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O ULTRAMONTANISMO
INSTRUCÇI(O PUBLICA DE PORTUGAL,
NEFI,ESOES A PROPOSITO

POR

,los&Leite lfo~iteiro
ESTI LIAN'TE: I10 Q('ARTC1 ,iNNO JCI11DICO.

1.o f o c i i rncr6 que notis anime doit iious riirricr h uii rcsultat tligrio de Ia

p t ~ ~ i ~ n ~ ~ que ~ i t l ~ , l i nous I'insii~re. Idt?cs Rapoldennes.

-1,

SEU PTiESADISSIMO AMIGO

LOURENÇO CORREIA D'ALMEIDA C ARVALIIAES
de saceri i i ic.it,, si-)l,i.tktiido iiiliiniilii(lc (Ir rorayfios ; eis os s ~ , ~ ~ ~ I ( til~ilos,[~OrqlIP I O S Ptl 1 0 pt:cO, q l I C ~ O n ~ i 1 1 t a s t~iilrihtrct'r o toii com o iriciu noriii! ii'eslc púI)lii.o ~ o t n tl'iill;~i:t,(~~ polii caiisn da i r i ~ a r i c i p i i ~ à o riioriil tia iiiricidadik, pi'lii 11iz do IIOSSO povo, p<:los r t ~ s l ) l t ~ i i d o r r ilii iiossn patria, c pidiis glorias do .s
Fiiit~~riiitlíiilt~

croricns,

irniaiitlnde

fii tiiro

PREFACIO

VERITAS

Raseire-@ca vetr drrc r,tlt~mntau' O i * ~ i l ~ ? r n - s ~~ m as
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I ~ J If Z O ! ' i ~ ~ r j t~l l

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d 3 d ~cio p t ~ n ç a r t i ~ - l i t tIr r: l t ~ ce rt*.jtlandtay;l o a s l r o ratfto?ia ~. do t crtl,i+ie ! A aratjentia rtpeilc n ailrtitt!nln d'itrria optnido tilipcn<fl06& ' r ) t ' í ~ t i d , ) - & P$5 tyfRnf)tB ' s ~ t ~ f ~ , i k i ~ t~ t ' i l t t ~ l O*~ flt!~-. l ~ ~rl j ) í ) f i ~ ~ ,4rtlt~r;i o -! ~~i~~ 1 ri,^. :tlrll t ' T t % l l < d h , o lt;tl~iici da m t [e e l t j t I& It ~ i t,3 I~ ~ S { I t ~ . ~ , e t c~~ ~ o+~p* ~ t - i i o s t ) * g I 1 ~ ) a~ t
11tItii1

csiiniu!os 4 3 l i twrtlqidta' A r t ~ i j t * ~ t : l ~ ~ .*-C l ~t*i , (It) t i i t i i r o , ; ~fe 3cr varicinada, prectir~atla, p ~ l o cntliri~ta*ttr~i,~ t k l i , ~ ~ ~ ( - I ) . ~ I ~ I I Id~ estes O j *JI~ e9pirilos inrcntf!atfrw na f l d r t l ~ ~ t i~l t irta tiàs S U B S 1110l)ias, l attraffa.; an .it.cbiilt~, s , t i i d t : i i i e s i f i t fcbgo. q t ~ cas inspiroti, c como proptiecids i f t ' glorras, que ct!es podem c dcvetrr preparar! A mocidade acadeniica ira expansiva rebelacão dos e u s rotos, na ttflervesrerite t l i í t f l l f ~ ~ l dcios~seus afleetos, no $~ a g ~ t a d ode-afogo iIiis suas ncrbreo asyirúgUes, fili um momento uitr,ij,itl,t pcld cegueira j)ottlit.s : e, ao inelodas suas ailitcioagões, par errtre a cerral;io do3 seus prejuizos, niía reconheceu o povo na vietima de seus irtygniau o sacrili, J t \ i ~

cio de seus grandes inte rcsscs, o tioloca iisio d'ririia regeneração propria, rim vertlarlciro e Innieritn~elsiticidio ! Sim: a acadeiiiia, a fillia clo p o ~ opela genealogia das aspira~ócs,foi coridenin;itia seiii aritliencia erii seri venerando tribiinal- a opiniào, corito i i i i i elerilento indocil e annrchico, coino uma revoliosa excrecão social. Mas coiiio! Os generosos instinctos d'essa raqa de homens livres, filhos do iiensame~itodo Iniperador, os magi~aniniossetitiriientos d'uina classe Ião querida d'esta juventude pela irmandade do soíTriniento, convertidos ein voz de falsitlatles, em pregão d'injiirias c descreditos ! Podcrse-hào crer n'elle esponianens, estas conv icqões depressivas, cstes jiiizos aleivosos? fia0 ! Qrierii atraiyanri pois a stin sinceridade? Qilem ahrisou I11i siia boa fC4 Q~ieni tlesvairoit seiis pensanienios? Qileiii lril)~ulioiienitini-sobre 11 liia c.retliilitl;ide no tire e ingcnua ' I

Um ruitfo iiiliiteriso, e cfcsordentitlo, conlo tl'orgin tlc deii~onios, sirffoc~iodils as expaiisões Iil~cracsn'esla terra ! t'tiia pressão violenta, cniiio os ferros d'Atila, c o n ~ p r i n ~ e o grito das angustias popiilares. abafíi nos fanatisnios, rios preconceitos, nos terrores, os seniiriteiitos de dignidade d'esta oar;ão. Este riiido, esta pressãro é o tuniriliuar crapiiloso do turbilhão d e Ilarharos ci'aléni dos Alpes, qrie rolaiii enibriagados na riiiiia sobre todas as iristitiii~õcstlciiiocraticns, coiiio t~andosanguinario de bandidos! 30 seii iiiipeto assolador não ha considerações neni moraes, nem sociaes, qiie /fie enihargueni a fiiria, qiie os precipitd. Tufão d'anibilõcs levnrii diante si, na siia torrente de devastacão, a honra das fariiilias, a scgirranqa das cidades, a tranqui-

o srprs (Ia ira de DPIIP,qiie pnssn lidade dos iniperios! por sobre os homens ! E o genio (Ia iniiiiosalidiide pitl~lira, e o anjo da niorie social, i! o tlspirito das loriiicnlas hiimanas, que silbvcrle, qiie tlcsolii a mundo ! Horiio, a filha sedenta dos Gregorios septiiiios; Roiiia, a prosliliita doa Borgias, a apostaia do Evarigclho, a rencgada da huinildatfe, dilata, dill'unde a stin c o r r t i p ~ ã o em noiiie d'iinia p r o p p a n d a catliolirn, c onde o fiiiiatisiiio pôde ser illudido, oiide a Iiypocrizia coniprada, os iiinis siiliidos intercsscs forarii con~proriicttidos pelas niacliinacões reacionarias, as a r a s do Deus v i v o profanadas, polliiidas, por sãcrilrgos e ahjectos s~crificios,que tem, por sacerdotes, as ni;iis aboriiiiiaveis piiisóes, por hosiia, o pão e o sangiic do fril~i ! so A (~tliicaçáo publica, a aula regia do porvir, o çeiiaculo d e scient.ia e iiioral dos discipiilos da regeiiernsáo, S , conio iiiicleo generoso da l i berdatin, o ohjecto periiianente (Ias iriqirieta~ões partido clerical, aqiiclla, s o l ~ r c do que se conccbiilraiib os assaltos, as invesiidas d'essa qii3driiha d e baiitloleii-os d e sotaina, salteadores da paz riioral~dasfanlilias, Ilildebrandos eni corrin~issáono seciilo 19 . O , Janisaros assalariados entra os iitiiiiigos do altar e d a sociedade, hordti d'extrangr~ladorcs d a IiberJade, tenc brosos foriieritadores d'a ligarchias i in~,ossiveis;que, havendo protestado o exterriiiiiio da virtude, a doniiuagiio universal de Ronia terreiia, Lrnballiani en, preverter a s gt.racôes iiovas, ciiranl d e apagar n'ellns o iiielhor de s e u s instinctos, de as guiar caniinho eiuíirn de Vaticano. Estes taes quereiii na mocidade esthdiosa u ~ i i bando d'illotas eiii gestacão, alumnos de Gregorio seplin~o,servos da Curia, seni consciencia nerii seii~iiiieiitospessoaes.. . e iião ha nieios por abjectos, e torpes, a qiic renunciem

para rgencia d a s suas anlbicões. Por onde se pòde cstender o manto das trevas intellectuaes, por onde as anitiacaz da condemnação biblica, poderao cercar a -sciencia d o triste prcstigio de antipathia, d e repulsão e horror, as escholas converteram-se em antros de despotas e tyrannos, pm prosiibulos d e moral, em gi~ilhoiiiiiisde liberdade. A imprensa periodica, assaltada pois de iritproviso por estes taes leopardos de roiipeta, foi tran~fornradaeni instrumenlo das suas diffaniaçdes ignobeis. A que =de mais livre s e jacta, e ostenta, foi posta em pleno serviço d'tinra reacgáo aletophyfa. As suas coluninas; essas ciolumnas, que tiio sónlente deverão suslentar as insiiiuições da liherdade, serviram um moniiniento de ptlastras no theatro nefando das orgias da reaccão. O acontecimento do dia 8 de Dezembro foi arrastado, mordido, dilacerado por uma ferocidade iiirxplicavel ! Verteram-se injurias, vociferaram-se irisi~ltos, desabafaram-se r a n ~ ô r e s , espectura rani-se tlesj)eitos, deniinciaram-se odios mal compriniidos, tripudioii-se ernfini sobre a reputação d'estt! corpo; e alguntas vozes perdidas 110 ten~porat,nial poderaiir aplacar: eaWo os fanetas furores dos hypocritas d a paz. Mas a verdade deve de ser-111% um castigo! -3 verdade annuaciada já pela voz d e toda iiiria academia de mancebos iotelligentes, magnu uox do fti til ro, no manif8sto d'ella ; manifesto dos seus desejos, prograilinia d~ seus principios, edicto soleinne do seti pensar, iilulo dn sua dignidade, pergaminho da sua nobreza ! Esta primeira, e sobre todas autheniiea proelan~nçãoda verdade, foi iim passo soberbo n'este caminho da salvação moral da mocidade ; mas os preconceitos do povo não se dissipam coin um só raio de luz, com uma iempestade de

eloquencia apenas. O uliramontanisrno cerroti de nmis o nevoeiro sobrc a razão popular; e qiialquer que seja a gloria d'esse magestoso triumpho, não podciiios adormecer sein risco sob os presfigios da primeira victoria. E a necessidade d'unia lucta, que não esmorece, antes redobra d'esforc;os nas derrotas de hoje para as conquistas d'ámanhã. v Por esta necessidade desejanios nOs accudir com o pequeno brado d'esle opusculo. Doininados pela suprerna convic~ãoda dignidade da academia n'esse acto, que se chainou uma revolta, tima insubordinação, quando simplesiiiente foi uma pacifica insurgenciil contra o despotistiio ; pacifica, coiiio podem ser estas insurgencias, eiii que se offendern interesses, inda que abjectos, arreigados ; possuidos de fé viva na legitiniidade das inlençóes, que presidiram a esse acto extraordinario, que assigoalou o dia 8 de Dezenibro, niío hesiiaiiios eni lhe dar n'este logar a mais publica e solemne saudasão, e com ella, a explanação de todas essas intençBes, q u e lhe assistiram, e que a justificam, e nobilitam. Com effeilo: para os que temos os olhos no fiitriro, e as desconfiancns no presente, para nós, os que amamos a utopia, os proselytos dà idealidade, o aconteciioento do dia 8 teve a significação inimensamente importante d'uma expansão de elevados principios socines, e subidos pensamentos de moralidade publica. Foi unia explosão a tempo de fé liberal, uma proclamação opportuna de theorias de justiça, um protesto eloquente do futuro contra o passado, do progresso contra a retrogradação, do mvimenlo contra a lethargia. Sim, foi um acto de iaimenso alcance, e de latas con-

sequeocias civicas ; urn acto, que, na sua legalidade, e bastante para a repuiaçáo d'esta mocidade, e para lhe grangear com o respeito a propria gratidão do paiz, por cujos interesses elle teve logar. Os qtie especulam coin o descredito da juventude liberal, OS que procuram desviar influxos das suas ideias geesta nerosas sobre o povo, anatheuiatisararr~ revolução, como condemnam todas as sublevoçóes liberam, como garroteariam John Brown tamhem, se este crime n8o tivesse de se perpetrar no novo mundo para universalisar a expiação da liberdade ; e clamaram, que os iicenciosos costiinies d'esta geração prevertida desacatava as auctoridades, postergava a lei, violava os niais sanctos deveres de obeilicncia, e aclaniava nas praças o principio da annrchia, pedindo a cabeça d a s a~ictoridades Isto disseram elles, e 1 a mocidade ouviu-os tolerante na sua indignação, deixou desabafar essas i r a s ; e Iicou para com Deus, o povo, e a sua conscicncia, segura, de qile linha sido o instrumento das triplices indicacõcs da jristi~a de todos. jiistiça pacifica, como a mocidade a intende, como o novo espirito de cvangelismo a prega, e ensina; ri justica, qiie se não desvaira com oitttlictas, que não conhece o - capitis amissione plectnntur. Se ouve espiritos tão trimultentos, e pouco confiados das suas virtudes, que se intimidaram ante o nobre despeito d'esses mancebos, n'esse lemor, inais que em nossas escripturas s e engrandece a justiça d'elles; e não esperem, qiie ningiierii responda por essas naturezas menos varonis. O medo e já castigo de: seu delicto -culpa szti nocuit. Disseram pois, que a explosão acaderni~a rebentou com o grito de-ntorra !santo trcniendo dos pedadogos, synthese execranda d e 1 7 9 3 , inscripção obrigada do estandsrte de
U

tudos os revolucionarios ! quando a insurreiçiio esponianea d'estes moços, incendidos na aversão a uma auctorídade anachronica, teve tanto de reflectida e prudente, que passado o primeiro niomento, ein que essa auctùiidade aborrecida foi punida pelo deçpreso, nunca mais a tranquilidade dos ventos (unica alterada), soffreu ou foi inconimodada coni os alaridos de aninlos francos, alegres? e faceis, coiiio são os d'esta academia, quando um pensamento liberal a enthtisiasina, e iritlanima. Mas que houvessem morras! Qiie podia nas circumstancias d'este accidente haver de desordeiro e illegal em similhante acclaniacão? Pois que significariam esses morras em tal caso? Yão seriam a legitima, e ate necessaria contraprova dos vivas, com qiie se feriam os ares? Morras a um principio anti-social como os vivas eram vioas a um principio opposto, a u m principio social? Morras á tyrtinnia, ao despotisnio, como os viaaa o eram a brandura, a liberdade? Por certo : e vivas a uni systema, a um principio inda ratificados, indn asselados por morras especulativos, morras philosophicos, -morras abstractos, podentos n6s todos dai-os eni casa, conio na rua, que teinos liberdade d'ernittir as nossas opiniões roni mais ou menos eloquencia, mais ou mengs energicamente. Se a força das convicções nbs arranca a inansão pacifica dos nossos estudos para i r fazer philosophia na rua, quando muito nos podem chamar oradores das praqas. Tambem a Grecia os viu. Demosthenes açoitando nas ruas d'bthenas a ambição de Philippe ainda coin infráccão da lei, que defendia as arengas publicas, a quem não houvesse ti& annos; Demosthenes fulminando o usurpador com OS raios da sua tempestuosa cloquencia, era mais rude, e severo, e illegal, que a academia abandonando um orador ingrato ás suas

ideias, aritipathico ás siias crenças, repugnante aos seus principioç É verd;ide qiie anticipar estas profissões publicas, estas franqi~ezas tlemocracia, é coiisa estranha eiii tenipos tão da frescos do despo tisiiio, tão recentes dos reginiens oppressivos, tão notos para as garantias da liberdade, para estas inveiicões da revolução. hiiis ha ahi um paladio escripto de direitos comniuns, sob cuja protecção e amparo, + n3o e unia ironia constitucional, nos podenos acolher, e na emie são dos nossos votos políticos, obrar licitamente, ccmo a expressão d'essas garantias nol-o permitte . . Mas para que absorver tempo em defender, o que as conseqiieucias legitimam, e sanccionam? Esta insurreição academica com sua propria feição legal, com o seu caracter pacifico, e inaccessivel tí penalidade, foi qiie mais irritou esses devotos da urdem, bcotoa da tranquilidade, inimigos de tudo que 6 aobre e generoso. Esses tnes hypocritas não poderam levar a bem, nBc poderarn sofi'rer a rosto ledo, tão opportona contramina ás suas mrichinações, tão energico obstaculo aos seus tramas; tão decidida resistencia ás suas pertençaas, tão for&^ ppposição aos seus intentos; e accenderarn odios no contratenipo, e protestaram vinganças. Mas qualque$ seja o deoforço do ultramontanismo despeitado, qualquer que seja o traiçoeiro despique d'esta raça depravada, genaratio mala et adultera, esse acto na de permanecer como remora gloriosa de condemnacão d'um mau principio, e dos q u e por elle obram ; condemnação fulruinada de toda a energia de mancebos, que se preparam para a tremenda puniçiio dos tyrannos, e estrondosa vingança dos tempos. E t mocidade, alvorada d'um grande dia, radiosa masa nhã d'um Euturo explendido, carece d'estas provas, d'estar

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depii rações n'u ir1 inartyrio prematuro, como fecunda preparacão das lides, que a aguardam. Legataria do porvir, a sua responsabilidade é immensa. Pesa com o ditplo encargo d'itma fruetuosa adiiiinistracão da berança do passado, e d'iiina transinissao generosa d'ella a seus herdeiros no futuro. Por isso a experiencia, conto lição prolictia, e niistcr, que a instrua n'estes soffrinientos precoces pela causa da verdade. Atirada d'iiiiproviso d'esta plaçida vida d'estudos seni estimulas, d'estas agrias serenas do rio sancto da instruc ~ ã o s inconstuncias d'esse oceano de contrariedades, paiá xões e interesses da vida publica, incorria esta juventuds no g r a v e perigo de arriscir, ou trahir as crencas priniitivas, a s convições auridas na sinceridade dos annos verdes, se não fosseni fixadas, consolidadas pela adversidade, pelas persegiiicõcs, pelo habito contratiido de luctar, de disputar o ambiente livre dos seus pensaiiientos aos ininiigns na tos dos aniiiios probos. Por isso, conscia do qiie vale, a mocidade acadeniica náo póde recuar anie o inipcrioso dever, que seus destinos lhe inipõem, -combater o sdversario onde o descobrir. floje, que a luz natural, a instrucção gratuita doseculo, previne, e illude as gradaqõas artificiaes da edricaçilo piiblica, essa lucta, esse conibate, deve affectar, deve resolver-se em fecundas e dilatadas applicawões sociaes. O espirito eni face dos elenientos d'esta educação difusa, cosmopoliia, aroia-se d'uriia força anticipada, e desprevenida, que deve invalidar os calculos da reacção, que se acolhe ao recinto da eschola superior. Os tempos vão-se suecedendo. $ marcha das couaer, as 8 Lraosformacões realisam-se imperceptivelmente. A humriidade regenera-se sem dar por isso, e deste movimento

coniniuni a presteza da instriicção nos iiioifos é urn resuitado necessnrio d'uiiia coiiio que observação, que se dilata, e que eiil parte parece supprir os esforços prolongados do estudo, e a propria niatiiracão dos annos. A experiencia enriquecida, locupletada, eni peqiiencts prasos nas rapidas transacções d'este vasto commercio da epocha, a hrevia, acelera, anticipa nogões, conhecimentos, sciencia enifiiii. Na verdade, o seculo na sua agitac80, na sua effervescencia universal, nos seus presisttlntes testemiinh~s, succese sivos exeinplos rla forca, e da grandeza huniana, está muito para verter nas consciencias grande copia de saber, para as instruir dos attributos, e da dignidade dos hoinens, para as convencer das suas prerogativas, das suas iniinunidades. A acadeiiiia, crija situacão, e ctijos predicados moraes a constitueni sob as grandes, e itnrnediatas influencias da luz do tempo, teni n'esta razão legitima da sua importancia a invocacão natural da patria, por queni vive, a este cooperar laborioso, e devotado, na causa social, que a preoccupa, e agíla. A liberdade, que é- uma creação d'estas combinações d e todos os progressos; sentimento, que se apura na complicação das cousas humanas; q u e é uma cansequencia, q u e se fortifica na grande verdade dos principias da moderna illiistraç80; uma convicção, que rehen ta d'esie lume do seculo, deve ser, e 6 o c u l ~ od'ella! É uma fé ertreinosa, um fanatismo, cuja exageração a torna habil para grandes conquistas. O predominio d'esta crenqa arborada, como inscripcão dogniatica d'uma bandeira revolucionaria, J lia de esforcar, ha de alentar, a mocidade academiea para a grande e decisiva victoria social sobre a reacção ultramontana eni todas as suas manifestações.

