DIGNIDADE2

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DIORISMA

moralidade e humanidade são as únicas coisas que não têm preço. Esses conceitos kantianos voltamemF.SCHILLER, GraçaseD. (1793): "Adominação dos instintos pela força moral é a liberdade do espírito e a expressão da liberdade do espírito no fenômeno chama-se D". (Werke, ed. Karpeles, XI, p. 207). Na incerteza das valorações morais do mundo contemporâneo, que aumentou com as duas guerras mundiais, pode-se dizer que a exigência da D. do ser humano venceu uma prova, revelando-se como pedra de toque para a aceitação dos ideais ou das formas de vida instauradas ou propostas; isso porque as ideologias, os partidos e os regimes que, implícita ou explicitamente, se opuseram a essa tese mostraram-se desastrosos para si e para os outros. DIGNIDADE2 (lat. Dignitas; it. Degnitã). Foi assim que os escolásticos, na esteira de Boécio, traduziram a palavra axioma(cí., p. ex., TOMÁS, InMet., III, 5, 390). Viço conservou essa palavra em italiano e suas "D.", expostas na parte da Scienza Nuova intitulada "Dos elementos", constituem os fundamentos de sua obra. "Propomos agora aqui os seguintes axiomas ou D. filosóficas e filológicas, algumas poucas perguntas racionais e discretas, com outras tantas definições esclarecidas; estas, assim como o sangue pelo corpo animado, devem fluir por dentro desta ciência e animá-la em tudo o que ela razoa sobre a natureza comum das nações". DILEMA (gr. 5&r|H.ua; lat. Dilemmas; in. Dilemma; fr. Dilemme; ai. Dilemma; it. Dílemma). Esse termo (que significa "premissa dupla") começa a ser empregado por gramáticos e lógicos do séc. II (cf. HERMÓGENES, De inv., IV, 6; GALENO, Inst. log., VI, 5) para indicar os raciocínios insolúveis ou conversíveis (coropoi, àvnOTpé(povTa) que, segundo Diógenes Laércio (VII, 82-83), apareciam com freqüência nos livros dos estóicos. Um desses D. se chamava "do crocodilo": um crocodilo que rapta um menino e promete ao pai que vai restituí-lo se adivinhar o que o crocodilo vai fazer, ou seja, se vai restituir o menino ou não. Se o pai responder que o crocodilo não vai restituir, o crocodilo estará diante de um D.: se não restituir, a resposta do pai será verdadeira e, de acordo com o pacto, ele deverá devolver o menino; mas se o devolver, a resposta do pai estará errada e este perderá o direito à restituição (Schol. adHermog., ed. Walz, IV, p. 170). D. semelhante contava-se a respeito de Protágoras, que levou a juízo seu discípulo Evatlos, de quem de-

veria receber honorários quando vencesse a primeira causa. Protágoras achava que Evatlos deveria pagar-lhe em qualquer caso: se vencesse, por causa do pacto, e se perdesse por causa da sentença, que o obrigaria a pagar. Mas Evatlos pôde responder-lhe: "Não te pagarei em caso algum: se perder, por causa do pacto; se vencer, por causa da sentença". O D., nesse caso, era do juiz (AULO GÉLIO, Noct. Att., V, 10). Na lógica medieval, preferia-se dar a argumentos desse genêro as denominações Insolubiliaou Obligationes (y. ANTINOMIA). Esse termo reaparece na lógica renascentista (cf., p. ex., L. VALLA, Dialect. Disput., III, 13) e desta passa à lógica dejungius (Lógica Humburgensis, 1638, III, 29, D e à Lógica de Arnauld (III, 16). Nesse sentido, o D. foi chamado por Hamilton de sophisma heterozeteseos ou sofisma de contra-interrogaçâo (Lectures on Logic, I, p. 466). 2. Mais tarde, deu-se o nome de D. a certa forma de interferência do seguinte tipo: "Toda coisa é P ou M; S não é M; logo S é P" (cf. PEIRCE, Coll. Pap., 3.404). Esse segundo significado de D. já é distinguido do precedente por Jungius (Log. hambiirg., III, 29, 10) e é descrito como "silogismo hipotético-disjuntivo" por Kant (Logik, § 79), por Hamiltom (Lectures on Logic, I, pp. 350 ss.) e por outros escritores posteriores. DIMENSÃO (in. Dimension; fr. Dimension; ai. Ausdehruung; it. Dimensione). Entende-se por esse termo todo plano, grau ou direção no qual se possa efetuar uma investigação ou realizar uma ação. Fala-se, assim, de "D. de liberdade" para designar os graus da liberdade ou as direções em que ela pode manifestar-se; ou de "D. de uma pesquisa" para designar os vários planos ou níveis nos quais ela pode ser conduzida. DIONISÍACO, ESPÍRITO (ai. Dionysisch Geist). Inicialmente contraposto ao espírito apolíneo(v.), foi depois entendido por Nietzsche como atitude própria do super-homem e como o fundamento da "inversão de valores" que Nietzsche propunha. Para Nietzsche, Dionísio é "a afirmação religiosa da vida total, não renegada nem estilhaçada". Em outros termos, é o símbolo da aceitação integral e entusiasta da vida em todos os seus aspectos e da vontade de afirmá-la e repeti-la (Wille zur Macht, ed. 1901, § 479). DIORISMA (gr. 8vopiou.óç-, in. Diorism; fr. Diorisme, ai. Diorismus; it. Diorisma). Enunciaçào de um problema ou delimitação da sua probabilidade. Termo usado pelos matemáticos gregos.