trabalho serão apresentados os principais tipos de muros de contenção (ou arrimo). A contenção é feita pela introdução de uma estrutura ou de elementos estruturais compostos, que apresentam rigidez distinta daquela do terreno que conterá. O carregamento da estrutura pelo terreno gera deslocamentos que por sua vez alteram o carregamento. Os muros são estruturas cujo projeto é condicionado por cargas que dependem de deslocamentos. Apesar de isto ser um fato há muito reconhecido, ilustrado que foi pelos resultados clássicos de Terzaghi de ensaios de muros de arrimo em areia.

PALAVRAS CHAVES
Muros, muro de arrimo, contenção, fundação, corte, aterro, estrutura, carregamento, deslocamento, solo, Terzaghi.

ABSTRACT
In this article we discuss the main types of retaining walls (or retaining). The contention is done by introducing a structure or structural elements compounds, which present rigidity different from that of ground containing. The loading of the structure at ground generates dislocations which in turn alters the charging. The walls are structures whose design is conditioned by loads that depend on displacements. Although this is a fact long recognized, which was illustrated by the results of classical Terzaghi tests retaining walls in sand.

KEY WORDS
Walls, retaining wall, containment, foundation, cut, fill, structure, load, displacement, soil, Terzaghi.

INTRODUCAO
A realização de obras de fundações quase sempre envolvem estruturas de contenção. É frequente a criação de subsolos para estacionamento em edifícios urbanos, de contenções de cortes ou aterros, por muros de arrimo, para a criação de plataformas; a instalação de dutos de utilidades em valas escoradas; projetos de estradas, de pontes,

como mostra a figura 2. como mostra a figura 1.. Mostrando os tipos de muros existentes e como é o seu processo construtivo e mostrando o que pode afetar essas estruturas REVISÃO BIBLIOGRÁFICA CONTENÇÕES PROVISÓRIAS São conteções de caráter provisória. Podem ser construídos em alvenarias (de tijolos ou pedras) ou em concreto (simples ou armado) ou ainda.. (Hachich et al. escavadas manualmente. São três os principais processos executivos: conteções de madeira. rasa e corrida ou profunda. (Hachich et al. removidas. podendo ser escoradas ou não. Sua fundação pode ser direta. são conteções flexíveis. Substituímos as estroncas por estacas em escações de obras que não valas. (2004)) Dentre as estruturas de contenção. em estacas ou tubulões”. visando que as estruturas de contenções são constantemente utilizadas na construção civil. No caso desse trabalho foram tidas como prioridade as estruturas de muro de arrimo.de estabilização de encostas. etc. A conteção de madeira. que “[. conteções com perfis cravados e madeira e conteções com perfis metálicos justapostos. girando em torno de 1. de canalizações de saneamentos. de metrôs.5 m a 2. Ambas as três.] são estruturas corridas de contenção constituídas de parede vertical ou quase vertical apoiada numa fundação rasa ou profunda. o trabalho afunila-se a muros. as quais quando não mais necessária sua necessidade. (2004)) METODOLOGIA Esse trabalho foi desenvolvido através de pesquisas bibliográficas e tem como intuito proporcionar um melhor entendimento do assunto de contenções.5 m. . é uma técnica utilizada para escavações de pequenas alturas. elementos especiais. pois sempre que necessita de uma escavação ou de um aterramento é necessário que se faça uma estrutura para segurar essa terra.

os espaçamentos entre os perfis. gira em torno de 1.Figura 1 . Em média. mais indicada. as escoras devem ser feitas. O processo. a qual ocorre por níveis. sendo que a medida que retiramos o solo. necessita ser maior do que a profundidade da escavação. Já sua altura. Quando as escavavções são mais profundas. 1983.Contenção escorada de madeira ( Fonte: ROUSSELET. . apud CARDOSO. de modo que torna essa técnica do ponto de vista financeiro. 2002) Figura 2 .Contenção escorada de madeira ( Fonte: HARRIS. Crava-se os perfis com o auxílio de bate-estacas.5m. As pranchas verticais trabalham melhor quando essas sao dotadas de encaixe do tipo macho e fêmea. apud CARDOSO. 2002) A medida que avança a escação. Estando um determinado trecho já com os perfis cravados. iniciamos a escavação do solo. inicia-se com a cravação de perfis tipo "I" ou "H" laminados de aço nos limites da escavação. colocamos entre dois perfis consecutivos pranchas de madeira contra eles encunhadas. utiliza-se perfis metálicos cravados e pranchas horizontais de madeira. 1986. ilutrado na figura 3. principalmente em areias e terrenos argilosos muito moles.

