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ESTADO DE MINAS - QUARTA-FEIRA, 8 DE OUTUBRO DE 2003

GERAIS

❚ RODOVIAS

COM O DESAFIO DE REPARAR AS PISTAS SEMIDESTRUÍDAS EM DIVERSOS PONTOS DO ESTADO, FORÇA-TAREFA CRIADA PELA SECRETARIA DE ESTADO DE TRANSPORTES E OBRAS PÚBLICAS COMEÇA A ATUAR E ANUNCIA PLANTÃO 24 HORAS PARA ACOMPANHAR A SITUAÇÃO NAS RODOVIAS QUE CORTAM MINAS

Iniciado plano de emergência
A força-tarefa criada pela Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop) para executar o Plano Estratégico Emergencial para estradas começou a atuar ontem, com um grande desafio pela frente. A Gestão Executiva e de Mobilização se reuniu à tarde para definir detalhes do plano de ações que visa recuperar os inúmeros trechos danificados nas rodovias que cortam o Estado. A prioridade será recuperar as BRs, por comportarem 70% do tráfego. Além da operação tapa-buraco, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) promete investir na recuperação de acostamentos e pontes (veja no mapa algumas das intervenções). Quarenta postos regionais do DER estão em esquema de plantão 24 horas para acompanhar a situação e fazer atendimento de emergência. Formada por 27 entidades públicas e privadas, a força-tarefa foi criada para minimizar os estragos causados pelas últimas chuvas nas rodovias estaduais e federais, além de prevenir danos no próximo período chuvoso. De acordo com o secretário de Estado de Transportes e Obras Públicas, Agostinho Patrus, a ação vai proporcionar maior mobilidade na manutenção das rodovias. “Se cair uma barreira em determinado local, com o plantão, meia hora depois será possível ter máquinas se deslocando para lá”, ressalta. De acordo com a Setop, desde abril – quando a secretaria assinou convênio com o Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit) para recuperar 3.206 quilômetros das rodovias federais de Minas – 60% da malha recebeu a operação tapaburacos, com investimentos de R$ 15 milhões do governo federal e R$ 3 milhões do estadual. Nas estradas estaduais, 7 mil quilômetros foram recuperados. Para evitar que a chuva provoque mais estragos este ano, a Setop firmou uma parceria com a Cemig – que vai informar a previsão do tempo e a proximidade de chuvas ao DER com cinco dias de antecedência.

RISCO
Apesar da operação de emergência, a situação permanece crítica em vários trechos das rodovias federais que cortam o Estado (veja quadro). No Km 280 da BR381, próximo a Jaguaraçu (Vale do Aço), por exemplo, uma cratera tomou conta da pista – que pode ser interditada se chover. Na BR-267, Km 139, uma erosão no asfalto provoca risco de acidentes para quem segue em direção a Caxambu. Na BR-040, no Km 741, um trecho de 400 metros com grandes buracos e uma erosão perigosa ameaça quem vai para o Rio de Janeiro. A falta de avisos nas estradas também prejudica os motoristas. No trecho do Km 154 ao Km 150 da BR-262, em direção ao Espírito Santo, há ondulações e erosões na pista, mas a sinalização é precária.

Defesa Civil lança projeto de prevenção
A Coordenadoria Estadual da Defesa Civil (Cedec) lança hoje, Dia Internacional para Redução de Desastres, o Plano de Emergência Pluviométrica 2003/2004. A campanha, organizada pela Secretaria de Estratégia Internacional para Redução de Desastres, da Organização das Nações Unidas (ONU), tem a intenção de atenuar os problemas causados por chuvas ou estiagem prolongadas em Minas. O plano foi criado para evitar a repetição de desastres como os ocorridos no início deste ano, quando 60 pessoas morreram vítimas de deslizamentos e desabamentos no Estado. De acordo com o diretor de comunicação social da Cedec, Major Rogério Andrade, a campanha visa conscientizar a população sobre a prevenção de acidentes e discutir as formas de prevenção contra

JUAREZ RODRIGUES / 18/09/2003

ESTADO CRÍTICO

Missão da equipe é restaurar estradas tomadas por buracos e ameaçadas pela erosão, como ocorre na BR-381

DESAFIO
ALGUNS PROBLEMAS NAS RODOVIAS FEDERAIS NO ESTADO BR-040 - TRECHO CONGONHAS
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Km 639 - Terra sobre a pista, buracos e acúmulo de água Km 524 - Deslizamento de meia pista na marginal

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Km 741 e 741,4 - buracos e erosão perigosa (sentido BH-Rio) Km 746 - Grandes buracos na pista (sentido BH-Rio)

BR-381 - SÃO GONÇALO DO RIO ABAIXO/BH
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Km 361 - Erosão com depressão na pista Km 495 - Afundamento da pista

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Km 280 - Trecho Jaguaraçu (Vale do Aço) - Pista interditada. Erosão e afundamento no centro da pista

BR-262
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Km 371 - Erosão na pista Km 154 a 150 - Ondulações na pista, com erosões e sinalização deficiente

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Km 11,8 - Erosão, atingindo um metro da pista Km 18 - Pista interrompida, desvio

BR-135 - NORTE DO ESTADO
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Km 503 - Erosão no acostamento, interditado e sinalizado Km 523 - Ponte sem parte do guarda-corpo

Obs: Acostamento precário em toda a extensão * Entroncamento com a BR-040,

BR-116 - KM 562 AO KM 613
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inundações e deslizamentos. O lançamento do Plano de Emergência Pluviométrica acontece

na sede do Departamento de Estado de Transportes e Obras Públicas (Deop).

