Calicivírus animal Animal caliciviruses

Aline Fernandes Barry1; Alice Fernandes Alfieri2; Amauri Alcindo Alfieri3*

Resumo
Os calicivírus eram classificados como membros da família Picornaviridae e somente em 1979 foi proposta a criação da família Caliciviridae. Nessa família estão incluídos quatro gêneros: Vesivirus, Lagovirus, Norovirus e Sapovirus sendo o genoma constituído de uma molécula de RNA fita simples, linear, de polaridade positiva, poliadenilado na extremidade 3’. O gênero Vesivirus compreende vírus causadores de doenças vesiculares em felinos (FCV), suínos (VESV) e cetáceos e pinípedes (SMSV). Os lagovírus incluem o European brown hare syndrome virus (EBHSV) e o Rabbit hemorrhagic disease virus (RHDV) que acometem lebres e coelhos causando doença hepática. Os norovírus, anteriormente denominados Norwalk-like virus, são considerados os mais importantes causadores de gastroenterite não-bacteriana em seres humanos adultos e crianças em países da Europa, nos Estados Unidos e Japão. Os hospedeiros naturais dos norovírus são os seres humanos, bovinos, suínos e ratos. Os sapovírus são descritos em seres humanos e suínos, e principalmente os indivíduos jovens são acometidos. Em seres humanos a infecção pelos sapovírus se manifesta como uma diarréia moderada e em suínos já foi verificada atrofia das vilosidades intestinais e diarréia em leitões experimentalmente infectados com a estirpe padrão Cowden. Apesar da grande variabilidade genética descrita nos sapovírus, já foram descritas recombinações entre estirpes de genogrupos e genotipos diferentes, existindo a possibilidade do potencial zoonótico da doença. Palavras-chave: Suíno, leitão, diarréia, enterite, calicivírus, sapovírus

Abstract
The caliciviruses were included in Picornaviridae family, and only in 1979 they were classified as Caliciviridae members. There are four genera included in this family: Vesivirus, Lagovirus, Norovirus and Sapovirus. Its genome consists of a single-stranded poly-adenylated RNA molecule with positive polarity. The Vesivirus genus includes viruses that cause vesicular disease in feline (FCV), swine (VESV) and cetacean and piniped (SMSV). Lagoviruses include the European brown hare syndrome virus (EBHSV) and Rabbit hemorrhagic disease virus (RHDV) which infects hare and rabbits causing hepatic disease. The noroviruses, previously named, Norwalk-like virus, are the main cause of nonbacterial human gastroenteritis in some European countries, United States and Japan. The natural hosts of this virus are the man, bovine, swine, and rats. Sapovirus infects human and swine, especially the young. In human the infection is normally a mild diarrhea. In swine it has been described intestinal villous atrophy and diarrhea in experimental infected piglets. Despite the high genetic variability of sapoviruses, recombination between strains from different genogroups or genotypes was already verified, which suggests the zoonotic potential of the disease. Key words: Swine, piglet, diarrhea, enteritis, calicivirus, sapovirus
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Parte integrante da dissertação da primeira autora pelo Programa de Pós-graduação em Ciência Animal, UEL. Professor do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva / UEL. Professor do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva / UEL. E-mail: alfieri@uel.br Autor para correspondência
Recebido para publicação 19/03/07 Aprovado em 23/08/08

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Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 29, n. 4, p. 933-946, out./dez. 2008

