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FILOSOFIA DO DIREITO

Alysson Rachid

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INTRODUÇÃO No Ocidente ela é fruto da cultura grega, constituindo um dos pilares da cultura ocidental, podendo ser interpretada como “amor ou amizade pela sabedoria”.
Possui como finalidade despertar a reflexão a fim de se buscar verdades. Visa o novo, possibilitando mudanças e melhorias. A filosofia do direito, como o próprio termo diz, é a filosofia aplicada ao direito. Busca analisar as atitudes e as atividades dos operadores de direito e juristas. Desde o seu nascimento, por volta do século VI a.C, destacam-se algumas características relevantes quanto o seu conteúdo, o seu método e a sua finalidade, que podemos resumir da seguinte forma:

Conteúdo

Conteúdo Método Finalidade Método A filosofia busca a explicação de tudo por meio da razão, de forma que procura ser a explicação racional da totalidade das coisas. Nesse sentido, o pensamento racional tentou substituir as explicações mitológicas e religiosas. Finalidade A finalidade da filosofia é a busca da verdade ou, em outros termos, é a vontade de se alcançar o conhecimento.

A filosofia procura explicar todas as coisas, não se limitando a uma parte ou setor da realidade, como ocorre em ciências como a biologia e a física, por exemplo. Assim, resumimos que a filosofia procura ser a explicação de tudo.

Moral Trata-se de algo intrínseco. DIREITO O termo “direito” possibilita diversas interpretações. de forma que não atribui algo objetivo. No entanto.FILOSOFIA DO DIREITO – Alysson Rachid 592 Assim. algumas teorias me. • Elementos A filosofia do direito. ser analisado como: Direito Um conjunto de normas. Bilateralidade . podendo. podemos dizer que a filosofia é um conhecimento que busca chegar à verdade e a causa das coisas através da razão. de certa forma. Sob esse aspecto o direito representa apenas uma parte da moral. sendo esta bem mais ampla. observa e analisa elementos fundamentais para o entendimento do fenômeno jurídico. pelo menos. amorais. Todas as relações envolvem. Um comportamento de um grupo na sociedade A busca de fins importantes (por exemplo a justiça) O resultado de um processo histórico • Direito e Moral Ao se estudar direito e moral. • Características Direito Atributividade Atribui um valor ou obrigação ao ato. defende que. Todas as relações envolvem. apesar de ambos se encontrarem em determinados aspectos. b) Teoria de Miguel Reale: Essa teoria separa o direito da moral. duas pessoas. por meio de seus pensadores. que poderá ser cobrado ou exigido. por exemplo. existem pontos do direito que não são abrangidos pela moral sendo. • Teoria do mínimo ético  recem destaque:  • Teoria de Miguel Reale a) Teoria do mínimo ético (Georg Jellinek): Por essa teoria o direito estaria dentro da moral. Daí nascem questões como o que é o direito e o que é a justiça. duas pessoas. pelo menos.

• Grécia Arcaica No início do período Arcaico vigorou na sociedade grega um Direito de caráter divino. podemos dizer que a moral. ao contrário do direito. Com o passar do tempo as vendetas começaram a enfraquecer os próprios grupos. por exemplo. vindo a formar o Estado Moderno. Através de uma evolução lenta o Estado passou a concentrar a aplicação das sanções e centralizou a produção jurídica. obrigando os homens a procurarem novas formas para solucionar os conflitos. por exemplo. Se um sujeito de um grupo fosse lesado por um membro de outro grupo. A essa forma de organização dá-se o nome de vendeta. Podemos dizer que a partir desse momento inicia-se a formação do Estado e encerra-se a ordem jurídica primitiva. dente por dente”. se uma pessoa caísse de uma árvore. Heteronomia PROCESSO HISTÓRICO O direito hoje é o resultado de uma evolução de como as pessoas se organizaram ao longo da história. o que concordamos. É a vontade de outra pessoa como. mesmo em relação a objetos inanimados como. tais como: . onde a ofensa deixaria de ser “vingada” e passaria a ser “indenizada” de acordo com um julgamento. de forma que. aplicando o Princípio da Retributividade (Vingança de sangue). sempre que uma sociedade sofre alterações. a existência humana enquadrava-se em um mundo misterioso de trevas e luz. o grupo todo do ofendido reagiria contra o agrupamento do ofensor. mesmo contra as suas vontades. nos moldes da Lei de Talião “olho por olho. Estabeleceu-se a composição. necessariamente. onde uma autoridade imparcial passará a aplicar as sanções. é autônoma. O indivíduo age de acordo com a sua vontade interior. que é quem escolhe e julga o seu ato. Assim. Entre os gregos. É a vontade do próprio indivíduo. A ofensa deveria ser reparada da mesma forma que havia sido praticada. o direito se altera também. seus parentes deveriam cortá-la e com os pedaços deveriam fazer lenha como retribuição pela queda do familiar. É espontânea. No direito primitivo a sanção chegou a ser praticada de forma coletiva.593 Alysson Rachid – FILOSOFIA DO DIREITO Direito Coercibilidade Possui mecanismos de coação que forçam os indivíduos. Não é. a praticarem ou não alguma coisa. com deuses mitológicos de representação opostas. Moral Não possui instrumentos de coação. do Estado ou do Soberano. • Sociedade Primitiva O homem primitivo interpretava os fatos de forma pessoal. por conta das lutas frequentes entre eles.

