SEGUE A RELAÇÃO DAS MATÉRIAS DO MÓDULO X: x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x DIREITO CIVIL – PARTE GERAL DIREITO CIVIL – FAMÍLIA DIREITO CIVIL – SUCESSÕES

DIREITO CIVIL – CONTRATOS DIREITO CIVIL – OBRIGAÇÕES DIREITO CIVIL – DIREITO DAS COISAS ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DIREITO COMERCIAL – TOMO I DIREITO COMERCIAL – TOMO II DIREITO PROCESSUAL CIVIL – TOMO I DIREITO PROCESSUAL CIVIL – TOMO II DIREITO PROCESSUAL CIVIL – TOMO III LEGISLAÇÃO PENAL DIREITO PENAL – PARTE GERAL – TOMO I DIREITO PENAL – PARTE GERAL – TOMO II DIREITO PENAL ESPECIAL I DIREITO PENAL ESPECIAL II DIREITO PROCESSUAL PENAL I DIREITO PROCESSUAL PENAL II DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITO ADMINISTRATIVO DIREITO TRIBUTÁRIO TESTES

DIREITO CIVIL PARTE GERAL
TOMO I

CURSO A DISTÂNCIA MÓDULO X

CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL - PARTE GERAL – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS

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BENS CONCEITO Sob o prisma jurídico, bens são os valores materiais e imateriais, com conotação econômica, que podem ser objeto de uma relação jurídica. Assim, os bens podem ser: a. corpóreos ou coisas: são os valores materiais, isto é, dotados de uma existência física. Exemplos: roupas, automóveis, dinheiro etc. b. incorpóreos ou direitos: são os valores imateriais, que só podem ser compreendidos pela inteligência do homem. Esses bens não têm um corpo, ou seja, uma estrutura física. Exemplos: crédito; ponto comercial; direito de o autor reproduzir a obra etc. Vê-se, portanto, que a palavra coisa, sob o prisma jurídico, corresponde aos bens corpóreos, que são aqueles suscetíveis de posse. A característica da coisa é a tangibilidade, além, é claro, de ser economicamente apreciável. A palavra bens, que serve de rubrica do Livro II da Parte Geral do Código Civil, compreende as coisas e direitos, ao passo que a palavra coisas, mencionada no Livro III da Parte Especial, isto é, no Livro “Do Direito das Coisas”, corresponde, tão-somente, aos bens corpóreos, isto é, às coisas propriamente ditas. Por isso, não concordamos com a classificação de Sílvio Rodrigues, ao referir-se à coisa como sendo o gênero, compreendendo tudo quanto existe no mundo fora o homem, por exemplo, o ar atmosférico, reservando a palavra bem para designar as coisas, corpóreas ou incorpóreas, de valor econômico. Preferimos colocar o bem como sendo o gênero e a coisa como espécie, por três razões. Primeiro, o Livro II da Parte Geral do Código Civil refere-se a bens, e não a coisas; segundo, a classificação jurídica não deve se preocupar com o sentido vulgar das palavras; por fim, o Livro III da Parte Especial refere-se ao Direito das Coisas, conferindo a estas o significado de espécie de bens, abrangendo os bens corpóreos de conotação econômica. No sentido vulgar, coisa significa tudo quanto existe no mundo, além do homem. Todavia, sob o prisma jurídico, como esclarece Washington de Barros Monteiro, coisa é tudo quanto seja suscetível de posse exclusiva pelo homem, sendo economicamente apreciável. Por outro lado, o bem sempre deve ter conotação econômica, no sentido de ser passível de avaliação pecuniária, quer para a corrente que o coloca como gênero, quer para a que o coloca como espécie de coisa.

os incorpóreos. não são considerados bens: a. a integridade física etc. CLASSIFICAÇÃO LEGAL DOS BENS O Código enumera as seguintes classes de bens: I. não. Exemplos: ar atmosférico. Os bens corpóreos são objeto de compra e venda e doação. por via indireta. refogem do conceito de bens. podem ser percebidos pelos sentidos. as coisas materiais abundantemente disponíveis a todos os homens. o nome. Exemplos: a vida. dos bens reciprocamente considerados. são suscetíveis de uma aproximada conversibilidade pecuniária. estruturando o seu estudo no Livro I da Parte Geral. BENS CORPÓREOS E INCORPÓREOS Corpóreos são os bens que têm existência física. Quanto aos direitos da personalidade. ainda. por isso. e. O Código Civil. Essas coisas e direitos. que. II. dos quais a vida. a honra. mas atributos inerentes à própria condição humana. os micróbios etc. Limongi França os classifica como bens incorpóreos. Incorpóreos são os bens dotados de existência abstrata ou ideal. tendo em vista uma característica que lhes é peculiar. III. Exemplos: o solo da lua e dos planetas. . que pode ser onerosa ou gratuita. tanto na esfera pública (de natureza constitucional.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . b. os direitos de ordem moral que correspondem ao conjunto dos atributos da personalidade da pessoa. dos bens públicos. a água dos oceanos etc. a honra e a liberdade são exemplos. filiou-se à orientação de Bevilácqua. que cuida das pessoas. dos bens considerados em si mesmos.PARTE GERAL – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 2 Portanto. salientando. acima mencionados. penal etc). de que os direitos da personalidade não são propriamente bens. porém. as coisas materiais insuscetíveis de apropriação pelo homem. Os bens corpóreos são passíveis de tradição (entrega) e usucapião. cuja compreensão depende da inteligência do homem. por isso. a luz solar. a liberdade. não comportam estimação pecuniária. quanto na esfera privada (direitos privados da personalidade). DOS BENS CONSIDERADOS EM SI MESMOS Os bens considerados em si mesmos são aqueles examinados individualmente. asseverando que eles podem ser objeto de direito. c. e. ao passo que os incorpóreos são suscetíveis de cessão de direitos.

para nele se reempregarem. que reputa. em duas hipóteses. 81 do CC que não perdem o caráter de imóveis: I. Saliente-se. bens singulares e coletivos. não obstante a possibilidade de remoção. portanto que. serão considerados imóveis. as barracas de feira e os pavilhões de circo. sem destruição.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . por exemplo. se a remoção for possível. IV. ao revés. mas conservando a sua unidade. como. de um para outro lugar. No tocante às edificações separadas do solo. as construções. Todavia. em regra. Quanto a estes. a “contrario sensu”. Interpretando o art. BENS IMÓVEIS OU DE RAIZ De acordo com Clóvis. dessume-se. forem removidas para outro local. se. por exemplo. são considerados bens móveis. 79 do CC. por força do art. os materiais provisoriamente separados de um prédio. sem alteração da substância ou da destinação econômico-social. bens imóveis. V. II. II. conquanto possam ser removidos sem destruição. infungível e singular. separadas do solo. dispõe o art. o bem removível por força alheia. são bens imóveis. enquanto aderentes ao solo. como as árvores e jazidas. 82 do CC. de modo que o critério da remoção sem alteração da substância ou da destinação econômico-social deve ser restrito aos bens artificialmente incorporados pelo homem. como. Uma casa é um bem imóvel. Os bens naturalmente incorporados ao solo. O dinheiro. III. Nada obsta que o mesmo bem se enquadre em mais de uma dessas categorias. bens imóveis são as coisas que se não podem transportar. reputam-se ainda imóveis. por exemplo. porém. serão considerados bens móveis. conforme ensina Renan Lotufo. as edificações que.se imóvel o bem cuja remoção provoca a alteração da sua substância ou da destinação econômico-social. bens divisíveis e indivisíveis. é um bem móvel e consumível. Com efeito.PARTE GERAL – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 3 São os seguintes: I. só poderão ser consideradas imóveis se mantiverem . a remoção alterar a sua substância ou a destinação econômico-social. bens fungíveis e consumíveis. bens móveis.

eram bens imóveis. O subsolo e o solo encontram-se incorporados naturalmente ao solo. por exemplo. Em contrapartida. depois de retiradas. por exemplo. Essa odiosa ficção jurídica. pois encontram-se ligados através da árvore. felizmente foi abolida do nosso sistema jurídico. os frutos. A água. c. No Código de 1916. aformoseamento ou comodidade. por exemplo. pois o art. Anote-se. Os bens imóveis classificam-se em: a. passa a ser bem móvel. Igualmente. como os fósseis. imóvel por força de lei. um quadro pendurado na parede da casa. 176 da CF. ainda que de grandes proporções.PARTE GERAL – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 4 essa destinação econômico-social. 79 do CC não faz menção à incorporação intelectual de uma coisa a outra. nunca fixadas ao solo ou nunca estiveram sujeitas à habitação. cuja propriedade é da União. são considerados bens móveis as árvores plantadas em vasos removíveis. as árvores e as plantações. Se nunca foram imobilizadas. que compreendia as coisas que o proprietário mantinha intencionalmente empregado no imóvel para sua exploração industrial. as jazidas e o curso d´água.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . Todavia. havia ainda o imóvel por acessão intelectual. curso d´água e demais riquezas do mesmo. depois de colhida do subsolo. imóvel por natureza. tornam-se bens móveis. imóvel por acessão física. pois. jazidas. que se encontram no solo. uma vez destacados passam a ser bens móveis. A propósito da propriedade do subsolo. são bens imóveis. não poderão ser consideradas imóveis. porque suas raízes não se encontram no solo. que as coisas naturalmente incorporadas ao solo ou subsolo só são imóveis enquanto estiverem aderentes a eles. Igualmente. são também considerados imóveis por natureza. e sim móveis. cumpre registrar que pertence ao proprietário do solo. mas tão-somente ao comércio. Finalmente. As máquinas agrícolas. que não visava outros fins a não ser tributários. por força dos §§1º e 4º do art. razão pela qual também são considerados imóveis por natureza. As pedras. os componentes do subsolo. à exceção dos fósseis. e sim num recipiente. IMÓVEIS POR NATUREZA Os imóveis por natureza compreendem o solo e tudo quanto nele se lhe incorpora naturalmente. . ainda. b. enquanto pendentes.

para classificar o bem como sendo imóvel. o direito à sucessão aberta. II. VIII. a superfície. Os direitos reais que podem recair sobre imóveis são: I. o que importa. que corresponde ao direito à herança ou legado. o compromisso de compra e venda. é o fato de a remoção ser inviável sem a alteração da substância ou da sua destinação econômico-social. Finalmente. A razão da imobilização é a segurança das relações jurídicas. VI. a hipoteca. o usufruto. o uso. 80 do CC. de direitos. é considerado bem imóvel. VII. 82). a incorporação pode ser permanente ou temporária. exigia-se uma incorporação permanente ao solo. pois o regime jurídico de proteção aos bens imóveis é muito mais rígido do que o referente aos bens móveis. a propriedade. as servidões. O dispositivo em apreço cuida de bens incorpóreos. ou de remoção por força alheia.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram.PARTE GERAL – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 5 IMÓVEL POR ACESSÃO FÍSICA ARTIFICIAL Os imóveis por acessão física compreende tudo aquilo que o homem incorpora artificialmente ao solo. IMÓVEL POR FORÇA DE LEI Dispõe o art. a habitação. isto é. o direito à sucessão aberta. No Código de 2002. ainda que a herança ou legado sejam compostos só de bens móveis. sem alteração da substância ou da destinação econômico-social (art. . IV. II. que consideram-se imóveis para os efeitos legais: I. BENS MÓVEIS São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio. III. a ponto de não poder ser removido sem alteração da substância ou da destinação econômico-social. V. No Código de 1916.

b. embora móveis. bens móveis por natureza.PARTE GERAL – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 6 Os bens móveis classificam-se em: a. 155. sem a alteração da sua substância. c. BENS MÓVEIS POR NATUREZA Os bens móveis por natureza são os suscetíveis de movimento próprio. sob pena de nulidade. todavia. do CC). Exemplos: árvores destinadas ao corte. O gás é bem móvel. Se houver a intenção de reempregá-los noutra construção. a fim de cumprirem a sua destinação econômico-social. § 3º. bens móveis por força da lei. energia genética etc. Esses direitos reais são: o usufruto. a não ser que o proprietário tenha a intenção de reempregá-los na própria construção demolida. . como as mercadorias e os automóveis. Ambas exigem autorização do cônjuge. Exemplos: energia elétrica. serão tidos como bens móveis. para transformação em lenha ou carvão. conservam sua qualidade de móveis. bens móveis por antecipação. BENS MÓVEIS POR ANTECIPAÇÃO Os bens móveis por antecipação são aqueles incorporados temporariamente ao solo. desde já. plantações destinadas à finalidade industrial da fabricação de remédios etc. e os suscetíveis de remoção por força alheia. II.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . Com efeito. 1473. para depois serem removidos. o navio e aeronave. são considerados bens imóveis. 83): I. Convém destacar. para fins de hipoteca. Os materiais destinados a alguma construção. BENS MÓVEIS POR FORÇA DE LEI Consideram-se móveis para os efeitos legais (art. podem ser hipotecados (art. enquanto não incorporados efetivamente nessa construção. readquirem essa qualidade os provenientes da demolição de algum prédio. do CP também considera a energia de valor econômico como sendo bem móvel. pois pode ser removido por meio do embotijamento. os direitos reais sobre bens móveis e as ações correspondentes. A primeira deve ser inscrita no Tribunal Marítimo e a segunda no Registro Aeronáutico Brasileiro. que os navios e aeronaves são bens móveis por natureza. como os semoventes. o uso e o penhor. IV e V. A hipoteca naval e a hipoteca aérea efetuam-se mediante escritura pública. enquanto não forem empregados. O art. as energias que tenham valor econômico.

os pais podem alienar os bens móveis dos filhos menores. a alienação de bens imóveis depende da outorga do cônjuge. Assim. ao passo que. pois essas árvores são consideradas bens móveis por antecipação. k. 1260 e 1261). Finalmente. de hipoteca. ainda que recaiam sobre imóveis. podem ser alienados independentemente de outorga do cônjuge. pois depende de escritura pública. as ações reais sobre bens imóveis devem ser propostas no local da situação do imóvel (“foro rei sitae”). no que tange ao seu aspecto patrimonial. f. todavia. d. os móveis podem ser fungíveis e infungíveis. arrendamento etc. As ações reais sobre bens móveis são propostas no domicílio do réu. os bens móveis são objetos de penhor. e. 1. . h. entrega da coisa. os direitos pessoais de caráter patrimonial e as respectivas ações. os direitos pessoais patrimoniais são bens móveis. para quem tem justo título e boa-fé. 1238 a 1240). Assim. para alienar ou gravar de ônus real os imóveis. independentemente de autorização judicial. não. pertencentes as árvores destinadas a corte a menor. nas ações reais sobre bens imóveis é necessária a autorização do cônjuge do autor e a citação do cônjuge do réu. podendo até ser verbal. os bens móveis adquirem-se pela simples tradição. c. nas ações reais sobre bens móveis. isto é. a alienação de bens imóveis é um ato solene. a hasta pública dos bens imóveis chama-se praça. os imóveis. os móveis. e de cinco anos. a dos móveis. nas demais hipóteses (art. g. não.PARTE GERAL – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 7 III.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . os bens móveis. a tradição solene. no concernente ao seu atributo moral. ao revés. isto é. salvo no regime da separação de bens. ingressa no rol dos direitos da personalidade. dez e quinze anos (arts. leilão. a alienação dos bens móveis é um ato de forma livre. o prazo de usucapião dos bens móveis é de três anos. no tocante aos direitos do autor. podem ser vendidas pelos pais. comodato. i. EFEITOS DA DISTINÇÃO ENTRE BENS MÓVEIS E IMÓVEIS Os principais efeitos práticos da distinção entre bens móveis e bens imóveis são os seguintes: a. apenas os bens imóveis sujeitam-se ao imposto de transmissão (sisa) e ao imposto territorial (IPTU e ITR). os bens imóveis são sempre infungíveis.691). enquanto os imóveis exigem o registro da escritura pública. independentemente de autorização do Juiz. b. Exemplos: locação. é um bem móvel. j. ao passo que o prazo de usucapião de bem imóvel varia de cinco. exige-se prévia autorização do Juiz (art.

Com efeito.915). transformar-se-á em coisa infungível. b. a ponto de vetar qualquer tipo de reclamação. Os imóveis são sempre infungíveis. o oneroso. qualidade e quantidade (art. para ornamentação. a compensação legal efetua-se apenas entre dívidas líquidas. Se for oneroso denomina-se mútuo feneratício.682) Saliente-se. 85). reaparece a importância dessa classificação. no campo das obrigações de fazer. 863). Os efeitos práticos dessa distinção são os seguintes: o empréstimo de coisas fungíveis chama-se mútuo. que. Tal ocorre quando ela apresenta uma qualidade física que a torna insubstituível. Estas. por exemplo. c. d. ainda.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . da própria natureza da coisa. o legado de coisa fungível será cumprido ainda que tal coisa não exista entre os bens do testador (1. mas emprestada “ad pompam vel ostentationis”. Exemplo: a camisa 10 de Pelé. b. Assim. a. é porque o bem é infungível. houver possibilidade de o credor rejeitá-la. ainda que mais valiosa (art. qualidade e quantidade. tornam infungíveis coisas intrinsecamente fungíveis. o art.010). denomina-se locação. ao passo que o legado de coisa infungível só valerá se ao tempo do falecimento do testador ela se achar entre os bens da herança (art. Assim também uma cesta de frutas é coisa fungível.PARTE GERAL – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 8 BENS FUNGÍVEIS E INFUGÍVEIS São fungíveis os móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie. mas se o boi havia sido cedido para o talho. O empréstimo gratuito de coisas infungíveis chama-se comodato. ao revés. No Código Civil Brasileiro. ao passo que. da vontade das partes. as obrigações de fazer infungíveis são as que devem ser cumpridas pessoalmente pelo devedor. são infungíveis os que não podem substituir-se por outros da mesma espécie. Assim. o credor de coisa infungível não pode ser obrigado a receber outra. por exemplo. A infungibilidade dos bens móveis pode resultar: a. pois deve receber de volta o mesmo animal que havia emprestado. converte-se em fungível e o devedor se liberará restituindo outro animal da mesma espécie e qualidade. Se. só os bens móveis podem ser fungíveis. 85 do CC ao definir os bens fungíveis referiu-se expressamente aos bens móveis. 1. o devedor se libera restituindo outra da mesma espécie e qualidade. Por exemplo: um boi é infungível. enquanto nas obrigações de fazer fungíveis o devedor pode delegar a um terceiro a realização do fato. 1. quando a coisa for fungível. utilizada pelo jogador na final da Copa do Mundo de 1970. o dinheiro. vencidas e de coisas fungíveis (art. se um fazendeiro empresta-o a outro para serviços de lavoura. . o bem é fungível quando a sua substituição for irrelevante. como. como esclarece Washington de Barros Monteiro. A “contrario sensu”. por convenção.

houver coisas consumíveis. Igualmente. Pontes de Miranda chama de “fungibilidade da forma de fundamento” a possibilidade conferida ao Juiz e à parte de substituir o fundamento legal por outro não referido na petição inicial. a consuntibilidade pode ser de fato e de direito. relógios etc. uma série de CD’s idênticos do mesmo cantor. BENS CONSUMÍVEIS E INCONSUMÍVEIS Dispõe o art. o seu valor. Observe-se que. não sendo possível. estimado ao tempo da restituição (§1º do art. qualidade e quantidade. Assim. 1. findo o usufruto. ou melhor. mas nada obsta que uma coisa infungível seja consumível. com certas situações especiais. terá o usufrutuário o dever de restituir. que são havidos como coisas fungíveis. sem a destruição imediata da sua substância.392). os bens inconsumíveis são aqueles que comportam uso reiterado. A propósito da relevância dessa distinção. A consuntibilidade de direito ou jurídica se dá com os bens destinados à alienação. sendo também considerados tais os destinados à alienação”. a respeito da infungibilidade dos bens imóveis. o equivalente em gênero. bebidas. as que ainda houver e. a consuntibilidade de fato ou natural ou material ocorre com os bens que se destroem com o primeiro uso. Se. 86 do CC que: “São consumíveis os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância.PARTE GERAL – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 9 No âmbito do direito processual civil. Não é possível o uso sem a destruição. a coisa fungível é sempre consumível. Mas o desenvolvimento dos negócios imobiliários veio criar. tintas etc. ou. Com efeito. . até o momento da lavratura do instrumento. Essa classificação é aplicável exclusivamente aos bens móveis. a extensão da idéia de fungibilidade aos imóveis. entre os acessórios e os acrescidos. gêneros alimentícios. Por outro lado. mas de coisas determinadas tão-somente pelo gênero. pela qualidade e pela quantidade”. escreveu o seguinte: “Os imóveis são sempre infungíveis. Exemplos: roupas. como é o caso de um vinho raro. como. cumpre registrar o pensamento de Caio Mário da Silva Pereira. uma coisa fungível pode ser inconsumível. como no caso de vários proprietários comuns de um loteamento que ajustam partilhar os lotes ao desfazerem a sociedade: um que se retire receberá certa quantidade de lotes.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . desde que não seja alterada a situação fática da lide. Sobre o assunto. das outras. Finalmente. cumpre acrescentar que o usufruto estende-se aos acessórios da coisa e seus acrescidos. Exemplos: cigarros. porquanto os imóveis são sempre inconsumíveis. pois que o credor não o é de corpo certo. em regra. por exemplo. Exemplos: o livro exposto à venda etc. com o uso o bem perde a sua capacidade de utilização.

11. 16. os planetas e o ar atmosférico são bens? Qual a classificação legal dos bens? O que são e quais são os bens considerados em si mesmos? O que são bens imóveis e como se classificam? As máquinas agrícolas utilizadas numa fazenda são bens imóveis? O que são imóveis por natureza? O que são imóveis por acessão física? O que são imóveis por força de lei? O que são bens móveis e como se classificam? O que são bens móveis por natureza? O que são bens móveis por força de lei? Quais os efeitos da distinção entre bens móveis e imóveis? Qual a distinção entre bens fungíveis e infungíveis? Quais os efeitos práticos da distinção entre bens fungíveis e infungíveis? Qual a distinção entre bens consumíveis e inconsumíveis? Qual a distinção entre consuntibilidade de fato e de direito? A coisa fungível é sempre consumível? . 13. 9. 7.PARTE GERAL – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 10 QUESTÕES 1. 15. 4. 5. 18. 17. O que são bens? Qual a distinção entre bens corpóreos e incorpóreos? Qual a distinção entre bem e coisa? Os direitos da personalidade. 10. 3. 14. 12. 8. 2.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . 6. 19. 20.

DIREITO CIVIL DIREITO DE FAMÍLIA CURSO A DISTÂNCIA MÓDULO X .

609. amoldando-se a hipótese no inciso anterior. é meio hábil para o reconhecimento. III. Se a mulher for casada. cerrado. ainda que contenha outras disposições. quanto aos filhos nascidos antes dos cento e oitenta dias a contar do início da convivência conjugal. emanando de ato de vontade do pai ou mãe. Quanto ao codicilo. para que o filho seja também registrado em nome dele. particular. Após a lavratura do assento de nascimento.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL – FAMÍLIA – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 1 RECONHECIMENTO DOS FILHOS CONCEITO O reconhecimento é o ato que faz nascer o parentesco jurídico entre pais e filhos. a certidão de nascimento não poderá fazer qualquer menção a esse fato. é claro. para evitar discriminação. Esse reconhecimento é feito no ato da lavratura do assento de nascimento. Espontâneo ou voluntário é o que prescinde de ação judicial. por escritura pública ou escrito particular. Basta o comparecimento dela. porque a paternidade é presumida. marítimo ou aeronáutico. para que o reconhecimento possa ser concretizado. a nosso ver. A doutrina rejeita o reconhecimento feito incidentalmente em escrito particular. presta-se ao reconhecimento. ainda que incidentalmente manifestado. o reconhecimento ainda pode ser feito por escrituta pública ou particular. a ser arquivado em cartório. II. A não ser. o marido não precisa comparecer ao ato. porque se trata de um escrito particular. no registro de nascimento. Nesse caso. Qualquer espécie de testamento. por testamento. 23. Filho não reconhecido não é filho perante a lei. ou missiva. por si ou por procurador especial. 645/75). Todavia. urge que o marido compareça. público. militar. que será averbada no Registro de Nascimento (art. É a chamada perfilhação. da Lei nº. ainda que em uma simples declaração. de modo que esse documento será idêntico ao expedido no caso de perfilhação. o reconhecimento dos filhos pode ser feito das seguintes formas: I. é o decorrente de sentença prolatada em ação de investigação de paternidade ou maternidade. munida da certidão de casamento. coativo ou judicial. . ESPÉCIES O reconhecimento pode ser espontâneo e forçado. O forçado. 1. O documento particular deve visar especificamente o reconhecimento. § 1º. FORMAS DE RECONHECIMENTO VOLUNTÁRIO De conformidade com o art.

ainda assim. em registro de nascimento de menor apenas com a maternidade estabelecida. para que este analise a possibilidade de se propor a ação investigatória de paternidade. instituiu o chamado reconhecimento judicial oficioso ou investigação oficiosa. na certidão de batismo etc. em qualquer tipo de procedimento judicial. por sua vez.560/92 veda expressamente o reconhecimento de filho na ata de casamento. independentemente do estado civil. ainda que o reconhecimento não haja sido objeto único e principal do ato que o contém. 3º da Lei n° 8. sempre que possível. para a devida averbação. isto é. Com efeito. Eis aí as formas de reconhecimento de filhos. 2º da Lei nº 8. para que se manifeste sobre a paternidade que lhe é atribuída. Como se vê. No caso de este confirmar expressamente a paternidade. o juiz remeterá os autos ao representante do Ministério Público para que intente.560/92. não é admissível o reconhecimento feito através de gravação. o suposto pai não atender no prazo de trinta dias a notificação judicial ou negar a paternidade. o suposto pai. o oficial deverá remeter a certidão de nascimento ao juiz. o art. Urge que o juiz esteja presente nesse ato. por manifestação direta e expressa perante o juiz. será lavrado termo de reconhecimento e remetida a certidão ao oficial do registro. Este deverá instaurar. por exemplo. Se. na ata de casamento. o art. Qualquer outro meio não surtirá o efeito almejado. Este. ao revés. a lei ainda prevê outras duas. e não o forçado. mas servirá de prova para o ajuizamento de uma ação de investigação de paternidade. a realização de provas. o resultado positivo do DNA. ainda assim negar-se ao reconhecimento. em todas as hipóteses de o suposto pai recusar-se ao reconhecimento. porque o direito da criança à paternidade é indisponível. Conquanto o procedimento seja apenas administrativo. 1. 26 da Lei nº. ouvirá a mãe sobre a paternidade alegada e mandará em qualquer caso notificar o suposto pai. como. comunicando o fato ao juiz corregedor. Na hipótese de a mãe se negar a fornecer ao oficial a qualificação do suposto pai. Além dessas formas de reconhecimento. sob pena de nulidade. feito em procedimento administrativo. deverá remeter os autos ao Ministério Público. a ação de investigação de paternidade. o juiz não poderá prolatar sentença. o art. . por exemplos.069/90 admite que o reconhecimento possa ser feito em qualquer documento público. mediante manifestação expressa e direta. o reconhecimento pode ser levado a efeito. não obstante. estatuídas no art.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL – FAMÍLIA – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 2 IV. Assim. visando o reconhecimento voluntário. E. porque não se trata de uma ação judicial. nada obsta. havendo elementos suficientes. da mesma forma. o exame DNA. desde que as partes concordem. o procedimento administrativo.609. Aliás. o oficial do registro civil indagará da mãe a qualificação do suposto pai. na presença do juiz. O magistrado. Se. Assim. 8.

segundo. por meio da ação de investigação de paternidade. isto é. o reconhecimento é possível. independentemente de assistência do curador. Se podem reconhecer o filho por testamento. solene. o nascimento. e não propriamente um ato jurídico.609 e art. os dispositivos acima também o autorizam. não há razão plausível para se exigir a presença dos seus pais nas modalidades de reconhecimento inter vivos. se forem do sexo masculino. porém. que é um ato causa mortis. porque o reconhecimento é ato personalíssimo. 1. forem do sexo feminino. o registro de nascimento relatará um fato jurídico. Se. ainda. 26. Quanto ao menor impúbere e aos interditos. Portanto. parágrafo único da Lei nº. ao revés. CARACTERÍSTICAS O reconhecimento de filhos é ato personalíssimo. desde que o filho tenha deixado descendentes. porque o reconhecimento é ato personalíssimo. mesmo na constância do casamento. Trata-se. no ato da lavratura do registro de nascimento. porque sua incapacidade relativa restringe-se aos atos patrimoniais. que só surtirá efeito se a criança nascer viva. o reconhecimento é vedado. entre os 16 e 18 anos. portanto. à exceção do testamento. as demais formas de reconhecimento podem ser feitas por procurador com poderes especiais. os filhos incestuosos também podem ser reconhecidos.069/90). CAPACIDADE PARA O RECONHECIMENTO O menor púbere. sem a assistência dos pais. porque esse direito não se transmite aos herdeiros do suposto pai. porque os maiores de 16 anos possuem capacidade para fazer testamento. trata-se de ato personalíssimo. isto é. Finalmente.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL – FAMÍLIA – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 3 Anote-se. por força do princípio da isonomia. 8. Quanto ao reconhecimento de filho póstumo. que é uma das formas de reconhecimento. porque são absolutamente incapazes. pode reconhecer a prole extraconjugal. sem assistência. Todavia. pode reconhecer seus filhos. mas apenas na modalidade perfilhação. Primeiro. o homem ou a mulher. qual seja. que a lei admite o reconhecimento do nascituro (parágrafo único do art. Urge. Os pais ou curador não poderão representá-los. . unilateral. Por outro lado. de um ato condicional. porque a maternidade é um fato. pode efetuar o reconhecimento pessoalmente. Com efeito. ao passo que a paternidade é uma presunção. que o reconhecimento seja judicial. Quanto ao pródigo. irrevogável. cuja prática é vedada aos absolutamente incapazes. puro e simples e indivisível.

no sentido de se considerar novamente imprescritível esse direito. irrevogável. contraria o disposto no art. que na hipótese de termo ou condição não se anula o reconhecimento. Finalmente. dispõe o art. porém. e do pai presumido. Se. que já constava no Código de 1916. Quanto à nulidade ou anulação do casamento. porque deve observar uma das formas prescritas em lei. a essa impugnação se acumular o pedido de investigação da paternidade. Tem eficácia erga omnes. O STJ já admitiu essa ação. independentemente do consentimento do filho ou de sua mãe. porque é essencial o seu consentimento. cremos que deva prevalecer a regra de imprescritibilidade. porque todas as pessoas devem respeitá-lo. cuja condição emana da própria lei. que o reconhecimento do filho maior é um ato bilateral. irrevogável. 1. puro e simples. a nosso ver. recaindo a ineficácia apenas sobre o termo e a condição (art. Sugerimos a alteração urgente desse dispositivo. Esse prazo. puro e simples e indivisível. Assim. como . 1. dolo ou coação. não poderá residir no lar conjugal sem o consentimento do outro”. ou à emancipação. tem se decidido que a anulação do testamento por vício formal não repercute sobre o reconhecimento. Cumpre observar. o prazo de quatro anos só é aplicável quando o filho pretender apenas impugnar o reconhecimento. que a moveu em face de um terceiro. 8.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL – FAMÍLIA – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 4 É um ato unilateral. ainda que por testamento. retroagindo à data da concepção do filho. em relação ao filho de pais casados. Acrescente-se. EFEITOS DO RECONHECIMENTO O reconhecimento tem efeito ex tunc. surtindo efeito erga omnes. 27 da Lei nº. após o prazo. porém.611 que o filho havido fora do casamento. à exceção do nascituro. isto é. Apenas a anulação do testamento por vício de vontade. O reconhecimento sujeita o filho menor ao poder familiar. reconhecido por um dos cônjuges. pleiteando a nulidade e modificação de seu registro civil. Sobre a guarda. a contradição entre esse prazo e o caráter imprescritível da ação de investigação de paternidade. O reconhecimento é ainda um ato solene. não admite o arrependimento. em nada afeta o reconhecimento. Este não se confunde com a guarda. que melhor satisfaz aos interesses da pessoa. porque não admite termo nem condição. ainda. A nosso ver. que continua válido. devendo ser recebido como escritura pública ou particular. seu verdadeiro pai. O menor pode impugnar o reconhecimento nos quatro anos que se seguirem à maioridade. que considera imprescritível esse direito. porque. não há como fugir à máxima de que a lei posterior revoga a anterior. 1. por outro lado. O Código.617).613). 1. Solene. Anote-se. uma vez efetuado. porque é eficaz perante todas as pessoas. erro. poderá inquinar o reconhecimento.614. O reconhecimento é ainda indivisível. pouco importando se há ou não a boa-fé dos cônjuges (art. porque se aperfeiçoa com a simples vontade do declarante.069/90. fixado no art.

a legitimidade ativa é exclusiva. representado por sua mãe (art. 26 do Estatuto da Criança e do Adolescente e parágrafo único do art. Cumpre observar que a obrigação alimentar é recíproca. se ambos o reconheceram e não houver acordo. porque o suposto filho também poderá ajuizar a sobredita ação. O filho reconhecido.609). Silvio Rodrigues. 1. ainda que menor ou incapaz. aos pais. os seus genitores também poderão pleitear os alimentos.606). o Ministério Público também pode ajuizá-la. a ação de investigação compete ao filho. prescinde do consentimento do respectivo cônjuge. após a maioridade os alimentos só serão devidos quando comprovada a necessidade. casamento já realizado. e. implantou-se o princípio da isonomia entre os filhos. . o direito à moradia no lar do pai ou da mãe. Cremos. Igualmente. porque o art. nem mesmo depois da sua morte.606. embora discordando do legislador. que deva ser aplicado à legitimidade ativa. sustenta que essa banição à moradia estende-se ao filho havido fora do casamento de pessoa que posteriormente vem a casar-se. Discordamos. enquanto viver. de modo que em relação aos filhos reconhecidos antes do casamento. por outro lado. dispõe o art. quando menor. Com a Constituição de 1988. 1.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL – FAMÍLIA – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 5 se vê. porque a ação de investigação de paternidade é uma espécie de ação de prova de filiação.612 que o filho reconhecido. 1. ficará sob a guarda do genitor que o reconheceu.560/92. Trata-se de uma legitimidade concorrente. por força da Lei n° 8. restringe a moradia no lar conjugal. ninguém mais poderá propor essa ação. sem qualquer restrição. se o indigitado filho for menor ou incapaz. 1. na qualidade de substituto processual. mantendo ou não o nome da mãe. mas. Mas. pressupondo. o reconhecimento atribui ao filho e. interpretando o dispositivo em apreço. de modo que se o filho for maior.611 fala em reconhecimento por um dos cônjuges. nesse caso. Se ele for capaz. O filho reconhecido tem direito aos alimentos. 1. o disposto no art. O nascituro também pode propor essa ação. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE A ação de investigação de paternidade pode ser proposta por qualquer filho. No Código de 1916. os filhos incestuosos e adulterinos não podiam mover essa ação. por força do princípio da isonomia. presume-se a necessidade. poderá adotar o patronímico paterno. sob de quem melhor atender aos interesses do menor. de modo que a ação passou a poder ser proposta. Assim. Finalmente. deverá ser assistido ou representado pelo representante legal. direitos sucessórios recíprocos. seus herdeiros poderão continuá-la. a nosso ver. salvo se julgado extinto o processo (parágrafo único do art. se a morte ocorrer no curso da ação. Se for menor. Por outro.

na impossibilidade de se realizar a perícia. rapto ou relações sexuais. ele morrer menor ou incapaz.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL – FAMÍLIA – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 6 Se. a prova de que a mãe do autor. julgar a ação improcedente. o Município ou Distrito Federal. Com a Constituição de 1988. Quanto à vara competente. a mãe do autor manteve relacionamento sexual com outros homens. Essa defesa. o foro competente passa a ser o do domicílio do autor (Súmula nº 1 do STJ). perdeu a sua importância. encerrando definitivamente a discussão. O réu. cumprindo ao juiz. devendo a inicial descrever apenas os indícios que justificam o ajuizamento da ação. segundo o qual os fundamentos da ação eram apenas aqueles especificados pela lei. no Código de 1916. alguns civilistas já vinham sustentando a não-recepção desse sistema de enunciação taxativa. O Código de 1916 adotava sistema oposto. a ação deve ser movida. se ficar comprovado que. isto é. que. reconhecendo a paternidade. Essa norma ameniza o caráter personalíssimo da aludida ação. a inicial deveria relatar uma das seguintes situações: (a) concubinato. 1. o direito à propositura da ação transmitirá aos seus herdeiros (art. a nosso ver. como esclarece Sílvio Rodrigues. de modo que não é lícito ao espólio figurar como réu. no período da concepção. porém. ao revés. Se não houver quaisquer herdeiros. A ação de investigação de paternidade é imprescritível e deve ser proposta no domicílio do réu.606). mas enquanto não sobrevier o trânsito em julgado da sentença de vacância. ainda que casado. desnecessário o início de prova da filiação ou até a comprovação de ter ocorrido relação sexual entre os genitores. em face da herança jacente. a não ser que se tenha também formulado o pedido de petição de herança. figurará como réu. tendo em vista os modernos exames periciais de comprovação da paternidade. ao tempo de concepção. a ação deve ser ajuizada em face de seus herdeiros. que estabeleceu a isonomia entre os filhos. . O novo Código joga a última pá de cal sobre o assunto. a exceptio plurium concubentium ainda pode ser útil. De fato. Assim. pode negar a existência de qualquer relacionamento com a mãe do indigitado filho ou então se defender com base na exceptio plurium concubentium. em sua contestação. Cremos. é a de família. mas quando se pleitear também os alimentos. o da enunciação taxativa. ou na recusa de uma ou ambas as partes em fazer esse exame. Se este for morto. No pólo passivo da referida ação deve figurar o indigitado pai. manteve relações sexuais com outros homens. (b) escrito do investigado. Cumpre anotar que a investigatória de paternidade é uma ação de estado. no período da concepção. que no passado era decisiva. adotando o sistema da livre propositura. nesses casos. onde houver. da mãe do investigante com o investigado. O Código não elenca os pressupostos de admissibilidade da ação investigatória.

