Governo do Estado do Piauí

Defensoria Pública Geral do Estado
Excelentíssimo Senhor Desembargador Presidente do Egrégio Tribunal de Justiça do Piauí. Juízo de Origem: 3ª Vara Criminal de Teresina Ação Pública (Art. 157, §1°, II do CPB) Processo: 182/02 Distribuição: 001.02.002161-6

RUBENS JOSÉ DA SILVA, brasileiro, solteiro, servente de pedreiro, residente na Rua Ômega, nº 1343, Bairro Nova Brasília, nesta Capital, por intermédio de seu defensor público e estagiário infra-assinados, vêm à presença da Egrégia Câmara Criminal desta Egrégia Corte, impetrar a presente ordem de HABEAS CORPUS COM PEDIDO DE LIMINAR nos termos do art. 5º, LXVIII da Constituição Federal, combinado com o art. 647 e ss. do Código de

encontrando-se o Mesmo. preso há mais de 6 (seis) meses. considerou para complementar a fundamentação do tal decreto o fato do acusado já responder a processo da mesma espécie .Governo do Estado do Piauí Defensoria Pública Geral do Estado Processo Penal. está a aproximadante 180 (Cento e oitenta) dias cerceado no seu Direito constitucional de liberdade. pelos fundamentos fáticos e jurídicos que passa a expor e ao final requerer: DA EXPOSIÇÃO FÁTICA O Paciente foi preso após ter sua prisão preventiva decretada em 29 de novembro de 2002 pelo M. 34 a 37) por ter supostamente cometido o crime de roubo qualificado em fevereiro de 2002. 39 e 40). porém. data em que foi devidamente cumprido de fato o mandado de prisão preventiva (fls. Diante de tal fato.M Juiz titular daquela Vara. Pedida a concessão de revogação de sua prisão preventiva. o Ministério Público opinou pelo indeferimento do pedido (fls. desde então. argumentando que as provas de materialidade e indícios de autoria legitimariam o decreto da prisão preventiva.53 a 55). ou seja. à disposição da justiça. ratificado pelo M. sem culpa formada. o digníssimo Juiz da 3ª Vara Criminal acatou o parecer do MP pelo indeferimento do pedido e manteve a prisão preventiva da Paciente.M Juiz de Direito da 3ª Vara Criminal da comarca de Teresina.(fls. sob a alegativa da preservação da ordem pública e a conveniência da instrução criminal.

. e muito menos quer se escusar da instrução criminal. Assim. in Código de Processo Penal Anotado.Governo do Estado do Piauí Defensoria Pública Geral do Estado Tal argumento não procede. DE JESUS. Assim.07 a 20). a fundamentação não pode se basear em proposições abstratas como simples ato formal. da ordem econômica. como cita o eminente jurista DAMÁSIO E. à página 238: “O decreto de prisão preventiva deve ser convincentemente motivado.(fls. a prisão preventiva tem como finalidade a garantia da ordem pública. não sendo suficientes meras conjecturas de que o réu poderá fugir ou impedir a ação da justiça. quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria. percebemos dois requisitos fundamentais que é a existência do fato delituoso e o indício de autoria. e conveniência da instrução criminal. o qual baseia-se numa peça informativa eivada de irregularidades e baseada apenas nas conjecturas infundadas de ser o Paciente um criminoso costumaz. pressupostos inexistentes neste caso. ao analisar este dispositivo. tendo que o Paciente não perturba a ordem pública. RTJ 73/411). para se decretar a prisão preventiva. quando posto em liberdade. De acordo com o artigo 312 do CPP.Assim. é necessário não só meras suspeitas de ser o Acusado autor de determinado fato delituoso. mas resultar de fatos concretos” (STF.

Relator Ministro Sepúlveda Pertence... não é suficiente o modo de e execução... aplica-se parcimoniosamente. ainda que qualificado de hediondo....T........... nem o conseqüente clamor público constituem motivos idôneos à prisão preventiva: nostalgia traduzem da sim mal prisão disfarçada extinta preventiva obrigatória...... S.. Urge... nem a gravidade abstrata do crime imputado...200 – BA -... nem a reprovabilidade do fato............ insuficientes as condições circunstâncias pessoais..” (Habeas corpus n.. abril de 2000) ......Governo do Estado do Piauí Defensoria Pública Geral do Estado A Jurisprudência dominante entende que: “Prisão preventiva: à falta da demonstração em concreto do periculum libertatis do acusado. Não basta a comoção social. Imprescindível um – fato – a gerar a – necessidade”........ in Revistra Trimestral de Jurisprudência.... 172.....F........ instituto de exceção. (RT 726/605) . 184... vol. a demonstração da necessidade.... “A prisão preventiva... pág... Primeira Turma. ademais...º 79.

