A Economia Neotestamentária de Deus

Witness Lee

CAPÍTULO DOIS

A ENCARNAÇÃO DA PALAVRA E O VIVER DO FILHO NA TERRA
Leitura da Bíblia: Jo 1:1, 14; 7:29; 6:46; 17:8; Mt 1:18, 20; 1Tm 3:16; Cl 2:9; Jo 16:15a; 1:14a; 2:21; 14:10a, 11a; 17:21; 10:30; 17:22; 8:29; 16:32; 6:57a; 5:17, 19; 10:25; 5:30; 6:38; 14:24; 7:16-17; 12:49-50; 7:18; 14:7-9; Mt 3:16-17; Lc 4:18a; Mt 4:1; 12:28

A ENCARNAÇÃO DA PALAVRA
O primeiro item crucial da economia neotestamentária de Deus é a encarnação da Palavra. Estritamente falando, a encarnação é a encarnação da Palavra, do Verbo. João 1:14 diz que o Verbo tornou-se carne. Não diz que Cristo tornou-se carne, nem que Deus tornou-se carne. A Bíblia nos diz que o Verbo, que era Deus (Jo 1:1), tornou-se carne. O Verbo é a definição de Deus, e, como é a definição de Deus, é a corporificação de Deus. Deus é abstrato e invisível, pois Ele é Espírito (Jo 4:24). Nosso pensamento é abstrato e invisível, mas quando o expressamos com palavras, essas palavras tornam-se a definição do nosso pensamento, a própria corporificação do nosso pensamento. A palavra é a definição, a expressão e a corporificação do nosso pensamento. Se eu falasse a vocês durante uma hora, vocês conheceriam meu pensamento, porque meu pensamento é corporificado em minhas palavras.

O Verbo Torna-se Carne
O Verbo, a Palavra como definição, expressão e corporificação de Deus, tornou-se carne. O Verbo, que era a definição e corporificação de Deus, precisava ser corporificada ainda mais em uma Pessoa, e essa Pessoa era Deus Filho. Quando o Verbo tornou-se carne, a própria corporificação de Deus tornou-se uma Pessoa de nome Jesus Cristo. essa Pessoa é a corporificação da Palavra, a qual era a corporificação de Deus. Dessa maneira, podemos dizer que Deus foi corporificado duas vezes. Ele foi corporificado no Verbo, antes de Sua encarnação (Jo 1:1) e o Verbo foi corporificado em uma Pessoa viva, o Homem Jesus Cristo (Cl 2:9).

Enviado pelo Pai e com o Pai
Quando o Verbo tornou-se carne, Ele foi enviado por Deus e com Deus (Jo 7:29). Quando o Enviado veio, Ele veio com O que O enviou. Quando o Filho veio, tornando-se homem, Ele veio com o Pai. De acordo com João 6:46 e 17:8, o Filho veio da parte de Deus Pai. A preposição grega traduzida por “de” é para, que significa “ao lado de.” Portanto, o sentido aqui no grego é “de/com.” Darby escreveu uma nota, em sua Nova Tradução , em João 6:46 que também indica que o sentido no grego é “de/com.” O Filho veio não apenas do Pai, mas também com o Pai. Ao mesmo tempo em que vem do Pai, Ele ainda está com o Pai (Jo 8:16, 29; 16:32). Em João 8:29 o Senhor diz: “Aquele que Me enviou está Comigo”, que indica que o Pai enviou o Filho “de/com” Ele. Quando o Filho veio, Ele não deixou o Pai nos céus, no trono. Por isso a Bíblia nos diz que “Todo aquele que nega o Filho, esse não tem o Pai; aquele que confessa o Filho tem igualmente o Pai” (1Jo 2:23). Inclusive em nossa experiência hoje, quando invocamos “Senhor Jesus”, temos a profunda sensação de que o Pai está em nós (Ef 4:6). Quando jovem crente, fui ensinado a dirigir minha oração ao Pai celestial, e, às vezes poderia dirigi-la ao Senhor. também fui ensinado a nunca dirigir minha oração ao Espírito. Eu podia orar somente ao Pai e, às vezes, ao Senhor, por meio do Espírito. Baseado nesse ensinamento, sempre que me ajoelhava para orar, eu tinha de pensar em quem eu ia dirigir minha oração. Contudo, assim que recebemos o Senhor Jesus, tivemos o sentimento de que Ele estava próximo a nós (Fp 4:5; Tg 4:8). Nós espontaneamente dirigimos intimamente nossa oração a Ele. Podemos ter dito: “Senhor Jesus, eu Te amo. Tu és tão amado, precioso, doce e real para mim. Obrigado, Senhor Jesus, porque morreste por mim. Aleluia! Eu Te amo, Senhor Jesus”. Somente depois que recebemos alguma “ajuda teológica” é que começamos a dirigir-nos ao “Pai no trono”, no céu. Contudo, quando oramos de maneira íntima e espontânea ao nosso querido Senhor Jesus, temos uma sensação profunda de que o Pai está em nós. Oramos ao Senhor Jesus, contudo temos a sensação de que o Pai está aqui. Nosso conceito era de que, quando o Filho veio para a terra, Ele deixou o Pai sentado no trono. Todos precisamos ver que, quando o Pai enviou o Filho, Ele O enviou consigo mesmo. O filho habita em nós (2Co 13:5) e o Pai também (Ef 4:6). O Senhor Jesus disse a Filipe em João 14:9: “Quem Me vê a Mim, vê o Pai”. Enquanto o Senhor Jesus falava a Filipe, Ele declarou que o Pai estava Nele e Ele estava no Pai (14:10). Isso mostra que quando temos o Filho, também temos o Pai. O Filho até mesmo é o Pai (Is 9:6).