O clamor iiniversal, a voz da hrimanidade pela bocca do grande testamenteiro da civilisaçilo moral pelas letras d'este secnlo, anctor do porientoso codigo d'ellri os Miser'aveis, esta a g i t a ~ a o ,esta instabilidade, esta impaciencia dos espiritos d a mocidade, os baluartes, que por toda a partr se provovem, e levantam, como ccnfissão da grandeza do ininiigo, tiido isto esti anniinciando um supremo desforro, tinia batallia decisiva, qiie n6s os amigos d o ABC deq.eiiios converter no triiinipho absoluto da liberdade. Alas que nno seja como 1793 o trovão, qrie assombre, o raio que fiilmine, seniio o relampago, que alluniie. Sim, a luz, q u e rasgue a s son~hrasda reacciio; a aurora brilhante e serena, qrie abra o solemne e niagestoso dia d o juizo finalmente do til trainontanisrno. Apostolos, e ao mesmo tempo sacerdotes do ideal, é, aos mocos estudiosos, qiie cumpre fazer carne e osso d'essas u t o p i n ~ Virtor Hiigo. É para elles, é para a hiinianide dade em flor, que csperialmente se abrem aquelles labíos piopheticos, que se vertein nos typos de Guttemherg essas paginas siiblimes, que incantarn o mundo; são para a nioeidade aqiielles estimulas, aquelles exemplos da mais pura moralidade. Combeferrk, Enjolras, Prorivaire, etc., actores, q u e o siiblitiic Poela chania a representar n'aqueile vasto drama social, não são senão o excmplo fecundo, com qrie o apostolo da instruccão universal vos chania a vós estudantes, como aquelles, a tomar nas luctas da sociedade o logar, que a vossa illustração vos assigna. Prudentes conio estes, camo estes affectos á liberdade, e á ideia, deveis ser os mais luminosos precursores da futura revolução social no nosso paiz.

-

e

Desligados (l'affeiçijez piieris, iI'aspirn@es insignificnn-

tes, de tlcsejos sem alcance civico: votados d c rommiirn accôrdo a esta obra, tfiivi(fni.-se-lia do resnltado, qric a forca ila ~ o n t a i l c jii~cnil nos assrgiirn e gnrnnia? Mas intln nssini a liirta 1180 6 (I'(IIII dia. O iriiiiiigo a
externiinar tcni a forca (Ia iliitliria, (ia persicloiicia, tJa traiqão, tla ninlrtvolít pri.spirar.in O fnrririnra. o Qiiniiilo o jesiiitiziiaio (oiiinra n'llin Maniiel Godiniio O Iiahito c o disfarce aca:leriiico por aiigariar proselyios pelas stias práclicas siigesii\as pnrn a nora seita, oiie se fazia n'cstes rrinos, a victoria porlia e d a r , e e r a segura, na inipossi bili(iai1o tla p~rsiias5o. na iiicficaria d'essns setliiçõcs oratorias. Mas Iioje a rcacciío dci!Gc por Iiiiriiildes, essas tratas eupcriiiicntati;\s. llais sabia, Iiaventlo acolliido d'iim longo ~yroctiniode reipzes, de conlratfi~ões, inforluaios e virtorias, protic'iin !icão, 1130 tlesconliere, qiinnlo seria rstcril trntar arnlas postas no uso passado; e a o apostolado a1)erio. S I Ilwti tiic ri cateclie.sc dissiriiii lada e lenta, soh o proprio didarcc da lil~ertfatle.Assiinie a auclorirlatlc .pctl;rgrtgica, toriln rt fi~rrlantiriiiterial, a toga jildiciaria, as insigriins reitorae.;, tenta invadir a proprie elevti~ãosacrosanla do throno para se acolher sob a inviola bilitiade dos arminhos ! Esta ultima conr~itista deve de ser o signal trciiietitlo do cataclysmo preparado pelos trabalhos incnnsaueis d'estes mineiros da harmonia publica, sordictas tortpeiras da sociabilidade ! Miis por eni í~iianto.niocos academicos 1 rbs, qiie não ignoraes as teodencias do riltramontanisnio, qiie lhe estaez vzlld0 O influa0 de C O ~ ~ ~ Ino $rcginien unirersitar-o; ~ SO yÓ6, fliie lhe toiides sofí'rido rliais que tinia mal eunlpriluida cry lesão da iiitoleraiicia, qiie accusa a presença

d'esses obreiros suhterraneos, não cruzcis os braços, ante a tenipcstade qiie estale!
Rctn tcndcs vossa forca experimentada Assolnc, d(3slriii,n ã o fique nada,

não resteiii senão os tristes vestigios, q u e a civilisação apaga, (Ia sua nialdicta pregrinayão de trevas e corrupcão. Mas, se por ventura vos (lprein para suor da agoiia uni horto plantado pelas niãos dos iiiodernos Hildebrandos - poetiam pro msncie ; legâe a vossos filhos, com o exentplo do niarlyrio, os estin~rilosdo vosso evangelismo. A humanidade não C unia geração, que passa. A causa d'ella é ririja caiisa periiianente, redivilia por esses secu10s. As lides da civil isacào legalli-se d'estadio a estadio. A regeneração poderá nHo ser para nós :- tanto importa, é para iiossos siiccessores. Tra baltiemos para elles. Desenganenios por unia vez o paiz, de que sonios unl povo creado nos crencas da liberdade, nas esperanças d o futuro, na fé v i v a da deniocracia. O grito treiiientlo VAE T Y R A N I S! que diz Kant ((se reperc~itiu no Templo e nos niuros de Jeriisalem » devera echoar coni nova veheniencia nas convicções d'esta academia. Eu por mini humilde crente, q u e desappareço entre 176s : ...... eu rujo escravo, eu creio, espero no Deus das Almas generosas, puras e os despotas maldigo.-.Entendimenlo tronco l a n ~ a d o seculo fundido em na servidão de gozo ataviada, creio que Deus é Deus, e os-homens livres 1

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LUCEAT LUX

«O f m dos nossos esforços deve ser repeltir doutrinas, i que se vão pedir emprestadas ás theorias dos adversarios para se nos darem como ideias progressivas, deve ser repellir taes doutrinas principalmente nas suas applicaç6es practicas. n A. HERCULANO. «A civilisação gradual e crescente das sociedades pela educacão poptilar é uma das prinieiras questões do governo, e não urna intriga de sacristia.^ O MESMO. uLes lois de Ia éducation sont les premikres que qous recevons. Et comme elles nous préparent à btre citoyens, chaque famille particiilière doit être gouvernée sur 'le plan d e la grande famille qui les comprend toutes.))
MONTESQUIEU.

D'onde vem, d'onde nascem os clamores successivos, as contestações multiplicadas, os debates interminaveis sobre a legitímidade.do ensino publico, do encargo sociat

da educação do povo? D'onde resulta, que os parlomentos de todos os paizes livres, q u e a imprensa de todos os povos cultos se tem agitado n'tima qriestão, que a propria gratidão, parece, dev&ra ter sulfocado; iiina qiiestão sobre o direito publico tfo exercicio da caridade na mais sublinie das suas applica~ões,-na illiistsaciio dos espiritos?! D'onde tem tido origein o pòr-se em litigio o uso d'un~a prerogativa do Estado tào proveitosa icivilisação,-a sua incumbencia c a sria responsabilidade eiil ot~jecto d'inslrucção? Será mero prurido de debates, siriiples vaidade d'erudicões polemicas, q u e tem suscitado estas inqiiietacõcs, estes receios dos partidos acbrca d'essa atiribuição civil, qiie se tem manifestado, que se tem resolvido em lecundissimos resultados? Não por certo! Nem este alvoroço, neiii este desassocego politico significa iim fernierito de revoliicão, nem as circiimstancias d a nossa situagão social coniporinm. $ siniplesmente iim so' bresalto, é uma perturbacão accidenlal, com origeni n'uma causa passageira, que com ella deve desaparecer. O Eslado toniando sobre si o ensino popular, a distribuicão do pão d'alnia, d a a esla necessidade universal uma garantia, unia sancgão do seii desinvolvimenlo, d a sua diffusão, que incommoda os inimigos da sciencia, os apostolos pagãos da escuridade, do despotismo. A roupeta, eterno symtiolo d'immoralidade, de pervers ã o ; o jesuiti'sino sob varias feicões sociaes no seti encarniçado lidar d'exterininio da liberdade, na siia interminave1 propaganda de servidão, tem sido o agitador d'estas controversias. O partido clerical, o partido, que martyrisou Campanella, que turturou Perinelly, que preparou J. noite de

Bli. d'bgosto, vasto fcstin~ de Canibaes ! que occasionoa quanto iioiive de feriiio e horsivel ri'esse sangiiinario apocalypse social d e 2793 ; este p;irtido leiiihroii-se d e cobrir iiovaiiieiite o seti iiiaiito esI';irrapiido de doiilrinas de progresso, e vir pedir a 1iI)eriliiilc d'eiisitio! O partido cleriral teiii rl'estas geiitilezas ! Hoiiipeii iiiarcha de estrategiris. pn receii-l he esta el1ic.a~ não iiesi toii tia execiição. ; Mas qu?in ~ ~ o d h a i1a 5ii1ccri:tatlc das vossas iritenções, crer filtlos clc Grcgorio 1 . 1 1 '1 Liberdade d'crisirio ! Carla de cnpacitfade prira vós scrdes mestres ! vós que [ião tendes seiiáo persegtiido a sciencia: -a pliilosophia em Pascal, Moritaigne e Giolierti; a astronomia eiii Gniilcii; a lilteratiira, a poesia eiii biolierc, em Herciilano.. ..! vós, qiie ii-rintolastcis ao vosso apostolico zello d e ignorancia, qiinntos noines engrandecera111 e exaltam a s vastas proviucias do sabcr ! Sois ridiculos com eslcs paradoxos ! Ao nicsnio passo qiie fulniinaes toda a violencia da vossa intolerancia contra as riiaiores elevacões do espirito, vindes erii noriie d'iiiiia idei~litlatle socii\i, ein noriie cl'i~nin crença, qiie se liga ao fiitiiro, e sO ri elle, reclaiiiar a anticipncão perigosa do rcinudo d'essc principio? Qucreis transigir (:o111o pnrtitlo liberal.? Sois inriito condesceiidentes, heiii s,ibtriiios, cotii vossos inimigos para os desprevcnir e ferirdes pelas costas ! É a pragnlaiica da vossa ~)o:iiica,6 a liti~rgiada vossa religião! Jfas, (iese~iganiie-vos A liberdade vela. No ineio i das suas glorias, no iiieio d e si!tts triunil~lios, não udormcce coiiio Danton ein Arcis-siir-Aiihe, não se descuida, e a ~ r o p f i i a ,conio Arinibal, eni Capiia. Os seus dias de felicidade, coiiio os cl'espiacão, nem a exaltam, neiii a desaniiiiaiii. Pilha das revolugões, creada na Iiicta, tira da

m8e o seu alento, o seu vigor; nem v6s sois Hercules, que a E esniagueis suspensa nos vossos bracos ! A vossa tentativa tinlia o ciinho mineiro e solapado, que deniincía a sua origein ; inas a nie~itira não fructificou, a lisonja não illiidiu os esctilcas d'cstes arraiaes. Nós, os qiie representamos a advocacia dos foros da razão, e prerogativas do povo, que syn~bolisanioa dea fesa do sacrario dos direitos commiins contra a usnrpação dos olygarchas, nos podemos regeiiar a li berdaùe, quando trouxer os pe~.igosda licença ; podéinos, que não renegamos das nossas crenças, antes n'ellas nos consolidamos. Teiilos fé, tenios v i v a esperança no predoniinio d'esse generoso principio eni todas as suas applicações sociaes, porque a historia e a critica atii estão para nos apontar a lei do niundo. B pliilosophia, que proscreveu Torqueinada, ha de por certo enthronisar Victor Hiigo, explendida luz d'esie seculo mensageiro da boa nova, dissipador das niiserias pela illiistração, aposto10 do sentimenro, e da tlrnndura, anjo da inordlidade, arauto da justica, d a fratcrnidade e da religião,. espiri~ode paz e pureza, advogado ex oficio da innocencia, evangelista em fim d a verdadeira pnalidade; da penalidade q u e beneticía, 1180 flagc!la; que dissipa e exteriiiina o crime, não o criminoso; que rehabilita, não destroe; que conquista, não i s sola; que regenera, não assassina! Mas entre os enthiisiasmos, que a veneracão produz, entre este espanto d'unia adniiração qrie se estaca ante o grande codigo d'essas queridas utopias, não esquecenios nunca, que estas se ariticiparii sómente conio pFecursores fecundos d'urtia era venturosa, e qiie apenas se offerecem no presente, coiiio antegosto espiritual das felicidades futura$. Sabemos, que n'es~as, conio eni muitas partes a
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emancipação do poro da tutela governantental nilo pôde chegar, quc a opportunidade d'esto grande r e v o l ~ c ã o deve eslar longe. Ein qiianto vos virmos atarefatlos no fomento d e disyarates e aberrafões sociacs na actualidade, como são -ordens religiosas scni interesse alguiii para o Ccu, só proniovidas, coiiio na iiieia edade, pelos intei.esses da mais abjecta iuuntiaiieidade, pelos interesses d a prostituição, qiie o qiiietisiiio e a direccão espiritual apurou, e niais tarde sysienia tisou ; em quanto vos observamos cinpenbados na instruc~iioesclusivuniente ministrada por vós a mocidade, haveiiios de desconfiar niuito d'iiiri zelo que se resolve no priiiieiro dos vicios- o nionopolio, o egoismo. Siin, vos qiiereis ser os iinicos árbitros dos destinos da ecliic.acão, os iinicos obreiros do fiiluro das gerações novas, porque as qiiereis para vbs, e sabeis, que são ellas cera hranda, qiie facilmente se aíl'eicôa ao capricho dos vossos despotisiiios - molis cera, et ad forrnandtcn faw cilis. Filhos das trevas só n'ellas sabeis reinar. A instrucção faz-vos mal, cega-vos a liiz. Pedis, solicitaes a liberdade d'ensiiio, porqiie quercis a ailarchia (10 ensino ; porque qiiereis reger a ediicagão pelo alvedrio, pelo juizo das vossas paixões: por qiie qiirrcis exercer o despotistno na aurora da vida para einbotardes o sentimento da dignidade d'ella ; porque quereis escravos, não cidadãos. Vós quereis desviar a attenção publica, os cuidados civicos, da nielhor das fiincgões da caridade, para iripiidiardes livreiiiente sobre i\s ruinas tla iiitelligencia publica, sobre o conipleto atiriiqiiilamento da razão do povo. Os vossos intuitos, desde q u e fizestes holocaus~o do Ceu a tcrra, desde que ennododstes as vestes sacerdotibes

no lodo dds paixúes desordenadss, desde que rasgastes a tiinica iriconsritil do Cliristo, forairi vedar ao povo a arvore da sciencia, afundar no pego dos interesses do secalo a barca de S. Pedro. Sobre tinia n~elaphorabiblica quizestes erguer uma fabrica de despotisn~os;sobre u m a fiecão de poesia quizestes levantar unia estatua de privilegiós, exenipcões, poderio ; 2 se fostes logrados pelas progressivas tendencias da razão em inanter illesos as suas regalias naturacs, os seus legi tinios foros, pelo apostolado espou taneo, philosophico, do ecangellio, rieni por isso n nioral deixou de vacillar nos fundanientos que lhe abalasles. No entretanto, por mais qiic hariifiisleis por persuadir, qiie a condemuaçáo do pririieiro horiieiii se transriiittiu a seus descendentes, na intelligencia sopliistica herctica, sacrilega, revoltante, qiie Ihc cl~iereistiar, não podereis senão adquirir onl prestígio epheniero, como o q u e se sustenta pela violencia, e delerininar, conio exagerada reacção liberal, o atoniisiilo panllieista de Leniaire. Po'r conseqii~nciapois a liberdade d'eiisino, ironia pungente, rugido siiffocado de colera contra si mesmo, e qrie vós expondes ein ar de'doutrina propria e progressiva; a liberdade d ' e n s i ~ o ,qiie a egreja não pode professar sem perigo, de qiie lhe srtrjani Lutheros de toda a parte, serii risco de se ver em lucla-periiioneiitc coni as insiniiacões d'uma philosophia aniiga da iioviiiade, faiitora rediviva do progresso, e qiie sc niultiplica em syslenias ; a liberdade de ensino, diz(\nios, teiri pela fôrça d a nossa situacão social, pelas exigencias da conservs$io d e direilos iiripiescriptiveis, anreacados de continuo pelas pcrl&icões inipossireis d'uma classe, de se remoker para o nuiiiero d'essas ulopias, que pode111 ler por apostolos, os espir ilos ,videntes

d e Victor Hugo, de Jules Siinon, de Vasechot, e iiiuitas, que se transportam nas elcvacõc!s propheticas do genio para âfeni da actrialidade, nias qiie esta regeita por inconipativeis coiii o iiifltiso das ptiixões, que a agitam. Para proclaiiiar eiii toda a siia ~tleiiiiiide possivel o alvcdrio no eiisiiio C forcoso presiippor nos iiiesires ti riia dedicayão, e iiiiia saiictitlíidc, qiie o estado da nossa civilisagio niio coriset~le;e eiii Iirer;rnca clos iiiisesias dg tempo, q u e aliis aliiiieiitaiii essa lisongcira esperanca, a agiia d'esse baptisnio, o oleo d'essa iincyão, deve verter-se pelas vias, que a s não deturpeiii, pelos caliaes que a não transvieni. O honieiii na stia dupla qtt;ilidade doiiiestica e civil, na siia diialidítde social carecc d e receRer d'estes doiis elenieiitos, para qrie nasce, a feicão correspandeiite a seus destinús. A faiiiilia, no meio da qiial srirgt! esta natitreza delicada e niiiiiosa, teiii sobre si o carrêgo natural e iniprescriptivel de Itic iiiiiiistrnr o leite da prinieira etliicação. !inr ditacito coiiiiiiiiiii , frngil natiirezs infantil, e aos i anèctos patern;ies, qrie não reiiuncinni 8 fiicitltfade de crear pelos seus criidatlos os fillios do seu amor, e unia obrigacão respectila a csses aíTeclos d'os paes, que iião podem deixar á rebelia dos seiis instinctos, os frtictos que natural e litreniente gcrarani, A eclircac,?~é o conipleinento da gestacão, é a defiriitiva trançniissão da nalriral herança dos paes, é a consiil~stansia~ão d'essa natrireza creada na sua .origeni, é a coiistiliii~áo perfeita d'essa genealogia, qiie só pela continuidade dos pensamentos, dos affectos, c ate das crengas religiosas se potle foriiiar ; e n'este seritido ri50 se pó& desligar dos Jcverrs da conjugalidade. Xiiis na fiiiiiilia fóriiin-se soiiieiitc a pritiieira face da eiitidade social, eivada pelos irifliixos dos seiriiiiieiitos da

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materniddde, que ti a sacerdotisa, a directora do templo domestico, e pelos prestigios da religiiio, suprema clevatào d'esses seotimentos, sancto fogo da vida, que jámais pode deirar de brilhar nas aras rnysteriosas d'este recinto sagrado; ririlia feição d'esies elementos do grande corpo da sociedade, ntas unia só. É o honiem, 6 a parte natural do indivitlito, qiie vive das inspiragóes d e seus primeiros nientorefi herdeiro do sentimento, depositario das virtudes domesticas, sancta arca das tradiçóes generlogicas da familia, e que 4 a preparacão, que representa a capacidade para entrar n'essa nova evoluç80 da gestaçío social no seio da instrucqão, na niagesiosa estancia daa escholas publicas, n'eose ta beraaciilo civil, propiciatorio d a alimentacão d'tilriia, onde recebe emfim o cuntio de cidadão.

