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ESTADO DE MINAS - SEGUNDA-FEIRA, 29 DE JULHO DE 2002

GERAIS

GIRO
❚ AIMORÉS
LOURIVAL WERNECK

PELO ESTADO

SUCURSAIS q Juiz de Fora: Rua Rei Alberto, 79 - Centro - Telefone: (32) 3215-1234 - Fax; (32) 3215-1542 - Telex: (32) 2138 q Uberlândia: Avenida Anselmo Alves dos Santos, 118 - 2º andar - Telefone: (34) - 3214-2652 - Fax: (34) 3219-5527 q Varginha: Rua Professor Antônio Domingos Chaves, 17 - Jardim Petrópolis - Telefone: (35) 3222-2422 - Fax (35) 3222-2707 q Montes Claros: Rua Pires e Albuquerque, 265 - Centro - Telefax (38) 3223-0001 q Governador Valadares: Rua Sete de Setembro, 2694 - Centro - Telefone: (33) 3271-1614 - Fax: (33) 3271-1362

TRANSTORNO E PERCURSO MAIS LONGO NA VOLTA PARA CASA
O retorno para casa de milhares de mineiros que foram passar as férias nas praias capixabas acabou se transformando num verdadeiro inferno na sexta-feira, quando uma ponte na BR-259, próxima a Aimorés, no Leste de Minas, não agüentou a carga de um caminhão carregado de brita e acabou cedendo. Com a queda da ponte, os motoristas tiveram que optar por desvios que aumentaram, em alguns casos, em mais de 200 quilômetros, o trajeto entre o Espírito Santo e Governador Valadares. Uma das alternativas é desviar em Colatina, no Espírito Santo, até Mantena, e, de lá, seguir para Valadares. Outra, é seguir pela BR-262 até Realeza e pegar a BR-116. O problema é que boa parte dos motoristas não estão sendo avisados do problema e acabam chegando em Aimorés, quando então se deparam com a ponte caída e não sabem o que fazer. “Vim até aqui sem saber de nada; como faço para chegar a Ipatinga?”, perguntou o comerciante Antônio Cambraia Filho, que voltava com a família das férias. As respostas irritavam o comerciante, que teria três alternativas: retornar até Colatina e fazer a volta para Mantena;.seguir até Manhuaçu e pegar a BR-262 até realeza; ou se arriscar numa estrada vicinal passando pelos distritos de Tabaúnas e Quatituba, um trajeto de quase 40 quilômetros em estrada de chão, até chegar em Resplendor. “ Isso é um absurdo; podiam colocar um aviso em Colatina e aí a gente não perdia mais tempo nessa viagem”, reclamou. Ontem, inclusive, alguns motoristas chegaram a discutir com integrantes da Polícia Rodoviária Estadual. “Vocês deveriam é estar em Colatina avisando que não dá para passar e não chegar só agora e mandar na gente”, ressaltou uma motorista que não quis se identificar. As reclamações foram tão fortes que os policiais preferiram entrar no carro e sair do local. Aliás, a falta de informação acabou provocando uma grande confusão para os motoristas. A estrada vicinal, o caminho mais curto para continuar a viagem, é um verdadeiro labirinto, entrecortada por outras pequenas estradas; muitos motoristas acabaram se perdendo, aumentando ainda mais a irritação. “ Tem gente parando em várias fazendas porque não consegue seguir o caminho. Quem não conhece a região vai se perder mesmo”, comentou o empresário Ronaldo Martinez, que nasceu na região. Para piorar, a estrada é estreita e a terra, na maior

MORADORES REIVINDICAM A CONSTRUÇÃO DE NOVA PONTE
Durante muitos anos, os moradores da região e, principalmente os motoristas que trafegam pela rodovia, um dos principais acessos entre Minas e o Espírito Santo, realizaram vários movimentos e manifestações pedindo a construção de uma nova ponte. Parece que estavam adivinhando o que estaria por acontecer. A ponte só dava passagem para um carro e, mesmo assim, por várias vezes era interditada para manutenção uma vez que os morões de madeira colocados para dar passagens aos veículos estavam danificados, levando perigo aos motoristas. Se para os turistas, o acidente trouxe prejuízos e transtornos, para os moradores e empresas, principalmente de Aimorés e Resplendor, eles são ainda maiores. “Mais de 40% do nosso leite vêm da região de Aimorés. Estamos tendo atrasos enormes com o horário da entrega”, comentou o técnico em Latícinios João Batista Silva, responsável pela fabricação de queijos da Cooperativa dos Produtores de Leite de Resplendor (Carpel). O prejuízo maior está na entrega do produto beneficiado. Segundo ele, 80% da produção é vendida para o Espirito Santo e os caminhões são pesados demais para passar pela estrada vicinal. “Seremos obrigados a dar uma volta de quase 300 quilômetros para entregar os produtos e os prejuízos serão imensos” afirmou. Para a grande maioria, a queda da ponte representa prejuízos, mas para o ajudante de máquina Arnaldo Nunes da Silva, o acidente está ajudando na construção da casa dele. Isso porque, com um pequeno barco, ele aproveitou para retirar as britas que estavam no caminhão e levar para casa. “Tenho que aproveitar. A água vai levar mesmo. Estou batendo o alicerce todo da minha casa” comemorou. Outros que já pensam em tirar proveito do acidente são os moradores de Tabaúnas. O movimento de carros simplesmente transformou o pequeno lugar, que nunca viu tantos carros de uma só vez. Em alguns momentos, a polícia tem que orientar o trânsito na pequena praça que, pela primeira vez na história, teve que conviver com os engarrafamentos. Com a possibilidade da ponte demorar vários meses para ser liberada, muitos moradores já estão se organizando para faturar um extra. “Estou pensando em fazer um mapa e vender para os motoristas” comentou um morador, aproveitando a falta de sinalização e as dificuldades que os motoristas têm em encontrar a saída até o asfalto.