ZICKL.. GREEN. de polaridade positiva. além da composição do capsídeo em somente uma proteína (BURROUGHS. apresentaram vômito e diarréia. O vírus foi considerado o agente etiológico de uma epidemia nos Estados Unidos que ocasionou a perda de 2. poliadenilado na extremidade 3’ e com tamanho variando de 7. este último transcrito para codificar as proteínas estruturais do vírus (WIRBLICH. A organização do genoma pode ser em duas ou três regiões abertas de leitura (open reading frames – ORFs). foram detectados em seres humanos em 1976 em amostras de fezes de crianças com gastroenterite e assintomáticas (MADELEY. 1994). de aproximadamente 16 kDa. ligada covalentemente.. Porém. 1997) e mais tarde em lebres na Itália (WIRBLICH et al. 29. sendo sensíveis ao tratamento com tripsina. 2001). 4. ESTES. a partir de células infectadas com calicivírus. 933-946. n.Barry. como tamanho e densidade das partículas virais. Os norovírus foram primeiramente descritos no ano de 1972 e estavam associados ao primeiro surto da doença.. 2005). MEYERS. abortamento e abate para erradicar a doença. A. ATMAR. THIEL. Os lagovírus foram detectados em 1984. Na extremidade 5’ de algumas estirpes virais há uma proteína (VPg). em 1968.. na China. SOSNOVTSEV. Os calicivírus foram inicialmente classificados como membros da família Picornaviridae.5 milhões de suínos pela morte. A. GREENBERG et al. p. A. EUA. Lagovirus.. A densidade das partículas virais em CsCl é de 1. 2002. e vírus com estrutura arredondada (small round structured virus – SRSV) (Figura 2). 1968. 1996. Todos os membros não possuem envelope lipoprotéico. 2003. COSGROVE. (CUBITT. em 1979. BELÁK. Alfieri. Norovirus (NoV) e Sapovirus (SaV) (Quadro 1 e Figura 1). Características Gerais A família Caliciviridae é constituída de quatro gêneros: Vesivirus. BROWN. 1976). demonstrando diferenças na replicação em relação aos picornavírus (EHRESMANN. F. 2008 . 1977). BELLIOT et al.. somente em 1981 foram classificados como calicivírus (ADLER. porém resistentes em faixas de pH de 4 a 5 (INTERNATIONAL COMMITTEE ON TAXONOMY OF VIRUSES – ICTV. compostos por 32 depressões no capsídeo.4 a 8. Os calicivírus podem ser classificados em vírus com morfologia clássica. Alfieri. 934 Semina: Ciências Agrárias. O genoma é constituído por RNA fita simples. out. Burroughs e Brown (1974) propuseram a criação da família Caliciviridae devido aos calicivírus apresentarem características morfológicas distintas dos picornavírus. linear. GREEN et al.3 kb. como um vírus de morfologia semelhante ao VESV ocasionando surtos de doença hemorrágica em criações de coelhos (BASCUÑANA.33-1. A VPg está presente tanto no RNA genômico quanto no subgenômico. v. 1981. GARFIELD. 1994). KAPIKIAN et al. Histórico A primeira descrição da infecção pelo calicivírus em animais ocorreu em 1932 com o vírus do exantema vesicular dos suínos (VESV)..4 g cm-3. A. F. 2007. Outros estudos complementaram essa nova classificação com base na detecção de diferentes tamanhos de RNA viral. 1994).. apresentam simetria icosaédrica e diâmetro variando de 27 a 39 nm. 1972. atualmente classificados como sapovírus. O último relato da enfermidade ocorreu em 1956 no Estado da Califórnia e em 1959 a doença foi considerada erradicada (CUBITT. 1974)./dez. Essa nova classificação foi descrita no Terceiro Relatório do Comitê Internacional de Taxonomia Viral. Londrina. Já os calicivírus com morfologia clássica. OKA et al. 2000). 2007). em que alunos e professores de uma escola em Norwalk no Estado de Ohio. em que são codificadas as proteínas não-estruturais e estruturais do vírus (ICTV. SCHAFFER. NOWOTNY.

