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ADOÇÃO INTERNACIONAL1

Rachel Tiecher Silveira

RESUMO

O instituto da Adoção Internacional será analisado sob o aspecto social e legal, tema de suma importância para a sociedade contemporânea. Passando pela origem do instituto e as mudanças no cenário nacional e seu desenvolvimento internacional. Remetendo a discussão para a legislação vigente, de forma mais específica para o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n.º 8.069/90), confrontando-o com o Código Civil (Lei n.º 10.406/02) e com a Constituição Federal de 1988, que aderiu aos procedimentos adotados a partir da Convenção relativa à proteção e à cooperação em matéria de adoção internacional, realizada em Haia em 29 de maio de 1993 (Decreto n.º 3.087/99), dentre outras convenções e tratados que foram ratificados pelo Brasil, representando uma nova visão da adoção internacional, concentrada nos direitos humanos da criança, visando a proteção, o bem-estar e o seu interesse superior. Diante disso, a proteção das crianças e adolescentes no âmbito do direito internacional, tais como o seqüestro e o tráfico internacional de órgãos, a atuação das autoridades centrais e organismos credenciados nos procedimentos para a adoção. O papel das Comissões Estaduais Judiciárias de Adoção (CEJA/CEJAI), que atuam como órgão auxiliador por parte daqueles que buscam adotar crianças brasileiras. Palavras-chave: Adoção Nacional e Internacional. Estatuto. Criança e Adolescente. Convenção. Estrangeiro.

INTRODUÇÃO

O presente estudo tem por objetivo analisar a proteção de crianças e adolescentes no cenário mundial e brasileiro, tendo em vista que adoção internacional pode ser considerada um dos temas mais polêmicos da atualidade, sob o ponto de vista jurídico e social. A fim de facilitar a compreensão do trabalho ora apresentado, foram esquematizados três capítulos: Inicialmente, para o desenvolvimento da pesquisa, estudar-se-á os problemas que afetam a adoção internacional de menores, penetrando na origem histórica do instituto,

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Artigo extraído do Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial à obtenção do Grau de Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, aprovado, com grau máximo pela banca examinadora composta pelo orientador Prof. Rolf Hanssen Madaleno, Prof.ª Ana Luiza Carvalho Ferreira, e Prof.ª Marise Soares Corrêa, em 19 de junho de 2008.

preocupando-se em reconstituir aa mudanças ao instituto da adoção e o seu desenvolvimento, refletindo sobre o seu conceito e suas principais características no decorrer dos anos. No capítulo seguinte, serão analisados aspectos da doutrina brasileira em matéria de adoção internacional, mencionando o antigo Código de Menores de 1979, passando pela Carta Magna de 1988, o Código Civil de 2002, até finalmente ingressar no Estatuto da Criança e do Adolescente, que além de ser apresentado como um diploma legal específico, que rege a matéria ligada à adoção nacional e internacional, se mostrou inovador, à época de sua edição, também por inserir uma série de regras e princípios do Direito brasileiro sobre a adoção de menores, tendo como princípio-base a proteção integral dos direitos das crianças e adolescentes. Norteando o processo de adoção internacional, objetivando o interesse maior da criança, tratando da adoção internacional como uma medida excepcional. No último capítulo, desenvolvendo o objeto específico deste trabalho, é feito um exame dos diferentes critérios apontados pela doutrina para a solução da difícil problemática no caso de conflito de leis, sob a égide de realidade social, na medida em que há hoje no Brasil um grande pluralismo de leis, decretos, convenções e tratados com o objetivo de regulamentar o instituto da adoção internacional, há também um vazio normativo reinante no passado, preenchido, paulatinamente, por via do Direito internacional, que propiciou uma grande modernização das legislações nacionais de proteção à criança. Neste sentido, caberá aos operadores do Direito solver um possível conflito de normas, podendo recorrer às normas existentes na Lei de Introdução ao Código Civil, que adota critérios hermenêuticos apropriados para cada caso, em relação ao conflito de leis em matéria internacional. Ainda, verificar-se-á, como produto do estudo obtido no capítulo, a questão de fundo, conferindo especial atenção a grande problemática do tráfico internacional de crianças e adolescentes, e o papel das autoridades centrais, os organismos credenciados e as Comissões Judiciárias de Adoção, regulamentando cada passo dado no processo de adoção, assegurando o interesse do menor. Por fim, procurou tratar do tema de uma forma bastante articulada com a realidade, abordando os Tratados e convenções internacionais ratificados pelo Brasil, dentre eles os destacamos os mais importantes: A Convenção de Haia de 1988 e a Convenção Internacional dos Direitos da Criança da ONU (Organização das Nações Unidas). Quanto à metodologia de abordagem a ser empregada no trabalho, registra-se que, na fase de investigação, será predominantemente indutiva, com fundamento em pesquisas bibliográficas. Na fase de tratamento de dados, o método cartesiano e, o relatório dos resultados expressos na presente monografia é composto na base lógica indutiva. Outrossim, a técnica utilizada para pesquisa será a documental, na medida em que nos valeremos do estudo 2

través de pesquisas em livros e revistas para averiguar os estudos já realizados a respeito do tema proposto, e ainda, leis e jurisprudências.

1 O INSTITUTO DA ADOÇÃO

1.1 ORIGEM DA ADOÇÃO

Neste primeiro momento do trabalho, importante que estudemos um ponto de extrema relevância para uma melhor compreensão e alcance acerca da adoção internacional, qual seja, o surgimento do instituto da adoção. Estudar o instituto da adoção reveste-se de importância singularíssima. Pode-se afirmar que os fatos que a determinam e as necessidades a que responde e para as quais proporciona uma contemplação jurídica, surgem na mais remota Antigüidade e perduram no transcurso dos séculos, se mantendo e se reafirmando nos tempos atuais de tão acentuadas desigualdades sociais e econômicas. A adoção teve seu prenúncio nos povos da Antigüidade podendo ser encontrada nas mais diversas formas, foi conhecida nas antigas civilizações como o Egito, a Babilônia, a Caldea e a Palestina. De cunho religioso, tinha como objetivo a perpetuação do culto doméstico, como forma de preservação da família para escapar de sua extinção, assegurando posterioridade a quem não tinha a família por consangüinidade.2 A questão acerca do surgimento da adoção, inúmeras vezes foi abordada por doutrinadores brasileiros, razão pela qual, convém apresentar uma noção da origem. Luiz Carlos de Barros Figueirêdo, com o objetivo de buscar os primeiros casos de adoção, seja por nacional ou por estrangeiros, baseou-se em dados bíblicos e até mesmo em lendas.3 Desta forma, segundo o autor, das histórias mais marcantes, pode ser destacada a de José do Egito, que foi adotado por Putifar e, ainda, o caso clássico da literatura infantil, a

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KAUSS, Omar Gama Ben. A Adoção no Código Civil e no Estatuto da Criança e do Adolescente. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 1993. p. 01. FIGUEIRÊDO, Luiz Carlos de Barros. Adoção Internacional: doutrina e prática. Curitiba: Juruá, 2003. p. 15.

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lenda que envolve Rômulo e Remo, dois meninos que foram adotados por uma loba nos primórdios da civilização romana.4 Instituto de grande expressão na Antigüidade teve acolhimento, nos chamados códigos orientais dos povos asiáticos: como o Código de Urnamu (2.050 a.C.), Código de Eshnunna (século XIX a.C.) e o Código de Hamurabi (1728-1686 a.C.).5 Importante salientar, que o primeiro caso documentado de adoção foi encontrado em passagens da Bíblia Sagrada.6 A história de Moisés, cujo significado do nome seria “salvo pelas águas”, foi encontrado dentro de um cesto, às margens do Rio Nilo, por Termulos filha do faraó, conforme se extrai do velho testamento.7 Entre os séculos XI e XII, mencionam-se em alguns poemas homéricos, casos de adoção. Assim, como o Canto IX da Ilíada, o ancião ginete Félix, chefe da embaixada de Aquileu recorda ao filho de Peleu e descendente de Zeus, que desde o abandono pelo pai o tomou a seu cuidado.8 O povo hebraico caracterizava uma espécie de adoção conhecida pelo nome de levirato, palavra que provém do latim, considerada uma lei hebraica que obrigava um homem a esposar a viúva de um irmão quando do morto não houvesse herdeiro. Podendo ser encontrado vários registros sobre o instituto na Bíblia, como o de Jacó que adotou Efraim e Manassés, filho de seu filho José.9 Entre os gregos a nomenclatura do instituto era Ampasis, a palavra “adotar” denominava-se “epi taiera agein”, e o nome de Tésis distinguia-se os tesei niós (que eram os filhos adotivos) dos fisei niós (filhos naturais).10 Em Atenas, a denominação do instituto era poíesis, eispoíesis e tesis, tanto os homens quanto as mulheres poderiam ser adotados, porém, as mulheres não podiam adotar.11 A adoção para os cidadãos da polites era um ato solene, com a intervenção do magistrado, os cidadãos poderiam adotar e serem adotados, porém a ingratidão do adotado revogava a adoção.12

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FIGUEIRÊDO, Luiz Carlos de Barros. Adoção Internacional: doutrina e prática. Curitiba: Juruá, 2003. p. 15. KAUSS, Omar Gama Ben. A Adoção no Código Civil e no Estatuto da Criança e do Adolescente. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 1993. p. 01-02. FIGUEIRÊDO, op. cit., p. 16. SZNICK, Valdir. Adoção. 2. ed. São Paulo: Leud, 1993. p. 08. Referindo a passagem do Gênesis. HOMERO. A Ilíada. São Paulo: Martin Claret, 2005. p. 452. FIGUEIRÊDO, op. cit., p. 15. SZNICK, op. cit., p. 27. Referindo a primeira cerimônia que está descrita em Gênesis, XXX, 3, L, 23; Ruth, IV. Referindo a Lei de Gortina (X, 34-5; XI, 1-19). SZNICK, loc. cit. Referindo Volterra, in Nov. Dig. Italiano, 1º, 281. SZNICK, loc. cit.

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179-80. MEIRA. KAUSS. 16. 1993. Florianópolis: Fundação Boiteux. Portanto. São Paulo: Leud. Omar Gama Ben. um chefe de família entrava na família de outro ad-rogante. A agnação (“agnatio”) referia-se ao parentesco que se instituía pelo culto. 2004. pessoa que não estava submetida a nenhum pátrio poder. a extinção de sua família e do respectivo culto privado. 2. era a adoção em sentido restrito ou propriamente dito. se o pai emancipasse o filho por três vezes.17 A ad-rogação. filha. KAUSS. pois tornava-se um ato extremamente importante e grave. assim. pertencia ao Direito Público. Aplicavase a disposição da Lei das XII Tábuas.O instituto ganha notável desenvolvimento em Roma. que declarava extinto o pátrio poder. obrigatória a intervenção do Estado que fazia uma prévia 13 14 15 16 17 SZNICK. uma vez que implicava na submissão de um sui juris. muitas vezes também. p. transformando um aliene juris em filho. assegurando a sucessão legal. São Paulo: Saraiva. Abandonando seu culto doméstico o sui juris tornava-se um herdeiro do culto do adotante (heres sacrorum).13 A finalidade da adoção no Direito Romano era suprir a morte prematura de filhos ou a falta destes por infecundidade. p. p. a sua grande evolução adveio da necessidade de perpetuação do culto doméstico. cit. A Adoção no Código Civil e no Estatuto da Criança e do Adolescente. era emancipado por um pater famílias. VERONESE. loc. João Felipe Correa. Segundo a qual operava-se pela autoridade do magistrado. Curso de Direito Romano: história e fontes. Adoção. extinguindo-se a família do ad-rogado. o adotado quando ingressava na família do adotante assumia a qualidade de filho. neto ou neta do pater-familias. sendo concebido como filho na família de um pater famílias. que significava a adoção de um sui juris. Rio de Janeiro: Lumen Juris.16 Outra forma. um "alieni juris" se colocava sob o pátrio poder de um sui juris. sendo necessário fazer cessar o pátrio poder do pai natural e colocar o filho debaixo do pátrio poder do pai adotivo. 1993. p. 03. o parentesco chamado agnatio compreendia todos os que estavam debaixo do poder de um "pater familas". 14 Acompanhando as transformações da família romana. 1975. ed. que exigia rígidas formalidades. Valdir. 5 . era de grande interesse do Estado e da religião. Silvio Augusto de Bastos. se denominava Sacra. enquanto a cognição (“cognatio”) referia-se ao parentesco por laços consangüíneos”. Adoção Internacional e Mercosul: Aspectos Jurídicos e Sociais. pela qual. Por meio da emancipação o pai colocava o filho sob o mancipium do adotante. como já notado pelos gregos. Josiane Rose Petry e PETRY. 27-8.15 O sistema romano apresentava duas formas de adoção: a adrogatio (ad-rogação).