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Devemos perceber também que, enquanto o Pai está com o Filho e no Filho, Ele também está no trono. Os dois são distintos, mas não separados. Esse é um mistério divino que não podemos penetrar. Por um lado, os três da Deidade coexistem e, por outro, eles co-inerem. Eles mutuamente habitam um no outro e interpenetram um ao outro. A eletricidade nos dá um bom exemplo de tal mistério. A eletricidade que estamos desfrutando em nossa sala é a mesma eletricidade da usina geradora. Ela, simultaneamente, está na usina geradora e também na nossa sala. Da mesma maneira, Deus Pai estava com Jesus na terra e, ao mesmo tempo, estava no trono. Não devemos nos preocupar com isso. Precisamos nos dar conta de que com o Deus infinito não há elemento de tempo ou espaço. Por ser o Deus eterno, Ele está acima do tempo e do espaço e não é limitado por eles.

Pelo Espírito
Lucas 1:35 e Mateus 1:18 também nos mostram que o Filho veio pelo Espírito. Eles foi concebido do Espírito Santo. Esse Espírito era o próprio Espírito de Deus Pai, a própria essência de Deus Pai. Quando o Espírito entrou no ventre de Maria, foi a essência de Deus Pai que entrou na virgem. Essa foi uma concepção divina realizada no ventre de uma virgem humana. A essência divina foi mesclada com a essência humana a fim de produzir um filho nascido como homem-Deus. Isso mostra como o Filho veio com a essência do Pai e pelo Espírito. Quando jovem, eu não conseguia entender por que o Senhor precisava fazer as coisas pelo Espírito, já que Ele era todo-poderoso. O Senhor Jesus disse aos fariseus que Ele expulsava demônios pelo Espírito de Deus (Mt 12:28). Quando o Filho veio, Ele veio com o Pai. Quando trabalhava, Ele trabalhava pelo Espírito. O Deus Triúno é um mistério. É um mistério o fato do Filho de Deus ser todo-poderoso, mas precisava fazer as coisas pelo Espírito. Nos quatro Evangelhos não vemos o Filho sozinho, mas vemos o Filho, com o Pai, pelo Espírito.

Deus Manifestado na Carne
A Trindade mesclou-se com a natureza humana. O que foi concebido no ventre de Maria era o Deus completo e o Homem perfeito. O Filho veio com o Pai pelo Espírito para mesclar-se com a humanidade, tornando-se, assim, um homem-Deus. Isso é Deus manifestado na carne (1Tm 3:16). Isso é a encarnação da Palavra e é o nosso Salvador, Jesus Cristo, que é o Deus Triúno mesclado com o homem. Nele vemos o Pai, o Filho e o Espírito, e Nele vemos um Homem perfeito. Ele é o próprio homem-Deus, a corporificação do Deus Triúno no Homem, Jesus Cristo.

