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UNESP Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” Campus São José do Rio Preto – SP Instituto de Biociências, Letras

e Ciências Exatas – IBILCE. Curso de Licenciatura em Letras – Diurno – 2º Ano Departamento de Estudos Linguísticos e Literários Disciplina: Estudos do Texto e do Discurso Docente: George Nakamura Discentes: Marcela B. Prado Mayara M. de Oliveira São José do Rio Preto, 28 de novembro de 2012 ANÁLISE DO DISCURSO TROPICALISTA PRESENTE NA ARTE E NA MÚSICA

O MOVIMENTO TROPICALISTA O Tropicalismo foi um movimento artístico do final da década de 1960 que buscou reinventar a cultura brasileira, em diversos campos, como a música, a arte, teatro, etc. Também tinha como objetivo contestar a posição da esquerda brasileira, que tinha influência na produção artística e cultural da época. Esse discurso tinha uma visão diferente da manifestada pela esquerda sobre as relações entre cultura e política. Ao manifestar sua posição, ele entrou em choque com a esquerda, uma vez que
“as canções tropicalistas falavam da “realidade brasileira”, tão reclamada pela esquerda, mas ofereciam uma visão diferente dessa realidade, utilizando, como a jovem guarda, formas artísticas consideradas descaracterizadoras da cultura brasileira”(COELHO, 1989, p.3)

Por utilizar-se dessas formas artísticas, que, segundo a esquerda brasileira, não eram consideradas características na nossa cultura, o Tropicalismo foi muito criticado, pois acreditava em uma mistura entre nacional e internacional na música brasileira. Essa mistura se daria pela utilização de instrumentos, como a guitarra, por exemplo; sons e batidas do Pop, do Jazz e do Rock’n’roll, que não eram utilizadas na nossa cultura. Eles romperiam com o formato acústico da música brasileira, gerando grande polêmica. Eles afirmavam que os costumes tradicionais do nosso país sofriam grande influência da cultura internacional, e, por isso, não há porque a produção artística também não incorporá-los.

buscava-se romper com as vanguardas tradicionais e implantar uma arte brasileira. o discurso Tropicalista teve como principal representante o artista plástico Helio Oiticica. nome que deu origem ao Tropicalismo. a arte e o teatro. que foi responsável por implantar a censura. o principal representante é Hélio Oiticica. Na arte. Ao improvisar as construções de sua . O DISCURSO TROPICALISTA NA ARTE Na arte. Gilberto Gil. as mídias escolhidas na enunciação foram a música.Apesar de se diferenciar da esquerda quanto a produção artística. 3) Partindo desse ponto. SOUZA JUNIOR. principalmente no que se refere à modernização da sociedade brasileira. (SANTOS. podemos encontrar artistas consagrados como Caetano Veloso. Oiticica criou construções improvisadas e labirintos com elementos típicos da nossa cultura e da nossa natureza. Caetano Veloso. a repressão e a violência na sociedade brasileira da época. com base no lugar de onde o sujeito se constitui. com a tropicália. o antigo x moderno. Nara Leão e Os Mutantes. onde o mecanismo de antecipação irá regular a argumentação. p. No teatro. Tom Zé. Na música. ENUNCIAÇÃO No discurso Tropicalista. entre União Soviética (socialista) e os Estados Unidos (capitalista) e ii) Ditadura Militar no Brasil. pois também procurou fazer uma crítica à sociedade. o cinema. Já no cinema. 2007. Gal Costa. destacam-se as peças dirigidas por José Celso Martinez. a contradição entre a modernização da sociedade brasileira e a pobreza vivida pela maioria da sociedade foi o principal alvo de críticas desse discurso. o discurso tropicalista se assemelhou a ela. Partindo esse objetivo. podemos dizer que as condições de produção que influenciaram o discurso Tropicalista foram a i) Guerra Fria. Na arte. as produções de Glauber Rocha foram as mais significativas. CONDIÇÕES DE PRODUÇÃO As condições de produção têm os seus fatores condicionados nas relações de sentido de um discurso sobre outros em contínuo processo.