22 A adoção era vista pelos sacerdotes. evitando o rompimento destes. História Social da Criança Abandonada. somente entre membros da mesma família natural ou de sangue. cit. Maria Luisa. v. ficando sob o pátrio poder de seu pai de sangue. Belo Horizonte: Del Rey. Havia duas formas de adoptio: a adoptio plena e a adoptio minus plena. cit. passando a ser admitida por quase todas as legislações. era realizada entre parentes e se caracterizava por manter os laços de parentesco do adotado com a sua família natural. IV. 1998. loc. 301. Arnoldo. p. 44. por ser contrária aos direitos hereditários dos senhores feudais sobre os feudos (Adpotivus in Feudum non Succedit). A segunda. No Direito feudal a adoção teve escassa aplicação. a constituição de um herdeiro prejudicava a donatio post obitum feita por ricos senhores feudais. COSTA. 6 . p. acrescentando uma possibilidade de fraudar as normas que proíbam o reconhecimento de filhos adulterinos e incestuosos. a primeira tinha a finalidade de conceder pátrio poder a quem não o tinha. porém. ed. A Adoção no Código Civil e no Estatuto da Criança e do Adolescente. WALD. 1998. Omar Gama Ben. surge a concepção orientada pelo Direito Privado. São Paulo: Revista dos Tribunais. Adoção Transnacional – Um estudo sociojurídico e comparativo da legislação atual. COSTA. Tarcísio José Martins.18 Posteriormente. loc. o instituto da adoção não teve qualquer previsão no Direito Canônico. uma vez que não admitiam mesclar nas suas famílias aldeões e plebeus. somente admitido quando lhes interessava do ponto de vista sucessório. 1993. que a hora de sua morte não deixavam descendentes.23 Conseqüentemente. 188. em contrapartida. p.investigação dos pontífices. KAUSS. foi ocasionada pelo fato do instituto afrontar diretamente os interesses da Igreja Católica e por contrariar os interesses dos senhores feudais21. 12. MARCÍLIO. COSTA.. Rio de Janeiro: Lumen Juris. COSTA. cit. como a plasmada por Justiniano. 44. como um meio de suprir o casamento e a constituição da família legítima. sendo a decisão favorável submetida ao voto dos comícios e realização da cerimônia religiosa. O instituto quase desapareceu completamente na Idade Média20. 1999. cit. loc.25 18 19 20 21 22 23 24 25 KAUSS. 03. p.19 Com o início das invasões bárbaras e da Idade Média a adoção cai em desuso. visto que. essa significativa diminuição. op. São Paulo: Hucitec.24 Somente após a Revolução Francesa a adoção ressurgiu como um ato jurídico estabelecendo parentesco civil entre duas pessoas. p. Curso de Direito Civil Brasileiro – O novo Direito de Família.

em 19 de junho de 1923. sob a influência do Direito Romano. o sistema de disposições que regulamentavam adoção. a adoção assoma na legislação francesa como um ato essencialmente contratual.28 Tal como apareceu no Código Napoleônico. Ibidem.31 26 27 28 29 30 31 COSTA. 45. Cabe ressaltar. não é uma situação recente. instituições e comportamentos de assistência e proteção à criança abandonada. sobreleva registrar que o código teve transcendental importância como antecedente histórico. quase. Tarcísio José Martins. Ibidem.30 1. a partir dessa influência. Adoção Transnacional – Um estudo sociojurídico e comparativo da legislação atual. introduziu leis. 7 .A evolução do instituto entre os germanos pode ser observada em três períodos distintos: O primeiro foi o direito primitivo. em que o povo germano. como conseqüência. MARCÍLIO. para conseguir levar adiante as campanhas empreendidas pelo pai adotivo (campanhas bélicas). p. 46-7.29 Posteriormente. quanto econômicos. 44-5. foi dividido em duas fases: o período anterior à influência da Escola de Bolonha e. essencialmente guerreiro. para a legislação posterior. Maria Luisa. 44-5. que culminaram por modernizar o instituto na França. a colonização portuguesa no Brasil. 47. 1998. São Paulo: Hucitec. Ibidem. Estabelecendo regras diferentes com respeito ao sujeito ativo da adoção. 1998. foi criada uma lei que trouxe importantes modificações à adoção. integralmente. História Social da Criança Abandonada. p. até a promulgação do Código da Prússia em 1794. p. Ibidem. Belo Horizonte: Del Rey. tampouco por motivos políticos.2 MUDANÇAS AO INSTITUTO DA ADOÇÃO NO BRASIL O abandono de crianças no Brasil. p. buscou na adoção um meio de perpetuar o chefe de família. Acredita-se que o ato de expor (abandonar) os próprios filhos foi introduzido no Brasil pelos europeus. que o Código Civil de Napoleão tomou-lhe. sobrevindo legislações. nos moldes que foram adotados desde os tempos medievais. máxime na parte que se refere à adoção. 27 O terceiro período vai do Código da Prússia (Preussiches Landrech). p. para o atual Código Civil Alemão. p.26 O segundo período. 12.

cit. 8 . em 1941.35 A adoção foi definitivamente oficializada no Brasil. p.br/reporter/noticia_impressao. mais de 8. 12. desvalidas ou expostas”.com. retirando-se furtivamente do local. História Social da Criança Abandonada. Correio da. no interior do Departamento Estadual da Criança. considerado o primeiro dispositivo legal a tratar do instituto de adoção. 61. em que o nascimento de um filho ilegítimo era ostensivamente reprovado. MARCÍLIO.33 Nesta época. Orlando. o expositor colocava a criança (ainda pequenina) que era enjeitada. nas quais serviam para o abandono anônimo de bebês. e assim. op. sob a influência do Cristianismo. Matéria publicada em 15. na Itália. No tabuleiro inferior da parte externa. esse dispositivo era fixado no muro ou na janela da instituição. que implementou a primeira Agência de Colocação Familiar. ou “Roda dos Enjeitados”.06. 34. que se chamava “Roda dos Expostos”. Repórter – Roda dos Expostos: Instrumento medieval recebia os órfãos e desvalidos na Santa Casa de Misericórdia. pois a própria igreja que a criou a condenava. girava a “Roda” e puxava um cordão com uma sineta para avisar à vigilante – ou Rodeira – que um bebê acabara de ser abandonado. Lidia Natalia Dobriansyj.086 crianças. das quais 3. WEBER. 1998. Maria Luisa. mais precisamente no Estado da Bahia. cit. pelo médico Álvaro Bahia36. porém nem todas as crianças que foram entregues à Roda dos Expostos permaneciam internadas. 2008 às 10:10.Nos períodos Imperial e Colonial. 1988.37 32 33 34 35 36 37 MARCÍLIO. Acesso em: 29 abr. lhes foi dado um destino. a “Roda” entrou em vigor no Brasil.. pois muitas eram criadas por “negras de aluguel” ou “famílias criandeiras”. 50. com isso. ORLANDI. 2006. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. práticas comuns na época.545 morreram. p. O nome “Roda” – dado por extensão à casa dos expostos – provém do dispositivo de madeira onde se depositava o bebê. Teoria e Prática do Amor à Criança. como o de evitar o contato dos religiosos com o mundo exterior. p. WEBER. p. sem ser reconhecido. na tentativa dos pais livrarem-se do filho indesejado (aquele que não era amado ou legítimo). mostrando que “a priori” o instituto foi introduzido no Brasil com as Ordenações Filipinas e a Lei Imperial de 22 de setembro de 1828. Curitiba: Juruá. inúmeras crianças “legítimas” e “ilegítimas” foram abandonadas por suas famílias naturais. Disponível em: <http://www. conseqüentemente se reduziam os infanticídios. De forma cilíndrica e com uma divisória no meio. Para essas crianças denominadas “enjeitadas. Pais e Filhos por Adoção no Brasil.34 No período entre 1861 e 1874. É de extrema relevância fazer uma reconstrução histórica da legislação brasileira a respeito da adoção. a adoção ficou em desuso. usados para outros fins. BAHIA. loc.asp?codigo=114420>. assim. A origem desses cilindros rotatórios vinha dos átrios ou dos vestíbulos de mosteiros e de conventos medievais. em 1939. copiado do modelo europeu.10.32 A Roda dos Enjeitados foi criada pela Igreja na Idade Média. A Roda dos Expostos ou Enjeitados teve origem na Idade Média. São Paulo: Hucitec. servindo de modelo para a criação de outras agências estaduais durante a mesma década.clubecorreio. por tentar regularizar filhos adulterinos.

1997. a Lei n. Aspectos Novos da Adoção. como a grande tendência da sociedade é a sua evolução. Curitiba: Juruá. 2003.133 .htm>.gov. MENORES. a adoção passou a ser amplamente praticada em vários estados brasileiros. p. salvo no caso de sucessão. WEBER. transformação e modificação. desaparecendo do ordenamento o instituto da legitimação adotiva. foi criado o Código de Menores. 54. de 10 de outubro de 197944.45 Diante das grandes transformações no cenário político nacional na década de 1980. Acesso em: 29 abr. o referido anteprojeto também tratava do instituto da adoção e da legitimidade adotiva.39 Em 8 de maio de 1957.41 Algumas modificações estariam por vir. Pais e Filhos por Adoção no Brasil. REALE.html>.º 4.. no anteprojeto de reforma do Código Civil. tanto que. 374 e 377. 2006. Lei nº 3. o primeiro da América Latina a trazer definições de “abandono – físico e moral”. versavam sobre a idade mínima do adotante. Distante de atingir o ápice da perfeição. 1993. em 1927. Código de.º 6. O adotado permanecia com os mesmos direitos e deveres do filho legítimo. 451-53. Lidia Natalia Dobriansyj. MONTEIRO. ou pelo menos atender aos anseios da sociedade. Claudia Lima. que foi apresentado pelo Prof. São Paulo: Revista dos Tribunais. 3. 08. p.. Novo Código Civil Brasileiro – estudo comparativo com o Código Civil de 1916.blogspot.. algumas alterações introduzidas pela referida Lei. com a edição da Lei n. S. Atualiza o instituto da adoção prescrita no Código Civil. 2008 às 10:25. 36-7. 692. Juscelino Kubitschek e José Carlos de Macedo Soares sancionam a seguinte lei. dentre outras modificações. p. Ibidem. op.de 8 de maio de 1957. 9 . acarretando muitos benefícios para o menor abandonado. p. até 2 de julho de 1965.38 No entanto.697.com/2007/10/lein-66971979-cdigo-de-menores. MARQUES.43 Foi somente com promulgação do Código de Menores – Lei n. mesmo que o adotante tivesse filhos legítimos ou reconhecidos. M. Novas Regras sobre Adoção Internacional no Direito Brasileiro. Acesso em: 29 abr. M. p. a partir disso.655. passou-se a contar com a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança. que dispôs sobre o instituto da legitimação adotiva. 368. 37-8.133.42 A discriminação criada em torno da sucessão permaneceu estável por quase 10 anos. cit. a diferença de idade entre adotante e adotado e a concessão da permissão para ser adotante. 369. visando o controle da infância e da adolescência abandonada e delinqüente. Orlando Gomes em 31 de março de 1963.A inclusão da adoção no Código Civil de 1916 ocorreu graças à persistência e à argumentação de Clóvis Bevilácqua. foi editado exclusivamente. em 38 39 40 41 42 43 44 45 WEBER. 372. p. 2008 às 16:49 Disponível em: <http://diviliv. Rio de Janeiro: Forense. se concorresse com filho legítimo superveniente à adoção.dataprev. Disponível em: <http://www3.br/SISLEX/paginas/42/1957/3133. que surgiram duas formas de adoção. v. 50. São Paulo: Revista dos Tribunais. acrescentou algumas modificações atinentes à adoção40 em seus arts.

