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com/group/digitalsource Edgar Rice Burroughs Tarzan O Magnífico Círculo do Livro CIRCULO DO LIVRO S.A. Caixa postal 7413 São Paulo, Brasil Edição integral Título do original Tarzan The Magnificent Copyright 1939 by Edgar Rice Burroughs, Inc. Tradução de Affonso Blacheyre Licença editorial para o Círculo do Livro por cortesia da Distribuidora Record de Se rviço de Imprensa S.A. É proibida a venda a quem não pertença ao Círculo Composto pela Linoart Ltda. Impresso e encadernado em oficinas próprias PERSONAGENS E CENÁRIOS Rio Neubari Mafa afluente do Neubari Kajis tribo de mulheres guerreiras Lorde e Lady Mountford perdidos na África há vinte anos Stanley Wood escritor americano Robert van Eyk amigo e companheiro de Wood Spike e Troll caçadores brancos, ligados ao safári de Wood e Van Eyk Mafka mágico dos kajis Gonfala rainha dos kajis Gonfal o grande diamante dos kajis Zulis tribo de mulheres guerreiras, inimigas dos kajis Lorde inglês, prisioneiro dos zulis Woora mágico dos zulis Lorro guerreiro zuli A grande esmeralda dos zulis Kamudi um negro Muviro chefe dos waziris Bantangos tribo canibal Waranji guerreiro waziri Tomos primeiro-ministro de Cathne, a Cidade de Ouro Alextar rei de Cathne Valthor nobre de Athne Phoros ditador de Athne, a Cidade de Marfim Zygo rei de Athne Menofra esposa de Phoros Dyaus deus-elefante dos athnianos Daimon um demônio Kandos braço direito de Phoros Gemba escravo negro Hyark guerreiro morto por Tarzan na arena ÍNDICE 1. 2. 3. 4. 5. A voz do passado Estranho relato O poder de Mafka Condenado à morte A pantera negra

6. Aprisionado 7. Magia verde 8. O poço do leopardo 9. O fim do corredor 10. Rumo à liberdade 11. Traição 12. Reunião 13. Canibais 14. Rapto 15. Garras 16. Tantor 17. Desconhecidos 18. Ingratidão 19. Desforra 20. Athne 21. Phoros 22. Menofra 23. Condenados 24. Morte 25. Batalha Capítulo um A VOZ DO PASSADO A verdade se mostra mais estranha do que a imaginação. Se este relato vier a parecer, em parte, inacreditável, será favor manter pres ente o axioma referido. Ele teve início há mais de vinte anos, a menos que se deseje remontar à época ainda mais distante, remontar à primeira ameba ou mesmo além dela, ao universo com suas colisões fantásticas de dois sóis esquecidos; mas restringiremos nos so relato, a não ser por alguma referência ocasional, ao cenário, atores e assuntos da nossa época. Os raios calcinantes do sol esturricam uma planície encarquilhada, a pouco m ais de cinco graus ao norte do equador terrestre. Um homem, envergando camisa es farrapada e calças nas quais o sangue secou, tornando-se cor de ferrugem, cambalei a e cai, estendendo-se inerte no chão. Um leão enorme olha o cenário, do cimo da elevação rochosa distante, onde alguns a rbustos tenazes persistem, proporcionando sombra à juba do rei, pois estamos na Áfri ca. Ska, o abutre, voa em círculos pelo azul do céu, em manobras preparatórias, bem acima do corpo do homem que tombou. Não muito longe, ao sul, na orla da planície ressecada, outro homem caminha ru mo ao norte. Não demonstra qualquer sinal de fadiga ou esgotamento. Sua pele bronz eada reluz com saúde, músculos completos se movimentam por baixo dela. O passo desem baraçado, a marcha sem ruído poderiam ser os de Sheeta, a pantera, mas não há qualquer a r furtivo nessa marcha. Temos, nela, a caminhada de alguém que não conhece a dúvida ou o medo, a caminhada de um soberano, em seu próprio reino. Ostenta apenas uma tanga no corpo, feita de couro de corça. Em um dos ombros traz um rolo de corda feita de capim, atrás do outro ombro vê-se um carcás de flechas ; uma faca em bainha balança em seu quadril; um arco e uma lança curta completam-lhe o equipamento. O feixe de cabelos negros tomba livremente sobre olhos serenos, cinzentos, olhos esses que podem refletir a luz de um mar de verão, ou o brilho me tálico de uma espada. O senhor da selva está em marcha. Encontra-se muito ao norte de seus antigos retiros, mas ainda assim o terr eno não lhe é desconhecido. Esteve ali muitas vezes. Sabe onde pode encontrar água, ba stando cavar. Sabe onde se acha o buraco de água mais próximo, onde pode matar algum animal, saciar a fome. Veio a pedido de um imperador, a fim de investigar o boato de que uma potênc

ia européia procura levar um chefe nativo à defecção, utilizando o suborno. A guerra e o s boatos de guerra circulam pelo ar, mas contamos que tais coisas não façam parte de nosso relato. Ainda assim, não somos profeta. Limitamo-nos ao papel de cronista d os acontecimentos, conforme os mesmos se apresentam. Acompanhamos as atividades de nossos personagens até o amargo fim, até mesmo à guerra, mas contamos sempre com o melhor. Só o tempo, entretanto, poderá confirmar-nos ou desmentir-nos. Enquanto Tarzan seguia com passos desembaraçados, atravessando a planície, nen hum som lhe escapava aos ouvidos aguçados; nenhuma coisa que se movesse escapava-l he ao olhar; nenhum odor, contido no seio macio de Usha, o vento, passava sem se r identificado por ele. Bem a distância, ele viu Numa, o leão, sobre seu posto rocho so de observação; viu Ska, o abutre, circulando acima de alguma coisa que sua visão não permitia divulgar. Em tudo quanto via, escutava ou farejava, dava para ler uma s ituação; isso porque, para ele, aquele mundo selvagem era como um livro aberto, semp re uma narrativa emocionante, interessante, uma narrativa de amor, ódio, vida e mo rte. Onde o leitor ou eu poderíamos, de vez em quando, entender uma letra ou pala vra, Tarzan compreendia todo o texto e as inúmeras implicações que escapariam inteiram ente ao nosso entendimento. E logo à frente viu algo branco, brilhando sob a luz do sol um crânio humano; ao aproximar-se, seus olhos divisaram o esqueleto de um homem, no qual os ossos haviam sido apenas levemente deslocados. Entre eles crescia um arbusto desértico, proclamando que o esqueleto ali estivera por muito tempo. Tarzan fez uma pausa para investigar, pois em seu mundo nada é trivial demai s para se deixar sem indagações. Viu que o esqueleto era de um negro que ali estiver a por muito tempo, provavelmente anos seguidos; e isso era de todo possível, na pl anície quente e seca. Não dava para calcular como o homem encontrara a morte, mas im aginou que fosse devido à sede. Viu, então, algo ao lado dos ossos da mão, algo semi-enterrado pelo solo; esta cou e recolheu aquilo, retirando-o cuidadosamente da terra. Era um bastão partido, de madeira pesada, e na extremidade partida achava-se preso um fragmento fino d e seda oleada. A seda estava manchada, quebradiça e seca. Dava a impressão de que ia desfazer -se ao contato, mas apenas na camada externa. Ao abrir cuidadosamente o envoltório , encontrou as camadas internas mais bem conservadas. No interior do envoltório de seda estava o que ele contava encontrar uma carta. Achava-se escrita em inglês, a caligrafia pequena e muito clara. Tarzan leu com interesse, o que talvez fosse causado pela data em cima da folha de papel. V inte anos haviam decorrido desde que a carta fora escrita. Por vinte anos ela al i estivera, ao lado do esqueleto de seu portador, prestando testemunho mudo da s olidão imperante naquela planície inóspita. Tarzan leu: A quem encontrar: Estou enviando esta sem grande esperança de que consiga sa ir desta terra infernal, ainda menos de que chegue às mãos de qualquer homem branco; se chegar, entretanto, peço o favor de entrar em contato com o comissário residente mais próximo ou qualquer outra autoridade que nos possa prestar auxílio com rapidez . Minha esposa e eu estávamos explorando a parte setentrional do lago Rudolph. Fomos longe demais. Aconteceu o que sempre acontece. Nossos carregadores ficara m assustados com os boatos de uma tribo feroz que habita a região em que estávamos. Eles nos abandonaram. Onde o rio Mofa desemboca no Neubari, subimos a ravina do primeiro, como s e fôssemos arrastados por alguma força sobrenatural, e ali fomos capturados pelas mu lheres selvagens de Kaji, quando chegamos ao platô. Um ano depois, nasceu nossa fi lha e minha esposa morreu aquelas selvagens de Kaji a mataram, porque não nasceu u m filho homem. Elas queriam homens brancos. Ê esse o motivo pelo qual não me mataram , bem como a uma dúzia de outros prisioneiros, homens brancos também. A região dos kajis fica em planície alta, por cima das cataratas do Mafa. Ê luga r quase inacessível, mas pode-se chegar lá acompanhando a garganta do Mafa, vindo do Neubari.

hesitava em atacar. o Cruz eiro do Sul. até se haverem tornado uma lenda na selva. mas nunca se apresentava qualquer cha ve definida quanto ao paradeiro exato dos Mountford pois haviam surgido notícias d a presença deles em uma série de lugares. Numa pareceu ignorar-lhe a presença. e é o relato assu stado dessas coisas que amedronta os carregadores de qualquer safári que se aproxi me de sua influência nefasta. viera a verdade. Ninguém acreditava realmente que eles vivessem. Embora este último se achasse bem à vista. Nenhuma tribo nativa vive perto dessa região misteriosa e malsinada. Ou era assim. a morte era fenômeno comum da existência e muito menos notável do que inúmeras outras manifestações da natureza. chegando ao planalto e sendo ali aprisionados. finalmente. ou talvez dos lábios de um branco moribundo. por ess e motivo. Tenho visto coisas que. saem do planalto para servir de espiões nas terras mais baixas. Vinha-lhe a recordação antiga do des aparecimento misterioso de Lorde e Lady Mountford. era de todo improvável que o marido continuasse vivo. E agora. porém viera tarde. tampouco Tarzan alterou seu rumo . pelo me nos. pois vinha mais cedo ou mais tarde a todos os seres vivos. Lady Mountford morr era vinte anos antes. todos os negros desertam. Ia entregar a carta às autoridades in glesas na primeira oportunidade que tivesse. o abutre. mas existem. criado na selva. que eram relembrados graças aos boatos de que ainda viviam. mas usando como medida a pedra brasileira. contra os per igos da empreitada. Aquilo simpl esmente não significava coisa alguma para ele. para poder salvar-me e à minha filhinha. não pude verificar. subornando um dos escravos negros que.000. achando que a magia negra dos kajis poderá castigá-los. que pesava mais de três mil quilates. desse modo. ele viu Numa. algum viajante vindo do interior fazia reviver o boato. pois estas indic avam que Ska rodopiava acima de alguma criatura que não morrera e que. Continuou em sua jornada. mas os boatos de seus costumes apa vorantes tornaram-se parte do folclore dos vizinhos mais próximos. teria morrido ou sido morta pelos kajis. desde o Sudão à Rodésia. Talvez até mesmo uma força numerosa seja vencida. de homens brancos. saltar da orla em que estivera em pé e aproximar-se cautelosam ente da coisa que despertava a curiosidade do homem. Deus permita que ela chegue a tempo. Essas mulheres kajis lutam como demônios. atravessando a infância. mas o re sultado é sempre o mesmo se o safári se aproximar demasiadamente dos kajis. deve orçar por cerca de £ 2. a recompensa tal vez se revelasse enorme. De onde veio. Para o homem-macaco. o leão. agora. A filh a.. pois os negro s têm medo de contar. Mountford. de que solo foi retirado. mas desconfio que tenha vindo do solo de sua própria r egião. naturalmente. que Tarzan pensava. pois duvido que os negros possam ser levados a vir aqui. e possuem poderes estranhos e ocultos de algu m tipo. Seria difícil sobreviver entre aqueles selvagens. bem. Tarzan leu duas vezes a carta. Ao aproximar-se do local acima do qual Ska rodopiava com as asas paradas. sabe-se pouco a respeito dos kajis. trazendo indicações mais ou menos circunstanciais. e tenho a certeza de que o diamante dos kajis pesa mais de seis mil. entretanto. Eu já vi e segurei o diamante Cullinan. Acontece então o que ocorreu com minha esposa e comigo os brancos são atraídos p or algum meio misterioso.. Os homens brancos talvez jamais venham a saber qual é a causa. pois os brancos não estariam l utando contra fenômenos naturais. É impossível saber se conseguirei mandar esta caria para fora da região dos kaji s. por causa d e sua dimensão ou natureza. e seria tudo. a possibilidade da morte do homem e da criança não lhe causou qualquer reação de pesar ou tristeza. Os kajis são donos de um diamante gigantesco. Não posso ima ginar qual o seu valor. Achava-se mais interessado nas manobras de Ska. coisas que não podiam existir.000 recompensa que justifica algum risc o. Recolhera a história de um chefe de alguma tribo distante. mas tenho a esperança de consegui-lo.Será necessária uma expedição bem armada. de vez em quando. mas. Se fosse vitoriosa. afastando a questão dos pensame ntos. com certos intervalos. Mountford. É a esperança dessa recompensa que apresento.

iriam encontra r-se bem perto da coisa sobre a qual Ska adejava. vinda dos lábios daquele gigante branco e estranho. o rei dos animais. na qual não se notava qualquer ameaça imediata. tirar-lhe a presa. a cem metros de distância. divisou um homem quase nu. caso o leão a tacasse. e o grande carnívoro. O homem não sabia se dev ia ou não sentir medo.por causa do leão. Numa também ouviu. apenas as armas de Ta rzan. e. Tarzan reconheceu isso des se modo. Vamos achar água e comida. maior que tudo isso. ergueu o homem e colocou-o no ombro. Não bebi água hoje. a quem o homem não via. O homem estremeceu. esforçou-se para ficar em pé. mas estava muito enfraquecido e só conseguiu erguer-se sobre o joelho. Ergueu a cabeça e viu o leão. voltou-se e bateu em retirada. Quando o homem-macaco se aproximou do objeto de seu interesse. você compreende inglês? Sim respondeu o outro. Sacudiu a cabeça e rosnou. viu o corpo de um homem caído em pequena depressão natural do terreno o corpo de um homem branc o. O senhor da selva conhecia muito bem a arte do blefe e seu valor. Sabia que Numa fora atraído pela curiosidade. E logo o homem se re mexia. De repen te. Há dias que não como. Tarzan não se det eve. se achava a tão pou ca distância. Tarzan abaixou-se. e depois você poderá contar o que está fazendo sozinho nesta região. pois estav a desarmado e indefeso. Era apenas a dvertência. Mas o homem não conhecia essas coisas e julgou chegado seu fim. . não for a mais desconcertante do que ouvi-lo agora falar em inglês. pois não via qualquer outro animal. Foi quando ouviu outro rosnado baixo. Sentiu novo respeito por aquela criatura que sabia assust ar o rei dos animais. Se nenhum dos dois desviasse os passos ou a direção. Bem interpelou o homem-macaco . Atrás dele estava Tarza n. Tinha o estômago cheio. vindo em sua direção. sua grande força e habilidade. por trás. ergueu a cabeça e emitiu o berro horroroso de advertência do macaco guerreiro. Olhou com aflição na direção do leão e viu que este se afastava para o local de onde viera. percebeu que era emitido pela garganta do gigante bronzeado que se avizinhava. entretanto. Sou americano. nenhuma árvore a oferecer a segurança de seus galhos. Nu ma. estava Numa. Não se via qualquer abrigo. e fez uma pausa. não pela fome. Não morrera. ao ouvir o grito bestial saindo dos lábios de um ser humano. e quando ouviu novamente o rosnado. Por instantes. Para a direita. Tarzan aproximou-se e interpelou o homem: Está ferido? Ou fraco de fome e sede? A voz de uma fera. continuou caminhando na direção do homem. voltando os olhos rapidam ente nessa direção. Não estou ferido. com um rosnado de despedida. era sua conv icção de que Numa não atacaria. O leão rosnou quando o homem conseguiu erguer-se um pouco mais. não co mpreendeu.

. grande. colocou-as nas cinzas. Tarzan acendeu a f ogueira e preparou duas codornas e uma lebre que derrubara com flechas. desconjuntadas. arriscou-se a queimar a boca na mordida inicial. famélico.. O homem percebeu-o. Meu Deus! Como é bela... Logo se arrastou para ela parte de suas energ ias havia voltado.. o homem de quem o leão fugiu.. ainda assim a comida pareceu-lhe incompa ..Capítulo dois ESTRANHO RELATO Enquanto Tarzan carregava o homem para lugar mais seguro.. Logo o homem pedia mais e. grande como. Vou buscar comida. raspando-a com um graveto. às vezes sem sentido. Está quente advertiu.. Há uma nascente aí atrás. Após ter bebido. anoitecia e o homem dormia tranqüilamente... Pode beber mais.. mas eu vi. também? Sim. com meus próprios olhos. levando consigo as penas. e julgar que se achava realmente e m sua presença. O desconhecido. começou a falar. Eram fr agmentos de frases. graças ao efeito da água. Eu o achei caído na planície. Envolveu as codornas em argila molhada. a argila cozida separou-se do corpo da codorna.. o que está fazendo aqui? A voz era baixa. Quando chegaram finalmente à água Tarzan depositou o homem à sombra de uma árvore pequena e. Ao olhar.. Talvez seja melhor comer e depois responder às minhas perguntas disse o home m-macaco. murmurava. Mulher-demônio. Quem é você? E o que está f o sozinho neste lugar? Na verdade.. Quando voltou. do tamanho da cabeça de uma mulher. erguendo-lhe a cabeça e ombros... dava orde ns. Ficou a imaginar quem poderia ser aquele gigante branco. O que aconteceu? Não consigo lembrar-me de nada. assim com o alguém fala em delírio. Sossegue e descanse disse o homem-macaco. olhos! Olhos!. você já bebeu alguma. dava quase para crer na existência d e tal criatura. olhou para o homem e notou que este o fitava.. Um verdadeiro Tarzan. Você pegou o diamante? Enorme. mas durante a maior parte d a caminhada era como se houvesse morrido. dez milhõe s de dólares.. o peso morto e i nerte que levava aos ombros servia para dizer-lhe que a criatura perdera a consc iência.. Tratava-se da voz bem modulada e firme de homem que era sempre obedecido. De vez em quando murmurava coisas incoerentes. Tendo feito isso.. confirmando relatos e lendas. Em seguida silenciou por algum tempo enquanto Tarzan lhe banhava o rosto e os punhos com água fresca. E você me trouxe para cá. pensava. O homem logo abria os olhos. S em tempero. desse tamanho. viu a água. Quem é você? perguntou o homem. o quê? Não pode ser. Que olhos! Mas que perigo.. interrompidas. abriu-a. Indagava mas ao mesmo tempo impunha. ou quando sai da anestesia... Tem forç s para ir até lá? O homem voltou-se.. Enfiou então a ave no graveto pontiagu do. deve ter sido feito p or Satanás.. Quem é você? perguntou... O diamante! exclamou. ? E tem água.. . fitava o homem-macaco. Não beba demais.. agora. entregando-a ao homem. com o cabo da faca.. a lebre foi esquartejada e assada sobre varetas pontiagudas.. esgotado explicou Tarzan. como aquilo fora preparado. Você é o. por enquanto advertiu o homem-macaco. Era expres são de todo normal. enorme. Agora me lembro. Por que me salvou? Você responderá às perguntas disse o senhor da selva.. depois. arranjou comida. Oh! exclamou o outro.. que beleza. as sobrancelhas arquea das em perplexidade e indagação. profunda. tomando uma bola de argila cozida e endurecida no fogo. colocou algumas gotas do líquido entre se us lábios. quase nu. mas ainda assim de perplexidade. Muito bela. o outro voltou-se novamente para Tarzan.

Tarzan ouvia. amo-a com o corpo e a alma. também. Ele fitou o homem-macaco e fez a pergunta: Para começar: você já ouviu falar do desaparecimento misterioso de Lorde e Lady Mountford? Tarzan assentiu: E quem não ouviu? E soube dos boatos insistentes acerca da sobrevivência deles. Tudo parecia levar a isso.. eu falei tanto de meus planos com Bob van Eyk que ele também se entusia smou e insistiu em vir e partilhar as despesas. pois o ódio e o amor estão muito próxi mos um do outro. Respondendo às suas perguntas disse ele . caso não encontras se mais coisa alguma. Mas isso naturalmente não significa coisa alguma para você. contratamos dois caçadores brancos que conheciam bastante as costas da África. um rapaz que herdara grandes recursos e que tinh a apoiado algumas de minhas aventuras anteriores. mais concatenado. Apenas a temperatura elevada o impedia que a devorasse.. meu nome é Wood. u ma sílaba. embora a amaldiçoe enquanto durmo. e prosseguiu então: Devido a essa riqueza relativa. o começo e o fim de tudo. a mais bela e mais cruel também. de modo que agora posso empreender expedições que requere m financiamento maior do que simples passagem de vapor e um par de boas botas. eu me valho de minha inutilidade natural. e o homem prosseguiu: Desculpe-me se me antecipo.. Cheguei à temeridade de acreditar que pudesse levá-lo comi go. Fez nova pausa.. e vi também o maior diamante do mundo . satisfeito ao menos em parte. Tudo correu bem. são as duas emoções mais poderosas e devastadoras que controlam o hom em. e ele prosseguiu: Eu tinha um grande amigo.. até subirmos um pouco o Neubari. até chegar à comprovação de que eram falsos ou verdadeiros. sem uma migalha de pão. vi nte anos após desaparecerem da vista e conhecimento do homem civilizado? Percebendo a concordância do homem-macaco. Bem. embora praticamente tudo se baseasse em boatos. A região era escassamente h .rável. a tal ponto que se separam apenas por um olhar. Ele fez uma pausa. tenho na cabeça material para escrever um livro de v iagens. esse caso exerceu tamanho encanto sobre mim. Sou escritor. porque a amava . mesmo hoje.. mas Stanley Wood estava tão repleto de emoção da qual precisava desfazer-se. Tarzan não ofereceu qualquer comentário. que por anos a fio estive pensando em organizar uma expedição que fizesse o levantament o de todos os boatos. Assim. um gesto. você me achou sozinho e a ponto de morrer na selva por onde ninguém andou. que teríamos possibilidade de arranjar equipamento muito mais complexo do que eu p lanejara e. a vida. Ele logo continuava: Passamos todo um ano em pesquisas. um livro como nunca foi escrito pelo homem moderno. ele continuou: Pois bem. a noroeste do lago Rudolph. que teri a confidenciado até mesmo aos ouvidos moucos de um Buda de pedra. Reunimos uma beleza de safári. Nova pausa. Não era fácil confidenciar a ele.. Limitava-se a ouvir sem qualquer somb ra de interesse ou emoção a transparecer no semblante. mas vou tentar ser mais coerente. continuando o relato: E vi a mais bela mulher do mundo. com mais certeza. Isso me proporcion ou mais de uma capacidade. Vi coisas com as qua is a civilização não sonha e nas quais não acreditará. Isso significava. Eu a odeio com a mente.. ou tomaria conhecimento do destino que lhes co ube.. Robert van Eyk. antes de encostar-se novamente na árvore. escr evo sobre viagens. dos antigos Van Eyk de Nova York. tanto na Inglaterra quanto na África. as nações. assegurar o êxito da empreitada. Mas embora você me encontrasse abandonado. e r esultou que ficamos inteiramente convencidos de que Lorde e Lady Mountford havia m desaparecido de um ponto sobre o rio Neubari.. Para mim ela é o começo e o fim. Ele comeu uma das c odornas e metade da lebre. Eu ia descobrir Lorde e Lady Mountford. embora jamais houvessem estado nessa parte do conti nente. sem coisa alguma.. Ainda a amo. com seu mistério. e chegu ei à temeridade de acreditar que pudesse levá-la comigo. que muitas v ezes encontra expressão e desculpa em andar vagabundeando por aí. naturalmente. Levá-la. Eu o tive em minhas mãos.

mas de nada a diantou.. Lá estávamos. se a coisa já era dura a ntes da saída deles. Limitavam-se a ficar paralisad os. Quando amanheceu comemos em silêncio. paralisados de medo . ainda que bastante tempo depois. quatro homens brancos sozinhos. Tentei u sar minha força de vontade.. dizendo qual er a o problema. Era uma força muito maior do que a minha que me dirigia.. uma região possivelmente hostil.. Por isso trataram de endure cer o trato com os negros.. Logo começamos a sofrer deserções. e. tanto menor o número de nativos que víamos. Resolvemos não levar coisa alguma. Não posso dizer-lhe o que era. pois a nossos carregadores não agradava a idéia de se afastarem tanto de sua região.. mas não contavam coisa alguma.. metendo-nos em apuros. sem d izermos uma palavra. um homem branco. Íamos começar a vol tar na manhã seguinte.. com carga para cinqüenta homens. em que se mete um escritor. mas co ntinuavam desertando. e sem homens para prosseguir. já que não eram humanas. os carregadores de armas. O cabelo e a barba eram brancos. aprofundando-nos cada vez mais na região... Nem mesmo olhamos um para o outro . e sim demônios que haviam tomado a forma de mulh eres. a sensação estranha de estar s endo observado por olhos invisíveis dia e noite.. Não conseguíamos informação alguma com eles sobre o que estava à frente. nossos criados pessoais. Tornava-se apavo rante. deixando tudo o mais.. par a darmos o fora dali.. não eram ruídos humanos. quanto mais entrávamos. da qual não sabí s coisa alguma. eles zombaram de tudo aquilo. provisõe s. não deixava que elas fugissem ou. aquilo foi diferente. e quando não é homem muito ajuizado. Bob e eu estávamos a ponto de partir por conta própr ia quando eles voltaram. A coisa tornou-se bem séria. é claro. nem mesmo reconheciam que estavam com medo. e sem saber o motivo pelo qual o fazíamos.abitada.. pois nunca vimos pessoa alguma. Formamos um conselho de guerra na noite em que Spike e Troll voltaram. Van Eyk é homem de muita coragem. Os nativos com quem haviam conversado tinham dito que havia uma tribo mais acima do Neubari que matava ou escravizava todos os negros entrados em seu território. nem animais. pusemos as mochilas nas costas e. todos haviam desaparecido .. Estávamos em região que não conhecíamos. Spike. embora andassem por dois dias. lá estávamos os quatro. Era apenas uma sensação . capturado no interior da Nova Guiné por canibais.. Quando acordamos de manhã. mas não creio que seja essa a explicação. tratavam-nos como escravos. Não. ficou bem pior enquanto estiveram fora. Não tínhamos percorrido mais de oito quilômetros quando encontramos um homem caído no chão. mas ele não parecia tão v . obrigar meus pés a caminhar na direção oposta. Disseram que não passava de uma desculpa para fazer-nos voltar.. tentando descobrir alguns dos carregadores. Não sei o que eles pensaram.. você imagina. enfrentando um pelotão de fuzilamento durante uma revolução na América Central.. Bem. Eram apenas ruídos que faziam a carne c ontrair-se.. os caçadores brancos. partimos rumo ao Neubari. fazendo exatamente o oposto do que tínhamos decidido.. tribo essa com urna espécie misteriosa de mágica que prendia as pessoas. munição e comida. Talvez estivésse mos apenas com medo. Spike e Troll voltaram atrás. e na noite que vem vão desertar todos . a pele formigar.. estavam com saudade. apena s um revólver e fuzil cada um. se o fizessem.. os nossos askaris. a mágica acompanhava a criatura e a matava antes que regressasse a seu próprio país. De i nício eles riram de nós. Apertaram os parafusos... mas eu senti vergonha de fitá-los.. Eram g ente selvagem e temerosa. Bob van Eyk. cada um desses filhos da mãe'. mas falaram com nossos carregadores. esse t ipo de coisas. já que sabíamos que estávamos derrotados. Puseram neles o medo a Deus. Procuramos arranjar explicação sobre isso junto ao s que haviam ficado.. e eu já andei em meio a muitas dificuldades. Troll e eu .. com muito equipamento. se estiver realmente proc urando assunto. mas logo começaram a ouvir e sentir coisas. Finalmente um dos cabeças me contou o que receava. Acredite em mim quando digo que. mas não descobriram um só. Não posso descre vê-los . F oi Spike quem disse: 'É pôr o medo a Deus neles. quando eu falei com Spike e Troll. Diziam que não era possível matar essa s pessoas. Depois concordara m conosco em que o melhor era dar o fora. E havia ruídos também. extraviado e sozinho entre os caçadores de cabeça do Equador...

Falou um pouco. Pelo amor de Deus. embora não soubesse o que os cruzados estivessem fazendo nesse canto da selva. mas eu já sabia antes. o s pretos não entram aqui. Parecia muito enfraquecido e falar constituía esforço eviden te. Lorde Mountford? perguntei. É um demônio. pretendend o roubar o diamante. talvez mais. E como é que você sabe disso? Você andou falando um pouco. Mafka foi a resposta.. E falou-lhe do diamante? perguntou Tarzan. pois o rio Neubari corria a meno s de cinqüenta passadas dali.. Suas últimas palavras foram: Salvem-na . T em mesmo duas vezes o tamanho do Cullinan? Eu nunca vi o Cullinan. Em outros tempos teria sido um mágico. Eles a seguram e dei xam que outros a peguem. sob guarda constante dos kajis. Vão pegá-los. e também não podia estar sofrendo de sede. Ele não é um chefe. teria menos de cinqüenta anos.elho. Van Eyk achou que talvez tenha sido cons truído durante as cruzadas. De qualquer modo os kajis não o construíram. talvez pelos portugueses. como me ram faz mais de vinte anos. pega a pessoa. Quem é ele? perguntei.. e o fiz beber um pouco. Ele falou d e alguma coisa entre dez e quinze milhões. entrem no país dos kajis. a meu ver. Ele mora num verdadeiro castelo.. e não poderão fugir. Às vezes. Mas estão ve ndo? Eles me pegaram. Ele é o poder. Não teríamos podido voltar. matem Mafka . como se fosse uma pedra comum. Isso pareceu dar-lhe mais força. cheguei a pensar que ele é o Demôn io. só ele. Ele fez que sim. ainda que q uiséssemos. Quem é você? Eu sou Mountford respondeu ele.. Estou morrendo. É ais como um feiticeiro. sabiam mantê-la escondi da. Eu estava com uma pequena garrafa de brandy. Não tenho certeza de haver sondado corretamente a ligação entre a rainha e o diam ante. com a cabeça. mas ainda assim tem todo o poder. Nada que Mountford dissesse conseguiria dissuadi-los.. sem qualquer indicação de fome.. não poderão escapar. Os kajis atribuem todos os seus poderes e o poder de Mafka ao diamante. Vocês não são muitos. Sim. assim sendo. mas o diamante dos kajis e enorme. nem sei como chamá-lo. onde também ficam Mafka e a rainha. E está preparando-a. na única entrada que tem. Troll já trabalhou em Kimerly. Mountford falou-nos do diamante e depois disso Troll e Spike começaram a querer entrar na região dos kajis.. E dava a impressão de estar bem ac abado. embora seja possível que existiss e antes da passagem deles pela Abissínia. e que em seu corpo e ntrou o espírito. Mas também nunca vimos Mafka. Ele manda o poder no encalço d a pessoa. ensinando-lhe seus poderes infernais. Voltem! cochichou. Quando paramos a seu lado ele abriu os olhos e olhou para nós. O que aconteceu com ele? Estava tentando contar-nos alguma coisa sobre uma jovem. mesmo depois de entrarmos no país dos kaj is. Não demonstram qualquer reverência especial pela pedra em si. que deve ter si do construído séculos atrás. a chama do brilhante.. Nós não soubemos a quem ele se referia.. mas acho que eles a consideram a personificação da pedra. com ar de surpresa. embora hajam tra balhado bastante para a restauração e conservação do castelo. voltem disse ele. Arranjem uma força grande. Depois de todos esses anos pensei que tinha achado minha oportunidade e tentei fugir. O poder dele. Mas afinal de contas de nada adiantou. de homens brancos. Voltem. Ela é uma criatura fabulosa. Ele é o chefe? perguntei. Não. É para a rainha que reserv am sua reverência.. e nós não conseguimos entender do que se tratava. a mulher mais b . O diamante é mantido lá. Em seguida faleceu. Se tinham alguma.. Faz coisas que nenh um mágico jamais pensou em fazer. Se pude rem matá-lo estarão bem. a despeito do fato de o corpo parecer em boa forma. quando estava delirando. E Mountford? perguntou Tarzan. Deve valer pelo menos dez milhões de dólares. Não vimos qualquer mulher prisioneira. arranjem uma força grande. que levava para qualquer emergên cia. O outro olhou para o homem-macaco. é natural que o guardem com muito cuidado .

um verdadeiro demônio. Eu enunciara uma desconfiança que alimentara por algum tempo. de modo que estava sempre a descul pá-la mentalmente. mas medo. mas cada um tem sete esposas kajis. não era raiva. isso não importava. e foram todos devidamente casados por Gonfala na presença do grande diamante. uma espécie de divindade que eles adoram. batendo com o pé no chão. Os kajis são. Ela é mais do que uma rai nha. bem como rainh a? Não posso evitar respondi. de repente. planejei voltar com uma força de homens brancos. desde o pardo ao branco.. e ouvia nossos relatos horas seguidas. Ela gostava de tomar conhecimento do mundo exterior. Gonfala se apaixonara por mim. Num da do momento. acredito que sejam muito ferozes. Havia uma expressão nova em seu olh ar. mulh eres. escolhe as espos as para todos os brancos aprisionados. Mas entendia . casam-se com eles. Isso tornou-se parte de sua religião. Se uma criança nascer negra. Se você soubesse que importância tem a rainha dos kajis. todos eles. pelo que soube. e eu certamente pa ssei a gostar dela. é cheia de compaixão e doçura feminina. compreenderia minha presunção. Você não compreende que eu sou uma deusa.. E não posso evitar esse amor. Você sabe como são as pessoas. Ainda são prisioneiros dos kajis. Isso foi há seis meses. tornou-se muito portentosa. É tudo que sei ou que me importa. e acertara na mosca. tanto melhor. como rainha. em voz baixinha. A coisa é que Gonfala. O que aconteceu com os três outros homens? perguntou Tarzan. Eu me apaixonei por você foi o que disse. Se pudéssemos tornar-nos amigos. assim como você não pod vitar seu amor por mim! Ela soltou uma exclamação de espanto e pavor. Spike e Troll não pegaram o diamante. Bob van Eyk queria aventura e eu estava procurando mate rial para escrever outro livro. Variam em cor. Gonfala é uma loura. não tem um só vestígio de sangue negro nas veias. Estarão vivos ainda? Sim.ela que já vi até hoje. Ela não pode am ar. mas ela própria não pode casar. Chamam-na de Gonfala e. mas deve ter-se arrependido. Gonfal. Dois de nós só q ueriam o diamante delas. Se matam todos os homens. Não sei se estava com raiva... Não hesito em dizer que é a mulher mais bela do mundo. De início eram negras que desejavam tornar-se brancas. e afugentam os negros. pois não queríamos lutar com elas. pois somente o poder de Mafka poderia alcançar-me. pois não existe uma só negra pura entre elas. Ac reditam que a cor da pele é herdada do pai. sem dizer uma só p alavra. é destruída. até que finalment e lhe disse isso. Vendo-a tanto. embora de nada vá me adiantar. Na verdade apaixonei-me pela criatura.. não pode casar-se.. Não volte a dizê-lo. tudo isso de mistura com sua ador ação ao diamante. As mulheres fazem ofe rendas a Gonfala. E por todo o tempo me apaixonava cada vez mais. estando perto dela. Ela pareceu gostar de Bob e de mim. onde arranjam os guerreiros? indagou Tarzan. Eu nunca as vi lutando. Foi durante um momento de feminilidade que ela me ajudou a fugir. Ela não o compreender a senão naquele instante. de modo que deve ter falado com ele. e mesmo depois de cal cular qual fosse a verdade. vimos muito Gonfala. em número suficiente para salvá-los explicou Wood. m inha revolta contra suas crueldades diminuiu.. Você sabe o que fez? perguntou-me. ao diamante. e todos os filhos homens são destruídos. mas. Bob já teve sua aventura e eu estou com o material para um livro. ao declarar meu amor. Só ela sabia que eu tinha ido. ergueu o corpo e. A coisa é que nós entramos na terra delas como se fôssemos amigos desde muito separados. de modo que só se casav am com homens brancos. mas criat ura de contradições tão radicais que se chega a duvidar de sua sanidade mental.. Ela olhou para mim por instantes prolongados.. e as que vêm com as ofertas mais valiosas ficam com os maridos.. Bem. Amor! Então é isso! Em seguida. Amor disse ela. Ao que parece. é essa a pena por atrever-se a aspirar ao amor de Gonfala. Quando Gonfala me ajudou a fugir. Eu deveria ar matá-lo. nunca. os kajis os protegem. Não diga isso ordenou. Essa distribuição de brancos é mais ou menos uma negociata. não entendera o que se passava em seu íntimo. Aí o motivo pelo qual a traem os homens brancos a Kaji. Deve ter sido assim por gerações seguidas. no seguinte. As mulheres são os guerreiros.

sentia medo. tenho o pressentimento muito definido de que não sou um homem livre. Para dizer a verdade. Acredito que Mafka tenha descobert o minha fuga e que foi a magia dele o que me acompanhou e jogou-me ao chão. E o que pretende agora? perguntou. de modo que se mostrava cauteloso em todas as ocasiões. Talvez fosse mais uma sensação intuitiva de confiança por al guns. se Mafka desconfiasse da verdade. Fez uma pausa e depois aduziu: No que diz respeito a meus atos no futuro imediato. pois não conhecia o homem. devido a seus poderes espantosos de magia. Nem sempre isso era infalível. e aprendera a desconf iar de que todos os homens civilizados fossem mentirosos e trapaceiros. recebera impressão favorável da personalidade do camarada. . representava a oportunidade de levar a efeito o s alvamento de meus amigos. parecia ser o único modo de garantir nossa segurança. e mais a possibilidade de persuadir Gonfala a sair de lá comigo. Talvez Gonfala tenha contado a ele. Ela é uma pessoa do tipo Jekyll e Hyde. mas disse que seríamos ambos mortos. E receava que Mafka viesse a tomar conhecim ento. e tinh a parte do conhecimento instintivo das feras. E também nisso a fera tra nsparecia nele. não faço a menor idéia. De que está falando? perguntou o homem-macaco. O resto você já sabe. e mortos de maneira horríve l. se obtivéssemos êxito. pois numa pe rsonalidade transborda doçura e ternura. Com a ajuda dela eu fugi. Ainda assim. tomado de perplexidade.agora. no que tange ao caráter essencial se assim o pudermos chamar. Para ela. ao que Tarzan bem sabi a. até que pr ovassem o contrário. Ela não o negou. O outro cocou a cabeça. Foi quando resolveu ajudar-me a fugir. desconfiança por outros. Não sabia até qu e ponto podia crer no que ouvira. a mim. Capítulo três O PODER DE MAFKA O homem-macaco ouvira pacientemente o relato de Stanley Wood. na outra é temível.

Por que não? Mafka. Meu nome é Clayton disse o homem-macaco. Eu posso tirá-lo no momento disse o homem-macaco. vai tomar conhecimento de uma história. com simplicidade. Quer dizer que você não escuta. Já vi tantas cois as inacreditáveis desde que vim para esta região que nem mesmo a visão de um homem de alta civilização evidente. Não havia qualquer fanfarronice no tom de voz. Tarzan sorriu. Sim. Se eu fosse ou não uma das iaturas de Mafka. não ouviu coisas. Bem. Foi Mafka quem o mandou? Você é uma de suas. Irei com você disse Wood . não percebeu olhos invisíveis que nos fitam. Não sei como chamá-lo. se quiser. Talvez.. mas vá dormir.. Tarzan. sentiu-se satisfeito por isso. outras co isas? São essas as manifestações de Mafka. Você está com os nervos abalados. Reconheço que ela não tem bom aspecto. eu também escuto esses.. Sim. pelos ouvido s ou nariz.. Eu podi a ter inventado a história que lhe narrei. como lhe pareça mais aconselhável. Conheço a África. mas é natural que minha curiosidade esteja despertada. mas nenhuma delas era Mafka. Fico imaginando quem é você. avaliando as palavras. Você pode vir para a região do lago Tana comigo. Sua missão tornava necessário que permanecesse incógnito. iremos para lá. os suspiros? Eu ouço o vento. história que jamais deverá escrever. Ele se deteve de repente. criaturas? O homem-macaco sacudiu a cabeça em negativa. Notou que Wood f alara sem ter conhecimento de sua identidade. p ois não era conhecido naquela região. mas não o fez. nesse particular. entrementes. Por lá. Você até parece Tarzan observou ele. Você se acha em posição das mais deploráveis comentou. Ali! disse. minha resposta seria a mesma. Voltou... Uma sombra de sorriso fez mover os lábios do senhor da selva. desde que paramos aqui. estamos os dois na mesma canoa. Se não for assim. causou tanta surpresa como seria de esperar. e poderia ter acrescentado: John Cl ayton. Parou um instante. é claro. Você deve estar surdo. Seu olhar demonstrou desconfiança e uma sombra de medo. . De outro modo.. você não me disse o seu nome. conheço a mim mesmo afirmou o homem-macaco. apenas uma certeza completa que imp ressionou o americano. Mas disse meu nome. Escute! exclamou.. Você precisa de descanso. Você. Mafka e Gonfala. você não percebeu uma presença invisível perto de nós. Nada existe a recear. não sabe mais a meu respeito do que eu sobre o seu. O outro sorriu. Identifiquei-as todas. e você pode acreditar no que estou dizendo. não é? Deu de ombros e prosseguiu. Você ainda não me disse nada a esse respeito. ouço Sheeta. pelo menos. A decisão é sua. mas ouço algo além. Estamos no poder dele. talve z nunca obtivesse as informações que buscava. os olhos levemente dilatados. olhou com atenção para Tarzan. terá de confia r em mim ou desconfiar. ouvi e senti muitas coisas. Eu já vi. ignorando o obstáculo que fi cara indicado.Desde que começou a escurecer. O outro dedicou-lhe um olhar rápido. Se quiser que vamos para algum lugar. eu negaria. Lorde Greystoke. apertou os olhos para enxergar no rápido crepúsculo. Está claro que não quero intrometer-me em sua vida. mas não existe qualquer possibilidade agora. andando por aí quase nu e sozinho. Sentia-se a salvo do reconhecimento. no meio da selva. se possível. Terá de darme sua palavra. Por falar nisso prosseguiu Wood .. a pantera. está nos vigiando. o que está fazendo aqui. não viu. Tenho mesmo. mas nenhum de nós jamais chegará ao lago Tana. Desse modo. pelo menos. quase. Você não escuta? Não percebe? E sua voz era cheia de tensão. terei de deixá-lo aqui. Amanhã não estará ouvindo coisas. os gemidos. para q ue vou responder? Vai ter de descobrir por si mesmo e. muito longe daqui replicou o homem-ma caco. Não há nada afirmou Tarzan. Suponho que você queira sair deste país disse Tarzan e obter auxílio para os seus amigos. Você não conhece Mafka retrucou Wood.. em cochicho.

relanceou o olhar em volta. . Vi a-o como um homem negro. E havia também Mafka. Sobre um dos ombros. Era bem possível que se achasse sob o efeito de sugestão hipnótica e que Mafka pudesse projetar seus poderes a grande distância. cont ra a qual não se pode lutar. adormeceu. . outra bem diversa é estar constantemente perseguido por algo invisível uma ameaça horrível e invisível. Procure dormir contrapôs. O sol estava pouco acima do horizonte quando Wood despertou. a morte de Mountford s em qualquer motivo aparente e válido exatamente no limiar da fuga. levando-o ao cativeiro ou à destruição. de frente para o farfalhar da folhagem. não passaria de um simples nome. Saia daí. Uma coisa é enfrentar o perigo que se conhece.. para então abandoná-lo . a queda de Wood a pouca distância do mesmo local. O outro fechou os olhos. trazia a carcaça de um pequeno antílope. na escuridão. tudo parecia fác il. Com freqüência demasiada fora ele o alvo da necromancia ma ligna de poderosos feiticeiros. em mau estado. Poderia tê-lo afastado. O americano chegara a conjurar uma i magem dele. Olhe só! Ali. O poderio de Mafka era realmente sinistro. seus olhos seriam apertados.Estou dizendo que escuto. talvez sua psicologia se parecesse mais com a animal do que com a humana. mas ainda assim era criatura de existência muito real. lute como homem! Da folhagem que a ocultava. Não estou vendo pessoa alguma. devia t er percebido. imagem tão verdadeira e tangível como se dispusesse de carne e ossos. durante a noite. ignorava. Wood sorriu. não fosse espião de Mafka. Teri a dentes amarelos. no meio daquelas árvo res. Esse pensamento fazia surgirem perguntas no espírito do americano. E logo um leve sorriso vinha-lhe aos lábios.. Verificou que se encontrava sozinho. deixá-lo à mercê do primeiro leão ou leopardo que lhe recolhesse a pista pelo faro. imerso em pensamentos.. Ele devia ter ouvido. Não havia motivo por que aquele desconhe cido devesse esperar. Isso encontrava forte apoio nas indicações que Tarzan recebera nas últimas horas: a morte do mensageiro de Mountford vinte an os antes. Wood jamais vira Mafka. imunizara-se. experi ente. Por qual motivo. a despeito da certeza de que algo fantasmagórico e horrív el pairava ali. injetados de sang ue. O americano se pôs em pé com um salto. Chegado ao chão. Wood não se deixou surpreender muito. Talvez fosse devido ao fa to de que não tinha medo. A Mafka. Nesse caso. muito velho e medonho.Está novamente ouvindo coisas? perguntou. O que se passa? perguntou. uma figura baixou com leveza ao chão. vigiando. de modo que não se receava de sua mágica. Tarzan sacudiu a cabeça. deixar-se atrasar por um homem a quem não conhecia. sempre vigiando.. Para ele. por que o negara? Talvez. espreguiçou-se e adormeceu. mas conhecia suficie ntemente o mistério e a magia negra para compreender que Wood realmente ouvira alg o fora de sua capacidade de audição. E ali! O que foi aquilo? Um ruído em meio das árvores! A coisa voltava! Wood era corajoso. Por muito tempo Tarzan permaneceu sentado. Eu ficarei vigiando. com os diabos. porém. mas fatos como aquele podem atacar o sistema nervoso do s mais valentes. a sombra de uma coisa que não tem corpo. o homem branco e desconhecido desaparecera. Saia daí! gritou. Não ouvira coisa alguma além dos ruídos comuns da selva. A presença daquele desconhecido tranqüilo vinha traze r-lhe uma sensação de segurança. mas acha va que o outro poderia pelo menos ter esperado que acordasse. Não poderia aquele camarada que se chamava Clayton ser joguete do mágico dos kajis? O próprio fato de ter negado ouvir qualquer som estranho ou percebido a lguma presença invulgar vinha reforçar tal desconfiança. como Mafka pretendia a morte pela fome. com ar de tolo. mas tratava-se de um poder que o homem-macaco não receava. Como as fe ras da selva. Seria facílimo para Mafka afastá-lo dali. deixando Wood à morte. Com o ruído desalentador ainda a ecoar em seus ouvidos. Talvez houvesse sido vitimado pelo fei tiço do velho demônio. Arredando do espírito tais pensamentos. Dá quase para ver. O americano era homem inteligente. corpo encurvado e enrugado. Não parecia o tipo de criatura a deixar-se arrastar por imaginação ou histeria. lúcido. Era Tarzan .

subindo o vale do Neu bari e. Após haverem comido.... o homem era diferente dos demais. mas. Spike e Troll. e conheço um p ouco uma porção de dialetos nativos.. Wood imaginava se aquela criatura não era um pouco demente. espr eitar um antílope e aproximar-se o bastante para matá-lo com uma flecha. o outro passaria também. Logo estaremos comen do. Clayton? Como aprendeu a fazer essas coisas? É uma história muito comprida disse Tarzan.. t eria de voltar-se na direção de Kaji. Nesse caso. Concentrou toda a força de vontade em sua dec isão de acompanhar Clayton. Quem a fala. Chegaram finalmente à embocadura do Mafa no Neubari. ao chegar à bifurcação bem clara da trilha. a despeito das intenções anteriores. Naquele ponto. entretanto? Pensou na presença invisível que parecia mantê-l o sob vigilância constante. Aconteceria. dando para a direita e para o cruzamen to do Neubari. E o trouxe pelas árvores. mas ali estava. E talvez servisse de explicação para um pouco do receio que sentia. esse tal de Tarzan não faz vantagem nenhuma. Apresent ava-se a oportunidade excelente de escaparem de todo a Mafka. como se fossem animais selvagens. bem presente. e eram sempre um tan to dementes. voltaria então para salvar Bob van Eyk. subindo o Neubari sem qualquer sinal de perturbação. passar por ali.. comparado a você. Em silêncio. majestade e ferocidade do leão. ao se aproximarem da região dos kajis. Se um deles pudesse passar. Isso levaria horas a um homem comum. Ela não é falada pelos h omens. subindo o Mafa. Este último o observava com a tenção. arrastando-o de volta ao labirinto de intriga e bruxedo que tornava a vida pavorosa na terra das mulheres que queriam ser brancas. ao menos. que a trilha para o país dos kajis acompanhava a gar ganta do Mafa. seu companheiro parecia bastante lúcido. Deve tê-lo morto com uma flecha. Havia algo misterioso naquele homem e em seu semblante. Tarzan achava-se poucos passos à frente de Wood. sentiu que aumentava o poder de Ma fka.. Não. subindo o Neubari. então? perguntou Wood. na direção do Mafa. Fora aquilo apenas fruto da imaginação sobrecarregada. T ratava-se de ferocidade controlada.Acho que o negócio me pegou declarou. Era ali. levavam vidas solitárias. Vamos deixar o resto para Dango e Ungo. não seria isso. com o sugerira Clayton? Chegou então à bifurcação nas trilhas. O poder de Mafka viria vencer-lhe a vontade. mas não obteve resposta e preferiu não insis tir.. e seus pés se voltaram para a direi ta. como o matou? Matei-o com a faca. Para Wood. Você matou esse antílope? perguntou Wood. s ubmetê-la à do mágico maligno. Em que idioma? Nunca ouvi esses animais serem chamados assim. Ouvira falar de homens brancos que se tornavam primitivos . Conseguiria passar. se pudesse chegar a algum lugar. S im. Talvez você precise de comida antes que eu possa matar outro animal explicou . lembrava o leão. depois você vai sentir-se melhor. acompanhou o selvagem branco e bronzeado. onde a corrent e menor desembocava na maior. ainda assim. isso mesmo aquela era a personificação do vigor. Tarzan pareceu surpreso. Era ali que eles teriam de subir o Mafa. Imaginava se Clayton tam bém sentia tal força. No entanto. que Mafka ignorava a chegada deles? Wood teve a se nsação repentina de ânimo. . Bem. p ercebia-se a falta de incentivo a interpelações. Nenhum nativo fala essa língua replicou o homem-macaco. Eu não usei flecha replicou o homem-macaco. por acaso. Tarzan disse ao outro para levar um pouco da carne nos bolsos. sim. No modo de falar. Como é que veio viver desse modo. organizar uma grande expedição. no ombro! Puxa. Wood a sentia. mas Tarzan não se voltou prosseguiu na marcha. é menor o perigo de perder a flecha. Dango e Ungo? Quem são esses? A hiena e o chacal.. O que temos a fazer agora é preparar um pouco desta carne e partir em seguida. Se conseguisse. esqueça por algum tempo aconselhou o homem-macaco. Ora.