As leis teriam sido reveladas pelos deuses aos antepassados e transmitidas para as gerações seguintes. • Ordem. se faz necessário compararmos aspectos do Direito Natural (Subjetivo) com o Direito Positivo (Escrito/posto): Direito Natural (Subjetivo) – É um sistema de normas de condutas intersubjetivas. • Juspositivismo Trata-se do positivismo jurídico que estuda e reconhece somente o direito posto (escrito). Enquanto os filósofos Pré-Socráticos destacam a dualidade entre ordem (Apolo) e desordem (Dionísio). Dionísio Representa: • Desequilíbrio. Opõe-se ao jusnaturalismo ao defender somente a existência de um sistema jurídico que corresponde às normas que são editadas pelo legislador. Preocupa-se muito mais com a ética e com a moral do que com aspectos formais. . – Busca uma compreensão universal para o fenômeno jurídico. JUSNATURALISMO E DIREITO NATURAL Para o estudo da doutrina do Jusnaturalismo e do Direito Natural. devendo prevalecer em casos de conflito. considera o Direito Natural superior ao Positivo. Sócrates. • Transgressão. • Desordem. Platão e Aristóteles destacam apenas o princípio da ordem. No entanto. • Medida justa.FILOSOFIA DO DIREITO – Alysson Rachid 594 Apolo Representa: • Equilíbrio. • Jusnaturalismo Trata-se da doutrina que admite as duas formas do direito (Direito Natural e Positivo). Direito Positivo (Escrito) – É um sistema de normas de condutas fixado pelo Estado.

595 Alysson Rachid – FILOSOFIA DO DIREITO Conflito entre Direito Natural e Direito Positivo Doutrina Jusnaturalista – Considerando que aceita a existência dos dois direitos. • Idade Média – O Direito Natural se identifica com a Lei de Deus. afasta qualquer possibilidade de conflito. – Encontra-se em Platão. • Século XIX – Início das dúvidas entre o jusnaturalismo e as leis positivadas. – Encontra-se em São Tomás de Aquino na forma de um Jusnaturalismo Teocêntrico. O Jusnaturalismo/Juspositivismo na história • Antiguidade – Elaborado na Grécia Antiga. – O positivismo jurídico ganha força. – Encontra-se em Calvino e Hugo Grocio. positivado. – Hans Kelsen (século XX) solidifica o positivismo jurídico com sua Teoria Pura do Direito. – Observa-se a razão. consequentemente. – No entanto. – As ordens de uma autoridade política não podem se sobrepor às eternas. procura afastar a possibilidade da ocorrência de conflitos. • Idade Moderna – Rompimento com a Teocracia. – O Direito Natural segue uma Lei Universal racional e imanente. entende que a lei positiva (escrita) espelha-se na lei natural e. pois não há como se admitir um conflito contra algo inexistente. principalmente pelos Estoicos. em Aristóteles e em Cícero (Roma). – O Direito Natural procura fundamentar um Direito reconhecido por todos os povos. . por conta disso. diante de eventual conflito o Direito Natural deve ser verificado e. Doutrina Juspositivista – Considerando que aceita somente o Direito Positivo.