560/90. analisando os seus traços fisionômicos. de ofício. quando exclui a paternidade. A prova testemunhal também pode ser utilizada. registra um percentual superior a 99% quando a exclui. com base no art. conquanto indisponível o direito versado na lide. Outros. merecem destaques o exame HLA. No pólo passivo. da Lei n° 8. retroagindo os seus efeitos à data da concepção do filho. Se o reconhecido necessitar. na hipótese de exclusão. 1.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL – FAMÍLIA – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 7 A propósito da recusa do réu em realizar a perícia. IV. mas poderá ordenar que o filho se crie e eduque fora da companhia dos pais ou daquele que lhe contestou essa qualidade (art. Trata-se de sentença meramente declaratória. Há quem vislumbre nestes dois dispositivos legais a adoção do ponto de vista de que a recusa do réu em realizar a perícia implicará em presunção de paternidade. ao revés. que.560/92. Em seguida. prevalecendo a orientação de que esses alimentos são devidos desde a data da citação. com base no art. 7º. como. porém. por exemplo. era comum o exame prosopográfico. 231: “Aquele que se nega a submeter-se a exame médico necessário não poderá aproveitar-se de sua recusa”. figurará a indigitada mãe. preceitua o art. 232: “A recusa à perícia médica ordenada pelo juiz poderá suprir a prova que se pretendia obter com o exame”. além de absoluto. Finalmente. apresentando ainda um índice superior a 96%. Por outro lado. No passado. Todavia. Quanto ao julgamento antecipado da lide. sendo um desdobramento do princípio da ampla defesa. um exame DNA realizado noutro processo. e o exame DNA. pois implica em flagrante violação ao princípio da ampla defesa. sustentam que essa manobra é lícita. na contestação. fixará os alimentos. Ainda sobre a prova pericial. a sentença que julgar procedente a ação produzirá os mesmos efeitos do reconhecimento. pois apenas reconhece juridicamente uma certeza biológica. 1º. . comparando as fotografias do investigante e do investigado. há quem entenda que militará contra ele a presunção relativa da paternidade. nada obsta que o réu. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE MATERNIDADE É idêntica à ação anterior. invertendo-se o ônus da prova. porque a falta de contestação não implica presunção de veracidade dos fatos narrados na inicial. quando exclui a paternidade. dispõe o art. Discordamos dessa interpretação.616). que é absoluto. Sobre o assunto. reconheça expressamente o pedido. da Lei n° 8. ainda que casada. não se admite o julgamento antecipado na hipótese de revelia. só é possível se houve documento comprovando os fatos articulados na inicial. a sentença.

15. 6. 24. 2. Qual a distinção entre reconhecimento espontâneo e forçado? Quais as formas de reconhecimento espontâneo ou voluntário? O que é perfilhação? A certidão de nascimento pode fazer menção ao reconhecimento? É possível reconhecer filho em testamento particular? O que é o reconhecimento judicial oficioso? A gravação é meio hábil para reconhecimento de filho? É possível reconhecer filho na ata de casamento? É possível reconhecer como filho o nascituro? É possível reconhecimento de filho póstumo? O menor púbere pode reconhecer filho. 4. 31. a legitimidade ativa é exclusiva ou concorrente? O direito de propor ação de investigação de paternidade é transmissível ou intransmissível? Quem figura no pólo passivo da relação processual da ação de investigação de paternidade? Qual o prazo para propor a ação de investigação de paternidade? Qual o foro competente? Qual a distinção entre o sistema da livre propositura e da enunciação taxativa? Em que consiste a “ exceptio plurium concubentum”? Qual a polêmica sobre a recusa do réu em realizar o exame de DNA? A ação de investigação de paternidade admite o reconhecimento do pedido e o julgamento antecipado da lide? Quais os efeitos da sentença que julga procedente a ação de investigação de paternidade? O que é ação de investigação de maternidade? . 7. 16. 22. 13. 21. 34. 8. 29. 19. 14. 10. irrevogável. 26. 32. sem a assistência dos pais? O menor impúbere e os demais absolutamente incapazes podem reconhecer filhos por meio de representante legal? O fato de ser do sexo feminino ou masculino tem alguma influência no caso? O pródigo pode reconhecer filho sem assistência ? A mulher casada pode reconhecer filho extraconjugal. 28. 33. 20. 18. 3. 11. 12. puro e simples e indivisível ? A nulidade do testamento contamina o reconhecimento? A nulidade do casamento afeta o reconhecimento? Quais os efeitos do reconhecimento? Quem pode mover a ação de investigação de paternidade? Se o filho for capaz.havido na constância do casamento ? Os filhos incestuosos podem ser reconhecidos? Por que o reconhecimento é um ato personalíssimo? Admite-se reconhecimento por procurador com poderes especiais? Por que o reconhecimento é um ato unilateral? Há algum reconhecimento que é ato bilateral? O filho pode impugnar o reconhecimento?Em caso positivo. 9. 23. 17.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL – FAMÍLIA – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 8 QUESTÕES 1. 5. qual o prazo? Por que o reconhecimento é um ato solene. 25. 30. 27.

DIREITO CIVIL DIREITO DAS SUCESSÕES CURSO A DISTÂNCIA MÓDULO X .

porque é vedada discriminação entre filhos. 1. Discute-se se a prole eventual abrange ou não os filhos adotivos. os bens reservados. e. portanto. O testamento. segundo o qual tais entidades equiparam-se ao nascituro. caberão aos herdeiros legítimos do testador (§ 4º. foi bem disciplinado no novo Código. a partir da morte do testador (§ 3º.800). Exemplo: diz o testador: deixo os bens para os eventuais filhos de Maria. Vê-se. decorridos dois anos após a abertura da sucessão. o seu cônjuge ou companheiro (§ 1º. nos demais casos. nem grávida está. sucessivamente. não. ainda não concebidos. do art. do nascituro. porém. não for concebido o herdeiro esperado. no silêncio do testamento. do art. a pessoa cujo filho o testador esperava ter por herdeiro. Presume-se a capacidade sucessória. desfruta de legitimação sucessória. os bens devem ser arrecadados como herança jacente. a curador nomeado pelo juiz (art. a nosso ver. salvo disposição em contrário. Se. e não netos. 1. o testamento só produzirá efeito se sobrevier o nascimento com vida. no entanto. porque a adoção seria uma maneira de burlar a disposição testamentária. ocorre quando o testador reserva bens para formação dessa entidade. que não é qualquer prole eventual que pode ser beneficiada. Esta. 1. Até o registro do ato constitutivo da fundação. malgrado a opinião contrária do eminente jurista Washington de Barros Monteiro.800). 1. é válido.800). serão confiados. pessoa jurídica sem registro. O último caso. no silêncio do testamento. ser-lhe-á deferida a sucessão.799. desde que vivas estas ao abrir a sucessão (art. instituição de fundação. Enquanto é aguardada a concepção e o nascimento da prole eventual. de pessoas indicadas pelo testador. de modo que não pode adquirir direitos. do art. prole eventual. ainda que morra logo em seguida. O terceiro caso. prole eventual. o testamento pode beneficiar filhos. pessoa jurídica sem registro e fundação. e mesmo assim por eqüidade. mas apenas filhos. brasileira ou estrangeira. os bens da herança. Nascendo com vida o herdeiro esperado. só é possível. A nosso ver. pessoas ainda não existentes ao tempo da morte do testador também podem ser contempladas no testamento. qualquer pessoa. . 1. No primeiro caso. sim. O segundo caso. quando se tratar de instituição de caridade. Excepcionalmente. Outros dizem que não. I). Assim. porque sem o registro a pessoa jurídica não desfruta de personalidade. com os frutos e rendimentos relativos à deixa. de pessoas indicadas pelo testador. existente ao tempo da morte do testador.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL – SUCESSÕES – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 1 LEGITIMAÇÃO PARA SUCEDER POR TESTAMENTO REGRA GERAL Em regra. porquanto elaborado sob condição suspensiva.800). Atuará como curador. suprindo as deficiências do direito anterior. Tratando-se de natimorto. após a liqüidação ou partilha. São as seguintes: nascituro. natural ou jurídica. operase a caducidade da disposição testamentária.

por força do parágrafo único do art. O legislador exagerou no prazo de cinco anos. . Observe-se ainda que a concubina casada também está proibida de testar em favor do seu concubino. O parágrafo único do art.830. os descendentes. seus ascendentes e irmãos. mantendo-se a coerência com o disposto no art. porque. ou o comandante ou escrivão.802.801 está o rol dos que não podem ser nomeados herdeiros nem legatários. A proibição. companheiro e irmãos. sem culpa sua. salvo se este. 1802. nada obsta o testamento em favor de outros cúmplices do adultério. 1. 1. cônjuge. o seu cônjuge ou companheiro. 10 da LICC. porque a proibição restringe-se ao concubinato. 1. No código anterior. No inciso II encontram-se as testemunhas do testamento. assim como o que fez ou aprovou o testamento. Anote-se que o testador separado judicialmente ou divorciado pode testar em favor de sua companheira. 1. Deveria tê-lo fixado em dois anos. mas a omissão é suprida pelo parágrafo único do art. descendentes. 11 da LICC) . de acordo com o § 2 º do art. falta ainda capacidade testamenteira passiva aos governos estrangeiros (art. só poderá testar em favor da companheira após cinco anos da separação de fato. A proibição estende-se também aos seus ascendentes. descendentes. irmãos. No inciso III encontra-se o concubino do testador casado. Finalmente. cônjuge ou companheiro.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL – SUCESSÕES – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 2 CASOS DE FALTA DE LEGITIMAÇÃO No art. que também os proíbem de sucederem . que nega direito sucessório ao cônjuge separado de fato há mais de dois anos. concubina ou não (art. a proibição restringia-se ao testador casado. à exceção dos prédios necessários à sede dos representantes diplomáticos ou dos agentes consulares (§ 3º do art. abrange também os ascendentes. a rogo. podem surgir outros casos de incapacidade para suceder. relacionamento que pressupõe uma certa estabilidade. civil ou militar. Por fim. desde que não tenha sido culpado pela separação. quando o herdeiro ou legatário é domiciliado fora do Brasil. Quanto à doação. estiver separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos. sob pena de nulidade da disposição testamentária. Estes não podem adquirir bens no Brasil. O inciso I omitiu os descendentes. o legislador é mais rigoroso.802 estende a proibição aos seus ascendentes. 1. perante quem se fez. escreveu o testamento. proibindo que o doador casado contemple qualquer cúmplice do adultério. 550). por força do parágrafo único do art. No inciso I encontra-se a pessoa que. No inciso VI encontra-se o tabelião. Além das pessoas mencionadas. 11 da LICC).802. e o cônjuge ou companheiro do concubino. é a lei do domicílio do herdeiro ou legatário que regula a capacidade para suceder. os irmãos. Quanto ao testador casado.

Vê-se. porque. No tocante à interposta pessoa a presunção só será juris et de jure. ou feitas mediante interposta pessoa. competindo ao autor da ação o ônus da prova. . No contrato oneroso.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL – SUCESSÕES – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 3 SIMULAÇÃO DE CONTRATO ONEROSO E INTERPOSIÇÃO DE PESSOA São nulas as disposições testamentárias em favor de pessoas não legitimadas a suceder. ainda quando simuladas sob a forma de contrato oneroso. No primeiro caso. o testamento em favor de filho da concubina só será válido. Por fim. Nesses casos de presunção absoluta.802). nesse caso. 1. portanto. elaborando contrato oneroso. isto é. não há falar-se em testade-ferro (art. se for também filho do testador. ele se vale de testa-de-ferro. b. podendo o juiz decretar de ofício a nulidade. No segundo caso. irmão. 1. quando o testa-de-ferro for ascendente. Havendo outros testa-de-ferro torna-se necessária a propositura da ação simulatória. descendente. de uma interposta pessoa para beneficiar o incapaz de suceder. cônjuge ou companheiro do não legitimado a suceder (parágrafo único do art. a que faz alusão o testamento.803). o testador confessa no testamento que é devedor do incapaz de suceder. recorrendo-se a uma interposta pessoa. há presunção absoluta de simulação. que o testador pode tentar burlar a proibição de duas formas: a. dispensa-se a ação simulatória.

quem administra os bens da herança? 4. Há algum prazo para a concepção da prole eventual? 5. Qualquer pessoa pode ser beneficiada em testamento na qualidade de prole eventual? 3. A pessoa jurídica sem registro pode ser beneficiada por testamento? 7. A prole eventual pode abranger filhos adotivos? 6. Elenque as pessoas que não podem ser nomeadas herdeiras ou legatárias.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL – SUCESSÕES – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 4 QUESTÕES 1. mas separado de fato. Governos estrangeiros podem adquirir bens no Brasil? 10. pode ser contemplado em testamento? 9. Em que hipóteses há presunção absoluta de simulação? . As pessoas ainda não existentes ao tempo da morte do testador podem ser contempladas no testamento? 2. Enquanto não nasce a prole eventual. O concubino do testador casado. 8.

DIREITO CIVIL CONTRATOS CURSO A DISTÂNCIA MÓDULO X .

tiver por objetivo fraudar lei imperativa. A extinção normal se dá com o pagamento. CAUSAS DE EXTINÇÃO ANORMAL A extinção anormal pode derivar de causas anteriores e posteriores à formação do contrato. c. for ilícito. A extinção por causas supervenientes é a que destrói os efeitos do contrato. morte. sem cominar sanção. então. quando. Pode ser normal e anormal. b. d. f. Essas causas são as seguintes: a. A extinção anormal é a que ocorre sem que as obrigações tenham sido cumpridas. g. o contrato é fielmente cumprido. comum a ambas as partes. ao invés de observar a terminologia da lei deve-se analisar a linguagem jurídica mais apropriada. d. resilição. Antunes Varella chama a atenção para o fato de que não há na lei nem na doutrina uniformidade terminológica nas causas anormais de extinção do contrato. a lei taxativamente o declarar nulo. caso fortuito ou força maior. nos contratos personalíssimos. Por isso. de modo que o contrato não atinge o seu fim. É o caso das nulidades e anulabilidades. NULIDADE E ANULABILIDADE DOS CONTRATOS A nulidade absoluta ocorre quando: a.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . A extinção por causas anteriores ou contemporâneas ocorre quando as partes infringem os requisitos legais do contrato. b. for ilícito. resolução. ou proibir-lhe a prática. celebrado por pessoa absolutamente incapaz. h. for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade. alcançando o seu fim. após este ter se formado validamente. impossível ou indeterminável o objeto. c.CONTRATOS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 1 EXTINÇÃO DOS CONTRATOS INTRODUÇÃO A extinção compreende todos os casos em que o contrato deixa de existir. simulado o negócio jurídico. . o motivo determinante. não revestir a forma prescrita em lei. e.

podemos citar: a compra e venda em que o preço é irrisório ou aquela em que uma das partes pagará o preço que quiser (condição potestativa). o contrato poderá ser recepcionado como doação. . Na nulidade absoluta. Assim. o contrato é inválido. pois.CONTRATOS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 2 A nulidade relativa ou anulabilidade verifica-se quando: a. para isso ocorra. Esta é. Não obstante a nulidade. Dá-se a conversão própria quando o contrato é transformado em outro de efeitos diversos. elemento subjetivo: a intenção das partes em celebrar esse outro contrato. pois essa nulidade o juiz deve decretar de ofício. b. Observe-se que tanto a nulidade absoluta quanto a nulidade relativa afetam os elementos intrínsecos do contrato. Urge. Não comungamos da opinião de Maria Helena Diniz. CONVERSÃO DO CONTRATO NULO A conversão. Acrescente-se ainda que o contrato pode ser válido e ineficaz. decretada a nulidade ou anulação da compra e venda. além de inválido. oriunda do preço irrisório ou da condição potestativa. um dos contratantes for relativamente incapaz. sem assistência. com os contratos sujeitos a termo inicial ou a condição suspensiva. não produzindo qualquer efeito. isto é. coação. na nulidade relativa. seja a nulidade absoluta ou relativa. À guisa de exemplos. só é valido em matéria matrimonial. A nulidade e a anulação tem efeito “ex tunc”. lesão e fraude contra credores. viciando-o. a presença de dois requisitos: a. essencial para que o contrato deixe de existir. portanto. pode ser própria e imprópria. ainda é ineficaz. dolo. em razão de uma causa impeditiva de seus efeitos. por exemplo. desde a sua formação. reconduzindose as partes à situação anterior ao contrato. elemento objetivo: que o contrato nulo preencha os requisitos legais desse outro contrato válido. subsistindo os seus efeitos enquanto não for decretada por sentença. se esta foi a verdadeira intenção das partes. que é a transformação de um contrato nulo em outro válido. de que a decretação da nulidade relativa produz efeitos “ex nunc”. mas eficaz. Esse posicionamento. quanto aos negócios patrimoniais. tanto é que a devolução das prestações devem ser efetuadas desde a celebração do contrato. Em contrapartida. Tal ocorre. estado de perigo. o efeito é sempre “ex tunc”. o vendedor deve restituir o preço e o comprador devolver a coisa. a nosso ver. quando houver erro. retroativo.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . o contrato. b.

pois confere ao vendedor o direito de rescindir ou não a compra e venda. com ou sem culpa do devedor. na conversão imprópria ou formal. por exemplo. em face do inadimplemento culposo da outra. é a destruição retroativa de seus efeitos. além de perdas e danos. durante certo tempo. Em contrapartida. ocorrendo o fato. será válida como compromisso de compra e venda. rescisão. conforme a vontade desse contratante. por exemplo. pacto de retrovenda etc. segundo Antunes Varella. já que este último pode celebrar-se por instrumento particular. Essa compra e venda. d. será ou não extinto. requerendo o abatimento proporcional do preço. c. se quiser. Anote-se que o Código de 2002. ou. Na resolução. com o preço abatido (art. ocorrendo o fato o contrato é automaticamente extinto. na venda de imóvel por instrumento particular. que poderá optar entre a rescisão ou o cumprimento do contrato. Observe-se que a extinção do contrato depende da vontade de um dos contratantes. destacam-se os seguintes: a. de modo que seria de bom alvitre a doutrina seguir-lhe o exemplo. uma das partes tem o direito potestativo de extinguir o contrato. Dentre os diversos casos de resolução contratual. prevendo a automática extinção no caso de morte do donatário. . Tal ocorre. e. Note-se que a extinção do contrato emana da lei. deterioração da coisa antes da entrega. pacto de retrovenda. na cláusula resolutiva. o credor pode resolver o contrato ou aceitar a coisa no estado em que se encontra. a ação “quanti minoris”. fundado num fato posterior à sua celebração. mediante o retorno do bem ao doador (art. ao invés de condição resolutiva. extinguir o contrato. então. por vontade de uma das partes. onerosidade excessiva. 547 do CC). no seu art. Tal ocorre. Este. quando se doa uma casa para alguém. RESCISÃO A rescisão consiste na extinção do contrato. pleiteando a resolução do contrato. Trata-se de um direito potestativo do credor. O adquirente do bem pode mover a ação redibitória. vício redibitório. Cumpre ainda não confundir a condição resolutiva com cláusula resolutiva. o contratante poderá. b. 474. na condição resolutiva. ao referir-se à resolução por inadimplemento culposo utiliza-se da expressão cláusula resolutiva. evitando esses pequenos deslizes terminológicos. que produz o mesmo efeito.CONTRATOS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 3 Por outro lado. RESOLUÇÃO Resolução do contrato.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . Com efeito. por ato unilateral de um dos contratantes. Nesse caso. 235 do CC). Exemplos: pacto comissório. o contrato é transformado em outro. conquanto nula.

pois basta o contratante inocente comunicar ao inadimplente sua vontade de extinguir o contrato. Em suma. Washington de Barros Monteiro salienta que se houver cláusula resolutiva expressa. o vendedor dá implicitamente a entender que se satisfaz com o direito de crédito ao preço e com a correspondente ação creditória. Quer nos parecer que. antes de ter recebido o preço respectivo. A cláusula resolutiva expressa opera de pleno direito. automática. não poderá requerer a resolução do contrato. Com efeito. a sentença judiciária é meramente declaratória. sendo que esta última também é denominada pacto comissório. na compra e venda com pacto comissório. retroativo à data do inadimplemento.CONTRATOS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 4 É sabido que em todo contrato bilateral encontra-se implícita a cláusula resolutiva tácita. por parte do comprador. continua com o direito potestativo de rescindir o contrato ou mover a ação de cobrança. na compra e venda. isto é. Distinguem-se em dois aspectos. Surge. entregando desde logo a coisa. em havendo a cláusula resolutiva expressa. Entretanto. quando se tratar de cláusula resolutiva tácita. antes de a coisa lhe ser entregue pelo vendedor. a sentença é meramente declaratória. em ambas as hipóteses. mas tão somente a cobrança do crédito. se o comprador não lhe efetuar o pagamento. Se. o vendedor. obtendo-se uma sentença. operandose. pois é o magistrado quem pronuncia a resolução do contrato. a sentença é constitutiva. O primeiro diz respeito ao desfazimento do negócio mesmo após a entrega da coisa. ao passo que na cláusula resolutiva tácita. cujo efeito será “ex tunc”. cláusula resolutiva expressa. Assim. se a parte culpada opor-se à resolução do contrato desejada pela parte inocente. Se não houver cláusula resolutiva expressa. ao passo que. O segundo aspecto da distinção diz respeito à necessidade de interpelação judicial. pois são as próprias partes que previamente estabeleceram a resolução. e “ex persona”. o inadimplemento ocorrer após a entrega da coisa. o vendedor poderá reaver a coisa já entregue. quando houver cláusula resolutiva expressa. Assim. seja a cláusula resolutiva expressa ou tácita. conforme salienta Antunes Varella. as partes também podem estipular expressamente essa cláusula resolutiva. para efeito de resolução do contrato. a tácita depende de interpelação judicial (art. dependente da interpelação judicial. na expressa. na hipótese da cláusula resolutiva tácita. a mora é “ex re”. então. o problema da distinção entre a cláusula resolutiva tácita e a expressa. este poderá optar entre a rescisão contratual e a ação de cobrança. o inadimplemento. todavia. que permite a rescisão contratual por inadimplemento culposo. esta deverá mover ação judicial. a notificação judicial do devedor é essencial para conferir-lhe uma última oportunidade de cumprir o contrato. na cláusula resolutiva tácita.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . Tanto na cláusula resolutiva expressa quanto na tácita. . essa interpelação judicial é dispensável. pois apenas reconhece o inadimplemento preexistente. 474 do CC). ao revés.

Portanto. Tal ocorre. nesses contratos de execução periódica ou continuada. . razão pela qual o efeito é “ex nunc”. Esclareça-se ainda que o efeito “ex tunc” da resolução e anulação opera-se somente entre as partes. Acrescente-se também que a resolução do contrato só pode ser requerida se a parte estiver em condições de restituir o que houver recebido. reconduzindo-se as partes ao “status quo ante”. Cumpre também estabelecer a distinção entre resolução e a nulidade relativa do contrato. Com efeito. por exemplo. Se. Na anulação. devendo a outra parte sujeitar-se à sua vontade. cujos efeitos são “ex nunc”. 182 do CC). mantendo-se intacto o período até então transcorrido. haverá a ratificação do negócio em relação ao alienante. o terceiro de boa-fé. consistente na transferência da posse. Não obstante essas semelhanças. a alienação ocorrer após a descoberta da nulidade relativa.CONTRATOS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 5 Por outro lado. de modo que o negócio é extinto desde a sua celebração. isto é. recaindo a extinção apenas sobre as prestações ainda não efetuadas. ao passo que a anulação pode ser pleiteada ainda que a parte já tenha alienado o objeto da prestação. com o de locação. a não ser que essa impossibilidade de devolução emane do fato imputado ao outro contratante. referente ao fornecimento da água. além de restituir o preço já recebido. porque o contrato pode ser mantido ou destruído. a resolução.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . a critério do credor. em regra. Não se pode olvidar que a resolução é o desfazimento do contrato. a resolução pressupõe contrato válido. Maria Helena Diniz salienta. o efeito da extinção é “ex tunc”. Note-se que. Em ambas. Tanto a resolução quanto a anulação assentam-se num direito potestativo. não poderá ser atingido pela resolução ou anulação. ainda perde o direito de receber as prestações que não tenham sido efetuadas pelo comprador. porém. retroagindo à data da celebração do contrato. antes de saber da causa de anulabilidade. à situação econômica e jurídica que se encontrariam se o contrato não tivesse sido realizado. Na compra e venda. produz efeito “ex tunc”. Com efeito. o efeito é “ex nunc”. o vendedor. o efeito da resolução é “ex nunc”. Convém ainda destacar que. outrossim. Em relação a terceiros. com o de fornecimento de água. desde que esteja em condições de fornecer uma prestação equivalente (art. o contrato apresenta um vício intrínseco. que. por exemplo. por isso. que tenha eventualmente adquirido a propriedade ou outro direito real sobre o bem. distinguem-se nitidamente. são posteriores. não poderá mais requerer a anulação do contrato. o contratante só pode pleitear a resolução do contrato se tiver condições de devolver o que houver recebido. em certos casos. salvo no tocante à resolução dos contratos de execução continuada. as de resolução. de modo que o credor poderá tãosomente reclamar a indenização do dano sofrido. ou pelo fornecedor. as causas de anulação são anteriores ou contemporâneas à formação do contrato. torna-se irrecuperável a prestação efetuada pelo locador.

CONTRATOS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 6 porém. adotada . por entenderem que. os efeitos da resolução deverão ser idênticos em relação às partes e a terceiros. requerer a resolução do contrato.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . o jurista Arnaldo Medeiros de Fonseca. então. pois. Anote-se que a comprovação de inadimplemento antecipado não é causa de vencimento antecipado da obrigação. não há cogitar-se em indenização. autoriza a resolução do contrato ou então a revisão de suas cláusulas. se surgir fato novo. tem sido sustentada a tese da rescisão por inadimplemento antecipado. trouxe um desequilíbrio para os contratos a longo prazo. salienta o monografista Fortunato Azulay.01. inspirado nos estudos de Neratius. mas tão-somente tomar as medidas cautelares assecuratórias do adimplemento. Conhecida é a famosa Lei Failliot da França. Tal ocorre quando um dos contratantes manifesta. No Brasil. que autorizou a resolução dos contratos concluídos antes da guerra porque sua execução se tornara muito onerosa. A cláusula “rebus sic stantibus”. A alteração dessa situação. de modo que o contratante não poderá exigir o imediato cumprimento da prestação. nos termos estipulados. ou então.1918. não só o direito de desobrigar-se do cumprimento da prestação que lhe caberia. se a situação à época do contrato for a mesma da execução. como explica Sílvio Venosa. invocando-se os preceitos de equidade. o seu propósito de não cumprir a prestação avençada. RESOLUÇÃO POR ONEROSIDADE EXCESSIVA Em todo contrato bilateral de execução continuada ou diferida no futuro encontra-se implícita a cláusula “rebus sic stantibus”. teria surgido na Idade Média. ele deve ser revisto. após a Primeira Grande Guerra Mundial. a existência de autores que não admitem essa solução. De acordo com essa cláusula. por fato extraordinário e imprevisível. por atos ou palavras. desenvolveu a famosa teoria da imprevisão. como demandar perdas e danos. porém. que se o inadimplemento antecipado emanar de caso fortuito ou força maior. Em tal situação. implicando. para muitos civilistas. onde era conhecida como “condictio causa data non secuta”. ante o princípio de que ninguém pode transferir mais direitos do que os que tem. não reúne condições financeiras e técnicas de adimplir a obrigação. ou. Saliente-se. modernamente. Finalmente. seria facultado ao credor. Aludida teoria permaneceu esquecida durante muito tempo. porém. ressurgindo. em exceção ao princípio da obrigatoriedade dos contratos. de 21. isto é. Essa conflagração de 1914-1918. o negócio deve ser cumprido. de antemão. o contrato deve ser feito para ser cumprido enquanto a situação permanecer inalterável. idealizada por Neratius.

como. A sua incidência é restrita aos contratos a prazo. Urge. em seu art. Todavia. Aludida teoria é inaplicável: a) aos contratos aleatórios. “o devedor somente pode beneficiar-se da revisão. por exemplo. em razão da superveniência de um acontecimento extraordinário e imprevisível que faz a prestação tornar-se excessivamente onerosa para uma das partes e extremamente vantajosa para a outra parte. nos arts. os de execução diferida no futuro. como salienta Sílvio Venosa. impossível. sejam eles bilaterais ou unilaterais onerosos. o locador faculta ao locatário o direito de comprar o imóvel. são aqueles em que as prestações se protraem no tempo. podendo exercer essa opção de compra durante três anos. Essa teoria é a que permite a resolução ou revisão judicial dos contratos de execução continuada ou diferida. desde a década de 30. Essa teoria pressupõe os seguintes requisitos: a. Esse requisito da imprevisibilidade não é exigido no Código de Defesa do Consumidor. b. suprindo a omissão do Código de 1916. se estava em mora no momento em que a alteração das circunstâncias se verificou”. de modo tal que o imóvel passa o valer quinhentos mil reais. quando comparadas com as do momento de sua celebração. consagra a teoria da imprevisão. ou de duração. por cem mil reais. portanto. Todavia. num contrato de locação. cuja revisão judicial é admitida pelo juiz ainda quando os fatos supervenientes forem previsíveis. pois. que o acontecimento seja extraordinário. por maior que fosse a diligência das partes. 438 do Código Civil português preceitua ainda que “a parte lesada não goza do direito de resolução ou modificação do contrato. para tanto. 478 a 480. Tal ocorre. Fundamenta-se no princípio da eqüidade e na proibição do enriquecimento ilícito. através de histórico acórdão relatado pelo Ministro Nélson Hungria. Os contratos de execução continuada são os de prestações periódicas. vigência de um contrato comutativo de execução continuada ou diferida no futuro. b) aos contratos de cumprimento instantâneo. e. d. 6º. quando. o locador pode requerer a resolução contratual em relação à venda do bem. O art. anormal. basta a onerosidade excessiva do consumidor (art. o bairro é reformado pelo Poder Público. por exemplo. V). c. isto é. O Código Civil de 2002. O Código Civil brasileiro é omisso. alteração radical das condições econômicas no momento da execução do contrato.CONTRATOS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 7 pelo Supremo Tribunal Federal. 478.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . Diante desse fato imprevisível. cujo pagamento deve ser efetuado daqui a três meses. durante esse período. a compra e venda. imprevisibilidade e extraordinariedade desse acontecimento. se não estiver em mora no que diga respeito ao cumprimento das cláusulas contratuais não . onerosidade excessiva para um dos contratantes e benefício exagerado para o outro. porque nestes o risco é inerente ao negócio. também.

pois a mera circunstância de haver uma decisão prova que a tentativa de composição. esse pedido poderá ser suscitado na própria contestação. Por outro lado. Trata-se de um direito potestativo. deverá o juiz alterar e restaurar o equilíbrio contratual. Portanto.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . pleitear a revisão do contrato mediante a redução ou alteração de sua prestação. esta poderá ser evitada. Esse poder conferido ao juiz. pleitear a resolução do contrato. Nesse último caso. c. a despeito da alteração da situação econômica geradora do desequilíbrio contratual. pois se o devedor em mora. deve também responder pela onerosidade da prestação. Quem vai estabelecer se a proposta do réu é eqüitativa ou não é o juiz em sentença final. a fim de evitar a onerosidade excessiva (art. de outro. poderá o contratante lesado. na hipótese de no contrato couberem obrigações a apenas uma das partes. responde pela impossibilidade da prestação. a parte lesada tem duas opções: a. quando. que a onerosidade excessiva não está adstrita apenas à resolução do contrato. discute-se a validade da cláusula de exclusão da resolução ou revisão em virtude da onerosidade excessiva. isentando-se as partes das perdas e danos. a solução dever ser regida pelo art. cumprir o contrato. Assim. pleitear a resolução do contrato. o contrato é extinto. consoante dispõe o art. o contratante lesado pode requerer a resolução do contrato. Cremos que o réu deve formular essa pretensão de revisão contratual pela via da reconvenção. fere o princípio da liberdade de contratar. 480 do CC). nos termos pactuados. ainda. 278 do CPC. cuja prestação ainda lhe resta cumprir. Por outro lado. salvo se provar isenção de culpa. cumprir o contrato. obedece ao princípio da preservação dos contratos.CONTRATOS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 8 atingidas pela imprevisão”. 399 do CC. se estes ocorreram durante o atraso. mas também à sua revisão judicial. retroagindo à data da citação. que o efeito da sentença é “ex tunc”. assim. Se optar pela resolução. A nosso ver. à medida em que ele pode também cumprir a avença. oferecendo-se o réu a modificar eqüitativamente as condições do contrato. embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou força maior. aplicado analogicamente. b. A . então. de um lado. a não ser se a ação tramitar no rito sumário. Presentes esses requisitos. Acrescente. Sílvio Rodrigues observa que “a idéia de eqüitatividade é imprecisa. tomar três atitudes: a. por força do § 1º do art. 399 do CC. pelo fato de a outra já haver cumprido totalmente a sua prestação. b. Nesse caso. conforme preceitua o art. se esta ocorreu durante a mora. mas. feita na audiência de conciliação. a ausência de mora é também requisito para a invocação da teoria da imprevisão. 479 do CC. ou se que a onerosidade sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente cumprida. Denota-se. se no contrato ainda couberem obrigações para ambas as partes. por razões lógicas. se frustrou”.

472 do CC que “o distrato faz-se pela mesma forma exigida para o contrato”. c. o distrato só é necessário no contrato sem prazo ou para desfazer o contrato antes do prazo. No tocante à forma. as prestações cumpridas não são restituídas. . contratos em que há um elemento fiduciário. a onerosidade excessiva não implica em absoluta impossibilidade de cumprir a obrigação. já expirou o prazo do contrato. Se. Assim. seja a resilição unilateral ou bilateral. até então produzidos. Se. permanecem válidos. é o acordo entre as partes contratantes. nos contratos por termo indeterminado. b. por sua vez. se os riscos específicos dessa onerosidade forem elencados no contrato. direito de arrependimento. renúncia do mandatário. De fato. pode ocorrer nas seguintes hipóteses: a. por cerceamento do direito de ação e violação do princípio da função social do contrato. Nos negócios com termo determinado. d. a resilição pode ser bilateral e unilateral. “ex nunc”.CONTRATOS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 9 nosso ver. por exemplo. ou de uma delas. porque o fato deixa de ser imprevisível. só é necessário o distrato para extinguí-lo antes do prazo. a exclusão da teoria da imprevisão torna-se válida. A resilição bilateral ou convencional verifica-se quando há o distrato. de modo que os efeitos. cumpre não confundir a onerosidade excessiva com caso fortuito ou força maior. porém. Acrescente-se ainda que todo e qualquer contrato pode ser dissolvido pelo distrato. a fim de extinguir o vínculo obrigacional estabelecido entre as partes. a exclusão da garantia torna-se nula e abusiva. No tocante aos efeitos. apenas dificulta extremamente o adimplemento. são irretroativos. tendo em vista a extinção automática pelo advento do termo final. o distrato torna-se supérfluo. é o modo de dissolução do contrato que se realiza mediante manifestação de vontade das duas partes contratantes. Finalmente. Assim. direito de resgate. Assim. ao passo que o caso fortuito ou força maior provocam a impossibilidade absoluta do adimplemento da obrigação. ao revés. RESILIÇÃO Resilição. de acordo com Orlando Gomes. dispõe o art. isto é.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . esses riscos não foram especificados. contratos por tempo indeterminado. segundo Clóvis. DISTRATO OU RESILIÇÃO BILATERAL Distrato. A resilição unilateral. e.

quando a lei não prescrever uma forma especial para o contrato. mas as partes a ela. A locação. por sua vez. esse negócio rotulado de escritura de retrato ou distrato de compra e venda. as conseqüências até então produzidas. de modo que o Cartório não deve cancelar o registro anterior. que revelam inequivocamente o propósito de as partes desfazerem o negócio. com a inversão das partes. o vendedor obriga-se a transferir o domínio do bem ao comprador. na compra e venda. 112 do CC).CONTRATOS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 10 Assim. a lei admite a forma verbal. não retroagindo. salienta Orlando Gomes que se o negócio não depende de forma solene. espontaneamente. recorreram pode ser distratado por qualquer outro meio. ainda que as partes tenham celebrado o contrato por escrito. Acrescente-se. que. Com efeito. na prática. mesmo porque nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção das partes do que ao sentido literal da linguagem (art. ainda. que é a via normal de sua extinção. a lei exige o instrumento particular. a hipótese mencionada acima. O compromisso de compra e venda. que. obriga-se a pagar-lhe o preço em dinheiro. por exemplo. não há falar-se em distrato. às vezes. Somente quando a lei prescrever forma determinada para o contrato é que o distrato deve revestir-se da mesma solenidade. a forma do distrato é aquela que a lei prevê para o contrato. por exemplo. mediante simples ato averbatório. como vimos. em regra. Saliente-se. não se trata de distrato. porque o contrato já estava perfeito e acabado. por tratar-se de uma nova compra e venda. E. por exemplo. não passa de uma autêntica compra e venda. Cumpridas essas obrigações. porém. razão pela qual o distrato não poderá ser verbal. A rigor. mediante a consolidação do registro da escritura pública e o recebimento do preço. e não a forma que as partes adotaram ao elaborar o contrato. devendo essa nova escritura . Assim. o distrato produz efeitos “ex nunc”. a entrega das chaves no contrato de locação. Em contrapartida. rotula-se de distrato o defazimento da compra e venda de imóvel já registrado em nome do comprador. como. deverá ser efetuado o pagamento do imposto de transmissão “inter vivos”. destarte. não passa de uma nova compra e venda. em que este transmite o mesmo imóvel ao anterior vendedor. o contrato de compra e venda extingue-se pela sua execução.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . O distrato tácito é extraído da interpretação de certos fatos. Na verdade. mediante a devolução do dinheiro recebido. de modo que o distrato também poderá ser verbal. após a extinção do contrato. A propósito. respeitando-se. que . o distrato poderá ser de forma tácita. Finalmente. e como tal deverá ser recebida e registrada pelo Cartório de Registro de Imóveis.

