ESTADO DE MINAS - QUARTA-FEIRA, 26 DE NOVEMBRO DE 2003

PÁGINA 23

GERAIS

❚ SUSTO

❚ VISTORIA

Pombo obriga avião a voltar a aeroporto Presídios interditados
Um Airbus A 319 da TAM foi obrigado a retornar ao aeroporto de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, logo após a decolagem, na manhã de ontem. A aeronave seguia com 69 passageiros para São Paulo, quando um pombo entrou em uma das turbinas. O avião, de acordo com informações passadas pela assessoria de comunicação da TAM, decolou às 8h12 e logo em seguida, o piloto percebeu o problema. Como determinam as normas de segurança, o comandante retornou ao aeroporto e fez uma aterrissagem tranqüila. A assessoria informa que os danos não foram graves e a aeronave volta a operar ainda hoje. Os passageiros não perceberam o problema e, por isso, não houve tumulto. Eles foram transferidos para outro avião e seguiram para o aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Segundo o comandante Ronaldo Jenkins, coordenador da Comissão de Segurança de Vôo do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (SNEA), as empresas aéreas têm registrado prejuízos devido ao número de ocorrências envolvendo aves. “Exemplo disso, foi o que aconteceu no início deste ano, em Guarulhos, com uma aeronave da Varig. O conserto da turbina ficou em US$ 750 mil”, afirma. Segundo ele, o colisão de um urubu (sempre presente nas estatísticas) de aproximadamente 1,5kg contra um avião a 400 km/h pode causar impacto de 7 toneladas. Quando o acidente acorre ainda na decolagem, há maiores chances de retornar à pista. “Há possibilidade de encontrarmos aves no alto, o que é muito mais raro e mais perigoso”, diz o presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Marcelo Eustáquio de Oliveira. Segundo Jenkins, o sindicato, em parceria com a Infraero e o Semav, divisão do Ibama que cuida das questões relativas às aves do Brasil, criou um projeto para retirar os pássaros que vivem próximo aos aeroportos. Os trabalhos começarão a ser desenvolvidos em São Paulo. O comandante afirma que várias espécies de aves fogem das áreas de desmatamento no interior e migram para as cidades, onde é mais fácil encontrar alimento. O principal inimigo dos pilotos são os urubus, que se concentram sobre áreas urbanas e de aterro. Os aeroportos brasileiros que mais sofreram com os impactos de aves com aviões do início de 2000 até julho deste ano são os de Cumbica, em Guarulhos (SP), com 124 ocorrências; Tom Jobim, no Rio, com 80; e o de Porto Alegre, com 60 registros.
LANDERCY HEMERSON

JUSTIÇA FECHA PENITENCIÁRIA DE UBERABA, ONDE CELAS ESTÃO DESTRUÍDAS, E TENTA TRANSFERIR PRESOS PARA OUTRA INAUGURADA EM UBERLÂNDIA, QUE TAMBÉM NÃO PODE RECEBER CRIMINOSOS

por falta de segurança
A penitenciária de Uberaba, no Triângulo Mineiro, que abriga 260 presos, será interditada, a partir de hoje, por ordem do juiz da Vara de Execuções Criminais, Sidnei Ponce. Ontem à noite, ele negociava a possível transferência dos presos para a nova penitenciária de Uberlândia, que foi interditada por ordem da Justiça Federal no dia de sua inauguração, após a constatação da falta de segurança e outras irregularidades no prédio A liminar do juiz Osmar Vaz de Mello da Fonseca Júnior, da 1ª Vara Federal, suspendeu a transferência de presos, para a recém-inaugurada penitenciária Doutor João Pimenta da Veiga, em Uberlândia, na quinta-feira. A decisão determinou a realização de inspeção no prédio, por uma comissão de técnicos e representantes do Judiciário estadual e federal, amanhã. Com a possível transferência dos presos do “cadeião” de Uberaba, a vistoria pode ser antecipada para hoje. O juiz Sidnei Ponce e o promotor da Vara de Execuções de Uberaba, André Tuma, constataram que das 14 celas do “cadeião”, apenas quatro não foram danificadas e têm condições de abrigar os detentos. O restante foi destruído em rebelião, na segunda-feira. O pedido de liminar para interdição da nova penitenciária de Uberlândia foi apresentado em ação ajuizada pela Procuradoria da República no município, que, por meio de laudo da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Uberlândia, apontou erros na execução da obra. Ontem, o procurador Cléber Eustáquio Neves, autor da ação, afirmou que as irregularidades seriam erros de projetos. Ele disse que alertou seus colegas da capital para a possibilidade de que outras duas unidades prisionais recém-inauguradas, em São Joaquim de Bicas, na