Governo do Estado do Piauí Defensoria Pública Geral do Estado ..... vol. nem a gravidade abstrata do crime imputado.... 172...... sendo apenas a poucos dias o Mesmo foi interrogado... ainda que qualificado de hediondo... isto e........ passados mais de cento e oitenta dias de sua prisão......... abril de 2000) DA CARACTERIZAÇÃO DO EXCESSO DE PRAZO DA INSTRUÇÃO CRIMINAL O impetrante está há mais de seis meses está recolhido na casa de custódia desta capital...... nem a reprovabilidade do fato.. in Revistra Trimestral de Jurisprudência.....F.. Todo esse lapso temporal não se justifica tendo em vista que conforme entendimento pacífico do doutrina e jurisprudência .. nem o conseqüente clamor público constituem motivos idôneos à prisão preventiva: nostalgia traduzem da sim mal prisão disfarçada extinta preventiva obrigatória........” (Habeas corpus n..º 79....... pág..... 184... é que o Paciente foi inquirido.. o .... Primeira Turma.200 – BA -.....T....... “Prisão preventiva: à falta da demonstração em concreto do periculum libertatis do acusado. Relator Ministro Sepúlveda Pertence.. S..

.. “A jurisprudência fixou em 81 dias o prazo para o término da instrução criminal estando preso o acusado... é de 81 dias...... o excesso de foi devidamente alegado e provado. ainda não provada... não contendo assim um ou mais Réus que façam parte deste Processo....... embora a promotoria.....2000).....10.. excedendo os 81 dias........ . a suposta co-autoria. caracteriza constrangimento ilegal” (STF – HC nº 78.978 – 1 DJU 13.. 46 e 47).......... apenas o Paciente foi denunciado... como mais um motivo de ilegalidade de sua prisão..... tendo em vista que o mesmo foi interrogado em 18 de maio de 2004(Interrogatório do acusado anexo). constando apenas da Peça Inquisitiva. DO FUNDAMENTO JURISPRUDENCIAL “A demora na formação da culpa.......... Ao ingressar com a devida REVOGAÇÃO DE PREVENTIVA (fls. Em primeiro lugar.. em se tratado de réu preso. sem motivo pela defesa...... com base nos fundamentos de que seja o processo complexo tendo em vista a pluralidade de réus e a colheita de provas. bem como o MM.Governo do Estado do Piauí Defensoria Pública Geral do Estado prazo total do encerramento da instrução criminal........ o simples fato de já ter sido interrogado não afasta o excesso de prazo............ . Além disso. e inexistente no conteúdo dos autos em epígrafe....... foram desfavorável e denegaram o pedido respectivamente.....Juiz da 3ª Vara Criminal da Comarca de Teresina (parecer e decisão interlocutória anexos)..

..... .... ministro do STF.. uma e outra se desfazem ocorrendo a demora injustificada na instrução criminal” (TJSP – RT 397/55)...........Governo do Estado do Piauí Defensoria Pública Geral do Estado Ocorrendo excesso nesse prazo.. “Mesmo que presente todos os requisitos..... pelo Poder Público........ sem dilações indevidas.. ao apreciar esta questão...........Configurado o excesso de prazo a que não deu causa a ........... quer da prisão preventiva... O direito ao julgamento........... sem demora excessiva e nem dilações indevidas....... o mandamento segundo o qual todo acusado tem o direito de obter........ É o que está preceituado na Convenção Americana Sobre Direitos Humanos......... 5 e 6” (HC 80 379/SP........05................ O réu – principalmente aquele que se acha sujeito a medidas cautelares de privação da sua liberdade – tem o direito público subjetivo de ser julgado. . ns. O insigne Celso de Mello.... “Nunca é demais enfatizar que vigora no nosso sistema legal............. num prazo razoável.... ressaltou que: “O julgamento sem dilações indevidas constitui projeção do princípio do devido processo legal..... pronunciamento judicial que defina sua situação perante a lei........ quer da prisão em flagrante.... por força e compromisso internacional a que o Brasil está obrigado a cumprir.. art 7º.................. qualifica-se como prerrogativa fundamental que decorre do due process of law........ impõe-se o relaxamento do flagrante” (TJSP – RT 526/358)........... dentro do prazo razoável........ DJ 25..... sem motivo justificado.2001)..

