ESTADO DE MINAS - SEXTA-FEIRA, 27 DE DEZEMBRO DE 2002

PÁGINA 19

GERAIS

❚ TRAGÉDIA

POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL REGISTRA O MESMO NÚMERO DE MORTOS DO ANO PASSADO ENTRE OS DIAS 23 E 25 DE DEZEMBRO. NO ENTANTO, É MENOR A QUANTIDADE DE BATIDAS E INCIDENTES RODOVIÁRIOS NAS ESTRADAS MINEIRAS

GIRO
POLICIAL
❚ RIBEIRÃO PRETO
A polícia de Ribeirão Preto, a 310 quilômetros de São Paulo enviou hoje investigadores para Belo Horizonte para identificar e localizar os dois supostos assassinos – conhecidos por Negão e Tatu – do fazendeiro Quintino Francisco Facci, de 42 anos, morto na sexta-feira, com sete tiros, em Jardinópolis. As investigações apontam para o irmão da vítima, Quintino Antônio Facci, de 44, que seria o mandante do crime – ele e dois participantes estão presos. Outros irmãos também seriam mortos. Motivo: a disputa pela herança da família. Segundo o delegado Odacir Cesário da Silva, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), por enquanto só os apelidos dos executores são conhecidos. Ambos são fugitivos do presídio de Ribeirão das Neves (MG), assim como João Batista Reis Filho, o Alemão, que fez os contatos e abrigou os executores na casa de parentes em Ribeirão Preto.

Acidente deixa quatro mortos em Bom Jesus do Amparo
MARCELO PORTELA

Excesso de velocidade e imprudência. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), este foram os ingredientes que, juntos, provocaram um acidente, no final da manhã de ontem, que resultou em quatro pessoas mortas. Com este acidente, sobe para 16 o número de mortos nas rodovias federais que cortam o Estado desde a segundafeira, quando, segundo a PRF, as estradas registraram maior movimento. O número de vítimas fatais entre os dias 23 e 25 - 11 pessoas - foi exatamente igual ao número de mortos registrado no Natal do ano passado, apesar do número de acidentes ocorridos este ano ser quase 37% menor que os registros de 2001. No ano passado, a PRF registrou 273 acidentes e, este ano, o número caiu para 173. Já o número de feridos não apresentou grande alteração e baixou de 170, em 2001, para 138, no feriado passado. Boa parte dos acidentes, de acordo com a PRF, foi causada pelo excesso de velocidade em pista molhada, como aconteceu ontem. Por volta das 11h30, o Kadett placa BPC-3344, de Aguaí (SP), que trafegava no sentido Belo Horizonte-João Monlevade, bateu de frente com

BETO NOVAES

PERIGO

Motorista do Kadett, Silo Santos, morreu na hora. Bombeiros tiveram que serrar as ferragens
a Scania placa GUV-0372, de Santa Maria de Itabira. O acidente aconteceu no altura do quilômetro 396 da BR-381, no município de Bom Jesus do Amparo, a 76 quilômetros a leste da capital. As quatro pessoas que estavam no Kadett morreram na hora e a força do impacto foi tão grande que o veículo ficou completamente irreconhecível. Os homens do 3º Batalhão do Bombeiro Militar (BBM) tiveram que serrar as ferragens do carro para retirar os corpos das vítimas. De acordo com a PRF, o motorista do Kadett, Silo Teixeira Santos, de 29 anos, que era natural de Salinas (MG), devia estar trafegando a pelo menos 100

