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Universidade Estadual de Feira de Santana Departamento de Ciências Sociais Aplicadas Curso: Direito Disciplina: Introdução ao Direito Docente: Agenor

Sampaio Neto

Fichamento

Bobbio, Norberto. Teoria do Ordenamento Jurídico. 10ª Ed. Brasília. Editora UNB, 1999, p. 19-70. p. 19-20 – “(...) as normas jurídicas nunca existem isoladamente, mas sempre em um contexto de normas com relações particulares entre si (...)”. Esse contexto de normas costuma se chamado de “ordenamento”. “Ainda que seja óbvia a constatação de que as regras jurídicas constituem sempre uma totalidade, e que a palavra “direito” seja utilizada indiferentemente tanto pra indicar uma norma jurídica particular como um determinado complexo de normas jurídicas, ainda assim o estudo aprofundado do ordenamento jurídico é relativamente recente (...)”. Os problemas gerais do Direito foram tradicionalmente mais estudados de ponto de vista da norma jurídica, considerada como um todo que se basta a si mesmo. p. 21-22 – O Direito não é norma, mas um conjunto coordenado de normas, sendo evidente que uma norma jurídica não se encontra jamais só, mas está ligada a outras normas com as quais forma um sistema normativo. “O isolamento dos problemas do ordenamento jurídico dos da norma jurídica e o tratamento autônomo dos primeiros como parte de uma teoria geral do Direito foram obra, sobretudo de Hans Kelsen”. Assim, “(...) uma definição satisfatória do direito só é possível se nos colocarmos de ponto e vista do ordenamento jurídico (...)”. p. 23-24 – Por critério formal entende-se aquele pelo qual se acredita poder ser definido o que é o Direito através de qualquer elemento estrutural das normas. Com respeito à estrutura, as normas podem distinguir-se em positivas e negativas, categóricas ou hipotéticas, gerais ou individuais. A primeira e terceira distinções não oferecem nenhum elemento caracterizador do Direito, pois em qualquer sistema normativo encontra-se tanto positivas quanto negativas, tanto gerais quanto individuais. Quanto À segunda distinção, num sistema normativo existem apenas normas hipotéticas. Por critério material entende-se aquele critério que se poderia extrair do conteúdo das normas jurídicas, isto é, das ações reguladas. p. 25-26 – “ O que essa teoria da soberania convida a observar, antes de tudo, é que, definindo o Direito através do poder soberano, já se realizou o salto da norma isolada para o ordenamento no seu conjunto”. “Se é verdade que um ordenamento jurídico é definido através da soberania, é também verdade que a soberania em uma determinada sociedade se define através do ordenamento jurídico. Poder soberano e ordenamento jurídico são dois conceitos que se referem um ao outro”. Dizer que a norma jurídica é a emanada do poder soberano equivale a dizer que norma jurídica é aquela que faz parte de um determinado ordenamento. O critério do sujeito ao qual a norma é destinada pode

