ESTADO DE MINAS - QUINTA-FEIRA, 6 DE MARÇO DE 2003

PÁGINA 19

GERAIS

❚ AFOGAMENTOS

NÚMERO DE MORTOS EM RIOS E LAGOAS REGISTRADO DURANTE O CARNAVAL CHEGA A 40 E SURPREENDE A PRÓPRIA CORPORAÇÃO. EM RELAÇÃO AO MESMO PERÍODO DO ANO PASSADO, HOUVE UM AUMENTO DE MAIS DE 37%. ABUSO DE ÁLCOOL É APONTADO COMO A CAUSA PRINCIPAL

Recorde assusta até bombeiros
TELMA GOMES

O número do Corpo de Bombeiros referente a ocorrências de afogamento durante o Carnaval, em todo o Estado, são alarmantes e chegaram a surpreender a própria corporação, conforme estatísticas divulgadas ontem pela manhã. “Tivemos 34 ocorrências, que resultaram em 36 mortes. Porém, temos ainda o resgate de outros corpos em andamento. Outros cinco cadáveres foram resgatados em mananciais, mas são casos que não podem ser classificados como de afogamento, porque havia sinais de violência”, destacou o major Paulo Adriano Cunha. À noite, o Centro de Operações dos Bombeiros já computava 39 corpos resgatados, sem contar a morte de uma criança numa piscina de um sítio em Lagoa Santa, Região Metropolitana de BH, não registrada nas estatísticas oficiais. No mesmo período do ano passado, o Corpo de Bombeiros registrou 29 ocorrências, com 29 mortes. Comparado com as estatísticas já registradas até a noite de ontem, o número de vítimas de afogamentos bateu em mais de 37% o registrado no ano passado. Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, ocupou o primeiro lugar em número de mortes, com sete vítimas, seguido de Divinópolis, na região Centro-Oeste, com seis mortos. A capital ficou em terceiro lugar, com cinco casos registrados na região da Pampulha. O assessor de imprensa do Corpo de Bombeiros, major Paulo Cunha, ressaltou que o elevado

número de rios, lagos, cachoeiras e represas no território mineiro levou a corporação a promover dois trabalhos preventivos este ano: a Operação Veranico, destinada exclusivamente a evitar afogamentos, e a Operação Carnaval, representada pelo deslocamentos de bombeiros para áreas que não têm guarnição local. Vinte duas vítimas de afogamento são adultas, o que corresponde a 79% do total de mortos. O registro da morte de sete crianças, equivalente aos 21% dos casos, no entanto, deixou os bombeiros preocupados. “Em dois casos, as vítimas eram crianças de apenas 2 anos. Tivemos ainda o trágico caso da morte de dois garotos de 11 anos a 14 anos. Isso mostra que é preciso investir em um trabalho de conscientização dos pais, que devem ser os primeiros a evitar que seus filhos coloquem a vida em risco, nadando em locais não apropriados.” O consumo exagerado de bebidas alcoólicas é apontado como o principal motivo das mortes por afogamento, entre os adultos. “A pessoa insiste em nadar após ingerir bebidas, e acaba se afogando, em decorrência da perda da coordenação motora e de outros efeitos nocivos do álcool. Para se ter uma idéia, 2.330 bombeiros atuaram em Minas durante este feriado. Ontem , somente na Várzea das Flores, onde pretendíamos manter 63 homens no trabalho preventivo, precisamos dispor de mais de 100 bombeiros, até o final do dia, para atender à demanda”, conclui o major. (Com LH)

Cinco pessoas atropeladas em ponto de ônibus
LANDERCY HEMERSON

RENATO WEIL

ESPERA E POEIRA

Quem tentou voltar a BH pela 040 enfrentou filas no asfalto e congestionamento no trecho de terra

Tumulto no desvio da BR-040
ISADORA CAMARGOS

SIDNEY LOPES

CAPITAL

No acesso pela BR-381, motoristas enfrentaram trânsito lento

Estradas menos violentas
ANA CAROLINA SELEME

O viaduto interditado no km 616 da BR-040, na altura de Congonhas, causou transtornos a motoristas e moradores de cidades vizinhas, obrigados a conviver com desvios improvisados na rodovia que liga Belo Horizonte ao Rio de Janeiro. Ônibus e caminhões têm que passar por Conselheiro Lafaiete, Ouro Branco e Congonhas, o que aumenta o percurso em 33 quilômetros. Porém, moradores de Lafaiete estão preocupados com o impacto provocado pelo tráfego pesado no Centro da cidade. Veículos menores podem optar pelo desvio em uma via de terra, ao lado do viaduto, enfrentando um acréscimo de dois quilômetros. Ontem, o trecho estava aberto apenas para quem seguia no sentido Rio-BH. Com o aumento do número de carros retornando à capital mineira, foi registrado engarrafamento de até cinco quilômetros durante todo o dia na rodovia. Houve congestionamento também nas ruas de Lafaiete. O transtorno levou o presi-

