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Porto Alegre, domingo, 22 de março de 2009 PEQUENA INTRODUÇÃO AO HERMETISMO
PESQUISA REALIZADA POR GURIA-POARS PARA DESENVOLVIMENTO DO TEMA NA SALA FRATERNIDADE ESPIRITUAL JUNTO AO PALTALK ALGUNS AUTORES RELACIONADOS

Giordano Bruno Marsílio Ficino Eliphas Levi Franz Bardon
AUTORES PESQUISADOS (na internet)

Pedrinho Guareschi (SOCIOLOGIA CRÍTICA – Alternativas de mudança Antonio Stélio (*) Jornalista que atua na região do ACRE José Laércio do Egito http://pt.wikipedia.org (a enciclopédia livre) Alfredo Puig Figuero Fernando Pessoa krishnamurti PRIMEIRO SIGNIFICADO LITERAL QUE NOS VEM A MENTE:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hermetismo

Hermético – O que é fechado completamente de modo que não deixe penetrar ou sair o ar (vaso, panelas, etc.) Estanque ( que não corre que não flui impermeável, monopólio) e também de compreensão muito difícil. Os escritos herméticos são uma coleção de 18 obras Gregas, e as principais são o Corpus Hermeticum e a Tábua de Esmeralda, as quais são tradicionalmente atribuídas a Hermes Trismegisto ("Hermes três vezes grande"). Deus Thot para os Egípcios (parece que foi também o Amhotep um sacerdote do Faraó Djoser (Sózer) – construção da primeira pirâmide no sitio arqueológico com o nome de Saqqara (sacára) • Grécia como Hermes-Deus da Sabedoria • Roma como Mercúrio.
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O livro Caibalion foi escrito no final do século XIX por três iniciados que registraram as Sete Leis do

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Hermetismo. Não é um livro oriundo da era pré-cristã como se supõe.

A palavra Caibalion seria um derivado grego da mesma raiz da palavra Cabala, que em hebraico significa "recepção". O hermetismo consiste, de forma sincrética (no sentido filosófico seria um sistema que combinava os princípios de diversos sistemas), no estudo e prática da evolução e expansão da consciência humana até à Consciência divina, penetrando assim nos mais profundos mistérios da Criação, o que ficou conhecido como iniciação ou iluminação no Oriente.

Será que o estudo do Hermetismo deve ser visto dessa forma hermética e fechada?
O hermetismo é muito abrangente por compreender inúmeros conhecimentos da humanidade. Como um dos estudos básicos para compreensão de idéias relativas ao ocultismo em geral, tendo em vista que está contido em doutrinas, tradições de mistérios e em todas as religiões. SENTIDO DE OCULTO: Conjura do silencio > conspiração contra autoridade estabelecida Obscurantismo > hábito de ocultar informações e fatos ABRINDO UM PARENTECE NO DECURSO DA HISTORIA PARA COMPREENDER A LUZ DA SOCIOLOGIA ESTES FATOS: COM O SURGIMENTO DA SOCIOLOGIA > SÉCULO XVIII– TEMOS DUAS GRANDES TEORIAS (PEDRINHO GUARESCHI) • TEORIA POSITIVISTA – FUNCIONALISTA – ABSOTULISTA OU TB CHAMADA TEORIA ACADÊMICA • TEORIA HISTÓRICO – CRÍTICA PRESSUPOSTO: ”tudo o que é criado é histórico” aparece e vai desaparecer. Se for histórico é relativo e relativo é diferente de absoluto

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SOCIOLOGIA CRÍTICA – Alternativas de Mudança de Pedrinho Guareschi. 44ª edição. Mas será que podemos dizer que o Hermetismo desapareceu? Vamos entender melhor as duas teorias através do bom humor! Anedota que ajuda ilustrar os dois tipos de mentalidade: O rapaz chega para a moça e diz: - Bem como você está linda hoje! - Muito obrigada, responde a moça, toda feliz. E acrescenta: Pena que eu não possa dizer a mesma coisa de você! - Não tem importância, responde o rapaz bem depressa. Faça como eu: minta! • Ainda do tempo de um dos principais pensadores, Augusto Conte (1838) a Sociologia mantinha uma visão positivista) • Com a consolidação do Capitalismo (regime) ela muda o modo de análise. O positivismo influenciava na época outras ciências e com isto o modo de ver e relacionar-se com o mundo. A humanidade lida de certo modo com esses dois olhares “positivista-funcionalista” e “histórico-Crítico” desde os seus primórdios e atreladas a essa forma de ver e sentir o mundo com duas forças muito poderosas, uma chamada AMOR, que o faz aproximar-se do Divino e se reconhecer como um ser de abertura capaz de viver em paz com o todo, capaz de fazer a sua própria transcendência, reconciliando-se com seu Deus interno e viver em harmonia com o mundo terreno. Nesta visão podemos dizer que quando usamos Amor, usamos o pressuposto (o que não é dito, mas é aceito) do homem que pensa do homem que projeta seu futuro. A outra grande força é o MEDO que nos é imposta por quem pretende apenas dominar o mundo material sem valorizar o sagrado que há no humano e na natureza (mundo). Essa foi e é a grande luta da humanidade. Quando perdemos a capacidade de sonhar, imaginar novas soluções perde-se a capacidade de elaborar novas Idéias que podem nos dar novo sentido à vida e ao futuro. A teoria positivista recebe também o nome de organicismo ou biologismo, tendo em vista que se

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acreditava numa sociedade como um organismo vivo e só aceitavam a idéia de mudança que mudasse tudo, ou deixar de existir, mudança para eles é sinônimo de morte. Tais mudanças só podem vir de fora, é impossível para eles pensarem em mudanças que venha de dentro, pois pensar o contrário seria contrariar a própria natureza das coisas. • Organicismo ou biologismo • Absolutismo • Teoria Acadêmica Em todas as épocas, o “conhecimento” ou as verdades relativas (incompletas) influenciaram e influenciam nossas ações, tanto que a conjura do silêncio e o obscurantismo podem ser observados ao longo de toda historia da humanidade e até em nossos dias.
TEXTO DE GURIA-POARS

Alguém certa vez disse: As idéias movem o mundo
http://ambienteacreano.blogspot.com/2007/09/as-idias-movem-o-mundo.html Antonio Stélio (*) Jornalista que atua na região do ACRE O filósofo grego Aristóteles narra, em uma de suas obras, que a rainha de Siracusa indagou ao poeta da corte o que era mais importante: ser rico ou ser sábio? “Rico”, respondeu o poeta, acrescentando que sempre via os sábios batendo à porta dos ricos, nunca o contrário. Comuna de Siracusa (comuna o mesmo que município no Brasil) foi colônia de Corinto (cidade grega) O mesmo Aristóteles, entretanto, diz que o filósofo Antístenes, sabendo disso, explicou que assim acontecia porque os sábios – justamente por serem sábios – sabiam do que precisavam e, os ricos, por não saberem do que careciam, ignoravam estes. A verdade é que não foi a riqueza que mudou mundo. As imensas fortunas de reis e imperadores, sempre ruíram ao longo da história. Toda riqueza acaba com a morte de quem a possui e, não raro, motiva ignomínia (afronta pública, desonra, vergonha) entre herdeiros. Só as idéias permanecem. Elas são as molas propulsoras da humanidade. As idéias, já dizia Platão, são formas, modelos e paradigmas perfeitos e imutáveis, que constitui um mundo transcendente, do qual somos apenas uma mera cópia tosca, grosseira. Ou seja: não passamos de uma miragem da realidade do mundo das idéias. Por isso considero que cada homem deve ser um pé de árvore que

5 frutifique idéias. Devemos ser idéias ambulantes e genuínas, embora Platão ache que, em termos de idéias, apenas copiamos as já existentes no mundo transcendente. Uma idéia, no entanto, não pode morrer em si. Não pode ser como uma árvore que não dá fruto. As idéias de cada um de nós devem ser dominadas, lapidadas e executadas. Assim, estaremos transformando a nossa própria vida e o mundo em que vivemos. http://ambienteacreano.blogspot.com/2007/09/as-idias-movem-o-mundo.html

Vamos tentar responder o questionamento anterior: Mas será que podemos dizer que o Hermetismo desapareceu? Usando a lente da Sociologia, para investigar esse ponto da história, podemos considerar tendo em vista os eventos de perseguições designados como “Conjura do Silencia e Obscurantismo”, que poderia levar a pena de morte os que se atrevessem a divulgar idéias novas que trariam certamente problemas aos governos instituídos na época e mudar a forma de ver a realidade, seria realmente problemático. Então decorre destes fatos uma saída para que tais idéias não deixassem de serem veiculadas, velando-as com termos e simbologias que as tornassem de difícil compreensão àqueles que delas não estivessem familiarizados. No entanto, no caso do hermetismo, como significado básico para servir de chave a vários seguimentos filosóficos, seus ensinamentos não se perderam, ou pelo menos não na sua totalidade, tendo em vista o alto grau de importância de significados nele contidos, de tal modo que depois de milhares de anos ainda é a base para dar significação aos estudos filosóficos religiosos de praticamente todos os seguimentos religiosos. Sabemos que inicialmente estes ensinamentos foram transmitidos de “boca a ouvidos”, tendo em vista que em tempos remotos ainda não se fazia uso do papel como conhecemos, e alguns indícios destes ensinamentos foram encontrados talhados em pedras no antigo Egito. Podemos concluir também, que devido a este alto grau de importância eles foram aos poucos sendo impressos e traduzidos e assim ganhando sua popularidade, chegando aos nossos tempos, e também aqui na internet! Então o que há de oculto no hermetismo? Responder a primeira vista que nada há seria um pouco radical, mas dizer que está ao alcance de quem o desejar conhecer e estudar seria a meu ver, bastante aceitável.

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Vamos olhar por outro ângulo, quando alguém leigo em ciências da Matemática, ou da Física depara-se com uma equação, por exemplo, não se poderia dizer que tal estudo é “hermético” aos olhos daquele leigo? Mas também podemos dizer que se o “leigo” desejar, poderá estudar o assunto para compreendê-lo. O que podemos observar no desenrolar da historia e até nossos dias, é que sempre existirão forças contrárias as novas idéias. Toda nova idéia encontra dificuldades para se estabelecer, e quando essa idéia está repleta de ensinamentos que podem abalar estruturas sociais e políticas a tendência e de serem apedrejadas, e como diz aquele velho ditado “não se chuta cachorro morto” não é verdade? E disto tudo se pode concluir e concordar com o texto acima onde diz que “só as idéias permanecem”, no sentido que o poder, as riquezas não transformam o mundo!
TEXTO DE GURIA-POARS

De acordo com o pesquisador Jaime Balbino de Oliveira:
Hermetismo. Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.. Pesquisa Ir.: Jaime Balbino de Oliveira. www.cavaleirosdaluz18.com.br/trabalhos/Hermetismo.pdf

http://www.joselaerciodoegito.com.br/site_hermetismo.htm Dr José Laércio do Egito é médico, formado pela Universidade Federal de Pernambuco, Com formação clínica e cirúrgica, tendo posteriormente buscado outras formas de tratamento como Acupuntura e Homeopatia. Passou a transmitir seus conhecimentos nesta última especialidade, sendo responsável pela divulgação e formação de muitos especialistas no Nordeste do Brasil. Paralelamente cultivou a formação mística, sem, entretanto, nunca misturar o conhecimento científico com a sua busca filosófica do sentido da vida. Publicou três livros de Homeopatia, e começa agora a edição de várias obras no campo Místico, área dos seus questionamentos desde os três anos de idade. Nascido em São Vicente Ferrer, interior de Pernambuco, entrou precocemente em contato com a natureza, o que estimulou sua curiosidade sobre o ser vivo e sua relação com a Energia Universal. Dentro das características médicas e místicas sempre buscou desvendar o que denomina “Angústia Existencial”, acreditando que ao entender esse sentimento desencandeador do desequilíbrio e doença, possa contribuir da melhor forma para o benefício da humanidade. É também o idealizador deste site, onde pretende disponibilizar, grande parte de sua obra, em forma de palestras, um acervo de inegável e extraordinário valor, que versam sobre muitos aspectos do conhecimento, necessários ao homem, em sua busca pessoal rumo ao esclarecimento.

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Ele pode ser contactado através do email:thot@hotlink.com.br

HERMETISMO Aquilo que na atualidade é chamado de Hermetismo, ou de Ciências Herméticas, compreende um campo de conhecimento muito vasto. Vemos cada dia ordens e sociedades herméticas; ouvimos falar de conhecimentos herméticos. A primeira vista, o leigo acredita que a palavra "hermética" presente em inúmeras organizações significa, oculto, mistério, velado. Realmente não é este o sentido. Aquilo que é ensinado como Hermetismo, tem raízes tão antigas cujo início é impossível se precisar. Acreditamos que na verdade se podem considerar como o registro de todos os conhecimentos que a humanidade foi acumulando ciclo após ciclo de civilização, mesmo muito antes da Atlântida. O Hermetismo cobre um vasto de conhecimentos, ele é muito abrangente por compreender um somatório de conhecimentos milenares da humanidade. Podemos dizer que existem duas fontes básicas de conhecimentos, o Hermetismo e os Vedas. O Hermetismo é à base de todo o misticismo ocidental, enquanto os Vedas o é do oriental. Não existe religião oriental que não tenha como base, direta ou indiretamente, os ensinamentos Vedas. No Ocidente também, nenhuma organização pode dizer que não tem o Hermetismo como base, seja ela a Alquimia, a Cabala, a Magia, a Maçonaria, o Rosacrucianismo e muitas outras, juntamente com todas as religiões, direta ou indiretamente, são "filhas" do Hermetismo. Falamos de duas fontes básicas, mas vale salientar que na verdade elas têm uma mesma origem, apenas uma parte entrou neste ciclo de civilização através dos Vedas, e outra pelo Egito. Atualmente estamos vendo um reencontro entre as duas fontes, já é bem grande sincretismo entre as doutrinas orientais e as ocidentais. Sempre existiram muitas organizações que se intitularam de Sociedade, ou de Ordem Hermética, e também na atualidade. Muitas trazem ensinamentos autênticos, embora algumas atribuam o nome "hermética" a conceitos de grupos ou meras fantasias. Entre outras autênticas, citamos a V∴O∴H∴. Tratase de um ramo do hermetismo cujo objetivo é transmitir conhecimentos milenares segundo foi ensinado por Thoth no Antigo Egito, porém fazendo uso de uma linguagem não velada, conceitos expressos em linguagem atual, em consonância com a ciência de nossos dias. É uma Organização cujo objetivos não visa qualquer lucro pecuniário , não tem

8 por objetivo fazer proselitismo. Assim é uma Ordem que se caracteriza por não ter sócios, nem membros efetivos, nem diretoria, nem sedes, nem bens materiais, nem mensalidades, nem taxas de quaisquer tipos. No plano material ela apenas atua através de estimulo a grupos independentes de estudo, relativamente autônomos orientados por discípulos mais experientes que não se intitulam de "mestre". Quando muito podem ser considerados meros respeitáveis instrutores.

Vamos pegar algumas noções sobre OS VEDAS:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vedas

Denominam-se Vedas os quatro textos, escritos em sânscrito por volta de 1500 a.C., que formam a base do extenso sistema de escrituras sagradas do hinduísmo, que representam a mais antiga literatura de qualquer língua indo-europeia. A palavra Veda, em sânscrito, da raiz vid- (reconstruída como sendo derivada do Proto-IndoEuropeu weid-) que significa conhecer, escreve-se veda no alfabeto devanágari e significa "conhecimento". É a forma guna da raizvid- acrescida do sufixo nominal -a. São estes os quatro Vedas:

ṛgveda Rigveda: (sânscrito: composto tatpurusha de ṛc(hino) e veda-) significa "veda dos hinos". É o primeiro, na ordem comum de enumeração dos quatro Vedas; yajurveda Yajurveda: (sânscrito: composto de yajus(sacrifício) e veda-) significa "veda do sacrifício". Contém textos religiosos com foco na liturgia, nos rituais e no sacrifício, e como executá-los. sāmaveda Samaveda: (sânscrito: composto de sāman(canto ritual) e veda-) significa "veda dos cantos rituais". É o terceiro, na ordem comum de enumeração dos quatro Vedas; atharvaveda Atarvaveda: (sânscrito: composto de atharvān (um tipo de sacerdote) e veda-). É o quarto veda.