Km/h quando, em uma curva, invadiu a pista da contramão e atingiu a carreta de frente. Além de Silo, morreram no acidente os passageiros João Rodrigues de Oliveira, de 26, Rosimar Cândido Padilha, de 22, e mais um rapaz que estava sem documentos e, até a tarde de ontem, ainda não havia sido identificado. O motorista do caminhão, Eugênio de Alvarenga Duarte, de 44, não sofreu ferimentos. Após o acidente, ele apresentou à PRF e à perícia da Polícia Civil o tacógrafo do caminhão, mostrando que trafegava a 50 Km/h. O patrulheiro da PRF, Paulo de Oliveira Júnior, afirma que o trecho da rodovia onde ocorreu o acidente é extremamente perigoso e os acidentes no local são comuns. “Todo o trecho da BR381entre Belo Horizonte e João Monlevade deveria ter velocidade máxima de 80 Km/h. Este é um trecho muito perigoso e não comporta o limite de 110 Km/h previstos no Código de Trânsito”, avalia. Ele salienta que a velocidade excessiva foi a principal causa do acidente, ontem. “Foi imprudência total do Kadett. Ele estava muito rápido e a pista molhada. O rapaz não reduziu para entrar na curva, invadiu a contramão e encontrou um veículo de grande porte. Nestes casos, vai ser sempre fatal”, conclui.

❚ VESPASIANO
A polícia de Vespasiano, região metropolitana, prendeu Roni Peterson de Oliveira, 26 anos e Flávio Barroso Aragão, 22, integrantes de uma quadrilha acusada de diversos crimes na cidade e na região. De acordo com a polícia, o bando rouba carros, assalta casas, pratica seqüestros relâmpagos, entre outros delitos. Em um assalto a uma casa, há duas semanas, eles prenderam e torturaram dez pessoas que estavam em um sítio.

❚ LAUDO

❚ IPATINGA

Corpo de empresário chega hoje à cidade Modelo pode ter sido asfixiada
PERITO E PROFESSOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS ACREDITA NA POSSIBILIDADE DELA TER SIDO MORTA ANTES DO ENVENENAMENTO
LOURIVAL WERNECK MARCELO PORTELA E GISLENE ALENCAR

❚ VILA ESTRELA
Moradores da vila Estrela, no Morro do Papagaio, Zona Sul de Belo Horizonte, estiveram, ontem, na Ouvidoria de Polícia e na Delegacia Seccional Sul para denunciar um abuso de autoridade que teria sido cometido por militares do 22º Batalhão da Polícia Militar (BPM) na noite do último domingo. Depois de fazerem a representação nos dois locais, os moradores, que apresentavam vários hematomas e escoriações, seguiram para o Instituto Médico-Legal para a fazerem exame de corpo de delito. O comandante do 22º BPM, tenente-coronel Fábio Xavier, afirma que a PM teria sido acionada por causa de um disparo de arma de fogo no local um pouco antes da festa. Ele disse que, segundo os policiais que participaram da ocorrência, a PM foi recebida no local a tiros, pedradas e pauladas. OS moradores “desafiaram” a polícia a apresentar as viaturas com os estragos. A PM abriu sindicância para apurar o caso.

A modelo Cristiana Aparecida Ferreira, de 24 anos, pode ter sido envenenada enquanto estava inconsciente. A avaliação é do médico-legista e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Roberto Pereira Campos, que acredita na possibilidade de ela ter sido asfixiada antes de ingerir o veneno à base de carbamato encontrado em seu estômago. “Com a asfixia, a pessoa pode voltar a si depois de algum tempo. O veneno seria uma forma de garantir que ela morresse”, diz. Ele ressalta que, como o veneno foi encontrado ainda em estado granuloso, não houve tempo suficiente para ele ser metabolizado pelo organismo, indicando que foi ingerido pouco tempo antes da jovem morrer. O legista, que está recebendo ameaças, esteve ontem no Fórum Lafayette para buscar fotos e documentos relativos à exumação do corpo da jovem, realizada na semana passada, e afirma que deve apresentar um laudo com suas conclusões até o dia 15 de janeiro. Roberto Campos adiantou que já encontrou sinais de que a modelo foi agredida antes de morrer, apesar do também legista Ernane José da Costa, que participou da exumação, discordar do parecer. Com relação às ameaças, Campos afirma que já está “acostumado” e que não vai se intimidar. Cristiana mantinha relacionamento com políticos do primeiro escalão

