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: Portuguesas
I
I SIMPÓSIO INTERNACIONAI
1

I 9autismo Danamse caroM- afirma Madalena Carrito da Confraria da Chanfana


mesa do governador era um espaço

A
No sbculo dezoito os ingleses trouxer-
espedal de encontro de convivas e de am para a ilha esta valorização deste
rewpçáa de visitantes que apodavam espaço com os estuques pintados. A
ao porto. Nas relomendaç6es dadas em mesa estava sempre a conduzir com o
1693 ao Governador D. Aniónio Jorge ambiente. Loiças e porcelanas brason-
de Mello assinala-se a necessidade de adas, da companhia das índias, rival-
ter uma mesa grande para comer, a pre- izavam com os apetitosos conteiidos de
sença de um copeiro e de um cozin- acepipes, carne, peixe, doces e frutas.
heiro. S6 assim seria p s f v e l assegurar a Tudo isto era rematado por toalhas de
imagem de excelência da sua mesa tão linho bordadas e de ramos de flores de
celebrada pelos estrangeiros que tiver- garridas cores. Os testemunhos desta
am oportunidade de a fruir. opulencia de algumas das mesas
O requinte dominava muitas das rnadeirenses repetem-se. A imperatriz
mesas -o que era notado por *e dos do México ficou impressionada com
convidados estrangeiros. IsaWla de todo este fausto: O jantar foi magnifico.
Rança insiste no aprumo dos criados Tudo quanto se encontrava sobre a toal-
que serviam h m m , a finura da deco- ha, candelabros, centro, desaparecia
r a ~ bdos
, guardanapos e flores. Até os inglesa. O fausto era evidente para os quase debaixo de uma profusão de fio-
pormenores das flores purificadoras forasteiras que não se cansam de o res, que substituiam graciosamente a
embebidas na ágt~a,pormenor realçado enunciar. A cozinha liga-se à fwtosa riqueza metálica e hs quais serviam de
por D. Qrlota, imperatriz do Mbxico sala de jantar, Esta apresentava-se com complemento pães e açúcar com diver-
que ficou encantada com o uso "/de um espaço amplo coberto por um tecto sas bandeirinhas".
lavar as mãos, depois de jantar, em ricamente decorado com estuques pin- Para muitos dos forasteiros que não
bacias cheia de pétalas de rosas/". tados ou não. A maior na ilha, segundo tinha a oportunidade de fruir da hospi-
A conbastar com esta ambiente esta- Isabelln de França em meados do stculo talidade da mesa do rnadeirense ou
va a casa das famflias importantes do XIXI era a do Morgado Nuno de Freitas estrangeiros residentes estavam sujeitos
meio rural ou urbano e as quintas dos na Quinta do Carvalhd nos Canhas. aos poucos espaços públicos onde se

D A M A D E I R A
''

ij~;gj;~~g;:i~~g~E;;F~,fi;!::
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anexos para os criados. ~arnbém'muitas Mundo". A sua posição estratkgica A


ainda de restaurantes, mas a inforrnaçãcFGA'das quintas rnadeirenses eram alugadas entrada da cidade, uma vez que
recolhemos das posturas municipais a estas forasteiros com louca. . e
- . rouwa primeiro se situou ao principio da
nos séculos XV e XVI falam-nos disse mob . Avenida Zarco e só depois se transferiu
{iço feito por regateiras, vendeiras, Fora da cidade o único espaço de para a actual situaçáo, da fazia-se com
raverneiras e estalajadeiras. No século acolhimenta e apoio estava nas diversas que fosse o ponto de encontro de todos
I XVIII com o advento do turismo os vendas, estrategicamente colocadas nos os forasteirm. As casas de chá, como foi
diversos hotéis começaram a disponibi- caminhos principais da ilha que pas- o caso da do Terreiro da Luta I19391,
lizar alguns desses serviços. Mesmo savam pelas povoações. A venda foi deram o mote para a mudanta no senti-
assim parece que estávamos perante durante muito tempo um espaço de do da restauração dos anos sessenta. A
algo íncipiente uma vez que a maioria convlvio. Era ai que acudiam os vian- afirrnqão do turismo no após guerra
L dos aristocratas que buscavam a ilha dantes a procura de guarida e de uma conduziu ao aparecimento destas infra-
para a cura da tísica faziam-se acompan- ração de pão para matar a fome. Os estruturas de serviços, como foi o caso
har de cozinheira. Aliás, o primitivo primeiros restaurantes foram uma cri- da Seta (19661, Cachalote no Porto
Reid's Palace Hotel apresentava os quar- ação do nosso século. Célebre ficou o Moniz (19691, Romana (q9691,o Galo
tos em sistema de aparthotel de hoje, Golden Gate que mereceu de Ferreira de (1970), o Facho (1973) e Cervejaria
uma vez que dispunha de cozinha e Castro o epiteto da "esquina do Cora1 (1972).