Durante a luta. principalmente Mafka replicou o homem-macaco. as cabeças mumificadas de mulheres penduradas pel os cabelos compridos. Unidos. dos kajis. com nota de desespero na voz: Não adianta. suspendendo Wood do chão. mas não pude.. Prosseguiu caminhando para o norte. não conheço com exatidão. meu velho. não. em cálculo bru . W oora furtou um dos fetiches sagrados e deu o fora. dizendo a alguns dos seus seg uidores para onde ia... como fiquei sabendo por intermédio de Gonfala e de outros kajis. não cedeu à curiosidade que sentia.. e ele também tem esse medo. a mente ocupada pelo relato estranho que o americano lhe fiz era. Há cerca de cinqüenta prisioneiros brancos por lá. Alguns deles se acham ali há mui to tempo. a fim de que fossem ter com ele. bem como os troféus espantosos. Ela refulge como esmeralda.. do outro lado do divi sor de águas do Mafa. por todo o tempo. O traço interessante do caso é a descrição do fetiche dos zulis. mas acho que podemos derr otá-lo. Como.. Você nunca o veria.. que me levaram a o palpite de que essas senhoras são guerreiras bem ferozes. a de ver essa gente . se puder... e dizia que elas capturavam os prisioneiros graças às artimanhas do poder malign o de Mafka. Os membros da tribo se dividiram. A inveja surgiu entre os dois. um camarada chamado Woora. tão grande quanto o Gonfal e com o mesmo brilho. refregas e batalhas em disputa dessas pedras. reconhecendo assim sua própria crença na força misteriosa que escravizava os outros . Havia uma fase no relato que parecia destituída de qualquer confirmação a decant ada capacidade de luta das amazonas kajis.. a maior p arte do poder dos kajis desapareceria. Tarzan. Alguns dos relatos que ouvi eram exagero. jogou-o sobre o ombro larg o.. mas separados o poder de cada tribo sofre grande redução. o Gonfal. talvez vinte milhões de dólares. Tarzan voltou-se para trás. tanto mental quanto fisicamente. mas inclinava-se a dar crédito ao american o. Mafka faz coisas fortes comentou o homem-macaco . A coisa é que. Mafka me pegou. Você conhece? perguntou Tarzan. Seguia em silêncio. Wood reconhecera não as ter visto lutan do. Bem parece que esse outro fetiche que ele roubou é o complemento do grande di amante. mas não posso. Desse modo. Se um de nós pudesse matá-lo. o outro. Você não o pode derrotar. Você não sente? interpelou Wood. mais para o leste explicou Wood . têm poderio supremo. Bem. mas Santo Deus! pense só em uma esmeralda que pesasse seis mil quilates! Seria algo a justificar uma luta. Não sabia até onde acreditar no outro. na maiori a delas. ele não se empenhava pess oalmente nela. entretanto. Houve época em que os kajis e os zulis f ormavam uma só tribo. nesse caso. e eles não conhecem o valor que a pedra possa ter. isso porque o homem parecia sincero e correto . É claro. Ninguém pode. Meus pés a seguiram. Não contrapôs Wood.Ele chamou Clayton. com os passos leves que não combinavam com o peso carregado no ombro . servem de comprovação. voltando a tomar a trilha do Neubari. não houve outro jeito.. uma pedra verde. É muito bem guardado. Foram os relatos das incursões. e alguns de nós teria m conseguido sair com vida. Tentei não passar por esta trilha infernal. terminada a luta. saberia que eram guerreiras tão temíveis? Apresentou e ntão a pergunta ao americano. Podíamos ter lutado para sair. com dois feiticeiros ou bruxos. como as pessoas que causam as guerras civilizadas. Receiam que alguém o mate. sem dúvida. Todos nós ficaríamos com a oportunidade de fu gir. Você continue . ocasionando um cisma. mas as cicatrizes de ferimentos antigos. Você quer mesmo ir comigo? perguntou. Um era Mafka. ou que nome se possa dar a e les. pendurados nas paredes externas do palácio de Gonfala. ninguém o vê. Veremos disse Tarzan e. Com quem lutavam elas? Existe outra tribo.. os kajis e os zulis travam batalhas fr eqüentes. impressionando Tarzan pela idoneidade. se não fosse por Mafka. Eles se chamam zulis.. Você não sente qualquer vontade de subir o Mafa? Apenas uma curiosidade forte. cada tribo procurando a posse do fetiche da outra. seguiu-se uma batalha. Tenho de subir o Mafa.

o desafio que Mafka fazia ao senhor da selva. Acamparam aquela noite ao lado do Neubari e. depois. Wood olhou para trás. quando o homem-macaco despertou. Aquele camarada de nada lhe valia. Em questão de momentos Tarzan o alcançava e segurava. aos olhos daquele homem. o luxo. Era a declaração mais comprida que seu estranho companheiro fizer a até então. Vamos! Tarzan recomeçou a caminhada da trilha. entre homens que são capazes de roubar até mesmo vinténs. de pé. não é um feiticeiro comum. mas resta em pé o fato de que eles sabem tão bem quanto você qual é o valor da pedra e. voltou-se e começou a caminhar rapidamente para o su l. Em seu olhar e na expressão forçada do rosto refletia-se o esforço estupendo que fazia a vont ade. Vou tentar. Talvez você possa prosseguir por conta própria disse então. Dava a perceber uma filosofia de vida que poderia transformar uma selva desabitada em lugar preferível aos contatos da civilização. após bom número de anos e sobre distâncias de centenas de quilômetros. como se torna evidente. Talvez fosse este último o motivo que o levou a agir. Você acha que eu conseguiria escapar à vontade daqu le velho demônio? Tarzan deu de ombros. ao mesmo tempo em que agradecia a Tarzan por salvá-lo. mas não conferia velocida de suficiente aos pés de Stanley Wood..E o que representaria isso para você. pelo menos. Tarzan hesitou. e esse Mafka. Wood debateu-se debilmente para fugir. mas com base no que você me contou. Por uma hora Tarzan carregou o americano e. ela causa menos mal por aqu i do que causaria pelo mundo afora. O poder de Mafka devia ser muito grande. mais do que qualquer o utra coisa. de manhã. Com um gemido de angústia. Sei de feiticeiros comuns que matam homens. . Wood hesitou. Por instantes. o poder? Os kajis provavelme nte não têm luxo algum. Tarzan fez uma curta pausa e continuou: Provavelmente os dois estão errados. e acreditam que esse outro fetiche viesse trazer-lhes poder ilimitado. o colocou no chão. era um encargo. livrar -se de sua companhia? Lembrou-se então do pavor espelhado no rosto do outro e perc ebeu. permitindo-lhe que escapasse ao homem-macac o. Talvez não replicou. O homem-macaco girou sobre os calcanhares e veio apressadamente em sua per seguição. rumo ao norte. ao mesmo tempo. sem dúvida. nas covas dos mortos! Wood sorriu. exatamente como você pensa que vinte milhões de dólares viriam trazer-lhe felicidade. Por que não o deixar ir. o poder é tudo para eles. quando empreendeu a perseguição ao americano que corria. prorrompeu em corrida.. É horrível gemia o americano. Stanley Wood havia desaparecido.

Tarzan compreendeu também. o poder da necromancia de Mafka. em perseguição. pois não duvidou um só instante de que fosse a influência do mágico dos kajis o que obrigara a deserção de Wood. que T arzan fez pausa sobre uma elevação montanhosa. embora. Tarzan previra que Mafka talvez contasse vê-lo seguir Wood. pessoalmente. penhascos alcantilados. talvez isso tivesse sido realizado por meio de espiões. enquanto Tarzan estivera em companhia do ame ricano. Talvez isso o motivasse em parte. que o amer icano dissera existirem. Gargantas profundas. o que o levou a voltar atrás. perto da nascente dessa corrente. mas quando Wood já não mais estava com ele. houvesse a lgo que o perturbava. para a região montanhosa que forma proteção quase inexpugnável para o reduto dos kajis . O vento vindo do ocidente soprava com suavidade. Não acompanhou a trilha de volta ao rio Mafa. Acima de tudo. Foi ao final da tarde do terceiro dia. onde. parecia-lhe que Mafka já devia ter conhecimento da amizade f ormada com Wood. Quando se deitara para dormir. examinando o terreno em volta. de modo que se escoaram três dias até ele alcançar o objetivo: um ponto próximo às nascentes do Mafa. contra a vont ade do mesmo. Em um vale abaixo e ao sul. compost o de guerreiras kajis. dando para sua co nfluência com o Neubari. pois tomara medidas especiais a fim de impedir tal possibi lidade. entretanto. mas aquilo com que mais contara fora sua própria agudeza sobrenatural. a um dia de viagem rumo a leste da cidade de Kaji. O homem-macaco reconheceu a admiração que sentia pela astúcia e poder que roubar a aquele homem a ele. que de ordinário funcionava um pouco menos ativamente quando dormia.Capítulo quatro CONDENADO À MORTE Ao compreender que o americano desaparecera. contan do com sua astúcia animal e grande vigor e agilidade para chegar à presença do poder m aligno. nesse ponto. cuja destruição parecia ser o único meio pelo qual Wood e seus companheiros fi cariam permanentemente em liberdade. até mesmo sobre grandes distâncias. com mais amplidão. Com o olhar. entre as regiões dos kajis e zulis. mas tinha de ser atribuído unicamente às maquinações sobrenaturais de Mafka . podia dever-se a nenhum poder próprio do fugitivo. Era a premissa sobre a qual o homemmacaco baseava sua estratégia. após o desaparecimento de Wood. atara uma extremidade de sua corda de cap im. trazendo às narinas do homem-macaco a indicação de coisas que não . o mágico não poderia e xercer essa vigilância telepática sobre Tarzan. com segurança. na ao mágico a oportunidade de desviar qual estaria indefeso contra a investida de um destacamento bem situado. de modo que. mas partiu em direção sul-oriental . e assim ver por meio de seus olhos as coisas que elas viam. Ainda assim. acompanh ou-lhe os meandros na direção do oeste. a distância. do terreno baixo em direção a o cume da cordilheira. viu uma rachadura na cordilheira espinhosa que tinha de ser a garganta do Mafa. o que ofereceria destruir Tarzan em algum ponto da trilha. estrugia caudaloso rio de montanhas. e assim preferira chegar a Kaji de direção inesperada. em comparação a seu estado de vigília. enevoada. Pôs-se em pé. mas era também o desejo de salvar o jovem americano de um destino ignorado. utilizados pelos kajis. O próprio fato de que tirara Wood de sua companhia vinha sugeri-l o. então. Apresentava-se também a possibili dade de que o poderio de Mafka sobre as vítimas era tão grande que pudesse ler-lhes as mentes. Que Wood soubera libertar-se e fugir. ao tornozelo do homem que pusera sob sua proteção e a outra extremi dade a um de seus próprios punhos. Mafka tivera tanta percepção dele e de suas atividades como se se achasse pr esente. seu êxito dependia da veracidade da convicção de que estava imune aos poderes sobrenaturais de Mafka. constituindo aos olhos do homem-macaco um desafio direto à sua própria perícia. retardavam a marcha do homemmacaco.

Sheeta. usavam ornamentos bárbaros colares d e presas de animais. normalmente. o leopardo. do lobo vermelho e do búfalo. em inglês. Tarzan ergueu-se e se espreguiçou. que assim dispensava qualquer comentári o. pois. tendo as pontas das lanças a visar-lhe o corpo desprotegido. Ele matara um dos animais que o atacara. Era branco. em cochichos que não eram levados pelo vento aos ouvidos do homem-macaco. Haviam contado com que ele d emonstrasse medo e agitação. o babuíno. O camarada parecia claramente anglo-saxão. e todos os negros. a barba matizada de pêlos grisa lhos. Um deles. e cinco negros. Observavam Tarzan. Por três dias escalara alcantiladas e. Porqu e não há outras pessoas nessas montanhas. nada poderia aproximar-se sem despertá-lo. bem como alguns dos brancos. kaji disse. Seu grande cansaço deve explicar o que a conteceu em seguida. Quando despertou. Levante-se! ordenou Lord. e cada movim ento que fazia era vigiado. kaji disse Lord. Nas costas. esse é dos mais estranhos. fazer perguntas. Em seguida. na encosta acima do Mafa. ainda era dia. Seu silêncio e calma surpreenderam os captores. de frente para o oriente. por trás de arbustos. Tirem-lhe as armas ordenou Lord e logo. exceto o que era pr oporcionado pelos olhos e ouvidos. Tal não ocorrera. Tarzan continuou em silêncio. mas ele não tinha qualquer conhecimento do oriente. Aquele era um inglês. . Bem. depois de breve silêncio . falava com mais freqüência. com a calma e indiferença de um leão em sua p rópria toca. tão entremeado com outras língu as que teria sido ininteligível para qualquer pessoa menos versada em dialeto afri cano e línguas européias do que Tarzan. Os companheiros o chamavam de Lord. feitas com pele de animais selvagens. Em tais circunstâncias. Faltava ainda uma hora para o ocaso quando ele se deitou para dormir. Corpulento. sete eram homens brancos. Tarzan estava cansado. Amarre-lhe as mãos por trás das costas. enquanto este descia para a garganta do Mafa e matava a sede. A testa e os o lhos denotavam inteligência. cuja base era o gala. seu repouso fora interrompido por leopardos que o haviam pressentido pelo f aro e espreitado. olhos que desaparec iam quando o homem-macaco se voltava em sua direção. nós o pegamos. Às vezes eles se entrefalavam. Havia uma dúzia de pessoas a vigiá-lo. Era demasiada a veracidade da afirmação. Traziam arcos. mas falava um idioma abastardado. e assim. notou que fora numericamen te sobrepujado. barbudos. não percebia os olhos que o vigiavam. e uma dúzia de guerreiros formara círculo fec hado em volta dele. Quem é você? interpelou. Todos se achavam identicamente dotados de tangas surradas. por trás do cume da elevação acima dele. observou a composição do grupo. Foi quando Tarzan sentiu verdadeiro interesse. Viram-no tirar um pedaço de carne do carcás das flechas e comer. que podia ser traduzida pa ra seis palavras em inglês. Lord oscilou o corpo. Não falou. na noite da vésp era. ad uziu: Por Deus. agora. eliminando a possibilidade de des canso prolongado. avaliou-os com olhar firme. formando grupo heterogêneo de guerreiros selvagens. Bem. Ele permaneceu deitado onde se achava. Poderia haver motivo para falar. exibia a magreza rija que caracteriza o atleta. Interessava-se menos pelo que o homem dissera do que pela linguagem em que o fizera. braceletes e tornozeleiras. tornara-se ^prisioneiro. ele utilizara outras tantas línguas. voltou-se para um dos seus acompanhantes. Em sua rápida fala.se viam com os olhos de Tongani. e logo o olhar percorreu rapi damente o círculo. nada havia a dize r que lhe pudesse trazer qualquer vantagem. F itou os olhos selvagens e inamistosos de um negro. que parecia ser o chefe. o que tem a declarar? Nada replicou o homem-macaco. finalmente . flechas e lanças curtas e fortes. mas os demais haviamno obrigado a se manter constantemente alerta. Deles. falando para si próprio. O que o leva a pensar que eu seja um kaji? Pelo mesmo motivo que leva você a saber que somos zulis replicou Lord. os cabelos castanhos haviam embranquecido nas têmporas. de aspecto desalinhado. havia pequenos escu dos feitos com couro de búfalo.

diante da entrada do palácio de Woora. Na ocasião. depois de tratar do caso. Desde que fora capturado. Tarzan observou que estava em aldeia feita de cabanas de pedra. de modo permanente . À luz nada forte da fogueira pareciam mulheres brancas e havia outras. também. existia mais luz. Ao se aproximarem dos portões. Aí. e o ajudasse a libertar. tiveram ing resso. não sabia com exatidão o que significavam as palavras da mulher. afinal. e o fize ra no dialeto gálico. Ao lado dele. até chegar à descida mais suave. Ele tem boa conformação. Lord chamou e. valeria a pena lutar por sua causa. trilha essa que muitas vezes tombava pelo lad o de uma garganta rochosa. Era grande a escuridão naquela ravina. junto àqueles inimigos dos kajis. Lord estacou. A mulher cuspiu. sim concordou. Ele não vai entregar esse aí aos leões. A luz da fogueira acesa no centro da rua principal revelava apenas parte da aldeia. avaliou a mulher. prosseguindo tortuosamen te. nós não temos bom div ertimento. Nos umbrais do prédio havia uma dúzia de guerreiras barrando a entrada. O camarada tem cabeça boa demais. Eu não quero carne de leão por marido. descendo pelo outro lado do divisor de águas. embora continuasse a invisibilidade de acident es geográficos que conferissem ao homem-macaco uma idéia do terreno. e todos eles. como a acompanhar os meandros do córrego que escachoava à direita. que. Se eu tivesse certeza de que só tem sangue branco. ali. dando aos leões. os dois americanos e seus companheiros do cativeiro do poderio maligno de Mafk a. Uma delas se adiantou para receber Lord. após identificar-se. Você acha que ele seja todo branco? Mas que diferença faz? É um kaji. cobertas de fibras vegetais. paradas nos um brais das portas das cabanas ou em volta da fogueira. Foi quando Tar zan notou que vinha de uma fogueira acesa ao lado da paliçada de uma aldeia. então. por parte de Lorro. baixa ndo a ponta da lança para o abdome dele. de modo evidente. A idéia de uma mulher a lutar por sua posse despertava-lhe o senso de humor. mas é um pouco escuro demais. com base no que Wood lhe dissera. avaliando-o. criatura co . hem? perguntou Lord. e isso chega par a acabar com a vida dele. Entre elas via-se certo núme ro de homens brancos. Parece t er miolos. até que a proximidade explicasse essa iluminação. imersa em reflexões. mas pôde avaliar algum a coisa. Sabia que seguiam uma trilha bem conhecida. a respeito dos costumes dos kajis. Um bom espécime. resolveu que estav a gostando da situação. Desde as últimas chuvas. Diga a Woora que trazemos um prisioneiro kaji anunciou. Talvez Woora o dê a você zombou outra . Daria excelente companheiro para você. Logo vai morrer. kaji! gritavam-lhe. atingia dimensões consideráveis. Seria ótimo marido. mas as mulheres de modo especial.Eles o levaram a atravessar a elevação. No portão da aldeia achavam-se diversas mulh eres vestidas e armadas de modo semelhante àquela de seus captores. Lord levava o prisioneiro para a ent rada do edifício grande. como elas. pelo mesmo motivo que o levara a não se esf orçar por fugir: a curiosidade o incitava a querer saber mais a respeito dos zulis a curiosidade e a esperança de poder informar-se de algo que lhe conferisse vanta gem. Bem à frente. A avaliação franca. via-se um edifício de pedras. Não negara ser kaji. que dominava a aldeia. Em meio a essa barragem de comentários. demonstrav am interesse considerável por Tarzan. e Woora nunca desperdiça bons miolos. kaji! É uma pena que ele seja um kaji gritou uma das mulheres. L orro. enquanto Lord o levava pela aldeia. Tarzan dissera apenas algumas palavras. Mas já não servirá para marido. Espero que Woora o dê vivo aos leões. muito longe. naquele territóri o desconhecido. A mulher se voltou para uma das guerreiras. o re sto se perdia nas sombras além do limite da luz da fogueira. grande e de dois andares. havia uma luz fraca e tremelicante. e logo seu olhar e xaminou o homem-macaco. vinha diverti-lo. Por meia hora eles se aproximaram. diretamente em frente da avenida principal. Diga a Woora que Lord traz um prisioneiro kaji ordenou. Podia ser uma oitavona. mas já escurecera e Tarzan nada via do terreno pelo qual passavam. Hum. mas. De modo indiferente. saíram para campo aberto e nivelado. Enquanto esperava.

mas tornava-se difícil determinar a que raça podia pe rtencer. ma s o traço mais destacado e impressionante dessas decorações era a fileira de cabeças hum anas. a esse respeito. agora. falando do prisioneiro trazido por Lord. no teto.. que se achava na presença de Woora. o corredor terminava diante de porta impo nente. entr ando no palácio. A pele era amarela. Era claro que as guardas contavam com os recém-chegados e haviam recebido in struções. Com seis de suas guerreiras. De maneira gradual. que era abd ome em sua maior parte figura tremendamente repulsiva. O umbral descoberto revelava a câmara na qual se reuniam numerosas mulheres guerreiras. que ardiam e fumegavam como dois poços do inferno. as portas foram abertas para que entrassem. Aquelas coisas foram absorvidas pelo olhar do homem-macaco. sedas. o corpo encarquilhado. ao se aproximarem. Lorro acompanhou Lord e seu prisioneiro. formado com o saque de muitos safáris. Era mulher de corpo bem formado. pr eenchendo o aposento com iluminação incomum. arcos e flechas. do que na esmeralda. foram interrompidas pelo regr esso da guerreira que Lorro mandara a Woora. Não conheço seu irmão respondeu. Seus traços não eram negróides e. circundando a câmara as cabeças mumificadas de mulheres. Logo além. após este haver estacad o diante do tablado. podia-se dizer. seria facilmente tomada por e scandinava. embora intimamente fi casse muito intrigado pela pergunta. na extremidade do qual se vi a alguém sentado em um tablado.m um oitavo de sangue negro. Por alguns minutos ele permaneceu examinando Tarzan. feitos de pele de animais. Fogaréus fumacentos iluminavam o interior. Podia ser de qualquer nacionalidade. A pele do rosto e da cabeça era esticada como pergaminho amare lado sobre os ossos do crânio uma cabeça de morto-vivo. uma expressão de perplexidade e frustração es palhou-se pelo semblante. Algumas se achavam deitadas em catres baixos. em amplo relanc e. revelando paredes cobertas de estranha coleção de peles. Entraram em um saguão sombrio. Lord deve levar o kaji a Woora anunciou ela. em sua maior parte búfalos. pois. Woora não era negro. O interesse de Tarzan centralizava-se mais no homem. enquanto das vigas enegrecidas pela fumaça. guardada por duas guerreiras. cobertas de peles. atentas a algum jogo que transcorria. out ras se acocoravam em círculo no chão. e logo. Sobre a mesa diretamente em frente do mágico fora colocada enorme esmeralda que refletia a luz dos fogaréus mais próximos e a refratava em raios cintilantes. as palavras rangendo como uma dobradiça enferr ujada. na maioria dos quais se viam c ortinados fechados. A expressão do rosto de Tarzan não pôs à mostra qualquer emoção. então: Como vai meu irmão? interpelou.. cerca de trinta anos. guarda de mulheres. O s traços fisionômicos eram bons e. e logo ele fitava o tablado e a figura que ali se achava. pendia outra cent ena. por qualquer padrão civilizado. chita um verd adeiro museu. e ele falou. teria sido consider ada bela mulher. tapetes. E Tarzan sabia. onde aquela figura solitária se encontrava sentada em grande trono. membros graci osos e os contornos musculares de atleta tornados atraentes pela feminilidade. Em ambos os lados do corredor havia umbrais. a não ser pelo cabelo negro. escudos. ao que Tarzan conjeturava. Que o prisioneiro não tenha arm as. Uma série de guerreir as rodeava o tablado. . na qual se encontravam dois olhos encovados e brilhantes. Tornava-se evide nte que era a sala da guarda. nome dado àquela construção devido ao fato de ser ocupada por um govern ante palácio por expressão cortês. À primeira vista Tarzan viu apenas uma cabeça enorme. por baixo da cabeça. com o tisnado do sol. mas os traços fisionômicos não correspondiam aos de um ch inês. as mãos estejam amarradas atrás do corpo e uma guarda forte o acompanhe e a Lord . As reflexões do homem-macaco. pendentes dos cabelos compridos. Tarzan tinha diante de si um aposento grande. As pared es do aposento eram cobertas de lanças. armas. cuja nudez se encobria ap enas por uma tanga. entretanto. fracamente iluminado por lamparina que ardia sobre um prato raso de cerâmica. encoberta de cabelos gri salhos e hirsutos. ou talvez mulher branca. um fogaréu primitivo que fazia mais fuligem do que luz.

Você não podia vir à nascente do Mafa sem passar pe a terra dos kajis. Você é um idiota. com uma só janela. Eu não o conheço repetiu . Ia para a terra dos kajis. Ele não é como os outros homens. Mafka. Eu atravessei as montanhas e as gargantas afirmou Tarzan. muito bem guarnecida com barras de madeira. Você vai ser destruído. com o outro prisioneiro ordenou .. Mafka ou eu. A porta era grossa e firme. Ele é um prisioneiro. que é homem perigoso. kaji. mas está a serviço de meu dete l irmão. Não existe outro caminho.. O que estava fazendo na terra dos zulis? interpelou. que não conhece aquele príncipe de mentirosos.. Estou vendo tudo! exclamou Woora. que se perdeu. ó Woora. aquele assassino. aquele ingrato. Lorro. Veremos se ele pode salva r seu servidor da ira de Woora. Lord. no instante em que fitei os olhos dele. a não ser a que sobe o rio Mafa persistiu Woora. Homem algum pode atravessar as montanhas e gargantas que cercam os kajis e zulis. Tarza . Esse homem não é kaji? Você n me disse que ia trazer um kaji? Nós o capturamos perto da nascente do Mafa. e eu não desejo criar mais idiotas entre os zu lis. presa por fora com barras fortes. Leve-o daqui. Fez uma pausa e aduziu então. Eu vim por outro caminho retorquiu Tarzan. Você quer me dizer. eu não vinha para cá. Mas vai morrer do m esmo modo que Lord. com escárnio: Bem. E vamos dar-lhe tempo. O meu apodrecido irmão não tem pod er sobre esse aí. e que outra espécie de home m poderia estar lá. E contava encontrá-lo aqui? Não. Não existe outra trilha. Eu verifiquei isso. e não sou kaji. afastando-se dali.O quê?! exclamou Woora. olhando para Lord com dureza. Tratava-se de sala pequena. voltou-se para o homem-macaco. Quando a guarda havia fechado e trancado a porta. Em seguida. principalmente este. o número já é suficiente. agora. o meu irmão? O homem-macaco sacudiu a cabeça. seu idiota retrucou Woora. vamos ver quem tem mais poder. Procurando um dos meus. Tire as armas dele. Voltou-se então para Lorro. O quê?! berrou Woora. Você não é kaji. Capítulo cinco A PANTERA NEGRA Tarzan e Lord foram levados a um aposento no segundo andar do palácio de Woo ra. Ele o mandou aqui para me matar. Está mentindo exclamou Woora.. e providencie para que nenh um dos dois fuja. senão um kaji? Não é kaji. aquele ladrão.

o que ali estava. o homem-macaco viu um conjunto de paredes imediatamente abaixo da janela. Ele naturalmente poderia fazê-lo a qualquer momento. O motivo para isso perdeu-se no passado. aqui. Como entraram na posse do Gonfal dos kajis. baseado em diversos fragmentos de info rmação que recolhi nos últimos vinte anos. fitando Lord. pelo cheiro que lhe vinha às narinas .. Ele ia mandar matar-me. Somente Deus sabe. Ele é tido com o criatura acima das tentações da carne. A lua surgira e as nuvens fracas que h aviam encoberto o céu anteriormente tinham desaparecido. A meno s. E assim é que crescemos mais do que o bastante para manter a popu lação. o número de homens não era suficiente. não? perguntou Tarzan. não se teria metido nesta situação. que são imortais. que é tida como fonte de sua força mágica. e nunca verão. Você é inglês. Sim. mas as frutas e leg umes escasseiam. mas de vez em qua ndo ocorre um caso assim. no início.. de modo que não há grande necessidade de sangue branco novo. porém. Eles são gêmeos idênticos. Sim. que vieram da Colúmbia. O plano incluía o seu assassinato e o roubo da grande esmeralda. pelo menos. em uma de suas incursões. está claro. crescemos em demasia. que Mafka ambiciona mais do que qualquer o utra coisa no mundo. Uma mulher íntima de Woora está sinceramente apaixonada por um de nós. Fez uma pausa e em seguida aduziu: Formei uma teoria a respeito deles. Woora andou à espera desse pre texto. Elas nunca vêem outras pessoas. aqui e em Kaji. p rocura ocultar o fato de que alimenta qualquer desconfiança. não sei. olhando para fora. Como pode saber tanta coisa a respeito dos planos dele? interpelou o homem -macaco. de modo que quer destruir-me. Woora acre dita prosseguiu que eu seja o instigador da trama. matando-os um por um. Nesse caso.n caminhou até a janela. Ele tem medo de mim.. algo que se mostrava irrecon hecível pela visão. Lord sacudiu a cabeça. sob es te ou aquele pretexto.. A maioria dos recém-nascidos é morta. E os kajis nos fariam seus escravos. mas não é verdade. agora. Só podemos sustentar um núme ro limitado de pessoas. que Woora e Mafka saibam. Com essa esmeralda.. Os homens são mais importantes. Naqueles dias. trazendo consigo a grande esmeralda. ele os mata a todos. Na verdade. em resposta. o amor explicou Lord. só Deus s abe por quantas gerações. em resposta. porque temos os homens de que precisamos. com base no que soube. Estive aqui por vinte an os. Lord assentiu. eu teria dito que não sou um kaji afirmou.. Eu pensei que Woora matasse os kajis que apanha disse o homem-macaco. Por certo mataram alguém que . conta peg ar todos os conspiradores. Ao brilho suave da luz noturna. É m uito raro. Há muita carne. Por que elas querem ser brancas? perguntou Tarzan. Permanecerão aqui até o último dia de vida. mas só Deus sabe o que sou agora. Segurou as barras e submeteu-as à prova de solidez e logo se v oltou. que provavelmente roubaram . e depois os zulis me aprisio naram. pois a única saída para o mundo exterior passa pela região dos kajis. por pensar que eu fosse um kaji ou. talvez. Woora contou a ela mais do que devia contar. e à sombra da parede. faz muitos anos. mas a verdade é outra. depois de chegarmos à cidade. senão a si próprias. mais cedo ou mais tarde. agora. contamos suborná-lo e passar pela terra dos kajis. ou nos matariam. Dizem que eles estiveram aqui por todo o te mpo. E também as mulheres já são bastante brancas.. pensei que i a. do que na terra dos kajis. agora. Mudou de tom e continuou: Mas tudo está arruinado. Se você houvesse perguntado. aduzindo depois: Woora ouviu dizer que alguns dos homens se reuniram e combinaram fugir. é essa a explicação. às vezes. Os kajis me pegaram.. porque a caça é abundante. Desse modo. Mesmo nesta terra de desigualdade e horror há. Ele se deteve. fui um inglês. mas ainda assim Tarzan sabia. Foi apenas um pretexto para matar-me afirmou. Os outros ficarão com medo. que nasça uma criança com características negróides. Temos licença de andar armados e de sermos guerreiros. morreu com quem concebeu. Isso é porque Woor a sabe que não podemos fugir. E há sempre o desejo. mas é um velho demônio astuto. Foi para isso que estiveram procriando.

Como podemos fugir? interpelou Lord. é um macho de pantera. Eu disse apenas que calculava. mas tem razão. Por que essa diferença? perguntou Tarzan. Eu serei jogado aos leões e você. Estava agora rosnando. Nova pausa.. não sei como adivinhou. Lord emitiu um assovio. com todas as barras. reduzia a p edaços. entregando uma a Lord . Mas por quê? insistiu o homem-macaco. Lord sacudiu a cabeça. e o próprio fato de acr editarem que esses poderes estão na dependência do grande diamante dos kajis e da es meralda dos zulis deve ter levado isso a ser verdade. cabeça e o mais. momentos depois. Como sabe que há uma pantera ali? perguntou Lord. Por que ele o quer? Você o fez pensar. não disse que sabia. O guerreiro come o coração de um inimigo corajoso a fim de aumentar sua própri a coragem. segurou duas das barras próximas ao peitoril e lançou-se para trás c om toda a força e peso. Deu para perceber. no pátio dos leões. a coisa seria mais segura. Eu vi isso antes. no ce . quando toda a estrut ura foi tirada do lugar. e ele calcula que qualquer pessoa que chegue a esse ponto deve ter cérebro muito bom. ou as solas dos pés de quem corre muito a fim de acelerar sua própria vel ocidade. Fugir! contrapôs Lord com desdém. Não íamos arriscar-nos. Aguardaram em silêncio por algum tempo. torturad o até morrer. se desejar fu ir. Eu proporcionarei entretenimento a Woora. Houve o ruído de madeira que se partia. O que é estúpido? perguntou Lord. em cujo tom de voz transpa recia a incredulidade. ou ainda as palmas das mãos de um artesão habilidoso. Ao que parecia. Mas há algo que calculo. Notei o cheiro no instan te em que entrei nesta sala. que. Servirão como armas declarou. Ele acredita que quem come a parte na qual outra pessoa é destacada adquire certa medida dessa qualidade. Olhe para aquela porta.estava tentando sair do país levando o diamante. e Woora quer o seu cérebr o. entendo disse Tarzan. e quando fui à janela sabia que ele estava no cercado por baixo. mas não se esqueça da pantera. veja as barra s na janela. mas nenh um guarda se aproximou. Talvez não reconheceu o homem-macaco. Bem. Quem construiu isto. Mas agora . muitas vezes.examinando as barras e a estrutura em que se achavam presas. Céus! exclamou. Para comer. o poder estaria perdido. Tenho vivido toda a vida na África e há muitas coisas q ue aprendi a não negar. Mas se os matassem. Não sei comentou Tarzan. apenas a pantera fora perturbada em seu sossego. A pantera concluiu Tarzan. Voltara a segurar a estrutura da janela. Estaremos prontos para enfrentá-las asseverou-lhe Tarzan. no chão da sala.. Tudo isso é besteira proclamou Lord.. Tarzan foi à janela. Tenho certeza de que é assim. pretendíamos matar Woora. Ato contínuo. Você é forte como um touro. simplesmente por não as compreender. Não há meio de fugir. e ele prosseguiu: Que tenham poderes ocultos invulgares. Estúpido afirmou. assim sendo. e por baixo da janela. se Mafka ou W oora fossem privados de sua pedra.. Oh. O cheiro de Sheeta é forte explicou o homem-macaco.. As barras saíam das bases e Tarzan apanhou duas delas. o sonho acabou. Talvez o destruam aos pedaços. no que me diz respeito. e o ba ho provavelmente chamará a guarda. mas ele não se arr iscará com você. não resta dúvida. em seguida ele a depositou. e quando se dirigiram à janela viram-na em pé. E o que é? Que Woora não comerá meu cérebro e tampouco você será jogado aos leões. de modo que o quer. Olhe só.

Não só seriam incapazes de matá-lo. se ele morresse? perguntou Tarzan. As mulheres. Lord sacudiu a cabeça. Ele tem mais medo e adota mais cuidados do que Woora. É o motivo pelo qual planejamos matá-lo. Vou matá-lo. Você ainda não chegou à presença de Woora.ntro do cercado. sim. A refeição matinal é entregue por uma pequena abertura. sabem que obterão tudo que desejam. posso libertá-lo.. Com o auxílio dos zulis. e a janela está sempre aberta. Não existem barras por lá. Mas. mas você não pode entrar. porque somos p ouquíssimos. E qual é a posição dele junto aos zulis? Eles lhe são leais? O único poder que exerce baseia-se no terror. Não é fácil comentou o homem-macaco. ele é quase tão poderoso quanto Deus e tem quase a mesma onisciência. Onde dorme? Em um quarto logo atrás do trono replicou Lord. É impossível. perto do . Meu amigo. cada um dos brancos está casado com sete a doze mulheres zulis. para chegar à janela. em momento algum. Mas. por que pretende fazê-lo? Um de meus conterrâneos é prisioneiro dos kajis. se estiver correndo perigo. Onde está ele? perguntou Tarzan. as verd adeiras zulis. Continua esquecendo a pantera. Por que elas não matam Woora. Conte-me alguma coisa sobre os hábitos de Woora. Ninguém. também? Sim. de modo que Woora possa cha mar a pantera para sua companhia. principalmente mais homens brancos. a distância. Excelente! Entrarei pela janela. que são prisioneiros e escravos.. como faz Mafka? Aí está a coisa reconheceu Lord. Quem lhe faz com panhia? Quando se levanta? Onde come? Quando vai pela primeira vez à sala do trono ? Ninguém fica com ele no dormitório. já esteve lá. ouviram falar tanto do mundo que nunca viram. Aq ui. como haveriam de proteger-lhe a vida.. juntar-se-iam com a s mulheres. Mesmo assim. Eles o odeiam e receiam. a pantera! O que impede que a pantera entre e mate Woora? Woora tem poder ainda maior sobre a pantera do que sobre nós. A pantera está ali para guardar Woora. então? Medo aos poderes sobrenaturais. a não ser com as mãos atadas atrás do corp elembrou Lord. mas uma vez morto. só ele próprio. erguendo o olhar para vê-los. O que aconteceria aqui. Certeza completa. Você teria de passar por lá. seres humanos. a não ser passando pela sala do trono? Existe. Com cert eza despertaria Woora. inteiramente negro. Os pretos e os brancos (todos são homens) querem voltar a seus próprios lares. Ou terá Woora o mesmo poder de dirigir os movimentos das vítimas. contra outros. aprenderam o bastante com os homens brancos d aqui. se saíssemos da cidade? perguntou. Tem certeza de que não há barras na janela? interpelou Tarzan. Seria difícil chegar à presença de Mafka. por quê? Por que pergunta? Você não vai. Existe algum modo de chegar ao quarto dele. quebrando as barras da janela dele. Seria preciso fazer muito barulho. a cois a seria diferente. de modo que o ápice da ambição de cada zuli é ter marido próprio. Não tenho tanta certeza de q ue o conseguiria sozinho.. até onde sabemos. Ele sabe controlar todos os movimentos do animal. pessoalmente . Elas sabem. com base no que os brancos lhes disseram. Os pretos e os brancos. Você conseguiria afastar-se. O quarto de Woora tem uma janela que dá p ara os cercados abaixo de nós. Não há outro jeito. bem como para impedir que os prisioneiros fujam. e embora não tenham conheci mento direto do poder do dinheiro. todos. bem como aos demais prisioneiros dos kajis. na tentativa de abrir caminho para o mundo exterior. Tarzan voltou-se para o companheiro. As mulheres. que ficari am ricas com o resultado da venda da esmeralda grande. Não esqueci. que estão também deseja ndo sair daqui. Era um animal enorme.

sem fôlego. Viu que os dedos escorregavam gradualmente do peitoril. Não podia deixar de admirar a corage m do companheiro de prisão. As acusações são apresentadas. mas vamos esperar e ver. Foi exatamente quando a panter a atacou. O homem caíra em pé e se voltara como o relâmpago par a enfrentar a pantera. castigos distribuídos . Tem um conjunto de três aposentos. expedições de caçada e envio de grupos em incursões. e a pantera está dormindo. tão silencioso quanto a sombra de Usha. A pantera já sossegara e estava mais uma vez deitada à sombra da parede. vai para seus aposentos e fica por lá. Você não vai lá! exclamou Lord. Dito isso. O homem-macaco percorrera metade da distância até a pantera quando o animal despertou. lá embaixo. em silêncio. Veremos. A essa altura.. então. ordena que uma das mulheres guerreiras entre em um dos aposentos. Dormiu disse. Mais ou menos uma hora após a refeição matinal ele vai para a sala do trono. no lado do quarto em frente ao da sala do trono. Talvez. Tudo pode ser levado a dar certo. e passou uma perna pelo peitoril da janela. Em seguida. Às vezes. que faz na sala do trono. O que faz lá. voltou-se sobre o ventre. Tarzan se pôs à escuta e logo se voltou para o companh eiro. Tarzan foi com passos furtivos em sua direção. Não ficará dormindo muito tempo. dão-se ordens para o plantio. só o Demônio sabe. o homem sal tou em sua direção. É assim o dia dele. isto é. Lord prendeu a respiração. Woora recebe os relatos e as q ueixas. que é seu caso. e olhou então para fora. cultivo ou colheita. Na janela acima. em meu pla no. . e não se ganha nada desse modo. seguro por uma das mãos. a menos que ocorra algo inesperado. Nem espero que fique. Ele se levanta ao amanhecer e come em seguida. em seguida. Continuava dormindo. como o exame de um prisioneiro trazido de repente. Só peço que durma até que eu esteja sobre os pés. cuida-se das questões do dia. Ficam apavoradas demais. o vento. antes que pudesse perceber o que se passava. Menos a pantera observou Lord. caminhou para a janela. Talvez você tenha razão reconheceu Tarzan. mas esta não se mexera. deslizou até pender do peitoril. mas julgava-o aloucado. Na mão direita levava uma das barras pesadas que tirara da janela. Com ca utela. Lord o observava. até a refeição da tarde. Tarzan passou a outra perna pelo peitoril e.chão. Elas nunca relatam o que vêem por lá ou o que acontece. Ótimo! exclamou o homem-macaco. mu itos dos zulis já se dirigiram para lá. Isso é suicídio proclamou Lord . Por que não? É o único caminho para Woora.

contígua aos mesmos. a o fazê-lo. O luar fraco dissipou apenas de leve a escuridão. Não ouvira som algum. a batida do corpo pesado no chão duro. agora. os olhos recuaram para a escuridão do interior. Examinar a suas possibilidades com a pantera. q ue os ouvidos teriam percebido. e o fechamento quase silencioso de um a porta. para ver qual seria o movimento seguinte do estranho prisi oneiro. ossos que se partiam. O homem. ao que avaliou. ao afastar-se dali. Concluiu en tão que Woora notara sua aproximação e que os ruídos leves haviam sido causados pelo mágic o. atacando em silêncio. Aproximou-se da outra e procurou o ferrolho. devia dar para a sala do trono. ao se acostumarem. ao lado direito. no ápice da velocidade desenvolvida pela fera. outra para a direita. Ele se adiantou sem ruído pelo apo sento e logo viu uma porta na parede à frente. em confronto com as possibilidades de que d ispunha. não ouviu coisa alguma. O bastão de madeira atingiu o crânio feroz e liso antes que as unhas estendida s ou as presas ameaçadoras pudessem alcançar a vítima. mas bastava para os o lhos aguçados do homem-macaco. Ele ficou em escuta atenta. Para qual aposento fugira o homem? Fora chama r ajuda? Era provável. astro sereno. não se via qualqu er advertência de morte. por cima de lábios que rosnavam observavam da janela do aposento que pertencia a Woora. demoníacas a força e a ferocidade de ataqu e. Ali ficou em silêncio. Lord olhava para aquela tragédia rápida. e. Mas o homem-macaco sabia de todas essas coisas. Em se guida. puxou a porta para si. a l ua. E agora. O homem-macaco parou diante da janela aberta. advertindo seus inimigos de que se achava por ali. mas nenhum grito de vitória dos macacos veio ro mper o silêncio da noite. inacreditável. Segurando o bastão com ambas as mãos. sentindo algo parecido com o desdém pel a estupidez que levava um homem a desfazer-se inutilmente da vida. Tarzan entrou silenciosamente no aposento. A lua. apoiado pelo vigor das mãos gig antescas do homem-macaco. Os ouvidos perceberam um som leve e farfalhante. Por um só instante. assim ficou. Sua fer ocidade é proverbial. mantendo-se parcialmente atrás dela. partiu em direção da janela que se abria para o quarto de Woora. Lord lhe dissera que havia três aposentos no conjunto de Woora. a malícia. Tarzan colocou um pé sobre a carcaça do animal e ergueu o rosto para Goro. As n arinas lhe diziam que Woora estivera ali recentemente. Lord arquejou. na crença de que ass im pudesse livrar-se de ambos. em gran de círculo que começou baixo. não dava para ac reditar. A fera negra acometeu-o com toda a fúria de sua espécie. sincronizando-o à fração de segundo necessári a. mas ainda assim Tarzan não ouviu som algum indicando a aproxi mação de alguém. e de outra ja nela dois olhos encovados e brilhantes observavam. com relação a Woora. Colocando uma das mãos no peitoril da janela. caso houvesse outra pessoa presente. além dos confins daquele cercado. N enhum rosnado veio perturbar o silêncio mortífero da noite. tal escolha seria confirmada ou ele estaria morto. à escuta. As narinas registraram claramente o cheiro de Woora. Observavam com atenção. o mágico. de modo a atingir a pantera com todo o impulso. achava-se preparado. Os olhos à janela de Woora estavam tomados de medo repentino medo e astúcia . nem mesmo o som mais leve da respiração. Embora houvesse visto com seus próprios olhos. Ouviu-se o ruído de madeira que s e quebrava. e escolhera o menor dos dois males. a fim d e se proteger de um golpe de surpresa ou de algum projétil. par ecia fitar a aldeia dos zulis e.Capítulo seis APRISIONADO De todos os felinos nenhum é possuidor de reputação tão má quanto a pantera. Havia também a sala do trono. inteiramente sem luz. O aposento estava escu ro. tendo em uma das mãos os restos destroçado s do bastão de madeira. enquanto os ouvidos e narina s examinavam a câmara escura. e logo ve io o silêncio. nos poucos segundos que se avizinhavam. Esta última. mas os ouvidos assegurava . com o o de arrastar de pés em sandália sobre o chão. Sem ruído. Tarzan o fez girar sobre a cabeça. devia ter ficado duplamente cauteloso.

Examinava a armadilha que o havia capturado. os preparativos que devo fazer para sua tortura e morte a visão de todas essas coi sas vai ser muito deprimente para você e aumentará seu sofrimento além do necessário. Seu olhar calmo continuou fixo sobre a figura repulsiva do velho mágico e o cenário fantasmagórico em que executava suas vi lanias. Ia começar a retirar-se para o aposento do qual acabara de vir. de archote à mão. a rede servia a um novo fim. e meditará sobre as diversa s mortes lentas e torturantes que lhe podem ser dadas. mas quem vai morrer dentro em breve não pre cisa de comida ou de água. ele examin ou o homem-macaco com interesse. um sorriso retorcido. Debateu -se para escapar. O medo e a raiva haviam deixado seu olhar. a única criatura que realmente amei. passando por um buraco e indo ter ao aposento onde Woora aguardara. enredaram-no. O homem-macaco não deu qualquer resposta. W oora parecia bem disposto. vou mostrar-lhe que Woora sabe ser bondoso até mesmo para com um inimigo. Você vai morrer muitas mortes por isso. de algum modo. todavia. mas estavam por toda parte. algo que se assemelhava a cordas estendidas no chão. que era o último. prosseguiu então: Enquanto isso. cuja boca podia ser puxada do chão e fechada por uma corda que passava por um bloco na viga do teto e. os instrumentos de minha profissão. para que você não veja! Ainda assim. Seria capaz de salvá-lo de sofrimento desnecessário. vou queimar-lhe os olhos. Por trás do mágico . Cada uma dela s merece o castigo mais completo que eu possa imaginar. Sentiu algo por baixo dos pés. Ele entrou. É sorte sua que eu não seja cruel nem vingativo. e assassina das com facilidade. em todo o mundo. misteriosamente maligna. Somente ele sab . mas era tard e demais. Fez uma pausa.. feito isso. Tratava-se de rede forte de couro cru. de m odo que toda a câmara se via cheia de uma essência aparentemente palpável que era. uma vez capturadas pela rede e tornadas indefesas. O aposento era iluminado por diversos archotes. da angústia causada pela visão de objetos horrorosos ou s ugestivos. No mesmo ins tante desconfiou teve a desconfiança do animal selvagem que pressente a armadilha. ocupando-se ali com os carvões em um braseiro. Preste bastante atenção. Ali estava Woo ra.. tudo banhado na luz verde e medonha da grande esmeralda. As sim sendo. Ele ficara emaranhado em uma rede de cordas. nem me importa. Acertara apenas em parte em tal cálculo. Você procura uma morte mais horrível do que tínhamos planejado disse Woora. As cabeças humanas nas paredes do quarto. apa nhou um comprido bastão de metal. por ali. puxaram-no. Tarzan teve o vislumbre de um aposento que podia ser o laboratório de um alquimi sta medieval. Aquela no ite. Vou deixá-lo aqui por algum tempo. de modo qu e caiu. deixando passar luz. e sobre a mesa no centro v ia-se a grande esmeralda dos zulis. penduradas nas vigas do teto. pois anteriormente todas as vítimas h aviam sido convidadas a ingressar naquele local reservado pelo mágico. Tornava-se claro a Tarzan que o aposento era dedicado unicamente à rede . Satisfeito com o êxito de sua estratégia ao atrair o forasteiro ao aposento. formando assim a proteção final do mágico contra qualquer assassino que lhe procuras se tirar a vida. Não sei qual das duas coisas planejava fazer. quanto mais não seja por ter morto meu animal de e stimação. Cordas se ergueram em volta dele. Prometo escolher alguma c oisa nova e prolongada para você. Sentiu então que elas se fechavam e o apertavam em volta do corpo. a não ser pela exposição tétrica de cabeças humanas. Ao parar de falar. Talvez fique com fome e sede. e mais algumas por procurar destruir-me e roubar a grande esme ralda. em s ua voz rangente. E verá enquanto eu como e bebo. A porta do terceiro aposento abriu-se. de ponta aguçada e cabo de madeira.m que o mágico se fora provavelmente para o aposento mais distante. passou ao aposento contíguo. a fim de e xaminá-lo. para captura r a presa. Levou algum tempo para acender fogo bem quente. Sabi a que Woora viera por ali e que o encontraria além da porta seguinte. irradiando luz fantasmagórica e pressaga. Você é criatura estranha comentou. o homem-macaco não falou. Trazia. Enfiou a ponta entre os carvões quentes e voltou a dedicar a atenção ao homem-macaco. no rosto medonho. pretendendo examinar o aposento seguinte.

segurando a ponta vermelha do ferro ao nível dos olhos do homem-macaco. bem feia. E logo um homem saltava. E ele voltou a brandir a arma. de repente. enquanto dançava em volta da rede. não o podia fa zer com rapidez ou alcance. Lord voltou-se para Tarzan. mas não se rompeu. ficou por momentos. Apenas a mão foi queimada. O ferro vai estar mais quente. Olhe pela última vez. em primeiro lugar! E ele se adiantou mais uma vez. Levou o ferro de volta ao braseiro. de m odo que esta não atingiu o alvo pretendido. A cabeça grotesca inclinada para um dos lados fitava atentamente a vítima. Tarzan ouviu que se abria a porta. cheio de fúria. o inglês arrancou o ferro da mão de Woora. A coisa andou feia observou. A r isada desapareceu nos lábios. ainda que às custa s das mãos e ante-braços. E então. Você finge que não tem medo berrava. ergueu o ferro em brasa ao nível dos olhos de Tarzan e. passando por e le. part indo-lhe o braço no pulso. mas não havia misericórdia alguma em Lord. nenhuma ajuda apareceu. de repente. Teria dificuldade ao defender-se contra a ponta cand ente do bastão de ferro. A vítima esquivou-se da ponta em brasa. Em seguida. circulou em volta do homem-macaco. como se estivesse tentando prolongar a agonia da espera. Tendo-o na mão. meu convidado disse Woora. Santo Deus! Nunca imaginei q ue fosse possível. Vi quando você matou a pantera prosseguiu Lord. atando-lhe as mãos e os br aços com muitas voltas da corda. à luz verde e fantasmagórica da câmara. Berrava. dessa vez anunciou . Era Lord. trazen do uma corda ao regressar. mas Tarzan sempre conseguiu salvar os olhos. mas Lord o alcançou. aguardava o i nevitável com indiferença cheia de estoicismo. sem que Tarzan o pudesse ver. Provavelmente pensava em fugir. até que Tarzan não mais pudesse usá-los para proteger-s e. Não me esquecerei do que fez. Pôs à prova a resistência da rede de couro cru. embora pudesse movê-los. pedindo mise ricórdia. Passou a corda em volta da rede e de Tarzan. impedi ndo-lhe os movimentos dos braços. deixando ali o contorcimento. Olhou para o ferro. recuperou o seu controle. Foi então ao braseiro e retirou o ferro. a ponta brilhava. Não sabia o que fazer. Woora voltou-se para fugir. Sabia que se achava indefeso. espumando pela boca. empunhando alentado bastão de madeira. O olho direito. pois em questão de momentos nunca mais verá coisa alguma. e ali. e agora acerto seus olh os. Nem mesmo um elefante sairia daí afirmou. resmungando e falando sozinho. Retirou o ferro dos carvões e aproximou-se do prisioneiro. Woora viu isso e prorrompeu em risada. procurou defender-se c om o ferro em brasa. em seguida passou à outra parte do aposento. pedindo misericórdia e ajuda. Ela ce deu. Gr itava e amaldiçoava.ia em que pensava. Segurando o porrete com as mãos. Este ostentava aspecto singularment e vermelho. mas T arzan não dava qualquer sinal de medo. Repetidas vez es Woora investiu. com uma casquinada . mas pode-se supor que não cogitava da morte a sua própria morte. Woora entrou em convulsão de raiva. Voltava a dar risadinhas ao aproximar-se de Tarzan. O mágico voltou-se então. O ferro já esquentara. rumo ao aposento ao lado. Woora se dirigiu dev agar para a vítima. Logo comecei a p . As malhas da rede fechavam-se com firmeza em torno do homem-macaco. Woora tombou ao chão. Woora aproximou-se. Mas vou fazer com que grite. acertando em cheio no crânio grotesco. atrás dele. fiquei esperando. a tingindo-o com golpe forte na cabeça. Diante do fracasso repetido em cegá-lo. Woora. e assim é que. E viu também que Woora se encol hia. fora da direção da porta. Em meio ao ruído de ossos partidos. investiu contra um deles. Sim. foi tomado por outro acesso de fúria. morto. de modo súbito. enfi ou-o novamente entre as brasas. fez um nó corredio e o apertou com força. tendo no rosto nova expressão de fúria. Instava com raiva porq ue o homem-macaco não demonstrava medo. Depois.

talvez dias. Pensa que sou o quê. Vou levar a esmeralda comigo. amarrou o outro em volta da cintura. Lord o observava com ar taciturno. Eu não quero parte alguma replicou o homem-macaco. que enrolou e passou pelo ombro. Qualquer um deles faria o mesmo. Tenho toda a riqueza de q ue preciso. estava a grande esmeralda. Enquanto falava. Em comparação. um imbecil? Tarzan conhecia a cobiça dos homens. Os olhos de Lord se estreitaram. o que acha? Eu irei à frente. o inglês apanhava um punhal e cortava as malhas da rede ond e o homem-macaco se achava preso. mesmo. Em pequeno nicho. fascinado.. velho demônio cheio de astúcia. ele poderia perceber a presença de outra pessoa comigo e. vodu... Sempre aparece alguma coisa. pe quena biblioteca de ocultismo. Para que você quer dois milhões de libras? Talvez três milhões. Ótimo! Irei com você.. manifestando desagrado. Lord emitiu uma risada curta e desagradável. descobriu um pedaço comprido de corda. diversas retortas e tubos de ens aio sobre uma mesa comprida. mantendo o envoltório bem perto d o corpo. magia negra.. Isso garante a realização de minha entrevista co m Mafka. Espere um dia. O homem-macaco sacudiu a cabeça. Você também esqueceu os kajis. e talvez leve horas. o poder de Woora não era grande coisa. Para que está fazendo isso? interpelou. centro de tudo. Apanhou também o punhal que Lord depositara sobre a mesa e o enfiou em su a bainha. então saberei que é. vocês talvez sejam obrigados a abrir camin . se tivesse a oportunidade contrapôs Lord. A esmeralda deve ser nossa. Você esqueceu seus amigos que estão aqui relembrou Tarzan. Os poderes ocultos de Mafka são de tal natureza que ele pode controlar os atos de suas vítimas. Se tentar interferir disse. Ao encerrar a explicação. Mesmo que eu tenha êxito. Preciso ir sozinho. um imbecil.. Há também a questão de saber se você poderá escapar a Mafka disse Tarzan. e com que facilidade. depois venha com todos os que quise rem sair daqui. em transe.. se é assim. Lord olhou para ela. basta apan har! A noite vai durar ainda algum tempo. E les ficarão com a liberdade. Como vai passar pelo país deles? Lord fez um gesto. Talvez tivesse sobre você. sabia que Woora. e logo os dois homens examinavam o conteúdo do a posento.. Lembrava-se da pantera e sabia que nada podia fazer a fim de impedir que o desconhecido levasse a esmeralda. Vou utilizar a esmeralda para retirar alguns dos meus. os poderes daquele homem são quase inacreditáveis. e é nossa. Mas dominando tudo aq uilo. Aí existe mais do que o bastante para nós dois. Acompanhei você e acho que fiz bem. era criatura perigosa. mas você tem razão. Era um dos motivos pelos quais tanto go stava das feras. não podemos fugir. Tarzan apanhou a grande esmeralda e a envolveu em um pano que arrancou da parede. só Deus sabe o que isso vale. não me importa o que acontecer com a esmeralda.reocupar-me. Eles nunca nos pegariam. po r intermédio dela. para que alguém descubra que Woora está morto e a esmeralda desapareceu. Vou agora disse Tarzan. que se acham retidos por Mafka. mas por algum motivo ele não exerce poder sobre mim. Bem. Nós já lhes demos isso. Amarrou com dois cordões o envoltório da esmeralda. tomar conhecimento de meus planos. Havia uma pequena fornalha a um canto. Eu já t lgumas indicações do poderio daquele homem. Vale mais de dois milhões de libras esterlinas declarou . Passou um dos cordões por so bre a cabeça.. a não ser que formemos uma força bem grande. prateleiras com frascos e ampolas ali arrumados. você viu o que fiz com a pantera. encontrava-se uma esfera de cristal.. Aí está o motivo pelo qual devo ir sozinho. Quando isso estiver feito. E acha que pode agir assim? perguntou. em negativa.. diante do qu al havia uma cadeira. até mesmo a grandes distâncias. tentarei acabar com Mafka disse Tarzan. Em seguida..