Denegar ao Esiado ou ii sociedade civil o direito de exigir que as faniilids Itie preparem elementos, lhe deem cidadiios, era recusar ao homem a sua suprema dignidade, era despojal-o da qualidade, que o eleva, que o distingue na creacão - a sociabilidade. A manifestasão d'ella n3o se n d u z ti farnilia; por que neni a familia se concebe desligada d'um aspecb civil, que necessariarilente tern de a k c i a r , nem os estimrilos da anihição humana, neni as dilatacões da actividade natural se resignam á circuniscripçâo do lar domestico, para a expansibili(iade humana, peior supplioio que o de P r c custes Os direitos da familia, pois, sobre a educação do h+ iiiein, que priiiieiro é d'ella niemhro, antes que o seja do Estado, esles direitos acham-se tinlitados ao desinvolvintento do coração, ii purificayão da sensibilidade e dos insiioeios, por que sejaiii a iiielhor e maisproticua con-

dicso de affeigões sociaes, d/j fraternidade humana, O sentim~nto nato da sociabilidade, cumpre a educação famili ar an1pli;il-o, enriquecel-o pelos exeniplos domesticas, pelas Iiizes tlo Evangelho ; Iiizes tão vivas, que até a propria infaricia frisam bein. O Estado, qrie deposita na familia a confiança, que lhe não pótle negar, coiiliang.a garantida pelo anior patnrno; o Estado agirarda o rnoinento solemne, eni que o q h o vem abrigar-se sob ri egirie da sua protecção escholar, e presta-lhe na niila priblicn o que em geral, as faniilias lhe não podem ministrar, - os elementos da educacão politica. Esta solicitude, esta intervenção directa não póde deixar de fazer parte das fiincções do governo: nem é uma centrrilisacão excessiva morinente sob os influxoer das pertenções clericaes. 0 s que combatem, no mundo da practica, no campo, do que é real, esta attribuiqão, é porque os domina o interesse sri bversivo, que move o partido theocratico ; e os que no mesmo i n t t i ito se refugiam na especulação, cornmettem tim feito inutiJ, porque a questão 6 uma questtio practica, uma questão de círcumstancias, uma questão do dia. Abandonar os mais latos interesses d'ella para cuidar do entretenimento vão de nos dar vaporosas repubticas lundsdas em desejos sdmente, cistas nunca, nunca execttbadas, esquecer por instante, o presente nas fantasticas preoccupaç7ies da idealidade n'estes objectos, é arriscar o fuk turo, 6 p8r em perigo essas proprias utopias, B entregar a mocidade ás garras do ultramontanismo; do ultranionta* nismo, que como lego cerca os aduares da liberdade para os assaltar no descuido de seus vigias. Os grandes flagellos da sociedade, todos tem tido por origem a ignorancia. Os disturbios do povo nos momentos solemnes até, em que a civilisação o chama ás obras da

sua asrendeneid progressiva; esses furores, coni que ella derrania feroz e iiisaciavel, o sangue d e seus irniãos n a s batalhas (Ias r e r o l ~ i ~ ó c s sociaes, bataltias sanctas, qiie s e devPrão opcrar oela persria~ão essa ebriedade, coni que ; elle se lanca sohrc o passntlo para o d c ~ o r a r ,corno q u e por ii>citn@o do ii~liiro,egoista d í sua creayão ; todo O e~aliaiiierito,iodos os excessos, q u e s e desinvolven~, SAO filhos íla falia de Iiiz rinircrsal. A propris ill~istraçfiopod c r j nITrontar a jiisiica, a iiioral e o sentimento muitas vezes, iiias é I)orque se acha eiri face da reacção das trevas, em presencn d'nnia iniciativa de enluriiidades, d'uni fomento de atrociddtlcs. Por isso a \itnlitlnde piihlica acha-se involvida n a qíiestão da iiistrciqko, e os governos, ciija iiecessidade tutelar se jiistiftca iins ~cndencias paixão popiilnr, não podem retlíi nunciar a riiiilc activa vigilaricia soI)r(: objecto d'edricacão. Os factos estroiitlosos, reperciicientes d'escandalo pela Europa, de taiitos filhos arraiicados aos braços de*suas mães por essa propaganda al)oiriinavel, qrie por ahi se arrasta, como a traicão do tigre, deve scr exei~tplotreiriendo para o b r i g a m disciplina a toiiiar o mais in~iiiedia interesse n a to adjudicacão dos espiritos a n~oral pela evsngelisii~ilo sua da escbola, da eschola instiliiida pelo seu cuidado e espensas. Mas distinguida pela maneira for que o havemos feito, a educação domestica da educação publica, ou antes, a cducqcão da inslrue~80,o recinto da familia não póde i n d a assim ficar tão vedado á espectução do Estado, a o seu direito vigilante, qiie este não possa tornar contas a o pae de fanlilias do destino d e seiis tilhos. Sim, não p6de prescindir d'es3a ingerencia,. que ha quem chama uma profanação do sacrario domestico, e que eu chamo a maior garantia da siia inviolahilidade.

011 govcrnação é uma necessidade natiiral, ou simplesti mente iim apparato, inutil invençHo do capricho humano, que se apraz em revestir os seus actos d'iima mngestride oca e ticiicia. Se é iiiiia cónsequencia natural da constituição liiiiiiaila, esta não thc pode escapar no mais perigoso einprego das suas ps~rogdtivas, n'esta transiibstanciacão, ii'estn iiieieiiipsycosc ern vida, que se chama cducni~ão. contianca, que o Estado depõem nas famílias A fica saricioi~ndae ao iiiesiiio passo reservada por este direito de proiiiover a iiiel tior direc!.ão c applicaqão d'ella. Assiiii, i: que eii entendo a edricação. Se ella podesse abstrahir da interveiicão piiblica, a humanidade estava no gozo dos ultimos rentates da civilisação. Não havia desaires que Ilic desvanecer. O governo tinha a sua esphera limitada até se anniqiiilar. A iniciativa individual achavase no ultimo grau da sua sancção; era o reinado d'essa Astreia anurcllica de Proud hon, aurea edade de Saturno! .. Mas infeliznlente a paixao 6 ingcnita ao honiem, conio elemento d'eqriilibrio, c o governo não teni outra constancia, q u e da conslancia d'ella lhe não venha. O direito da familia pois, acha-se contrapesado pelo direito da sociedade. O zelo dos paes, e o carinho das mães, dão ao filho a direcção moral compa tive1 com 9s suas crenças, coin os squs principias religiosos, e terminada, e completada esta feição familiar, quando chega o niomenlo de d a r conta a o Estado d'um cidadão entrega-o a eschola mais por uma obriga$&, que por um direito. Por lima obrigacão sim,.e não metta niedo-este modo de dizer, que a educação e a instrucção obrigakrin e uma consequencia das relações do homem com a sociedade, a q u e deve o tributo do seu corpo e do seu espirito. Por mais q u e se diga, que o indivíduo é senhor

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de dispor das $rios faculdades, de as desinvolver ou não, seu talnnte, não deixa de se proferir, sobre um sacrilegio, uni a hsiirdo imiiienso conl appliração á edticação e a instrurcão. R'eiii o honiem póde fundar um direito na qiialidade negativa d'elle - a irracionalidade, a ignorancia, a s (revas; neni a podel-o, esse direito prejudica o direito do E8tado. Nxercendo esse seu direito, como condição do conhecimento e iiituiçáo individual, quando n'esta acabe, reconhece-o sem renunciar, ao qiie Ilie é yroprio, como effeito do destino civil do Iiomem, destino que o liga ao &tado, pelo dever de assuniir 8s qiialidades de cidnddo. O Estido como tutella n'esta parte siispende-se onde a lei julga, q u e póde comecar a emanciparão d'ella ; e como esta muitas vezes se fixa para varias ordens d e destinos sociaes no curso d e estudos, que se recontiecern, conio habilidade para o gozo dos direitos respectivos, por isso, com a sancçóo dos publieos, allia-se o respeito dos direitos particulares. Os que pertendem. que sei, que os h a , levar a sua liherdade, até o ponto de assentar sobre ella à negação da escholaofficial, de snnccionar com ella o completo abandono da infancia aos mesqiiinlios cuidados da família. de proclamar por elln como uma riolencia o beneficio Pii blico da illustrwão obrigada, não reflectèm. q u e põem em risco essa propria liberdade ; não se leni bram, que se ella podesse acobertar iaes desvarios, seria o primeiro dos vicios da conslituição huniana. Com efeito: o ensino, a educaçáo unia violencia B ineomprehensivel. Violencia ! violencia contra qiienl? Contra a infancia, contra a fragilidade physiea e moral d'esse ente rem conscieneia dos aitributos da sua dignidade racional? Qu Contra seus Pais, contra a sociedade conjugal, a que o

filho se associa, coino accpssorio natural da geração livre ? Contra n inf;inc.ia não; q u e violencia seria, q u e supremo tlesacato t l n siia friigiliilotle e r a , por certo, o deixal-o sepulto nas trevas tlo wpiriio, deisal-o eiii meio da siia criação ; o nieiioscabar 11 revcreririci qiie ris priiiieiras edades i: tlcvida - ntltxintq t-leheiitr l)ticro reuerenticr~n. Mas não C sci isso: o iiifarite teiii, e certo, dircitoe natos, que é iiiister acatar, tiias a lil)erdatle, iristruriiento natttral do bem, iião pode coi~vei~ter-sc n'iirii riieio natriral tio prinieiro dos niales - a riiorte do espirilo, o assassinio ri'ali-na. Esses direitos são, conio os classilica R n r r a i ~ ,o direi60 de ser iniciado na uerdacle, de ser prepai.ado pura o uso da sua liberdade, de ser dirigido para a sua futura dignidade. Esta trilogia de tfireiios dii infiincia & a que temos d e respeitar ; c eiii virtude d'ella, e, qiie a fâniilia e o Estado euraii~ successivaiiieiitc da siia conipleta formacão social. Sobre o infante, pois, iião pode rt!cahir esse pertendido despotisi~io.S e r i sollre a paternidade'? iiias conio?! Poderse-ha crer, qiie os sentiiiieritos paternos se p~oniinciem contra a itistrticcão gratuita e benefica, qiie Ilie e Q r a n dece os fructos do seu anior, qiie os illiistra, q u e os eleva. que os sriblinla?! Mas q u e se pronunciem! Q u e titulo legitimo, titulo d e barbarifade tem d e s e r esse, coni q u e uni pae desnaturado lia de enibargar a acção luminosa d a s escholas, ha d e projectar a sonibra da ignorancia sobre a intelligencia d e seus filhos? Os destinos d'clles, o s e a fiituro, constituirão uma propriedade, que o capricho póde iniitilisa r ou destruir? Não. Os direitos do filho niio caducani diante da tyrannia d'iliii pae. Teili fundaniento solido, quanio é mister, para não pcrdcrerri n sua força em face d a s reptignancias 3

de ninguen~. Se aqiiellc desconhece os vcrtladthiros deteres da siia corirlicão, se fcclin os olhos ris indicacõcs tln natureza, e cerra os ouvidos as intiniacõcs da razão; a sociedade, o pae commiini clos desvalidos, tem d e velar pela observancia d'essas sagrad;is o b r i g a ~ 6 c s .A dckilidndc inf a n ~ inão tem oiitro ariiparo, o seii al)aodono oiitro asylo, a l siia fraqiiezn oiitro resg~iartlo,qiie não for a aiictoricla(lt~ piiblica, na ausencia do anior paterno, e dos ctiriahos da riifie. Mas cstes não s ã o por certo, os qile jaiiiais rea,'*tram contra essa solicitride, q u e lhe leva a rasa o pão tl'alnia para seus filhos. Foi a philosophia, foi a aridez d a s especiilacões postas ao serviço d'i~lteresses,yrie inventaram a l a s contesta~ões.Os pacs d e familias se algiini dia protestaraiii contra esse serviu0 social, é porque tllle se tornou tini principio d e deterioracão *oral, de corri1 pyiio religiosa, porque Ihes roiihou a flor da innorencin a seiis filhos, e náo Ilie deixo11 sequer o fructo da i l l u s t r a ~ ã o . Os paes crêrn cotiio nós na legitimidade das aulas piihlicas. Não ha iim só, inda na maior rudeza de seti estado, q u e não arnbicione para seiis filhos essa liiz niysteriosa d o saber; Iiiz, que se abre, q u e brilha, ao Fat do patronato governaniental; que não i e n e r e esse Deiis dest:onhcrido, que vae estanciar no espirito dos seus, como que a voz oninipotente e creadora da sociedade. Por consegiiinte pois, recopilando, niui to embora a especulação concilie a li herdade cotn as exigencias do ensino; essa especulacão, por que se hinda na capacidade universal de pedagogia, nas rectas intengões dos mestrcs, na nioralidade dos mentores ; essa especulacão e um repto a s sociedades modernas, que estas se vêeni na necessid a d e de regeitar, como pressentindo os perigos da trai@o.

habilitacúes pedagogicas carecem de se accorda r uni HS cond jfões do tempo: e hoje, mais que nunca, quando emos a Itictn reviver dos ultimos esforcos da agonia d'um parti(jo retropndo, 6 mister não transigir, não haver conicmporisnyóci com esse partido, e vedar-lhe o mais possivel o tahertiarllla (ia ariia regia, e o altar da familia. E ~ t n ,iiil>ort,lnad'la do c o n t i n i i o por insiniiações jesiiiticas, invatfidn siicrcssivniiiet pela seduqãa dos tartufos que se niiiltil,lirani, tem de se constitiiir sob a vigilancia protectora tlo Estacio. Sein profanar os mysterios d'ella, sem oflender os sarrogantnç affectos do pae c d a mge, dupla divindade entrz cujos ciiidados se cria a infantis, sem tisurpar as su blinies atiribuiçóes d'esta magistratura carinhosa, R porta d'este templo tem de haver por guarda assidua as attenções da governação social. A educacão do Estado, a instrucção publica obrigatoria baseada no caracler civit do homem, obra sobre um terreno arroteddo pela solicitude domestica, e e sob uma condição de fertilidade meramente hypothetica, que elle exerce a nova cultilra, se acaso não tiver o certificado d'ella no seti vigilar solicito pela educa~ão ministrada no sancto propiciatorio d a casa paterna. A moralidade social deve tudo a boa direcqão d'essa educação. Dos pacs hera dam os filhos as virtudes, e melhor os vicios. A corrupcão dos maiores transm i tte-se ascendeiitemente as gerações que se siiccedem:AS

Aetas majorum, pejor avis, tulit Nos nequiores, mox daturos Progeniem vi tiosiorem.

Degeneração crescente, preversão progressiva. Ngo 6 pois possivel por consideração alguma, que o Estado

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se furte a dilatação da sua piiblica solicitude ath ao proprio retrahimento da e d u c a ~ ã o faiiiiliar. Mas inda ha oiitro titulo d'obriga~iio.Qiiaesqrier qrie scjain os sacrificios para a instriic~ãopopiilar gratiiila, estes são, inda qiic d'espaços a espaços, assaz rctri1)iiidos i socictlnde, á hrinianidade, pelos Hrirnbdds, pelos Victor Hrigos, pelos Aerculonos.. . Não terão estes pagado generosamente as suas patrias por si, c por muitas gerafões estereis, a divida, se o é, da instniccão, qiie ellas lhe proporcionaram? A educaqão prl-blien é por tanlo tini dever e u m direito do Estado, ou é antes uni direito, conio çondi&ão do ciimpriinenlo do dever. A aula com o crinho tia officialidade representa a garantia, a scguransa do liso d a s prerogativas civis do honiem. Se ha circuliistancias natiiraes e fortuitas, qiie pociem miiiias vezes cnpecital-o para o exercicio d'ellas indepcndenten~thnte d'essas hahilitacões formaes, e documentadas, R lei, que não se faz para accidentes, para effeitos menos ordinarios, procede com toda a lugitimidade, tornando o brigado o cursa dos seiis estaklecinientos d'instructão pelo privilegio de poder constituir um direito d'accesso ao goza d e certos foros d e cidade. Não é com outro intiiito, qiie*sc estabelece essa gradação escholar, cujo ascrnso deteriiiina a niaior ou menor habilitação para certa ordem de servilos politicos. Acerrliieriios-nos por coiiseqiiencia d'esta ideia qiierida, tla i n s t r ~ i r ~ ã o official e obrigatoria, como a unica s a l v a ~ â o possivel c10 fiitiiro ! Não nos desvairemos pelos excessos da phantasia ; não nos deixenios cegar da luz fátua, com qiie os nossos inimigos @osacenam, como sancadilha formada pelos nossos proprios principias! Ao lado da idea-

lidade, que nos aninie e inspire, o correctivo da reslidatle, que tios dirija ! D~senganenios-nos, que 6 pelas nossas proprias forcas, que nos quereiii fazer catiir. A academia é a pririiogciiitn dilecta dos grandes pensamentos. Alas qiic se rifio deixe arraslar pela scduccão dos setis pres~igiosnos al)ysiiios dos extreiiios. Se os iiiysterios, os segredos do porvir s e nos abreni pela instruccão, que d'esta colligiiios a convicção fundaiiiental coiii a rlrial entrcteiiios rias lides e lides da civil i s a ~ ã o povo, -que só a luz alluiiiia se reverbera do (10 ceiitro, o Estado !

INf E R I

h crianca significa a suiiiiiia yuestão d e teiiipo, eit) q u e riveiiios. A c r i a i i p leili IM berço a paz ou a guerra do filtlli'0. VIÇTOR i i U ( i 0 .

Metade, tio qiie conhece do niuncto material e riioral a iiiais vasta iiitelligeiiria, adquiriu-o na infancia. É n'esta epocha da vida, que a torrente das id&as, boas oii iiiás, exactas ou ititbxactas, accurii ri Iadas pela tradicfão hitiiiaria, se precipta coiii riiais f0r.a tio nosso espirito. O ensino voluntario (? previsto e serii coiiiparafào iiienor do qrie o involuntario tlesaperc*ebido, yiie do educador ou do mestre, recebe o educatido ou discipiilo. A. i i s ~ c u ~ ~ n o .

. ......... . d a esttipida ig:ioraricia nionslro que iironstros cria é outro nionstro pai, monstro que abracar finge e iiiartyrisa a infancia, Itiolock assolador das obras d e Adonay.
É seu nome o rigor. O rigor ignorantr yresiiqpfoso, iiiipio, atroz réo, nragisirado algoz, tornou á escliola horreiitla a infancia alegre e ariraiile, e da esterilidade o ariattieiria lhe iriipoz. CASTIL~~O.