Feita denúncia. porque a extinção do contrato fica a critério de uma das partes. 167 da Lei 6. . Em regra.CONTRATOS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 11 pública. A primeira ocorre nos contratos por prazo indeterminado. Trata-se de uma declaração receptícia porque só produz efeitos depois que a outra parte toma conhecimento do fato. por fim. o contrato é dissolvido por vontade exclusiva de uma das partes. como sendo uma retransmissão da propriedade pelo adquirente ao anterior proprietário. O meio utilizado para a resilição é a denúncia. subentendendo-se. que . 8º da Lei do Inquilinato. com o devido recolhimento do imposto de transmissão inter vivos”. qualquer das partes pode resilir o contrato. aduzir que. Atente-se ainda para o parágrafo único do art. conquanto a resilição do contrato configure um exercício do direto. como observa Ademar Fioranelli. de modo que a eficácia da denúncia prescinde de sentença judicial. a denúncia unilateral só produzirá efeitos depois de transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto do investimento”. deverá indenizar as perdas e danos. A partir dessa comunicação. Acrescente-se. sob pena de indenização. não esteja elencado no art. No contrato de trabalho. A segunda hipótese de resilição unilateral verifica-se nos contratos em que a confiança é da essência do negócio. dispensando-se a fundamentação. deve ser acompanhada de aviso prévio. de modo que a relutância da outra parte será tida como ato ilícito. uma das partes houver feito investimentos consideráveis para a sua execução. portanto. a parte que o resilir injustamente. com o fito de impedir a continuação do contrato por tempo indeterminado. São cinco as hipóteses de resilição unilateral. não é cabível a resilição unilateral. Trata-se. porém. Nesse caso. como vimos. Cumpre. ainda que o ato. após ter induzido a outra a realizar investimentos para sua execução. “se dada a natureza do contrato. com caráter de rescisão. o contrato estará extinto. que recebe o nome de dispensa ou despedida. Fundamenta-se esse direito na vontade presumida dos contratantes de não se obrigarem perpetuamente. por exemplo. “ingressar no Registro Imobiliário como ato de registro. cessa a relação contratual. a denúncia vinculada ou fundamentada é a que deve expor as razões da resilição contratual.015/73. Com efeito. preceituando que. de um direito potestativo. A denúncia pode ser vazia e vinculada. A denúncia vazia ou discrionária é a que é livremente exercida. Em certos casos. em princípio. nos contratos por tempo determinado. ainda. salvo no caso do art.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . a não ser quando a lei ou contrato exigem a motivação. a partir do qual a denúncia surtirá os seus efeitos. a lei fixa um prazo. a denúncia é vazia. 473 do CC. a todo tempo. a denúncia do empregado. RESILIÇÃO UNILATERAL Na resilição unilateral. denúncia é a declaração receptícia feita por um dos contratantes.

será indenizado pelo mandatário. podendo o mandante desligar-se a qualquer tempo. salvo se este provar que não podia continuar no mandato sem prejuízo considerável e que não lhe era dado substabelecer”. 688. A terceira hipótese de resilição unilateral ocorre também no contrato de mandato e consiste na renúncia do mandatário. aplicável exclusivamente à enfiteuse. indenizando a parte contrária. devidamente motivada. qualquer das partes poderá resilir o contrato. o disposto no art. de modo que o direito de arrependimento. cessará com a exoneração do mandatário. a contar da assinatura ou do recebimento do produto ou serviço. em sete dias. já sustentava a revogação do aludido art. 641 do CPC. se não houver prazo. e este.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . O art. 1. para tanto. é a mesma coisa que a denúncia. a revogação é livre. ainda. mas. sempre que a . prescindindo-se de motivação. A quarta hipótese de resilição unilateral verifica-se no chamado direito de resgate. deverá ser comunicada ao mandante. ainda que o contrato seja solene. Sobre o assunto. 1. que. Acrescente-se ainda que o art. antes de o assinar. Assim. a indenização se resolverá nos moldes do art. 49 da Lei 8. O meio de resilição desses contratos é a revogação. que. que o mandato em causa própria é irrevogável. Aliás. I do CC). entende-se que o início da execução da obrigação implica em renúncia a esse direito. que. O direito de arrependimento deve ser exercido dentro do prazo que lhe foi estipulado. No mandato. isto é. art. liderada por Sílvio Rodrigues. Esse preceito legal não foi repetido pelo Código de 2002. uma forte corrente doutrinária. se sofrer prejuízo pela sua inoportunidade. vedando-se a sua cumulação com perdas e danos. que a manutenção do vínculo está condicionada à persistência desse elemento fiduciário. ensina-nos Maria Helena Diniz que “renúncia é o ato pelo qual um contratante notifica o outro de que não mais pretende exercer o seu direito. o que contiver cláusula de irrevogabilidade. outrossim. deve ser exercido antes de começar a execução do contrato. sendo que. ou pela falta de tempo. invocando-se.078/90 permite ao consumidor o direito de arrependimento. pelo Código Civil. poderá notificar o mandante de que não continuará exercendo o mandato (art.088.088 do Código de 1916 estipulava que quando o instrumento público fosse exigido como prova do contrato. no caso de arras penitenciais. por exemplo. A renúncia do mandato. então. 682. por isso. No tocante à doação. A última hipótese de resilição unilateral ocorre no direito de arrependimento (“jus poenitendi”). a não ser se o contrato limitou as causas de revogação. na essência. 420 do CC. a fim de prover à substituição do procurador. o mandatário. urge que a revogação seja vinculada ou subordinada. constituição de rendas e hipoteca. Saliente-se. qualquer das partes podia arrepender-se. só será possível mediante previsão contratual expressa. Estipulado expressamente o direito de arrependimento.CONTRATOS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 12 portanto.

CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . não precisará mais fazê-lo. o vendedor do carro. no exemplo mencionado acima. total e definitiva. deve ainda ser objetiva. O efeito da extinção é "ex tunc". Tal ocorre. de contrato personalíssimo. isto é. por exemplo. porque o credor. aplica-se a regra "res perit creditori". quando esta perecer antes da entrega em razão de caso fortuito ou força maior. impõe-se o princípio "mors omnia solvit". o show com determinado cantor de renome. deverá restituir o preço ao comprador. MORTE DE UM DOS CONTRATANTES A morte. devolvendo as eventuais prestações recebidas. sofre o prejuízo. trata-se de um direito de arrependimento. Aqui. Trata-se de uma sentença meramente declaratória. de modo que. que independe de cláusula expressa. frustrando assim a sua entrega. devido ao fato de as partes voltarem ao "status quo ante".CONTRATOS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 13 contratação se der fora do estabelecimento comercial. isentando as partes das eventuais perdas e danos. nos contratos bilaterais. O caso fortuito ou força maior produz a extinção do contrato. nessa hipótese. porque as obrigações transmitem-se aos herdeiros. quando um raio destrói o automóvel vendido. como a doação. que envolve uma obrigação de fazer infunfível. CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR Caso fortuito ou força maior são acontecimentos supervenientes à formação do contrato. pois a extinção do contrato opera-se de pleno direito. por exemplo. em regra. porém. não extingue o contrato. convém salientar que se o caso fortuito ou força maior causar a impossibilidade de cumprir apenas uma parte da . Assim. Quanto aos contratos unilaterais. a morte atua como causa de extinção do contrato. sendo os valores pagos devolvidos com correção monetária. deixando de receber a prestação. a não ser que o contratante já estava em mora ou se houver cláusula expressa de indenizar as perdas e danos em tal situação. Por outro lado. além de superveniente. Essa impossibilidade. Tratando-se. retroagindo à data da celebração do contrato. que devem cumpri-las até as forças da herança. nos compromissos de compra e venda de imóveis loteados é vedado o direito de arrependimento. que tornam impossível o cumprimento da prestação. no caso o donatário. "intuitu personae". mas se este ainda não havia efetuado o pagamento. emanada ainda de fato não imputável ao contratante. Em contrapartida. como. de tal sorte que as partes retornam ao "status quo ante".

235.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . abrindo-se para o outro contratante o direito potestativo de extinguir o contrato ou aceitar o remanescente da prestação com o preço abatido. como observa Silvio Venosa. A suspensão pode ser total e parcial. que responsabilize expressamente o devedor. Pode haver cláusula. ainda que a impossibilidade advenha de caso fortuito ou força maior". como. todas as prestações deixam de ser cumpridas. na segunda. b. impossibilidade temporária de cumprimento da prestação. haverá a extinção da relação contratual. por culpa do devedor. . c. como já vimos. ao invés de cem sacas de café mensais. permanecem incólume e válidas as prestações já cumpridas. Pode verificar-se antes ou durante a execução. "exceptio no adimpleti contratus". Na primeira. Se essa impossibilidade for definitiva. abordamos essa hipótese como sendo de resolução do contrato. Finalmente. o contrato continua sendo executado de forma incompleta. como por exemplo. convenção das partes. por exemplo. no contrato de trato sucessivo.CONTRATOS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 14 prestação. e devem ser indenizadas aquelas que não o foram. a hipótese passa a ser regida pelo art. até o momento da impossibilidade. Em razão desse direito potestativo. a doença de um dos contratantes. As causas mais freqüentes de suspensão são as seguintes: a. o fornecedor passa a enviar quarenta. contudo. SUSPENSÃO DO CONTRATO Suspensão do contrato é a paralisão temporária de sua execução. em razão do caso fortuito e força maior.

CONTRATOS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 15 QUESTÕES 1. 15. 11. 28. quais as atitudes que pode tomar o contratante lesado em razão da alteração radical da situação contratual? A revisão judicial fere algum princípio contratual? É válida a cláusula que proíbe a invocação da teoria da imprevisão? Qual a distinção entre a teoria da imprevisão e o caso fortuito ou força maior? O que é resilição? Como se classifica a resilição e qual o seu efeito? O que é distrato ou resilição bilateral? 27. 20. 24. 30. 22. 9. 5. 21. 8. pelo fato de a outra já haver cumprido totalmente a sua prestação. 17. qual o meio processual? Na hipótese de no contrato couberem obrigações a apenas uma das partes. 13. 31. Qual a distinção entre extinção normal e extinção anormal dos contratos? Quais as causas de extinção anormal? Quais as causas de nulidade absoluta do contrato? Quais as causas de nulidade relativa do contrato? Qual o efeito da decretação da nulidade ou anulabilidade do contrato? Quais os requisitos para a conversão de um contrato nulo em outro válido? Qual a distinção entre conversão própria e conversão imprópria? O que é resolução? Qual a distinção entre condição resolutiva e cláusula resolutiva? Elenque cinco hipóteses de resolução contratual.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . qual o jurista brasileiro que idealizou a teoria da imprevisão? O que é a teoria da imprevisão e qual o seu fundamento? Quais os requisitos da teoria da imprevisão? O Código de Defesa do Consumidor exige os mesmos requisitos exigidos pelo Código Civil em relação à revisão do contrato? O contratante em mora pode invocar a teoria da imprevisão? Se no contrato ainda couberem obrigações para ambas as partes. 18. 4. 10. 6. 16. . 14. O que é rescisão? Qual a distinção entre cláusula resolutiva expressa (pacto comissório)? O efeito da resolução é “ex tunc” ou “ex nunc”? Qual a distinção entre resolução e nulidade relativa? A parte que alienou o bem pode requerer a resolução contratual e a anulação? O que é rescisão por inadimplemento antecipado e quais seus efeitos? O que é a cláusula “rebus sic stantibus” e qual a sua origem? Como era conhecida na Idade Média? Quando ressurgiu o interesse pelo estudo desta cláusula? No Brasil. 2. 3. quais as opções da parte lesada pela alteração da situação contratual? O outro contratante pode evitar a resolução do contrato? Em caso positivo. 12. 23. 25. 32. 26. 29. 19. 7.

CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL . 45. 36. 44. 43. é cabível o distrato? O que é resilição unilateral? Em que momento é cabível a resilição nos contratos por tempo indeterminado? Qual o meio da resilição? Qual a distinção entre denúncia vinculada e denúncia discricionária? Se uma das partes houver feito um investimento é cabível a denúncia? Quando é possível o direito de arrependimento? A morte de um dos contratantes é causa de extinção do contrato? O caso fortuito e a força maior sempre extinguem o contrato? Qual a distinção entre suspensão total e parcial do contrato? Quais as causas de suspensão do contrato? . É cabível o distrato em contratos por prazo determinado? É cabível o distrato em contratos por prazo indeterminado? Qual a forma do distrato? É cabível o distrato tácito? Após o registro da escritura pública e o recebimento do preço. 35.CONTRATOS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 16 33. 42. 40. 41. 38. 34. 37. 39. 46.

DIREITO CIVIL OBRIGAÇÕES CURSO A DISTÂNCIA MÓDULO X .

solidariedade nunca se presume. 265 do CC: “A solidariedade não se presume. resulta da lei ou da vontade das partes”. de uma prestação divisível. por constituir exceção a essa regra. por ato em separado. Tal ocorre. pura ou perfeita ou própria: é a que decorre da lei. ESPÉCIES A solidariedade pode ser: a. por inteiro. também chamada de correalidade ou obrigações correais: quando resultar do contrato ou testamento. a divisibilidade da obrigação. A solidariedade ativa e passiva podem ser estipuladas após o negócio. b. ou obrigado. Exemplo: “A” e “B” alugam a casa para “C” e “D”. por exemplo. isto é. 264 do CC). são responsáveis pela dívida toda. Exemplo: se são dois locadores. A solidariedade pode ser: a. Vimos que. da Lei de Inquilinato). É o caso dos avalistas.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL – OBRIGAÇÕES – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 1 OBRIGAÇÕES SOLIDÁRIAS CONCEITO Há solidariedade quando na mesma obrigação concorre mais de um credor. ativa: quando há vários credores com o direito de exigir do devedor comum o cumprimento integral da prestação. c. imperfeita ou imprópria. pois o endossante torna-se solidariamente responsável pelo débito. em havendo pluralidade de credores ou de devedores. 2º. sendo que cada um dos credores pode exigir o cumprimento total da obrigação de cada um dos devedores. com o endosso do título. por sua vez. destarte. passiva: quando há vários devedores responsáveis pelo cumprimento integral da prestação devida ao credor comum. presumindo-se. aplica-se a máxima “concurso partes fiunt”. recíproca ou mista: quando há pluralidade de credores e de devedores. deve emanar da lei ou da vontade das partes. . b. à divida toda (art. A solidariedade. o valor de aluguel (art. que. Portanto. ou mais de um devedor. FONTES DA SOLIDARIEDADE Dispõe o art. Exemplo: o devedor originário e o avalista. de um ato de vontade. cada um com direito. ambos podem cobrar do devedor.

245/91 prevê a solidariedade ativa entre os locadores. Mas se um dos credores ingressar com ação judicial. INCONVENIENTES A inconveniência da solidariedade ativa. se o ‘accipiens’. pois o mandante pode revogá-lo a qualquer tempo. a obrigação. presumem-se iguais.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL – OBRIGAÇÕES – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 2 Finalmente. que pode receber a totalidade da dívida. o prejuízo experimentado pelos co-credores é inexorável. na mesma obrigação. extinguindo. o devedor. que. Outro inconveniente da solidariedade ativa. em conjunto. se pagar a outro credor não se liberará da obrigação. embora todos os credores possam exigir a dívida toda. conseqüentemente. Se o credor recebeu só uma parte do crédito. e todos os devedores tenham responsabilidade integral pelo débito. pois carecem de qualquer ação contra o devedor original”. tornar-se insolvente. Ora. SOLIDARIEDADE ATIVA CONCEITO Ocorre quando. e condicional. para o outro”. sem exceção de qualquer um deles. 266: “A obrigação solidária pode ser pura e simples para um dos co-credores ou co-devedores. o devedor deverá pagar em juízo. o devedor. 2º da Lei 8. a este deverá ser efetuado o pagamento integral. comenta Silvio Rodrigues “consiste em que os co-credores ficam à mercê de um só dentre eles. vale a pena registrar. . de forma unilateral (art. isto é. isto é. Urge. depositando o valor em nome de todos os litisconsortes. a anuência de todos os credores. ou pagável em lugar diferente. na solidariedade ativa. por força do princípio da prevenção. na solidariedade. O art. ou a prazo.I do CC). há mais de um credor com o direito de exigir do devedor comum o cumprimento integral da prestação. Assim. pode efetuar o pagamento total a qualquer um dos credores. terá que pagar duas vezes. De fato. antes de prestar contas. nada obsta a estipulação de termo ou condição para um dos co-credores ou co-devedores. o locatário pode efetuar o pagamento do aluguel a qualquer um deles. ativa e passiva. DIREITO DE REGRESSO O credor que recebeu deve pagar aos outros as respectivas quotas. ainda que se perca a confiança em um dos co-credores. no silêncio. Em regra. ainda assim deve ratear o recebido entre os outros co-credores. Se mais de um credor entrar com ação judicial. é o fato de nenhum dos credores poder revogá-la unilateralmente. Nesse aspecto. dispõe o art. o mandato entre credores conjuntos apresenta-se bem mais vantajoso. 682. para revogá-la.

conforme preceitua o art. é também considerado pagamento. que a novação continua sendo passível de realização entre o devedor e um dos credores. Ademais. Por outro lado. restando aos demais co-credores cobrar as respectivas partes do credor que concedeu a remissão (art. . Por outro lado. na contestação. perdoar a dívida por inteiro. porque se a remissão. Igual efeito deve ser atribuído à transação. não pode o devedor argüir a litispendência. a nulidade do título etc. antecipando-se aos demais. O devedor só pode argüir as exceções pessoais suas para com o credor que lhe moveu a ação. Todavia. visando a cobrança do mesmo débito. uma vez argüida com pertinência. das exceções comuns. realizasse com um dos credores a novação. Com efeito. isto é. as exceções pessoais oponíveis aos outros credores (art. 272). Cremos. que. deduzindo-se a parte do credor contra o qual se concretizou a compensação. na hipótese de um dos co-credores remitir. porém. O Código atual repete esse efeito em relação ao pagamento e à remissão. prescrição. é apta a extinguir obrigação. ato de mera liberalidade. Trata-se da chamada conexão processual. EXCEÇÕES PESSOAIS E COISA JULGADA Exceções são as defesas argüidas pelo devedor. Quanto à compensação. trata-se de uma exceção pessoal. 269 e 272. movendo a respectiva ação. por exemplo. compensação ou dele obtivesse a remissão. como. segundo. provocará a improcedência da ação. Não pode o devedor opor ao credor. impondo-se a reunião dos processos para julgamento simultâneo. extingue-se a obrigação. é claro. que lhe ajuizou a ação. como veremos em seguida. Portanto. em sentido amplo. No tocante à compensação. não impede que estes também ajuízem a ação. o fato de um dos credores mover primeiro a ação. 273). além. Em tal hipótese. 274. outrossim. o Código de 1916 previa a extinção da dívida quando o devedor efetuasse o pagamento a um dos credores. 274. cremos que os demais credores continuam com o direito de cobrar o débito do devedor. porém.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL – OBRIGAÇÕES – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 3 A remissão é mais um inconveniente da solidariedade ativa . tendo em vista a diversidade do pólo ativo da relação processual. forma onerosa de extinção do vínculo obrigacional. torna-se incoerente negar esse efeito à novação. mas é omisso quanto à novação e compensação. dispõe o art. conforme arts. porque as ações não são idênticas. trata-se de uma exceção pessoal. exonerando-se o devedor. os limites subjetivos da coisa julgada impedem a sentença de atingir quem não tenha sido parte no processo. logo não poderá atingir os demais credores. porque. Primeiro. quando cobrado judicialmente pelo credor. que o julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os demais.

b) quando estiver autorizado pelos demais herdeiros ou então agirem em conjunto.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL – OBRIGAÇÕES – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 4 Finalmente. . contudo. Em uma hipótese. Nesse caso. opera-se a extinção parcial da obrigação. Nesse aspecto. Se. Em duas hipóteses. conforme preceitua a 2ª parte do art. geralmente marido e mulher. FENÔMENO DA REFRAÇÃO DO CRÉDITO A refração do crédito consiste na sua diminuição em face da morte de um dos credores solidários. porque não extingue totalmente a obrigação. depositam importância a ser movimentada por qualquer deles. Anote-se. o banco-depositário. cumpre salientar que as contas correntes conjuntas. retratam um bom exemplo de solidariedade ativa. Finalmente. pode efetuar o saque de todo dinheiro. a saber: a) quando for herdeiro único. porque exceção é matéria de defesa. porque em relação aos co-credores a morte não provoca o fenômeno da refração do crédito. argüível pelo devedor e não pelo credor. subsistindo quanto ao mais a solidariedade (art. porém. que. na conta corrente conjunta em que um correntista não pode movimentar a conta sem a anuência do outro. A redação dessa parte final é confusa. morre um dos credores solidários. em que duas pessoas. de modo que não há falar-se em refração do crédito. a confusão operada na pessoa do credor solidário só extingue a obrigação até a concorrência da respectiva parte no crédito. 270). por exemplo. o óbito de um dos credores não altera a solidariedade. deixando como único herdeiro o devedor comum. 383. quando esta for indivisível. porquanto continuam com o direito de exigir a dívida toda. a rigor. o herdeiro poderá exigir toda a quota do credor morto. cada um dos herdeiros só terá direito a exigir e receber a quota do crédito que corresponder ao seu quinhão hereditário (art. isto é. Portanto. no entanto. ressalva “a menos que se funde em exceção pessoal ao credor que o obteve”. o herdeiro poderá exigir por inteiro a prestação. Com efeito. CC). em estabelecimentos bancários. que. o efeito da confusão é restrito. não há solidariedade ativa. porque o devedor. o julgamento favorável a um dos credores aproveita aos demais. em relação aos demais credores. 274. o correntista sobrevivente. A CONFUSÃO Ocorre a confusão quando na mesma pessoa se coincide as qualidades de credor e devedor. por fim. No caso de morte. mas só em conjunto. pode efetuar o pagamento a qualquer dos credores correntistas que emitirem cheque visando o saque do dinheiro.

CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL – OBRIGAÇÕES – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 5 RENÚNCIA À SOLIDARIEDADE Na renúncia à solidariedade. sem qualquer responsabilidade pelas perdas e danos. de modo que os efeitos devem ser unificados. a renúncia ao crédito. deduzindo-se a parte cabente ao credor renunciante. devendo o credor. persiste a solidariedade. que é diferente da renúncia à solidariedade. equipando-se à remissão. a faculdade de cobrar a parte que lhe é correspondente. CC. Por outro lado. que houver feito a remissão. Se um dos credores constitui o devedor em mora. 400. 271). Em contrapartida. Todavia. INCAPACIDADE NULIDADE E CESSÃO DE CRÉDITO DE UM DOS CREDORES. destarte. em havendo culpa do devedor pelo perecimento da prestação. Portanto. . a obrigação converte-se em perdas e danos. remanescendo-lhe. porém. Todavia. o disposto no art. A renúncia feita sem essa anuência só é válida entre o co-credor renunciante e o devedor. Igualmente. que se estende aos demais co-credores. PRESCRIÇÃO. pagar aos outros a parte que lhes caiba. persistindo. implica em mora desse credor. o co-credor abdica tão somente do direito de cobrar a dívida toda. ou em fornecer a quitação. quanto aos demais credores. a solidariedade entre os credores (art. remanescendo aos demais credores o direito de cobrar todo o crédito. porém. Outra não pode ser a exegese. sem a dedução da parte cabente ao credor renunciante. por força do princípio da relatividade dos contratos. de modo que só é possível mediante a concordância unânime dos demais credores. MORA. porque na solidariedade ativa verifica-se a unicidade da obrigação. provoca a extinção da obrigação. o devedor poderá efetuar o pagamento das perdas e danos a qualquer um dos credores. 272. extingue-se a obrigação. a não ser nas hipóteses excepcionadas expressamente pela lei. aproveita-se esse efeito aos demais credores. é claro que o devedor deverá devolver aos credores a eventual contraprestação adiantada por eles. que a renúncia à solidariedade equivale à sua revogação. porém. aplicando-se. PERECIMENTO DA PRESTAÇÃO Na hipótese de a prestação perecer sem culpa do devedor. A mora pode ser do devedor e do credor. sob pena de infringência da máxima “pacta sunt servanda”. a recusa injustificada de um dos credores no recebimento integral da dívida. sujeitando-se todos eles aos efeitos previstos no art. sob pena de enriquecimento indevido. Anote-se.

Na indivisibilidade ativa. . Na indivisibilidade ativa. Acrescente-se ainda que a eventual nulidade ou anulabilidade. Note-se que quando a prestação for indivisível e houver inserção da cláusula de solidariedade. Com efeito. a indivisibilidade ativa verifica-se automaticamente. Tratando-se. o pagamento deve ser feito ao representante legal ou aos demais co-credores capazes. contra os quais a prescrição continua a fluir normalmente. nada obsta que o credor a realize em favor de terceiro. ao passo que a solidariedade nunca se presume. dando este caução de ratificação dos outros credores. na solidariedade ativa. ao passo que na solidariedade ativa ocorrerá a extinção total da obrigação. 204). Por outro lado. distinguem-se em vários aspectos. o devedor deve efetuar o pagamento a todos os credores conjuntamente ou a um deles. há mais de um credor com o direito de exigir a prestação inteira do devedor. Assim. a obrigação não ficará extinta para com os outros concredores. 184 CC. por incapacidade de um dos co-credores ou outro vício qualquer. em regra. estaremos diante de uma obrigação ao mesmo tempo solidária e indivisível. se for nula a obrigação quanto a um dos credores. a prestação deve ser indivisível. se esta for separável. não. Mas. gerará.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL – OBRIGAÇÕES – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 6 No que tange à prescrição. salvo quando a obrigação for indivisível. por força do princípio da incomunicabilidade das nulidades previsto no art. resultando expressamente da lei ou da vontade das partes. a invalidade parcial do negócio. ao passo que na solidariedade ativa. de suspensão da prescrição em favor de um dos credores. e ele não participará do rateio. o art. suspensa a prescrição em favor de um dos credores. DISTINÇÃO ENTRE SOLIDARIEDADE ATIVA E INDIVISIBILIDADE ATIVA Em ambas as obrigações. o pagamento pode ser efetuado a qualquer dos credores independentemente desta caução de ratificação ou de autorização dos demais credores. Não obstante essa característica comum. do art. aproveita-se aos demais concredores. Na indivisibilidade ativa. Na indivisibilidade ativa. 201 expressamente salienta que não aproveita aos demais co-credores. pois a lei não prevê qualquer direito de preferência para os outros concredores. Finalmente. ao passo que na solidariedade pode ser divisível ou indivisível. se um dos credores remitir a dívida ou realizar transação e novação. a interrupção promovida por um dos credores beneficia os demais co-credores (§ 1º. no tocante à cessão de crédito. a eventual incapacidade superveniente de um dos credores não altera em nada a solidariedade. nesse caso. permanecendo este intacto na parte válida. operando-se apenas a diminuição do valor do débito. sua cota será deduzida do todo. porém.

. com a morte de um dos credores. com a morte.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL – OBRIGAÇÕES – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 7 exonerando-se o devedor. pois cada um destes só terá direito a exigir e receber a quota do crédito a que corresponder ao seu quinhão hereditário. mas o credor que houver remitido. persiste a indivisibilidade em relação aos seus herdeiros. Finalmente. que podem exigir do devedor o cumprimento integral da obrigação. a solidariedade ativa extingue-se em relação aos herdeiros do credor falecido. transacionado ou novado responderá aos outros pela parte que lhes caiba. ao passo que.

A confusão na solidariedade ativa extingue totalmente a obrigação? O que é renúncia à solidariedade? Em tal situação. 19. 24. 16. 8. 22. 9.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CIVIL – OBRIGAÇÕES – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 8 QUESTÕES 1. por incapacidade de um dos credores solidários. 4. 12. . 14. 17. 23. os demais credores podem mover a ação de cobrança em face do devedor comum? O fato de um dos credores mover primeiro a ação gera a litispendência. O que é solidariedade ativa? O que é solidariedade passiva? O que é solidariedade recíproca ou mista? Por que a solidariedade não se presume? O que é solidariedade pura ou perfeita? O que é solidariedade imperfeita ou co-realidade? Na solidariedade ativa. 26. o devedor sempre pode efetuar o pagamento a qualquer um dos credores? Quais os inconvenientes da solidariedade ativa? Por que o mandato é mais vantajoso do que a solidariedade ativa? O que acontece se um dos co-credores solidários ativos perdoar a dívida por inteiro? O efeito é o mesmo em relação à novação e compensação? Na solidariedade ativa o devedor pode opor ao credor. 10. 7. todas as exceções? Se a ação movida por um dos credores solidários for improcedente. 18. persiste a solidariedade para os demais credores? É cabível a renúncia total à solidariedade? Qual a distinção entre renúncia à solidariedade e renúncia ao crédito? No caso de perecimento da prestação por culpa do devedor. a solidariedade sofre alguma alteração? A nulidade ou anulabilidade. 25. 15. quais os efeitos da mora do devedor e do credor? Qual o efeito da interrupção e suspensão da prescrição na solidariedade ativa? No caso de incapacidade superveniente de um dos credores solidários ativos. 2. persiste a solidariedade em relação às perdas e danos? Na solidariedade ativa. 3. 27. 11. na hipótese de os demais credores moverem também a ação? O julgamento favorável a um dos credores solidários aproveita aos demais? O que é o fenômeno da refração do crédito? O herdeiro do credor solidário morto pode exigir toda a cota do credor morto? Pode exigir o cumprimento integral da obrigação? O óbito de um dos credores altera a solidariedade quanto aos demais credores? Exemplifique a situação. que lhe ajuizou a ação. 21. 5. 6. invalida toda a obrigação? Qual a distinção entre solidariedade ativa e indivisibilidade ativa? 13. 20.

DIREITO DAS COISAS CURSO A DISTÂNCIA MÓDULO X .

excluída a antijuridicidade do delito de exercício arbitrário das próprias razões. Trata-se de reminiscência do período da vingança privada. A lei civil permite que o possuidor esbulhado ou turbado faça justiça com as próprias mãos. Num e noutro caso a reação deve ser in continenti. c. inclusive. assim.º. direito ao uso dos interditos. responsabilidade pelas deteriorações. previsto no art. 1. Admite-se. ou restituir-se por sua própria força. Na legítima defesa. Legítima defesa é a reação imediata e moderada à turbação da posse. A detenção. em ato sucessivo. não gera nenhum dos efeitos acima elencados. imediata.210. usucapião. contanto que o faça logo”. são: a legítima defesa e o desforço imediato. Admite o legislador no aludido dispositivo a defesa direta como meio hábil à proteção possessória. As duas espécies de defesa direta. isto é. do CC: “o possuidor turbado. 345 do CP. Mister a moderação dos meios empregados para legítima defesa ou desforço imediato. b. ou então logo que lhe seja possível agir. o emprego de armas. desde que necessário à manutenção ou restituição da posse. ou esbulhado. § 1. indenizações por benfeitorias. defesa direta. à exceção da defesa direta. f.DIREITO CIVIL – DIREITO DAS COISAS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 1 EFEITOS DA POSSE Os principais efeitos da posse são: a. ao passo que esbulho é a perda da posse. d. DEFESA DIRETA Dispõe o art. Turbação é a molestação da posse. sem precisar recorrer ao Poder Judiciário. no âmbito do direito possessório. poderá manter-se. Desforço imediato é a reação imediata e moderada ao esbulho possessório. e. direito de retenção por benfeitorias. que não podem ir além da violência necessária à manutenção ou restituição da posse. g. a violência é empregada para impedir a perda da posse. percepção dos frutos. ao passo que no desforço imediato é empregada para recuperar a posse esbulhada. estando. Este é o .

porém. não importa que a posse seja justa ou injusta. de boa ou má-fé”. Os dois ilustres jurisconsultos estão corretos. direto ou indireto. nos moldes do art. seja de boa ou má-fé. c. 25 do CP. à semelhança de outras ações. no de esbulho. Os interditos tipicamente possessórios são os seguintes: a. O legislador facultou ao possuidor esbulhado ou turbado maior espaço de tempo para reagir. Washington de Barros Monteiro ensina que “só o possuidor. ação de manutenção de posse. E adiante acrescenta que “é preciso. se presente não estiver a polícia”. porém. prevista na primeira parte do § 1. Para Savigny a proteção concedida à posse tem o escopo de reprimir a violência.DIREITO CIVIL – DIREITO DAS COISAS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 2 verdadeiro significado da expressão “contanto que o faça logo”. interdito proibitório. Por outro lado. 1. Para propor uma ação possessória basta que a posse seja justa. entende que o detentor também pode fazer uso da defesa direta. isto é. porém. 345 do CP). que os interditos. em pessoa. Todo possuidor. direto ou indireto. que a reação tardia ao esbulho ou turbação constitui delito de exercício arbitrário das próprias razões (art. dias depois do furto. assumindo-lhe a responsabilidade”. tem direito de ser mantido na posse. como o preposto. Em tal hipótese. Acrescente-se. A FACULDADE DE INVOCAR OS INTERDITOS Indubitavelmente. tem direito de lançar mão dessa defesa excepcional. que o próprio possuidor. . excluindo. Dissentem os juristas a respeito do fundamento da proteção possessória. e reintegrado. ainda. pois. Observe-se. b. Para Ihering a posse é protegida em atenção à propriedade. no caso de turbação. Carvalho Santos cita o seguinte exemplo: “alguém se encontra com o ladrão de sua capa. amparado pela legítima defesa criminal. desde que a posse seja justa em relação ao adversário. ação de reintegração de posse.210 do Código. o mero detentor. visam à preservação da paz social e à proibição da Justiça pelas próprias mãos. A melhor orientação. Interditos são as ações possessórias. para assegurar o gozo da propriedade. o principal efeito da posse decorre da possibilidade de invocar os interditos. se coloque à testa da reação. assiste-lhe o direito de fazer justiça por suas próprias mãos. apesar do lapso de tempo decorrido. É bom lembrar que o possuidor injusto tem também direito aos interditos.º do art.

b. incumbe ao autor provar (art. o comodatário que. o possuidor pode intentar ação de manutenção de posse. por ter a sua posse se tornado precária. Passemos à análise desses requisitos. b. ação de nunciação de obra nova. c.DIREITO CIVIL – DIREITO DAS COISAS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 3 Outras ações ainda se prestam à proteção possessória. É comum a aquisição da posse por documento. Na lavratura da escritura pública de compra e venda. o vendedor geralmente já transmite a posse ao comprador. ação de dano infecto. conforme já dito. Se. não chega a perdê-la. Nas ações de manutenção e reintegração de posse. 1. c. a continuação da posse. Esbulho é a perda da posse pela prática de atos violentos. restando-lhe tão-somente socorrer-se às ações dominiais. e restituído. ação de imissão de posse. ação reivindicatória. caput. AÇÕES DE MANUTENÇÃO E REINTEGRAÇÃO DE POSSE Dispõe o art. Com a aquisição da posse. torna-se possível o ajuizamento dos interditos. Adquire-se a posse pelos atos visivelmente reveladores da conduta de dono. Posse. embargos de terceiro. em caso de turbação. sem a transmissão da posse. 933 do CPC): a. na ação de reintegração. . Agora. a turbação ou o esbulho praticado pelo réu. ser-lhe-á vedada a via dos interditos. a sua posse. malgrado a turbação. a saber: a. e. continua na posse. findo o prazo contratual.210. deixa de entregar a coisa. ainda que documentalmente. comete esbulho. no de esbulho”. Aquele que se apossa da coisa clandestina ou precariamente também pratica esbulho. d. O possuidor. embora turbada. a data da turbação ou do esbulho. a ação cabível é a de reintegração de posse. do CC que “o possuidor tem direito a ser mantido na posse. clandestinos ou precários. a perda da posse. Ocorrendo a mera turbação. é a exteriorização do domínio. na ação de manutenção. o comprador adquirir a propriedade do bem. Esbulho não é apenas sinônimo de violência. no caso de perda da posse (esbulho). d. por exemplo. Assim. porém. Turbação é a molestação da posse.

também. ofende minha posse e contra cada um deles posso pedir manutenção. Contra ato administrativo que ameace de turbação ou esbulho a posse do autor. Admite-se. posse do autor. 176/620 e 274/594). em que se comine ao réu determinada pena pecuniária. caso transgrida o preceito”. Dispõe o art. na prática. enquanto outros entendem que se deve contar a partir do último ato. verificadas dentro do prazo legal”. Suposto que decorrido haja o prazo de ano e dia a contar do primeiro ato turbativo. 932 do CPC: “o possuidor direto ou indireto. Cada um desses atos. é também cabível o interdito proibitório. a turbação de direito. mediante mandado proibitório. de atos turbativos distintos e autônomos. para me opor às turbações subseqüentes. c. a cada turbação inicia o prazo de ano e dia. a ação adequada é a de manutenção ou reintegração de posse. porém. Trata-se de proteção preventiva à posse. . impondo multa diária pelos dias de transgressão. isoladamente. nem por isso perderei o direito de recorrer ao interdito. poderá impetrar ao juiz que o segure da turbação ou esbulho iminente. Tratando-se. O escopo da ação de manutenção é garantir o possuidor na posse do bem turbado. INTERDITO PROIBITÓRIO O interdito proibitório é intentado quando houver justo receio de turbação ou esbulho iminente. justo receio de ser concretizada a ameaça. Questão controvertida é saber quando começa a contar o prazo de ano e dia na hipótese de reiterados atos turbativos em que um é seqüência do outro. costuma-se impetrar mandado de segurança. Consumando-se a turbação ou esbulho. embora haja opiniões em contrário (RT 115/65. ameaça de turbação ou esbulho por parte do réu. Vicente Ráo ministra o seguinte exemplo: “um vizinho penetra na minha fazenda uma. Para uns. Tem a finalidade de impedir a consumação da turbação ou esbulho. a fim de extrair lenha. Porém. O ajuizamento do interdito proibitório depende dos seguintes requisitos: a. cinco vezes. o prazo começa a fluir do primeiro ato. o que também é correto. duas. que tenha justo receio de ser molestado na posse. A sentença que julgar procedente a ação determinará a expedição do mandado de proibição.DIREITO CIVIL – DIREITO DAS COISAS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 4 Ao autor incumbe provar a data da turbação ou do esbulho para saber se a ação é de força nova ou velha. b. ao passo que a ação de reintegração tem a finalidade de recuperar a posse perdida.