MANOEL SERAFIM/CORREIO DE UBERLÂNDIA

URGÊNCIA

Unidade, que tem 400 vagas, vai passar por vistoria amanhã
Grande BH, e Pará de Minas, Centro-Oeste, possam apresentar os mesmos problemas. “O projeto é padrão para a construção das 11 penitenciárias; na unidade de Uberlândia, constatou-se a falta de impermeabilização nos banheiros das celas do segundo pavimento e trinca no piso, que foi construído em cimento sem espaço para dilatação. Quanto à segurança, em algumas partes dos muros, não há “concertina”, arame farpado para dificultar fuga”, disse.

Subsecretário descarta erros na construção
O subsecretário de Administração Penitenciária, Agílio Monteiro, confirmou, ontem à tarde, que a transferência de presos para a nova penitenciária dependeria da vistoria de amanhã. “Tudo que foi apontado pelo Ministério Público Federal foi atendido; algumas coisas, como mangueiras de incêndio danificadas, foi conseqüência do uso indevido pelos operários; problemas como o piso, a construtora já está resolvendo”, explicou. À noite, ele não foi encontrado para falar se de fato ocorreria uma desinterdição emergencial. Agílio Monteiro descartou ainda um possível erro de projeto, que poderia comprometer também as penitenciárias Jason Albergaria, em São Joaquim de Bicas, e Pio Canedo, em Pará de Minas. De acordo com ele, em Bicas ocorreu uma antecipação das obras, depois que presos destruíram o Ceresp de Betim durante rebelião. “Faltavam alguns detalhes, como a impermeabilização do piso dos pavimentos superiores; com isso, ocupamos até agora 172 vagas das 400 da unidade, até a conclusão de todos detalhes. Já a penitenciária de Pará de Minas deve receber presos a partir do dia 13 do próximo mês, com o término do curso de preparação dos agentes”, afirmou o subsecretário.

❚ CONTRAMÃO
MANOEL SERAFIM/CORREIO DE UBERLÂNDIA

CARRETA COM 28 MIL LITROS DE ÓLEO TOMBA E INTERROMPE TRÁFEGO POR VÁRIAS HORAS

RISCO

Ave entrou na turbina do Airbus, após decolagem em Uberlândia

❚ ROUBO DE CARGAS

Acidente congestiona a Fernão Dias
Um acidente com uma carreta carregada com 28 mil litros de óleo de caldeira, que seguia para Niquelândia (GO), provocou engarrafamento de pelo menos dez quilômetros nos dois sentidos da BR-381, que liga Belo Horizonte a São Paulo, na altura do bairro Jardim Alterosa, em Betim, região metropolitana, no final da tarde de ontem. Motoristas, a maioria caminhoneiros, ficaram mais de cinco horas esperando a liberação parcial das pistas. O motorista da carreta placa GRE 6341, de Anápolis (GO), Carlos José de Almeida, de 45 anos, havia acabado de carregar o tanque na Refinaria Gabriel Passos. Ele seguia pela marginal, paralelo à Fernão Dias e, ao entrar na avenida Campo de Ourique, no bairro Jardim Alterosa, se deparou com uma van que seguia pela contramão. De acordo com testemunhas, a fim de evitar a batida, Carlos fez uma manobra brusca e capotou. O óleo se espalhou pela avenida e desceu até a rodovia, que foi interditada nos dois sentidos. Muitos caminhoneiros estavam preocupados com o horário em que conseguiriam entregar as mercadorias que transportavam. Ao todo, 60 pessoas entre bombeiros, funcionários da Defesa Civil, Petrobrás, Ibama, Polícia Ambiental e Polícia Rodoviária Federal se mobilizaram para liberar a rodovia. Eles usaram serragem para cobrir a pista, devido à quantidade de óleo derramado, e usaram tratores para agilizar o trabalho. Por volta das 22h30, a pista no sentido São Paulo-Belo Horizonte foi parcialmente liberada e, segundo os bombeiros, o outro lado só estaria livre após a 1h de hoje. O motorista e sua filha sofreram ferimentos leves e foram encaminhados para o Hospital de Betim.

