DIDÁTICA MORAL

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homem é mortal, alguns homens são mortais e Sócrates também, como indivíduo, etc. (ARISTÓTELES, An.pr., I, 1, 24 b 26; PEDRO HISPANO, Summ. log., 4.01; JUNGIUS, Lógica, III, 11, 4-5; WOLFF, Log., § 346; KANT, Logik, § 63; HAMILTON,
Lectures on Logic, I, p. 303, etc). (V. SILOGISMO.)

DIDÁTICA MORAL (in. Ethical didactics; fr. Didactique morale, ai. Ethische Didaktík, it. Didattica moral). Segundo Kant, é uma parte da doutrina moral do método; diz respeito ao aprendizado das virtudes. A exigência de uma D. moral provém do fato de a virtude não ser inata, podendo e devendo ser ensinada {Met. derSitten, II, § 49). DIFERENÇA (gr. õioccpopá; lat. Differentia; in. Difference, fr. Différence, ai. Differenz; it. Differenzd). Determinação da alteridade. A alteridade não implica, em si, nenhuma determinação; p. ex., "aé outra coisa que não b". A D. implica uma determinação: aé diferente de b na cor ou na forma, etc. Isso significa: as coisas só podem diferir se têm em comum a coisa em que diferem: p. ex., a cor, a configuração, a forma, etc. Segundo Aristóteles, que estabeleceu claramente essas distinções, as coisas diferem em gênero se têm a matéria em comum e não se transformam uma na outra (p. ex., se são coisas que pertencem a diferentes categorias); diferem em espécie se pertencem ao mesmo gênero (Met, X, 3, 1054 a 23). A D. foi incluída por Porfirio entre as quinque vocês (lit., cinco palavras) (v.), ou seja, entre os cinco predicáveis maiores. Porfirio chamou de constitutiva a D. quanto à espécie, e de divisiva a diferença quanto ao gênero: p. ex., a racionalidade é a diferença que constitui a espécie humana e separa a espécie humana das outras do mesmo gênero. Distinguiu também: D. comum, que consiste em um acidente separável e existe, p. ex., entre Sócrates sentado e Sócrates não sentado; D. própria, que existe quando uma coisa difere da outra por um acidente inseparável, como, p. ex., a racionalidade (Lsag., 9-10). Essas distinções foram reproduzidas na lógica medieval (PEDRO HISPANO, Summ. log., 2.11, 2.12). São até hoje aceitas comumente, tanto em filosofia quanto fora dela. DIFERENÇA, MÉTODO DA (in. Method of difference; fr. Méthode de Ia différence; ai. DifferenzMethode, it. Método delia differenzd). Um dos quatro métodos da pesquisa experimental enumerados por Stuart Mill, mais precisamente o método expresso pela seguinte re-

gra: "Se um caso no qual ocorre o fenômeno investigado e um caso no qual ele não ocorre apresentam todas as circunstâncias em comum, exceto uma única que ocorre só no primeiro, a circunstância na qual os dois casos diferem é o efeito, a causa ou uma parte indispensável da causa do fenômeno" (Logic, III, 8, § 2) (v.
CONCOMITÂNCIA; CONCORDÂNCIA; RESÍDUOS).

DIFERENÇA ONTOLÓGICA (in Ontological difference, fr. Différence ontologique, ai. Ontologische Differenz; it. Differenza ontologicd). Seguindo Heidegger, é a diferença entre o ser e o ente; consiste na transcendência do seraí, ou seja, no seu confronto com o ser mediante a compreensão deste (Vom Wesen des Grandes, I; trad. it., p. 24). DIFERENCIAÇÃO (in. Differentiation; fr. Différentiatíon; ai. Differenzierung; it. Differenziazioné). Passagem do homogêneo para o heterogêneo, que, segundo Spencer, é a natureza fundamental da evolução (First Principies,
cap. XV). (V. EVOLUÇÃO.)

DIFERENCIAL, PSICOLOGIA (in Differential psychologie; fr. Psychologie différentielle, ai. Differentrelle Psychologie, it. Psicologia differenzialè). Por esse nome indica-se o conjunto das técnicas psicológicas que servem para verificar os modos e as capacidades de reação de um indivíduo; dizem respeito, portanto, à parte da psicologia que cuida da personalidade e às aplicações dessa psicologia, a psicotécnica (v.). DIGNIDADE1 (in. Dignity, fr. Dignité, ai. Würde, it. Dignitã). Como "princípio da dignidade humana" entende-se a exigência enunciada por Kant como segunda fórmula do imperativo categórico: "Age de tal forma que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre também como um fim e nunca unicamente com um meio" (GrundlegungzurMet. derSitten, II). Esse imperativo estabelece que todo homem, aliás, todo ser racional, como fim em si mesmo, possui um valor não relativo (como é, p. ex., um preço), mas intrínseco, ou seja, a dignidade. "O que tem preço pode ser substituído por alguma outra coisa equivalente, o que é superior a qualquer preço, e por isso não permite nenhuma equivalência, tem D." Substancialmente, a D. de um ser racional consiste no fato de ele "não obedecer a nenhuma lei que não seja também instituída por ele mesmo". A mortalidade, como condição dessa autonomia legislativa é, portanto, a condição da D. do homem, e