o juiz não poderá aproveitá-las como interdito possessório. VI. pois é vedado ao juiz julgar fora do pedido estampado na inicial. PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE O princípio da fungibilidade. variando apenas a situação fática. conferindo a proteção possessória necessária ao caso concreto. Diante disso. o autor ajuizar ação de manutenção de posse. reintegração de posse e interdito proibitório estão sujeitas a três princípios básicos: a. simultaneamente. Entretanto. os litigantes podem assumir. também denominado conversibilidade dos interditos. expedir o mandado de reintegração de posse. Por isso. NATUREZA DÚPLICE Em regra. do CPC). Se o possuidor ingressar equivocadamente com a ação de despejo ou ação reivindicatória.DIREITO CIVIL – DIREITO DAS COISAS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 5 Constitui exercício regular do direito a ameaça de ingressar na Justiça para obter a posse da coisa. podendo o juiz apreciá-lo como se tratasse de reconvenção. quem formula o pedido é o autor. Se. Nas ações dúplices. falta ao réu interesse processual para reconvir. quiser que o juiz aprecie o seu pedido com força de coisa julgada deverá oferecer reconvenção. na contestação. PRINCÍPIOS APLICÁVEIS ÀS AÇÕES TIPICAMENTE POSSESSÓRIAS As ações de manutenção de posse. 267. Isto ocorre nas ações dúplices. por isso. a requerer a improcedência da ação. devendo extinguir o processo sem julgamento do mérito (art. a posição de autor ou réu. proibição da exceptio proprietatis. mandando. permite o legislador ao réu a formulação de seu pedido na própria contestação. 920 do CPC). limitando-se o réu. natureza dúplice. quando o correto seria a de reintegração. c. Em todos os interditos o pedido é de proteção possessória. significa que a propositura de uma ação possessória em vez de outra não obstará a que o juiz conheça do pedido. Se. pois. na medida em que poderá formular o seu pedido na própria contestação. Excepcionalmente. não se admite a reconvenção. somente as ações tipicamente possessórias (manutenção de posse. o juiz dará a proteção jurisdicional que a situação fática reclama. . b. fungibilidade. porém. o ajuizamento do interdito proibitório. reintegração de posse e interdito proibitório) são fungíveis entre si (art. Não pode o réu ampliar os limites do julgamento. por exemplo. porém. não autorizando.

na contestação. demandar a proteção possessória e a indenização pelos prejuízos resultantes da turbação ou do esbulho cometido pelo autor”. molestar a posse alheia. ou reintegração na posse. Nesse caso. Inversamente. quando ambos os contendores disputavam a posse com base no título de propriedade. admitia-se a disputa da posse com base no título de propriedade por conta do que constava na segunda parte do art. ou de outro direito sobre a coisa”. era aceita em duas hipóteses: a. Excepcionalmente.210 do CC que “não obsta à manutenção. o juiz deveria julgar a ação improcedente. poderá formular contra o autor os pedidos de manutenção de posse e de indenização pelas perdas e danos. PROIBIÇÃO DA EXCEPTIO PROPRIETATIS Dispõe o § 2. 1.º do art. por exemplo. Vencerá a ação reivindicatória aquele que comprovar a propriedade. não comprovada suficientemente a posse pelas partes. evidentemente. O melhor possuidor vencerá a ação. ainda que o adversário do processo seja o proprietário. explica Caio Mário da Silva Pereira.DIREITO CIVIL – DIREITO DAS COISAS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 6 Dispõe o art. a defesa da posse com base na propriedade da coisa. no caso de dúvida. na contestação. tiver o domínio. independentemente da propriedade. o acolhimento da defesa possessória com fundamento na propriedade legitimaria o ilícito praticado pelo proprietário contra o possuidor. porém. não assiste ao proprietário. mas havia uma corrente sustentando que. sob a alegação de propriedade. alegando que foi ofendido em sua posse. Não se discute propriedade em ação possessória. lembrando que só pode ser admitido o uso da força para recuperar a posse na hipótese de desforço imediato. A posse é protegida autonomamente. De fato. nas ações possessórias vencerá o melhor possuidor. se com base neste for disputada”. É conhecida no direito romano a máxima de Ulpiano: separata essa debet possessio a proprietate. . entretanto. É que. a exceptio proprietatis. isto é. o réu. 505 do CC/1916 (“Não se deve. Efetivamente. b. Se. Em razão disso. 922 do CPC que “é lícito ao réu. a alegação de propriedade. ainda que ele não seja o proprietário. não se discute domínio em ação possessória. o autor ingressar com ação de reintegração de posse. Nas ações petitórias o debate processual gira em torno da questão dominial. julgar a posse em favor daquele a quem evidentemente não pertencer o domínio”). Não fosse assim. o juiz decidiria em favor do proprietário. quando duvidosa a posse dos litigantes. Discutese apenas posse. dispunha a Súmula 487 do STF que “será deferida a posse a quem.

sem ouvir o réu. contudo. intentar ação de reconhecimento de domínio”. citando-se o réu para comparecer à audiência. admissível a liminar em ação possessória de força nova movida contra o Poder Público. tutela antecipada não verificada na ação possessória de força velha. Urge salientar que a inovação introduzida no art. é defeso. A ação possessória de força nova confere direito à liminar. admitindo a aplicação do art. Demonstrado. . desde que haja prévia audiência de seus representantes judiciais. na Universidade Federal do Paraná. porém. mas diversos processualistas sustentam o contrário. Mas não estando a inicial devidamente instruída com os documentos necessários. após o decurso de ano e dia. é inaplicável às ações possessórias de força velha. A primeira é a intentada dentro do prazo de ano e dia. assim ao autor como ao réu. naquele caso em que se admite a exceptio proprietatis. 273 do CPC. apreciando então a liminar. A segunda. PROCEDIMENTO DAS AÇÕES POSSESSÓRIAS As ações possessórias são de força nova e de força velha. o juiz designará audiência de justificação. isto é. o réu arrolar testemunhas. À primeira vista o dispositivo induziria a entender que no curso de processo possessório não se poderia ingressar com ação dominial paralela para pleitear o reconhecimento da propriedade. também.DIREITO CIVIL – DIREITO DAS COISAS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 7 A parte final do art. 505 do CC/1916 não foi reproduzida no Código Civil de 2002. a contar do esbulho ou turbação. 928. corretamente. a tese sufragada. Fora dessa hipótese não tem sentido vetar o ajuizamento de ação petitória no curso do processo possessório. 923 do CPC que “na pendência do processo possessório. no entanto. Nesta audiência de justificação somente o autor tem direito a arrolar testemunhas. do CPC). dado o seu caráter da norma geral. sendo. Vale lembrar que até mesmo o grande Frederico Marques defendeu essa interpretação literal. É. A liminar é concedida de plano. dispõe o art. mas ainda é sustentável o posicionamento de se julgar a ação possessória em favor do proprietário nas duas hipóteses acima. foi no sentido de que a vedação do art. pelo Simpósio de Processualistas reunidos em Curitiba. com base no domínio. parágrafo único. 273 do CPC. ao juiz é facultado ouvi-las como testemunhas do juízo. restando ao réu a faculdade de juntar documentos e fazer reperguntas por intermédio de seu advogado. 923 do CPC só é aplicável quando a posse estiver sendo disputada na ação possessória. Por outro lado. Entretanto. em outubro de 1975. terminantemente proibida a concessão de liminar inaudita altera pars (art. Se. o interesse público no bem. a ação possessória converter-se-á em desapropriação indireta.

94 do CPC).DIREITO CIVIL – DIREITO DAS COISAS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 8 Cabe agravo de instrumento da decisão que. Concedida ou não a liminar. em qualquer tempo. 925 do CPC). cominação de pena para o caso de nova turbação ou esbulho e desfazimento de construção ou plantação feita em detrimento de sua posse (art.139/1995. a ação possessória. a critério do relator. sobre bem móvel é o domicílio do réu (art. seguindo ab initio o rito ordinário. a partir da Lei 9. Na ação possessória de força velha inexiste a fase de liminar. 921 do CPC). Não se admite mais a impetração de mandado de segurança para dar efeito suspensivo ao agravo de instrumento. porém. versando. Ao autor é facultado cumular na ação possessória os pedidos de condenação por perdas e danos. 95 do CPC). que o autor provisoriamente mantido ou reintegrado na posse carece de idoneidade financeira para. o juiz assinar-lhe-á o prazo de cinco dias para requerer caução sob pena de ser depositada a coisa litigiosa (art. Se o réu provar. O foro competente para a ação possessória sobre bem imóvel é o da situação da coisa (art. conforme o valor da causa. versando sobre bens imóveis. seguirá o rito ordinário. fluindo o prazo para contestação a partir da intimação da decisão que apreciou a liminar. nas suas três modalidades. pois este recurso. concede ou denega a liminar. no caso de decair da ação. responder por perdas e danos. em ação possessória. terá ou não efeito suspensivo. . As ações possessórias sobre bens móveis ou semoventes seguem o rito ordinário ou sumário.

33. 17. 27. 7. 21. 4. 18.DIREITO CIVIL – DIREITO DAS COISAS – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 9 QUESTÕES: 1. 16. 19. 29. Quais são os efeitos da posse? A detenção gera algum desses efeitos? Qual desses efeitos é resquício da vingança privada? O que é defesa direta? Qual a diferença entre legitima defesa e desforço imediato? Quais os seus requisitos? É possível emprego de armas para defender a posse? O que são e quais são os interditos possessórios? Qual o fundamento da proteção possessória? Os interditos são as únicas ações que se prestam à defesa da posse? Qual a diferença entre esbulho e turbação? Qual a diferença entre as ações de manutenção e reintegração de posse? Quais os requisitos para a propositura das ações acima? É possível adquirir posse por documento? O que é interdito proibitório? Qual a sua finalidade? Quais os requisitos do interdito proibitório? É cabível interdito proibitório contra ato administrativo? A ameaça de ingressar na justiça serve de fundamento para o interdito proibitório? Quais os princípios das ações tipicamente possessórias? O que é o princípio da fungibilidade? Quais as ações são fungíveis entre si? Por que as ações possessórias são dúplices? Que tipo de pedido pode ser formulado na contestação? Em que consiste a proibição da exceptio proprietatis? Em que hipótese é possível discutir propriedade nas ações possessórias? Como deve ser interpretado o art. 9. 23. quem pode arrolar testemunhas? É possível ao réu fazer reperguntas? É cabível liminar nas ações possessórias em face do poder público? Quando a ação possessória se converte em desapropriação indireta? Qual o recurso cabível que concede ou denega a liminar? É cabível mandando de segurança? 30. 22. 26. as ações possessórias seguem o rito sumário ou ordinário? Quais os pedidos que o autor pode cumular nas ações possessórias? O réu pode exigir que o autor preste caução? Qual o foro competente para a ação possessória? . 32. 923 do CPC? Qual a diferença entre as ações possessórias de força nova e de força velha? O juiz pode conceder a liminar sem ouvir o réu ou deve marcar audiência de justificação? Nesta audiência. 3. 28. 14. 25. 6. 15. 24.Após a fase da liminar. 5. 11. 30. 10. 31. 20. 13. 12. 8. 2.

ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE CURSO A DISTÂNCIA MÓDULO X .

do Estatuto da Criança e do Adolescente. em processo judicial. Conforme a percuciente lição de Pedro Henrique Demercian: “O sistema processual adotado por nosso ordenamento jurídico impõe à jurisdição penal a observância de algumas regras e garantias de ordem constitucional.5º.” Na mesma senda José Frederico Marques. Como desdobramento do princípio do due process of law. onde imperava o amplo desrespeito as garantias processuais e aos basilares direitos indisponíveis do cidadão. . Na verdade. incisos I e II. sobretudo no aspecto processual. que as leis de processo estabeleçam as regras para a determinação do lugar e da circunscrição em que as causas devam ser julgadas e conhecidas. pois o tratamento dado ao assunto pela lei revogada era inqualificável. aplicando as medidas cabíveis e para conceder remissão. porém. senão em virtude do devido processo legal. CF). com todas as garantias a ele inerentes. incisos LIV e LV. o contraditório e a ampla defesa.”. o salto de qualidade operado entre o velho e o novo diploma legal deveu-se ao trabalho legiferante de processualistas que já labutavam pela reforma das leis processuais penais e civis. DA COMPETÊNCIA RATIONE LOCI E RATIONE MATERIAE O Estatuto da Criança e do Adolescente dispõe expressamente sobre a competência jurisdicional para conhecimento das ações visando apuração de ato infracional atribuído a adolescente e da aplicação das medidas cabíveis. “. como forma de suspensão ou extinção do processo.. Assim é que ninguém será privado de seus bens ou de sua liberdade.. A medida aplicada ao adolescente considerado autor de ato infracional tem conteúdo aflitivo e implica na supressão de bens e interesses do indivíduo subordinado.ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – PROFº FAUSTO JUNQUEIRA DE PAULA CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 1 PROCEDIMENTO DE APURAÇÃO DE ATO INFRACIONAL ATRIBUÍDO A ADOLESCENTE GENERALIDADES Importante salientar que o sistema processual acolhido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente não parte de uma evolução gradativa da própria legislação tutelar. com os meios e recursos a ela inerentes (art.necessário se faz. são assegurados aos litigantes. Ex vi do que dispõe o artigo 148. em geral. os quais unidos a menoristas produziram um conjunto de normas que acabou inspirando e abrindo caminho a importantes alterações no ordenamento jurídico com repercussões no processo penal e processo civil. e aos acusados. será competente a Justiça da Infância e da Juventude para conhecer as representações promovidas pelo Ministério Público para apuração de ato infracional atribuído a adolescente.

ECA). Preleciona Paulo Afonso Garrido de Paula que o artigo 148 – que trata da competência em razão da matéria – contém duas regras de competência. pois não importa se o evento ocorreu em outra comarca. observadas as regras de conexão. que pressupõe o envolvimento dos familiares ou das pessoas que fazem parte do ambiente do autor do fato.1992. Qualquer que seja o fato penalmente relevante o procedimento para apuração de ato infracional atribuído a adolescente será iniciado exclusivamente pelo Ministério Público (art. 147 da Lei 8. conhecer do ato infracional (art. A competência territorial está disciplinada no artigo 147 do Estatuto da Criança e do Adolescente. CCOMP 3.146. forem ameaçados ou violados (artigo 98. A competência para execução das medidas poderá ser delegada à autoridade competente da residência dos pais ou responsável. qualquer que seja a situação jurídica do adolescente submetido ao processo sócio-educativo. previstos no ECA. acolhendo de vez a teoria da conduta. na esfera estadual.201. . sempre será competente o Juízo onde se deu a ação ou omissão do adolescente. cuja inobservância gera nulidade processual insanável. Assis Toledo. rel. contendo fórmula mais simplificada do que a contida na legislação processual penal ordinária. quando os direitos da criança ou adolescente. condicionada ou incondicionada (art. É que ditando que será competente a autoridade do lugar da ação ou omissão. Min.103.22. No caput o legislador estabeleceu as hipóteses de competência plena.ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – PROFº FAUSTO JUNQUEIRA DE PAULA CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 2 Cuida-se de competência absoluta. não havendo que se falar em queixa ou representação do ofendido como condição de procedibilidade. não tem lugar a discussão referente aos crimes plurilocais ou qualificados pelo resultado. p. prevalecendo mesmo na hipótese de crime praticado por adolescente em detrimento de bens e serviços da União.11. inclusive para conceder remissão judicial ou mesmo para homologar remissão ou arquivamento propostos pelo representante do Ministério Público. DA LEGITIMIDADE PARA O EXERCÍCIO DA AÇÃO O Estatuto da Criança e do Adolescente não contempla a classificação subjetiva admitida na seara penal no que se refere ao exercício do direito de ação. ou ao Juiz que exercer essa função. ou do local onde sediar-se a entidade que abrigar o adolescente (§ 3º. Preocupou-se aqui o legislador com a participação da família do adolescente no processo pedagógico que deve se desencadear por ocasião da execução das medidas a ele aplicadas. ECA). assim sendo não se distingue os crimes e contravenções de ação penal privada e de ação penal pública. o Juiz da Infância e da Juventude terá competência para apreciação e julgamento do caso. compete ao Juiz da Infância e da Juventude. DJU 30. continência e prevenção. II.CP). id est.069/90)” (STJ. ficando o parágrafo único reservado para os casos em que a Justiça da Infância e da Juventude somente será chamada a intervir quando verificada qualquer das condições ali referidas. uma plena e outra condicionada. do artigo 147.553). Desta forma.395. Nesse sentido “Tratando-se de menor inimputável. ECA).

como efeito resultante da prática do ato infracional.para o adolescente autor de ato infracional a proposta é de que no contexto da proteção integral. receba ele medidas sócio-educativas (portanto. Desse modo. o legislador. I. Adverte Paulo Afonso Garrido de Paula que : “Adotando o Estatuto tais princípios. Distinguindo a natureza das medidas penal e sócio-educativa assim já se pronunciou a jurisprudência: “A medida sócio-educativa. da Lei 8. do CP. contraditório etc. Não se trata de ação penal.112. Com larga experiência no assunto. consistente em instrumento de proteção social onde o órgão legitimado busca a tutela jurisdicional para reparação do desvalor social representado pela conduta do adolescente.. de que trata o art. quando instituiu um sistema marcado pelo informalismo e discricionariedade.. pois a pretensão do autor não é a aplicação de uma medida desta natureza. . pois prevalece o interesse na apuração do fato e na recomposição do desvalor inerente ao ato infracional face ao eventual interesse do ofendido de não ver o caso submetido à Corte. ECA).228 da Carta Magna”. aplicada a menores.ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – PROFº FAUSTO JUNQUEIRA DE PAULA CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 3 Fica criada com o Estatuto a figura da ação sócio-educativa pública. salienta Olympio Sotto Maior “: “.). tem sentido jurídico diverso da prevista do art. titular da ação sócio-educativa pública. III. pela natureza específica da atividade jurisdicional objeto da ação sócio-educativa há de ser ela sempre pública incondicionada. É a lição do art. in casu. de sorte que a forma materializasse um garantia (citação. por isso que não pode ser tomada como pena restritiva de direito. não punitivas). Denomina-se ação sócioeducativa porque a providência buscada com exercício da ação é justamente a aplicação de uma medida sócio-educativa (artigo 112.”.”. ao contrário do que fez na aprovação do revogado Código de Menores. que embora tenha conteúdo aflitivo semelhante a sanção penal.069/90 (prestação de serviços à comunidade). possui natureza própria onde predomina o matiz educativo. inclusive pelo exercício da Procuradoria-Geral de Justiça no Estado do Paraná. tendentes a interferir no seu processo de desenvolvimento objetivando melhor compreensão da realidade e efetiva integração social.43. instaurado a partir do oferecimento de representação pelo Ministério Público. estabeleceu um procedimento de apuração de ato infracional de natureza formal.

ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – PROFº FAUSTO JUNQUEIRA DE PAULA CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 4 QUESTÕES 1. 4. 12. 2. 8. 13. 14. 9. 11. 10. 148 do ECA? Qual é a autoridade competente quanto ao local da infração? Qual a competência em casos de infrações plurilocais? Qual poderá ser a autoridade competente para a execução das medidas resultantes do ato infracional? Qual a preocupação do legislador ao fixar essa competência para a execução das medidas? De quem é a legitimidade para o exercício do direito de ação para apurar os atos infracionais? O que significa “Ação sócio-educativa pública”? Trata-se de uma ação de natureza penal? Por quê? Embora de conteúdo aflitivo qual o matiz que predomina nessa sanção? 5. 7. 16. 3. 15. 6. . Houve evolução gradativa ou salto de qualidade no que tange ao procedimento de apuração de ato infracional atribuído ao adolescente? Qual o conteúdo da medida aplicada ao adolescente considerado autor de ato infracional? Quais as conseqüências oriundas da aplicação dessas medidas? Qual a Justiça Competente para apreciar as representações para apuração de ato infracional do adolescente e aplicar as medidas cabíveis? Que tipo de Competência é? Gera nulidade a não observância desse princípio? Quais as regras de competência em razão da matéria? Quando será aplicado o dispositivo previsto no parágrafo único do art.

DIREITO COMERCIAL TOMO I CURSO A DISTÂNCIA MÓDULO X .

997 do Código Civil). quando competir aos sócios decidir sobre os negócios da sociedade. por culpa no . além das pessoas impedidas por lei especial (militares. A administração da sociedade. contudo. cabendo a decisão aos sócios. em relação às quais exige-se a totalidade dos votos (art. SÍLVIO ANTÔNIO MARQUES 1 DA ADMINISTRAÇÃO A administração da sociedade simples deve ser exercida por pessoa natural designada no contrato social ou em instrumento separado. os condenados a pena pelos crimes referidos no art. em que a omissão ou retardo das providências possa ocasionar dano irreparável ou grave. ela poderá esquivar-se. caso não seja exigido pelo contrato social quorum maior. e. Os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e aos terceiros prejudicados. e. torna-se necessário o concurso de todos. se este persistir. concussão.011 §1º do Código Civil (crime falimentar. decidirá o juiz. os administradores podem praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade. nomeado por instrumento em separado.PROF. as deliberações serão tomadas por maioria absoluta de votos. 1. peculato etc. cada um pode impugnar operação pretendida por outro. Pode ser nomeado administrador o sócio ou não-sócio. enquanto perdurarem os efeitos da condenação (art. pelos atos que praticar. Mas se a administração competir separadamente a vários administradores. suborno. 1.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO COMERCIAL I .).010 do Código Civil. Nos atos de competência conjunta de vários administradores. prevalecendo a decisão tomada por maior número de sócios no caso de empate. prevaricação. Neste caso. funcionários públicos etc. por maioria de votos. nada dispondo o contrato social. Caso a sociedade seja demandada em virtude de excesso de seu administrador. Não constituindo objeto social a oneração (por exemplo. hipoteca ou usufruto) ou a venda de bens imóveis depende do que a maioria dos sócios decidir. são necessários os votos correspondentes a mais de metade do capital social. Nos termos do art. salvo nos casos urgentes. Para formar a maioria absoluta.). a sociedade deverá provar que a limitação de poderes estava inscrita ou averbada no registro próprio da sociedade. contados segundo o valor das quotas de cada um. compete separadamente a cada um dos sócios. atribuindo a ele a responsabilidade. No silêncio do contrato. deve averbá-lo à margem da inscrição da sociedade. 999). que a limitação era conhecida do terceiro ou que a operação era evidentemente estranha aos negócios da sociedade. O administrador. Não podem ser administradores da sociedade simples. antes de requerer a averbação. responde pessoal e solidariamente com a sociedade. 94 do Código Penal). se referem às decisões sobre as atividades diárias da sociedade e não devem ser confundidas com aquelas referentes às modificações do contrato social (art. Tais deliberações.

1. ou com seus bens pessoais na hipótese inversa. sendo-lhe facultado. Os sócios respondem pelo saldo. O sócio.007 do Código Civil). Aquele administrador que. aplicar créditos ou bens sociais em proveito próprio ou de terceiros. especificados no instrumento de procuração os atos e operações que poderão praticar. A responsabilidade dos sócios pode ser limitada ou ilimitada. o credor pode requerer a liquidação da quota do devedor. que procura proteger os direitos da sociedade através da responsabilização pessoal do administrador que agiu com abuso ou excesso de poder. 1. Se a sociedade não estiver dissolvida. e. sem consentimento escrito dos sócios. . O administrador sócio nomeado no contrato social somente é destituído por justa causa e ainda mediante decisão judicial.PROF. não se exime das dívidas sociais anteriores à admissão. por ele também responderá. RELAÇÕES COM TERCEIROS A sociedade simples adquire direitos. seus bens particulares somente podem ser executados por dívidas da sociedade. no juízo da execução.017) contempla a teoria ultra vires. caso a responsabilidade subsidiária tenha sido limitada através do contrato social. constituir mandatários da sociedade. SÍLVIO ANTÔNIO MARQUES 2 desempenho de suas funções.031). Observa-se. admitido em sociedade simples já constituída.015. por sua vez. Logo. parágrafo único e 1. se houver prejuízo. assim. fazer recair a execução ou cumprimento da sentença ou acórdão sobre o que a este couber nos lucros da sociedade. será depositado em dinheiro. até noventa dias após aquela liquidação. 1. Quando os sócios tiverem responsabilidade ilimitada. nos limites de seus poderes. senão depois de executados os bens sociais (benefício de ordem). dependendo do que dispuser o contrato social. cujo valor (apurado na forma do art. ou pagar o equivalente. que o Código Civil (arts. ou na parte que lhe tocar em liquidação.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO COMERCIAL I . conforme decisão daqueles que representem a maioria das quotas (art.019 e parágrafo único do Código Civil). participando apenas dos lucros (art. na proporção em que participem das perdas sociais. na insuficiência de outros bens do devedor. os credores não podem penhorar as quotas do sócio devedor. enquanto aquele nomeado por instrumento em separado e o que não for sócio podem ser destituídos a qualquer tempo. 1. terá de restituí-los à sociedade. Os sócios que contribuem apenas com serviços não têm responsabilidade pelas dívidas sociais. com todos os lucros resultantes. assume obrigações e procede judicialmente em relação a terceiros por meio de seus administradores. Ao administrador também é vedado fazer-se substituir no exercício de suas funções. O credor particular de sócio pode.

II) em relação àquele sócio cuja quota foi liquidada em ação proposta por credor (art. com antecedência mínima de sessenta dias. ou a seus herdeiros. os sócios respondem pelas obrigações posteriores e em igual prazo. exclusão ou morte do sócio. caso em que se prorrogará por tempo indeterminado. por acordo com os sucessores. II. Nos trinta dias subseqüentes à notificação. 1. não entrar a sociedade em liquidação. por exemplo.026). salvo se o contrato dispuser diferentemente. o capital social da sociedade simples sofrerá a correspondente redução. pagando-se em seguida seus herdeiros. salvo se os demais sócios suprirem o valor da quota.004 e seu parágrafo único). mediante notificação aos demais sócios. sua quota será liquidada. São causas de dissolução total extrajudicial da sociedade simples (art. SÍLVIO ANTÔNIO MARQUES 3 RESOLUÇÃO DA SOCIEDADE EM RELAÇÃO A UM SÓCIO A sociedade se resolve em relação a um sócio se este falecer. Qualquer sócio pode retirar-se da sociedade: se de prazo indeterminado. se de prazo determinado. vencido este e sem oposição de sócio. efetivar-se a substituição do sócio falecido por outra pessoa. A quota liquidada será paga em dinheiro. II) por incapacidade superveniente. enquanto não se requerer a averbação da modificação do contrato social. provando judicialmente justa causa.033 do Código Civil): I. DISSOLUÇÃO E LIQUIDAÇÃO DA SOCIEDADE SIMPLES A dissolução equivale à extinção da sociedade simples.031 §§ 1º e 2º). Nos dois casos. . da responsabilidade pelas obrigações sociais anteriores. em caso de acidente ou loucura.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO COMERCIAL I . 1. ou estipulação contratual em sentido diverso (art. salvo se.PROF. a partir da liquidação. assim considerado aquele se encontra em mora quanto às contribuições previstas em contrato (art. o vencimento do prazo de duração. após a efetiva exclusão. ou ainda se. Nos dois primeiros casos. podem os demais sócios optar pela dissolução da sociedade. A retirada. É possível a exclusão extrajudicial em relação ao: I) remisso. o consenso unânime dos sócios. salvo acordo. até dois anos após averbada a resolução da sociedade. A exclusão do sócio pode ser efetivada extrajudicialmente ou judicialmente. A exclusão judicial pode se dar mediante iniciativa da maioria dos demais sócios: I) por falta grave no cumprimento de suas obrigações. se os sócios remanescentes optarem pela dissolução da sociedade. 1. podendo ser extrajudicial ou judicial. no prazo de noventa dias. 1. Em caso de morte de sócio. que ocorre. se retirar da sociedade ou for excluído. não o exime.

CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO COMERCIAL I . promoverá a liquidação judicial da sociedade. ou.036 parágrafo único do Código Civil). a falta de pluralidade de sócios. se não houver acordo quanto à liquidação extrajudicial (art. tão logo lhe comunique a autoridade competente. na forma do art. pois neste caso se aplica a legislação processual (art. a autoridade competente para conceder a autorização nomeará interventor com poderes para requerer a medida e administrar a sociedade até que seja nomeado o liquidante. mantidos pelo art. por via judicial. parágrafo único. exaurimento de seu fim social ou III. Caso o Parquet não promova a liquidação judicial da sociedade nos quinze dias subseqüentes ao recebimento da comunicação. Se ocorrer a dissolução da sociedade simples. o Ministério Público.218. Em caso de liquidação judicial o liquidante será nomeado pelo juiz do processo. na sociedade de prazo indeterminado.111 do Código Civil). que poderá ser requerida por qualquer sócio. A liquidação será efetivada judicialmente se a dissolução foi determinada pelo juiz.033 do Código Civil. 1. do atual Código. ocorrendo justa causa (art. A liquidação será efetivada extrajudicialmente se a dissolução foi extrajudicial. 655/674 do Código de Processo Civil de 1939. se os administradores não o tiverem feito nos trinta dias seguintes à perda da autorização. IV. o liquidante será eleito por deliberação dos sócios. a deliberação dos sócios. a requerimento de um ou mais sócios. prevista nos arts. Neste caso. 1. V. IV. a todo tempo. Se não estiver designado no contrato social. exceto se o sócio requerer a liquidação judicial. Na dissolução de pleno direito (extrajudicial). quando contestadas. inexeqüibilidade de seu objeto. o liquidante nomeado pode ser destituído. que visa a realização do ativo e pagamento do passivo. a serem verificadas judicialmente. poderá o sócio requerer a liquidação judicial. 1. II. causas contratuais . SÍLVIO ANTÔNIO MARQUES 4 III. se eleito mediante deliberação dos sócios.038 do Código Civil). não reconstituída no prazo de cento e oitenta dias. A dissolução judicial da sociedade simples. vedadas novas operações. . devendo ser providenciada imediatamente a investidura do liquidante. anulação de sua constituição.o contrato pode prever outras causas de dissolução. restringir a gestão própria aos negócios inadiáveis. na forma da lei. a extinção. 1. ainda. cumpre aos administradores iniciar a liquidação. exceto se houver acordo entre os sócios. por maioria absoluta. VII.036. que ocorre nos casos do art. 1. ou se o sócio não houver exercido a faculdade a ele assegurada. Os administradores devem. pelas quais responderão solidária e ilimitadamente. Em caso liquidação extrajudicial.PROF. 1. em qualquer caso. do Código Civil. nos autos do processo da ação de dissolução da sociedade. podendo a escolha recair em pessoa estranha à sociedade. ocorrerá por: I. de autorização para funcionar.

8. Quem deve exercer a administração da sociedade simples? Qual o quórum de deliberação sobre os negócios da sociedade? Como se forma a maioria absoluta para fins de deliberação dos negócios sociais? Como se procede em caso de empate? Qual é o quórum exigido para as modificações do contrato social nas sociedades simples? Qual é a responsabilidade do administrador pelos atos que praticar. não promoveu sua averbação? A quem compete a administração da sociedade? O que deve provar a sociedade para isentar-se de responsabilidade caso seja demandada em virtude de excesso de seu administrador? No que consiste a teoria “ultra vires”? Pode o administrador fazer-se substituir no exercício de suas funções? Como se destitui administrador nomeado em contrato social? Como se destitui o administrador nomeado por instrumento apartado? Qual é a responsabilidade dos sócios pelas dívidas sociais? Quais são as causas de dissolução da sociedade simples? . 7. 13. 11. 14. 10. 9. 2. 3. se.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO COMERCIAL I .PROF. SÍLVIO ANTÔNIO MARQUES 5 QUESTÕES 1. 4. 6. 5. nomeado por instrumento em separado. 12.

DIREITO COMERCIAL TOMO II CURSO A DISTÂNCIA MÓDULO X .

sendo que em 1968 o Brasil editou a Lei n. É possível a emissão de “nota fiscal-fatura”. VI. que passaram a adotar sistema semelhante. por ser um título causal. 2 TJPR. como. 7.Curitiba .CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO COMERCIAL II . se o valor não for pago. 19 da Lei 5. por exemplo.São Paulo . criou a factura conformada. nos anos 1920. por exemplo. Apelação Cível 00523733-5/002 . que impôs aos atacadistas. 1º caput.0061273500 . correção monetária1. se for decretada a quebra (art.474/1968. o vendedor não poderá propor eventual ação de execução. inciso VI. inclusive para vendas à vista.Segunda Câmara Cível – j.661/1945 e art. Caso não emita a duplicata ou receba outros títulos de crédito. Torres Júnior – V. A duplicata pode ser emitida para pagamento a vista ou a prazo inferior ou superior a 30 dias.5ª Câmara . a emissão de “fatura” ou “conta”. do despacho de mercadorias ou da prestação dos serviços (art. a duplicata é o “príncipe dos títulos do direito brasileiro”. 11.Nona Câmara – j. do Decreto-lei n. Apelação Cível . O vendedor. SÍLVIO ANTÔNIO MARQUES 1 DUPLICATA NOÇÕES GERAIS A duplicata é um título de crédito que representa uma fatura de venda de produtos ou prestação de serviços.Rel. A Argentina. que comporta execução sem o aceite do devedor. 18/10/95 . Oscarlino Moeller – VU. 219).PROF. para documentar a compra e venda (art. Na fatura deve constar a relação das mercadorias ou das notas fiscais correspondentes. A duplicata. nas vendas aos retalhistas. art. O documento (fatura ou conta) deveria ser emitido “duplicado”. A emissão da duplicata é facultativa. contudo.U.Juiz Munir Karam . Quando emitida a prazo. 2º §1º. cuja origem remonta o Código Comercial de 1850 (art. Apelação Cível . e art. aluguéis2 ou leasing3.Guarulhos . Trata-se de título criado pelo direito brasileiro. notável jurista italiano. de modo que o vendedor (empresário) pode. por exemplo. durante o I Congresso das Associações Comerciais. uma letra de câmbio beneficiando a si próprio. 186. Esse sistema não foi adotado largamente e. efetuar a cobrança dos produtos alienados através de nota fiscal com o respectivo recibo ou receber outros títulos sacados pelo comprador (cheque ou nota promissória). 178 da Lei n. 5. Segundo Tullio Ascarelli. está impedido de emitir qualquer outro título de crédito. . foi sugerida a criação da “duplicata da fatura”.101/2005)..474/1968). o vencimento é contado da data da entrega dos produtos. 20/10/93 3 1º TAC/SP. não pode ser emitida para cobrar juros. todavia.00559849-8/008 . dado o seu largo uso no país e sua influência sobre as legislações de diversos países. 3º §2º). O empresário que emitir duplicata está obrigado a escriturar o “Livro de Registros de Duplicatas” (art.Rel. 2º). 1 1º TAC/SP. sob pena de responder por crime falimentar.

ACEITE A duplicata deve ser encaminhada para aceite. que é a emissão de uma fatura representativa da venda de mercadoria ou prestação de serviços.474/1968). pois deve obedecer ao padrão legal (art. SÍLVIO ANTÔNIO MARQUES 2 CAUSALIDADE E MODELO DA DUPLICATA A duplicata é um título causal. 5. IV. duplicata A2 vencível em 12/02 etc. VI. II. pelo vendedor ao comprador. V. Neste caso. É possível. contudo.PROF. a data certa do vencimento ou a declaração de ser a duplicata à vista. contudo. vencível em 12/01. da qual se originou. III. VIII. a praça de pagamento. II. por comunicação . permitindo ao credor (vendedor) que a endosse (art. cambial.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO COMERCIAL II . o título é enviado ao comprador. a partir de uma fatura.quando resulta da retenção da duplicata. que depois é enviado ao vendedor (art. em caso de cobrança bancária. . o nome e domicílio do vendedor e do comprador.2º da Lei de Duplicatas: I. o qual assina um documento. devidamente assinada (art.). porque para ser emitido depende da ocorrência de uma causa prevista em lei. a importância a pagar. da Lei n. o banco envia o título ao comprador. a data de sua emissão e o número de ordem. em algarismos e por extenso. se o pagamento é parcelado (por exemplo. É também um título de modelo vinculado.a duplicata. VII. IX. 102/1968 do Banco Central). proibição do endosso com a cláusula “não à ordem”. mas uma duplicata não pode representar mais de uma fatura (art. a cláusula à ordem. como aceite.O aceite é classificado em: I. 27 da Lei n. inciso VII. a ser assinada pelo comprador. REQUISITOS DE EMISSÃO Os requisitos de emissão estão previstos no art. que o retém e encaminha uma comunicação escrita ao vendedor. quando não for à vista. denominado boleto. concordando com o aceite. 7º caput). ordinário .357/1985 e Resolução n. contado da data de sua apresentação. a declaração do reconhecimento de sua exatidão e da obrigação de pagá-la. 2º. duplicata A1. Na prática. serem emitidas várias duplicatas. a denominação “duplicata”. 2º §2º). 7. A emissão da duplicata somente pode ser à ordem. Não há. deverá ser devolvida pelo comprador ao apresentante dentro do prazo de 10 (dez) dias. no prazo de 30 dias de sua emissão. a assinatura do emitente ou uma rubrica mecânica. 7º §1º). o número da fatura ou da nota fiscal-fatura.

quais sejam: I. 7º caput).CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO COMERCIAL II . De acordo com Luiz Emygdio F. Se não constar nenhuma assinatura acima daquela aposta pelo avalista. inciso II. divergências nos prazos ou preços ajustados. quando identifica o avalizado. assim. O aval dado posteriormente ao vencimento do título produz os mesmos efeitos que o prestado anteriormente (art. na falta de devolução do título (art. beneficiando. com a assinatura do documento comprobatório. SÍLVIO ANTÔNIO MARQUES 3 III. II. parágrafo único). vícios de qualidade ou quantidade das mercadorias.. a triplicata ou simples indicações. o aval concedido na duplicata após o protesto ou após o decurso do prazo para a sua efetivação. Ocorrendo uma dessas hipóteses. da Rosa Jr. mas o endossante necessariamente é o emitente (vendedor ou prestador de serviços). 13 §1º). AVAL O aval na duplicata pode ser em preto.PROF. 12. o comprador e outros. 12). que é o comprador das mercadorias (art. de devolução ou de pagamento. b). PROTESTO DA DUPLICATA A duplicata é protestável por falta de aceite. o vendedor-endossante. o vendedor poderá apresentar a própria duplicata. em 10 dias (art. ao receber a duplicata o comprador pode devolvê-la sem assinar ou devolvê-la acompanhada de declaração de não-aceitação. avaria ou não-recebimento das mercadorias. III. . por presunção: resulta do recebimento da mercadoria pelo comprador. geralmente o canhoto da nota fiscal (art. ENDOSSO À duplicata aplicam-se as regras da letra de câmbio. RECUSA DO ACEITE O aceite da duplicata é obrigatório (definido por lei) e a recusa somente pode ocorrer nas hipóteses taxativamente previstas. quando não identifica. 15. produz os mesmos efeitos cambiários daquele prestado antes. considera-se que o aval em branco foi prestado em favor do devedor final. quando transportadas por conta e risco do vendedor. Considera-se que o aval em branco é prestado em favor daquele cuja assinatura constar acima da firma do avalista. ou em branco. Em qualquer um desses casos. no prazo de 30 dias do vencimento.