COMISSÕES APURAM ENVOLVIMENTO DE DETETIVES COM QUADRILHA NO TRIÂNGULO

Assembléia investiga cinco policiais civis
Cinco policiais que trabalhavam com o delegado Alexandre Luís Pimenta, na Delegacia de Prata, no Triângulo Mineiro, a 621 quilômetros da capital, estão sob suspeita de ligação com quadrilha de roubo de caminhões e cargas na região. Em audiência, ontem à tarde, na Assembléia Legislativa, testemunhas ouvidas pelos parlamentares das comissões de Diretos Humanos e de Segurança Pública, informaram que pelo menos três detetives participaram diretamente das ações do delegado, enquanto os outros tinham conhecimento dos crimes. A quadrilha causou prejuízo de pelo menos R$ 2 milhões a transportadores e empresas do Triângulo, interior de São Paulo, Goiás e Mato Grosso. Três integrantes do grupo foram presos em flagrante num desmanche, na empresa Pradiesel. Num terreno nos fundos do Guincho Prata, que pertence à mulher do delegado, foram apreendidos oito mil litros de óleo diesel roubados e veículos desmanchados. O deputado Durval Ângelo (PT), que preside a Comissão de Direitos Humanos, admitiu ontem a possibilidade de que caminhoneiros tenham sido executados pela quadrilha. Segundo ele, são vários os crimes em que o grupo estaria envolvidos, conforme revelaram as testemunhas ouvidas ontem, sob sigilo, e na audiência pública promovida na semana passada em Prata. “Estamos confirmando a tese polêmica, de que o crime organizado só existe quando tem um braço institucional do Estado, seja de qualquer um dos poderes. Em Prata, havia uma filial do crime organizado, que a 500 quilômetros de distância era conhecida por caminhoneiros”, ironizou o parlamentar. Já o presidente da Comissão de Segurança, Sargento Rodrigues (PDT), tentava, no começo da noite, contato telefônico com o chefe da Polícia Civil, delegado Otto Teixeira, em viagem pelo Norte de Minas. Ele admitiu que ainda ontem poderiam ser encaminhados os pedidos de prisão preventiva de cinco detetives que atuaram em Prata.

AUREMAR DE CASTRO

PACIÊNCIA

Engarrafamento chegou a dez quilômetros, enquanto máquinas limpavam as pistas nos dois sentidos

ÔNIBUS
Dois ônibus escolares bateram de frente, no início da tarde de ontem, na região Leste da capital. O motorista José Martins Fernandes, de 75 anos, do ônibus placa GVP 3274, alegou que subia a rua São Vicente para levar algumas crianças para o abrigo Granja de Freitas. No sentido contrário vinha o ônibus placa GPC4403, conduzido por Geraldino Costa Pereira, de 32. José conta que se assustou com um rapaz de bicicleta que pegava carona na traseira do veículo. Para não cair no abismo, jogou o carro para o meio da pista e colidiu com o outro coletivo que, com a batida, perdeu o freio. Oito crianças foram encaminhas para o HPS com ferimentos leves. Os motoristas nada sofreram.

Valor do pedágio é reduzido na BR-040
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região cassou, ontem, liminar concedida à Concer – concessionária que administra a BR-040 no trecho entre Rio de Janeiro e Juiz de Fora – que permitia o aumento da tarifa de pedágio de R$ 5,50 para R$ 5,80. Diante da decisão judicial, a Agência Nacional de Transportes Terrestres determinou à Concer que volte a praticar a tarifa básica de pedágio, no valor de R$ 5,50. A alteração tarifária do pedágio vinha sendo praticada desde o dia 19, como resultado de decisão judicial concedida em favor da Concer, pela 14ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal. A agência recorreu da decisão, em defesa do usuário e para garantir a manutenção do pacto estabelecido entre a concessionária e o poder público no ato da concessão, em 1996. Segundo o desembargador Souza Prudente, a intenção da ANTT em defender a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão “encontra suporte no instrumento contratual firmado entre as partes e que se realizou somente após exaustivas discussões, sem êxito ante o descumprimento, pela empresa, de inúmeros encargos contratuais”.

INTERIOR
“Estamos vendo repetir em Prata um quadro registrado em Teófilo Otoni e Ubá; a permanência de um delegado por um longo período numa mesma unidade policial no interior é perniciosa para a segurança pública; o próprio Otto Teixeira concorda que o período de quatro anos de permanência é o ideal”, comentou Rodrigues. O delegado Alexandre Pimenta, afastado no começo do mês, está detido no quartel do Corpo de Bombeiros de Uberlândia, desde a decretação de sua prisão no dia 19.