conforme se considere como destinatário o súdito ou o juiz. “(.) mesmo o ordenamento mais simples. 31-33 – Não há ordenamento composto de uma norma só e não existem senão três possibilidades de conceber um ordenamento composto de uma norma única: 1. Tudo é proibido: uma norma desse tipo termina impossível qualquer vida social humana. Tudo é obrigatório: também torna impossível a vida social. o fenômeno jurídico encontra sua adequada aplicação. uma norma que subtrai daquela regulamentação particular todas as outras ações possíveis. Uma norma consuetudinária torna-se jurídica quando vem a fazer parte de um ordenamento jurídico. “Definir através da noção de sanção organizada significa procurar o caráter distintivo do Direito não em um elemento da norma.. transferindo o problema da determinação do significado de “jurídico” da norma para o ordenamento.) o que comumente chamamos de Direito é mais uma característica de certos ordenamentos normativos que de certas normas”. mas um complexo orgânico de normas”. Se sanção jurídica é só a institucionalizada. Toda norma particular que regula uma ação implica uma norma geral exclusiva.. é composto de pelo menos duas normas”.. para que haja Direito. O principal problema de uma teoria do costume é determinar em que ponto uma norma consuetudinária jurídica distingue-se de uma norma consuetudinária não-jurídica. p.) não existem ordenamentos jurídicos porque há normas jurídicas. isto é.. p. da aplicação de uma sanção. com a convicção de que. “não-x é permitido”. ou seja. se a sanção faz parte do caráter essencial das normas jurídicas. A afirmação pura de que a norma jurídica é a dirigida aos súditos é inconcludente por sua generalidade. o que consiste numa só prescrição de uma ação particular. é necessário que haja uma organização. entende-se que. 3. Dessa forma. “(. muito provavelmente. Para definir a norma jurídica bastará dizer que a norma jurídica é aquela que pertence a um ordenamento jurídico. Considera-se tal o ordenamento de uma monarquia absoluta. em certo ponto de sua pesquisa de deixar a norma em particular pelo ordenamento. O problema da definição do Direito encontra sua localização apropriada na teoria do ordenamento jurídico e não na teoria da norma. mas existem normas jurídicas porque há ordenamentos jurídicos distintos dos ordenamentos não-jurídicos” p. Essa definição é uma confirmação da necessidade em que se acha o teórico geral do Direito. se a violássemos. “a norma que prescreve só beber vinho implica a norma que permite fazer qual que outra coisa diversa de beber vinho”. Em todo o ordenamento.apresentar duas variantes. Tudo é permitido: mas uma norma de tal gênero é a negação de qualquer ordenamento jurídico. Diz-se que jurídica é a norma seguida da convicção ou crença na sua obrigatoriedade. em que todas as . um completo sistema normativo.. 30 – Um outro problema no plano da norma jurídica é o direito consuetudinário. pode-se afirmar que se “x é obrigatório”. isto é. ao lado das normas de conduta existem as normas de estrutura ou de competência. Analisando o fenômeno das normas sem sanção e partindo da definição da norma jurídica. e a sanção jurídica através dos aspectos de exterioridade e de institucionalização. só em uma teoria do ordenamento. as normas sem sanção não são normas jurídicas p. é concebível um ordenamento composto de uma só norma de estrutura. 34-35 – Entretanto. iríamos ao encontro do poder jurídico e. “(. significa que.. 27-29 – Determina-se a norma jurídica através da sanção. 2.

quer dizer. na recepção o ordenamento jurídico acolhe um preceito já feito. A delegação de poder de produzir normas jurídicas a poderes ou órgãos inferiores. Não existe entre os homens um só ordenamento. 41-43 – “Em cada ordenamento o ponto de referência último de todas as normas é o poder originário. pois limita-se a formular normas genéricas e confia ao órgão executivos o encargo de torná-las exeqüíveis. È impossível que o Poder Legislativo formule todas as normas necessárias para regular a vida social. “(. o poder além do qual não existe outro pelo qual se possa justificar o ordenamento jurídico”.) pode-se pensar também em lançar mão do costume como uma autorização aos cidadãos para produzir normas jurídicas através de seu próprio comportamento uniforme.. A mesma relação existe entre normas constitucionais e leis ordinárias.. Os ordenamentos jurídicos podem ser simples ou compostos. que um ordenamento tenha uma só norma de estrutura não implica que também haja apenas uma norma de conduta. Para isso. além da unidade. Conforme se vai subindo na hierarquia das fontes. normas gerias e abstratas.. quer dizer.. pouco institucionalizada. que recobre um grupo social de poucos membros. 2. Este poder originário é chamado de fonte das fontes.)”.)”.)”. A recepção de normas já feitas. mas muitos e de diversos tipos. p.) um ordenamento restrito. a diferença das leis a sua produção é confiada geralmente ao Poder Executivo por delegação do Poder Legislativo (. A complexidade de um ordenamento jurídico deriva do fato de que a necessidade de regras de conduta numa sociedade é tão grande que não existe nenhum poder em condições de satisfazê-la sozinha. ou ao filho mais velho.). ao contrário. às vezes o pai recebe regras já formuladas pelos antepassados (. as normas tornam-se cada vez menos numerosas e mais genéricas. Em primeiro lugar se trata de saber se as normas constituem uma unidade. em cada ordenamento. com a família. p. Por essa razão. “(. Em segundo lugar trata-se de saber se o ordenamento jurídico constitui. ao lado da fonte direta tem-se fontes indiretas que podem ser fontes reconhecidas ou fontes delegadas. ordenando uma produção futura. 36-38 – A dificuldade de rastrear todas as normas que constituem um ordenamento depende do fato de geralmente essas normas não derivaram de uma única fonte. Pareceria impróprio falar de um poder de produção de normas consuetudinárias. A complexidade de um ordenamento jurídico deriva portanto da multiplicidade das fontes das quais afluem regras de conduta.. Entretanto. é geralmente um ordenamento complexo: nem sempre a única fonte das regras de conduta dos membros do grupo é a autoridade paterna. as quais podem ser consideradas como os regulamentos executivos das diretrizes de princípio contidas na Constituição... “O fato de existir uma só norma de estrutura tem por conseqüência a extrema variabilidade de norma s de conduta no tempo (. 39-40 – Típico exemplo de fonte reconhecida é o costume nos ordenamentos estatais modernos. elas tornam-se cada vez mais numerosas e específicas. os principais problemas com a existência de um ordenamento são os relativos às diversas relações das normas entre si. “Os regulamentos são. conforme as normas que os compõem derivam de uma só fonte ou de mais de uma. o poder supremo recorre a dois expedientes: 1.. p.normas parecem ser condensadas na seguinte: “È obrigatório tudo aquilo que o soberano determina”.. Típico exemplo de fonte delegada é o regulamento com relação à lei. mas.. também um sistema.. as vezes delega uma parte do poder normativo à esposa. considerar também o costume entre as fontes delegadas (. Por outro lado. como as leis. onde a fonte direta é superior a lei. na delegação. . Se um ordenamento jurídico é composto de mais de uma norma.. manda fazê-lo. e de que modo a constituem. descendo.

