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Aulas de Linguística Descritiva

 Apontamentos da aula 3 – 01/03/2011

1. As gramáticas filosóficas (psicológicas): de Port-Royal a Jerónimo Soares Barbosa. 2. Compreender o que se passa no nosso espírito é fundamental para a compreensão dos fundamentos da gramática. 3. Concevoir, juger, raisonner (conceber, julgar, raciocinar). (…) “Juger” – Afirmar que algo que concebemos é x. Ex.: A Terra é redonda → o nosso espírito olha e nomeia a realidade. “Raisonner” – Raciocinar → pegar em dois julgamentos para concluir um terceiro: Toda a virtude é louvável. A paciência é uma virtude. A paciência é louvável. Um pouco a ideia Aristotélica.

4. Nomes (substantivos e adjectivos). Os objectos do nosso pensamento são as coisas: Terra, sol, madeira… essas coisas são substâncias! → criação da categoria psicológica substantivo. - Nomes e seus acidentes. Toda a predicação. - As substâncias subsistem por si mesmas e os acidentes em função das substâncias. Ex.: A mesa é amarela (porque existe uma mesa). - Nomes substantivos ≠ nomes adjectivos → fundamental para a distinção do predicado nominal do verbal. - Houve necessidade de adequar as categorias da realidade às categorias do pensamento.

5. A Sintaxe: “construction des mots ensemble”. - Sintaxe é a construção das palavras em conjunto. Gramaticalidade ≠ Aceitabilidade

(As ideias verdes agem furiosamente) → inaceitável. - A sintaxe de regime – cada palavra tem um regime, uma relação → a palavra tem dentro de si a marca da sintaxe, um elemento relacionador. Ex.: o verbo “gostar” tem regime proposicional (gosto de qualquer coisa). - A sintaxe de regime é (quase toda) arbitrária – afirmação contestável! “Sintaxe” e “regime” excluem-se, contradizem-se.

6. A sintaxe psicológica: a) Parte de uma concepção mentalista da linguagem. b) Apoia-se nas intenções comunicativas do falante. c) Preocupa-se com a estrutura lógica da oração. - Preocupa-se com “Type” (ideia em abstracto) e “Token” (enunciações possíveis conforme contexto e uso) → Teoria de Osvald Ducrot. - problema desta gramática reside aqui! (porque estamos a falar do português) “I have no thing” – a língua inglesa é muito mais lógica que o português. Negativa (-) “Eu não tenho nada” (-) Positiva → Exercício de lógica: Ǝ ϰ ∈ N : ϰ > y (existe pelo menos um clube pertencente ao conjunto dos clubes, tal que esse clube é maior que o outro). d) Os métodos são de natureza introspectiva. e) Tenta compreender a natureza das orações para chegar a uma taxonomia das partes do discurso. 7. Controvérsia entre linguagem e pensamento (Chomsky, Piaget, Vygotsky, Luria). Chomsky - linguagem organizada computacionalmente; - estrutura inata; - era um inaticista. vs Piaget - contrariou essa ideia; - educação é que vai conformando as estruturas; - era um psicólogo (perspectiva educacional). (-)

18. a questão da aquisição da linguagem. da Teoria Standard à Teoria da Regência e da Ligação. Pressuposto: a Língua é uma entidade segmentável. A oração é uma unidade material (estruturada) analisável em componentes. Estrutura. Esta é a orientação lógica em Linguística. 17. Estrutura= Forma-> veículo de uma substância. A orientação lógica em Linguística considera que há uma relação directa entre as categorias de pensamento e as categorias linguísticas. . A Gramática depende da Lógica e da Psicologia (duas disciplinas filosóficas). 10. 15. a gramática como sistema computacional. Gross). funcionamento e evolução da língua? 11. 16. Generativismo: Teoria da Gramática. A Sintaxe Estrutural considera a Língua = Sistema. Toda a categoria gramatical se cria com base numa categoria psicológica.Remete para a noção de “valor” antes estudada. – Perspectiva mais objectiva. para quem a organização gramatical da língua é dependente da estruturação lógica do pensamento. a categoria gramatical é a exteriorização e a consolidação de uma categoria psicológica. a distribuição é a soma de contextos em que uma unidade ocorre em contraste com aquelas em que a unidade não ocorre (Harris. 20. Métodos ajudam à dicionarização. a oração expressa um juízo. 14. problemas e princípios de projecção. Nesta acepção.8. 19. Linguagem e pensamento: dialéctica conflituante? Constitui uma grande problemática. O pensamento influi na formação. Há críticas a esta perspectiva psicologista. 13. O léxico e a subcategorização. 12. o programa de investigação. No Distribucionalismo. ou melhor. a Gramática Universal como órgão biológico. Organismo supra-individual. competência e performance. 9. .