23 da Lei n. que é um título executivo extrajudicial. 21 § 3º da Lei n. as informações necessárias à cobrança do título. AÇÃO CAMBIAL A execução é a ação cabível para cobrar o valor representado pela duplicata. Não se trata de um novo título. por meio magnético. podendo executar apenas o comprador (sacado) e seus avalistas. às vezes o credor deverá juntar outros documentos para efetivar a cobrança. Rosa Jr. O credor encaminha ao banco.Inexistência de expressa vedação legal . perdida ou extraviada (art. o banco encaminha as mesmas indicações por meio magnético ao Cartório de Protestos. Luiz Emygdio F. SÍLVIO ANTÔNIO MARQUES 4 O protesto.RT 662/187) 4 . em razão da desmaterialização dos títulos.474/68” (STF .492/1997). TRIPLICATA Além da possibilidade do protesto por indicações. A duplicata deve ser protestada no mesmo local de pagamento (art. 38 da Lei n. 5. que são informações prestadas pelo credor (art. Apesar da ação de execução ser via correta. que o devedor recebe e utiliza para pagar o título em qualquer instituição financeira. Com o instrumento de protesto e o comprovante de entrega da mercadoria o credor pode executar ou mesmo pedir a falência do devedor. 5 Neste sentido.Inexistência de extravio . O credor que não tirar o protesto no prazo legal perderá o direito de regresso contra os endossantes e respectivos avalistas. 23 da Lei 5. mas a representação da duplicata não devolvida pelo credor. A retenção da duplicata pelo devedor não enseja a emissão da triplicata. 9. 9. responderá pelos prejuízos causados por dolo ou culpa (art. Se o devedor pagar. op. cit.Emissão e protesto . 731. 6 “TRIPLICATA .CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO COMERCIAL II .RT 560/251). que é a segunda via da duplicata. intima o devedor para efetuar o pagamento. Este último.Duplicata retida pelo sacado .474/1968).Nulidade Inteligência do art. o credor ainda pode emitir a triplicata. O banco. que julga recursos especiais sobre a matéria atualmente. p. no caso de retenção.PROF. Se não for pago o título. a forma mais comum de protesto é aquela efetivada por indicações.Licitude da extração .492/1997). não se efetiva o protesto.Inteligência do art.. 23 da Lei 5.13 §3º).474/68” (STJ . Atualmente. mas tem sido admitida pela doutrina5 e pelo Superior Tribunal de Justiça6. mas se não pagar o protesto é tirado. de acordo com antigo entendimento do Supremo Tribunal Federal4. emite uma “guia de compensação” (boleto). por seu turno. deve ser procedido por indicações. Geralmente indica-se como praça de pagamento o domicílio do devedor. por sua vez. Se o Cartório protestar o título irregularmente.Duplicata retida pelo devedor . Depende da situação concreta: “TRIPLICATA .

. a ação de cobrança poderá ser proposta contra um ou contra todos os coobrigados. deverá ser juntada aos autos do processo a comunicação do comprador sacado relativa ao aceite.se o aceite é ordinário (aposto no próprio título). contra o sacado e respectivos avalistas. Execução de duplicata com aceite por comunicação . II.15. O endossante e seu avalista podem ser executados se obedecido o prazo de protesto e ainda mediante a apresentação do título devidamente protestado.474/1968. 5.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO COMERCIAL II . III. contado da data em que haja sido efetuado o pagamento do título. II. basta apresentar a duplicata. em 3 (três) anos.PROF. contado da data do protesto. I. 18 da Lei n. sem observância da ordem em que figurem no título. em um (1) ano. SÍLVIO ANTÔNIO MARQUES 5 Execução de duplicata com aceite ordinário . III. contados da data do vencimento do título. que substitui a duplicata (art. II). a ação de cobrança da duplicata prescreve: I. contra endossante e seus avalistas. Ainda de acordo com o mesmo dispositivo. e os coobrigados da duplicata respondem solidariamente pelo aceite e pelo pagamento. em 1 (um) ano. 7º §§1º e 2º).se o devedor reteve o título e o credor não optou pela emissão da triplicata. Execução de duplicata com aceite presumido – o credor deverá apresentar o instrumento de protesto e o comprovante de entrega da mercadoria (art. Nos termos do art. de qualquer dos coobrigados contra os demais.

15. 18. 14. 4. . 11.PROF. 12. da falta de protesto da duplicata. 16. 2. 6. no prazo legal? O que é a triplicata? Qual é a ação cabível para cobrar o valor representado pela duplicata não paga no vencimento? Qual é o prazo de prescrição da ação de execução da duplicata? 5. 8. 13. 17. 3.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO COMERCIAL II . 19. SÍLVIO ANTÔNIO MARQUES 6 QUESTÕES 1. 20. 9. 7. 10. poderá ele propor eventual ação de execução se o valor não for pago? Pode ser emitida duplicata para representar locação ou cobrança de juros e correção monetária? Por que se diz que a duplicata é título causal? Em que circunstâncias é possível serem emitidas várias duplicatas em relação a uma única fatura? Quais são os requisitos de emissão das duplicatas? Como se classifica o aceite? O que é aceite ordinário? O que é aceite por comunicação? O que é aceite por presunção? Quais as hipóteses em que pode ocorrer a recusa do aceite? Como pode ser o aval na duplicata? O que é aval em branco e em favor de quem ele é prestado? Qual é o prazo para protesto de duplicata? Quais as conseqüências para o credor. O que é duplicata? Como é contado o vencimento quando a duplicata for emitida a prazo? É obrigatória e emissão de duplicata? À falta de duplicata ou se o vendedor não receber outros títulos de crédito.

DIREITO PROCESSUAL CIVIL I CURSO A DISTÂNCIA MÓDULO X .

que são os acontecimentos emanados da vontade humana com o objetivo de produzir um efeito específico. b. etc. ao passo que o fato processual compreende os acontecimentos processualmente relevantes. CONCEITO Ato processual é a declaração de vontade de um dos sujeitos do processo (juiz.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 1 ATOS PROCESSUAIS INTRODUÇÃO Fato juridico é o acontecimento natural ou humano relevante para o direito. Com efeito. o ato juridico processual circunscreve-se à conduta humana lícita relevante para o processo. a petição inicial é um exemplo de ato processual que cria a relação processual. como é o caso da morte de uma das partes ou do juiz. partes e auxiliares da justiça). que é a conduta humana. este é regido pela lei. e a sentença a extingue. modifica essa relação. Mesmo o foro de eleição não pode ser classificado propriamente como negócio jurídico processual. Subdivide-se em: fato juridico em sentido estrito. ao passo que no processo as partes não tem o poder de regular o andamento do processo. salvo no tocante à transação das partes. não podendo ser ampliado pela vontade das partes. porque o poder de escolha da comarca é limitado pela lei. . cujo escopo é criar. licita ou ilícita. de acordo com Cândido Rangel Dinamarco. Vale lembrar que as omissões processuais geram conseqüências previstas na lei. a inundação do prédio do fórum. e ato jurídico. não existem no direito processual civil. em regra. Quanto as omissões processualmente relevantes. atos postulatórios: quando as partes pleiteiam algo perante o juiz. que é o acontecimento emanado da natureza. atos negociais ou negócios jurídicos processuais: é a transação entre as partes sobre o mérito da ação. cuja ocorrência independe da vontade humana. modificar ou extinguir a atividade processual. como a revelia ao réu revel e a remoção do inventariante negligente. classificam-se também como fatos processuais e não como atos processuais. os atos processuais classificam-se em: a. porquanto aludidos negócios são regidos pela autonomia da vontade. a exceção de incompetência. Quanto aos negócios jurídicos. Dentro dessa ótica. CLASSIFICAÇÃO De acordo com o critério objetivo.

b) bilaterais: são atos que se formam pelo acordo de vontades das partes. atos do juiz. ATOS DAS PARTES Os atos processuais praticados pelas partes podem ser: a) unilaterais: são os atos de postulação ao juiz e a manifestação da vontade de uma das partes. B. c. Cumpre não confundir ônus e obrigação. DECLARATÓRIO: quando apresenta uma declaração de vontade. IMPERFEITOS OU DIMINUÍDOS: se o ato não for praticado. Quanto aos tribunais. Finalmente. atos decisórios: quando o juiz resolve as questões. os ônus processuais são os encargos impostos às partes no sentido de praticarem determinados atos a fim de obterem certos efeitos processuais ou impedirem a concretização desses efeitos. Exemplos: petição inicial. O primeiro é unilateral. Por outro lado. contestação. REAIS OU MATERIAIS: são os que se manifestam pela coisa. não por palavras. Exemplos: ônus de contestar. atos dos auxiliares da justiça. esta pode mover ação judicial para pleitear o cumprimento da obrigação. podem ser: a. atos das partes. podendo a parte contrária exigir o cumprimento da prestação em caso de inadimplemento. pagamento de custas e o preparo do recurso etc. Exemplos: apresentação de documentos. se for descumprido a outra parte não pode exigir a prática do ato. Exemplo: falta de contestação em processo que versa sobre direitos indisponíveis. ATOS DO JUIZ No processo. POSTULATÓRIO: quando solicita um pronunciamento judicial. etc. PERFEITOS OU PLENOS: se o ato não for praticado. d. c. b. decisões interlocutórias e despachos de mero . Os ônus processuais podem ser: A. atos probatórios: visam a produção de provas. a segunda é bilateral. o juiz pratica os seguintes atos: sentença. a parte sofre um prejuízo irreversível. réplica. De acordo com o critério subjetivo. Exemplo: transação. enquanto o ônus não pode ser exigido pela outra parte.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 2 c. ainda assim poderá ser praticado sem que ocorra preclusão. os atos das partes. os atos processuais classificam-se em: a. Assim. praticam acórdãos. O juiz não tem ônus. ônus de recorrer etc. b. decisões interlocutórias e despachos de mero expediente. que correspondem aos ônus processuais.

destacam-se o auto e a ata. Vale lembrar que o juiz também pratica atos materiais ou reais (exemplo: presidir o recebimento de documento entregue pela parte em audiência) e atos de documentação (exemplo: rubrica do termo de audiência). Saliente-se. isto é. Dentre os termos processuais. de vista. é vedada abreviatura. etc. as sentenças. inspeção processual. para serem válidos. Moacyr Amaral Santos restringe essa expressão a reuniões dos Tribunais Superiores. Todavia. quando realizadas fora dos auditórios e dos cartórios. Exemplo: auto de avaliação. os acórdãos e as decisões interlocutórias precisam ser fundamentadas. de juntada. autenticada pelos serventuários da justiça. de conclusão. os despachos de mero expediente não. as rasuras ou emendas devem ser ressalvadas. É. contudo. dos arbitradores. TERMOS PROCESSUAIS Termo processual é a documentação escrita dos atos. . no silêncio da lei. antes de serem homologados pelo juiz. dos peritos. como a juntada e a vista obrigatória. independem de despacho. Auto é o termo que relata atividades do juiz. de apensamento. Este rol acima não é taxativo. a documentação escrita de todo o processo.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 3 expediente. AUTOS Autos são o conjunto de atos e termos do processo. caução às custas e a desistência da ação. Finalmente. Esses atos. Acrescente-se o que dispõe o § 4º do art. Exemplos: compromisso. das partes e dos serventuários da justiça. conciliação. Os escritos estrangeiros. de desentranhamento etc. os números e datas serão escritos por extenso. TERMOS DE ANDAMENTO: são os termos de autuação. B. transação. não são admissíveis espaços em branco nem entrelinhas. 162 do CPC: “Os atos meramente ordinatórios. pois independe da anuência da outra parte. Os termos classificam-se em: A. a forma é livre. pois. devem ser traduzidos para o idioma nacional por tradutor juramentado. colheita de depoimentos pessoais. Exemplo: termo de audiência. TERMOS PREJUDICIAIS: são os que documentam atos que modificam o direito das partes. devendo ser praticados de ofício pelo servidor e revistos pelo juiz quando necessários”. de intimação. porque o juiz pratica outros atos processuais: interrogatório das partes. Ata é o relatório das ocorrências de reuniões. que a desistência do recurso não precisa ser tomada por termo. devem ser reduzidos a termo. Os termos processuais são regidos pelo princípio da liberdade das formas.

serão sempre acompanhados de cópia. todas as petições e documentos que instruírem o processo. qualquer pessoa. onde ninguém pode entrar. PRINCÍPIO DA TIPICIDADE: significa que devem observar a forma prevista em lei. determinando-se ainda que nos atos de comunicação. filiação. b) nas causas sobre casamento. Todavia. o acesso é restrito ao terceiro que demonstre interesse a ser examinado pelo juiz. O ato praticado com violação do segredo de justiça não é nulo. conversão em divórcio. ainda que destituída de interesse jurídico. administrativas e civis. tem o direito de consultar os autos. os atos processuais se regem pelo princípio da tipicidade. porém. apesar de válido. Os autos suplementares só sairão do cartório para conclusão ao juiz. B. respectivos advogados. compreende também o divórcio direto e a separação de corpos. que também é vedado aos terceiros não interessados. como citação e intimação. acompanhar audiências. devem seguir os requisitos definidos em lei. a petição inicial. no que tange ao inventário e partilha. conquanto taxativo. . PRINCÍPIOS QUE REGEM OS ATOS PROCESSUAIS Os atos processuais são regidos pelos seguintes princípios: A. independentemente de despacho do juiz. separação judicial. conforme parágrafo único do artigo 155 do CPC. circunstância implicadora de realização de audiências com portas fechadas. a apelação. pois o juiz pode determinar o segredo de justiça. O princípio da publicidade não é absoluto. nem ao Ministério Público e terceiro juridicamente interessado. não podem ter acesso aos autos. datada e assinada por quem os oferecer. PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE: Vigora no processo civil. O segredo de justiça só pode ser determinado pelo juiz nas seguintes hipóteses: a) quando a publicidade causar dano grave ou risco ao interesse público. Assim. na falta dos autos originais. e obter certidão do escrivão. o nome das partes seja abreviados. a parte responsável pela quebra do sigilo pode sofrer conseqüências criminais.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 4 Os autos podem ser originais e suplementares. Outros advogados. Este rol do artigo 155 do CPC. Consiste em franquear a qualquer pessoa o acesso aos autos processuais. Acrescente-se ainda que a execução provisória será feita em autos suplementares. Os autos suplementares são importantes para prevenção de extravio dos autos originais. De fato. É claro que o sigilo não se aplica às partes. Atente-se que enquanto os termos processuais são regidos pelo princípio da liberdade das formas. a sentença etc. Salvo no Distrito Federal e nas Capitais de Estados. não constantes de registro público. alimentos e guarda.

o juiz considerará válido o ato se. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS: ainda que a lei preveja determinada forma. De qualquer maneira. SISTEMA DO ABSOLUTISMO DA LEI OU DA SACRAMENTALIDADE DAS FORMAS: as palavras da lei devem ser fielmente reproduzidas sob pena de nulidade do ato. não são solenes. As formas. O sistema da legalidade das formas desdobra-se em dois: A. reputando-se válidas desde que atinjam o fim visado. portanto. mas se aceita o ato que atingiu o seu fim de outro modo. se alcançada com outra forma. desenvolveram-se três sistemas: A. B. FORMAS DOS ATOS PROCESSUAIS No tocante à forma.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 5 por uma questão de interpretação extensiva. atingir a sua finalidade. são escritos. devem ser reduzidos a termo. sem cominação de nulidade. SISTEMA DA LIBERDADE ABSOLUTA DAS FORMAS: a seqüência e os tipos de atos processuais são determinados pelas partes. a hipótese prevista na alínea “a” confere um certo elastério às possíveis exceções ao princípio da publicidade. em regra. respeitado certo mínimo fundamentado no interesse público. validade jurídica e interoperabilidade da Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileiras (artigo 154). D. integridade. entrelinhas e rasuras ou emendas não ressalvadas. Além disso. conforme salienta Vicente Greco Filho. Aludido sistema foi adotado no direito romano primitivo. observados os requisitos de autenticidade. mas admite. A forma. 154). C. a qual. disciplinar a prática e a comunicação oficial dos atos processuais por meios eletrônicos. Ela existe para alcançar determinada finalidade. B. SISTEMA DA SOBERANIA DO JUIZ: a seqüência e os tipos de atos processuais são determinados pelo magistrado. . É o princípio adotado pelo CPC (art. SISTEMA DA LEGALIDADE INSTRUMENTAL: a lei descreve os tipos e os modelos dos atos. Essa liberdade não chega a ponto de se permitir espaços em branco. Se praticados de maneira oral. em regra. assegura a preservação do ato. não existe para ser respeitada como bem em si mesmo. C. realizado de outro modo. PRINCÍPIO DA DOCUMENTAÇÃO: os atos processuais. PRINCÍPIO DA LIBERDADE DAS FORMAS: a forma é livre para os atos que a lei não prevê uma forma especial. SISTEMA DA LEGALIDADE DAS FORMAS: a seqüência e os tipos de atos processuais são determinados pela lei. a lei autoriza os Tribunais. E. no âmbito da respectiva jurisdição. como válidos os atos praticados de maneira diversa da prevista no Código se alcançarem sua finalidade essencial. Em princípio ela deve ser respeitada.

segundo a doutrina dominante. Quanto ao fac-símile. parágrafo 3º do CPC). dentre outras. mas os atos documentados em audiência são assinados por todos que dela participaram. os atos processuais são praticados fora do referido horário: a) Atos iniciados antes do término do prazo. nos moldes do § 2º do art. esta será suprida pela certidão do escrivão ou escrevente narrando a recusa. quando o adiamento prejudicar a diligência ou causar grave dano. os atos e termos processuais só podem ser praticados em dias úteis. b) Datilografados. Quanto ao horário do protocolo. d) Escrita indelével. Os atos orais também devem ser em língua portuguesa e reduzidas a termo. ainda que o juiz conheça a língua. Em duas hipóteses. porém. e) Assinatura. das seis às vinte horas. TEMPO DOS ATOS PROCESSUAIS Os atos processuais realizar-se-ão em dias úteis. só podem ser juntados aos autos do processo depois de traduzidos por tradutor juramentado. mas não pode ultrapassar das 20 horas. E se não obstante a tradução pairar ainda dúvidas sobre o seu significado. em casos excepcionais. o magistrado poderá nomear um intérprete. entrega da petição para a juntada nos autos. desde que haja autorização expressa do juiz. Quanto aos feriados estaduais e municipais. Igualmente veda-se o uso de abreviaturas. sendo vedada para as partes. e no caso de recusa à assinatura. Por outro lado. o juiz também nomeará interprete para a inquirição de pessoa muda que se comunica através de mímica. isto é. b) Citação e penhora. digitados em computador ou então manuscritos. A parte deve requerer expressamente que a citação e a penhora se realizem em domingos e feriados. O STJ admite também o verde escuro. não é preclusivo. Quanto à taquigrafia e estenotipia. só é admissível para o juízo e tribunal. devem observar as seguintes formalidades: a) escritos em língua portuguesa. mas o original deve ser juntado pela parte em 05 dias (lei 9800/99). devem ser considerados também como dias .CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 6 FORMALIDADES Os atos e termos processuais. A propósito. é permitido. desde que o fórum esteja fechado nesse dia. c) A escrita deve ser em tinta escura: azul ou preto. é fixado pela legislação estadual (artigo 172. Este prazo. 172 do CPC. Quanto aos documentos estrangeiros. No estado de São Paulo o protocolo vai até as 19 horas. nomeando-se interprete. os dias não úteis são os domingos e os feriados nacionais. Os atos de postulação são assinados pelos procuradores das partes.

intimação. do Superior Tribunal Militar. O juiz solicitará à autoridade que designe dia. preceitua: Parágrafo único. Vll .o embaixador de país que.o presidente do Senado e o da Câmara dos Deputados. como a citação. d) inquirição de testemunha por carta precatória ou rogatória. os processos não corriam durante as férias forenses. Vlll .o procurador-geral da República. em regra. . salvo: a) as autoridades elencadas no art. por sua vez. a paralisação geral da atividade judiciária.os desembargadores dos Tribunais de Justiça. A propósito. X . II . 411 do CPC. etc. c) inquirição de testemunha impossibilitada de se mover. dispõe o artigo 411 do CPC: “São inquiridos em sua residência.os governadores dos Estados. ocorriam nos meses de janeiro e julho. Em relação aos sábados. isto é. é considerado dia útil para atos externos. na sede do juízo. os juízes dos Tribunais de Alçada. O parágrafo único do artigo 411.os ministros de Estado.o Presidente e o Vice-Presidente da República. hora e local a fim de ser inquirida. LUGAR DOS ATOS PROCESSUAIS Os atos processuais são praticados. remetendo-lhe cópia da petição inicial ou da defesa oferecida pela parte. ou onde exercem a sua função: I . b) inspeção de pessoas ou coisas que não podem ser transportadas para a sede do juízo. As férias forenses.os ministros do Supremo Tribunal Federal. em regra. Com o advento da Emenda Constitucional 45/2004. III . concede idêntica prerrogativa ao agente diplomático do Brasil.os deputados estaduais.os senadores e deputados federais. IV . as férias forenses deixaram de existir. do Tribunal Federal de Recursos. penhora.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 7 não úteis. nenhum prazo inicia-se a contagem no sábado pois não há expediente forense.. do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal de Contas da União. que arrolou como testemunha”. dos Territórios e do Distrito Federal. Vale lembrar que. Vl . arresto. IX . por lei ou tratado. do Tribunal Superior Eleitoral. os juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho e dos Tribunais Regionais Eleitorais e os conselheiros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal. V . mas reputa-se dia não útil para o fim de contagem de prazo.

. bilaterais. 18. 16. 23. 21. Qual a distinção entre ato e fato processual? No processo civil. 22. 27. admite-se negócio jurídico processual? Como se classificam os atos processuais. 12. 13. 25. 7. 19. 8. 17. 10. Qual o horário para protocolar petições? O que se entende por dia não útil? Os atos processuais podem ser realizados aos sábados? Há algum ato processual que pode ser realizado aos domingos e feriados? O que eram as férias forenses? Qual o local da prática dos atos processuais? Cite as exceções.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 8 QUESTÕES 1. postulatórios. 29. perfeitos e imperfeitos. 3. 20. 15. ata e autos? Qual a distinção entre termo prejudicial e termo de andamento? Os autos suplementares podem sair do cartório? O que é o princípio da liberdade das formas? O que é o princípio da tipicidade? O que é o princípio da instrumentalidade das formas ou legalidade instrumental? Este princípio pertence ao sistema da legalidade das formas? O que é o princípio da documentação? O princípio da publicidade é absoluto? Qualquer pessoa pode obter certidão dos atos processuais. segundo os critérios objetivo e subjetivo? Quais são os atos processuais das partes? Explique a diferença entre atos unilaterais. Quais são os atos processuais do juiz? Há atos processuais que independem de despacho do juiz? O que são termos processuais? Qual a distinção entre auto. declaratórios e reais. 2. 5. 9. 14. independentemente de interesse jurídico? Em quais hipóteses o juiz pode determinar o segredo de justiça? Esse segredo aplica-se a todas as pessoas e advogados? É nulo o ato praticado com publicidade nos processos que tramitam em segredo de justiça? Os documentos escritos em língua estrangeira podem ser juntados no processo? É possível peticionar de forma manuscrita? O que é tinta escura? É admissível utilizar-se de fax? É possível atos processuais mediante taquigrafia ou estenotipia? Qual o horário que se pode praticar os atos processuais? Cite as exceções. 6. 4. 11. 26. 28. 24.

DIREITO PROCESSUAL CIVIL II CURSO A DISTÂNCIA MÓDULO X .

3a ed. Athos Gusmão Carneiro. Nery que a antecipação de tutela é “providência que tem natureza jurídica mandamental. no plano dos fatos. 351 e 352. O que se antecipa é o pedido e não a certificação do direito. 1 Entendemos que a antecipação de tutela é cabível. a qual somente será concedida no final. 273 CPC A antecipação de tutela consiste na antecipação do próprio pedido formulado pelo autor. em tese. Saraiva. p. Em outras palavras: antecipa-se a eficácia social da sentença. RT. 1997. o pedido formulado na inicial. ed. há apenas a antecipação dos efeitos da sentença e não o julgamento definitivo do mérito da causa.5 Concordamos com Nelson Nery Jr. que ele somente receberia no final do processo. não a eficácia jurídico-formal. ou sumária. total ou parcialmente. que se efetiva mediante execução lato sensu. nas sentenças constitutivas nada poderá ser adiantado se incompatível com a provisoriedade da antecipação de tutela. 5 Nesse sentido. a eficácia prática da sentença. impugnável por apelação e sujeita à coisa julgada 1 .”. mesma página. e não a certificação do direito. também está o parecer de Luiz Rodrigues Wambier. 4 Nesse sentido. Teori Albino Zavascki afirma que “antecipar os efeitos da tutela significa satisfazer. p. assim entendidos os efeitos que a futura sentença tem aptidão para produzir no plano da realidade. fazer antes do tempo previsto.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL II – PROFª ARLETE AURELLI 1 TUTELA ANTECIPADA – ART. extinguindo o processo. por meio de decisão interlocutória. 83/84. Essa decisão é provisória e dependerá da sentença final para se tornar definitiva. O que se antecipa são os efeitos que a sentença poderá produzir no plano empírico. p. e Rosa Nery. CPC Comentado. declaratória. isto sim. de forma definitiva. obra citada. 548. na antecipação da tutela se concede ao autor o bem jurídico. constitutiva ou mandamental. 45. seja de conhecimento. No julgamento antecipado da lide há sentença de mérito.3 Portanto. É tutela satisfativa no plano dos fatos. Forense. 3 Nesse sentido. nem a constituição e tampouco a condenação porventura postulada como tutela definitiva. O que se antecipa não é propriamente a certificação do direito. total ou parcialmente.2 Veja-se que dissemos em tese porque nas ações declaratórias ou constitutivas nada pode ser adiantado quanto ao elemento nuclear da tutela. a tutela antecipatória não se confunde com o julgamento antecipado da lide. por meio de sentença. não é possível antecipar o que não é passível de reversão. como visto. dando ao requerente o bem da vida por ele pretendido com a ação de conhecimento”. prosseguindo-se no processo. a própria pretensão deduzida em juízo ou os seus efeitos. ou seja. Na primeira. Antecipam-se. Nesse caso. Da mesma forma. seja ordinária. o juiz profere decisão interlocutória. os efeitos executivos da futura sentença de procedência. não se deve confundir antecipação da tutela com antecipação da própria sentença. provisória.. Flávio R. Nelson Nery Jr e Rosa Nery afirmam que nos casos do CPC 273 o juiz antecipa os efeitos da sentença de mérito. de forma definitiva. que não causa a extinção do feito. RT. condenatória. Assim. e Rosa Maria A. com o objetivo de entregar ao autor. p. Antecipar significa adiantar no tempo. Já no julgamento antecipado da lide o juiz julga o próprio mérito da causa. Da antecipação da tutela no processo civil. mas são passíveis de adiantamento os efeitos práticos que decorram do preceito contida na eventual sentença de procedência. Nesse sentido.. Correia de Almeida e Eduardo Talamini. 2 Nesse sentido. 2a. em qualquer tipo de ação. Antecipação de Tutela. Curso Avançado de Processo Civil. 1998. já que realiza o direito. não é possível adiantar a certeza jurídica. Assim. 4 Em decorrência disso. Nelson Nery Jr.

6 Teori Albino Zavascki explica. mas a futura execução forçada do direito certificado. dado que a demora na fruição constitui. p. cit. urgente. de sorte a propiciar sua imediata execução. Saraiva. não importa qualquer antecipação dos efeitos da futura sentença. todavia. que. Em qualquer de tais hipóteses.”Ob. 1997. será urgente medida para antecipar a produção da prova. Nelson Nery Jr. garante-se o direito. CPC Comentado. RT. não significa antecipar os efeitos da tutela definitiva. Mas finalmente. por si.. e Rosa Nery asseveram que “a tutela antecipada dos efeitos da sentença de mérito não é tutela cautelar. Essa última é a situação de urgência legitimadora da medida antecipatória. com a dissipação das suas indispensáveis bases materiais. embora nem a certificação nem a execução estejam em perigo. Há situações em que a certificação do direito material é que está em risco. há situações em que o perigo ameaça. e vale a pena transcrever aqui. igualmente. tem-se que nas medidas cautelares existe.” 7 Portanto. sem satisfazê-lo. há situações em que a certificação do direito pode não estar sob risco. sem que sua satisfação seja urgente ou que sua execução esteja sob risco. que “as situações de risco à efetividade da prestação da tutela definitiva são essencialmente três. representará antecipação de um efeito típico da tutela definitiva. a viabilidade do direito afirmado pelo autor). Por outro lado. a satisfação do direito é. nem a assegurar a viabilidade da realização do direito afirmado pelo autor. sendo este último o caso típico do material. sem que a sua certificação esteja ameaçada ou que sua satisfação seja urgente. o que. Quando ocorrerem. ainda. mas tem por objetivo conceder. Presentes essas circunstâncias. de forma antecipada. própria da futura sentença de procedência. há casos em que o perigo ronda a execução do direito certificado. pois sua finalidade precípua é adiantar os efeitos da tutela de mérito. como podem não estar sob risco de dissipação os bens destinados à execução do direito certificado: o perigo de dano ao direito decorre. unicamente. p. Em suma: há casos em que apenas a certificação do direito está em perigo. 47-48. I). não tem natureza cautelar. da demora na sua efetiva fruição. porque não se limita a assegurar o resultado prático do processo. 3a ed. por certo. 546 7 Antecipação de tutela. mas sim conceder o próprio pedido formulado. no dizer de Ovídio Baptista da Silva. todavia. p. 6 Nessa linha de raciocínio. impugnável por agravo e não está sujeita à coisa julgada material. Ainda que fundada na urgência (CPC 273. já que a prova de sua existência encontra-se ameaçada em face da demora de sua coleta pelos meios ordinários. o próprio provimento jurisdicional pleiteado ou os seus efeitos. Mas há casos em que.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL II – PROFª ARLETE AURELLI 2 A antecipação de tutela também não pode ser confundida com a tutela cautelar. na tutela concedida antecipadamente há decisão interlocutória. porque a tutela antecipatória não se limita a assegurar o resultado útil e eficaz do processo. Nesses casos. elemento desencadeante de dano grave. urgente será a medida para garantir a execução. será urgente medida para propiciar a própria satisfação do direito afirmado e tal medida. segurança-da-execução e na antecipação de tutela existe execução-para-segurança. nem garantir a satisfação do direito. . objetivo que não se confunde com o da medida cautelar (assegurar o resultado útil do processo de conhecimento ou de execução ou. não a certificação. 547.

p. se a medida satisfaz. 111. está 8 9 Curso de Processual Civil. 3a ed. mas não pode antecipar a decisão sobre o direito material. não cabe deferimento de tutela antecipada nas ações declaratórias e constitutivas. de forma provisória. Esse é o caso da tutela chamada meramente declaratória ou da meramente constitutiva. eis que há antecipação apenas dos efeitos práticos da sentença. O objeto da tutela antecipada será apenas o pedido mediato. Nesse caso o legislador quis proteger o direito evidente. 1. ao contrário. . Diz referido autor que “se ele antecipar efeitos da sentença de procedência. vol. p. constitutiva. mas apenas fumus boni iuris denso somado ao abuso do direito de defesa (defesa sem fundamento) ou manifesto propósito protelatório do réu (réu pratica atos ou requer providências com o único objetivo de protelar o andamento do processo).tutela antecipada mista: há exigência de periculum in mora e fumus boni iuris denso. então o provimento será cautelar. confirmando o caráter não cautelar e antecipatório dos efeitos da liminar concedida em mandado de segurança. que pode ser condenatória. qual seja. assevera que o que caracteriza a natureza do provimento de procedência é o seu respectivo conteúdo. ante o mesmo fundado receio de dano irreparável. exigida do juiz. Sérgio A. a medida cautelar tem apenas o fito de garantir a satisfação do direito discutido no processo dito principal. de nada adiantaria concedê-la antecipadamente.” 9 Assim. em demanda satisfativa – ante o fundado receio de dano irreparável – o provimento terá naturalmente caráter também satisfativo. protege-se o direito. Portanto. Ora. As hipóteses de cabimento da tutela antecipada estão previstas nos incisos do artigo 273 e são: 1. Em função da necessidade da existência do interesse processual é certo que não se poderá admitir tutela antecipada que não seja adequada ao fim a que se destina. nos casos em que o autor somente possa ser satisfeito quando a tutela for concedida em definitivo. Fabris Editor. 2. Não há necessidade de mostrar urgência. não é cautelar. mandamental ou “executiva lato sensu” jamais poderá ser adiantado. Somente se pode adiantar os efeitos práticos da sentença. O pedido imediato. sob pena de ferir o princípio do contraditório. logo não-cautelar. Sabe-se que as sentenças podem conter diversas cargas ou eficácias. Essa característica pertence somente às tutelas antecipadas. apenas assegurando sua futura satisfação (realização). Assim.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL II – PROFª ARLETE AURELLI 3 mandado de segurança. O juiz não pode declarar existente a relação jurídica discutida nos autos. sem satisfazê-lo. Se. 392. algumas das quais são preponderantes. o tipo de providência jurisdicional.8 Referido autor. declaratória.tutela antecipada pura: não há exigência de periculum in mora. No entanto. 2a ed. Esse é justamente o caso do mandado de segurança. É por isso que com o advento do artigo 273 do CPC não há mais necessidade da utilização das chamadas medidas cautelares satisfativas. Comentários ao Código de Processo Civil.

desde que sobrevenham fatos ou elementos novos. Há acórdãos que admitem a concessão da tutela antecipada inclusive no âmbito do Tribunal. tal requisito se refere à prova segura dos fatos que demonstrem a probabilidade do direito pretendido. 93. total ou parcial. Entretanto. pelo juiz. d) Fungibilidade – possibilidade de o juiz receber como tutela cautelar o pedido formulado como tutela antecipada e vice-versa. principalmente quando da prolatação da sentença. Veda-se a decretação de ofício. e) Reversibilidade – a situação de fato dever ser reversível no plano empírico. que determina que. eis que a decisão pode ser substituída por outra. c) prova inequívoca da verossimilhança da existência do direito. pelo réu. ainda que convertida em perdas e danos. ou do decurso do prazo para tal prática. entre dois direitos igualmente aptos a sofrer prejuízo irreparável. a tutela antecipada pode ser requerida e concedida desde a inicial até a sentença. CARACTERÍSTICAS As características da decisão que defere a tutela antecipada são: a) decisão interlocutória. a vida) e direitos patrimoniais. Assim.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL II – PROFª ARLETE AURELLI 4 hipótese somente pode ser pleiteada após a apresentação da contestação. o juiz deve optar pelo mais relevante. deve-se levar em conta o princípio da proporcionalidade. c) Revogável – a decisão antecipatória da tutela pode ser revogada. por escrito ou oralmente. o que acarreta a presunção do dano. A vantagem de se requerer e obter o deferimento por ocasião da sentença é que o recurso de apelação será recebido somente no efeito devolutivo. IX. . Os requisitos para concessão da tutela antecipada são: a)requerimento da parte. No entanto. b) estrita antecipação do pedido. que deve ser fundamentada. CF) b) eficácia provisória. sob pena de nulidade (art. entre direitos absolutos (entre eles. PROCEDIMENTO Quanto ao procedimento. os primeiros vencem sempre – parágrafo sétimo do artigo 273. Prova inequívoca é aquela que não deixa margem à dúvida. d) Uma de duas hipóteses: a) ou o autor prova que a não antecipação lhe acarretará um dano teórico irreparável ou de difícil reparação – periculum in mora – ou o autor demonstra que o réu agiu com abuso do direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório do réu.

exerce pretensão também. A tutela antecipada. Não há violação do princípio do contraditório. nesse caso. Assim. O réu pode requerer tutela antecipada na reconvenção. opoente. 475.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL II – PROFª ARLETE AURELLI 5 conforme art. o autor poderá obter a satisfação do direito. assistente e Ministério Público. nos casos previstos para execução provisória do julgado (art. nem do devido processo legal. VII CPC. pode ser requerida sem a oitiva da parte contrária. Para ser executada não há necessidade de prestar caução. no caso. A decisão antecipatória de tutela é exeqüível. mas a execução é provisória. Além disso. A antecipação de tutela somente pode ser requerida por quem exerce pretensão no processo como o autor. . nos autos. como medida de urgência. eis que a decisão é provisória e sujeita a recurso. enquanto se aguarda o julgamento do recurso no Tribunal. o réu sempre terá o direito de defesa assegurado. 520. letra “o”). eis que. denunciante. Esta somente será exigida.

posteriormente. 3. 4. E. sempre. se “A” tivesse requerido. a maneira como se processa a execução da tutela antecipada. Quais as hipóteses de cabimento da tutela antecipada? A liminar deferida no bojo do processo cautelar. se for o caso. poderá requerer a concessão da tutela antecipada? Explique. “A” deixou de pleitear tutela antecipada na inicial. 9. no curso do processo. 13. requerer novamente o deferimento de tal pleito? Explique.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL II – PROFª ARLETE AURELLI 6 QUESTÕES 1. delimitando. em relação ao próprio processo cautelar tem natureza jurídica antecipação de tutela ou de tutela cautelar? A liminar deferida no bojo de ação de mandado de segurança tem natureza jurídica de cautelar ou antecipação de tutela? Qual a diferença entre tutela antecipada e julgamento antecipado da lide? A tutela antecipada pode ser concedida nas ações declaratórias e constitutivas/desconstitutivas? Explique? A concessão de tutela antecipada depende. 8. na inicial. 2. 6. . 5. mas o juiz tivesse indeferido o pedido. 7. poderia “A”. Entretanto. da existência de periculum in mora? Explique? Em determinado processo. Pergunta-se: “A”. 10. o momento final para concessão da antecipação da tutela. regra geral. a concessão da tutela antecipada. Quais os requisitos para a concessão da tutela antecipada? Explique a diferença existente entre tutela antecipada e tutela cautelar. a contestação do réu “B” revelou-se totalmente infundada e protelatória. 11. O juiz pode revogar antecipação da tutela anteriormente concedida? Qual o recurso cabível contra o deferimento ou indeferimento da tutela antecipada? Explique. 12.