Brilhante e iiiagestosa trilugia de evangelistas, que nos proz d e entrelaçar n'unia iinidade synibolica da nossa religião social ! Victor Ilugo ! Ilerciilano ! Castilho ! qual mais philosopbo, cliial iiiais fecundo apostolo da luz popular, qual mais geriei-oso iiieritor d a mocidade ! A ~iiauliã do porvir sorri entre os carinhosos afle(gios d'estcs niissioriarios da verdade social, que lhe abrem O expleridido sol das suas glorias! O futuro reverdece, e eriflora-se, entre as mãos pornareiras d'estes cullores da iní'ancia, que lhe consagram toda a vividez das siias crensiis, toda a Iòrça d a s suas conv iccões nioraes. Possa o eclio dos votos d'estes levitas veneraveis do tenipio de Saloiiiáo recilpertir-se aqui, patria coiiintuiii de, todos pela legitiiiia carta de cosiiropolitisiiio d o pensar; e do meio da rui tias da perversão ultraiiioiitaiia erguer-se o signo regenerador da iiistriicção nacioiial ! Coiito cortejo d e suniina veiieraçào pessoal, e interpretração d'esta cornniiinidade d e nobres desejos, é que lhe addicionaiiios reflexões nossas. A aiila do povo, o satictiiario officiai da instruccfio, o propiciiitorio yu l~licod'esse fogo de Proriiotheu, roubado a o Ceu por Ilie alliiniinr a estrada, reverbero das glorias d o Eiiipyreo, espirito ariiiiiador das gerac:õtls ; a eschola regia entre nos coi~slituida apezar das investidas re, accionarias, segrindo as indicacões nia is gei-aes do boi11 senso, sob a tiscalisacão governaiiierital, i: utii asylo profano da iiiiiiioralidade, da crueza, da escravidão, e das trevas ! O progresso, que por toda a parte se denuncia, o desi~ivolviiiieiito v i f 7 0 e urii\ersiil da civiiisação tainbeni teve

a sua vez tl'erilrítr ii'estc piiiz ; nias parSoii Ws portas da
esrhols 1 Esse .~iigiisloreriiiio, por iiiiia aherrayão da ordeni das coiisss. repi1Iiri a I i a i t a niíigesinsa do progresso, e cri1 vez de sc c'oiistitriir a estíinc.ia Irirsiiriosa da verdadeira petlagogiii, o Deiplios c.hristáo tla tloiitrina, o sancta saticto~-urtttla (.,isii d a s i 1)ctloiia, iita ti teni-sc o psostibiilo repiigtiaiite, e iiigratn, tias orgias tlo ctisitio ! Lli dentro, t h i i i \ cz dos suceixloies, teiiros cilgozcs da luz; rio lugar Jus rIieriiI)iii~, oppi-csaoitks,tiiii: Llagellani a irifancia, qiie corrorilpciii a riiocidadc ; por a b l a ~ à o holocausto~ o a hecatoiir bc ! As escholas pi~iiiiaiiassobretiido ; ayuellas, que abrem os iiiyslerios do petisariierito a vii.gititlade dos espirilos pueris; as cjiie dissiparii o iiiais caligiiioso d'essas riuvens da iiiscie~iciairif,iiitil coiii os raios niatulinos da instrucção; as que sitrprelierideni essa innocerite ignoriiticia corri a aiistesidade das lelriis ; as qiie rasgíiiii o veri d'csse teiriylo de poesia, coni a profanscáo do culto positi\o do alphaheto; estas escholas, qrie involvem nos destinos da infancia a sorte da hiiiiianidade, são a pedra d'escandalo da civilisação, coliiiunas d e flercules do progresso, dique nefando, onde esta corrente de prospei.itlndc iiriiversal se repreza, prcciirsor foriiiida~el da decadeiicia das sociedades l Coni effeito, yueni entra n'essas niansões liigubres, e presenteia a severidade d'csse carrasco ?ue ein nome da sua corriniissão social dicta leis orientaes do seu tribunal iniplacavel a tini bando de avesiiilias aterradas, aboniinando as letras rio mestre, detestando o saber ria dareza do ensino, tigu ra-se-nos assistir á decapilacão do futuro ! Essas flores seiii o perfuiite da alegria parecem-lios o

annuncio (li\ procella: a ii~iveainegra, presagio tetrico da tenipestarle iiioral ! Oh ! qiieni não respeita estas niimosas larvas humanas, qiieiii seiii~iana primeira ciiltura d'este terreno melindroso o geriiien da r o r r u p ~ ã oé aboniinavet como o alg oz! Plantas teniies e vicosas, rcgadas c80m a agria impestada da crueza, levani na seiva deteriorada o vicio d e toda lima g e r a ~ i i o . O niesíre, qiie e tini ediicador, q u e representa na sociedade a trarisplaritagão dos cuidados doniesticos, que consiil)staric.iti tio seti encargo publico a dobrdda missão do pae e da rii5e, a niissão da sinioltanea ctiltara do sentiiiienlo e da iiitelligeiicia; qiie é duplo sacerdote d o sacrario intiiiio, -do coracão e do espirito; o mestre deve ser unia entidade piirn, como o evaiigelista, dedicada, conio o aposlolo. Se a o desvelar o niiindo pela vez priiii ira a rudeza nativa a surprehendenios coni o mal, essa in~pressão o desd conhecido grava-se, tk fixa-se, conio o niysterio. A direq ã o dos destinos do hoiiieiti detern~ina-seno primeiro 1110viniento. Se este Ilrr iiio~trao abysriio, ii'elle s e precipita com a fatalidade d o seti inipolso. Se a nioditicacão do instiricto, se õpera no senlido da preversão, abafam-se, supplantam-se as inclinações generosas, e nas luctas da natureza triunipha o principio da reciccão. Fortificada pelo reforço da i~nnioralidade inspirada e instilada na presistencia da accáo, o crime resurge d'este laboratorio torpe coiiio unia creagão dos infernos. Esta3 tsisles verdades, qiie não escayani a sagaz especiatão dos assassinos do fucriro; estas conseyiiencias certas d'iinia iiid eschola da irifdiicia, expliçani a inauutenção

B

deploratcl do eFtadu d'ella entre nós estado, i j s e se JUSreiila por aia I)arad«\o d c ri\ iliaii~ãoentre o evaiigelisiiio iiicaiisavel do s'stenia d ' a h g o s e variiihos prtlagogicos, ,I u d e ~ i i iniereri(jo a Casiilho, C O ~ I I Orelribuifão da sua de<l ieasjo patria, o ninrtyrio d e unia reagrncia despeitada, V i rolenta, aos s t . 4 1 ~esforcos de regeneracão infantil. Mas estes furores iiiesnios, esta intolerancia no ataque d a iiiais benetica inodilicdcáo que u n i prodigio d'engenho, c aiiior podia trazer eschola, essas di~itriht1s rancorosas, c0111que s e condenina unia refornia totia carinhos e a t e ctos, estão aiinunciando o irifliixo da reacsão d'a!eni dos Alpes, reaccão destruidora de todos os elenienlos de futura liberdade. Estes inimigos da luz niio querem suavidade, alegria, n a eschola, qiierein u m pedagogo sinistro, antipathico. odioso, feroz, d e focinho rispido, coirio dizia Tolentino, personificagão viva, eiirfiri~,dos seus principios, A escholuniltilo, designacão iiiiiliosa, corii que o propheta dos dcstinos da nossaYe d i i c d ~ á opriiiiaria, representa a indolc Ie3itiriia d'ella ; a eschola attrativa, carinliosa, syiirbolo O e affectos, i n i ~ g e i nde inaternidatle, odeiani-n'a elles çoiiio senierite prolifica d e progresso. Querem na aurora a escuridade da noite, qiiererii na priiiiavera a tristeza do oiitonino, quereni iio berco a a~iticipaçàodo tiiiiiiilo; e o despotismo no niestre, e unia obediencia aterrada no diseipulo, completam esses desejos 110 sonibrio quadro da disciplina d'essas aiilas, que representam a iiiiiiioralidade em acção, a liberdade iio patihulo, o futuro na p y r a inqirisitorial! Mas é que para vbs, filhos de Sancto Ignãcio, a crianca sigrrifica u m a materia priiua dos vossos artefactos de riiiiia, c nada niais ! A iiialea bilidade d'clla é unia circuiiistancia

natural, qiie se aproveita na iiioldi~rad e vossos caprichos e q u e facilita a preparação nefanda da vossa industria, da criniinosa actividade de vossas officinas. O s educandos sahtln~ d'essas aulas com o fusil no pé, entidades abjectas, q u e realisain o ideal dos cidadãos das republicas, yiie l)haii~asiac.s. Terror, castigos crueis (I), preniios -eniiilação no vicio, R instruceão propinada, nada mais 6 preciso para essa transu bstanciaçiio degradatite, para essa forrnayão niilagrosa d'iima segunda na tureztt humana, mas natiireza de abjecção, d e inrnioralidade, de crimes ! Qrieni leva a malignidade a estes extremos attingiu a sumnia fthreza d e que o homeni é capaz! Infancia! imagem vencrauel do futuro liuniano, sginbolo d'esperanças, arca do testaniento do passado, quem a não adorará? quem ousara tocar essa urna preciosa dos gerniens d o porvir, queni ousará polluil-a coni a corrupção, com o crim: ! Sois vós degenerados filtios da Igreja, vós q u e tendes em C o ~ i s r o eneiiiplo da venerarão pela e d a i e d a innoeeoo cia, dos affeclos, dos carinhos ! Venbtc! ad me! clama-vos o mestre : e vós que fazeis ? repellis essa raça condemnada pelas vossas vingancas; ou, se a acolheis, se a agazalhaes e sob o nit\nto da venenosa intencão d e a corromper. Mas se inda ein meio d'estas calamidades morães, d'esta libertinagem e nialdades ha uma salvação possivat, que o grande mensageiro d'ella saia d'entre n6s, que o nuncio da boa nova surja d'entre o sagrado fogo d'esta inflam(1) Na.villa da Palhada sita na estrada de Coimbra a o Porto, mostra-se por curiosidade iocdl urna varanda d'onde u m mestreeschola precipitava os altimnos delinquentes em ar de castigo l N5o 6 de mais omniosa memoria aquella d'onde Pilalos offerecia CHRISTOaos ultrages da Galileia.

niacão liberal da academia ! Sim. O redeniptor social não veiu ou não veio a redempção! Inspirados e animados dos, estiniiilos d e liberdade qiie os nossos mestres nos I~gan~, deveni ser os hracos energicos d'esla mocidade, que arranqiieiii d'esse etztressolo soci;iI os niintliros da civilisação para os rrgtblierar ,'i liiz explendida da penalidade pela instrucção. Das vcrdatlcs, (Ias creiicas fiiridanientaes com que nbs entreiiios nas litlcs iriiiiiediatas dn sociedade seja mais esta - clt~esó s l)r,indn e carinhosa etlucação da infancia nos pode salvat. o fiiiiiro. Coin esta por insci.ipçiio da nossa bandeira n~archeniús graiirle cruzada, que tendo por estiiiiulo vivo, por Pedro eremila, a Victor Hugo, nos assegiire a conquista do sagrado cofre da regeneração popiilar.

Empregar toda i1 forca viva tla mocidade é uina .das exigencias e das consequencias do espirito e da organiD . PEDRO V . saçãio sociaes da actiialidade. Coin as condigões, que tenios visto, corn os elementos d'iinin nioralitfatle forriiatla entre os exemplos, e opprcssão d'iima disciplina criia e brutal ; coiii os estimiilos de saber tlespertados entre o tlogina tismo d a ignorancia intolerante, os educnndos pii blicos passain as esyheras superiores da hyerarchia das escholas; e estas, onde o principio demolidor prosegue eiii sua obra na ascendencia proporcional ao grau d'ellas, o espirito dos moços acha-se em presenca de uma depressão siiccessira da sua grandeza, fomento incaasavel da sua abjecç$o! A natureza, na juventude, manifestada d u m a como que intuicão niilagrosa da sua dignidade, reage, verdade é, e, muitas vezes, vence, n'este continuo assedio d'iissaltos W acionarios, n'este presisien te combater do ultramontanismo,-Proteii de mil feicóes, que assenta campo cm todas a s

classes, eiit toilas ;is iiistitiii~»i~so acç ; iiias os raros triiim~ c tios tle i ~ i ~ e l l i ~ e i i c iiiicnos vulgares não pngarii tantos ai; espiriios I,er<liilos, iniiins talcritos i ~ ~ o r t o s , scilbcados sob o I,C\W O<Icspoticod'iiiii;i pedagogia aciiiilin(la, infccunda. Jlarclia a iiioci:ltide sohre urii viilcão, viilcão mais real, c iirni; Iieri.goso qiie esse que Tocc~iicville aiiiiiinciasa na tril,iirin fraiiccza, porque é d'iriflariinia~ão iriterrninavel, {lJe';plos8o persisti:nte, c se ella [ião póilc tirar d e si alentos solirena triraes para essa pcregrinacáo e iiieacada, cercada de conlingenc~ias,tiãc! tia alii solicitude ofiicial, q u e n proteja, qrie a tlcfentla dos riscos d a desrnoralisa~ão da c corrupcáo dogrno tica. O Estado, a qiieiii por toda a forla das considerações, que havenios espeiitlido, pertence a vigilancia regulamentar, e interfesericia directa eiii objecto d'instruccão social; o Estado que p o d i ~riti i~rgencia d a s circumstancias converter a aula pril~lica n'uni generoso instriinienlo d e prosperidade nacional pela Iriz, nianteni-a, em todas a s graduagões d'ella, uiiia fonte que seccou , terreno a bandonado d a criltura, vasto deserto d'ensino ; deserto, que fatiga os espiritos e nem iiiii oasis Ilie depara onde se refocilar ! O susteriia gera! do seu organismo C o syslema natural da hyerarcbia, systema qiie transige coni a lei universal - nihil fit per scrltrcs; systenia, q u e s e conforma com as exigencias do espirito humano, por ciija debilidade de apprehensão dcniaiida a transicão bem regulada do simples para o conip!r:xo, do fiicil para o difficil ; systema obrigado na illustrqão dos espiritos, metliotlo absolutamente inipreierivel no ensino ; mas que entre nos não satisfaz a todas as reclainacóes dos espiritos discentes. Na verdade, a structura particular dos nossos estudos é na sua foriria actual, unia violencia d a s intelligencias,

meotavel desperdicio do iiielbor obreiro da illiistra~ão o tempo. Ha, verdade é, dotitrinas, que teni entre si tal connex8o genealogica, que não podeinos, por assini dizer, eniancipal-as do seu poder patrio para as estiid;iriiios, pura a s coinprehendern:~~ solitariamente, independenteiliente das suas estreitas relações ; nias esta obrigação natural d e dependencia deverá, quando niiiito, ser sanccionada nas provas publicas, nos exames proprian~ente,que dão o CUnho de' ofieialiilade e d'ha hilitncóes sociaes a esses estudos. Trascender esias eiigeiicias tfe preparacões condicionaes vediindo, negando, o ensino, a quem transgride esta togica d'applica~ao, é desconhecer a forca, o valor legitimo d'essa requisição de methodo, é reduzir o ensino, 6 iautilisal-o. A força e ordem d'assiniifação não tem leis geraes, são qualidades ptiraiiiente relalitas, e s6 se acatam as predisposições intiividuaes, a capacidade variavel d'individuo a indivídtio. nbarrdona~do aoaprazirnento dos aliimnor a livre eleisão do seu estado. Matar aios w o s a iniciaiiva na sua applícacão é, além d e t ~ i d oniais, priva!-os d'tima ,conio que pequena gloria, que os estimula, que os incita pela emulasão, eni que se resolve, nHo desmaiar entre as labutayties espinhosas da sciencia. Qilem sggrava, quem semeia d'estrepes d o desgosto, e das conlradicgõtts, vereda diçficil das lettras, nfio pode aliiuen~r esses oolires a ffectos do apostolado d a r Inz, náo arna a generalisaciio da saber, a nniversaiissção do ABC. Este C u ftindameoiol, é o vicio mais grave da nossa

eobre a liberdade, seni pro\ eito, neni conseqiiencias para os progressos da instrucyáo, e , sobre tudo isto, u m laiiien-

instrlicçáo ; mais grave e fundamerital, por que d'efle resulta O tardo desinvolviniento do espirito, a morosidade da sciencia. hlas 1130 é só isso ; as nossas aulas regias são eni tudo um arraial ad Iioc, aproveitado pelss estrategias reaccionarias, a o qual se arrtistaiii totlas as luctas d o passado com o l'iiltiro, do hcryo corii o tiiriiiilo, e, por colierencia bellica, o pavt!z dcsiiiaiitclado (to vellio absoliilisnio llieocratico teritti defeiidcr as iristitiii~õesniorlas, conquistar para ellas o cspirito das novas gerafies, e traz a esta perigosa a reiia dos seus ccrn ba tes, os principios d'ella sob uma forma ~ysteiiirilica;sopra a s cinzas da escholastica, e involve-as nos seus lavores facciosos. Ao passo q u e ao ultimo abalo d e Descartes as nações cultas se abrem ao grande dia da razão, se sentein encrgicaniente inipeliidas para o reinado livre d o pensamento; aqui, n'esta terra tão vaidosa, alias, das suas instituições e tradicções liheraes, a aula piiblica jaz, por força d a sua eoiistitui~ão indole legal, sobre o predomiriio degradatite e do despotisiito escholastico. As tendencias da PORCA V I V A da mocidade são abafadas pela forca niortal da auctoridade, os voos da intelligencia cortados pela thesoiira iniplacavel d'um dogmatisnio inopporttino, d'uni ipse dixit deslocado. O conipendio representa n'esta conformidade a sentença passada a escriptrira, a sèntenca impertinente, recalcitrante, inflexivel, das aspiracões scienli ficas, razHo permanente da esterelidade do ensino, alinlento obstinado d ' a ~ tipalhia, d'enfado no estudo de doutrinas, que n'elle se phocilisain. A novidade e a expansão, que tanto lisongeiain os affectos da jiiventude, yiiebrarn-se, desfazem-se contra esse rochedo iminovel e irifecundo. O niais forte e ardente
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zelo d a s lettras apaga-se i primeira rajada d'essa intolerancia legalisada no riiethodo conipentliario. Ora pois, accrescentando a I O ~ rsta infriirtiiosidade d'enR sino as tfoiilrinns, qiie toriiari1 parte na prcl'ara~ão para as atilas stiperiorcs, o tliin(1ro da aridez roiiipleta-se com R I O ~ ~ Cvotii a rlirtorica, coiii a lioetica, e c111 geri11 com II, toda a iiiatcrialidade, qiic se insinria, que se infittra nos t:spiritos jitvenis. Logica ! mechanica do pciisaniento. Rhelorica 1 niechanici~da palavra. Poetica ! nicchanica (10 bello :-qiie pliilosophia, qiict eloqiiencia, que porsitt teni gerado estes esttidos ? Dos sylogisiiios d'ilristotelcs, qiliiiiros Descnrtes? Dos tropos tie Qiiintiliano, qiiantos .Josés Esteviíos? Dos jariihos dos Escaligeros, qiiiintos Victor Biigos? qiiantos Garrets? cliiantos Thoninz Rihtliros? qiiantos Castillios? A philosophia, a critica historica, a litleratrira, a s lingiias vivas, tii(10 illti(lido, t t ~ d ot?iirlado, pelas regras e nocões serii frindo tfe Iialiiles, pela chronologia seni siihstancia dos fartos passados, pelos precriios iii~perlinentesd e Qiiintiliano, e otitros grariirnaticos, pelas infecrindas exigencias do latim e do grfigo coni prefcrencia a tantas lingii as, ctijo coiihecinierito o tr:icto d'hoje, os progrersos da scierici3 estão pedindo no ensino obrigado dos niocos ! Esle e na niais siiccinta generalidade o estado suhventnneo da nossa instrtit*c,ão pu hlica preparatoria. h fogiieira inclti isiloritil parece reaccender-se n'estas trevas; os sripplicios do potro, a activiclade dos Frei Rohertos parece reaniinar-st: (12 a honiinavel intrnsitladc 'oestes escuros carc*cres do espirito onde a luz é só bastante para alliiiniar d'horror o repellente espeetaculo da *sua niiseria ! Desesperados de avivar as niagnificencias sinistras d'es-

sas repiigiiantes Iiecatoiiihes, que se diziani por aniarga ironia-autos de f i , os obreiros da olygarctiia ecclesi;istiça, diliciaiii-se na lortiira iutellectiial pelo syloyistno. É qiie o sylogisiiio fralei.iiisa coiii a pyia do saiicto oflicio na origeri1 iil~jectado iiiesiiio pi.iiicipio - a iiilolerancia ; e, conio ella alliiiiiia a iiitelligeiiçia coiii esse rlarõo Iiigubre e baço, que precede a stia qiieila nos al)ysiiios das trevas, nos mysterioç treiiieildos da noite eterrta. Alas esta sitiiaq.ão de depravasao iiiorril poderá presistir por iuiiilo teiiipo Y Nos os íilhos aiiiantes da utopia geiiieriios sob esta pressão do constrangimento das leis naturaes da civilisa~ào: riossos gei:iidos não despertará0 a piedade e de ningiieiii? S e r i necess;ii.io, que a forca das nossas cren$as, que a energia d a iiossa iiioialidade toiiie iiina iniciativa estrondosa n'esta regcineragão das escholas? Por cerlo ! E é iiiistei. arriiricar dos iiia is iiiysteriosos recessos d'esse pat~ienioniode orgias tisqiierosas as legiões eriihriagadas no zelo iiefando d'uiiia v iiigança incoiiipreheiisivel, e huiyanisal-as pelo castigo ! Que a tolerancia não nia te a liberdade ! Se. os gotiernos d'esta terra esperani pelo desafogo da iiiocidade, viilcaniça nas suas aspiracões, a retoliicão, que é uni principio de paz, póde resolver pela guerra este problema das sociedades niotlernas ! .. Mas é teiiipo de descernios a o iiltinio dos infernos d'esta terra. A Universidade de Coiiiihra esta esperando pela visita.