necessariamente. a sua filosofia é estudada através de seus discípulos. As lições dos sofistas visavam. não só. compromisso com a verdade. • Arte retórica É a arte de convencer as pessoas. Não defendiam uma verdade única. os ensinamentos práticos do conhecimento de acordo com os interesses dos alunos. além do conhecimento de doutrinas. os Socráticos se afastaram da contemplação da natureza para a contemplação do homem. ensinando conhecimentos úteis para o sucesso dos negócios. o conteúdo. b) Sócrates (470-399 a. Acreditava que. • Ironia Socrática: “Sei que nada sei” Sócrates. e Xenofonte. Enquanto os Pré-Socráticos demonstravam interesse filosófico para o mundo da natureza. Cosmologia Antropologia Por não ter deixado escritos.) Foi um dos pensadores mais importantes do ocidente. o que não ocorre com as palavras expressas oralmente. as circunstâncias e um conjunto de fatores. de forma atraente. Vendiam. o desenvolvimento do poder da argumentação retórica. . ao buscar a verdade. com a famosa frase “sei que nada sei”. tendo em vista: – A complexidade das coisas. Firmavam concepções de acordo com o homem. o momento. colocou em dúvida os seus conhecimentos. dando nome a um período filosófico. do convencimento. que permanecem vivas no decorrer da história. Dominavam. se escrevesse algo. principalmente. visto que ela não era seu objetivo. seu pensamento poderia ser petrificado e interpretado de modo incorreto no futuro. mas sim o convencimento da plateia com a sua tese. principalmente Platão. a arte de falar em público de modo persuasivo.C. de quem foi mestre. • Compromisso com a verdade Não tinham.FILOSOFIA DO DIREITO – Alysson Rachid 596 FILOSOFIA E DIREITO NA GRÉCIA CLÁSSICA/ANTIGUIDADE • Ordem cronológica Sofistas Sócrates Platão Aristóteles a) Sofistas Eram mestres que possuíam um conhecimento extremo das matérias que ensinavam. mas também a técnica do discurso e da persuasão.

o sensível do inteligível e a aparência da ideia. se comprometerem com a verdade. o homem pode redescobrir as virtudes que existem em si mesmo.  Através da Dialética procura-se passar de um mundo para o outro. – Realidade inteligível. todos são capazes da ciência e possuem uma alma racional onde se encontra a verdade.597 Alysson Rachid – FILOSOFIA DO DIREITO – O fato de. • Dialética É a arte de se discutir e trabalhar com opiniões opostas.) A filosofia de Platão estabelece uma visão dupla do universo. Um dos ensinamentos mais importantes de Sócrates está no sentido de que todos os homens são iguais. a coragem e a piedade (STJCP). pois não é uma técnica. – Perfeição. c) Platão (427-347 a. sendo que. trata-se de uma teoria do conhecimento na qual se separa a opinião da verdade. – Imperfeição – Realidade sensível. Sócrates procurou buscar as verdades absolutas com o auxílio da dialética. Importante mencionar que os juristas devem possuir todas as virtudes para que possam exercer o direito. sem. Mundo das Aparências – Mundo das coisas. que pode ser resumida da seguinte forma: Mundo das Ideias – Mundo dos modelos. Trata-se de algo intrínseco à natureza do homem. a virtude não se ensina. que observavam a Arte Retórica para o convencimento de suas teses. naquela época. no entanto. Para Platão. através da dialética. Nesse sentido. convém destacar a sabedoria. a justiça.C. a temperança. a virtude. que pode ser resumida da seguinte forma: Dialética (Diálogo como método para se buscar a verdade) Exortação (Chamamento para a discussão) Indagação (Pergunta-se a respeito do tema) Refugação (Exposição dos argumentos a serem discutidos) Maiêutica (É o “nascimento” do conhecimento após um período de reflexão) Entre as virtudes. os conhecimentos serem transmitidos pelos sofistas. .