No meio dessas construções havia algum elemento moderno. DE CAETANO VELOSO No primeiro verso “Sobre a cabeça os aviões. e devolver. criar uma cultura nova. o discurso perderia o sentido. tem como intenção absorver. 9) O DISCURSO TROPICALISTA NA MÚSICA 1. da diagramação. (CAVALHEIRO. o Tropicalismo. Portanto. crítica à modernização da sociedade brasileira. uma cultura brasileira e diferenciada. compondo jogos linguísticos e brincadeiras com as palavras. assim como este. ruptura com a criação artística brasileira. ANÁLISE DA MÚSICA TROPICÁLIA. . que. o que sinalizava a mistura entre a cultura brasileira. sobre os meus pés os caminhões/ Aponta contra os chapadões meu nariz”. pois. É importante denotar que as músicas presentes nesse discurso fazem uso de figuras de linguagem como a metáfora. arcaica. Sem essas figuras. eram improvisadas. por exemplo. da colagem. para construir esse discurso. assim como as construções artísticas. antigo x moderno. assim como o Manifesto. Nesse sentido. absorver as culturas de outros povos. “devorar” tudo o que vem de fora. com rimas e métricas perfeitas e enfoca em uma perspectiva mais gráfica e sonora. ou seja. NÚCLEOS SEMÂNTICOS Em duas das diversas músicas do discurso capitalista. o artista também procurou relacionar esse discurso com o surgimento das favelas. INTERTEXTUALIDADE NO DISCURSO TROPICALISTA Há. podemos perceber os seguintes núcleos semânticos: i) crítica à repressão política. onomatopeias. da fotografia. p. uma intertextualidade com o discurso antropofágico presente em o Manifesto Antropofágico. o tropicalismo rompe com o discurso formal. pois as palavras soltas não teriam significado algum.arte. Podemos perceber também uma intertextualidade com o discurso concretista. de Oswald de Andrade. O Tropicalismo vai se manifestar como um desdobramento do Concretismo. e a cultura moderna. podemos perceber a presença do sujeito do discurso. com as canções passando a incorporar uma linguagem poética com traços da propaganda. no discurso tropicalista.

estreita e torta”: os olhos verdes da mulata referem-se as belezas naturais e a cultura negra do nosso país. a entrada de uma rua antiga. que estão relacionados: 1. que representa a riqueza. Brasília também foi construída com o dinheiro público. No próximo verso. o monumento refere-se ao Palácio do Planalto. ao rústico. “aviões” e “caminhões” podemos ver a dicotomia arcaico x moderno. por comandar o Planalto Central. Nos versos “os olhos verdes da mulata/A cabeleira esconde atrás de verde mata o luar do sertão/ o monumento não tem porta. revelando a ideia de um ser superior. se encontram nossos políticos. Nos versos “o monumento não tem porta/ a entrada de uma rua antiga/ estreita e torta/ E no joelho uma criança sorridente. se encontram acima dele. Cidade do Nordeste brasileiro. cujas “portas fechadas” são sinônimos da dificuldade que há para se chegar ao Palácio. Planalto Central é mais uma metáfora presente no discurso. Sobre a cabeça do sujeito se encontra apenas os aviões. 2. demonstrando sua participação ativa nos processos narrados. não há uma valorização. um contraste. “o monumento é de papel crepom e prata”. que ali estão graças a população que lá os colocou.em 1ª pessoa. cujo caminho de acesso é tortuoso. uma vez que os aviões estão ligados à modernidade. o contorno do . Portanto. monumento refere-se ao Palácio do Planalto. mais uma vez evidencia-se o uso da metáfora. uma vez que apenas os aviões. Em Brasília. Em “Viva a bossa-sa-as/ Viva a palhoça-ça-ça-ça-ça”. Do quinto ao oitavo verso “Eu organizo o movimento/ eu oriento o carnaval/ Eu inauguro o monumento/ no Planalto Central do país” o “eu” do discurso é o responsável por organizar. pois foi um dos primeiros movimentos na música a introduzir novas formas musicais. o que significa que ele é um ser superior. a pobreza. cheio de dificuldades . ao antigo. Essas duas definições referem-se ao arcaico.a bagunça e as “máscaras” dessa festa. feia e morta estende a mão”. o sujeito do discurso exalta a Bossa. os dominados. Papel crepom é material barato e prata é uma representação de nobreza. Sujeito que permeará todo o discurso. Choupana. Nesse verso. casa rústica. que faz alusão a Brasília. segue padrões e costumes antigos. já o caminhão representa a pobreza. E sobre os pés do sujeito se encontram os caminhões. marca característica do nosso país. pois em seus pés se encontram o povo. associa a forma vigente de governar ao carnaval . símbolo de poder. outro motivo que podemos associar a pobreza com a riqueza. já o sertão está oprimido. Já palhoça pode ter dois significados. ou seja. No mapa do Brasil. a forma de governar o Planalto Central está relacionada a bagunça. são sinônimo de riqueza. a condição na qual muitos brasileiros se submetem para ganharem seu salário. Há uma união da pobreza com a riqueza.