c m y k

CARLOS EULLER

CARGA PESADA

A ponte sobre o rio Manhuaçu, na BR-259, não agüentou o peso do caminhão e acabou cedendo
parte do trecho, é muito fofa. “ Se chover aqui ninguém passa”, garantiu. Mesmo com as recomendações, muita gente arrisca, inclusive ônibus e caminhões que são obrigados a passar em estreitas pontes de madeira, impróprias para o trânsito pesado. “A gente vai para a praia descansar e passa por uma situação dessas. Quantos anos a gente vem reclamando dessa ponte e ninguém se mexeu” reclamou Luís Antônio de Souza, profissional autônomo que vinha de Guarapari com a família para Governador Valadares. Para piorar a situação, não existe previsão para a construção de uma nova ponte e nem o caminhão que acabou provocando a queda foi retirado do local. “Parece que eles disseram que vão construir uma nova ponte e o trânsito aqui vai ficar fechado uns oito meses”, afirmou um morador que aproveitou o domingo de folga para visitar o local, que acabou se transformando na atração turística da cidade.

❚ ARAXÁ

❚ PARAOPEBA

CHOQUE ENTRE CARRETAS PROVOCA DUAS MORTES NA BR-262
Um choque frontal entre duas carretas na BR-262, altura do km 662,8, entre Araxá e Ibiá, no Alto Paranaíba, deixou duas vítimas fatais e uma com ferimentos leves. Os motoristas dos dois veículos, Francisco de Assis Oliveira, de 52 anos, e Albertino de Ávila Ferreira, morreram no local. Ana Maria de Oliveira Rodrigues, de 45, que estava com Albertino, foi levada para o Pronto Atendimento de Araxá e, posteriormente, transferida para a Santa Casa, onde está sob observação médica. Os corpos dos motoristas foram autopsiados no Instituto REINALDO FINHOLDT JÚNIOR Médico Legal (IML) de Araxá e liberados em seguida. FATALIDADE O laudo da perícia sobre as O choque dos caminhões ocorreu no km 662,8, entre Araxá e Ibiá causas do acidente deve ser divulgado em dez dias, pela também de propriedade de Albertino, vinham Polícia Civil de Araxá. O acidente aconteceu atrás no momento do acidente. A Polícia por volta de 7h40, em uma reta da BR-262, Rodoviária Federal não sabe o valor preciso que liga Araxá a Belo Horizonte, cerca de 500 das cargas, mas estima que seja alto devido à metros distantes de uma curva considerada perigosa. A carreta de placas GQF-0570 e GOT- quantidade de destroços que ficou na pista. O trânsito no local do acidente teve de ser 9142, de Uberlândia, conduzida por Francisco controlado pela Polícia Rodoviária até o fim da de Assis, é de propriedade do Martins tarde de ontem, para que todo o material fosse Comércio Importação e Exportação e retirado das pistas. O tráfego de veículos no transportava secos, molhados e local estava intenso e muito lento durante todo eletroeletrônicos. A carreta de placas GUK-7600 e GZG-1577, de o dia. Os policiais rodoviários liberavam uma Uberlândia, transportava vergalhão de ferro de mão de cada vez, porque foi improvisado um desvio em uma estrada de terra às margens da Juiz de Fora para Goiânia. Outras duas rodovia. (Terezinha Moreira) carretas com as mesmas cargas e destino,