O Início da Economia Neotestamentária de Deus
A encarnação da Palavra era a encarnação do Deus Triúno – o Filho de Deus, com o Pai, pelo Espírito tornou-se carne. Isso foi o Deus, o Deus Triúno, tornando-se um homem; portanto, esse Homem é a própria corporificação do Deus Triúno em Jesus cristo como o lugar de habitação de Deus, o tabernáculo e o templo, vivendo a vida de Deus para desenvolvê-la no reino de Deus. Esse foi o início da economia neotestamentária de Deus. O início não apenas transmite o conceito de começo, mas também transmite o conceito de princípio por meio de criação. Denota algo novo que jamais havia existido. A encarnação do Deus Triúno criou uma coisa nova, e essa coisa nova criada pela encarnação do Deus Triúno foi um início. Uma nova esfera, um novo campo, com uma nova corporificação, veio à existência. Nessa nova esfera, nesse novo campo, Deus tornou-se um com o homem. Jamais havia existido tal coisa. Isso era algo absolutamente novo. A encarnação de Deus introduziu uma nova criação. Por fim, essa nova criação consumar-se-á na Nova Jerusalém, o centro do novo céu e nova terra (Ap 21:1-2).

Uma Pessoa Maravilhosa
Essa Pessoa é universal, excelente, maravilhosa e única. Antes da encarnação não havia tal Pessoa. Na era vindoura, essa Pessoa será desenvolvida, ampliada e incrementada ao máximo. Ela será a Nova Jerusalém como centro do novo universo, o novo céu e nova terra. Isso será a consumação final e máxima do desenvolvimento de tal Pessoa maravilhosa e excelente. Todo o Novo Testamento é um desvendar de tal Pessoa singular que é a corporificação do Deus Triúno em um Homem. Esse Homem é Jesus Cristo. Nesse Homem perfeito, Jesus Cristo, está o Pai, o Filho, o Espírito – o Deus completo. Esse Homem perfeito é o recipiente, o sustentáculo do Deus Triúno. Ele é a corporificação do Filho, com o Pai, pelo Espírito. Alguns mestres da Bíblia diziam às pessoas que no Antigo Testamento está Deus Pai, nos Evangelhos, Deus Filho, e, no restante da Bíblia, Deus Espírito. Eu recebi esse ensinamento há sessenta anos, mas, depois de meu estudo pessoal da Bíblia, descobri que o Pai, o Filho e o Espírito estavam todos no Antigo Testamento. Isaías 9:6 fala do Pai da eternidade. Gênesis 1:2 nos diz que o Espírito de Deus pairava sobre as águas. Também em Gênesis 18, o Senhor Jesus veio como um homem de verdade a Abraão, e Abraão preparou água para lavar Seus pés e o alimentou. Antes da encarnação, Deus já havia aparecido a Abraão como homem. O nome desse homem em Gênesis 18 era Jeová (v. 1). O Senhor Jesus caminhou com Abraão como um amigo em Gênesis 18.

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É por isso que Tiago nos diz que Abraão foi chamado amigo de Deus (2:23). Isso nos mostra novamente o mistério da Trindade divina. O Antigo Testamento, os Evangelhos, de Atos até Judas, e Apocalipse nos revelam o mesmo e maravilhoso homem-Deus Triúno. Muitos de nós, cristãos, cremos em Cristo, contudo não O conhecemos em Pessoa. Sua Pessoa é tão excelente, tão maravilhosa. Ele é a corporificação do Deus Triúno que mesclou a Si mesmo com a humanidade para nascer um homem-Deus, no qual vemos o Pai, o Filho e o Espírito – o Deus completo e o Homem perfeito com o propósito de dispensar o Deus Triúno a nós. Devemos aprender a conhecer essa Pessoa, a descrever essa Pessoa maravilhosa e a apresentar essa Pessoa excelente aos outros.

O VIVER DO FILHO NA TERRA
O primeiro item da economia neotestamentária de Deus é a encarnação da Palavra. O segundo, é o viver do Filho nesta terra, que é a continuação da encarnação da Palavra. No Novo Testamento, a primeira coisa vista é a Palavra, que era Deus, tornando-se carne. É o Deus Triúno corporificado em um Homem. Agora, esse Homem continua a viver na terra. Ele era a corporificação do Deus Triúno vivendo a vida de Deus. Seu viver é maravilhoso e precisa de milhares de palavras para ser descrito.