que deu origem ao Estatuto da Criança e do Adolescente46. Após o término da Segunda Guerra Mundial. os efeitos do grande conflito. até mesmo de fenômenos naturais. Antônio. considerada uma das leis mais avançadas. a filiação adotiva se mantinha restrita ao Direito interno. amparando as crianças e adolescentes. foi promulgada a Lei n.3 DESENVOLVIMENTO DA ADOÇÃO INTERNACIONAL A análise do desenvolvimento histórico. 52. permite a compreensão da interpretação sociológica das leis e convenções que regem o instituto da adoção internacional. foi a adoção de crianças por famílias de países que haviam sofrido em menores proporções. ações terroristas. Lei n. São Paulo: Ltr.069.069. § 6º da denominada “Constituição Cidadã”. 13 jul.1989. sob o ponto de vista material e espiritual. em 1993. 2008 às 17:28. Brasília. portanto. ed. a proteção aos direitos humanos aumentou internacionalmente. gerando movimentos significativos em relação à proteção da criança.br/CCIVIL/Leis/L8069. Comentários ao Estatuto da Criança e do Adolescente. por sua vez. 1. conseqüentemente trouxe uma multidão de crianças órfãs sem a menor possibilidade de acolhimento por suas famílias. p. em 13 de julho de 1990. Disponível em: <http://www. 1990. momentos em que se pode constatar a comoção das pessoas frente ao drama vivenciado por milhares de crianças e jovens órfãos ou abandonados à própria sorte. até então. na medida em que facilitam o entendimento de sua razão no ordenamento. 2. O fim do conflito. mais tarde. com a Convenção de Haia. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. e. como também a sua salvaguarda.planalto. Em meio a uma revolução sociopolítica no Brasil.47 Mister se faz dizer que o tratamento da questão da adoção no ECA adveio do artigo 227 da Constituição Federal de 1988. legada pela Assembléia Geral da ONU. afastando qualquer caráter discriminatório. As comunidades sensibilizadas com o drama das crianças que tiveram suas famílias dizimadas 46 47 BRASIL. tornando a adoção de crianças por estrangeiros uma prática regular. unificando a atividade de cooperação das autoridades centrais dos países das crianças e dos adotantes. por estabelecer a igualdade de tratamento entre os filhos biológicos e os filhos adotivos. quiçá nações. A melhor alternativa encontrada. O início do século XXI foi marcado pela ocorrência de inúmeras catástrofes mundiais. CHAVES. Acesso em: 29 abr. tamanho importância do ECA.gov. Inegável.º 8.º 8. de 13 de julho de 1990. vítimas de guerras que aniquilam povos inteiros. 1997. 10 .htm>. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente.

51 A adoção internacional. 21. Josiane Petry. p. fez com que o Brasil fosse provedor de crianças abandonadas. o descaso na área de saúde e na área de educação pública. 23. Curitiba: Juruá. 58. Os Novos Conceitos do Novo Direito Internacional: cidadania. 2ª tir. Belo Horizonte: Del Rey. 2005.. democracia e Direitos Humanos. Florianópolis: Fundação Boiteux. foi aumentar exponencialmente o processo de adoção internacional. possui grande importância no âmbito interno brasileiro. ACQUAVIVA. 1998.50 A Organização das Nações Unidas (ONU). O estudo resultou nos primeiros princípios da adoção “Fundamental Principles for intercountry adoption Leysin”. 11 . aprovando a Declaração Universal dos Direitos Humanos. ainda que. fundada em 1945. destaca a relevância do tema da adoção por estrangeiros.52 Esse foi um dos grandes motivos que levou o Brasil a internalizar tratados e convenções internacionais. 2004. utilizaram-se do mesmo instrumento como último recurso para amparar crianças em situações em que não podiam permanecer com sua família de origem.49 Outra medida tomada em conseqüência das duas grandes guerras mundiais e diante de um mundo desamparado pelo sofrimento que pairava. Tarcísio José Martins. a partir disso. que passa a influenciar os ordenamentos jurídicos de diversas nações. dando prioridade a adoção nacional. 58. Adoção Internacional: a Convenção de Haia e a normativa brasileira – uniformização de procedimentos. Luis Carlos de Barros. e os governos com grande interesse de solucionar a questão. Rio de Janeiro: América Jurídica. ed. Adoção Internacional e Mercosul: aspectos jurídicos e sociais. Vademecum Universitário de Direito. p. op. a adoção internacional já se compreendia como instrumento de caráter excepcional.53 Visto que a adoção internacional. COSTA. p. 2002. Em 1945 surge a Organização das Nações Unidas. foi utilizada como instrumento para solucionar os problemas dentro daquele contexto. e em 1960 torna-se objeto de discussões no Seminário Europeu sobre Adoção realizado em Leysin na Suíça. aprimorando o processo de adoção internacional.45. ANNONI. Danielle. p. devido a este motivo. cada vez mais. p. 2003. São Paulo: Jurídica Brasileira. 8. cit. a miséria. João Felipe Correa. 278. para uma adoção em larga escala. portanto. além ser uma questão de preocupação mundial. os Estados empenharam-se em criar uma organização internacional. Adoção Transnacional – Um estudo sociojurídico e comparativo da legislação atual.durante a guerra. PETRY. está sendo alvo de discussões para o aperfeiçoamento.48 Esgotados com os conflitos. VERONESE. o pouco investimento na geração de novos empregos. em 1948. FIGUEREDO. Países emergentes como o Brasil. 48 49 50 51 52 53 COSTA. M. p. produziram um acordo de vontades. a adoção internacional somente seria autorizada se fosse configurado o bem-estar da criança. A pobreza.

que por quaisquer motivos. 217. deriva do latim adoptio.. a adoção se traduz pelo relevante conteúdo humano e social que encerra. A origem da palavra adoção. em linguagem mais popular. 2º “Considera-se criança. ficou privada disso em relação a sua família biológica. a conceituação da adoção pode variar de acordo com as tradições e a época. 12 . na concepção de Pontes de Miranda "é o ato solene pelo qual se cria entre o adotante e o adotado relação fictícia de paternidade e filiação". apontando para os interesses do adotando. Primeiramente é importante que se faça uma distinção entre criança e adolescente. Tratado de Direito de Família. Rio de Janeiro: Aide. segundo Wilson Donizeti Liberati. conforme disposto no seu art.] podemos definir a adoção como a inserção num ambiente familiar. 07. pôr um nome em.56 O conceito de adoção começou a ter maior abrangência. a partir da criação do Estatuto da Criança e do Adolescente. v. tem o sentido de acolher alguém. 2001. Vilson Rodrigues. Campinas: Bookseller. não simples contrato. MARMITT. 1993. 13. e adolescente.54 A adoção. para os efeitos desta lei. p. de uma criança cujos pais morreram ou são desconhecidos. MIRANDA. oferecer um ambiente familiar favorável ao desenvolvimento da criança ou adolescente. de forma definitiva e com aquisição de vínculo jurídico próprio da filiação. São Paulo: Malheiros. que tem como significado dar seu próprio nome a.55 Nas palavras de Arnaldo Marmitt.. 2. Arnaldo. nesse sentido a autora menciona: [. 2003. tal como o casamento. ou.4 CONCEITO 1. segundo as normas legais em vigor.1 Conceito de Adoção Os padrões de comportamento construídos historicamente refletem nas crenças e nos valores. ed.1. sendo muitas vezes um verdadeiro ato de amor. Pontes de. não sendo esse o caso. Wilson Donizeti. p. Uma definição legal é dada pelo ECA. assim. Adoção Internacional: doutrina e jurisprudência. Atualizado por ALVES. a pessoa até doze anos de idade incompletos.4. III. p. não podem ou não querem 54 55 56 LIBERATI. aquela entre doze e dezoito anos de idade”. Adoção. Caracterizando como principal finalidade.

Adoção Transnacional – Um estudo sociojurídico e comparativo da legislação atual.. Nesse mesmo sentido. 2003. ou são pela autoridade competente. que alguns atos vinculados à adoção tenham ocorrido no estrangeiro. a maneira como a adoção é entendida nos dias de hoje.57 Dando enfoque ao conceito de adoção. uma vinculo 57 58 59 GRANATO. enquanto a adoção internacional. vincula-se a dois ou mais direitos nacionais.4.] uma instituição jurídica de proteção e integração familiar de crianças e adolescentes abandonados ou afastados de sua família de origem. Curitiba: Juruá.2 Conceito de Adoção Internacional Inicialmente. 1998. p. “as verdadeiras adoções transnacionais são aquelas que envolvem pessoas subordinadas a soberanias diferentes”. mas o que se pretende é “atender às reais necessidades da criança”. considerados indignos para tal. acolhida. GRANATO. pela qual se estabelece. Adoção Doutrina e Prática: com abordagem do novo Código Civil. Assim a adoção internacional é definida como: [. que passa de vínculo legal para a preocupação com o adotado e sua inserção em um ambiente familiar sadio. dando-lhe uma família onde possa se sentir amada.. loc. p. ou. cit. A adoção interna vincula-se desde a origem a um único ordenamento jurídico. 13 . não consiste apenas em ter pena de uma criança ou resolver um problema do casal conflitante. e assim. segura e educada.59 Alguns tratadistas conceituam a adoção internacional de forma bastante ampla. Eunice Ferreira Rodrigues.58 1. ainda. Tarcísio José Martins. tendo o adotante que assumir as responsabilidades legais e morais da criação de um filho. é importante fazer a distinção da adoção interna da adoção internacional. consideram-na internacional toda vez que se encontre presente um elemento de estraneidade: nacionalidade estrangeira de uma das partes ou que algumas delas tenha domicílio ou residência no estrangeiro. 52. COSTA. desde o início. qual seja. independentemente do fato natural da procriação. Na medida em que se pretenda o reconhecimento da adoção internacionalmente.assumir o desempenho das suas funções parentais. Belo Horizonte: Del Rey. 25-6. o nacional.

MARMITT. São Paulo. Revista de Direito Privado. 1993. no entanto.60 Concluindo que a adoção internacional significa. ao dispor “O vínculo da adoção constitui-se por sentença judicial que será inscrita no Registro Civil mediante mandado do qual não se fornecerá certidão”.63 Podemos afirmar que não existe uma concordância plena na doutrina brasileira. 3. quanto à unilateralidade ou a bilateralidade do ato. A referida 60 61 62 63 64 COSTA.61 Constituindo-se um instituto de ordem pública. 64 Consta no art. uma vez que na adoção internacional prevalecem as benesses legais brasileiras ao adotando. p. 1998. 10. Revista dos Tribunais. 43-67.-jun. 11. existe uma divergência dentro da construção da teoria contratualista. consideram-na como instituto de ordem pública. KAUSS. n. moldandose aos tempos. 1995. v. Adoção Transnacional – Um estudo sociojurídico e comparativo da legislação atual. até mesmo para aqueles que a consideram um negócio jurídico. Tarcísio José Martins. A Constitucionalidade da Adoção Internacional. p. ed. abr. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. Rio de Janeiro: Lumen Juris. caput do Estatuto da Criança e do Adolescente. São Paulo. A Adoção. 14 . a caracterização da modalidade de adoção como uma instituição. outros. Adoção. 09. MARQUES. 47.de paternidade e filiação entre pessoas radicadas em distintos Estados: a pessoa do adotante com residência habitual em um país e a pessoa do adotado com residência habitual em outro. O Regime da Adoção Internacional no Direito Brasileiro após a Entrada em Vigor da Convenção de Haia de 1993. fazendo com que o Direito Internacional volte-se para a “segurança do adotado. 9. ou seja. Edson José da. devida a sua proteção constitucional. contrato que estabelece entre duas pessoas relações puramente civis de paternidade (ou de maternidade) e de filiação. p. um “des-enraizamento” social e cultural da criança. Arnaldo. p. levada para uma sociedade diferente. ressalte-se a idéia de soberania supranacional perante as legislações estrangeiras.62 Apesar da grande controvérsia existente entre doutrinadores. seu bem-estar e a realização de seus direitos fundamentais”. 1. 249. 2. que nega a natureza contratual. Belo Horizonte: Del Rey. de conformidade com o desenvolvimento da humanidade. Claudia Lima. n. e fixa-lhe a natureza jurídica. p. 1993. Rio de Janeiro: Aide Editora. Omar Gama Ben. FONSECA. 58.5 NATUREZA JURÍDICA A natureza jurídica da adoção tem sido modificada com o passar dos anos. onde uns consideram a adoção um autêntico negócio jurídico contratual. 2002.