a aceitação de uma normatização consuetudinária corresponde à hipótese de um ordenamento que nasce limitado. se o concebermos como um ordenamento simples. 44-45 – “ De um lado. e o poder civil nasce sem limites: qualquer limitação futura será autolimitação. O conhecimento de um ordenamento jurídico começa sempre pela enumeração de suas fontes. Fala-se. aqueles que estipulam o contexto renunciam completamente a todos os direitos do estado natural. Em cada grau normativo encontraremos normas de conduta e normas de estruturas. A sociedade civil. mas o modo de regular um comportamento. Ao se considerar as normas como imperativas. mas uma sociedade na qual vigora normas morais. é concebido como emergente de um estado jurídico mais antigo que continua a subsistir”. de limite interno do poder normativo originário. a multiplicação das fontes não deriva de uma limitação proveniente do coque com uma realidade normativa constituída. È a presença das normas de estrutura que constituem a complexidade do ordenamento jurídico. no . “Segundo o pensamento jusnaturalista. deste modo. etc. O novo ordenamento que surge não elimina nunca completamente as estratificações normativas que o procederam: parte daquelas regras têm a fazer parte do novo ordenamento. ou seja. mas de uma autolimitação do poder soberano. elas não regulam o comportamento. regula também o modo pelo qual se devem produzir as regras. uma vez constituído. o qual. então. o poder civil originário forma-se a partir de um estado de natureza através de procedimento caracterizado contrato social”. O ordenamento jurídico. de um limite externo do poder soberano. ou seja. representando aqui por aquele direito que vive no estado natural: de outro. se o pai renunciar a regulação de um setor da vida familiar e confiar à mãe esse poder. não são todas diretamente dirigidas aos cidadãos às leis penais e grande parte das leis de processo têm a finalidade de oferecer aos juízes instruções sobre o modo através do qual eles devem produzir as normas individuais e concretas.. Nesse caso. Existem duas normas de conceber esse contrato social: na hipótese hobbesiana. o fato de que num ordenamento real as normas afluem através de diversos canais. “(. teremos nesse ordenamento uma segunda norma sobre a produção jurídica. por exemplo. sobre a qual se forma um ordenamento. As de primeira instância podem ser imperativas. Numa Constituição. “Um ordenamento não nasce num deserto”.. O poder originário. haverá apenas uma regra para a produção jurídica: “ O pai tem a autoridade de regular a vida da família”. além de regular o comportamento das pessoas. não é uma sociedade natural. atribuindo a órgãos executivos o poder de estabelecer normas integradoras subordinadas às legislativas. Existem normas de comportamento ao lado de normas de estrutura. sociais.) fontes de direito são aqueles fatos ou atos dos quais o ordenamento jurídico faz depender a produção de normas jurídicas. 2. Quanto às leis ordinárias. “Exemplificando. cria novas centrais de produção jurídica. consuetudinárias. regula a própria produção normativa. podemos classificá-las em imperativas de primeira instância e imperativas de segunda instância. 46-48 – Num ordenamento familiar. ou seja. p.A complexidade do ordenamento. completamente privada de leis. depende historicamente de duas razões fundamentais: 1. As normas de estrutura são as que regulam os procedimentos de regulamentação jurídica. o ordenamento positivo é concebido como tabula rasa de todo o direito preexistente. mas existem outras normas que regulam o processo através do qual o Parlamento pode funcionar para exercer o Poder Legislativo. p. As de segunda instância. há normas que atribuem direitos e deveres aos cidadãos. Falase. proibitivas e permissivas. então. a atribuição de um poder regulamentar corresponde à hipótese de um ordenamento que se autolimita”. Entretanto. surge limitado pelos ordenamentos precedentes.