A Vida Mais Elevada
Deus criou diversas vidas em Sua criação. A criação de Deus começou com a vida mais inferior, que é a vida vegetal. Flores, árvores e verduras são coisas vivas mas sua vida é a mais inferior. Essa vida não tem personalidade alguma. Eles não têm sentimento algum, não pensam e tampouco amam ou odeiam. Então, Deus criou a vida animal, que é mais elevada que a vida vegetal. Os cachorros podem gostar ou não de você, e, às vezes, eles ficam bravos e latem para você, mas isso ainda não é a vida mais elevada. O terceiro nível de vida criada por Deus está em um plano mais elevado. Trata-se da vida humana. Sem as vidas vegetal, animal e humana, a terra seria desolada. Esta terra é muito agradável e interessante devido a essas três vidas. A vida mais elevada neste universo, contudo, é a vida da árvore da vida. Em Gênesis 1 estão os vegetais, os animais e o homem criado por Deus. Depois da criação do homem, Deus pôs esse homem diante da árvore da vida, mostrando que ainda havia uma vida que era superior à vida humana (Gn 2:8-9). Essa é a vida divina.

O Mesclar da Vida Divina com a Vida Humana
No Novo Testamento aconteceu uma coisa maravilhosa – o mesclar da vida divina com a vida humana! Quando dizemos que a própria corporificação do Deus Triúno vive a vida do Deus Triúno, queremos dizer que esse é o viver de uma vida combinada, o viver de uma vida mesclada. É uma vida tanto humana como divina. A vida humana e a vida divina são maravilhosas, e agora essas duas vidas se casaram. A vida divina é o marido e a vida humana é a esposa – um casal maravilhoso! Esse é o mesclar da vida divina com a vida humana. Jesus Cristo é a corporificação de tal mesclar, e Ele viveu uma vida, uma vida peculiar, uma vida extraordinária, uma vida que é um mesclar da vida divina com a vida humana. Nessa vida, no viver de tal vida, podemos ver todos os atributos divinos e todas as virtudes humanas. Essa foi a vida vivida por essa corporificação do Deus Triúno no Homem Jesus. Tal viver se desenvolverá até o reino de Deus. O reino de Deus é simplesmente o viver da vida divina mesclada com a vida humana. Hoje o reino de Deus deveria ser a vida da igreja – o desenvolvimento dessa vida maravilhosa composta pelo mesclar de duas vidas.

Viver uma Vida Combinada
Nós que somos regenerados, que amamos o Senhor, que buscamos o Senhor e que estamos sob a transformação de Deus, devemos nos perguntar que tipo de vida vivemos. Não deveríamos viver simplesmente uma vida humana, uma vida ética. devemos viver uma vida combinada – uma vida que é uma combinação da vida divina com a vida humana. Tal vida é a vida da igreja. Jesus Cristo, como a própria corporificação do Deus Triúno, viveu tal vida. Seu viver estabeleceu um modelo da vida da igreja, e essa é uma vida que vive Deus na humanidade. A vida da igreja deveria ser exatamente igual ao Seu viver. Ele era o Homem Jesus, contudo, Ele viveu o Deus Triúno. Ele era um nazareno, mas viveu a vida divina. Aos doze anos, Ele foi para Jerusalém e comportou-se, agiu e viveu de uma maneira que mostrava a vida divina em um jovem ser humano. Ele era um ser humano galileu, mas a vida divina foi vivida através Dele. Lucas 2 mostra-nos um jovem humano de apenas doze anos de idade vivendo uma vida no plano mais elevado. Naquela jovem vida podemos ver as virtudes humanas e os atributos divinos. Esse é o modelo da vida da igreja. Enquanto aquele menino vivia, o Filho, o Pai e o Espírito viviam todos nele. Fora da Bíblia não há nenhum registro humano de tal vida. Tal vida como o resultado do dispensar divino. A encarnação da Palavra foi um dispensar que dispensou o Filho com o Pai pelo Espírito para a humanidade. Então, proveniente dessa encarnação, a vida do Deus Triúno foi vivida em um jovem ser humano. Os quatro Evangelhos primeiramente mostram-nos a encarnação da Palavra e então apresentam o viver do Filho, que era uma combinação da vida divina com a vida humana.