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Muitos historiadores consideram os Vedas os textos sobreviventes mais antigos. Estima-se que as partes mais novas dos vedas datam a aproximadamente 500 a.C.; o texto mais antigo (Rigveda) encontrado é, atualmente, datado a aproximadamente 1500 a.C., mas a maioria dos indólogos concordam com a possibilidade de que uma longa tradição oral existiu antes que os Vedas fossem escritos. Representam o mais antigo estrato de literatura indiana e, de acordo com estudantes modernos, são escritos em uma forma de linguagem que evoluiu no sânscrito. Eles consideram o uso do sânscrito védico como a linguagem dos textos um anacronismo (fora de moda), embora seja geralmente aceita.

Algumas Reflexões Sobre os Vedas Alfredo Puig Figueroa Membro da Sociedade Teosófica em Brasília, ex-presidente da ST e da Federação Teosófica Interamericana http://www.centroraja.org.br/artigo_algumas_reflexoes.htm Os Vedas são considerados, por todos os eruditos Orientais e Ocidentais, como a mais antiga de todas as escrituras do mundo e a mais sagrada das obras sânscritas conhecidas. Foram escritos em um sânscrito tão antigo, tão diferente do idioma atual, que não existe outra obra semelhante na literatura de esse “irmão mais velho de todos os idiomas conhecidos”, segundo o professor Max Mulher. Somente os Pandits Brahmanes mais instruídos podem ler a obra em sua forma original. Diz-se que os Vedas foram ensinados primeiro em sua forma oral, durante muitos milhões de anos e que somente mais tarde foram compilados às margens do lago Manasa-

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Sarovara, situado para além do Himalaia (em sânscrito “hyma alaya“ – morada das neves), no Tibet. É sumamente importante citar aqui o testemunho de Swani Vivekananda a respeito do assunto: “Os Vedas não devem sua autoridade a ninguém; constituem uma autoridade em si mesmo, com o conhecimento eterno de Deus. Nunca foram escritos, nunca foram criados, porque existiram através do tempo; como a criação, e são infinitos e eternos, sem começo e sem fim. A estes conhecimentos deu-se o nome de Vedas.” Com essas considerações preliminares, já temos material suficiente para começar nossas reflexões sobre este tema tão inspirado. O termo Vedas provém do sânscrito, cuja raiz “vid” significa “conhecer a Sabedoria Divina”, por isto os Vedas são traduzidos como Sabedoria Divina ou Suprema. Os Vedas são, atualmente, em número de quatro, denominados da seguinte forma: 1º Rig Veda; 2º Yajur Veda; 3º Sãma Veda; e 4º Atharva Veda. O Manu e mesmo outros legisladores hindus falam apenas dos três primeiros. Eram eles os que existiam na época da composição do Bhagavad-Gita. O quarto, Atharva Veda é, relativamente, mais moderno. Cada Veda possui três divisões principais, a saber: a) Sanhitas; b) Brahmanas, e c) Aranyakas.

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Para tornar possível uma compreensão mais ampla do que cada uma dessas divisões trata, apresentamos a seguir uma síntese dos seus conteúdos: Sanhitas – Coleções de hinos, fórmulas e ladainhas. Brahmanas – Contém textos em prosa sobre matéria teológica ou doutrinária; descrições dos rituais de sacrifícios e suas aplicações. Aranyakas – Ensinamentos dirigidos àqueles que adotam uma vida de reclusão, para consagrar-se à meditação. Upanishads – É a porção filosófica dos Vedas; em sua maioria estão constituídos dos diferentes capítulos dos Aranyakas. Todos os Vedas estão classificados em duas grandes divisões: exotérica e esotérica, sendo a primeira chamada de Karma-Kanda, divisão de seções e obras que tratam da realização dos rituais; a segunda é chamada de JnanaKanda, divisão do conhecimento Divino ou espiritual. Os Upanishads estão compreendidos nesta última classificação e concordam com o exposto anteriormente. Ambas das seções são consideradas Sruti ou tradição sagrada, recebida por revelação. Os Upanishads, também chamados Vedanta (final dos Vedas), tal como os encontramos hoje em dia, são em número de 223 e eles não são apenas um reservatório da filosofia mais antiga da Índia, mas também representam toda a sabedoria acumulados por santos, sábios e videntes do passado. Além disso, constituem um registro gráfico de inúmeras formas de meditação (Upasanas: práticas, exercícios) sobre o Homem, Deus e o Universo. Foi Sri Shankaracharya quem escreveu os comentários dos principais Upanishads, Os nomes de:

Indra (o Deus do firmamento, Rei dos deuses siderais e representação de fortaleza);

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Varuna (Deus da água e Deus marinho, que preside a noite); Agni (Deus do fogo); Vãyu (Deus soberano do ar e da tormenta); Soma (a Lua, símbolo da sabedoria secreta); Adityas (um dos Deuses planetários e personificação do sol); Mitra (um dos 12 Adityas, personificação do sol e regente do dia); Aryaman (Chefe dos Pitris ou antepassados, um dos Adityas; deidade que preside o olho e o Sol); Brihaspati (o Guru manifesto e sacerdote dos Deuses; nome de um Rishi) e muitos outros Deuses mais foram usados em muitos trechos dos Vedas e são apenas nomes diferentes do ser Eterno Uno.

Um simples estudo superficial dos Vedas pode mostrar-nos a unidade subjacente a esta multiplicidade de nomes desses Deuses e o que representa cada um; mas quem puder ler nas entrelinhas dos textos védicos irá compreendê-los como atributos diferentes do mesmo Ser Supremo. Talvez em nenhum outro lugar seja possível encontrar a idéia da unidade na multiplicidade com uma expressão mais eloqüente do que nas passagens dos diversos Vedas que foram aqui mencionados. Como exemplo, citamos o Rig Veda 1. 64.46, que diz: “A verdade é uma só, os sábios a designam por vários nomes”, Outras características das orações encontradas nos Vedas é a amplitude do seu chamado e a universalidade da sua expressão. Tais versos são preces não apenas para o bem de uma só pessoa ou da uma sociedade, da uma classe social ou da uma comunidade em particular, mas também estão dirigidas para a Humanidade como um todo e sem nenhuma distinção, ou seja, abrangem todo o universo dos seres conscientes. A utilização dessas preces ou orações é como procedimento definido para enviar correntes um de

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pensamentos nobres e elevados para todos os planos de existência nos Universos, os quais incluem desde os Deuses e os homens, até as aves e bestas, ervas e árvores; essas preces se destacam pela amplidão da fraseologia e seu caráter onisciente. Em sentido geral, pode-se afirmar que as orações ou preces constituem parte importante da vida espiritual de todo aspirante que deseja palmilhar o Caminho da Santidade. Elas não apenas aliviam os sofrimentos e mal estares da mente, mas também a tornam mais receptiva e sensível ao mesmo tempo Não é necessário colocar demasiada ênfase na questão da necessidade que todas as pessoas têm de fazer orações. Existem apenas duas classes de pessoas que não sentem essa necessidade: aquelas que conseguiram compreender a Deus e se tornaram unos com Ele, e aquelas que não se interessam por Deus para nada. Entre essas duas alas extremas da Humanidade, estamos nós. Cada um deve sentir a necessidade de incorporar a prece à sua vida diária.

HERMES TRISMEGISTOS http://luzdaserra.com.br/default.asp?secao=mestres&mestre=18 Hermes Trismegistos pode ter sido um grande mestre egípcio chamado Hermes, o Deus Thot. Também é citado como o Sacerdote Amhotep, na dinastia do Faraó Djoser (sózer) construtor da primeira pirâmide de Saqqara (Sacára) ou uma Ordem de Iniciados. Possuindo elevados conhecimentos de medicina, arquitetura, alquimia, etc. De acordo com canalizações dos Grandes Mestres, Ele viveu na Atlântida e no Egito antigo durante dois mil anos, aproximadamente. O conhecimento espiritual acima da média no Antigo Egito em grande parte se deve ao hermetismo, que foi um dos principais responsáveis pela introdução do ocultismo, astrologia e alquimia aqui no Planeta Terra.

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Os conhecimentos herméticos são tão universalistas e profundos que Hermes foi endeusado por seus seguidores, recebendo o nome de “trismegisto” que significa três vezes grande e de Thot, antigo deus do Egito, conhecido como o escriba dos deuses, por ser considerado um emissário do mundo espiritual (entre os Romanos conhecido como Mercúrio) (0 planeta mercúrio se move muita rapidamente no céu), o que fazia a comunicação entre o mundo dos deuses e o mundo terreno – planeta que rege os signos de Gêmeos, virgem o que confere a essas personalidades muitas vezes a facilidade da oratória, das relações públicas e tudo que envolve comunicação e comércio. Também devido às suas aspirações científicas e universais ficou conhecido na Grécia como Hermes-Deus da Sabedoria e em Roma como Mercúrio. Sua proposta é tão contemporânea que seus ensinamentos perduram até hoje e foram compilados em dois livros, que são excelentes: “O Caibalion” e “O Divino Poimandres”, um sistema completo de teologia metafísica e filosofia. O DIVINO POIMANDRES http://pt.wikipedia.org/wiki/Poimandres

Poimandres, na cultura hermética, era uma espécie de deidade, responsável pela mente e pela luz da alma da humanidade. Visto sob a forma de um dragão sagrado para os alquimistas, ele abria as portas do mundo invisível para os homens. Também é chamado de O Dragão da Sabedoria. Ele é visto também em A Tábua de Esmeralda, livro alquímico supostamente escrito no primeiro século da era cristã pelo faraó egípcio e deus grego, inspirado no deus egípcio Thot, Hermes Trismegistus (Ερμης ο Τρισμεγιστος - Hermes Três Vezes o Grande). Nessa passagem do livro, há um diálogo entre Hermes Trismegistus e Poimandres: Hermes Trismegistus, Trêz Vezes o Grande, caminhava por um estranho rochedo e decidiu

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meditar. Fechou seus olhos e, respondedo às leis divinas, viu-se dentro do mundo invisível. Uma vez lá deparou-se com o grande dragão da sabedoria, uma figura imponente cujas asas cobriam o Sol como nuvens imensas emitindo raios luminosos: " Hermes Trismegistus, o Três Vezes o Grande, por que tentas adentrar o mundo invisível?" Espantado com aquela figura, Hermes Trismegistus abaixou a cabeça como símbolo de humildade e respeito, e disse: " Nobre criatura. Embora vós sabeis meu nome, eu não sei o vosso. Como eu poderia comprimentá-la? Sua presença me enche de honra" " Chamo-me Poimandres. Sou a mente e a luz do universo. Sou eu quem transmite inteligência e criatividade para a mais ignorante das criaturas." " Sublime! Conduzai-me pelos mundos invisíveis." " O que desejas encontrar lá, Hermes? Quais são suas intenções?" "Tenho em mente ajudar a humanidade. Eu amo todas as pessoas da Terra!" Após um exame na mente de Hermes Trismegistus, Poimandres percebeu o afeto de Hermes pela humanidade e a compaixão que sentia pelo seus sofrimento. " O que diz é verdade- concordou PoimandresTu terás minha ajuda em sua santa tarefa." Então, fez-se luz do dragão e, dessa luz, surgiu uma ponte pela qual Hermes Trismegistus caminhou. Ao fim da travessia, ele se deparou com um abismo de escuridão que se rompeu aos seus pés. Do céu despencou uma tempestade de águas turvas e Hermes pôde ouvir o som de gritos de sofrimento e agonia. Esses gritos foram interrompidos por uma voz divina que falava com Hermes Trismegistus: " Sou eu

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o deus da luz e da mente. O pilar luminoso sob meus pés é feito de confiança e compreensão. Entenda o que lhe digo, Hermes, e transmita aos outros seres.- Hermes concordou e a voz disseNão deixe os maus sentidos controlarem seu corpo ou o desejo de violência se apossarem de sua mente. Quem cede a esses pecados é castigado com insatisfação e turbulência. Tu, Hermes, o Três Vezes o Grande, deves semear sabedoria e espalhar as águas do conhecimento. Agora, devo e vou me calar; mas meu silêncio está infestado de vida e esperança. Trasmita aos humanos minhas mensagens. Eu, Poimandres, o dragão da sabedoria, transmito paz e luz para as criaturas daTerra."
O Legado de Hermes: http://luzdaserra.com.br/default.asp?secao=mestres&mestre=18 A palavra hermética faz alusão a Hermes e a tudo aquilo que é fechado, ou seja, oculto. Como na época (e até hoje) nem todas as pessoas estavam prontas para experimentar um conhecimento tão profundo, toda a proposta hermética só era exposta àqueles que desejavam uma vida dedicada a espiritualidade e ao sacerdócio, que no hermetismo dá-se o nome de “Os Iniciados”. Dentro desta filosofia, os que ainda não despertaram para a evolução espiritual são chamados de “Profanos” ou aqueles que estão por fora, ou seja, que estão do lado de fora da pirâmide, que eram os templos do Antigo Egito. Somente quem está dentro da pirâmide consegue ver todos os lados dela. Quem está por fora se torna superficial e não consegue atingir um grau de profundidade suficiente para tomar conhecimento das quatro paredes da pirâmide ou dos quatro aspectos: o corpo, a emoção, a mente e o espírito. O hermetismo estabelece pontos comuns entre todas as manifestações do universo, expondo as leis que as regem. Abaixo, as sete leis principais que - basicamente - formam toda a filosofia de Hermes:
1) O princípio do mentalísmo

“O todo é mente. O universo é mental.”