5. 3 – Estrutura do SN. em princípio. 12. 10. vai colocar a matéria relativa a estes pontos na plataforrna. O programa de investigação da Gramática Generativa. Competência e performance. 2.O professor.a perspectiva estrutural/categorial SN SV Forma . A gramática como sistema computacional. O fenómeno da subcategorização. Aula dia 03/03/10 1. Teoria da Gramática. . A gramática universal. 11. A gestão da aquisição da linguagem. Léxico e a noção de subcategorização.a perpectiva funcional SU PRED Função .Modificadores 1 – Perspectiva de análise dos constituintes da oração: . A subcategorização verbal. 7. 8. Apontamentos da aula 10/03/10 1 – Introdução à Gramática Generativa. As Teorias. 6. 9. 4. O problema da projecção. N comum N próprio Pro pessoal 4 . 3.Morfologia .Sintaxe 2 – Um mesmo SN pode desempenhar funções sintácticas distintas. . 2 – O sintagma nominal – SN. Outra subcategorização verbal.

Lapa) 6 – O determinante léxico de núcleo elíptico. o bife… (sujeito subent. . 2 .1 Parámetro do sujeito nulo Ø N → Mas será que o sujeito não existe? .O Miguel dá flores ao seu amor.(Ø) Como a maça. SN ESP (especificador) 4.) .(Ø) Chove! (ñ existe) . (Art. 4 – O núcleo 1 .sob categorização léxica.SN Art Nome  Contextos: . O Miguel (NP) fala muito. + Nome) . .Ele há cada um! (partícula de realce) 4. 3 – A mesma função pode ser desempenhada por categorias formalmente distintas. Ele (PRON) fala muito.o amor é bonito .Sob entidade desprovida de conteúdo fonético.O Miguel louva o amor.-------É bom estudante------- (Anáfora) Quando a info relativa a quem é o bom estudante vem antes. 5 – O ART/DET – resistências (ver R.(Ø) Há 30 alunos na sala (ñ existe) .2 A ---------O ---------- Ø Sofia (NP) Livro (NC) Ele (PRO) (qualquer categoria) → O que é um pronome? Algo que substitui o nome? .O Pedro (Ele) é bom estudante. (Catáfora) Quando a info relativa a quem é o bom estudante vem depois.

8 – Possibilidades de DET e COM – dependem em parte das características e da natureza categorical do núcleo.7 – Compl. De nome. 11 – Nome próprio Denota elemento individual Denota qualidades intrínsecas Tende a evitar DET e COMPL Funcionamento sintáctico rígido 12 – COMPL SIN. 9 – Núcleo – categoria nominal [+N. Anafóricos. -N] Conotativo → Nome comum Nome próprio Pron pessoal Possibilidade de traços semânticos variados +N -N +N A N -N V P refere realidade – contável ou não Indefinida ou especificada 10 – O PRO – o que é? Deíticos. .

(X=N) COMPL. N. N. P C Directa Indirecta . ADJn? SPn? OSn? Relativas c/anteced. Relaticas s/ anteced. Tipos de recursividade ADJn=? Rel? R? A? SP? OR SUB ? Ø N PRON Outras categorias det. Aula dia 15/03/10 SX (X=N) ESP X’ (X=N) ? DET ADJ QUANT COMPL.

ser preenchido. . há contextos em que é exigida a determinação e outros em que não. não se preenche em geral o lugar. . Resposta do professor: “… o entendimento do que é “nulo” pode ser diferenciado: . Tanto nomes comuns como próprios. como “haver”. mas há regiões em que se preenche: “ele há cada um…”. .: “Nuvens radioactivas…” género jornalístico -N. ou não. . Tanto para uns. “o gato” = ele.Com alhuns verbos. o lugar pode. Próprio - N - PRON Qualquer categoria grammatical Exercícios: 1 – Prove que em PT existe o parâmetro do suj nulo. como para outros. em geral: Excep.com verbos gerais de acção. Comum – determinação exigida.em verbos meteorológicos. etc. 2 – Explicite que tipologia N pode funcionar dentro do SN.SN (X=N) N’ Núcleo - Ø Sujeito nulo – 3 hipóteses -N.o pronome “ele” é um referencial universal: “O Cavaco” = ele. 3 – Explique o funcionamento do pronome no lugar nuclear.frequentemente omitimos o pronome em lugar nuclear. .

