Ditadura do Estado Novo começou há 70 anos Jornal de Notícias . Segunda-feira, 27 de Maio de 1996 . pág.

33 Completam-se amanhã 70 anos sobre o golpe de Estado desencadeado a 28 de Maio de 1926, de que resultou a queda da 1.ª República Portuguesa, quando era presidente Bernardino Machado. Nascido como um golpe essencialmente antiparlamentarista, acabou por ser o berço de um regime, que se auto-baptizou, sucessivamente, de "Ditadura Nacional", "Estado Novo" e "Estado Social". A 1.ª República tinha já chegado ao fim, quando o movimento militar, encabeçado por Gomes da Costa, acabou com o regime parlamentar. Instabilidade governativa, crise financeira, aumentos incontrolados de preços, insatisfação do meio rural e do funcionalismo, hostilidade operária e impotência ministerial, corroíam os equilíbrios sociais que haviam sustentado o regime republicano. A participação de Portugal na guerra de 1914/18, que viria a provocar um desequilíbrio nas contas do Estado, e a conjuntura económica internacional desfavorável do pós-guerra, contribuindo para a degradação das condições de vida da classe média (principal apoiante do regime republicano), agravaram o descontentamento. Por outro lado, as modificações introduzidas pelos governos republicanos na estrutura produtiva do país geraram um clima de insatisfação generalizada. Por último, a conjuntura política internacional era favorável às soluções autoritárias, nomeadamente depois da marcha triunfante de Mussolini sobre Roma. O golpe de 28 de Maio de 1926 venceu sem luta. Até os mais esquerdistas aplaudiram (Afonso Costa tinha o cognome de "racha-sindicalistas"). Remontando a 1922/23, com "ensaio geral" a 18 de Abril de 1925, o movimento de 28 de Maio só a 9 de Julho de 1926 pode ser dado como terminado. Com o golpe foram dados os primeiros passos para uma ditadura militar, que afastou o Governo da administração partidária, com feição demoliberal e que veio a evoluir para uma organização corporativa. Foi nesse ano de 1926 que a censura prévia à Imprensa foi estabelecida, que foi dissolvido o Congresso da República e extinta a Carbonária, associação maçónica, e que, no ano seguinte, foi dissolvida a Confederação Geral do Trabalho.

Gomes da Costa (Guerra. um tal Salazar. interinamente.como dizia Gomes da Costa). Para tal. para iniciar e prolongar durante mais de quatro décadas o regime a que chamou de "Estado Novo". Salazar recusara o convite em 1914. nomeado a 30 de Maio. mas não me exija que chegue ao fim de poucos meses". presidente do Ministério e ministro da Marinha e. Colónias e Agricultura) e Ochoa (Interior. tinha apenas uma pessoa: Mendes Cabeçadas. como António de Oliveira Salazar ("Um professor de Coimbra. Sabia. Vicente de Freitas: "Sei o que quero e para onde vou. examinar todas as acções governamentais que mexessem com receitas e despesas. mas em 1926 aceitou ser ministro das Finanças. conhece-o?" . Logo nesse ano. . de todas as pastas. Salazar avisou o então presidente do Conselho. impedir aumento das despesas. Óscar Carmona (fechado o Parlamento. e intervir em todas as operações para arrecadar receitas. impôs condições ao presidente da República. novas personalidades civis alargavam o elenco. Este segundo Governo também foi efémero e nem chegou a tomar posse. Justiça. Negócios Estrangeiros e Instrução Pública). O "28 de Maio" de 1926 só viria a ter verdadeiramente fim com o 25 de Abril. A 3 de Junho. Bernardino Machado renunciara a 31 de Maio): fixar a dotação máxima de cada ministério. Marinha.O primeiro Governo saído do golpe. Finanças. o Orçamento do Estado teve um saldo positivo de 1576 contos e o seu regime durou quase meio século. em 1974. A 1 de Junho passou a ter três: Mendes Cabeçadas (presidente do Ministério. Comércio e Comunicações).