Há também características antigênicas em comum entre ambos os vírus (NEILL. à microscopia eletrônica. pela protease viral originando as proteínas não-estruturais do vírus. 1984 Kapikian et al. patas. Craig e Hall.. sendo todos adaptados em culturas celulares. 2008 . 2001 Saif et al. 1978 Sugieda et al. Skilling e Ridgway. 1983aª Smith. língua.. que ocasiona sinais clínicos em cetáceos e pinípedes (focas... respectivamente (GREEN et al. 1957 Smith et al... O calicivírus felino (FCV). 4. que é responsável por doenças do trato respiratório superior e ulcerações orais em gatos. Classificação dos gêneros e espécies virais pertencentes à família Caliciviridae. 1983b Smith et al. lábios. 2005 Gough e Spackman. leões marinhos) muito semelhantes aos presentes em suínos infectados com o VESV. 1978). 933-946. 1933 Long. 1972 Almeida.. 935 Semina: Ciências Agrárias. como calicivírus clássicos. Londrina. SEAL. As lesões vesiculares podem estar presentes no focinho. 1995 Smith et al. v. ou seja. 1985 Smiley et al.. Evermann e Gorham. 1955).. 1986 Mohler e Snyder.. n.Calicivírus animal Família Caliciviridae Gênero Lagovirus Espécie European brown hare syndrome virus Rabbit hemorrhagic disease virus Norwalk virus Não-classificados Hospedeiro Lebre Coelho Humano Bovino Suíno Rato Ano 1989 1984 1972 1978 1998 2003 1976 2001 1980 1957 1983 1983 1995 1972 1983 1986 1932 1980 2005 1981 1985 1980 País Itália China EUA Reino Unido Japão EUA Reino Unido Canadá EUA EUA EUA EUA EUA EUA EUA EUA EUA EUA Espanha Reino Unido Japão EUA Referência Lavazza e Vecchi.. DARDIRI. 1973 Smith et al. 1976 Guo.. 1998 Karst et al. 1995). Todos se apresentam. 1980 Martin-Alonso et al. simultaneamente à sua síntese. 2000). p. a superfície do capsídeo é formada por depressões que se assemelham a cálices. Não raramente. MEYER. 1989 Liu et al. podem ocorrer problemas reprodutivos como abortamento. Também faz parte desse gênero o vírus do exantema vesicular dos suínos (VESV). out. 2003 Madeley e Cosgrove. 2002 Norovirus Sapovirus Sapporo virus Não-classificados Humano Marta Suíno Felino Bovino Cetáceo Gambá Leão Marinho Primata Réptil Suíno Marta Coelho Frango Cão Bovino Vesivirus Calicivírus felino Vírus do exantema vesicular suíno Não-classificados Não-classificados     Calicivírus aviário Calicivírus canino Nebraska Quadro 1. A transmissão inter-espécies já foi descrita entre focas./dez. martas e suínos por meio da ingestão de alimentos e fezes contaminados com o SMSV (WILDER. Na ORF1 é codificada uma poliproteína que é clivada. Vesivírus O gênero Vesivirus compreende vírus causadores de doenças em animais. TRAUM. A organização genômica desses vírus se faz em três ORFs. sendo suas características antigênicas bem conhecidas (THUMFART.. Outro vesivírus de grande importância é o San Miguel sea lion virus (SMSV). 1980 Fastier. 1983 Seal et al. cavidade oral. Evermann e Saif. doença vesicular dos suínos (Enterovirus – Picornaviridae) e da febre aftosa (Aphtovirus – Picornaviridae). 2002). havendo também relatos de diarréia grave (MADIN. 1981 Schaffer et al. espaço interdigital e borda coronária do casco. que nos animais infectados ocasiona sinais clínicos indistingüíveis aos da estomatite vesicular (Vesiculovirus – Rhabdoviridae). é um dos vírus mais estudados. MEYERS. 29. As ORF2 e ORF3 codificam as proteínas estruturais VP1 (principal) e VP2 (secundária).