dente da Câmara de Conselheiro Lafaiete, Wanderley José de Faria, a enviar ontem ofício ao ministro dos Transportes, Anderson Adauto, e ao Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit). Ele solicitou a imediata reforma dos pilares abalados do viaduto, depois do acidente da última sexta-feira, quando um caminhão despencou sobre a linha férrea e foi arrastado por um trem até se chocar com os pilares de sustentação. O Centro de Lafaiete, de acordo com Faria, não comporta tanto movimento nem tanto peso, porque as ruas são estreitas. O resultado do improviso são estragos em passeios e ruas, causados pela passagem das carretas. A guarda municipal foi deslocada para orientar os motoristas, pois não há placas para a sinalização. Durante a noite, conta o vereador, pode-se ouvir os caminhões que se perdem no desvio transitando por toda a cidade. Faria acusa o Dnit pelo transtorno. “Dizer que o Dnit está em recesso carnavalesco

não se justifica, pois trata-se de uma emergência. É a mesma coisa que os hospitais públicos pararem em dias de feriado”, reclama o vereador, acrescentando que a população ameaça bloquear o tráfego de caminhões.

Cinco pessoas ficaram feridas, duas em estado grave, em um atropelamento ontem, pela manhã, em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de BH. O acidente foi provocado pelo motorista do Palio placa GZK 8533, de BH, o contador Luiz Cláudio Vieira Cuarcio, de 31 anos, que disse ter dormido ao volante. Policiais rodoviários suspeitaram do consumo de bebida alcóolica acima do permitido e o encaminharam ao distrito policial do município, onde teve sua CNH apreendida. O atropelamento aconteceu às 7h15 de ontem, no km 95 da rodovia MG-010, em Jaboticatubas. Luiz Cláudio retornava da Serra do Cipó, onde passou o feriado de Carnaval, quando perdeu o controle de seu Palio e atingiu as pessoas que estavam em um ponto de ônibus. O motorista, em estado de choque, foi levado a um hospital para ser medicado e ter amostra de sangue coletada para exame de teor alcóolico. Walter Luiz Pereira, de 30, com lesão na coluna e cabeça, recebeu primeiros cuidados em Lagoa Santa e teve que ser transferido para o Hospital de ProntoSocorro João XXIII, devido à gravidade de seu estado. A estudante Lady Diane Martins Miranda, de 13, teve fratura na perna esquerda e traumatismo craniano. Ela e sua mãe , a dona de casa Josita Alves Miranda, de 46, foram levadas para o Hospital Odilon Behrens. Ainda ficaram feridos Sérgio Adriano de Souza, de 26, e Márcio de Jesus Siqueira, de 22, que foram medicados e liberados. No resgate dos feridos foi utilizado até mesmo um helicóptero da Polícia Militar.

SEM JUSTIFICATIVA
A assessoria de comunicação do Dnit informou que há um plantão nos feriados para resolver as emergências, mas não soube justificar porque ainda não foram tomadas providências para restabelecer o tráfego na BR-040. (Com LH)

A Polícia Rodoviária Federal espera fechar sua operação de Carnaval com redução de 24% dos acidentes nas rodovias mineiras. Um fato inédito nos feriados prolongados dos últimos dez anos era comemorado até o começo da noite de ontem: nenhum acidente com vítima fatal tinha sido registrado por um período superior a 48 horas. Num balanço preliminar deste Carnaval, foram apuradas 11 mortes e 211 pessoas feridas na rodovias federais, contra 23 mortos e 229 feridos em igual período no ano passado. Já o balanço da Polícia Militar registrou 33 mortes em 354 acidentes em rodovias estaduais e algumas federais de sua atuação, contra 39 vítimas fatais nos 304 acidente de 2002.

Os mineiros que escolheram as praias capixabas para passar o Carnaval enfrentaram trânsito lento ontem, na volta para casa. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), em trechos das BRs 262 e 381, um desvio e dois estreitamentos de pista aumentaram o período da viagem em quase duas horas. A PRF estima que 250 mil veículos retornaram para Belo Horizonte da noite de terça-feira até ontem. Na Rodoviária da capital, o movimento foi intenso das 5h às 8h de ontem. A BHTrans fez modificações no trânsito pela manhã, nas imediações do terminal, que serão mantidas na manhã de hoje, período em que, de acordo com a administração da rodoviária, o movimento também deverá ser intenso. (Com LH)