Só cabível em situações especiais. privado da liberdade.TARS.Governo do Estado do Piauí Defensoria Pública Geral do Estado defesa.A prisão preventiva. O fato de o Paciente estar a tanto tempo . estancar a coação ilegal que vez por outra se perpetra em nome do Estado” ( STJ – 5ª T – HC 5284 – Rel.973. porquanto satisfeitos os requisitos exigidos. denunciando a desídia dos agentes do poder público. pela sistemática caráter do nossso Direito SP. a orientação doutrinária é bem sucinta: “ Trata-se de providência odiosa.. Senão. pois todos sabemos o perigo que representa a prisão do cidadão antes de ter sido reconhecido definitivamente culpado. Foi a receita do legislador para que o Estado não ficasse indefinidamente com um acusado sob sua custódia. 365). jatars 87/54). Saraiva. vejamos: O Paciente encontra-se custodiado desde a data de 03 de novembro de 2003. (TACrim 528/315. É a maneira da lei. Edson Vidigal ) (grifou-se ) DA CONCESSÃO LIMINAR Verificada exaustivamente nestes autos a coação ilegal sofrida pelo Paciente observa-se a inconteste natureza cautelar e urgente da ordem concessiva de “Habeas Corpus”. sem o devido processo legal. No tocante a qualquer espécie de prisão. Ed.Aboliu-se seu obrigatório. Prática Processual Penal. seu bem mais sagrado. configurado está o constrangimento ilegal. RT é medida de HC exceção. E se vier a ser absolvido? ” (TOURINHO FILHO. p.854. 293. Positivo.

o periculum in mora. presentes os requisitos cautelares do fumus boni juris e periculum in mora. FUMUS BONI IURIS E INADMISSIBILIDADE À PRISÃO. PRISÃO CLAMOR PREVENTIVA. enquanto espetacular exceção ao princípio constitucional da presunção de inocência (art. exige a satisfação dos requisitos gerais em matéria cautelar. HABEAS PERICULUM IN CORPUS. POR JUIZ AMILTON BUENO DE CARVALHO Toda espécie de prisão provisória.Governo do Estado do Piauí Defensoria Pública Geral do Estado preso impõe a esta um ônus moral e material a que não deu causa. ainda. de manter a prisão do Paciente. vê-se a necessidade imediata de justiça. 5°. REQUISITOS DO ART. o fumus boni iuris e o periculum in mora. Caracterizando. Assim. PÚBLICO. . 312. da CF). 180 dias. LVII. O fumus boni juris. aproximadamente. configura-se pela existência da coação ilegal e o constrangimento do direito constitucional do Paciente à liberdade de ir e vir que se prolonga por. com a concessão liminar da presente ordem de “Habeas Corpus” contra a decisão da autoridade coatora. O primeiro encontra-se consubstanciado nos indícios de autoria e prova da materialidade (concomitantemente). quais sejam. ao passo que o segundo pode se manifestar na necessidade de garantir a ordem pública (ou econômica). MORA. DO CPP. assegurar a aplicação da lei penal ou. pois.

HC 70005916929. . Outrossim. 5ª Câmara Criminal de Camaquã). o aumento da criminalidade e o clamor público são frutos da estrutura social vigente. Assim. sem qualquer conexão com o fato delituoso praticado pelo réu. (Rel. que se encarrega de os multiplicar nas suas próprias excrescências. por si-só. Amilton Bueno de Carvalho. não é razoável que tais elementos – genéricos o suficiente para levar qualquer cidadão à cadeia – sejam valorados para determinar o encarceramento prematuro. A gravidade do delito. seja porque a lei penal não prevê prisão provisória automática para nenhuma espécie delitiva (e nem o poderia porque a Constituição não permite). À unanimidade. O “clamor público”. a “intranqüilidade social” e o “aumento da criminalidade” não são suficientes à configuração do periculum in mora: são dados genéricos. seja porque não desobriga o atendimento dos requisitos legais em caso algum. logo não podem atingir as garantias processuais deste. também não justifica a imposição da segregação cautelar.Governo do Estado do Piauí Defensoria Pública Geral do Estado por conveniência da instrução criminal (ao menos uma destas hipóteses deve estar presente). concederam a ordem.

deferindo o pedido.Governo do Estado do Piauí Defensoria Pública Geral do Estado DO PEDIDO Ex positis. 20 de maio de 2004. se for o caso. a presente ordem de HABEAS CORPUS . por ser da mais ínsita Justiça. distribuída a presente e pedidas as informações ao Coator. Teresina. que. ante a presença do periculum in mora e do fumus boni juris. Ulisses Brasil Lustosa Defensor Público Ayslan Siquera de Oliveira Estagiário . para fazer cessar a coação de que está sendo vítima. RUBENS JOSÉ DA SILVA. seja concedida ao Paciente. Nestes Termos. ainda. ordenando-se de plano o relaxamento da prisão ilegal do Paciente. Pede Deferimento. requer-se a Vossa Excelência: A concessão da MEDIDA LIMINAR PARA FAZER CESSAR A COAÇÃO. tudo na forma aqui exposta e requerida. Requer-se.