No seciilo xix e n'iin, governo representativo e unta caricatura o ver a Universidatle conio um estado, no estado re~estidadas insignias da meia edede e obrando em tudo inc~nisitorialnicnte. DOUTOR BARJONA. Triste espectaciilo ! desanimadora perspectiva 1: A liiz d e D. Diniz, ttpagada ! o faclio, qiie outp'ora alliiniiou Portugal, ariiortecido! a estrella iiiiitiitina do nosso progresso, eclipada ! Dobrados pela saudade sobre a s riiinas d'este presiimpiivo reducto das liberdades patrias deploremos uma magniticencia ca tiida ! Fii tios esperansoscp da li herdade ! accridi pelas instituicões domesticas anieacadas no desmoronaniento d.este capitolio das nossas leltras! Cniversidade! eniporio do saber, urna dos destinos do povo, ediicadora da juventude, resiirge siquer diis tradições!*desperta ao brado, ao menos, do teii passado honroso ! readquire o logar que a tua historica missão te apon-

ta ! elet ;i-te eiii tirit d'essa a trophia riioral, em que jazes! reviuc i litz d'este sol d e gi.aiides priacipios liberaes, qiie fei.iiteiitiii~ por iotfa a parte, abraca-te coiii o idolo da yairia, e sil rligriii dtb ti ! 0 1! iiiar; p;ir;i (liie é clainnr a iirii cadaver! D'essa vida, 1 que se est iiliiii, rcstniii alieiias reliqoias repiigniintes ! e cliegndo o iiioriieiilo cle as retolver, sinto que iiie repdle iiiii seiiiiiiieiiio de a i ersão, de horror I $ que a c o r r u p ~ ã o , que se cspliacela, ti iiriiipatliica aos oibos, conio ao peosaiiiento o desriigíirio d a s nossas d e s g r a p ! Fi~iiilada a iiisiaiiciiis do clero por D. Diiiiz, e definitivaiiicrite i~,ssciilticlaeiii Coiiiilira rio anno de 153'7, a Universidade 6 ~iois coiiio riiiiitris unia gloria, qiie se apagori, uiiia coiig~iist:~, se pci'deu ! O eritli~tsi;isiiio da sbataque Itias, divertitlo iiiir poiico pelos generosos esforcos do Rei regeneratlor para os prelios iiiais iliustres das leltras, celebrou esta iiislituiyáo, cjiie accericli,i o zelo d o saber n'iiii) povoendiirccitlo pelos c.oiiiliates, 1)arbarisado pclcs 11-iuniphos,niais propenso i i s iiiyiiicta~òesda giierrii, do qiie a estes ocios do estudo, osios iiiais irioleslos, no entretanto, que a s fadigas c siiores do corpo. A poe3ia nacional seiirpre proupta a erigraiitlecer a patria saiitlou este aconleciitienlo, e o cantor dos nossos faiiiosos feitos, entrelaciindo coiii tantos m a i s este triuiiiplio iia epopeia poi'tugiieza, elevou a ixniortalidade do scu riotiic, o rtoriie do seu grande irislitiiidor,
Esle fez erii Loiiiihra exercitar-se

o valoroso oflicio de Minorva e d ' f l e l i c o r ~ aa s riiuçus fez passar-se a pisar d o lloiidcgo a ft?rItl lierva.
Qua~ilo pcídc d'A l l i ~ r i a s desejar-se t u d o o siiberbo Apollo Lrcl\ii reserva, n ~ i u i s c a p c l l a s d k tecidns d'ociro a do Hacliliro e do seniprt: verde Louro.

O regiriiento fittercirio recebido pela Universidade d'enfoi iiiii progresso iodisputarcl, iniiiienso; e os seus dias d e niaior florescencia ~ ã o esses assignalados pelos energicos es~iiii iilos da i t o ~ i d a d e . M i t s este esta belrci nien to prortiovido pelas intenuões, por certo, a s iiiais desitieIic*iadas -do grande A Bbade d'Alcoh;iça, prior de Saocta Criiz, e oittros, devia trazer n'ésta origcrii ecclesiaslic(i uiii coiiio qiie cuii!io d e ulterior CGrriip~fio,que iiiii is tarde se iiiririifes~ou. Assistido ri'esia iiiesiiia origeiii, e inda na rcfornia que Ilie deu o Rei fnncitico, r u i m de condigão, e inapto, chafttuilo D. J0fi0 I I I , por intuitos civilisadores, e conservando ailida o ti.0 d'esta viriiidç: riat:i, quando ella protestava pel;is bocciis discbretas dos iiieslres, qiie esse Rei lhe tinha dLido, coiitra a irivasâo dos jesuitas, o rlelinitivo estabeleciIiieiito tlt: tal ordetii d'usuryadores dcv ia dar o sigiial da sua deca:leiicia. O pii~ tido, q11e rtluriiiava a religião chrislã coni a luz horrorosa tla f'ogiieirir, d o Sancto oílicio, que derraiiiava por sob1t: as pdgillil~ do E \ a iigc!tio, - p;iginos sii bliiues de toler<l~ic~a aiiior, o rebei-vero Iiiguhre d'esse incendio e das aliiias, iiias inceiitlio coiisuriiidor d'affectos, devorador da Se, c d a csperaiica ; o partido, que precipitava esta orgullios,i. nacioilalidade rias fauces do Leão de Castella, náo podia deixar d'esterider uni reflexo d'esse clarão niortuario, c de coiiiiiliini~ar uiii accelerado iiiipulso de riiina ao sancto palladio das legitiiiicts crencits, e autoiioiiiia vencravel d'este povo. Cnnveriido pois, iiia is ou nienos, eiti capi tolio de principias roiiiaiios protr~ihiiiella sua esistencia esieril até ao reinado activo de Scliasliiio José de Carvalho. O despotisiiio d'este, reiiiedio heroic.0 rios graves extrenlos, eiii que a vida
tão

d'uni povo pcriga no esvalieeimento das crenças patrias, a energica accáo do iiiinistro reanimador das nossas glorias, e do nosso nome, não podia deixar d e se voltar, por siia vez, para ;is niinas da graiide fabrica de D. Diniz. A reforiiia porein foi, qiie se operou, foi ciina refundicão, iiias não uina depuração. Os estatiitos dados á Univer-' sidade, i parte o seu extraordinario rnereciniento litierario, qiie ieiii feito cegar mais que tini admirador d'elles ; qiie iein desvairado a criiica a iuais que um esquadrinhador de todos os priiiiores scientilicos d e tão bello monunienio ; este repositorio vasto e niemoravel de saber foi, por v i rtiide d'esta sua propriaqualidade illustre, um0 a herracão, i i i i i contrasenso legisla tivo, unia anomalia regrilsiiieiitar, codigo acabado de despotisirio escholastico I Coni el'feilo, niethodos, systenias, opinióes, noções, divisões, classificacõcs legalisadas, dogniatisadas, é a supreriia compressiio do pensar, é a ultinia si~bliiria~ão tyda rannia da escbola! O ipse dixit nunca assurniu fórmas tão violentas! O systeiria couvertido em lei, para se impôr sem replica, é unia loucura, e um triptidio delirante, Defando, sboniinavel l Mas, notarei paradoxo! iiiexplicavel incoherencia ! Ao passo que as doutrinas da emancipação philoçophica, nascidas com a insurreição irada, rancorosa, e desmedida d'excesso, d'esse pertendido cystze das prophecias de João Hus (1); do pato, que á borda'da fogueira expiatoria, como iim ultiiiio canto d'an~eaca,proniettia uni vingador; ao niesmo tempo que o grilo liberal da humanidade recupertido nas sciencias regeneradas pela revolução Cartesi ina, desper(1) IIus em l i n g u a boemiri sigriifica pato e dizia Joáo Hris: <celles assam o pclto, mas virá depois o cysfle qiie Ihes cantará.^ Luthero, n o seu querer, era o cysne agoiirodo f

tcivam o grande espirito de Sebdstião Jose de Carvalho para debellar n'esta terra a sophistica eschola (duro i n r trumento de tfio grato beneficio !) para proclaniar os foros d o pensamenlo na nossa instriiccão, elle irtf.siiio legalisou a oppressão, sanccionori o despoíisiiio, qiie qiieria condemnar, conl essa carta constitutional da sciencia iiniversitaria. Na verdade, estes esta tu tos repellindo, por rima exageração da legitima esphera, qtie deveram nianter na qiialidade de lei pedadogica, ao niesriio teinpo as discussões subtis, diffiisas, dilatorias, e estereis d r philosophia peripabetica, e a opinião da metaphysica dos Arabes, que profanou a jurisprtddencica, qrre fez disputccueis as regras mais wrtus de direito auctorisoti e legitinioii a polem'ca d a eschola e o arbitrio da mesma nietaphysica, involvendo n'unia discussão inopportuna as escholas da jurisprudencia, e proclamando pela auctoridade regia, por uni mero zpse d i x i t , ( o niais aviltaate, por que se defende com a magestade da derivasão), a esctioia Ciijaciana sobre todas, como a unicu, que acertou o uercladeiro c u m i ~ h o gentzilza da interpretacfio de todas as leis :por que isto se terri asserttado entre os JCtos mais subios: que nfio ha NEM PÓDE I I A V E R ! outro alyunl carninflo para a boa jurisprzsdencia, s m à o a que descobriu e mostra a dicta eschola!! Já vistes dialectica mais despotica? mais pertenciosa arbitrariedade systeniaiica? A nietaptiysica dos arabes, a metapliysica dos sultões do Oriente nunca se lembroti de se sentar no throno, e de diclar a seus rebanhos de vassallos, sob a inpeccabilidade da sua sciencia, sob a certeza do sei1 saber tão ridiculas leis phi!osoptiicas! O papa, inda que fôsse capaz de se convencer, que era infaílivel, não ousava subir ao solio da inspiração poolificia

para lavrar uiiia bulla coni siniilliantes emboiias cloutrinaes ! 0 s progressos da sciencia si1 hn-ietter-se-hão por ventura a tacs pi.eieiisóes (Ia niictoridnde civil? Qiieiii tal crêsse, renuriciaia a iiiais s;iiit.ta fb tia vi\ ilisilyão, fdra tini sceplico do friluro, c r i i i i illota da fe. A fé é exclrisivaitiente propriii diis religióos, onde o dngiiia é essericia, onde a r e i e l a ~ i í oé o grande pri~stigiod'ella sobre ii ignorancia, q u e tende a debcllar. Qiiciii a iiiiportasse para o coiiiiiiercio da pfiilosolitiin a t ~ a l a t aa solitla replitayiio dJesta p r a p de livre Liaor.ad a s opiniões coni uiiia restriccáo intolcravel. Educar a iiiocidarle na fb st.ieritifica, é descoritiecer, q u e a qii:ilitlade trarisiloria tf'esse iristi~unientode c i i l ~ i ~ r ac v e d ceder o sei1 logar, qiiiiiido o espirito ptiilosopliico s e desinvolve, deve ceiler o pnsso, ao q u e sobre tiido é eterno -a razão, a critica, a iihrrdade. A r e v c l a ~ à o , e111 que. assenta a fé religiosa, iiiiiiiol,ilisa, consag1.a a a uctoridnde e a inlolerancia, porclue nial pótie haver iiiouiiiierito critico, upreciacão aleiiiã, neni tolerancia oride Deos é q u e m ensina ; e os espii-itos, qrie sc cri;ini para a deinocraciii não poderii abdicar dos foros irilellectriaes, niío podeiii consentir n'esta si!iiacão d e eterna iiifiiiicia. Esses p r e c e i ~ o s pois des estiitutos siio iiiiia iniportiiyáo, q u e illudiii a vigilaiicia fiscal da eterna lilierdade do espirito, e incoriipativeis coin a sciencia, coiii a livre eiiiissáo d a s opiniões. Deus deiiiitte nJella a siia aiictorirlsde; coiii niiiila iiiais razão o teiii de fazer os seriii-deuses da g o ~ e r n n ç ã ohuniana. A lei e iriipotente, os seus pieceitos cadricaiii arile a I'orcit d'estes principias. Se s e iiiipõeiii, iiiaii grado os despotas, estanios em plena aiiarchia ! Mas isda ha ii~aisgetieros d e tiirtiira nioral dos espiritos. Segundo os estatutos e eslylo observado de longa

data n'esta e erii muitas universidades, observa-se um meio incisivo e teriiiinnnte de toda discussão, oii, pelo menos, qtie terli essas pretenrocs, i. é, o riieihodo da synth~sa agravado no co,epr,t<lio, qiie foriiia iiiiia unida& d'eleiiientos cada qiia I iiiiiis otlioso,- nylithetico - co~npendiurio.Manda S. A I . coiii clbito, ?ire s r ~~oriliíirii parte os systemas amde p : o s e elin'iisos, a s controvcrsias jirridicas, qrie ttido se ensine sol) ;i fóriiia brcve tle priiicipios dogiiiaticos, de leis scieiitiíicns talvcz, e que cstas leis e esles principioa sejam redrizitlos ti foriiia subnlanciosn do coiiipendio cscripto ! As inteiicóes d'esta prescripyão deverão de ser itiuito desnialici,idas, nias o que não são é furi(ladas ;'porque se a poleiiiica, qiiantio se resolve na corifiisáo, dispersão, e deliiasiada tlilatag.ão, é nociva á sciencia, não Q é, se for bem regiiladti pelo profclssor hnbil, que evita a degeneração d'ella. As leis ti'instriiccão não se fazem, para queni estraga a s scieiicias, scn,?o para qiieni a sabe professar, e esse guia coriiperidiario, esse caminho é unia dcagracia~ãod o magisterio, rima liniitayão do ensino, niais que isso, unia compressão das tendencias a1iibic:iosas de qrieni estuda. Aias o que explicii csia corrio oiiiras anonirilias da conslititriicão iiniversilnria é a falsa presiinipcão, em q u e armam - d c que os nlrininos são intelligencias sem aptidão para a iiiiciutiva das espeeula~õesproprias, é a c r e n p , insultante dd dignidade juvenil, eni qiie assentam-de que elles são leigos em pensar, em discernir, e m appreciar. O estudo conipendiaiio para ninncehos expansivos eni tudo, em tudo aniigos de se dilatar, é arido campo onde mal se colhe unia flor, niuito nienos iini fructo. Espinlios 4 quando muito a prodrictivo feciindiJade d'elle ; espinhos hervados para o fuliiro, por isso que d'entre a niultidão dos amiientes a esta fonte d e sciencia, mais que um se p0de deterio-

rar no vicio d'ella; e levará ao seio d'onde brotou os gero niens trrinsnlissiveis de corriip~ãn,que bebeu. fi verdade que os Estaiiitos pela razão do curto teinpa votado aos cursos uriiversitnrios tendem nos votos d e seus illtisirntfos collaboradores a dar alcance nas doritrinas professadiis, o que só se oblerii pela synthese compendiaria e de~)ionstt*ativn;mas estes iiteis a troco d a liberdade, â troco da iniciativa individiial nas opiniões, s3o por extremo caros! Qiiem quer cortar qtrestões da philosophia yeripa4 tetica, qiieni quer apagar esse fogo de dialetiea subtil, e esteril, da escliolastica não carece de fazer tão crua a i w putaqão dos mais lui~iinososaitri biitos da razào. Eni geral todos saberno@, que discutir é illucidar, é esclarecer, é descobrir, e qiiein proclanin a synthese como remedio, quer trevas, regeita a Itiz; qucr ignorancia, regeita o saber; quer o erro, regeita a verdade. Ou a synlbese venha solitaria oti associada com a analyse é sempre infectirida no ensino. Se se manifesta n'um isotamento, e viuvez iinpossivel, é o dognintistno ; se casada com sua legitiiiia esposa, trabaltio de Penelope as mais das vezes; porque a toierancia na analyse é a destrui$fo ch, despotisnio na synthese. Se a s polenticas escholastieas siio um emprego aburive do tempo, se são uiila niá direcwão da dialecitíca natural, niío é o despotismo d'uma lei civil, d'uma lei organica dada a usi estabelecimento do Estado, que ha de vir fazer a scísão d'esse abuso philosophico, mas a eatiiral infiuencia dos progressos da ptiilosophia, a lei das revoluções scien ti ficas. Descartes inipriminrlo uma direcçáo toda nova e prolifica ás sciencias ; impondo-llies toda a v í v i d à dilata+bliilidade crescite et multiplicamini; dando-lhe por 40 estrada a reflexão livre, o raciocinio indepeadente, por

alvo, o infinito, bein podera ter estendido aqui a sua salutar e regeneradora influencia, se os estatutos pgr uma verdadeira illrisão de seus destioos, a não eiiibargassenl, a não iiiipedisae~ii;s e este pertetidido cotligo de garantias do pensanienío se não torriira, por unia hein sensivel influencia clerical, o codigo aberto do riltraniontanisnio na sciericia. Esta revolu~áopodera e devhra corneçar por unia orgnnisacão geral dos estudos, que, encariiiiitiando os espiritos para essa assimilacão geoerosa d'oiiia habilidade critica, iniciativa de pensarnento, que Berriard chama-espirlto philosoplrico, sieniticasse a definitiva adlies8o do grande ministro reforniador ás grandiosas promessas do apocalypse philosophieo do seculo passado, adheslo importante para o progresso geral de todas a s nossas letras, ar&$, e desinv~lvimentoinda dos principios religiosos, qtte em fim mais aproveitam com Abelard, qiie eoin Francisco de Sales. Com esta direcção, as nossas estholas poderiam ser proficilos propiciatorios de doiilrina e de nioral em vez d'açougiies da intelligencia, da livre reflexão e dos bons costumes. O grande pensamento de 1793, inda que exagerado, como são sempre os pensamentos das aultid6es, foi, depois dcniocraticas ind'infructiiosas tentativas, de eonstitaiç6-e~ çompativeis com o tempo, conduzir ao menos as g c r a ~ ó e s , herdeiras nossas, á generosa estanci~da verdade social pela via recta da ediica~ão.Este pensamento acho-o e11 representado em discreptas appliraçãcs n'um livro feito para a mocidade, que Vactierot c hanioii DEMOCRATIB, livro condemnado pelo despotisnia vigenle da França actual, da Fransa constrangida e oppressa pelo seii reginlen, conto a

siia melhor apotlieose, como n mais eficaz rccommenrlriçiio d'elle a tocios os amigos d a rerolugão. Ora pois, eni v irllitle íl'cslcs eiri hnrgos á na tiiral tcnden-

cia da rc,rrtlner;iyão scieniifica a organi,;acao dos cStiidos universitarios é iiiiia o r y n i ~ i s a ~ ã o . riolviita o progresso, qiie qiie nli!iwnta cssa nionoiiiania tratficional, tristt! gloria em qiie a decadencia se reclina coiiio cscrisa, a q i i e o orgulho arniado erii fiilso recorre para cotienestnr seiis vicios, para paliar siias faltas, a s i n i i l h a n ~ a d'iiiii tIcgt?neratln ramo d'egregia ascondencia, qiie se pertcntlc nohilitar niis obras estranhas, conio se não fora certo que c(í1iieni c.nm setis feitos não C claro, poiico lhe aproveita honrar-se (10s iillieicls)~ (1)Esta é a desditosa vairiade d'unia instititi~iío,qiie sem tirar incentivos briosos do ~ i 3 i i passado illusire, lorige de tomar nas refornlas a iniciativa, qiie lhe conlpeto, coiiio alvitre propria d'iinia jiisla desccn tralisnção, niio prolesta

pedias e oritras drogas sern valor instrrir*tivo, conservarido pelo seli ali'erro estupido ao passatlo, logo no liiiiiiir da faculdade jiiridica, as í n . ~ f i t t i t n ~o D i g e ~ f o ,dti1)lii cahcca c de Medusa, tliiinle (1a qiial se petrilic;ini totlos os estinirilos, todas a s aspirac6es philosoptiicas, to110 o espirilo critico ! Assim, com elementos tão acanhados, como OS qiie é possivel colher n'este agro indigenle cle scicncia velha, abnndona o alrimno fatigado, a borrerirlo, cinco annos, continuados de desgostos, cinco annos de aborrecidos b;incos, que involvem a epochs mais preciosa da existenriii. aqiieila em que as proprias illusões sustentam o amor do saber,
(1) Francisco de Moraes, Palnteiri~red'lgbglaterrn.