o oprimido. que representa uma onomatopéia de disparos de metralhadoras. Nos versos “Viva a mata-ta-ta/viva a mulata-ta-ta-ta-ta/No pátio interno há uma piscina com água azul de Amaralina/Coqueiro. que é uma das flores mais populares do mundo. A criança sorridente. a um joelho dobrado. um dos pontos mais tradicionais de venda das delícias típicas de Salvador. e o faz através do bairro praiano de Amaralina. podemos relacionar esses dois versos no sentido de que no Palácio encontram-se elementos da cultura nordestina.nordeste pode ser associado. bairro no qual se localiza o Largo das Baianas do Acarajé. esse verso faz uma referencia a região nordestina. fato que o autor faz questão de citar. referência às dores do povo. Nos versos “Na mão direita tem uma roseira autenticando eterna primavera/E nos jardins os urubus passeiam a tarde inteira entre os girassóis”. Maria é um nome tipicamente brasileiro e a Bahia representa o nordeste. de modo especial. canta. Quando se refere a Amaralina. Nos versos que se seguem. a Bahia. ao povo. uma súplica por parte dos pobres. O sujeito segue. O autor. que se aproveitam do seu poder e ficam sem fazer nada de útil pela população. o clima e a linguagem do Nordeste. É outra forma de pedir socorro. Portanto. então. forradas com um tapete de algas. a mão direita representa o poder e a rosa. os monumentos. nesse momento. 17). Se invertida. A eterna primavera a que se faz referência se deve ao fato de ser sempre benéfico. simbolizando a repressão. As Marias e a Bahia estão sofrendo. a sílaba ia passa a formar a interjeição ai. ficam “passeando a tarde inteira”. exaltando as belezas naturais. brisa e fala nordestina e faróis” videnciamos uma exaltação das belezas naturais. Uma característica marcante são as piscinas de corais. Então. os únicos que se beneficiam. onde a maioria da população sofre com a fome e a miséria. é sempre bom para o poder o fato de ter a população em suas mãos. “Viva Maria-ia-ia/viva a Bahia-ia-ia-ia-ia”. então. porém juntamente com a repetição da sílaba ta. feia e morta estendendo a mão quer demonstra um pedido de socorro. p. dos necessitados. Os urubus são os políticos. refere-se ao popular. fazendo. São apreendidos aspectos da paisagem e da cultura baianas. . devido a semelhança. No pátio interno do Palácio do Planalto existe uma enorme piscina. ou seja. que se formam em trechos dessa praia. o governo domina o pobre. (CAVALHEIRO.

Seguindo. o que nos remete ao tropicalismo com influência do antropofagismo. ao mesmo tempo. No “pulso esquerdo bang-bang”./O monumento é bem moderno. meu bem/ Viva a banda-da-da Carmem Miranda-da-da-da-da”. tão bem representada nas figuras de Iracema e da Garota de Ipanema. O governo está sempre vigiando. E.. referese a fragilidade dessa visão política quanto a pessoas que lutam por essa visão política. não disse nada do modelo do meu terno./ monumento é bem moderno. porém. de Chico Buarque e a importância de Carmem Miranda na cultura brasileira. faz uma referência a mamãe. Nos versos “viva Iracema-ma-ma/viva Ipanema-ma-ma-ma-ma”. o trabalho no campo versus a modernidade do monumento de Brasília e que lá não há uma exigência com relação ao trabalho. imortalizada na música “Garota de Ipanema. guerreira. Ele clama pela mãe. no caso a Pátria. o uso de um vocativo mais formal “senhoras e senhores” é uma tentativa de esconder o público ao qual o autor da canção quer abrir os olhos (o povo).. Então. faz-se uma referência a censura. “no pulso esquerdo bang-bang. portanto a luta.. de Roberto Carlos e a música A banda. Já em “domingo é o fino da bossa/ segunda-feira está na fossa/terça-feira vai à roça. porém. que são acordes que não soam bem aos ouvidos.. não disse nada do modelo do meu terno”. pela sua pátria. sensualidade e feminilidade da mulher. em “Que tudo mais vá pro inferno. uma vez que até não se exige esforço para se vestir bem. e a beleza. O a repetição interjeição ma. Já em “Terça-feira vai à roça. afirmando que segunda-feira é um dia ruim. associanda a imagem de Iracema. Nos versos que se seguem “senhora e senhores ele põe os olhos grandes sobre mim. Em ele põe os olhos grandes sobre mim. por fim. de Vinícius de Moraes. de absorver todos os tipos de . de José de Alencar. há uma oposição entre arcaico x moderno. mas na segunda-feira ele é obrigado a voltar para a realidade do trabalho. percebemos a presença de uma intertextualidade com outros discursos. a voz da esquerda não é bem ouvida pela população e pelo governo. a figura da mãe. Faz refêrência a música Quero que vá tudo pro inferno. então exalta-se a aversão que muitos trabalhadores tem para com a segunda-feira. a sua luta perante a situação política do Brasil e “em suas veias corre muito pouco sangue”. domingo é o dia em que o trabalhador pode descansar. os “acordes dissonantes”. em suas veias corre muito pouco sangue/mas seu coração balança a um samba de tamborim/emite acordes dissonantes pelos cinco mil alto-falantes”. o sujeito exalta. refere-se à esquerda do Brasil.

