You are on page 1of 3

12/04/13

Participação do Estado na Economia

Ano I - Nº 01 - Maio de 2001 - Bimensal - Maringá - PR - Brasil - ISSN 1519.6178

Participação do Estado na Economia
Sergio Ribeiro* Para que um sistema tributário seja considerado ideal e, por inferência, eficiente ele deve seguir algumas prerrogativas que delimitem o seu campo de ação, dentro da concepção de Estado da classe dominante que, em última análise, acaba por dar direção ao governo. Destarte para que o sistema tributário seja considerado como tal ele deve conseguir arrecadar as receitas públicas suficientes para manter a estrutura do Estado. De forma que este preste os serviços considerados essenciais à maioria da população. Todavia delimitar quais funções são essenciais e, em conseqüência, quais o Estado deve realizar se constitui uma tarefa árdua. Isto porque, sendo diferentes, os indivíduos ocupam lugares díspares no corpo social e, por isto, acabam por ler de maneira dualista, ou pluralista, a sociedade. Assim devido as diferentes posições na estrutura de classes os indivíduos analisarão de forma, segundo matizes ideológicos, diferente quais bens o Estado deve fornecer e de qual maneira atuar. Sendo assim, se o indivíduo tiver inspiração liberal, o campo de ação do governo será bastante exíguo. Em contrário senso, se os indivíduos se posicionarem mais à esquerda, ou se tiverem inspiração socialista ou keynesiana, eles acabarão, fatalmente, legando ao Estado uma maior gama de atribuições. Dentro deste contexto o sistema tributário é de suma importância, pois são as despesas previstas pelo Governo é que, em última análise, definem o montante de recursos a ser arrecadado pelo sistema tributário. Logo se a inspiração for a do liberalismo o Estado interferirá o mínimo necessário. Desta forma os gastos do Estado seriam diminutos não havendo, assim, necessidade de se arrecadar um grande montante de recursos e, por isto, se exigiria pouco do sistema tributário. No entanto se a inspiração for mais a esquerda, socialista ou keynesiana, se exigirá uma maior atuação do sistema tributário, visto que o Estado, nestes casos é mais dispendioso. Dentro destas perspectivas o Estado é visto sob duas óticas distintas : a dos liberais e dos que pregam a intervenção, de forma acentuada, do Estado na economia. Para os primeiros é o princípio do mercado livre e auto-regulador que dá o norte a seguir. Assim as funções do Estado devem ser tais que não interfiram na livre alocação dos recursos que, sejam eles Capital ou trabalho, na ausência de quaisquer barreiras seriam eficientes. Deste modo o Estado para corresponder ao ideal liberal “...não deve apenas proteger a propriedade privada, mas deve, também, ser constituído de tal forma que o curso suave e pacífico de seu desenvolvimento nunca seja interrompido por guerras civis, revoluções ou insurreições...” ( MISES, 1987, p.40 ). Pode-se notar que os estado liberal se conforma com a manutenção do status quo, mesmo que tal posicionamento implique em uma condição social precedente, onde pode haver uma desigualdade substancial entre os membros do corpo social. Reduzi-la não seria atribuição do Governo. À esta visão se compatibilizaria um sistema tributário que sofresse forte influência do princípio do benefício, onde existiriam poucos impostos e, em contrapartida, o financiamento dos serviços públicos seria feito por via de taxas, onde quem realmente usasse os serviços os financiariam e não a sociedade como um todo. Seguindo-se a perspectiva liberal torna-se evidente que o principio da livre atuação das empresas no mercado seria a forma mais racional de se conduzir uma sociedade ao desenvolvimento. Deste modo a atuação do Estado na economia seria subsidiaria à atuação privada dos indivíduos que, na busca por ganhos , lucros e congêneres levaria a sociedade a um devir constante. Entretanto como e ínsito à própria natureza das mudanças sócio-econômicas há avanços e retrocessos. Em contrapartida o Estado deveria intervir
www.urutagua.uem.br//ru35_politica.htm 1/3