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ÃO 4 fád perceber o que caía diaria-
mente na mesa do homem humilde ou
aristocrata. Apenas temos alguns dados
avulsos sobre a mesa do governador,
estrangeiros e farnllias importantes.
Mas, para além deste eventual encontro
com a mesa f d v a , podemos acompan-
har o quotidiano nos conventos e colé-
gio dos jesuítas.
O Cdtgo dor I m u k parece apre-
sentar uma das mais fartas me= da
iha, a que acolhiam divwsas mdades,
norneadamenha gõvernadw. O mesmo
detinha Lima impaptante ataguarda com
as mintas da n c ~frias, do cardo e
Grande servidas de celeiros e adegas. No
século XVII a casa das quintas do Cardo ?
j "1
. "

E$:;; (a-
e fria acolhia com frequ&nda o gover- i-: :,.+v?
- r
nador, nomeadamente 0. Diogo de *., , . ;',.
Mendonça Furtado (1659-1665), que
pareua ser amante de doces, fruta e
queijos alentejanm e flamengos. A No Convento da Encarnaçáo a mesa A mesa do mundo rural e da gente
ementa & carnes era variada, sendo dos séculos XVII e XVIII era farta. pobre 4 pouco conhecida. O pouco que
servida de galinha, peru, frangos, leitões Diariamente as freiras reuniam-se para se sabe resulta do testemunho de alguns
coelhos, cabrii, não faltando a carne duas refeições: o jantar e a ceia. O pão estrangeiros. Servia-se quase só do que
de porco e os presuntos. corria todos os dias d mesa, e por isso a terra dava, isto é, frutas, passas de
Através dos livros de receita e despesa haviaduasamassaduias,aQuartaeao uvas, figos passados e inhame. Na
podemos acompanhar o dia A dia da Sdbado, acompanhado de carne ou Primavera e no Verão dominavam as
mesa conventual. No eixo de Santa peixe. A carne era al mais abundante diversas qualidades de frutas, que p d i -
Clara As Mercê e Encarnação estava o pois a falta de peixe no mercado local am ir desde a laranja, ptra e maç&
melhor da dqaria madeirense. Para não o facilitava. Mesmo assim o peixe enquanto no Outono eram as castanha
alem da doçatia t insistente a presença comia-se is quartas, sextas, sábados e e as nozes. Consumia-se algum peixe
da carne e peixe, frescor ou salgados. A dias prescritos pela Igreja. Isto poderia fresco ou seco, pescado na costa, mas a
galinha assume um lugar de destaque ser bacalhau, atum sardinha, arenques, carne e o pão parecem ser uma raridade.
em dias festivos, isto é, no Advento, pargos e chicharros. Em dias festivos, Esta frugalidade esta presente em todos
Quaresma, Natal, Páscoa e dia de Santa como o Natal, a Páscoa e Santa Clara, a os testemunhos de autores estrangeiros.