esta é novamente reaterrada em camadas. como mostra a figura 4.Figura 3 . seguindo o mesmo processo a medida que aumenta a profundidade.Contenção escorada de madeira ( Fonte: CARSON. Devido a isso. transferindo carga para os perfis o qual funcionam como vigas em balanço engastadas no solo. 2002) Colocadas e encunhadas as pranchas de madeira. é importante perfis mais altos que a profundidade da escavação. após executados os serviçoes dentro da escavação. sendo esse comprimento adicional chamado de "ficha". 1961.Contenção escorada de madeira ( Fonte: CARDOSO. os perfis são sacados do solo através de guindastes ou utilizar extratores . Terminando o reaterro. 2002) Figura 4 – Funcionamento estrutural simplificado de uma conteção. Nesse tipo de conteção o "peso do terreno" age horizontalmente sobre as pranchas. aprofunda-se mais a escavação. apud CARDOSO. Figura 4 . Independetimento do tipo de contenção provisória adotado.

principalmente por não permitir que seja reutilizado seus componentes e por serem conteções mais robustas. executando as estacas faltantes antes das anteriores atingirem maior resistência (antes de atingir 5 MPa). obtemos uma parede sem frestas. o solo é escavado. ao completar a sequencia. A execução de conteções através de estacas de concreto armado moldadas in loco justapostas é uma solução simples e pouco onerosa. Desse modo. Entretanto a diferença fundamental entre as duas técnicas é o fato de na parede diafragma toto o buraco escavado fica preenchido com uma solução especial chamada de "lama bentonítica". Porém.vibratórios. com comprimento variante de 1 a 6 m e largura de 40 cm a 60 cm. Contenções através de paredes diafragmas é uma evolução da técnica de estacas de concreto armado moldadas in loco justapostas. pode-se executar em sequencia as estacas de modo alternado e fazendo com que a distância livre entre duas estacas seja menor que o seu diâmetro. enquanto não for concretado. . Dessa mandeira. A maneira mais simples de se executar essa contenção é escavar as estacas tangenciando-as entre si. e a face aparente pode receber um acabamento m concreto. Para se minimizar esse problema. No entanto. Assim que o concreto adquiri resistência. CONTENÇÕES DEFINITIVAS Algumas técnicas de execução de conteções provisórias podem ser empregadas em conteções definitivas. podem ser reaproveitados em um outro trecho da escavação ou uma nova escavação. como o caso de utilizarmos os prancões como fundo de forma. algumas outras técnicas só são economicamente viáveis quando em conteções definitivas. São também obtidas pela escavação e execução sucessivas de estacas de concreto armado. essa alternativa acaba na prática levando a ocorrência de frestas entre estacas vizinhas da ordem de 50 a 100 mm. o que pode acarretar problemas em solos menos consistentes ou em presença de água. só que usulamente de maiores dimensões e de forma retangulas. todos os componentes da contenção provisória.

Essa lama bentonítica é adquirida através da mistura de uma argila montimorilonitica especial. ligando os seus grãos entre si. o tubo de aço é retirado e o processo se reinicia. um concreto bastante plástico é vertido através de funis. que é refinada com água. Em (d). A figura 5 mostra a sequencia de execução de uma parede diafragma. como também permitir a separação entre o material e a lama. Após o concreto adquirir uma certa resistência. a criação de um engate entre o painel em execução e o seguinte (b). Em (a) é mostrada a escavação junto ao segmento vizinho já concretado. o qual não só escavar o solo em si. para sua estabilização. formando um filtro que evita a sua instabilização. sendo o buraco preenchido com a lama (solução de 3 a 10% de bentonita seca em água).Contenção escorada de madeira ( Fonte: Xanthakos. coloca-se na extremidade um tubo de aço o qual permite. Ao terminar a escavação. apud CARDOSO. Figura 5 . e possui a propriedade de equilibrar a pressão exercida pelo solo e pela água nele presente. preenchendo assim o buraco de baixo para cima e expulsando a alama que é recolhida para posterior reaproveitamento. . o contato da lama com o solo leva ao aparecimento de um fenômeno elétrico que contribui para essa estabilização. A lama bentonítica atua dessa maneira por formar nas superfície escavada uma camada de gel que penetra nos seus poros. principalmente da disponibilidade do tipo de solo e da profundidade da escavação. Sua escolha depende de vários fatores. de forma a evitar que o buraco escavado desmorone. por hora da concretagem. Em (c) é colocada a armação de aço da parede. 1979. 2002) A escavação dos buracos pode ser feita com inúmeros equipamentos. Além do gel.

