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ESTADO DE MINAS - QUINTA-FEIRA, 15 DE AGOSTO DE 2002

GERAIS

❚ DROGAS

❚ JÓIAS

POPULAÇÃO DE VILAS TAMBÉM É CONSTANTEMENTE AMEAÇADA POR MARGINAIS NO AGLOMERADO, ONDE CONSEGUIR REVÓLVERES É TÃO FÁCIL COMO COMPRAR BISCOITOS, SEGUNDO UMA DAS VÍTIMAS

MARK MEISENHALDER FOI ATACADO POR DOIS CRIMINOSOS, EM SUA CASA, NO BAIRRO BURITIS

Traficantes expulsam moradores na Serra
TELMA GOMES

Comerciante americano é ferido a tiros em BH
MARCELO PORTELA

A expulsão de cinco famílias da Vila Formosa, no Barreiro, por determinação de traficantes, na semana passada, não é novidade entre os moradores do Aglomerado da Serra, região Centro-Sul. A moradora de uma das seis vilas revelou ontem que essa situação já foi vivida por inúmeros habitantes locais. “Aqui isso ocorre há mais de 10 anos. Acho que mais de 100 famílias já deixaram o aglomerado, após sofrer ameaças de morte”, desabafa. Na avaliação dos 60 mil habitantes do aglomerado, as incursões nas vilas reduziram apenas temporariamente o índice de criminalidade local. A ousadia dos marginais, antes vistos andando armados com escopetas em plena luz do dia, chegou a deixar de fazer parte da rotina das famílias, sobretudo durante julho, quando a Operação de Combate à Criminalidade, desenvolvida pela PM, estave no auge. A moradora, que pediu para ter seu nome mantido em sigilo, temendo represálias, lamentou, no entanto, que tudo tenha voltado ao normal após o fim das operações. “O cenário de guerra voltou a vigorar no aglomerado, principalmente na Vila Nossa Senhora de Fátima, onde o trafico é dominado pela turma do ‘Nem Beiçola’, o ‘Zé Caititu’ e o ‘Valdinei’. Os três andam armados de escopetas. Para os demais integrantes do grupo, conseguir revólveres e pistolas calibre 38 é fácil como comprar biscoito.” Já a Vila Marçola é dividida em duas alas. Uma é conhecida como área da Arara, porque fica na parte alta, e a outra como Pocinho, na parte baixa. Cada uma tem um grupo de traficantes diferente, que estavam em guerra até junho. “Como o aglomerado agora está sendo alvo da campanha beneficente de televisão, a presença de policiais civis, militares e

Nem mesmo um forte aparato de segurança, com grade com pontas, cerca elétrica nos muros e interfone na entrada, foi suficiente para impedir que o comerciante norte-americano Mark Meisenhalder, de 35 anos, negociante de jóias e pedras preciosas, fosse baleado duas vezes, durante assalto em sua casa, no bairro Buritis, Oeste de BH, ontem. Ele foi atingido depois de reagir e lutar com os criminosos. O crime ocorreu no final da manhã, mas, até o final da tarde, a família não sabia inforREPRODUÇÃO MARIA TEREZA CORREIA mar se algo havia sido rouba- ASSALTO do. Mark foi socorrido no hos- Mark, de 35 anos, natural dos EUA, pital Mater Dei, levado por pe- é negociante de pedras preciosas dreiros que trabalham em uma obra no lote ao lado. Apesar de atingido na perna e nas trou na sala, um dos homens nádegas, ele foi submetido a sacou uma pistola semi-autocirurgia, já que um dos dispa- mática calibre 380 e anunciou ros perfurou seu intestino. o assalto, ordenando que o coNo momento do crime, es- merciante se rendesse e ficasse tavam em casa Mark, a secre- de costas para os assaltantes. tária, identificada como Marta, Ao invés de obedecer às ore o pai dele, o aposentado Ray- dens, Mark avançou nos assalmond Meisenhalder, de 77, tantes, dando início a uma luta, fundador da Escola America- momento em que um dos crina, que funciona próxima à minosos atirou. Os criminosos casa. Segundo a polícia e ami- fugiram em um Kadett verde. gos da família, três homens Uma irmã de Mark, a opebem vestidos tocaram o inter- radora financeira Michelle fone, pedindo para falar com Meisenhalder, de 31, afirmou Mark. A secretária contou à que tem muito medo toda vez polícia que os três homens – que precisa vir ao Brasil. Há um deles já de certa idade – duas semanas de férias no aparentavam ser também ne- País, ela contou que nenhum gociantes de pedras e porta- de seus amigos americanos vam sacolas como as utiliza- quis acompanhá-la na viadas nesse tipo de negócio. gem. “A criminalidade no Os três entraram na casa e Brasil já é maior do que na ficaram na sala esperando pe- Colômbia e as cidades estão la vítima. Assim que Mark en- piores do que Bogotá.”