Clara. Ambos eram servidos com pão, mesa era rica e recheada de doces, isto Arsim na segunda metade do dculo
por norma demolhado. Ao nível dos t, pão-de-leite, massapio, laranjada, XVIII George F0~ierdestaca que "10s
cereais domina o trigo, em que as freiras cidrada, coscorões. Era notbria uma camponeses são excepcionalmente
contam com os proventos das suas ben- diferenciaçáo social da mesa das freiras e sóbrios e frugais; a alimentaçio consiste
feitorias e por vezes socorrem-se da dos servos e trabalhadores. A carne de em pio, cebolas, vários tubérculos e
compra. O irigo era convertido em far- porco e o milho não ia i mesa das feiras pouca carne/", mais o milho americano,
inha que estava na origem do pão, mas estavam sempre presentes na dos o inhame e a batata-doce. Esta era "/c
bolos, empadas, pastéis, doces e cusniz. criados e trabalhadores. principal consumo na alimentação dc
.....
:i I.

camponês/". A isto juntava-se o con- ::::i ,,. .


sumo de peixe fumado ou em salmoura, li:,;;:
importado pelos ingleses, que servia de
conduto a inhame, batata e ao pão.
A mesa do povo a carne e o peixe
eram escassas. O peixe era rnaioritaria-
mente importado, o que demonstra o
1
pouco desenvolvimento da pesca lmi, $2
baseando-se em bacalhau dos Estados "I'" 1 ~ b n
~ "d
"' e v P z e l / é m
Unidos e peixe seco, salgado ou em "' C. -h
I
salmoura do Morte da Europa. Destaca-
se o arenque de fumo ou salmoura,
muito apreciado pelo povo como con-
duto para o páo e batatas. No Norte da I--
L 'r,

Europa o arenque ficou conhecido como


o trigo do mar. Ainda de acordo com
lsabella de França o gaiado e o chichar-
ro eram espécies "/raramente comidas
por pessoas que não sejam pobres/". A
I
situaçáo ainda perdurava na década de
cinquenta do século XX, altura em que
as capturas de pescado de cerca de duas
toneladas eram ainda incipientes para
satisfazer o consumo e as indústrias de Não havia traditáo de criação de gado um ritual. Não havia casa onde pelo S.
conservas. E de notar que era pouco para engorda e abate o que provoca João e Natal não acontecesse a célebre
variado assentando em atum, peixe- uma situação deficitária da oferta dos matança do porco. Com ele conseguia-
espada, chicharro, carapau e cavala. açougues, Isto foi uma dificuldade per- se a carne salgada, os enchidos e a
A carne p a r t e ser rara e, a ter em manente d d e o skulo XV o que levou banha que tornavam mais rica a dieta
conta alguns dos testemunhos de algumas I ~ t u i ç ó e sa solicitarem à alimentar. Era o principal tempero da ali-
estrangeiros, de ma qualidade. Durante coroa a p0ssitrilidade de disporem rnenta~áo A importância está bem
muito tempa a informago sobre o gado açougue prbprio, como sucede com o patente no recenseamento do gado. Em
para engorda 4 escassa. Isto quer sig- Cabido da $4 do Funchal, o Colkgio dos 1873 temos 23.510 suínos, que entram
, nificar que não havia, o que fazia lesuitas e os conventos. A situação per- em queda no século vinte com 22.772
aumentar o preço de venda ao público mitia que o abastecimento fosse feito em 1928, descendo para 16.462 em
da carne e reduzir a possibilidade de com regularidade estando libertos das 1940, para assumir a retoma em 1950
consumo por todw as estratos sociais. A regulamenta$8es do mercado. Os com 23.046 suínos.
partir de meados do século XIX 6 evi- asougues piiblicos existem desde o A manteiga tinha também lugar A
dente o aumento da carne que se reper- skculo W e estavam sob a alçada da mesa dos funchalenses mais abastados.