Conseqüência de tal teoria seria um Estado barato que deveria se sustentar com uma quantidade mínima de recursos para que não onere de maneira substancial o setor privado. Em decorrência disto seria necessário que deixasse o mercado sob a atuação da mão-invisível que.br//ru35_politica. Apesar das críticas o Estado vem desempenhando um papel cada vez maior na economia. À visão liberal do Estado mínimo se impõe a perspectiva de um Estado voltado ao bem estar social. sozinho... Assim para SMITH a intervenção humana através do Estado deveria se periférica em relação à dinâmica social.urutagua.. nas palavras de Smiles.o progresso nacional é a soma da diligência e da integridade individual. mesmo que de forma gratuita. tão poderoso que ele. Tal perspectiva liberal se torna bastante vulnerável. Isto posto a teoria liberal conduz a um individualismo e a uma luta constante por lucros e. por isto. a princípio. Entretanto em vários períodos foi o Estado que garantiu.” (BRUNHOFF. em tese.. acesso aos bens e serviços públicos considerados essenciais. conduzindo a um a maior ganho para um maior número de pessoas. Demonstra-se desta maneira que. acabaria por alocar de forma satisfatória os fatores de produção. a participação do Estado como agente econômico é essencial. 1999. 1994 ).. refrear as paixões humanas e.. Também decorre daí que a atuação do Estado como empreendedor se tornaria prejudicial à concorrência sob a égide a da mão invisível de Smith. Aliás a desigualdade inerente ao capitalismo advém da apropriação da mais valia por parte dos capitalistas tal como consignado por Marx. pelo menos ignorar as condições históricas que determinaram a evolução do capitalismo. onde as empresas atuariam livremente no mercado. aos serviços de saúde. “. Como o egoísmo mais desejo individual de ganho levariam a uma maior prosperidade para todos. inobstante as críticas liberais. assim.” ( SMITH apud CARNOY. em determinados períodos. busca garantir à classe proletária algumas conquistas sociais. Seguindo esta orientação foi concebido o Estado-Providência que se difundiu de maneira acentuada no período do pós-guerra. Seguindo este posicionamento alguns liberais tenderam a ver as disparidades econômicas entre as nações como sendo decorrentes das características naturais do comportamento dos indivíduos na coletividade.61 ). o desenvolvimento econômico. 37 ). visto que atribuir às diferenças nacionais um determinismo moral é. Isto se deve ao fato de SMITH ver no egoísmo natural dos indivíduos a mola propulsora da sociedade. colocados muito freqüentemente pela loucura das leis humanas para dificultar as suas ações.12/04/13 Participação do Estado na Economia somente para. às indenizações de desemprego. Tal forma de Estado tem como escopo de o bem-estar social e. desta maneira. às pensões. Desta maneira o Estado de bem-estar social “.uem. e do próprio capitalismo.. assim como a decadência nacional é a soma do egoísmo e da imoralidade individual. 1991. o que. por sua vez tende à acumulação de capital por determinados indivíduos em detrimento de outros. por sua vez.. p. Este. Isto posto todos teriam.” ( Smiles apud Bellamy. através de seus gastos.designa o financiamento público das despesas consagradas ao ensino.htm 2/3 . Destarte um estado para corresponder ao ideal liberal deveria ser barato e deixar que o mercado livre cuide da distribuição da riqueza. garantir a manutenção da propriedade privada. quando se permite exercê-la com liberdade e segurança é.. alocando recursos em atividades que não eram vistas como lucrativas pelo setor privado. o que também ocorre a nível supranacional. no dizer liberal. mas de superar uma centena de obstáculos inoportunos. em suma a uma ampla proteção social. a um Estado que permita o fornecimento de bens e serviços. e sem nenhum auxílio. alguns liberais tenderam a propugnar que a pobreza e a riqueza das estavam vinculadas ao caráter coletivista do país. mas que eram de suma importância para o desenvolvimento da economia de mercado. P.. ou seja. o esforço para melhorar a sua própria condição.. www.. não somente é capaz de conduzir a sociedade a riqueza e a prosperidade. desta forma “. por sua vez faz com que ele exija cada vez mais recursos para sustentar os seus gastos.

buscam conceber o Estado de forma a garantir maiores dispêndios sociais. 1991. a saúde.12/04/13 Participação do Estado na Economia Se averigua que o Estado-Providência impõe uma maior intervenção na economia com o intuito de garantir o fornecimento de bens e serviços públicos.br//ru35_politica.UEM www. 1987. portanto. Seguindo estritamente a lógica liberal tais problemas adicionados ao da distribuição da renda ficariam a cargo do mercado. sob a égide da doutrina liberal. Desta maneira as formas de gerir o Governo moldam o Estado.. regulação econômica. deste modo ". Em contrário senso tem-se as correntes que pregam um maior intervencionismo estatal e. A neutralidade econômica do Estado. que deve limitar-se a fazer respeitar as regras gerais do jogo garantindo a ordem social e a segurança da propriedade pano de fundo do livre funcionamento dos mercados. Para atender a demanda desta forma de Estado o sistema tributário teria como substrato essencial o princípio da capacidade de pagamento.as relacionadas com a proteção à vida. Contudo fica evidente que sob a ótica liberal a proteção social fica relegada a segundo plano. Assim o Estado só deveria intervir para garantir a liberdade das empresas no mercado e segurança dos agentes econômicos. em alguns casos. Entre estes estão a segurança nacional. p. Este sendo de inspiração socialista ou intervencionista preconizará vultosos gastos com o serviço social e com a política econômica. * Acadêmico no Curso de Direito . visto que a lógica de mercado privilegia o lucro e a acumulação de capital. justiça e assistência aos desempregados. distribuição da renda." ( BRUNHOFF... O que se constitui uma incoerência. como também a educação e. à propriedade e à saúde. saúde.. p.uem." ( MISES. Mas a progressividade decorrente do princípio da capacidade de pagamento tem que se adequar aos demais princípios inerentes a um sistema tributário eficiente sob pena de desvirtuá-lo. A configuração do Estado.o velho laissez-faire encontra uma sofisticada justificação moderna. policiamento. haja vista a sua característica de tornar possível a imposição de um maior ônus tributário às classes mais abastadas.urutagua... a educação. buscaria uma sistema tributário baseado no princípio do benefício e da neutralidade e.40 )... à liberdade. não se devendo aumentá-las ao ponto de atingirem proporções monstruosas.htm 3/3 . Já sob o prisma liberal se constituem em funções indispensáveis ao governo ".117 ).