Voltou-se e ntão e saiu do aposento. em tudo isso? A esmeralda me pertence. portanto disse o homem-macaco. A mim não importa quem fica ou não com a es meralda. e irei cuidar de minha vida. dentro de um mês. E onde é que eu entro. esconderei a esmeralda no Neubari . Nada tenho a ver com isso afirmou. mas quero controlar o dinheiro. Aos zulis!? exclamou Lord. O que s abem eles de negócios? Seriam tapeados e ficariam sem um tostão. daqui a três semanas. Se eu puder passar. Em questão de três se manas voltarei novamente e depois entregarei a esmeralda aos zulis. com o dinheiro.ho lutando para passar pelos kajis. e atravessar o cercado onde se achava o corpo da pantera negra. Lord abriu a porta que dava par a a sala do trono e dirigiu-se em carreira para a sala da guarda. já com um plano baseado na crença de que o desconhecido pretendia fugir com a grande esmeralda e g uardá-la para si. Você me disse que havia um plano de apanhá-la e. as possibi lidades serão muito maiores. mas. perto da desembocadura do Mafa. se Mafka não puder atrapalhar. É assim que me paga por salvar sua vida? Tarzan deu de ombros. No Neubari. Lord já não podia fitar o homem-macaco diretamente nos olhos e ficava vermelho enquanto respondia: Vou providenciar para que recebam. e você está querendo me tapear. que querem ir morar na civilização. Eu não sabia que pretendia tr air os companheiros. Depois de pular o peitoril da janela. satisfazer o desejo dos zulis. Capítulo sete MAGIA VERDE . no aposento externo.

caso possuísse tanto o diamante quanto a esmeralda. Ao seguir pela trilha tortuosa que dava para o curso do riacho. Mas a esmeralda foi roubada. em meio da tranqüila noite africana . não po dia contar com a vitória. E viria explicar. mas tal som não existia. e atrás dele veio to da a tribo das guerreiras zulis. tornou-se agudamente ciente de uma presença que não conseguia ver. de modo inteiramente repentino. o poderio de Mafka desapareceria. A coisa parecia tão próxi ma que deveria dar para ouvi-la respirando. Era a grande esmeralda! Parecia impossível. movendo-se sem errar pela trilha na qual passara apenas uma vez antes. aten do-se tão perto como sua sombra. O kaji matou Woora e roubou a grande esme ralda. em parte. Era demasiado o número deles. mas Tarzan jamais sofrerá qual quer ilusão. cheio de impaciência. nesse caso as mesmas condições poderiam existir no caso do G onfal. até a porta para a sala da guarda. Pensava também se o poderio de Mafka não seria duplica do. aco mpanhada pelas notas roufenhas de uma trombeta primitiva. em uníssono. permit indo-lhe também avaliar o estado de espírito dos perseguidores. estavam com fúria desencadeada. a pequena distância da aldeia. Tarzan ouviu a agitação. ao qual se aduzia agora o bater rítmico dos tambores de guerra. que Lord pôde passar por elas antes que se recobrassem do inesperado. A pedra misteri osa possuía alguma qualidade em comum com a vida uma aura que talvez fosse mesmérica . sim replicou Lord. O que está fazendo aqui? Como saiu da cela? Que aconteceu? A grande esmeralda! gritou Lord. e. apanhando suas armas. Quer dizer que Woo ra está morto? Sim. astúcia essa que o ambiente e o prepa ro haviam implantado nele. E então. Elas o perseguiram. Se o alcançassem. Na escuridão da noite. o grande diamante dos kajis. Ao seguir adiante. Reconheceu logo o cham amento às armas. mas não a encontravam. Era concebível que exatamente isso houvesse conferido a Woora os poderes ocultos que o tinham tornado tão temido e poderoso. O que foi. o cuidado com o qual a pedra fora guardada. e assim é que uma multidão raivosa e sedenta de sangue perseguia o senhor da selva. O homem-macaco ficou pensando. a fim de espalhar a boa notícia. Lord? interpelou. Bem claros aos ouvidos do homem-macaco chegavam os sons da perseguição. e s upôs que Lord havia dado o alarma e organizava a perseguição. Como podiam aquelas pedras afetar o poder das pessoas? Bastava a simples p osse de uma delas para trazer a qualquer mortal poderes tais como os exercidos p or Woora e Mafka? . e passara durante a noite. a essa altura. Algo se movia com ele. procurou raciocinar e assim desvendar o mistério. E aquela presença estava sempre com ele. O homem-macaco aumentou a velocidade. todas as guerreiras estavam e m pé. Apenas a astúcia do animal selvagem. com seus homens brancos e escravos negros. Sem ele. Matou Woora! exclamaram diversas guerreiras. gritando-lhe que parasse. Ele sorriu. Ele se deteve para escutar. Lord havia finalmente conseguido fazer as zulis compreenderem que a morte de Woora constituía benefício inútil. V ocês não entendem? Woora está morto! gritaram as mulheres. Suas narinas aguçadas procuravam uma chave.As guardas no corredor fora da sala do trono ficaram tão surpresas ao verem alguém emergindo de lá. onde. percebeu a verdade. apenas ouvira dizer que outras pessoas eram por vezes acometidas diss o. como se estivessem combinadas. Se fosse verdade. poderia valer-lhe contra tais obstáculos. Lorro foi a primeira a reconhecer o inglês. perseguindo-o como um fantasma. S eus sentidos aguçados diziam-lhe que não estava sozinho. co rreram para a rua da aldeia. Talvez fosse talvez fosse o fantasma de Woora. sem a posse da esmeralda que poderia conferir-lh es a riqueza e a independência no mundo externo. nem com qualquer misericórdia. Procuro u até mesmo convencer-se de que era vítima de uma ilusão. eram selvagens demais para demonstrar qualquer mi sericórdia. naquela hora da noite. na direção do divisor de águas. mas ainda assim não podia ser outra coisa.

As mulheres já começavam a regre ssar pela trilha. Não acredito que Woora esteja morto. Vamos! disse Lord. que fora católico. As mulheres seguiram em sua marcha na trilha. E você também não. por trás da pedra. Deixou-se pensar sobre o assunto p or algum tempo enquanto seguia na direção do divisor de águas e logo chegou a uma deci são. Meu Deus! Como vamos ser castigados! Eu já disse que ele está morto resmungou Lord. Mas não se moveu. procurando um meio de retirada caso se tornasse necessário. persignouse. Tornava-se evidente que. para que voltemos. é o fantasma dele sugeriu outro. Lord. Mas é praticamente nossa. Vamos andar. Já a frente da coluna chegava à vista. ao pé da muralha do canyon. As mulheres estacaram e deram meia-volta. até que as mulheres houvessem desaparecido em uma cur va da trilha. ago ra conhecia seu próprio poder. Não faziam qualquer esforço por ocultar sua aproximação. a seu ver. apontando.. sentiu formiga-mento nos braços. Mais uma vez ordenou às mulheres que voltassem. Um deles. Não consigo disse o homem. Sabe muito bem. É dos mais fortes. ele não morreu. Lord disse. Nesse caso. Quando suas mãos nuas tocaram a pedra. Eu vi quando morreu. por que você não começa? perguntou um dos outros. Lord empalideceu. aparentemente imunes. assim que pegarmos o kaji. A mulher tinha razão. mas cinqüenta de nós dão cabo dele. Havia mais de cinqüent a homens. olhou em torno. Perceb eu a onda de poder novo um poder estranho e incomum. Teve o crânio esmagado. Voltem para a aldeia e f iquem lá. De trás de um penhasco. Sempre cauteloso. Somos mais de cinqüenta disse Lord. Erg ueu-a de onde se achava. Ouviu que os zulis vinham pela trilha. em seguida. espalhava-se uma luminosidad . Voltando-se de modo abrupto para a direita. mas era apenas a sombra de um sorriso. quando pegarmos a esmeralda.Essa idéia causava perplexidade a Tarzan. Outro rezava baixinho. é o poderio d oora.. no corpo. olharam. O que se passa? interpelou um dos homens. Logo descobria uma grande pedra. a voz trêmula. e viu que p oderia escalar o lado do canyon com facilidade. que jamais lhe pertencera. Woora está morto. em pé. antes que volte para a aldeia dele. e aduziu: E não precisamos das mulheres. abandonou a trilha e procurou onde se esconder. Bem. Ali ficaram eles. estaria oculto da visão de qualquer pessoa na trilha. refletindo o luar. Morto sem remissão. parecia assustado. Tarzan. Ele está me chamando de volta. bem afastado da trilha. Ele chama a nós todas. Nós ainda não a pegamos observou um dos outros. e Lord praguejou. ele nos chama para que voltemos. em voz baixa: Deixemos que se vão. Por trás. colocou-se atrás da pe dra e aguardou. uma sombra. sem o menor rebuço. Bobagens! exclamou Lord. o fugitivo não lhes poderia esca par. Será menor o número para dividir. Olhem! gritou outro. encabeçada por Lord. Sua superfície polida. mas ai nda assim Tarzan sentia a presença da esmeralda. mentalmente. sorria ao ouvir isso. sem a menor dúvida. ao lado do corpo. os homens se apresentavam indecisos. em sua maioria brancos. Por que você não começa? perguntou. emitiu raios que envolviam o homem-macaco e m brilho sobrenatural. abriu o couro em que a protegera. Eu vou voltar respondeu uma das mulheres. Ainda assim. e agora sabia que obedeceriam. Sei apenas que tenho de voltar. Para trás! Para trás! foi o que ordenou. com vigor maior do que antes. ninguém saiu de onde estava. e trezentas ou quatrocentas guerreiras. como se suave corrente elétrica estivesse a perpassá-lo. Movidos pelo mesmo impulso. Por quê? Não sei. Tarzan concentrou seus esforços sobre as últimas.

Mas a esmeralda disse Lord. cercando o homem-macaco. vocês me acompanharão. a esc uridão era grande. de leve alteamento no terreno. Os outros. estacou e os examinou. Lord continuava despert o. Muitos de vocês estão cansados. entregou a lança de volta ao dono. bem próximo à superfície de um penhasco perpendicular de calcário. Tarzan aproximou-se deles. as atrações que tal fortuna poderia comprar. Em mãos de homens como você. O crepúsculo passou com rapidez. Alguns d meus estão presos por lá. Esta pedra é perigosa. onde ninguém poderá encont rá-la. os olhos fascinados e presos pela radiação débil da jóia que trazia a seu espírito as a trações da civilização. que envergava apenas tanga. vindo de trás do penhasco um gigante bronzeado. ela irá para o Neubari. Apenas a luminosidade verde. Os homens ficaram fascinados. Fazia planos e deixava alguns de lado. pois conhecia grande parte do poderio da pedra e o modo pelo qual era conferid o a seu possuidor. os olhos fixos no milagre. Lord arquejou. Ao seu brilho fantasmagórico. quando. Fora construída no lado de um vale. agrupados atrás dele. ninguém avançou para o desconhecido. E surgiu então um h omem. nenhum de vocês. aliviava aquela treva completa. Quando. Ali ficou a examinar por alguns momentos e depois voltou-se para os home ns. Ademais. deitaram-se imediatamente. as vontades não podiam desobedecer àquele que possuía o poder misterioso d a esmeralda. a mão deslizou da face da esmeralda. você planejou me matar replicou o homem-macaco . Pense o que quiser. Tarzan deu de ombros. poderia causar males in findos. não teriam de pedir nem pergunt ar nada a ninguém. Há mais de cinqüenta de vocês observou. A lua ainda não subira. É a grande esmeralda disse outro. preparou a arma. Agora. Tarzan viu pela primeira vez a cidade de Kaji e reduto de Mafka. enquanto possuíssem a grande esmeralda. Agora é nossa oportunidade. Você não poderia fazer isso! Não poderia jogar fora uma fortuna de dois ou três milhões de libras! Não. Observava a mão que repousava na esmeralda observava e aguardava . Tirou a lança de um dos homens e traçou uma linha no chão com a ponta aguda da a rma. Virão comigo à aldeia dos kajis. estava imerso no sono pesado do esgotamento. Ato contínuo. Ninguém. Tarzan não dor mira por dois dias. Viajamos muito. Quer ficar com ela toda para você. tomaremos nossos rumos. Agarrou a lança c om firmeza e arrastou-se cautelosamente na direção do homem que dormia. afastou-se um pouco da linha que traçara entre si e eles e deitou-se. descobri o poderio da esmeralda. comemos pouco disse. homem! gritou. P arecia lugar consideravelmente maior que o dos zulis. não faz diferença para mim. perdeu o direito de me fazer cumprir a promessa. Uma das mãos continuava sobre a superfície lu zidia da esmeralda e assim é que ele dormiu.e esverdeada. Lord hesitou por momentos. O kaji! exclamou Lord. pois ele e todos aqueles homens sabiam que. foi quando Lord se ergueu. Quando eu houver terminado. entretanto. Não será bom nos aproximarmos da cidade senão após a escuridão da noite. satisfeitos por terem a oportunidade de descansar.. sairemos em seguida da terra dos kajis. faz poucos minutos. E de sse modo recomeçaram a caminhada pela trilha que atravessava o divisor de águas e de scia para a região dos kajis. é i so. e logo adormeciam. Você prometeu dividir comigo. Meu Deus. desafi ando o brilho suave do luar. À linha que Tarzan traçara no chão. descansaremos . tremelicante. Aguardava. Você não quer dividir. Nem todos. leve. está brincando. dormind o. Não estava perguntando ou pedindo. Chegara o crepúsculo do dia seguinte. Lord enxergava o homem a quem chamava de o kaji . Vocês não podem atravessar esta linha determinou . Assim sendo. entretanto. Só sabi am desejar. mas logo a atrave . emitindo raios tênues de luz esmeraldina.. do qual havia acabado de e scapar. chegou a noite. ordenava. Tarzan se moveu. Nós os libertaremos.

olhou em volta. Tarzan caminhava com rapidez. Aproximava-se agora do homem-macaco adormecido. desapareceu na noite. saída do desconhecido. Sem a esmeralda. pois queria possuir a esmeralda sozinho. A lua brilhava sobre seu rost o. Achegou -se mais e ali ficou em silêncio. Tratava-se. que cediam quando pisava neles ou emaranhavam-se nos pés. mas teve um suspiro de alívio ao ver confirmada tal esperança. e isso não se ajus tava ao seu plano. Transformar-se-iam em inimigos. com toda a probabilidade. quando os procurava evitar. Erguendo o olhar. Capítulo oito O POÇO DO LEOPARDO O homem-macaco despertou com um sobressalto. procurou a esmeralda. não tinha poder algum sob re eles. Estava onde contara encontrá-lo para o vale do Mafa. Ao se repor em pé. mas ainda que fossem duas semanas teria sido o mesm o. eram cinqüenta. Homem algum poderia escapar ao senhor da selva. na direção do vale do Neubari. e assim despertar os demais. aument ou a velocidade. Um olhar rápido confirmou a primeira desconfiança. o faro bem forte nas narinas. muito mais rapidez do que Lord. utilizado pelos kajis a fim de capturar vivos aqueles fe linos ferozes. aproximou-se dos homens adormecidos. viu a boca do poço fora de alcance. sobre Tarzan adormecido e inconsc iente. Pressentiu que algo faltava. não proporcionavam chão firme do qual um leopardo pudesse . amaciando a queda. Não a encontrando. Não sabia que vantagem Lord tinha. Afastando-se furtivamente. Desaparecera. o homem-macaco podia ganhar muita distância. Adivinhou logo a finalidade daquilo. Lord voltava para a trilha. caminhando com passos largos e ligeiros.ssava e sabia que o poder da esmeralda passara. quando percebeu uma luz débil e esverdeada muito à frente. Caiu sobre terra solta e ramos fracos que formavam um acolchoamento. quando sua mão deslizara da pedra. de um poço de leopardos. lá por cima. e no mesmo instante percebeu que dormira demais. Ele prosseguiu em marcha pela noite. A trilh a dava para a cidade dos kajis. Talvez fosse de duas horas. verificou ser difícil movimentar-se em meio dos ramos. até encontrar o faro do ladrão. O terreno era descampado e de inclinação suave. O plano de matar Tarzan fora um dos que ele abandonara. antes de morrer. Em seguida. tendo passado pela cidade dos kajis. E compreendeu igualmente o fito da terra solta e os ramos que hav iam amortecido sua queda. o lu ar intenso. abaixou-se e apanhou a esmeralda. de modo que não se feriu. Ela se movia para a direita de uma linha reta e Tarza n sabia que. At alhando diretamente. quando de repente o chão cedeu a seus pés e ele foi precipitado em um buraco negro. Saiu dali e cir dando cundou o campo. Lord desaparecera! Examinou os homens. Receara que o home m pudesse gritar. Estivera seguindo o inglês por talvez uma hora. sabia que sempre que forçava sua vontade sobre outra pessoa uma parte do corpo se achava em contato co m a esmeralda. não os poderia controlar. Ele se pôs e m pé com um salto. a lança pronta na mão. por instantes. Estava ganhando terreno com rapidez. Ao fazê-lo. Por muitos anos Lord observara Woora.

todos cheios de espanto. Mafka ficará satisfeito ao receber novo recruta. olhando-o de lá. Pensou em Lord e nos malefícios que este poderia causar. Era o som de passos. Se se tratasse de um poço novo. Eles. Um caçador respondeu Tarzan. mas não se preocupou muito pelo fato de ter deixado de alcançar o inglês. Esse o motivo pelo qual vim do oriente. calmo n o conhecimento de que. Não existe outro caminho. além dos recursos de que os homens comuns eram dotados. explicasse até certo ponto o fato de que rara mente fracassava no que pretendia fazer. Os pas sos se aproximavam. em questão de um dia. bastava-lhe ter certeza de si próprio. quando caí no poço de vocês. se chegasse ao mund o exterior em posse da grande esmeralda dos zulis. senão esperar. Não se inclinava a examinar qualquer possibilidade com pensamentos antecipado s de fracasso. des . Viu o rosto de diversas guerreiras e alguns homens. ocasião em que ser ia capturado ou morto. uma corda foi jogada ao fundo do poço. na verdade. Ato contínuo. As mulheres o avaliaram sem qualquer disfarce. viu-se diante de dive rsas pontas de lança. Mas eu vim por outro. ainda que não houvesse ramos e galhos no chão. Limitava-se a esperar o acontecimento seguinte que a vida lhe traria. fizera o melhor possível. Ouviu atentamente o som que o despertara. resignava-se. Não qu e fosse criatura egoísta. você aí! Pegue essa corda e amarre em volta dos braço s. A noite se estendeu e ele se valeu disso para dormir bem. É evidente que eu não vim por ali explicou. os homens traziam uma rede grossa. Estav a muito acima de sua cabeça e duvidou de que um felino pudesse saltar dali. Nenhum leopardo cairia s obre ele. Havia ali oito mulheres e quatro homens. a boa distância daqui. Nunca se lamentava. Eu estava caçando naquela região. mais ou menos. fosse o que fosse. Não ocorria a Tarzan o fato de que talvez não pudesse providenciar sua própria f uga. Nada havia a fazer. nunca se preocupav a. Era tudo quanto tinha a esperar. o outro. Aproximaram-se e ele ouviu as exc lamações de satisfação. As coisas haviam transcorrido de outro mo do. ele ouviu vozes. estou dizendo insistiu a guerreira. todos brancos. então. Segurem disse o homem-macaco e eu subirei. que não tinham sido enfraquecidos por vida dissipada. possivelmente simplificando o salvamento de Wood e seus amigos. O que está fazendo aqui? Eu ia procurar o Neubari. Os nervos. ao descobrirem que a abertura do poço fora rompida. Passei pelas montanhas. O sol já ia alto pelo céu quando Tarzan despertou. Como passou por nossas guerreiras? Tarzan deu de ombros. estavam chegando! Ficariam surpr esos ao verem o leopardo que haviam capturado. e parecia s er. enquanto o homem-macaco galgava co m a agilidade de um símio. fitando a orla do poço. Quem é você? perguntou uma delas. Um deles era que a resistênc ia certamente representaria a morte. Ei. e o faria por dois motivos. e logo chegava m à orla. trazido da distância por meio da terra. Mas como foi que chegou aqui? Só existe uma entrada para a terra dos kajis. As m ulheres achavam-se armadas. por si só. e a entrada é guardada. Mas como foi que caiu aí? Como poderia passar pelos guardas. ele o enfrentaria com os recursos natu rais de que dispunha. Quando se achava de pé no chão firme. Talvez isso. Os que estavam lá fora seguraram a corda. Ergueu novamente o olhar. agora que a cobertura do poço já não estava oculta. Aí está um belo leopardo! exclamou um deles. nem mesmo se haviam retesado naqu ela dificuldade em que se encontrava ou pela iminência de captura ou de morte. Ele adormeceu. que o cativeiro o aproximaria de M afka. na entrada do v ale? Vamos puxá-lo para cima. teve a certeza de que tal seria impossível. Desde muito resolvera entregarse ao cativeiro sem luta.saltar de volta à liberdade. querend o caçar. após sua queda. os kajis logo surgiriam. Estava saindo? Sim.

Você acha que Mafka pretende matar Wood? Nós temos certeza disso. só que ele não usa calça. Escute. O outro ergueu o olhar. podia esquentar a coisa para ele. Ele ainda está vivo? Está. Suas captoras falavam incessantemente entre si. de ombros fortes e baixos. em todos os momentos.. Wood falou a seu respeito. um negócio assim co mo um batalhão de soldados. Tarzan ap roximou-se mais dele. quando empreenderam a caminhada na direção da cidade. Apenas o sueco não entendia francês. Mafka sempre puxa a pessoa para trás. mas está furioso. Wood me disse que ela era branca. Wood quase escapuliu. q ueixavam-se das dificuldades que atravessavam. a rainha. Agora que saí do poço. mas falava um inglês macarrônico. você é o Clayton? Sou. ma s essa raiva aumentou porque Wood se apaixonou por Gonfala. outro polonês. Façam como quiserem. outras atrás de Tarzan. ao arrumarem os cabelos. Calma aí! disse a mulher que lhe falara pela primeira vez e que participara mais da conversa. Está bem concordou o homem-macaco.cendo do norte. se ele pud esse. a menos que se exprimisse na língua nativa daquele com quem estava falando no momento. já que a tira ram dele. desde o início. Eu devia tê-lo reconhecido desde o começo por causa da descrição que Wood fez de você. E parece q ue Gonfala deu confiança a Wood. porque ela é negra. idioma que o alemão entendia. Você os conhece? indagou. Você estava com Wood e Van Eyk? perguntou. até hoje. graças à velocidade de que era dotado. Falavam contra outras mulh eres que não estavam ali. eu procurava o modo mais fácil de chegar ao N eubari. Meu Deus do céu! Como eu gostaria de ver um batalhão chega ndo por aqui! E que me diz do Gonfal? indagou Tarzan. Conheço Wood. mas a gente acha que não. procurando fugir.. Não tardava para que Tarzan fosse desprovido até mesmo dessa faca. Em qualquer dos momentos o homem-macaco poderia ter feito uma arremetida. o que lhe conferia aparência de gorila. demonstrando assim o desdém que sentia m pela bravura dos homens. Ninguém andou tão perto de fug ir.. mas enco ntrava dificuldade em fazê-los entender o que dizia. mas não o polonês. mas desejava entrar na cidade dos kaji s. Eles o recapturaram? Troll assentiu. Ouviu que o homem era chamado Troll e recordou que Stanley Wood lhe dissera ser esse o nome de um de seus caçadores brancos. caimento e qualidade das peles que formavam suas tangas e cada uma d elas dissertava sobre a qualidade de alguma pele excepcionalmente rara que conta va adquirir no futuro. A gente pensa assim porque. comparav am o talhe. Tarzan conseguia compreendê-los. O homem era baixote e atarracado. Ele não está só com raiva porque Wood quase escapuliu. vocês são oito lanças e apenas uma faca. braços compridos. . confirmando. ou se falasse francês. Mafka não poderia deter esse batalhão como detém os outros. Não amarraram suas mãos atrás do corpo. Assim é que uma conversa geral se tornava difícil... caso o desejasse. outro alemão e um inglês. que aprendera com D'Arnot antes de adquirir conhecimento de inglês. sim. q uando não mata. O caminho era difícil. Um era sueco. b em como os quatro homens. formada por brancos. Mafka ainda não o matou. Você irá conosco. Era dono de musculatura desenvolvida. cujo conhecimento de francês era pequeno. Falavam todos a estranha lín gua dos kajis mistura de muitos idiomas. È prisioneiro. e ele fez uma pausa. Um camarada. e com grandes possibilidades a favor. Acho que o velho tremeu nas calças. Uma expedição g ande. Algumas delas seguiam à frente. fitando-o com surpresa. vou prosseguir. Não se pode sair deste lugar infernal. Os quatro homens marchando em companhia de Tarzan procuravam conversa com ele.. vist a a pouca distância.. usando o poder do grande diamante? Ninguém sabe. e Tarzan preferiu conver sar com o inglês. Isso seria ruim também.. os dois falando sua língua comum. não haveria de ficar com tanto medo da fuga de um de nós. e o faziam de modo depreciativo.

em outro trono. mas ele continuava a andar. foram observadas pelo hom em-macaco. na direção do palácio de Mafka. tendo perdido a grande esmeralda. tomado de impaciência. parecendo inteiramente cego a todas elas. No que me diz respeito. tendo alguns componentes da guarda por acompanhamento. mas por tod o o tempo tinha os olhos cravados no prisioneiro. cabras eram vistas p or toda a parte. Terminado o relato da guarda. haviam entrado no palácio. com mais riqueza. Parou um instante. Estava caçando. Mas o homem não deu qualquer sinal de ter visto Tarza n em ocasião anterior. apenas as oito mulheres acompanhavam Tarzan no interior do palácio. a não ser o palácio de Mafka. Elas são brancas? Parecem brancas. Na extre midade oposta havia uma figura acocorada sobre um trono. bem como muitas outras. Tarzan quase de era Woora! ixou transparecer emoção pela surpresa Ao lado deste. O interior do palácio fez Tarzan pensar no interior do palácio de Woora. Ali se viam casas de ume dois pavimentos. Tarzan procurava imaginar como Woora detivera alguma coisa. mantinha a mão sobre um diamante imenso. posto num suporte a seu lado. Nas ruas havia homens negros e brancos. aduzindo em tom sonhador: Eu tinha uma mulherzinha na Inglaterra. co m seus próprios olhos. a rainha. enquanto a notícia era levada ao int erior da construção. eles prosseguiram. Mas Woora! Ele vira o homem morrer. no interior da cidade. Estou casado com seis de uma vez. todas elas meninas. Enquanto o mágico interrogava Tarzan. porém todas têm sangue negro. pedra . Essas coisas.É mais branca do que você. que se er guia contra o penhasco. O palácio e a cidade davam a impressão de construção prolongada. brincavam ao sol. Havia passado por mais dificuldades do que o encarregado da seção de trocas. Mas não caia na besteira de dizer isso a elas. até chegarem à cidade. Troll manteve a conversa sem cessar. Sou um inglês. porque ninguém vê essas mulheres. Quando elas não fazem isso. Tarzan calcu lou que seu nome fosse Gonfala. o negócio é esse. demonstrasse o rancor que devia sentir por ter sido contrariado. Haviam sido detidas à ent rada fortemente armada e ali tinham esperado. porque desejei que fosse branca ? Bem. Quem é você? interpelou. Algumas crianças. Passando por um corredor comprido. Elas me obrigam a fazer todo o trabalho. Caçando o quê? Comida. Ouvira as mulheres falando a seu respeito. é porque estão falando mal de alguma outra mulhe r ausente. a não s er pelo fato de que era mais completo. A cidade de Kaji era cercada por blocos de calcário. batendo boca. enquanto ficam sentadas. achava-se sentada uma bela moça. Ao vê-la. Poderia a mágica chegar a esse ponto. falando de cabelo e tanga. Uma delas observou que o prisioneiro de veria alcançar bom preço. Era o Gonfal. o de ressuscitar os mor tos? Ao ser levado à frente e estacar diante dos tronos. está aí a explicação. Só Deus sabe otivo. e também por outra por ta bem guardada. tendo quatro pavimentos. tirados do penhasco con tra o qual fora construída. Ouviu o relato da chefe do grupo que capturara o homem-macaco. o mágico sacudiu a cabeça. Lembra-se do Kipling? Ela me apunhalou na anca. fugi de lá. ao ser conduzido pela rua principal. Também as construções por dentro desse cercado eram de calcári o. já que algumas part es do primeiro e a parte de baixo de alguns dos edifícios haviam sofrido mais com as intempéries que outras. Eram olhos que pareciam perfurálo. bem como guerre iras. avaliando-o. sendo então levados a uma câmara ampla. Mafka se achava mais próx imo da fonte de abastecimento e ali se encontrava o resultado do saque de muitos safáris. porém ainda assim não se percebia qualquer sinal de reconhecimento. Elas querem ser brancas. podiam ser verdes. Os quatro homens haviam sido dispensados. mas olhe todas essas mulheres aqui. e logo. em qualquer grande loja u rbana. só nós. e olhe só o que arranjei! Seis de uma vez. Parecia perplexo e preocupado. o grande diamante dos kajis. esperou que Woora o reco nhecesse. assim como pecuari stas comentariam um touro para a procriação. e à gente não importa a cor. Pensei que ela não era das melhores.

que dotava seu possuidor dos mesmos poderes misteriosos inerentes à grande esmeral da dos zulis. os olhos fitos nos do homem-macaco. sentiu a pedra de um teto havia b astante espaço para andar. passou os dedos pela parede dos fundos do compartimento desti nado ao fogo. caso a lareira desse qualquer si nal de já ter sido utilizada. fechando a porta ao saírem. Estendeu a mão à frente. a fim de examinar a profundidade. agarrou com firmeza essa proeminência. tinha pelo menos alguns palmos de profundidade. usando os dedos de ambas as mãos. sentiu uma proeminência. julgando que assim poderia descobri r como sair. portanto. E não devo escolher as esposas para ele? interpelou Gonfala. dando para a cidade. Suspendeu a mão acima da cabeça e. As mulheres pag ariam muito por esse aí. permitiam a entrada da luz e o arejamento. tão profun da que parecia uma caverna. caminhou então adiante. Tarzan estendeu-se para cima o mais que pôde. Entrando. Seria possível que a lareira fosse construída apenas como adorno arquitetônico d o aposento que fosse uma lareira falsa? Parecia altamente improvável. todavia. afinal. Estava fadado a uma decepção. denotando impaciência. Calçava sandálias requintadas. Ainda assim. mas não encontrou coi sa alguma. o homem fez movimentos. nenhum fogo jamais fora aceso . Qual. Será provavelmente melhor destruí-lo do que dá-lo às mulheres. Deu alguns passos apenas nada encontra va. o que constituiria a explicação óbvia. Era aposento se m qualquer móvel. devagar. mas não conseguiu tocar em teto algum. Descobriu que as janelas eram altas demais com relação ao chão. A jovem sentada no outro trono permanecia silenciosa e taciturna. Existem motivos pelos quais devo observá-lo algum tempo. e sobre os antebraços. Era possível. Lateralmente. Tratava-se de lareira invulgarmente grande. macias e pr esas a seu corpo. pondo-se e m pé. e o segredo da lareira fora parcialmente revela do. Movendo-se com cautela. Erguendo-se sobre os dedos dos pés. Na parede em frente v ia-se uma lareira enorme. naturalmente. então. ao que parecia. Ainda não replicou o companheiro. Usava peitoral de ouro virgem e peitilho coberto de discos de ouro. a cabeça não tocava em teto algum. Logo se convencia do que desconfiara estava em um corredor. Mesmo quando seus braços estavam retos e ele se erg uera o mais que podia. já que o apose nto não dispunha de qualquer outro embelezamento e a própria lareira não era ponto de beleza arquitetônica. Ã ponta dos dedos. teria sido seu fito? O problema intrigava a imaginação ativa do sen hor da selva. A lareira era o único componente do aposento que podia despertar algum interesse. O recanto. Tarzan investigou aquela prisão. Mas para onde dava o corredor? . excetuando dois banquinhos. Ali o deixaram a sós. Inclinou o corpo vagarosam ente à frente até que. caso ela tivesse proporções correspondentes às da lareira. mas Tarzan sabia que o verdadeiro poder estava na figura grotesca e medonha ao lado. e ao entrar nela não foi preciso abaixar-se. sem auxílio de uma corda. ergueu o olhar para a chaminé. Levem-no daqui ordenou. pois nenhum brilho de luz existia por ali indicando abertur a que desse para o exterior. tal não ocorria. figura que envergava apenas uma tanga velh a e suja. colocando-o dentro d e uma grande câmara. Ficou ima ginando o motivo pelo qual uma lareira tão grande fora construída. mas que essa tivesse sido fechada. suspendeu-se devagar. Finalmente. e ele não tinha corda alguma. Era ela o símbolo do poder. Em seguida. na qual. em seguida. a um palmo. para serem utilizadas como meio de fuga. pulsos e torno zelos viam-se muitas argolas de cobre e ouro. Levem-no daq ui! A guarda levou o homem-macaco para um andar superior. a abertura tinha cerca de três palmos de la rgura. tateou e seguiu em frente. se achasse sobre o beirai. não passava de uma abertura na parede. A saia fora feita das peles de filhotes de leopardo. Tinha sobre a cabeça loura uma coroa leve. Ele puxou as pernas para cima e depois se ergueu vagarosamente. não se via a menor descolo ração no interior nenhum fogo fora aceso ali. Diversas janelinhas na parede. sem ser usada em ép oca alguma. que houvesse chaminé.

Apenas o leve alargamento do olhar e o pequeno arquejo revel aram a surpresa que a acometia. viu que o ferrolho estava aberto. Nesse caso. por mais amigos que tenha. Por momentos. Não tenha medo disse ele. As narinas percebiam o aroma de uma mulher. de costas para a lareira. via-se uma jovem de cabelos dourados. os olhos bem arregalados. Ele chegou lá sem atrair a atenção da jovem. quase passando despercebida até mesmo aos ouvidos a guçados do homem-macaco. Sou amigo dele. Assim é que caminhou por distância considerável. e a mão direita estava sempre estendida à frente do corpo. pôs a mão no ferrolho. Não vim atacá-la. Ela não gritou nem emitiu qualquer exclamação de surpr esa. Tarzan hesitou e deixou-se cair sem ruído ao chão da lareira. apalpando o caminho à fren te com o pé. Eu sou rainha. O homem estava bem próximo dela quando a jovem lhe percebeu a presença. Gostaria de que se salvasse? Sim. Dava para ver o perfil dela. Fê-lo deslizar em silêncio e depois se afastou da porta. em tom de quem exige respo sta. Sou eu quem deve condená-lo à mor . aproximando-se do umbral. Voltava de repente à consciência. Não tenho medo foi a resposta. desde que a vira no trono. percebendo que o corredor se vo ltava gradualmente para a esquerda. Tinha diante de si uma câmara ornamentada com luxo bárbaro. talvez se perdesse inapela velmente. mas não entendo como você passou pela gu arda. Um ferrolho grosso. S e houvesse corredores a se espalharem. por que não me ajuda? Você tem poder para isso. Caminhava devagar. prendia a porta. mas nada ouviu. O que é que você sabe de Stanley Wood? contrapôs ela. porém uma jovem. em tom pensativo. Não fez som algum. senão o que devia ser uma respiração m uito suave quase suave demais. São muitas as guerreiras a quem posso chamar..A escuridão era completa. e então girou len tamente. Não o ou vira. Deteve-se na beirada da abe rtura e espiou para baixo. rumo à janela onde a ga rota se encontrava absorta em seus devaneios. pôs-se a olhá-la. terna. olhando para a cidade embaixo. nada poderá salvá-lo. Talvez estivesse à beira de um poço. Ao se aproxi mar mais. porém. antes de pisar nele. até encontrar-se em ângulo reto com o rumo inici al. em um ou dois minutos.. isso não causa diferença alguma. não é? Tarzan não respondeu. não posso. Mas não . M as como foi que chegou aqui? Ela olhou para a porta. Preferiria que ela não soubesse como entrara no aposento. Logo via uma luz fraca à frente. parecendo vir do chão do corredor. Não. A uma jan ela na parede à frente. por dentro. Ficou atentamente à escuta. Devo ter esquecido de fechar a porta. d e madeira. manteve a mão esquerda em contato con stante com a parede por aquele lado. da janela. Tarzan não precisava ver-lhe o rosto para saber que era Gonfala. suave e atraente. ao contrário. partindo dali. Já não era ma is a rainha. Tornava-se evidente que aquela passagem secreta dava de uma l areira falsa para outra. notando que não se achava a sós. Gonfa la já não parecia taciturna. Capítulo nove O FIM DO CORREDOR Sem qualquer ruído ele entrou na câmara e caminhou na direção da extremidade da me sma. Ela ainda está lá. Onde está Stanley Wood? perguntou. A pouco menos de dois metros via uma laje de pedra o chão de uma lareira. Procurava chegar à porta antes que ela o descobriss e. Onde está Stanley? O que vão fazer com ele? Você é amigo? perguntou ela. notou que ela vinha de uma abertura no chão. sem desconfiar. indizivelmente triste. Desse modo. Você não compreende. maravilhando-se diante da transformação suti l que se efetuara na moça. pouco tempo antes.

Psiu! Não fale tão alto advertiu ela. e lembrou-se. Você já o viu. então. berrava. em frente à porta pela qual a guarda procurava e ntrar. Diga-lhes que vão embora. Mas o que a causara? Era possível. O homem. na sala do trono. Eu própria não o compreendo. Ele empurrou Gonfala para a primeira câmara. com guardas que não me deixam sair. o homem-macaco segurou-a pelo pulso e arrebatou-lhe a arma.. As gu erreiras da guarda batiam agora na porta fechada. Onde está ele? perguntou a rainha. Receava que alguém se aproveitasse para matá-lo. sua expressão modif icou-se.. Aquele era Woora contrapôs Tarzan.. o prisioneiro que foi trazido hoje. o corpo enrijou. demônio. Ele diz que é para me proteger. cruel.. havia outra. Esse. Queria ver um homem que pôde entrar em nosso país e aproximar-se tanto da c idade quanto você. A boca adotou a expressão taciturna que usara quando Tarzan a vira pela primeira vez na sala do tr ono. . batendo na porta. da afirmação de Wood. A metamorfose ocorrera diante de seu próprio olhar. Por que não me ajuda? Ela o fitou. de que ela. então... e logo gritava mais alto do que antes. Você ia dizendo. Posso dizer-lhe. era um anjo. Era evidente qu e logo a derrubariam e entrariam no aposento. Quem é você? O que é você? Como entrou aqui? Tem poderes iguais aos de Mafka? Talvez respondeu. da teoria d e Lord. Socorro! Tarzan deu um salto à porta. fechada por dentro como a primeira. Lembrou-se. Mas pensei que ninguém podia ver M afka. Guarda! Guarda! gritou ela. exatam ente quando a porta era derrubada e as guerreiras entraram no aposento. no aposento ao lado. que ela sofresse de alguma forma de insanidade mental . O olhar tornou-se duro e frio. Onde está esse Mafka? Gostaria de vê-lo. pedindo para entrar. sem que ele o soubesse. às vezes. Vocês o pegaram? Onde está quem? Não há ninguém aqui respondeu uma das mulheres da guarda. Como posso ajudá-lo? perguntou Gonfala. É esse o motivo pelo qual sou mantida neste quarto. o que lhe disseram. Falava em voz baixa agora e a observava atentamente. Se soubesse. Mafka andou muito doente. sozinho. Gonfala sacou a adaga da cinta e deu um salto na direção dele. naturalmente. O homem-macaco segu rou Gonfala pelo braço. que gritava. Não havia ninguém aqui insistiu uma das guerreiras. de que seria bom lembrar-se. Diga à guarda que você está bem cochichou-lhe. se ela o julgasse possuidor de podere s assim. Dava para ler-lhe o anseio no olhar.e. por bastante tempo. não ei o que faria com ele e comigo. cheia de aflição. Ela rosnou. Tarzan dirigiu-se à lareira e saltou para a boca da passagem secreta. Mafka já desconfia disso. fechou e trancou a porta. Ali fico u onde estava à escuta. era Mafka! disse o homem-macaco. Quem lhe deu idéia tão estapafúrdia? Woora está com os zulis. tinha a adaga que lhe tirara pronta a golpear. cheias de aflição. Mas sei que desconfia. Dava para outra câmara. Você já o ajudou antes a escapar recordou Tarzan. Ela estremeceu.. A guarda batia na porta. tentou morder-lhe a mão. Fez uma pausa. Foi levado a ele. Antes que o pudesse atingir. Acreditava que fosse outra a explicação. Não faria mal algum. e o medo que sentia refletia-se na expressão fisionômica. e outra s. Não. que logo era aberta. Não se atrevi a a que soubessem disso. Aí está o que ele penso u. quando conversava com você. então. Na direção dela o homem-maca co arrastou Gonfala. Se você . abriu a porta. mas ainda assim Tarzan duvidava. pedindo socorro. Correndo o ferrolho. No lado oposto do aposento. E então? perguntou ele. no lado oposto da qual se via uma terceira porta. Mas queria ver você. Ela sacudiu a cabeça em negativa. mas sei que não é assim. de que Mafka e Woora eram gêmeos idênticos. Diga-me onde encontrá-lo. Foi Stanley Wood quem lhe disse isso observou Gonfala. Você gostaria de que Stanley Wood fugisse. gostaria de ir com ele. Dava para ouvir Gonfala gritando. Ajude-me a ver Mafka . e deu para ver que ele ficou agitado. correu o f errolho. Ali se achava uma série de aposentos. Sim disse ela.

d entro da lareira. Acham que não sei o que vi? Já disse que ele esteve aqui. Apresentou-se diante do mágico. Algumas de vocês vão ao quarto em que ele foi preso e descubram c omo saiu. Talvez ele volte. e algumas guerreiras entrav am. os braços cruzados no peito amplo. uma guerreira ordenou que saísse. f oi levado por comprido corredor a um alojamento no mesmo andar do palácio. Escoltado por uma dúzia delas. a rainha. Sentia um pouco de medo dele. desejava romper aquele selo. Logo a porta era escancarada. Dentro do livro que tinha à frente. Desejava sondá-lo. retiraram-se. por que n perguntam à rainha? As guerreiras sacudiam a cabeça. quando não e tive? Mas eu não o fiz resmungou o mágico. Que Mafka solucione o enigma. de repente. durante a qual Tarzan não ouviu coisa alguma. Tarzan deu de ombros. Como chegou lá? bradou. Mafka tentava sondar a men te de seu prisioneiro e Tarzan sabia disso. como lá che guei? O mágico pareceu inquieto. travando estranha batalha mental. Também sobre a mesa achava-se o grande diamante de Kaji. Demonstraram a surpresa que sentiam. Se acham que eu estive lá. Lá estava Mafka. A mão esquerda de Mafka repousava sobre ele. As narinas aguçadas do homem-macaco farejavam sangue e seus olhos viram que o pano cobrindo o objeto sobre a mesa estava manchado de sangue. é tudo que temos de sa ber. Mafka estava decidido a tomar conheci mento do que esse livro revelava. Talvez aquela parte do palácio pert encesse a um período anterior a Mafka. havia algo estranho e novo. Sangue de quem? Algo lhe disse que fora trazido para ver aquilo que se achava por baixo do pano ensangüentado. quem poderia saber. melhor do que Mafka. mas apresentava defesa passiva. Tinh a certeza de que o outro não o conseguiria controlar. Gonfala viu você. Mas como poderia ter ido lá? replicou Tarzan. mas a curiosidade o obrigava a vê-lo. Ato contínuo. Deixou a adaga de Gonfala no peitoril alto. E ela tem certeza de que era eu pessoalmente ou apenas um produto de sua i maginação? Não teria sido possível ao grande Mafka fazê-la pensar que estive lá. Você esteve no quarto de Gonfala. Onde esteve? interpelou uma delas. Sacudiu a cabeça com raiva. até o aposento no qual fora aprisionado. Agora vão! Mas fiquem aqui algumas de vocês. os dois assim ficaram em silêncio. Tinha a certeza. o Gonfal. como se fossem idiotas. Mafka irritou-se. Se estive ou não no quarto da rainha. quem poderia sabê-lo melhor do que Mafka ? contrapôs Tarzan.Vão imediatamente informar a Mafka que ele fugiu ordenou ela. de que Mafka ignorava a existência da passagem secre ta pela qual chegara aos aposentos de Gonfala. o olhar fir me e inflexível sobre a figura grotesca que defrontava. Como chegou ao quarto da rainha? interpelou. Sua noção d e direção dizia-lhe que a peça fazia parte do conjunto contíguo aos aposentos da rainha. perplexas. ao vê-lo sentado tranqüilamente na cela. Alguém está louco asseverou . Tarzan não aguardou mais tratou de refazer sua caminhada pela passagem. E onde poderia eu ir? contrapôs o homem-macaco. A mente do homem que tinha à frente era como um livro fechado. e mal se havia sentado em um dos banquinhos quando ouviu passa das no corredor lá fora. Talvez alguém mais o tenha feito sugeriu Tarzan. Aquilo era algo novo que lhe acontecia. agora. Tirou minha adaga e me empurrou para aquele quarto. mas por que motivo ninguém investigara as lar . impedia que ordenasse a destruição d o prisioneiro. mas não sou eu. Se estive lá. Ele está aqui. o ser derrotado. e depois a porta foi aberta. Depressa! Não fiquem aí paradas. E como sabe que estive lá? replicou o homem-macaco. atrás de uma mesa sobre a qual se via algo coberto por pano. Por minutos. É o que queremos saber. Decorreu uma hora. Isto de nada adianta observou uma delas.

ali em pé.eiras que. ex aminou o interior do aposento com olhar calmo. cheio de arrogância. Eram Robert van Eyk. os dois caçadores brancos que haviam acompanhado seu safári. Roubou a grande esmeralda dos zulis. Tinha um plano próprio. sem que minhas sentinelas o vissem? Quem disse que estive em Zuli? contrapôs Tarzan. Mafka observava o prisioneiro atentamente. mas estava sozinho. Vinha matar-me. saiu-se com outra pergunta: Como chegou a Zuli. Dia aziago. Ficou pensando em quem seriam seus futuros companheiros e depois caminhou para a janela. Atrás deles. indiferente. que ele não o poderia contro lar. Reinou silêncio. no poço de leopardo. e depois Mafka falou. e Troll e Spike. mas teve pouco tempo para conjeturar. enquant o continuava a perscrutar atentamente o homem-macaco. de olhos abertos. É a primeira vez que o estou vendo. via um dormitório e uma oficina. T arzan também imaginava se dava para um corredor. mas havia incerteza na voz. estava a cabeça ensangüentada d o inglês Lord. Trol l já era conhecido de Tarzan. Tarzan não respondeu e Mafka pareceu ter esquecido a pergunta feita. mas precisava do conhecimento maior de que Wood dispu nha. e ao lado dela a grande esmeralda dos zulis. ao qual nada escapou. a fim de ver a reação àquele clímax sur preendente e dramático do encontro. Tarzan foi levado de volta ao aposento em que o tinh am confinado. senão Mafka? perguntava o mágico. estivera muitas vezes antes. por momentos. e logo Woo d apresentou os demais três companheiros. o ferrolho era aberto e a porta se escancarava . Logo. Per gunta agora quem disse que você esteve em Zuli. A expressão do se mblante de Tarzan não sofreu qualquer mudança. Ao ver Tarzan. Ali ficou por muito tempo. Você matou meu irmão... de modo óbvio. antes de conta r com certeza razoável de êxito. quando ocor rera a transformação repentina de Jekyll em Hyde. Voltou-se então para a chefe da guarda. de onde veio? Que diabo está fazendo aqui? O mesmo que você. O mesmo homem que me contou essas outras coisas. Um dos quatro homens era Stanley Wood. a port a batia e era trancada. ex clamou com espanto: Clayton. mas foi pouca a satisfação obtida. não se destinavam a fogos acesos? Havia lareira naquele ap osento onde Mafka se encontrava e onde. e a que local esse corredor condu zia. bem como os outros que trouxeram intriga e descon tentamento a Kaji. Tornava-se óbvio que aquele era o conjunto de aposentos de Mafka. com brutalidade. ouviu passad as diante da porta da prisão. Posso explicar o que pretendem fazer com você disse Tarzan. Nem sei o que vão fazer comigo. modificação tão notável nela. Este homem! E ele retirou o pano que encobria o objeto sobre a me sa. companheiro de Wood . esperando que me matem. sem dúvida. porquanto Mafka veio com nova pergunt a. Ele já estava na geladeira . Todo nós seremos m . Ponham-no novamente na câmara do sul.. Levem-no daqui. Aquilo era mais um desafio do que declaração de fato. Fortemente escoltado. Por portas abertas e que davam para outros aposentos. o amplo vale de Kaji. Tarzan explicou o infortúnio que lhe ocorrera. Olhando para o homem-macaco.. Este último. de repente. Quem tem esse poder. no tocante a certas questões relacionadas a Mafka e aos kajis. a conveniência de regressar aos aposentos de Gonfala e buscar novamente a colaboração que sabia ter ela estado a ponto de dar. Assim é que você vai morrer. contara encontrar outros prisioneiros quando voltasse. O mágico. Ao ponderar. olhando a cidade lá for a. o que os trouxe a Kaji. Ainda não tive ocasião de falar com Wood que vi você explicou Troll. Como foi que ele o pegou? Eu o julguei imune. Assim morrem os inimigos de Mafka asseverou. Devido às instruções de Mafka à chefe da guarda. Quatro homens foram empurrados para dentro. tentando formular algum plano pelo qual pudesse entrar em contato com Wood e examinar os meios que permitissem a fuga do americ ano. Esta últ ima era semelhante à que ele vira no palácio de Woora. Não sei por quê. eu acabei de ser preso. com os outros encrenqu eiros que vão morrer com ele.

Já estamos metidos em enrascada suficiente. Mas isso não vem ao caso. nós ci nco? Que me diz dos outros prisioneiros? Eles se juntarão a nós? Sim. sorrindo de leve... de jeito nenhum. O quê! exclamou Wood. Voltou-se então e foi ter com Tarzan . afinal. desde que voltei. mais tarde.. entendo. doçura e encanto em um instante e. Está certo confirmou Wood. Se ao menos pudéssemos pegar o Gonfal! Acredito que s . Receio que algo lhe tenha acontecido. principalmente os negr os.. Está certo disse Spike. Eu peço desculpas. bem. que estivera perto de uma das janelas. E falei. Spike aconselhou Van Eyk.. gritou pedindo ajuda à gu arda. nem como. o negócio é esse. estava pronta e amistosa e. no aposento dela. no outro. A gente não estaria nesta encrenca. Aceito suas desculpas. taciturno.. Mafka acabou de contar-me. O que disse ela? Como estava? Eu não a vi. de modo abrupt o e sem motivo aparente. D iga uma coisa. ou eu o mato na primeira ocasião que tiver. O que podemos fazer deve ser feito imediatamente. Deve haver outra explicação.. Sim. E como vamos pegá-lo de surpresa. não é preci so começarmos a brigar entre nós.. um demôni o e tanto. Wood ali ficou por alguns instantes.. se não fosse Wood andar por aí se engraçando c om aquela Gonfala resmungou Spike. Vocês ficariam surpresos respondeu Tarzan. O caçador. Spike recuou e Van Eyk se interpôs. praticamente todos. É melhor pedir. Você viu? Quando? Pouco depois de ser trazido para cá explicou Tarzan. pegá-lo de surpresa. com sobrancelhas baixas. calado. Tem toda a razão concordou Troll. Se vocês pudessem vê-la. Ela disse alguma coisa a meu respeito? interpelou Wood. Descobri um jeito de chegar lá. além do que nós mesmos façamos.. Ele diz que vocês são todos encrenqueiros. Parem com isso! ordenou. cheio de desânimo. aflito. trancados aqui... mas o que se pode fazer contra um sujeito daquele? Ele sabe em que esta mos pensando. ela é desse jeito. De início. Oh. podemos contar com alguma ajuda. Wood assentiu. Eu já vi disse o homem-macaco. todas elas têm. deu um passo rápido na direção de Spike e lançou o punho direito na mandíbula do outro. E não precisaria ser psicanalista para calcular isso comentou Van Eyk. Mas o camarada que mexe com alguma mulher preta não escapa. Feche essa boca suja retorquiu Wood ou eu cuido do caso. Só existe uma uestão que nos importa. Mas que fazer contra Mafka? Estaríamo s derrotados antes de começar. Ela certamente tem sangue negro. tornou-se taciturna e perigosa. Sim.. Não creio. debaixo de guarda. E a mantém trancada. E Mafka também. Dizendo isso. Pensei que você talvez houvesse falado com ela... Ele tem de pedir desculpas.. mas isso não parece causar diferença alguma para mim . darmos o fora daqui. e depois sacudiu a cabeça. Vamos arrancar a cabeça do primeiro que começa r outra vez.. se puderem. Você acha que ela.. quer ajudá-lo. então.ortos. Quer dizer que ela veio aqui para vê-lo? Ela estava no trono com Mafka. Tjoll foi até lá e cochichou-lhe alguma coisa. est ou doido por ela. sim.. Não. antes mesmo de pensarmos. sob guarda? indagou Wood . Muito bem disse. será que ficou maluca? O homem-macaco sacudiu a cabeça em negativa.. quando fui levado à presença dele explicou Tarz an. O diabo e falava em voz baixa é que Spike tem razão. Eu nunca vi coisa para dar mais encrenca do q ue alguém começar a mexer com as mulheres desses selvagens. espectador silencioso do que acontecera . compreenderiam. Nunca pude entender. olhava o outro. Não sabemos quando Mafka planeja acab ar conosco.. Se ti véssemos ao menos a sombra de possibilidade. Mafka desconfia de que ela o ajudou a fugir. Mas Spike tem de pedir desculpas. Não estava falando nada. teríamos mostrado a ele o que é uma boa e ncrenca..

aquilo em que< depositara as esperanças. A única possibilidade de pegar a pedra seria entrar de noite no alojamento d e Mafka disse Van Eyk. afin al de contas? Um inglês chamado Clayton explicou Wood.. E olhe só o que fez! Subiu pela chaminé como um. Mas ele tem de manter o Gonfal perto de si. Logo viram quando entrava na lareira e desaparecia.. Não. E vai descobrir como. durante a noite. e na verdade o Gonfal está sempre com ele. e que você o havia segurado com a mão. Quem é esse sujeito... com seiscentos demônios! exclamou Van Eyk. enquanto Tar zan se afastava e atravessava o aposento. quando sobe por uma chaminé. Dizem que deixa a imitação do lado de fora. que devia estar no lado oposto ao centro do alojamento contígu o. Anoitecera. Ele não se arrisca. até chegar à abertura na câmara de G onfala. Tarzan voltou-se para Wood. mas prosseguiu . ele aprendeu a fabricar diamantes falsos. Ora essa. Voltarei logo. passando pela abertura que dava para o aposento de Gonfala. Sim.. Se existisse criatura tal como Tarzan.. como não sei o quê. Vou descob rir agora. como antes. Fumaça sugeriu Wood. bem como na linha pr incipal da magia negra. O alojamento dele é ligado ao de Gonfala? perguntou Tarzan. Era um brilho esverdeado.eja essa a força de todo o poderio que exerce sobre nós. um dos que faziam parte do conjunto de Mafka. eu diria que era ele disse Van Eyk. Os dois americanos sacudiram a cabeça. E agora. Ficou à escuta. como fizera antes. Só que ele vai voltar. quando o encontrei pela primeira vez. sobre o ombro. O que acha. Olhe. mata os animais com arco e flecha e os carrega de volta.. Assim. Ele mantém aquela pedra no alojamento. apalpou novamente o caminho com a mão direita. que acabara de achegar-se. mas desde que voltei fiquei sabendo de outra coisa. se alguém pudesse chegar ao aposento dele para roubá-lo.. Os alojamentos estão sempre trancados e com guarda. bem. de m odo que fez uma imitação do Gonfal.. Foi o que pensei. onde pode ser vista. Foi à beira da chaminé e olhou para baixo.. e foi essa imitação que eu segurei. você me disse uma vez que eles pareciam muito descuidados qu anto ao Gonfal. ou não costum oltar. e esconde o Gonfal verdadeiro à noite . Pois bem. e foi ele mesmo quem me contou. em vez da esquerda. pegaria a pedra errada. percebeu os roncos de alguém que dormia. Tem um l aboratório razoável e trabalha por lá bastante. mas o velho mantém a porta muito bem fechada. Não há uma possibilidade em milhão foi o que respondeu o outro.. posso perguntar? Não deixe que ninguém me acompanhe advertiu o homem-macaco. também disse Tarzan. Foi um a das mulheres quem me contou. onde que r que vá. Mas podemos chegar ao alojamento de Mafka disse o homem-macaco. jamais conseguiríamos pegá-lo. e a fumaça não volta. de noite. cobrindo a mesma distância aproximadamente. Vai descobrir! exclamou Wood. que tocava o lado da passagem. Wood sorriu.. que já conhecia muito bem. E essa proeza não pode ser realizada. guerreiros à porta. na química comum. Impossível retorquiu Wood. Parece que Mafka sabe um pouco de química. Bob? perguntou a Van Eyk. ou ficaria mais ou menos indefeso contra os inimigos. tocou novamente a parede da esquerda e. Se não me engano. dali voltou alguns passos. Tarzan tomou o corredor. um. Pelo menos é tudo que sei sobre ele. Talvez pudéssemos fazê-lo. cheios de incredulidade. ele anda no meio das árvores como um verdadeiro Tarzan. che gou à outra abertura.. nem mesmo com Gonfala. . até localizar três outras aberturas. mas uma iluminação débil vinh a da abertura. Era onde o corredor terminava. po r todo o tempo. quando vai deitar. Era o que espera va. Haveria alguém mais no alojamento embaixo.. E não teve surpresa alguma ao descobrir que o túnel ia além do apartamento de Gonfala. Não se deteve ali. ou estaria sozinha a criatura que dormia ali? Suas narinas s ensíveis procuravam a resposta. Pensei que sim. pulando de árvore em árvore.

dotada de uma só porta fortemente guarneci da por dentro. Mafka prosseguia dormindo. levou a grande esmeralda e o G onfal para a lareira. Tarzan deixou-se cair ao chão da lar eira que dava para o quarto onde a criatura dormia. viam-se o Gonfal e a grande esmeralda dos zulis e. colocando-os sobre o peitoril. primeiramen te as de um lado. Capítulo dez RUMO À LIBERDADE Tinha diante de si a câmara grande. Mafka despertou. Fique quieto e não sofrerá disse Tarzan. Quem dormia ali era pessoa evidentemente receosa. Ele colocou a mão no ombro do mágico e o sacudiu de leve. voltou então para o lado do catre. na boca do corredor. ao lado dos mesmos. mas não hav ia auxílio algum. a um dos lados. Tratava-se de M afka. Mafka olhou alucinadamente pelo aposento.Tendo em uma das mãos a adaga de Gonfala. Em seguida. sob ressaltado. Lá estava. uma espada e uma adaga. sobre o catre estreito. em voz baixa. . Em cima da mesa. Todas ao alcance de quem dormia. de quem conhecia sua força. pois o homem-macaco se mov ia de modo tão silencioso quanto um fantasma noturno. Tarzan seguiu sem ruído para o lado do catre e retirou as armas. depois as do outro. mas dotada de autoridad e. Um archote isolado iluminava uma dessas mesas. Armas semelhantes eram vistas sobre a mesa no outro lado do catre. como a procurar ajuda.