cute num aumento da capitaçáo mkdia câmara. O primeiro matadouro surgiu Desde a dlcada de setenta do shculo
do consumo. Em 1904 Anna Von em 1791 no Cabo do Calhau, sendo XIX que ternos noticia da importação de
Werner queixa-se que a carne que transfeiido em 1825 paraa proximidade Londres, pois a produção comercial na
comeu no Hotel Royal não se podia trin- da Ribeira de Santa Luzia. Este foi ilha devera ter-se iniciado ap65 a data. A
car. f a mesma quem nos da conta do demolido em 1851 mas 56 em 1941 ter- primeira exportação acontece em 1881
ambiente pouco salubre que rodeia a emos novo matadouro na margem da com 129 kg que sobre para 48.124 em
cozinha. Assim refere-nos numa casa Ribeira de S. João que se manteve atk a 1893.O final do século 4 o momento de
uma velhota que assa castanhas e frita actualidade. afirma~áoda pecubria, permitindo um
: peixe ~O~LKQ fresco numa frigideirinha
com 61e&?!'n~#!+lff$* ""E:'!
Papel fundamental assumia o porco melhor e mais alargado uso do leite e
~~~gf;;,.=;;L~íí:!.. Ii::SE-fij
If..L.."r..---.--I--? ?=-*!?-??!.
na dieta familiar e em torno dele existia derivados na dieta aiimentar.

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I
culo na Europa. A presença na Madeira está o aliinento principal dos camponeses, e
identificados com determinadas regiões. A documentada a partir de 1760, mas a gen- quando as colheitas eram abundantes, vivi-
maça apela-nos i grande metrópole de eralização só aconteceu em princípios do am sofrivelmente/" isto, porque além d ~ t e
Nova M,enquanto o ananás nos recria as século XIX. A batata-doce, também oriun- produto só tinham para comer "/algum
paradisíacas ilhas do Havai. Mas tudo terA da da America do suf aparece na Madeira inharne e pouco milho/"
mudado a parhr do século XVlll. A alimen- no século XVII, sendo referenciada na A crise da batata conduzira inevitavel-
tação progrediu e as ementas univer- década de setenta do skculo XVIII como o mente a uma outra revoluçio alimentar
salizaram-E. Os produtos perderam o selo principal sustento do camponês. Já a bata- com a plena afirmaGo do milho O Milho,
de identidade de origem e entraram defini- ta, dita semilha para o madeirense, s6 se na dieta popular. Çob a forma de pão ou de
tivamente no quotidiano. A mesa do generalizou no consumo desde 1845 com a farinha, transformou-se rapidamente na
mundo ddental 6 igual. As divergências e introdução de uma nova variedade de base da mesa madeirense na primeira
exoticidade sucedem como resultado do Demerara. Em 1842 o míldio atacou a metade do nosso skculo. O milho intro-
confronto com outras culhras, como o batata irlandesa, provocando uma das duzido cedo conquistou a mesa do
mundo árabe e as regiões orientais. maiores mortandades na população da ilha. madeirense, tomando-se, de parceria mm
A Madeira está situada numa posi* O mais evidente é que a situação teve eco a batata, no sustento preferencial dos
atratégica fundamental para acolher as noutros espaços europeus, como foi o caso madeirenses. Em 1847 a lha produzia ape-
rotas de migração de plantas e produtm. da Madeira em 1846 e 1847. Tendo em nas vinte moios, tendo necessidade de
No século XV foi a ilha que promoveu a conta que na ilha esta havia adquirido um importar o restante. Em 1841 a ilha impor-
expansáo das culturas europeias no mundo lugar dominante na alimenta@ é fácil de tava 9000 moios de milho e 8000 de trigo,
........
..... atlAntico. E de novo a partir do século XVI adivinhar as dificuldades daqui resultantes. passando em 1852 para cerca de 10.000
a descoberta de novos produtos e frutos O prbprio governador, Jose Silvestre de milho e 5500 de trigo. )i nas décadas de
com valor alimentar lwou a que a ilha Ribeiro, testemunha a situação refere em setenta e oitenta o milho era a base da ali-
servisse de entreposto de expansão dos 1847 que a batata era "/de há longos anos menta@~das populações mais pobres. Em
mesmos no velho continente. Tudo isto
acontece porque a ilha continua a ser uma
. . área charneira entre oç dois mundos e dis-
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semenki. Aliás, a singular candiçáo levou a
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garam ds ilhas dois hd que se afirmaram
rapidamente na dieta alimentar. São eles a
batata, o inhame e o milho, que no decur-
........ so da segunda metade do século dezanove
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média por hectare era de 15.000 quilos,
dando a ilha vinte e cinco toneladas.
