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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ

Ilhéus – Bahia 2013

Ilhéus – Bahia 2012 .Universidade Estadual de Santa Cruz Departamento de Letras e Artes – DLA Caroline Minéia e Aline Cedeçari Professora: Gilvânia Nascimento Resumo solicitado pela professora Gilvânia.

permanência e qualidade e a configuração histórica do Estado brasileiro e. Esse artigo trata do "problema maior" que é o de estudar. tanto do ponto de vista normativo-político. permanência e educação de qualidade para "vida de gente levar" no Brasil. Palavras-chave: Estado. da política educacional que foi traçada a partir dessa configuração. de ter a possibilidade de acesso. As conclusões evidenciam a necessidade de reflexão sobre a dívida histórica do país com a constituição de um sistema nacional de ensino e com a garantia do direito à educação.Resumo O artigo trata das relações entre os problemas de acesso. Entendemos que o "problema maior de estudar" tem profundas ligações com a configuração do Estado brasileiro e. país de dimensões continentais. Introdução. com a política educacional que foi traçada a partir dessa configuração. política educacional. consequentemente. com profundas desigualdades regionais. quanto do ponto de vista das dinâmicas intraescolares. consequentemente. de acesso a bens culturais. ou melhor. direito à educação. Observa-se este agravante nas tabelas abaixo: . entre outras muitas desigualdades típicas do capitalismo. de renda. Destaca as profundas desigualdades sociais e regionais e o correlato processo excludente quanto ao direito à educação no Brasil.

20% 16.70% 7.10% 5.30% Taxa de abandono (2010) Região Norte (2010) Região Nordeste (2010) Região Sudeste (2010) Região Sul (2010) Região Centro-oeste (2010) Taxa de reprovação (2010) Região Norte (2010) Região Nordeste (2010) Região Sudeste (2010) Região Sul (2010) Região Centro-oeste (2010) Ens.Fonte: MEC/INEP/DTDIE Taxa de reprovação .426 1.Fonte: MEC/INEP/DTDIE As regiões Sudeste e Nordeste têm a maior concentração de matrículas na etapa obrigatória de escolarização de acordo com os dados do MEC de 2011 .10% 8.160 5.212. Fundamental .908.162.037.50%(Anos Iniciais ) e 27.841 2. no ano de 2010. sendo que na porcentagem do Brasil a inicial corresponde a 1.692 1.10% 3.80% 4. .50% 14.940 1.90% 4.10% 11. Norte e Nordeste.30% 15.00% 10.30% ( Anos Finais) dos alunos que não foram aprovados.048. Fundamental .572.Matrículas Brasil (2011) Região Norte (2011) Região Nordeste (2011) Região Sudeste (2011) Região Sul (2011) Região Centro-oeste (2011) Fonte: MEC/INEP Ens.10% 8.60% 10.997.60%.347.30% 11.anos finais 16. apresentam nos anos iniciais do Ensino Fundamental 7.437 1.649 Taxa de Analfabetismo Brasil (2011) Região Norte (2011) Região Nordeste (2011) Região Sudeste (2011) Região Sul (2011) Região Centro-oeste (2011) Fonte: IBGE 15 anos ou mais 8. No que se refere à reprovação.60% 0.80% 4.40% Taxa de abandono .anos finais 4. tiveram 22.022.153.40% 12.80 % de 4.00% 2.576 5.anos iniciais 1.50% 6.60% 12.80% 7.90% 6.10% nos anos finais .70 % dos anos finais. juntas.80% 4. tanto nos anos iniciais como nos finais. sendo que a reprovação no País foi de 8.821 6.40% 11.Valendo ressaltar que os dados de porcentagem foram somados juntamente com os dados do Ensino médio que não se encontram nesse dado trabalho.30% e 12. Entretanto.360. as regiões mais pobres do país no ano de 2010 .891.770 13.870 1.40% Ensino Fundamental .anos iniciais Ensino Fundamental .80 % e de 15.50% 2.909 4.20% 0. a região Nordeste e Norte.30% 1.