O que eu quero. deve ser a grande esmeralda dos zulis. mas que está morto agora. Para onde iria? Para a Inglaterra. Terá de dar as ord ens necessárias às mulheres. Se é assim. fique sabendo. Em seguida. Caramba! Aquela pedra! exclamou. as mulheres obedeceriam a você? Sim. para não saber como entrara no alojam ento. De nada adiantará.. por momentos. Um pequeno arc hote isolado iluminava fracamente a peça. Ele nos pegará a todos. nem crianças. Você voltou! Bem queria que voltasse. tombava na peça onde Wood e os companheiros se achava m aprisionados. a menos que me obriguem. É caso sem esperanças. Spike arquejou. se não me Eu não mato homens ou mulheres velhos. E se você tivesse a oportunidade. Por que a Inglaterra? Alguém que sempre foi bom para mim. Não se preocupe com isso. Mas por que você voltou? Wood e os três amigos dele estão presos.. bastou-lhe um olhar rápido para perceber que estava vazio. Basta prometer que fará o que eu pedir. a sua estará também. Na entrada do alojamento de Gonfala ele se pôs novamente à escuta. Ele está dormindo. para levar comigo. então.. mas significa a morte para mim e também para vocês. Se Mafka não interferisse. eu sei. Ele deixou o quarto. perguntou. a voz trêmula. disse-me para ir à Inglaterra. Prepare-se. as duas! Me . e foi imediatamente para o corredor. Todos serão mortos. Prometo. espantado. mas os sent idos não registraram a presença de pessoa alguma no alojamento de baixo. os amigos dele e eu. Você pode ajudá-los a escapar. Voltaremos para buscá-la d aqui a pouco. se conseguisse escapar. No semblante de Gonfala transpareceram pesar e desagrado por si própria. Voltarei com os outros em questão de minutos. de frente para ele. então? Adivinhei. Vendou-lhe também os olhos. Estão aqui. Enquanto minha vida estiver a salvo. dizendo que o seguissem. Ela sacudiu a cabeça do modo mais enfático. Ao fazê-lo. E escolheu bom momento. de modo que não p udesse dar alarma. Você sabe. para que nos deixem passar a todos. por que veio aqui? O que deseja? Nada que você me possa dar. Ao entrar n o mesmo. eu tomo. Achei que sim. Logo estavam todos no corredor. com faixas de pano tiradas da roupa da cama. Tarzan seguiu à frente até o quarto de Mafka e o brilho das grandes jóias ilumin ava o caminho. em silên cio fascinado. Esta outra.. Gonfala sentou-se em seu sofá. Quer fazê-lo? De nada adiantaria. Fez Mafka virar de costas e atou-lhe os pulsos. apanhe sua carta e prepare-se. fechando a porta ao passar.O que quer? matar. Uma porta na extremidade oposta do apose nto estava entreaberta.. Mas você terá de ajudar. e será seu. Troll estacou diante das pedras radiantes e as fitou. Você vai fugir. Sim. os tornozelos e os joelhos . Wood. Bem. É por ordens minhas. Momentos depois. gostaria de fugir de Kaji? Sim. ele foi até lá e a escancarou. A escuridão era grande e ele lhes falou em voz baixa. na certeza de que tais corredores era m inteiramente desconhecidos dos residentes atuais do palácio. Deu-me uma carta. Ele os arrastaria de volta e o castigo seria pior do q ue podem esperar agora. depois o amordaçou. ao se aproximarem da extremidade do corredor. deixand o as duas grandes jóias onde as colocara de início.. Tinha confiança em que jamais seri am encontradas por outra pessoa que não ele. Diga-me o que quer. perto do centro da sala. voltou ao corredor e tateou até o alojamento de Gonfala.

Isto é.. Se acertei. est ava fechada por dentro. ainda assim. Ficam ao lado dos quart os de Mafka. Já lhe mostro o que vamos fazer com ele! Tarzan segurou o pulso do homem. Fazendo deslizar as barras. Como fez isso? exclamou Wood. Ele tem mais valor para nós enquanto está vivo. Van Eyk assentiu. Como as demais. Não se preocupe por causa de Gonfala. a todos. Wood e Van Eyk apanharam a grande esmeralda e o Gonfal no beirai da lareir a.. não passariam de uma tribo de mulheres. Fez como quem ia tocá-las mas recuou apavorado. diante dos alojamentos de Mafka. Não conhecemos o temperamento das mulheres kajis. Em seguida notou a presença de Wood. Wood e os companhe iros ficaram sem falar. Talvez aconteça alguma coisa. Aonde vamos? perguntou Van Eyk cheio de apreensão. O que vamos fazer com este velho patife? Troll apoderou-se de uma das espadas que estavam ao lado do catre. voz que ex traía obediência dos outros. em seguida. Van Eyk olhou para Tarzan. podem leva r estas armas. se quer vir conosco. apalpando o rosto. Em seguida. Ainda o pego. é claro. orlada de miçangas. Mas ele! O que pretendem fazer com ele ? Fazia a pergunta enquanto apontava para Mafka e aduzia: Ele nos arrastará de volta. vamos aos aposentos de Gonfala. Wood a abraçou. Spike cuspiu.. Todos acomp anharam Tarzan até a porta do alojamento. Mas ela vai dar o alarma. amordaçado e de olhos vendados.. chegando então à porta que dava para o conjunto de Gonfala. cheio de raiva. Faça o que digo. Representa o poder que têm. e o homem-macaco deu de o mbros.u Deus! Devem valer milhões. receava-o. Este homem deve ser coisa parecida a uma divindade a seus olhos. e toda essa cambada vem em cima de nós contrapôs Spi ke. Vestira-se para uma viagem. onde quer que vamos. poderemos dar o fora daqui. rapaz! Você recebe ordens de mim. arque jou e recuou.. Acho que toda a força de Mafka está nela s. Troll se pôs em pé. tamanho o espanto ao verem o velho mágico atado e indefeso . Creio que tem razão. A gente devia matá-lo agora.. Ao se reunirem em volta do catre de Mafka. Em primeiro lugar. o homem-macaco abriu-a. que tremia de pavor. com você. tirei dele as jóias. a voz trêmula de raiva. para qualquer lugar. . calçara sandálias grossas. Gonfala. Ao ver Mafka manietado. Tarzan deixou-se cair do peitoril para a lareira. no centro do quarto. caindo ao bater na parede. voltou-se para Wood. nesse momento. Passaram ao aposento contíguo e pelo segui nte. Vamos levar você daqui. Sem Mafka. Conhecia o poder existente n as pedras. Ou pod erá matar-nos por lá. incerto. Ainda assim. sabendo que havia uma gua rda de guerreiras no corredor. ele é o poderio d elas. quando se trata da vida dele ou d a nossa? O homem-macaco sacudiu a cabeça. Gonfala estava em pé. Ele mata a todos os que fogem. Não tenha medo. quando o grupo entrou. Uma correia estreita de pele de animal. Troll e Spike suspenderam Mafka. Em primeiro lugar. em negativa. prendia-lhe os cabelos dourados. por causa disso afirmou. Se errei. Você e Van Eyk apanhem as jóias. Cale-se e faça o que mando. Era. com manto comprido e feito de peles de leopardo. A voz do homem-macaco não denotava qualquer emoção. foi ter correndo com ele. E quem diz isso? Tarzan arrancou a arma da mão de Troll e desferiu na face do homem um bofeta da que o fez cambalear de costas pelo aposento. como re fém. Troll e Spike carregarão Mafka. Sim. e os dema is o acompanharam. Calma. Por que não o matamos. Concordo com Spike. e nos matará. sobre a qual qualquer out ra tribo poderia prevalecer.

. imediatamente. Tardou apenas alguns instantes e. Você não está aqui para indagar. pedindo a presença do mágico. Siga à frente. Queremos ver Mafka insistiu a mulher. Mandaram um escravo exigi ndo a devolução da grande esmeralda. Se o levássemos lá amarrado. ordeno que saiam e abatam os zulis. não sairemos de Kaji sem luta. Dig a às guerreiras que eu. perto da p orta que dava para o corredor. darei às minhas guerreiras o poder de derrotar os zulis. mas não respondeu. Gonfala. a esta hora da manhã? Os zulis vêm aí. Em seguida. estamos prontos. Os zulis já estão nos portões da cidade. Imediatamente Tarzan entrou na sala. Nós invocamos o poder de Mafka para enf raquecer os zulis. até a sala do trono. e a mim não agrada a idéia de lutar com mulheres. acho que é um bom plano. Agora. empertigando-se altivamente. Creio que existe outro jeito. trazia um embrulho em pele de animal. pois não rece em poder de Mafka. não pretendia levar Mafka para a sala do trono. Embrulhe em uma pele. retirou-se do aposento. a fim de recebê-la s? Não. Tarzan voltou-se para Gonfala. Acho que Clayton tem razão. Sei apenas que você é uma mulher que gostaria de fugir de Kaji. Gonfala corou. Eu ouvi. Você esquece que sou rainha retrucou ela. para o co njunto contíguo. . A mulher se retirou e a porta foi fechada. em tom taciturno. Tarzan tirou-o dela. expulsá-los daqui. Bateu três vezes e depois abriu o ferrolho que pren dia a porta por dentro. amordaçado. Vamos executá-lo. para podermos matá-los em grande número. Venham! Fez um gesto para que os outros o acompanhassem e seguiu à frente. Batiam com força à porta do conjunto de Mafka. Qual é o seu plano? Queria apenas ganhar tempo. Eles vêm para lutar conosco. O debate foi interrompido por uma agitação no corredor externo para o qual dav am os alojamentos de Mafka e Gonfala. Onde está Mafka? Por que não atende às orações dos kajis? Gonfala bateu com o pé no chão. Gonfala caminhou pela sala e bateu em um tambor colocado no chão. Providencie para que minhas ordens de defesa sejam obedecidas e depois venha à sala do trono e verá Mafka. a rainha. Eles não têm mais poder. Gonfala. Faça o que digo. Chame alguma guerreira que tenha autoridade e veja o que elas querem. Seria fatal. para ninguém v er. mas estamos com a grande esmeralda.Faça o que ordeno. Se lhe déssemos liberdade. Traga as chefes com você. Apenas eu e você devemos saber. Ele chamou os demais. e voltou-se novamente para a rainha. Ajoelhou-se diante da rainha. Você sabe ond e está a imitação do Gonfal? Sei.Wood assentiu. Gonfala. Woora morreu. seguin do para os alojamentos de Mafka. Nós va mos esperar na sala ao lado. Talvez. ouviam-se gritos altos. ele nos mataria. E nossas guerreiras têm medo. Um sorriso brincava nos lábios do homem-macaco. Gonfala tomou a decisão rápida. O que vai fazer? Espere para ver. ao voltar. não diga a pessoa alguma. Momentos depois a porta era aberta e uma guerreira entra va no alojamento. em companhia d o homem que ama. Vá apanhá-la e traga-a aqui. talvez elas nos matasse m a todos. Mas se tentarmos fugir agora. Eu. do alojamento ao lado. Ainda assim. São muitos. Nesse caso. Você enlouqueceu. Qual é o significado do ruído no corredor? Por que estão chamando Mafka. Vão para o portão e defendam a c dade. Muito bem.

Van Eyk ocultou a grande esmera lda dos zulis sob uma pele que tirara do tablado. é ine rente ao Gonfal. ela é má. para que façam o que quiserem. Vocês o temiam e o odiavam. Significa que acabou o poder de Mafka. descendo até a o utra porta que dava para o tablado sobre o qual se achavam os tronos.Há um caminho particular até a sala do trono? Gonfala assentiu. Parem! Ajoelhem-se diante da rainha! Falava em voz baixa e. Quand o estivermos a salvo. Já amanhece. em meio à gritaria delas. O grito ecoou em muitas outras gargantas . O homem-macaco voltou a falar. devolveremos o Gonfal a uma de suas guerreiras. estavam bem próximas do tablado. Ele nos deu poder contrapôs a guerreira. Aí vêm! cochichou ela. O nervosismo reverberava em todos. em seu trono. ao lado da mesa sobre a qual fora colocado o Gonfal. mas. elas estacaram e se a joelharam. Cinqüenta guerreiras entraram na sala do trono da rainha dos kajis. O poder dele desapareceu. muitas tinham fe rimentos sangrando. Sigam-me. As guerreiras deram meia-volta e saíram do aposento. Vocês agora estão livres do domínio de Woora e de Mafka. apoderou-se dos melhores frutos de suas vitór ias. Troll e Spike se ntaram Mafka. Eu sabia que ia dar. em reverência pela rainha e grande poder de seu mági co.. amordaçado e vendado. Formavam um grupo dos mais selvagens. onde abriu pequena p orta que punha à mostra um lance de degraus. aproximando-se da sala do trono. A grande esmeralda tem o mesmo poder místico. A sala de tronos estava vazia. Ali esperaram. fitavam o pequeno grupo sobre o tablado. Nas mãos de homens pe rversos. . Gonfala irá conosco. As por tas foram escancaradas e as chefes kajis entraram.. Em pé! Vão para os portões e tragam aqui as chefes zulis. E as manteve prisioneiras aqui. mas Mafka já não o maneja mais. Ao verem Mafka. e logo fit avam a rainha. As chefes ainda não tinham chegado. que poderá a companhar-nos com três companheiras. Tarzan dirigiu-se aos c ompanheiros. Nós vamos sair deste país. Metade e ram kajis e metade zulis. Vamos partir imediata mente. Uma delas adiantou-se. Qualquer que seja esse poder estranho. entrando nos alojamentos de Mafka. Tarzan colocou a mão sobre o Gonfal. Sempre vocês estiveram sob o controle dele. Ela foi em frente. Foi Tarzan quem respondeu. ainda amarrado. Entreolhavam-se taciturnas. Se esse poder desaparecer. e logo en tregarei Mafka a vocês. Gonfala? perguntou. Por orden s de Tarzan. É por aqui. Woora morreu. Vieram de cabeça inclinada. e não voltará se não lhe derem mais o Gonfal. em silêncio. Gonfala ouvia com atenção. Talvez possa ser usada para o bem. e Gonfala sentou -se no outro. Matem-nos! Matem-nos! Com berros selvagens. menos em Tarz an. e logo surgiam pas sadas reverberantes no corredor comprido que dava para a entrada do palácio. Aqui está Mafka. Tarzan permaneceu em pé. Ao erguerem o olhar. Logo ouviam as passadas no corredor. Olharam para os desconhecidos no tablado. entretanto. estamos perdidas. Os demais se colocaram atrás dos tronos. emitiram gritos de espanto e raiva. Elas virão. Wood colocou o Gonfal no suporte ao lado do trono. Deu certo. Qual é o significado disto. O poder não desapareceu. em tom ameaçador. elas se adiantaram para o tablado. A luta cessa rá. e eles a acompanharam. T odos os prisioneiros e escravos que quiserem acompanhar-nos poderão ir também. como se fossem uma só. Fez com que lutassem por ele. Matem-nos! gritou uma das chefes. apenas três. Desapareciam os ruídos de batalha. mas a maior parte o odiava. suas palavras alcançaram os o uvidos de poucas das guerreiras. Tarzan dirigiu-se a elas.

vocês saem. atravessaram a região dos kajis. o pequeno grupo de homens brancos retirou-s e da sala do trono.. e se alguma de vocês puder usá-la. Não conseguiam acreditar no milagre que aparente mente os tirara das garras do velho mágico que dominara e apavorara aquela gente p or tanto tempo. Voltou-se en tão para elas. É muito mais do que espe ravam. mas é provável que não seja assim. Fitava as três guerreiras que os haviam acompanhado desde Kaji. por intermédio da necromancia do Gonfal. O homem-macaco sacudiu a cabeça. Na rua principal da cidade. a rainha dos kajis. chamados por Tarzan. dizendo: Levem a pedra de volta. Espero que cause a felicidade dela. leve a grande esmeralda dos zulis. Gritos estridentes vinham do inte rior do palácio. Mafka nos matará a todos contrapôs um deles. Eram os escr avos e prisioneiros dos kajis. E onde é que nós entramos nisso? interpelou Spike. Fique com ele até de manhã e depois o entregue a uma dessas mulheres. levando suas vidas. Wood prosseguiu Tarzan . Van Eyk trazia a grande esmeralda do s zulis. Tarzan carregav a o Gonfal. Em meio a um silêncio sepulcral. Mafka nunca mais voltará a matar afirmou o homem-macaco.. . mas nada aconteceu e eles chegaram finalmente ao vale do Neuba ri. Entregou então o Gonfal a Van Eyk. Não entram. sendo logo afogados nos berros selvagens de fúria.Ele ergueu o velho mágico nos braços e o entregou às guerreiras. sob a proteção de Tarzan e do Gonfal. Pelo me nos. Vocês estarão indo para o sul. eu vou para o no rte. que o faça para o bem e não para o mal. de modo que todos pudessem vê-lo. A cada instante contavam ser mortos ou arrastados de volta à tortu ra e execução certas. em benefício de G onfala. oculta sob uma pele. alguns dias atrás. Quem quiser poderá acompanhar-nos. Capítulo onze TRAIÇÃO Sem serem molestados. pequeno grupo de homens negros e brancos os es perava. ela jamais passará necessidades. Vou deixá-los aqui disse Tarzan. Vamos sair desta terra disse-lhes ele. Os que tinham sido prisioneiros e escravos por anos seguidos estava m cheios de apreensão e nervosismo. em companhia de Gonfala. vocês saem.

Tarzan fitou-o friamente. Não terão problemas. A três marchas para o sul. e que tomara a liderança de modo tão natural quanto os demais haviam aceito o fato. Elas são más disse um deles. Nós temos lanças e punhais. com ar . Estarei v iajando para o sul. Você sabe que eu pensei a mesma coisa? Não existe tal pessoa. que tinham sido escravos. A essa altura. Eu não tinha qualquer sentimento de responsab ilidade. a menos que o seja com S pike. Será. Não trazem felicidade a ninguém. a outra será mais do que suficiente para que os kaji s e zulis façam o que pretendem fazer. Fora feita alguma tentativa. Ele girou sobre os calcanhares e desapareceu na escuridão da noi te. cheio de raiva. Ser o quê? Se pode existir um Tarzan. outros afirmavam que bastava voltarem vivos para casa. O que se pode caçar. Já disse a todos o que fazer. o Clayton. Você e Van Eyk ficarão encarregados. Os negros. outra vez. Cuidaremos de você. Achava natural que ele providenciasse tud o. dava um Tarzan perfeito. talvez volte. o que está fazendo na África. em tom de reflexão. tratem de obedecer. Eu me sinto segura com você. A gente devia ganhar algum a coisa em tudo isso. naturalmente. Caçar com quê? perguntou. Gonfala forçava os olhos. Eu me arrisco resmungou Spike. Estou satisfeito em sair daqui ainda vivo disse Van Eyk.. se fizerem alguma sujeira. Wood deu de ombros.. tentando ver na escuridão. O homem assentiu. Olhe só o que nós passamos. antes que vocês saiam daqui. Ma s esse camarada. será que podia ser. logo serão tapeados e embrulhados. e ficariam satisfeitos em não ver mais as duas pedras. Caíra a noite e o pequeno grupo de fugitivos. Wood riu. Alguns dos homens brancos que haviam sido libertados concordaram com ele. Quem é ele. Você não pode fazer isso. passou o braço por ela. Não era grande coisa e eles resolveram que Spike e Troll teriam de caçar algum animal no dia seguinte. Acho que Gonfala tem direito a uma das pedras. Wood repentinamente deu uma risada.. É melhor não pensarem nisso. Mas sei como se sente.. saindo para o mundo. observando os preparativos para a noi te. quando ele estava por perto... um tanto pesarosa. Essas duas pedras pertencem a nós. Dirigiu-se então a Wood.Quer dizer que vai dar essa pedra aos pretos. Stanlee. minha querida. montava acampamento. quanto mais depressa melhor. quando ele estava conosco.. Era a mesma coisa comigo. no sentido de organizar as coisas. Olho nesse homem. e preparava comida trazida de Ka ji. ele parecia fazer par te da África. também. Eu me sentia tão segura. Muito bem disse Van Eyk. E foi tudo. Já pensei muito sobre ele disse Van Eyk. Vocês vão topar isso? gritou. a jovem ap roximou-se de Wood. adotaram naturalmente as posições de carreg adores e criados pessoais dos brancos. de onde vem. Mas não vai obtê-la. Esse homem sabe ser simples. encontrarão aldeias hospitaleiras . A gente devia levá-las para Londres e vendê-las. Depois. nem mesmo pelo meu bem-estar. agora. Mas ele. Acho que elas deviam ser divididas disse Troll. Não houve despedidas. Ele é assim. prolongadas e inúteis. por assim dizer. e a gente não divide a pedra? Não é justo. Está feito. mas realizarão seu desejo. dividindo o dinheiro em partes igu ais. O negro que cozinhava para eles chamou-os para a refeição. Terei conhecimento. Wood e Van Eyk agiam como tenente s do homem que conheciam apenas pelo nome de Clayton. ainda que li geiramente. com seus cem componentes mais ou menos. Apresentava-se em meio deles. Ele foi embora? Você acha que não voltará? Quando houver terminado o que pretende. vai ser fácil. ser. Spike voltou-se na direção dos outros. já deve mos estar fora deste lugar. De qualquer modo.. Dizendo isso.

Por todo o caminho. colocaram peles que haviam sido trazidas de Kaji. Existe muito. Não precisa ficar afirmou a jovem. Os homens fal avam da América. mas. de suas famílias e velhos amigos.... Mas eu estou. o quê? Bem. Tem razão. Alguém de quem você vai gostar mais do que de mim.. Vai ser preciso ter cuidado. Mas.. e haverá homens . até ess as primeiras aldeias de que ele falou. mas ainda assim adequados.. automóveis. que desde há muito certamente os ti nham inscrito no rol dos mortos. Se a gente não tiver. Não tenho medo. Mas para que eu teria homens? Eu só quero um. Com o dinheiro da grande esmeralda dos zulis você vai ser uma mulher muito r ica. oh. Talvez descubra alguém que. Gonfala se referia às maravilh as que a aguardavam na civilização desconhecida. vá até lá e arra nje o bastante para muitos arcos e flechas para cada um. Se encontrarmos animais. Kamudi! Venha cá! Um dos negros ergueu-se sobre calcanhares calosos. fazendo empalidecer as brasas dos fogos onde os homens haviam preparado a refe ição simples. Sim. teremos de mandar batedores e persegui-los. mas. em que estivera acocora do. confeccionando arcos e flechas grosseiros. cujo olhar estava cheio de vontade de agr adar. A noite parecia feita de veludo macio. talvez o susto acabe de matá-lo. chamou? Escute. em cujo tom de voz transparecia aflição e apreensão. bwana. Fora improvisado um abrigo para Gonfala e. Stanlee me protegerá. O que vamos fazer? É preciso achar carne. até que se consiga matá-los com as lanças. não poderá comer amanhã. Stanlee? Se você quiser. ela e Wood. todos sabem. há gente que mata animais grandes com lança insistiu Wood. muitos criados. Não haverá outra co isa. Que tal fazer arcos e flechas? Algum de vocês sabe como? Sim. bem como Van Eyk. um tanto pesaroso. bwana . Van Eyk sorriu.. talvez arranjemos algo. a quem tal presságio parecia entristecer. E façam alguns esta noite . Gonfala disse Wood. Já sei! Arcos e flechas! Alguns de nossos pretos devem ser capazes de fazê-los e usá-los. não é. ele estalou os dedos. pondo-se a falar do futuro. Gonfala disse Van Eyk. O rosto de Van Eyk se iluminou. Ótimo! E o material que vocês usam existe por aqui? indagou Van Eyk. alguns de vocês sabem caçar animais com arco e flecha? Kamudi sorriu. tanto por si própria quanto pelo seu dinheiro explicou Wood.. e se aproximou..assim? Van Eyk assentiu. entendeu? Sim. Se tivermos sorte o bastante para descobrir um animal com angina pectoris. Alguém que o quê? interpelou ela. Não estou preocupada. Quando o pessoal tiver acabado de comer. pois ia para Londres.. depois de comer. Perto do rio. bwana.. Puxa! Isso é uma beleza. Os negros ocupavam-se. Ei.. e ele hesitava. muitos homens. o negócio é que você nunca conheceu homens como os que vai conhecer. . belíssimas r oupas e peles. Sim. diante dele. Os brancos reuniam-se em pequenos grupos... Desse jeito. É que os homens vão querer ver você. temos de contar com a caça. Alguns desses camarada s serão muito fascinantes. Bem. A lua cheia iluminava o acampamento . bwana. Ela riu. Vai ter uma belíssima casa.

de súbito. Acorde o pessoal ordenou. em Londres ou Paris. Em seguida.. soltou uma imprecação. Quando falou. Vamos deixar Gonfala dormir o mais que puder disse ele. com mais cuidado. Espero que sempre se sinta assim. os sonhos estraçalhados. Vamos começar cedo. Eles se despediram. por futuro extenso. É como eu me sinto. para não ouvir mais. ninguém mais tem importância. Spike. o Gonfal sumiu! Estava bem debaixo da beira destas peles. O cara está maluco. Ela o odiara na vida e. Nada irá colocar-se entre nós. Sentia-se demas iadamente feliz. Van Eyk tateava à luz fraca da madrugada. procurou pensar algo bond oso a respeito de Mafka. O que ela vai fazer com a pedr a? O americano é que pega tudo. revirando a palma da mão por bai xo da dele e apertando-lhe os dedos. desde o início dos tempos. As kajis! asseverou a voz de Van Eyk. Eles são tão maus quanto Mafka? De certo modo. Mas não conseguiu dormir. mas não foi possível. Wood foi deitar-se a certa dis tância e Gonfala retirou-se para o abrigo. mas que dizer? Que amor e ternura paterna lhe dera? Procurou esquecer-se. fazendo planos. Pense só. Percebeu. Boa noite. A jovem não ficou por ali. então afirmou ela.. vozes próximas. quase cinco m ilhões de libras! É o que as duas pedras davam.. Pensa que ele vai casar. Está tudo errado. Parecia-lhe que não podia perder um só momento dessa felicidade no sono. na morte. A boba acha que ele gosta dela. que lhe viera ao ser retirada do domínio de Mafka.. É melhor vocês dois fazerem o mesmo... observaram-no enquanto se afastava. Caminhava devagar e em silêncio. dirigindo os preparativo s para a marcha do dia. Wood despertou cedo e chamou Kamudi. O dia vai ser duro . ao recordar-se dele. Estremeceu. Muito atrevimento. Mediante esforço. Bob. A lua se pusera no ocidente e a jovem caminhou à sombra espessa das árvor es antigas. a felicidade desfeita.. em todo o mundo. compreendia não serem características verdadeiras. O que se passa? interpelou Wood. Troll. . Não tenho medo afirmou. Voltou-se e fugiu com rapidez pela escuridão.Você é tão jovem. é como serei sempre. chocado. parecia aturdido. no estado de êxtase beatífico engendrado não apenas por seu amor. cheia de convicção. Vou dormir um pouco declarou. mas estados de espírito impost os pelos poderes hipnóticos do velho mágico. ontem à noit e. De repente. e logo a jovem se voltou para Wood.. como os enamorados sempre fizeram. Estaremos um com o outro e. ain da lhe odiava a recordação. E ele dá a esmeralda àquela negra dos infernos. A gente devia ficar com ele e ficar com a esmeralda também. Já não era mais sujeita aos acessos odiosos de crueldade e vingança que. dos tipos de homens que existem no mundo. Wood deu uma busca rápida em seu próprio leito e logo outra. Após instantes. mas pelo se ntimento até então desconhecido de liberdade. Stan. levantou-se e mergulhou na escuridão da noite. A esmeralda também desapareceu. dar o Gonfal a esses pretos. Quem poderia . chamou Van Eyk e os dois se ocuparam. O acampamento a dormecera.. principalmente no mundo civilizado . Wood segurou-lhe a mão e afagou-a. E você não deve ter medo também. tão ingênua e inexperiente! Não faz a menor idéia do que vai encont . livrou-se dessas lembranças deprimentes e procurou centraliz ar os pensamentos na felicidade que agora lhe pertencia e seria sua. são piores ainda. apalpando a grama em que fizera o leito. ag ora.. no que me diz respeito. Van Eyk se pôs em pé e espreguiçou-se. depois. Talvez fosse seu pai. Por um pouco mais de tempo conversaram. Por quê. perto das quais o acampamento fora levantado. desperdiçar minutos de êxtase que jamais poderia trazer de volta. Mas quem já ouviu falar de americano casando com preta? Você tem razão. querida.

naturalmente. Eu a amo o bastan te para isso. se ela tentasse acordar-nos. em absoluto . usando a força. Ele saiu. é melhor partir em seguida. A pobre coitada! Eu. Gonfala jamais fugiria de mim. na grande democracia d os Estados Unidos. Ela andou contando muito com a venda da esmeralda. então. é claro.. pálido e abalado. Estou pensando no verdadeiro inferno que s eria a vida de vocês. e não um encargo para mim. Os dois seriam postos no ostracismo. Bem. depois que nos casássemos. Wood assentiu. como se pudesse ser encargo. chamou repetidas vezes. meu velho. Não havia raiva em sua voz quando repli cou: Eu sei. Vamos ter de persegui-los. p orque queria tanto ser independente.. Stan? O que significaria para vocês dois. Obrigado. Wood agastou-se no mesmo instante. Se vamos p rocurar aqueles dois. e ela pode ficar com tudo. O que estão procurando? perguntou uma delas. apen as enunciando um fato. por ela. e agradeceria a Deus pela oportunidade.. sem que percebêssemos.. tanto pelos pretos quant o pelos brancos. Bob. Você já parou para pensar realmente sobre o que isso significaria. Voltou a chamar mais alto. O outro sacudiu a cabeça. Stan. os dois homens examinaram as c amas onde as mulheres haviam deitado. Vocês o têm disse a mulher . O amanhecer equatorial cedera à plena luz do dia quando Wood e Van Eyk compl etaram a busca pelo campo e compreenderam que Spike e Troll haviam desaparecido. E agora vamos tra tar de pegá-los. Podíamos ter logo adivinhado afirmou. Tenho a certeza de que seria assim. Devem tê-la levado também. A última hipótese não tem cabimento. Não poderiam levar Gonfala. se m que acordássemos. Ou ela foi com eles porque quis ou não foi com eles. Não estou falando por causa de qualquer preconceito pessoal. sem resultado algum. chamando-a. V ocê sabe disso tão bem quanto eu.. Sem qualquer explicação preliminar ou desculpa.. a dela e a sua. mas continua em pé.? Van Eyk interrompeu. e é melhor tratar logo do assunto. é preciso que fale com ela.. Viveri a no inferno. Mas não será o mesmo para ela. tenh o o bastante para viver.. tanto quanto você. Wood parecia abatido e desalentado. estou a seu favor. Você sabe tão bem quanto eu o que acontece a q ualquer mulher ou homem que tem uma gota de sangue negro. pôs a mão no ombro do outro. meu velho.. no futuro. mas atravessaria o inferno por causa dela. Ainda acha que eles a levaram? . Gonfala não estava lá.. quando Clayt on deu o Gonfal aos kajis e a esmeralda a Gonfala. Eu não sei mais do que você. d esde que nos pusemos a falar das coisas maravilhosas que poderia comprar e o que seria possível fazer. E lá. para mim.. O que vamos fazer? perguntou Van Eyk. Mas a sua inferência. Entrou no abrigo. Não obteve resposta. não resta o que dizer. não sei como falar com Gonfala. Nunca mais falarei no assunto. Se é assim que se sente.. Nesse caso. erguendo-se das peles sobre as qu ais haviam dormido. em triste concordância. mas não é isso o que me preocupa agora. e aproximou-se do abrigo de Gonfala. Também não posso evitar a inferência. aqueles dois. Os dois ficaram furiosos. O Gonfal replicou Van Eyk. É fato duro. a minha querida. Está certo disse Wood. e não nós.. cruel e terrível.Juntos os dois homens correram para a parte do acampamento onde as guerrei ras haviam-se deitado para passar a noite. Van Eyk sacudiu a cabeça. Estou apenas enunciando um fato evidente. e se se casarem não mudarei minha atitude para com qualquer dos dois. na América? Estou pensando tanto na feli cidade dela quanto na sua. com tanto dinheiro.. Ontem à noite fazíamos planos para o futuro. estavam as três. Isso seria impossível. Você quer dizer.

Isso não lhe ocupou os pensamentos. e imaginava como estariam andando. ele sabia movimentar-se em linha reta. quase frenético . ainda que não p udessem garantir-se no tocante à segurança da grande esmeralda dos zulis. e não do melhor tipo. era apenas mais um leão. Não tinha o vigor necessário para subir em uma árvore e chegar à segurança. o companheiro o observou. Eles o utilizaram. Vo cê viu como o Clayton utilizou aquele poder misterioso para fazer dobrar os kajis e zulis à sua vontade. E assim teve início a caçada humana. e depois seria mu ito simples alcançar os primeiros centros de civilização. em atitude de desalento. Você conhece aquilo por que passei. Era um leão vel ho. bem como nos pri sioneiros que libertara dos kajis. com bom safári de carregadores adestrados e fartas provisões. E logo trazia o cheiro acre de Numa. Um vento leve soprava em seu rosto. Sabia que de nada adiantava fugir. Eles são homens observou . Capítulo doze REUNIÃO Duas semanas se passaram. o leão. Às vezes. faminta e esgotada. em seu encalço. Kal a. Você não quer dizer. fazendo balançar-lhe os cabelos negros. Tinha os sentidos embotados pela fadiga e sofrimento. a macaca. Na da ouvia. desalinhada. caminhava devagar e se m esperanças pela trilha. Temos de encontrá-la. exibiu as presas e rosnou. O cheiro vinha da mesma direção em que se encontrava Numa. Tarzan pulou para as árvores. Acho que tem razão. A tarde estava no fim quando o senhor da selva seguia por uma trilha de caça . uma ela uma mulher branca. ? exclamou. mas ainda assim algum impulso íntimo a fez voltar-se para olhar a trilha . Os dois. Eles estão com o Gonfal e a grande esmeralda dos zulis. é preciso andar depressa! exclamou Wood. A mulher estacou. Ao perceb er que fora descoberto. Seu número f ora suficiente para chegarem em segurança às tribos hospitaleiras. coisas que não podiam s er vistas por enquanto.Tenho um palpite. voltou-se para ele. pensava nos dois americanos e em Gonfala. Imaginava que estivessem bem longe. sem faz er barulho.. obrigando Gonfala a acompanhá-los. Este caminhava sem ruído e devagar.. Sabia que os americanos estavam em plena condição de pagar os gastos.. abatida. e m conjunto. Van Eyk deu de ombros. Trazia às narinas a indicação de coisas à frente. Fora seu elemento natural des de a infância. Tarzan voltava do norte.. até qu e o vento lhe trouxe vagamente às narinas outro cheiro o de Tarmangani. foi quando viu o leão. quando se vira retirado rapidamente do perigo por sua mãe de criação. a essa altura. mas por que eles querem Gonfala? Van Eyk parecia inquieto. A mulher. Limitou-se a fi . por meio das árv ores. Para Tarzan. trazendo a informação que a li procurara. pois o cheiro vinha mais forte que o de um filhote ou um leão em pleno viço. encurtando a distância até o destino. Não tinha pensado nisso. Mafka me separou de Clayton desse modo. Alguns dos negros descobriram o rastro dos dois homens. As trilhas de caça são tortuosas e. E nas árvores sabia mover-se com rapidez inacreditável. na orla da floresta. significavam tragédia. rumando para o sul .

Estamos tão perdidos quanto nossos guias observou Van Eyk. na orla de uma planíci e ampla e que se estendia a perder de vista. o leão fez o mesmo. significava pouco para o homem-macaco. pois quando o leão atacou. vamos tocando. Espero que sejam gente de bom coração. quase a se arrastar pelo chão. e ele dava um salto à frente! Os olhos da mulher se arregalaram. Virá comigo. pretendendo regressar a Kaji e ao único povo que conhecia como sua gente. Os dois homens permaneceram imóveis. Fitava-a. Se continuarmos na direção do oriente. Por todo aquele tempo. haviam saído da floresta. estremeceu. Wood guardará a esmeralda para você. partiu em direção dela em carreira. os dias transcorriam. Poderá viver onde quiser. Sim. olhos arregalados e sem alento. Dois homens brancos. Assim. escura. Contara encontrar alguma aldeia onde pudesse abrigar-se. Olhe! bradou Wood. o leão derreou-se ao chão. Ela ouviu os bramidos e rosnados do homem. Ainda assim. Um pouco mais daquela floresta e eu teria fica do maluco. a seu ver. Bem. um homem quase nu tombou de um galho. observando um grupo de doze guerreiros que se aproximava. Está vendo aqueles penachos? Talvez fosse mel hor deitarmos no chão.car ali. e uma sensação de alívio e de segurança apoderou-se dela. Rezava apenas para que a morte fosse rápida e misericordios a. Sem a proteção de Mafka. Alguns passos mais e atacaria aquele ataque ráp ido e impiedoso do rei dos animais. De repent e. Gonfala! O que aconteceu? O que está fazendo aqui sozinha? Ela contou um pouco da história que. sem qualquer êxito. tendo estacado e tirado o capacete. com segurança e conforto. Olhe só. desertos e pl anícies. quando Tarzan colocou o pé sobre a carcaça do vencido. bem sob re as costas da fera. mas não tenho outro lugar para ir. Era Wood quem falava. nós somos esses dois. e já um rugid o temível saía de sua garganta selvagem. Não lhe importava. O completo desaparecim ento deles parecia um mistério. eles a ma iam. Se duas pessoas já estiveram completa e inteiramente perdidas. sabendo que ele seguia para o sul. Mas foi apenas por instantes. Quando estacou. desfeita pelo pavoroso grito de vitória dos macacos. de modo que tomara outro rumo. E logo seus olhos fitaram a mulher. Você não pode voltar para lá disse-lhe Tarzan. creio que matariam. E e ntão. causaria infelicidade à vida d e Wood. mas não desco brira coisa alguma. e ele planejava partir logo p ara solucioná-lo. Foi quando o reconheceu. Viera para o norte. emitindo o berro fantasmagórico que ecoara tantas vezes por outras florestas. o próprio tempo fazia aproximar a solução. Em pouco mais de um quilômetro. não ti nha motivo para viver. Homens! Parece um grupo de guerreiros. O homem se pôs em pé. temos de chegar a alguma aldeia onde po ssamos arranjar guias. os olhos fuzilantes. todavia. já passou o momento para isso. Muito bem. segurando o companheiro pelo braço e apontando. têm bom aspecto observou Wood. com pequeno safári. aos olhos de Tarzan. de mistura com os do animal. morto. de modo que resolvera fugir. aguardando o fim. a fim de enxugar o suor da testa. duas vezes. E aí vêm. hav iam procurado notícias de Wood e Van Eyk. Havia o utras coisas a serem cuidadas. qu . Ele pareceu acocorar-se um pouco. Decorreram semanas até que o homem-macaco levasse a jovem para seu lar para o bangalô confortável onde sua esposa a acolheu e tratou. Ela parecia infinita. Os negros se detiveram a dez metros dos homens brancos e logo um deles. Viu o punhal cintilando no ar uma vez. a culminação da ferocidade. Que alívio! exclamou Van Eyk. terá todo o dinheiro de q ue precisar. com rugido pavoroso e final. marchavam por uma floresta sombria úm ida. O tempo. deprimente. de início pelo pavor e logo por causa da surpresa. Eles nos viram.

falando bom inglês. feita de fibras.e devia ser o chefe. Eu moraria no inferno. Já no p rimeiro dia. Gonfala! Onde está ele? Ele está bem? Sim. Tomem um banho. Quando Wood chegou ao pátio e a viu. Talvez o conheçamos. e daria graças a Deus pela oportu nidade. Vou embora. Você foi embora sozinha? Por que foi? Ela contou. Uma jovem de cabelos dourados estava em cadeira de es preguiçar. Levaram Gonfala com eles. Queremos arranjar guias que nos tirem daqu i. O que eu quero é descobrir Gonfala. em terreno pedregoso. Tarzan! murmurou Van Eyk. Alguns de nossos pretos acharam que eles voltaram para o sul ou par a o oeste. e o que disse foi o seguinte. você está redondamente enganada. bwana. pondo-se de frente para eles. Teriam causado mais infelicidade do que outra coisa. As lágrimas assomaram aos olhos da jovem. aquelas pedras podem ir para o inferno. Estaremos por lá. venham para o pátio. Como fugiu de Spike e Troll? Fugir de Spike e Troll? Nunca estive com eles. perdemos a trilha deles. O Gonfal e a grande esmeralda. Acho que nós a acharemos. Não obtive qualquer notícia de vocês. Clayton! gritaram ambos. um homem chegava à varanda. Percebi que ia estragar a vida do Stanlee. Venham disse o negro. Bob! arquejou. ponham rou pas limpas. Em uma hora. A o ouvi-lo. Gonfala dedicou-lhe um olhar de gratidão. Mas agora vou ter de mostrar-lhes os seus quartos. Bem. Estivemos à caça dos dois. vou procurar lembrar-me das palavras: Eu atravessaria o inferno. Imaginava que ele me amasse. Quando estiverem pr ontos. estive reocupado. por causa dela. pequeno paraíso florido em volta do qual a casa fora construída. vão vê-lo. fitando-a po . aguardando a chegada do anfit rião. Será que posso vê-lo logo? Já vai estar aqui. com tempo para pensar no assunto. Deve ser ele quem vem agora. Aí vem. por ela. O que estão os bwanas fazendo nesta região? perguntou. Acho que foram as palavras que ele usou. Talvez. está aqui. Por onde andaram? Na noite em que você foi embora. momentos depois. Uma hora depois. e le tenha ficado satisfeito por eu ter ido embora. Não. Você não quer dizer que existe mesmo Tarzan? interpelou Wood. voltou-se. os dois h omens se encontravam na varanda larga de um bangalô. Van Eyk foi o primeiro a chegar ao pátio. Nu nca pensei que ele só me queria por causa da esmeralda. para deixar que se casasse comigo. mostre o caminho. As riquezas geralmente causam. Como se chama ele? perguntou Van Eyk. Nunca mais voltamos a encontrá-la. Para mim. com certeza. então. Van Eyk sacudiu a cabeça. aproximou-se mais. Quem disser que não existe não estará falando palavras de verdade. Folgo muito em vê-los disse Tarzan. talvez seja mel hor. Muviro. Seus olhos se arregalaram de espanto. Ouviam passadas que se aproximavam do interior da casa e. os dois desapareceram? Bem. aturdidos. Estamos prontos. P or mim. Amava demais . Spike e Troll roubaram o Gonfal e a grande esmeralda e deram o fora. tendo nas mãos um exemplar do Illustrated London News. em uníssono. Caçam? Estamos perdidos explicou Wood. Eu a amo a esse ponto . Não parece possível. limitou-se a ficar parado. E eu o amava. dando um salto e pondo-se em pé. Falei com ele sobre a questão. Os dois brancos se entreolharam. Procuramos nessas direções e também nos perdemos. Eu levo vocês ao Grande Bwana. não é difícil encontrar qualquer pessoa na Áfric a. Que se danem as pedras! exclamou Wood. que ouvira a conversa de Spike e Troll. Qual é o seu nome? Muviro. Ele é Tarzan. Vão encontrar alguma coisa que sirva.

quando já conseguiam falar.r momentos. Suas vozes estavam demasiadam ente embargadas de lágrimas de felicidade. já falei a respeito. E então perceberam que nada jamais poderia separá-los. Não disse uma só palavra. em companhia dos demais. Mountford. Tarzan abriu a folha de papel e leu: A quem possa interessar: Estou dando esta carta a minha filha. Era um papel am arelado pela idade. Ela o entregou a Tarzan. contaram-se mutuamente o que acontecera. não conseguiam enunciar palavras inteligíve is. devorando-a com os olhos. Por favor. Não consigo ler. Capítulo treze . se ela tiver co nhecimento de que ele não é seu pai. Ela foi ao quarto e logo regressava. Nunca tive a coragem de dizer-lhe que é minha filha. trataram dos planos para o futuro. tomando-a nos braços. Chamam-na de Gonfala. trazendo o documento. Vocês sabem. Depois de algum tempo. Wood disse que iam casar-se e seguir imediatamente para a América. Nunca me ensinaram a ler. Ao anoitecer. Eles mataram sua mãe pouco depois de seu na scimento e a criaram para ser rainha dos kajis. Preciso levar uma carta ao Mini stério Colonial de lá. se tiver a sorte de escapar dos kajis. pois Mafka ameaçou matá-la. não fez pergunta algum a limitou-se a ir ter com ela. para levá-la a Londres e identificá-la. leia em voz alta pediu. Vou apanhar a carta. Tenho de ir antes a Londres disse Gonfala.

pela alma de sua tia. enquanto preparavam a ca rne para a refeição noturna. ainda que esteja a cinco metros de distância. Um por um. Da floresta. Spike abaixou-se para apanhar o arco e as flechas. Spike voltou a se pôr ereto. Os coitados estão morrendo de medo. ao se porem em pé. Sim. O outro anuiu. tendo as armas preparadas. e você sabe como é duro ac ertar um leão. se a gente fizesse alguma s ujeira. e o dia. Examinou os dois homens brancos e os seis carregadores com ar arroga nte e desdenhoso.CANIBAIS O sol em ocaso projetava sombras compridas na direção do nascente. Troll fez o sinal de paz. Como os companheiros negros.. Mas não acerto u m elefante. achavam-se a rmados de arco e flecha e lanças curtas. Um deles assentiu na direção dos negros. ouviu-se um grito assustado de Bwana! Olhe! Um dos negr os apontava na direção da floresta.. se eu acertasse nele. e eles sabem. Troll deu de ombros. A sombra da floresta os encobria. Com medo d essas coisas. quase se podia dizer que não tinha equipamento algum. que tinha aos pés. . pois o sol estava a ponto de desaparecer. finalmente. estendendo-se pela planície. na terra dos bantangos? interpelou. o Clayton. Cale a boca! resmungou. e talvez eles sejam amigos . Nós estamos em terra de canibais. Dois deles eram brancos. fazi a carranca para os dois embrulhos de pele. Mas disse que voltaria e disse que iria saber. inquieto. quando ele está atacando. Fique quieto! advertiu Troll. Alguns traziam carne da última caça abatida e havia dois embrulhos feitos em p eles de animal. preparava-se para pôr de lado seus encargos. Tratava-se de um safári de equipamento reduzido. O que fazem aqui. O leão voltou a bramir.. Nós somos poucos. Os homens brancos estavam taciturnos. Ora. se a gente sair com vida. Era o prelúdio de outra noite africana. em meio à vegetação que quase chegava ao poço de água. e foi assim durante prolongado silêncio . acompanhado pelos guerreiros. Estac aram a dez metros do acampamento. Você não sabe pensar em nada bom. Acho que há uma praga nelas.. e não se via uma só arma de fogo entre eles. Espero que ele não seja comedor de gente. era tudo. mastigando a carne mal cozida e dura de um javali velho que o s negros haviam morto na véspera. Muito longe dali. O companheiro. de semblante sombrio. pa recendo cansado. cale essa boca! Voltaram a silenciar.. Os guerreiros se aproximavam com cautela. olhos vigiavam. Isso não me assusta. Silenciaram. sentado.. Troll declarou. seu chefe. Eu também estou com um medo desgraçado. adu zindo: Dava para matar um coelho com elas. Esse bicho está chegando mais perto. Ele foi para o norte. um leão bramia. Os dois brancos giraram. Não gosto daquele cara. tão majestosa quanto o rei dos a nimais e igualmente selvagem. Troll se remexeu. os negros de sua comit iva se puseram vagarosamente em pé. A não ser pelas armas brancas. Uma dúzia de guerreiros negros vin ha em sua direção. Subitamente. O que não quero é encontrar aquele cara. falando em cochichos. Ele ser ia capaz de tirar as pedras da gente. O chefe adiantou-se. vinha à frente dos demais. pelo menos de vez em quando? Esse negócio de andar por aqui sem arma nenhuma ataca os nervos de qualquer um. Os negros mantinham silêncio. Um grupo de oito homens pôs ao chão seus poucos pertences e acampou ao lado de um poço de água. as mãos vazias. Olhe só essas coisas do diabo! Desferiu então um pontapé em seu arco e feixe de flechas. fazendo caretas. Por seis milhões de libras eu topo todo tipo de praga.

Vou ficar.. Não largaram a s armas. Meu Deus do céu. com a rapidez característica da faixa equatorial. Das sombras profundas. e vão emb ora! O chefe e os guerreiros continuavam olhando o Gonfal e Troll. Caíra a noite. Não tem armas. de mistura com rosnados selvagens. não está. Você sabe o que significam esses dentes limados. em tom ameaçador. em tom lamurioso. recuperaram a coragem. Pois é. afastou as peles. brandindo as armas. Isso mesmo! Por que a gente não pensou nisso ante s? Pensou em quê? No Gonfal. Faça esses caras darem o fora daqui. Larguem as armas. sem o co nseguir. Vocês pertencem a mim. Troll ajoelhou-se ao lado do Gonfal e pôs uma das mãos sobre ele. Por toda a noite eles seguiram na orla da floresta. Alguns berros. trazendo a outra pedra. Não tem safári grande. depois ele falou comigo. A gente pode usá-lo. Grande safári vem atrás de nós. pouco após o amanhecer. e logo era o silêncio. O que foi que eu disse? interveio Spike. Deixe ver aqui disse Spike. Os guerreiros se adiantaram. é só botar a mão em cima e fazer qualquer sujeito obedecer à gente. da escuridão em volta. iluminavam a c ena cheia de tensão. Apenas os fog os acesos no pequeno acampamento. Não vou embora retorquiu o chefe.. não foram embora. como o velho Mafka usava. você não viu? Você? É claro. eles chegam logo. Vão embora! disse. É melhor ir embora insistiu Troll. pondo à mostra a grande pedra que brilhava e cintilava à luz das fogueiras. larguem as armas e dêem o fora. destinados a preparar a comida.. Ele começou a desembrulhar o Gonfal. eu levo. Eu a usei. vieram a seus ouvidos po r instantes rápidos. procurando dar tom de ordem à voz. O chefe deu um passo à frente e desferiu um pontapé no rosto de Spike. em todas aquelas horas. com gritos de guerra. um grande leão acometeu aquela confusão selvagem. Eu levo disse. com um arquejo de espanto. O chefe recuou. Meu guerreiro acompanha vocês há dois dias. jogando -o de costas no chão. Vocês aí. Não vou largar as armas. passou por Troll e foi atacar o apavorado chefe e seus guerr eiros. eu trocava essas duas pedras por uma arma gemia Spike. baixando-se e colocando a palma da mão sobre a p edra. Você quer ver? O chefe assentiu. as mãos trêmulas. Ali se atiraram ao chão. apontando para o Gonfal. se não dessem o fora? E o que ac . mas o seu brilho o enchia de temor. e partiu em desabalada carreira para a floresta. Não sabia o que era a pedra. Vendo que nada acontecia.Procuramos guias replicou Troll.. um grande leão observava. vamos embora. vocês todos. Spike levantou os cordéis que prendiam o envoltório do Gonfal e. Se gostar. Coisa forte explicou Troll. Há uma maldição. Não disse a eles que iam morrer todos. antes que nossa mágica mate todo mundo b errou. esgotados. Apanh ou o grande diamante e berrou para Spike e os carregadores para que o seguissem. O que tem aí? interpelou. o grande diamante dos kajis. falando com o chefe. As pedras! exclamou Troll. Depois. Mentira disse o chefe. O chefe deu um passo à frente. Que negócio é esse de nós ? retorquiu Spike. recobraram ânimo e falaram pela primeira vez. Você mente. Saltou por cima de Spike. Troll aproveitou no mesmo instante a oportunidade e tratou de fugir. e o he só os dentes dessa gente aí. veio um rugido trovejante que sacudiu a t erra. E então. Vocês vêm à nossa aldeia. Veja só! Boa idéia. no mesmo dialeto. muitas armas . uma praga em nós. Eu disse a você que era terra de canibais observou Troll. Acho que nós não sabemos usar essa pedra sugeriu Troll.. qu e estava caído ao chão. Enquanto mastigavam mais uma vez a carne do velho javali. O Gonfal não está dando certo? interpelou Spike. e só pararam ao chegar a um córrego. Esperamos aqui até e les chegarem..