para manter-se em equilíbrio. massudas. como blocos. a parede diafragma é uma solução versátil. inferiores a cerca de 5m. tornando-se. podendo ser eles de muro de gravidade. junto ao fato da sua execução poder se dar sem causar barulhos ou vibrações. Podem ser construídos de concreto simples. que se opõe aos empuxos horizontais pelo peso próprio. MUROS Muro nada mais é do que estruturas de contenção composta por parede vertical ou quase vertical que fica apoiada sobre uma fundação rasa ou profunda. contidas em planos verticais perpendiculares ao paramento do muro. muro atirantado. Esses muros podem ser construídos de alvenaria ou de elementos especiais. muro de contraforte. amarrando o paramento a outros elementos embutidos no maciço. com secção transversal em forma de L que resistem aos empuxos por flexão.Em suma. a qual aparesenta como vantagens principais a velocidade de execução. com barras quase horizontais. que funcionam.  Mistos: são muros com características intermediárias entre os supra citados.  Muros Atirantados: São estruturas mistas em concreto e alvenaria de blocos de concreto ou tijolos. em geral. por tanto. misto.  Muros de Flexão: são estruturas mais esbeltas. muro e gabiões e crib wall. muro de flexão. parcialmente pelo peso próprio e parcialmente a flexão. Em geral são empregadas para conter desníveis pequenos ou médios. . funcionando como tirantes. que se apoia sobre a base do L. utilizando parte do terrapleno como peso para atingir uma condição global de equilíbrio. utilizando parte do peso próprio do maciço arrimado. Tipos:  Muros de Gravidade: são estruturas corridas. Seu elemento construtivo depende do tipo de muro que se vai utilizar. ciclópico ou com pedras. vigas longitudinais ou estacas. antieconômico para alturas acima de 5 a 7m. No mais das vezes são construídos em concreto armado. São construções de baixo custo utilizadas para alturas até cerca de 3m. argamassas ou não. a facilidade de trabalhar em solos de consistência desfavorável e na presença de água.

moldados de concreto armado ou de madeira ou aço. lembrando que essas estruturas tem que ser construídas de forma que atenda as condições especificadas. em planta. o qual se apoia sobre a sapata corrida ou laje de fundação.  Muros de Gravidade: são muros construídos quando se tem espaço para acomodar sua seção transversal que possui uma largura de 40% da altura a ser arrimada. Os gigantes ou contrafortes podem ser construídos para o lado externo do paramento vertical ou embutidos no terrapleno arrimado. Esse cachimbo permite que a escavação se evolua parceladamente.  Parede de Engradados: (Crib Wall) são estruturas formadas por elementos pré . o equilíbrio externo da estrutura é conseguido tirando-se proveito do peso do próprio do maciço arrimado. Cada muro citado acima tem seu modo especifico para ser construído. Muros de Contrafortes: são os que possuem elementos verticais de maior porte. deve ser adequadamente compactado para que a região que contenha a superfície potencial de ruptura possua resistência ao cisalhamento não inferior a que foi adotado no calculo de empuxos. de alguns metros. Esse tipo de estrutura também pode ser executado para conter terraplenos. necessitando nesses casos devem ser construídos integralmente. cujo espaço interno é cheio de preferência com material granular graúdo. chamados contrafortes ou gigantes. O paramento do muro. São empregados para faixas de alturas da mesma ordem de grandeza das dos muros de gravidade. porque. Esse tipo de muro é mais construído em “cachimbos” que são escavações que em geral sua largura não passa de 1.  Muros de Gabiões: são muros de gravidade construídos pela superposição de gabiões de malhas de arame galvanizado cheios com pedras cujos diâmetros mínimos dever ser superiores à abertura de malha das gaiolas. e destinados a suportar os esforços de flexão pelo engastamento na fundação. nesse caso. é formado por lajes veticais que se apoiam nesses contrafortes. com faces verticais. A diferença em relação aos muros de flexão é essencialmente estrutural. Como nos muros de flexão. Segundo Hachich et al. que são montados no local. (2004) uma estrutura de arrimo deve conter um terrapleno e esse terraplano deve ser construído de modo a atender as condições conflitantes. espaçados.5 m. em forma de fogueiras justapostas e interligadas longitudinalmente. .