A batata é originhria do Andes mas foi a
I.::::z Irlanda o principal centro difusor do tulkr-
.......-.:,__
.. - ,
o o milho dominava a dieta alimentar, i;;;:,..... i

Pordiversasvezesaimpmsadokmp~~i;;~
e gum refere-nos que o milho em c$$$/
rincipal alimento do povo. E quase todo$cj; ......
era importado do estrangeiro, ou das:.:??
dónias: a ilha produzia uma hfirna p&
daquilo que coniumia. O milho era
/ de diversas formas na mera n i r a b i
madeirenre: papas de milho, milho e d - ! ! ~
dado e estroçoado. Com a farinha faziarn+G#
se as papas de milho e com o milho
mm que faziam um d d o com
carneiro ou boi, ou então umas papas I .

leite. No "/Diário de Noticias/" de 4 3


Setembro de 1941 dizia-se: - "/o milho
L há muitos anos, um elemento fundam h i ~ - b W - h M & t l /
I da alimentação das nossas dasses 6 ~ 6 ~ a / h&& m ~ J wqw
remediadas. Barato, de f&l preparação e
de forte poder alimentar, nenhum produto ~ m t h m & &rkme&w-w ~ &
da terra o pode substituir ou sequer m w p@w.fv&w, . ... . ..
igualar/". Dai, deverá ter resultado a . . . ..:. . .
I

I expreaáo popular: "/Vai-se ganhando economia d o d i c a ao consumo quase ha. FO/ &ponsdvel Rarnon Honorato
i
para o milttinho.../".0 milho era o alimento didio daquele pduto.., numa terra onde Rodrigues, que em 1%2, no momento de
das classes pobres e a ausgncia atingia prin- o milho se d i a chamar o pão-nosso de extinção, publicou uma membria sobre os
cipalmente e&, por isso o articulis'ta do cada dia." serviços prestados pela junta que presidiu.
D.N. apelava em Agosto de 1943 is class- A Madeira tinha necessidade de impor- Por ai se ficou a saber das dificuldades sen-
es mais abastadas, que lhe reservassem tar anualmente 13.000 toneladas. Todavia tidas nos anos da guerra e da acção da
-
este privilégio: "/Omilho 4 o alimento neste ano de 1941 ainda eram grandes as Juntae Governador Ciil para solucionar a
. das dasses pobres, das cl
a sses populares reservas de cereal e a frequkncia de embar- situaçáo por meio do racionamento do
(...I o milho, repetimos, é o ah'mento dos cações.Os problemas de abastecimento s6 milho e da solicitação de carregamento i
pobres: assim aqueles que o podem dis- começaram a surgir no Outono de 1943, ordem do governo. Para temos uma ideia
pensar, deixem-no aos pobres -porque mas já no ano anterior comgou o raciona- das dificuldades sentidas basta-nos aludir d
para as Amas bem formadas, deve condi- mento e distribuição do milho. Mas aqui, capitaçáo estabelecida pelo racionamento
tuir amargura, provocar, impensadamente, mercê da iniaativa da Cwnissáo Regulador e refau'ond-lacom a média anterior i guer-
as faltas de dimentaçáo nos lares onde o do Comércio de Cereais, a situação não foi ra: entre 1937-39 ela foi de 123 kglano,
dinheiro não abunda/". Mais tarde, no tão gravosa como havia sucedido no enquanto de 1942-44 passou para apenas
Inverno de 1945 em face de novas dificul- decurso da primeira guerra. A pobca de 80 kg. Mas houve anm em que a situação
dada as páginas do mesmo jornal abri- intewencionisrno económico definida por agravou: por exemplo em Março e Abríl
rarn-se para expres'sar o grito plangente Saiazar levou à aia@ em 1954do grémio de 1945 a ração semanal por cabeça em de
ecoado por todos os madeirenses em sur- do milho colonial porCugu& e em 1938 apenas 550 gramas de milho. A partir de
dina. O Racionamentode 1 kg semanal por surgiu a delegação madeirense da Junta de 1941 o racionamento foi determinado por
1 dxxy propiciou o seguinte cornwitirio: - Exportaç60 dos Cereais, que passou a concelho de acordo com o niimero de
"Mão era bastante para as necessidades coordenar todo o processo de abasteci- cabeças de mal, varianVdoo q u a n ~ t i v o
duma população que tinha afeito a sua mento e fixação de preços do grão e farin- conforme os st& disponlveis.