v. RHDV(M67473). Nebraska (AY082891). WIRBLICH et al. sendo que na primeira são codificadas as proteínas não-estruturais e a proteína principal do capsídeo e na segunda uma proteína estrutural secundária (OHLINGER et al. A. A. 933-946. O EBHSV e o RHDV podem se diferenciados por imunomicroscopia eletrônica. hemaglutinação e ELISA demonstrando que esses vírus. Cowden (AF182760)... Semina: Ciências Agrárias. 2008 . A taxa de mortalidade é bastante elevada podendo alcançar 100% em animais adultos. SMSV (AF181081). out. Jena vírus (AJ011099). representando os quatro gêneros e a estirpe Nebraska (ainda não classificada). Reconstrução em Kimura 2-parâmetro com valores de bootstrap em % (1000 replicações). Seqüências obtidas do GenBank com os seguintes códigos de acesso: VESV (AF181082).. apresentam algumas diferenças antigênicas. Tanto lebres quanto coelhos infectados apresentam sinais clínicos bastante semelhantes decorrentes da degeneração dos hepatócitos.626 nt) dos principais membros da família Caliciviridae. Lagovírus Os lagovírus incluem o European brown hare syndrome virus (EBHSV) e o Rabbit hemorrhagic disease virus (RHDV). 1994). Norwalk (M87661). FCV (M86379). Até o momento não foi possível adaptar em cultivo celular nenhuma estirpe identificada de lagovírus. PAN (AF091736). Árvore filogenética (neighbor-joining) baseada no genoma parcial (2. F. 4. que resulta em necrose hepática. apesar de bastante relacionados. A organização genômica ocorre em duas ORFs. Newbury Agent-2 (AF097917) e Norovírus suíno (AB074893). p. n. Londrina. EBHSV(Z69620). Alfieri.. Sapporo (U65427). 29. Morfologicamente o EBHSV e o RHDV são indistingüíveis e semelhanças antigênicas entre eles também já foram demonstradas utilizando-se soro 936 hiperimune de coelhos infectados com o RHDV. Alfieri. 1990. F. A. Figura 1. A./dez.Barry.

Microscopia eletrônica de contrastação negativa das duas estruturas morfológicas dos calicivírus. p. FRANKHAUSER et al. n. Estrutura dos norovírus e alguns calicivírus felinos.osu. suínos e ratos (murine norovírus – MNV). a prevalência e a epidemiologia da doença ainda não estão completamente estabelecidas (FRANKHAUSER et al. ZHENG et al. NAKAJIMA. 2002. 2005).. A transmissão pode ocorrer pelo contato direto ou pela ingestão de água e alimentos contaminados (FRANKHAUSER et al. uma vez que o MNV é o único NoV adaptado em cultivo celular e capaz de se replicar em animal de experimento (WOBUS. presente nos vesivírus.Calicivírus animal A B Figura 2. (SUGIEDA. 2002).. Londrina. WOBUS et al. LOPMAN et al.. Em seres humanos a transmissão de NoV por meio da ingestão de moluscos e ostras contaminados também já foi relatada (COSTANTINI et al. GALLIMORE et al. 2006). bovinos. 2000. são considerados os mais importantes causadores de gastroenterite não-bacteriana em adultos e crianças em países da Europa. FRANKHAUSER... 2006). v.. NOEL. 2005. Os hospedeiros naturais dos NoVs são os seres humanos. II e IV são causadores de surtos de gastroenterite em seres humanos. out.pref. 2002.edu/archive/calici. sendo que as proteínas não-estruturais são formadas a partir da clivagem de uma poliproteína codificada na primeira ORF e as duas proteínas estruturais codificadas na segunda e terceira ORFs.. O genoma viral é organizado em três ORFs. nos Estados Unidos e Japão (INOUYE et al. (A) Morfologia clássica com 32 depressões (cálices) ou em “Estrela-de-Davi”. 2000. lagovírus e sapovírus. THACKRAY. 2004. 2004). Ratos infectados com o MNV constituem um importante modelo experimental animal para o estudo da replicação e patogenia dos NoVs. anteriormente denominados Norwalklike virus. Surtos de infecção em cruzeiros marítimos e em alojamentos improvisados devido a desastres ambientais também são descritos (CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION – CDC. (B) Small round structured virus. 29. Os membros dos genogrupos I. 933-946. Embora a presença de anticorpos e a detecção do vírus já tenham sido verificadas. 2008 . Porém. 4. Com base nas características moleculares. ISAKBAEVA et al. 2003). 2004. estirpes isoladas de amostras de fezes de suínos demonstraram maior similaridade genética com as estirpes de NoV humanos do GII. VIRGIN IV.jpg.. 1998).. Fonte: http://researchnews. Morfologicamente os NoV são classificados como small round structured virus e têm a característica de apenas se propagarem em cultivos celulares específicos como células dendríticas e macrófagos (DUIZER et al. As estirpes de 937 Semina: Ciências Agrárias. 2005). as estirpes de NoV são divididas em cinco genogrupos (ANDO..ehime..jp/040hokenhukushi/140eikanken/ kanjyo/topics/ityoen/image/norovirus-l. 2006)./dez.. Norovírus Os NoV.jpg e http://www. FARKAS et al.