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Tudo o que existe no universo material é fruto da mente de alguém. No universo existem dois elementos básicos: matéria e energia. E a matéria trata-se de energia em estados diferentes de condensação, logo tudo é energia e emite uma determinada vibração. 2) O princípio da correspondência “ Como em cima, assim embaixo; como embaixo, assim em cima.” Essa lei hermética está associada diretamente à ressonância. Toda a energia gerada por um ser afeta todos os outros de forma positiva ou negativa. Estamos todos interligados porque nossa origem está na mesma fonte. Estamos aqui (Planeta Terra) por necessidade de resolver assuntos que só podem ser solucionados aqui, com o grau de densidade da matéria. Porém, temos uma origem pura e energética, que vem de uma Fonte de Luz Cósmica (Céu), e em essência somos idênticos ao que está em cima e vice-versa. Somos pontos energéticos em constante ressonância com todos os seres, porque fomos (todos os seres vivos) feitos à imagem e semelhança de Deus em energia, em uma menor proporção. 3) Princípio da vibração “Nada repousa, tudo se move, tudo vibra.” Esse princípio refere-se aos diferentes graus de condensação da matéria. Desde a energia mais sutil, desde o espírito mais leve até a matéria mais densificada, existem diferentes estados energéticos, com freqüências vibratórias diversificadas e velocidades, movimentos e órbitas distintas. Mesmo o que aos nossos olhos parece estático, na verdade está em movimento. Um objeto como uma mesa, por exemplo, é constituído de átomos, existindo uma vibração característica nesses átomos. E tudo se comporta da mesma maneira, movimentando-se, seja uma pedra, uma abelha, uma pessoa, uma molécula ou um planeta. Nada é estático. 4) Princípio da polaridade: “Tudo é dual; tudo tem dois pólos; tudo tem seu oposto, semelhante e dessemelhante são a mesma coisa; os opostos são idênticos em sua natureza; mas diferentes em grau; os extremos se encontram. Todas as verdades são apenas meias verdades; todos os paradoxos podem reconciliar-se.” Esse princípio fala de oposição. As energias opostas ao extremo na verdade são idênticas, porém desequilibradas como, por exemplo, água fervente e o gelo. São matérias idênticas com polaridades opostas. Por falta de calor a água tornou-se gelo, ou por excesso de

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calor o gelo tornou-se água fervente. Nos dois casos o fator em comum é o calor, mas a matéria é a mesma. Por falta de amor a humanidade chegou a ignorância. Somente com muito amor a humanidade sairá da ignorância e chegará a sabedoria. 5) Princípio do Ritmo “Tudo flui, para dentro e para fora; tudo tem suas marés; tudo aparece e desaparece; o movimento pendular manifesta-se em tudo; o limite da oscilação para a direita é a medida da oscilação para a esquerda; o ritmo compensa.” O princípio do ritmo fala da oscilação entre dois pólos. Podemos observar o ritmo das chuvas, das marés e dos ciclos da natureza. E também em nós seres humanos. Como somos de natureza bipolar, nossa mente tende a oscilar com os pensamentos em ritmo pendular causando confusão mental e emocional. Os iniciados herméticos costumam utilizar técnicas específicas para equalizar a mente, chegando a um ponto neutro de oscilação. Através de técnicas como meditação, yoga, mantras, orações e outras diversas práticas espirituais podem equilibrar nossos ciclos mentais, neutralizando o ritmo dos pensamentos e encontrando equilíbrio e paz espiritual. 6) Princípio da causa e efeito “Toda causa tem seu efeito; todo efeito tem sua causa; tudo acontece de acordo com a lei; o acaso não é senão o nome da lei não compreendida; existem muitos planos de causação, mas nada escapa à lei.” Esse princípio afirma que não existem casualidades ou acidentes. Nenhum fio de cabelo cai por acaso. Os detalhes mínimos da lei divina são cumpridos, como se existisse um grande relógio cósmico que regula minuciosamente os resultados de nossas escolhas. Dentro de um universo de milhões de oportunidades sempre selecionamos um caminho a seguir, uma decisão a tomar. Se ouvirmos nossa voz interior, nossa partícula mais parecida com Deus (Eu Superior), a decisão é mais acertada, possibilitando menores “efeitos colaterais”, que acontecem sempre que decidimos com nosso Eu Inferior. Por exemplo, quando decidimos com raiva os resultados são catastróficos e quando decidimos com amor, os resultados são divinos. E muitas vezes lamentamos pelo presente e não lembramos de nossas decisões passadas. O Universo leva um tempo para responder aos resultados de nossas escolhas, e muitas vezes o que está acontecendo hoje é resultado de uma decisão de tempos atrás. Por isso é tão importante estar em equilíbrio. Os resultados sempre vêm. A Lei Divina sempre é cumprida e podemos

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optar em evitar o sofrimento tomando decisões e fazendo escolhas através de nosso Eu Divino, com a consciência expandida e conectada à Fonte Maior. A palavra carma que muitas vezes é mal interpretada, quando traduzida literalmente, significa ação. Então podemos dizer que carma é o resultado de qualquer escolha que fazemos através do nosso livre arbítrio. Existir é um carma. Respirar também. Caminhar também o é. Qualquer ação que tomamos é um carma, que sempre afeta alguém ou o ambiente em que vivemos de forma positiva ou negativa. Já a palavra Dharma, que muitas vezes é confundida com o contrário de carma, é uma ação que tomamos para amenizar o sofrimento de todos os seres, levando-os a compreensão de sua natureza divina. Os herméticos afirmam que quem não sabe utilizar a lei de causa e efeito fica sujeito a ela, tornando-se uma vítima do acaso. O objetivo evolucionário é tornar-se Mestre e utilizar esse princípio com equilíbrio e sabedoria. 7) Princípio do Gênero “O gênero está em tudo; tudo tem seus princípios masculinos e femininos; o gênero manifesta-se em todos os planos.” Princípios das polaridades yin e yang. No plano físico, essas forças manifestam-se em todas as coisas. É um princípio universal. Tudo na natureza é dividido em feminino e masculino e essas duas forças precisam de equilíbrio para que juntas atuem, inclusive nos pensamentos, sentimentos e emoções que também apresentam gênero yin ou yang. Quando Buda citava o Caminho do Meio, queria dizer que mantendo o equilíbrio entre Céu e Terra, Alma e Ego, Eu Divino e Eu Terreno atingiríamos o equilíbrio e a iluminação. De acordo com o Mestre Joshua David Stone (pesquisador contemporâneo do hermetismo), abaixo, uma descrição dos sentimentos que devemos equilibrar para atingir a plenitude espiritual: Sentimentos Yin Superiores: amor, compaixão, perdão, alegria, cooperação, amor-próprio, aceitação, humildade, suavidade, paz, flexibilidade, sensibilidade, receptividade, abertura, intuição, sensação. Sentimentos Yin Inferiores: mágoa, depressão, sentimento de rejeição, mau-humor, defesa, medo, insegurança, preocupação, preguiça, baixa auto-estima, culpa, vitimização, carência, autopiedade, solidão, timidez.

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Sentimentos Yang Superiores: poder pessoal, disciplina, assertividade, discernimento, domínio sobre si mesmo, responsabilidade, desapego, paciência, fé, poder de decisão, organização, perseverança, doação, lógica, confiança, cocriatividade, ausência de julgamento. Sentimentos Yang Inferiores: rigidez, neurose, raiva, violência, ataque, crítica, superioridade, impaciência, ódio, vingança, revanchismo, intolerância, orgulho, egoísmo, ressentimento, ciúme, apego ao trabalho.Encarnações de Hermes: Adão, O Sacerdote Melquisedeque (professor de Abraão), Enoch (um dos profetas bíblicos do Antigo Testamento), Zend (pai de Zoroastro, o avatar* da Pérsia), Jesa (um sábio judeu da Babilônia, que participou da revelação da Cabala aos homens, juntamente com o profeta Schimeon Ben Jochai) Josué (substituiu Moisés na missão de conduzir o povo judeu até a Terra Prometida), Rama (sétimo avatar de Visnhu), Krishna (oitavo avatar de Vishnu), Buda (Príncipe Sidarta Gautama), Jesus ( o Hierofante do Amor), Apolônio de Tiana ( profeta peregrino do Século I, no Oriente) quando ascensionou, assumindo a identidade de Sananda no plano astral superior. http://luzdaserra.com.br/default.asp?secao=mestres&mestre=18

A Cosmologia Chinesa e os Processos Alquímicos http://www.healing-tao.com.br/artigos/cosmologia.htm Todas as formas são interlegadas, os seres emanam uns dos outros; Assim a evolução se desenvolve continuamente sem um fim. Escola Taoísta da Suprema Realidade

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O Primeiro principia, o principio único da cosmologia chinesa afirma que só existe uma única energia. Esta unidade surge do Wu Chi, o vazio, e se expande, se bifurca formando a dualidade Yin e Yang. A alternância destas duas forças primordiais, passam por 5 fases chamadas de 5 Elementos ou 5 fases das mudanças. O conceito de mudança é considerada o principio da vida, através das mutações a vida se auto gera, e se destrói em um continuo infinito. O conceito de mudança na cosmologia chinesa forma a base de tudo o mais que se segue. “Se há algo que mude isto não pode ser considerado a mudança eterna. Imagens que podem ser imaginadas não são a Grande Imagem. A Mudança Eterna não muda e a Grande Imagem é inimaginável. A mudança eterna é a mudança de antes da manifestação. A eterna Mudança que não muda é o corpo do absoluto; a mudança que muda forma a base da criação. A Grande Imagem é o começo do repouso e do movimento; o que pode ser imaginado é a mãe da forma e dos nomes. Porque a Mudança não muda, pode abarcar as mudanças infinitas que acontecem no mundo. Porque a Grande Imagem é inimaginável, pode descrever os eventos infinitos que ocorrem no mundo. Mudanças e Imagem formam a base do TAO.” Texto extraído do livro The Book of Balance and Harmony. Para nossa mente racional ocidental princípios como estes parecem complicados e de difícil compreensão. Não há como a mente dual compreender a unidade sem que uma transformação básica na forma com que olhamos o mundo aconteça. Imaginem homens sábios do passado experimentando através da meditação, e de uma intuição poderosa, estes princípios básicos da mudança em seu próprio ser? O que teriam visto estes homens para que decidissem criar um sistema poderoso de mudanças que tornassem o homem tão iluminado quanto eles? Quantas gerações de pessoas sábias, foram necessárias para que se consolidasse um

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método eficiente de auto transformação que levasse o homem de volta ao Tao, á Grande Imagem e a compreensão do significado da Mudança Eterna? Alquimia Interna Taoísta é a descrição destes processos realizados através de nove fórmulas deixadas como herança por gerações, para que homens do futuro pudessem perceber a suprema realidade, o Tao, e os levassem a se harmonizar novamente com ele. A cosmologia chinesa não é um processo mental de categorizar o mundo e suas mudanças, é sim, um processo de ajuste interno que levaria o homem a integração com este cosmo e com a energia única da vida. Neste processo de mudança dois instrumentos são necessários; por um lado temos o I Ching – o livro das mutações representando através de linhas e suas mudanças, a mudança eterna que nunca muda. Pela consulta a este livro, nossa mente vai sendo preparada para compreender o incompreensível. Por outro temos exercícios milenares, formulas testadas por gerações durante milhares de anos que preparam o homem para esta compreensão, que criam instrumentos energéticos poderosos para que o entendimento se realize e a integração se torne possível. Não existem atalhos neste processo, não há como compreendermos a essência da cosmologia chinesa estudando seus princípios sem criar os instrumentos próprios para este estudo. Nosso corpo precisa ser preparado para que assimile uma quantidade de energia tão grande quanto o universo. Nossa mente precisa ser esvaziada e preparada para compreender o saber e não para somar saber. Compreensão não é o mesmo que erudição. Como diz o poeta Fernando Pessoa a erudição é uma soma de conhecimentos, a compreensão é uma VIDA. Nosso corpo emocional precisa aprender a transformar a energia das emoções, porque esta energia é a mesma que determina nosso estado de saúde e nossa longevidade e é a mesma que gera e destrói vidas. Se não soubermos como transformar emoções negativas em pura energia como

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podemos compreender em essência a energia única? Emoções são pura energia em ação, e a energia mais próxima que um homem pode conectar. Porque não começar pelo perto para chegar ao longe? Na alquimia potenciais humanos precisam ser desenvolvidos. Uma evolução humana precisa ser acelerada e para isto precisamos aprender com a natureza como gerar e potencializar nossa energia de vida. Assim que aprendemos a usar nosso poder interno com sabedoria, podemos finalmente compreender o incompreensível. Senhores de nossa própria casa, podemos então erguer nossos olhos para uma visão de mundo ampla e universal proposta pelo cosmologia chinesa. Vamos comentar o texto da Tabua da Esmeralda (um dos textos alquímicos mais conhecidos) na visão da Alquimia Interna Taoísta. Talvez estes comentários ajudem a compreender melhor a proposta alquímica na visão da cosmologia chinesa: Comentário Taoísta sobre a Tábua da Esmeralda Ely Britto Dizem as lendas que Hermes Trimegisto escreveu este texto em uma tábua de esmeralda riscada com um diamante. Dizem que esta tábua existe, mas nunca foi descoberta, restando apenas este texto famoso. A palavra hermético, usada para expressar um conhecimento difícil, deve sua origem a este texto de difícil compreensão para os leigos.

A Tabua da Esmeralda Hermes de Trimegisto “Verdadeiramente certo e absoluto, sem mentiras. O que está acima é como o que está abaixo, e o que está abaixo é como o que está acima, para que se realize o mistério da coisa única. Assim como todas as coisas vieram

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do UM, através do UM, todas as coisas para o UM retornam. “ Neste parágrafo Hermes fala sobre a unicidade da energia. Só existe uma única energia que cria a vida através de um padrão universal. O que existe, grande ou pequeno, em cima ou embaixo, existe porque a energia “sem forma” se condensou em “forma” e criou o mundo material. Na alquimia interna, este processo de condensação de energia pode ser revertido para sutilizar a matéria, “aforma”, e transmutá-la a um estado sutil de energia, ao estado “sem forma” e assim retornar ao UM. Seguindo o mesmo padrão único que o Tao usou para criar a vida como a conhecemos, podemos retornar a unidade usando este mesmo caminho natural, esta mesma fórmula. No I Ching este processo é representado por 64 situações de mudança, onde vamos sutilizando a forma, usando os conselhos dados nos hexagramas, e assim unificamos os opostos complementares Yin e Yang; dia, noite, bem e mal, movimento e repouso, luminoso e obscuro, masculino e feminino, positivo e negativo até atingir o mundo da energia, da “não forma”. Como o padrão único funciona tanto para os fenômenos terrestres; microcósmicos e humanos - quanto para os fenômenos celestes; macrocósmicos e desconhecidos, podemos ao reconhecer este padrão no que está perto, descobrir este mesmo padrão no que está longe e ainda é desconhecido. “Seu Pai é o Fogo (Sol). Sua mãe é a Água (Lua). O vento o carrega em seu ventre. Seu alimento é a terra. É o Pai de todas as coisas manifestas. Sua força se torna pura virtude quando direcionada para a terra. Separa a terra do fogo e o sutil do denso, com calma e maestria.” Aqui o texto nos fala do inicio do processo de unificação dos opostos complementares, e descreve as forças que agem neste processo; O Pai é a força Yang, simbolizada pelo fogo (sol), e a mãe é a força Yin simbolizada pela água (Lua). O vento, a madeira, é a fase geradora de energia,

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engendra esta força de vida e a recria eternamente. Esta força geradora se alimenta do Jing, da força primordial da terra. Na alquimia interna taoísta, este padrão único age no nosso corpo, realizando a mesma função universal de expansão e distribuição do fogo, - o verão- nos movimentos e na função energética do nosso coração. Age com a mesma função de recolher energia da força do elemento água – o inverno- função esta realizada pelos rins no corpo humano. O vento ou madeira, no corpo humano é representado pela função geradora do nosso fígado, e no macrocosmo, é responsável pela criação da primavera. Já a função estabilizadora de energia que no macrocosmo é realizada pela terra, no corpo humano é a função que estabiliza nossas energias no baixo ventre, no baço. (No Tan Tien inferior) Quando aprendemos a direcionar estas 3 forças ainda densas e cruas para a terra, refinamos e estabilizamos estas energias criando virtudes e poder. Para isto precisamos separar a terra ( força estabilizadora) do fogo ( força que distribui esta energia) com maestria (com fórmulas que realizem esta separação). No I Ching estas três forças estão simbolizadas pela situação de mudança dos hexagramas duplos ; 30- Aderir, que representa o fogo – 29- O Abismal, que representa a água e o hexagrama 2 – Receptivo que representa a terra e o ventre. “Da terra sobe aos céus, e dali desce novamente para a terra, e se potencializa com as forças ( as energias) superiores e inferiores. Assim possuirá toda a gloria do mundo. Tudo que é obscuro se tornará claro. Este é o grande poder de todos os poderes, porque transcende tudo que é sem forma e sutil e penetra em tudo que é sólido e denso.” Quando o calor do sol (fogo) aquece adequadamente a terra e a água, um vapor se faz, e esta força sobe aos céus e desce novamente a terra em forma de chuva e fica mais potente porque adquiri novas propriedades refinadas.