DIREITO PROCESSUAL CIVIL III CURSO A DISTÂNCIA MÓDULO X .

CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL III – PROF. inicia-se através de petição inicial. Quanto ao procedimento. que faz menção à “sentença judiciária”. 100. . o STJ. em princípio.830/80). A Fazenda Pública é citada para embargar a execução no prazo de 30 dias. Da mesma forma. Cássio Scarpinella. como é o caso da execução de alimentos ou em razão da qualidade da parte como é o caso da execução contra a Fazenda Pública. estados. Para a maioria da doutrina. Há entendimento minoritário que sustenta que no caso de título judicial a execução contra a Fazenda será feita através do procedimento previsto para o cumprimento de sentença (Alexandre Câmara e Athos Gusmão Carneiro). “caput” da Constituição Federal. não há que se falar em penhora de bens públicos. ao tratar da execução por quantia certa. concluindo que é cabível a execução por título extrajudicial contra a Fazenda Pública. já que eles são inalienáveis e o objetivo da penhora é justamente viabilizar a alienação do bem para a satisfação do credor. a qual deve observar todos os requisitos típicos de uma inicial de execução. sobretudo em razão da literalidade do art. EDUARDO FRANCISCO DOS SANTOS JR. encampou a doutrina e a jurisprudência majoritária. 1 I . não poderia haver pagamento voluntário em razão das regras de direito financeiro. Distrito Federal. questão amplamente debatida na doutrina e na jurisprudência era a possibilidade dela se fundar em título extrajudicial. Quando se tratar de execução de quantia certa contra pessoas jurídicas de direito público. Não será citada para pagar. através da Súmula 279. a execução contra devedor insolvente e a execução fiscal). 730 a 731 do CPC. deve ser observado o procedimento previsto nos arts. que não é disciplinada pelo CPC mas sim em lei específica (Lei nº 6. municípios. que é diferenciado em razão da inalienabilidade e impenhorabilidade dos bens públicos. tais como a União. não se aplica as regras do cumprimento de sentença. por se tratar de um procedimento de execução específico (como também ocorre com a execução de alimentos. o CPC prevê procedimentos especiais em razão da natureza da obrigação. também é uma espécie de execução por quantia certa com procedimento especial. A) Execução contra a Fazenda Pública Quanto a essa espécie de execução. A execução fiscal. mesmo quando a execução se baseie em título judicial (Humberto Theodoro Júnior. bem como suas autarquias e fundações. como se trata de um processo de execução autônomo. porque. sob pena de penhora. Todavia.EXECUÇÕES POR QUANTIA CERTA COM PROCEDIMENTO ESPECIAL Como já dito. Fred Didier e outros).

Para a maioria da doutrina. o qual deve ser interpretado em consonância com os artigos 78. quer porque não foram acolhidos. por intermédio do presidente do Tribunal. Após essa data. EDUARDO FRANCISCO DOS SANTOS JR. o qual. Para tanto. quer porque não foram opostos. 1º . Tal requerimento. Os precatórios apresentados até o dia 1º de julho serão incluídos no orçamento do ano seguinte. O juiz. Há divergência sobre quem deve suportar tal medida. a rigor seria uma espécie de arresto. poderá requerer o seqüestro da quantia necessária para satisfazer o débito. Arakén de Assis. 730 na redação original estabelecesse prazo de 10 dias para embargos. como determina o art . De acordo com o art. Os precatórios deverão ser pagos segundo a ordem de apresentação. prevê três procedimentos distintos no mesmo Capítulo. o qual será feito pelo sistema de precatórios. deve ser feito ao presidente do Tribunal.494/97. a execução prosseguirá. só serão incluídos no orçamento do exercício seguinte àquele. uma relativa aos débitos de natureza alimentar (§1º-A) e outra dos débitos de outra natureza. Os precatórios são regulados basicamente pelo art. De acordo com o art. poderá determinar a apreensão do valor necessário e a entrega ao credor preterido para a satisfação do débito.180/01 acrescentando o art. B) Execução de Alimentos O CPC nos arts.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL III – PROF. Vicente Greco e Amaral Santos. Humberto Theodoro. 100 da Constituição Federal. O pagamento dos créditos é feito por meio de depósito junto ao Tribunal. alterou esse prazo para 30 dias. 2 Embora o art. deve-se observar a ordem cronológica dos precatórios na respectiva fila. decorrente da ordem cronológica dos precatórios. em razão da natureza da obrigação. Ovídio Baptista e Leonardo Greco entendem que a apreensão deve recair sobre o patrimônio da Fazenda Pública. 86 e 87 do ato das disposições constitucionais transitórias. cabendo ao presidente da Corte a expedição dos mandados de levantamento dos valores depositados. 731 do CPC. 732 a 735 trata de maneira diferenciada da execução de alimentos. requisitará o pagamento. aplicando-se as regras da execução por quantia certa. após ouvir o chefe do Ministério Público. Portanto. apesar do dispositivo falar em seqüestro. sustenta que deve recair sobre o patrimônio do credor que recebeu antes da hora. a Medida Provisória 2. de modo que dispõe o credor de alimentos de quatro formas para executá-lo:1ª) como dívida de valor. Superados os embargos. há duas filas de precatório. estabelecendo no Livro I uma quarta forma de execução. se algum credor for preterido no seu direito de preferência. 100 da Constituição Federal. enquanto a maioria da doutrina. inclusive Barbosa Moreira.B à Lei nº 9.

Nesse sentido. 3 732. a rigor. No comando contido na intimação feita com a citação. 733 e 734 aos alimentos decorrentes do direito de família. que imponha a obrigação de pagar alimentos provisórios ou provisionais. antes de generalizar. Basta para tanto a condenação em alimentos. como dispõe o art. não se aplica à execução de alimentos as regras relativas ao cumprimento da sentença. 733. 475-J e ss. servidor público ou pensionista. Nesse caso. com o que estar-se-á viabilizando uma tutela jurisdicional mais efetiva. Quanto à decisão judicial. embora Dinamarco restrinja as formas previstas nos arts. Portanto. do CPC. a admissibilidade da prisão civil do executado e a ausência de eficácia suspensiva dos embargos ou da impugnação. a execução de alimentos. a execução pode fundar-se tanto em sentença quanto em decisões interlocutórias. 4º) exigindo-se a constituição de um capital para garantir o pagamento de pensão mensal. de acordo com as regras do art. é a doutrina de Alexandre Câmara e a posição de Sérgio Shimura. que em princípio será o de pagamento ou justificativa.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL III – PROF. a execução. que incluem o desconto em folha de pagamento. 734. nos modos de expropriação. quando a penhora recair em dinheiro o “oferecimento de embargos não obsta a que o exeqüente levante . será execução por quantia certa. segundo o qual. Todavia. é necessário fazer uma distinção. como dívida de valor. conforme prevê o art. a execução de pensões alimentícias é especial em razão da competência concorrente reconhecida pela jurisprudência. quando fundada em sentença. Como já dito. a maioria da doutrina sustenta que por se tratar de execução especial. é de rigor a aplicação do procedimento previsto para o cumprimento da sentença. O único detalhe quanto a esta execução está no parágrafo único do art. tem que se basear em título judicial. como dívida de valor. quando os alimentos forem executados com fundamento no art. 475-Q. nos termos do art. Em sentido contrário. quer porque os alimentos não podem ser considerados atuais nos termos da Súmula 309 do STJ. De qualquer forma. quando o devedor for empregado. quer por opção do credor. quando se tratar de alimentos decorrentes de ato ilícito. EDUARDO FRANCISCO DOS SANTOS JR. 1) Procedimento do artigo 732: De fato. 3ª) através do desconto em folha. De acordo com a doutrina majoritária. 2ª) com o uso da prisão civil como medida coercitiva. há o entendimento de Alexandre Câmara. independentemente da sua natureza. 732. para observar os procedimentos específicos aqui tratados. deve ser feita. a execução de alimentos. 732. como bem sintetiza Dinamarco.

que prevê a prisão civil como meio de pressão psicológica e é por isso um procedimento específico. EDUARDO FRANCISCO DOS SANTOS JR. 733. Tal regra é perfeitamente aplicável ao cumprimento da sentença. Nessa modalidade de execução de alimentos. entende que se aplica as regras do cumprimento de sentença. sob pena de prisão civil. com a necessidade de citação do executado. a defesa do executado será exercida por meio de impugnação. Para a maioria da . mesmo concedido efeito suspensivo à impugnação.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL III – PROF. a execução será sempre autônoma. No mais. 4 mensalmente a importância da prestação”. e eventual justificativa não for acolhida. mas apenas a justificativa. no caso de cumprimento de decisão definitiva. comprovar que pagou ou justificar a impossibilidade de pagar. não há embargos. o juiz determinará a citação do devedor para no prazo de três dias. dependendo de petição inicial e citação do executado. Resta lembrar que o procedimento do art. em razão da atualidade e da própria função dos alimentos que se executa. Apresentada a petição inicial. será a impugnação. 732. será opcional. o qual poderá se valer dos embargos da execução para se defender. pois o meio de defesa. como nós. sempre que possível a execução será feita no próprio processo onde proferida a decisão e. ao invés dos embargos. poderá o credor praticar atos de expropriação prestando caução idônea. o exeqüente poderá levantar mensalmente a importância correspondente ao valor da pensão sempre que a penhora recair sobre dinheiro. 2) Procedimento do artigo 733: Quando o credor de alimentos se utilizar do procedimento previsto no art. Para a corrente que sustenta a não aplicação das regras do cumprimento à execução de alimentos fundada no art. aliás. Para quem. mesmo quando este for deferido. a restrição do efeito suspensivo é a única especialidade desse procedimento. esta será autônoma. o juiz poderá decretar a prisão civil do executado. 732 é obrigatório quando os alimentos não guardam a atualidade exigida pela Súmula 309 (que só admite execução sob pena de prisão das três últimas prestações vencidas antes do ajuizamento da execução) e não for possível a execução por desconto em folha. pela qual poderá o devedor provar que pagou ou justificar porque não realizou o pagamento. Se não houver o pagamento. Além do valor relativo à pensão vincenda. pagar. Em ambas as hipóteses. de modo que nada impede a sua aplicação mesmo quando a impugnação tiver efeito suspensivo. só será autorizado o levantamento do valor restante pelo exeqüente se preenchidas as condições exigidas para a execução provisória ou. a qual em princípio não tem efeito suspensivo e. Isso porque a regra se refere aos embargos que tinham efeito suspensivo automático decorrente da lei. através de processo autônomo. excepcionalmente.

EDUARDO FRANCISCO DOS SANTOS JR. mas nada impede prisões sucessivas no mesmo processo. §2º). e qualquer executado que tenha prestações mensais a receber. para a segunda corrente o CPC revogou a lei de alimentos nesse ponto e o prazo passou a ser de 3 meses. 3) Procedimento do artigo 734: Quando o executado for funcionário público. a execução poderá ser feita através do desconto em folha de pagamento ou a ser feito diretamente pelo terceiro devedor da prestação mensal. ou seja. Há divergência acerca do prazo máximo da prisão civil nessa hipótese. embora Barbosa Moreira e Alexandre Câmara admitem-na de ofício. Diante disto. bem como aposentado ou pensionista. O detalhe é que o art. o pagamento da pensão fará com que o juiz determine a soltura do executado e caso o mandado de prisão ainda não tenha sido cumprido. relativos até três meses anteriores ao ajuizamento da execução (Súmula 309). 733. senão pagar as pensões relativas aos dois meses em que esteve preso. a decretação da prisão civil pressupõe requerimento do exeqüente. desde que fundada em prestações alimentícias distintas. pelo procedimento do art. se o executado não pagou dois meses de pensão e teve a prisão civil decretada por 60 dias. Quanto às primeiras duas pensões que deram ensejo ao primeiro período de prisão. baseando-se no princípio da especialidade. nem mesmo as vincendas (art. e entendimento sumulado do STJ. Decretada a prisão civil. 5 doutrina. 732. enquanto que a lei de alimentos só trata de alimentos provisórios e definitivos. De acordo com a doutrina majoritária. Assim. ou seja. para quem admite tal procedimento nessa . militar ou empregado. para a terceira corrente o prazo depende da natureza dos alimentos que estão sendo cobrados.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL III – PROF. ao ser solto. 733 do CPC fala em execução de “alimentos provisionais”. pois o CPC prevê que tal prazo será de 1 a 3 meses enquanto que a lei de alimentos que prevê o procedimento especial para as ações de alimentos. restará ao exeqüente executá-las de outra forma. Como a prisão é apenas uma medida coercitiva e não tem natureza satisfativa. aplica-se o prazo máximo de 60 dias para a prisão civil. 734 ou pelo procedimento do art. porque a prisão civil é a medida coercitiva mais severa existente. só se admite a execução de alimentos com base nesse procedimento para a cobrança de alimentos recentes. ele suspenderá a ordem de prisão expedindo contramandado. o cumprimento da prisão não exime o executado do pagamento das prestações executadas. existem três correntes para o tema: para a primeira corrente. ajuizada uma execução através de uma inicial ou requerido o cumprimento da sentença. Nessa hipótese. Não é possível decretar a prisão mais de uma vez com base na mesma pensão. estabelece que a prisão será de até 60 dias. nova prisão poderá ser decretada.

Nesse caso não há que se falar em avaliação e o próprio desconto em folha servirá como forma de expropriação e pagamento do exeqüente. . o juiz determinará a expedição de ofício ao órgão empregador ou ao terceiro que realize pagamentos mensais ao executado (exemplo: o inquilino de um imóvel locado). caso não cumpra a requisição judicial. as partes convencionam ou o juiz decide que os alimentos serão pagos através de desconto em folha. títulos da dívida pública ou aplicações financeiras em banco oficial e será inalienável e impenhorável enquanto durar a obrigação do devedor. o capital poderá ser composto por imóveis. Tal impenhorabilidade só alcança as dívidas posteriores à prática do ato gerador da responsabilidade civil (Ernane Fidelis e Alexandre Câmara). do devedor e a importância da prestação a ser descontada e o tempo de duração do desconto. respeitados os limites que decorrem da preservação do valor mínimo do salário recebido pelo devedor para a satisfação de suas necessidades que. EDUARDO FRANCISCO DOS SANTOS JR. haverá cumprimento de sentença e o juiz poderá ordenar ao devedor a constituição de um capital. 475-Q: Existe uma quarta forma para a execução de alimentos prevista no art. nada impede. 6 hipótese. como ocorre nos casos de responsabilidade civil objetiva. Na própria ação em que se decide os alimentos. O desconto em folha. Como a constituição do capital é uma obrigação de fazer. A comunicação feita ao empregador ou agente pagador corresponde a penhora. permitindo ao devedor a oposição de embargos do executado e sujeitando o destinatário da comunicação ao crime de desobediência. as regras trazidas pelo dispositivo em questão são aplicadas a todos os casos de obrigação alimentar decorrente de responsabilidade civil. que só se aplica aos alimentos decorrentes de ato ilícito. se efetue outro desconto. cuja renda assegure o pagamento da pensão mensal. além do desconto mensal da pensão atualmente devida. 475-Q. em razão da execução de alimentos pretéritos. 461. De acordo com Alexandre Câmara e Teor Albino Zavaski. Trata-se de mecanismo eficiente. é utilizado antes mesmo do inadimplemento por parte do devedor de alimentos. também em folha. indicando o nome do credor. o juiz pode se valer das medidas de apoio previstas no art. incluindo a responsabilidade decorrente de ato ilícito e também de ato lícito. De acordo com o §1º. de modo que a expressão ato ilícito deve receber interpretação extensiva. sobretudo para a prevenção de litígios. Nesse caso. 4) Cumprimento de sentença previsto no art.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL III – PROF. §§4º 5º. Desse modo. por vezes.

os §§ 4º e 5º trazem a permissão de fixação dos alimentos em salário mínimo e a previsão de que extinta a obrigação.099/95 Embora tratada no artigo 52 a 53 da Lei 9. ainda. líquidas e os cálculos devem ser feitos pelo servidor. pela grande semelhança com a sistemática adotada pelo CPC. permite ao juiz substituir a constituição do capital pela inclusão do credor em folha de pagamento de entidade de direito público ou empresa privada de notória capacidade econômica ou. C) Execução no JEC – Lei 9. As sentenças são. estabelece a lei a possibilidade de a parte requerer a revisão da prestação quando sobrevier modificação nas condições econômicas dos envolvidos. 7 Em princípio. através de um mero incidente. a maioria da doutrina entende que a regra pode ser estendida a todas as espécies de alimentos. que inclusive é aplicada subsidiariamente. não fazer e entrega de coisa. Embora Alexandre Câmara sustente que só os alimentos decorrentes de ilícito possam ser fixados em salário mínimo. podendo ser substituída por caução fidejussória. aliás. porém a execução provisória. por fiança bancária ou garantia real em valor a ser imediatamente fixado pelo juiz. como prevê a Súmula 313 do STJ. o capital será liberado. inicia-se a execução. pois. Arakén de Assis e Ernane Fidélis entendem necessário o ajuizamento de ação autônoma de revisão. a constituição do capital é obrigatória. mas nada impede que a parte o faça. que em 1995 já existia o cumprimento de sentença. sem a necessidade de nova citação. Para Alexandre Câmara e Cássio Scarpinella. para que o devedor a cumpra tão logo ocorra o trânsito em julgado. será aqui analisada. o procedimento é idêntico ao do CPC. trata-se de autorização para que a parte requeira a revisão ou exoneração dos alimentos. Não se admite. Por fim. prevendo a lei alternativas à constituição do capital sem que a garantia do credor fique diminuída. a requerimento do interessado (a execução não é de ofício). A intimação da sentença para cumprimento se dá na própria audiência em que a sentença for proferida. Percebe-se. Todavia. Quando se trata de obrigação de fazer.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL III – PROF. sem a necessidade da instauração de novo processo. obrigatoriamente. que pode ser oral. 475-Q. as garantias canceladas e o desconto em folha cessado. inclusive nas obrigações de pagar quantia certa. pois que o rigor da súmula foi abrandado. pois o cumprimento da sentença. e a requerimento do devedor. No §3º. o §2º do art. Se após o trânsito em julgado a decisão não for cumprida. como já ocorre na prática. EDUARDO FRANCISCO DOS SANTOS JR.099/95. Se for obrigação de pagar . Conclui-se.

O credor. As matérias que podem ser alegadas nos embargos são apenas as do inciso IX do artigo 52 da Lei 9. excesso de execução.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL III – PROF. ocorrerá quando o devedor for insolvente. passa-se à expropriação dos bens. (não previsto no CPC) e por terceiro (o corretor da reforma do CPC). 8 quantia certa a lei prevê a alienação por iniciativa particular pelo credor. dentre outros produz os seguintes efeitos: I-vencimento antecipado de suas dívidas. 750. 748 a 786-A. o devedor poderá oferecer embargos orais ou escritos. O juiz pode utilizar qualquer meio rápido para a solução do litígio na audiência. isto é. D) Execução por quantia certa contra devedor insolvente Essa forma de execução. A declaração de insolvência do devedor. as partes serão ouvidas e o juiz decidir. Essa alienação particular pode ser concluída em juízo até a data designada para a hasta pública. na qual se não houver acordo. não há citação por edital no JEC. declarando-se a sua insolvência se for o caso. De acordo com o art. O processo de execução contra devedor insolvente é um processo autônomo que se divide em duas fases. tal como dação em pagamento. quando o patrimônio do devedor civil não for suficiente para arcar com suas dívidas. III. 713 do CPC. EDUARDO FRANCISCO DOS SANTOS JR. apura-se os bens e os débitos do devedor e procedese a liquidação e o pagamento dos credores. Superados os embargos. pelo devedor. Na primeira fase verifica-se o real estado patrimonial do devedor. nomeando-se administrador para tanto. devolvendo-se os documentos ao credor. já que ela é de conciliação. tanto os atuais como os adquiridos no curso do processo. erro de cálculo e causa impeditiva ou modificativa de obrigação superveniente à sentença). a execução será extinta. Se o devedor não for localizado para ser citado ou se não forem encontrados bens para serem penhorados. se quiser. poderá ajuizar nova ação perante o juízo comum. Na segunda fase. o pagamento em prestações e a adjudicação. IIarrecadação de todos os seus bens suscetíveis de penhora. Se o preço for inferior ao de avaliação. com as seguintes modificações. que em princípio também não terão efeito suspensivo já que se aplicam as regras do CPC. Após a penhora designa-se audiência de conciliação. O artigo 53 trata da execução de título extrajudicial que segue o previsto no CPC.099/95 (nulidade de citação. presume-se a insolvência quando o devedor não possuir outros bens livres e desembaraçados para efetuar a penhora ou quando forem arrestados bens do devedor com fundamento no art. prevista nos arts. não há a necessidade de editais para adesão de bens de pequeno valor.a execução por concurso universal de credores. .

o juiz nomeará dentre os maiores credores um administrador da massa e mandará expedir edital. acompanhada do respectivo título. Nos embargos. Também a relação dos bens com a estimativa do valor de cada um deles. ficando com a custódia e responsabilidade dos mesmos. O Ministério Público intervirá como fiscal da lei. o devedor poderá propor uma forma de pagamento aos credores a qual se não tiver oposição será submetida a aprovação do juiz. antes da liquidação da massa. caso não seja possível o pagamento integral. declarada a insolvência por sentença. a massa patrimonial do devedor será liquidada e os credores serão pagos de acordo com a ordem de preferência e na mesma proporção aos que estiverem na mesma classe. Fica o devedor insolvente obrigado. insere-se nas execuções por quantia certa especiais a execução fiscal. Depois de aprovado o quadro de credores. procedendo conforme indica o art. EDUARDO FRANCISCO DOS SANTOS JR. 9 A declaração de insolvência pode ser requerida pelo credor. Também. sob a direção e superintendência do juiz. prestes a ser alterada. vez que regulada em lei especial (Lei nº 6. pelo devedor ou seu espólio. . bem como o valor e a natureza dos créditos. No prazo para embargos pode o devedor ilidir o pedido de insolvência.830/80). além do relatório do estado patrimonial indicando as causas de insolvência. Em seguida. os créditos serão classificados no quadro geral de credores segundo a ordem de preferência (art. As obrigações serão extintas em razão do pagamento ou da prescrição. que será analisada em outra oportunidade. pode alegar que seu ativo é superior ao passivo. De qualquer forma. depositando a importância do crédito para depois discuti-lo. Feita a verificação dos créditos e decididas eventuais impugnações. O administrador passa a ser responsável pela massa dos bens do insolvente. extinguindo-se o processo por sentença. o pedido deverá vir instruído com titulo executivo. que recomeça a correr no dia em que transitar em julgado a sentença que encerrar o processo de insolvência. O juiz decidirá de plano ou determinará a produção de prova decidindo em 10 dias. Quando requerida pelo credor.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL III – PROF. será competente o juízo do domicílio do devedor e a petição deve trazer a relação nominal de todos os credores. no prazo de 20 dias. respondendo por tais débitos com os bens que forem adquiridos antes de estarem extintas as obrigações. o devedor será citado para opor embargos em 10 dias e se não o fizer o juiz decidirá em igual prazo. o devedor além das matérias típicas dos embargos à execução. 768/773). Quando o pedido for feito pelo próprio devedor ou seu espólio. a declaração do crédito. convocando os credores para que apresente. com a indicação do domicílio de cada um. 765 a 767 do CPC.

EDUARDO FRANCISCO DOS SANTOS JR. 6. 4. Como se executa os alimentos decorrentes de ato ilícito? Quais são as formas para a execução de alimentos? Explique-as No juizado especial cível. como se dá a execução de sentença? Por que o CPC prevê um procedimento especial para execução contra a Fazenda Pública? Quais as diferenças desse procedimento específico? Existem limitações à execução de alimentos com base na prisão civil? Qual a natureza do desconto da pensão em folha de pagamento? Em que hipóteses cabem embargos na execução de alimentos? . 3. 8. 7. 10 QUESTÕES 1.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL CIVIL III – PROF. 2. 5.

LEGISLAÇÃO PENAL CURSO A DISTÂNCIA MÓDULO X .

para dirigir veículo automotor. 293. poderá o juiz. a denúncia acusatória não precisa fazer menção da aplicação da pena híbrida. após a intimação pessoal do réu.). estiver recolhido a estabelecimento prisional.tipo específico próprio . suspensão da habilitação. de ofício. por efeito de condenação penal. tem a duração de dois meses a cinco anos. do artigo 307. Parágrafo único.503/97 – Código de Trânsito Brasileiro (continuação). em qualquer condição que o permita . a Permissão para Dirigir ou a Carteira de Habilitação. é de quarenta e oito horas. havendo necessidade para a garantia da ordem pública. o réu será intimado a entregar à autoridade judiciária. face ao princípio da especialidade. O artigo traz inovação prevendo incidente cautelar aonde a suspensão da permissão. 9.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – PROFº ADRIANO RICARDO CLARO 1 Lei n. a suspensão da permissão ou da habilitação para dirigir veículo automotor. § 1º Transitada em julgado a sentença condenatória. como medida cautelar. § 2º A penalidade de suspensão ou de proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor não se inicia enquanto o sentenciado. ou a requerimento do Ministério Público ou ainda mediante representação da autoridade policial. Em qualquer fase da investigação ou da ação penal. sem efeito suspensivo.fisicamente – dirigir (regime aberto. ou da que indeferir o requerimento do Ministério Público. desta lei sob comento . do Código Penal. A duração da pena analisada no artigo anterior é de dois meses a cinco anos e apenas terá início após a libertação do sentenciado. etc. uma vez que não comporta mais o caráter da substitutividade. caso esteja preso. porque trata-se de regra de aplicação genérica ao crimes de trânsito. decretar. A forma de aplicação da pena segue a mesma regra trifásica do artigo 68. previsto no artigo 330. Art. o prazo para a entrega da Permissão para Dirigir ou da Carteira de Habilitação. após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. caberá recurso em sentido estrito.e não o crime de desobediência. do artigo 292. em quarenta e oito horas. Da decisão que decretar a suspensão ou a medida cautelar. No caso de desobediência ao prazo. proibição da obtenção de . em decisão motivada. A penalidade de suspensão ou de proibição de se obter a permissão ou a habilitação. livramento condicional. ou a proibição de sua obtenção. Art. Ademais. 294. Importante registrar que. resta configurado o crime previsto no parágrafo único. do Código Penal.

CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – PROFº ADRIANO RICARDO CLARO 2 permissão. temos que. de caráter administrativo. seja na fase investigatória. 296. seja culposo. é cabível a medida cautelar a todos os crimes que envolvam a direção de veículos. 295.072/90) e na Lei das Penas Alternativas (Lei 9. . Trata-se de comunicação de praxe que o juiz deverá atender. Art. A necessidade de reincidência específica é só para os crimes cujo preceito secundário não prevê expressamente essa penalidade de suspensão da permissão ou habilitação para dirigir veículo automotor (artigos 304. Para os demais. o legislador ressuscita. o preceito secundário já contém tal pena. ou para assegurar a aplicação da lei penal. c) da decisão que decreta a prisão preventiva não cabe recurso em sentido estrito. 310. seja na fase judicial para a apuração de algum crime cometido na direção de veículo. proibição da obtenção de habilitação podem ser decretadas para garantia da ordem pública durante a instrução criminal. Se o réu for reincidente na prática de crime previsto neste Código. 305. b) cabível em crimes dolosos apenados com reclusão ou detenção (condicionalmente). Art. por conveniência da instrução criminal. A suspensão para dirigir veículo automotor ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação será sempre comunicada pela autoridade judiciária ao Conselho Nacional de Trânsito . como também para a garantia da ordem econômica. mais uma vez. Como o artigo não fez distinção a quais crimes se aplicava a medida. 311 e 312). seja doloso. sem prejuízo das demais sanções penais cabíveis. prisão preventiva: a) motivada não só pela garantia da ordem pública. o juiz poderá aplicar a penalidade de suspensão da permissão ou habilitação para dirigir veículo automotor. desde que fundamentada a decisão.CONTRAN.714/98). 309. e ao órgão de trânsito do Estado em que o indiciado ou réu for domiciliado ou residente. Distinção que se faz entre a medida cautelar prevista neste dispositivo e a prisão preventiva do Código de Processo Penal: 1. o conceito de reincidência específica e de forma expressa define que a reincidência específica aqui aplica-se para a prática de qualquer crime de trânsito e não do mesmo tipo penal. 2. c) da decisão que a decreta ou que a indefere caberá recurso em sentido estrito. Assim como na Lei dos Crimes Hediondos (Lei 8. por se tratar de disposição geral. b) cabível em crimes culposos (além dos dolosos) e apenados com detenção (incondicionalmente). medida cautelar da suspensão da permissão ou da habilitação para dirigir veículo automotor: a) motivada apenas para a garantia da ordem pública.

mediante depósito judicial em favor da vítima. p. c.. Fora expurgada na Reforma da Parte Geral em 1984 e é alvo de críticas porque tem caráter civil e não penal. também. que o artigo fala em suspensão da permissão ou habilitação para dirigir veículo automotor tão-somente e não proibição de se obter a permissão ou a habilitação. ao fixar uma multa reparatória em crime que sequer contém esta previsão em seu preceito secundário. Art. a multa reparatória é prestigiada . fosse reincidente simples. desde que seja a reincidência específica. § 2º Aplica-se à multa reparatória o disposto nos arts. a inércia do juiz.haja vista que este artigo deve ser interpretado juntamente com o artigo 292. § 1º. do artigo 49. São efeitos da reincidência. fosse reincidente. I. sem prejuízo das demais penas previstas (cumulativamente).1998) e assemelha-se à pena de prestação pecuniária prevista no artigo 43. O primeiro posicionamento no parece melhor. evitando a dupla punição (ne bis in idem). 2. ademais. ambos do Código Penal. de 7. do Código Penal). o juiz poderá aplicá-la. fosse o réu primário. no Ministério Público do Estado de São Paulo (Aviso n. ou seus sucessores. Apesar de aparentemente fulminada de inconstitucionalidade. Neste caso. § 3º Na indenização civil do dano. Esta pena de multa reparatória é pena acessória infeliz. I. § 1º A multa reparatória não poderá ser superior ao valor do prejuízo demonstrado no processo. que se torna indivíduo da própria causa. Nos crimes que o CTB já prevê a pena de suspensão e proibição no preceito secundário (artigos 302. 297. Nos crimes em que o CTB não comina abstratamente a pena de suspensão ou proibição (artigos 304. o que viola o princípio da reserva legal. 309. a reincidência não será aplicada como agravante. o valor da multa reparatória será descontado.4. 303. A penalidade de multa reparatória consiste no pagamento. pois viola o princípio da reserva legal. a reincidência (específica ou não) atua como circunstância agravante preponderante (artigo 61. 127/98 – PGJ. ex. A diferença está na forma de cálculo do valor.714/98 (Lei das Penas Alternativas). sempre que houver prejuízo material resultante do crime. Há uma corrente que entende que o artigo encampa a proibição e outra que entende que não. 307 caput e parágrafo único e 308). 310. englobando suspensão e proibição. além da vedação do recurso em liberdade: 1. do Código Penal. 306.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – PROFº ADRIANO RICARDO CLARO 3 Frise-se. de quantia calculada com base no disposto no § 1º do art. artigo 45.c. fosse reincidente específico. que deverá ser conforme o § 1º. sempre que houver prejuízo material. com a redação dada pela Lei 9. 49 do Código Penal. 305. envolvendo. 311 e 312). 50 a 52 do Código Penal. Então: .

quando a sua profissão ou atividade exigir cuidados especiais com o transporte de passageiros ou de carga.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – PROFº ADRIANO RICARDO CLARO 4 1. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES Art. 2. Limite legal: o valor do prejuízo demonstrado no processo (artigo 297. III. aumentando-a e não têm o quantum da majoração indicado em lei. com Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação de categoria diferente da do veículo. Assim. VII. do Código Penal). VI. entre 10 (dez) e 360 (trezentos e sessenta) dias-multa. podendo constituir em prestação de outra natureza. a multa reparatória exclui os danos morais e é paga à vítima e sucessores. As circunstâncias agravantes podem ser genéricas ou específicas. multa reparatória – calculada em dias-multa. Esta majoração da pena ocorre em decorrência da maior reprovabilidade da conduta do agente em face ao bem juridicamente tutelado. II. com dano potencial para duas ou mais pessoas ou com grande risco de grave dano patrimonial a terceiros. IV. com placas falsas ou adulteradas. utilizando veículo em que tenham sido adulterados equipamentos ou características que afetem a sua segurança ou o seu funcionamento de acordo com os limites de velocidade prescritos nas especificações do fabricante. No primeiro caso. do CTB). o agente deve ter o conhecimento da circunstância. devendo o valor ser descontado em eventual e futura condenação em ação reparatória de dano. caso aceita pelo beneficiário (artigo 45. prestação pecuniária – valor de 1 (um) a 360 (trezentos e sessenta) salários mínimos. sem possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação. Circunstâncias agravantes são aspectos que estão em torno do tipo incriminador. são aplicáveis a todas as infrações penais e . 298. V. sobre faixa de trânsito temporária ou permanentemente destinada a pedestres. cabendo ao juiz o aumento discricionário. utilizando o veículo sem placas. com valor de cada dia-multa de 1/30 (um trigésimo) até 5 (cinco) salários mínimos. São circunstâncias que sempre agravam as penalidades dos crimes de trânsito ter o condutor do veículo cometido a infração: I. Portanto. do CP). vedado o enriquecimento sem causa. somado à vontade de trangredi-la (dolo abrangente). §§ 10 e 20. na segunda fase do sistema trifásico de aplicação da pena (artigo 68. § 1º. sem alterar a sua essência e que influenciam na quantidade da pena.

O grande risco de grave dano patrimonial a terceiros deve ser entendido como situação de perigo concreto gravíssimo em o patrimônio de terceiro quase sofre um prejuízo enorme. aquele que precisa ser aferido e comprovado. são aplicáveis tão-somente a algumas infrações previstas em algum determinado tipo penal ou lei especial. UTILIZANDO O VEÍCULO SEM PLACAS. do CTB. não haverá incidência desta agravante. Exemplo: perigo de destruição de uma loja por um caminhão desgovernado por falta de freios. se a conduta do agente expuser a perigo concreto duas ou mais pessoas que acompanhavam a vítima machucada (dano efetivo). do Código Penal. à exceção da reincidência. O mesmo não ocorre com as sete circunstâncias agravantes específicas do CTB que se aplicam aos crimes dolosos e culposos. COM PLACAS FALSAS OU ADULTERADAS A conduta é considerada mais grave em decorrência da conduta do agente que busca obstar a sua identificação. Assim. além das circunstâncias agravantes genéricas do Código Penal. Por fim. caput. incide a agravante. do Código Penal (redação dada pela Lei 9. por exemplo. somente incidem nos crimes dolosos. as específicas. a placa adulterada é aquela verdadeira e original que suportou modificação fraudulenta. qualificadora ou causa de aumento de pena do tipo penal incriminador. de 24 de dezembro de 1996).. como ocorre no presente artigo. do CTB determina que os veículos sejam identificados com duas placas. aos denominados “crimes de trânsito” aplicam-se. ANÁLISE DE CADA UMA DAS CIRCUNSTÂNCIAS APLICÁVEIS AOS CRIMES DE TRÂNSITO AGRAVANTES COM DANO POTENCIAL PARA DUAS OU MAIS PESSOAS OU COM GRANDE RISCO DE GRAVE DANO PATRIMONIAL A TERCEIROS Dano potencial significa perigo concreto. caso a falsificação não seja grosseira. As agravantes genéricas do Código Penal. Importante salientar que se houver prova de que o condutor do veículo é o autor da adulteração.426. ou seja. dianteira e traseira e esta seja lacrada em sua estrutura. Já as placas falsas podem ser tanto na origem (falsidade material) quanto no conteúdo (falsidade ideológica). sob pena de violação do princípio non bis in idem. . Não incidirá agravante específica do CTB ou genérica do Código Penal quando a circunstância já figurar como elementar.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – PROFº ADRIANO RICARDO CLARO 5 estão descritas no artigo 61 e ss. do artigo 298. O artigo 115. no segundo caso. Assim. mas eventualmente concurso entre o crime de trânsito e o crime descrito no artigo 311. impedindo ou dificultando a sua responsabilização pelo crime praticado.

