DISAMIS

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DÍSPAR

D. em sentido subjetivo, como "faculdade de fazer algo, concedida ou permitida pelas leis". Assim como o homem tem o poder de fazer tudo o que promane de suas faculdades naturais, contanto que não seja proibido expressamente por uma lei, costuma-se dizer que a lei atribui o D. de fazer tudo o que não é proibido por nenhum tipo de lei. Nesse sentido, o D. concerne à nossa liberdade; a lei, ao contrário, implica a obrigação pela qual a liberdade natural é limitada" (De jure naturae, 1672, I, 6, 3). Essa distinção manteve-se até hoje nos mesmos termos. DISAMIS. Palavra mnemônica usada pelos escolásticos para indicar o terceiro dos seis modos do silogismo de terceira figura, mais precisamente o que consiste em uma premissa particular afirmativa, uma premissa universal afirmativa e uma conclusão particular afirmativa, como no exemplo: "Alguns homens são substância; todo homem é animal; logo, alguns animais são substância" (PEDRO HISPANO, Summ. log., 4.14). DISCIPLINA (gr. u.á0rma; lat. Disciplina; in. Discipline, fr. Discipline, ai. Disziplín, it. Disciplina). 1. Uma ciência, enquanto objeto de aprendizado ou de ensino (v. MATHEMA). 2. Função negativa ou coercitiva de uma regra ou de um conjunto de regras, que impede a transgressão à regra. Foi assim que Kant a entendeu ao defini-la como "a coerção graças à qual a tendência constante a transgredir certas regras é limitada e, por fim, destruída". Distinguiu-a da cultura, "que só deve conferir uma habilidade, sem abolir outra preexistente". A D. da razão pura é parte importante da doutrina transcendental do método, visto que a razão, em seu uso filosófico, não é limitada ou sustentada pela experiência (como ocorre na física) nem pela intuição pura (como ocorre na matemática) (Crít. R. Pura, Doutr. transe, do mét., cap. I).
DISCRETIVA, PROPOSIÇÃO (fr. Proposition

discrétivé). A Lógica de Port-Royal assim chamou a proposição composta de juízos diferentes, interligados por partículas como "mas", "todavia", etc, tanto expressas quanto subentendidas; p. ex., "O destino pode tirar as riquezas mas não a coragem" (ARNAULD, Log., II, 9). DISCRETO (gr. Sicopiouivoç; lat. Discretus; in. Discrete, fr. Discret; ai. Diskret; it. Discreto).
Descontínuo (v. CONTÍNUO).

DISCURSIVO (lat. Discursivus; in. Discursive, fr. Discoursif; ai. Discursiv-, it. Díscorsivó).

Esse adjetivo corresponde ao sentido da palavra grega dianóia (v.) porque designa o procedimento racional que avança inferindo conclusões de premissas, ou seja, através de enunciados negativos ou afirmativos sucessivos e concatenados. S. Tomás contrapõe esse processo, considerado próprio da razão humana, à ciência intuitiva de Deus, que entende tudo simultaneamente em si mesmo, com um ato simples e perfeito da inteligência (S. Th., I, q. 14, a. 7 ss.; Contra Gent., I, 57-58). Essa é a contraposição que se acha em Platão e em Aristóteles entre razão (dianóia) e intelecto (nous). Os modernos utilizaram essa palavra com o mesmo significado (HOBBES, Leviath., I, 3; WOLFF, Log., § 51). Kant acompanhou esse uso. "O conhecimento qualquer intelecto", disse ele, "ao menos do intelecto humano, é um conhecimento por conceitos: não intuitivo, mas D." (Crít. R. Pura, Analítica, I, cap. I, seç. 1). Em toda a sua obra Kant contrapõe constantemente o intelecto D. ou humano ao hipotético "intelecto intuitivo" de Deus, que é criador dos seus objetos (Ibid., § 21) (v. INTELECTO). DISJUNÇÃO (in. Disjunction, fr. Disjonction; ai. Disjunktion; it. Dísgiunzione). Na Lógica escolástica, é uma propositio hypothetica formada por duas categorias unidas pelo sinal "vel" ("Sócrates currit vel Plato sedef). Na Lógica contemporânea, é uma proposição molecular formada por duas (ou mais) proposições atômicas unidas pelo sinal "v" ("pvq"). Em ambas as Lógicas, a condição necessária e suficiente para a verdade de uma D. é que pelo menos uma das duas proposições componentes seja verdadeira. G. P. DISJUNTIVO (gr. 8ieÇet>YUÍvoç; lat. Disiunctívus, in. Disjunctive, fr. Disjonctif; ai. Disjunktive, it. Disgiuntivo). É o enunciado que contém uma alternativa, tanto em sentido inclusivo, como p. ex. "uma estrada ou outra conduz a Roma", quanto em sentido exclusivo, como p. ex. "ou é noite ou é dia". Os estóicos, que foram os primeiros a atentar para esses enunciados, entenderam-nos em sentido exclusivo (DióG. L, VII, 1, 72). Silogismo D. é o que tem como premissa maior uma proposição disjuntiva (v. SILOGISMO). DÍSPAR (lat. Diparatus; in. Disparate, fr. Disparate, ai. Disparai; it. Disparato). Foi assim que Cícero chamou o que está em oposição contraditória com outra coisa, como p. ex. não saber em relação a saber (De Invent., 28, 42). Boécio restringiu esse termo aos opostos con-