do Povo
to de Câmara de M o s
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@o, e M & fundamental da dieta ali-
w~B q y ,m t a v a - s e sob a forma de
ca@eq& @seira ou por padeiras &
prdkísão. Em muitas das casas o forno
assume um lugar de pre$tltlgio smial. E
ainda hoje podemos ver vestigios destes
noi3airro de,Santa Maria e Corpo 5antd.
Noutros a o s havia CK fornos públicos,
servidos por forneiros que cobrava uma
percentagem por cada aiqueire de Mo
corido. Já no primeiro quartel do skulo
XX a cidade estava servida de um mn- i

junto variado de padarias que dispun-


ham de pão fresco pela manhã e tarde,
permitindo comer-se o pão fresco a
todas as refeiçóes. Com a farinha dos
cereais fabricava-se, para aikm do pão, o
cuscuz, uma espkcie de massa granula-
da, que depois t cozida e acompanha a
carne. o bolo do caco. as mal-assadas.. E
-L

isto é] massa de farinha com ovos cozi-

. ,
Temos ainda a escarpiada, uma massa de $%%iji.j-
.................
.................. C m a / * ~ d O k c e r ~

--
. , -:-

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E farinha de milho cozida em pedra de :iiiii;;iiiii.;;-
.......
................
+...,
g barro, que se consumia no século XVIII ..................
;i;ii;iiiíg:;::.- www b~é1)2/hP&,
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e no convento da Encarna@o e que hoje i!ii;;;:i;;iii:i;:


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0 bd.0 ,- dOm, ,.., ,

i2 persiste no Porto Santo. ....................


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i A venda dos produtos necesslios i :;i:$%.!
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subristeticia das populaç&s fazia-se em E<gi@!~i:i ... . ............
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mercados e feiras que se realizavam


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$1 diariamente ou uma vez por semana em Poço, mais propriamente nas traseiras da jI2.j O mercado apresentava por norma os
$ espaça determinados, onde se vendia actual alfândega. Era o mercado de $íjj:produtos da terra, enquanto a venda 1
1
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fita, peixe e outros mais produtos. Na venda de legumes, hortaliças, frutos e ;ii;;i:dava preferência aos de fora. A oferta
cidade o mercado desde o s6culo XV é outros géneros alimentícios. Foi o princi- i:i.i,dos produtos completava-se com os
um espap de permanente intervençáo pal mercado da cidade até que em 1 de g T: vendedores ambulantes ao domicílio.
do rnuniclpio no sentido de facilitar a Dezembro de 1940 abriu ao público o Estes Úitimos vendiam liquidos, como
livre concorr6ncia, salvaguardar a quali- actual mercado dos lavradores. Juntam- Fi/il'azeite, vinagre e leite, hortaliças, aves,
dade dos produtos i venda e o seu justo se os da União, no actual Largo da Feira lenha e carvão. A figura do leiteiro que
valor. No século dezanove teste- e o de São João, no sítio onde hoje está í$:\ ainda hoje sobrevive define também
munham-se três mercados na cidade. O implantado o Teatro Municipal. A venda .i!:,;',. uma forma de venda de leite fresco ao
primeiro de D. Pedro, também conheci- dos produtos fazia-se e faz-se em barra- ji:.tii: domicilio. Ademais os interessados podi-
pelos chama- !:,ii:am ainda encontrar na cidade vacarias
do como da feira velha, situava-se entre cas arrematadas d câmara .........................