por exemplo.C) Trata-se de um dos maiores filósofos da Grécia. atingindo a justiça. a análise das virtudes. .ª fase (Moral) 2. – Filosofa a respeito da justiça ideal. têm o desejo do conhecimento. Dessa forma. servir de modelo para a justiça humana. Os diálogos platônicos podem ser divididos em três fases: 1. artesãos).ª fase (Coercibilidade e preceitos positivos) – Centraliza-se em Sócrates.ª fase (Justiça Ideal) 3. mesmo que imperfeita. consequentemente. só existe no mundo das ideias. – Sócrates aparece como porta-voz de seus pensamentos. • Cidade Platônica Ideal A cidade ideal tem por objetivo a realização de justiça. mas organiza o raciocínio. Mundo ideal Mundo material Dialética e Analítica • Dialética e a analítica São instrumentos utilizados por todas as ciências para buscar os seus objetivos (dialética) e organizá-los (analítica) no sistema. afastando-se do mundo ideal. Em sua filosofia observa à dialética e a analítica. cada um deve cuidar daquilo que lhe diz respeito. – Trabalha com a coercibilidade no Direito e na organização de leis (preceitos positivados) para a criação de uma cidade justa e organizada. Cada indivíduo tem as suas obrigações atribuídas de acordo com as suas aptidões naturais (filósofos. – Trata de questões morais como. para o qual todos os homens. guardiões. considerada perfeita. a justiça humana deve ser observada para que não se instaure o caos.FILOSOFIA DO DIREITO – Alysson Rachid 598 Para Platão a justiça ideal. Porém. cumprindo com suas atribuições e. Mesmo tendo sido discípulo de Platão direcionou as suas ideias para o mundo material. devendo. Nesse sentido podemos resumir da seguinte forma: Dialética – Instrumento que visa ampliar o conhecimento através da discussão e das contradições. por natureza. no entanto. sistematiza o raciocínio. – Procura a verdade. Analítica – Instrumento que não amplia o conhecimento. d) Aristóteles (384-321 a. – Estrutura.

Lei por Convenção Lei Particular Justo por Convenção Justiça Legal – Abrange as produções dos homens. sendo o bem aquilo que todas as coisas visam e o mal a privação do bem. Sob esse aspecto a política legisla visando o bem humano. na experiência. Observa que o homem é um ser político que vive em sociedade. Deve estar em conformidade com a lei e o bem comum. No modelo aristotélico. – Todos aceitam. um hábito. devendo ser vista sempre como um hábito de se fazer as coisas justas. – Cada povo tem as suas leis produzidas e os costumes. mas que o submetem. Deve respeitar a igualdade. sendo isso uma qualidade. Atribui à justiça as seguintes características:   Características da justiça      Bilateral. pois engloba todas as outras. Exemplo: o fogo arde da mesma forma em todos os lugares. • Justiça Afasta-se de Platão ao entender que a justiça está no Mundo Material. prevalece a Natural.599 Alysson Rachid – FILOSOFIA DO DIREITO • Direito natural Em sua obra contrapõe: Lei Natural Lei Comum Justo por Natureza Justiça Natural – Abrange as coisas que não são produzidas pelo homem. Para Aristóteles a justiça é um meio para que os homens alcancem o bem. – Não depende da opinião do homem. diante de conflito entre a Lei Natural e a Lei Positiva. – Tem validade universal. Preferencial. Deve-se dar a cada um aquilo que é seu. . A considera como sendo a principal virtude.