Observações importantes: a. caminhoneiros. Não se aplica ao crime de trânsito de direção sem habilitação (artigo 309. QUANDO A SUA PROFISSÃO OU ATIVIDADE EXIGIR CUIDADOS ESPECIAIS COM O TRANSPORTE DE PASSAGEIROS OU DE CARGA: O maior dever de cuidado e atenção de motorista profissional é o fundamento desta circunstância. Todavia a incidência da agravante não é objetiva.etc. do CTB). pois é elementar desse crime.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – PROFº ADRIANO RICARDO CLARO 6 SEM POSSUIR HABILITAÇÃO PERMISSÃO PARA DIRIGIR OU CARTEIRA DE Aplica-se somente ao condutor não habilitado provisória ou definitivamente envolvido nos seguintes crimes de trânsito: artigos 306. 308 e 311 (crimes de perigo concreto). do CTB).. Não se aplica aos crimes de trânsito de homicídio e lesão corporal culposos (artigos 302 e 303. escolares. do CTB. É preciso avaliar a ocorrência da desobediência a algum cuidado especial exigível daquele profissional no caso concreto. . parágrafo único. cabem todas as observações feitas ao inciso anterior. b. COM PERMISSÃO PARA DIRIGIR OU CARTEIRA DE HABILITAÇÃO DE CATEGORIA DIFERENTE DA DO VEÍCULO As categorias distintas de habilitação estão previstas nos artigos 143 a 146. taxistas. prevalecendo. Nestes casos ao crime incide a circunstância agravante em detrimento do concurso de crimes com o artigo 309. e artigo 305 (fuga do local para evitar responsabilidade). pois. inciso I. No mais. UTILIZANDO VEÍCULO EM QUE TENHAM SIDO ADULTERADOS EQUIPAMENTOS OU CARACTERÍSTICAS QUE AFETEM A SUA SEGURANÇA OU O SEU FUNCIONAMENTO DE ACORDO COM OS LIMITES DE VELOCIDADE PRESCRITOS NAS ESPECIFICAÇÕES DO FABRICANTE As modificações das características de fábrica no veículo não podem ser feitas sem autorização prévia da autoridade competente (artigo 98. do CTB). porque esta circunstância em apreço configura causa de aumento de pena (artigo 302. esta.). do CTB). do CTB. face à maior responsabilidade que lhe é atribuída (motoristas de ônibus lotações. artigo 304 (omissão de socorro). transporte de bóias-frias.

colocação de turbo-compressor. toda colocação ou inserção de equipamentos. parágrafo único. irmão ou afim em linha reta. exclusivamente. salienta esta incongruência Rui Stoco (Código de Trânsito Brasileiro: disposições penais e suas incongruências. que tornem exigíveis do condutor maior cuidado e atenção. do CTB). ascendente. No mesmo sentido. porque esta circunstância em apreço configura causa de aumento de pena (artigo 302. havendo dois posicionamentos: a. além do que não é possível a aplicação analógica em se tratando de normas penais não incriminadoras excepcionais. 299. nasceu a divergência a respeito do cabimento ou não do perdão judicial previsto no artigo 121. Outrossim. (VETADO) PERDÃO JUDICIAL O artigo 300. em relação aos crimes de lesão corporal e homicídio culposos praticados na direção de veículo automotor. A incidência desta agravante depende. pois nem sempre o equipamento poderá ser considerado “adulterado”. todavia. haja vista que o artigo 291 do CTB restringiu essa aplicação subsidiária das normas gerais do Código Penal. esta. . desde que não se dispusesse em contrário. Art. Observação importante: Não tem aplicação esta agravante aos crimes de trânsito de homicídio e lesão corporal culposos (artigos 302 e 303. etc. 9). frentes rebaixadas. Por exemplo: motores “envenenados”. 1997. SOBRE FAIXA DE TRÂNSITO TEMPORÁRIA OU PERMANENTEMENTE DESTINADA A PEDESTRES A agravante busca a proteção maior do pedestre. pois. Luiz Regis Prado entende que o perdão judicial NÃO se aplica aos crimes do CTB. inciso II. do CTB foi vetado pelo Presidente e dispunha sobre o perdão judicial da seguinte maneira: “Nas hipóteses de homicídio culposo ou lesão corporal o juiz poderá deixar de aplicar a pena se as conseqüências da infração atingirem. do CTB). do Código Penal. subsidiariamente. parágrafo 5º. o cônjuge ou companheiro. do condutor do veículo”. Boletim do IBCCrim. Desta maneira. descendente. do CTB). é necessário que o equipamento ou a característica adulterados comprometam a segurança ou influenciem na velocidade do veículo. das boas condições da sinalização (artigo 85. prevalecendo. 300. 61. p.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – PROFº ADRIANO RICARDO CLARO 7 O termo “adulterados” não implica. todavia. n. (VETADO) Art.

entendem que é plenamente cabível o perdão judicial. haja vista que o veto presidencial foi motivado. Esta a posição que predomina. do Código Penal. se prestar pronto e integral socorro àquela. Art. José Carlos Gobbis Pagliuca. de Jesus. A aplicação deste dispositivo é restrita aos crimes elencados no CTB que resulte vítima. no que couber. Damásio E. sendo prescindível que a vítima sobreviva. José Marcos Marrone.099/95. pois a postura do condutor do veículo pode ser fundamental para amenizar lesões mais graves e até episódios letais. parágrafo único da Lei 9. entre outros. Ao condutor de veículo. Ruy Carlos de Barros Monteiro. O socorro deve ser pronto e integral. não se imporá a prisão em flagrante. . Fernando Capez. nos casos de acidentes de trânsito de que resulte vítima.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – PROFº ADRIANO RICARDO CLARO 8 b. No mesmo sentido. nem se exigirá fiança. A outros crimes dolosos alheios aos CTB poderse-á aplicar o artigo 69. A fiança é dispensada naqueles casos em que o autor foi preso em flagrante (por equívoco ou porque não se sabia que o autor havia prestado pronto e integral socorro) e postula a sua liberdade provisória. Flávio Augusto Monteiro de Barros com fundamento na aplicação da regra contida no artigo 12. Luiz Flávio Gomes. Vale dizer: à lei importa a iniciativa do agente e não o êxito da atitude de socorro. O presente dispositivo prestigia o socorro da vítima. 301.

45. 43. 298 do CTB são chamadas de específicas? O que se entende por dano potencial ( inciso I do art. 10. 295 do CTB? Quais os efeitos da reincidência prevista no art. 4. 15. . 7. 16. 12. 9. Qual é o prazo para a entrega da Permissão para dirigir ou da CNH após a intimação pessoal do réu da sentença penal condenatória com trânsito em julgado? E se esse prazo não foi cumprido. 13. 297 do CTB? Qual é a diferença entre essa multa e a prestação pecuniária do art. 8. 5. 20. 14. for o condutor do veículo que tiver adulterado as placas que crime pratica o agente? A agravante do inciso III desse artigo aplica-se a todos os crimes previstos no CTB? Por quê? Qual o fundamento para a agravante do inciso V desse artigo? Tem caráter objetivo ou subjetivo? Qual o requisito para que a adulteração prevista no inciso VI tenha incidência como agravante? A incidência da agravante do inciso VII aplica-se ao homicídio de trânsito? Por quê? Aplica-se o perdão judicial ao homicídio culposo e lesão corporal culposa de trânsito? Justifique sua resposta. 298 do CTB)? Se na hipótese do inciso II desse mesmo artigo. 3. Quais os requisitos para a não prisão em flagrante do agente nos acidentes de trânsito de que resulte vítima? Exige-se êxito no socorro prestado? Como se resolve a questão da fiança nesses casos? 2. 18. 19.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – PROFº ADRIANO RICARDO CLARO 9 QUESTÕES 1. 296 do CTB? Qual é a natureza da multa reparatória prevista no art. § 1º do CP? Por que as circunstâncias agravantes do art. 6. que crime pratica o infrator? Em que hipóteses poderá o juiz decretar a suspensão da Permissão ou da CNH ou a proibição de sua obtenção? A que tipo de crimes se aplica esse dispositivo? Qual a distinção entre essa medida e a prisão preventiva? Qual a natureza da comunicação de que trata o art. 17. I c/c art. 11.

DIREITO PENAL PARTE GERAL TOMO I CURSO A DISTÂNCIA MÓDULO X .

imiscuindo-se a conduta entre um desses elementos. porquanto o nexo causal só funciona como elemento do fato típico em relação aos crimes materiais consumados. pelo crime de homicídio tentado quando o resultado morte não sobrevém por circunstâncias alheias à sua vontade. Todavia. tornando-se. Na maioria das vezes. o assunto perde o interesse nos denominados crimes de forma vinculada. restringe-se aos delitos materiais de forma livre. na sua forma tentada. que igualmente registra apenas dois elementos: conduta e tipicidade. Nesses delitos. anteriores e posteriores. . Já em relação aos crimes formais. porém. o evento não tem na conduta do agente a sua causa única e exclusiva. como é sabido. pode influenciar a dosagem da pena-base (CP. o tipo penal descreve o resultado naturalístico. que. cuja relevância se realça apenas na identificação dos partícipes. então. 59). a importância do assunto. a questão da causalidade também não é essencial à identificação do fato típico. grosso modo. inócua qualquer indagação acerca do nexo causal. consubstanciado no resultado. pois o autor responde. os elementos do fato típico. Isso faz com que o nexo causal tenha pertinência não só na identificação do partícipe. “causa do evento é a ação ou omissão que se enquadre no verbo da descrição típica. TEORIAS O estudo do nexo causal tem por objetivo apurar a causa do resultado naturalístico. a qual nenhum relevo apresenta por cair na esfera da atipicidade”. o tipo penal não faz alusão a nenhum resultado naturalístico. não se tem de investigar das causas anteriores dessa conduta específica. Se no núcleo do tipo se encontra um verbo que designe um modus faciendi todo peculiar e próprio. E mesmo nos delitos materiais consumados. Desse modo. No tocante aos crimes de mera conduta e omissivos puros.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PENAL GERAL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 1 DA RELAÇÃO DE CAUSALIDADE INTRODUÇÃO No direito penal. como vimos. revestem-se de tipicidade sem o nexo causal. para a consumação. mas sim na conjugação de múltiplos elementos. Esses delitos. como também na revelação do exaurimento. são: conduta e tipicidade. o problema da causalidade não se estende a todos os delitos. porém. esclarece Frederico Marques. em que a conduta vem cunhada de forma específica dentro do tipo penal. não o exigindo. incluindo-se os omissivos impróprios. Em tais crimes. no plano da tipicidade. surgindo. por isso. art. por exemplo. a necessidade de saber quando a conduta é causa do resultado. que na verdade também ingressam na classificação dos delitos materiais.

Essa teoria restringe a relevância do fato como causa. a potencialidade de provocar normalmente o evento”. ocorrendo. Dificilmente um único fato produz o evento. qualquer fato que recebe o nome de causa. como na teoria da equivalência. de acordo com a teoria da condictio sine qua non.. portanto.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PENAL GERAL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 2 Na busca da delimitação do conceito de causa. que é própria da teoria da equivalência. Pela teoria da equivalência das condições ou da condictio sine qua non. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido”. são idôneos para a produção do evento. identificável pelo juízo do homem médio. duas teorias ganharam destaque: a teoria da equivalência das condições (condictio sine qua non) e a teoria da causalidade adequada. exige-se que essa condição tenha em geral. preconiza que causa é a condição idônea a produzir o resultado. as expressões se equivalem. De acordo com a teoria da condictio sine qua non. O decisivo é que sem a conduta do agente o resultado não tenha ocorrido “como ocorreu” e “no momento em que ocorreu”. isto é. na verdade. segundo o curso ordinário das coisas. no art. Não basta. idônea para a produção do resultado. TEORIA ADOTADA O Código Penal. Esse método. como ensina Manuel Cavaleiro de Ferreira. concausa. desenvolvida pelo fisiólogo Von Kries. Dessa sorte. no último quartel do século passado. basta que a conduta constitua um desses antecedentes. “além da exigência. só reconhecendo como causa aqueles fatos que. não há distinção entre causa. Assim. caput. Não é. o professor sueco Thyrén desenvolveu uma fórmula prática para revelar se determinado antecedente é causa do resultado. resume-se no seguinte: causa é todo fato que.. segundo a experiência comum. um desses fatos. para ser considerada causa do evento. O resultado é antecedido de uma série de fatos. o resultado não apareceria. Em 1894. mister ainda que a conduta seja. o resultado não teria ocorrido “como ocorreu” ou “no momento em que ocorreu”. embora Mill não tenha sido precursor de Buri. 13. Por outro lado. Tal idoneidade é aferida na regularidade estatística. encontro casual de idéias. dispondo que: “. de acordo com a relação de constância da eficácia causal. suprimindo mentalmente. em abstrato. adotou a teoria da equivalência dos antecedentes causais ou da condictio sine qua non. suprimida mentalmente esta. a teoria da causalidade adequada. ocasião e condição. Conquanto elaborada por Von Buri. urge que se apresente como uma ação humana idônea à realização do evento. de que o comportamento do agente seja condição do evento. considera-se causa todo fato sem o qual o resultado não teria sido produzido. ingressando no amplo conceito de causa sempre que. que Thyrén denominou “processo hipotético de eliminação”. nem todo antecedente é causa. que a eliminação mental exclua a produção do resultado. Assim. segundo a experiência comum e o julgamento normal dos homens. . a teoria coincide com o conceito de causalidade desenvolvido por Stuart Mill.

que. concomitante ou superveniente. Conjugando-se a causalidade física com a causalidade psíquica completa-se o estudo do nexo causal. ou corte o ramo de árvore no qual a vítima se encontrava já prestes a cair num despenhadeiro. quando dissemos que o Código adotou a teoria da condictio sine qua non. Nos dois casos. respondendo por homicídio os genitores do homicida apenas porque o geraram. porém. Imputa-se ao agente o resultado ainda quando. mais uma vez. Dentre as objeções levantadas contra a doutrina da condictio sine qua non destaca-se a do regressus ad infinitum. não tem procedência. a odiosa responsabilidade objetiva. o agente responde pelo evento. A complementação do juízo do nexo causal depende ainda da causalidade psíquica (imputatio delicti). aproveitandose das suas idéias para desvendar apenas o problema da “causalidade física” (imputatio facti). destarte. o Código abre uma exceção à teoria da equivalência. pois no tocante à integração total do nexo causal consagrou o nosso Código uma teoria mista ou eclética. Trata-se de uma doutrina oriunda das ciências naturais e filosóficas que o direito procurou encampar. Assim. . condição e ocasião. Essa teoria. a doutrina da causalidade adequada. o resultado ainda assim teria ocorrido em momento subseqüente. A ausência de dolo ou culpa exclui a conduta. segundo o qual uma conduta faz jus ao nome de causa quando. isto é. referíamos à causalidade física. no § 1º do art. A objeção do regressus ad infinitum. o resultado não se teria produzido “como ocorreu” ou “no momento em que ocorreu”. Todavia. inviabiliza a concretização do nexo causal. apenas porque a fabricou. da existência de dolo ou culpa. consagrando. Tudo quanto contribui para o resultado é causa.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PENAL GERAL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 3 Cumpre lembrar. conforme já salientado anteriormente. Os opositores sustentam que de causa em causa se remonta logicamente ao infinito. cuja morte era inevitável. EXCEÇÃO À TEORIA DA “CONDICTIO SINE QUA NON” No plano físico da causalidade. por sua vez. para a produção deste. isto é. tenha concorrido uma concausa. uma outra causa preexistente. pois a teoria da condictio sine qua non não se propõe a resolver todos os problemas da causalidade. à medida que a causalidade depende ainda da existência de dolo ou culpa. o processo hipotético de eliminação de Thyrén. excluída mentalmente. pois sem a sua conduta a morte da vítima não teria ocorrido no momento em que ocorreu. 13. eliminando-se. A análise do nexo causal não se esgota evidentemente na aplicação da teoria da condictio sine qua non. Suponha-se que o agente desligue o aparelho que mantinha vivo o doente. suprimindo in mente a conduta do agente. não distingue entre causa. ou o fabricante da arma.

o agente não responderá pelo mesmo. que vem a falecer em virtude da diabete agravada pelos ferimentos. porém. Exemplo de causa preexistente relativamente independente em relação à conduta do agente: Tício fere Caio (diabético). Desnecessária a invocação do aludido preceito legal na hipótese de causas absolutamente independentes. imputam-se a quem os praticou”. . causando-lhe a morte. Assim. 13 do CP. auxiliado pela hemorragia que reduziu as possibilidades de resistência do organismo. perece afogado porque um tufão fez soçobrar o barco (exemplo de Von Liszt). que deixa na mandíbula as suas vísceras. vindo a produzir por si só o resultado. 13. Exclui-se. concomitantes e supervenientes. do CP resolve a questão. falece em conseqüência do veneno que ingeriu antes de ser alvejado. o agente não deu causa ao resultado. o nexo causal. na hipótese de animus laedendi (vontade de ferir). Exemplo de causa preexistente absolutamente independente da conduta do agente: “A” fere “B” com um tiro de revólver e este. Exemplo de causa concomitante relativamente independente em relação à conduta do agente: João fere José numa noite extremamente fria. nos exemplos. Só se justifica a exceção quanto a causa superveniente relativamente independente que por si só produziu o resultado. mas este. concomitantes e supervenientes. Nesses três exemplos. Nesse caso. ao ser levado para o pronto-socorro. É óbvio que o agente responde pelos atos praticados antes da ocorrência do resultado. pois suprimindo in mente a sua conduta a morte teria igualmente ocorrido. Podem ser: preexistentes. produziu o resultado. consagrada no caput do art. os fatos anteriores. O art. pois suprimindo in mente a sua conduta o evento teria ocorrido como ocorreu. Exemplo de causa superveniente absolutamente independente da conduta do agente: “A” fere mortalmente o barqueiro “B”. excluindo o nexo causal. antes que sobrevenha a morte em conseqüência do ferimento. vindo este a morrer por um processo de congelamento. caput. com a simples invocação da teoria da condictio sine qua non. haverá tentativa de homicídio se presente o animus necandi (vontade de matar) ou lesão corporal. As causas absolutamente independentes são as que surgem sem ser provocadas pela conduta do agente. Cumpre agora examinar as causas relativamente independentes. preexistentes. concomitantes e supervenientes. entretanto. a responsabilidade pelos atos anteriores ao resultado. que também subdividem-se em três: preexistentes. Exemplo de causa concomitante absolutamente independente da conduta do agente: “A” fere “B” no mesmo momento em que este está sendo atacado por um leão faminto.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PENAL GERAL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 4 Dispõe o citado § 1º: “A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando. destarte. subsistindo. por si só.

ao invés do medicamento prescrito. . A expressão “por si só” indica a autonomia da causa superveniente. Exemplo de causa superveniente relativamente independente que não produziu por si só o resultado: “A” fere “B”. Todavia. em conseqüência do agravamento das lesões provocadas pela imperícia médica. No caso. por sua vez. a aplicação da teoria da condictio sine qua non levaria o agente a responder pelo resultado. superveniente que não produziu por si só o resultado. porquanto o seu surgimento se deve à conduta do agente. conduzido a um hospital. nesse ponto. que não se encontra na mesma “linha de deslocamento físico” da conduta do agente. o agente responde pelo resultado. após o rompimento do nexo causal. o nosso Código abre uma exceção à teoria da equivalência. que. provocando o resultado por sua própria força. pois. em que “o ferido vem a morrer. Figurese. isto é. como já vimos. suprimindo in mente a sua conduta. mas este. incumbe-se sozinha do resultado. Significa que. Aplica-se. superveniente que produziu por si só o resultado. vem a morrer em conseqüência de um incêndio na enfermaria em que se encontrava internado. porém. vem a morrer pela ingestão de uma substância tóxica. a teoria da condictio sine qua non. pois a imperícia médica não produziu por si só o resultado. portanto. conduzido a um hospital. 13 do CP. devem-se distinguir duas modalidades: a. inadvertidamente. na ambulância que o transportava ao posto de assistência”. Medite-se agora no exemplo de Hungria: “Tício fere mortalmente Mévio. recolhido a um hospital. que. Não se pode. 13 do CP. b. que. por fim. 13 que a “superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando. lhe ministra. olvidar que se trata de uma causa relativamente independente. só não responde pelo resultado porque o nexo causal é excluído pelo § 1º do art. a morte não teria ocorrido como ocorreu. a enfermeira”. não por força dos ferimentos. “A” responde pelo resultado. há ainda a causa superveniente absolutamente independente da conduta do agente.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PENAL GERAL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 5 No tocante a essas duas causas relativamente independentes. pois sem a sua conduta a morte de “B” não se teria verificado. a nova causa desempenha sua eficácia etiológica. Nesses casos. mas pelo acidente de tráfego. que. vem a morrer. Exemplo de causa superveniente relativamente independente que produziu por si só o resultado: “A” fere mortalmente “B”. dias depois. porquanto suprimindo in mente a sua conduta a morte não teria ocorrido como ocorreu. Cumpre lembrar que ao lado dessas duas. dispondo no § 1º do art. por si só. o exemplo formulado por Aníbal Bruno. Não se aplica o § 1º do art. Já em relação à causa superveniente relativamente independente. produziu o resultado”.

inserindo a omissão como condição negativa da ocorrência do resultado. 13 fixa as fontes da omissão relevante. Já o § 2º do art. Esse “rompimento”. e o delito de lesões corporais. a analogia in bonam partem permite que a norma seja estendida às concausas preexistentes ou concomitantes. dispondo que: “A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: a. sem as quais o resultado não teria ocorrido.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PENAL GERAL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 6 É certo. o nosso Código consagrou uma concepção naturalístico-normativa. o § 2º do art. b. com seu comportamento anterior. pela posição de garante e pela situação de perigo criada pelo omitente. o agente responde apenas pelos atos anteriores à ocorrência do resultado. porém. tenha por lei obrigação de cuidado. Todavia. proteção ou vigilância. no caput do art. se atuou com animus laedendi. Por outro lado. 13. o § 2º do art. que do ponto de vista naturalístico não há rompimento do nexo causal. 13 consagra-se a teoria naturalística ou mecanicista. Desse modo. o § 1º do art. CAUSALIDADE DAS OMISSÕES O problema da causalidade na omissão tem pertinência apenas nos crimes comissivos por omissão. a análise da questão. O aspecto normativo da omissão é uma necessidade criada pelo princípio da reserva legal. que tenham produzido por si só o resultado. 13 fixa o caráter normativo da omissão. 13 do Código Penal alude apenas à superveniência de causa relativamente independente. Na verdade. 13 do Código Penal. Ser-lhe-á imputado o delito de homicídio tentado se agiu com animus necandi. porquanto nos delitos omissivos puros o tipo penal não aloja nenhum resultado naturalístico. Nos exemplos ministrados acima. pois. fora do perigo provocado pela conduta do agente. Nosso Código. complementando a tipicidade dos delitos de ação cometidos por omissão. de outra forma. Todavia. traduzida na trindade representada pelo dever legal. . Andou muito bem o Código ao elencar as fontes da omissão. criou o risco da ocorrência do resultado”. relativamente independentes. destarte. que na verdade emana da lei. c. pois a tipificação de um fato como criminoso depende de prévia definição legal. admite expressamente como causa tanto a ação como a omissão. no caput do art. inviabilizando-se. Efetivamente. 13 funciona como norma integrativa. surge quando a concausa superveniente inaugura um curso causal autônomo. À primeira vista. o intérprete poderia vislumbrar uma contradição entre o caput e o § 2º do art. assumiu a responsabilidade de impedir o resultado.

pois o impedimento assume caráter causal como fenômeno de ausência. incide o filtro da teoria da condictio sine qua non. uma base naturalística para a omissão. se para os delitos de ação. basta formular a seguinte pergunta: o resultado teria sido impedido pela ação omitida? Se a resposta for afirmativa. O nosso Código mantém a simetria entre a causalidade por omissão e a causalidade por ação. nada surge. é porque a omissão é causal em relação ao evento. parece-nos não merecer acolhida. ensina Paulo José da Costa Júnior. sustentando que do nada. A omissão. De feito. funciona como condição negativa da realização do resultado. Aliás. poderá permitir que a causa opere. Para tanto. “a omissão. pode assumir o papel de condição ou de ocasião. Estabelece. no plano físico da causalidade. preconizando que o nosso Código teria adotado a concepção puramente normativa. sem tentar paralisá-la”. se o não impedir se diversifica do causar. Cumpre ainda registrar que ilustres penalistas negam força causal à omissão. ou até facilitando a sua verificação. que teria interrompido o curso causal em desenvolvimento”.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PENAL GERAL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 7 Por outro lado. visto que a não-interferência no curso causal permite que as condições presentes atuem livremente produzindo o resultado. A adoção da teoria da condictio sine qua non possibilita a análise da causalidade naturalística da omissão. . o não impedir significa que a causa opere. no que tange à causalidade material. no sentido naturalístico. Ensina Miguel Reale Júnior que “o entendimento de que é impossível admitir-se a omissão como causa. seria incoerente excluir a aplicação dessa teoria nos delitos omissivos impróprios. não impedindo o evento. deixando-a livremente desenvolver-se. Embora não possa a omissão ser responsabilizada pelo acontecimento de um fato. sem abandonar o aspecto normativo. sempre que subordinada à existência de uma norma que cria a obrigação jurídica de impedir. que são menos graves. posto que do nada nada pode provir. que são mais graves.

13 do CP? Aplica-se o § 1º do art. 13 às concausas preexistentes ou concomitantes? Por quê? Em que tipo de crimes assume importância a causalidade na omissão? Por quê? Vislumbra-se alguma contradição entre o caput do art. 12. 3. 5. 14. a questão da causalidade não é essencial à identificação do fato típico? Quais são as teorias que ganharam destaque na busca da delimitação do conceito de causa? O que é causa para a teoria da equivalência das condições ou “condictio sine qua non”? O que é o “processo hipotético de eliminação” de Thyrén? O que preconiza a teoria da causalidade adequada? Qual a teoria adotada pelo nosso Código Penal? O que é o “regresssus ad infinitum” na doutrina da “condictio sine qua non”? Há exceção à teoria da “condictio sine qua non”? Como interpretar o “por si só” do § 1º do art. 13. 10. 8. em relação aos crimes formais. Como se coloca o nexo de causalidade como elemento do fato típico em relação aos crimes materiais de forma tentada? Por que se afirma que.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PENAL GERAL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS 8 QUESTÕES 1. 13 e seu § 2º? Explique? Em que casos a omissão é penalmente relevante? . 7. 2. 6. 4. 11. 9.

DIREITO PENAL PARTE GERAL TOMO II CURSO A DISTÂNCIA MÓDULO X .

pratica duas ou mais infrações penais. o assunto soluciona a forma de aplicação das penas em face da multiplicidade de crimes. que pertence à teoria da tipicidade. concurso formal (art. não obstante a condenação por todos os crimes. Sistema do acúmulo material: aplica-se ao acusado a soma das penas cominadas a cada um dos crimes. 69. operando-se. porém. 69). A matéria pertence à teoria das penas. 72). mas a atual legislação falimentar é silente. em relação aos delitos praticados pelo falido. Com efeito. ESPÉCIES O concurso de crimes apresenta-se sob três formas: concurso material (art. Este sistema não é adotado para nenhum delito. Sistema da absorção: aplica-se apenas a pena do crime mais grave. art. mediante uma ou várias condutas. pratica dois ou mais crimes. no concurso formal imperfeito e no concurso das penas de multa (CP. 69). que consagrava o princípio da unidade dos crimes falimentares. 70). de modo que a eficácia de uma norma exclui a eficácia simultânea da outra. . art. e crime continuado (art. Outrora. CONCURSO MATERIAL Ocorre quando o agente.DIREITO PENAL PARTE GERAL II – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 1 CONCURSO DE CRIMES CONCEITO Dá-se o concurso de crimes quando o agente. Distingue-se do conflito aparente de normas. c. Efetivamente. a mesma norma. caput). No conflito aparente. aumentada de certo percentual. aos quais se aplicavam uma única pena. e não à teoria do crime. salientam-se três: a. SISTEMAS DE APLICAÇÃO DA PENA Dentre os sistemas desenvolvidos pela doutrina. ou então. sem qualquer aumento especial. idênticos ou não (CP. b. destarte. mediante mais de uma conduta. no concurso de crimes o agente viola mais de uma norma penal. art. o agente viola apenas uma norma. sucessivamente. É o sistema adotado para o concurso formal perfeito e para o crime continuado. a revogação do sobredito sistema. 71). porque as outras estão subordinadas ao preceito de fato violado. encontrava-se consagrado pela antiga lei de falências. Sistema da exasperação: aplica-se a pena do crime mais grave. Tal sistema é adotado no concurso material (CP.

O concurso material se diz homogêneo quando os crimes são idênticos (p. nesta. art. o magistrado deve fixar. na doutrina. no concurso material. A aplicação conjunta viola o princípio da individualização da pena. ao passo que. não há necessidade de o novo delito ter sido cometido antes do trânsito em julgado. separadamente. porque a prescrição incidirá sobre a pena de cada um. 119). podendo os diversos delitos ser objeto de processos diferentes. depois. com o trânsito em julgado. da LEP). ontologicamente. todas as condenações são reunidas na mesma execução. por sentença passada em julgado (art. 69 do CP não impõe essa exigência. porque não há necessidade de conexão entre eles. Urge. a regra do concurso material é aplicada pelo próprio juiz sentenciante. pluralidade de condutas. Se. que se fixe. o novo crime é cometido após o trânsito em julgado. 69). somando-as em seguida. Discute-se. porque o art. anulando a sentença. 66. do CP). 69. não houver conexão. na própria sentença. ex. Em ambos admite-se que o novo delito tenha sido praticado após o trânsito em julgado da sentença condenatória. se para a caracterização do concurso material há ou não necessidade de que as diversas infrações sejam cometidas antes de qualquer delas ter sido definitivamente julgada. porque. Nada impede. a regra é aplicada pelo juízo da execução. a existência de dois requisitos: a. para um dos delitos o . caracterizase o concurso material ainda quando alguns dos delitos venham a ser cometidos e julgados depois de os restantes o terem sido. 2ª parte. Costumase dizer que a distinção entre concurso material e reincidência reside justamente no fato de que. o concurso material só se verifica quando o agente comete outro crime antes de ter sido condenado pelo anterior. Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos. Por outro lado. Sendo aplicada pena de reclusão para um delito e de detenção para outro. ocasião em que proceder-se-á à soma das penas (art. separadamente. Aliás. ex. assim.DIREITO PENAL PARTE GERAL II – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 2 Urge. pois. porém. E. a pena de cada crime. pluralidade de crimes. a pena de cada um dos delitos. Assim. isoladamente (CP. III. o condenado cumprirá simultaneamente as que forem compatíveis entre si e sucessivamente as demais (§ 2º do art. Não há necessidade de se distinguir esses dois institutos. no concurso. 38). Se.: dois homicídios) e heterogêneos quando o agente viola diferentes normas penais (p. a. Havendo conexão com a respectiva unidade processual. a distinção “salta aos olhos”. No Brasil. somá-las. executa-se primeiro aquela (art.: homicídio e estupro). para a caracterização do concurso material. os delitos são cometidos antes do trânsito em julgado. porém. porém. b. no Código Penal português. a coexistência de reincidência e concurso material.

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juiz negar o sursis, para os demais será incabível a aplicação de penas restritivas de direitos (§ 1º do art. 69). Finalmente, cumpre transcrever a Súmula 81 do STJ: “Não se concede fiança quando, em concurso material, a soma das penas mínimas cominadas for superior a dois anos de reclusão”. Aludida súmula contraria o posicionamento do grande processualista Tourinho Filho, segundo o qual havendo concurso não se devem somar as penas mínimas, para efeito de negar a fiança. Realmente, não há nenhum dispositivo legal autorizando a soma das penas, razão pela qual deveria prevalecer o princípio da autonomia da pena (RT 582/357). CONCURSO FORMAL Tem lugar quando o agente, mediante uma só conduta, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não. Se os delitos são idênticos, o concurso formal é homogêneo; se diversos, heterogêneo. Urge, para a caracterização do concurso formal, a existência de dois requisitos: a. unidade de conduta; b. pluralidade de crimes. O nosso Código adota a teoria objetiva, que se satisfaz com esses dois requisitos, afastando-se da teoria subjetiva, que exige ainda um terceiro elemento, qual seja, a unidade de desígnio. De acordo com os subjetivistas, sem a unidade de desígnio, isto é, unidade de intenção, não há concurso formal. Essa corrente não pode ser aceita porque inviabiliza o concurso formal entre crimes culposos, uma vez que na culpa não há desígnio ou propósito. Já para a corrente objetiva, o concurso formal pode existir com ou sem desígnio. Admite-se, assim, concurso formal entre crime doloso e culposo, entre crimes dolosos e entre crimes culposos. Por outro lado, cumpre não confundir conduta e ato. Este é apenas um momento daquela. O agente que subtrai diversos objetos, de uma só vez, realiza vários atos, mas uma só conduta. No concurso formal exige-se a unidade de conduta. Essa unidade só existe quando os diversos atos são realizados no mesmo contexto temporal e espacial. Há, por exemplo, uma só conduta quando o agente, na mesma seqüência, desfecha três tiros na vítima. Se, porém, num dia, desfechar um tiro e no dia seguinte repetir o ato, estaremos diante de duas condutas, por falta de coesão temporal entre elas. No mesmo contexto, o agente que rouba diversas pessoas, dentro de um ônibus, realiza uma só conduta, com vários atos, caracterizando-se, a nosso ver, o concurso formal, e não o crime único, pois

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as vítimas são diferentes; também não há crime continuado, visto que os diversos atos aglutinam-se numa só conduta. O concurso formal pode ser perfeito e imperfeito. No concurso formal perfeito o agente realiza a conduta sem atuar com desígnios autônomos. Por exemplo: concurso formal entre crimes culposos ou entre um crime doloso e outro culposo. Nesse caso, adota-se o sistema da exasperação, aplicando-se a pena do crime mais grave, ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até a metade. Assim, no atropelamento de que tenha resultado duas mortes culposas, o juiz aplica a pena do homicídio culposo, aumentada de um sexto até a metade. Se resultou morte e lesão culposas, aplica-se a pena do homicídio culposo, aumentada de um sexto até a metade. O critério de aumento é o número de crimes. Veja a seguinte tabela: NÚMERO PERCENTUAL DE CRIMES DE AUMENTO 2........................................ 1/6 3........................................ 1/5 4........................................ 1/4 5........................................ 1/3 6 ou + ............................... 1/2 O concurso formal perfeito é uma causa de aumento de pena. É, portanto, aplicado na terceira fase da aplicação da pena. Não poderá a pena, no concurso formal, exceder a que seria cabível pela regra do concurso material (parágrafo único do art. 70 do CP). De fato, o concurso formal foi idealizado para beneficiar o acusado, afastando o malefício do concurso material. Se o prejudica, deve ser excluído. Quando isso ocorre falase que há concurso material benéfico, porque a soma das penas é mais vantajosa do que o sistema da exasperação. Suponha-se um homicídio doloso qualificado em concurso formal com lesão culposa. Aplicando-se a pena mais grave, isto é, do homicídio qualificado, de doze anos, aumentada de um sexto, totaliza-se uma pena de catorze anos. Somando-se porém as duas penas, isto é, a do homicídio e a da lesão culposa, o resultado será doze anos e dois meses. Note-se que, no exemplo ministrado, o concurso material é mais benéfico. Por outro lado, o concurso formal imperfeito ou impróprio ocorre quando a conduta dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos. Nesse caso, vigora o sistema da acumulação material, somando-se as penas de cada um dos delitos. Desígnio autônomo ou pluralidade de desígnios é a intenção de produzir, com uma só conduta, mais de um resultado lesivo. Ocorre quando o agente de forma deliberada pretende cometer mais de um crime. É

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o caso de estupro cometido com a intenção de satisfazer o instinto sexual e de transmitir a doença venérea. Outrossim, quando o agente coloca uma bomba na casa com a intenção de matar todos os moradores. De acordo com Heleno Cláudio Fragoso, a expressão “desígnio” exclui o dolo eventual, de modo que o concurso formal entre um homicídio doloso com dolo direto e outro com dolo eventual seguiria a regra do concurso formal perfeito, com a aplicação da pena de um só dos delitos, aumentada de um sexto até a metade. Não nos parece, porém, deva-se atribuir ao réu tamanha regalia, porque a segunda parte do art. 70 do CP vincula a expressão “desígnios autônomos” à ação ou omissão dolosa, sem utilizar-se de qualquer artifício que pudesse relacionar o desígnio autônomo apenas com o dolo direto. Há, a nosso ver, desígnios autônomos, quer os crimes concorrentes sejam oriundos de dolo direto ou eventual. Portanto, no exemplo ministrado, impõe-se o somatório das penas. De fato, não se pode esquecer que o objetivo do concurso formal imperfeito é evitar que o agente se beneficie do tratamento especial conferido pelo sistema da exasperação, executando, com uma só conduta, dois ou mais crimes dolosos, visando, ardilosamente, uma pena menor. Na hipótese de o agente cometer roubo contra diversas pessoas em contexto único, a jurisprudência tem enquadrado o fato no concurso formal perfeito, aplicando a pena de um só roubo, aumentada de 1/6 até a metade. Note-se que, em tal situação, é inegável a presença de desígnio autônomo, razão pela qual, à primeira vista, teria se caracterizado o concurso formal imperfeito, que ordena o somatório das penas. Todavia, torna-se inadmissível essa última exegese, porque atribui ao concurso formal efeito mais grave do que o previsto para o crime continuado. Com efeito, se o agente tivesse realizado o roubo, mediante várias condutas, valendo-se do mesmo modus operandi, ter-se-ia caracterizado o crime continuado, de modo que o juiz aplicaria a pena de um só delito e a aumentaria de 1/6 a 2/3. Não é razoável a incidência do somatório de penas decorrente do concurso formal imperfeito pelo simples fato de o agente ter agido em contexto único. Assim, a nosso ver, quando os delitos praticados em concurso formal imperfeito preenchem todos os requisitos do crime continuado, divergindo apenas no fato da unidade da ação, ao invés da pluralidade, deve incidir o sistema da exasperação, e não o do acúmulo material, sob pena de se conferir injustificadamente um tratamento mais rigoroso do que o previsto para o crime continuado. Este, ainda que o agente aja com desígnios autônomos, não se submete ao sistema da acumulação material. Em suma, pensamos que o concurso formal imperfeito só se pode configurar nas hipóteses em que não estão presentes os requisitos do crime continuado.