em q u e s vida ao desabrochar para o pensaniento e vigorosa e aventureira. Ein vez de se s p r o ~ e i t n r e mestas predisposições tão favoraieis, eiii \ cz de se fa.c-onearcrii estes aíl'ectos philosoptticos coin litiia direc.cão fuliz tla liberclade de pensar, de esrluadriiiliar, dc incliiirir por si, por seiis esforços, e pelo a iiuil io das iiid i c ~ n ~ ó eprofilssioriacs, escravisani-se s os iiioqos estiidiosos li glehit cslcril do coiiipendio, amarrarii-se ao potro Ilorrivel da intelligeiicia, obrignni-se tio niartyrio d a razão, arrastaiii-se ao patibiilo da luz! A Universidade, nas iiiotlestíis aspirações de seus proprios cstatritos, apeiias pótfe dirigir o gosto e adhesáo d e seus aluninos [)ara as intricadas tortii0:idades da seiencia, suscitar-ltics, qiiantlo iiiitito, a syiiipathia da applicagáo, deterniinar-llies esta docilidade d'espirito, que os prende, que os siijcita, as laboriosas inipertiriencias da Icitiira e do esiudo, desiri\olver-llies eniiim o habito, em que os mecmos esta t t i tos insisteiii, como o nieilior e niais pronipto effeito do seu tirocinio esclioiar ; e n'esta conforniidadade toda i sua solicitude, todo o sei1 eiiipenlio dev&ra ser por d a r incren-iento, fazer gerriiinar e crescer esse habito ao menos ; niai habito philosophico, hal~itofecundo - capacidade de sciencia. No entretanto, a despeito do humilde e baixo destino, que s e pretende impor ao estabelecimento, que coroa, na ordeni dos escholas officiaes, os nossos estudos publicos, eu quizcra vel-o mais anibicioso, e, na sua elevação hyerarchica, distribuir, semear, com q ã o larga e generosa toda a aniplitude de saber, que as novas sociedades estão pedindo. Com os tempos mudam-se a s exigencias. A civilisação philosophica é como a economica e material, que multiplica as necessidades com os gozos. 5

Mas se o ensino universitario se reger pelas p ~ c i i py6cs de seris estatuios, se se regillar peles indicações coitiesinhas d'estas pandectas pretenciosas, e ridiculas, nctncs poder"s;itisfrtzel-as. Monotolio circulo d'lxion réprodtizir-nns-ha eni a bsiirda rolay8o os mrsnios viciosos prineipios. Sii hslanr'i~r-nos-ha passhdo no presenle, anniqtiiíni.8 o toda a i r i ~ i ade niovirnento ; impdr-nos-ha, (parlirularisando) cnitr todo o presiigio da legalidade, entro m i l inepcia~, a theoria do -duta est a domino potastas- theoria n@fiinda, atteniatoria das iniiiitrnidades populares, revestida d'iiiii cnrncter de pia e mysiica verdade pelo innis deegrap t l n F improcetletiie sophis~i~a, sysiernatisar a spoiiapara $60, a tt~~irltacáo cltbrical, o11 para siinclilicar a torpe bajitlatão d a regin niagestade 1 Quem exeiiiplifica por esta forirta R daictrinn d'este c00igo g~ientjfico tem vin8ado tnittos dias de tortura e d'expia~iiomoral na servidão! Mas os estiitittos inda assim na elevada erudição, qrie lhes riiert8cerc n jiisto acatamento da Europa, estào indicantio, que seti s sa hios redactores bem poderam haver feito d'este regulamento litlei.ario mais estavel e duradouro nionunieoto, se, reduzindo-se aos legitimas termos, aito invadissem e sciencia coiii regras, preceitos e doernas (1); se não profanassem, pollriissem, envillecessern a pltilosophia coni r aiictoridade, se se limitassem a orgaoisação extrinseca d'um qiiadro d'ensiao, de perpetua mocidade
(1) A Brn d'impedir que com estas analysee se corte ou interronipe a serie das regras e dos preceitos que se devem d ~ rio r C o m p e n d i o pelo m e t h o d o synthetico e para que d'ellas se não siga corifundireni-se os ouvintes de menor capacidade, ekc. Est. tom. 2."' lit. VI, cap. 111, 8 41. Resume e substancla este psqueno trecho todo o vicioso systema de erisino dos eslatutos, e fundamento gratuito d'elle.

affeiçoavel a todos os progressos, fomento aliás, e estimulo redivivo d'elles pelos teriipos fóra. Assini coni inn caracter despotico e intolerante, com hilidade, e revelaçilo scienuma feicão de pretenciosa i nfi~lli tifica, se, na sita qiialidade constitucional, der origem a uma disciplina abusivn e tyrannica, nZio deve de causar espanto. É a logicn dos absurdos. A infundada presumpcáo da puerilidade dos espiritos discentes, da sua incapacidade de fazer bom uso da aiialyse, oii da critica, tem de ser coherente. O desinvolviniento da raziío dos moços considera-se conio obra a fazer desde os alicerces, e com a errada convicção, de que é preciso ensinal-os a pensar, opprin~e-se-lhes, grava-se-lhes, o pensamento. Todavia os espiritos, que ascenderam pela gradacfio d a s provas condicionaes ate esta ordem d'estudos da Universidade, não se podeni, e menos se devem, por credito das nossas aulas, presuppôr absoliitamente alheios a reflexão philosophíca, pupillos na sciencia que é mister guiados pela mão nas mais insignificantes transacções d'este comniercio lilterario. E a disciplina academica deve accomnlodar-se a este estado de suas intelligencias d'elles ; estado não tanto pritativo, como certo e positivo. Se ella o não respeita, se se prostergam ou olvidam estas indicacões do bom senso na legislacão regulanientar das escholas, a violencia é tão monstruosa, como barbaro o exemplo, que e!la promulga. O Regulamento de policia acadcmica de 95 de Novernbro de 1839 por consequencia de tão segura verdade é, para o não dizermo5 cahos de sandices, uma compilação rude e indigesta d'inepcias e despropositos disciplinares. O ultraniontanisnio, camaleáo de metaiiiorphoses na estrategia e na silada, tomoii n'estri sua obra prima o disfarce

da fraiernidadc e do carinlio; cobriii a capa d o evangelisii~oprilnl. tln iiisiriicyão rorrertiva; coiitrnft:z os gestos iiolt'iiin.; ilo ollio ciii r i g a r r s 1)entil'iços tfe 1)raiitfa e sriare r r p w - ~ f i o{li), peic;i(los jiii eiiis ~ i r l oirao d ' l i n l n jrist<r e doce set~er.itltril,~; nitllou os raiirores lríttf it.ioiiitcs eni cfeclatli.s>i rapit5- ii',itlel 1,). protestori qiie aiiin, qiie itfolatra a jriventll&!, p(lr~~i11

As zlins i)rrscrip~iks parecem-rios haver sido lavradas para i i (li)\ tri t ) ~ i l ~ í i(10~ s ~ t Siln('to-Otlicio. Leii(1o-as figurase-nos Ibttrr*urrer c3niiios 01 lios o regrilaiiicii to iiiorlifero cle Besirrs, e n r'tdii ~ r o f ~ t t ítc.cbclern-se o piilpilar do corara cão, rláu s t t i 30 I ) L L I ~ S florror, sc pelo tlt1speit0, qrie sentinios a o contt.ii~l)iar03 protligios d a iiiitl(l;ide h u i i ~ n ~ i a , se qite gloriflcn r i ' r i t i ~ i,tl*ci zelo de terdiidc, qric sc arictorisa nas Icis cj~ieella riiciriia corifecciona, e tliie ja se ostentou em toda a plenitude da siia ticdiondez nos tredos apparatos da Incjriirii~ão ! Todas ellns tcri(lcrii a dcsinvolver na penalidade universitaria o processo, qiie tornou celebre o fiiror d'este sangtiinario instrijmento cln intolerancia catholica ; o processo fan~igeratlo d'esst: florrendo tribunal, q u e inscreveti em lcttras de fogo, coiiio iiinocentc retabiilo tle p i ~ d n ( l eou siligelo ej)ifogo tle stia actividatle apoçtoliça - cinco niilliões d e tictiriias! que violoii os tuitiulos d e i'rgei e Arnaiild, para Itie reduzir a cinzas os ossos iiiscnsi\cis, n'um delirio d e t1ingani.a incoiirlirehensivel! tjtic fez cahir o seu ana tbenia sobre as gernyões iririocentes, tios cliie tião hou-

vessem denunciado seiis paes ! (1) - processo emfim, qile o com o nonie d'inquisitorio, faz tremer a fé, a balar as crenças religiosas, se religião algiirna sanccionara taes tripudios de carnificina, e rliie sciitfo drsconhecido a legislação roinaria, os esl:itiitos tanto laiiientam faltar n'ella, c01110 I,iciirina, qiic niniitlarii preenclier na expliciição oral d ' e s ~ edisliiit: j i i ri(liro, qiie, por v iiigaiica seientifica, e syntbcse dc sei1 elogio, e coiiliec.it10 pelo nome de Diyesto. O proctviso das tlevaçsas pois, das denuncias, da espionagem, da tratii~ào,da vinganca, eis o systeina practico de piiniçào, qiie se olrerece coino edificativo exemplo á mocidade ii'cste snnctu snnctorum da instrucção e da moral I A postergacão cios direitos de defesa, o desacato da dignidade I~uiiiana.a violencia dos foros da pessoalidade, tal é a srit)staricia (tas c,)nseqtiencias, ein que: se resolve essa praxe ji~riicial,qiic se.coriserva, qrie se sustenta, entre os despeitos ciilre os espantos da civilisa;ão! Pesa-rios ciii c ~ t r e i n ori50 ser coriipativel com O nosso proposiito o rlila tnr corisitlt~rn~ões alérii d'ilnia estreita para g~zeralidarlc,qiie r i i n l satisfaz os desejos q u e nutrimos. Mas intla assirii vejaiiios. Por este regiilaiiiento, ciijo odioso qiiasi todo se concentra na siia nolave1 parte peiial, a crirr~iiialidadeacadeniica e siih~iiettidna unia cliissitic;i$io parodia, gradação com vistas de se arroga r honras de iiiethodo codificativo, pela qual se fazeni assiiiiiir os deliclos trez calhegorias estaht.lecid:is e regiilndas segundo a gravidade dos mesnios. A penalidade obrigada ao potro desairoso da proverbial coberencia legislativa da Universidade condescende, transige aiiiigaveliiien~ecom a s iinperlinencias da classi(1) Vej. Victor Hugo no seu conhecido discrirso sobre liberdade d'ensino.

ficeção, e acompanha-a, coii~opode, para se nianifestar já n'unia paternal adinoestação dos Reitores, j Á n'iirria piedosa exclusão tem por aria dos esttidos, já finalmente n'uma nioralisddora expulsão perpetua do banquete social d'esta instruc~ãosuperior ! E a compassiva e niisericordiosa triadade de penas, que o Sancto-Olficio dos tribunaes da Universidade desinvolvein no sagrado zelo, em q u e ardem, de soprar as cinzas apagadas da caridade evangelica. Os crimes d e primeira especie, as contravenções de menor alcance, em sua qualidade poiico iniporlante, teni por juiz onico, siipreiiio, absoluto, seni reciirso, d'ultima e printeira instancia, ao Reitor da Universidade, « q u e jiilga definitivamente, por si só, todas as infraccões d e coriipetencia da policia acadeniica, a que não estivereni applicadas a s ptnas mais graves)) (Reg. d e Pol., etc. art. 15); deposita d e conliança, eni verdade, na equidade paternal d'elles sempre excessivo, e nos teinpos nienos patriarchaes, porque vamos passando, um abuso intoleravel d a paciencia popular ! O poder, q u e se concentra e siniplifica, tyranisa-se as mais das vezes. A irresponsubilidade é princípio constitucional, 6 preparação legalisada d'essa conseq uencia. Nos reginiens iiio~iarchicosrepresentativos é a pecha, que os invalida, é nelles uma sanccão publica d o absolutismo, 8 u m resto teniperado dos governos solitarios, é â deificaçào da realesa, é a abdicação popular d a soberania, 6 uma adhesão de preconceilos ao principio, q u e subliniou todas as insanias da perversidade enihronisada. Aqitelle preceito da lei acadeiiiica, lransumplo fugitivo d'essa renuncia de direitos coniiiiuns, não deixa couitudo de assoalhar consequcncias mais funestas ainda. A deliberação judicial encarnada, eiii toda a plenitude do arbi-

trio, na pessoa do Reitor, com respeito áqselln ordem de peqiienos crinies, sob o falso titulo d'uma paternidade, qiie não exisie, é iitiia ironia pungente, 6 uní escárnca acerbo do niais pura divinisa<;ãodo sentimento ! A eqiiiparação, qiie se intenta fazer d'esta congregaçãu cscholar corii a sancta sociedade da familia, figurada erii scus eleinentos pae e filhos no Heitor e. alumnos, é, ua verdade, totia cslteia de niiriio, respira toda a doçura d'essa coni~iii~iiidade d'affectos, todo o prestigio d'essas alegrias do lar dniiiilstico, nias e inopportuna, infeliz e ineariia. Esta congeiiialitlade d'espiritos, movidos pelo sentinieiito ieral do iiiiior srientifico, e sob a unidade disciplinar d'uni Patriarchu, teiii, cni parte, a delicada feição fdniiliar, nias desayparece-lhe, esvahe-se-lhe tudo esse ericarilo, ronsiderirda a luz da sua verdadeira indole. A eioansi bil idade aiiiiga d'este tracto ncademico, a franq u e z a a siriceritfade d'este coniiiiercio de atreições juvenis, qtie se iilliiin~rio niesriio eiiipetiho, teiii, por certo, o cunbo acbabiido da fralarniclade, é trarisubstanciação inteira de tão gr,itas l i g a ~ õ e s ,reprodiiz loda a plenitude d'esse aspecto risonho das fiiiiiilias, poréin fallece-lhe, para compleiireiito de retrato, a trasladação d'unia divindade, que se iião contrirfaz, que se não iniita, porque e filha das siias obras, dos seus berielirios, da sua docura; a presença d'unia restal, qiie aniriin, que activa, aquelle delicioso fogo do coracão. E o srntiiiieiito lifiaterno ao lado da benigna solicitude paternal, é o carinho, é a deliciaçáo d'alina pelo amor, é a iinageni mais querida da ternura ao lado do suave guia da razfio, e da branda distribuição da justiça ! Não espereis que u siibstitua, que Ibe compensem os gratos officios, as meigo ices niercenarias, as caricias lingidas e contrarei tas, os a ffagos heriados da hypoçrisiii,

que vos prodigalisa, a rudeza d'rim chefe, a severidade d'uni Regulo enipoado eni honras vãs e stultas, e 'invillecido na avidez d'interesses d'um pecunioso emprego. Essa disposição pois tln lei, pclla qiial se quer fazer d'esta disciplina acarleiiiica urii arreiiiedo d a disciplina donies~ica, é uiiia ociosidade, é unia pretcncão iiifriictiiosa, e contra ella prolestaiii os sentiiiiciitos de dignidade d'cstes niancebos, reage esta enianciplicão intellectiial da ndolesceocia, qiie lhe coniniunica riin valor social, que se lhe quer negar. N'este eiiipcnho de fiwternisar, n'esta pertinacia de nigelar, n'este acinte dc tsnificar, parece-nos i r uma maliria, u m veneno, uin maii iigoiiro, que debalde se palia. Dir-se-ha q u e n'esta agencia, n'esta sollicitacão improcedente, n'este desejo irrealisavcl, vae o uppetite exteritiinador de Calligula, perfida, e , ao mesnio tempo, ardilosa mira d'iima decepncáo siriiultanea da dignidade juvenil na sua nialigna iinificaqão. Ein resiil tado pois a arbi trariedade reitoral snnccionada n'esla parte do regulanreiito é intoleravel, na inipossil~ilidade de se transferir para a descililina universitaria O caracter generoso da fratcrnidade, e muito nrenos da infallibidade. Ha a seducção das paixões onde não hu a n~oderacao dos affectos. Destituir por tanto o s Reitores d'essa feiçiio reclama-o tanto a sua qualidade piegas, coino a odiosa e abiisiva que nianifesta. Nos delictos d e superior esphera nas infracções que provocarem penas iiiaiores nias não as mais graves $ 3, eit. art.) o processo, seiii deixar a siia fórnia verbal. e accelerada, conio os nioviiiientos d a pairt80, enfeita-se do ornato de garantias, qiie pnrecthlil qiicrer twarnecer dos direi tos Iiuriianos, a l a \ ia-;e do luxo d'iiiiia defesa, que s e nos figura ter o selvageiii filo de estrangular a justifica( ( ))

$50 nu garganta dos rbos, e reduz-se ao mais desfechado

cynisiiio d'arbitrio, que a lei favoreca e escolta pela s u a auctoridade. Rctrahido nos seus lraniites ou tramas aos niysteriosos rcvpssos dos nunca profanados claiistros da Unirersitlade, esla tiiiiitiez, este piitlico resguardo, desenoccaltas e ienebrocadeia-se, coiiio todas as riiac.fiiiio~ões sas, 110s ii~iiI~i~,licados eseiiiplos, que por alii andam a incoiiiiiiodar o piib1ic.0, c a provocar os aninios. Por tini lado n acçiis;icão siniplesnienle fundada nas inforn i a ~ õ e sverdacleiras oti falsas d'esbirros ignoranles e maus; por oirtro a defeza circiiiiscriyla a um proso túo curlo qrie s a l se presta p«rn preparar a nialla: (conto chistosaniente já ouvi explicar essa inti~iiacáo, que prescreve o lapso fti6al de cliiareiita e oito Iroras para o niois i~flicaze essenciíil cleiiic?nio do jiiiso penal) será possivel, que similliante enredo se não rcsolve seriilire no coniprotiietiimento da in~ioccticia ? A j i ~ s i i c dci\ i1 110~ P I proc('sso c~iiiie I niinucioso, reflectido e tfilalorio ate a o pi-ejiiizo, e aggravo da penalidade dos réiis, no scii al)p;rr,ito de foi-iiiiilidades, na suprerria garantia dos d e t);illes pii 1,licos e soleiiines, na deniocratica reg,ilia tlo jiiiso ~)opiil.~r pclo J t i v y , não consegue, niuitas vezes, apiirdr a c \ ~ I ( ' Ç ~ o , sacrificando-se niais yire uiii innocerite á f e r o ~ i d ~ i dsocial da vinganca: e no processo c acatlertiico, hrei e , expcdiio, sem foriiiiiliis nerii garantias, seiii espaco para o exaiiie refleciitfo das provas ; n'este processo iriqu isilorio I~nseadoerri deniincias de familiures universitarios seiii abono de prohidacie não se fará mais que iiiii tioloraiisto de i<:tinias innoxias ao ido10 torpe d'essa pais20 ch;iiiia(l;i viiidicla? As cerimoriias iiiipertinentes, as lardancas demasiad;is, os vagares excessivos são, ningueni o desconhece, preju-

diciaes a boa administraçfio da justiça. mas a aiisencis completa d'essas etiquetas forenses, nias s precipitagio sobretudo das eneciições, qiie o odio activa, iiida o é nials. d-nie em entrenio grato, e, em subido grau, lisongeiro aos sentinientos nacionaes o potler asseilar esta verci.de com o pensar do seculo xirr n'ebta terra. Eni 1 2 11 sob as licença do regirnen absoluto, sob a latitude do arbitrio governaniental sic P O ~ ~ O , j d e o , 8ic D. Sancho I proclaniava eni CGrtes urna garantia de seguranya pessoal, iiiii principio judiciorio, que hoje é descoilhecitlo a Itlgislagão acadenrica, que hoje é extranho a unia legislarão, qtie se deve impôr coiiio o nlodclo, o exemplar auiheritico de todas. A equidade d'esse soberano traduzia-se em expressões siagiilares que o orgiilho patrio deve proferir, mais que isso, entoar coiiio hossana a liberdade, velha e tradicional padroeira do nosso o paiz ! Dizia essc Rei no regulaniento d'essas Cortes. ((A sanlia sobe eiirbargar o coriaçon, que non pode ver direytiin~entca s cousas, per onde eskibelecemos, que se por ventura no moviinento de nosso csraçoa r alguein julgarinos de niorte ou qiie Ihecortem slguni fiembro; tal sentença seja prolongado ai6 vinte dias, e des hi em diante será a sentença a execussom se a nós com este comenos a non re\logarmos » . Exprcssãi-o su blinie de justiça, que se não desvaira nos prestigios do poder, IiçRo fecunda para este seculo vaidoso, fulgurante luz de liberdade, que depois de 452 aonos não teve ainda tempo de se coar airavez as calliginosas nuvens, que cerram o vasto teiiiplo de D Diniz, para illuniinar essas oblações mysteriosas que lá dentro se offerecem a uma divindade igiiota.. ., por certo ás paixões que a lei favorece I