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Realizamos este processo quando praticamos Kan &Li, fórmula avançada da alquimia interna taoísta. Nesta fórmula revertemos a força quente do coração para debaixo da água (sexo) na região do baixo ventre (terra). Este processo nos leva á clareza interna e nos revela todo o mistério da vida. O poder ganho é enorme porque neste processo de vaporização, aprendemos a refinar e a transformar energias negativas, inferiores em positivas, superiores. Esta é a fórmula, é a matriz que cria vida. Quando a utilizamos de forma apropriada, podemos transformar o mundo material (denso) e refinar suas energias para o sutil. Dando um salto do mundo material manifesto para o mundo da energia sutil e espiritual. No I Ching este processo está representado pela situação de mudança que vai do hexagrama 63- que tem o trigrama do fogo abaixo e o trigrama da água acima, (onde acasalamos estas duas forças) para o resultado desta reversão representado pelo hexagrama 11 – Paz – composto pelos trigramas do céu e da terra que neste hexagrama estão em perfeito equilíbrio. Neste processo, damos um salto quântico Da matéria para o espírito, da forma para a não forma, do (hexagrama 63) para o (hexagrama 11). No hexagrama Paz (11) - As forças Yin –Terra, e Yang –Céu se dirigem para o centro, o Trigrama inferior céu se movendo para cima, e o trigrama superior terra se movendo para baixo, ambos indo na direção do centro. Este hexagrama pela sua harmonia e direção interna representa o resultado desta operação alquímica. Usando o mesmo recurso de reversão do fogo e da água internamento (as energias do coração e dos rins), podemos refinar energias densas internas e transforma-las em energias sutis, atingindo assim o equilíbrio. Este é o processo da Alquimia Interna Taoísta. “Assim foi o mundo criado. Desta matriz muitas obras podem ser realizadas porque é um padrão universal. Por isso eu sou Hermes 3 vezes grande (trimegisto), porque

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possuo os três níveis do conhecimento da criação do mundo.” Por este processo alquímico o mundo foi criado. Podemos usar a mesma matriz ou fórmula para realizar grandes obras, pois é um padrão universal. Hermes foi chamado de 3 vezes grande (Trimegisto), porque dominava as três forças usadas na criação do mundo; jing, chi e shen ou o processo de reversão do fogo e da água, usando a força estabilizadora da terra, regulando e harmonizando-as dentro deste espaço neutro. Na cosmologia taoísta o mundo foi criado pela expansão da unidade para a diversidade, que se divide em 3 fases: O Um gera o Dois, que gera o TRÊS, que gera todas as coisas. Se alguém consegue compreender o mistério desta fórmula e a aplica, pode realizar qualquer coisa. Seguindo este padrão único e misterioso, adquire o poder de criar vida manifesta. Pode condensar, recolher, gerar, distribuir, estabilizar, unificar, harmonizar e transformar energia. Como tudo é uma única energia, o conhecimento deste padrão pode gerar qualquer obra, realizar qualquer coisa. Este era o segredo da Pedra filosofal buscada por todos os alquimistas; a transmutação da matéria em energia e da energia em matéria. Hermes de Trimegistro afirma que ele desvendou a fórmula, e por isto mesmo é chamado de senhor dos 3 mundos. Talvez o I Ching tenha sido criado para realizar o mesmo processo, talvez informações importantes sobre a alquimia interna, tenham sido retiradas dos textos em algum momento desconhecido da sua historia. Há pistas claras sobre processo alquímicos nos textos de alguns hexagramas; principalmente no hexagrama 52 – Quietude e no hexagrama 50- O Caldeirão. “Porque eu completei e expliquei os processos do fogo (sol - da iluminação). Sei gerar a luz e sei como explicar todo o processo de criação da luz. “

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Para Hermes o caminho usado foi o do fogo, muito comum aos alquimistas da idade média. Na Alquimia interna taoísta, o Nei Dan - usamos os dois processos, o do fogo e o da água, resfriamos as energias quentes do fogo usando os atributos da água, e depois revertemos em Kan&Li estas energias (fogo e água) e criamos um vapor dentro. Literalmente vaporizamos as toxinas, as energias densas transformando-as em energia sutil. Transmutamos a matéria em espírito, em pura energia. Assim se criou há milênios atrás, um sistema de iluminação interna a vapor. TEXTOS COMPLETOS – PORTUGUES E LATIMA Tabua da Esmeralda Hermes de Trimegisto (tradução do latim) Verdadeiramente certo e absoluto, sem mentiras. O que está acima é como o que está abaixo, e o que está abaixo é como o que está acima, para que se realize o mistério da coisa única. Assim como todas as coisas vieram do UM, através do UM, todas as coisas para o UM retornam. Seu Pai é o Fogo (Sol). Sua mãe é a água (Lua). O vento o carrega em seu ventre. Seu alimento é a terra. É o Pai de todas as coisas manifestas. Sua força se torna pura virtude quando direcionada para a terra. Separa a terra do fogo e o sutil do denso, com calma e maestria. Da terra sobe aos céus, e dali desce novamente para a terra, e se potencializa com as forças ( as energias) superiores e inferiores. Assim possuirá toda a gloria do mundo. Tudo que é obscuro se tornará claro. Este é o grande poder de todos os poderes, porque transcende tudo que é sem forma e sutil e penetra em tudo que é sólido e denso. Assim foi o mundo criado. Desta matriz muitas obras podem ser realizadas porque é um padrão universal. Por isso eu sou Hermes 3 vezes grande (trimegisto), porque possuo os três níveis da sabedoria da criação do mundo.

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Porque eu completei e expliquei os processos do FOGO (SOL). (da iluminação) Tabula Smaragdina Verum, sine Mendacio, certum et verissimum: Quod est Inferius est sicut quod est Superius, et quod est Superius est sicut quod est Inferius, ad perpetranda Miracula Rei Unius. Et sicut res omnes fuerunt ab Uno, meditatione unius, sic Omnes Res natae ab hac una Re, adaptatione. Pater eius est Sol. Mater eius est Luna. Portavit illud Ventus in Ventre suo. Nutrix eius Terra est. Pater omnis Telesmi totius Mundi est hic. Virtus eius integra est si versa fuerit in Terram. Separabis Terram ab Igne, subtile ab spisso, suaviter, magno cum ingenio. Ascendit a Terra in Coelum, iterumque descendit in Terram, et recipit Vim superiorum et inferiorum. Sic habebis Gloriam totius Mundi. Ideo fugiet a te omnis Obscuritas. Haec est totius Fortitudinis Fortitudo fortis, quia vincet Omnem rem subtilem, Omnemque Solidam penetrabit. Sic Mundus creatus est. Hinc erunt Adaptationes Mirabiles, quarum Modus est hic. Itaque vocatus sum Hermes Trismegistus, habens tres partes Philosophiae totius Mundi. Completum est quod dixi de Operatione Solis.

http://www.centroraja.org.br/artigo_algumas_reflexoes.htm Poimandres

30 POIMANDRES Hermes Trimegistus

1. Certa vez, quando comecei a pensar sobre as coisas que existem, e a minha mente tendo ansiosamente se elevado até às alturas enquanto que os meus órgãos sensoriais haviam sido limitados pelo sono , mas não um sono daqueles cujo corpo está entorpecido pelo excesso de alimento ou pelo cansaço físico, pareceu que me encontrei com um Ser vasto, de dimensões infinitas, que me chamou pelo nome e perguntou, 'O que você deseja ouvir e ver, aprender e conhecer através do pensamento?' Quem é você?', perguntei. 'Eu', disse ele, 'sou Poimandres, a Mente da Soberania.' Então eu disse, 'Gostaria de conhecer as coisas tal como são e compreender suas naturezas e obter um conhecimento de Deus. Essas, ' disse-lhe, 'são as coisas de que desejo ouvir.' Ele respondeu, 'Sei quais são os seus desejos, porque na realidade estou com você em todos os lugares e momentos. Mantém em mente tudo o que você deseja aprender e eu lhe irei ensinar. Quando havia assim falado, imediatamente todas as coisas mudaram de aspecto à minha frente e abriram-se para mim num clarão. Então contemplei uma visão sem limites; tudo tornou-se Luz, suave e alegre e me maravilhei com o que vi. Logo depois, numa parte começou a descer uma escuridão, terrível e fantasmagórica... Logo depois pude ver que a escuridão estava se transformando numa umidade, que se agitava por todos os lados e produzia fumaça como se fosse um incêndio; eu a ouvi produzindo um som de indescritível lamento, porque dela nascia um gemido inarticulado. Mas daquela luz surgiu uma santa Palavra, que se assentou por sobre a umidade, me parecendo que fosse a voz da própria Luz. E Poimandres falou para que eu ouvisse e disse-me, 'Compreende o significado do que viu?' 'Conte-me o seu significado', eu disse, 'e então eu compreenderei.' Aquela Luz,' disse ele, 'sou eu, a Mente, o Primeiro Deus que existia antes que viesse aquela umidade que apareceu da escuridão; e a Palavra que surgiu da Luz é o Filho de Deus.'Como assim?' perguntei. 'Aprende o meu significado', disse ele, 'olhando para aquilo que tem dentro de você; porque também em você a palavra é o filho e a mente é o pai da palavra. Não estão separados um do outro porque a vida é a união da palavra e mente.' Então eu lhe disse, 'Agradeço-lhe por tudo isso.' 'Agora fixa o teu pensamento sobre a Luz', disse ele, 'e aprende a conhecê-la'. E assim dizendo, olhou-me demoradamente, olho no olho, de forma que comecei a tremer frente ao seu aspecto. E quando ergui novamente a cabeça, vi em minha mente que a Luz consistia de inumeráveis Poderes e que havia se tornado num mundo ordenado, mas sem limites. Isto percebi em pensamento, vendo tudo isso através da palavra que Poimandres havia me dito. E quando fiquei espantado, ele falou novamente e disse, 'Você viu em sua mente as formas arquetípica, que existem antes do início das coisas e que são ilimitadas'. Assim falou Poimandres para mim.

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Então eu disse, 'Conte-me como é que os elementos da natureza vieram a existir?' Ele respondeu, 'Eles nasceram do Propósito de Deus, que contemplou aquele mundo de beleza e o copiou. A substância úmida, tendo recebido a Palavra, foi modelada num mundo ordenado, com os elementos dela sendo separados e dos elementos surgiu toda a gama das criaturas viventes. Um Fogo puro pulou fora da umidade e ergueu-se no alto; o fogo era luz, impulsivo e ativo. Logo depois, o ar, também como luz seguiu ao fogo e ergueu-se até alcançar o fogo, separando-se da terra e água de forma que parecia estar suspenso a partir do fogo. E o fogo foi dominado por um poder poderoso, subjugado e mantido firme. Mas a terra e água mantiveram-se em seus lugares, misturadas juntas, como se não existissem..., mas eram também mantidas em movimento, por razão daquela palavra que se assemelhava a um sopro que se movia sobre a face da água. E a Primeira Mente, aquela Mente que é Vida e Luz, sendo de natureza bissexual, deu origem a uma outra mente, o Fazedor de Coisas e esta segunda Mente deu origem aos Sete Administradores do Fogo e do Ar, que com as suas órbitas englobam todo o mundo perceptível pelos sentidos e a sua administração é denominada de Destino. E logo em seguida, a Palavra de Deus pulou dos corpos dos elementos da natureza que tendiam a ir para baixo, em direção ao corpo puro do qual havia sido formados e uniu-se com a Mente do Criador, porque a Palavra era da mesma substância daquela Mente. E os elementos da natureza, que tendiam a ir para baixo ficaram sem a faculdade da razão, pois tornaram-se mera matéria. E o Fazedor de Coisas trabalhou junto com a Palavra e, englobando as órbitas dos Administradores, girando-os ao redor com um movimento turbulento, fez circular os corpos que havia feito e os fez revolver, viajando a partir de um ponto que não é fixo em direção a um objetivo que não está determinado; porque a sua revolução se inicia onde termina. A Natureza, tal como o Fazedor de Coisa havia desejado, originou a partir dos elementos que tendiam a ir para baixo os animais que não possuem a razão, porque ele não mais tinha consigo a Palavra. O ar produziu os pássaros e a água os peixes, a terra, que já havia sido dela separada, originou os animais de quatro patas e as criaturas que rastejavam, as bestas selvagens e mansas. Mas a Mente Pai de tudo, ele que é Vida e Luz, deu origem ao Homem, um Ser como Ele. E Ele deliciou-se no Homem, como sendo Seu próprio Filho; porque o Homem era verdadeiramente algo divino de ser contemplado, apresentando a semelhança de seu Pai. Foi com boa razão que Deus deliciou-se com o homem; porque era na própria forma de Deus que Deus estava se deliciando. E Deus conferiu ao Homem todas as coisas que haviam sido feitas. E o Homem tomou o seu lugar na esfera do Fazedor e observou as coisas que haviam sido feitas pelo seu irmão, que se situavam na região do fogo; e tendo

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observado a criação do Fazedor nessa região, ele quis também fazer coisas por conta própria e seu Pai deu-lhe a permissão de fazer isso... possuindo nele todas as habilidades e poderes dos Administradores; e os Administradores alegraram-se com ele e cada um lhe deu parte de sua própria natureza. E tendo aprendido a conhecer a existência e estado dos Administradores e recebido parte de sua natureza, desejou romper com os limites estabelecidos das suas órbitas e olhou para baixo, através da estrutura dos céus, tendo rompido a esfera, mostrou à Natureza, que buscava descer, a bela forma de Deus. E a Natureza, vendo a beleza da forma de Deus, sorriu com um amor insaciável pelo Homem, mostrando o reflexo daquela mais bela das formas na água e a sua sombra na terra. Ele, vendo essa forma, como a sua, projetada sobre a terra e água, a amou e desejou ali residir. E o ato seguiu-se ao que havia sido planejado; e ele foi residir com a matéria que não possuía a razão. E a Natureza, quando teve aquele a quem amava consigo, envolveu-o em seu abraço e ficaram unidos como um; porque estavam apaixonados um pelo outro. E este é o porquê do homem, ao contrário de todas as outras criaturas vidas sobre a terra, é de dupla natureza. Ele é mortal por razão de seu corpo; é imortal por razão do Homem de substância eterna. Ele é imortal e tem todas as coisas debaixo de seu poder, ainda assim ele sofre o destino de um mortal, estando sujeito ao Destino. Ele é exaltado acima da estrutura dos céus, ainda assim nasce escravo do Destino. Ele é bissexual, seu Pai é bissexual e desperto, tal como seu Pai é desperto; ainda assim é dominado pelo desejo carnal e pelo esquecimento.' Depois eu disse, 'Conte-me o resto, Oh Mente; porque eu também estou dominado pelo desejo de ouvir o teu ensinamento.' E Poimandres disse, 'Este é o segredo que foi mantido oculto até o dia de hoje. A Natureza, unida em matrimonio com o Homem, gerou uma das maiores maravilhas. Enquanto que o Homem obteve da estrutura dos céus as qualidades dos sete Administradores, que foram feito, como lhe disse, de fogo e ar, a Natureza não esperou muito e deu à luz a sete Homens, de acordo com as naturezas dos sete Administradores; e esses sete Homens eram bissexuais e...(ficavam eretos sobre a terra, ao contrário dos animais texto suposto, n.t.)' Então eu disse, 'Realmente, Poimandres, meu desejo em aprender é forte e desejo ouvir mais, não se desvie.' 'Não, fique em silêncio,' disse Poimandres, 'Ainda não terminei de explicar essa primeira coisa.' 'Veja, estou em silêncio,' eu disse. 'Então estes sete Homens foram gerados desta maneira. A Natureza gerou os seus corpos, a terra era o elemento feminino na geração dos seus corpos e a água o masculino; do éter receberam o espírito vital. (Mas a sua parte incorpórea foi feita) depois da do Homem e o Homem neles mudou de Vida e Luz para alma e mente, a alma originando-se da Vida e a mente da Luz. E todas as coisas assim permanecer até o final de um período. E agora irei lhe contar aquilo que desejava ouvir. Quando o período foi completado, a ligação pela qual todas as coisas estavam unidas afrouxou-se, por determinação de Deus; todas as criaturas viventes que até então eram bissexuais foram separadas, o homem juntamente; e assim surgiram os machos de um lado e da mesma maneira as fêmeas de outro. E então Deus