Riscou uma linha no chão. Deve estar com um dos negros. Para dizer a verdade. Mafka insistia nisso. Mas o feiticeiro dos zulis fazia o mesmo com a esmer alda. vocês! Qual de vocês está com a pedra verde? Eles o fitaram. em negativa. Não sabemos da pedra. e você não pode. voltando-se para os carregador es derreados pelo chão. peço uma coisa . Já lhe mostro... Onde está ela? Não está comigo... com uma risada. não é? Deixou uma pedra que deve valer tr milhões de libras lá na terra dos canibais! Capítulo catorze RAPTO Cansada? perguntou Wood. logo se entreolhavam. Eu disse a você para trazer. Eu a esfrego. mas logo se animava. cheio de confusão momentânea. sem entender a pergunta. Stanlee.. Você mesmo v iu. Tenho uma idéia melhor. Aqui. atravessando a linha. que tenhamos conseguido escapar. dê para cá. Olhou então fixamente para o companheiro. eu digo que você não pode cruzar essa linha. a eternidade é muito tempo concordou Wood.. com uma careta. Diabo! bradou Troll. Agora. Eu não consegui? Não.. É possível que possa vencer qualquer um de vocês na corrida e em resistência. mas isso aí faz a mesma coisa para mim.. Talvez a pedra só dê certo c om a presença dela.. Ele cheirou carne. Ninguém disse um. Vocês nem imaginam. Quem diz que eu não posso? contrapôs Troll. Foi ótimo disse Wood . Espero nunca mais voltar aqui. Aquele leão já vinha.onteceu? O Gonfal chamou o leão. Talvez seja isso. o Clayton. fez as pedras funcionarem nos kajis e zulis. Ei. muito e xercício. Bem. É difícil de ent ender. esqueci o nome dele. Já sei exclamou. Talvez admitiu Spike. est ou farto da África. Sp ike cocou a cabeça. muito antes de você tocar na pedra. descobriu-o e colocou a palma da mão em sua superfície brilhante. É que eu costumava caçar com os kajis. Nem um pouco. Um dos negros sempre a traz insistiu Spike. Você se lembra daquela lâmpada que o sujeito costumav a esfregar. Será ótimo. Eu compreendo.. Sim. Aquele cara. Muito bem. Spike tirou o diamante de Troll. quando houver acabado. foi o que o trouxe. e ele não precisava de Gonfala. menos por ele. Gonfala estava lá observou Troll. Você é uma beleza. Você andou perto de ficar aqui muito tempo. Sente! ordenou. Gonfala sacudiu a cabeça. pois temos duas marchas prolongadas entre este acampam ento e a linha de trem. Troll teve um sorriso de escárnio e disse a Spike para ir para o inferno. para quem não fazia nada mais do que sentar em um tron o comentou Van Eyk. e não você com sua pedra dos infernos. é capaz de ter um truque nessa pedra que eu não entendi reconheceu Spike. Somos as primeiras pessoas que puderam fugir de . Acreditava no exercício feito por todos. usando um gal ho. mesmo agora. e dá certo! Besteira! Muito bem.. experimente então a esmeralda. Está andando muito bem. É inacreditável anuiu Gonfala. .

é melhor a gente dar o fora. oh. a gente pod e pedir para que nos forneçam a direção certa. onde a gente está? Você ficou maluco? Mas como é que você sabe que ele anda por aqui? Aqueles lá da fogueira.-talvez n unca tenham ouvido falar nele. Vamos levar dois dos negros com a gente. E Wood e Van Eyk. Esse retardamento par a a caça era uma concessão feita por Wood a Van Eyk. os quatro se aproximaram do acampamento de Wood e Van Eyk e. em terra de leão. seguiram para o abrigo de um amon toado de arbustos. As vozes dos três brancos em volta da fogueira vinham com clareza aos ouvido . Muito bem. Ora.. caçador infatigável. Ele disse que ia sab er.Mafka. fornecido por Tarzan. acho que a gente devia descobrir quem acendeu aquele fog o. Eles podiam pôr a gente na trilha certa. Cale a boca! Escute o que eles estão dizendo. pare de resmungar por causa disso. Depois fariam as duas longas marchas até a estrada de ferro... Os três estavam acampados. pois se achavam em território excelente para isso. eu acr edito em tudo. Orientados pela fogueira. Se forem outra. de noite e sem arma. vamos tocando. A gente estaria seguro. dav a para fazer o diamante funcionar. Ele é onívoro .. Ao cair da noite. Está aí uma bonita palavra. Só uma besta não ficaria com medo. Dizem aí que os leões gostam de carne escura. ao final de um dia de marcha a caminho da civiliz ação. Ou caçadores brancos. E que mais podia ser. Os homens planejavam dedicar um dia à caça. não é? Não tanto quanto o camarada que sai correndo e deixa três milhões de libras em e smeralda com um punhado de canibais. E falar para aquele cara. que obtivera p ermissão do senhor da selva no sentido de levar alguns troféus para sua coleção. a mais de um quilômetro para o norte. o Clayton. estou pensando em quem p ode ser. Se a gente pudesse pegar a garota! E o que nós queremos dela? Você fica mais tapado a cada instante. Para o diabo com eles. a luz da fogueira lançava sombras bailarinas por todo o ac ampamento e estendia-se até longe na escuridão.. O que a gente quer dela! Com ela. pois aquela era região de leões. como o Mafka fazia. os kajis diziam que se mpre esteve. a não ser que seja mais burro do que eu i maginava. não tinha nada que pudesse atrapalhar. ninguém sabe por quanto tempo. por favor. Ele anda por toda parte. Se eles são certa coisa. At raía também outros olhos. atraindo e repelindo ao mesmo tempo os grandes carnívoros. Puxa vida! cochichou Spike. Aquela fogueira pode estar muito longe e. E você também tem medo. e ele esteve lá. Acreditavam que ele havia criado o mundo.. mesmo assim. Uma fogueira resmungou Troll. cujo território atravessavam. Eu a larguei por lá tanto quanto você. Acho que deve haver gente naquela fogueira. Bem. O que pode ser aquilo? perguntou Spike. ela não está com a gente. E que diferença faz? perguntou Troll. se a gente traísse o Stanley. Contavam com um safári eficiente e bem equipado. um iceberg? Você gosta de fazer gracinhas. de onde podiam ver sem serem vistos. E o quê? Nós estamos em terra de leão. Todo mundo ouviu falar nele. afinal de contas? Não faz ma l nenhum dar uma espiada por lá. Quem sabe se você disse alguma coisa inteligente.. Você é um ignorante.. depois de fazerem reconhecimento. Depois do que ele fez na terra dos kajis. e como o Clayton fez. naquele sujeito. Bem. Ficou com medo? Claro que sim. Talvez os nativos. Olhe só quem está lá! Gonfala! arquejou Troll.

atravessando em s eguida uma colina que era continuação do morro. quer acreditando que um dos homens t eria maior probabilidade de abater um leão do que a moça. E você pode fazer de conta que somos três homens. E no que dizia respeito à coragem. Os se is homens de seu safári esperavam escondidos. sob o sol matutino. Van Eyk seguiu diretamente p ara o leste. Este último não ficara satisfeito com os preparativos do dia. Mas neste lugar não sinto medo. que amanhã serei o terceiro homem. Pelo que me contou. Stanlee. mas que ainda estaria à vista de Van Eyk. e alguns dos componentes do safári seguiram poste riormente na direção tomada por Van Eyk e Wood. Gonfala passou pelo morro. A friagem da noite ainda pairava como vapor. aum entando assim. pois não lhe agrad ava a idéia de Gonfala sair sozinha. deixando de lado os hábitos de caçada. Mas. talvez também de Wood. fracamente e na direção do leste. a distância entre si e os dois companheiros. Fica combinado. quer por se sentirem mais seguros próximos das armas dos homens. dando para a planície. Boa noite. por causa de uma série de morros baixos que tinha à direita. em seus países civilizados. Não sou como as mulheres que você conheceu. Bob. falando com o carregador de armas. vai ter de me ouvir. naturalment e. era a ameaça muito maior representada pelos dois homens que a vigiavam de seu a brigo rochoso sobre a elevação. Acho que vie . send o também bom atirador. Bem. Sem desconfiar do fato de que oito homens a seguiam. Gonfala. sob o olhar de Spike e Troll. se ela ins iste em ir também. Wood se consolava um pouco ao refletir que a jovem. quando os três caçadores partiram do acampamento. cada um dos outros queria pegar um leão. Gonfa la era magnífica. Já ao desjejum haviam feito apostas sobre quem seria o afortunado a apreender o primeiro troféu. O terreno em que caminhava agora era interrompido por afloramentos rochosos e ravinas. A direção tomada por ela dava a entender que passaria um pouco a leste deles. já que a noite estivera cheia de rugidos constantes dos grandes carnívoros. arbustos baixos e algumas árvore s. O que não podia ter imaginado. Alguém teve sorte disse ela. e isso resultará na formação de rivalidade. e. o disparo de dois tiros de fuzil. Boa noite. procurando um leão e desviando-se constantemen te para o ocidente. Gonfala prosseguiu em sua busca aparentemente infrutífera.. mas. não lhe causando preocupação. caso Gonfala se metesse em alguma embrulhada e. disparar ele próprio contra qualquer leão em investida. ficarei tão indefesa e com medo por lá quanto elas ficariam por aqui. acho que isso resolveu o caso observou Wood. querendo pegar um leão levando apenas um portad or de arma. Boa noit e. na hora que se seguiu. Ainda assim ele insi stira em mandar como portador de armas um homem cuja coragem era conhecida. no ápice de pequena elevação a nordeste do aca mpamento de Wood e Van Eyk. Foi o que fizeram. naquele curto período. com um sorriso contrafei to. Pouco após partirem do campo eles se separaram. e agora vou-me deitar. Se fossem três homens. mantendo-se bem atrás de Gonfala e olhando-a apenas de vez em quando. todos os três. Eu sei fazer tudo o que um homem faz insistiu Gonfala. você e ela podem ir juntos. podíamos nos espal har mais pelo terreno.s de Troll e Spike. portanto. Acho que Gonfala deveria ficar no acampamento e descansar. estendidos no chão. Mas a garota rebatera todas as objeções que fizera. Stanlee. Wood marchou para o sul e Gonfala para o norte. Hav ia chegado à conclusão de que os leões tinham saído do local quando ouviu. que se aproximavam pela planície abert a. descobrir mais coisas.. E instruíra o mesmo para estar sempre pronto com o segundo fuz il. Afigurava-se possível que o conseguissem. Todos eram acompanh ados por um carregador de armas. Os dois brancos ob servavam Gonfala e seu carregador de armas. de modo que foi fácil para Spike e Troll acompanhá-la sem o perigo de serem desco bertos. Não seja bobo. e a partir dali achava-se fora da visão de Van Eyk ou Wood. rumo à caçada do dia. de modo constante. Mas quando eu a levar para o meu país. Spike e Troll observaram a partida dos mesmos. Por trás de um afloramento rochoso. Talvez retorquiu Gonfala. Embora Gonfala fosse dona de pouca experiência no tocante a armas de fogo até semanas antes. embora no começo essa fo sse a idéia de Van Eyk. revelara ser excelente atiradora. Van Eyk elaborava os planos para a caçada do dia seguinte.

mas como se fossem passa r um pouco à direita do animal. Gonfala disparou novamente. Tendo-se aproximado cerca de quarenta metros. Ouviu-se apenas um estalido. . or um dos lados. Essa foi bem difícil observou Spike.. não diretamente para o leão. enquanto o enorme felino dest roçava a vítima por momentos. memsahib cochichou ele. mas esse se limitou a continuar deitado. Não dê atenção a ele cochichou ao carregador. julgou que fossem os compa nheiros que chegavam. O carregador de armas apanhou uma pedra e jogou-a sobre o leão. A gente viu lá de cima. Mas isso não deteve a fera enfurecida. Eles se aproximaram. fechando as mandíbulas em volta de sua cabeça até esmagar-lhe os mio los. os rugidos raivosos estilhaçando o silêncio reinante. que já se erguia s obre Gonfala. Atire. Gonfala entregou-lhe o fuzil e depois passou sobre o corpo d o negro. n a direção de Gonfala. Foi quando o carregador de armas fez mira e apertou o gatilho do seu fuzil. errou o tiro. fitando-a tranqüilamente. você tem uma bela arma aí. Fora atingido. entre a relva. Isso vai ser ótimo! exclamou Spike. Um tiro frontal. ao que Gonfala sabia. e só a cabeça era v isível. Faz sema nas que estamos perdidos.. o leão. Fez u m gesto para que os companheiros estacassem e chamou Troll para o lado. É isso que eu chamo de sorte declarou Troll. Nós estávamos indo para a estrada de ferro explicou ela. Com um rugido de raiva o leão se pôs em pé e acometeu. salvara a vida de Gonfala.mos na direção errada. e os olhos da fera os acompanharam. com velocidade espantosa. Sem saber. mas não havia motivo para crer que c orresse algum perigo em companhia deles. por momentos. proporcionando assim um alvo difícil. ela estacou e voltou-se para o leão. Não. por baixo da árvore. Deixe ver. para depois cair sobre o cadáver e morrer. girou sobre os calcanhares e partiu em fuga. todavia. pois . memsahib! Gonfala se pôs sobre um dos joelhos e disparou. Sem refletir. Vamos! Fez gesto para que os outros o acompanhassem e começou a descer o declive. mas não detido. que ti nham roubado o grande diamante e a esmeralda. O que estão fazendo aqui? perguntou Gonfala. viu a cabeça de um leão. A gente está procurando chegar até a estrada de ferro explicou Spike. Vamos ver se nos aproximamos mais. apontando. observaram a cena que tinham à frente. A fera se achava a cerca de oitenta metros de distância. A jovem ficara estupefata. a distância era muita. sorridentes e afáveis. O leão estava quase alcançando Gonfala quando o carregador. Sabia que eram homens maus. Gonfala voltou a disparar e novamente atingiu o alv o. então. embora rolasse sobre as costas. mas logo os reconhecia. A gente fica com a garota e dua s armas. Ela os viu quase imediatamente e. O resultado foi imediato e eletrizante. o leão exibiu as presas enormes e rosno u. pois ao ver o homem que fugia. Olhe! Simba! Gonfala lançou um olhar rápido na direção indicada e lá. em nossa companhia. o cartucho falhara. que se pôs sobre as patas traseiras e agar rou o carregador. O leão deu um salto no ar. Eu bem queria que ele se levantasse disse Gon-fala. E não tem nenhuma testemunha aduziu Spike. Juntos. deitada. seguiu o instinto natural que salvou a vida de muitos caçadores e pa rtiu em perseguição ao fugitivo. Troll recolhia a arma e a munição do negro morto e Spike estava de olho no mag nífico fuzil que Gonfala segurava. serviria apenas para enfurecê-lo e precipitar sua investida. Vocês podem voltar ao a campamento comigo e ir para lá. Chegando a uma elevação por trás. sem poder ajudar. logo se levantava e os atacava. sem que ela ou o carregador de armas dessem qualquer sinal de que lhe haviam percebido a prese nça. mesmo se a gente tivesse arma. Spike percebeu a situação no mesmo instante. assus tado pela negaça da arma. os olhos amarelo-esverdeados a fitá-la sem pestanejar. Ei. Eles se adiantaram. mas não podia fazer nada para ajudar. Quando Gonf ala deu alguns passos em sua direção.

menina. gozar a vid a... pelo resto de suas vidas. Escute. Para o diabo retorquiu Troll. Wood. Ora essa. Você também não vai voltar.. não quer machuc ar ninguém. Não pertenço a nenhum de vocês. Capítulo quinze GARRAS Van Eyk derrubou seu leão com o segundo tiro e minutos depois ouviu três dispa ros feitos por Gonfala. Gonfala disse Spike. indo . E vamos viver como reis. Oh exclamou Gonfala. não funciona. Quem sabe até se eu me caso com vo cê? disse. e chega de conversa. E você acha que ia dar jeito de a gente se livrar daquela pedra na Europa? c ontrapôs Troll. no que tocava à segurança de Gonfala. pelo menos. De que está falando? Foi o que eu disse: você não volta para seu campo. porque precisamos de você. declarou. Eles dizem que o dinheiro da venda seria bastante para comprar tudo que quisessem.Está morto po. Vem com a gente. tanto eu quanto o Gonfal seremos tirados de vocês. a voz cheia de coragem. que não tivera tanta sorte e fora atraído pelo ruído da arma do companheiro. agora que Van Eyk já tinha seu troféu. Continuava apreensivo. Gonfala se encolheu. Nada disso. Já calculamos tudo. Bem. Depois. nós vamos ser reis . não vou. e ter tudo que quiser. Se r esta algum juízo nessas cabeças. É melhor que fique boazinha. deixarão que eu me vá. São dois imbecis. sugeriu que mandassem a carcaça de volta ao acampamento. sorrindo. Os seus homens podem carregá-lo de volta ao cam A gente não vai voltar para seu campo disse Spike. serão seguido s e mortos ou. mas ele não funciona sem você.. Você vem com a gente. veio ter com ele. poderão levar o Gonfal par a a Europa. Nós pegamos o Gonfal. e. Ela é tanto minha quanto sua. Você pode ser rainha. mas o coração desalentado. Uma pena. também. A gente vai se estabelecer como o Mafka. Para quê? perguntou ela. assim que acharmos uma terra boa. Não funciona? Sim. A gente não quer encrenca com você. nesse caso o que devo fazer? Não posso carregá-lo so zinho. Se me levarem daqui.

portanto. que não tin ham preparo para isso. supuseram que. e não ouvimos um só tiro. Acho que de nada adianta. Se ela e stivesse viva. Não acredito! Van Eyk sacudiu a cabeça. Mas que pode fazer sozinho? Não vou tentar nada sozinho. meu velho disse o último. Van Eyk concordou. ao acampamento que não abandonara. Wood e Va n Eyk regressaram ao acampamento. Se fosse atacada por algum leão. Wood assentiu: Sim. A essa altura a tarde ia adiantada. Dividiram o safári em três partes. de vez em quando. mas eu fico. haviam estado ali. em tom solidário. Talvez nunca esqueça. E que. caso ela voltasse para lá sem encontrar Wood ou Van Eyk. Você já viu como eles atacam. nenhum fragme nto de roupa abandonado. pois não havia sinal algum de homens brancos nenhuma lata vazia. e eles partiram na direção da qual haviam ouvido os disparos. eu sei.. teria disparad o ao menos uma vez. encabeçado pelo capataz. convencia-se mais de que Gonfala não estava morta. Ele ajudará. Van. antes de sab er que havia algum leão por perto. mas supunha que fossem nativ os. Era possível. saíram em trilhas levemente divergent es. Assim. recebeu ordens de permanecer no acampamento. encontraram a campina onde Gonfala achara o leão. achara outra coisa q ue viera acentuar sua crença de que Gonfala devia estar viva o acampamento de Spik e e Troll. antílopes e animais ferozes. eles não a haviam encontrado. na direção geral que Gonfala tomara de manhã. ou sinal de que uma barraca fora levantada. cheio de cansaço. O chão era duro e pedregoso. caído sobre o corpo do carregador morto.. Stan. disparando as armas. Se eu achasse que havia a menor possi bilidade. nenhum farrapo de roupa.. esgotados e desanimados. a essa altura. Procuraram por duas horas sem qualquer resultado. cada qual encabeçando uma dessas partes. enquanto o terceiro grupo. preciso voltar para casa. o mais depressa que puder. Pretendo voltar a descobrir Tarzan. de volta ao acampamento. perseguida na escuridão e abatida.. muitas vezes chamando-a pelo nome e. Wood vasculhara o terreno por quilômetros em vo lta e. disparando um fuzil para orientar a moça. Não descobrira qualquer sinal de restos humanos deixados pelos leões. mantendo uma grande f ogueira acesa e. teria ouvido nossos fuzis e respondido. Ela não poderia es tar viva. e logo. Assim é qu e não ficaram muito apreensivos. Sei que é duro. mas Wood insistiu em empreender imedia tamente a busca e Van Eyk concordou. Gonfala e se us captores ouviram os disparos distantes das armas. senão depois de voltarem ao acampamento e descobrir em que ela ali não estava. Não for a procurar Tarzan. Não posso crer que esteja morta disse Wood. tendo vindo de outra direção. ficando nesse lugar . mas enviara a ele uma carta comprida. eis algo que Wood não podia imaginar. ou o local onde morreu. você vai. Wood estava de volta. naquele período. ainda não. e Van Eyk e Wood. que o destino de Gonfala fosse pior do que a morte m . O tipo de homens qu e acampara ali. depois de vê-lo morto. sem dar aos olhos dos homens brancos. mas Gonfala desaparecera. qualquer indicação de que outras pessoas. Embora houvesse descob erto muitas vítimas de leões zebras. mas em nossa terra será diferente. n enhuma indicação das duas armas ou da munição que Gonfala levava. Se alguém pode descobri-la.os dois juntar-se a Gonfala. é Tarzan. É melhor que você venha também e proc ure esquecer. na direção meridional. além de Gonfala e seu carregador de armas. Sabe que tudo acaba d entro de um segundo. Você viu que ela tirou a arma e a munição d o carregador. Ela levou duas armas persistiu Wood. sem ter quem cort asse e carregasse a cabeça do leão. para quem não está preparado. mas você tem de aceitar os fatos e a evidência. Por toda a noite. em terra de leões. mas sei que não é assim. mas não desisto . a cada dia. procurando sua Gonfala. Bem. mais por casualidade que por desígnio. O dia seguinte estava pelo meio quando. Dez dias depois. Ali estava o an imal. ficaria por aqui. a não ser para dar batidas infrutíferas. de vez em quando. Não adianta. mediante portador rápido. Você deve ter razão. Ficava a curta distância ao norte de seu próprio acampamento e Gonfala de via ter-se aproximado de lá na manhã em que partira para a caçada. a jovem regressara para lá sozinha. Talvez fosse surpreendida. Por todos os dias.

Eu sei viajar muito mais depressa. ao que pa rece. Tarzan teve um de seus raros sorrisos. Seguiram rumo ao norte. o rastro mais recente que saía do acampamento. mandarei recado e você poderá vir com um grupo de wazir is. cujos sentidos haviam sido embotados por gerações seguidas de falta de uso. Tais eram seus pensamentos ao atirar-se no catre. Interessante observou Tarzan. observando a figura magnífi ca do homem-macaco. Faça o que digo. desalentado. Dava para ver os ossos abandonados. acendera fogueira e comera alguma coisa. carregavam pouca coisa. Como sabe que tinham mochilas? perguntou Wood sem ver qualquer outra indic ação além de que alguém estivera ali. L ogo se punha em pé. Mas tenho a certeza de que havia. mas aí estão. Isso aconteceu onze dias atrás observou Wood. levando-os à descoberta da pres ença de Gonfala. Não podemos perder tempo. depois de examinar bem. Gonfala. se não puder salvá-la sem ajuda e ele voltou a sorrir . Isso faz pensar em nativos. Vim assim que recebi sua carta. talvez do is. mas que descobrira um acampamento no qual haviam es tado homens. seus poderes de observação. É tarde demais. enchia-lhe o espírito de imagens sanguinolentas. serviria apenas como atraso em companhia do homem-macaco. Uma figura ensombreceu a entrada da barraca e Wood se voltou para olhar. Você andou procurando. e ainda se podem ver as marcas das cordas que as prendiam. as narinas sensíveis revelavam fatos que eram como um livro fechado para o americano. e isso indica que eram homens brancos. foi capturada por esse grupo. nas quais procurava vingança. Est avam com mochilas. quando Wood e o homem-macaco foram para o acampamento ao qu al Spike e Troll tinham sido atraídos pela fogueira. Tarzan! Meu Deus. A experiência de toda a sua vida. Era um acampamento dos mais pobres declarou. é claro. talvez um. Agora. após tão prolongado sofrimento. os sinais são muito leves. recrim inando-se como fizera mais de mil vezes por ter permitido que Gonfala caçasse sozi nha aquele dia dia que parecia distante. Você vai regressar a seu acampamento e começará amanhã gem para minha casa. A comida andava fraca. Tarzan examinou minuciosamente o terreno e adjacências. Mas eu não posso ir com você? interpelou Wood. os detritos ali deixados. E Tarzan voltou a descobri-lo mais além. recentemente. não replicou Tarzan. tudo lhe contava alguma coisa. Não vejo nada reconheceu Wood. Quando eu houver localizado Gonfala. Sabia que Tarzan tinha razão. a relva amassada. afinal. Volto u-se então. e que u m homem.isericordiosa proporcionada pelo rei dos animais. Tratava-se de ordem terminante e Wood ali ficou. . pensei que você não vinha mais. O pensamento o levava ao deses pero. O seu palpite talvez esteja certo disse o homem-macaco. Chegaram assim ao lado onde haviam estado os corpos do carregador de a rmas e do leão. cheio de perplexidade. pelo menos. Os demais eram nativos. Assim sendo. É tudo. verá onde foram postas. Se você olhar bem. Amanhã iremos olhar. pois estamos em bom território para a caça. agora. perde ndo-o onde uma grande manada de animais o apagara.. para investigarmos isso . o q ue faz pensar em homens brancos. no chão. Era madrugada. Alguns dos ossos foram partidos e extraído o tutano. estando sozinho. Isso dá a entender que não contav am com armas de fogo. A madeira queimada nos restos d e fogueira. Só tiveram a carne de um javali velho para comer. muito abatido. talve z não houvesse qualquer homem branco presente. Estavam com pouca comida. veremos para que lado eles seguiram anunciou. Outros ossos não foram partidos. para o acampamento. A relva ficou comprimida. Nós. O rastro de tantos ho mens deve ser fácil de acompanhar. Faz dez dias.. O que descobri u? Wood falou-lhe de seu fracasso na busca de qualquer indicação de que Gonfala t ivesse tombado entre os leões. até que desaparecesse além de uma elevação na planície ondulada. Talvez dez ou doze ho mens tenham acampado aqui. com um salto.

espreguiçou-se. as aldeias. Era cenário de paz e encanto. Eu já ouvi esse grito antes disse o chefe dos bantangos. O homem-macaco investigou o lugar. é isso o que me faz corajoso. procurando a repetição do grito fantástico ou de qualquer som que pudesse prenunciar a aproximação de um inimigo. Por que ele veio para cá? perguntou um guerreiro. nesse caso será outro deus-demônio. Os guerreiros empun haram as armas. Estava agora na terra dos bantangos. desde que entramos no território dos waziris. Quando eu era menino disse um velho fui uma vez muito longe. Gradualmente . de modo q ue resolveu investigar o assunto inteiramente. por certo. como se fosse um grande leão sobre o topo de um morro. Escalando-as. teve uma visão c onsiderável do terreno. a maior de todas lá existe ntes. As chuvas haviam acabado quando part imos de nossa aldeia. e foi quando o senhor da se lva se ergueu. antes de procurar mais adiante. matei muitos guerreiros naquela viagem. O homem-macaco estacou e ergueu o rosto para o céu. É um demônio cochichou um deles. onde o sol do rme. continuava sensível às belezas naturais estendidas à sua frente. para o ociden te. examinar a aldeia do chefe para a qual . Uma árvore. seu maior pesar residia no fato de que jamais poderia rever as elevações. assi nalando as diversas aldeias onde tinham sido acesas as fogueiras de preparo da c omida. Tinha movimentos tão parecidos aos de um leão que se po dia contar com o rugido daquela fera. Tampouco deixou d e observar uma aldeia grande. A leste. Talvez seja um dos homens p eludos das árvores. S e não tinham sido bantangos. Ao conte mplar a morte que. Ficamos por lá muito tempo. colocando-os dentro dos cer cados frágeis de seus kraals. e ele partiu para lá. A maioria delas era pequena e fraca um simples punhado de cabanas cercadas por paliçadas frágeis de troncos. Na direção das fogueiras da aldeia maior seguia um lorde inglês. As chuvas já caíram muitas vez es. os prisioneiros importantes seriam levados. nunca desfeita pela fa miliaridade. pois sabia que formavam um grupo pequeno e mal equipado. mas ele prosseguia no relato. que continha muitas aldeias. E assim. grito que faz parar o coração e esfria a pele. vestido apenas de tanga. disfarçando a selvageria e bestialidade dos habitantes. estendia os ramos por cima. constituía uma das fontes principais de sua alegria na vida. ele desceu rumo à aldeia do chefe. sem a menor dúvida. entreolhando-se com espanto. na parte central do vale. olhos arregalados de pavor. Sabia que. que conferiam certo a r pitoresco até mesmo aos kraals esquálidos dos bantangos. Mas Tarzan não sab ia onde se achava a aldeia. Das elevações que abandonava. era bem possível que estivessem aprisionados por aquela tribo. Também ele descia para as aldeias. A noite caiu. lhe adviria. Sabia que devia ser aquela a aldeia do chefe dos bantangos. Elas voltaram antes que regressássemos. tribo gu erreira de canibais e inimigos hereditários dos waziris. cuja apreciação do encanto e grandiosidade da natureza. todavia. Tarzan acompanhou a trilha na direção norte. começou a vislumbrar aldeias na d ireção oeste e norte e.Por dois dias. É o grito do deus-demôn io dos waziris. encostava em uma floresta. Pequeninas luzes brilhavam agora no vale. Comi o coração deles. do cume de uma das elevações maiores. vigiava os nativos. uma cordilheira de elevações baixas estendia-se para o norte. as mulheres tomaram a si os filhos. ocultando-as dos olhos do observador. vales e florestas de sua amada África. finalmente. bem como a todas as coisas vivas. talvez se tratasse de bantangos. Eu era um grande gue rreiro. Os selvagens na aldeia silenciar am. A beleza do cenário não passou despercebida ao homem-ma caco. em qualquer hipótese. rugiu um leão. espreitando a pre sa. O vale que continha essas aldeias era pontilhado de árvores e. Tarzan aproximou-se da paliçada que cercava a aldeia do chefe. as árvore s. até a floresta grande onde moram os homens peludos das árvores. Em silêncio. se os captores de Gonfala haviam vindo naquela direção. on de os nativos haviam reunido seus pequenos rebanhos. Do peito amplo saiu o desafio selvagem do macaco. E depois uma chuva fora de estação apagou-a para sempre. Os outros estavam à escuta . den tro do cercado. Ninguém lhe dava atenção. sem qualquer luar. um véu negro envolvendo a floresta. O grito deles e ra assim. P elos interstícios dos paus que formavam a paliçada. a sair do peito amplo. Se não é ele disse o chefe . Parecia melhor.

uma semana. Não faça barulho cochichou o homem-macaco . graças a ela. c oloria de verde-claro a cabana do chefe. entre outras coisas. estariam presos em uma cabana. Se ne cessário. Ouvia a respiração dos ocupantes e. por não haver repetição do grito que os alarmara. ajoelhou-se. No chão à frente. as mulheres cuidavam da comida. à escuta. Tarzan queria escalar a paliçada e alcançara os ramos da árvore que se estendia por cima. Aqui e acolá um menino se agitava. como significava para os macacos que o haviam criado. Foi ter ao lado dele. se tal acontecesse. Sua luz verd e fantasmagórica emitia radiação suave sobre o corpo bronzeado do senhor das selvas. se existia algum prisioneiro branco por lá. Tendo examinado aquilo. acentuava o negrume da porta baixa. O que deseja? Eu sou o deus-demônio explicou Tarzan. antes de dar prosse guimento à busca em outras paragens. Voltou à cabana do chefe. sendo lógico supor que tinham sido eles que raptaram Gonfala. localizou as mulheres e os filhos. mas desejava fazê-lo sem chamar a atenção dos bantangos e. Quem é você? interpelou o chefe em cochicho. e teve início a dança. estes se acalmavam. Mas nem ele nem estes últimos vieram a constituir o foco de interesse do homem-macaco a grande esmer . sabia que não estavam ali as pessoas que buscava. Dava para ver agora a ca bana do chefe e o próprio. A tranqüilidade da noite africana era interrompida apenas pelos rugidos do leão em caça. examinou o cenário embaixo. O homem-macaco fez pausa momentânea. Dedos de aço apertaram de leve a garganta do chefe adormecido. com tanta c erteza quanto a conferida pela visão. estava sentado e observando os dançarinos. Com a paciência da fera que espreita a presa. Era velho. a espreitá-la. ia de uma a outra cabana. sons nada atraentes . Pois ele sabia que. bem apropriados aos odores que emanavam.. Em meio ao ruído dos tambores e gritos dos dançarinos. as narinas procurando os odores que lhe diriam. Como sombra. como lixo inútil. sabia que seria impossível. Os negros voltavam a interessar-se. chegando a conclusões indef inidas a de que Spike e Troll haviam estado nas vizinhanças. Onde estariam agora? Naquela aldeia dos b antangos? Tarzan duvidava. pois nada evidenciava a existência de prisioneiro algum por ali. baixou o corpo. Tinha de esperar. Não podia haver engano. devia agora estar próximo da presa. Um maestro escuro reuniu seus exe cutantes. podia esperar uma hora. aproximando-se cada vez mais. um dia. cada qual com um instrumento primitivo. som tão conhecido deles que não despertava o interesse quer dos negr os dentro da aldeia. Onde estão os dois homens brancos e a m . A noite se estendia e os dançarinos finalmente se cansaram. Ainda assim tinha de saber com certeza. bem como o homem o que seria o chefe. e era o que tinha de verificar. e retomavam as atividades comuns. O tempo significava pouco pa ra ele. ouviu-se o rugido de um leão. quer do observador lá fora. a rua da aldeia ficou deserta. ele pulou para a parte superior da paliçada e se atirou à árvore. se quer viver. Só existia uma pedra assim e sua presença ali desencadeo u o raciocínio dedutivo na mente alerta do homem-macaco. E o homem acordou. e ao terminar o fenômeno da diges tão deixavam-se motivar pelo mesmo impulso primitivo que faz encher El Morocco e o utras casas noturnas de dançarinos. devido à construção frág l da paliçada. os negros entraram em sonolência. Além da paliçada. os homens voltavam ao costum e imemorial dos senhores da natureza ficar à toa. de modo que esperou com paciênci a infinita. indicava que os bantangos mantivessem prisi oneiros brancos. O homem-macaco desceu silenciosamente para a rua vazia. pois os contatos q ue mantivera com a civilização não o tinham ainda escravizado à ilusão do tempo. De um galho apropriado. durante a tranqüilidade que reinaria na ald eia na hora de comer. O leão parou de rugir. no alcance restrito da parte da aldeia visível entre d uas cabanas no outro lado da paliçada. Concluída a refeição da noite. Os sons de gente dormindo vinham das cabanas. achava-se a grande esmeralda dos zulis. ninguém despertou. e depois se abaixou e entrou na cabana. Decorreu uma hora. Era o momento pelo qual T arzan estivera esperando. Nada que pudesse ver. Talvez a oportunidade que procurava surg isse mais tarde. ele aguardou. algu ma criancinha chorava. Ni nguém o ouviu. um dos atributos de sua criação. mas era preciso verificar mais. após o teatro. Esse interesse estava cravado em algo depositado aos pés do chefe alda dos zulis.

A fim de garantir sua própria segurança. entraram na floresta para oeste. se não fôssemos. Haviam feito um desvio amplo. faltava-lhes a força da convicção relativa a essa combinação. O leão matou dois de meus guerreiros e feriu outros. Cale a boca. falando com a mulher. por cima da aldeia de canibais. aquela noite. A pedra branca? Sim.ulher branca? Eu não vi mulher branca replicou o chefe. Eles vieram do norte. Eram muitos.. residira no ciúme de um pelo outro. com certeza.. nem pretendia tentar o apetite de um leão faminto. Em que direção foram os homens brancos? perguntou Tarzan. Ao passar. Mas não havia qualquer mulher branca com eles. é o deus-demônio. explicando agora: Já contei tudo que sei.. Não sei mais nada. vá embora. O chefe falava em tom de desdém. desde que os homens brancos estiveram aqui. arma n enhuma. se não quer morrer. mas levaram a pedr a branca. Na escuridão da cabana. Tinha pouca comida. encobrindo o rosto nas fibras sujas que formavam sua cama. E se alguma passasse por aqui. Não use mentiras. Tarzan retirou-se da cabana. Mas nós ficamos. a fim de evitar o te rritório dos bantangos. que lhes parecera todo-poderosa. A mulher abafou um grito e deitou-se. a branca. no safári dos homens brancos? Apenas seis. aguar dando que Numa fosse para outra parte. Você roubou a pedra verde deles acusou Tarzan. eu saberia. Eu não fiz mal aos homens brancos nem aos carregadores . eu vi a pedra verde. a da jovem com o diamante. Um leão veio e nos atacou. Ele disse que era magia forte e que nos mataria. o leão. Um deles estava com ela na mão e mandou que largássemos as arma s e fôssemos embora. e ela não nos matou. Os dois homens brancos deixaram a pedra quando fugiram correndo insistiu o chefe. Sabia qu e o grande felino espreitava bem perto da paliçada.. Uma das mulheres despertou e sentou-se. Eram muito pobres. Não. tão silenciosamente como entrara.. Bem forte nas narinas do homem-macaco era o cheiro de Numa. Quem está falando? perguntou. Devido a ela. a jovem cuidava da segu rança de ambos. a não ser quando absolutamente necessário. . tinham deixado de falar entre si. e cada um receava constantemente que o ou tro o assassinasse. além deles. até então. de modo que se instalou comodamente na árvore. Não tinha qualquer diferença a ace rtar com Numa. ap anhou a grande esmeralda e pulou para a árvore por cima da paliçada. A segurança de Gonfala. Diga-lhe para calar-se advertiu Tarzan. pois embora estivessem com o diamante Gonfal e com Gonfala . E quando correram. Passou alguma mulher branca por sua terra. Cale a boca ordenou o chefe. como se os amasse. deixando a pedra verde no lugar. Nenhum dos dois a deixava a sós com o outro. e m companhia de Spike e Troll. esqueceram a pedra. rumo ao norte. O sol já se levantou tantas v ezes quanto meus dedos nas duas mãos e um pé. ultimamente? Se me mentir volta rei para matá-lo. Eu nunca vi uma mulher branca respondeu o chefe. O chefe emitiu um suspiro abafado de alívio e prorrompeu em suor frio. Por que fugiram? interpelou o homem-macaco. Capítulo dezesseis TANTOR Dias de cansaço contínuo tinham sido os da marcha de Gonfala. Agora. Era um safári muito pobre. o homem-macaco sorriu. Eles ficaram com medo e fugiram. Estivemos no acampamento deles. Os homens brancos fugiram. Nós não os perseguimos.

será melhor que vocês não me tenham feito mal. Sempre ache i que era um negócio inventado pelos outros. Quand o o fizerem. se quiser. Ela o perseguia dia e noite. e é preciso ter certos poderes mentais para obter êxito com o Gonfal. Se é assim.. e vocês também. Eu não seria capaz de pensar em tocar em você asseverou-lhe Spike. Aí é que está o problema. logo dando de ombros. Tarzan! exclamou Spike. Ele contava muito com o poder do Gonf al. A gente podia viver feito rei e com muitos criados. até me encontrar. por intermédio dos poderes misteriosos do grande diamante. isso não está adianta ndo nada. Todos os seus planos para o futuro dependiam de estar no controle dos atos a lheios. Nunca poderá achar a gente. Claro. a menos que me dêem garantia completa de que nenhum dos dois me tocará. pois agora que Gonf ala estava em sua companhia cada um temia que o companheiro utilizasse o poderio mágico da pedra a fim de destruí-lo. Spike fez carranca. mas nunca vi o sujeito. na terra para onde a gente vai.. fácil. . tão bom quanto. tendo Gonfal e você.. não afiançou Troll. Eu também não. porque ninguém andou dando tiro por lá. p ois a mente dele talvez controlasse a minha. . e mesmo que achasse. está cheio de caça. vamos encerrar o caso e parar com as brigas. Você é quem precisa ser vigiado. Não se esqueça disso. a menos que Mafka desejasse impedir. Lembram-se de Clayton? perguntou a garota. Vocês não sabem como usá-lo. vocês podem ter ce rteza de que serei descoberta e vocês castigados. mas não vai precisar p or muito tempo. mas não o utilizarei para ajudar qualquer de vocês. mas é melhor não confiar nesse camarada disse Troll. em safári. tendo só seis negros. E nunca daria conta sozinho. Stanley Wood nunca desisti rá. Acabo com sua raça agora mesmo. O que tem Tarzan a ver com a gente? Você sabe quem ele é? perguntou Gonfala. no lugar para onde vamos. e agora surgiu a dúvida. e um dia eles vão pegá-los. Clayton é Tarzan. E por que não? interpelou Troll. o punho cerrado. e não há muitos.. Troll deixava transparecer a preocupação que agora sentia. ? Quero. E se for? contrapôs. sim. Todo mundo já ouviu falar dele. Eu poderia usá-lo. É melhor não atirar disse Spike. Troll deu um salto para trás e agarrou o fuzil. você também resmungou Troll.. E quando ele disser a Tarzan que fui raptada. É só chegar mais perto e eu abro fogo ameaçou. Spike deu um passo na direção de Troll.Um dos negros carregava o grande diamante e nenhum dos dois brancos tentar a tocá-lo sem que o outro prorrompesse em protestos calorosos. de que ia valer contra o Gonfal? A gente podia fazer o que quisesse com ele. menina explicava a Gonfala. não há nativos demais. porque os nativos são gente sos segada.. O que é que sabe a respeito dele? Já o vi u? Sim. d e modo que a gente chega perto do animal e acaba com ele a paulada. e toda ela mansinha. Você pode precisar de outra arma.. Ei! Quer dizer que. muitos anos antes. visando o ventre de Spike com o c ano da arma. Quer dizer. no que me diz respeito disse Gonfala. E como tem caça! Juro por deus. Spike procurava uma região pela qual passara. Nós. E poderia impedir. Não sei de que o Gonfal ia adiantar contrapôs a garota. Seu patife sujo! gritou.. Claro que me lembro de Clayton. É um verdadeiro jardim. Acho que sim respondeu Gonfala . E você tem? indagou Spike. E não vai servir de nada a vocês dois. não vai achar. desde que Mafka morreu. A gente podia governá-los fácil. Vocês me roubaram de meus amigos. Eu nunca tentei usar esses poderes. Aquele sujeito era dos bons. Mas acha que pode? Na voz de Spike transparecia o medo..

ele estacou. ela podia arranjar com o negro para apossar-se da pedr a. a coisa mudou. é tratar de não deixar que ela bote as mãos na pedra. Assim é que o homem-macaco viajou rumo ao norte. Logo Spike se afastava e chamava Troll par a que o acompanhasse. em trilha paralela àquela tomada por Spike e Troll. agora falou Spike. o homem-macaco proc urou inferir. quando a gente não estivesse por perto. Desse jeito a gente vai bem. acaba com nossa r aça. Um de nós vai levar o diamante . dá para faz er a mocinha andar nos eixos. e o que podia ser mais natural do que suporem que. se quiser. eu posso a cabar com vocês. muito ao norte de Tarzan. não fariam afirmou Gonfala. retirou dali a terra. desde que a pedra fique com um de nós dois . Essa garota pegou a gente direitinho. essa circunstância exerceria grande influência junto a Troll e Spike. o destino lógico para o qual marchavam. sem q ue o descobrissem. Incapaz de encontrar a trilha apagada pela tempestade. só para se desforrar. Ao desmontarem o acampamento. O chefe dos bantangos narrara o fracasso de Troll e Spike na de monstração de sua grande magia. Por dois dias Tarzan rumou ao norte e ainda assim não descobriu sinal algum m . Com o punhal. Olhou em volta. Os dois homens se entreolharam. Talvez ela acabe com a gente de qualquer jeito. ou então acabamos com essa garota.. Você pode levar o diamante. e da dedução dos acontecimentos que possuía até o momento. do que em outro ponto da superfíci e terrestre. Mas de que adianta a pedra para a gente. O que vamos fazer? Em primeiro lugar. então. por enquanto não temos outra saída observou Spike. seus negros! Vamos. até h aver feito um buraco com cerca de um palmo de profundidade. Gonfala! O negócio é andar. com as mãos. o território dos kajis. mas a alguma d istância na direção do oeste. sem mais aquela. Ali enterrou a grand e esmeralda dos zulis. Oh. haviam descob erto Gonfala. Vocês não podem usar o Gonfal sem minha ajuda. o sol já levantou faz te mpo. Não dá para fazê-lo funcionar.. Nenhum de nós tem coragem de tocar no diamante. Faz muito tempo que eu digo isso observou Troll. o resgate de doze reis ali estaria. depois de nos matar. A gente podia acabar com ele. orientando-se cautelosamente. eu os ajudarei. Ali ter iam mulheres. com a ponta da lança afrouxou a terra no c entro de um triângulo formado por três árvores e. E por quê? Porque eu não permitiria. E depois. do conhecimento agora comprovado de que os raptores de Gonfala era m os dois brancos. até o final dos tempos. graças a ela. A questão é que. Quando não podiam ser ouvidos por Gonfala. Bem. Bem. não. contra qualquer procura.É claro concordou Troll. com o Gonfal. marcou uma árvore a quinze passos de uma das três que for mavam o triângulo. Quer por acidente ou intencionalmente. Por lá. Tendo coberto o buraco com terra e as folhas e gravetos q ue arredara cautelosamente. Sabia que eles conheciam os poderes miraculosos do Gonfal e que não tinham p odido utilizá-los. Troll sacudiu a cabeça. Se ela puser as p atinhas naquela pedra. E ela vai ter de obedecer. Vamos daí. se sabia avaliar os homens. de modo que não ia adi antar nada. Apenas Tarzan conseguiria descobrir novamente aquele local. assi e estalou os dedos. Escute disse. pod eriam realizar as maravilhas ao alcance do Gonfal? E qual seria o melhor local p ara utilizar tais poderes? Ora. Parece que o Gonfal não vai adiantar muito para a gente disse Troll. e encontrariam também uma tribo acostumada ao domínio da pedra. e quand o Tarzan e Stanley vierem. Só precisamos dizer a ela para trabalhar a pedra com o queremos. porque lá para onde vamos não daria para ela sair. Vamos tocar assim mesm o. sem a garota. pois ali est ariam mais garantidos. Cas o não regressasse. tornava impossível a qualquer olho humano descobrir o esconderijo. nossa pele não vale mais nada. naturalmente. E se ela botar as mãos na pedra.. este estacava à orla da floresta que circundava o vale dos bantangos pelo ocidente. e Tarzan achava que. então? Espere até a gente chegar a esse lugar de que andei falando..

ouviu um som que o fez estacar e ficar atento. Talvez Tantor não entendesse as palavras quem sabe? . áspera e bar ulhenta. pois sabia que normalmente Dango não atacaria qualquer homem. Finalmente Muviro acedeu às instâncias importunas de Woody despachando-o em companhia de meia dúzia de guerreiros. o elefante. A amizade entre Tarzan e Tantor vinha desde a infância do primeiro. entretanto. surgia o cheiro de Dango. não tend o colhido elefante algum. afastando o bambu. mas alguma coisa. e logo Tarzan se pôs a trabalhar com faca e lança. desde muito tempo. A parte superior das costas de Tantor era visível. Wood empreendeu a procura do ponto em que Tarzan o deixara. Abatia suas presas. devia servir-lhe como sinal de d istinção entre os companheiros. a vigilância eterna é o preço da v ida. de modo que percorreu um circuito largo a fim de recolher o rastro de far o do que estava à frente. Era animal imenso. sua tromba sensível passou sobre o corpo do homem-macaco. demonstrando que ali se achav a sem comida ou água. e a água dos brotos de bambu vinha trazer-lhe. ao longo da ombreira de uma cord ilheira espessa de bambual. a menos que indefeso.dos que procurava. a fim de que lhe desse uma escolta e o deixasse p artir à procura de Gonfala. o abutre. sempr e pressentindo a armadilha. levando-os para a fera aprisionada. vinha contar-lhe que ele dera a volt a e. dirigin do-se ao nascente e à água mais próxima. fraco e de passos incertos. A pele do elefante estava solta em seu grande corpo. pelo menos. tornav a-se cada vez mais frenético. Logo. quando Tarzan empreendia novamente seu rumo par a o norte. por capricho singular da natureza. Ia contra o vento. precisava de algo além de palavras bondosas. parte do líquido do qual o corpanzil necessitava ainda mais do que de alim ento. e isso. quer porque. um dos maiores machos que Tarzan já vira. poder ver o que estivera procurando. usando também as mãos na tarefa aparentemente hercúlea de escavar uma rampa pela qual Tantor pudesse chegar à liber dade. Nessa ocasião. e e m vôos circulares por cima via-se Ska. chefe dos waziris. Para os seres da selva. era bem mais escura do que a outr a. e só foi terminado no dia seguint e. Tarzan não lhes deu ate nção alguma. ampliando larga trilha de elefantes. seguiu com cautela em meio ao bambual. acompanhada pelo grito d e socorro lamurioso do elefante. Tantor se voltou e caminhou devagar pela trilha de elefantes. seguia incansavelmente pe las florestas ou planícies. a s hienas passaram a devotar sua atenção ao homem-macaco e o enfrentaram. Quando passava por uma faixa de floresta. A cautela da fer a sabia auxiliar e dosar os poderes de raciocínio do homem. talvez o tom. Não era trabalho de uma hora. no que era quase uma carícia. Caíra em um poço que fora escavado e depois a bandonado. o grande paquiderme subiu lentamente do poço onde caíra. Stanley Wood. esperando na propriedade de Tarzan. juntamente com suas grandes dimensões. Ao sair do poço. Em seguida. mas de muitas. onde os ossos . Tantor ouviu e barriu em advertência enfraquecida. mas ainda assim aos olhos de Tarzan e le seria Tantor já que o nome e a amizade pertenciam a todos os elefantes. comia e dormia. presas à most ra. o animal caíra em um poço de elefantes. rosnando. Rosnando e exibindo os dentes à orla do poço havia duas hienas. empregou cautela maior como se fosse uma fera. No mesmo instante. Suplicav a a Muviro. O homem-macaco voltou-se na d ireção em que estivera viajando. Tarzan chegou à pequena clareira que havia sido feita pel os construtores do poço. E logo. Uma das presas. Tarzan falou a Tantor na língua estranha que utilizava com os animais da sel va. ainda mais forte. Tantor estava em má situação e o homem-macaco adianto u-se para descobrir a causa. a hiena. Arredando o bambu. Ao aproximar-se mais. Ao aproximar-se do poço. O som se repetiu o barrir débil de um elefante em apuros. aproximou-se para. veio a gargalhada medonha desse animal impuro. o cheiro de Tantor. por não receber notícias sobre o seu paradeiro. quer porque a tribo que o cavara mudara de lugar. Tantor comeu com avidez. havia deixado de visitá-lo. Talvez j amais tivesse visto antes aquele elefante. Talvez houvesse algo além de um elefante. Finalmente. Tantor. de modo que Tarzan começou a cortar o bambu com os brotos mais macios. Mas à medida que o homem avançava elas recuaram. indicou que o homem-macaco era um amigo. E com base nesses indícios o homemmacaco sabia que Tantor estava perto da morte. Passaram-se dias.

incluindo dois homens brancos e uma mulher branca. e qualquer coisa era preferível a ficar sentado ociosamente. Toda a habilidade maravilhosa de rasteamento do senhor da selva fora anula da por chuva forte. Ficara sabendo que até então Gonfala estivera viva e em boas condições. e depois interviera o acaso. Numa aldeia de negros amistosos. não se percebiam maus tratos infligidos a ela. pela primeira vez em semanas. os waziris. e que. Wood conversou com esses homens. aconselharam Wood a fazer um desv io a fim de evitá-los. havia pernoitado com a tribo. mas significava alguma ação. Ao se aproximarem dos territórios dos bantangos. homens morriam. o espírito dilacerado pelos receios e dúvi das quanto ao destino de Gonfala. o jovem americano sentiu que a esperança renascia no peito. O chefe lhes dera guias até a próxima aldeia amiga. na direção do norte. Assim aconteceu que. vidas eram postas em perigo. e de modo inteiramente fortuito seguiram um trajeto orienta l a rota escolhida por Spike e Troll pelo mesmo motivo. despachando-o por caminho errad o. uma semana mais tarde. Sabia apenas que as pessoas a quem buscava haviam rumado para o norte partindo daquele ponto. encontravam provas definitivas de que se achavam no caminho certo. Capítulo dezessete . enquanto Stanley Wood seguia o certo. ficou sabendo que o chefe da aldeia para a qual havia guiado o safári também dera guias para a etapa seguinte da jornada. c om base no que os habitantes da aldeia tinham visto. conhecendo a na tureza e o temperamento dos habitantes locais. foram informados de que um safári de nove pessoas.limpos do leão abatido por Gonfala alvejavam ao sol. e. Era uma procura às cegas e aparentemente sem esperanças. Graças a um capricho trivial do destino.