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eiit toda a fatalidade de seus effeitos é o agente precipitado. irreflexir o e i i l t peitioso de rodas as meidatleo ji~diciarias, de todos os fiageilos da pitni~iio ! CHRISTO, apo~hese de sanctidnde e lormenlos, foi viciiina iniriraculada das conseque~iciasd'ella ! Em o ciitto praso de doze horas se operarari1 as peripecias nkulliplicadas da siia paixão! A Ireoidnde saciou os od~osde Israel mas sacriíicou, iiiiniolori, o tilho de Deus Nos eriiites d'ulti liia eslbliera, na sii prema gravidade dos delictos; o'aqtielles, c i i ~ a pei~afidede qiie pateriial n&opode renunciar &opiedoso e caritstiro rigor das 6 ~ ~ l w d eper.9 yctuas e teniporarias, d'estas exconinluoh6eo perniciosas do seio da religiáo do eiisiiia, reune-se, por doierariaaçâo expressa do regrilaniento, o Conselho de Decliitos colleyer.unt ergo Ponlifices et Phurioaei coasilium (I), dsla e apparente garantia, que se podérli converter n'unia feliz i a q u i r i ~ ã o verddde, 6 Falseada, 6 illudidii pelassoruI)ras, da pelo iityslcrio, coiii q u e se iovolte uiii acto táo degre, tão sancto, tào editicante, coiito é a educavão pela [relia ! N'estes coosilios, sinistros coiiio a noite, é sempre a ira e a yressu as iiiais r.oirtrarias infliiencias da deliberação, conio iios ensiiiii o velho Blas, que se determinam pela conrle~irilagãodo triste, cuja nioralidacle a siia má siria levou á decisão e estiri;ativit de taes consistorios ; condenrnação sobrepensada, predecidida, e já resoluta antes de iodo o exanie, d'esde o monieiito qiie o crinie é denunciado ab illo oulei)% cogitaoerud ut.inter/icerent eum ( I ). Dedie pois d'instauratlo processo não ha exeniplos de absolvição ! Ou é irifallibilidade ou extrema malignidade !
A sanha

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(1) Joan. XI, 53. (1) Idem X1, 47.

e 0 julgamento do Conselho d e Decanos, diz o cit. Reg. ar!. 16, 9 2 , póde a arbitrio d'elle (Reitor), fazer-se em sessão palticiilar ou publica, como mais conviern. k uma perniissho equitativa, B uni rasgo de generosidade da lei, que nunca se aproveitou ! C01710 mais convier particuliires oi~ publicas as sessões, faciilta este regulamento iiiqiiisitorial, e riiinca conveiu abrir este acto solcirínc á espectação e jtiizo pu hlico ! Mas como! no syçtema d a s liherdades, que nos regein, não se deverá entender excepçÃo, o o que esta Universidade adopta como regra constante e cruel -a sessão parlicular? Que ha n'esses actos judiciaes qtie não póde stipporlar a luz do dia? A justiça não terá vendada a vista, para qiie Ih'a não pertiirbein, ou distraiani, o fulgor e brilho intenso da prihlicidadc? É qiie a juslisa universitaria náo é vendada, mas vendida as paixões trridicionnes, ás paixões doriiinicanas, cega por um odio velho á lil~erdade, e o castigo tem n'ella a significação nefaria e ignoriliniosa, q u e lhe legou a màe Inquisisão! O castigo é na legalitiade dos susternas penaes d'este ~ grande alcaqar dn sabedoria patria U I nal, u m flagello, u m siipplicio, uni tormento, um martyrio, ein vez d'um bem, d'iima regeneração, d'iiiria conversão, d'umá moralisação, d'uma reha bilit ação ! Na triste coherencia d'estas indicações d a lei o castigo mal, torna-se castigo inferno nas consequencias d'uma práctica acerba dos tribriaaes academicos. hreopagos dos costumes dn macidade estudiosa, juisos suprenios da moral juvenil, esles trihiinaes, eili qrie vão os t destinos moraes das geracõcs por vir, qrie são exemplos vivos e solemnes exposlos ás larvas do futuro, n~edeina gravidade das penas por inais ou nieiios annos de negacão da eschola, qiirr dizer, tradozeni o principio da mo-

ralidade n'uin foiilento de corrupcão universal. O criine, effeito das soiiibras, da ignoraocia, consequencia dos obstaciilos á projecfão dos raios luiiiinosos do saber, remove-se n'elles nggrnvando-lhe a caiisa, forianilo-se-lhe a luz que O dissipa. Nocir~nsibper terrcrni ! Paradoxo odioso e revoltante! Eii desde as íiiinlias priiiieiras lettras ouvi diser que sublaia catbsn cessnt effectas-qiie tirada a caiisa cessa o elfeito, nias nunca que ampliada, q u e apurada, que aquilatada ella o effcito ,4ecrescesse ! D'esta conibinafao d'incoherencias, de paradoxos, de vexa~ões,d e niysterios não ressaltará um proposito repugnante de maieficiou, uma intenção rcfolhada de damnos, de perdições, d'infilniias? A corrupcão synihese e epilogo das laliiitaç6cs reaccionarias não resa hiri d'csta alliança de despropositos legalisãdos, coiiio uiiia coiicltisão a qiie se aspira, e qiic se prep a r a ? Eti náo sei explicar d'outra fórma laes inconvbnici~cias, e tal perliníicia cnl as conservar. Ou os governos d'esta terra tlilerrnl ver esphricelar-se pela prapria p* dridào de siias constitiii~õ~s niagcstoso templo de Saeste loriião, oii o intuito d o ohseletisnlo, do retrocesso em aigencia pernianente prevalece favoneatio pela gorernação publica ! Que livre Deus esta riacão d'iiin tal transtorno disciplinar! O despotisnio não dura mais que um dia. O povo tem crencas Ialentes que a divina providencia lhe inspirou ! A tolerancia e a prudencia popular tem limites. Que as não fatiguem desvairadas pretenções governamentaes ! A mocidadc é o nucleo fecuiido das nacionalidades ! As idêas, que n'ella germinam, são como os circulos da agua ferida, rnultiplicain-se engrandecendo-se ! Se lhe perturba a habitual serenidade a convicção, d e que os governos

zo,.inrs
tiryào!

niel~tetii,os governos caeni ao iinpillso da sua rgi-

oII é niao sestro, oii nialdito ~troposito,mas na Universitjcidede Coini brii nrinca a justiça foi justiça castigando 1 1)~1i~ões aIiiileniadas pela lei tripiidiaiii sobre os victiiliiis iiit]eft*sâs O honieni tias trevas é feroz e cruel por ! i l c ~ c ~ c i ; s idea d ~ inclinacões ; seus instinctos de vind suas g;r,ica redobra111 tle pervzrsidade se a noite os pallia ; e ;i<.i>t,t:i.tados, e protegidos pela siia qualidade exí?cutoria tanio podent dar iiiii Oleastro no seçulo xvr, como um Basi110 .liberto no seciilo xix. 1) svele-se tudo, tragam-se á praqa todos. os actos huiiiiiiios e verois como elles se tornam brandos. e justos! É que R socieda~feamacia o homern, e a publicidade é com~)lrii!eiito condirção d'ella. Não ha soviedade seni eue 1,lic.iilade. Querri obra nas somt~ras,inda qiie seja de comI ~ i n a ~ com niuitos cumplices, não obra socialmente, obra ào ti'cssa suspeitosa insula~ão, que o crime e a maldade d e tiid~itf ani. Q3ie a jtistiça acadeinica pois se pateatei e soeialise; que encan? e tite niagestosa como a aguia o lume espieadido tlo sol ! Se ella foge ao iiiundo, não como a rainba do dia, a i a eonio a agoureira sacerdotisa da noite: não pressentireriios com racionavel motivo n'este tdgubre recato, Gtrica preeaoçb, e recolhi iireato fuaereo, o sinistro aviso da [norte? Quem, e m vez do aniicto albo do meio dia, totiia o manto oegro e luctuoso da noite: n8o lançará nos espiritos uma justa reserva, legitima suspensão de cooliaiiça na sinceridade dos motivos, porque assim se teme o dia, a franqueza, a claridade? A universidade, diz-se, que é mais que um templo de saber, uni propiciatorio de moral :e não é esta com o exem-

pio, que se sanetifica, authorisa, e dilah? E que exetnplo é esse, com que 110sedifica um estabelecimento litterario cuja orgaoisagão o pensamento inquisitoriai inciiliou, o despotisnio clerical educou, a philosoy hia escholasticr PC feiçooii, a revoluyão scithnti fica i ~ i o regenerou ? Responda, que na0 nossas escripluras, a serie vergonhosa d'esclindatou d'tinia ad~iriiiistriiçiio, que teve e rara habilidade de desenrolar, avivado de todas as c0res deshonestas e obsecraveis, o quadro aboriiinavel, repugnante, d'uma legislação, executada cm nossos dias, como se f8ra nos beatificos tempos da sancta theocracia ! Mas que nos adniira se vemos reviver do vasto cemiterio dar ideas passadas speciros aterradores das mais abominaveis practicas, se aos destinos d'esta communa litteraria preside um espiriio atrabilíario, que em aberta hostilidade com o presente, mais ainda com o ftituro, vampiro sordido do sangue dainnarlo d'escriptores mortos, inforniando esses restos mortaes condemnados pela piedade do seculo, pela religião social do dia, com o halito corrupto d'um saber sediço, vem desdobrar ante a vista illustrada, e rnoral d'este publico conteniporaneo, o estenda1 esfarrapado das mais barbaras doutrinas de penalidade, theorias de Caffres, idCas de sangue : -pena de morte t G m cidadão que ir'estes tempos professa em publico, pela duplicada via da leitura cathedratica e da imprensa, siri1haotes opinióes deve ser desviado d'influir por formo alguma na educaçiio da mocidade. Um tal especulador é um tnonstro scieotifico, 6 uni flagello moral, C tini algoz theorico, é um espiri~o sem luz lua non est in co (I j.

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(1) Não podeuios, nem queremos, encobrir a allusáo.'Todos raslream n'eslas palavras a expressho do jiisto sentimento,

D'linuteville-House o grande philosopho, a prodigiopo propheta do seculo x i x , cinn?a-nos, qric a pena 6 um remedio, iima contpersáo aposiolica; e qtie esta Universidade, maiitòra de todo iirii pnto professe nas tticorias de sei1 cliefe, e na priiriica de reiis 1ril)iinaes a pena de morte inielleittial, a pena cotiio iiiii silpl,licio, tini exicriiiiriio, uma aspiiti1açí3o crriel de esljeranGas, conio u m reniedio h%roicu (1) eni vez d e paleatit o beriefieo, e seguro, CUFY d6ee e grata tf'essa Ièpra niorrl, que se diz- criiire ! Se a esta terra teni de cticgar a instriicçiia, e a verdadeira nioralidiide qiie coniece por se irradiar do centro conio do Sol a l i i z , qrie vivifica. A Universidade tem sob a responsabilidade dos setis desiinos de nos preparar o dia ~raatliosoda salvação universal instruiiido coiii o exemplo, constrtiindo ~ICHtfadivosa iiiicialiva sua ; qtie instruir constvt4ir 4; segundo nca ensiua o social evaogelista da redempfão universal. Porenlse ella pelo avesso d'esta missão e d'cste dever fiirta no juizo da sociedade os negocios do seu iilais-iinnbedia~ointeresse, conio éwapunição, torna-se usurpadora
com qrie esiamos vendo loninr a direcção do ensino Universitnrio de Direito Penal, umas lições d'csla sciencia, que foram um gerrnrii de corrupcão lançado ao seciilo, se não esterilis&ran a s disposigões generosas do graride espirito da mocidade. Porém não é solilario este peccado. Por iIm sestro !anirntavel, e como um immenso pr oieslo contra o rnethodo conipendiario do ensino, este tem na Uriiversidade, por apotheose d a sua redicularia, geralmenie, os mais deiestaveis iristr~imeutosl (1) 6 esta a desageiinda denominac50, com que a s mencionadas lições emprimeiri os beueficios da pena de niorte I O seu auctor náo é sólido na crítica dos idiotrias, não é dos mais consumados philologos, senão bem havia de reconhecer a infelicidade com qiie chama ren1,edto á cicúta, vida ao pnamenta.

dos inalienaveis direilm do povo, d l o axeliplo do muba e do rfcsacato r Mas na0 e 5 6 a processo sndemiivo. conao vilipendio dar leis ~i-ritj? hdt'FdS c10 h n i l t ~ i ~ k , cottto bredo trt*nictitlo contra r s a i ~ t ~ i i ~ I . i ~ jariiga, q t i ~ lc EPC sob O S I ~ ~ U I P pliilosophia da
do st*i+tjlo. fia 1 1 - ~ 3 . tt<i bico<, r o;ilieecras cf"unin ritileiidode t&a
extrai.t?= t : i i t b , lia c . ~ ~ i t ~ ~ r o ir~ i~ i t r a cif'trnia iiikurgiia ) ~ ~i* s tio irri-iirlrt 4'11) I L I I t ~ l , e t ~ i jt,trith r,:pt1gna11tc, ha sobre ttitltb j)r.t*kt?i)~6tbs ~t ' b t ~ I t i i ~ ,t ' 5 a l 11.ad;w. e itliposuiveis, que 1.l d chdlli.i~tl s o l t r ~si a I l l i i l S dL'c!dldu t? t ~ r r l l i l l ~ t l r e p r 0 ~ 8 ç B 0 te

das itli:,is i10 irntgci. O p r i s i l e g i t r c seitiprwriiiia alterrnyão, uma excepcionalrdrde reliic*!aai~B,iritio ret)ellião contra Deus, um d e wlio a il»ssa I t s t , e. ronio tal, seiiipre odbso, setlilire intoI e r a i e l . Yonoprilicts nBo os iia na natureza. Os n~undeatentos 110 i t ~ iiltlo ct)ndctititii r i i o e x c l ~ i s\i isnio, cutilo pei:í*ado t i ~ i o r f d lt l t l L r 1 ~ 1 ~ s ~ ; iBa~ I ~ I ~f I ~Ci tI? ~lcotbtra a r e g i a do tl (10 f l l l k n i \ t * l d ~ i i e i i t oe da t ~ p i i a l ~ l a d c . irsu, que iecoi~on~ia politlca cios c a t i ~ v c t n l oda scierit.i&, figurírros de systemas, ~ d i z e i ~ itirc,noyofiq nuttrrud, c Itiais uiua iiielJrap!iora isfeliz, clue cic*i~tttai i i i t l fui.iii;rrla irilclllgencia dus ç o u ~ ~ s ; coac e ~ ~ r~ittyerfe~ tia forca d'cste Lerrilo-rnonopoiio, cousciao ttt grado pela sciencia para ibe cendemnar a pénssniealo; que i n d i c a urnl leviana e int:oaipletr protieíencir J'essa t8o Y I Y L ~ ~ t ~ ~ o p h i l ~ s odoutrina; que deouocia a inipossibi~ phica lidade de chegar a compretieuder, depois d'iogrotos luslror consilrttidas r16 estudo, NEU priaeipio economieo tgo importaoute e de l o ~ t a s conecpue4iciãs praeticaa, a relaçtíg que teni cort-r o systenba gero1 da pcúdimct80 ~ i i t u ~ liat l qpaiida.ie IMIS OU nteuos peculiar de feeurididadt: d'ua deiueuro y r o d u c ~ i v o .Se se rxeiiiptitiça o reoaopolío conl a

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genio, eu vejo-me enibarayddo eni face da sua raridade; iiiils em rigor não e elle nionopolio, e basta que a nalureza o osteiite npiinl individiio, para qiie se niostre ser q11;ilidade coiiiniti ei da hiiiiianitfede. O privilegio, esse esta nii pretenráo de crenr attribiitos isolaiios nas Iiessoas, sem neuo, neiil relacão coni o iiiat.iiinisiiio geral das sociedades hiiiiiitiias, e tinia violt!iicia R lei propria das cousas, urii transtorno da boa e natural destribiiição dos papeis a representar na ordeni do mundo, e 6 por isso que sin~iiltaneaiiienteo anattieniatisa a scienciii eronomiea, e a politica. No eutretanto esta .4riienas, a titulo de descentralisayão, sob pretexto d'arlhesilo aos principias do regiiiien liberal, pretende stistentar, senão inventar, foros d'iitna vaporosa irritonoiiiia; qticr ariticipar o self-gouvernerra~tit e Proi~dhon; d piocla niar pela divisão do poder a scisio das ligaçbes sociaes a disciplina geral; coliooestar a rebelliáo n'uiiia figiirn de zelo d'independencia ! Siin, a Universidade reliicta contra as fiscrilisaç6es sitperiores, da o nlanaire da desobradiencia, arroga-se exenipyóes, não sei se fecitfaes, se riionrtchaes, e, insuiada no seii d e s p o t i s ~ i ) ~ , deseja dar-aos o espectaculo risivel d'ii ma alliança anthiyactica do cas\ellão siiberbo com o conventual velhaco! Xão vai aqiii a invasão inopportuna de invençaes da pharitasia. Sào estas as queridas aspirações da Universidade, perrrinaes desejos, que a nutrem, anibiçbes, q u e a t é publica, e alardCa ! No seu acinte historico, * sua obsa tinacão tradiccional, nos seus sffectos classicos, não ha ritos por pit,arescos, a qiie abdique, neril por abusivos, a que renuncie. Mas não é só isso. Vaidosa rainha das letiras patrias, cercada do i)allido resplendor d'uma mag e s ~ a d e ,que decatiiu, eüvollit nos fumos d'unia aristocracia seciiiar, intenta, no seu tumido orgulho, e jactancia

-83pantafaguda, converter-nos a adoração d e seus usos, porque o ienipo os canonisou, d e siins instituições, porque os seciilos tis sanctilicaralir ! Veleidades d e velho! ridiculas perteri~õesda decrrpiitide ! Qriaiidu pois nós a iiggrrdin~os,clanra-nos d i a , que sonios iins ~wofiinatloresdo tcriipio da religião historica, iconoclast~s (10s I~enros çiti~iiIacros do passado, conniventezl n'iiiira corisl)irayào d'Eiic.edalos cnnlra o tlirono dos idales ! nós, os qiie d'aclticlir, só qrieremos os elemeiitos para a refiitidi~ão,tios, os ;iposiolos d'uina nova idêa d'exterriiinio, a qiieiii neiii cinco secolos, que nos estão amaldidicoando do alto da fortaleza d e D. Diniz, embargarn em scu nialdicto furor de civilisacão! Dizeni bem ! Soiiros iconoclastas dos idolos do paganismo . social, profanadores dos templos da lei velha, exterminadores das riiesqui tas d'iiiir c11lto de paixbes ; inas é porque qriereiuos a nova doittsina enl triuniptio, a fé dos bons principias dissiiiiinada, propagada, universalisada. Quando vemos a Universidade inspirando a Imprensa, para qiie lhe deffenda, e silsrente o anachsonismo da sua situacão organica com o mofino argri~nentodo seu magestos0 aspecto feudal d'ella ; cercada, na siia elevação, material até, d'esta vassalagem academica, por veutura de servos da gleba, não exprimentaremos u m sentinienta doloroso d e horror, e de piedade, ao ver este desesperado muribundo, q u e se agarra ás fosmeas do seu delirio? O passado é augusto como a paternidade, mas quem lhe sacrifica a instruc~ão,sacrifica-lhe s vida, quem lha sacrifica a gerdção nova, sacrifica-lhe a humanidade, r, futuro, a liberdade. Se o respeito á herança toca o louco fanatisnio, do que a não fecunda, 3 esterelidade B o primeiro vaticioio da morte.