O último domingo de julho foi marcado pelo grande número de carros nas estradas mineiras. Apesar do aumento no fluxo de automóveis nas estradas que ligam Belo Horizonte por causa do final das férias, aconteceram poucos acidentes. Por volta das 17h de ontem, o Fiat Siena, placa GWS 5309, de Sete Lagoas, bateu na Ford Ranger, placa JGA 1693, de Brasília, no Km 433,1 da BR-040, em Paraopeba. Ao efetuar uma conversão para enJAIR AMARAL trar em um restaurante na beira da estrada, o motorista do Siena, Ailton PREJUÍZO Liberato Ferreira, de 46 anos, não viu A carreta cheia de carvão teve a carga saqueada por populares a Ranger e bateu. O motorista da caminhonete, Júlio César Alvim, de 28, não sofreu nada. Ailton foi levado para o rodovias federais próximos a Belo Horizonte. hospital de Caetanópolis e depois transferido Porém, segundo os policiais rodoviários federais, para o Hospistal João XXIII, em Belo Horizonte, o trânsito fluiu bem, apesar das filas. Na BR-381, em estado grave. A passageira do Siena, Matrecho que liga a capital às cidades do Espírito noela Lobo Furtado, de 28 anos, sofreu lesões Santo, os motoristas precisaram de paciência, leves. principalmente na altura da ponte do Rio das No início da tarde de ontem, a carreta Scania, Velhas, onde só passa um veículo por vez. Foi placa KUM 4320, de Paraopeba, perdeu o contresgistrado um aumento de 200% entre 17h e role na BR-381 (antiga BR-262), na altura do 19h. No trecho que liga BH a São Paulo, o movibairro Capitão Eduardo, em Belo Horizonte, e mento dobrou em relação aos domingos nortombou dentro de uma vala. O motorista do mais. Na BR-040, o aumento foi de 50% e caminhão, Manoel Messias Aguiar, 41 anos, escomeçou no trevo de Curvelo. O trecho que liga o tava transportando carvão de Diamantina para Rio de Janeiro a Belo Horizonte estava tranqüilo. Barão de Cocais. Ao entrar numa curva, perdeu Diversos acidentes foram registrados nas estradas o controle do caminhão. A carga de carvão foi do Norte de Minas. O mais grave ocorreu na BRsaqueada por moradores da região. 135 (entre Montes Claros e Belo Horizonte). No início da noite de ontem, no km 386, próximo a BoMOVIMENTO caiúva, o Fiat Palio, placa GWZ 4294 (Belo HoriQuem decidiu voltar para casa no final da tarde zonte), conduzido por Marcial de Carvalho, caiu de ontem precisou de muita paciência. O términuma cratera e capotou na pista, deixando Marno das férias marcou um aumento de até 200% cial e outras três passageiras feridos. (Fabyana Assunção) no movimento de carros nos trechos das

PAISAGENS MINEIRAS
Prefeitura, câmara dos vereadores, fórum e paróquia já dominavam a paisagem da praça Santa Rita de Cássia, quando o Monumento aos Quatro Poderes foi inaugurado em Miradouro, na Zona da Mata mineira, em 22 de maio de 1969. Os pilares traçados pelo arquiteto João Paulo Goulart de Freitas cumprem um papel importante nessa cidade, distante 342 quilômetros de Belo Horizonte: imortalizar os mais tradicionais representantes do Executivo, Legislativo, Judiciário e da Igreja. Gravados em placas de mármore preto estão, por exemplo, os nomes de todos padres

MONUMENTO DOS QUATRO PODERES - MIRADOURO
que já pisaram naquelas terras, desde 1891. O poder eclesiástico – pela ordem, o quarto – foi o primeiro que se fez ver por ali, já no século XIX. Em 17 de dezembro de 1938, ano em que foi emancipado de Muriaé, o município ganhou prefeito e vereadores. Por último, em 1963, foi inaugurado o fórum. Mas a data mais importante da cidade é mesmo o 22 de maio, dia das homenagens à padroeira Santa Rita de Cássia. A festa é marcada por procissão e quermesses beneficentes. Hoje com 11 mil habitantes e de economia baseada na agropecuária, Miradouro começou a ser explorada no século XIX, pela bandeira chefiada por Constantino José Pinto. Em busca de riquezas e terras, a expedição encontrou a resistência dos índios puris. Como não revidaram aos ataques, os forasteiros terminaram por ganhar a simpatia da tribo, instalando fazendas e povoados às margens dos rios Muriaé e Glória. Um deles, o que se tornaria Miradouro. Sinônimo de mirante, o nome do município veio da proximidade com uma elevação, de onde se pode avistar toda a região.

AUREMAR DE CASTRO

CYAN c m y k

MAGENTA

BATIDA DE FIAT SIENA COM FORD RANGER DEIXA 2 FERIDOS

AMARELO

Durante todo o dia, centenas de pessoas aproveitaram para ver a “ tragédia” que cortou a ligação entre Aimorés e Governador Valadares. “Eu passei de ônibus aqui um pouco antes do acidente e senti que a ponte estava com um barulho diferente”, comentava com os amigos o ajudante Simão da Costa, olhando assustado para os ferros retorcidos da antiga estrada de ferro que foi construída pela Companhia Vale do Rio Doce, em 1910, e logo depois foi aproveitada pela rodovia uma vez que não tinha estrutura suficiente para agüentar as cargas dos novos trens.

PRETO