(OKADA et al. 2000). têm como protótipo a estirpe Sapporo/82. NoV bovinos estão classificadas no GIII. propriedades antigênicas. ORF2. Embora não seja utilizado como padrão.. 933-946. principalmente. anteriormente denominados Sapporolike virus. Em seres humanos a infecção ocorre. seqüências totais e parciais do genoma. F. Também não há um modelo experimental animal descrito para SaV conhecendo-se. uma vez que a maioria dos calicivírus não são cultiváveis (GREEN et al. nos quais o vírus pode ser detectado diretamente nas fezes por microscopia eletrônica... Os representantes de cada genogrupo compartilham aspectos comuns da organização do genoma e o número de regiões abertas de leitura (GREEN et al. associadas às características morfológicas. O isolamento do SaV humano em cultivo celular.. A. 2006) demonstrando a ampla circulação do vírus em todo o mundo. 2004). em cinco genogrupos (Figura 3 e Quadro 2) (FARKAS et al. Esses vírus apresentam-se com a configuração de Estrela-de-Davi. imunomicroscopia eletrônica ou RT-PCR. ainda não está estabelecido se os anticorpos realmente conferem proteção efetiva ou se esse aumento apenas reflete a infecção intestinal (CHIBA et al.Barry. Ásia 938 Semina: Ciências Agrárias. 2000). essa mesma classificação se manteve nas análises moleculares realizadas em regiões dos genes da RNA polimerase RNA dependente (RpRd).. pouco sobre as estratégias de replicação. A. descrita em um surto de gastroenterite em um orfanato na cidade de Sapporo no Japão em outubro de 1977. ou seja. A../dez. Alfieri.. 2008 . v. De acordo com o Grupo de Estudos de Calicivírus (CSG) do Comitê Internacional de Taxonomia Viral (ICTV). os sapovírus são classificados. n. 4. 2001).. Londrina. também denominados de calicivírus humanos clássicos. 1999. LIU et al. até o momento. Os NoV de ratos são classificados no GV. à microscopia eletrônica têm morfologia clássica. p. Sapovírus Os SaVs. hospedeiros e sinais clínicos são aspectos suficientes para classificar uma estirpe viral de calicivírus.. out. 2004).. embora infecções assintomáticas também possam ocorrer. 2001). O principal aspecto para o agrupamento dos calicivírus em um determinado gênero é a análise filogenética. Infecções por SaV em seres humanos já foram detectadas em países da Europa (SCHUFFENECKER et al. 2006). 2000). Porém. sendo por isso. portanto. A imunidade humoral já foi detectada por até três meses pós-infecção. A excreção viral é maior nos primeiros cinco dias pós-infecção.. A. ainda não foi obtido. Américas (FARKAS et al. a patogenia e a resposta imunológica do hospedeiro. 1999). proteína principal de capsídeo e da região 3’ nãotraduzida (UTR) (SCHUFFENECKER et al. filogeneticamente. F. 2002) e Oceania (HANSMAN et al. 29.. No Brasil. Com base nas características moleculares da proteína principal do capsídeo. Alfieri. em crianças e a doença normalmente se manifesta como uma diarréia moderada. o vírus foi detectado em crianças com sinais clínicos de diarréia (NAKAMURA et al... separado em dois genotipos cujos protótipos são o Jena vírus e o Newbury Agent-2 (DASTJERDI et al.