especialmente ante os efeitos sucessórios. [et al. 11. Rio de Janeiro: Aide. 2 A NORMATIVA BRASILEIRA FRENTE À ADOÇÃO INTERNACIONAL 2.]: VERONESE. em seu art.68 Contemplando uma série de 65 66 67 68 MARMITT. em suma. 147. não existe qualquer resquício relativo à matéria da adoção.67 Gize-se. Portanto. 1995. a nível nacional e internacional. de 1988. consoante a leitura do artigo 28. a forma como são incorporados no ordenamento jurídico brasileiro. A Constitucionalidade da Adoção Internacional. CF/1967 . Grandes Temas da Atualidade. BRASIL. ou por adoção [. p.sentença. Arnaldo. caput. 202. Luciene Cássia Policarpo.]. do ECA. Revista dos Tribunais. abrangendo todos os direitos e deveres pertinentes a filiação de sangue. Edson José da.. pretende-se fazer uma análise em relação à Constituição Federal de 1988 e os mecanismos de proteção dos direitos da criança e do adolescente. faz-se ressalva à Carta Política de 1967. OLIVEIRA.65 Sendo assim. concedendo lugar ao instituto da adoção. que constitui um novo estado civil do adotado apaga a sua filiação sangüínea e ao mesmo tempo cria uma filiação adotiva. Com relação às Constituições Federais pretéritas. até o terceiro grau. 09.1 A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 Neste momento do trabalho. Adoção. São Paulo. nas mesmas condições do artigo anterior. ao tratar das inelegibilidades. Rio de Janeiro: Forense.art 147 . consangüíneos ou afins. p. n. o que demonstra a função social da adoção. ao dispor que o vínculo da adoção é constituído por sentença judicial afasta. vigora uma norma estatutária. portanto a idéia de contrato aplicada nas relações de filiação. que as muitas inovações advindas com a “Constituição Cidadã”. Adoção de Crianças e Adolescentes no Brasil: as inovações (?) do Código Civil. é instituto de ordem pública. Adoção: Aspectos jurídicos e metajurídicos/ coordenador: Eduardo de Oliveira Leite.São ainda inelegíveis. e seu objetivo que é a formação de um lar para o menor desamparado. 3. 2005. fundamentada na primazia do interesse da criança e adolescente. 249. Adriana Kruchin Hirschfeld.-jun.66 A natureza jurídica da adoção. compreendendo uma das formas de colocação do menor em família substituta.. Josiane Petry. bem como. possibilitaram uma verdadeira abertura de espaço no conceito de família. o cônjuge e os parentes. no entanto. p. referentes à adoção. como representa o cerne da instituição. 15 . FONSECA. 1993.. abr. v. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política..

um convívio familiar.71 Com efeito. O mencionado capítulo. crueldade e opressão”. 1.. Adoção Internacional e Mercosul: aspectos jurídicos e sociais. dispõe que ”os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. p. encampou definitivamente a política de proteção integral da infância e da adolescência no Brasil. 5º. da criança. Josiane Petry. Adoção Internacional Estatuto da Criança e do Adolescente e Convenção de Haia. p. foram complementadas pelas alterações implementadas 69 70 71 72 73 VERONESE.2 O CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO DE 2002 A regulamentação específica da adoção é um fenômeno tardio. São Paulo: Themis Livraria e Editora. “toda forma de negligência. desta forma. 227.72 Em relação ao direito internacional. cit. Grandes Temas da Atualidade.garantias pertinentes ao universo infanto-juvenil. Dessa forma. dentro deste contexto. PETRY. as determinações do Código de 1916. assegurando o dever da família. CARVALHO. op.]. estímulo à adoção e à isonomia filial. 2004. Rio de Janeiro: Forense. deve ser observado com um interesse especial. cuida da família. 16 . o art.70 O art. foi reservado o Capítulo VII. pois o referido princípio é um valor-guia para a aplicação dos demais princípios. CARVALHO. violência. CACHAPUZ. todos são aplicáveis ao tema em estudo. p... § 2º. Eduardo de Oliveira. Rozane da Rosa. a própria Constituição Federal em seu art. para tratar da ordem social. 2. Coordenador: LEITE. 286. 227 da Constituição Federal de 1988 deu abrangência explícita aos direitos das crianças e dos adolescentes.73 No tocante aos princípios constitucionais relativos à pessoa humana instituídos na Constituição Federal. Florianópolis: Fundação Boiteux. Jeferson Moreira de. João Felipe Correa. loc. cit. Adoção: Aspectos jurídicos e metajurídicos. p. proporciona a criança e ao adolescente. o Princípio da Dignidade Humana. Adriana Kruchin. CARVALHO. [et al. Da Importância da Adoção Internacional. porém. de maior relevância. exploração.69 Com o advento da Constituição Federal de 1988. apresentando regras gerais sobre adoção. no Brasil. da sociedade e do Estado. abrindo o caminho para o nascimento de leis que regulassem posteriormente a adoção de forma específica. do adolescente e do idoso. HIRSCHFELD. 110. 1. discriminação. 2002. uma vida saudável e principalmente proíbe de forma categórica. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte”.

São Paulo: Revista dos Tribunais.. Sendo assim. 34.78 74 75 76 77 78 VENÂNCIO. 368 e 378). 77 Porém. Adriana Kruchin. sobre a adoção internacional. HIRSCHFELD. Rio de Janeiro: Forense. remetendo a responsabilidade à aplicação da lei para a “lei especial”. até que se legisle novamente.[et al. p. MARQUES. 17 . p.629. Adoção Antes de 1916. p. cit. em relação a adoção internacional.629). A Subsidiariedade da Adoção Internacional: Diálogo entre a Convenção de Haia 1993.]. 08. 2005. principalmente na omissão do ECA. p. 34. parece ter aberto mão de regulamentar a adoção internacional. Coordenador: Eduardo de Oliveira Leite. Adoção: Aspectos jurídicos e metajurídicos/ coordenador: LEITE. DIAS. pois. 692. Renato Pinto. Grandes Temas da Atualidade. não somente no caso do ECA. e especificadamente. [et.75 O Código Civil brasileiro de 2002. O Brasil ratificou a Convenção Relativa à Proteção e Cooperação Internacional em Matéria de Adoção Internacional. 1. a qual ainda não foi editada. as regras do Código Civil assumem um caráter subsidiário frente às normas elencadas pelo ECA. Novas Regras sobre Adoção Internacional no Direito Brasileiro. é incontroverso afirmar que as normas do Código Civil. deixando claro no que diz respeito a “adoção por estrangeiro residente ou domiciliado fora do Brasil”... 434. 271. Porto Alegre: Livraria do Advogado..76 Nos dizeres de Maria Berenice Dias: O Código Civil delega a adoção por estrangeiros à lei especial (1.em 1957. MARQUES. 1993. como adoção simples de forte inspiração contratual (arts. op. como as normas hoje existentes na Lei de Introdução ao Código Civil e na Convenção de Haia de 1993 (Decreto nº 3. Adriana Kruchin Hirschfeld. e ao proibir os advogados de atuarem. Manual de Direito das Famílias.087/99). Adoção: Aspectos jurídicos e metajurídicos. as escassas normas do ECA. A adoção por estrangeiro obedecerá aos casos e condições que forem estabelecidos em lei. Grandes Temas da Atualidade. Maria Berenice. 2005. Cláudia Lima. tais exigências geram sérios obstáculos à operacionalização da medida de colocação familiar. passou o Ministério da Justiça a ser responsável pelas adoções internacionais. Aplicam-se. v.629: Art. de 1993. Ao admitir a adoção somente por meio das agências. que lançaram as modernas bases da regulamentação da adoção de crianças74. que deverão ser observadas as condições previstas no ECA. Idem. Eduardo de Oliveira. Assim. p. o ECA e o Novo Código Civil Brasileiro. Rio de Janeiro: Forense. não trarão reflexos na adoção internacional. Esclarece o art 1.. al. 2005.].

Esta adoção adveio com o intuito de inserir a criança na família dos adotantes.2. garantindo a isonomia de direitos e qualificações entres filiação legítima e adotiva e a prioridade da criança e de seus direitos fundamentais (arts. 47. afirmando que a adoção terá o acompanhamento do Estado. p. descendentes e colaterais até o 4º grau. 18 .3 O ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE As regras formais sobre a adoção internacional de menores. como base para a aplicação de qualquer lei com relação à adoção. 41 do ECA. Antônio. o Código Civil. aprovada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 20. CHAVES. seus ascendentes.. atribuindo ao adotado direitos sucessórios idênticos aos filhos de sangue. § 1º. Comentários ao Estatuto da Criança e do Adolescente. 172. Grandes Temas da Atualidade. A adoção plena é irrevogável (art. § 2º: § 2º É recíproco o direito sucessório entre o adotado. p. ainda. cit. inclusive sucessórios. formulando regras especiais para a adoção por estrangeiros.1989.09. e.]. entrando em vigor em 02.1990. [et. 2. e. possibilitando a mudança do nome e 79 80 81 MARQUES. onde reconheceu como fundamentação doutrinária o mencionado princípio. A Subsidiariedade da Adoção Internacional: Diálogo entre a Convenção de Haia 1993. 1997. a ser concedida através de sentença judicial (art. 31. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo: LTr. do ECA).79 O ECA prevê apenas a adoção plena. 2005. atualmente estão reguladas no Estatuto da Criança e do Adolescente. estabelecer processos eficazes para o estabelecimento de programas sociais destinados a assegurar o apoio necessário à criança e àqueles a cuja guarda está confiada. e subsidiariamente no que não colidir com o ECA. Coordenador: Eduardo de Oliveira Leite. loc. prevendo a proteção por parte do Estado das crianças que se encontram sob sua custódia contra toda e qualquer forma de violência ou maus tratos às mesmas. como lei especial com relação ao tema.11. 41 do ECA. o adotante.80 Os efeitos da adoção foram amplamente versados.81 Conforme nos mostra o art. 47 do ECA). inibindo qualquer restrição que os adotados possam sofrer referentes à filiação. a partir da Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança. observada a ordem de vocação hereditária. O ECA assegura em seu artigo 1º “a proteção integral à criança e ao adolescente”. conforme preceitua o art. 226 e 227 da Constituição Federal). MARQUES. gozando dos mesmos direitos. Adoção: Aspectos jurídicos e metajurídicos. al. dos filhos biológicos.. Cláudia Lima. 48 do ECA) produzindo efeitos a partir do trânsito em julgado da sentença judicial (art. Adriana Kruchin Hirschfeld. ed. o ECA e o Novo Código Civil Brasileiro. seus descendentes. ambos. devidamente coordenados pela norma suprema da ordem pública instituída pela Carta Magna de 1988.

82 2. Cabimento mesmo havendo casais nacionais. 31 do referido diploma legal “a colocação em família substituta estrangeira constitui medida excepcional. 2005. 1997. cujo interesse deve ser preservado. assim. 19 . ainda que. Coordenador: Eduardo de Oliveira Leite. principalmente quando já desenvolveram forte afeto ao menor. portanto. A releitura da norma menorista não conduz a interpretação de que o casal estrangeiro. o ECA e o Novo Código Civil Brasileiro. São Paulo: LTr. 47. somente admissível na modalidade de adoção”. 236. do ECA).85 O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul têm procurado ser efetivo nas decisões. Casos isolados que abalaram o Instituto de Adoção Internacional. 146. deve ser considerada como alternativa e exceção83. invariavelmente quando existem pretendentes nacionais. Grandes Temas da Atualidade. cit. nesse sentido o acórdão: ADOÇÃO INTERNACIONAL. Antônio. ficando esta medida à critério do juiz. sendo-lhe assegurado a convivência familiar e comunitária. A Subsidiariedade da Adoção Internacional: Diálogo entre a Convenção de Haia 1993. Excepcionalidade. Adoção Transnacional – Um estudo sociojurídico e comparativo da legislação atual. 1998. sendo injusto obstar que o infante desfrute de 82 83 84 85 MARQUES. tornando-se regra geral. p. Adriana Kruchin Hirschfeld.3. conforme preceitua o art. que preenche os pressupostos legais deva ser arrendado. Belo Horizonte: Del Rey. [et. 31.do prenome do adotado. § 5º. Pressupostos. que fica expressamente permitida a adoção de brasileiros por estrangeiros. a própria colocação do menor em família substituta. Adoção: Aspectos jurídicos e metajurídicos. na medida em que toda criança ou adolescente tem o direito de ser educado e criado no seio de sua família natural e. em família substituta. COSTA. loc. residentes ou domiciliados fora do país. p. em caráter excepcional. ao mesmo tempo. Cláudia Lima.. ed.1 O Caráter Excepcional da Adoção Internacional A legislação brasileira preceituou de forma incisiva no Estatuto da Criança e do Adolescente. al. p. 19 do ECA. não devem servir como escusa para frustrar o pedido. Rio de Janeiro: Forense. CHAVES. já constitui um caráter excepcional. COSTA.]. Tarcísio José Martins. excepcionalmente. Comentários ao Estatuto da Criança e do Adolescente. o cumprimento das funções de proteção e cuidados da criança pelos pais biológicos.. 2.84 À luz do disposto no art. casa haja manifestação do adotante nesse sentido (art.