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falou num divino discurso: 'Aumentem e multipliquem-se abundantemente, todos que foram criados e feitos. E aquele que venha a se reconhecer, que ingresse no Bem' E quando Deus assim falou, a Sua Providência, por meio da qual o Destino e a estrutura dos céus trouxeram a união de macho e fêmea e desencadearam os nascimentos, todas as criaturas multiplicaram-se segundo a sua espécie. E aquele que se reconhecer, ingressou naquele Bem que está acima de qualquer ser, mas aquele, que tendo se desviado por causa do desejo carnal, colocando a sua afeição neste corpo, continua vagando na escuridão deste mundo dos sentidos, sofrendo o destino da morte.' Então perguntei, 'mas que grande pecado cometem aqueles que estão na ignorância, para que sejam privados da imortalidade?' Ele respondeu, 'Oh homem, parece que não prestou atenção àquilo que ouviu. Não lhe pedi para marcar as minhas palavras? Respondi, 'Fiz isso e mantenho em minha memória aquilo que me contou, e lhe sou grato por isso.' 'Se guardou as minhas palavras, então conte-me porque aqueles que estão na ignorância merecem a morte.' Eu respondi, 'Porque a fonte da qual o corpo material se originou é aquela escuridão amedrontadora, de onde proveio aquela substância aquosa da qual o corpo é formado ...(que está isenta da luz - trecho truncado, n.t.)... no mundo dos sentidos, de onde é retirado o gole da morte.' Ele disse, 'Oh homem, você compreendeu corretamente. Mas por que é que 'aquele que se reconheceu ingressa no Bem', como foi dito no discurso de Deus?' Respondi, 'Porque o Pai de tudo consiste de Luz e Vida e dele o Homem surgiu.' Então ele disse, 'Você está certo. Então, sendo feito de Vida e Luz, você poderá compreender de que é feito deles, então poderá voltar de volta à Vida e Luz.' Assim falou Poimandres. Então eu disse, 'Conte-me ainda isso: Deus disse, que o homem que tenha uma mente se reconheça. Mas todos os homens não possuem uma mente? A Mente me respondeu, 'Oh homem, não fale assim. Eu, a Mente, vou até os homens que são bons, santos, puros e misericordiosos; e a minha vinda é um consolo para eles, e com isso eles reconhecem todas as coisas e ganham a graça do Pai ao amarem a adoração (a ele), e Lhe dão graças, louvando-o e cantando-Lhe hinos com os corações elevados numa afeição filial. E antes de entregarem seus corpos à morte, tal como é próprio, eles desdenham dos sentidos corporais, conhecedores como são de como estes funcionam. Não, mesmo eu, Mente Pura, não irei sofrer as atrações do corpo pelas quais eles são violentamente atacados nesses efeitos; irei vigiar as entradas e bloquear o ingresso das atrações chãs e malignas dos sentidos, cortando-lhes fora todos os pensamentos a elas associados. Mas os homens que são tolos, malignos e malvados, invejosos e cobiçosos, assassinos e ímpios, os manterei à distância, dando lugar ao demônio da vingança. E ele traz por sobre tais homens o selvagem calor do fogo, e o tortura, atirando-o no tumulto dos sentidos; e o capacita de forma ainda maior para suas tarefas ilegais de forma que possa incorrer em ainda maiores punições. E aquele homem nunca cessa de lutar cegamente; dá vazão a apetites ilimitados; seu desejo é insaciável; e assim, por conta própria ele torna o fogo de seu tormento ainda mais quente.' 'Muito bem me ensinastes, Oh Mente', disse-lhe eu, 'tal como eu desejava. Mas contem-me mais, sobre a subida que seguem os homens, contem-me como

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poderei ingressar na Vida.' Poimandres respondeu, 'No momento da dissolução do seu corpo material, você primeiro entrega o corpo, para ser transformado, e a forma visível que você agora demonstra não mais é vista. E o seu espírito vital, você o entrega à atmosfera, de forma que este não mais atua em você; os sentidos corporais volta às suas origens, tornando-se parte do universo e ingressam em novas combinações para realizarem outros trabalhos. E assim o homem ascende através da estrutura dos céus. Para a primeira zona dos céus, a esfera da Lua, ele confere a força que atua aumentando e diminuindo; para a segunda zona, a de Mercúrio, entrega as maquinações do planejar maligno; para a terceira zona, a de Vênus, entrega a paixão, pela qual todos os homens são enganados, para a quarta zona, a do Sol, ele entrega a arrogância da dominação e do poder; para a quinta zona, a de Marte, sacrifica a temeridade e a cega audácia; para a sexta zona, a de Júpiter, sacrifica a busca pela prosperidade malvada e para a sétima zona, a de Saturno, a falsidade, que fica à espera para gerar novos males. E assim, tendo se desnudado de tudo o que a estrutura do céu lhe trouxe de errado, ele ascende à substância do oitavo céu, a das estrelas fixas, estando agora de posse do poder que lhe é apropriado, ele canta junto com aqueles que ali vivem, cantando hinos ao Pai; todos ali estão para se alegrarem com a sua chegada. E sendo como aqueles com quem está agora morando, ele possui os Poderes, que se situam acima da substância da oitava esfera, cantando louvores a Deus com uma voz que é apenas sua. E depois, por sua vez, eles ascendem ao Pai, entregam-se aos Poderes e, tornando-se eles mesmos os Poderes, ingressam em Deus. Isto é o Bem; essa é a consumação, para aqueles que possuem a gnosis. (Gnose - fenômeno místico de iluminação

buscado pelos cristãos primitivos conhecidos como gnósticos)
E então, porque a demora? Vendo que você recebeu tudo, porque não se torna um guia para aqueles que são dignos dessa bênção, de forma que a humanidade, através de você, não seja salva por Deus?' Quando Poimandres terminou de assim falar, misturou-se com os Poderes. E eu guardei em minha memória a bondade de Poimandres, e fiquei extremamente contente, porque eu havia sido plenamente alimentado com aquilo que desejava. Meu sono corporal tornou-se o despertar sóbrio da alma; e meus olhos fechados tornaram-se uma verdadeira visão e o meu silêncio, ficou prenhe do bem; e minha falta de fala, uma torrente de pensamentos santos. E isto aconteceu comigo, naquilo que eu recebi de Poimandres, ou seja, da Mente da Soberania, o ensinamento da gnosis, e portanto, tornandome inspirado por Deus, obtive acesso à morada da Verdade. Portanto com toda a minha alma e com toda a minha força, dei graças a Deus, o Pai, dizendo: 'Santo é o Deus, Pai de tudo, que existe antes do primeiro início; Santo é Deus, cujo propósito é realizado pelos seus múltiplos Poderes; Santo é Deus, que deseja ser conhecido, e é conhecido por aqueles que são seus; Santo és Tu, que pela tua palavra construístes tudo que é;

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Santo é Tu, cuja natureza brilhante não se ofuscou nem escureceu; Santo és Tu, de quem toda a natureza é imagem; Santo és Tu, que és mais forte que qualquer dominação; Santo és Tu que és maior que qualquer preeminência; Santo és Tu que superas todos os louvores. Aceita as puras oferendas da fala de uma alma e coração elevados a ti, Tu a quem nenhuma palavra pode descrever, nenhuma língua pode falar, de quem o silêncio apenas pode declarar. Rezo para que nunca recaia fora daquele conhecimento de Ti, que se equivale ao teu ser; garanti essa minha oração. E coloca poder em mim, de forma que, tendo obtido essa bênção, possa iluminar aqueles de minha raça que estão na ignorância, meus irmãos e teus filhos. Onde quer que seja que eu acredite e dê testemunho, que eu ingresse na Luz e na Vida. Abençoado sejas, Pai; o teu Homem busca compartilhar a tua santidade, mesmo que Tu lhe tenhas dado toda autoridade.' E quando eu havia dado graças e louvores ao Pai de tudo, fui por ele enviado, possuindo todos os poderes que me eram próprios, tendo aprendido a natureza de tudo que é e visto a visão suprema. E comecei a pregar aos homens a beleza da piedade e do conhecimento de Deus, dizendo: 'Ouvi, povo, homens nascidos da terra, que se entregaram à embriaguez e sono na sua ignorância de Deus; despertem à sobriedade, cessem de estarem tontos com a bebida forte e atraídos ao sono isento da razão.' E quando eles ouviram, ajuntaram-se ao meu redor. E eu disse, 'Oh homens, porque se entregaram à morte, quando receberam o poder de compartilhar da imortalidade? Arrependei-vos, vós que viajastes até o Erro, e se fizeram acompanhar da Ignorância; livrai-vos da escuridão e tomai da Luz; compartilhai da imortalidade, renegando a corrupção.' Alguns deles denegriram as minhas palavras e não foram tocados; porque eles haviam se consagrado ao caminho da morte. Mas outros me buscaram para aquilo que eu podia lhes ensinar e se atiraram aos meus pés. E eu os fiz ficar de pé e me tornei um guia para a humanidade, ensinando-lhes a doutrina, de que forma e maneira poderiam ser salvos. E semeei neles os ensinamentos da sabedoria; e aquilo que semeei foi aguado com a água da vida imortal. E quando a noite chegou, e a luz do sol começou a diminuir, lhes ordenei dar graças a Deus. E quando terminaram o seu agradecimento, convinha que fossem agora repousar cada um em sua própria cama.

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Biografia Fernando Pessoa
Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, Não há nada mais simples. Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte. Entre uma e outra todos os dias são meus. Fernando Pessoa/Alberto Caeiro; Poemas Inconjuntos; Escrito entre 1913-15; Publicado em Atena nº 5, Fevereiro de 1925
Às três horas da tarde de 13 de Junho de 1888 nascia em Lisboa, capital  portuguesa, Fernando Pessoa. O parto ocorreu no quarto andar esquerdo  do nº 4 do Largo de São Carlos, em frente da ópera de Lisboa (Teatro de  São Carlos). Seu pai era o funcionário público do Ministério da Justiça  e crítico musical do «Diário de Notícias», Joaquim de Seabra Pessoa  (38), natural de Lisboa; e sua mãe D. Maria Magdalena Pinheiro Nogueira  Pessoa (26), natural da Ilha Terceira (Açores). Viviam com eles a avó  Dionísia, doente mental e duas criadas velhas, Joana e Emília. Pessoa  foi criado em uma família bem afortunada e culta.

É baptizado em 21 de Julho na Igreja dos Mártires, no Chiado. Os  padrinhos são a sua Tia Anica (D. Ana Luísa Pinheiro Nogueira, sua  tia materna) e o General Chaby. A justificativa do nome Fernando  António se encontra relacionada a Santo António: sua família  reclamava uma ligação genealógica Fernando de Bulhões, nome de  baptismo de Santo António, cujo dia tradicionalmente consagrado em  Lisboa é 13 de Junho, dia em que Fernando Pessoa nasceu. Sua infância e adolescência foram marcadas por fatos que o  influenciariam posteriormente. Às cinco horas da manhã de 24 de  Julho, seu pai morre com 43 anos vítima de tuberculose. A morte é  reportada no Diário de Notícias do dia. Joaquim de Seabra Pessoa  deixou mulher, Pessoa com apenas cinco anos e seu irmão Jorge que  viria a falecer no outro ano sem chegar a completar um ano. A mãe  então se vê obrigada a leiloar parte da mobília e mudam­se para uma  casa mais modesta, o terceiro andar do n.º 104 da Rua de São  Marçal. É também nesse período que surge seu primeiro pseudónimo,  Chevalier de Pas, assim como seu primeiro poema, um poema curto com  a infantil epígrafe de À Minha Querida Mamã. Sua mãe casa­se pela  segunda vez em 1895 por procuração com o comandante João Miguel  Rosa, cônsul de Portugal em Durban (África do Sul), o qual havia  conhecido há um ano. Na África, viria a demonstrar possuir desde  cedo habilidades para a literatura.

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Em razão do casamento, muda­se com a mãe e um tio­avô para Durban,  onde passa a maior parte de sua juventude. Tendo que dividir a  atenção da mãe com os filhos do casamento e com o padrasto, Pessoa  se isola, o que lhe propiciava momentos de reflexão. Em Durban  recebe uma educação britânica, o que lhe proporciona um profundo  contato com a língua inglesa. Seus primeiros textos e estudos são  feitos em inglês. Mantém contato com a literatura inglesa através de  autores como Shakespeare, Edgar Allan Poe, John Milton, Lord Byron,  John Keats, Percy Shelley, Alfred Tennyson, entre outros. O inglês  teve grande destaque em sua vida, trabalhando com o idioma quando,  mais tarde, se torna correspondente comercial em Lisboa, além de  utilizar o idioma em alguns de seus escritos e traduzir trabalhos  de poetas ingleses, como “O Corvo” (The Raven) e Annabel Lee de  Edgar Allan Poe. Com excepção de Mensagem, os únicos livros  publicados em vida são os das coletâneas dos seus poemas ingleses:  Antinous e 35 Sonnets e English Poems I ­ II e III, escritos entre  1918 e 1921. Faz o curso primário na escola de freiras irlandesas da West  Street, onde realiza sua primeira comunhão e percorre em três anos  o equivalente a cinco. Em 1899 ingressa na Durban High School, onde  permanecerá durante três anos e será um dos primeiros alunos da  turma, no mesmo ano cria o pseudônimo Alexander Search, no qual  envia cartas a si mesmo utilizando esse nome. No ano de 1901 é  aprovado com distinção no seu primeiro exame da Cape Scholl High  Examination, escreve os primeiros poemas em inglês e parte com a  família para Portugal para reencontrar as famílias paterna (em  Tavira) e materna (na ilha Terceira). Um ano depois, a família  retorna para Lisboa e Pessoa volta sozinho para a África do Sul. Na  mesma época, tenta escrever romances em inglês. Percorre com  sucesso todos os graus de ensino em Durban e, em 1903, se candidata  à Universidade do Cabo da Boa Esperança. Na prova de exame para a  admissão, não obtém uma boa classificação, mas tira a melhor nota  entre os 899 candidatos no ensaio de estilo inglês. Recebe por isso  o Queen Victoria Memorial Prize (”Prémio Rainha Vitória”). Em 1904  encerra seus estudos na África.
Volta à Portugal e início de carreira

Deixando a família em Durban, regressou definitivamente à capital  portuguesa sozinho em 1905, onde passa a viver com uma tia. A mãe e  o padrasto também retornam para Lisboa e Pessoa volta a morar com  eles. Continua a produção de poemas em inglês e em 1906 matricula­ se no curso superior de Letras da Universidade de Lisboa, curso que  abandona sem nem completar o primeiro ano. É nesta época que entra  em contato com importantes escritores literatura da língua  portuguesa. Se interessa pela obra de Cesário Verde e pelos sermões 

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do Padre Antônio Vieira. Seus pais voltam para Durban e Fernando  começa a viver com a avó. Esta morre um tempo depois e lhe deixa  uma pequena herança. Passa a se dedicar à tradução de  correspondência comercial em um trabalho que poderíamos chamar de  “correspondente estrangeiro”. Nessa profissão trabalha a vida toda,  tendo uma modesta vida pública. Pessoa é internado no dia 29 de Novembro de 1935, no Hospital de  São Luís dos Franceses, vítima de uma crise hepática, se tratando  aparentemente de uma cirrose hepática provocado pelo óbvio excesso  de álcool ao longo da sua vida (a título de curiosidade acredita­se  que era muito fiel à aguardente “Águia Real”). No dia 30 de  Novembro morre aos 47 anos. Nos últimos momentos da sua vida pede  os óculos e clama pelos seus heterónimos. Sua última frase é  escrita no idioma no qual foi educado, o inglês: I know not what  tomorrow will bring (”Eu não sei o que o amanhã trará”).
Legado