4 – Prove que. . . .todos os portugueses são inteligentes.sonhar – Sonhar é essencial à vida. . .irra – “Irra” é uma interjeição. Tudo os portugueses são inteligentes. O quantificador deverá vir antes do DET ou depois do N . 5 – “Eu vi o da Joana no jardim” – Analise o estatuto morfológico de “o”.de – “De” é uma preposição. Exercícios: 1 – Prove que em PT nem todos os quantificadores universais funcionam à esquerda do determinante. qualquer categoria gramatical pode ocupar N nuclear.os portugueses todos são inteligentes. por derivação imprópria.os portugueses são inteligentes. SN ∀ Det N’ N O A Os As O determinante é que comanda! . . É um artigo (há uma elipse).belo – “Belo” é um adjectivo. .dois – Dois é o meu número da sorte.

 Aula dia 17/03/11 (apontamentos da Cristina) Exercício: Analise a complexidade do funcionamento sintáctico à esquerda de N nuclear: .Q e Det determinam todo o sintagma e tudo o que virá a seguir!  Regras de Reescrita (não parecem corresponder a nenhum destes esquemas): F → SN → [SV] SV → Ø SN → Q + Det + Adj + SAdj + SAdj + N .

que estaria a quantificar o único adjectivo possível. a esquerda de N nuclear só pode ser marcada por uma classe adjectiva. é possível utilizar mais do que um adjectivo.Exercício: Prove que. Exercício: mostre que. um sintagma proposicional: a de lanifícios indústria. Conclusão: à direita de N. por exemplo. ou uma oração subordinada: a que eu vi ontem indústria. N nuclear só pode ser marcado à esquerda por um adjectivo: Em PT. Não funcionam. em PT. N nuclear pode ser complementado por mais do que uma categoria sintagmática. um outro adjectivo. em PT europeu. .

“do grupo Pestana” e “de Braga” estão directamente relacionados com o N nuclear: RECURSIVIDADE DIRECTA .Conclusão: em PT. Os SPs “de 5 estrelas”. prove que o PS é directamente recursivo. é possível estruturar frases com SPs recursivos sobre o mesmo N nuclear. Exercício: dado o sintagma: “A hotelaria de 5 estrelas do grupo Pestana de Braga”.

. 2. Aula do dia 22/03/11 Exercícios: 1.

Sai daqui pq se trata de uma apositiva (está entre vírgulas) 5.3. . 4.

os N: rapariga. as.6. o. a. R: ϰ+y=z . Reescrita: F → SN1 + … SN1 → Det + N + SP1 + SP2 SP1 → P + SN2 SP2 → P + SN3 SN3 → N Léxico: Art: a. Braga P: de. rapaz. com 7. Logicize: O Zé e a Maria são irmãos.

não funcionam à esquerda do verbo como complementador de verbo.… desde já queria dizer… Em princípio.O Zé sempre1 trabalha [sempre2]! 1 – Confirmação de que o Zé afinal trabalha.  Problema ainda por resolver em modelo matemático! Exercícios: 1 – Analise se. um SP não funciona à esquerda de SV.O Zé muito trabalha [muito]. Aula dia 24/03/11 → Diferenças semânticas conforme o posicionamento: . 2 – Afirma-se que o Zé trabalha sempre. é possível um SN à esquerda do núcleo verbal. Porque: “O Zé leu o livro. É. em PT. (mais ou menos fixo na língua). . . excepto se esse SP corresponder a um S. . . em PT europeu.Adv.” SN SV 2 – Mostre que.… de manhã vou correr. excepto quando adquire valor adverbial.

pode ser simples (contendo apenas o núcleo) ou conter outros sintagmas. como COI.Para demonstrar que pode haver um nº infinito de complementos 3 – Explique o funcionamento do SN2 em PT. (dar exemplos) . O SN2 pode funcionar como complemento de verbo. como COD.

-Adv.Or. Completiva (integrante) Ex:SE…: .Or. Sub. Aula do dia 29/03/11 Ex:RÁPIDO: -Adj. Sub. (predicativo do suj). modo) Ex:QUE…: . Interrogativa Indirecta . modo (comp.

Exercícios: 1 – Analise as diversas possibilidades de preenchimento do 1º lugar argumental interno. é predicado! R. . → Tudo o que está debaixo de SV.: (explicar passo a passo o que foi feito. assim como conclusões adicionais) 2 – Identifique 5 complementos facultativos de SV. elencando as possibilidades e o respectivo funcionamento.

 Aula do dia 31/03/11 .

Frase: A aluna que está a sorrir não disse que não compreendeu muito bem a explicação que o professor deu.Exercícios: 1. .

. Frase: O futuro ministro que for eleito fará as melhorias que o povo português merece.2.