Data da Decisão: 26. Rel. Situação já consolidada há anos. In: CURY. 31. Somente após esgotar as vias da adoção por brasileiros. e 198. Decisão Unânime. é aquela que substitui a adoção nacional. ed. o entendimento é majorado no STJ em relação à adoção internacional. são encaminhados para a adoção internacional. para que não se torne um ato corriqueiro e fácil.). Acesso em: 25 abr. P. 28. 20 . ele encontrará mais facilidade em ser adaptado em uma família substituta.1994. à família estrangeira.rs. ainda que fora de seu país de origem. sendo expressamente exigido o interesse do menor. 180. Ruy Rosado de Aguiar. VII. ou seja. 31 do ECA. Disponível em: <http://www. Organizado no Estado um cadastro geral de adotantes nacionais. Estatuto da Criança e do Adolescente Comentado – comentários jurídicos e sociais. 7. diferentemente do que acontece com crianças de maior faixa etária. Recurso não conhecido. 86 87 88 BRASIL. Órgão Julgador: OITAVA CÂMARA CÍVEL. bem como quando envolver a complexidade dos conflitos de leis na adoção internacional. 2007 às 16:20. ECA. p. Cadastro Geral.melhor qualidade de vida em país desenvolvido. através de estudos realizados. o juiz deve consultá-lo. UF: RS. Munir (coord. Relator: José Carlos Teixeira Giorgis. contra a qual nada se alegou nos autos. 2005. Comentários ao art.05. Gize-se que os recém-nascidos geralmente são adotados por casais brasileiros.87 Destarte.tj. não sendo suficiente a inexistência de inscritos no cadastro da comarca. que a medida alternativa ou tida como excepcional. o que se almeja é que a adoção internacional seja encarada no sentido literal. Esta medida é devida ao fato do legislador objetivar o privilégio da adoção por brasileiros. que primeiramente são rejeitados por casais nacionais. As teses contrárias abordam que quando for evidenciado e comprovado. REsp. São Paulo: Malheiros.br>. Min. e fornecendo-lhe condições para que possa vir a exercer seus direitos. STJ. que na sociedade em que o adotado nasceu. somente utilizada nos casos em que pairar alguma dúvida do julgador.88 Em suma. L. Inteligência dos arts. e após.1999.gov. Tribunal de Justiça n. DJU. AOKI. devem ser esgotadas as consultas a possíveis interessados nacionais. Evitando-se abrir exceção a regra. é que se poderá deferir àqueles. o que vêm proporcionar um ambiente familiar adequado. BRASIL. 594039844. S. Antes de deferida a adoção para estrangeiros.341/SP. 239. Apelação Provida. ou adolescentes. 17 dez. como diz o seguinte julgado: ADOÇÃO INTERNACIONAL. a recomendar que não seja alterada.86 Com relação aos tribunais brasileiros.

cit. 2.dando preferência aos estrangeiros residentes no Brasil. para que se cumpra os requisitos exigidos por ambas.069. Direito Internacional Privado. BRASIL. conforme a teoria da aplicação distributiva das leis. ed. conforme disposto nos art.4 DO PROCESSO DE ADOÇÃO INTERNACIONAL A adoção de crianças e adolescentes brasileiros reger-se-á pelo disposto na lei n. 89 90 91 AMORIM. atendo às exigências das leis do adotante e do adotando nas suas peculiaridade. deve-se conferir o que rezam os dispositivos da legislação do país de origem do adotante e do adotado á respeito da adoção. 8.4. 21 . porém. deve-se passar por um processo. 2005.91 Os requisitos da adoção nacional são os mesmos exigidos para a adoção internacional. de 13. nos termos do ordenamento jurídico nacional. o candidato estrangeiro interessado em adotar uma criança brasileira. “Art. é escolhido o domicílio da pessoa (lex domicilii) para regular os direitos relativos à personalidade.1 Habilitação Para dar o primeiro passo com processo de adoção internacional. p. devendo ser analisadas conjuntamente. 7º . cujo rito é mesmo estabelecido para a tutela e a guarda. 134.º da Lei de Introdução do Código Civil brasileiro90. 8.89 Consumados todos os ritos legais e judiciais. Edgar Carlos de. 7.90. a fim de proporcionar a permanência do adotando no Brasil. a capacidade e os direitos de família. acrescidos de requisitos específicos.” AMORIM. deve estar apto para tal. Conforme o disposto no art. 51 do ECA. previstos no art. Rio de Janeiro: Forense.07. op.A lei do país em que for domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade. portanto. 165 à 170 do referido Estatuto. o Estatuto da Criança e do Adolescente. 2. 138. Para que se chegue a prolatação da sentença constitutiva definitiva.. teremos a efetivação da adoção do menor brasileiro por casal estrangeiro. transitada em julgado. o nome. p.

chamado de estágio de convivência. §§ 1º. E ainda.O casal estrangeiro de posse do laudo psicossocial elaborado por agência especializada e credenciada do país de origem. ou mesmo no caso de pessoas que não estiverem devidamente habilitadas perante as respectivas CEJAs. Direito Internacional Privado. art. Exemplos relativos aos impedimentos: impedimentos relativos . 41. Rio de Janeiro: Aide. é um período fundamental. ou não disporem de documentação em língua estrangeira devidamente traduzida e autenticada por autoridade consular. p. como no caso dos art. p. 14 da Lei de Introdução ao Código Civil. impedimentos absolutos como nos casos de pessoas não estarem devidamente habilitadas em seu país de origem. auxiliando e orientando de maneira incisiva durante todo o período adaptação da criança com o adotado. 46. 138. impedimentos condicionais . 83. 92 As determinações do art. na busca do preparo da criança e do adotante no processo de adoção.4. p. Marcos. os impedimentos condicionais. 52. após proposta a adoção. devem estar em consonância com o art. p. 51. 130 e art. pois é feita uma grande avaliação. determinará que a equipe técnica proceda no acompanhamento da adoção. 42. como nos casos do art. antes de prolatada a sentença. cujo texto dispõe: “Não conhecendo a lei estrangeira. § 2º do ECA. art. art.como nos casos de o tutor ou curador deixar de prestar contas da administração dos bens do pupilo ou curatelado. cujo desempenho é de suma importância dentro dos elementos avaliativos. a adoção torna-se frustrada. como nos casos art. para todos que estão envolvidos no processo de adoção. 8. 2001. Adoção na Prática Forense. 46 do ECA. Existe uma série de exigências. Nos Impedimentos absolutos. 51. 29 e art. 44. 22 . Após o processo de habilitação a Vara da Infância e Juventude. no processo de adoção. Rio de Janeiro: Forense.2 Estágio de Convivência O estágio de convivência não é somente uma fase transitória. vai requerer junto a Comissão Judiciária Estadual de Adoção a habilitação para adotar criança ou adolescente no Brasil. não cumprirem o estágio de convivência.148.93 Ainda. impõem algumas condições a serem tomadas pelos interessados para que estejam aptos95. ed. § 2º e art. a serem seguidas de acordo com o art. 2005. 2º e 3º. § 5º. poderá o juiz exigir de quem a invoque prova do texto e da vigência”. Adoção. existem três modalidades de impedimentos94: os impedimentos relativos podem ser sanados tanto no início quanto no curso do processo de adoção. MARMITT. AMORIM. Arnaldo. Bahia: Editus. 2. 1993. nos casos de o adotante vir a falecer no curso do processo de adoção. § 1º. Edgar Carlos de. Ibidem.96 92 93 94 95 96 BANDEIRA. 104.nos casos de pessoas que não oferecem ambiente familiar adequado ou nos casos de pessoas incompatíveis com a medida.

Brasília. através de um estudo visando analisar as condições de estabilidade familiar dos adotantes e a adaptação do adotando. de idoneidade reconhecida por organismo internacional” 101. Após o término do período do estágio. Revista Informação Legislativa.º do ECA assim dispõe acerca do estágio de convivência: “Art.98 O estágio de convivência a princípio é obrigatório. pelo fato. que geram situações de sofrimento para todos os envolvidos. por determinação judicial. 1994. Problemas e perspectivas da adoção internacional em face do estatuto da criança e do adolescente.]. pelo prazo que a autoridade judiciária fixar. 2005. Adoção Transnacional – Um estudo sociojurídico e comparativo da legislação atual. ano 31. com o objetivo de que seja avaliada a adaptação do adotado na família substituta. cumprido no Território Nacional. acompanhando seu histórico médico. Uma equipe interprofissional de psicólogos e assistentes sociais deverá avaliar a convivência da adoção pretendida.-jul. e de no mínimo 30 (trinta) dias quando se tratar de adotando acima de 2 (dois) anos de idade”. bem como. conforme arts. Eduardo de Oliveira.O estágio é um período experimental em que há um convívio entre o adotante e o adotado. A sua importância é devida. Rio de Janeiro: Forense.. COSTA. será de no mínimo 15 (quinze) dias para crianças de até 2 (dois) anos de idade. Tarcísio José Martins. a compatibilidade desta com a adoção.A adoção será precedida de estágio de convivência com a criança ou adolescente. C. [..99 O estágio será sempre realizado no Brasil. 12-9. diferentemente do que ocorria no regime legal anterior. p. já estiver na companhia do adotante tempo suficiente para que se possa avaliar a convivência e a constituição do vínculo. GRANATTO. Grandes Temas da Atualidade.97 Havendo aceitação do pedido inicial.. n. pois. Durante o período de estágio de convivência. § 1º. o revogado Código de Menores. podendo substituída por informação prestada por agência especializada. 46 . observadas as peculiaridades do caso.Em caso de adoção por estrangeiro residente ou domiciliado fora do país. Belo Horizonte: Del Rey. cit. diferente das adoções precipitadas. com o fim de avaliar a relação adotiva. 1998.. Adoção: Aspectos jurídicos e metajurídicos. p. A Destituição do Poder Familiar e os Procedimentos da Adoção. O art. 23 . 28 e 108. HIRSCHFELD. Eunice Ferreira Rodrigues. podendo ser dispensado se o adotante tiver menos de um ano de idade. 175. poderá ser determinado pelo magistrado a realização do estudo psicossocial. C. com o objetivo de conhecer a criança. loc. mai. 33. já podem ter sido informados a respeito. BRAUNER. durante o estágio de convivência. M.100 “que a sindicância era realizada pela equipe técnica. [et al. 246. não havendo possibilidade da sua realização no estrangeiro. independente da idade.º . Coordenador: LEITE. o estágio de convivência. do 97 98 99 100 101 GRANATTO. nesse momento os adotantes virão ao Brasil. psicossocial e outros. deverá. ou se. 122. será agendado o encontro da criança com os adotantes. 46 e § 2. da qual. Adriana Kruchin. p.] § 2. ser lavrado "termo de estágio de convivência". conforme disposto no art. de ser uma nova forma de vida.