Os esses versos e os quatro a seguir. fundado por Reynado Jardim na década de 1960. que estava imerso em um país cheio de censura. simboliza um adeus. o autor da música busca um apoio para a sua ideologia.. “Caras de presidente” refere-se a importância do dólar pra nossa economia.. guerrilhas/Em cardinales bonitas/Eu vou. era proibido sair as ruas sem documentos. Já “Eu vou” relaciona-se a ideia de ir contra tudo o que acontece. ao mencionar o sol.. Durante a ditadura. mais especificamente à cultura norte americana. Ou seja. remetendo a ideia de pessoas felizes e sorridentes.. Pode significar quando Caetano foi exilado. há uma referência ao cinema da época. que não há outra alternativa a não ser seguir o caminho. esse final da a ideia de adeus. pernas. Com isso. Chico Buarque e Carmem Miranda. ALEGRIA. vão se referir ao jornal. ele se refere ao jornal socialista O Sol. ANÁLISE DA MÚSICA ALEGRIA. de Geraldo Vandré.. a referência à cultura estrangeira no nosso país. Ambas iniciam “caminhando”. Nessa estrofe. mulheres à . as matérias publicadas e ao que era notícia na época. Em “o sol se reparte em crimes/Espaçonaves. o autor afirma que está caminhando contra o regime vigente. como Roberto Carlos. quando balançado em navios. bandeiras”.” podemos perceber. bandeiras/Bomba e Brigitte Bardot. Nos versos seguintes “No sol de quase dezembro Eu vou. Podemos perceber a referência ao “American Dream” no trecho “Em dentes. Ao fazer uso da onomatopéia da .” O sol de quase dezembro remete ao sol do quase final do ano. O lenço.. mostrando que não teve tempo de se despedir e que se encontrava em um país do qual ele não mantinha uma relação de identidade. Já em “Em caras de presidentes/ Em grandes beijos de amor/Em dentes. pra nossa cultura. percebemos um tom de suplica por parte do sujeito. claramente. DE CAETANO VELOSO Já no primeiro verso da música “Caminhando contra o vento/“Sem lenço e sem documento/eu vou”. Não era permitido nenhum tipo de denúncia à ditadura. época em que a música foi lançada. reforçando a ideia de final. Em “grandes beijos de amor”. Ele mostra estar contra as regras que é obrigado a seguir. procurando esse apoio em outros nomes da música popular brasileira.”. pernas. período de intensa repressão militar.música e cultura para criar uma cultura tipicamente brasileira. há uma intertextualidade com a música “Para não dizer que não falei das flores”. É como se estivesse falando: “Me ajude”. por isso eram retratadas histórias de amor.