O mesmo não ocorreu com Troll. mas arredou de si o pensamento. Eles nada possuíam. Mas lá nós pararemos. Não falara grande coisa por todo o dia. fitando Gonfala com olhos semicerrados. por perto. E não vai haver ninguém para encontrar a gente. pensando.DESCONHECIDOS Spike e Troll haviam entrado em conversação com o chefe de uma tribo setentrio nal. A jovem não indagou o motivo. Eles nunca nos acharão. Aquela noite banquetearam-se e foram cedo para a cama. até então. E tinham vindo de grande distância só para esse fim. que continuou muito desperto. Ouvia a respiração de Spike. O vale para onde el s nos estão levando não é o meu. Vocês não vão estar a salvo declarou ela. deixando o cenário de sua conversa com o chefe e sentando-se ao lado de Go nfala. O chefe andara pensando a respeito d ela. É coisa de duas marchas ao leste de onde a gente q uer ir. Passei por ele. incidente que lhe con ferira grande respeito pelo poder e alcance do homem branco. Quando chegar a esse primeiro vale não vamos precisar de guia para o resto do caminho. Desdenhava-os. Não há mais aldeias asseverou o homem. Tinham conseguido sustentar-se. Tinham viajado muito. entretanto. a quem não agradavam aqueles homens branc os. Já me fartei de ouvir. o caçador desviava o olhar. sozinha. El a é cercada de montanhas. Tarzan e Stanley Wood logo chegarão. Haviam enfre ntado jornada dura aquele dia e os músculos fatigados combinavam-se à lauta refeição. Estou começando a ficar nervoso. abatendo caça e negociando a carne co m os nativos. Os soldados nativos tinham vindo uma vez à sua aldeia comandados por oficiais brancos. principalmente legumes e milh o. Não desejava encrenca alguma com os homens brancos. além dos fuzis e a moça. falando com Troll. enquanto seguia em companhia de Troll. mas olhara muito para a jovem. Seria melhor você calar a boca e não falar mais desse Tarzan e do Stanley Wood . tardará. O que existe no norte? perguntou Spike. Pensava também em um sultão negro. eles podem acompanhar-nos até onde esses nativos vão se rvir de guia. Gonfala ocupava uma ca bana. Gonfala e Spike adormeceram quase no mesmo instante em que s e deitaram. de modo que quando sairmos do primeiro vamos dizer a eles que dali nós rumamos para a costa.. em troca de outros gêneros alimentícios. Talvez a gente tenha sorte exultava Spike. Sempre que ela o pe rcebia. criatura do oriente. em meu vale.. Nós não paramos por lá informou Spike. Os nativos os guiarão de uma aldeia a outra exatamente como fizeram com vocês observou ela. Amanhã dou guias a vocês. Desejava livrar-se daq ueles homens. Agora não demora prometeu ele para chegar a lugar seguro. e os dois homens tinham ficado com outra. Procurou então explicar ao chefe como era o vale que buscavam e a tribo que o habitava. e lá eles descobrirão vocês. para onde nós vamos. já que o safári era pequeno e pobre. Troll permanecia sentado. a quem a moça poderia ter sido vendida. Vai ser muito fácil acompanhá-los. Pois é reconheceu Spike . Montanhas respondeu o chefe. Conheço o vale afiançou. Uma expressão de astúcia veio ao olhar do chefe nativo. pr ovocando-lhes sono. A sorte os protegera. Tarzan e Stanley Wood acharão vocês. Isso parece a região onde fica o meu vale disse Spike. mas depois de chegar a esse vale posso achar o outro. e rumamos para o oriente. Eu não sou um palerma. saindo do meu. percebendo assim que o outro adormecera profundamente. mas agora tal proteção se encerrava. castigando-o por haver maltratado o safári de alguns caçadores brancos. Tentavam convencer o velh o chefe a fornecer-lhes guias até a aldeia próxima. Depois a gente dá a volta para o norte e segue para o meu vale. percebia agora como fazê-lo. pobre demais até para ser roub ado. guiados de uma a outra aldeia por nativos amistosos. Ouvia .

derrubando-a com o peso. Spike. devaneando. ficando à espera. Isso levava Troll a odiá-lo ain da mais. Antes que a encontrasse. olhou para fora. afastou-se na ponta dos pés. golpeando-o no rosto. Não se notava qualq uer sinal de vida desperta na aldeia. fitava com olhos arregalados a escuridão meno r.. de modo intuitivo. De repente um vulto mais escuro surgiu na abertura baixa que era a porta. quer? Quando ele chegar lá vai me matar e ficar com você. Troll estivera sonhando. Spike constituía ob stáculo à concretização deles. ao que acreditava. Eu e você damos o fora com o diamante. mais fácil de despertar. procurando tirar os dedos da gar ganta..também os ruídos da aldeia. e o ruído. Gonfala se acocorara no fundo da cabana. Seja boazinha comigo. Acordado pelo grito. em um grito abafado de pavor. haviam-na esgotado a pont o de pressentir ameaça nos acontecimentos mais comuns. com imprecação. mas não era apenas ódio o que o fazia pensar em matar o companheiro. Troll pensava na facilidade com que poderia matar Spike. ouvidos atentos. v amos para Paris. Todos os músculos retesados. Troll não o ouviu mover-se e. Já estava a seu lado e Gonfala percebeu-lhe a respiração ofegant e. Depois disso mostro u-se mais inquieto. Podemos conversar amanhã. Seria gente passando por ali. enfiando os dedos nos olhos um do outro. Troll! Estendeu então a mão para a esteira onde Troll deveria encontrar-se. Não estava lá. Assim é que agora pressentia. No mesmo instante Spike se encheu de desconfiança e. viria alguém à noite de modo tão furtivo? Erguendo-se sobre as mãos ela se acocorou. chegando-se mais. Até quando dormia. É só dar um grito e eu torço o seu pescoço. Sou eu. com pensamentos muito agradáveis. é sujo a esse ponto. Ao se pôr em pé fora da cabana. O homem arrastouse. O silêncio era quase opressor. Gradualmente esses ruídos desapareciam. mas tinha medo do outro. Vamos para a Europa. Spike lhe infundia receio. Quero falar com você. mas sem despertar de todo. mas ainda assim Troll não sentia coragem suficiente para ma tar o homem adormecido ainda não. percebeu a verdade sem qualquer margem de dúvida. procurando-lhe a garganta. pensava. Troll! chamou. do mesmo jaez. os dois rolaram pelo chão. mas isso não lhe afastou os receios. senão algum malefício. O que quer que fosse aproximava-se cada vez mais. remexeu-se e re virou o corpo. além da aldeia. a quem o ruído perturbara. Ouviu alguma coisa? Não obteve resposta. Não quero ir a lugar algum em sua companhia. depois de momentos de escuta. quase não respirava. Ele estendeu a mão na escuridão e a segurou. sem anas de desconfiança. apavorad . emoldurada pela porta da cabana. Você vai ser boazinha comigo. e ao se enfiar pela porta Troll veio a seu encontro. Escute! rebateu ele. Rastejou até o umbral da porta da cabana. o homem permaneceu em pé e imóvel. Não faça barulho. inquieta e vigilante. contra o silêncio reinante. querendo o u não querendo. Ela se debateu e reagiu. mordendo. andando de quatro e entrando! Quem é? O que quer? perguntou ela. dando ponta pés. Furtivamente aproximou-se da cab ana na qual Gonfala dormia. Vá embora ordenou. estendia-se n o vazio negro da noite. Era um animal ou um homem. que alguém se dirigia à sua cabana. Spike se levantou sobre o cotovelo. Cale a boca. De vez em quando um palavrão ou grito de dor interromp ia a respiração ofegante de ambos. e eu levo você embora. ou vinha em sua direção? As semanas seguidas de perigos. Eu conheço esse cara. Afaste-se de mim! Saia daqui an te que eu chame Spike. Troll tropeçou e m uma panela. Mais tarde. pareceu apavorante. devido a seus próprios pensam entos. de estar constantemente em guarda. Ouviu as passadas que se avizinhavam. Agarrados. A jovem. E para qu e fim. golpeando-se mutuamente. todavia.. cheio de raiva. Gonfala teve tempo de emitir um só grito e chamar uma vez: Spike! Foi quando Troll fechou os dedos em sua garganta. Ela reconheceu a voz. Praguejando baixinho. Você não quer ir para esse tal de vale passar o resto da vida lá. Assim se desfazia o primeiro torpor da noite. com o Spike e um punhado de pretos. Com uma dúzia de passos largos chegou à cabana de Gonfala. a aldeia também dor mia.

Em terreno aberto. A cada instante esperava ouvir Spike em perseguição.. Dirigiu-se então aos dois. ensangüentado e aturdido. e momentos depois Spike raste java para fora e punha-se em pé cambaleando. Você lembra. Lá estava o ch efe. Eles hesitaram. . irmã ontinuou a fitá-la. Tudo está um pouco confuso. Enquanto isso. Gonfala poderia evitar. Fitava-a com freqüência. olhando por um canto da cabana atrás da qual se escondera. acocorado na rua da aldeia e olhando para o chão. Foi um caminhão dos diabos que atropelou você respondeu. entretanto. mas já não tinha tanta certeza. não é? Fazer mal a você? É melhor ninguém tentar exclamou ele em tom belicoso. tendo no olhar a expressão de perplexidade. mas ele não veio. e fora para sua cabana tratar dos ferimentos. Gonfala receou que houvesse ocorrido o pior. Um caminhão dos diabos! repetiu Troll. oh. que conversava com os do is guias. É ótimo você estar aqui asseverou ela . Troll. Spike seguia à frente. dando assim encerramento ao único fator de segurança que ela possuía. acompanhando dois guias em direção ao nordeste. da qual ela se valeu imediatamente. o que pod eria fazer? Ela correu para um canto da aldeia e escondeu-se entre uma cabana e a paliçada. minha irmã.. onde julgava tê-la deixado em compa nhia de um Troll morto. não? de sua irmã? Gonfala. Troll se mantinha p róximo a Gonfala. certo de que Troll se achava morto. Não me diga que esqueceu o nome de sua irmã!? exclamou ela. que parecia nervoso e pouco à vontade na presença de Troll. Troll não era tão corajoso quanto o companheiro. Foi ter correndo com eles. não estava morto. Gonfala e Spike entreolharam-se e o último levou as mãos à testa. Como é que você se chama? perguntou. Rolando. sim. valendo-se da covardia do homem. Parece minha irmã. outra. eles se aproximaram dela. Gonfala. em gesto signi ficativo. mas achava-se em situação desesperada.perguntou Troll. por momentos. O único pensamento de Gonfala a essa altura era escapar-lhe. pois. Foi um trio silencioso e preocupado o que partiu. Espicaçado pela luta. em minha memória. É melhor a gente arranjar um pouco de comida e dar no pé interveio Spike. as preoc upações voltaram. Achava-se agora mais perto da porta e isso criava possibilidade d e fuga temporária.a com a idéia de que um mataria o outro. Gonfala foi tomada de inspiração repentina. Quem é essa moça? perguntou. viu os d ois homens e soltou um suspiro de alívio. Ergueu o olhar quando o companheiro se aproximava. ainda que po r algum tempo. minha irmã.. é fazê-lo enlouquecer. Como é que você se chama? repetiu. ela não ficaria a sós com S pike. haviam saído das suas cabanas . O safári estacara e eles se emparelharam com Spike. Spike nem mesmo sabia que Gonfala deixara a cabana. Eu nem o vi. mas afinal aproximaram-se da cabana.. Ordenou a diversos guerreiros qu e fossem separar os homens. sai ndo da frente.. após a refeição matutina. embora ambos fossem igualmente brutais e destituídos de qualquer decên cia. Um pouco biruta explicou Spike. Viu que alguns nativos. Troll não morrera. e Gonfala esquivou-se para um lado. despertados pela agitação. receava mais Spike. e logo sua expressão passou à de p erplexidade. Era certo todavia que Spike sempre fora o mais perigoso d os dois. encerravam-se os ruídos do conflito. muito diversa. Uma coisa é matar alguém. e Troll ergueu o olhar para fitá-la. suplicando-lhes que impedissem a luta. receando que um dos homens fosse morto. muito raivoso por ter o sono interrompido. Troll se pôs a fitá-la. Ela não parece biruta retorquiu Troll. Dos dois homens. Gonfala disse ela. pois agora não vai deixar que ninguém me f al. Spike o fitou com desconfiança. o rosto sem qualquer expressão. Com grande desagrado. De manhã Spike o encontrou.. Spike observou que Troll nem mesmo estava muito ferido. com expressão estúpida. Talvez constituísse loucura esperar que desse certo. A ele. Fora assim pelo menos que pensara até então. O que houve? .

o céu do poente ostentava o vermelho de um pôr-de-sol. A cada dia Spike confiava mais em que ia encontrar o vale enc antado de seus sonhos e. sig nifica que descobrimos o vale. Julgava que Gonfala fosse sua irmã e demonstrava -lhe toda a consideração possível. sem se arriscar mais. Ao cair da noite.. você e eu vamos instalar uma casa e cuidar dela. É incêndio. até verificar que não haviam levado o Gonfal. sem dúvida nenhuma. senão Gonfala. mas ao destino. E então. procurando o vale e. mas já vi antes aquela luz. pouca. Os negros também viam. vi aquela luz de noite. Gonfala permanecia sentada. minha menina . cujo comp rimento se estendia na direção que Spike pretendia tomar. vendo aquilo.Os sujeitos não querem ir mais além explicou.. Nada disso! Eu vou para onde vou e você vem comigo. sem mais aquela. menina? perguntou. fascinada e em devaneio. De que adianta afinal. em silêncio entorpecido. Sabe que não é um pôr-de-sol de verdade? Parece um incêndio. com medo. Eles dizem que o território aí na frente é tabu. mas não vou abrir mão de nenhum dos dois. Eu nunca estive lá. Por muitos dias haviam estado em região montanhosa. Caminhava um dia após o outro. tampouco se referia a ele. a fim de protegê-la melhor. Depois disso resolveu que dormiria tendo a grande pedra ao lado. para onde ia. fitando-a audaciosamente nos olhos. Quando estive nesse vale. Eu lhe dei uma oportunidade observou. adentrando cada vez mais a terra ignora da e desconhecida. acamparam na ombreira de uma montanha. em seu estado. A jovem não respondeu. sem fazer perguntas. não a Troll. de modo que carregava constantemente um dos fuz is. tendo em vista sua filosofia grosseira de vi da. No dia seguinte Spike estava quase jovial. Suava frio. cheio de alegria devido à possibi lidade de logo encontrar seu vale. Não dava atenção alguma ao Gonfal.. ao final de uma jornada das mais duras. Fora tomado pela crença de que ela se achava em perigo. Também Sp ike o observava. ao lado de pequena nascente de água lím pida. mais ou menos. A garota deu de ombros. excetuando a possibilidade distante de que ele recuperasse a memória. Marchavam para o meio-dia quando um grande vale se abriu à frente. O estado menta l de Troll permanecia inalterado. Já não sentia medo. e por esse motivo Gonfala era reconhecida. Por quê? indagou Gonfala. pois sabia que Troll mataria Spike se lhe pedisse.. Sabe o que é aquilo. devemos chegar lá. mas essa jovialidade desapareceu ao descobrir que dois dos seis carregadores haviam desertado durante a noite. incêndio na floresta disse ela. . e em quatro ou cinco marchas. resultante de tal parentesco imaginado. O instinto protetor do homem abrutal hado fora estimulado em favor dela. para o sul. Muito após o fenômeno natural se ter desfeito na escuridão da noite.. Se eu tivesse de desistir de um ou de outro. mas vou lhe contar o que significa para nós . profetizava o dia de amanhã. . Podia fazê-lo agora sem despertar a desconfiança de Troll. Spike sacudiu a cabeça. que vão pegá-los para os escravizar. A ele parecia não importar onde estivera. com agitação crescente. sem dem onstrar interesse por qualquer coisa ou alguém. E já foram falar com o nosso pessoal. Só cobrimos oito quilômetros e eles largam a gente. o Gonfal de nada vai valer. e sei que Stanley Wood fará tudo o que eu pedir. a cada noite. sem guias. Em resposta. Troll se sen tara de pernas cruzadas. Spike? Se você for mor to. ou dá-los de comer aos leões. Se voltar e me entregar a meus amigos. pondo medo neles também. Tudo o que temos a fazer agora é andar um pouco mais para noroeste. Spike veio sentar-se ao lado de Gonfala. farei tud o o que puder para que lhe dêem o Gonfal e o deixem ir embora. pois este era criatura que não desconfiava de ninguém. desistia do Gonfal e não de você. de modo que desceram a ele . Você é um idiota em não a aceitar. passando a viajar com mais facilidade após tantos dias nas montanhas. Agora não tinha motivos para recear estar a sós com Troll. Tem minha palavra d e que farei isso. Assim é que prosseguiram. o brilho avermelhado p ersistia. Vamos voltar sugeriu a garota. Dizem que há homens brancos na fr ente. Aproximou-se bastante. olhando para o chão. Acho que vem de dentro de um vulcão.

Qualquer um seria melhor do que você disse a jovem. bwana. Troll! gritou Gonfala. Depois. Gonfala viu saindo para a planície o grupo que os alarmara. A mim não parecem respondeu ele. até ver quem é essa gente. e cada dois deles seguravam um leão de coleira. E você? perguntou. Até mesmo a distância Gonfala pôde ob servar que a vestimenta era esplendorosa. Vinham em segu ida seis homens brancos. sem saber se o vale era habitado e desconhecendo também a natureza ou temperamento dos habitantes. Ali est acaram. Um dos guerreiros transportava algo dependurado ao lado do corpo. depois de tudo o que pas sei para pegar você e o Gonfal. e. quando um dos negros se deteve de súbito. Homens. .. de estranha indumentária. os guerreiros mantendo formação por trás. Solte a moça! berrou. enquanto. a planície se estendia por todo o vale até as elevações do oeste. raciocinava ela. à orla da mata. ouço vozes. Não escuto nada contrapôs Spike. no lado oriental. aquilo não podia deixar de ser identificado uma cabeça humana ensangüentada. Ela assentiu. Tinha o rosto pálido e contorcido pela fúria. estacando em seguida. segurando-a. Solte minha irmã! E logo alcançava Spike. mas havia gran des extensões descampadas e cobertas de relva alta. falando com Spike. enquanto. Mas logo viu que a decisão já fora tomada t odo o grupo caminhava em sua direção. até se acharem em carr eira. A vegetação espessa era quase im penetrável por trás deles. vozes de homens alcançavam seus o uvidos. sem saber o que fazer. de repente. atravessan do-o em diagonal e desaparecendo em abertura nos morros do oeste. Logo. caso houvesse. Ela parou e ficou à espera. apesar da distância. da extremidade superior. veio correndo. vêm homens respondeu o negro. Não vou me arriscar. Atrás deles seguiam outros homens branco s. Spike tocou os componentes do grupo para o lado esquerdo da trilha princip al. tentou arrastá-l a consigo. por outro lado. na qual desenvolviam velocidade excelente .. Spike procurou esconder-se. desferindo pontapés. Sim. bem como espadas. seguindo outra menor e mais tortuosa que passava por arbustos bastante espes sos. O que se passa? interpelou Spike. Como último recurso ele se voltou para o norte e tomou a orla da mata. até que. E enquanto seguiam por al i descobriu larga trilha de elefantes. mas não achou onde. vocês todos! Aqui há uma trilha menor que sai do caminho. os leões puxando as cordas e arrastando atrás de si os hom ens que os seguravam. ouvindo com atenção e apontando para a fre nte. Venha. vendo Spike e a jovem a debater -se.O vale era parcialmente encoberto de florestas e as árvores cresciam com mai s profusão às margens de um rio que serpenteava. sua doida! gritou ele e voltou. Em primeiro lugar vinha uma dúzia de negros enormes. Olhou para os dois animais no chão e logo se dirigiu aos guerreiros desconhecidos.. Gonfala hesitou. esperando e ouvindo. Haviam coberto metade da distância quando um dos guerreiros à frente se deteve e apontou para o vale. Por instantes eles hesitaram. os dois se engalfinhavam. enquanto se aproxima vam. Por instantes. Traziam lanças. Spike. Olhando para trás. se achava verdadeira floresta de bambus. voltando-se para Gonfala. todos compreenderam que os home ns a quem ouviam aproximavam-se pela pequena trilha na qual haviam procurado refúg io. mas já se voltava e. mas não tinham dado mais de cem passos quando chegaram à planície aberta. podia ser ameaça maior do que Spike. É melhor a gente sair da trilha e se esconder. Talvez sejam amistosos. Homens brancos disse Gonfala. cada vez mais próximas. resolveu seguir a faixa de vegetação qu e orlava o rio valendo-se da proteção assim proporcionada.. instando para que os outros se apressassem. Socorro! Troll se achava à frente. e logo se voltavam e parti am em carreira pelo vale. Achavam-se igualmente vestidos. mordida s e golpes. preso por correias. Ei. mas de modo mais moderado. Ninguém.

A jovem. Uma cidade! Wood olhou em frente. Que cidade é essa? perguntou. aos pés dela. onde é possível que Gonfala esteja. entreolhavam-se. sem saber o motivo dessa fuga repentina. bwana disse um deles. abóbadas de ouro e anil erguendo-s e acima da muralha luzidia. mas de uma cidade de muralhas e em cor branca. não devemos ser todos aprisionados. Não devemos deixar que nos aprisionem a todos. desalentado. ao seguir a trilha dos rapto res de Gonfala. pois realmente lá estava uma cidade. . Por mais que procurassem. e a partir dali os waziris adestrados souberam retomar o caminho. E então ninguém saberá onde estamos. descobriria a solução do enigma. Não sei. a trocar pontapés e todo s os golpes sujos que conheciam. Talvez a memsahib esteja lá sugeriu um dos guerreiros. olhou na direção em que o gu erreiro apontava. feita de cabanas cobertas de fibras. vinha com rapidez para seu lado. Spike e Troll continuavam a morder-se. Sem ânimo. Uma manada de cem elefantes aproximadamente. com certeza. trazendo guerreiros no dorso. Capítulo dezoito INGRATIDÃO Stanley Wood não encontrara dificuldade alguma. sem acreditar no que via. prosseguiu subindo o vale. Os waziris sacudiram a cabeça. Não se tratava de aldeia de nativos. sem saber. bwana! gritou um dos waziris. Aos olhos de Wood o mistério era completo. Talvez concordou Wood. No chão. até o ponto em que os guias os tinham abandonado. refletindo em voz alta. vão tomar-n os a todos por prisioneiros disse. Olhe. Não concordou Waranji . Nunca estive antes nesta região. orlando a mata onde o rastro f ora apagado pelas patas de uma manada de elefantes. não conseguiam retomar a trilha. e ele se a chava perplexo. O que viu veio enchê-la de espanto. Se os habitantes daqui forem inamistosos. Se ao menos Tarzan estivesse ali! Ele.

ou talvez não estivesse vivo. os torneios na a rena. as abóbadas douradas. os leões selvagens que percorriam o vale de Onthar. Você não acha? Nós somos waziris disse Waranji. Muviro t erá de resolver as coisas por conta própria. No chão de lajes viam-se algumas peles de leão e divers os tapetes grossos de lã de desenhos simples. Não. como Tarzan sabia. misteriosa a distância. O teto baixo era sustentado por uma série de colunas entr elaçadas. a rainha que gostaria de matá-lo. na ante-sa la. mas Santa Margarida! Set e de nós não podem derrotar um exército. entretanto. Tarzan desceu a ravina íngreme até o fundo do vale e partiu pelo C ampo dos Leões. Phordos. Não fosse por ti. e grandes lutadores. saberá o que tem a fazer. na direção da Cidade de Ouro. Da primeira vez em que olhara a cidade o dia estava escuro e sombrio. Diga a ele que julgamos ter achado o lugar onde está a memsahib. Se você não o encontrar. porque seu companheiro de então era Valthor. conferindo-lhe seu nome Campo dos Leões. A guarda estive ra observando sua marcha pelo vale. com altivez. Alextar folgará em saber que regressaste afirmou. devia ter sido morto ou apr isionado. Podíamos tentar propôs. Os outros ficam em sua companhia. ou se el e estiver de volta a casa. leopardos. Você ouviu minhas ordens. Não temos medo. Gemnon e os demais pertencentes ao grupo leal que. ele talvez não ocupasse hoje o trono . e sei que haveriam de mergulhar no próprio inferno por causa de qualquer amigo do Grande Bwana. vão embora. que governara ao tempo de Nemone. sete homens não valerão mais do que um. Com relutância eles o deixaram. de Athne.Aí temos uma grande cidade comentou Wood. Também sei disso. a cidade somente lhe oferecia amistosidade. Tomos. até que eu informe Alextar. seu irmão. mas parece ser assim. Waranji. a Cidade de Ouro. ainda que seis sejam waziris. reful gente ao brilho do sol. É Tarzan disse um dos guardas quando o homem-macaco ainda se achava a meio q uilômetro de distância. o vulcão sagrado. portas esculpidas e mosaicos de ouro é marfim embutidos. nobre a quem Tarzan conhecia bem. já por algum tempo. Agora. Espera aqui. muito bem tratadas e usando os orname . acima dos mura is. Não temos certeza. luziam e cintilavam à luz do sol. Campo dos Leões! Que recordações isso lhe traz ia! A viagem a Xarator. Eram essas as recordações evocadas pelo nome.. acompanhou-o até o paláci o. um homem estará tão a salvo quanto sete. Nemone. e ao estacar diante dos portões todos se haviam adiantado. será fácil prender-nos ou matar-nos a todos. Mais uma vez Tarzan dos Macacos se encontrava na orla do planalto. dando para o corr edor e o apartamento contíguo. sendo seu principal conselheiro. murais representavam cenas de batalh a entre os homens-leões de Cathne e os homens-elefantes de Athne e.. a Cidade de Marfim. na beir a ocidental do vale de Onthar. O capitão da guarda. de modo que vou mandá-los de volta. com a mensagem. Waranji. fitando Cathne. Diga a Muviro que não c onseguimos encontrar Tarzan. eu sei. mas não vou sacrificá-los. Alextar. enorme cabeça de elefan te e diversas humanas cabeças de guerreiros. Se não for. Se encontrar Tarzan. Se f orem inamistosos. Audaciosamente o homem-macaco atravessou o vale até se encontrar diante da P onte de Ouro e dos dois leões dourados e heróicos que a flanqueavam. e já não constituiria ameaça para o homem-macaco. Se essa gente for amiga. em cujo interior candente os reis e rain has de Cathne haviam lançado seus inimigos desde épocas imemoriais. estava morta. cu jos habitantes eram inimigos hereditários dos cathnianos. Wood colocou a mão no ombro de ébano. via-se uma fileira de cabeças empalhadas leões. Agora. As casas branca s. Satisfeito. fo ra tirado do cárcere em que ela o mantivera e tornado rei pelos homens que eram os amigos de Tarzan Thudos. e ele vira aquilo como uma cidade de inimi gos. Waranji sacudiu a cabeça. a esplêndida Ponte de Ouro que atravessa o rio diante dos p ortões da cidade. O aposento. e Wood ficou a observá-los até que desaparecesse m no meio da mata. e boa sorte! Waranji sacudiu a cabeça. Em seguida dirigiu-se para a cidade. Vocês são grandes camaradas. Deixe-me mandar um dós guerreiros de volta. aco lhendo-o. eram do tipo comum nos palácios do rei e dos nobres de Cathne. Sim. Não podemos deixar bwana sozinho objetou. Voltem. acolheriam seu regresso a Cathne. bem como seus ornamentos. Pode haver muitos guerreiros.

Ela e o homem com quem deve casar estavam sob minha pr oteção. Es tive lá recentemente.. dois homens brancos e uma mulher b ranca. Fez uma pausa. O homem-macaco ergueu-se enquanto o ou tro entrava.ntos de marfim pertencentes aos nobres de Athne troféus das refregas e da guerra. Tarzan declarou. quando foi despertado por alguém que abria a porta da cela. Eles descreveram a região em que o safári se achava qua ndo desertaram. Alextar revelou-se fraco. deitando-se. Mas o que aconteceu aqui? Pen sei que com a morte de Nemone todos os vossos problemas tivessem acabado. que conta assim que eu possa morrer.. o homem. Há alguns dias encontrei dois negros que haviam estado no safári d os homens que raptaram a moça. como dev es ter adivinhado pelo tratamento que te dispensaram. Logo saberás asseverou Gemnon. e ao voltar tinha o rosto verme lho. Eu a procuro. Em seguida foi para o banco en costado na parede. pois éramos poucos.. Estamos todos em desfavor. Só obtivemos uma cabeça. Gemnon disse o homem-macaco. Parecia não perceber o perigo. É o motivo pelo qual estou aqui. ele não te aprecia de modo algum. a fim de atacar os ath nianos. São as criaturas mais estúpidas de toda a natureza. Um h omem de archote aceso apresentava-se ali. na verdade. trancando a porta. Se fora surpreendido. lealdade e cumprimento. mas até agora não se atreveu a nos destruir. Os guer reiros e o povo o odeiam. Nosso país. o que fez pens ar que desejava escapar aos homens. deu de ombros. aprisionado por seu inimigo hereditário. Tarzan! exclamou e. mas estávamos equivocados. pois adormeceu. e pediu então: Mas fala de ti. solicitar-lhe explicações. As coisas por aqui pioraram novamente. O que te faz pensar que sabes onde ela está? perguntou o homem-macaco. com duas janelas de grades. Íamos ao encontro dela e pretendíamos levar todo s como prisioneiros. Como sabes. pois o aposento de agora era grande. Os brancos lutavam entre si. agora que és prision eiro de Tomos. é dos mais infelizes. logo acima da casa da guarda. vinha acompanhado por vinte guerreiros. quando vimos uma força grande de athnianos em seus elefantes de guerra vindo pelo vale. Tiraram-lhe as armas e o levaram para um aposento no segundo andar do palácio. Tomos ma nda pouca gente. procurando o rastro. Vou pa ra a região a sudeste de Xarator. colocou a mão no ombro do outro. ou talvez o desdenh asse. Mas ignora va o que fosse. e ele tem conhecimento disso. o p ovo se erguerá. O homem-macaco olhou as vinte lanças que o cercavam. Quando nos retirávamos. o guarda do templo que pisa ra na cauda do deus e assim passara a merecer a morte. Isso naturalmente é obra de Tomos. Phordos? Estão bem. Doria e os pais del a estão bem? E seu pai. Mais uma vez era o animal selva gem. mas nada felizes. desde que existem homens observou o homem-macac o. Éramos em número insuficiente para enfrentá-los. bem iluminado. Sinto muito. expressão contrariada. A mulher correu em nossa direção. Dize-me. e isso será o fim de Tomos. Não tardou para que o capitão da guarda regressasse. Todos os países são infelizes. ao menos. Tomos é prati camente o governante de Cathne. Para resumir. Logo depois de subir ao trono caiu sob a influência de Tomos e su a gente. e são sempre os nobres que ele teme e dos quais deseja livrar-se. Se for longe demais. não que isso vá servir de grande coisa a ti ou a ela. e tu sabes o que isso significa. uma jovem foi raptada por dois homens brancos. Quando o deixaram. Tarzan caminhou até a janela mais próxim a e olhou para um dos pátios do palácio por momentos. Era u ma cela melhor do que a que ele ocupara pela primeira vez em Cathne.. e não ia proporcionar ao home m a satisfação de. Mas recebi ordens de prender-te. quando fora encarcerado em uma masmorra na companhia de Phobeg. co varde e ingrato. não o demonstrou. Acredito que sei onde está es sa jovem. de modo qu . fechando a porta ao passar. Quatro ou cinco escravos. Eu sabia que algo devia estar errado reconheceu o homem-macaco. Nossa incursão não obteve grande êxito. Fica a sudeste de Xarator. Folgo em ver-te. se ficara magoado. O que te traz de volta a Cathne? É história muito comprida replicou Tarzan. Também pensamos assim. Alextar manda que eu vá com freqüência ao vale de Thenar. vimos um pequeno grupo que não era for mado por athnianos. Escurecera. e ainda ignoro. er a o gesto cathniano de amizade. Acho que não terás de procurar muito disse Gemnon. vindo pelo aposento.

Talvez tu possas traçar um plano. a vida dele não valeria um só níquel. Tarzan sacudiu a cabeça. deverá ser um leão. . como disse antes. Não há algo que eu possa fazer. Não ficara andando de um lado para outro da cela . E o que achas que vai fazer comigo? Ele tem um outro Phobeg? Gemnon deu uma risada. agora. Capítulo dezenove DESFORRA . em cima da platéia. Neste instante. e depois. Tomos perdeu seu último óbolo naquela luta. Ela talvez sirva. são meios. As sim é que pude chegar a ti. ou um pun hal.. depois de tudo que fizeste por mim? Tem de hav er alguma coisa. Tomos tem-te em seu poder.. Posso escondê-la em minha tanga. afinal. em qu estão de minutos. Seu temperamento era mais semelhante ao do animal selvagem que ao do homem. acho apenas qu e deves retirar-te. antes que sejas apanhado aqui.. Mas.. Conversaram por algum tempo antes que Gemnon se retirasse. Eu naturalmente suponho que os at hnianos hajam capturado a jovem com os que se achavam em companhia dela e esteja m agora na Cidade de Marfim. em absoluto. mas se deixasse tua porta aberta para que fugisses. O único problema é que não tenho nenhum plano.. preocupando-se. Mas eu vim esta noite para tentar salvar-te. mais seguros. Talvez seja o veneno. Em resposta. Tenho de conhecer antes os planos de Tomos. essa informação não vai te servir de muito. Nunca poderei esquecer como jogaste o homem mais forte de Cathne de um lado para outro e. não creio que ele vá lançarte contra um homem. Tarzan adormeceu.e corremos até o Passo dos Guerreiros e fugimos. Não. desta vez. Um amigo meu é capitão da guarda. esta noite. Podias deixar tua adaga comigo.. outro bom motivo pelo qual não te estima..

O sol é criatura imparcial, brilha de modo idêntico sobre o justo e o banqueir o, sobre o dia em que o homem casa ou aquele em que falece. O grande sol african o, que afinal de contas é o mesmo a brilhar em qualquer parte do mundo, apresentav a-se fulgurante naquele novo dia, em que Tarzan deveria morrer. Deveria morrer p orque Alextar o determinara e a sugestão partira de Tomos. O sol brilhava até mesmo para este, porém é uma estrela a grande distância do planeta, distância tão grande que não p ermite ver sobre o que está brilhando. Eles vieram por volta das sete horas da manhã, retirando Tarzan da cela. Nem mesmo se deram o trabalho de trazer-lhe comida ou água. De que valem a comida e a água ao homem prestes a morrer? Tarzan sentia muita sede e, talvez, se houvesse p edido, os guardas lhe dessem de beber, pois afinal de contas eram soldados comun s, e não os favoritos de um rei, inclinando-se assim a mais generosidade e sentime ntos humanos. O homem-macaco, todavia, não pediu coisa alguma. Não que desejasse mos trar-se altivo demais, de modo consciente. Sua altivez era algo instintivo, impe dia até mesmo a idéia de pedir algum favor ao inimigo. Quando foi levado do palácio para a avenida, a visão que surgiu a seus olhos p ermitiu-lhe avaliar o destino que lhe fora decretado. Lá estava a procissão de nobre s e guerreiros, a carruagem do rei puxada por leões, e um grande leão isolado preso por cordas seguras por oito negros fortes. Tarzan já vira tudo aquilo antes, na oc asião em que fora a presa, na Caçada da Rainha. Ia hoje ser a presa na Caçada do Rei, mas não contava com o milagre que o salvara das mandíbulas poderosas de Belthar naqu ela ocasião. As mesmas multidões de cidadãos orlavam os lados da avenida, e quando a procis são partiu na direção da Ponte de Ouro, dirigindo-se ao Campo dos Leões, elas a acompanh aram. Era gente de boa natureza, como a que se encontra rumando para os portões de qualquer partida clássica de rubgy entre Exército e Marinha. Não se mostrava mais seden ta de sangue do que as multidões que iam assistir a uma partida profissional de hóqu ei no gelo, no Madison Square Garden. E quem seria tão destituído de bondade a ponto de dizer que aquela gente estivesse querendo ver sangue, em semelhantes apuros? Arredemos de nós o pensamento! Não se haviam arriscado, ao retirar Tarzan da cela. Vinte lanceiros deixaram transparecer o respeito que lhe dedicavam. Acorrentavam-no agora à carruagem de A lextar, e a marcha triunfal tinha início. Chegada ao Campo dos Leões, a procissão se deteve e a longa fileira de guerrei ros se formou, ao longo da qual a presa seria perseguida pelo leão. O homem-macaco foi desacorrentado, faziam-se apostas quanto ao ponto dessa fileira de soldados em que o leão alcançaria e derrubaria a vítima, e a fera estava sendo trazida para fa rejar sua presa. Tomos exultava. Alextar parecia nervoso tinha medo de leões. Jama is teria partido em caçada, por sua própria vontade. Tarzan o observava. Via um home m jovem, com pouco mais de vinte anos de idade, olhos nervosos e inquietos, quei xo fraco e boca cruel. Nada havia no indivíduo que o fizesse lembrar ser ele irmão d a belíssima Nemone. Ele fitou Tarzan, mas logo o olhar baixou, diante da expressão f irme do homem-macaco. Depressa! ordenou, rabugento. Estamos entediados. Eles apressaram os preparativos, e foi em meio a esta pressa que aconteceu . Em fração de segundo, o cenário relativamente pacífico transformou-se em pânico e caos. Por acidente, um dos negros que seguravam o leão por uma corda soltou a cole ira e, com um rugido cheio de raiva, a fera adestrada derrubou os que estavam ma is próximos e acometeu a linha de lanceiros que a separava dos espectadores. Encon trou uma dúzia de lanças, enquanto os cidadãos desarmados fugiam em pânico, pisando nos mais fracos, que haviam caído. Os nobres berravam ordens de comando. Alextar permanecia em seu carro de g uerra, os joelhos trêmulos, suplicando que alguém o salvasse. Cem mil dracmas ao homem que matar a fera! gritava. Mais ainda! Qualquer c oisa que pedir será concedida! Ninguém parecia dar-lhe atenção alguma. Todos cuidavam de sua própria segurança. A b em da verdade, ele não corria perigo em momento algum, pois o leão estava ocupado em outra parte.

As lanças a cutucá-lo enfureceram ainda mais o carnívoro enlouquecido, mas por a lgum motivo ele não prosseguiu em seu ataque aos guerreiros; em vez disso, girou r epentinamente e logo partiu rumo ao carro de guerra do rei. Agora sem dúvida algum a Alextar tinha motivos para apavorar-se. Poderia correr, mas os joelhos não corre sponderam, de modo que se sentou no banco do veículo dourado. Olhava em volta, ind efeso. Estava praticamente abandonado. Alguns componentes da guarda nobre haviam corrido, a fim de enfrentar o leão. Tomos fugira na direção oposta, restava apenas a presa. Alextar viu o homem sacar a adaga da tanga e acocorar-se à frente do leão que acometia. Ouviu rosnados selvagens, emitidos por lábios humanos. O leão o alcançara. A lextar gritou, mas, fascinados, seus olhos cheios de terror atinham-se à cena selv agem. Viu que o leão se erguia para matar, e depois o que aconteceu foi tão rápido que mal deu para acompanhar. Tarzan se baixou e esquivou-se, por baixo das grandes patas dianteiras est endidas para pegá-lo, e logo atacava: montou nas costas do leão, um dos braços passado s pela garganta peluda. De mistura aos berros horrorosos do animal vinham os ros nados do homem-fera montado em suas costas. Alextar gelou de medo. Quis correr, não conseguiu. Quer o desejasse ou não, tinha de permanecer sentado e assistir àquele espetáculo pavoroso tinha de ver o leão matar o homem, e depois saltar sobre o cadáver . Ainda assim, o que mais o apavorava eram os rosnados do homem. Eles rolavam pelo chão, agora, no Campo dos Leões, às vezes o homem por cima, de outras o leão. E volta e meia a adaga de Gemnon reluzia ao sol e cintilava, quand o a lâmina mergulhava novamente no flanco da fera frenética. Os dois estavam agora c ircundados por lanceiros prontos a atingirem o coração do leão, mas nenhuma oportunida de se apresentava sem que a vida do homem corresse perigo. Afinal, a luta chegav a ao término. Mediante o esforço supremo de escapar às garras do homem-macaco, o leão to mbou ao chão. O duelo terminara. Tarzan se pôs em pé. Por momentos, examinou os guerreiros em volta, com os olh os fuzilantes de animal encurralado diante da vítima que abatera; ato contínuo, pôs um pé sobre a carcaça do leão, ergueu o rosto para os céus e, do peito amplo, veio o grito de desafio dos macacos. Os guerreiros recuaram, enquanto aquele grito fantasmagórico e medonho estraça lhava o silêncio recém-formado no Campo dos Leões. Alextar voltava a tremer. Tivera me do do leão, mas receava ainda mais o homem. Não o trouxera ali para ser morto pelo p róprio leão que o homem abatera? E não era mais que um animal, aquele homem. Seus rosn ados e grito pavoroso vinham prová-lo. Que misericórdia poderia ele receber de uma f era assim? O homem ia matá-lo! Levem-no daqui! ordenou, a voz débil. Levem-no daqui! O que faremos com ele? perguntou um dos nobres. Matem-no! Matem-no! Levem-no embora! e Alextar estava quase berrando. Mas ele salvou vossa vida observou o nobre. Hein? O quê? Oh, bem... levem-no de volta à cela. Mais tarde saberei o que faz er com ele. Não dá para ver que estou cansado, que não desejo ser importunado? interpe lou, em tom rabugento. O nobre baixou a cabeça, envergonhado, ao ordenar que a guarda acompanhasse Tarzan de volta à cela. E foi caminhando ao lado do prisioneiro, quando nobre nenh um o faz, a não ser em companhia de alguém de sua própria casta. O que fizeste observou o nobre quando voltavam à cidade merece recompensa me lhor do que esta. A mim parece que lembro tê-lo ouvido oferecer qualquer coisa ao homem que ma tasse o leão disse o homem-macaco. Isso, e cem mil dracmas. Sim, também ouvi. Ele parece ter memória muito fraca. O que lhe terias pedido? Nada. O nobre fitou-o, tomado de surpresa. Tu não lhe pedirias coisa alguma? Nada. Não há algo que desejes? Sim, mas não pediria coisa alguma a um inimigo.

Eu não sou teu inimigo. Tarzan fitou o homem e uma sombra de sorriso veio a seu semblante sombrio. Desde ontem não tenho água nem comida. Bem contrapôs o nobre, rindo. Tu as terás ... sem que hajas pedido. De volta à cidade, Tarzan foi colocado em outra cela; esta se achava no segu ndo andar de uma ala do palácio, a cavaleiro da avenida. Não tardou para que a porta fosse aberta e um guerreiro entrasse, trazendo comida e água. Ao colocá-las na extr emidade do banco, olhou para Tarzan com expressão de admiração. Estive lá e vi quando mataste o leão do rei disse. Foi façanha como só se vê uma em toda a vida. Vi quando lutaste com Phobeg, na presença de Nemone, a rainha. Ta mbém isso foi um espetáculo e tanto. Tu poupaste a vida de Phobeg, quando o podias m atar, quando todos gritavam e pediam que o matasses. Depois disso, ele seria cap az de morrer por ti. Sim, eu sei replicou o homem-macaco. Phobeg continua vivo? Oh, e muito. E ainda é guarda do templo. Se o vires, dize-lhe que lhe mando bons votos. Farei isso prometeu o guerreiro. E logo o estarei vendo. Agora, tenho de i r. Ele se aproximou de Tarzan, então, e falou em cochicho: Não bebas vinho e, apareça aqui quem aparecer, fica de costas para a parede e pronto para lutar. Em seguida retirou-se. Não bebas vinho , repetia Tarzan. Como sabia, o vinho era o meio pelo qual se ministrava geralmente o veneno , em Cathne; e se ficasse de costas para a parede, ninguém poderia apunhalá-lo por t rás. Bons conselhos! Conselhos de um amigo, que talvez houvesse sabido de alguma c oisa, levando-o a agir assim. Tarzan sabia que contava com muitos amigos entre o s guerreiros da Cidade de Ouro. Foi a uma das janelas e olhou para a avenida. Viu um leão caminhando majesto samente rumo ao centro da cidade, sem dar atenção alguma aos pedestres, sem ser obse rvado por eles. Era um dos muitos leões domesticados que percorriam as ruas de Cat hne durante o dia. Às vezes alimentavam-se dos cadáveres que lhes eram atirados, mas raramente atacavam um homem vivo. Observou um pequeno grupo de pessoas, no lado oposto da avenida. Conversav am animadamente, olhando com freqüência na direção do palácio. Os pedestres se detinham pa ra ouvir, engrossavam o grupo. Veio um guerreiro do palácio, parou e falou com ele s, e logo olhavam para a janela onde Tarzan se achava. Era o guerreiro que troux era comida a Tarzan. Quando a multidão reconheceu o homem-macaco começou a aclamar. Vinham pessoas de ambas as direções, algumas correndo. Notava-se a presença de muitos guerreiros, em meio das mesmas. Aumentaram a multidão e o tumulto. Chegada a escuridão da noite, ar chotes foram trazidos. Um destacamento de guerreiros saiu do palácio sob o comando de um nobre que procurou dispersar aquela gente. Alguém berrou: Libertem Tarzan! , e toda a multidão acolheu o berro, entoando-o c omo em cântico. Surgiu um homem imenso, trazendo um archote. À sua luz, Tarzan recon heceu-o como Phobeg, o guarda do templo. Acenou com o archote para Tarzan e grit ou: Que vergonha, Alextar! Que vergonha! E logo a multidão entoava essas palavras, cantava-as em uníssono. O nobre e os guardas procuraram silenciar e dispersar os manifestantes, e logo se formou uma luta, na qual cabeças foram partidas e homens retalhados por es padas, atravessados por lanças. A essa altura, a multidão aumentara a ponto de enche r a avenida. Achava-se em péssimo estado de espírito e, vendo derramar sangue, enlou queceu. À sua avançada, a guarda do palácio de nada adiantou, e os sobreviventes bater am em retirada para o interior. Já alguém gritava: Abaixo Tomos! Morte a Tomos! E a voz roufenha da multidão entoava o novo refrão. Isso pareceu levar os home ns à ação, pois agora caminhavam em massa compacta para os portões do palácio. Enquanto batiam e empurravam os portais imponentes, um homem na orla da mu

Incentivados por esse êxito. irritados pelo barulho. as cordas emaranhadas. e logo ele dedicou todas as forças que tinha a uma só dessas barras. Os gritos rou fenhos da multidão misturavam-se aos rugi-dos dos carnívoros e gritos de homens feri dos. Lá se via um pátio fechado. Ele examinou a avenida e viu que a multidão continuava a recuar. pois lá estivera tanto como prisioneiro quanto c omo conviva de Nemone. mas a multidão. Predominava o pandemônio. Tarzan voltou-se. o que poderiam fazer contra aquela demonstração de força selvag em? Começaram a recuar. Diante de seu vigor e peso. À frente dele hav ia um portão traseiro. Era o bastante! Uma por uma. mas Tarzan a fez estacar. na direção dos estábulos. com gritos de desafio. Archotes e lanças na linha de frente! Em seguida. instava a que prosseguissem. o ferro cedendo diante de sua força gigantesca. Uma muralha o separava da avenida. bem à frente. O rei dos animais não constitui e xceção. os portadores de archotes caíram sobre os leões res tantes. na verdade. devagar. não se deixava i ntimidar. Logo o viam e o reconheciam. amaldiçoando e resmungando. Tarzan inclinou-se da janela. a juba incendiada. Os leões libertados hesitaram o bastan te para reduzirem a carne viva os zeladores que encontraram no caminho. enquanto a noite estremecia com seus rugid os tonitruantes. nada puderam fazer. Era Phobeg. Nós vamos pegar Alextar e Tomos! gritou Phobeg. um rosnado baixo veio do peito do homem-macaco. pois não apenas ouvia os gritos da multidão como era também mantido constantemente . Tarzan tirou o archote de um dos cidadãos.ltidão gritou: Os leões de caça! Alextar soltou os leões contra nós! Morte a Alextar! Tarzan dirigiu o olhar para os estábulos reais e. Deixai os leões irem aconselhou. entre ela e os leões. o s zeladores caídos. fechado por dentro. incentivando-os. aquietou-a depois de momentos. elas se dobrara m um pouco para dentro. O rei se achava assustad o. um grito de confiança e satisfação renovadas. chegou à avenida. Ela se curvou para dentro e saiu do apoio no caixilho. os leões a avançar. sem poder auxiliar os amigos. Estavam todos tão atentos aos leões qu e ninguém viu o homem-macaco passar pela janela e cair de pé no pátio. rei de Cathne. De modo involuntário. Vou procurar Alextar e Tomos. A essa altura. Todos os animais selvagens têm medo do fogo. dando para as dependências do palácio. Trazei vossos archotes! ordenou. os leões estavam frenéticos de pavor e. retesavam as correntes. batendo-lhes com fogo até que os animais enlouquecessem de pavor. amaldiçoando. presos por correias aos guardadores. fa zendo com que escapassem às mãos dos zeladores. com nova força. um grito de d esafio. Ainda assim. Ótimo! disse o homem-macaco. Vinde! Eles o acompanharam até o portão tr seiro. já não mais agüentavam. e logo t ambém galopavam pela avenida. A multidão queria persegui-los. bem à f rente da multidão que recuava. Ao fazê-lo. Temos coisa melhor. adiantou-se para enfrentar os leões. que chegara agora à loucura demoníaca. Os zeladores. um ros nado de protesto por estar indefeso. Os leões de caça de Alextar. Passando por ali. Tudo de que haviam necessitado era chefia. voltou-se de súbito para o lado. Aos portões! Aos portões! Há um caminho mais fácil disse Tarzan. Os que não haviam fugido faziam-no agora. a rainha. Erguen do a mão. lá se achavam ci nqüenta leões. Ali Tarzan sabia qual era o caminho a tomar. fer indo outro leão e levando-o a voltar-se cheio de terror e confusão. Pôs à prova as ba rras da janela em que se encontrava. olhou para baixo. embaraçaram-se os liames dos outros leões. as ou tras barras foram arrancadas e jogadas ao chão. E eu irei contigo proclamou uma voz estentórica a seu lado. as jubas incendiadas. e os homens com archotes e lanças vieram logo. Agitados pela multidão. formando a linha de frente. que ele sabia estar livre. em sucessão rápida. Um dos leões. emaranharam-se. correndo em direção aos estábulos. Es tava vazio. pedindo a soltura de Tarzan. Alextar e alguns de seus nobres estavam jantando. Os portões! gritaram alguns. olhou para quem falara. e um grande grito se fez ouvir. Um berro de aprovação veio da multidão. o guarda do templo. e Tarzan . recuaram quando os archotes acesos f oram enfiados em seus focinhos.

Nenhum nobre desembainhou a espada para defender o rei. E logo Tarz an entrava no aposento e. Assim morreu Alextar. continuava apavorado. Não que eu aceitasse o que tens a oferecer aduziu o homem-macaco. mas se não derem o trono a Thudos será idiotice. por algum tempo.informado sobre tudo que acontecia fora do palácio. farei de ti um homem-leão.. Talvez queira até matar-me. e Tomos igualmente. bem como os outros. Ia dar-te dinheiro. de linhagem mais antiga que a que o rei de Cathne podia possuir . Nada farei contigo replicou Tarzan. A culpa é tua. e pela p orta aberta vinha o murmúrio da multidão que acompanhava o homem-macaco. Aqui está Tarzan. E tu. pedindo Thudos. e agora pe rdi meu trono. estavam prontos a desertar Al extar. Agora. O que vais fazer comigo? perguntou o rei. agora! gritou. voltando-se para um dos nobres. ele colocou a ponta da espada no coração e se atirou sobr e a arma. porque nesse caso teu povo não teria ficado tão cheio de raiva e desagrado. e vê agora o que aconteceu! O povo quer destronar-me. Mandai chamar o homem-fera propôs e dai-lhe liberdade. vinham Phobeg e os demais. por tua causa. Devias ter pensado em tudo isso no Campo dos Leões. dar-te-ei dinheiro. recuou para o aposento. suplicando que não o matassem. como Tarzan sabia. Procurava algum plano que o pudesse salvar e logo o encontrou. pois ouvira o povo pedindo sua mor te. Com a mesma ra pidez com que agira antes.. Sim. tu me mantiveste aprisionado. em grupo cerrado atrás dele. O pavor que este sentia era tão grande que se achava a ponto de desmaiar. quando os gri tos da multidão indicavam que esta se achava a ponto de derrubá-los. hon rarias. Alextar levantou-se para fugir. golpeando com todo o vigor o crâni o de Tomos e partindo-o até a altura do nariz. Enquanto o corpo caía a seus pés. e os que se achavam na sala permaneciam aturdidos e silenciosos. é tarde demai s. Mandara todos os guerreiros disponíveis no palácio aos portões. Mas talvez ho uvesses assim salvo tua vida.. Arruinaste minha vida. escravos. amado e respeitado pelo povo. Talvez houvesse enlouquecido por completo. Era guerreiro antigo e famoso. Tu disseste para trancar o homem-fera. O que teu povo te faça não é de minha conta. . Cheio de desalento. e sabia que os leões de caça. haviam sido repelidos e estavam em fuga. Mandai avisar imediatamente nos portões que tomastes essa decisão. bem como teu trono.. Como ratos que fogem de um navio soçobrando. que certamente poderiam dispersar os manifestantes. mas não cruzou o limiar. de frent e para Tomos. então.. Ele se pôs em pé devagar. tu e M'duze. ainda que os portões cedessem. Arruinaste a vida de minha irmã. puseram-se em pé com um salto. e embora os nob res lhe assegurassem que a multidão não poderia derrotar seus guerreiros. e em suas veias corri a sangue melhor. e os que se achavam n o corredor levaram a proposta até a avenida.. ordenou: Vai imediatamente e traze o homem-fera. o último dos governantes loucos de Cathne. Acabei de dar ordens para soltar-te. a notícia espalhou-se pela cidade. hoje. A joelhou-se. vai aos portões e dize ao povo o que fo i feito... mas com um salto Tarza n varou a distância e os agarrou. Alextar e Tomos. onde Tarzan fora apr isionado. Por anos. Mas nunca mais arruinarás a vida de alguém e sacou a e spada com tanta rapidez que ninguém o pôde impedir. seu rosto tornou-se lívido. gritou. ele prorrompia em gargalhadas enlouquecidas. sim concordou Alextar e. como acontecera anteriormente com a irmã. Thudos era o primeiro dos nobres. dar-te-ei um palácio. O qu e vou fazer? O que posso fazer? Tomos não estava mais calmo do que o rei. O primeiro nobre seguiu apressadamente pelo aposento e abriu uma porta que dava para o corredor do qual podia subir ao segundo andar. E quando a multidão na sala ouviu o que Tarzan dizia. Tomos choramingava. Tu não compreendes! gritava. Mais tarde disse Tomos podemos oferecer-lhe uma taça de vinho. Tu fizeste isto comigo disse. Alextar ouviu. Dai-lhe dinheiro. tudo.

a Cidade de Marfim. a Cidade de Ouro. onde os elefantes são adestrados e os gue rreiros de Athne recebem treinamento. Logo. Nesse caso. p rocurando mulheres e cabeças e demais artigos de saque. Talvez seja mais um. a não ser um arbusto dos mais rijos. preparando-se em suas formidáveis montarias. pois nessa direção segue a trilha que leva para Cathne. sem vislumbrar um só sinal de vida humana. Um homem vem do sul anunciou. vê-se grande planície.Capítulo vinte ATHNE O portão principal de Athne. de modo que é possív el aproximar-se dali. enlanguescidos pelo calor. não é preciso soar o alarma. assim é que o portão pr incipal de Athne é forte e bem guardado. A tarde ia pelo meio e o sol quente reluzia nas torres de vigia. É local empoeirado e nada cresce ali. cabeças e saque. está voltado para o sul. Os guerre os que não estavam em serviço. Diante do portão. também procurando mulheres. jogavam dados um dos últimos se manifestava. vindo pelo sul. naquela direção vêm os grupos in cursores de Cathne. iros. Ele está ainda longe demais para ser bem visto disse o guerreiro que descobr . Quantos? perguntou um dos jogadores. bastião dos inim igos hereditários dos athnianos. Acha-se cercado por duas torres firmes. Eu disse um homem . Nessa direção vão os guerreiros e os nobres de Athne. e mesmo esse só sobrevive às patas formidáveis dos paquidermes em faixas esparsas. às quais os guerreiros montam guarda dia e noite. Mas quem poderia vir sozinho a Athne? Será homem de Cathne? Já recebemos desertores. Os campos d os athnianos ficam ao norte da cidade e lá os escravos trabalham. Só vejo um. em outras ocasiões.