Se dividirmos um litro de água para cada pessoa o critério equitativo estará sendo adotado. desigualmente os desiguais na medida de suas desigualdades”. analisa uma série de fatores e não apenas um único ponto de vista para se chegar a uma justiça. entre as suas finalidades. Apenas para exemplificar. No entanto. .       • Leis Distributiva ou Condecorativa: Retificadora: 600 Premia de acordo com o mérito de cada um (ex: medalha de honra) Possui papel coercitivo. Natural: Não produzida pelo homem. deve observar a equidade que. Condutas Comportamentos Aspectos jurídicos e morais • Classificação  • Escritas  Leis   • Costumeiras  • Máxima Aristotélica Ao se analisar a expressão “tratar igualmente os iguais. há um pressuposto de bondade intrínseca.     tica com o cidadão. se levarmos em consideração Decorrem do trabalho do legislador. que possuem. A interpretação. o cumprimento dos deveres e o exercício das virtudes. observando aspectos jurídicos e morais. Em seu conceito. limitar poderes.FILOSOFIA DO DIREITO – Alysson Rachid • Espécies de Justiça       Particular:          Justiça:      Política:  (É a justiça da Polis – Orga. Legal: São normas que compreendem condutas e comportamentos. podemos imaginar uma situação em que duas pessoas com sede estejam diante de dois litros de água. mas com validade universal. nesse caso. elaborado pelos gregos. Produzida pelo homem – Leis.  nização/Comunidade Polí. visualiza-se uma forma discriminatória que tem por finalidade garantir ou restabelecer uma desigualdade já existente. ao contrário do critério equitativo. Decorrem dos hábitos repetidos no tempo. abrangendo a ética.

C. FILOSOFIA E DIREITO NA IDADE MÉDIA Na Idade Média.225-1.) 2) São Tomás de Aquino (1. Associa a dor ao mal e o prazer ao bem. A justiça é proveniente do indivíduo e não do Estado. tais como. O prazer válido é o que leva a tranquilidade/equilíbrio da alma (ataraxia) que é alcançado com a prudência. EPICURISMO (341-270 A. resultado da ação do homem justo que possui equilíbrio da alma. que sintetizaram e conciliaram visões religiosas com as visões dos filósofos gregos. os pesos. entre outros. iniciou-se diversas correntes de pensamentos.) Em sua doutrina busca o prazer e afasta a felicidade da riqueza e das conquistas exteriores. Defende que o homem só é feliz quando é autônomo e independente.C. período de criação de grandes universidades.601 Alysson Rachid – FILOSOFIA DO DIREITO inúmeros fatores. Nesse sentido. buscaremos a equidade. o tempo que cada pessoa está sem beber água. sendo que todo homem age para evitar a dor e procurar o prazer/felicidade.274 d. Assim. o tempo que estão andando sob o sol. • Justiça e Teoria Jurídica de Epícuro Funda-se em seus princípios éticos relacionados às sensações de dor e prazer. acredita que a justiça é uma convenção. por isso vê a prudência como a maior das virtudes.C. não causar danos e não sofrê-los é o ideal do direito natural.) . Prazer (Bem) + Prudência =I Tranquilidade da alma (ataraxia) X Dor (Mal) =I Mal Justiça Da ética individual do prazer surge a ética social. Nesse período podemos destacar: 1) Aurélio Agostinho (354-430 d. mas depende do uso da prudência.

preferindo-se dar a receber.FILOSOFIA DO DIREITO – Alysson Rachid a) Aurélio Agostinho (354-430 d.) 602 Foi um pensador de transição entre a Idade Antiga e a Idade Média. É a liberdade de escolha que o homem tem para optar entre o bem e o mal. Amor + Livre arbítrio (autonomia da vontade) = Justiça (ato livre de amor desinteressado) O amor é a maior de todas as virtudes. essa passa a ser chamada de Lei Natural. sendo a justiça um ato livre de amor desinteressado.A. • Virtudes (F. Preceito cristão fundamental: “ama o próximo como a ti mesmo”. o homem dotado de livre arbítrio pode ou não seguir a justiça de Deus. Assim. Agostinho. mesmo que seja a própria infelicidade. Dessa forma. A liberdade subjetiva possibilita ao indivíduo querer ou não qualquer coisa. como virtude. • Livre Arbítrio Trata-se da liberdade subjetiva. praticar a justiça como um ato de amor desinteressado e com autonomia da vontade (livre arbítrio) indica uma ação boa. seguindo Platão e Cícero. diferencia a justiça entre (espécies): Justiça Divina – Imutável (Não muda com o tempo e lugar) – Perfeita / Justa – Se aplica a todos – O homem conhece por revelações – Lei Divina. – Mutável (Muda com o tempo e lugar) – Falível – Resulta do homem – Lei humana Justiça Humana Lei Natural: Quando a Lei humana se inspira na Lei Divina. Fundiu o platonismo com o cristianismo.E. que se solidificou na Idade Média.)  Fé Nesse momento se  Esperança fala em virtudes como:   Amor  • Justiça A noção de justiça na obra de Agostinho leva em consideração o amor. e o livre arbítrio.C. sendo o que o mau uso do livre arbítrio conduz aos erros morais e ao caminho das injustiças. promovendo a paz social e realizando justiça. .