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Este estabelecimento, na siia adhesão renitente, despropositada as hurlescas inslitiiicões, que o tornam irrisorio ao forasteiro, não é iiieiios insoffrivel, que- no seu apCgo teiritoso e opiiiiatico 4s praclicas nialeficas, q u e o tornani a boiilina\ el ao naciorial. Vão eiii seilç IISOS e c:ostiiiiies, coino eiii rotiilo infanlante, a vergotiha do paiz, e o descrcdito da nossa civi-. lisacão ! A lingiia latina, a lingiia da egreja, esta expressão cahallisticas das ritiialidatles tlii religião de Roilia, profana reliqriia do nioiioliolisnio rt4ipioso dos sacerdotes egypcios, é tarilbeni, eni parte, a lingriii tia Universidade! As fóriii iilas sac'i.ii riieni:ies rlas srias solemnidades não podem toniar oii tra d iccão ! Bella aIli,~ntp,excellente fraternisação de duas tillias do iiiesriio perisanlento -o niysterio, myslei-io, que acolá se jiistiIica pelo generoso fito, a qiie tende, de aiirrientar o excelso prestigio do niyticisnio e da ntara~i!lia,coiii yiie o sentiiiieiilo r5ligioso se fillra, insinua, accrescenta, fortalece, e aviva nos coragões dilatando-se pelo desconhecido; iiliis que aqiii se fomenta, para q u e o systetna do recolhimento se uni versalise e aqtiilate, para que as sonihras não abandonem os pciblicos actos até, para que o privilegio seju enl tudo, em tudo a siagularidade. A carta d'alforria, que. conio diz Garres, D.Joáo I apassou á iingria nacional, que até alli vivên escrava da doniinação latinan esta carta, r-oni que se fortificava a nossa independencia na indeperidertcia tfo dizer, não foi acolhida, e acatada pela Universidade; iião teve virtude para impriiliir feigão porttigtieza a organisação interna d'este esrnantelado reducto do saber patrio, para lhe contmunicar os brios reinóes, (lite seiiipredistiiigiiirani este pequeno paiz. N'este teiriplo em trido romano seria poréni unia incotie-

renria o uso do nosso idioma, o idioma do povo, o idioma da liberdade ! Mas por ideniieo motivo, por que se regeila a dicção nacional eiii varias fbrnirilas discursivas de seus artos pub l i c o ~ ,nrigas litiirgivaç. que a deprimeni, arnesqtiinliarn, au até envileceiii, estti Universidade repelle, e excoiiinlringa taiiilieiii as vestes popiilares. A democracia do habito é descoiiliecida ri'estos elecatlas ribgiõos, para ascender as quaes é i~iister renunciar ás insigriias plehCas, despir a farda r0ta da liberdade, e tomar lima frâtcrnidade de vestidos, qiic ti80 é senao a triste ironia cla egtialdade -egiialddde de escravos, egualdade monachal, eguatdade, q u e nivela com iliiia mesma niarca este rebanho d e servos da direcção clerical, egualdade einfitn, que arranca dos jardins liberaes esta flor da juventude pare a fanar pelo despotisn~o!N'cste n8o sei, se fugubre, se irrisorio unií'oriike, o cunho da theocracitt" é paterite. 0 s tiabilos acadeniicos são e m rigor os habítos eccfesiasliCOS

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Poréin, s e n'estas corisas eu descubro o pensamen'to intruso da egreja, ha sobre tudo tinia práciica universitaria, onde eile se rebella na clareza revoltante, de que é susceptirel. É o systenia espoliatorio, tantas vezes condeuinado pelo senso publico, o systeiiia d'uina traficanria commerciol, que se auctorisa pele lei, e a qiie se quer d a r uni cunho d e legitimidade, qtie não póde nunea ter. Q i i e r ~ fa!lar d a conrpra de l i r ros das oficinas da Universidade; copipra, que h obrigatoria, e condicional para o curso das aulas d'ella, affronloso e violenlo aggravo d o despetisabe dos iiiethodos !egaes d o ensino conipendiario! Esia obric gação, q u e é tini verdadeiro roubo, um sequestro com ares d e beneficio e doaçáo, e, ù'entre os abusos e prepoten-

cias da legislação acadeniim, a niais ignominiosa, e de mais desdoiiro para a dignidade scientifica e pedadogica d'esta ii~stitiiição Esl~olhasa rnocidade estudiosa com o ! pretexto d e a eiisiiitir, de a iiisiruis coiii livros, que a mercearia agiiai-tla pelo seii pêso!.. rifio vt'n~os, com que s e possa degradar iiiais tini proi)iciatoi-io oficial das lettras! Refina-se a iiiinioralidade do eniiiio no exemplo d a ladroeira ! Recopilando pois : p r o c e s o inq iiisitorio, penas d'exclusão da escliola, quando por ella quer Viclor Hiigo illurninar o criiiie, rigor opprítssivo no rirliciilo da fiscalisação dos vestidos, foiiiiulas do rilital roinano, especulacões comiiierciaes. .. jiiiictae a isto eriibotias cattiedreticas em afguns. inacessibilidndes d ' u ~ i ~ a arithocracia burlesca eni niiritos; e tendes o relabiilo civo d'esta Universidade, ciijo elemento judicial representa tinia liga d'An,pliictioris corijurados contra a mocidade, pielendidos feudaes da Tbessalia, que te111 por tiliilos, armas, e chlaniyde da sua nobreza o Diyesto e as Institrctus! D'este quadro repugnante d'escandalos constitucionaes,

e regulamentares da instriicção silperior d e s t a eschola esta-se destacando, eoino soiii bra lúgii l ~ r ed'uni pati btilo, penrinihra funeraria d'oni tuniiilo, o agente cosmopolita de todas as niiserias hunianas, peregrino incansavef da servidão, romeiro da Iiypocrisia, do odio, do sangue, do

retrocesso -a reacuão ! A este grito horrenrlo da guerra, como é que não s b t o abalarenl-se todas as legiões da liberdade, bravas ceniurias d e D. Pedro I V ? SolJndos do Pilar, que affrontastes, e vencestes hoslcs e caiidillios da ideia velha : consentireis n'este rediicto inda inteiro da causa vencida o tiltrage

da dignidade de vossos filhos, a violação d'essa ultima
flor das glorias e esperanças liberaes, que vos restam! Erga-vos o novo rebate da ustirpação, e da violencia, e acciirli pela vossa bandeira, que vol-a rasgam! Se quereis todavia descançar no gozo pacifico de vossos passados triuiiiplios é justo ; nias dirigi-os ao menos do vosso leito de laiireis, dizei-lhes con~oos garihastes nas conqriisiris do vosso ovante principio, ensinae-lhes como s e marcha a gloria das batalhas! Filhos na ideia não duvideis qiie o saibam ser taml~emna acção. D'uiii tunitilo aberto ainda pela saudade popular estáIhes clamando o niais vehealente estiiiiulo de regeneração aJosé Estevão! Jose Estevão 1 » Da estancia fuileraria onde repoilsuu as reliqiiias d'csse aposto10 social, niarlyr da sua dedicação civica, esta brotando, nas palmas de seus triuriipbos, um syiiibolo diiplo tl'esforço e de pensamento, um estandarte audacioso e revolucionario de civilisaçáo! Prodigioso trovão, qiie estalou as portas Daniascenas da nossa redeiiipção popiilar, o ccho perd uravel d'esse nonie ha de derribar todos os Saulos da liberdade! Geiiio inimenso Iaricado na locta assonlhrosa de dous gigantes, o passado e o porvir, a augiista nieiiloria d'elle deve ser o raio fu;iuinarite de todos estes filhos da ferra sti~ltospotentarlos do niunclo, que crhem avnssallar o céu. Eu por niim, qiie o guardo, como eriiblema veneravel das niinhas crenças, como o luburuna social d'unia victoria certa, não quiz rematar este protesto contra a depravação da aula p:il)lica, contra o desregramento da pedagogia palria, contra a escravidão da intelliigencia juvenil, sem lavrar iim solemne ternio de adhesão á grande causa, que elle synlbolisa. No turbilhão anarchico dos atTectos popiilares, que o

seguem, conio a estrella de liberdade, que brilhou ao ceu da nossa civilisação, eii adiiiiro, idolatro esse nome, porqiie o considero o nieteoro d'eloqiiericia fatal a todas as ambicões, o azorrague tremerido, yiie leni de expulsar do templo social essa raça nialdita de vendilhões, que sacrificam á sua cubica a consciencia, o povo, a patria, a liberdade l

A ACADEMIA DE COIMBRA
Ao terminar d'este grilo angustioso, coirl primido brado liboriil. q i i e se escapa atravez as estreitas frestas tl'este erg;istulo da grande alma da juveiitude, abysmo tenebroso onde nos soierrem as espaiisóes dn intelligencia ; o meu reconhecimento devia-vos mais uma palavra, aniigos. Houve u m dia, em que a vossa generosidade, a vossa resignncão, e a vossa prudencia, provadas nos longos dias d'uma servidão moral, tentadas na continuti~àoaffrontosa d'um despotismo degradante, e dilapidadas na propria dureza d'uma disciplina comprrssivn, se espaiidiram caiidentes e brilhantes, como iim volcáo, incendicilas no ardor vivo dos grandes sentiinentos d e lihi~rdade I O echo d'esta irruprfio singular repercutiu-se pelo paiz, como a d e t o n a ~ a o estrondosa do passado; e lavrando por toda a parte rnpidn, como a seiva d a vida, que a geriira, despertou em todos o assombro, odios e irritncrjes em muitos! O desinteresse ou indifferenca, com que se contemplam estes mancebos estudiosos, innocenles borboletas, que lidam na laboriosa gestaciio de suas metamorphoses, honiuncios descuidosos, que

se protrahern na vida embalados pelos descantes do cornc80, cherubins da alegria, que se divertem em seus affectos verdes, por todas as applicacóes geiierosas, nào tinha prevenida a especttttiva nacional parti o espectaculo novo d'estas crysalidas ein ferinrii~a@íorevol tosa ! Cria-se que as aspiracões d'estrs annos se achavam acanhadas pelo amplexo ferreo d'um estado sem estirnlilos; e O procediiiiento, pelo qual v6s fazieis estalar as gargalfieiras do epirilo, achou o espanto, primeiro qiie o applauso d o nosso fogo liberal, ou a condernnacao da nossa teineridadr revoliicio~iaria O ! juizo público suspendeu-se pois, a opiniao vacillou, e por fim discordaram os conceitos. O que então se disse todos n6s o sabemos; e ainjiistiça reclamou as vossíis esplica~ões,como transubstanciacão escripta da primeira decisão, enplicacões .vasadas nos moldes da energia porque vos havíeis rebellado jB. Parecia tudo feito com a luz projectada sobre os preconceitos do paiz; e todavia eu, passado pouco tempo, anunciava-vos uma como que a reincidencia d'essas er pliea~óes, paraphrase da vossa satisfacão publica, e era acolhido nos bragos fraternos do rnais affectuoso apoio l Lisoiigeado por este siiceesso, que era um perfilhanirnto, senti duplo prazer, no agrado com que protegieis a iclêa, e na manifestação gloriosa, que o era, de que as crencas da juventude podem

brotar n'iim s6 dia, nias nunca se esfriam, não se extinguem, nào desfallecem -non. dsficimt! Ap6z u m rapido triumplio nõo decahieis, fallecendo-vos estimtilo, niio pr:rdieis a viveza da primitiva flama ; ereis sempre os mesmos, -faisca9 da liberdade, que scintillaram ao attricto das insurreicóes patrias. Mas 6 que vós pressentieis, que, qualquer que fosse a sua forma, era o seiitirnento de todos, que se dilatava, crencas communs, que se denunciaviiin, votos a esta edade proprios, qiie se proferiam, palpitar simultiineo de nossos coracóes, que se accelerava, aspiracões sem protesto, que se espandinm! Sim, v6s não hesitasteis em o crer; e 8 por isso que vos agradece, e vos felicito l É iirn triuriipho, b uma gloria portugiieza, ver esta mocidade solid aria ne pensamento sublime das conquistas para a independencia do pensar. Almas vivificadas pelo rocio matutino do bello social não podem jazer destas pris6es d'alrna, sem se expandirem em enthusiasticos hymnos liberaes, como o poeta slavo nas soturnas prisões de Vilna. É que a mocidade E uma epopeia perennal á liberdade I JB apaixonada e tumultuosa, como a torrente, qiie se despenha, jA fugitiva e vaga, como vBo incerto d'avc perdida, jti serena e deliciosa, como o jdylio mudo dos campos, B edade juvenil um canto eterno a iiidependencia humana l Sem esta deli-

ciaqão do sentir, mystica elevacão da expansibilidade, seria o viver a sombra lúgubre do liiniulo, prolongada nnticipaciio da rnorte, dilatado ensaio dli iioiti? ettlriia I Por isso 8 que n6s detestamos os despotas todos. Instrumento da voragiiiosa cubica dos iiiferiios, cruciadorrs redivivos de Protheo, ninlditos dolegatios do ~ i m b o ; dissipam todas as inlluciiçias d o espirilo novo, flagellam-no com a intoleraricia, iiitrrceptam a projecgao dos raios luminosos de suas crencas; e pensam desterrar da Poloiiia u libercliide no exilio de RIicki&vicz I Assilii é (pie esses verdugos tarnbem do nosso nspirito, para assassiliar no berco n iiiielligencia do fiituro, iiisiiiuiiin, que nada valemos ; e n6s, larvas da rclgeiieragâo de Portugal, somos tudo, porque soinos a esperanca! Ellrs julgam-nos sepultos, como cadaveres, amarrados B eterna igiiominia do scu anuthema, n'estas cryptns horrendas em que nos focilisam; e nús agitamo-nos livres nas proprias algemas; e d'essas cryplas fazemos as rninas da nossa explosão revolucionaria, das ad gemas a fraterna unificacão de nosso esforço. Elles cuidam finalinente insular-nos na sociedade pelo descredito, iriventaiido e propalando caliimnias, e não fazem seiião prestar-nos H mansão, e o retrahiineiito, que as grandes machinacóes demandam. Preparam por si mais acrlerada runina. Ao passo q u e rlles vão decahirido pelo sopro esterilisador de ideias;-que os acoutaram como

urna rajada da niorte, n6s revivemos pelo bafejo salutar e feciindo dos principias dernocraticos. O proplicbt ico conet)ilo d t! Liicils -n w . prneteriliit !l,*)io~-r~lio t l o ~ ~ eo,)t rtin / i t r ~ b l . veni rnciis k/cclc c qut) 111111ií1 111tvIi110 corri o teiripo, illiiiniiin~sede todo o fi~lgord'iiinii v~r<lnilc intuitiva 6 luz dos factos c10 (lia. O irnpillso, n fi~rcii occulta e mysteriosa, qcir sisiiificic a It;rlia, :t rnstiii~i*a Polonia, 8 a a mesma. quis Iiii tlr il~nancipnr iiitiblligeiicia estua diosa tlr Portiigal. Todos riiitrirnos esta cisperança q ~ ~ r r i ( l ; i . c!iitrc1 os iio~t?llos Por espessos do fumo dos cniil16t.s. t h do inoio da confusiio dos esquac] ifitls, ~ I I P aIl;~rriln,íarn w3 niis liiclas da independeiiiiii, vtliiios siit-yir n cavallriro do ,Ipocalypse, v~stitlodc nt:vo. coiiio o Thtibor, sinpiiiihando o estandarte tla i.c.griiiAi.n(;$o cliiinnndo-rios u ime mensa proinessu - orietirr cobis sol jusritiae ! É por isso. 6 n'esta graiide f6, qiie v6ç me vedes arrostando iras ept:rigos por me declarar, sem hesita~óes, pelo partido d'essa redrmpçao ! Mas ao proferir os presagios d'um novo fiat revõlucionnrio; presngios, que são a ~loquencia d'esta situacão d'espectaiiva, e anciedade, ha espiritos s i m a l u z do presente, e menos iri tuicão do futiiro, que se congelam de kustos, e se agitam rm sa~iclos estreniecimeiitos d'horror; por que n'ellrs pressentem a ruina de seus substanciosos interesses. Sentem que Ilies foge o terreno debaixo dos p8s; e pertGbados ante o spectro tre-

mendo d'um genesis convulsivo e anarchico, agarraiii-se ao ido10 da ordem, simulacro da inaccão, do stntci quo, dos privilegios, das aristocracias, (3 bradam-tios -paz e amor, com todos os esgares da mais beatifica repugnaricia pelo aspecto do sangue humano derramado, elles, os hypocritas, que interiormeiite se deliciam na sua obra I Os assalariados da politica napoleonica, no meio da desesperanca, que os assalta, de suster os sceptros, que escorregam da mão dos tyrannos h voz imperiosa das niultidões, insultam as maiores intelligencias d'lioje, porque chamam o povo B generosa partilha de seus direitos I Querem enterrar vivo e novo Joao do Apocalypse do seculo xrx, porque lhes prognostica o juizo final de todos 08 despotismos, e promette uma coroa civiea a todos os martyres da liberdade I São os Mirecourts, nova raça de zoilos, que se rebellam contra a poesia liberaes das insurreições, contra estas r ~ p s o d i a s hauridas pelo genio d e Victor Hugo nas tradicçóes de 93 e 33 1 Mas deixemos barafustar na irnpotencia esses agentes mercenarios d a tyrannia, piegoeiros da paz, improvisados pelo ouro da policia imperial, e sejamos sempre os cfentes apostolos da salva~ão universal, enviados pelas conviççóes, que nos adherem ao mestre d'aquella generosa eschola democratica ! «Ha ahi, diz elle em uma das paginas douradas do seu evangelho, umaTortaleza enorme de pre-

conceitos, privilegios, superstições. nientiras, abiisos, violencias, exenip~óes, iniquidrdes e Irevas, qut: nnieaca o mundo com suas torres d'odio. É preciso demolil-a». Na Franca este castello horrivel cbiimo-se Uaslilha,- em Portugal 4 a Univerdade vcl ha ! Moiistruosa ironia da civilisação, affrontoso sarcasmo do passado, que s&ergue d'entre a vida d'hoje corno urn spectro d'immobilidade, B mister, não derribal-a, mas fazel-a reviver das cinzas, animar-se das ruinas 1 Ao priiiieiro silvar da tempestade, o decrepito colosso d'ideias velhas, tem d'esmagar na sua estrondosa queda. esta cidadella de principias de Direito divino. E k a v6s, coinpanheiros n'estaslábutayóes gesiativas de porvir, qiie cumpre dirigir o sôpro animador do tufão revolucionario. As pareneses d'oquello eschola, que pretende transplantar o quietismo para a politice, esforcam-se por nos persuadir B innceão pelo horror Bs guerras creadoras do progresso. Mas, amigos, quando estas batalhas se mostram a agi(aç8o democratica, alimentada pelas crenças do povo, fermento tumultuoso da ruina das monarchias e dos imperios, siio um trabalho, que fecunde, anima, engrandece e canonisa o futuro ! Classicos d'ordem publica, doutores da lei velha, paleologos da politica, querem modular-nos a nossa sitiiacão social pelas instifuiçóes impiricas e provisorias da edXae media, reduzir-nos ti

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~ictividade caneer, dar-nos por estiuiulo d e redo ligiiio iiin syiiibolo caliido ..., mas nhs, fautoros vivitios t i t i porvir, iiggrogariio-iios A poesia do descoiiliccidci. 12 l i d i i ~ i i iiilàiigavcis por uiria vida nova, ~s p~lo ri~iniitlo fiituru dii jiistiya. N'estas diligençias SP, I I I ~ I ~ S qiie oiiiit vtrz, rtbgamoscom sangue d e nossos irinios à arvore caridusa da liberdade, 6 porque nssinl 4 forcoso para fazer accessivel ao povo o pniiio, que tl'clla peiide, vedado pela vigilancia dos desl~otas ! Com esta I I O ~ > ~ C Z d'iiituitos todos os esforços U d se sanctificij 1x1; e iiistrun~eirtos a justica de Deus beiii podeinos amor tal hal-os iio ignominioso estandarte das suas tractiqcies e elevar-nos h dignidade de obreiros piiblicos, qiic toinarn a ordem por aspirariío, por iiitiio : revt)li@o. i Concluindo pois, amigos, peço-vos em nome das creneas, que vos aiiimam, q u e não isoleis este rebate individual. Por si s6 pdde invalidar-se. Auctorisado pela repercuscio d e vós todos fortifico-me nos grandes aleritos da solidariedade, robora-se na inimensa energia da mocidade portuguezu 4 Associae-vos pois, sem hesitações, iiernescrupw los, nem receios ii esta lucta; e, se se cr& nc prestigio d a imprensa, pondel-a ao uso d'esta crusada sancto, ¶ue'busca a conquista do n o s 6 porvir !

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