São Paulo: Ltr. apenas os genitores que houverem aderido expressamente ao pedido. Ibidem. será dado vista ao representante do Ministério Público. BANDEIRA. 84-5. 147. cit.ECA. estabelecer o prazo que entender necessário. não incide em toda sua plenitude o contraditório. para os casos da perda do poder familiar tem previsão nos art. 2. 1997. Comentários ao Estatuto da Criança e do Adolescente. 24 . com o parecer favorável para tal promoção. obedecendo ao mínimo determinado em lei. ou nos casos de falecimento dos pais biológicos do menor. loc.105 O procedimento do contraditório. 87. As partes serão ouvidas em juízo pela autoridade judiciária e pelo Ministério Público. acostado aos autos.3 Da Ação O processo de adoção implica na destituição ou extinção do pátrio poder dos pais biológicos. tendo em vista a prevalência do interesse da criança e suas necessidades inerentes à assistência. p.4. deve prevalecer o princípio da menor rigidez formal. 155 a 163 do ECA.103 Quando a matéria em discussão for de interesse do menor. ou seja. 149. Adoção na Prática Forense. Idem. observadas todas as garantias.102 Com término do estágio de convivência. tiverem sido previamente destituídos do pátrio poder ou aderido expressamente ao pedido. Belo Horizonte: Edusp. que exista uma sentença que tenha decretado a perda do poder familiar. Todavia. diante do caso concreto. primeiramente é necessário que a situação jurídica da criança já tenha sido definida. p. os autos serão conclusos ao juiz para proferir a sentença. que esteja sobre a proteção do Estado. ed. e que tenha transitado em julgado. p. 1994. vigilância e proteção.106 102 103 104 105 106 CHAVES. devido ao fato de ser um direito personalíssimo.104 Cabendo ao juiz. torna-se imprescindível a observância do princípio do contraditório. p. Para os casos em que os genitores já forem falecidos. Adoção Internacional. BANDEIRA. Marcos. 2. e com o laudo psicossocial. Bahia: Editus. Antônio. 2001.

Belo Horizonte: Del Rey. ao qual. Adoção Transnacional – Um estudo sociojurídico e comparativo da legislação atual. Marcos. sendo dispensada a representação do requerente por advogado. em situações distintas. p. assim. Florianópolis: Fundação Boiteux. VERONESE. será 107 108 109 110 111 112 113 VERONESE. tramitam nas Varas da Infância e Juventude. não havendo qualquer observação sobre a origem do ato.112 A sentença produzirá seus efeitos a partir do trânsito em julgado (ex nunc). 265.144. 2001. COSTA.4.5 Da Sentença Encerrada a instrução e após a manifestação do requerente. uma vez que não está configurada a existência de lide. 162. Portanto. nos termos do art.4 Do Procedimento Os processos que envolvam crianças e adolescentes. Ibidem. Ibidem. Josiane Rose Petry e PETRY. op. no efeito constitutivo.111 Será expedido mandado judicial (de retificação do registro civil).. cit.108 Já o procedimento de jurisdição voluntária. 1998.4. exceto na hipótese do art. Bahia: Editus. podendo ser aprazada a sua publicação pelo prazo máximo de cinco dias (art. inscrevendo-se outro. desaparecendo o contraditório.113 Somente depois de decorrido o prazo recursal. no qual. um é o procedimento de jurisdição contenciosa e o outro é o procedimento de jurisdição voluntária.110 O juiz perscrutando os interesses superiores do menor. p. a decisão será proferida em audiência. p. § 5º do ECA. é a regra prevista nos arts. constituindo uma nova situação jurídica atribuindo ao menor a condição de filho legítimo. 2004.145.107 O procedimento contencioso será estabelecido quando não forem configuradas as hipóteses previstas no art.109 2. COSTA. ECA) no sentido de cancelar o assentamento judicial. João Felipe Correa. p. Adoção na Prática Forense. 266. 47 do Estatuto. a sentença será inscrita no registro civil (art. 25 . bem como seus ascendentes. loc. BANDEIRA. 166 do ECA. cit. ou nas que apresentam competência acumulada com esta área. 165 a 170 do ECA. p. Adoção internacional e Mercosul: Aspectos Jurídicos e Sociais. 266. § 2º. 87. Tarcísio José Martins. ECA). 42.2. existem dois procedimentos relativos a adoção. p. prolatará a sentença. do requerido e do Ministério Público. deverá constar o nome dos adotantes como pais. 47.

destinado ao reexame da decisão proferida. Adoção na Prática Forense. Belo Horizonte: Del Rey. já que o Ministério Público atua como custos legis. a apelação será recebida no duplo efeito.4. ressalvada a hipótese de litigância de má-fé (ECA. Ministério Público do Estado do Paraná. 1998. antes disso não será permitida a saída do adotando do território nacional. “Notícia sobre a Nova Convenção de Haia sobre Adoção Internacional: Perspectiva de Cooperação Internacional e Proteção dos Direitos das Crianças”. p. p. Tarcísio José Martins. ECA). depende de sua homologação no país do adotante.118 Preenchidos os pressupostos de admissibilidade recursal. não havendo hipótese de guarda provisória aos adotantes. baseado no princípio do duplo grau de jurisdição117. daí surge a importância de exigir do adotante que comprove mediante documentos expedidos em seu país de domicílio que são habilitados. São Paulo: Saraiva. Paulo Lúcio. 3. § 2º. MARQUES. Cláudia Lima. ao processo de adoção. a ser interposto no prazo de dez dias.6 Do Recurso Da sentença que concede ou não a adoção. o seu reconhecimento. Revista Trimestral do Centro de Apoio Operacional das Promotorias da Criança e do Adolescente. 307. In: Igualdade. cit.116 2. com fulcro no art. 266.-jun. 198 adotou o sistema recursal do Código de Processo Civil. Marcos. em face de haver eventual recurso de terceiro interessado. 1996. p. Curitiba. COSTA. do art. 114 115 116 117 118 BANDEIRA. devolutivo e suspensivo (art. COSTA. 141). p.expedido alvará para a retirada do passaporte. 17. 2001. abr. n. isentas de custas e emolumentos. ed. segundo suas leis. Estatuto da Criança e do Adolescente Comentado. O ECA. 115 O efeito extraterritorial da sentença. 198. inciso VI. loc. portanto. A partir do trânsito em julgado da sentença é que o menor poderá viajar.114 As ações de adoção nacional ou internacional são de competência da Justiça da Infância e Juventude. é cabível o recurso de apelação. 1996. Adoção Transnacional – Um estudo sociojurídico e comparativo da legislação atual. 88. XI. 26 . ano IV. Bahia: Editus. NOGUEIRA.

p. Crianças e Adolescentes para fins de Exploração Sexual Comercial – PESTRAF”. Ibidem. Rio de Janeiro: Forense.119 Os atos de barbárie realizados sob a capa da adoção internacional são uma prática nefanda. traz dados estarrecedores. sendo escolhido pelos grupos de criminosos por causa dos altos lucros e do baixo risco inerentes ao “negócio”. 37. cabendo acentuar que a maioria das crianças traficadas é do sexo feminino. 2006.121 O tráfico de seres humanos. “Investigação procedida pelo Ministério da Justiça e pelo Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crimes no Brasil. as autoridades ou os intermediários) recebe algum tipo de contraprestação financeira por sua participação na adoção internacional. pessoas que detêm a guarda. as crianças. intitulada “Pesquisa sobre Tráfico de Mulheres. em que qualquer um dos envolvidos (pais biológicos. mormente internacionais. tem aumentado nos últimos anos. que revoltam e requerem uma ação de juristas e autoridades em geral”. Florisbal de Souza e ARAÚJO. A Convenção de Haia d 1993 e o Regime da Adoção Internacional no Brasil após a Aprovação do Novo Código Civil Brasileiro em 2002.3 A ADOÇÃO INTERNACIONAL 3. no período de agosto de 2003 a outubro de 2004. os terceiros ajudantes ou facilitadores. p. IV. porém. não dá o mesmo rendimento do que traficar “mercadorias”. para saciar seu espírito de ganância e requintes inescrupulosos. Direito de Família Contemporâneo e Novos Direitos: estudos em homenagem ao professor José Russo. 36. 2004. Além do 119 120 121 DEL’OLMO. 485. In: Cadernos do Programa de PósGraduação em Direito – PPGDir/UFRGS. 27 . especialmente o de mulheres e crianças. Cláudia Lima. n. Adoção Internacional: Reflexões na Contemporaneidade.1 TRÁFICO INTERNACIONAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES A adoção internacional pode ser considerada um tema de ingente atualidade. finalidade de adoção como: O processo visando à transferência internacional definitiva de adoção da criança de um país para outro. p. Luis Ivani de Amorim. jun. MARQUES.120 Cláudia Lima Marques define tráfico de crianças com. Porto Alegre: PPGDir/UFRGS. Traficar pessoas. em trágico paradoxo tem servido a criminosos. devido ao fato do instituto ser intrinsecamente voltado para o bem. II. 2004. v. Edição Especial – Inserção Internacional. pois os seres humanos podem ser usados repetidamente.

à procura de uma família. que. ossos U$ 5 mil. 250. o tráfico internacional de crianças e adoção internacional estão interligados. p. sob o manto de aparente bondade. São Paulo: Ltr. 2. pelo fato de destinarem à colocação de crianças em famílias substitutas no exterior.mais. 13-4. um rim. O alerta é feito. o qual representa o único caminho legal e suficientemente seguro para garantir o bem-estar da criança em lares substitutos no exterior. Damásio Evangelista de. Visando uma medida punitiva para a prática do tráfico internacional de crianças. para se transformar em um mecanismo voltado à satisfação de adultos. A referida tabela “macabra” que chega ao conhecimento do público. Tráfico Internacional de Mulheres e Crianças – Brasil. FONSECA.125 122 123 124 125 BASSIOUNI apud JESUS.124 Apesar de serem formas muito distintas.Promover ou auxiliar a efetivação de ato destinado ao envio de criança e adolescente para o exterior com inobservância das formalidades legais ou com o fito de obter lucro: pena de reclusão de 4 a 6 anos e multa – incidem as mesmas penas a quem oferece ou efetiva a paga ou a recompensa. Os seres humanos são transformados em mercadorias. São Paulo: Saraiva. mais precisamente em objetos de consumo. Comentários ao Estatuto da Criança e do Adolescente. que estão em situação de abandono e desamparados. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. 142. 3. CHAVES. v. 11. cujo objetivo é a proteção crianças e adolescentes. 1997. JESUS. passam a surgir práticas irregulares. possuem um caráter criminoso. p. uma criança completa para a adoção U$ 10 mil e a parte mais valorizada. 2003. esse tipo de crime se apóia na aparente omissão com que muitos governos lidam com o problema da migração internacional. p. São Paulo. Edson José da. 751. 1995. p. 28 . Antônio. 2003. não sai por menos de U$ 20 mil”. Revista dos Tribunais. Damásio Evangelista de. ed.122 A adoção internacional tem sido tema de constante preocupação. que podem ser encontrados em países de terceiro mundo como o Brasil. regula os preços como: “a córnea custa U$ 1 mil. A Constitucionalidade da Adoção Internacional. abr. destinados a transplante. n. além de não exigir grandes investimentos. devido à existência de uma tabela que regula os preços mundiais de um mercado clandestino de órgãos humanos. o ECA assim prevê: Art.123 No momento em que a adoção internacional perde o caráter de prática destinada ao bem. São Paulo: Saraiva. Tráfico Internacional de Mulheres e Crianças – Brasil.-jun. 239 .