Podemos dizer que a vida do poeta foi dedicada a criar e que, de  tanto criar, criou outras vidas através de seusheterônimos, o que  foi sua principal característica e motivo de interesse por sua  pessoa, aparentemente tão pacata. Alguns críticos questionam se  Pessoa realmente teria transparecido seu verdadeiro eu, ou se tudo  não tivesse passado de mais um produto de sua vasta criação. Ao  tratar de temas subjetivos e usar a heteronímia[1], Pessoa torna­se  enigmático ao extremo. Esse fato é o que move grande parte das  buscas para estudar sua obra. O poeta e crítico brasileiro  Frederico Barbosa declara queFernando Pessoa foi “o enigma em  pessoa”[2]. Escreveu desde sempre, com seu primeiro poema aos sete  anos e pondo­se a escrever até mesmo no leito de morte. Se  importava com a intelectualidade do homem, podendo­se dizer que sua  vida foi uma constante divulgação da língua portuguesa que. Nas  próprias palavras do poeta, ditas pelo heterônimo Bernardo Soares,  “minha pátria é a língua portuguesa”. Ou então, através de um  poema: Tenho o dever de me fechar em casa no meu espírito e trabalhar quanto possa e em tudo quanto possa, para o progresso da civilização e o alargamento da consciência da humanidade Analogamente a Pompeu que disse que “navegar é preciso; viver não é  preciso”, Pessoa diz, no poema Navegar é Preciso, que “viver não é  necessário; o que é necessário é criar”. Sobre Fernando Pessoa, o poeta mexicano ganhador do Nobel de  Literatura Octavio Paz diz que “os poetas não têm biografia. Sua  obra é sua biografia” e que, no caso do poeta português, “nada em 

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sua vida é surpreendente — nada, exceto seus poemas”. O crítico  literário estadunidense Harold Bloom considerou­o, no seu livro The  Western Canon (”O Cânone Ocidental”), o mais representativo poeta  do século XX, ao lado do chileno Pablo Neruda.[3] Na comemoração do centenário do seu nascimento em 1988, seu corpo  foi transladado para o Mosteiro dos Jerónimos, confirmando o  reconhecimento que não teve em vida.

Pessoa e o ocultismo Fernando Pessoa possuía ligações com o ocultismo e  o misticismo, salientando­se a Maçonaria e a Rosa­ Cruz   (embora   não   se   conheça   qualquer   filiação  concreta em Loja ou Fraternidade destas escolas de  pensamento),   havendo   inclusive   defendido  publicamente   as   organizações   iniciáticas,   no  Diário   de   Lisboa,   de   4   de   fevereiro   de   1935,  contra   ataques   por   parte   da   ditadura   do   Estado  Novo.   O   seu   poema   hermético   mais   conhecido   e  apreciado   entre   os   estudantes   de   esoterismo  intitula­se  “No   Túmulo   de   Christian   Rosenkreutz”.  Tinha   o   hábito   de   fazer   consultas   astrológicas  para   si   mesmo   (de   acordo   com   a   sua   certidão   de  nascimento,   nasceu   às   15h20;   tinha   ascendente  Escorpião e o Sol em Gémeos). Realizou mais de mil  horóscopos. Certa vez, lendo uma publicação inglesa do famoso  ocultista   Aleister   Crowley,   Fernando   encontrou  erros   no   horóscopo   e   escreveu   ao   inglês   para  corrigi­lo, já que era um conhecedor e praticante  da   astrologia,   conhecimentos   estes   que  impressionaram Crowley e, como gostava de viagens,  o   fizeram   ir   à   Portugal   para   conhecer   o   poeta.  Junto   com   ele   veio   a   maga   alemã   Miss   Jaeger   que  passou a escrever cartas a Fernando assinando com  um pseudônimo ocultista. O encontro não foi muito  amigável   em   via   dos   desequilíbrios   psíquicos   e  espirituais graves que Crowley tinha e ensinava.

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Confira a “Nota Autobiográfica” de Fernando Pessoa

No Túmulo de Christian Rosenkreutz

Quando, despertos deste sono, a vida, Soubermos o que somos, e o que foi Essa queda até corpo, essa descida Ate á noite que nos a Alma obstrui, Conheceremos pois toda a escondida Verdade do que é tudo que há ou flui? Não: nem na Alma livre é conhecida... Nem Deus, que nos criou, em Si a inclui Deus é o Homem de outro Deus maior: Adam Supremo, também teve Queda; Também, como foi nosso Criador, Foi criado, e a Verdade lhe morreu... De Além o Abismo, Sprito Seu, Lha veda; Aquém não há no Mundo, Corpo Seu. II Mas antes era o Verbo, aqui perdido Quando a Infinita Luz, já apagada, Do Caos, chão do Ser, foi levantada Em Sombra, e o Verbo ausente escurecido. Mas se a Alma sente a sua forma errada, Em si que é Sombra, vê enfim luzido O Verbo deste Mundo, humano e ungido, Rosa Perfeita, em Deus crucificada. Então, senhores do limiar dos Céus, Podemos ir buscar além de Deus O Segredo do Mestre e o Bem profundo; Não só de aqui, mas já de nós, despertos, No sangue actual de Cristo enfim libertos Do a Deus que morre a geração do Mundo.

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III Ah, mas aqui, onde irreais erramos, Dormimos o que somos, e a verdade, Inda que enfim em sonhos a vejamos, Vemo-la, porque em sonho, em falsidade. Sombras buscando corpos, se os achamos Como sentir a sua realidade? Com mãos de sombra, Sombras, que tocamos? Nosso toque é ausência e vacuidade. Quem desta Alma fechada nos liberta? Sem ver, ouvimos para além da sala De ser: mas como, aqui, a porta aberta? ....................................... Calmo na falsa morte a nós exposto, O Livro ocluso contra o peito posto, Nosso Pai Rosaecruz conhece e cala.

Todos estes ensinamentos herméticos, sejam em que filosofia religiosa ou escola de mistérios forem encontradas, são ensinamentos para alcançarmos o que chamamos de iluminação! Ao término do livro Voz do Silencio de HPB, foi colocado: “A Compaixão não é um atributo, É a Lei das Leis – a harmonia eterna, o próprio Ser de Alaya, (alma universal ou atma) uma essência universal sem praias, a luz da justiça eterna, o acordo de tudo, a lei do eterno amor. Quanto mais com ela te unificares, fundindo o teu ser no seu ser, tanto mais a tua Alma se unirá àquilo que é “Tanto mais te tornarás a Compaixão Absoluta.” Um atributo é uma qualidade, toda qualidade é adquirida. E compaixão não é um atributo. É uma Lei! Se nos colocarmos contrários a essa Lei,

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sofreremos as conseqüências tantas vezes quantas forem nossas reincidências. A cada degrau escalado, nos deparamos com inúmeros processos internos que nos jogam de um lado para outro. Nossa mente se confunde se movimenta desesperada, numa ânsia de encontrar o equilíbrio. A cada restauração desse equilíbrio outros fatores internos e externos do ser, lhe coloca a novas e duras provas. Esse trabalho todo é interno, pessoal e intransferível. Não haverá Mestre dizendo o que deve fazer! Você é que deverá encontrar a sua Voz no silêncio de si mesmo. Silenciar a mente, acalmar os sentidos, para ouvir a voz do seu silêncio interno, que é o seu Mestre verdadeiro, seu Mental Superior! Necessitamos entender urgentemente que não podemos no barulho do dia a dia em conjunto com os nossos ruídos mentais, ficarmos divagando nas possibilidades de que já fizemos isto ou aquilo e que por essas ou aquelas características já estamos em um determinado grau evolutivo! Necessitamos agir como discípulos, agora! Exercitar esse discipulado com a certeza de que esse exercício em nada nos fará mal! Aprender a conviver com a Lei máxima que é a da compaixão em nosso dia a dia, sem que nos deixemos influenciar pela Mente barulhenta que nos ilude e tenta nos levar a estagnação da ação! (carma). Antes de valorizarmos tanto os conhecimentos do cérebro, busquemos primeiramente o nosso autoconhecimento, e a nossa voz interior. Porque o conhecimento do cérebro sem sabedoria não faz brilhar o ser superior e gera a dor. Entretanto esse todo de conhecimento que desejamos estará a nossa disposição, depois que atingirmos o nosso autoconhecimento, porque os registros akhasicos estarão disponíveis gradualmente, todos poderão acessá-lo! Faremos o retorno ao corpo físico e certamente aprenderemos com muita maior facilidade o que num passado remoto nos custou anos e anos de estudo! Necessitamos sim de conhecimento, mas nada que nos torne escravos de uma busca infinita para satisfazer nosso cérebro físico! “Buscai em
primeiro lugar o Reino de Deus e o resto vos será dado por acréscimo!”

Esta frase passa a fazer mais sentido agora. Onde está o Reino de Deus na terra, se não em nosso próprio interior? Não é um local físico circunscrito, é como um arquivo fechado por senhas, chaves, mas que somente pode ser acessado fazendo um olhar interno, através de nosso próprio ser. A cada nova experiência, um código nós na medida em que temos condições internas até chegarmos a formação da senha completa. Mas não nos iludamos em achar que podemos ouvir essa voz interna e silenciosa em dias de festas ou alegrias mundanas (maya). Essa voz manifesta-se nos dias de maiores tribulações que talvez ainda não tenhamos vivido, e vai depender muito de sua ação diante dessas dores que fará

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escutaremos ou não, “dos lábios da sabedoria com os ouvidos do entendimento”!
Texto de GURIA-POARS

Alguém enviou por e-mail: Inscrição do Templo de Delfos - Grécia "Advirto, seja quem fores! Ó tu, que desejas sondar os arcanos da natureza; se não achares dentro de ti aquilo que procuras, também não poderás encontrar fora. Se tu ignoras as excelências de tua própria casa, como pretende encontrar outras excelências? Em ti está oculto o tesouro dos tesouros."
“Nesses templos, havia os iniciados nos antigos mistérios que eram conhecidos como "oráculos", os oráculos eram os sensitivos que realizavam as predições baseados na experiência mística, com os mais diversos fins. Praticamente em todos os povos nós encontramos pessoas (sensitivos) e lugares (templos) com objetivos e fins similares ao de Delfos. Voltando ao Oráculo de Delfos, esse proclamou o ateniense Sócrates (um dos mais importantes ícones da tradição filosófica ocidental) o homem mais sábio da Grécia, e finalmente o ponto onde queria chegar, Sócrates respondeu que caso isso fosse realmente verdade (e acreditamos que fosse), tal proclamação devia-se UNICAMENTE ao fato dele ser o único que estava ciente da sua própria ignorância, ou seja, caímos novamente no famoso lema do Templo de Delfos, "conhece-te a ti mesmo".

http://www.lojadharma.org.br/

O Verdadeiro Trabalho Oculto Teosófico
Alfredo Puig Figueroa

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Através dos anos, em algumas ocasiões, temos escutado de alguns novos membros, depois de seu ingresso, expressões de surpresa ao constatarem que não se fazia “trabalho oculto” na Loja Teosófica, como eles esperavam. Frases como: “o fazer um trabalho oculto”, “receber ensinamentos esotéricos”, “obter a clarividência”, “desenvolver a kundalini”, “despertar os chacras”, etc., representam o reflexo de um desejo vago e indefinido de se encontrar algo misterioso, algo completamente diferente do ritmo de nossas vidas rotineiras e aborrecidas. Muitas vezes se concebem quadros mentais com a imaginação, nos quais se espera participar de cerimoniais especiais, com personagens vestidos com largas túnicas e sentados em círculo, reunidos em alguma gruta secreta e efetuando atos de magia onde vamos ser “iniciados”. Esses conceitos significam um enfoque errôneo de nossa parte, quando estamos buscando “coisas especiais” que satisfaçam nossas ambições pessoais e egoístas. Sem dúvida, a maioria de nós algumas vezes pode não se dar conta da maravilhosa magia coletiva que é possível fazermos aqui e agora, em nossa própria Loja Teosófica, em favor de toda a Humanidade, se é que verdadeiramente queremos fazê-lo. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! Algo que teremos que ter sempre presente é que viemos à Sociedade Teosófica para dar e não para receber, diferentemente da atitude comum que predomina no mundo externo. Sabemos ser uma lei da vida que é dando que verdadeiramente se recebe. Alguns pensam que têm pouco com que eles possam contribuir, sentem-se débeis e até desamparados. Se considerarmos que cada um de nós é um teósofo sincero que, apesar das limitações e debilidades pessoais, estamos tratando de superar nossas diferenças e que temos o propósito firme e sincero de

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nos convertermos em um servidor daqueles Santos Seres que nos trouxeram à Sua Sociedade, então nosso enfoque é diferente e mais real. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! Lembremos que um grupo de teósofos, (a partir de sete membros), constitui uma Loja Teosófica, a qual tem suas reuniões geralmente uma vez por semana, e quando olhamos o fuso horário que rege o mundo sabemos que, quando num país é noite, num outro é dia, e como nós teósofos trabalhamos em grupo, nas nossas respectivas Lojas Teosóficas as quais pertencemos, nós mantemos o fluxo de uma corrente constante de pensamentos, constituídos de vibrações elevadas de ideais espirituais e de propósitos fraternais, o que tende a melhorar a atmosfera mental do mundo e a elevar aqueles que são capazes de responder a esta influência especial. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! Por acaso não se pode considerar uma oportunidade e um privilégio o que se nos oferece de contribuir com nossa pequena corrente de pensamentos de boa vontade a esta poderosa torrente que coletivamente projetamos sobre o mundo para fortalecer todo propósito nobre, todo ideal elevado, toda obra justa? Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! Tratemos em todo momento de utilizar nosso poder de visualização e imaginemos o lugar onde se encontra cada teósofo no mundo; vivendo uma vida de serviço, esforçando-se por não causar mal a ninguém, não infligindo crueldade, socorrendo o desvalido, confortando o atribulado; cheio de amor em pensamento, emoção, palavra e obra por convicção própria, não por simples obediência. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico!