out. nos Estados Unidos.. 933-946. YIN et al. SAIF. 2005. A organização do genoma ocorre em duas ORFs. p. O genogrupo II (GII) é constituído de três genotipos. Mexico340/90 (AF435812) e Cowden/80 (AF182760). Argentina39 (AY289803). embora com características filogenéticas bastante semelhantes. WANG. com o vírus identificado no conteúdo intestinal do leitão. COSTANTINI. 4. 1980). 2007). 2006.. Cruise ship/00 (AY289804). Reconstrução. Neste mesmo estudo também foi verificado que soros hiperimunes de coelhos e gatos infectados com calicivírus não reagiram. A divisão dos genogrupos está indicada nas chaves. sendo este o único genogrupo humano em que não há a terceira ORF sobreposta (CLARKE. à IEM. Modelo Kimura 2-parâmetro com valores de bootstrap em % de 1000 replicações. Assim como nos genogrupos IV e V.Calicivírus animal Figura 3. As estirpes de SaV de origem suína são classificadas no genogrupo III (GIII) que tem como protótipo a estirpe Cowden. induzem respostas imunológicas distintas. LAMBDEN. London/92 (U95645). da árvore filogenética baseada no gene (1658 nt) da proteína principal do capsídeo de estirpes virais protótipos do gênero SaV. v. e as estirpes. 2000). Parkville/94 (U73124). n. Houston7-1181/90 (AF435814). sendo que na primeira são codificadas as proteínas não-estruturais e a VP1 e na segunda a proteína estrutural VP2. 2008 . No genogrupo I (GI) o protótipo é a estirpe Sapporo/92. Mexico14917/00 (AF435813). em neighbor-joining. 939 Semina: Ciências Agrárias. Londrina.. a existência de mais de um genogrupo com estirpes suínas já foi proposta. respectivamente (WANG et al. 29. no GI há uma terceira ORF sobreposta à região 5’ do gene da proteína principal do capsídeo que codifica uma proteína de massa molecular semelhante à VP2. As seqüências utilizadas foram obtidas no GenBank com os seguintes códigos de acesso: Sapporo/82 (U65427). descrita pela primeira vez em 1980. Assim como ocorre no SaV humano. Esse genogrupo é dividido em três genotipos ou clusters. Esses genogrupos são denominados GVI e GVII e tem como protótipos as estirpes JJ681 e K7/JP. por meio de microscopia eletrônica do conteúdo intestinal de um leitão de 27 dias de idade com sintomatologia de diarréia (SAIF et al./dez.

3D RNA polimerase RNA dependente e a proteína estrutural de 544 aminoácidos. PARWANI et al. F. Sítios altamente conservados. p. ocasionou quadro clínico de diarréia profusa e anorexia. GLPSG e YGDD para 3D RNA polimerase RNA dependente (Figura 4). out. 1988. MOORHEAD. n.254 aminoácidos que darão origem a 2C helicase.Barry. Londrina. Alfieri. A. excluindo a cauda de poli A da posição 3’.. A. A VP1 pode ser dividida em três regiões sendo a primeira e a terceira Semina: Ciências Agrárias. 2004). Alfieri. 2004 Quadro 2./dez. GDCG para 3C-like protease. 2008 . Fonte: Farkas et al... ou seja. A. e embora existam algumas mutações entre a estirpe selvagem e a estirpe adaptada em cultivo celular. 4. não adaptada em cultivo celular. v. A estirpe Cowden do SaV já foi adaptada a cultivo celular tanto em células primárias quanto linhagens celulares contínuas originadas de rim de suínos (LLC-PK) cultivadas em meio suplementado com conteúdos intestinais. 1988). A. provenientes de leitões gnobióticos não infectados (FLYNN.. F. Distribuição das principais estirpes de sapovírus em genogrupos e genotipos.320 nucleotídeos. 3C-like protease. como pertencentes ao mesmo genogrupo. constatou-se que ácidos biliares atuam como fator ativador da replicação viral em células LLC-PK (CHANG et al. A VPg ligada à extremidade 5’ do genoma ainda não foi observada na estirpe Cowden. O genoma da estirpe Cowden já foi totalmente seqüenciado. Sapovirus Genogrupo I Genotipo 1 Sapporo/82 Houston/86 Manchester/93 Plymouth/92 Lyon30388/98 Genotipo 2 Houston/90 Parkville/94 Genotipo 3 Stockholm/97 Mexico14917/00 Genogrupo II London/92 Lyon598/97 Bristol/98 Mexico340/90 Cruise ship/00 Genogrupo III* Genogrupo IV* Genogrupo V* Cowden/80 Houston7-1181/90 Argentina39       * Genogrupos não subdivididos em genotipos. A fita simples do RNA. A histopatologia revelou atrofia das vilosidades do epitélio do intestino delgado proximal e o vírus foi detectado por imunofluorescência direta (FLYNN.. SAIF. 29. característicos de proteínas não-estruturais dos calicivírus estão presentes na poliproteína: GPPGIGKT para 2C helicase. é constituída de 7. podendo a clivagem acontecer durante ou após a tradução. a caracterização do vírus permitiu 940 classificar algumas estirpes isoladas em outros surtos. Mais recentemente. SAIF. O genoma é organizado em duas ORFs sendo que na primeira é codificada uma poliproteína cujos produtos da clivagem geram proteínas nãoestruturais e a proteína principal do capsídeo (VP1). Em leitões experimentalmente infectados a estirpe selvagem Cowden. Essa poliproteína é formada por 2. 933-946. 1991). com base na seqüência do gene da proteína principal do capsídeo viral.

A idade provavelmente está mais relacionada a fatores extrínsecos. 1999). Japão (YIN et al. Londrina. diversos oligonucleotídeos iniciadores (primers) foram desenhados para amplificar diferentes regiões do genoma viral na tentativa de caracterizar as estirpes circulantes de SaV (JIANG et al. 2006. Nesse estudo não foi verificada associação entre a presença do vírus e o sinal clínico de diarréia.. em que se determina a similaridade com outras estirpes para a caracterização de um novo isolado.. entre parênteses o número de aminoácidos. p. n. não apresentaram alta identidade com outras estirpes já descritas (BARRY. como estresse pós-desmame e queda na imunidade passiva. ALFIERI. número de acesso GenBank AY615812 e AY615814).8 a 62%). fato que pode ser justificado pela alta variabilidade genética das estirpes brasileiras que.. Devido a grande variabilidade dos calicivírus.. 1999. 2006b). 2006). Coréia (KIM et al. Estados Unidos (WANG et al. assim como ocorreu em leitões experimentalmente infectados 941 Semina: Ciências Agrárias. provavelmente com função estrutural./dez. (2006) correlacionaram a infecção pelo SaV com a presença de sinais clínicos de diarréia. 2008 . 2006) (Quadro 3).. 2006b). Esta região contém múltiplos determinantes antigênicos que são reconhecidos por anticorpos monoclonais. e embora existam poucos estudos epidemiológicos é possível que haja correlação entre a infecção e a idade dos animais.. (A) Representação das duas regiões de leitura do RNA viral na orientação 5’ → 3’.. Esquema representativo do genoma da estirpe padrão Cowden do genogrupo III do SaV. v. BÍRÓ. o SaV já foi detectado no Brasil (BARRY. 4. e que por sua polaridade positiva interage com outras proteínas ou com o ácido nucléico viral (GUO et al. SZÜCS. Em suínos.. do que a fatores intrínsecos do animal (MARTÍNEZ et al. ALFIERI. A freqüência da infecção pelo SaV é bastante variável (8. WANG et al. 933-946. OKADA et al. 2006) e Venezuela (MARTÍNEZ et al. A segunda ORF é formada ORF1 por 495 nucleotídeos que codificam uma pequena proteína básica hidrofílica de 164 aminoácidos. 2006a). embora causem infecção e sejam eliminadas nas fezes. Hungria (REUTER. out. Holanda (van der HEIDE et al. No Brasil. (B) Proteínas codificadas pelo vírus. com base em um fragmento do gene RpRd viral.. 29. em que os números representam a posição dos nucleotídeos e An a extremidade poliadenilada.. utilizando-se a técnica da RT-PCR. Kim et al. 2007). 2008). talvez nem todas ocasionem o quadro clínico de diarréia. (C) Produtos da clivagem da poliproteína com seus respectivos sítios conservados entre os calicivírus. 2006. apenas recentemente foi descrita a presença do SaV em amostras de fezes de leitões incluindo estirpes que.Calicivírus animal as mais conservadas e a segunda chamada de região hipervariável. WANG et al. ORF2 6774 7320 1 10 A 5’ 2C 3C 3D VP1 6771 VP2 7265 An 3’ B Poliproteína (2254 aa) Proteína secundária de capsídeo (164 aa) C Helicase (GPPGIGKT) Protease (GDCG) Polimerase (GLPSG e YGDD) Proteína principal de capsídeo (544 aa) (PPG) Figura 4. 2007)..