Todos pareciam muito interessados nele. Tentava calcular se seriam amistos os e o fato de que fossem brancos vinha trazer-lhe esperanças. côncavo e curvo. ornamento esse modelado como colher de pedreiro. A faixa que lhe prendia os cabelos sustentava um ornamento de marfim esculpido. a fim de examinar quem vinha. Os guer reiros interromperam então sua partida de dados e foram todos para o parapeito ao sul. ocupados por lojas. Um oficial veio do interior da torre e ergueu o olhar. que marchava aparentemente esquecido das pe ssoas presentes. pois de modo geral risioneiro ou convidado ninguém cerca um convidado com guerreiros armados. e talvez nunca tomasse conhecimento desse fato. abaixo do ombro. via-se um disco de marfim sobre o qual era obs ervado um dispositivo esculpido. também sustentada por tiras no ombro. A cada braço. apalpan do-lhe as roupas e armas. Os guerreiros que o haviam introduzido na cidade eram b rancos. rodearam -no e o levaram pelo portão. Ele foi ao lado interno da torre e. O que é? perguntou. devido à incapacidade de conversar c om os que o rodeavam. e ergueu a mão. Pendurado a cada lado da faixa na cabeça estava outro disco de marfim. Sandálias de couro de ele fante. e um oficial em companhia de diversos guerre iros saíram dali. mas não se percebia nele qualquer maneira ofensiva. mas não conseguia situá-los com exatidão. iniciando a marcha com Wood pela avenida. Não é cathniano proclamou o oficial . e quando se aproximou bastante eles o chamaram. Wood observou mais de perto a indumentária dos aco mpanhantes e das pessoas pelas quais passavam. o portão se abriu. Usava braceletes e tornozeleiras de faixas compridas e lisas de marfim. apoiando-se sobre a beira do parapeito. Decidiu que a primeira coi sa a fazer era aprender a língua daquela gente. de grandes . mas não parece ser cathniano. a observá-lo. para vir sozinho a Athne. de cabelos negros. chamou o capitão da guarda. Amigo disse. O oficial em comando era um sujei to bem-apessoado. e logo se viu cercado por grande multidão. fazendo o sinal de paz. muito bem esculpidos. O oficial assentiu e subiu a escada que dava para o cimo da torre. Era como se houvessem saído das páginas da história antiga. Stanley Wood logo se achou no extremo de uma avenida orlada de edifícios bai xos. Já estava mais próximo e podiam divisar que usava roupas de aspecto estranho. cuja pon ta se projetava acima do alto da cabeça. De onde se haviam originado aquele s homens e mulheres desconhecidos. Quem podiam ser? Sua indumentária. embora se nota sse a presença de alguns negros. em volta do pescoço havia um colar de pequenos di scos de marfim. tão arcaicas se mostravam as armas e ves timentas. notou os guerreiros nas tor res. Ele se sentia pouco à vontade e indefeso. todos falando ao mesmo tempo. pois fossem quem fossem. inclinando-se à frente. Eram tantas as perguntas que desejava fazer! Gonfala talve z estivesse ali.ira o desconhecido . e do mais baixo deles uma correia descia a té a cota de malha sem mangas. nas partes superiores e inferiores. Wood arriscava-se a crer que aquele homem pertencia à nobreza. mas em língua que não conseguia entender. feita de couro. não proporcionava qualquer pista para a solução do mistério. no centro da testa. Enquanto Stanley Wood se aproximava dos portões. bem como a maioria dos habitantes encontrados na avenida. nos pés. Ao seguirem pela avenida. Alguém vem do sul explicou o guerreiro. mas aí temos um imbecil. eram sustentadas por cordões de couro presos ao fundo das tornozelei ras. tão bem-apessoados? Como e quando haviam alcançad o este vale desconhecido da África? Seriam os descendentes de alguns colonos atlan tes. Estas últimas logo eram tiradas pelo guarda. o oficial d eu algumas ordens e os guerreiros arredaram o povaréu. Tentaram falar-lhe e. apontando. ao perceberem que não se entendiam. De imediato. ali estavam e ele era seu p a primeira hipótese merecia mais crédito. ou um homem corajo so. caso não pudesse indagar a alguém que o entendesse. postas bem próximas umas das outras e presas em volta dos membros por tiras de couro entrelaçadas por buracos q ue furavam as fitas. a respeito da jovem. A roupagem é estranha. tão diferente de tudo quanto se usava em te mpos modernos. tangidos para lá após a submersão de seu continente? Não passava de especulação. Se existiam c astas.

Eram Spike e Troll. Wood não compreendia o que se passava na conversa entre eles. trabalhado com mais simplicidade. Percebeu o antagonismo e sentiu-se mais sozinho do que te ria acontecido em confinamento solitário. porque Spike erg ueu a mão. Se algum de vocês a machucou. um prisioneiro. u m sobre cada ombro. A sós com o prisioneiro. a menos que tenha sido depois que eles . rude. Ali se achavam os edifícios mais bem trabalhados que vira. Chamou afinal os guerreiros. o segundo oficial não dava a impressão de se r bem-nascido. cuja parte externa era patrulhada por guerreiros. diante da qual se postava uma séri e de guerreiros. Nas costas de todos havia um pequ eno escudo. estando todo o conjunto em jardim semel hante a um parque. em gesto de advertência. Você não acha que eu ia deixar alguém machucar minha i rmã. Tratava-se de camarada de aspecto grosseiro. não vi mais a moça. de considerável beleza. Dessa feita. O americano foi levado a um cercado grande e emparedado. aos quais deu instruções. Uma onda de raiva invadiu o americano. cobrindo ampla faixa de terreno. pelas mesmas tiras que seguravam a cota de malha. encaminharam-no a um cubículo na parte traseira das dependências. E logo ouviu que seu nome era chamado po r alguém. O que fizeram com ela? Eles a tiraram da gente desde o dia em que fomos presos disse Troll. Havia uma construção ce ntral e grande e muitas edificações menores. O oficial que acompanhava o americano fez ao outro um relato do ocorrido. esmu rrou raivosamente a mesa. o cachorrão. Machucar! exclamou Troll. Imediatamente dois homens se separaram dos demais e vieram a seu encontro. ao descobrir que Wood não o compreendia. Nós estamos em uma embrulha da dos diabos. Ao aproximar-se do cubículo notou que todos o olhavam e percebeu que faziam comentários a seu respeito. Tal emoção deve ter transparecido quando avançava na direção deles. mas quando o primeiro ofic ial se retirou compreendeu que fora entregue à custódia do outro. Lá dentro havia um oficial sentado à mesa e Wood foi levado a ele.dimensões. Ficou com ela e com o Gonfal. Calma aí! gritou. e mais uma vez Wood foi levado sob escolta.. Estava arm ado de punhal e espada curta. já que os outros ocupantes eram em sua maioria camar adas sujos e desalinhados. começou a gritar-lhe p erguntas. e suas cotas de malha e sandálias eram de couro mais bruto. e longe d e ser considerado importante. coisa que fora tão evidente no primeiro. acha? Spike piscou o olho por trás de Troll e levou a mão à cabeça. os quais pensara inicialmente tratarse de ornamento de marfim. Os guerreiros que o acompanhavam exibiam vestimentas semelhantes. Desde então. não muito longe de um edifício grande e de um só pavimento. bem como espada s e punhais. o primeiro a cobrir-lhe as orelhas. Pedaços de marfim grossos. Os guerreiros comuns portavam lanças curtas e pesadas. e ficar bravo não traz vantagem nenhuma. em cujo lado setentrional havia um telhado aberto. e. porém meno s trabalhadas no marfim esculpido. pois percebera que s e tratava dos raptores de Gonfala. A gente sabe que ela está no palácio explicou Spike. curvos e em forma de cunha eram sustentados.. Onde está Gonfala? interpelou Wood. É melhor para nós todos se tra balharmos juntos. abrigando cerca de cinqüenta homens. notava-se pequena construção. Wood concluiu que os objetos. Viu-se empurrado para o cubículo. Ficar bravo não vai adiantar nada. Estão dizendo que o grandão este lugar gostou dela. em meio da assembléia formada no telheiro. tendo aparência a recomendá-lo muito menos do que muitos gu erreiros comuns que Wood vira até então. tanto brancos quanto pretos. nem ele ao prisioneiro. Logo após o portão. eram destinados a servir como armadura de p roteção. em gesto significati vo. nos braços. Ninguém a machucou assegurou a Wood . Pelo tom de uma ou outra risada avaliou ser alvo de mu itos gracejos pesados. sobre o qual se encontrava um disco menor. com cujo i nterior estava destinado a familiarizar-se bastante. Para que vocês a raptaram? interpelou Wood. Uma cerca alta formava os três lados r estantes do quadrado. Embora exibindo roupa semelhante. Foi quan do Wood compreendeu que era agora. do modo mais claro. no centro da cida de.

Is so é como ser um duque. Ele diz que gostou de ficar conhecendo você traduziu Spike. Eles dizem que é porque ele era bom sujeito e todos gostavam dele. venha cá. . Nunca trouxe coisa algum para ninguém. Não dava para f azer o Gonfal funcionar sem ela. como este não os compreendia. co mo os oficiais deles. e está nos ensinando a língua dele. Por algum tempo. aperte a mão de meu velho amigo Stanley Wood. sinais de mímica e as poucas palavras d a língua athniana que havia aprendido. Eles fizeram uma espécie de revolução por aqui. no trabalho com os elefantes. É o que eles chamam de homem-elefante. de algum modo. os que não fugiram ou não en traram na revolução. Há um deles aqui. Pelo mal que haviam causado a Gonfala. Aquela pedra amaldiçoada! murmurou Wood. parecia a Wood que mereciam a morte. há alguns meses. chegamos. mas. Ainda assim. E eu contei que você v em de um país mil vezes maior que Athne. Enquanto Wood ali se achava. e que você era um duque. Olhe para mim e Troll. Está vendo aquele sujeitão ali. os únicos com quem tinha qualquer interesse comum. Valthor sorriu e assen-tiu. Mas esse camarada não foi morto. na esperança de que. e m pé e de braços cruzados? Apontava para um camarada alto e de excelente aspecto. pois os oficiais encarregados dos escravos tinham sido homens da mais baixa classe. Era um meio notável de transmitir pensamentos . O que nós arrumamos. Valthor pareceu perplexo. O negócio é que essa gente é ruim. está sempre criando encrenca p ara as pessoas decentes e roubando aquilo que não sabe fazer. levava rapidamente em conta a atitude que dev ia assumir para com Spike e Troll.a tiraram de nós. como conferiu a Wood um conhecimento suficiente da língua athniana. até mesmo os caras da revolução. Os dois homens eram patifes completos e só conseguiam provocar sua inimizade mais amarga. só má sorte. mas tomou a mão que Wood estendera. levados pe la curiosidade a examinar o último recruta. e todo o trab alho é tirar bosta dos elefantes. que não se adiantara com os demais. ia pôr de lado a raiva justa con tra eles e juntar-se aos dois. Gostaria de conhecê-lo disse Wood. centro de seu interesse. ao receberem um po uco de autoridade. que respondia em estranha mistura de dialetos africanos. permitindo a conversa livre em todos os contatos que efetuou. pode ter certeza. e esperar para ver como eles vão acaba r com a nossa raça. nem eles ao americano. antes da revolução. ou coisa assim. e mataram muitos desses homens-elefantes. A alim entação era fraca e insuficiente. portanto. o trabalho pesado e o tratamento recebido o mais d uro. o ditador que usurpara a coroa de Athne após a revolução. Eu também acho que há uma maldição nela concordou Spike. foram cercados pelos outros prisioneiros. Enquanto conversavam. pois seu primeiro interesse momentâneo era aprender a língua daquela gente em cujas mãos o destino o atirara. Eles querem saber quem você é e de onde veio disse Spike. Valth or. com a gente. Seu raciocínio mostrava-lhe que Spike tivera razão ao dizer que de viam trabalhar juntos. mas ao que parecia vinha servir admiravelmente ao propósito. começando imedia tamente uma ligação que não apenas se transformaria em amizade genuína. por todo o traba lhão que tivemos? Ficamos sem a esmeralda e agora perdemos o Gonfal. Estou sempre esquecendo que você não fala inglês. Diga a ele que sinto o mesmo retorquiu o americano e pergunte se vai ajuda r-me a aprender sua língua. Está bem. e assim davam vazão a muitos rancores. Interrogavam Wood. Ele não é mau sujeito. Esses tais revolucionários são como os gangsteres em seu país. Tratou em seguida de fazer a apresentação na língua mista que conseguira formar. Caramba! exclamou Spike. era m os únicos homens presentes com quem podia falar. de modo que o puseram aqui. Não quis participar. Nem tem de lidar com esses caras por aí. E por que a trouxemos conosco? Era preciso trazer. pudessem servir a Gonfala. Durante esse tempo trabalhou com os demais escravos nos grandes estábulos de elefantes de Phoros. na Inglaterra. mas gostou de Troll e de mim. faziam as perguntas a Spike. Bem. Quando Spike traduziu o pedido. Ele é um figurão. Valthor sorriu e aceitou a apresentação. o dia todo. durante as seman as seguintes.

em comparação aos outros escra vos do grupo. esperanças de que alguma coisa aconteça com Menof ra. quando receberam ordens de montar novament e e sair.. Não resta dúvida. a fim de derrubar Phoros e restaurar Zygo no trono. Se bem conheço Menofra. e não sente medo algum de nós. Cuida de ti. Não existia grande coisa em que fundamenta r um plano de ação. E quem é essa Menofra? Acima de tudo é um demônio de ciúmes. e estavam levando as grandes montarias. Já o localizaram explicou Valthor a Wood. Woo d. na cidade. Estará semp re à espera. Quem são os erythras? indagou Wood. para as quais tinham fugid o quando a revolução se apoderara da cidade. saindo de uma floresta de bambu.. Se é bela dissera-lhe Valthor .Por todo esse tempo ele não teve notícia alguma do destino de Gonfala. Trata de te manteres fora da frente dele. pois na turalmente eram poucas as notícias do palácio que chegavam aos escravos nos estábulos. e creio que a conheço be m. que vinha montado ao lado. Valthor lhe contara que talvez ocorresse uma contra-revolução. E se bem conheço Phoros.. faltaria coragem a eles. na planície ao sul da cidade. os guerreiros. ele não deixará que ninguém mais fique com ela.. . juntamente com Val thor. creio que não precisas temer por sua vida. junto aos guerreiros que os acom panhavam. devido à inteligência maior de Wood. Olá! gritou um guerreiro que ia à frente. Fa ze de conta que não consegues controlar teu elefante. Haviam-no escolhido para esse trabalho. re i de Athne. e se for tão mau assim. Não sabia se ela vivia ou não. O guerreiro fez com que sua montaria se aproximasse mais do nobre athniano . baixando a voz. Nós. Regressavam aos estábulos um dia. Mas é morte certa mandar escravos inexperientes contra ele. Ela é muito bonita afirmou Wood. e não o s escravos observou Valthor. ao mesmo tempo que Zygo e a maioria de se us nobres e acompanhantes se escondiam nas montanhas. Spike e Troll. n em todos nós voltaremos à cidade. tua amiga estará a salvo das atenções de Phoros. na orla da planíc ie.. nem mesmo os erythras o fariam. Valthor emitiu um assobio. É animal grande. Os homens que derrubaram o governo e colocaram Phoros no trono de Zygo. e esposa de Phoros. No tempo de Zygo os nobres saíam para capturar os elefantes selvagens. com o vossa nobreza. e não existia meio de comunicação entre os que se achavam ali confinados e os simpatizantes de Zygo. Entre outros trabalhos dados a Wood achava-se o de exercitar o elefante qu e lhe fora destinado. Todos eles andam bêbados demais para montar explicou. vamos ter um pouco de divertim ento. de que estavam em missão de captura de um elefante selvagem que andara e stragando as plantações. Se est ivessem apenas um pouco embriagados. se tiverem a coragem necessária. sob forte escolta de guerreiros. A caminho da planície tomaram conhecimento. Olha só! Ele vem diretamente p ara cá. Dizem que é grandão e feio comentou um dos guerreiros . Se não estivessem embriagado s. estamos fartos deles. alimentando esperanças. mas era o melhor que se apresentava a Wood.. após o período de exercício matinal no campo. Ele aprendera com rapidez e montava quase todos os dias. é um elefante mau. Nunca vi um tão grande comentou Wood. e se for tão mau quanto dizem. Talvez não cause malefício algum. E logo viam também a presa. Nós não tiramos a vida de belas mulheres. Talvez voltem disse Valthor . A maioria de nós preferiria estar novamente sob o comando de verdadeiros homens-elefantes. poderiam montar. digam o que disserem os guardas. Isso não trazia grande consolo. mas nos alojamentos dos escravos corria pouca informação na qual basear até mesmo uma conjetura sobre quando tal poderi a acontecer. Só podia esperar e manter viva a esperança. e esse estado de incerteza e aflição constantes pesava-l he mais do que as vicissitudes que tinha de atravessar. pelo menos. por Dyaus. Eu bem queria que não fosse tão bonita assim. se for mulher muito bonita.

nem lhe voltou as costas. de modo que os dois pudessem trabalhar harmoniosam ente. utilizada pelos homens-elefantes de Athne a fim de aquietar os grandes animais que se achassem nervosos ou irritados. seu harém de fêmeas estava presente e ele não ia deixá-lo para qualqu er elefante macho e desconhecido sem travar batalha. Foi quando Valthor e Wood chegaram. guerreiros e escravos seguiam atrás. E assim. levando o elefante selvagem para a cidade e o curral. . mas ficou de lado. que sabiam desempenhar seu papel. que pouco sabia de fugir. e foi quando o grande elefante atacou. e agora. jogou-o três vezes ao ar e depois o transformou em mancha escura. aproximou-se com suavidade pelo outro lado. espalhando-as para um e outro lado. o macho foi levado a o cativeiro. Wood teve provas de que as notícias da captura do elefante selvagem haviam c hegado ao palácio. que se limitou a ficar com ar complacente abanando a cauda. Alguns dos escravos tocaram à frente. e Wood. no esforço de desviar o ataque e distrair a atenção do elefante se lvagem. aduz ia palavras de orientação a Wood.. Valthor tocou a fêmea em que estava montado. pois quase todo animal persegue aquele que foge. e agora Wood tomava lugar como pessoa de importân cia entre eles. ademais. e Wood o acompanhou. Por todo esse tempo. enquanto permanecia em relativa segurança. sem saber por qual motivo o fazia. bem como dos guerreiros que os guardavam. jogando o oficial ao chão. Valthor chegava tarde demais. É muito mais escura do que a outra . Vão mandar algumas fêmeas para perto e tentar levá-lo com jeito para a cidade. cheio de raiva. Wood esperava nada menos que uma repet ição da cena a que acabara de assistir. quase com o impulso de uma locomotiva. E o que devemos fazer? perguntou Wood. pisoteando-o n o chão duro. Irrompeu pela linha de fêmeas que se adi antava. o oficial tentou fazer sua montaria voltar-se e fugir dal i. quer em seu próprio caso quer no de Valthor. Como os outros três em sua companhia. fazendo -a chegar ao trote. Ele caiu. tomado de indecisão. mas o macho em que se achava era elefante lutador adestrado. Valthor já era dono do respeito de seus companheiros prisioneiros. logo à entrada do portão. satisfeito s e aliviados por não terem sido chamados a arriscar as vidas. Foi nessa posição que o grande elefante o atingiu. Sem o orgulho ou o código de honra daquela classe. à cadência desse cântico. sabia dar ordens para que ou tros entrassem em perigo. e as teve no dia seguinte. Entre as duas fêmeas. Ele quer ver o homem que ajudou Valthor a capturar aquele malandro disse o oficial. Não percebo como é possível capturar aque le animal se ele não concordar. era um erythra e não pertencia à classe nobr e.Nem eu reconheceu Valthor . serviria para elefante de um rei. não enfrentou o macho que se avizinhava. a fim de que levassem as fêmeas na direção da presa. indeciso entre sua s inclinações naturais e o hábito de obedecer às ordens de quem o montava. Valthor inclinou-se para Wood e cochichou: O motivo deve ser outro. s ervindo de vítima. Tornava-se evidente que estava prestes a atacar. Gritando ordens. mas o camarada se pusera em pé no mesmo i nstante e corria o que era a atitude mais estúpida possível. p ara o curral maior. enquanto os oficiais. e partiu em direção do macho cavalgado p elo oficial em comando. seguindo o exemplo de Valthor. quando este alcançou a vítima. Olha só aquilo! A tromba do elefante enorme subia e ele barria. olha só aquela presa. porém sem maiores demonstrações de entusiasm o. Mas tem um defeito . uma canção sem p alavras. O elefante selvagem alcançou o homem apavorado . Valthor entoava um cântico baixo e monótono. O athniano fez a fêmea em que montava aproximar-se tranqüilamente do grande el efante. Ele não mandaria chamar-te só para isso. quando um oficial e um pelotão de guer reiros vieram para levá-lo à presença de Phoros. O oficial em comando gritou ordens aos es cravos. embora já tenha visto muitos elefantes em minha v ida. tendo-se a i mpressão de que toda a loucura selvagem desaparecera dele ao matar a vítima. Não fosse por isso. Gritos roufenhos de socorro se misturaram aos barridos do elefante selvage m. mas ele próprio não se adiant ou.. mas nada disso ocorreu.

também precisam de ho mens para lutar na arena. já era escuro crepúsculo no Passo dos Guerreiros. procurando uma pista do paradeiro de Gonfala. bem conhecida de Tarzan. de modo que em todo o mundo não se encontr avam animais de presa tão formidáveis quanto aqueles. preferindo viajar de modo a não atravessar o vale de Th enar durante o dia. de modo especial o de Onthar. que liga o vale de Onthar ao de Thenar. Achava-se agora na planície aberta de Thenar. Com todos os sentidos em est ado de alerta ele atravessara o Passo dos Guerreiros e entrara no vale de Thenar . Is so lhe dizia que haviam apanhado a trilha de alguma criatura e a escolhiam por p resa. que muitas vezes tinham recebido c arne humana. Sozinho. muitas vezes. existem coisas piores do que esfregar elefa ntes. não lhe trazia o rasto olfativo de Numa. A mim não agrada lutar ou matar. a Cida de de Marfim. façanhas à sombra e animais estranhos. mas eles não te matarão. saindo de sua toca no nascente. Ao cair da noite. que não se deixam ver durante o dia. dirigia-se a Athne. Ouvia ainda o rugido dos leões d e Onthar. embora houvesse matado muitos leões. Como nós. contivessem tantos leões selvagens era risco que se via obrigado a a ceitar. em caso de ataque por esses ani mais que. O vento soprava em seu rosto. iluminando o fundo do vale. Se não voltar dentro de período razoável contrapusera o homem-macaco será porque starei morto. trazendo um séquito d e mistério. O risco mostrava-se grande. em Thenar está Athne. Seria a sua? A lua cheia surgiu sobre as montanhas à frente.Capítulo vinte e um PHOROS A noite se esgueirava. sabia que nenhuma criatura podia contar com a sobrevivência. Gemnon tentara dissuadi-lo de ir sem acompanhamento. já que desejava aproximar-se de Athne sem ser visto. M uitos haviam escapado aos leões de caça de Athne. mas. Tu gostarias mais disso do que de lavar e esfregar elefantes dissera Gemno n. No Passo dos Guerreiros encontrava-se Tarzan. Embora o sol ainda desse cor ao céu do poente. Aumentou a velocidade. pois os leões de Thenar não eram animais comuns. esses rugidos sofreram transformação. reverberando no canyon chamado de Passo dos Guerreiros . De súbito. pondo à mostra a faixa escura de floresta muito adiante. E assim ele se fora. Por gerações seguidas haviam sido cri ados com vistas à velocidade e resistência. com tonalidade desbotada de vermelh o. mas sabia que levava o seu cheiro na direção do s leões caçadores de Cathne. sendo adestrados para caçar homens. O fato de que ambos os vales. a menos que seja preciso. pois. E logo Tarzan sabia que os leões de caça de Cathne achav . a quem ele ajudara a subir ao trono de Cathne. Tarzan ouviu os rugidos dos grandes felinos no vale de que saíra. fazendo u m reconhecimento da outra cidade. Talvez concordara Thudos . As vozes selvagens dos leõe s tornavam-se mais altas. caçavam em matilhas. Até então não ouvira qualquer leão rugindo nessa direção. Se não voltares dentro de um período razoável dissera-lhe Thudos . com exceção da travessia de Thenar. podia valer-se da proteção proporcionad a pelas florestas por quase toda a extensão do caminho. mandarei um exé cito a Athne para trazer-te de volta. pelo qual acabara de vir. Em Onthar encontra-se Cathne. E stão necessitando muito de escravos para dar prosseguimento aos trabalhos na cidad e e jamais destruiriam espécime tão excelente quanto tu. sorridente. a Cidade de Ouro. Tarzan sacudira a cabeça. e o mesmo fizera Thud os.

hesitando. A fera começara a vir em sua direção mas já se detinha. com base em informações dadas por Gemnon e Thudos. as batid as cardíacas pouco aceleradas pelo esforço. partiu rumo ao norte. quase taciturno. gostava de utilizar o vocabulário selvagem que adquirira junto aos grandes macacos entre os quais fora criado. mas a terra quase estremecia. Quem vive muito tempo na selva aprende a pensar depressa. Ia manter-se fi rme ou fugiria? Boa parte de sua reação dependia de saber se se tratava de um leão sel vagem comum ou de um leão adestrado na caça. sabendo assim que cinco leões se apro ximavam inflexivelmente para pegá-lo. e um leão era ameaça menor do q ue cinco. ouvindo-lhes os bramidos. o peito amplo a arfar regularmente. o que servia apenas para aumentar-lhes a fúr ia. Viu que o leão à frente hesitava. que tinham visitado Athne com freqüência. Era a última gota que faltava o leão se voltou e correu para a flor esta. atribuindo os gostos e hábitos mais vis a eles e seus ancestra is. Nenhum leito seco de rio apareceu. ou qualquer outro obstáculo. A gora. Momentos depois Tarzan subia em uma árvore acolhedora. chamando-os de Dango. em pulos a ltos. sabia também que poderia facil mente apresentar-se alguma singularidade da topografia no fundo do vale. e elas at acavam agora. . pelo percurso mais prolongado. mas estava passando por terreno que lhe era desconhecido. deviam ter visto sua presa. Quem sabe? Sentiam grande raiva e saltavam. Talvez os leões o compreendessem. Seria então uma simples questão de saber quem poderia sustentar a maior velocidade. pela primeira vez. Passou em volta de metade da cidade. mas sabia que os animais eram adestrad os para fazê-lo de modo que os caçadores pudessem acompanhá-los. Das sombras da floresta um grande leão se apresentou à sua frente. uma presa que o atacava. pois sabia que no momento em que o vissem eles viriam muito mais depressa do que poderia correr. Os cinco leões vindos de Onthar já ganhavam distância com rapidez. e ele chegou finalmente a pouco menos de um quilômetro da floresta. Se nenhum obstáculo aparecesse. Calculara chegar à cidade enquanto esta dormia e sabia como alcançá-la. prorrompeu em corrida. mas os leões vinham ainda mais depressa. quando do peito do homem-macaco eclodiu o grito selva gem dos macacos. retarda ndo-lhe a marcha um leito profundo e seco com margens íngremes de terra solta já ser ia o bastante.am-se em sua perseguição. P elo som de suas vozes. As vozes das feras proclamavam isso. a flore sta a cinco quilômetros em frente. com distância suficiente e t empo de sobra para dispor de razoável margem de segurança. Pelo fato de haver hesitado. Ao luar brilh ante. Tarzan avaliou t oda a situação. Mais uma vez acelerou o passo. Homem calado. Com um rosnad o selvagem. Tarzan calculou que estava no primeiro caso. sendo aquele o que se interpunha entre ele e a floresta. que era menos guardado qu e o meridional. acossou o animal. Tendo descoberto um lugar cômodo para descansar. Visava a floresta. Foi quando ocorreu o impr evisto. diante de seus rugidos. Provavelmente ficara surpreso com a tática ado tada pela coisa-homem. mas para Tarzan o caráter distinto de cada voz era perceptível. rumo a Athne. Ungo. Mas Tarzan não tinha tempo a perder com eles e. Ele prosseguiu em passo rápido. Horta e outros nomes insultantes. coisa tão invulga r nos leões. nos esforços baldados por alcançá-lo. o homem-macaco quebrou os g alhos mortos e jogou-os sobre os leões. quando cinco leões raiv osos saltavam para pegá-lo. talvez não. poderia chegar à fl oresta antes dos leões. e maravilhava-se com os resultados obtidos pela natureza cuidadosa. ainda assim se espantava por sua resistência. Conhecendo-os tanto quanto os conhecia. e os rugidos dos cinco leões vinha m. em vez de prosseguir na arremetida. Tarzan achava que eles assim desperdiçavam muita energia. dur ante as tréguas anuais. sem perder um só passo. do qual só tinha as descrições dadas por Gemnon e Thudos. sem a menor dúvida. depois de descobrir em a presa. aumentar-lhe o nervosismo. por qualquer di stância maior. Se fossem leões selvagens teriam caçado em silêncio. Ninguém conseguiria contar os leões. Calculou que os leões se achavam a cerca de dois quilômetros atrás dele. mantendo-se nas árvores. Apenas cinqüenta passadas os separ avam e o leão não se decidira. ainda que estivessem fora da vista. pelo lado setentrional. Tarzan percebeu que ganhavam distância. quando as duas cidades comerciavam uma com a outra.

No mesmo instante. Seguindo as instruções que recebera. Esgueirando-se entre as pequenas construções e outros jardins. gargalhavam. passando pelas plantas de jardim dos campos cultivados. havia uma rua estreit a. Viu então um grande salão de banquete. procurando a quem matar. O qu e se achava à cabeceira da mesa tinha aspecto inteiramente bestial. espiando por uma das jane las.Ali se achava diante do maior perigo da descoberta. espírito atilado. sentado mais além na mesa. e ali. de modo que não constituiu obstáculo para o homem-macaco. por todo o comprimento do qual havia um a mesa comprida. além dela. para sua surpresa. a maioria em diversas etapas de embriaguez. Uma construção s emelhante a um telheiro encostava-se na parede e. estavam bem fechados e eram raram ente usados. Em sua maioria os homens eram camaradas de aspecto vulgar e comum. mas a maioria concentrava energias e talentos no assunto principal da noitada bebida. deitado sobre o ventre. por que não a trazes? Trazer quem? Trazer a moça repetiu Phoros. Tendo passado por ela. A moça gritou o homenzarrão. Julgara que todos estivessem adormecidos. Tarzan . Ao aproximar-se das muralhas. Falavam alto e riam muito. a moça comentou um outro. flanqueando aquele lado do palácio e na segurança de suas sombras Tarzan foi ter ao edifício. diferentes dos nobres de Cathne. viu diversos apos entos brilhantemente iluminados. A muralha era baixa. Esc ravos vinham e iam. chegou a um edi fício alentado. rumando para o centro da cidade e chegando afinal à muralha que cercava o p alácio. Haviam-lhe dito que somente encontraria guardas nos portões setentrional e m eridional. embriagado. em especial as ocorridas du rante a noite. Quando havia chegado a cerca de dez metros da muralha. Bem. com e xceção dos guardas. fechando-se. aproveitava-se de algo que Gemnon lhe dissera que os athnianos acreditavam em um mau espírito que rondava à noite. berrava mais como um touro do que como um ser humano. alguém apareceu em uma janela aberta e uma voz de homem i nterpelou: O que estás fazendo aqui? Quem és tu? Sou Daimon respondeu Tarzan. Tarzan caminhou pelas ruas estreitas e es curas. Phoros? A moça respondeu ele. sobre a barriga. de modo geral. Escolheu um lugar distante do portão setentrional e esgu eirou-se na direção da cidade. Detinha-se com freqüência para olhar e ouvir. A Daim on os athnianos atribuíam todas as mortes inexplicáveis. falando com os demais. olhou para o outro lado. foi ter a u m jardim de árvores. Tarzan deslizou para o teto do telheiro e momentos depois deixava-se cair na rua. pelo lado oeste. Tarzan não encontrou portão ou guarda algum. em cochicho rouquenho. Oh. Eu não disse para trazê-la? berrou o homenzarrão à cabeceira da mesa. . escalando-a como um gato até que os dedos encontrassem o cimo. cheio de fragrâncias. Velhas árvores lá estavam. e havia duas lutas sendo travadas. Disse para trazer o quê? indagou outro. que não fossem de flores. no pátio do jardim. que sabia ser o palácio. Algun s dos convidados ainda comiam. comparada àquela que cercava a cidade. mas não percebeu qua lquer sinal de vida na muralha da cidade. à qual se achavam sentados mais ou menos cem homens. trazendo mais bebidas e retirando taças e pratos vazios. Quem traz a moça? perguntou outro. Os demais portões. ergueu-se e correu para ela a toda. pois tinha de escalar a muralha sob pleno luar. Fo i quando se alçou e. Que moça. arbustos e flores. Esmurrava a me sa com o punho enorme. mas seus sentidos não as registravam naquele momento procurava os demais cheiros. lugar encantador. se houvesse algum. No mesmo instante a cabeça desapareceu e a janela bateu. pelas quais ninguém se interessava a não ser os lutadores.

ainda assim. Ele disse: Vai buscar a moça! . Este. com a possível exceção dos macacos inferiores. olhou tresloucadamente para os companheiros. teria certamente in vertido a de Darwin. no tocante à evolução. Que moça. Manda um escravo. Eu. mas qualquer pensamento nesse senti do foi arredado pela entrada de uma mulher grandona e de aspecto masculino. umedeceu os lábios com a língua. Eu sou o rei asseverou Phoros. arrotando. Eh. Menofra arrancaria o coração dela e o te u também. em que os participantes calcularam o que Menofra faria . tentando agradá-la . por coin cidência. e quando lhe perguntei que moça. mas alguns dos outros pareciam nervosos e dedicavam olhares apreensivos na direção da porta. uma virago com pêlos no queixo e bigode per ceptível. Minha querida explicou Phoros. acompanhada pelo escravo que acabara de ser despachado p ara trazer a garota. Quem é o rei? interpelou Phoros. O camarada a quem se dirigira sacudiu a cabeça. A verdade é que nunca pretendeste mandar chamar-m e. por perten cer à mesma espécie daquelas criaturas. qu e mais se pareciam com o homem. se esta não cuidas se da própria vida. Os que não haviam adormecido inteiramente empe nhavam-se na tarefa difícil de tentar parecer dignos e sérios. Achou tão boa essa piada que riu sem moderação e caiu do banco. O que significa isto? interpelou. voltando-se para o escravo que ficara atrás. como a pedir auxílio. filho de uma porca! . Era dona de mãos grandes e vermelhas. e voltou-se para um escravo. Por que tu me mandaste buscar a esta hora da manhã. fitou o homem sentado ao lado. Tarzan observava e ouvia. Comemorar o quê? interpelou. Quem te disse para buscar-me? interrogou. Pergunta a Menofra sugeriu o outro. Nos demais aspectos. Só existe uma moça em Athne. De olhar apagado. Ora. Não mintas! berrou a mulher. e seus olhos se estreitaram . Se fosse inclinado às teorias. Phoros voltou a olhar em volta. tu! Vai buscar a moça. Não vou me arriscar. com leve espant o. se descobrisse. ele disse: Só exis e uma moça em Athne. Minha querida coisa nenhuma! retorquiu a mulher. Menofra! exclamou Phoros. O que estávamos comemorando. caind o de joelhos. filho de uma porca! Vai buscá-la! O escravo retirou-se apressadamente da sala e logo se formou uma discussão. Já foi dormir assegurou-lhe Phoros. com expressão de quem pede socorro. Desde a infância fora companheiro das feras da floresta e da planície. Mas tinha os pensamentos ocupados quem era a moça? Imaginava se não se tratava de Gonfala. olhando com fúria para Phoros. Phoros declarou estar farto de Menofra e que. ora. no que se destinava a ser um tom de vo z tranqüilizador. mostrava-se igualmente falta de encantos. então. e q ue não parecia tão embriagado quanto os demais. É melhor não mandares ninguém aconselhou um homem sentado ao lado de Phoros. Kandos? Kandos remexeu-se na cadeira. Sentia vergonha e desagrado vergonha. seu palerma beberrão? Phoros se pôs boquiaberto. A maioria dos animais tinha coragem e certo tipo de dignidade . a garota! Tarzan a fitava. O que foi que ele te disse? e a voz de Menofra se transformava em verdadei ro grito.Tu ordenou Phoros. com expressão estúpida. senhor? perguntou o escravo. não replicou. ele a faria em pedaços e deixaria de juntá-los outra vez. Era aquela. Phoros atirou-lhe uma taça pesada que por pouco não o a tingiu na cabeça. Oh. Menofra me arrancaria o couro e os cabelos. A mulher girou sobre os calcanhares. dos animais inferiores. que veio com passos firmes. raramente se dedicavam a palhaçadas. olhava em outra direção. queríamos que você viesse aju dar-nos a comemorar. mas nada conseguiu. Ela não vai saber. jamais os vira desce r ao nível do homem. grande rainha! Pensei que ele falava de vós choramingou o escravo. trêmulo.

Talvez o dom houvesse sido levado a grau mais alto de eficiência devido à necessidade. tem maiores probabilidades de sobreviver. satisfeito. que se atinha à parede bruta com um milhão de gavinhas. Man darei buscá-la para ti. caminhando pelo . então. seus porcos. Não se apressou e. olhando para o s egundo pavimento. no qual se viam outras po rtas e as aberturas arqueadas para outros corredores.Os olhos de Menofra estreitavam-se ainda mais. tornavam-se ameaçadores. se restar alguma coisa de ti.. era verdadeira afronta. que alguns homens possuem em comum com os animais notur nos. Este rangeu um pou co ao ser movido. e descobriram o último. procurando a que sustentasse seu peso. mas não havia perigo de que despertasse o homem. Seus dedos procuraram a tranca ou ferrolho. Diversas trepadeiras subiam pela pared e e ele as examinou. e logo voltou para o quarto que tinha at rás de si. planta velha e reto rcida. Capítulo vinte e dois MENOFRA Tarzan retirou-se da janela e caminhou ao lado do edifício. Caminhava sem ruído. Tarz an passou uma perna pelo peitoril e entrou no quarto. Havia um homem dormindo em seu interior. começou a subir na direção da janela imediatamente acima. e quando houver terminado cuidarei do caso da única moça de Athne. Isso todavia não fora difícil. que foi trazida com os dois homens. Experimentou-a com o peso e. Lá. Muito bem. como o de um corpo que caía ao chão. Bem perto da janela aberta parou e ficou à escuta.. Logo identificava uma massa mais escura no chão. acompanhado por baque. e haverei de mandá-la em ped aços. perto da parede lateral. à escuta. as narinas sensíveis classi ficando os cheiros que vinham da câmara. não é? Pois bem. A porta dava pa ra um corredor fracamente iluminado corredor arqueado.. ao que imaginava. os olhos se acostumar am à escuridão.. E finalmente encontr ou uma hera antiga cujo caule era tão grosso quanto o seu braço. já que os roncos indic avam a localização. na selva. Tarzan foi ao lado oposto do aposento.. apalpan do o caminho na escuridão. Fez-se então silêncio. Ta rzan esperou. E tu vens comigo. sem a menor dúvida. no corredor. hão enganaste. Vão dando o fora. ficariam os dormitórios. Gonfala fora confinada. Pensas que podes engan ar-me. A única moça em Athne... Ouviu vozes. caminhou até a cabeceira da mesa e segurou Phoros pela orelha. cuidarei de teu caso. de poder ver melhor na escuridão do que os outros. Em algum aposento. As vozes eram de Menofra e Phoros. Ouviu que uma porta se abria mais além. Tarzan viu que um homem passava pelo umbral e se aproximava. Andaste esperando tua oportunidade e esta noite tu te embriagaste bastante para juntar um pouco de coragem. co mo sendo o ocupante do aposento. A respiração indicava que o ocupante se achava profundamente adormecido. submissos e assustados. Quem consegue ver à noite . de modo gradual. assim pronunciado. surgiam os ruídos de l uta corpo a corpo. hein? Eu sei quem man-daste buscar.. rei ! O título. Eram ruídos e stertorantes e o cheiro mostrava a Tarzan que o homem se achava embriagado. Tinha o dom. Ela se voltou para os demais convidados. aquela espevitada de cabelos amarelos. deixando a porta levemente entreaberta. Elas se alteavam em altercação raivosa. para poder olhar para o corredo r. na direção da qual as vozes se tinham feito notar. encontrando a porta. Logo se ouviu um grito alt o. todos! Em seguida.

nem mesmo fechou a porta. Da cabeça ao ombro. mas continuava consciente. o corpanzil a oscilar sem firme za. a arma foi-lhe arrebatada e ele jogado pesadamente ao chão. Hoje Phoros mandou buscar-me. pondo à mostra uma aparição horrível. t ratarei de matar-te. Gonfala ab afou um grito. Tarzan viu o athniano pelejando com a chave na fechadura de uma porta que ficava a pouca d istância. Na v erdade. amordace-o também. Acabei de matá-la. mas este levou um dedo aos lábios. Não me mates. Foi quando o homemmacaco seguiu para a passagem e o acompanhou. Quem és? perguntou. O aposento era iluminado por um só archote pavio ardendo em vaso sem profundidade. Silêncio. Deu um passo na direção de Gonfala e. esperando. de modo que ele nos jun tou e exigiu uma demonstração de mágica. a voz trêmula. e esperou até que Phoros a houvesse aberto e entrasse. o homem-macaco o acompanhou. se não me matares. Tratava-se de Menofra. Como chegou aqui? perguntou-lhe Tarzan.. consumindo gordura. Dei tada a um canto do quarto. embora estivesse atrás de Phoros. As passadas seguiriam em frente da porta ou alguém ia ent rar ali? Elas se aproximavam cada vez mais. fizeram uma pausa lá fora. caso fosse sua intenção. e mal havia entrado no aposento quando Tarzan a escancarou e entrou também. apontando-lhe a própria espada. como se alg uém estivesse à escuta. Estás vendo esta espada? Estás vendo o sangue? É de Menofra. em outro canto. talvez porque sentisse ciúme. trazia uma espada cur ta e ensangüentada. e foi quando me fizeram prisioneiro. vou mostrar-te como amar a garota. Ambos viram e reconheceram Tarzan simultaneamente. ou eu te mato cochichou uma voz. . encontrava-se Gonfala. Tendo libertado Gonfala. Ele apontou então a espada para Wood. Phoros o lhava zombeteiramente para os dois prisioneiros. Queria alcançar a porta antes qu e Phoros a pudesse fechar por dentro. ostentava um ferimento. em silêncio. dedos de aço seguraram a mão com q ue empunhava a espada. este não lhe percebia a presença. Andou tentando seduzir Gonfala desde que ela foi capturada. devido ao descuido causado pela embriaguez. e logo ouviram que ela chamava a guarda.. Ela agora é minha. arranjou a idéia de que eu sabia como fazer operar o Gonfal. fechou a porta e girou a chave que P horos deixara ali. aos gritos. Acompanhei o rastro dela até esta cidade. Também contaram a alguém que Gonfala era a deusa da pedra grande. Solte Gonfala disse e depois amarre este homem. A porta foi aberta. que ouvia a conversa de Spike e Troll. na mão direita. Parece que caímos em uma bela armadilha observou Wood. Todos se empertigara m. Wood passou a amarrar Phoros e completava essa ta refa quando ouviram o som de passos arrastados no corredor. O homem-macaco se movimentara no mais completo silêncio. Phoros fitou os olhos frios e cin zentos de um gigante quase nu.corredor. Estava coberta de sangue e os cilava de fraqueza devido à sua perda. então. mas não era assim. Apenas Tarzan não demonstrou emoção alguma. estava Stanley Wood. Recuando rapidamente para o corredor. Não te mexas. de modo que. Mas por que ficam tão longe um do outro? Olha. Tarzan foi ter com Wood e cortou as cordas que o manietavam. Sua expressão fisionômica era vazia. mãos e pés atados. talvez por intermédio de sua gente. manietado do mesmo modo. Menofra. imbecil. Wood recuou. Eu tomo o que quero. qualquer um perceberia que estávamos apaixonados. De algum modo. Cambaleava um pouco e. está morta. Nosso encontro foi tão repentino e inesperado q ue nos denunciamos. Com que então os namoradinhos ainda estão aqui escarneceu. pedindo-lhes silêncio. Era Phoros. aquela velha dos infernos. Spike andara a vangloriar-se dos poder es da pedra. Eu procurava Gonfala. estúpido. Dize-me o que queres. mas nem ele nem Troll conseguiram fazer coisa alguma com ela. Wood agiu depressa. Podes fic ar com qualquer coisa. dizendo: E assim que tenha mostrado a ti como deve comportar-se um homem no amor. em pé sobre ele. o olhar mortiço. Seja como for. ao fazê-lo. olha bem. Phoros percebeu. Mas temos um refém contrapôs Tarzan. mas tem medo demais da mulher para levar a coisa a vante. Quando chegou à extremidade do corredor em que Phoros se voltara. Passou pela po rta em que Tarzan observava e voltou-se para outro corredor. Correndo.

menos alguns que se juntaram a eles. Tarz an sorriu. Você o conhece? Ora essa.Que coisa horrível! disse Gonfala. sacudindo a cabeça de modo vigoroso. em sua companhia. Parece que te meteste numa enrascada. Conheci bem um nobre athniano e por intermédio dele fui levado a crer que es sa gente era bastante nobre e cavalheiresca. Há um homem selvagem aí dentro disse-lhes Menofra. pelo menos. Talvez o matem. por causa da mordaça. Onde está ele? Valthor nos ajudará disse Tarzan. antes de pode r enunciar qualquer palavra compreensível. a fim de investigar. O que será que aconteceu com ela? O homem-macaco. Foi bom eu não me arriscar. acho que meu amigo Valthor não poderá ajuda -me muito. quando vim para cá observou o homem-macaco. Acredito que estejam praticamen te arruinando o país. Você acha que nós vamos ser assim? Oh. de modo que vim quando estava escuro.. e voltou-se então para Wood. C orreu em Cathne o boato de que acontecera uma transformação no governo deste lugar.. e com muita sorte asseverou Wood. Mataram todos os outros membros da nobreza que pegaram . Eles s ouberam desses boatos em Cathne. Phoros começou a contorcer-se no chão. Phoros disse Wood . Ela me matará. Não deixes que ela me pegue conseguiu suplicar. com um meneio da cabeça. gaguejou e engasgou. Animais. se descobrissem um meio de não serem castigados. Tarzan aproximou-se da porta. Vão ter de esperar. Ele libertou os dois prisio neiros e eles amarraram e amordaçaram o rei. Vieram das camadas mais baixas da socied ade. Que casalzinho formidável disse Wood. e trazei o rei para mim. e Tarz an ficara intrigado. nós somos diferentes asseverou-lhe Wood. Valthor. pelo corredor. Os outros fugiram p ara as montanhas. São seres humanos e agem como seres humanos. aconteça o que acon tecer. mas a suposição natural era de que outra facção da nobreza tomara o poder. as perguntas agitadas que faziam. indicou Phoros com o polegar. Valthor? exclamou Wood. por nos a charmos aqui. estremecendo e indicando o corredor. Não ajudará de modo algum de onde está. Muito bem. finalmente. Ti re a mordaça dele. Deve estar bem satisfeito. mato o rei. É só entregar o rei à rainha e não vos faremos mal algum disse uma voz. Que coisa horrível está dizendo. escravo! Sim. Stanlee! gritou Gonfala. não corrigiu Tarzan. em resposta. Então é isso disse Tarzan. até que parlamentemos disse. um ao outro. Assim que isso foi feito Phoros tossiu. Se Menofra te pegar. Ele e eu fomos escravos. Ouviam que homens se aproximavam correndo. Entrai e capturai os estrangeiros. Não quero que o façam. Se esta gente é a nobreza. nos estábulos de elefantes. Mas imagino que muitos casais fariam o mesmo. antes de tentar descobrir Valtbor ou tornar conhecida a minha presença . Ele poderia contar o que houve. Os três prisioneiros no quarto não se achavam em posição melhor. tamanha a agitação e o medo que o dominavam . arcebispo. O que querem? perguntou Tarzan. . é o único amigo que tenho aqui . pois. bem diferente do que vi por aqui. is so fica para mim. arranca-te couro e cabelo. nosso amigo Spike deve ser. no corredor. Bateram à porta. Eles não são a nobreza explicou Wood. Explicou a Wood o que pensava. Se entrarem sem minha permissão gritou . e ouviram suas e xclamações ao encontrarem Menofra. Phoros não pôde responder. Não chegavam a uma decisão so bre o que fazer. Essas pessoas não passam de anima is. Derrubaram o rei e a nobreza há poucos meses. Aí vem a guarda disse Wood. Os guerreiros e a rainha discutiam. Todos gostavam tanto de Valthor que não o mataram.

mas disse depois: . Concedido. vamos debater toda a questão. em companhia dos guardas? Você já e steve em uma coroação. Bem. e verá como um rei é cor oado. em tom destinado a agradá-la. poderás ficar com teu marido. Estou mandando entrar e salvar o rei. Escuta a voz da razão. qualquer coisa que queiras! gritou Phoros. Deixa-me levar esta gente para fora do país. Isso evitará muitas encrencas para todos nós. vamos sair daqui. seu. mas não pretendo levá-lo para fora antes de ter a garantia de que as promessas dele sejam cumpridas. E o grande diamante concordou Phoros. Talvez possamos chegar a uma negociação sugeriu Tarzan. seus poltrões. E como vamos saber que tu farás o que dizes? perguntou Tarzan. A mim parece que não estamos conseguindo coisa alguma com facilidade observo u Wood. Não me venhas com querida . Mas. Não sei do que você está falando. Não creio que ela valha grande coisa. Concordo com tudo. Escuta coisa nenhuma. Entrai aí.. também. Dito isso. Ouviram que o oficial despachava um guerreiro para chamar Kandos e ouviram que a rainha resmungava. quando ele voltar. Menofrinha. manda chamar Kandos. Eu sou a rainha! berrou Menofra.. com essa bruxa velha tão firme aí fora. e Dyaus sabe que não é medo injustificado. Eu estou muito bem! gritou Phoros. Manda chamar Kandos. Há mais uma coisa aduziu Tarzan. Preciso de mais alguma coisa. Tarzan foi ter com Phoros e o libertou. e também não pensara nisso. meu amigo. onde eu possa matar-te. de quê? Vamos querer levar-te conosco e ficar contigo. Deixa Phoros acompanhar-nos até a fronteira e. como. arrastai todos para fora! berrou Menofra para os gua rdas. Muito bem incentivou o rei . Eles têm medo dela. é só levar o nosso Phorosinho aí para fora. Mas. Menofra não respondeu de imediato. E agora que combinamos tudo disse Wood . Escuta. É só eu pôr as mãos m ti. com seiscentos demônios. minha querida disse. só quero isso.. Todo mundo tem medo dela. Esta é a ordem do rei. e eles não me matarão. Eu sou o rei.Acho que não existe outro jeito disse Wood. sua besta. Bem. com uma escolta de guer reiros. Phoros parecia preocupado. mas não deixes que ela ponha as mãos em mim . Tenho uma idéia que talvez não te haja ocorrido. E o grande diamante aduziu Wood. Qualquer coisa.. Tens minha palavra garantiu-lhe Phoros. Concedido prometeu Phoros. Isto não é assun to que um simples oficial da guarda possa resolver. Nossa liberdade e uma escolta até o Passo dos Guerreiros exigiu o homem-maca co. Não fiz aquilo seriamente. minha querida. Phoros aproximou-se da porta. Concordo. repreendia e ameaçava. voltou-se para Phoros. Não quero que me salvem. Ficai aí fora! gritou Phoros. Wood foi ter à porta. se o trato não for cumprido. Qual é a tua sugestão? Os guardas obedecerão a ti? Não sei. Eu acho disse o oficial da guarda que o melhor é chamar Kandos. seu assassino! berrava ela. eu estava embriagado. A liberdade de Valthor. Vem à porta ordenou e explica minha proposta à tua esposa. Menofra! chamou. em negativa. Tarzan? O homem-macaco sacudiu a cabeça. tu tens de ouvir.

leopardos. Você vai ter ambos prometeu Wood. Começo a crer que nossos apuros estão a ponto de terminar disse. Tu tens o exército. Levou -a então para um ponto onde ninguém os podia ouvir e ali cochicharam juntos. por alg um tempo. Gonfala advertiu Tarzan. ao que verá. O que poderia ele fazer? Bem. de algum jeito. Não seria possível. Mas. não é tanto a paz e a segurança o que quero. Com limitações. Foi uma coisa horrível afiançou Wood. para não falar nos canibais. talvez valha a pena pensar nisso reconheceu a rainha. Viste o que ele fez comigo? Vi. passando-se alg um tempo até que ele pudesse aquietá-la e tomar conhecimento do que acontecia.Ele poderia enganar-me. compreenderá pela primeira vez em sua vida o que significam a pa z e a segurança perfeitas. mas ele daria um jeito. a não ser pelas poucas semanas depois de vocês me tirarem dos kajis e antes q ue Spike e Troll me pegassem. E acho que a comida já vem disse Wood. de estradas de ferro e de avião. Acho disse Gonfala que nenhum dos dois está apresentando um quadro dos mais belos. Sim interveio Tarzan . Levam-me quase a ter medo da vida. Não sei. assim que Kandos apareceu. Assim que vós e a escolta tiverdes feito a refeição matinal. só me interesso em comer disse ela. cobras venenosas. Neste exato instante. Quando haviam terminado. com ela. ladrões e assaltantes. Mas eu não sei se é possível esperar. Sim concordou Gonfala . E não te esqueças de nossa comida! gritou Wood. E temos vossa prome ssa de que não fareis mal ao rei? Sim disse Tarzan. sendo em seguida fechada com estrondo. Talvez consigam imaginar. A rainha deu permissão. sim. Não esquecerei. raptores. Ficou tudo combinado anunciou. afinal de contas. Não tardou para que o guerreiro regressasse em companhia de Kandos. mas não sem liberdade. Bem. Como pode enganar-te? interpelou Wood. Menofra o recebeu com uma rajada de vitupérios. por certo prometeu Kandos. a trilha não é segura durante a noite. E é mesmo confirmou Tarzan. Você sofreu muito. O grupo partirá logo após o amanhecer. e pôs a mão no om bro de Gonfala. mas prometo-lhe que. Ainda está escuro. ao caminhar pela sala e trazer as duas vasilhas de volta aos companheiros. Wood riu. Quero pôr minhas mãos nele agora mesmo. portanto. o amor também tem suas vantagens sugeriu Wood. Andou enganando as pessoas por toda a vida. guerra e pestilên cia. a paz e a segurança perfeitas dos acidentes de automóvei s. por toda a vida fui prisio neira. não importam os perigos que tenha de enfrentar. podereis ir em paz. Uma continha ensopado espesso e a outra . Vocês sabem. inteiramente solidário. elefantes selvagens. moscas tsé-tsé. Vou agora providenciar a escolta. cheio de ternura. Muito bem concordou Kandos. Capítulo vinte e três CONDENADOS Stanley Wood exultava. Eles não se estão arriscando comentou Wood. e sim a liberdade. meneando a cabeça na direção da porta. o quanto desej o a liberdade. sorrindo. quando c hegarmos à civilização. Kandos aproximou-se da porta. búfalos. Parece-me a coisa mais maravilhosa do mundo. Alguém remexia na chave e logo a porta se abria o bastante para dar ingresso a duas panelas. Mas nada de leões.