Substituindo seus hábitos. observa-se na esfera jurídica brasileira. por expressa menção do Código Civil de 2002. social. XI. Tarcísio José Martins. para aquelas que já estão mais desenvolvidas fisicamente e mentalmente. lingüística. In: Igualdade. 13. Esse pluralismo temse mostrado “bastante protetivo dos direitos humanos das crianças e um eficaz sistema de combate aos perigos da adoção internacional. p. são inúmeras as dificuldades enfrentadas pelos adotados no exterior. tradições e racialmente distinta de sua origem: “A adoção internacional apresenta uma dimensão extrafamiliar a diferenciá-la da adoção nacional. Curitiba. Belo Horizonte: Del Rey. de outra raça e de outra cor. Ministério Público do Estado do Paraná. com o fim de adaptar-se a nova realidade. abr.-jun. 29 . “Notícia sobre a Nova Convenção de Haia sobre Adoção Internacional: Perspectiva de Cooperação Internacional e Proteção dos Direitos das Crianças”. Ibidem.126 3.Atualmente. p. 1998. como lex specialis. cultural. de outro povo. por converter-se em uma exaustivamente discussão nos fóruns internacionais.127 A criança não rompe somente seu laço sangüíneo com a sua família biológica. ano IV. hábitos e sistema jurídico bastante diferente”. Revista Trimestral do Centro de Apoio Operacional das Promotorias da Criança e do Adolescente. pois. hábitos.128 Do ponto de vista sociopsicológico. 76. ou até mesmo. p. da mesma forma que os adotantes estrangeiros estão acolhendo em seu lar. a adoção internacional no Brasil. COSTA. De grande e notável interesse em 126 127 128 129 MARQUES. pois os menores adotivos irão viver em países de cultura. loc. COSTA. que o ECA continua a reger. substituindo a sua língua de origem e expressando-se de maneira a se adequar ao seu novo meio social. Acentua-se. Cláudia Lima.2 AS PROBABILIDADES DE ÊXITO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES NUMA SOCIEDADE DIVERSA A todo instante surgem questionamentos do ponto de vista sócio-cultural.129 Os problemas envolvendo a adoção internacional culminaram. a respeito das probabilidades de êxito de uma criança numa sociedade diversa. 1996. uma das mazelas brasileiras na década de 70-80 do século XX”. um enorme pluralismo de fontes sobre a adoção. Adoção Transnacional – Um estudo sociojurídico e comparativo da legislação atual. cit. uma criança vinda de outra cultura. 75. n. especialmente de combate ao tráfico de crianças. são grande as dificuldades de adaptação num ambiente tão diverso daquele que estão acostumadas. mas abandona definitivamente o seu contexto cultural.

enquanto a capacidade para ser adotado deverá ser observada a legislação do domicílio do adotando. se inicia três meses depois de oficialmente publicada. abr.3 A PROTEÇÃO DA CRIANÇA NO ÂMBITO DO DIREITO INTERNACIONAL 3. COSTA. op. portanto. Tarcísio José Martins. a vigência das leis é feita mediante as determinações da Lei de Introdução ao Código Civil. a obrigatoriedade da lei brasileira. foram feitos intensos e aprofundados estudos jurídicos. ocasionando diversas modificações na normativa legal existente. O § 1. cit. Revista dos Tribunais.3. p. 260. a capacidade para adotar deverá ser apreciada pela legislação do domicílio do adotante. 30 . São Paulo. p.130 3.torno da instituição. 11. Foram aprovadas inúmeras Declarações. 1. 80. 260.-jun.131 Será aplicada a lex domicilli (lei do domicílio). 3. Ibidem. v. Assim sendo. p. a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada”.132 A partir do exame da legislação comparada. aplicar-se á a regra insculpida no art. Belo Horizonte: Del Rey. Tratados e Convenções Internacionais sobre o tema. 1995. Adoção Transnacional – Um estudo sociojurídico e comparativo da legislação atual. 7º. FONSECA. No art.. 1998. n.º dessa lei está determinado: “Salvo disposição em contrário. a capacidade e os direitos de família. quando admitida. caput da Lei de Introdução ao Código Civil que reza: 7º A lei do país em que for domiciliada a pessoa determinada as regras sobre o começo e o fim da personalidade. p. A Constitucionalidade da Adoção Internacional. 127. As legislações nacionais normalmente disciplinam de forma diversa não só os requisitos de fundo e os efeitos que nascem do vínculo adotivo. o nome. que exerceram grande influência no desenvolvimento da legislação dos diferentes países. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. em relação à matéria. Edson José da.1 Conflito de Leis No Brasil.º desse artigo dispõe: “Nos Estados estrangeiros.” O direito pátrio qualifica a adoção como sendo um instituto de Direito de Família. pode ser observada uma grande e acentuada diversidade legislativa nos mais diferentes países.133 130 131 132 133 COSTA. mas como também o procedimento adequado e as formalidades exigidas para a constituição da relação jurídica.

Esse órgão é chamado de Autoridade Central. O Direito Internacional Contemporâneo.135 3. Adoção Internacional e Representação dos Casais Estrangeiros no Brasil São Paulo: Revista dos Tribunais. Ibidem. assegurando a proteção das crianças e alcançando os objetivos da Convenção. 850. In: BARROSO. um organismo credenciado deve obrigatoriamente “perseguir unicamente fins não lucrativos. tomando as medidas que acharem necessárias e adequadas. COSTA. 282. O problema advém de qual lei vai determinar os requisitos de fundo e quais são as condições de forma e a regulamentação dos efeitos que serão produzidos entre adotante e adotado. 1999. 4. p.). Luiz Roberto. ter-se-á que determinar a lei que vai regular a relação jurídica em sua fase constitutiva. Vera Maria Barreira. Homenagem ao Professor Jacob Dolinger. p.Constata-se que atualmente o método interpretativo está de acordo com o Direito Internacional Privado. como também os efeitos que ela vai produzir após a concessão da adoção. TIBURCIO. Coordenadores: WAMBIER.136 As autoridades Centrais têm como objetivo a cooperação entre si. 1998. ser dirigido por pessoas qualificadas por sua integridade moral e por sua formação ou experiência para atuar na área de adoção internacional. Belo Horizonte: Del Rey.2 As autoridades Centrais e Organismos Credenciados A Convenção de Haia ratificada pelo Brasil em 1993. v. LEITE.3. LOPES. p.137 Assim. fornecendo informações necessárias sobre a legislação de seus Estados dentre outras informações. estar 134 135 136 137 JATAHY. na busca uma família. Eduardo de Oliveira. Teresa Arruda Alvim. 31 . Adoção Transnacional – Um estudo sociojurídico e comparativo da legislação atual. Um exemplo: a adoção internacional. havendo grandes diferenças de um país para o outro. Tarcísio José Martins. Novos Rumos do Direito Internacional Privado. realizada através de um único órgão designado para esta função. em matéria de adoção. Rio de Janeiro: Renovar. civis e processuais. porque busca atender melhor o interesse do adotando.134 Na medida em que se tenta resolver qual a lei aplicável à constituição do vínculo adotivo. 129. nas condições e dentro dos limites fixados pelas autoridades competentes do Estado que o tiver credenciado. Mauricio Antonio Ribeiro. Repertório de doutrina sobre Direito de Família: aspectos constitucionais. Carmem (org. no fundo. naquele momento. 2006. por cada país que aderiu à referida Convenção. trouxe uma das maiores e mais interessantes inovações referentes à criação de um sistema de relacionamento entre Nações Soberanas que estão diretamente envolvidas com a adoção internacional. 280. p.

abr.Toda decisão de confiar uma criança aos futuros pais adotivos somente poderá ser tomada no Estado de origem se: c) as Autoridades Centrais de ambos os Estados estiverem de acordo em que se prossiga com a adoção”. “c” da Convenção de Haia141. FONSECA. Convenção de Haia de 1993.3 Da formação do CEJA ou CEJAI Considerando a preocupação com a adoção internacional. n. Revista dos Tribunais. Bahia: Editus. 32 . o instituto deve ser direcionado no sentido de atender os interesses superiores do adotando. Eduardo de Oliveira. 4º do Decreto nº 3. pelo Poder Judiciário. Adoção Internacional e Representação dos Casais Estrangeiros no Brasil São Paulo: Revista dos Tribunais. a autoridade central exerce a função prevista no art. Atentando para esse interesse que o instituto desperta no Estado e a necessidade de ser ele controlado. somente poderá ser tomada pelo Estado de origem se as Autoridades Centrais de ambos Estados estiverem de acordo. BANDEIRA. Mauricio Antonio Ribeiro. 91. além de minimizar os riscos do tráfico de crianças. sempre que possível. Ibidem. 281-82. civis e processuais. 1995. LEITE. p. de controlar administrativamente a regularidade do processo de adoção internacional.mp. São Paulo. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. pelos possíveis desvirtuamentos e pelo seu relevante valor social.17. 17. p. 11. “Artigo 17 . 52 do ECA e art. p. v. Coordenadores: WAMBIER. A Constitucionalidade da Adoção Internacional.139 3. 4. podendo obter um caráter jurisdicional na medida em que preceitua o art. Edson José da. funcionamento e situação financeira”. podendo ser realizada pelas CEJA/CEJAI previstas no art.sp.submetido à supervisão das autoridades competentes do referido Estado. 283-84.138 Não parece possível sustentar que todas atribuições conferidas à Autoridade Central pela Convenção de Haia sejam de cunho meramente administrativo. de modo a também diminuir com segurança os obstáculos aos adotantes e juízes competentes. 254. no que tange à sua composição. Marcos.142 138 139 140 141 142 LOPES. que dispõe que toda decisão de confiar uma criança aos seus futuros pais adotivos.140 Diante do sistema federativo implementado no Brasil. Repertório de doutrina sobre Direito de Família: aspectos constitucionais. Teresa Arruda Alvim. 2001.174/99. bem como aplicado com critério. 3. v. c. em benefício da criança.br/portal/page/portal/cao_infancia_juventude/legislacao_geral/leg_geral_internacio nal/convencao_haia_1993. de forma simples e objetiva.3. p. 1999.gov.htm>. Disponível em: <http://www. fazendo com que estas permaneçam no país.-jun. Adoção na Prática Forense.

Ponderou-se.144 Cabe a CEJA ou CEJAI verificar se os pretendentes estão ou não habilitados. Com o parecer favorável dado pela Comissão. COSTA. R. p. 1. 33 . Adoção Transnacional – Um estudo sociojurídico e comparativo da legislação atual. São Paulo: Malheiros. p. 255. Pode-se admitir a sua criação e a sua forma de política de atenção à adoção. assistentes sociais e psicólogos do Tribunal de Justiça. o art. elaborando um excelente trabalho em relação à preparação do interessado estrangeiro 143 144 145 146 147 LIBERATI. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. analisando com rigor as leis do país dentro das exigências da nossa legislação. podendo ser viabilizada através de decreto judiciário. Adoção Internacional. também.Segundo Wilson Donizeti Liberati. n. trata-se de procedimento interno do Poder Judiciário que organiza uma tarefa eminentemente judiciária e de prestação jurisdicional. Revista dos Tribunais. 256. se não for aceito o laudo encaminhado pela Autoridade Central do país dos adotantes.147 Se o laudo vier a ser negado pela CEJA ou CEJAI competente. A Constitucionalidade da Adoção Internacional. n.br>. devendo ser acostado junto à petição inicial aos autos. São Paulo. brasileiras e de outros países que atuem no campo da adoção internacional. 1998. P. visto que.-jun. p. 3. Acervo dos Direitos da Criança e do Adolescente. p. mas condicionante da atividade jurisdicional. VERONESE. Disponível em: <http://www. FONSECA.org. Ibidem. o documento expedido seja previamente inscrito no registro centralizado da Comissão Estadual onde se processará a adoção”. J. mediante a ajuda de técnicos. 1. que a comissão no exercício de suas funções. Belo Horizonte: Del Rey.146 Gize-se que a habilitação “terá validade em o todo território nacional”. 2006. abr. 256-7. não caberá qualquer recurso de tal decisão. poderá manter relacionamento com autoridades e entidades. v. 1995. Edson José da. 127. 1995. As comissões instituíram uma determinada política de adoção no âmbito de cada Estado. 11. os interessados com o intuito de exigir a modificação da posição do órgão. portanto. desde que. 52 do Estatuto afirma que a Comissão é judiciária. Wilson Donizeti. Acesso em: 5 out. é permitido às comissões executarem seu trabalho. resolução do Poder Judiciário ou outra forma de regulamentação interna daquela Instituição. Tarcísio José Martins. estando os interessados “aptos a requerer a adoção em qualquer unidade federativa.abmp. elaborando um estudo prévio dos candidatos. determinante da decisão judicial. 145 A exigência do laudo de habilitação a CEJA não é. ainda. de âmbito estadual. que exige o atendimento de certos requisitos legais para que a relação processual se constitua e desenvolva validamente. no âmbito da lei de organização judiciária estadual. será fornecido o laudo de habilitação. Brasília. 2004. v. Adoção internacional: um assunto complexo. Portanto. determinando diligência para estudo completo dos pedidos de interessados.143 Para obter êxito nas adoções internacionais.