• Justiça Segue a orientação aristotélica no sentido de que a justiça é um hábito de se agir para fazer o bem. a corrupção. o fazer o bem e evitar o mal.C. Agostinho contrapõe a Cidade de Deus à Cidade dos Homens. mas não o que é (essência). Nesse sentido o mau uso do livre arbítrio incita o egoísmo. que mesmo as coisas que não possuem inteligência têm as suas finalidades.225-1. associando a razão com a revelação.) Procurou unir a filosofia antiga de Aristóteles com o cristianismo. Agir para se fazer o bem.274 d. como a causa primeira de todas as coisas. analisou conceitos de: Essência Existência O que é um ser? Esse ser existe? Pela experiência sensível procurou demonstrar que Deus existe. b) São Tomás de Aquino (1. Entre os seus argumentos menciona que tudo no Universo se movimenta e que o movimento inicial de tudo se dá por meio de Deus. e fundamentar as suas ideias. Distributiva Distribui a cada um aquilo que lhe é devido por sua participação na sociedade. Argumenta. Sob esse aspecto. . as guerras e o desprezo de Deus. que pode ser classificada em (espécies): Justiça Legal Trata do bem comum na Sociedade. sendo que essas finalidades são ordenadas por Deus.603 Alysson Rachid – FILOSOFIA DO DIREITO Nota-se que o livre arbítrio possibilita ao homem atuar a favor ou contra a Lei Divina. Tem. + Hábito = Justiça O direito é um instrumento para se alcançar a justiça. Dessa forma estabelece Deus como o criador do mundo. • Deus Para provar a existência de Deus. ainda. Cumulativa Trata das relações entre particulares. como princípio essencial.

Escrita (Positiva). que se opera através do consentimento e da vontade geral dos cidadãos (Contrato Social). No entanto. – espaço. Divina É a expressão da Lei Eterna revelada por Deus ou pela Igreja. Cada contratualista tem a sua visão a respeito do Estado Natural e do Estado Civil (Estado Político). esta deverá prevalecer. Considera: – tradição. Nesse sentido. Natural Não foi declarada pelo legislador. Importante lembrar que a lei escrita (positiva) que estiver em desacordo com a lei natural não deve ser desrespeitada. Assim um ato isolado. Governa todo o universo. FILOSOFIA DO DIREITO NA MODERNIDADE – CONTRATUALISMO Os contratualistas procuraram compreender a formação da Sociedade Moderna e propor uma organização política e jurídica. diante de qualquer conflito com a lei eterna. mas é conhecida pelo homem por meio da razão. de forma que a injustiça também exige o hábito de fazer algo injusto. – tempo.FILOSOFIA DO DIREITO – Alysson Rachid 604 Note-se que a justiça se dá com o hábito. Determina o justo quando estiver de acordo com a Lei Natural. por si só. Ex. não torna um ser injusto. Faça o bem e evite o mal etc. • Lei Considerando que se trata da ordenação racional para o bem comum. o contratualismo consiste na transição do Estado de Natureza (sem organização estatal) para o Estado Civil (Estado Político). Tomás de Aquino enumera as seguintes espécies de leis: Eterna Lei completa. Merecem destaque:  John Locke   Thomas Hobbes  Jean Jacques Rousseau  . Humana Trata-se da Lei Convencional.