SZÜCS. 4. com a estirpe padrão Cowden (GUO et al. p.. nem todos os isolados apresentaram identidade suficiente para serem classificados no mesmo genotipo do protótipo Cowden. 2006 Wang et al.1) 9 (8. 2006 EUA 621 389 (62. A..0) Hungria 17 2 (11. Porém. 2006b. REUTER. 29. F. 2008 . aumentando a variabilidade genética. A. KIM et al. 2005). Bíró e Szucs. out.8) Japão RT-PCR diarréicas 24 10 (41.. assim como nos SaV originados de seres humanos. há ainda a descrição de recombinações virais entre estirpes suínas. e entre estirpes humanas e suínas. WANG et al. Londrina. SZÜCS. 2007. YIN et al. v.. 2006). A.. Além da alta taxa de mutação identificada nos SaV. YIN et al. REUTER.6) Quadro 3. 2006b Reuter. mais estudos estão sendo conduzidos nessas áreas. Para serem esclarecidos mais aspectos referentes à patogenia e epidemiologia da infecção pelo SaV assim como melhor caracterização molecular das estirpes brasileiras. sugerindo a probabilidade do potencial zoonótico do vírus (WANG et al... sugerindo que. existam mais de um genotipo do vírus suíno no GIII. 2006. 2006b.Barry. 2006). BÍRÓ. 2006. 2007 Yin et al... F.. BÍRÓ. 933-946. 2007 Kim et al. 2005. Contudo.. A alta similaridade genética com a estirpe padrão Cowden foi observada em pelo menos uma estirpe viral de cada país em que o SaV foi detectado nas fezes de suínos. Alfieri. 2006. n.. País Brasil Coréia Método diagnóstico RT-PCR nested-PCR RT-PCR hibridização em placa RT-PCR Origem 34 rebanhos 31 rebanhos 7 rebanhos 1 abatedouro 2 rebanhos Coleção de lab. WANG et al. ou até mais de um genogrupo de SaV suíno (MARTÍNEZ et al.7) Venezuela RT-PCR 1 a 9 semanas diarréicas (n=63) normais (n=141) 204 36 (17. 1999).. 2006 Martínez et al. nos trabalhos conduzidos em outros países essa associação não foi observada (MARTÍNEZ et al. Freqüência de diagnóstico etiológico de sapovírus em fezes de suínos./dez. Alfieri. 942 Semina: Ciências Agrárias.. diagnóstico veterinário 7 rebanhos Idade 1 a 28 dias lactente (n=50) desmamado (n=52) 1 mês a >1 ano até 12 dias (n=8) 2 a 6 meses (n=5) 2 anos (n=4) até 5 meses Características das fezes diarréicas (n=82) normais (n=31) diarréicas diarréicas (n=11) normais (n=610) diarréicas (n=6) normais (n=11) Amostras positivas analisadas (%) 113 102 34 (30. A.. 2007.8) Referência Barry.

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