”. Ao mencionar “eu nunca mais fui a escola”. se preocupar com casamento. ao mencionar o casamento. mais uma vez refere-se a influência da cultura internacional no nosso país. a voz do poema mostra sua opinião sobre os meios de comunicação. “por entre fotos e nomes/os olhos cheios de cores/ O peito cheio de amores vãos/ Eu vou”. o sujeito do discurso pode se referir tanto ao pensamento machista que existia na época de que o casamento era a única preocupação que a mulher tinha que ter. ele se recusa a ir a escola porque não quer aprender aquilo que é imposto. as quais eram de todos as raças e etnias e isso é revalado através do verso “Os olhos “cheios de cores”. procuram fazer um relato da vida urbana da época e a influência de outras culturas nos nossos costumes e nos nosso cotidiano. quanto aos costumes da época que a mulher tinha. As aulas eram acompanhadas por militares. existia uma forte repressão dentro da escola. como uma forma de controle do que era ensinado. representada na figura da triste. bandeira ressaltando o nacionalismo. ele. grande símbolo sexual da época. Fica feliz por perceber que existe meios comunicação que não eram alienados e não adeptos ao sistema vigente. o sujeito não quer aprender nesse cenário de repressão política. mais especificamente ao jornal “O Sol”. “o sol nas bancas de revista/me enche de alegria e preguiça/quem lê tanta notícia/Eu vou. os quais eram censurados e. como os outros. por ir contra o regime. afinal não eram todos os que se interessavam em saber o que acontecia na sociedade. cantora e modelo francesa. Nos quatro versos que se seguem. Porém. só falavam bem do regime vigente. o sujeito mais uma vez reforça a presença do capitalismo no .. Essas duas estrofes que contém os oito versos anteriormente citados. relembra as pessoas que já lutaram contra o autoritarismo. Ao mencionar Brigitte Bardot . portanto. Os verso que se seguem “eu tomo uma Coca-Cola/ela pensa em casamento/ e uma canção me consola/eu vou. Já em “Ela pensa em casamento/ E eu nunca mais fui à escola/ Sem lenço e sem documento/ Eu vou”. se voltar para isso. Nos quatro versos seguintes. Como o jovem vai contra o regime. também se sente desinteressado e acomodado e se pergunta quem lê as notícias.espera dos maridos. atriz..a Na época. A repetição do verso “sem lenço e sem documento” quer mostrar que a música está sempre na contramão e sempre procurando repetir esse sentido de ir na contramão do que é imposto.

sem telefone/no coração do Brasil”. que se preocupa com o tradicional casamento. O sujeito encontra na música um consolo e a busca de novas lutas. sem documento/Nada no bolso ou nas mãos/Eu quero seguir vivendo. o sujeito reafirma seu caráter contraditório a ditadura.pdf.pr. USP. 1(2): 159-176. Tropicália: culture and politics in the 1980’s.”. a sociedade repleta de caos e de problemas e. número 16. sugere que ir “sem lenço. Nos versos que se seguem “sem lenço. entrando em contraste com a mulher.P. . principalmente nos que sofreram com a censura. amor/Eu vou. pois conta a verdade. sem a luta armada. demonstrando novamente que não aceita o regime que lhe é imposto. Acesso em 19 de novembro de 2012. que passam fome. demonstrando também sua despreocupação com questões que não sejam relacionadas à música e a política. por que não. Disponível em: http://www.diaadiaeducacao. narra o que. 1989 Gêneros textuais. E que esse choque contra a repressão é a sua ideologia. Selma Aparecida. “ela” se refere a esquerda brasileira e ao seu desconhecimento com o desejo do sujeito de apresentar sua música na televisão. sem dinheiro e sem armas. Associação de Leitura do Brasil Tropicalismo: uma proposta de leitura. de fato. Referências bibliográficas COELHO. Nos próximos quatro versos “por entre fotos e nomes/sem livros e sem fuzil/sem fome. “O sol” refere-se ao jornal anteriormente citado e a sua importância na sociedade. Sociol. condições de produção e educação intercultural: 16º Congresso de Leitura no Brasil. o que ele quer continuar seguindo. 2. acontece na sociedade brasileira.. Tempo Social..gov.br/portals/pde/arquivos/817-4. sem documento”. o sujeito busca incentivo para a luta contra o autoritarismo em outros revolucionários.. ao dizer “sem livros. 2007. Mais uma vez a presença do arcaico versus moderno. é considerado bonito. nas pessoas que não têm acesso a educação. pois é através dele que se pode saber o que acontece na sociedade. sem poder ser identificado.discurso ao apresentar o símbolo da Coca-cola. busca também o incentivo na pobreza. que vivem isolados do mundo moderno e também. No trecho “ela nem sabe até pensei/em cantar na televisão/o sol é tão bonito/eu vou”: Aqui.sem. é forma que ele sugere de ir contra a repressão. mesmo assim. a repressão e pagaram com a morte.”. CAVALHEIRO.. São Paulo. Ao repetir o verso “Por que não. sem fuzil ele busca” a luta de um modo diferente do da esquerda. Cláudio N. Campinas. Rev.