.........................
............. .......... ..
..........................
o Largo dos Lavradores e o Largo do dos barraqueiros. . . . . . . < . I ................-.*..... onde se servia o leite fresco, ordenhado
................... ].

.....................................
....,........r....... i::::::::.
.......
no momento. Era arsim na vacarieg
,; ; a
Burnay no Largo da Sé e da vacaria::iff"
Sousa na Rua de Joao Tavira. A ilhai- '
apresentava em -i928cento e setentá.'"k'
mil vacas de ordenham que produziam
vinte milhóes de litros. O ninchal con-
sumia anualmente um miháo e quin-
hentos mil litros de leite, o que equivale
a cerca de quatro mil litros diários. O
restante leite era usado no fabrico de
manteiga e queijo. Em 1928 a produção
de manteiga orçava as mil toneladas,
sendo exportada mais de três quarta.
Esta situação é demonstrativa do rápido
incremento que teve a actividade na
regiáo uma vez que em 1880 a expor-
tação foi de apenas cento e vinte e nove
kilogramas.
O abastecimento local fazia-se a par-
tir das mercearias e tabernas. Aí vendia-
se em simultâneo bebidas, nomeada-
mente o vinho da produção local, '
gkneros atimentlcios e artefactos locais os géneros alimenticios deveriam ser Em todos os tempos existiram os
ou de importação. A abertura de um guardados em prateleiras envidraçadas espaços abertos ou fechados de venda
estabelecimento obrigava ao requeri- ou caixas fechadas. Depois foi a pública dos produtos. O correr dos anos
mento da licença que só poderia ocorrer proibição a partir do dia Ide Junho de apenas fez mudar os locais ou a desig-
da necessária autorização camarária vender no mesmo compartimento os nação, bem como aperfeiçoou os
depois do pagamento de uma taxa. Ao gkneros alimentícios, tintas, Óleos, hábitos de consumo. A par disso 6 de
infractor era atribuida uma pesada guanos, sulfato de cobre e substâncias salientar na cidade e localidades circun-
multa. Acrescem ainda outros requisitos tlixicas ou nocivas i saúde. vizinhas outro tipo de venda ambulante
que foram regulamentados ao longo do A vereaçio estava acometida também que contemplava, não $6 o leite, como
tempo. Assim, em 1931 a sua localiza- a tarefa de estabelecer os preços de tambCrn, . o azeite, petróleo, hortal-
A

ção deveria estar a mais de 500 metros venda ao público dos diversos gkneros iças, aves, cebolas, mel, sorvetes e out-
de distância das escolas. E antes havia- de produção local. Todos os anos entre ros gelados, caivão vegetal. A década , .
se estabelecido padróes de higiene e Outubro e Janeiro eram estabelecidos de sessenta demarca um momento '

sanidade no funcionamento. De acordo prqos para todos os produtos colhidos importante da evolução das estruturas ,

com regulamento de 1946 todos os no concelho: vinho, cereais, cebolas, fei- de apoio h venda dos produtos ali- .
estabelecimentos comerciais foram obri- jao, favas, batata, carne, laranjas, mentares. As vendas perderam actuali-
.
gados, num prazo de noventa dias, a ter limões, inhame, vimes, cana doce. As dade dando lugar a novas formas de
'
Bgua canalizada e pia, caso se situassem actas das vereaqões e as posturas apresentação e venda com os superme-
a mais de 100 metros da canalização municipais revelam-nos muitos dos rcados. Eles são o princípio da transição .
piiblica a obrigação revestia-se na pre- problemas resultantes do abastecimento para x actuais grandes superfícies, q~re .'
sença de um reservatório de barro com de bens alimentares e artefactos no se iniciou em 1963 com o supermercado -: .
capacidade para 50 litros. Por outro lado mercado madeirense. BACHi i