Esses muros de arrimo necessitam de drenagem da água ou caso de não ter. possui uma largura em média de 40% da altura a ser arrimada. Sendo o efeito direto de maior intensidade que pode ser eliminado através de um sistema eficiente de drenagem. Exige espaço para a sua execução. Muros Atirantados: é um tipo de estrutura pequena e de baixo custo e são normalmente utilizadas para pequenas alturas. E dependendo do solo e da altura do arrimo pode ser apoiada em sapata corrida ou estaca. que é a redução da resistência de cisalhamento do maciço. Sua característica principal é a flexibilidade que permite que a estrutura se acomode a recalques e a permeabilidade. de uma sapata. possui uma condição critica de equilíbrio (é a relativa a translação) que necessitara de um dente na estaca podendo ser vertical ou inclinada para mobilizar uma parcela maior de resistência a esse deslocamento. são muros destinados a conter terraplenos e devem ser compactados adequadamente e apoiado sobre uma sapata ou bloco de fundação. que é resultado do encharcamento do solo ou do acumulo de água junto ao muro. Elas podem acomodar recalques das fundações e também funcionam como arrimo de gravidade. ou indireto.  Muros Mistos: são também conhecidos como muro de flexão. por exemplo. (2004) os sistemas de drenagem devem ater-se aos seguintes princípios básicos: 1) Impedir o acumulo de água junto ao murro. de contraforte.  Muros de Gabiões: são construídos com pedra de mão que são colocadas sobre o local da contenção formando uma fiada de pedra que formara um arrimo de gravidade. O efeito dessa água pode ser direto. esses muros devem ser calculado prevendo a influencia da mesma. Quando é feito com fundação direta. pois a sua fundação no caso. Segundo Hachich et al. pois a água possui uma grande influencia na estabilidade dessas estruturas podendo duplicar o empuxo atuante. .  Crib Will: esse tipo de estrutura é construído através de montagem de peças pré-moldadas no local e enchendo os espaços centrais com materiais granulares graúdo.

na região da cunha potencial de ruptura. para afastar o perigo de colmatacão ou entupimento que causaria a perda parcial ou total do sistema de drenagem e também para impedir que o sólido do maciço arrimado seja carregado pela drenagem. que pode direcionar a escolha por uma determinada técnica. apresentamos técnicas de execução de atirantamentos e uso de muros de arrimo. a qual explore ao máximo as vantagens específicas de cada uma das opções . Assim como analisamos também as estacas justapostas e paredes diafragma nas definitivas. uma vez que os esforços nas contenções aumentam e invibializam determinadas técnicas. observamos as contenções tanto provisórias como as definitivas. ou com o uso de estacas-pranchas no caso das provisórias. 4) Procurar separa o sistema de coleta e desvios das águas que escoa pela superfície do terreno das que infiltram para não sobrecarregar o sistema de drenagem. A presença de água ou não também é um fator decisivo. fazendo uso de tábuas de madeiras. para cada situação existe uma solução técnica e economicamente ideal. 3) Ter um sistema drenante que seja também filtrante. apoiadas ou não em perfis de aço.2) Quando possível fizer com que a rede de percolação possua linhas de fluxo verticais. mas sim por um leque de vários fatores relevantes que vão desde custos diretos até o tipo do solo escavado ou mesmo profundidade das escavações. Assim. procuramos apresentar uma visão geral sobre as técnicas de execução de contenções. Em vista dos argumentos apresentados. CONSIDERAÇÕES FINAIS Pela observação dos aspectos levantados. A escolha por uma ou outra técnica não depende de apenas um fator. Além de analisarmos essas técnicas executivas.

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