LETÍCIA ABRAS

DEPOIMENTO

Irmão de Cristiana depos ontem no Fórum Lafaiete e confirmou ligações
do governo mineiro e foi encontrada morta em 6 de agosto de 2000, no San Francisco Flat Service, na zona Sul de BH. O inquérito da Polícia Civil, aberto quatro meses depois da morte, concluiu que a modelo se suicidou. O caso foi reaberto pelo MP, que já tem certeza de que a jovem foi assassinada e aponta uma série de falhas no inquérito. Ontem, o advogado da família de Cristiana, Rui Pimenta, informou que os parentes da modelo já contrataram uma empresa particular especializada em segurança ao invés de solicitar ao Ministério Público a inclusão em um programa de proteção a testemunhas. De acordo com o advogado, o irmão da modelo, Cláudio Antônio Ferreira informou que está recebendo telefonemas suspeitos e que a casa dele está sendo vigiada. O pedido, que seria oficializado ontem, foi suspenso porque os parentes avaliaram que o programa tem regras muito rígidas e tira a privacidade das pessoas. Ainda ontem, um dos irmãos da jovem, Reinaldo Ribeiro Ferreira, prestou depoimento e, segundo Rui Pimenta, confirmou aos promotores que Cristiana tinha ligações com o deputado federal Walfrido dos Mares Guia (PTB), com o vice-governador Newton Cardoso e com o presidente da Cemig, Djalma Morais. Morais já depôs à polícia e ao MP, que ainda pretende ouvir os demais políticos. Walfrido disse ontem ao ESTADO DE MINAS que, se os promotores tivessem ligado para ele, compareceria voluntariamente para dar as explicações, apesar de não ter relações com a jovem.

O assassinato do empresário e advogado mineiro Ronaldo de Souza, de 58 anos, ainda é mistério para os policiais de Ipojuca, na região metropolitana de Recife, em Pernambuco. Até a tarde de ontem, o delegado Waldemir Maximiniano, chefe das investigações, aguardava para falar com a atual mulher do empresário, Terezinha do Carmo Schuanck, única testemunha do crime que aconteceu na tarde de anteontem, quando o casal sofreu um suposto assalto. A previsão era de que o corpo de Ronaldo chegasse hoje a Ipatinga, a 209 quilômetros da capital, no Vale do Aço, cidade em que morava e sede de seus principais negócios. Sócio proprietário da União Educacional do Vale do Aço (Univaço), Ronaldo de Souza se destacou na mídia policial a partir de junho de 2001, diante das denúncias de tráfico de órgãos e cadáveres. Dois alunos da Faculdade de Medicina de Ipatinga, instituição mantida pela Univaço, apresentaram um dossiê com fotos de corpos no laboratório de anatomia, com sinais de tiro, o que por lei é proibido no uso acadêmico. Após investigação do Ministério Público, o empresário e outras 11 pessoas foram denunciadas por formação de quadrilha, e ainda pelos crimes de coação, corrupção em campanha eleitoral e fraude na cria-

ção da própria faculdade. O processo está em fase de instrução no Juizado Especial daquele município. Além do episódio da Univaço, Ronaldo de Souza tinha outra página polêmica em sua história. Ex-tenente do Exército Brasileiro, ele foi citado três vezes como torturador no dossiê da organização não governamental ( ong) “Tortura Nunca Mais ”, que deu origem ao livro “Brasil Nunca Mais ”, relatório de autoria da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil ( CNBB) . O delegado Maximiniano, de Ipojuca, disse que o empresário e a mulher trafegavam no Gol placa GQX 2197, de Ipatinga, pela estrada do Engenho Canto, e queria chegar a Porto das Galinhas.“A rodovia é toda cercada por canaviais. Quando ele viu duas pessoas na beira do asfalto parou e pediu informações.

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