Km 561 - Desmoronamento de pista com sinalização precária Km 563 - Problemas no acostamento em metade da pista, sem sinalização

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Km 565 - Queda de barreira, trânsito em metade da pista, sem sinalização Km 526 a Km 559 - Depressões, buracos e erosões na pista, com sinalização deficiente

Fonte: Polícia Rodoviária Federal

❚ CARBONIZADO

❚ TRENZINHO

PERÍCIA INVESTIGA CAUSAS DO INCÊNDIO EM CARRO MOVIDO A ÁLCOOL E GÁS NATURAL

Táxi pega fogo depois de batida e motorista morre
O motorista de táxi auxiliar Ademir Perdigão, de 43 anos, morreu carbonizado depois que o Corsa Sedan GTI 3640, que ele dirigia, bateu na traseira do ônibus 5561 (Fortaleza), na avenida Cristiano Machado, no bairro Guarani, região Norte de Belo Horizonte. Os dois veículos ficaram destruídos. A tragédia só não foi maior porque os ocupantes do ônibus, 14 ao todo, conseguiram deixar o coletivo a tempo. O táxi funcionava com sistema bicombustível: gás natural e álcool. Só o resultado da perícia realizada pela Polícia Civil poderá informar a causa do acidente, que ocorreu por volta das 5h. O motorista do ônibus, Abelo Gonçalves, de 42 anos, contou que tinha parado no ponto para pegar passageiros, quando escutou um barulho atrás do coletivo. “Virei para trás e só vi as chamas saindo do carro e o taxista preso. Desci e os passageiros vieram atrás”, lembrou Abelo. Parentes de Ademir disseram que ele estava quase retornando para casa, já que havia começado a trabalhar às 17h do dia anterior. Algumas pessoas levantaram a suspeita de que o incêndio tenha sido provocado por falhas no sistema movido a gás natural. O presidente do Sindicato dos Taxistas, Israel Pereira, não acredita nesta versão. “A batida foi muito violenta e todo o sistema de segurança do gás funcionou normalmente. O cilindro ficou intacto e a válvula de segurança travou, não deixando passar o combustível”, explicou Pereira. O sindicalista explicou que esse foi o primeiro incidente desde que foi adotado o sistema bicombustível nos carros, há cerca de cinco anos. Da frota de táxis da capital, 40% utiliza esse sistema, alternado com álcool ou gasolina. O motivo para a adesão é a economia. “De 8 a 10 quilômetros rodados gastase um metro cúbico de gás, que custa R$ 0,90. Para o mesmo percurso, gasta-se de R$ 1,85 a R$ 1,90 quando se usa a gasolina”, revelou Pereira. Desde o dia 1º de outubro, motoristas que usam o gás natural estão sendo obrigados a passar por uma vistoria para obter o selo do Inmetro. De

Acidente tem apuração administrativa e policial
A Prefeitura de Sete Lagoas anunciou ontem a abertura de inquérito administrativo para apurar as circunstâncias do acidente com o “trenzinho da alegria”, na cidade da região Central do Estado, a 70 quilômetros de Belo Horizonte, que feriu 44 crianças, entre 7 e 10 anos, e uma professora, durante um passeio em comemoração à Semana da Criança. A diretora da Escola Municipal Lucas Rodrigo, de onde era a turma envolvida no acidente, Maria Aparecida da Cunha, deverá esclarecer por que não comunicou aos pais sobre o passeio. Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, as crianças não poderiam ser retiradas da sala de aula sem autorização por escrito. A diretora da instituição não foi encontrada para comentar o assunto. A vice-diretora, Gilce Menezes, afirma que geralmente não é pedida autorização para passeios curtos e no mesmo bairro da escola. “Era uma surpresa que a escola queria fazer para as crianças”, afirma. A assessoria jurídica da prefeitura estuda uma forma de acionar a Fundação Lili Constantino, mantida pela empresa de Transportes Urbano, Rodoviário e Intermunicipal (Turi), responsável pelo “trenzinho da alegria”. Segundo a prefeitura, a fundação não tem licença para fazer o transporte de crianças. O gerente da Turi, Mário Henrique Fernandes, diz que a afirmativa da prefeitura “não é verdadeira”. Ele explica que a empresa tinha pedido autorização para poder cobrar o serviço de transporte no “trenzinho”, mas já tinha licença para prestar o serviço gratuitamente.

INQUÉRITO
As testemunhas do acidente e pais das crianças feridas serão ouvidos pelo delegado de acidente de veículos da cidade, Helton Aparecido Costa. O motorista Rubens Barbosa da Silva foi liberado após pagar fiança de R$ 150. Assustado e com medo da reação da população, que o acusava de estar em alta velocidade, o motorista se escondeu depois do acidente. A menina Gabriele Sanches, de 9 anos, que teve a mão esmagada no acidente, foi operada no Hospital de Pronto Socorro João XXIII. A cirurgia, que durou mais de nove horas e envolveu a implantação de pinos, deve garantir a manutenção dos movimentos nas articulações atingidas.

SIDNEY LOPES

MEDO

Corsa e ônibus ficaram totalmente destruídos. Passageiros escaparam
acordo com Ricardo Parreiras, gerente do Sistema Especializado em Inspeção Veicular (Seiv), esse sistema é seguro e confiável. “Provavelmente, ocorreu outro problema no motor”, afirmou. O caso será investigado pela Delegacia Especializada de Acidentes de Veículos.