ta . Disponível em: http://letras. Rev. Acesso em 19 de novembro de 2012. ça.uel. feia e morta Estende a mão Viva a mata. NAPOLITANO. Disponível em: http://letras.Tropicalia: rupturas estéticas e políticas. Hist. ça.br/caetano-veloso/43867. sa. ta.pd f. ça Viva a Bossa. ça.R. 35 São Paulo.br/eventos/sepech/sumarios/temas/tropicalia_rupturas_esteticas_e_politicas.mus. Alegria Alegria. Acesso em 02 de dezembro de 2012. Disponível em: http://www.mus. 18 n. Caetano Veloso. Caetano Veloso.br/caetano-veloso/44785. ça. ça O monumento É de papel crepom e prata Os olhos verdes da mulata A cabeleira esconde Atrás da verde mata O luar do sertão O monumento não tem porta A entrada é uma rua antiga Estreita e torta E no joelho uma criança Sorridente. vol. ça. M.M. bras. Acesso em 19 de novembro de 2012 ANEXOS Música: Tropicália Compositor: Caetano Veloso Sobre a cabeça os aviões Sob os meus pés os caminhões Aponta contra os chapadões Meu nariz Eu organizo o movimento Eu oriento o carnaval Eu inauguro o monumento No planalto central do país Viva a Bossa. M. ça. sa Viva a Palhoça.1998 Tropicália. VILLAÇA. sa. M. sa Viva a Palhoça. BERTUCCI. Tropicalismo: As Relíquias do Brasil em Debate.

ma. ta. ma Viva Iracema. ma. ia. ia. ia. ta Viva a mulata. brisa e fala nordestina E faróis Na mão direita tem uma roseira Autenticando eterna primavera E no jardim os urubus passeiam A tarde inteira entre os girassóis Viva Maria. ia No pulso esquerdo o bang-bang Em suas veias corre Muito pouco sangue Mas seu coração Balança um samba de tamborim Emite acordes dissonantes Pelos cinco mil alto-falantes Senhoras e senhores Ele põe os olhos grandes Sobre mim Viva Iracema. ma Viva Ipanema. ma. ia. ma. ia Viva a Bahia.. ma. ia. ta. ma. ta Viva a mata. ma. ta. ia Viva Maria. ia Viva a Bahia. ma. ia. ta No pátio interno há uma piscina Com água azul de Amaralina Coqueiro. ta.. ma Viva Ipanema. O monumento é bem moderno Não disse nada do modelo Do meu terno Que tudo mais vá pro inferno Meu bem Que tudo mais vá pro inferno Meu bem . ia. ia.Viva a mulata. ta. ma Domingo é o fino-da-bossa Segunda-feira está na fossa Terça-feira vai à roça Porém. ta. ta.

da. da. da... da.... Por entre fotos e nomes Sem livros e sem fuzil Sem fome. da. por que não. Alegria Compositor: Caetano Veloso Caminhando contra o vento Sem lenço e sem documento No sol de quase dezembro Eu vou... da. da Viva a banda. Em caras de presidentes Em grandes beijos de amor Em dentes. Ela pensa em casamento E eu nunca mais fui à escola Sem lenço e sem documento. guerrilhas Em cardinales bonitas Eu vou... da Música: Alegria. Eu vou.. Eu tomo uma coca-cola Ela pensa em casamento E uma canção me consola Eu vou. da Carmem Miranda. da.. da.Viva a banda. Ela nem sabe até pensei .... sem telefone No coração do Brasil. da Carmem Miranda.. O sol se reparte em crimes Espaçonaves.. O sol nas bancas de revista Me enche de alegria e preguiça Quem lê tanta notícia Eu vou. Por entre fotos e nomes Os olhos cheios de cores O peito cheio de amores vãos Eu vou Por que não. bandeiras Bomba e Brigitte Bardot. pernas.

. amor Eu vou. Por que não.. por que não. por que não.. Sem lenço.. Por que não.. Por que não.. por que não... por que não. sem documento Nada no bolso ou nas mãos Eu quero seguir vivendo. ... Por que não.Em cantar na televisão O sol é tão bonito Eu vou...

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