148 Percebe-se claramente a importância da Comissão Judiciária em face de uma mudança radical de atitude social. com o intuito de atingir seus objetivos. de forma a assegurar um mínimo de cooperação entre autoridades dos países envolvidos e uma efetiva proteção dos direitos da criança adotável.gov. Revista da Igualdade XII. e elaborou uma Convenção que tem o objetivo de unir regras (administrativas e cíveis).149 3. verificou que eram insuficientes e estabeleceu uma nova legislação de caráter multilateral 148 149 150 151 LIBERATI. Cláudia Lima. LIBERATI. [et.pr. CAOP da Criança e do Adolescente. Grandes Temas da Atualidade. 34 .para o processo de adoção. SILVA. 1995. de 20 de novembro de 1989. 36. p. também com o objetivo primeiro de impedir o tráfico internacional de crianças.].mp.Reflexos na Legislação Brasileira. p. A própria ONU reconhecia as iniciativas individuais dos Estados. Coordenador: Eduardo de Oliveira Leite. regulamentando normas pré-procedimentais com a finalidade de assegurar a proteção dos interesses das crianças. como expressou José Luiz Mônaco da Silva: “Não mais estamos naquela fase em que certa família procurava uma criança. Acesso em: 14 mai. Adriana Kruchin Hirschfeld. Rio de Janeiro: Forense. guiada pelo espírito da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito das Crianças. A Subsidiariedade da Adoção Internacional: Diálogo entre a Convenção de Haia 1993. Adoção Internacional . Wilson Donizeti. al. Disponível em: <http://www. Adoção Internacional. 2005.4 AS CONVENÇÕES 3. Adoção: Aspectos jurídicos e metajurídicos.Convenção de Haia .br/cpca/telas/ca_igualdade_8_2_4. foi concluída no dia 29 de maio de 1993. MARQUES. E muitas vezes espera-se dia após dia. 343. Wilson Donizeti. o ECA e o Novo Código Civil Brasileiro.1 A Convenção de Haia A Convenção sobre Cooperação Internacional e Proteção de Crianças e Adolescentes em matéria de adoção internacional150. Não restam dúvidas de que a criança não pode mais em vão esperar ser adotada. José Luiz Mônaco da. São Paulo: Saraiva.html>. p. São Paulo: Malheiros. 2008 às 9:00.. regras de procedimento (administrativas e processuais) e regras indiretas de conflito (de reconhecimento e exceção de ordem pública). mês após mês”. ratificada por mais de 120 países.4. 1995. mas sim a criança procurando uma família. 127.. decidiu superar o método conflitualista.151 A convenção estabeleceu algumas condições. de indicação da lei aplicável. Família Substituta no Estatuto da Criança e do Adolescente.

no qual. pais biológicos e a criança. do preenchimento de certos requisitos mínimos e através do privilégio de um sistema de reconhecimento automático de decisões.pr.Reflexos na Legislação Brasileira. Adoção Internacional . Em seguida.155 São três as metas da Convenção: centralização das adoções internacionais.152 O Princípio da Subsidiariedade foi o primeiro a ser instituído pela Convenção.DOU 28.154 É assegurado o reconhecimento da sentença entre os Estados contratantes das adoções.04. cit. LIBERATI. Estabelecendo.br/cpca/telas/ca_igualdade_8_2_4.gov. equiparando-se ao mandamento constitucional brasileiro previsto no § 6º do Art. para possibilitar a permanência da criança em seu país de origem. Wilson Donizeti.95). uma sentença irrecorrível emitida pelo juiz do país de origem da criança será agasalhada pelo magistrado do país de acolhida. com poder de coerção extensivo a todos. e conseqüentemente assegurando a proteção dos direitos 152 153 154 155 LIBERATI. LIBERATI. a ruptura do antigo vínculo de filiação da criança com os pais biológicos.04. 35 .153 No Brasil. através da divisão de competências. para evitar uma possível "negociação" da criança. estabeleceu que não deve haver contato prévio entre pais adotivos. urgindo um posicionamento conjunto e multilateral para atender aqueles objetivos. LIBERATI.95 . de acordo com os termos do texto convencional. enquanto não der início ao processo de adoção. loc. cujo cumprimento equivale ao da lei ordinária. Seus objetivos foram estabelecer um sistema para a cooperação administrativa e judicial. cit. assim. Por esse procedimento.para todos os Estados Contratantes que se propõem a solucionar os problemas. de 19. Confirmando. em autoridades centrais e autoridades competentes. Acesso em: 14 mai. tem competência exclusiva para deliberar sobre a sua vigência em solo pátrio. Desta forma o texto convencional foi aprovado pelo Congresso Nacional e promulgado na forma de Decreto Legislativo (nº 65. que a adoção.html>. colaboração entre as autoridades centrais nas suas difíceis decisões e controle através da troca de informações. o texto da Convenção é encaminhado para Congresso Nacional. 227. cit. Disponível em: <http://www. CAOP da Criança e do Adolescente.mp.Convenção de Haia . loc. Revista da Igualdade XII. constitui vínculo de filiação legítima e conseqüentemente o menor adotado adquire todos os direitos inerentes à filiação. loc. antes e após a saída da criança adotada para o seu país de origem. 2008 às 9:00. reconhecendo que a adoção por estrangeiros deve ser utilizada como último recurso.

VERONESE. João Felipe Correa. que tem sido o documento normativo com maior capacidade mobilizadora desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Nesse período surgem variados diplomas. 37.4. Ibidem. em 20 de novembro de 1989. disciplinando inúmeros direitos. Adriana Kruchin Hirschfeld. justiça e paz. declarações. Grandes Temas da Atualidade.. um sistema de cooperação internacional entre Autoridades Centrais. Cláudia Lima. a Assembléia das Nações Unidas (ONU) aprovou a Convenção Internacional dos Direitos da Criança. p. e. Rio de Janeiro: Forense. Ibidem. convenções. Desde então.157 3. pactos.158 A aprovação da Convenção Sobre os Direitos da Criança foi antecedida de grande luta. Fundamenta-se no reconhecimento da dignidade. 36 . 39. Florianópolis: Fundação Boiteux. foi estabelecido pela Convenção.. Josiane Rose Petry. dos direitos iguais e inalienáveis de que é possuidor cada ser humano.2 A Convenção Internacional dos Direitos das Crianças da ONU A década de 90 foi marcada pela preocupação dos povos com a efetivação dos chamados “direitos humanos”. p. 2005. [et. este documento confirma toda uma evolução em termos de direitos e garantias relativos a crianças. 2004. Após a assinatura a Convenção foi aprovada pelo Decreto Legislativo 28. al. p.]. Adoção: Aspectos jurídicos e metajurídicos.fundamentais da criança adotável. 43. país de domicílio de seus pais adotivos. assegurando-lhe um tratamento igualitário e digno. O preâmbulo deste destacado documento internacional lembra os princípios básicos das Nações Unidas: liberdade. A Subsidiariedade da Adoção Internacional: Diálogo entre a Convenção de Haia 1993. no campo diplomático e ideológico. rapidamente assinou a Convenção de 1989. seguindo o modelo da proteção integral já imposta por força dos artigos 227 e 228 da Carta Magna de 1988. A centralização visa ajudar internacionalmente no estabelecimento de crianças. de 14 de setembro de 1990 e a 156 157 158 159 MARQUES. Adoção Internacional e Mercosul: aspectos jurídicos e sociais. complementa e consolida o sistema brasileiro já existente. Dentre eles. Coordenador: Eduardo de Oliveira Leite. 42. PETRY. o ECA e o Novo Código Civil Brasileiro. um melhor status jurídico no país que a acolhe. p. neste sentido.159 O Brasil.156 A Convenção de Haia traz este modelo centralizador. instituindo uma autoridade central federal e permitindo autoridades centrais estaduais.

é preciso uma mudança de comportamento de toda a sociedade. suscitando o reordenamento das instituições e promovendo a melhoria. PETRY. não se pode acreditar que a simples criação de instrumentos jurídicos poderá mudar o flagelo da exclusão e da injustiça social. produzindo mudanças no panorama legal. a qual deverá ser conduzida por autoridades competentes. acerca do tema bastante complexo e polêmico que versa sobre a adoção internacional. Ibidem. João Felipe Correa. cabe encerrar a idéia desenvolvida ao longo do trabalho. Adoção Internacional e Mercosul: aspectos jurídicos e sociais. procedendo a uma breve retomada das principais conclusões. Evitando-se que se procedam as colocações de menores em famílias substitutas em outros países. religiosas e comunitárias. que a doutrina tradicional aponta os pontos relevantes em relação ao assunto em tela. Ibidem. Josiane Rose Petry. de forma ilícita. esta mudança tem como ponto nevrálgico a educação e a cultura do povo.promulgação interna do texto se deu pelo Decreto 99710. 51. tornando a criança titular de direitos individuais como a vida. Ibidem.161 O dever do Poder Público é prevenir e solucionar os casos de seqüestros ou retenções irregulares de crianças no estrangeiro por um dos pais ou por terceiros. encontrando-se em plena e total vigência. 37 . a liberdade. p. 2004. Florianópolis: Fundação Boiteux. p. na realidade. aliados a tardia justiça social. que dentro de um contexto sociopolítico e 160 161 162 163 VERONESE. de 21 de novembro de 1990. Indagou-se. 42. reafirma a preocupação presente em outros documentos internacionais acerca do seqüestro e do tráfico internacional de crianças. A convenção tem um poderoso instrumento para modificar as maneiras de agir dos grupos sociais. O problema foi abordado citando diversas linhas de pensamento e posições. p. acordos bilaterais ou multilaterais. como também direitos coletivos. com o objetivo de se implementar a adoção internacional. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste último momento da pesquisa. Esta determinação.162 A Convenção prevê a possibilidade de se realizarem ajustes. p. conduzindo a considerações variadas. 46.160 A Convenção trata de um amplo e consciente conjunto de direitos. 46. Cabe ressaltar. privadas. a dignidade.163 Contudo. das pessoas nas lideranças públicas.

devido ao grande risco de tráfico internacional de menores. a venda e o tráfico de crianças ou órgãos. 38 . instituir a colocação de uma criança em família substituta estrangeira. para suprir o mercado internacional de órgãos e da prostituição infantil. durante e após a adoção. conferindo proteção integral. Apesar de ser expressamente autorizada em lei. No entanto. tornando-se um complicador detectado. passo a passo. como último recurso. principalmente no Brasil. deve-se atender a todos os requisitos da Convenção de Haia. foi qual seria o critério apropriado para. no decorrer da reflexão elaborada.econômico pode-se vislumbrar a oportunidade de estudar leis e tratados internacionais inerentes à matéria. Deve-se discordar. existem magistrados que são contra a colocação de crianças brasileiras em família substituta estrangeira. Pois. este desafio será solucionado. a adoção internacional. como sendo de cunho mundial e não exclusivamente do Brasil. Esta problemática pode ser encarada. Na medida em que o “interesse superior” da criança deve emergir e sobrepor-se a qualquer interesse que possa estar presente na realização de uma adoção internacional. vez que o objetivo desse instituto nada mais é do que proporcionar à criança uma vida familiar digna. então. por conseguinte. como a legislação nacional que pauta pelo respeito à criança e ao adolescente. deve ser encarada como medida excepcional. independentemente do país onde ela vá crescer e se desenvolver. solucionar o problema da adoção internacional: o tráfico internacional de crianças e adolescentes. a pergunta que se pretendeu responder. para regulamentar fortemente o processo de adoção internacional. todavia. ainda hoje. que prevêem medidas para garantir que as adoções internacionais sejam feitas no interesse da criança e com respeito a seus direitos e garantias fundamentais. todo o processo de adoção internacional deve ser rigorosamente observado. um futuro melhor. Nessa mesma linha de raciocínio. antes. conforme preceitua o ECA. a atuação direta das autoridades centrais e das Comissões Judiciárias de Adoção Internacional. ainda não é bem vista. Esta manifestação contrária à medida é embasada no entendimento de que o problema do abandono deveria ser resolvido no próprio país. Outros magistrados têm um grande receio de que as crianças venham a ser objeto de tráfico. Portanto. alegando a perda de cidadania. Assim defendeu-se. com qualidade e. bem como para prevenir o seqüestro. levantando a questão que a adoção visa o interesse superior da criança. o que pode ser observado é a aversão de algumas autoridades judiciárias brasileiras. Acredita-se que a adoção internacional pode e deve ser uma medida utilizada para diminuir o número de crianças em situação de abandono e conseqüentemente sua marginalização.

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