A Corporificação do Deus Triúno

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O viver do Filho na terra foi a corporificação do Deus Triúno. Colossenses 2:9 fala da “plenitude da deidade”. Não fala das riquezas da Deidade, mas da plenitude da Deidade. A diferença entre riquezas e plenitude pode ser ilustrada por um copo d’água. Uma caneca com água contém as riquezas da água. Ela pode ter as riquezas da água, mas essas riquezas não podem ser vistas enquanto a água não encher a caneca até transbordar. Somente então é que as riquezas tornaram-se a plenitude, que é a expressão das riquezas. Colossenses 2:9 diz que a plenitude da Deidade habita corporalmente Nele. Isso significa que as riquezas da Deidade são plenamente expressadas Nele. Quando esse Homem Jesus viveu na terra, Ele viveu de tal maneira que todos aqueles que estavam ao Seu redor viram a plenitude da Deidade. A Deidade em Sua plenitude simplesmente fluía Dele. A plenitude da Deidade não apenas habitava Nele, mas fluía Dele. Quando Ele vivia naquela casa de um carpinteiro em Nazaré, Ele era a corporificação da plenitude da Deidade. Ele era a própria corporificação da Deidade em sua plenitude, possuindo tudo que o Pai tinha. Em João 16:15 Ele nos disse que tudo que Deus Pai tinha era Dele. Ele herdou tudo o que Deus Pai tinha porque Ele viveu como a corporificação do Pai, Filho e Espírito. Até mesmo quando tinha doze anos de idade, Ele viveu de maneira que todos viam a plenitude da Deidade fluindo Dele. Aquilo não era meramente Sua obra ou Seu ministério, mas Seu viver. Ele viveu expressando a plenitude da Deidade; portanto, Ele pode dizer: “Quem Me vê a Mim, vê o Pai” (Jo 14:9).

O Tabernáculo e o Templo de Deus
O Filho viveu como o tabernáculo de Deus e como o templo de Deus (Jo 1:14a; 2:21). Ele era a habitação de Deus. A vida de todo cristão deve ser assim. Quando vivemos, devemos viver como habitação de Deus. Devemos viver de tal maneira que as pessoas possam ver a habitação de Deus no nosso viver. Nossa vida diária deveria ser o tabernáculo de Deus. Quando trabalhamos na escola ou no escritório, as pessoas deveriam conseguir ver Deus na nossa vida diária.

Coinerir com o Pai
O Filho também estava coinerindo com o Pai. Coinerir significa simplesmente habitar um no outro. O Pai habita no Filho e o Filho habita no Pai (Jo 14:10a, 11a; 17:21). Quando o Filho viveu nesta terra, Seu viver era um habitar mútuo. Ele habitava no Pai e o Pai habitava Nele.

Um com o Pai
O Filho era um com o Pai (Jo 10:30; 17:22). O Filho, quando viveu nesta terra, viveu uma vida que mostrava às pessoas que Ele e o Pai eram um. Todos devemos viver uma vida que mostre às pessoas que nós e Cristo somos um. Devemos ser um com Jesus.

Ter o Pai Nele
No viver do Filho, Ele tinha o Pai com Ele, por isso Ele nos disse que nunca estava só (Jo 8:29; 16:32). Ele tinha o Pai consigo o tempo todo. Também devemos viver uma vida na qual o Senhor está conosco o tempo todo.

Viver Por Causa do Pai
O Filho viveu por causa do Pai (Jo 6:57). Ele não viveu Sua própria vida, mas a vida do Pai. Também podemos viver uma vida que não somos nós mesmos, mas Cristo. Deveríamos viver uma vida que não somos nós, mas Cristo. Paulo disse: “Estou crucificado com Cristo: logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl 2:19b-20a). Todos nós podemos viver por causa de Cristo (Jo 6:57b). O Senhor Jesus era o Filho vivendo o Pai; agora nós devemos viver Cristo (Fp 1:21a).

Ungido pelo Pai com o Espírito
O Filho também foi ungido pelo Pai com o Espírito (Mt 3:16-17; Lc 4:18a). Tudo que o Filho faz, Ele o faz com o Pai pelo Espírito. Quando o Pai ungiu o Filho, o Pai não voltou para os céus. Ele permanecia com o Filho o tempo todo, e Ele ungiu o Filho com o Espírito. Então, um dia o filho disse que o Espírito do Senhor estava sobre Ele e que Ele fora enviado para proclamar boas novas (Lc 4:18a). Ele proclamou as boas novas com o Pai e pelo Espírito.

Um Modelo de Vida Cristã e de Vida da Igreja
Devemos ver uma visão a respeito do Deus Triúno corporificado no Homem, um Homem que viveu a vida do Deus Triúno. A encarnação foi o dispensar do Deus Triúno para dentro da humanidade, e o viver do Filho foi o resultado de tal dispensar. O Homem Jesus foi um modelo, confirmando-nos que o dispensar do Deus Triúno para dentro da humanidade funciona! Na história da humanidade houve pelo menos uma Pessoa que foi o resultado do dispensar de Deus e que viveu uma vida da natureza divina mesclada com a vida da natureza humana.