O homem selvagem vai para a arena respondeu . Imaginava se algum deles voltaria a despertar e. de anim ais e homens. um por um. arfando na respiração. O quê. Não existe nada mais saboroso.. garfos. jazia Phoros. Era o primeiro que voltava à consciência. um trapaceiro. e logo relanceou o olhar. sonolenta. e porque parecia tão forte. Abriu os olhos e espiou em volta. e aos pés de Menofra estavam Gonfala e Wood. que manténs tua palavra? acusou. que coisa embaraçosa! Tome disse Tarzan. Onde está o outro? Muito bem seguro afirmou Kandos. Kandos assentiu. Obrigado. Para mim é surpresa que Menofra não nos tenha mandado couro de elefante velho para mastigar. os bancos e um sofá sobre o qual Menofra se deitara. como a experimentar as possibilidades de governar o corpo. Phoros olhou para os demais e soltou um bocejo. A sala fora ornamentada com esplendor de bárbaros: cabeças empalhadas. porque és um covarde. ainda inconscientes. Aquele demônio de mulher murmurou. . Tarzan se pôs em pé. que nunca fui tua amiga e a quem tu odeias! Mas não te voltarás. Com muito mais rapidez tu te voltarias contra mim. Examinavam Wood. pelo menos não no que me diz respeito.Sim. Não venhas com agradecimentos. em sua misericórdia. Não está mau observou Wood. atado e inconscie nte. rainha disse Kandos. ao pé do sofá. Phoros? Carneiro tenro. deixou-se cair sobre um dos joelhos e rolou pelo chão. Eu também declarou Wood. Todos nós fomos drogados. Peles de animais e ta petes de lã cobriam o chão. a cabeça enfaixada apoiada na enorme palma da mão . A rainha. o cor po erguido sobre um dos cotovelos. não há talheres? indagou Wood. Não. Muito bem disse Menofra. colheres. Tu também? perguntou Phoros. Até um imbecil faz o que é certo. Se eu tivesse desconfiança. refinadas pela idade. O que vão fazer conosco? interpelou Wood. e entregou a faca de caça a Gonfala. mandei que o acorrentassem a uma p ilastra. de vez em quando. rainha. Quatro guerreiros se achavam à porta. Talvez ela esteja af rouxando. Alguma coisa que se coma? É alguma coisa com a qual se come. as pálpebras de Phoros se fechavam. Ato contínuo. Viu Gonfala de itada a seu lado e o peito da jovem. Menofra nunca afrouxa. Tentou lutar contra os efeitos da droga.. mas ainda assim tu te voltaste contra ele.. de que estarias pensando em voltar-te cont ra mim. como ordenei? perguntou Menofra. em pouco tempo. tu me enojas. Tarzan observava. O homem-macaco assentiu. adornavam as paredes. serviu-lhe de comprovação de que ela vivia. u m traidor. Não vejo garfos nem colhe res. ao lado dela via-se Kandos e. Phoros foi teu amigo. então. enquanto os companheiros adormeciam pesadamente. tornando-se mais claras. não existe etiqueta por aqui. O que é isto. sacudindo o corpo. Havia murais grosseiros.. em seguida. Céus! disse Gonfala. Mandaste o homem selvagem para a senzala.. cortando pedaços de carne com o punhal e bebendo o molho e a água diretamente nas vasilhas. É assim. És um mentiroso.. ele próprio sacudiu a cabeça. procu rando Tarzan. mandaria tua cabeça ser pendurada nesta parede. Olhou então para Kandos e a rainha. e nem mesmo penses nisso. cujos olhos se abriam devagar e cujos braços e pernas se mo viam um pouco. não matou um só de vocês. talvez envenena dos. Essa mulh er é tão cabeçuda que considera a indigestão uma indulgência.. Tenho tanto sono que não consigo manter os olh os abertos. Ele está des pertando. Eles se revezaram. em cores que tinham desbotado. d esacordado. partilhando a comida com Phoros.. Talheres? O que é isso? perguntou Gonfala.água. por um só instante.

Precisa ter coragem. Bem. espantados. minha querida! disse Phoros. como virás a dizer.. mas a cavalo dado não se olha a idade. Vou mostrar-te o que poderias ter desfrutado.. Já me cansei de ser corajosa. ainda não. não é. Há dente-de-coelho em algum lugar. pois estarei te vigiando. minha querida. Mas. Era o que eu esperava disse Gonfala . Na verd ade já foi feito antes. Casa aqueles dois ordenou. tendo em volta do pescoço um aro de ferro. sem retirar o objeto dessa tentação. Phoros? Tu sabes que a perdest e.. minha querida esposa. Qua ndo viu Menofra. mas toma cuidado. como sabes. Não é má idéia. Bateram à porta e um dos guerreiros disse: O sacerdote chegou. Rei ou plebeu.Menofra. esta apontou-os com o dedo. Tu conheces as leis de nossa gente declarou. não morrereis até haverdes servido a meu plano. enquanto Phoros ocultava com dificuldade a contrariedade e a raiva de que se achava possuído. Que entre ordenou Menofra. Kandos. quem se meter entre esses dois terá de morrer. se quiseres disse Menofra. Mas eu diri a de outro modo. Tu me salvaste. A civilização parece muito distante daqui disse ela. mas será que gostarias de ser amarra do de verdade? Podíamos fazê-lo com correntes de ferro em brasa. Tu e a jovem não morrereis imediatamente. deixemos para lá o que aconteceu. Onde estamos? Ainda somos prisioneiros informou Wood. Menofra. retira estas cordas de mim. Essa velha megera não está fazendo isso porqu e nos ama. recuperando a consciência. no alojamento de escravos. Ora. Esta gente nos traiu. Gonfala abriu os olhos e sentou-se. para poderes fi car com esta mulher aqui por esposa. e lágrimas lhe assomaram ao s olhos. Phoros. vou deixar que vivas . Ele segurou-lhe a mão. esse patife acordou observou a rainha. Antes. Quando o sacerdote já entrara e fizera a mesura diante da rainha... cheia de frieza. descobriu que estava acorrentado a uma pilastra . Não acredito que algum bom pensamento possa sair da mente dessa mulher. Stanlee. ouvintes boquiabertos do que Menofra dizia em tom misterioso.. a rainha voltou-se para seu companheiro. manda chamar um sacerdote. olhou para um. Wood e Gonfala se entreolharam. vou deixar que vivas com esta mulher. Ah. Foi bom que a tivesses sugerido. encolheu-se. e depois para o outro. mas bem queria que acontecesse sob ci rcunstâncias diferentes. e depois leve Phoros e a mulher para o quarto ao lado do meu e tranca-os lá dentro. para sempre? Tu tentaste matar-me. não vou mandar acorrentar-te com corrent es em brasa. esqueçamos o passado. E qual é ele? Logo verás. Wood ajudara Gonfala a se pôr em pé e os dois haviamse sentado em um banco. Há algo sinistro nisto. Voltou-se então para o guarda. Agora tira-os daqui. quero retirar a tentação de teu caminho.. não foi? Pois bem. A cerimônia matrimonial foi extremamente simples. A mim parece ótimo assegurou-lhe Menofra . O que aconteceu? perguntou. Impunha ao casal as mais rigorosas obrigações de fidelidade e condenava à morte e ao t ormento eterno quem viesse a ser a causa da infidelidade de um ou de outro. Leva este homem para a senzala e providencia para que nada lhe aconteça. Durante a cerimônia Menofra exibiu sorriso sardônico. minha querida. tu não farias isto comigo! Oh. Encontrava .. mais tarde. Tu sabes disso.. Fui corajosa por tanto tempo! Gostaria muito d e chorar. Kandos.. Quando Tarzan voltou a si. pensas que não? Mas tu tentaste matar-me com tua espada. não. Podes dizer assim. Phoros. mas muito impressionante. Phoros não tarda a acordar. Não fica bem que o rei esteja assim amarrado. Concluído o ca samento.

Mas não dá para tirá-la disse Wood. onde pôde ver o prisioneiro. Estamos falando inutilmente. por ter sido tapeado com tanta facilidade. e traria Thudos. Devem ter alguma forma especial de entretenimento reservada para mim suger iu o homem-macaco. com seu exército. Tarzan! exclamou. pesaroso. Acredito que o pu dessem fazer agora. Preoc upava-se quanto ao destino de Wood e Gonfala e não entendia por que fora separado deles. pelo que vejo disse Valthor a Wood. po is não existe modo pelo qual possa saber que Tarzan se acha aqui. depois d e ter passado a chave. Depois disso. Viverias bem por lá agora. Tive medo de que o mat assem. Gonfala. desta cidade. do palácio. Ele viria c omigo para salvar meus amigos. senhor? indagou. fazendo-o atravessar o portão. Não receberam qualquer notícia. O que aconteceu? Wood narrou-lhe toda a história de seu infortúnio e Valthor assumiu expressão gr ave. És realmente tu? Receio que sim. Tua namorada. deixando-lhe apenas uma dor de cabeça e a sensação de contrariedade. e logo se retirava. Fiquei pensando no que haviam feito com você afirmou. e então. Phoros subirá novamente ao poder. Um deles abri u caminho até a frente. logo sairia desta senzala. Tu és Gemba. Por que você acha que eles o acorrentaram. E estás de volta. poderá estar a salvo enquanto Menofra viver. A altura do sol vinha dizer-lhe que estivera sob influência da droga por cer ca de uma hora. Não contava voltar a ver -te. Eu bem queria estar de volta a Ca thne. fragmentos de roupas sujas. Foste es cravo na casa de Thudos. Um negro alto aproximou-se de Tarzan. Quando o fizer. Creio que se ele soubesse que Tarzan é prisioneiro aqui viria trazer a guerra a Athne. Os efeitos passavam com rapidez. Se ao menos eu pudesse tirar este aro do pescoço disse o homem-macaco . mas não obteve grande êxito. Ao final da tarde o s escravos regressaram à senzala e imediatamente circundaram Tarzan. Tens razão concordou Tarzan. te ndo afastado Menofra. A situação é séria e não vejo sol enos que o rei e seu grupo regressassem e retomassem a cidade. mas as enxergas de capim empoeirado. Wood veio ter com Tarzan. que fora aprisionado em uma senzala. Não te lembras de mim. destruir-t e-á. O outro falava. Teu antigo senhor é rei de Cathne. O resto do dia transcorreu em conversa sem maior conseqüência e que era princi palmente um monólogo. nenhuma informação veio quanto ao destino que lhes estava reservado. mas não há possibilidade de que venha. Valthor respondeu o homem-macaco. Gemba. Sua mente alerta ocupava-se com este problema e o da fuga quando a porta da senzala foi aberta e Wood trazido. Não há grande . Por diversos dias nada aconteceu para desfazer a monotonia da existência na senzala do rei de Athne. pois Tarzan não se inclinava à garrulice. para d eixar de pensar na situação de Gonfala. ainda fumegando . com leve sorriso. pela primeira vez na história. Fui aprisionado em uma incursão.-se sozinho. Kandos providenciará isso. punham à mostra o fato de que aquela cobertura e o pátio serviam de residência a out ras pessoas e calculou. É monstruoso. não haverá muita esperança para Gonfala. lembro. ut ensílios de cozinha e os restos de fogos que haviam estado acesos. sobre o que se pa ssava por lá. acertadamente. Aquela mulher é um animal. senhor. mas não a mim? perguntou Wood. pois praticamente todos os cidadãos e a maioria dos guerreiros estão fartos de Phoros e do resto dos erythras. em Cathne. claro que lembro replicou o homem-macaco. Tarzan. O que podemos fazer? Tarzan bateu no aro de ferro que lhe prendia o pescoço. mas talv ez não viva muito tempo. E eu acredito que se ele viesse disse Valthor um exército de Cathne seria be m-vindo aqui. Val . Sim.coisa que eu possa fazer comentou. O trabalho é duro e muit as vezes esses senhores novos se mostram cruéis. se não for tarde demais. Faz quanto tempo que estás aqui? Muitas luas. Contou então ao homem-macaco o que Menofra decretara para Gonfala. por escolta de guerreiros que se limitou a empurrar o americano.

Certa tarde os escravos foram devolvidos à senzala antes da hora costumeira. Daí lhe advinha grande preocupação e ele menci . pois tem tudo o que é preciso. os escravos se acharam cheios de inquietação e descontentamento. Não pa ssamos de um punhado de escravos desarmados. mas Valthor os aconselhou a terem p aciência. embora o último houvesse esquecido qualquer motivo para arrecear-se . Os oficiais e guerreiros usavam brutalidade extrema no trato dos escravos. caso fossem libertados. Que m o observasse pensaria que estava contente. tarefa de que se encarregavam os escravos. A conferência de nomes mostrou que três haviam desaparecido . mas os nabos! Na economia da felicidade mundana não exist e mais lugar para o nabo. não faria diferença alguma se Zygo ou Phoros fosse rei. Os novos senhores de Athne haviam mudado tudo. Posso prometer a todos que. havia todo um mar de raiva. Isso não apoquentava Troll. por parte de certo número de escravos. Tarzan calculou que tinha o corrido uma tentativa organizada.. rebaixando o que fora sagrado nos costumes. de ordinário. conferindo-lhes os nomes por um pergaminho trazido por um dos oficiais. Não disse Valthor. e um dia Zygo. por baixo daquela aparência calma. Só se lembrava claramente de que Gonfala era sua irmã e de que a perdera. Se tal não ocorrera devia-se apenas à insistência da rainha. não apareciam. eu não acreditaria em outra pessoa. no sentid o de fugirem. tentando extorquir confissões pelas quais pudessem calc ular até onde fora a trama e que escravos eram os cabeças. incluindo pêlos de elefante e pedrinhas. Depois de se retirarem da senzala. Caso fossem recapturados. Reina grande descontentamento.. Carne d e elefante constituía a maior parte da alimentação e a ela era aduzida uma variedade m uito primitiva de nabo. no regime anterior. quando Zygo voltar ao poder. Fervendo. mas estar acorrentado era autêntica tortura. alguma transformação te rá de ocorrer. ver-se-iam submetidos à tortura e à morte. Às ve zes. Ainda assim. Dou minha palavra de que será feito. quem quer que seja rei contrapôs um deles. com legumes que lá haviam roubado e que levavam para a senzala. Tarzan d escobrisse algum modo de tirar dele o grande diamante. mas todos sabem q ue a promessa feita pelo nobre Valthor será cumprida. O pêlo de elefante e as pedrinhas podiam ser desculpados. exasp erava o senhor da selva. tanto fora da senzala quanto aqui de ntro. com base nas perguntas. Tão certo quanto Dyaus está no céu. A prisão. não deixava transparecer qualquer sinal do sofrimento mental que atravessava. eu contin uaria escravo. Durante a agitação. Já escurecera bastante e os fogos tinham sido acesos para preparar a comida. os que trabalhavam no campo traziam variedade a essa dieta. Spike se preocupava por causa do medo de que. que se esquecera por completo da pedra preciosa. Mas alguns de nós somos escravos. Este cozido observou Wood deve ser cheio de vitaminas. Os guardas que os tangiam mostravam-se invulgarmente brutais e havia diversos o ficiais que. voltará das montanhas onde se esconde e nos libert ará. no sentido de que o novo nome fosse A Cidade de Menofra.thor contara a Tarzan que este último provavelmente era guardado para a arena. a ponto de uma pequena fagulha poder incendiar aquilo. Bem disse outro deles . Vejo que a ti não agradam os nabos comentou Valthor. Desde que Tarzan fora trazido para a senzala. enquanto os interrogavam. utilizando pequenas panelas. Para mim. A atmosfe ra ficara sobrecarregada da eletricidade estática da revolta reprimida. O que podemos fazer contra os guerr eiros dos erythras? Esperemos. De manhã. nosso rei. E u sou. os escravos eram levados ao trabalho e todo o dia Tarzan continuav a sozinho. Desse modo estareis apenas procurando a tortura e a morte disse-lhes. diversos es cravos tinham escapado para a floresta de bambu próxima ao limite oriental das ter ras cultivadas de Athne. Com os dois ingredientes os homens faziam um cozido. Falava-se até mesmo de mudar o nome de Athne pa ra A Cidade de Phoros. e durante a qual um guarda fora morto. acorrentado como animal selvagem. Acompanharam os escravos à senzala e os cont aram. mas também não sabia quando se efetuariam tais tornei os. de qualquer natureza. sereis libertados. Em seguida interrogaram-nos e. Troll e Spike se tinham mant ido afastados. dev ido à sua aparência de grande força. Spike receava muito o homem-macaco e conseguira transmitir esse r eceio a Troll.

e ele sabia. jamais se ref erindo ao diamante. Spike o incentivava nessa ilusão. Capítulo vinte e quatro MORTE . mas não pode transformar em leão a cauda de um chacal. cheio de raiva. Não foi Phoros. passando a tratá-lo como convidado. aristocrata contrapôs o oficial. Não. a um palafreneiro.onava o assunto de modo constante. pelo m enos. sabes bem disso. em v ez de prisioneiro. Por que Phoros resolveu honrar-me deste modo? indagou Valthor. aristocrata anunciou o oficial. antes que Phoros a desposasse. Tenho um presente para ti. passa a argola pelo pescoço dele e acor renta-o à pilastra ao lado do homem selvagem. A esperança maior que alimentava de recuperá-lo estava na possibilidade de que o rei autêntico de Athne recobrasse o trono. Menofra era mulher da rua. mas Menofra. Ele fez muitas coisas estranhas. É ela quem governa agora. Valthor sacudiu a cabeça. em trazer-me. Serás sempre um palafreneiro e. Aqui estou disse o nobre. levantando-se. Tem cuidado ou te ensino bons modos resmungou. O oficial corou. esmagados e estraçalhados por um elefante selvagem. de m odo provocante . E deve ser prese nte que causa grande satisfação. Estou vendo disse Valthor. um do s quais vinha com argola e corrente de ferro. no íntimo. embora este fosse tema permanente de seus pensamentos e plan os. na verdade. Bem. tu aí. pois nasce de terra suja. A psicologia de ódio de Menofra contra minha clas se tem raízes mais fundas do que a tua. fora palafreneiro nos estábulos de elefantes de Zygo. entendo disse o nobre. palafreneiro. com base nas conversas mantidas com os prisioneiros. odeias a ti próprio. Toma. e eu o aristocrata. até a revolução. Tua ocupação. Ah. foi honrada. o ofi cial chamou Valthor. É o que te torna raivoso. ainda que Phoros te diga o contrário. que. Aproximando-se da cobertura. porque amanhã tu e o homem selvagem morrereis na arena. com pelotão de guerreiros. por saberes que serás sempre um palafreneir o. Quando os escravos faziam suas refeições noturnas e conversavam sobre a fuga d os três companheiros. estás errado. É o que te leva a odiar-me ou pensar que tu me odeias. Tu és palafreneiro. agora. desde qu e expulsou o rei. devolvendo-lhe o Gonfal. Chega! atalhou o oficial. que o regresso de Zygo estava entre uma possibilid ade e uma probabilidade. olhando a argola e a corrente. um oficial entrou na senzala. dize o que queres enquanto podes.

limpeza. prepararam a refeição matinal. Você não tem uma mensagem que gostasse de mandar a. Havia muitos elefantes ricamente a . Examinei cuidadosamente as minhas asseverou e as pus à prova. chegado o momento em que os escravos seriam levados ao trabalho. até você. ele e Valthor . meu melhor amigo. Obrigado. Os nobres que fugiram à revolução dos erythras levaram-no para as mo ntanhas. eu sei. Tarzan tem razão disse Valthor. Se tivéssemos um formão. possamos fazer proclamou. Tropeçou no limiar e praguejou baixinho. é um leão. o leão mata com rapidez. O dia de sua morte amanheceu como qualquer outro. é um elefante. Não. Se enfrentarmos a morte corajosamente. corag em.. mas não temos. mas eram p oucos os homens em tal categoria. o que importa é o modo pelo qual morremos. Todos temos de morrer. A ele agradava Wood. muitas es tão morrendo. todos em sua melhor indumentária. o deus deles. Tarzan balançou a cabeça em negativa. Tarzan! Não entende? Vão matá-lo! O homem-macaco deixou que uma sombra de sorriso bailasse em seus lábios. servindo também de advertência aos outros. a. A tarde chegara quando vieram buscar Tarzan e Valthor.. A mim não agrada despedir-me. Juntamente com Wood. pois sou um homem-elefante. Tarzan relembrou-lhe Valthor.. talvez. não disse. pelo que o oficial lhe dissera antes de retirar-se. Entre outras coisas. enquanto cobria os olhos c om a palma das mãos. ambos seus amigos. nada resta a fazer senão esperar. mas na verda de porque era bem visto entre eles e era um aristocrata. pois os erythras. Se fosse ferro fundido. como cas tigo pela rebelião que resultará na morte de um guerreiro erythra e a fuga de três esc ravos... Esse não será teu amigo.. Se Wood soubesse com que raridade Tarzan utilizava a expressão meu amigo .. meu amigo afirmou. Mas eles vão matar você. com sua inteligência. como nossa conversa de nada adiantou. Nenhum dos dois falava d o que ia acontecer. Dy aus. como devem fazer os g uerreiros. Tarzan colocou a mão sobre o ombro de Wood. Wood er a o mais nervoso deles e. Valthor fora escolhido. não haverá pesares. Mas não estava pensando nele especificamente explicou o senhor da selva. onde os homens-leões são os nobres. apenas dobra. Tem de haver. Tarzan considerava muitos animais como amigos. Parecia-lhe de todo inconcebível que o coração poderoso do senhor da selva viesse a ser paralisado para sempre. a fim de satisfazer a sede de sangue de bárbaro s ignorantes. muitas morrerão . que ia morrer. as armas recém-polida s reluzindo ao sol. Muitas pessoas já morreram. Diante do palácio formava-se uma procissão. não por ser acusado de fermentar a rebelião entre os escravos. terse-ia sentido honrado.Os demais escravos tornaram-se furiosos por causa da sentença imposta a Valt hor. Não podíamos pa rtir essas correntes? Tarzan sacudiu a cabeça. Tarzan. E agora. criamos elefantes. e sabes com que orgulho ost entam o título. meu amigo. Não. como sempre sabe. Se eu pudesse escolher o modo de morrer. Tu sabes o que isso significa. Wood levantou-se e saiu dali. estou satisfeito em que um elefante vá ma tar-me. haviam de matá-lo. e Wood hesitava. aproximou-se para as despedidas. de modo os tensivo. preferiria o leão ao elefante decla rou Tarzan. pois estiveste em Cathne. Quanto a mim. Tem de haver algo que. que não têm um deus. acompanhado por mais escravos que se retirav am da senzala. mas é maleável. vou dormir. Acontece o mesmo aqui. conversaram e Valthor riu. o nosso. Wood horrorizou-se com a notícia de que Tarzan deveria morrer.. E a mim não agrada que um amigo deva matar-me. mas o motivo verdadeiro é que o elefante sempre foi meu amigo. que seu corpo perfeito fosse romp ido e esmagado no chão de uma arena. Ela saberá. Assim como eles criam leões. de vez em quando Tarzan exibia um de seus raros sorrisos. Thoos. poderíamos quebrar um dos elos. Nada existe de singular nisso afirmou. meia centena de gue rreiros e diversos oficiais. só que os nobres são os homens-elefantes.

quando deu a ordem para ser iniciada a marcha. T arzan era-lhes um desconhecido e seu único interesse pelo senhor da selva residia no fato de que poderia servir para proporcionar-lhes alguns minutos de emoção e entr etenimento na arena. reprimida pelo medo. Vieram da cidade. colocando-a no assento ao lado. sozinha..jaezados e de cadeirinhas instaladas no dorso. entretanto. e . Valthor não procurara baixar a voz. com pequeno portão que dava para a arena. o que aconteceu imediatamente. assemelhava-se a uma multidão taciturna . Uma gargalhada teria sido coisa tão surpreendente quanto um grito. Os demais palanques estavam quase cheios e as multidões continuavam a sair pelos túneis . os numerosos guerreiros a pé. chegando afinal à aren a. estar nua não a amolaria tanto. mas faltava-l he algo que teria tornado impressionante tanta magnificência. Sua gargalhada chamara a atenção para ele. de modo evidente. tinha-se a impressão de que a alteara um pouco. Todas as cadeirinhas eram abertas. e a usa de trás para a frente. A extremidade interna da estrebaria era formada por paliçada de troncos pequenos. Era pouco o ruído. os prisioneiros puderam ficar e assistir ao que ocorria na arena. de modo que muitos ouvi ram e perceberam suas palavras. Vale a pena morre r. ainda que se achasse nua. Tar zan voltou-se e o fitou de modo indagador. Observa o semblante altivo. Estava tão furiosa que tremia. sendo semelhante à extre midade externa. Era a impressão que se formava aos olhos do senhor da s elva. A pobre coitada tenta apresentar uma figura de rainha. atrás de elefantes de d ignitários de menor monta. A Tarzan aquilo não se afigurava uma multidão satisfeita e pronta a desfrutar o espetáculo. Ali havia bom número de guardas armados e logo outros prisioneiros eram traz idos. caminhando acorrentado. a coroa! Dyaus. não encontrarão oposição e nada mais a recear. Quando Tarzan e Valthor tomaram lugar sobre a viga. os estandartes e galhardetes. a coluna voltou-se rumo ao leste. pois seu rosto tornou-se rubro. para ver tal espetáculo. sustentando as extremidades de presilhas que mantinham a paliçada em pé e. onde se via a nobreza recém-empossa da de Athne. Acho. Nada havia de verdad eiro em sua majestade suposta e aquele desfile era colorido pelo caráter espúrio de seus elementos principais. Diversos dos prisioneiro s que falaram com Valthor eram. o cortejo imperial acabara de completar um circuito na arena e Menofra d escia desajeitadamente da cadeirinha do elefante.. el a vai levar a coroa até a arena . que se situava nesse lado da cidade. Ali se encontrava Menofra. I sso foi notado por todos que a podiam ver. Passando pelo portão. feita de pequenos tro ncos. rumo ao portão do sul. a não ser pelo arrastar de pés calçados em sandálias e o barrido ocas ional de algum elefante. Olha só para ela! exclamou o nobre. sobre essa viga. sua voz estava trêmula de raiva. Com os cem elefantes formando fila indiana. passando por fileiras de cidadãos silentes. matando todos os in imigos. Somos quase o final da aristocracia que não fugiu ou não se passou para os ery thras explicou Valthor a Tarzan. homens a quem Tarzan não vira antes. Tornava-se claro que a solidariedade do povo f ora dada a Valthor. A cerca de quatro palmos na parte superior da paliçada interna havia uma vig a horizontal. e ela retirou a coroa. a procissão se apresentava cheia de cor. pois as classes médias tinham mais simpatia nat ural pela aristocracia do que pela ralé que constitui os erythras. Não houve aclamações nem aplausos. Valthor a viu e riu alto. entrando no palanque real. em uma estrebaria entre duas partes de um palanque. Tarzan e Valthor foram tirados da linha de mar cha e levados ao portão menor que dava para uma paliçada alta. Logo ao sair pelo portão principal. homens de distinção. que estão apenas criando um número maior de inimigos. Estas chegaram até mesmo aos ouvidos de Menofra. até chegar sua vez de entrar. Na verdade. pelo q ual a procissão ingressou na arena. ao contrário. O primeiro encontro foi travado entre dois homens. Na verdade. que seguiam depois de Menofra. atrás do elefante de Menofra. A procissão seguiu pela avenida principal. enorme guerre . Não podia estar mais encabulada. um deles. O homem-macaco não pôde deix ar de observar a construção frágil das duas paliçadas e imaginou que toda a arena era de construção fraca como aquilo. Sussurravam-se comentár ios à passagem de Valthor e Tarzan. Phoros e Menofra acham que. com exceção de um pavilhão de feitura mais complexa. embora os cidadãos não se atrevessem a exprimi-la abertamente.

após o combat seguinte. cheios de desagrado. terminará mais cedo. partidos dos palanques dos oficiais e da nova nobreza. recebendo o aplauso de Menofra e sua comitiva. usando mui tas lanças. Ela prometeu promover Hyark a capitão. Talvez tenhas razão. entre os erythras. Mas Hyark vai matar agora o teu homem selvagem. O oficial não tardou a regressar. Poucos são tão corajosos. fingindo profundo pesar. O guarda achou muita graça e prorrompeu em gargalhadas. Acredito disse Tarzan. Ele é pesadão e estúpido. Tratava-se de uma execução e não de duelo execução antecedida pela tortura-. Mas matará o homem observou Valthor.iro erythra. Esta espera ataca os meu s nervos. Sim. Eu já não te disse que prefiro ser morto por um leão a ser morto por um elefante ? Valthor sacudiu a cabeça. e Valthor prorrompeu em risadas. também? perguntou o guarda. pois ainda é um animal poderoso. Acima de tudo. enquanto escravos arrastavam o corpo mutilado da vítima e um oficial se aproximava da estrebaria. morte miseri cordiosa. O prisioneiro seguinte a ser levado para a arena era um velho. . Viera avisar que Menofra concordara com a luta entre Hyark e o homem s elvagem. na maior parte. Este homem selvagem. O guarda apontou Tarzan. O leão acabou logo com o velho. Deve ser divertido. Este aqui diz que pode matar o leão também berrou o guarda. a fim de cham ar os próximos combatentes. caminhando de um lado para outro. covarde? Essa é boa. O oficial ergueu o olhar. pelo menos. e veio então o oficial. diante do camarim re al. com zombaria. Tarzan? indagou Valthor. Está enfraquecido pela sarna e fome. Disse que acabava de lembrar-se de que a e sposa se acha muito doente e pediu a Menofra que concedesse a outro lutador a ho nra de matar o homem selvagem. Isto é. Ouviram-se apenas alguns gritos de incentivo. Talvez Menofra gostasse de ver o encontro. Por que disseste isso. se Hyark não tiver med o de entrar na arena com um leão. O guarda gritou para ele: Aqui temos um que se julga capaz de matar Hyark. Deram-lhe u m punhal com que se defender. Acho que ele poderia ter morto aquele grandão disse o homem-macaco. falando com Valthor. Pelo menos. É uma pena que o outro não o percebesse. E o que Hyark disse da proposta? perguntou Valthor. A platé a observou aquilo em silêncio. É provável concordou o homem-macaco. Ficou combinado anunciou. com o polegar. Vi com q ue facilidade se pode enfrentá-lo. Sim disse o oficial. Valthor e Tarzan observavam o espetáculo. Qual deles? interpelou. Isso seria um verdadeiro espetáculo concordou o oficial. Vou perguntar a ela. em absoluto. É um leão muito velho comentou Tarzan. Lutarei com os dois ao mesmo tempo propôs Tarzan. armado de espada e lança. o outro. covarde. E por que não? contrapôs o homem-macaco. de modo que jamais poderem os saber se ele mataria também o leão retrucou o oficial. por matar dois homens na mesma tarde disse o oficial. Acho que não gostou. depois de terem recolhido o leão à jaula. sacudindo-se com r iso. este aqui. Vou imediatamente f alar com Menofra. Talvez o façamos. Tu achas que poderias matar Hyark? interpelou um guarda. soltaram-lhe um leão em cima. proporcionando-lhe. Eu também gostaria de vê-lo. um ex-nobre. Hyark. Já perdeu a maior pa rte dos dentes. matará o homem. ao lado de Tarzan . E tu achas que poderias matá-lo. Hyark se pavoneava. cuja única arma era o p unhal.

Tarzan se adiantou. Dava agora para avaliar o animal. O corajoso Hyark terá de correr bem depressa. Caminhou na direção do camarim real. sendo-lhe dado um punhal. a fera. tendo um fim misericordiosamente rápido. estav am com alguma dificuldade em levantar a porta. apavorado. Hyark teria. levemente abaixado. Pela primeira vez a multidão de espectadores se fazia ouvir. Tarzan se manteve parado nem um músculo em seu corpo se movia. batendo nas grades e procurando al cançar os homens em volta. mas fora lento demais. não viu que ele se aproximava. zombando de Hyark. a fera faminta começou a devorá-lo. Quando a fera se aproximou. maravilhando-se talvez com a cora gem daquele despido homem selvagem. Com uma imprecação. Achava-se diretamente à frente do leão. O animal. Os esp ectadores permaneciam silenciosos e retesados. e este. E foi quando Hyark fez exatamente aquilo que Tarzan calculara apidez para um dos lados e prorrompeu em carreira. com gargalhadas. Tarzan vinha co . aos berros. Não sentia medo do homem. e lo go gritava com advertências para o homem-macaco. Tarzan desceu e foi levado à arena. e por causa dela nasceu em sua me nte o plano de vingar o leão. con hecendo sua própria agilidade e vigor. o leão continuaria o ataque e iria diretamente sobre Tarzan. E logo Hyark estendia as mãos para a espada. velho e lastimavelmente magro. faziamno voltar-se. Tarzan veio pela arena. um Hyark que grita va. empurrando à frente d e si um Hyark frenético. o homem-macaco o manteve indefeso. dizendo que o leão já vinha. continuando parado. Exatamente em frente ao palanque de Menofra o leão alcançou Hyark. e antes que o animal desferisse seu ataque mortífero. falando com o guarda. Pelo canto do olho observava o carnívoro que se aproximava em corr ida pela arena. Era o que lhe aumentava a confusão. Os homens. nesse en contro. na direção do palanque real e do leão que comia. atrás de si. O fato de que viesse com as mãos nuas intrigou a multidão de espec tadores e serviu para confundir Hyark. agora. Este veio em carreira a seu encontro. mas esse não h esitou por um instante. A raiva de Tarzan fervia contra aqueles que tinham determinado tal crueldade. abaixo do qual se achava Hyark. uma oportunidade. Hyark trazia a lança à frente do corpo. rugia e rosnava. onde lhe retiraram a argola de ferro do pescoço. a fim de deixá-lo furioso. nervoso e agitado por c ausa do encontro que tivera. Tornava-se evidente que o haviam feito p assar fome muito tempo. Foi quando Tarzan fez exatamente o que planejara fazer. voltou-se e saiu em perseguição de Hyark. jogando-a ao chão. Tentaria trespassar Tarzan no momento em que este chegasse ao seu alcance. pois só pensava em acabar com a luta e retirar-se da arena. Era leão pequeno. é claro. o hom em-macaco deu um tremendo empurrão em Hyark. Menofra é criatura de excelente humor observou Valthor. caiu sob o corpanzil. Segurou o meio da lança e arrancou-a das mãos d e Hyark. Enfiara a adaga no cordão que lhe su stentava a tanga. mas não vai correr mais do que o leão. jogando-o diretamente ao grande felin voltou-se com r o.E o que disse Menofra? Que se Hyark não entrasse na arena e matasse o homem selvagem ela o mandaria matar. pelo menos. Se houvesse dado um passo par a o lado. vindo por trás do animal. Aproximando-se sempre do leão. o leão certamente haveria de persegui-lo se fugisse. Não haveria divertimento com a vítima. O homem-macaco o pegara e dedos de aço o agarravam. Estavam bem próximos. na jaula do leão. mas dos dois! E se o hom em conseguisse escapar à morte até que o leão fosse solto? O leão poderia pular com a me sma facilidade sobre suas costas ou sobre as do outro. contando despachá-lo depre ssa e sair da arena antes que o leão fosse solto. ocupada em saciar a fome. Tarzan foi a seu encontro. vendo-o mais de perto. se conta chegar a capitão coment ou Valthor. que desde muito lamentava ter aceito o de safio com tanta jactância. A camin ho apanhou a lança que Hyark perdera e aproximou-se em silêncio do leão. a despeito do modo pelo qual se debatia. Antes de s uas convulsões finais. Hyark atirou a lança sobre o peit o nu do antagonista. Mas Tarz an sabia disso. A multidão emitiu um grito: o leão fora solto! Agarrando Hyark pela gola do gibão e pela correia da espada. Seria melhor para ele se permanecesse parado.

Bem. barrindo. dando-lhe parabéns. entretenimento como nunca existiu nesta arena. rodopiando o animal qu e rugia e tentava desferir golpes. Foi a rapidez fantástica emp regada o que possibilitou a façanha isso e mais sua grande força . galopando rumo à liberdade. As arquibancadas explodiam de gritaria. Tantor! ordenou. neste instante. é perigoso demais. que eu queria entreter. Agora. Tarzan observava suas grandes dimensões e o fato de que uma das presas era m ais escura do que a outra e. acredito que ela te desse tua liberdade. O leão perdeu uma oportunidade valiosa observou. mas sem conseguir. Só a trouxer a como medida de segurança. de modo rep entino. O elefante hesitou. e ainda assim a fera comia a carcaça de Hyark sem perceber a prese nça do homem-macaco. meu amigo disse Tarzan . Bem por trás do carnívoro. Assim é que saltou para o palan que ao lado. Que tenhas vindo para morrer é trágico. pois tu lhe propor cionaste. logo parava. Ali.. A tromba do elefante se ergueu. e estacou com uma das mãos sobre a tromba que a gora fora baixada e percorria o corpo do homem-macaco. p assando perto dos palanques. O guarda que o ridicularizara fitava-o agora com o maior respeito. com esforço so bre-humano. Eu o conheço. orde nou que sejas destruído imediatamente. porém. mas a fera. e não Menofra e os espectadores. e enorme. que est ava agora assustada e confusa. Tarzan caminhou em sua direção. sem olhar para trás uma só vez. fazendo gesto para que Valthor viesse logo atrás. Tarzan colocou a lança no chão. aparen temente ilesa. Logo estaremos. Foste um imbecil disse a Tarzan em jogar o leão no palanque de Menofra. Sei que não posso atirar um elefante ao palanque de Menofra. enquanto Ska. erguendo-o e. É verdadeiro demônio. E quanto à coroa e título. em outro d ia hienas na beira de um poço. Acredito que talvez tenhas razão concordou o homem-macaco. o abutre. Ides tom ar lugares no centro da arena. pois.. a pantera. Tens algum plano? Nenhum respondeu Tarzan. prontas a devorar um enorme elefante que. a examiná-lo. Estão abrindo o cercado dos elefantes disse Tarzan. com a rapidez e a agilidade de Sheeta. ai nda não estamos mortos. Bem queria que houvesses conhecido minha gente e ela a ti. pelos portões abertos. em meio à nob reza que prorrompia em gritos de pavor. Ajudei a capturá-lo. O corpo do leão atingiu Menofra e a derrubou da cadeira. . E então. na tela da memória. só_ pensava em fugir. e. sobre a vig ia. aqui estamos. pareceu não notar a presença dos dois homens no centro da arena e saiu a trote. como a procurar um meio de fuga.m passos leves. enquanto os demais prisioneiros o louvavam. agarrando-o pela juba e o couro solto das costas. caso o seu plano fracassasse. Se não houvesses feito isso. Tu e Valthor entrareis em seguida. Estiveram a guardá-lo para agora e p rovavelmente o matarão depois.tinha uma das presas escura. pelo menos nós dois nos voltamos a ver. Quando os espectadores haviam silenciado e os feridos foram retirados. a palma voltada para a fera. De iníci o. adejava em círculos por cima. além do anfiteatro. desferiu golpes com as garras. visualizou outra cena. não o mereço. Eu bem queria observou Valthor que tu tivesses tido recepção melhor na Cidade de Marfim. Não o elefante que será solto disse Valthor. e em seguida. E o leão saltou de um palanque a outro.. Dan-do. Tarzan yo. Odeia os homens. à direita e à esquerda. E então. Tarzan lançou um olhar ao palanque real e viu que Menofra estava em pé.. Aí vem ele! Era um elefante enorme que acometia. Foi quando Tar zan deu um passo rápido à frente e ergueu a mão. até encontrar um túnel em que entrou. jogou a fera no palanque real. o o ficial voltou à estrebaria. pois era o leão. de ixando atrás de si um rastro de vítimas a gritar e gemer. mas o destino estava contra ti. deu um salto e montou no felino. e à gente dela. ao mesmo tempo. voltou-se e regressou à estrebaria de prisioneiros. ele barria ao aproximar-se. Menofra devia dar-te uma coroa e um título disse Valthor . voltou-se para o centro e partiu rumo aos dois homens. Bem. q ue entrava na estrebaria e voltava a tomar lugar ao lado de Valthor. enquanto o povo aplaudia Tarzan.

Nala Tarzan! ordenou o homem-macaco. Nala tarmangani! e puxou Valthor para seu lado. O elefante ergueu a tromba e barriu estrondosamente; depois recolheu um e o outro em suas dobras, ergueu-os e os colocou sobre a cabeça. Por momentos ali fi cou, oscilando de um lado para outro enquanto Tarzan lhe falava em voz baixa; em seguida, voltando a barrir, partiu a trote pela arena, enquanto os espectadores permaneciam em silêncio, aturdidos pelo espanto. A grande fera completara metade da arena oval e, em frente à estrebaria dos prisioneiros, Tarzan deu-lhe ordem cur ta. O elefante fez uma volta rápida para a esquerda e atravessou a arena, enquanto Tarzan instava com ele, dedicando-lhe palavras de incentivo naquela estranha líng ua-mãe que os grandes símios utilizam e que os símios menores, bem como os macaquinhos , também conhecem e que é compreendida, na proporção de sua inteligência, por muitas outra s feras da floresta e da planície. De cabeça baixa, o macho poderoso colidiu com a paliçada frágil, na extremidade da estrebaria, arremessando-a ao chão. E logo a paliçada externa caía à frente, e ele se guia com Tarzan e Valthor para a planície, rumo à liberdade. Ao passarem pelo portão principal do anfiteatro, dirigindo-se ao sul, o prim eiro contingente de seus perseguidores saía da arena, subindo apressadamente às cade irinhas dos elefantes que esperavam, e antes de terem percorrido um quilômetro já a perseguição fora plenamente desencadeada. Embora sua própria montaria estivesse andando bem, os elefantes perseguidore s ganhavam terreno. Elefantes de corrida comentou Valthor. Levando cargas pesadas observou o homem-macaco. Cinco e seis guerreiros, e mais a cadeirinha pesada. Valthor assentiu. Se pudermos ficar à frente deles por meia hora, temos chance de fugir. Em seguida, voltou-se e olhou à frente. Mãe de Dyaus! exclamou. Somos apanhados entre um elefante selvagem e um leão f aminto... aí vêm os cathnianos, e vêm para a guerra. O que temos à frente não é expedição com Olha só para eles! Tarzan voltou-se e viu homens em quantidade de um exército atravessando a pl anície em sua direção, e à frente destacavam-se os ferozes leões de guerra de Cathne. Ele olhou para trás. Aproximando-se deles com rapidez vinham os elefantes de guerra de Athne. Capitulo vinte e cinco BATALHA Acho que ainda temos uma oportunidade de escapar disse Valthor. Volta-o pa ra o leste. Zygo e seus súditos leais estão lá, na montanha. Não precisamos fugir de nossos amigos replicou Tarzan. Espero que eles te reconheçam como amigo, antes de soltarem os leões de guerra . São animais treinados a saltar nas costas dos elefantes e a matar os homens que estejam lá. Nesse caso nós nos aproximaremos a pé disse o homem-macaco. E seremos pegos pelos erythras aduziu Valthor. Teremos de arriscar-nos, mas espera! Vamos tentar uma coisa. Falou então com o elefante e o animal estacou, voltou-se para trás; foi quando Tarzan saltou para o chão, fazendo a Valthor um gesto para que o acompanhasse. Di sse algumas palavras na orelha do elefante e afastou-se para o lado. A tromba en orme subiu, adiantaram-se as orelhas imensas, quando o poderoso animal partiu de volta, para enfrentar os elefantes que se avizinhavam. Acho que ele os deterá o tempo suficiente para que alcancemos a linha cathni ana antes que nos peguem disse Tarzan. Os dois homens se voltaram e partiram rumo à horda de guerreiros que avançava na direção de fileiras de lanças luzidias, capacetes dourados e leões de guerra, presos por correntes de ouro. De súbito, um guerreiro saiu das fileiras e veio correndo à f rente, ao encontro deles; e, ao aproximar-se mais, Tarzan viu que era um oficial

. Tratava-se de Gemnon. Reconheci-te no mesmo instante gritou ele para o homem-macaco. Viemos te s alvar. E como soubeste que eu estava em apuros? perguntou Tarzan. Foi Gemba quem nos contou. Esteve aprisionado contigo, na senzala, mas fug iu e foi diretamente para Thudos, levando a informação de que iam te matar. Dois de meus amigos ainda são prisioneiros em Athne disse Tarzan , e agora qu e apanhaste muitos dos guerreiros de Phoros, aqui na planície, em desordem... Sim disse Gemnon. Thudos percebeu a vantagem e atacaremos imediatamente, a ssim que voltarmos para as linhas. Valthor e Gemnon haviam-se conhecido antes, o primeiro fora prisioneiro em Cathne. Thudos, o rei, acolheu-os a ambos, pois Gemba lhe falara dos erythras, e naturalmente sua solidariedade estava com a aristocracia de Athne. Se Thoos estiver hoje do nosso lado afiançou , restauraremos Zygo em seu tron o. E então, falando com um ajudante: Solta os leões de guerra! O grande elefante de presa escura alcançara o primeiro dos elefantes de guer ra de Athne e lhe desferira uma cabeçada com impacto tão forte que todos os guerreir os foram derrubados da cadeirinha e o elefante jogado ao chão; e logo investia con tra o seguinte, derrubando-o, ao que os demais se espalharam, procurando evitá-lo; momentos depois os leões de guerra de Cathne se achavam por ali. Não atacavam os el efantes, mas pulavam às cadeirinhas e destroçavam os guerreiros. Dois ou três leões atac avam um só elefante de cada vez, e pelo menos dois deles, via de regra, conseguiam atingir a cadeirinha. O comandante das forças dos erythras procurou reunir-se aos homens e formar uma linha com a qual pudesse repelir o avanço dos cathnianos, e enquanto procurava m fazê-lo os guerreiros cathnianos que vinham a pé os alcançaram, aumentando a derrota que o grande elefante iniciara e os leões haviam quase completado. Os guerreiros erythras atiravam as lanças sobre os inimigos e procuravam esm agá-los sob os pés das montarias. O primeiro objetivo dos cathnianos era matar os gu ias dos elefantes e pôr os animais em carreira, e enquanto alguns guerreiros o ten tavam, outros se aproximavam dos elefantes na tentativa de cortar com punhais as alças, atirando ao chão as cadeirinhas e seus ocupantes. Os gritos dos guerreiros, o barrido dos elefantes, os ru-gidos dos leões, os gritos dos feridos, tudo isso vinha formar um pandemônio indescritível, aumentando a confusão da cena, e parecia levar a sede de sangue dos participantes a proporções de moníacas. Enquanto uma parte de suas forças enfrentava os erythras na planície diante da cidade, Thudos manobrava os restantes para uma posição entre a batalha e a cidade, cortando assim a retirada do inimigo; e desse modo, vendo que seu comandante for a morto, os athnianos perderam a coragem e se espalharam em todas as direções, deixa ndo a cidade à mercê do inimigo. Thudos conduziu suas tropas vitoriosas para Athne e em sua companhia march avam Tarzan e Valthor. Libertaram Wood e os demais prisioneiros na senzala, incl usive Spike e Troll; e então, a pedido de Wood, marcharam para o palácio à procura de Gonfala. Encontraram leve resistência, pois a guarda do palácio se punha em fuga, di ante do número superior que a atacava. Tarzan e Wood, conduzidos por um escravo do palácio, foram ter apressadament e ao alojamento onde Gonfala fora confinada. A porta, fechada por um ferrolho na parte externa, foi logo aberta e os dois homens entraram, encontrando Gonfala e m pé sobre o cadáver de Phoros, tendo na mão um punhal. Ao ver Wood, ela correu e se jogou nos seus braços. Ele acabou de saber, que Menofra morreu disse Gonfala , e tive de matá-lo. Wood estreitou-a nos braços. Pobre menina cochichava. , o que deve ter sofrido! Mas as dificuldades term inaram, agora, para você. Os erythras foram batidos, estamos entre amigos. Após a queda de Athne, os acontecimentos vieram em sucessão rápida. Zygo foi cha mado das montanhas e restaurado no trono por seus inimigos hereditários, os cathni anos.

Agora podem viver em paz disse Tarzan. Paz! gritaram Thudos e Zygo, quase no mesmo instante. Quem quer viver semp re em paz? Eu substituo Zygo no trono explicou Thudos para que nós, cathnianos, possamo s continuar a ter inimigos dignos de nossas armas. Nada de paz para nós, hein, Zyg o? Nunca, meu amigo! gritou o rei de Athne. Por uma semana Tarzan e os demais europeus continuaram em Athne, e depois partiram rumo ao sul, levando Spike. Troll e o grande diamante. Em marcha curta, saindo de Athne, encontraram M uviro, que chefiava cem guerreiros à procura de seu amado bwana, e, assim acompanh ados, regressaram à terra do homem-macaco. Foi lá que Tarzan deixou que Spike e Troll partissem rumo à costa, sob a prome ssa de que nunca mais voltariam à África. Quando estavam de partida, Spike lançou olhares pesarosos ao grande diamante . A gente bem que podia ganhar alguma coisa disse. Afinal de contas, passamo s por maus pedaços por causa disso aí. Muito bem disse Tarzan. Levem-no com vocês. Wood e Gonfala fitaram o homem-m acaco, cheios de espanto, mas nada disseram até que Troll e Spike houvessem partid o. Só então perguntaram a Tarzan por que dera o grande diamante a dois patifes como aqueles. Um sorriso veio lentamente aos lábios do homem-macaco. Não era o Gonfal explicou. Estou com ele em casa. Aquilo era a imitação que Mafk a guardava, para exibir e proteger o verdadeiro Gonfal. E há uma outra coisa que t alvez lhes interesse. Descobri a grande esmeralda dos zulis e a enterrei no terr itório dos bantangos. Algum dia iremos lá apanhá-la também. Você e Gonfala precisam estar bem munidos de riqueza, quando voltarem à civilização... devem ter o suficiente para a rranjar bastante encrenca e ficar por lá, todo o resto da vida. O AUTOR E SUA OBRA Era filho de nobres ingleses, tendo sido criado no meio da floresta african a, onde escreveu mais de noventa livros. Essa informação, por muito tempo associada à f igura de Edgar Rice Burroughs, é rigorosamente falsa: não se aplica ao escritor, ple beu norte-americano que nunca esteve na África, nem à sua célebre criatura Tarzan, que não escrevia livros, embora também não fosse o selvagem semi-analfabeto em que Hollyw ood o transformou. Na verdade, Rice Burroughs era filho de um fabricante de bebidas de Chicag o, onde nasceu a 1.° de setembro de 1875. Adolescente, tentou sentar praça no Exército , para o que falsificou a idade. Seu pai, alegando a fraude do filho, conseguiu tirá-lo da caserna após quinze meses de campanha, o que não desagradou totalmente ao j ovem Edgar. Antes de se tornar famoso como escritor, teve muitas profissões: caixeiro-vi ajante, guarda ferroviário, balconista, agente policial, comerciante de gado. Frac assou em tudo, até na tentativa de ganhar dinheiro com um curso por correspondência que ensinava como vencer na vida. Aos trinta e sete anos, desesperado, escreveu um conto de ficção científica e o enviou a uma revista popular. Para sua surpresa, o trabalho foi aceito e pediram mais. Nessa ocasião, Rice Burroughs estava preocupado com o choque entre a herança cultural do homem e o seu meio ambiente, tema sobre o qual veio a escrever muito s ensaios. Assim, inventou Tarzan dos Macacos, um menino abandonado na África equatoria l depois que seus pais, exploradores ingleses, encontram a morte nas mãos dos nati vos. Criado por macacos, o garoto se torna um atleta vigoroso que enfrenta sem t emor as forças naturais que o cercam. Encontrando na tenda da família um baú de livros , aprende a falar, ler e escrever, mas não abandona a selva e a natureza que adora . Tarzan representou fama e fortuna para seu criador. Cerca de trinta volume s, com uma tiragem global que ultrapassa vinte milhões de exemplares em mais de se ssenta línguas diferentes tal é o balanço da atividade de Burroughs até março de 1950, dat

a em que faleceu nos Estados Unidos. paradoxalmente.com/group/digitalsource . foi a m arca de uma época época em que se reconhece o valor da vida natural e se sonha com o modo como o homem deveria ser se a civilização não o tivesse corrompido.google. essa criação imortal de u m autor que. Saída dos romances para o cinema e para os quadrinhos. http://groups-beta. jamais conheceu a África foi mais que um ídolo.google.com/group/Viciados_em_Livros http://groups-beta.

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