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Nós, teósofos, devemos ser pessoas que se entregam de coração e alma, com todas as nossas energias disponíveis, a uma vida dedicada inteiramente a convertermos em auxiliares dos Mestres de Sabedoria e Compaixão, pois toda labor deve ser um sacrifício prazeroso e um serviço desinteressado e, ainda que tenhamos diferenças de pontos de vista sobre determinados assuntos, ainda que nosso nível de desenvolvimento não seja igual, contudo, aqui e agora, no trabalho da Sociedade Teosófica, nós estamos estreitamente unidos em um poderoso ideal comum, o da Fraternidade Universal de toda a Humanidade. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! A influência poderosa que se pode irradiar de um grupo constituído deste modo, quando cada um dos corações de seus integrantes está impregnado de um ideal elevado de amor, de unidade, de paz e de serviço, torna-se uma força tremenda de luz e de benções que o mundo necessita agora mais do que nunca. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! Estudamos no livro O Homem, como e de onde veio e para onde vai?, da Dra. Annie Besant e do Sr. C. W. Leadbeater, na Atlântida, que por meio do conhecimento de magia que aquela raça possuía, criaram-se deliberadamente poderosos elementais de pensamento, bons e maus, e nos foi dito que alguns deles ainda estão vivos e se encontram ativos. Com nosso egoísmo, ódio e crueldade nós fortalecemos os elementais do mal que existem e que são utilizados como forças destrutivas do Karma de homens e nações em forma de terremotos, furacões, tsunamis, câmbios drásticos do clima e outros desastres naturais que estão tendo lugar no mundo. Com nosso amor e desinteresse, com o nosso espírito de serviço, com o nosso ideal da fraternidade nós

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fortalecemos os elementais do bem, que são utilizados como forças construtivas do Karma para auxiliar homens e nações no cumprimento de seus destinos e as quais contribuem para “elevar um pouco do pesado Karma que oprime o mundo”. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! Temos que considerar que nós como teósofos, em nosso trabalho coletivo em uma Loja Teosófica, criamos nos mundos internos uma Entidade de enorme poder, à qual chamamos o Deva da Loja, que irradia sua força benfazeja no lugar onde existe e sobre todo o Universo. Se imaginarmos o que significaria unir todos os Devas individuais das Lojas Teosóficas do mundo, para formar o Deva internacional da Sociedade Teosófica, quanta felicidade e quanta luz estar-se-iam derramando sobre o mundo. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! Por isso não seria difícil compreender que, apesar de sermos poucos quantitativamente, só alguns milhares de homens e mulheres em um mundo composto aproximadamente por sete bilhões de habitantes, ainda assim, qualitativamente, somos uma força enorme para o bem, para a justiça e para a fraternidade. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! Por isso se requer, no nível individual, uma compreensão plena do poder criativo de que dispomos e que podemos utilizar; assim como, no nível coletivo, se nos oferece uma oportunidade para fortalecer os laços de um estreitamento cada vez maior da amizade e da unidade que nos unem no trabalho comum de cada Loja Teosófica. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico!

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É necessário lembrar constantemente o ideal comum que todos compartilhamos, que é o viver cada dia com maior fidelidade, ajustados a esse elevado ideal da fraternidade, para que se reflita cada vez mais com maior força ainda nas tarefas mais humildes e simples de nossas vidas diárias, não importa quão monótona possam parecer. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! Nós, membros da Sociedade Teosófica, temos um traço característico que nos distingue, que é dispormos de uma visão ampla sobre a importância que representa o Primeiro Objetivo da Sociedade Teosófica: “Formar um núcleo da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, crença, sexo casta ou cor”. Esta visão nos chegou por meio da compreensão que temos adquirido da Teosofia. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! É certo que alguns de nós talvez já tivemos uma visão ou um vislumbre dessa Verdade ainda antes de chegarmos à Sociedade Teosófica, também é possível que inclusive já o tenhamos tido desde vidas anteriores, o que se manifesta como uma coraçonada ou um pressentimento de se perceber uma verdade que nos é familiar e já conhecida como tal. Essa visão, porém, de se compreender o objetivo de trabalhar pela Fraternidade, tem que se converter num incentivo em nossas vidas, assim como em uma entrega pessoal cada vez maior. Nesse processo, se nós queremos verificar se vamos pelo caminho correto, sem desviarmos da meta que nos traçamos, um elemento da maior importância é conhecer nossa motivação. A motivação é sempre muito importante e, no nosso caso, a motivação deve ser sempre a de dar e não a de receber. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico!

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Quanto mais formos nos elevando ou adentrando, passo a passo, nas grandes verdades espirituais, devemos nos distinguir cada vez mais pelo fato de que nos vamos entregando ao serviço em uma proporção cada vez maior, e sentir de forma pujante a necessidade de nos entregarmos de uma maneira completa e desinteressada ao serviço dos Mestres de Sabedoria e Compaixão. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! Desse modo, vemos que uma característica que se acentua dia-a-dia em nossas vidas é a de esquecermo-nos de nós mesmos e de tudo o que nos diz respeito no nível pessoal: ambições, desejos, descanso, etc. Em troca começa a se destacar, de modo proeminente, o sentimento do deleite que vem à nossa existência por nossa devoção na entrega total ao serviço e nossa decisão definida de colaborar com o Plano Divino. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! Portanto, ainda nos níveis inferiores, qualquer motivação nossa que possa conter algum elemento de interesse pessoal, interromperá nosso desenvolvimento espiritual; enquanto que toda motivação que compreenda pureza de intenção, altruísmo total, dedicação abnegada, nós auxiliará em nosso desenvolvimento e, por isso, são de uma importância essencial. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! Lembremos que o Mestre Hilarion nos diz o seguinte, numa Nota, no livro Luz no Caminho, de Mabel Collins (Editora Teosófica, 2000, p. 32) : “O artista puro que trabalha por amor à sua obra está às vezes mais firmemente colocado no caminho correto do que o ocultista que imagina ter removido seu interesse de si mesmo, mas que na realidade, só ampliou os limites de experiência e de desejo e transferiu seu interesse para coisas relativas a uma dimensão maior da vida”.

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Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! Todos nós sabemos que se pode chegar ao caminho que conduz à Meta por meio de duas sendas. Uma é chamada à senda direta e a outra é a senda indireta. Vou referir-me brevemente à segunda, à senda indireta que é aquela que recebe o homem que, todavia, não é perfeito, que tem suas fraquezas e falhas, mas que, não obstante, é utilizado em certa proporção para o trabalho dos Mestres e que chega à perfeição pelo trabalho que faz. Essa é a senda que muitos escolheram, a Senda do Discipulado, mas não para chegar e ele, o Discipulado, através da contínua contemplação de um ideal de perfeição e de concentrar-se somente nisso, e sim melhor atentar para o fato de que somos parte da Humanidade, que ela está necessitada de todo tipo de ajuda, por modesta que seja, que nos anima uma grande compaixão para aliviar o sofrimento de todas as criaturas, e por isso, apesar de nossas fraquezas, nos entregamos com amor ao trabalho de instruir os demais com o mel da Sabedoria Divina para fazer com que as trevas no mundo sejam menos densas, que brilhe com maior fulgor “... a Luz verdadeira que ilumina todo homem que vem ao mundo”. (São João, I, 9). Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! Esse é o caminho da Sociedade Teosófica e o caminho do ocultismo verdadeiro. Se pudermos definir o ocultismo verdadeiro com palavras, estas seriam: Serviço, Sacrifício e Renunciação; porque o verdadeiro ocultista é aquele que está sempre trabalhando, que tem seu tempo todo ocupado, que busca todo tipo de enfoque, toda classe de virtudes que pode cultivar, porém sempre com o objetivo de estar cada vez mais capacitado para realizar um serviço mais amplo e melhor, que seja eficiente e satisfatório em todas as ocasiões.

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Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! Esse tipo de trabalho, útil e desinteressado, que estamos descrevendo, é a nota chave da Sociedade Teosófica. Enquanto usarmos essas palavras chaves: Serviço, Sacrifício e Renunciação nós podemos afirmar que a Sociedade Teosófica é como uma escola ou como um laboratório, no qual nos capacitamos para que possamos ser mais eficientes em todo tipo de trabalho. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! Se às palavras Serviço, Sacrifício e Renunciação são nossas notas chaves, nós devemos acrescentar que estas não podem ser realizadas de forma isolada ou pessoal, mas preferencialmente em grupo, em equipe, e sempre sob a inspiração dos Mestres de Sabedoria e Compaixão, que são os grandes exemplos de oferecer em todo momento um trabalho coordenado em favor do mundo, que é a característica essencial que distingue à Grande Fraternidade Branca, a Hierarquia que constitui o Governo Interno do Mundo. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! De modo que uma tarefa difícil que temos que aprender é a de trabalhar coletivamente, em grupo, e sob a inspiração do nosso Mestre, e para isso a busca Dele se converte em um elemento essencial de nosso crescimento oculto, porque verdadeiramente O encontramos somente por meio do serviço que realizamos em Seu Nome. A forma mais rápida de nos colocarmos em comunhão com o nosso Mestre é tratando de encontrar os meios para nós fazermos cada dia mais perfeitos e mais dedicados ao trabalho que devemos desenvolver, para poder cooperar eficientemente como auxiliares na parte do Plano Divino que corresponde a cada um d’Eles. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico!

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Quando efetuamos um trabalho nobre e desinteressado, em favor de um grande ideal de serviço, é como se acendêssemos uma luz no meio da escuridão e o Mestre a distingue nas trevas do mundo; e sempre que fizermos um trabalho como uma oferenda em Seu Nome, Ele a aceita e a aprecia; Ele pode ajudar-nos mais oferecendo-nos uma visão mais ampla do trabalho que temos que fazer e uma maior simpatia, à medida que o fazemos. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! Algumas vezes a resposta do Mestre ao nosso trabalho é inesperada, como, por exemplo, quando terminamos um bom trabalho, nos é oferecida como prêmio uma tarefa ainda maior para realizarmos, o que constitui uma lisonja de Sua parte. Ele pode também responder ao nosso esforço tornando-nos mais fortes para enfrentarmos nosso Karma pessoal. Ainda que muitos tenham lutado denodadamente durante anos, às vezes pode parecer que tenham conseguido muito pouco do ponto de vista oculto. Entretanto, se têm sido capazes de manteremse firmes em seus postos de trabalho nas Lojas Teosóficas, talvez chegarão a se dar conta de que essa firmeza, essa sensibilidade, esse sentimento de fidelidade, todos esses elementos em conjunto constituem a resposta do Mestre ao trabalho que se realizou em Seu Nome. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! Outra das formas que o Mestre responde aos esforços que são feitos é quando nos é oferecida uma visão mais ampla das possibilidades que existem dentro do próprio trabalho. Ele facilita que se tenha uma imaginação mais ampla e uma intuição maior que indique o caminho correto. Assim, quando se concebem novas linhas de trabalho teosófico, quando alguém se sente inflamado com iniciativas na Loja Teosófica é porque o Mestre ampliou nossos horizontes mentais para que Seu trabalho seja feito de maneira

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mais eficiente e satisfatória. É por isso que vemos facilmente estas novas oportunidades; porque realmente com essa visão chega uma oferenda cada vez maior de trabalho que vem do próprio Mestre, essa é a Sua resposta a nossos esforços. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! Finalmente, temos que estar sempre vigilantes para não procurarmos nenhum tipo sutil de recompensa. Se nós pudéssemos afirmar que existe somente um pecado para o teósofo, diríamos que esse pecado é o de buscar alguma recompensa, algum reconhecimento pelo trabalho que ele realiza. Não devemos nos sentir desanimado nem desencorajado quando ninguém reconhece nem leva em conta o trabalho desinteressado que se está realizando, porque nada passa inadvertidamente para o Mestre e o que é importante é que Ele sabe o que cada um faz. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! Se estudarmos cuidadosamente o que é um Mestre de Sabedoria e Compaixão, qual é o Seu trabalho, como é, inclusive, Sua vida diária, teremos a certeza de que Ele está por trás de todo trabalho que realizamos em Seu Nome. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! É indispensável acostumarmo-nos a que o coração se deleite na realização de todo trabalho impessoal, sem preocupações de nenhum tipo a respeito de quais serão os resultados, com a certeza de que o Mestre tudo o conhece e tudo o sabe, só então se desvanecerá a ansiedade de considerarmos necessária uma recompensa ou de estarmos à procura de um reconhecimento. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! Observemos que com o serviço que prestamos, ainda que humilde, podemos aliviar um pouco do sofrimento

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do mundo, somos capazes de ajudar alguém aqui e ali, tornamos mais felizes um ancião ou uma criança, levamos consolo a um enfermo, damos um conselho amoroso àquele que sofre. Todo esse trabalho pelo qual estamos rodeados são as oportunidades que devem servir para poder estarmos cheios de inspiração, porque estas são as diretrizes gerais a seguir de todos os verdadeiros ocultistas. Este é o verdadeiro trabalho oculto teosófico! Com freqüência se tem assinalado que a Sociedade Teosófica, em geral, e cada Loja Teosófica, em particular, constituem um canal para o uso dos Mestres, um veículo para a Grande Fraternidade Branca. Acaso não terá chegado agora o momento de que compreendamos o que é que realmente significa esta afirmação? Por que... teosófico! Este é o verdadeiro trabalho oculto

Brasília/DF, dezembro de 2005.

Autoconhecimento
J. Krishnamurti Palestra realizada em

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Ojai, Califórnia, EUA, 1944.

O pensar correto não é para ser descoberto através dos livros, através do assistir a umas poucas palestras, ou por escutar meramente algumas idéias de pessoas sobre o que é o pensar correto. O pensar correto é para ser descoberto por nós mesmos através de nós mesmos. O pensar correto vem com o autoconhecimento. Sem autoconhecimento não existe pensar correto. Sem conhecer-se a si mesmo, o que você pensa e o que sente não pode ser verdadeiro. A raiz de todo entendimento encontra-se no entendimento de si mesmo. Se você pode descobrir quais são as causas de seu pensamento-sentimento, e a partir desta descoberta, saber como pensar-sentir, então existe o começo do entendimento. Sem conhecer-se a si mesmo, a acumulação de idéias, a aceitação de crenças e teorias não têm base. Sem conhecer-se a si mesmo, você sempre será pego na incerteza, dependendo do humor, das circunstâncias. Sem entender-se a si mesmo completamente, você não pode pensar corretamente. Com certeza isto é óbvio. Se eu não sei quais são os meus motivos, minhas intenções, meu "background" (fundo), meus pensamentos-sentimentos particulares, como é que posso concordar ou discordar de outra pessoa? Como posso avaliar ou estabelecer minha relação com outra pessoa? Como posso descobrir qualquer coisa da vida se não conheço a mim mesmo? E conhecer a mim mesmo é uma tarefa enorme, que requer observação constante, uma vigilância meditativa. Esta é nossa primeira tarefa, mesmo antes do problema da guerra e da paz, dos conflitos econômicos e sociais, da morte e da imortalidade. Estas questões vão surgir, elas hão de surgir, mas na descoberta de nós mesmos, no entendimento de nós mesmos, estas questões serão respondidas corretamente. Assim, aqueles que são realmente sérios nestas questões devem começar por eles mesmos, a fim de entender o mundo do qual são uma parte. Sem entender-se a si mesmo você não pode entender o todo. O autoconhecimento é o começo da sabedoria. É cultivado pela busca individual de si mesmo. Não estou colocando o indivíduo em oposição à massa (ao coletivo). Eles não são antíteses. Você, o indivíduo, é a massa, é o resultado da massa. Se entrar dentro disto profundamente, você irá descobrir por si mesmo. que você é tanto o coletivo quanto o individual. É como um córrego que está constantemente fluindo, deixando pequenos redemoinhos, e a estes redemoinhos chamamos de individualidade, mas eles são o resultado desse constante fluxo de água. Seus pensamentos-sentimentos, aquelas atividades