uma série de processos de execução jurídica”. são constituídos por todas aquelas normas da Constituição que prescrevem o modo de funcionamento dos órgãos legislativos (. A teoria da construção escalonada do ordenamento jurídico serve para dar uma explicação da unidade de um ordenamento jurídico complexo. Normas que permitem ordenar. “O primeiro tipo de limite refere-se ao conteúdo da norma que o inferior está autorizado. Devido a essa estrutura de normas superiores e inferiores. Normas que permitem permitir. p. Essa á a norma fundamental. isto é. 6. Uma norma que excede os limites materiais ou formais está sujeita a ser declarada ilegítima e a ser expulsa do sistema. que são produtoras.. A mesma norma pode se considerada executiva e produtiva. assim como chamamos de produtoras as normas inferiores. tem-se um ordenamento disposto em ordem hierárquica.. 9. que não depende de nenhuma outra e sobre a qual repousa a unidade do ordenamento. somente produtiva) e a de grau mais baixo (que são os atos meramente executivos). 56-57 – As leis relativas ao procedimento constituem os limites formais da atividade do juiz. “Seu núcleo é que as normas de um ordenamento não estão todas no mesmo plano”.)” p. em diversos níveis. as inferiores dependem das superiores. “ A observação desses limites é importante. Os limites com que o poder superior restringe e regula o poder inferior são de dois tipos: relativos ao conteúdo e relativos à forma. 7. Normas que mandam permitir. È ela que faz das normas espalhadas e de várias proveniências um conjunto unitário que pode se chamado “ordenamento”. ele está autorizado a estabelecer normas jurídicas no caso concreto. ao modo ou ao processo pelo qual a norma do inferior deve ser emanada”. Porém. Fala-se. conforme a constitui ção impunha ao legislador ordinário estabelecer normas numa determinada matéria (ordem de mandar) ou lhe proíba estabelecer normas numa determinada matéria ( proibição de mandar ou ordem de permitir)”. Normas que manam proibir.. Esse duplo processo ascendente e descendente pode ser esclarecido com noções de “poder” e “dever”. as normas constitucionais”. porque eles delimitam o âmbito em que a norma inferior emana legitimamente (.. 2. mas deve estabelecê-las segundo um ritual em grande parte estabelecido pela lei. 8. Normas que proíbem permitir. veremos. exceto a fase de grau mais alto (que é a norma fundamental. O ato executivo está ligado as normas constitucionais. “Chamamos de ato executivo o ato de alguém que executa um contrato. Essa estrutura hierárquica pode ser representada por uma pirâmide: “Se a olharmos de cima para baixo. Um ordenamento complexo constitui uma unidade pelo fato de que todas as fontes do direito podem ser remontadas a uma única norma. Normas que proíbem proibir.)”. 49-52 – A complexidade do ordenamento não exclui sua unidade. em limites naturais e limites formais. “Quanto aos limites formais. Normas que permitem proibir. os termos “execução” e “produção” são relativos. Normas que mandam ordenar. “Os limites de conteúdo podem ser positivos ou negativos.entanto. normas inferiores. se a olharmos de baixo para cima. o segundo refere-se à forma. são executivas e produtivas ao mesmo tempo. Enquanto a produção jurídica é a expressão de um poder. 3. podem ser: 1. o poder normativo é sempre mais circunscrito. Existem as normas superiores e inferiores. p. “chama-se juízos . a execução revela o cumprimento de um dever. 4. 5. pirâmide. numa estrutura hierárquica do ordenamento jurídico. produtiva com respeito à norma inferior. Normas que proíbem ordenar. então. até chegar a uma norma suprema. executiva com respeito à norma superior. ao contrário. Todas as fases de um ordenamento. um poder normativo. 53-55 – “Quanto um órgão superior atribui a um órgão inferior. então. veremos uma série de processos de produção jurídica.