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Quando era mais jovem, eu me perguntava por que nosso Deus precisou tornar-se um Homem para viver nesta terra por trinta e três anos e meio. Durante trinta anos Ele viveu na casa de um carpinteiro. Aparentemente Ele não fazia nada; simplesmente vivia ali. Para mim, isso não era necessário. Precisamos de um Salvador e de um Redentor, por que o nosso Senhor precisou viver nesta terra durante trinta anos, aparentemente nada fazendo? Até mesmo a obra do Senhor Jesus durante três anos e meio não envolveu tanta coisa; Ele viajava principalmente na Palestina, uma faixa estreita de terra de uns quinhentos quilômetros de norte a sul e uns cento e sessenta quilômetros de largura. Por fim, Ele reuniu apenas cento e vinte pessoas (At 1:15). Entre esses cento e vinte não havia um sequer com título de doutor. A maioria era inculta, alguns eram pescadores, e havia um grupo de mulheres, uma das quais havia sido possuída por sete demônios. Aparentemente, Jesus não fez muito de obra. Na verdade, Ele fez algo muito significante. Ele viveu uma vida que é um modelo, um padrão da vida cristã e da vida da igreja. Isso mostra que Deus não valoriza tanto o que fazemos. Ele valoriza Seu dispensar e quanto do dispensar divino foi transmitido para o nosso ser. Jesus era totalmente o agregado do dispensar divino, a corporificação do dispensar divino. Ele viveu uma vida como Homem saturado com o Deus Triúno. Seu viver era a expressão do dispensar divino. Ele viveu em Nazaré durante trinta anos não fazendo obra alguma porque Seu encargo e Sua intenção não era fazer obra, mas viver uma vida que era o resultado do dispensar divino. Em cada página dos quatro Evangelhos podemos ver um retrato do dispensar divino vivido por esse Homem Jesus.

Trabalhar com o Pai
A maioria dos jovens não gosta de trabalhar com seu pai porque ele pode restringi-los com repreensões. Mas Jesus nunca fez trabalho algum sem o Pai. Ele sempre trabalhou com o Pai (Jo 14:10b; 5:17, 19). Trabalhar com o Pai exige negação absoluta do eu. Cristo negou a Si mesmo para trabalhar com o Pai. Na vida da igreja hoje, precisamos trabalhar sempre com o Pai.

Trabalhar no Nome do Pai
O Filho trabalhou no nome do Pai (Jo 10:25). Trabalhar no nome do Pai significa que não sou eu que trabalho, mas trabalho como o Pai. Quando esse Homem viveu nesta terra, Ele era o Filho com o Pai pelo Espírito, vivendo para estabelecer um padrão de maneira que o homem pudesse uma vida mesclada com o Deus Triúno. Pelo menos um Homem na humanidade foi bem sucedido em viver tal vida. Milhares de homens que possuem a vida divina deveria seguir esse Homem a fim de viver uma vida que é o resultado do dispensar divino.

Fazer a Vontade do Pai
O Filho deixou Sua vontade de lado e tomou a vontade do Pai. Portanto, Ele fez a vontade do Pai (Jo 5:30; 6:38). Em João 6:38 o Senhor diz: “Porque Eu desci do céu, não para fazer a Minha própria vontade, e, sim, a vontade Daquele que Me enviou”.

Falar a Palavra do Pai
O Filho jamais falou sua própria palavra. Tudo que o Filho falava era o Pai falando (Jo 14:24; 7:16-17; 12:49-50).

Buscar a Glória do Pai
Com Cristo não havia base para o ego. Ele não buscava sua própria glória, mas a do Pai (Jo 7:18).

Expressar o Pai
Finalmente, o Filho expressou o Pai (Jo 14:7-9). Não é de se admirar Ele ter dito: “Quem Me vê a Mim, vê o Pai” (14:9). Ele era um com o Pai. Ele não tinha obra, vontade, palavra, glória nem ambição para Si mesmo. Ele apenas expressava o Pai. O Deus Triúno foi expressado nesse Homem. Isso foi o resultado do dispensar divino no primeiro homem da nova criação. Esse foi o primeiro homem na história da humanidade que era o resultado do dispensar divino. Esse resultado se desenvolverá e esse dispensar irá para milhares de pessoas escolhidas por Deus. Todas elas viverão uma vida que é o resultado do dispensar divino. Esse é o viver do Filho na terra.

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