56 mentais-emocionais, não são o resultado do passado, do que chamamos a multiplicidade? Você não tem pensamentossentimentos similares aos do seu vizinho? Assim, quando falo de indivíduo, não o estou colocando em oposição à massa, ao coletivo. Ao contrário, quero remover este antagonismo. Este antagonismo que coloca em oposição a massa e você, indivíduo, cria confusão e conflito, crueldade e miséria. Mas se pudermos entender como o indivíduo, você, é parte do todo, não apenas misticamente, mas realmente, então nos libertaremos de modo feliz e espontâneo, da maior parte do desejo de competir, de ter sucesso, de iludir, de oprimir, de ser cruel, ou de se tomar um seguidor ou um líder. Então veremos o problema da existência de modo diferente. E é importante entender isto profundamente. Enquanto nos virmos como indivíduos, separados do todo, competindo, obstruindo, em oposição, sacrificando o coletivo pelo particular, ou sacrificando o particular pelo coletivo, todos aqueles problemas que surgem deste conflitante antagonismo não terão solução feliz e duradoura, pois são o resultado do pensar-sentir incorreto. Agora, quando falo sobre o indivíduo, não o estou colocando em oposição à massa. O que eu sou? Sou um resultado - sou o resultado do passado, de inúmeras camadas do passado, de uma série de causas-efeitos. E como posso estar em oposição ao todo, ao passado, quando sou o resultado daquilo tudo? Se eu, que sou a massa (o coletivo), se não entender a mim mesmo, não apenas entender o que está fora da minha pele, objetivamente, mas subjetivamente, dentro da pele, como posso entender outra pessoa, o mundo? Entender a si mesmo requer desapego amável e tolerante. Se você não entender a si mesmo, não entenderá nada mais. Pode ter grandes ideais, crenças e fórmulas, mas elas não terão realidade. Serão enganos. Assim, você deve conhecer-se a si mesmo para entender o presente - e através do presente, o passado. Do presente conhecido, as camadas escondidas do passado são descobertas, e esta descoberta é libertadora e criativa. O autoconhecimento requer um estudo objetivo, amável, desapaixonado de nós próprios - nós próprios sendo o organismo como um todo, nosso corpo, nossos sentimentos, nossos pensamentos. Eles não estão separados, mas interligados. É somente quando entendemos o organismo como um todo que podemos ir além – e podemos descobrir coisas mais adiante, maiores, mais vastas. Mas sem este entendimento primário, sem colocar o alicerce correto para o pensar correto, não podemos prosseguir para alturas maiores. Torna-se essencial produzir em cada um de nós a capacidade de descobrir o que é verdadeiro, pois o que é descoberto é libertador, criativo. Pois o que é descoberto é verdadeiro. Ou seja, se meramente nos conformarmos a um padrão do que deveríamos ser, ou cedermos a um anseio, produziremos certos

57 resultados conflitantes, confusos. Mas no processo do nosso estudo de nós mesmos, estamos numa viagem de autodescoberta, o que traz alegria. Existe uma certeza no pensar-sentir negativo em vez do pensar-sentir positivo. De uma maneira positiva supomos o que somos, ou cultivamos positivamente nossas idéias em relação a outras pessoas, ou em relação a nossas próprias formulações. E, portanto, dependemos de autoridade, de circunstâncias, esperando com isto estabelecer uma série de idéias e ações positivas. Ao passo que se você examina, verá que existe concordância na negação; existe certeza no pensar negativo, que é a mais alta forma de pensar. Quando você descobrir a negação verdadeira e a concordância na negação, então poderá construir mais adiante no positivo. A descoberta que reside no autoconhecimento é árdua, pois o começo e o fim estão em nós. Buscar felicidade, amor, esperança fora de nós, leva-nos à ilusão, ao sofrimento; encontrar felicidade, paz, alegria dentro (de nós) requer autoconhecimento. Somos escravos das pressões imediatas e exigências do mundo, e somos desviados por tudo isso e dissipamos nossas energias em tudo isso, e assim temos pouco tempo para estudar a nós mesmos. Estarmos profundamente cientes de nossos motivos, de nossos desejos de alcançar, de vir-a-ser, exige constante atenção interna. Sem o entendimento de nós mesmos, mecanismos superficiais de reforma social e econômica, mesmo que necessários e benéficos, não irão produzir unidade no mundo, mas somente maior confusão e miséria. Muitos de nós pensamos que a reforma econômica de uma ou outra forma vai trazer paz ao mundo; ou que a reforma social, ou uma religião especializada conquistando todas as outras vai trazer felicidade ao homem. Acredito que haja algo como oitocentas ou mais seitas religiosas neste país, cada uma competindo, fazendo proselitismo. Vocês pensam que uma religião competitiva vai trazer paz, unidade e felicidade à humanidade? Pensam que qualquer religião especializada seja o Hinduísmo, o Budismo ou o Cristianismo, vai trazer paz? Ou devemos colocar de lado todas as religiões especializadas e descobrir a realidade por nós mesmos? Quando vemos o mundo explodido por bombas e sentimos os horrores que estão acontecendo nele; quando o mundo está fragmentado por religiões, nacionalidades, raças e ideologias separadas, qual é a resposta a tudo isso? Não podemos apenas continuar vivendo uma vida curta e morrendo - e esperar que algum bem, advenha disso. Nós não podemos deixar isso para os outros – trazer felicidade e paz à humanidade, pois a humanidade é nós mesmos, cada um de nós. Aonde se encontra a solução, senão em nós mesmos? Descobrir a resposta real requer profundo pensamentosentimento e poucos de nós estão dispostos a resolver essa miséria. Se cada um de nós considerar esse problema como

58 jorrando de dentro - e não ser meramente conduzido nessa confusão e miséria pavorosa, então iremos encontrar uma resposta simples e direta. No estudo e, assim, no entendimento de nós mesmos, virá claridade e ordem. E só pode haver claridade no autoconhecimento, que nutre o pensar correto. O pensar correto vem antes da ação correta. Se nos tornarmos conscientes de nós mesmos e assim cultivarmos o autoconhecimento de onde jorra o pensar correto, então criaremos um espelho em nós que refletirá, sem distorções, todos os nossos pensamentos-sentimentos. Estar assim autoconscientes é extremamente difícil, já que nossas mente estão acostumadas a divagar e a estar distraídas. Suas divagações, suas distorções são de seu próprio interesse, suas próprias criações. No entendimento disto - e não meramente colocando isto de lado – vem o autoconhecimento e o pensar correto. É apenas por inclusão e não por exclusão, não por aprovação ou condenação ou comparação, que vem o entendimento.

Autoconhecimento
J. Krishnamurti Palestra realizada em Ojai, Califórnia, EUA,1944.

Em meio a tanta confusão e sofrimento, é essencial encontrar um entendimento criativo de nós mesmos, pois sem ele nenhum relacionamento é possível. Somente através do pensar correto pode haver entendimento. Nem líderes, nem um novo conjunto de valores, nem um projeto pode produzir este entendimento criativo; somente através do nosso próprio esforço correto pode haver entendimento correto. Como é possível então encontrar este entendimento essencial? De onde começaremos a descobrir o que é real, o que é verdadeiro, em toda essa conflagração (Conflagração da segunda guerra mundial.), confusão e miséria? Não é importante descobrirmos por nós mesmos como pensar corretamente sobre a guerra e a paz, sobre a condição econômica e social, sobre nosso relacionamento com os nossos companheiros? Certamente existe uma diferença entre o pensar correto e o pensamento correto e condicionado. Podemos ser capazes de produzir em nós mesmos pensamento correto imitativamente, mas tal pensamento não é o pensar correto. O pensamento correto / condicionado é não-criativo. Mas quando

59 soubermos como pensar corretamente por nós mesmos - que é ser vivo, dinâmico - então é possível produzir uma cultura nova e mais feliz. Gostaria de, durante estas palestras, desenvolver o que me parece ser o processo do pensar correto, para que cada um de nós seja realmente criativo - e não meramente fechado em uma série de idéias e preconceitos. Como vamos então começar a descobrir por nós mesmos o que é o pensar correto? Sem o pensar correto não é possível a felicidade. Sem o pensar correto, nossas ações, nosso comportamento, nossos afetos, não têm base. O pensar correto não é para ser descoberto através dos livros, através do assistir a umas poucas palestras, ou por escutar meramente algumas idéias de pessoas sobre o que é o pensar correto. O pensar correto é para ser descoberto por nós mesmos através de nós mesmos. O pensar correto vem com o autoconhecimento. Sem autoconhecimento não existe pensar correto. Sem conhecer-se a si mesmo, o que você pensa e o que sente pode não ser verdadeiro. A raiz de todo entendimento encontra-se no entendimento de si mesmo. Se você pode descobrir quais são as causas de seu pensamentosentimento, e a partir desta descoberta, saber como pensarsentir, então existe o começo do entendimento. Sem conhecerse a si mesmo, a acumulação de idéias, a aceitação de crenças e teorias não têm base. Sem conhecer-se a si mesmo, você sempre será pego na incerteza, dependendo do humor, das circunstâncias. Sem entender-se a si mesmo completamente, você não pode pensar corretamente. Com certeza isto é óbvio. Se eu não sei quais são os meus motivos, minhas intenções, meu "background" (fundo), meus pensamentos-sentimentos particulares, como é que posso concordar ou discordar de outra pessoa? Como posso avaliar ou estabelecer minha relação com outra pessoa? Como posso descobrir qualquer coisa da vida se não conheço a mim mesmo? E conhecer a mim mesmo é uma tarefa enorme, que requer observação constante, uma vigilância meditativa. Esta é nossa primeira tarefa, mesmo antes do problema da guerra e da paz, dos conflitos econômicos e sociais, da morte e da imortalidade. Estas questões vão surgir, elas hão de surgir, mas na descoberta de nós mesmos, no entendimento de nós mesmos, estas questões serão respondidas corretamente. Assim, aqueles que são realmente sérios nestas questões devem começar por eles mesmos, a fim de entender o mundo do qual são uma parte. Sem entender-se a si mesmo você não pode entender o todo.

60 O autoconhecimento é o começo da sabedoria. É cultivado pela busca individual de si mesmo. Não estou colocando o indivíduo em oposição à massa (ao coletivo). Eles não são antíteses. Você, o indivíduo, é a massa, é o resultado da massa. Se entrar dentro disto profundamente, você irá descobrir por si mesmo. que você é tanto o coletivo quanto o individual. É como um córrego que está constantemente fluindo, deixando pequenos redemoinhos, e a estes redemoinhos chamamos de individualidade, mas eles são o resultado desse constante fluxo de água. Seus pensamentos-sentimentos, aquelas atividades mentais-emocionais, não são o resultado do passado, do que chamamos a multiplicidade? Você não tem pensamentossentimentos similares aos do seu vizinho? Assim, quando falo de indivíduo, não o estou colocando em oposição à massa, ao coletivo. Ao contrário, quero remover este antagonismo. Este antagonismo que coloca em oposição a massa e você, indivíduo, cria confusão e conflito, crueldade e miséria. Mas se pudermos entender como o indivíduo, você, é parte do todo, não apenas misticamente, mas realmente, então nos libertaremos de modo feliz e espontâneo, da maior parte do desejo de competir, de ter sucesso, de iludir, de oprimir, de ser cruel, ou de se tornar um seguidor ou um líder. Então veremos o problema da existência de modo diferente. E é importante entender isto profundamente. Enquanto nos virmos como indivíduos, separados do todo, competindo, obstruindo, em oposição, sacrificando o coletivo pelo particular, ou sacrificando o particular pelo coletivo, todos aqueles problemas que surgem deste conflitante antagonismo não terão solução feliz e duradoura, pois são o resultado do pensar-sentir incorreto. Agora, quando falo sobre o indivíduo, não o estou colocando em oposição à massa. O que eu sou? Sou um resultado - sou o resultado do passado, de inúmeras camadas do passado, de uma série de causas-efeitos. E como posso estar em oposição ao todo, ao passado, quando sou o resultado daquilo tudo? Se eu, que sou a massa (o coletivo), se não entender a mim mesmo, não apenas entender o que está fora da minha pele, objetivamente, mas subjetivamente, dentro da pele, como posso entender outra pessoa, o mundo? Entender a si mesmo requer desapego amável e tolerante. Se você não entender a si mesmo, não entenderá nada mais. Pode ter grandes ideais, crenças e fórmulas, mas elas não terão realidade. Serão enganos. Assim, você deve conhecer-se a si mesmo para entender o presente - e através do presente, o passado. Do presente conhecido, as camadas escondidas do passado são descobertas, e esta descoberta é libertadora e criativa.

61 O autoconhecimento requer um estudo objetivo, amável, desapaixonado de nós próprios - nós próprios sendo o organismo como um todo, nosso corpo, nossos sentimentos, nossos pensamentos. Eles não estão separados, mas interligados. É somente quando entendemos o organismo como um todo que podemos ir além - e podemos descobrir coisas mais adiante, maiores, mais vastas. Mas sem este entendimento primário, sem colocar o alicerce correto para o pensar correto, não podemos prosseguir para alturas maiores. Torna-se essencial produzir em cada um de nós a capacidade de descobrir o que é verdadeiro, pois o que é descoberto é libertador, criativo. Pois o que é descoberto, é verdadeiro. Ou seja, se meramente nos conformarmos a um padrão do que deveríamos ser, ou cedermos a um anseio, produziremos certos resultados conflitantes, confusos. Mas no processo do nosso estudo de nós mesmos, estamos numa viagem de autodescoberta, o que traz alegria. Existe uma certeza no pensar-sentir negativo em vez do pensar-sentir positivo. De uma maneira positiva supomos o que somos, ou cultivamos positivamente nossas idéias em relação a outras pessoas, ou em relação a nossas próprias formulações. E, portanto, dependemos de autoridade, de circunstâncias, esperando com isto estabelecer uma série de idéias e ações positivas. Ao passo que se você examina, verá que existe concordância na negação; existe certeza no pensar negativo, que é a mais alta forma de pensar. Quando você descobrir a negação verdadeira e a concordância na negação, então poderá construir mais adiante no positivo. A descoberta que reside no autoconhecimento é árdua, pois o começo e o fim estão em nós. Buscar felicidade, amor, esperança fora de nós, leva-nos à ilusão, ao sofrimento; encontrar felicidade, paz, alegria dentro (de nós) requer autoconhecimento. Somos escravos das pressões imediatas e exigências do mundo, e somos desviados por tudo isso e dissipamos nossas energias em tudo isso, e assim temos pouco tempo para estudar a nós mesmos. Estarmos profundamente cientes de nossos motivos, de nossos desejos de alcançar algo, de vir-a-ser, exige constante atenção interna. Sem o entendimento de nós mesmos, mecanismos superficiais de reforma social e econômica, mesmo que necessários e benéficos, não irão produzir unidade no mundo, mas somente maior confusão e miséria. Muitos de nós pensamos que a reforma econômica de uma ou outra forma vai trazer paz ao mundo; ou que a reforma social, ou uma religião especializada conquistando todas as outras vai

62 trazer felicidade ao homem. Acredito que haja algo como oitocentas ou mais seitas religiosas neste país, competindo entre si , fazendo proselitismo. Vocês pensam que uma religião competitiva vai trazer paz, unidade e felicidade à humanidade? Pensam que qualquer religião especializada seja o Hinduísmo, o Budismo ou o Cristianismo, vai trazer paz? Ou devemos colocar de lado todas as religiões especializadas e descobrir a realidade por nós mesmos? Quando vemos o mundo explodido por bombas e sentimos os horrores que estão acontecendo nele; quando o mundo está fragmentado por religiões, nacionalidades, raças e ideologias separadas, qual é a resposta a tudo isso? Não podemos apenas continuar vivendo uma vida curta e morrendo - e esperar que algum bem advenha disso. Nós não podemos deixar isso para os outros - trazer felicidade e paz à humanidade, pois a humanidade é nós mesmos, cada um de nós. Aonde se encontra a solução, senão em nós mesmos? Descobrir a resposta real requer profundo pensamento-sentimento e poucos de nós estão dispostos a resolver essa miséria. Se cada um de nós considerar esse problema como jorrando de dentro - e não ser meramente conduzido nessa confusão e miséria pavorosa, então iremos encontrar uma resposta simples e direta. No estudo e, assim, no entendimento de nós mesmos, virá claridade e ordem. E só pode haver claridade no autoconhecimento, que nutre o pensar correto. O pensar correto vem antes da ação correta. Se nos tornarmos conscientes de nós mesmos e assim cultivarmos o autoconhecimento de onde jorra o pensar correto, então criaremos um espelho em nós que refletirá, sem distorções, todos os nossos pensamentos-sentimentos. Estar assim autoconscientes é extremamente difícil, já que nossas mente estão acostumadas a divagar e a estar distraídas. Suas divagações, suas distorções são de seu próprio interesse, suas próprias criações. No entendimento disto - e não meramente colocando isto de lado - vem o autoconhecimento e o pensar correto. É apenas por inclusão e não por exclusão, não por aprovação ou condenação ou comparação, que vem o entendimento.

Tradução de Rachel Fernandes