o legislador constituinte é delegado de Deus. p. atribui ao órgãos constitucionais poder de fixar normas válidas. se quisermos. p. enquanto pertence a um ordenamento jurídico. A norma fundamental mesmo não expressa é o pressuposto da nossa obediência às leis que derivam da constituição. na norma fundamental. ou melhor. se quisermos uma proposição evidente que é posta no vértice do sistema para que a ela se possam reconduzir todas as demais normas. “Para quem sustenta essa teoria. mas no sentido de que . do poder”. p. supremo. originário. ou. A norma fundamental estabelece que é preciso obedecer ao poder originário. há também a crítica no que diz respeito ao seu conteúdo. “(.de equidade aquelas em que o juiz está autorizado a resolver uma controvérsia sem recorrer a uma norma preestabelecida”. não deve absolutamente ser interpretada no sentido de que devemos nos submeter à violência. A norma fundamental é o fundamento de validade de todas as normas de sistema e o princípio unificador das normas de um ordenamento. 66-68 – Porém. não se deve confundir poder com força. da justificação. O Direito é uma regra formal da conduta humana. “Quando a norma fundamental diz que se deve obedecer ao poder originário. 64-65 – Essas respostas são: a) todo poder vem de Deus. A norma fundamental não é expressa. “Uma norma existe como norma jurídica. Se não a postulássemos. c) “O dever de obedecer ao poder constituído deriva de uma convencer originária. ou. foi autorizado por deus a formular normas jurídicas válidas. ou é juridicamente válida. mas nós a pressupomos para fundar o sistema normativo. Essa doutrina integra a norma fundamental de um ordenamento jurídico afirmando que o dever da obediência ao poder constituinte deriva do fato de que tal poder deriva de Deus.) se os limites materiais ao poder normativo do juiz não derivam da lei escrita. È uma norma ao mesmo tempo atributiva e imperativa. Como todo poder normativo pressupõe uma norma que o autoriza a produzir normas jurídicas.. que é “o conjunto das forças políticas que num determinado momento histórico tomaram o domínio e instauram um novo ordenamento jurídico”. Alem da objeção sobre o fundamento da norma fundamental. impõe a todos aqueles aos quais se referem as normas constitucionais o dever de obedecê-las”. 61-63 – Uma norma é válida quando puder ser reinserida. não acharíamos o ponto de apoio do sistema. como pode ser o costume ou o precedente judiciário”. tem-se a norma fundamental. p. A norma fundamental é uma convenção. da qual o poder tira a própria justificação”. o poder constituído encontra sua legitimidade na vontade concorde daqueles que lhe dão vida. enquanto. por um lado. 58-60 – “O poder constituinte é o poder último. De acordo com o chamado “contrato social”. e cada uma delas pode ser concebida como a formulação de uma norma superior à norma fundamental. O legislador ordinário é delegado do legislador constituinte. a norma fundamental de um ordenamento positivo fundada sobre uma lei natural que manda obedecer à razão. a qual por sua vez manda obedecer ao governante. em sentido absoluto. derivam de outras fontes superiores. num ordenamento jurídico”. “O fato de essa norma não ser expressa não significa que não exista: a ela nos referimos como o fundamento subtendido da legitimidade de todo o sistema”. “ A norma fundamental. isto é. não importa se através de um ou mais graus.. O grau superior é o poder normativo divino. “Com o problema do fundamento da norma fundamental saímos da teoria do Direito positivo e entramos na secular discussão em torno do fundamento. Ordenamento jurídico e norma fundamental são indissociáveis. b) O dever de obedecer ao poder constituinte deriva da lei natural. Existem algumas respostas dadas ao problema do fundamento último do poder.

diz que por Direito. A teoria enunciada por Kelsen e defendida por Ross. num ordenamento jurídico. deve-se entender não um conjunto de normas que se tornam válidas através de força. ou seja. é necessário o poder coercitivo. mas um conjunto de normas que regulam o exercício da força numa determinada sociedade. 69-70 . . O ordenamento jurídico existe enquanto seja eficaz. “Os detentores ao poder são aqueles que têm a força necessária para fazer respeitar as normas que deles emanam”. “As regras para o exercício da força são. ao contrário. pertinência que por sua vez. se determina remontando da norma inferior à norma até a norma fundamental. O Direito é um conjunto de regras com eficácia reforçada. mas não para justificá-lo. Mas é uma definição extremamente limitada. isto é. mas simplesmente através da sua pertinência ao ordenamento. o poder de fazer respeitar.devemos nos submeter aqueles que têm o poder coercitivo”. portanto para tornar mais eficazes as normas de conduta e o próprio ordenamento em sua totalidade”. A juridicidade de uma norma não se determina através de seu conteúdo. aquela parte de regras que serve para organizar a sanção e. A força é necessária para exercer o poder.A definição do direito como conjunto de regras para o exercício da força é uma definição do direito que podemos classificar entre as definições quanto ao conteúdo. tomado em seu conjunto e não condenando uma norma singular. p.