SER OU NÃO SER? EIS A QUESTÃO...

QUARTA-FEIRA, 2 DE NOVEMBRO DE 2011 Para começar, gostaria de explicar o título deste texto. Lancei mão deste dito de Shakespeare para ilustrar minha indignação enquanto professor de escola pública (digo escola pública porque nunca vi [ou ouvi] um professor de escola privada reclamando, por mais que seja uma merda). Esta minha indignação se reforça em cada momento que tenho ao encarar minha carreira sendo jogada no lixo por parte do Governo do Estado de Minas, representado aqui pelo (des)governador Antônio Augusto Anastasia (que se diz também professor). Retornando, ser ou não ser... Na atual conjuntura apocalíptica de nossa era fragmentada em crises econômicas (para pobres!), copa do mundo e olimpíadas, fico me perguntando: Por que ser professor? Resposta idealista: É uma profissão nobre, cuida da cidadania e da preparação dos alunos para uma vida melhor, etc, etc, etc e etc... Entretanto, é uma profissão! Não é voluntarismo! Trabalha-se nesta profissão (e muito!!!) Ainda há quem pense que não trabalhamos e dizem: Ah, vocês tem duas férias por ano, feriados, sábados, domingos! Isto é que é trabalho! Eu queria estar em seu lugar! Suspiram desejosos (ou invejosos)! Mas... Não é bem assim. Trabalhamos o tempo todo. Qual professor não sai da escola já planejando o que fazer no próximo dia, uma aula diferente, um projeto, um texto, uma novidade qualquer, uma discussão, um filme ou qualquer outra forma de agir pedagogicamente de forma eficiente para alcançar o verdadeiro aprendizado? Quem, professor, não pensa educação 24 h por dia? Quem não gasta horas corrigindo provas, lançando notas, revisando redações, preparando recuperações? E vem me dizer que não trabalhamos! Bananas para estes! Recebemos por isso. É justo, muito justo... É justíssimo! Quem trabalha quer receber pelo seu trabalho. Se fosse voluntarismo, eu seria rico e este seria meu hobby. Porém, não creio ser rico, este não é meu hobby e preciso viver. Preciso de pagamento justo pelo meu trabalho. Por isso me lancei em uma greve de 112 dias neste ano. Não aceito ser desvalorizado! Grito ainda mais alto: NÃO ACEITO SER OVELHA! Não serei conduzido! Não pastarei capim seco! Eu tenho meu valor! Fugi novamente do propósito inicial. Bom, vamos lá! Já expliquei por que sou professor. Agora vou analisar da seguinte perspectiva: se eu fosse um estudante secundarista e fosse indagado sobre ser professor hoje, o que eu diria? Resposta óbvia: NÃO SERIA PROFESSOR! Seria técnico em alguma coisa, autônomo com alguma formação em prestação de serviços, comerciante, engenheiro, consultor, etc. Mas professor, NÃO! E, se alguém me pergunta sobre ser professor (Embora esta pergunta seja rara hoje me dia!)... Eu respondo com uma nova pergunta: Tem certeza de que quer ser professor?

achei. vocês não são robôs. Sim. educação péssima. Consumidores ativos que não sabem o que compram e para que compram. naqueles tempos. libertem-se dos grilhões da servidão. E nem percebemos! Acordo no meio da Matrix e olho para todos. companheiros alienados. quando me decidi por isto. felizes em seus casulos. que poderíamos mudar o mundo. eu já sabia da situação. não aceito! Acordem todos! Vejam o que está diante de seus olhos! Estão transformando todos vocês em robôs orgânicos.. cumpridores de suas obrigações. transporte precário. Sistema de saúde comprometido. perdi meu idealismo. alienação total! Acordem.. governos elitistas e outras coisas. trabalhadores pacíficos. não desisto. Cada um destes itens desta equação complexa serviu para acabar com a minha visão de mudança pelo diálogo democrático direto sem embates. não são gado! Se o que digo não fosse verdade. na democracia. controle mental. segurança mínima.Meu idealismo foi enterrado há muito através das diversas greves. nos poderes Legislativo e Judiciário. não meu orgulho! Embora não me tornasse professor nesta época atual. poder de compra limitado às linhas de créditos. Perdi a crença no Estado democrático. Mendes – Professor e escritor . vivendo a ilusão da melhora que não existe.. Vocês são seres humanos e merecem ser tratados como tal! Levantem-se. ganhos parcos. ergam punhos cerrados contra aqueles que chicoteiam. derrotas evidentes. sindicatos vendidos. não haveria necessidade de existir um órgão de defesa dos Direitos Humanos. Sugam-nos as nossas vontades e nos dão falsas liberdades e esperanças vãs no ato do consumismo controlado. tomem posse de seu ser! Sejam novamente humanos! Rockmil R. Não podemos ser coniventes com isto! Não posso ser. na Constituição Federal. enfim. massacrem os senhores. Não baixo a cabeça. é isto que vejo! Um quadro cinza sem vida inteligente. Depois da última greve percebi que perdi minha inocência completa. Porém. Agora vejo que foi o mundo que nos mudou. Descobri da pior maneira possível que tudo isto é uma farsa e que nós sustentamos todo este complexo sistema de exploração..