JAIR AMARAL

REPRESSÃO

Presença ostensiva da polícia inibiu apenas temporiaramente a criminalidade no aglomerado
até federais tornou-se constante. O traficante que lidera o local é o ‘Alex’, que tem como cúmplices o ‘Lequinha’ e o ‘Di Caveira’, encarregados de agir como matadores dos inimigos do bando. Atualmente, eles estão quietinhos.” Os moradores da Vila Nossa Senhora da Conceição, mais conhecida como Chácara, por sua vez, são amigos dos integrantes da gangue do Pocinho, que utilizam a posição estratégica da vila para fazer de um imóvel da rua Bandonion o seu ponto de observação da movimentação na área. “Quando as famílias são ameaçadas de morte pelos traficantes, os moradores colocam os imóveis à venda. Se não conseguirem compradores, tentam deixar algum parente morando no lugar. Se a estratégia também falhar, os barracões são abandonados, tornando-se quartéis-generais do comércio de drogas. O disque-denúncia tem sido a principal arma dos cidadãos de bem para se defenderem das ameaças.”

❚ FERNÃO DIAS

Acidente congestiona o trânsito na BR-381
GISLENE ALENCAR

Quadrilha presa com maconha
A prisão da quadrilha de traficantes de drogas chefiada por Marcelo da Silva Ribeiro, de 29 anos, conhecido como “Marcelo Carioca”, gastou seis meses de investigações dos policiais da Divisão de Tóxicos e Entorpecentes de Belo Horizonte. A mulher do acusado, Vera Lúcia de Oliveira, de 35 anos, e o irmão de “Carioca”, Cláudio Márcio Ribeiro, de 30, estavam com ele, no momento da abordagem dos policiais no Terminal JK, bairro de Lourdes, e também foram autuados em flagrante pelo delegado Luiz Otávio Fraga de Andrade, por tráfico de drogas. O grupo portava 25 quilos de maconha prensada, divida em oito barras, no interior de um veículo Belina. A droga foi apreendida e encaminhada ao Instituto de Criminalística, para ser periciada. A lista de materiais recolhidos pelos detetives incluiu ainda dois apareCarioca” e seus cúmplices vinham agindo como distribuidores de grande quantidade de drogas na região de Venda Nova, mais precisamente na Vila do Índio, na favela do bairro Copacabana, onde compareciam mensalmente para entregar a “encomenda” aos revendedores. A consulta à ficha de antecedentes criminais de “Marcelo Carioca” revelou que ele já foi processado e condenado pela Justiça por crime de tráfico e atualmente se encontrava em liberdade condicional. A mulher dele, Vera Lúcia, por sua vez, também responde a processo por tráfico. Já no prontuário de Cláudio Márcio consta condenação de um ano de reclusão, por furto. Os três autuados em flagrante permanecerão à disposição da Justiça em uma das celas superlotadas da Divisão de Tóxicos. (TG)

O trânsito ficou lento por cerca de duas horas, na manhã de ontem, na BR- 381, no bairro Amazonas, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O congestionamento chegou a cerca de cinco quilômetros no sentido Contagem/BH. O acidente, por volta das 8h30, provocou o engavetamento de quatro caminhões. De acordo com testemunhas, o motorista de um caminhão-tanque, que fugiu do local, teria parado de repente na rodovia, seguido

por outros dois veículos que conseguiram parar. O motorista do quarto caminhão placa AGT-6911, de Contagem, que transportava material de limpeza, não conseguiu parar e empurrou os outros veículos. O motorista Arildo Edson de Paulo, de 31 anos, disse que não conseguiu frear para evitar a batida. O motorista e o passageiro do caminhão-baú placa GQV 2127, de Miradouro, Rogério Carlos Dias, de 33 anos, e Ascendino Ribeiro Fonseca, de 54, foram conduzidos com ferimentos leves para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII.

JUAREZ RODRIGUES

FLAGRANTE

Cláudio, Marcelo e Vera Lúcia foram presos no Terminal JK, em BH
lhos de telefone celular da marca Nokia. A quadrilha confessou que a maconha é originária de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, uma das mais conhecidas rotas do tráfico. Com a prisão dos acusados, a equipe da Divisão de Tóxicos e Entorpecentes apurou que “Marcelo

❚ ESMERALDAS

Policial assassinado em lotérica
LANDERCY HEMERSON

O carcereiro Paulo Emílio de Paiva, de 49 anos, foi morto a tiros no começo da noite de ontem, durante tentativa de assalto. O policial civil estava no interior da Itapoca Loterias, na praça Getúlio Vargas, nº 5, no Centro de Esmeraldas, Re-

gião Metropolitana de Belo Horizonte, a 63 quilômetros da capital, quando dois homens invadiram o estabelecimento. Um grande cerco policial foi montado na região, com uso até de helicóptero. De acordo com o delegado Rogério dos Santos, o carcereiro não estava de serviço e foi à

lotérica fazer uma aposta, quando foi surpreendido pelos dois assaltantes, um alto e forte, de cor negra, e um magro, claro e de baixa estatura. Ele tentou desarmar o homem negro, que fez dois disparos que atingiram Paulo no peito. O policial recebeu os primeiros cuidados médicos no

hospital do município, enquanto aguardava a chegada de bombeiros da equipe de resgate. Mas morreu antes de sua transferência para a capital. O cerco policial iria continuar na madrugada, diante dos indícios de que os criminosos permaneciam escondidos em um matagal na cidade. Esmeraldas está entre os municípios com maior extensão territorial na região metropolitana e tem alto índice de criminalidade.

SIDNEY LOPES

CAOS

Batida de caminhões provocou cinco quilômetros de engarramento