O IBGE 2005 também mostra que. adaptando-os a uma estrutura social marcada pelos acordos políticos "pelo alto" e pela concentração de terras. no final do século XIX. a média de anos de estudo da população brasileira ainda é muito baixa. A educação. mesmo no quadro do Estado liberal Enquanto a Europa constituía. portanto. argumentam que o Estado como ordenamento político de uma comunidade teria surgido na passagem da comunidade primitiva fundada pelos laços de parentesco para a comunidade civil. A utilização do termo "Estado" para designar especificamente a condição de posse permanente e exclusiva de um território e de comando sobre os seus respectivos habitantes é considerada por alguns autores emblema de uma situação nova de rompimento com os ordenamentos políticos precedentes e.80% na Região Sudeste. riquezas e saber.90% na Região Sul e 6. como assinala a historiadora da educação Carlota Boto (1996). se conecta a esfera pública e ao civismo. o Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE -2011) revela que a taxa de analfabetismo funcional das pessoas de 15 anos ou mais de idade de acordo com a divisão regional dessa taxa também é perversa: 10. os autores. sendo que a maior concentração do analfabetismo funcional está nos domicílios rurais .30% na Região Centro-Oeste. que defendem a ruptura entre a ideia de Estado e os ordenamentos políticos precedentes. 4. Estado e política educacional no Brasil: Trajetória e Panorama atual O debate sobre a origem da denominação e da instituição Estado é controverso. Se a origem da denominação e da instituição Estado é controversa. se quase todos brasileiros estão entrando na escola há mais de uma década. como Max Weber (2004). transformando-se em instrumento de regeneração social e. Assim.90% na Região Nordeste. seria conveniente falar de "Estado" apenas quando estivesse referido às formações políticas originadas da crise do feudalismo. no contexto revolucionário.20% na Região Norte. apenas no século XX é que a ideia da educação como propulsora de igualdade econômica e social pode ser relacionada com a de direito a ser garantido pelo Estado. 4. desvincula-se da dimensão eminentemente individualista de emancipação característica da utopia iluminista. conforme a tabela 2. que defendem a continuidade.Além desses dados. Na outra linha. apesar da propalada universalização do ensino fundamental. por outros autores. como destacamos. não conseguem concluir a educação básica (ensino fundamental e médio). o que nos induz a pensar que. 16. É preciso destacar que a novidade consiste apenas no fato de a educação ser entendida como direito porque. o seu sistema nacional de educação. portanto o Estado teria nascido com a modernidade. é considerada na linha de evolução das instituições precedentes. Contudo. como Engels (1986).Apenas a partir de 1930 foi . a educação esteve relacionada ao Estado desde a Revolução Francesa e essa tendência foi se consolidando. a ligação da educação ao Estado é um fenômeno tipicamente moderno. para os autores. o Brasil mitigava essa possibilidade com uma organização de Estado liberal que servia apenas para atender aos interesses políticos e econômicos das elites regionais.

medidas e debates de alcance nacional: em 1931 as reformas de Francisco Campos. foi necessária a criação da moderna burocracia .na verdade uma tecnocracia formada por profissionais.por força das alterações no capitalismo mundial . em 1932. visto que nosso liberalismo foi outro. Daí a adoção da concepção de que o Estado seria a grande alavanca do progresso econômico e social do País. da educação como uma questão nacional.criado o Ministério da Educação e Saúde que significou o reconhecimento. Para tanto. nosso intervencionismo foi outro e. no plano institucional. Abordar a relação entre Estado e as políticas educacionais no Brasil constitui grande desafio. O objetivo principal desse modelo de Estado não era tanto a redistribuição de renda e de provimento do bem-estar social como foi o caso de muitos países Europeus. dirigido ao povo e ao governo no sentido da construção de um sistema nacional de educação. civis e militares. . engajada em serviço integral. Posição que foi reforçada pelas políticas keynesianas aplicadas em diversas partes do mundo a partir de 1930. o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. em 1934 a promulgação da Constituição que reconhecia a educação como direito. Ato contínuo. a edição das leis orgânicas de ensino. colocava a exigência de fixação das diretrizes da educação nacional e a elaboração de um plano nacional de educação. o país teve uma série de reformas. que atuou como o principal agente da transformação econômica do País. mas a transição de uma economia eminentemente agrária para uma industrial. durante todo o período de Vargas no poder.no início do século XXI com a necessidade de diminuir um Estado já diminuto em sua dívida histórica com a parcela majoritária da população excluída dos requisitos mínimos para uma vida civilizada. não chegando a consolidar plenamente nem um nem outro chegaram .