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ESTADO DE MINAS - DOMINGO, 29 DE JUNHO DE 2003

GERAIS

❚ REPRISE

TESTEMUNHAS AFIRMAM QUE PATRULHEIROS DA POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL INTERDITARAM PISTA DA BR 381, NA REGIÃO METROPOLITANA, COM VIATURA, DURANTE PERSEGUIÇÃO A MOTOQUEIRO. FALTA DE SINALIZAÇÃO APÓS CURVA PROVOCOU BATIDA QUE FERIU UM CAMINHONEIRO

Operação policial causa acidente
FÁBIO FABRINI

Menos de dois meses depois de provocar um acidente no Anel Rodoviário de Belo Horizonte, outra ação policial pode ter causado uma batida, ontem, que, por pouco, não se transformou em uma tragédia. Uma barreira formada por duas viaturas da Polícia Rodoviária Federal (PRF) é acusada de ser a responsável pelo choque entre dois caminhões na BR-381, em São Joaquim de Bicas, Região Metropolitana de Belo Horizonte. O acidente deixou um homem gravemente ferido. A batida aconteceu às 15h30, quando os policiais que dirigiam as viaturas 54.210 e NOE-2, da PRF, cercaram um motoqueiro no Km-497 da rodovia, no sentido São Paulo-Belo Horizonte. Conforme testemunhas, os agentes atravessaram um dos carros na pista, no trecho após uma curva, para fazer a abordagem. O caminhão Mercedes-Benz, placa GNV-4249, de Sete Lagoas, que vinha atrás, desviou da barreira repentinamente e bateu na traseira da carreta de placa GKV2924, de Igarapé. O veículo só parou 100 metros adiante, após subir na mureta de proteção central e cair na vala, que separa as duas pistas. Com a violência do choque, a cabina da carreta ficou totalmente destruída. O motorista Paulo Henrique Silva, de 30 anos, sofreu fratura na perna esquerda e lesões no tórax, sendo encaminhado para o Hospital Regional de Betim. O filho dele, Paulo Roberto Silva Santos, de 9 anos, escapou ileso. De acordo com o pedreiro Marcelo Henriques Bino, de 29,

que vinha de bicicleta no sentido oposto ao acidente, a traseira de uma das viaturas invadiu a pista direita da estrada, que não estava sinalizada. “Eles atravessaram na frente da moto e ainda ficaram uns dez minutos conversando com o motoqueiro. Podiam ter encostado, mas não fizeram nada. Depois que os caminhões bateram, liberaram o rapaz”, contou. O chefe do plantão da PRF, que estava em um dos carros, Paulo Rosa, alegou que parou no acostamento e que a batida foi provocada porque o caminhão estava com excesso de peso, não conseguindo frear quando o veículo que estava na frente reduziu a velocidade. “Nós verificamos 5,7 mil quilos além da capacidade de carga, que é de 26 toneladas”, observou, apresentando as notas fiscais do material. O policial disse que o motoqueiro abordado, um sargento da Polícia Militar, não estava em situação irregular. “Por isso, ele foi liberado e não temos os dados dele”, explicou, sem dizer, no entanto, qual razão teria motivado a ação. A versão dos moradores é outra: “O moço que eles seguiam estava sem capacete”, rebateu um homem que trabalha nas proximidades e não quis se identificar, temendo represálias. A batida provocou um engarrafamento de 1,5 quilômetro no sentido BH-São Paulo. A carga transportada, 31,7 toneladas de minério de ferro, ficou espalhada sobre a rodovia, interditando uma das pistas. Foi preciso chamar dois guinchos para retirar o caminhão. Até o início da noite de ontem, a remoção não havia sido feita.

PESO

Policiais negam responsabilidade e alegam que o choque entre os dois caminhões foi causado por excesso de carga

GUALTER NAVES

Ação semelhante deixa três mortos no anel
Em 2 de maio último, uma operação desastrada de perseguição policial no Anel Rodoviário, próximo ao Shopping Del Rey, resultou na morte de três pessoas carbonizadas, após o engavetamento de vários veículos. De acordo com a Polícia Civil, o cabo Marcelo Antônio Ferreira, de 39 anos, e o sargento Alexandre Cláudio de Souza, de 32, lotados na 8ª Companhia do 34º Batalhão da Polícia Militar, interditaram uma das pistas do Anel, na tentativa de interceptar três homens, que estariam em fuga, num Escort cinza sem placa. Para o bloqueio da rodovia no sentido Rio de Janeiro-Vitória, os militares usaram dois caminhões, que foram parados por eles. No entanto, não houve qualquer outra sinalização advertindo da formação da barreira. Entre os veículos que se envolveram no engavetamento estava uma carreta carregada de solventes que, com o impacto, explodiu. Além dos mortos, seis pessoas ficaram feridas. A Polícia Civil concluiu que os militares Marcelo e Alexandre Cláudio foram responsáveis pelo acidente. A Polícia Militar disse que ainda aguarda o laudo para fechar as investigações.