a vontade soberana passa a ser a fonte do direito. Acredita que o Estado de Natureza convive simultaneamente. Estado de Natureza Leis Naturais Ausência de poder superior Estado Civil (Político) Autoridade superior Leis com penas – Os indivíduos obedecem às leis naturais. da vontade de todos. decidindo os conflitos de uma forma mais justa. – A lei é a vontade do soberano. – Constituído o Estado. e em harmonia. • Thomas Hobbes (1.588-1. É a vontade suprema.632-1. Resulta de uma vontade geral. Resulta de uma vontade geral. Entende que o Estado Civil visa garantir a vigência e a proteção dos direitos naturais.704) Contrato Social É a formula para se sair do Estado de Natureza e para se construir o Estado Civil. – Fala em soberania como sendo a reunião – Cada um governa por sua própria vontade. – O Poder Político tem o direito de fazer leis com penas em prol do bem público.679) Contrato Social É a formula para se sair do Estado de Natureza e para se construir o Estado Civil. Leis Positivas Comandos a serem seguidos Leis Naturais Regras de Prudência . – Não há um poder superior para solucionar os conflitos. no sentido de que nenhum homem deve prejudicar o outro na vida ou em suas posses. Estado de Natureza Condição de guerra Cada um com a sua vontade Estado Civil (Político) Soberania Lei – vontade do soberano – Vê o homem em condição de guerra.605 Alysson Rachid – FILOSOFIA DO DIREITO • John Locke (1. – Cria-se uma autoridade superior aos indivíduos para garantir os direitos naturais fundamentais (individuais). com o Estado Civil. – Qualquer um tem o poder para castigar o outro.

Estado de Natureza Estado de Liberdade Homem como próprio juiz. Experiência + Razão = Conhecimento Transferiu a importância do objeto para o sujeito. . – O homem é o seu próprio juiz. Vê o direito como sendo uma norma jurídica. IMMANUEL KANT (1.804) Busca o conhecimento através da integração entre a experiência (sentidos) e a razão. o objeto da ciência jurídica. decorrente do autoconvencimento e da vontade própria do sujeito. Resulta de uma vontade geral. Estado Civil (Político) Força Direito – Entende como sendo um Estado de Liberdade. sendo este coercitivo e aquela autônoma. por sua vez. e estas. Nesse sentido.724-1. considerando os seguintes elementos: • Neutralidade O jurista deve atuar de forma neutra.FILOSOFIA DO DIREITO – Alysson Rachid • Jean Jacques Rousseau 606 Contrato Social É a formula para se sair do Estado de Natureza e para se construir o Estado Civil. Convém mencionar que o sistema kantiano diferencia a moral do direito. afastando qualquer juízo de valor. – A transição se dá pela necessidade de transformar a força em direito. considera o direito como um conjunto de condições em que as vontades de um podem estar de acordo com as vontades do outro. que molda o seu comportamento através de suas faculdades mentais. FILOSOFIA DO DIREITO CONTEMPORÂNEO a) Hans Kelsen • Normas Jurídicas Hans Kelsen é o principal nome do positivismo jurídico. Compete aos juristas descrevê-las. – Há uma desigualdade entre o homem mais forte e o mais fraco.

o valor e a norma. entre outros. geográficos. A interpretação poderá ser: Não autêntica: Proveniente da doutrina. Reale enxerga o direito como um sistema aberto com diversos sentidos. Estes sentidos representam três aspectos: O fato. até se chegar à norma fundamental. morais ou políticos de cada época. que visualiza o direito como tão somente norma. • Coação • Interpretação Autêntica: Firmada em jurisprudência. que devem ser levados em consideração para a sua devida compreensão. prescreve sanções. b) Miguel Reale • Teoria Tridimensional Confere ao direito uma estrutura tridimensional formada por uma situação de fato. . afastando o entendimento de uma única interpretação verdadeira. Uma norma admite diversas interpretações. como. determinados valores (aspecto axiológico) e a norma. como consequência de uma conduta ilícita. os ideais éticos. Norma Valor Fato Ao contrário de Kelsen. econômicos ou naturais. uma enchente ou determinado nível de inflação.607 Alysson Rachid – FILOSOFIA DO DIREITO • Norma superior/hierarquia Uma norma deve estar fundamentada e em conformidade com outra superior. Os fatos podem ser. por exemplo. O direito. Os valores podem ser estudados como sendo.

das quais. se estabelecerá a norma jurídica.FILOSOFIA DO DIREITO – Alysson Rachid 608 Da relação/interação entre fatos e valores surgem propostas normativas (normas). Assim. o direito é uma integração normativa de fatos e valores que estão em atração permanente. . A relação entre esses três elementos é chamada dialética da complementaridade. através da intervenção de um poder.