8. 2. 7.DIREITO PENAL PARTE GERAL II – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 6 QUESTÕES 1. 12. 17. Quais são os três sistemas aplicados no concurso de crimes? Como se procede no sistema de acúmulo material? Nosso CP adotou esse sistema? Em que casos? O que é “sistema de exasperação”? Quais os requisitos para o concurso material? Qual a distinção entre concurso material e reincidência no que diz respeito à prática do segundo ou terceiro crime? Como se procede na aplicação da pena no concurso material? Quais os requisitos para o concurso formal? O que é unidade de desígnio? Qual a teoria adotada pelo nosso CP no concurso formal? Qual a importância da adoção dessa teoria? Qual a distinção entre ato e conduta para a caracterização do concurso formal? O que é concurso formal perfeito? Qual o sistema de aplicação da pena no caso de concurso formal perfeito? O que é concurso material benéfico? Exemplifique. 11. 5. O que é concurso de crimes? Diferencie concurso de crimes de conflito aparente de normas. 16. 18. 3. 10. 19. 6. 4. 15. 14. O que é concurso formal imperfeito ou impróprio? O que se entende por desígnio autônomo ou pluralidade de desígnios no concurso formal? Exemplifique. . 9. 13.

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Aníbal Bruno também expôs pensamento semelhante. I. Frederico Marques assim se expressa: “A incapacidade tem de ser para o trabalho em geral. § 2º. de 2 (dois) a 8 (oito) anos. A incapacidade pode ser total ou absoluta e parcial ou relativa. n. 129. Permanente é a incapacidade duradoura. deformidade permanente. necessidade de diagnóstico de perpetuidade. III. isto é. 129 que a lesão corporal é de natureza gravíssima se resulta: I. Não há. longa e dilatada. . e não apenas para o trabalho próprio e pessoal da vítima. que a incapacidade seja para o trabalho. Pena — reclusão. perda ou inutilização de membro. A primeira compreende a inaptidão para o trabalho em geral. de tal sorte que não se possa calcular a época da sua cessação. entretanto. I”. a atividade econômica. para efeito de reconhecimento da qualificadora. sentido ou função. II. O vocábulo trabalho é utilizado para indicar a função lucrativa. INCAPACIDADE PERMANENTE PARA O TRABALHO (art. 129. em ambas sobressai um ponto comum. 129. a segunda abrange apenas o trabalho específico a que se dedicava o ofendido. Mas. que mais se embrenhou nesses estudos. a idéia de incapacidade para o trabalho em geral. não se enquadra à figura delituosa na espécie descrita no art. adota. mas não o impede de entregar-se a outro gênero de trabalho. a incapacidade da pessoa. para a existência da qualificadora.DIREITO PENAL PARTE ESPECIAL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 1 ANÁLISE DAS HIPÓTESES DE LESÃO CORPORAL GRAVÍSSIMA Prevê o § 2º do art. a incapacidade é permanente e se relaciona com o trabalho. na lesão gravíssima. É suficiente o prognóstico de incapacidade definitiva. § 2º. I) Nítida a correlação da qualificadora em apreço com a prevista no § 1º. incapacidade permanente para o trabalho. V. de incapacidade por toda a vida. acentuando que deixa de existir a incapacidade se o agravado pode executar outra atividade lucrativa que não o degrade consideravelmente do nível social e econômico em que vivia. do art. enfermidade incurável. IV. isto é. aborto. a incapacidade é temporária (por mais de trinta dias) e se relaciona com as ocupações habituais. Realmente. É necessário. suas diferenças são fundamentais: na lesão grave. Se a debilitação permanente que um violinista sofre em um dos dedos lhe pode tornar impossível à volta à profissão de músico. A doutrina brasileira.

provavelmente incurável. III (RT. Hélio Gomes. que a doença seja incurável. 129. isto é. Ensina que a enfermidade incurável é um processo patológico que afeta a saúde geral. SENTIDO OU FUNÇÃO (art. tendo em vista a natureza da doença e as condições pessoais do ofendido. Medite-se no exemplo ministrado por Frederico Marques: quando a agressão corporal provoca a fratura de um osso da perna. verifica-se a existência de enfermidade incurável. duradoura no tempo. § 2º. o ofendido deve ficar privado da possibilidade física ou psíquica de aplicar-se a qualquer atividade lucrativa. Perda é a ablação do órgão. A enfermidade incurável distingue-se da debilidade permanente. E a incapacidade. Incurável é a doença cuja cura não é possível de se obter pelos recursos atuais da medicina. O Tribunal de Justiça de São Paulo já teve oportunidade de decidir: “Na incapacidade permanente. que o ofendido não está obrigado a submeter-se a tratamentos incertos ou de graves riscos nem a intervenções cirúrgicas. a extirpação da vesícula biliar constitui debilidade permanente da função hepática. PERDA OU INUTILIZAÇÃO DE MEMBRO. 129. pode suceder que o ofendido se cure da lesão. Ressalte-se. É necessário. ainda. o processo patológico já está encerrado e findo. com mais exatidão. 550:284). sentido ou função caracteriza lesão corporal de natureza grave. para o reconhecimento da qualificadora. É a ausência anatômica do órgão ou membro. ao passo que a perda ou inutilização configura lesão gravíssima. . utilizando-se de outro critério. com debilidade permanente de um membro. § 2º. deverá ser permanente. Basta um prognóstico da incurabilidade. se ele não se cura e no osso fraturado forma-se a sede de um “processo osteomielítico tuberculoso”. 71:331). Destaca-se o órgão do corpo. III) Como vimos anteriormente. na segunda.DIREITO PENAL PARTE ESPECIAL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 2 Na jurisprudência também prevalece a orientação de que. distingue. Na primeira o processo patológico está em andamento. pois não é um processo patológico geral. além de total. a debilidade permanente de membro. ENFERMIDADE INCURÁVEL (art. rel. Assim. debilidade permanente de função e enfermidade incurável. I. Todavia. mas permaneça coxo. AC. sem previsibilidade de cessação (TJSP. ou seja. II) Enfermidade é o processo patológico físico ou mental. por mutilação (tira por força não cirúrgica) ou amputação (tira por força cirúrgica). RJTJSP. para o § 1º. Marino Falcão. desclassifica-se do § 2º. se a incapacidade não for total e permanente.

É necessário. não exclui a qualificadora. as impotências generandi (para procriar) e coeundi (para o ato sexual) se qualificam como lesões corporais gravíssimas (art. Não é apenas o gilvaz. A dissimulação da lesão. aplicando-se. de um ouvido. isto é. A deformidade há de ser permanente.. com o qual. A deformidade deve ser de certa monta. 129. orelha de borracha. mas sem necessidade de ser horripilante. § 1º. 129. exclui-se a qualificadora. deve ser natural e de tal sorte que não dê ao portador do dano a impressão de que este subsiste mal dissimulado aos olhos estranhos. como. a cicatriz no rosto. A perda ou inutilização de um dos membros (braço. dano estético de certa monta. Por fim. o preceito em análise. visível. a presença dos seguintes requisitos: 1. Vale a pena salientar que a vítima não está obrigada a submeter-se a cirurgia plástica. mão. não concordamos. de certo vulto. Entretanto. conquanto duplos. isto é. olho de vidro. provocando um afeamento. que seja capaz de causar impressão vexatória. DEFORMIDADE PERMANENTE (art. Dano estético é o que desfigura a harmonia do corpo. antebraço. de um rim. III). É a perda funcional do órgão ou membro. mas de maneira impotente. caracteriza apenas debilidade permanente (art. destarte. crescimento da barba etc. mantendo-se o outro intacto. para o reconhecimento da qualificadora. Exemplos: a perna ou braço ficam paralisados por grave lesão. consoante lição de Euclides Custódio da Silveira. A deformidade precisa ser visível. porém. vindo a realizá-la. consoante entendimento dominante. por exemplo. não se separam do corpo. 4. uma vez que consagra a vingança privada. . lesão que torna o ofendido giboso. e daí o incômodo. capaz de causar vexame ao portador. lembrando-lhe o trauma sofrido. pois não houve perda ou inutilização da função. 129. o mal-estar que lhe produziu. por si só. e presente sempre à sua impressão subjetiva. III). irreparável. coxa. diz Flamínio Fávero. entretanto. irreparável. dentes postiços. o vexame. o dano estético de certa monta. não provoca o desaparecimento do dano. § 2º. IV) Entende-se por deformidade permanente. irreparável pela simples ação da natureza. que. A reparação. isto é. perna e pé). 3. como. por exemplo. 2. Vale a pena repetir que a perda de um olho. sobrevindo a cura. visível e capaz de causar impressão vexatória. caracteriza lesão gravíssima. Abrange também o defeito visível em outra parte do corpo. Há permanência quando a evolução natural da lesão. § 2º. localizada em zonas do corpo habitualmente descobertas ou que seja perceptível apesar das roupas (por exemplo: marcha claudicante). deixando ao alvedrio da vítima a decisão de fazer ou não incidir a qualificadora.DIREITO PENAL PARTE ESPECIAL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 3 Na inutilização o órgão subsiste anatomicamente.

do Código Penal. de grande beleza. 127 e 129. Seria draconiano reconhecer-se em tal caso a existência de deformidade. a cicatriz na face apresentava-se como uma ‘covinha’. que seja inescusável o erro quanto à gravidez.DIREITO PENAL PARTE ESPECIAL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 4 A deformidade deve ser capaz de causar impressão vexatória. sem maior dano. por si só. lembra Magalhães Noronha. V. A antítese entre ambos ressalta à evidência com a análise do elemento subjetivo-normativo. para a existência da qualificadora. não pensa Euclides Custódio da Silveira. Salta aos olhos. porém. indo o projétil perfurar-lhe a face. ABORTO (art. Assim. pelo menos. Basta a provocação de uma impressão desagradável. O agente não o quer e nem assume o risco de produzi-lo. A lesão corporal seguida de aborto não admite a tentativa. . Se atua com dolo direto (quer o aborto) ou eventual (assume o risco de produzir o aborto) responde pelo delito de aborto. V) A lesão corporal é gravíssima se ocasionar o aborto. 129. sob pena de consagrar-se a proscrita figura da responsabilidade objetiva. porém. excluindo-se. 127. o agente age com dolo quanto à lesão corporal e culpa quanto ao aborto. No tipo penal do art. Efetivamente. e. encravando-se num dos maxilares. incide em erro escusável. V. a qualificadora. que lhe desfechou um tiro. não qualifica o delito. é provocado involuntariamente. Deformar não é apenas assinalar”. § 2º. exclui-se a qualificadora quando a mesma lesão atingir uma freira. a disparidade existente entre um gilvaz no peito de um estivador e no colo de uma dama da alta sociedade. assim. diversos fatores influem: idade. É necessário. no caso. excluindo-se. a qualificadora. Na análise da existência ou não do dano estético. Por fim. O resultado lhe é imputado a título de culpa. foi vítima de um passional. Nunca é demais frisar que o aborto. que o agente tenha ciência da gravidez ou. Nélson Hungria cita o seguinte caso: “certa mulher. No tipo penal do art. 129. Uma cicatriz na coxa de uma mulher que freqüenta o banho de mar ou academia de ginástica caracteriza dano estético. § 2º. § 2º. Cumpre. diferentemente. que ainda mais graça dava ao lindo rosto de sua portadora. Se ignorava a prenhez da ofendida e razão não tinha para conhecê-la. O caráter preterdoloso do delito inviabiliza o conatus. o agente age com dolo em relação ao aborto e culpa no tocante à lesão grave. O agente age com dolo em relação à lesão e culpa no tocante ao aborto. sexo e condição social. é possível que o dano estético situado no rosto de um velho fique encoberto pelas rugas. destarte. Não se exige impressão horripilante ou insuportável de fixar os olhos. que reconhece a existência da qualificadora ainda quando o agressor ignora e não tem meios para perceber a gravidez da ofendida. o simples gilvaz. não confundir os tipos dos arts. passado algum tempo. Trata-se de crime preterdoloso.

2) morte culposa. O resultado morte é imputado ao agente a título de culpa. Por outro lado. nos moldes do art. Não há homicídio. 129 do Código Penal. a qualificadora do § 1º pode influenciar na dosagem da pena base (CP art. Relativamente à lesão. No Brasil. intenção de ferir (dolo direto) ou de assumir o risco de ferir (dolo eventual). o juiz toma uma como qualificadora. quando houver mais de uma qualificadora do § 2º do art. a rubrica explícita não deixa dúvida a respeito do nomen juris do delito: lesão corporal seguida de morte. Chama-se crime preterintencional todo aquele que produz um resultado que vai além da intenção do agente. identifica claramente que se trata de uma qualificadora. § 3º. mas lesão corporal. o Ministério Público deve oferecer denúncia apenas pela qualificadora do § 2º . cuja competência é afeta ao juízo singular e não ao tribunal do júri. que assim dispõe: “Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado. desvinculada do tipo penal fundamental. Igualmente. há assim necessariamente uma conduta dolosa. porém. A autonomia da sanctio juris. respondendo o agente por homicídio doloso.DIREITO PENAL PARTE ESPECIAL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 5 O CONCURSO DE QUALIFICADORAS Na hipótese de mais de uma qualificadora do § 1º do art. de tal sorte que a denominação homicídio preterintencional é imprópria perante o nosso direito. ao oferecer a denúncia. a conduta dolosa direcionada à lesão produz involuntariamente a morte da vítima. Os autores italianos denominam esse delito de homicídio preterintencional. 129 do CP. pois ele não quis e nem assumiu o risco de produzi-lo. estabelecida entre 4 e 12 anos de reclusão. nem assumiu o risco de produzi-lo: Pena — reclusão. Na sentença. de 4 (quatro) a 12 (doze) anos”. 129 do CP. Em tal hipótese. deve referir-se a todas elas. isto é. para fixar a pena base. Tenha-se presente que o dolo direto ou eventual em relação à morte exclui o delito em apreço. No tocante a esse ponto crucial. o Ministério Público. LESÃO CORPORAL SEGUIDA DE MORTE (ART. 129. O tipo subjetivo revelador do propósito criminoso do agente se limita ao animus laedendi. Urge salientar os elementos constitutivos do delito: 1) lesão dolosa. o fato concreto reunir uma qualificadora do § 1º e outra do § 2º. algumas hipóteses merecem ser elencadas: . que é imprescindível o nexo causal entre a lesão dolosa e a morte culposa. 3) nexo causal entre a lesão dolosa e a morte culposa. utilizando as outras como circunstâncias judiciais. outrossim. Não se perca de vista. elevando a pena base necessariamente acima do mínimo legal. Se. 59 do CP. DO CP) A forma mais grave de lesão corporal está prevista no § 3º do art. 59).

“A” fere “B”. que vem a falecer em conseqüência de um desabamento ocorrido quando se dirigia à farmácia para comprar remédios. grave ou gravíssima. A tentativa pressupõe sempre a vontade dirigida ao resultado. . independentemente de culpa. do CP) do homicídio culposo (art. 19 do Código Penal que. A primitiva idéia de punição com base na responsabilidade objetiva. 3. o mandante “A” deveria também responder por lesão corporal seguida de morte. no § 2º do art. conforme o caso. Inadmissível a tentativa em face do caráter preterdoloso do delito. a morte culposa. 121. dispõe o art. Efetivamente. mas a morte ocorre por caso fortuito ou força maior. 2. Responde apenas pelo crime de lesões leve. Também não pode ser esquecido que na hipótese de concurso de agentes nem todos os co-autores e partícipes respondem pelo delito de lesão corporal seguida de morte. 29 do Código Penal. Finalmente. Realmente. o resultado letal deriva de um crime de lesão corporal dolosa. é incorreto dizer-se que o agente tentou obter a morte da vítima. Mas suas diferenças são nítidas: na lesão corporal seguida de morte. O agente responde por homicídio culposo. que o agente não obtém por circunstâncias alheias à sua vontade. essa pena será aumentada até metade. “pelo resultado que agrava especialmente a pena. uma vez que o evento letal lhe era previsível. Por exemplo: “A” manda “B” agredir “C”. Ora. “B” responde por lesão corporal seguida de morte. No caso. só responde o agente que o houver causado ao menos culposamente”. não sendo a vontade dirigida ao evento morte. do CP). empurrão numa pessoa cardíaca. § 3º. 129. O agente age com dolo em relação à lesão.DIREITO PENAL PARTE ESPECIAL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 6 1. o evento morte resulta de um comportamento penalmente indiferente ou de lesão culposa ou de vias de fato. por exemplo. A morte culposa decorre de lesão culposa. § 3º. “A” responde por crime de lesões corporais leve. por exemplo. tratou a questão de maneira diferente. isto é. como. aproxima-se a lesão corporal seguida de morte (art. atropelamento. cuja pena será aumentada até a metade se a morte da vítima era previsível ao homem médio. não há como atribuir-lhe o resultado morte. ser-lhe-á aplicada a pena deste. Filiou-se assim o Código aos sistemas jurídicos que limitam a responsabilidade penal à presença de culpa. não encontra seguidores no direito penal atual. Por exemplo. mitigando a aplicação da teoria monista da ação. A morte culposa decorre de um gesto de ameaça ou de vias de fato (art. 29 do Código Penal que. No entanto. O agente responde por homicídio culposo. no homicídio culposo. a reforma penal de 1984. “B” age com excesso e acaba produzindo culposamente a morte de “C”. conforme o caso. 21 da LCP). como. na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave”. Diz o § 2º do art. “se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave. em ambos sobressai um ponto comum. que exige dolo no antecedente (lesão corporal) e culpa no subseqüente (evento morte). No caso. grave ou gravíssima.

B) Fontes de Inspiração da Lei x Art. ainda.no âmbito da família. As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual. sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial: I . independentemente de coabitação. 5º da sobredita lei. Urge. que ocorra nas circunstâncias previstas no art. . com ou sem vínculo familiar. 5º ). compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados. sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial.em qualquer relação íntima de afeto. punir e erradicar a violência contra a mulher. É a ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte. configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte. Estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar. sofrimento físico. x Convenção Interamericana para prevenir.no âmbito da unidade doméstica. 226.340 DE 07 DE AGOSTO DE 2006) A) Objetivos da Lei Coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher. compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas. inclusive as esporadicamente agregadas. lesão. II . lesão. Parágrafo único.DIREITO PENAL PARTE ESPECIAL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 7 VIOLÊNCIA DOMÉSTICA (LEI Nº 11. Aludida violência constitui uma das formas de violação dos direitos humanos. por afinidade ou por vontade expressa. unidos por laços naturais. D) Conceito de Violência Doméstica e Familiar (art. III . sofrimento físico. x Convenção sobre a Eliminação de Todas as formas de violência contra a mulher. x Outros Tratados Internacionais C) Conteúdo da Lei Dispõe sobre a criação de Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a mulher. § 8º da CF. Para os efeitos desta Lei. na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida.

o descendente. ou.886. c. c) Fornecer transporte a ela e seus dependentes para abrigo ou lugar seguro.detenção. introduzido pela lei 10. estadual e municipal. do CP. quando a lesão corporal for leve. descendente. para preservar a sua integridade física e psicológica. ou com quem conviva ou tenha convivido. se apresentada. F) Do atendimento pela autoridade policial A autoridade policial. (Redação de acordo com a Lei nº 11. . 129. a manutenção do vínculo trabalhista. Este afastamento é sem remuneração. § 9º. de 3 (três) meses a 3 (três) anos. b) Encaminhá-la ao hospital ou posto de saúde. por até seis meses (§ 2º do art. G) TIPOS PENAIS 1. representando apenas uma suspensão do contrato de trabalho. dispõe o § 9º do art. cônjuge ou companheiro. irmão. de 17 de junho de 2004: § 9o Se a lesão for praticada contra ascendente. 9º). outrossim.340 de 07 de agosto de 2006. O juiz determinará. por prazo certo a inclusão da mulher no cadastro de programas assistenciais do governo federal. o irmão. 129 do CP. quando houver risco de vida. prevalecendo-se o agente das relações domésticas. Violência doméstica simples: é a prevista no art. quando necessário. f) Requisitar o exame de corpo de delito. O juiz assegurará à mulher. dentre outras providências. quando necessário o afastamento do local de trabalho. deverá garantir-lhe: a) Proteção policial. g) Comunicar de imediato ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. d) Acompanhá-la na retirada de seus pertences do local da ocorrência ou do domicílio familiar. e) Tomar a representação por termo. Trata-se de crime próprio. o ascendente. de coabitação ou de hospitalidade: Pena . ainda. De fato. b. a prioridade à remoção quando servidora pública.DIREITO PENAL PARTE ESPECIAL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 8 E) Assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar. figurando como sujeitos ativo e passivo: a.

340 de 07 de agosto de 2006. ECA e Estatuto do Idoso. A ação penal é pública incondicionada. H) Procedimentos . que “nos caso previstos nos §§ 1o a 3o deste artigo. De fato. introduzido pela mesma lei acima. conforme a lei nº 11. ao invés de termo circunstanciado. aumenta-se a pena em 1/3 (um terço)”. 129 do CP. 2. 129 do CP. 3. passageira.DIREITO PENAL PARTE ESPECIAL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 9 o cônjuge. se as circunstâncias são as indicadas no § 9o deste artigo. g. cuja renúncia só é possível na presença do juiz. e. II. O delito de violência doméstica só compreende a lesão corporal leve. 61. o companheiro. d. Violência doméstica qualificada: é a prevista no § 10º do art. Na hipótese do § 9o deste artigo. f.099/95. pessoa que tenha prevalecido das relações domésticas. lavrando-se ainda o flagrante.Legislação Aplicável: CPP. § 3º. conforme o art. a pena será aumentada de um terço se o crime for cometido contra pessoa portadora de deficiência. 129 do CP. instaura-se inquérito. do mesmo Codex. Relação de coabitação é a morada duradoura sob o mesmo teto. por isso. 129. A pena aumenta de 1/3. e. alíneas “e” e “f”.340 de 07 de agosto de 2006. a ação penal é pública condicionada à representação. de coabitação ou de hospitalidade. CPC. basta uma simples visita ou convite para o almoço. É claro que a ação penal é pública incondicionada. porque já funcionam como elementares do tipo legal. Relação de hospitalidade é a recepção eventual. aumentando-se de 1/3 a pena do art. Não há necessidade de pernoite. Para caracterizá-la. pessoa com quem convive ou tenha convivido. se presentes os seus requisitos legais. dispõe o parágrafo 10 do art. É vedada a aplicação da Lei 9. antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público. Logo. 129. Violência doméstica seguida de morte: é prevista no § 10º do art. Ao delito em apreço não incide as agravantes genéricas do art. isto é. . Relações domésticas são as instauradas entre pessoas da mesma família ou entre patrões e criados. 41 da lei nº 11. quando decorrer um dos resultados do §§ 1º e 2º do art.

só será admitida a renúncia perante o juiz. para o processo e o julgamento das causas referidas no caput. . antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Publico. A ofendida não poderá entregar intimação ou notificação ao agressor. . caberá a prisão preventiva do agressor. J) Notificação dos Atos Processuais A ofendida deverá ser notificada dos atos processuais relativos ao agressor especialmente dos pertinentes ao ingresso e à saída da prisão.Atos processuais: poderão realizar-se em horário noturno. a requerimento do Ministério Público ou mediante representação da autoridade policial. mediante atendimento específico e humanizado. nos termos da lei. em audiência especialmente designada com tal finalidade.Competência Cível: os foros são alternativos.É vedada as aplicações das seguintes penas: cesta básica ou outras de prestação pecuniária. . por opção da mulher: local do seu domicilio ou local dos fatos ou local do domicilio do agressor. as varas criminais acumularão as competências cível e criminal para conhecer e julgar as causas decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher.Enquanto não estruturados os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. .DIREITO PENAL PARTE ESPECIAL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 10 . salvo no Distrito Federal.Nos Crimes de Ação Penal Pública condicionada à representação. .Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher: A lei ordena a sua criação. A competência para criá-lo é dos Estados-membros. nas varas criminais. Será garantido o direito de preferência. I) Prisão Preventiva Em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal. . conferindo-lhe competência civil e criminal. em sede policial e judicial. decretada pelo juiz. quando então a competência é da União. de ofício. bem como substituição da pena privativa de liberdade por multa. K) Assistência Judiciária É garantido a toda mulher em situação de violência doméstica e familiar o acesso aos serviços de Defensoria Pública ou de Assistência Judiciária Gratuita.

tomar as seguintes medidas: a) Determinar o afastamento da ofendida do lar.DIREITO PENAL PARTE ESPECIAL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 11 L) Agravante Genérica Art.São circunstâncias que sempre agravam a pena. de coabitação ou de hospitalidade. c) Proibição de aproximar-se da ofendida. Não se aplica a agravante quando a violência doméstica já integra o tipo. salvo expressa autorização judicial. O) Medidas Protetivas de Urgência à Ofendida Poderá o juiz. dentre outros. b) Afastamento do lar. f . c) Determinar que o agressor restitua os bens subtraídos indevidamente da ofendida. b) Determinar a separação de corpos. o juiz poderá aplicar ao agressor. ou atribuídas atividades educativas. fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor. ou com violência contra a mulher na forma da lei específica”. Nos casos de violência doméstica contra a mulher. as seguintes medidas: a) Suspensão ou restrição do porte de arma. e) Suspensão das procurações conferidas pela ofendida ao agressor. quando necessário. de seus familiares e das testemunhas. o juiz poderá determinar o comparecimento obrigatório do agressor a programas de recuperação e reeducação. 61. durante o tempo de permanência. .” N) Medidas Protetivas de Urgência contra o Agressor Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher. quando não constituem ou qualificam o crime: “ com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas. em conjunto ou separadamente. cursos e palestras. d) prestação de alimentos provisionais em provisórios. venda e locação da propriedade comum. d) Proibir o agressor de celebrar atos e contratos de compra. M) Programa de Recuperação Poderão ser ministrados ao condenado.

O disposto no transcrito art. concorrentemente.DIREITO PENAL PARTE ESPECIAL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 12 P) Atuação do Ministério Público O Ministério Público intervirá. previstos nos arts. inclusive no tocante ao perdão judicial (§ 8º). Sobre a ação penal no delito de lesão culposa qualificada pela omissão de socorro e falta de habilitação. desde que. quando não for parte. parágrafo único do CTB). nas causas cíveis e criminais decorrentes da violência doméstica e familiar contra a mulher. A defesa dos interesses e direitos transindividuais previstos nesta Lei poderá ser exercida. 303. . 9. cabe ação pública em relação àquele. parágrafo único do Código de Trânsito Nacional.303 do CTB. em relação a qualquer destes. 129. Já em relação aos crimes de lesões corporais graves ou gravíssimas e lesões seguida de morte a ação penal é pública incondicionada. na prática. são absorvidos. se deva proceder por iniciativa do Ministério Público ". constituem crimes. de 26-9-1995). tem sido ignorado pelos aplicadores do direito. previsto no parágrafo único do art. LESÕES CULPOSAS NO CÓDIGO DE TRÂNSITO Aplica-se o que foi dito sobre homicídio culposo no Código de Trânsito Brasileiro. DO CP) O estudo das lesões culposas é idêntico ao homicídio culposo.099. pelo Ministério Público e por associação de atuação na área. porque já funcionam como causas de aumento de pena da lesão corporal culposa (art. ao qual reportamos o leitor.303. ao qual reportamos o leitor. prevista no art. respectivamente. regularmente constituída há pelo menos um ano. LESÕES CULPOSAS (ART. 304 e 309 do CTB. 88 da Lei n. no que tange ao delito de lesão culposa qualificado pela falta de habilitação ou a omissão de socorro. 101 do CP: “Quando a lei considera como elemento ou circunstâncias do tipo legal fatos que. Vale ressaltar que os delitos de omissão de socorro e falta de habilitação. AÇÃO PENAL É pública condicionada à representação a ação penal relativa aos crimes de lesões corporais leves e lesões culposas (art. já tivemos oportunidade de escrever o seguinte texto: “Dispõe o art. §§ 6º E 7º. nos termos da legislação civil. 101 do CP. por si mesmos.

ele responderá apenas pelo crime de lesão culposa qualificada. Assim. na sua forma qualificada pela omissão de socorro ou falta de habilitação. não deve ter tido culpa em relação à lesão. como um todo. Assim. tem ocorrido a seguinte incongruência. Em contrapartida. O motorista que. respectivamente. Esses dois delitos são subsidiários em relação ao delito maior de lesão corporal culposa. independentemente de representação da vítima. Na prática.101 do CP termina de espancar a dúvida. a lesão corporal culposa só depende de representação quando não houver omissão de socorro nem falta de habilitação. a ação penal é pública incondicionada . o art. o delito de lesão culposa depende de representação. constituem crimes. De conformidade com o art. Convém observar que o motorista. ainda que não tenha habilitação ou omita socorro. a norma prevista no art. 303. tendo em vista que o delito de lesão culposa só se procede mediante representação. por raciocínio lógico. porque já funcionam como causas de aumento de pena. porque a ação penal é pública incondicionada. por si mesmos. por culpa. destarte. a nosso ver. Com efeito. impondo-se. o motorista que comete. . nos delitos de omissão de socorro e falta de habilitação. a aplicação do princípio da subsidiariedade implícita. lesão corporal qualificada pela omissão de socorro ou falta de habilitação. para que seja processado por falta de habilitação ou omissão de socorro. previstos nos arts. Caso contrário. Todavia. se deva proceder por iniciativa do Ministério Público.DIREITO PENAL PARTE ESPECIAL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 13 Com efeito. a ação penal é pública incondicionada. tão somente. previsto no parágrafo único do citado art. 101 do CP dispõe que quando a lei considera como elemento ou circunstâncias do tipo legal fatos que. Mas se a lógica é insuficiente para o convencimento. Esses dois delitos são absorvidos pelo delito maior de lesão corporal culposa. a conclusão é que no art. pode ser processado.101 do CP. em relação a qualquer destes. por si mesmos. Não nos parece coerente a legislação ter consagrado a ação pública incondicionada para o delito menor (omissão de socorro ou falta de habilitação) e a ação pública condicionada à representação para o delito maior. só pode ser processado mediante representação da vítima. constituem crimes. desde que. se um dos crimes que atuam como circunstâncias do tipo legal for de ação pública o tipo qualificado. porque integrado pela fusão de fatos que. qual seja. procedendo-se por iniciativa do Ministério Público. Tratase de crime complexo. o crime de omissão de socorro ou falta de habilitação. cabe ação pública em relação àquele. também passa a ser de ação pública incondicionada. 304 e 309 do aludido codex . comete uma lesão culposa. tanto é que são absorvidos. 303 parágrafo único do Código de Trânsito Brasileiro.

3. IV)? Quais os fatores mais importantes a serem levados em conta na análise do dano estético? A que título (dolo ou culpa) acontece o aborto previsto na figura do art. do tipo penal previsto no art. § 3º? Qual a importância do nexo causal nesta figura penal? Se a morte da vítima ocorre por lesão culposa. § 2º. 11. caracteriza lesão gravíssima. mão. § 2º. Quais as diferenças fundamentais entre as figuras do art. I? O que se entende por incapacidade permanente para efeitos dessa figura? Qual a noção de trabalho para o reconhecimento dessa qualificadora? O que se entende por doença incurável para efeitos da figura do art. 19. sentido ou função para caracterizar a figura do art. 129.). 16. III? Por que a perda de um dos membros (braço. § 2º. caracteriza apenas lesão grave? Quais os requisitos para o reconhecimento da qualificadora da deformidade permanente ( art. 129. 21. 9. III? O que se entende por perda ou inutilização de membro. 17. 7. conquanto duplos. 129. II do CP? Qual a distinção entre essa figura e a da debilidade permanente do art. 12. 129. 4. 129. parágrafo único do CTB)? Explique.099/95 ao delito de violência doméstica? 8. perna. 10. 13. 129. que crime comete o agente? Por quê? Quais as diferenças entre a figura penal desse dispositivo e a do homicídio culposo? Mediante qual tipo de ação penal se processa o crime de lesão corporal culposa? Como se deve resolver a questão da ação penal no crime de lesão culposa qualificada pela omissão de socorro e falta de habilitação ( art. etc. 18. V? Como distinguir esse crime. 6. 303. § 2º. 20. § 1º. . 15. § 2º. 127 do CP? Quais são os elementos constitutivos do delito previstos no art. § 1º.DIREITO PENAL PARTE ESPECIAL I – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 14 QUESTÕES 1. O que é violência doméstica? É possível renunciar ao direito de representação no delito de violência doméstica? Quais as penas que não podem ser aplicada ao delito de violência doméstica? Quais as conseqüências da não-aplicação da Lei 9. enquanto que a perda de um rim. 2. I e 129. 14.. olho etc. 5. 129.

DIREITO PENAL ESPECIAL II CURSO A DISTÂNCIA MÓDULO X .

em algumas dessas hipóteses. curador. irmão. sendo vedada na área penal. cônjuge. a presença na execução. Em contrapartida. tutor. companheiro. seria excluído pela primeira corrente. Magalhães Noronha. após mencionar uma fórmula casuística. A outra majorante consagra a interpretação analógica. se “A” instiga “B” a cometer um estupro contra determinada vítima. pois a lei. crime cometido com concurso de duas ou mais pessoas. cônjuge. que. aplicável aos delitos de estupro e atentado violento ao pudor. dispensa. de metade. acertadamente. Ressalte-se o fundamento da majorante.072/90 prevê ainda outra majorante. não há lacuna. De fato. através da fórmula genérica. quando “in malam partem”. preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tem autoridade sobre ela.DIREITO PENAL . O dispositivo em apreço cuida de duas majorantes em quantidades fixas. ambos. consistente na maior ofensa à moral e aos bons costumes. se o legislador quisesse exigir a presença na fase da execução teria ressalvado expressamente. na hipótese. tio. II. 146 do CP. consubstanciada na frase – “se o agente é ascendente. Por outro lado. na interpretação analógica. manda abranger expressamente outros fatos. Na analogia. para a segunda corrente. aplicável aos delitos contra os costumes. mestre) ou empregador da vítima” . preceptor (professor. como a babá da criança. 8. para o reconhecimento da majorante. A primeira. utilizado como parâmetro para a concretização da interpretação sistemática. tio. Trata-se. 9º da Lei n. pois o legislador. pois o concurso de agentes também pode ocorrer mediante participação (induzimento. por si só não é crime. padrasto ou madrasta.” I. mas sim de interpretação analógica. o art. companheiro. quando a vítima estiver em . de acordo com Nelson Hungria. padrasto ou madastra. irmão. Assim. a lei não prevê o fato. só tem incidência se os dois ou mais agentes atuaram na fase de execução. que. terão o aumento da pena. se o crime é cometido com o concurso de 2 (duas) ou mais pessoas. previsto nos capítulos anteriores. 226 do CP: “A pena é aumentada: de quarta parte. porquanto.PARTE ESPECIAL II – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 1 CAUSAS DE AUMENTO DE PENA Dispõe o art. curador. instigação ou auxílio). determinando o aumento da pena de metade. que é vítima de atentado violento ao pudor. A enumeração constante na fórmula casuística é exemplificativa. Não se trata de integração analógica (analogia). mas funciona como causa de aumento de pena dos delitos sexuais. há lacuna. de incesto. se o agente é ascendente. tutor. concretizada na expressão “ou por qualquer outro título tem autoridade sobre ela”.menciona uma fórmula genérica. como no § 1º do art. abarca-se outros fatos semelhantes. através da fórmula genérica.

Só se justifica o aumento de pena na hipótese de violência real ou grave ameaça. a que mais aumenta. com o devido respeito. 9º ainda que se trate de violência presumida. diante da proibição da dupla valoração da mesma circunstância. de 28 de março de 2005. na área penal. 224 do CP (não é maior de 14 anos. no caso. . em havendo o concurso de mais de uma dessas causas de aumento de pena mencionadas acima. configura “bis in idem”. pois encontram-se na parte especial do Código Penal e Legislação Penal Especial. é alienada ou débil mental e o agente conhecia estas circunstâncias. 59 do CP ou então como agravantes genéricas. 226 do CP. inexistente.DIREITO PENAL . contudo. só é permitido mediante texto expresso de lei. O tema. o art. oferecer resistência). Semelhante raciocínio. por qualquer outra causa.106. o fato de o agente ser casado deixou de figurar como causa de aumento de pena nos crimes sexuais. devendo as outras serem utilizadas como circunstâncias judiciais do art. exercendo este dispositivo dupla função: presumir a violência e aumentar a pena. não pode funcionar como causa de aumento de pena. por isso. 11. 224 do CP já é utilizado como elemento do tipo penal. Por outro lado. não é pacífico. Finalmente. que. caso figurem no rol dos arts. Tratando-se de violência presumida. revogou expressamente o inciso III do art. pois a jurisprudência da Excelsa Corte aplica a causa de aumento de pena do citado art. 68 do CP. não pode. e. o Juiz levará em conta apenas uma delas.PARTE ESPECIAL II – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 2 qualquer das hipóteses referidas no art. porque a Lei n. submetendo-se à disciplina do parágrafo único do art. 61 e 62 do CP.

como o Juiz deve aplicar a pena? . 8. II. do CP é taxativo ou exemplificativo? O pai que estupra a filha sempre tem a pena aumentada de metade? Em que consiste a majorante do art. do CP possibilita que tipo de interpretação da lei? O rol do art. mencionadas acima.072/90? O citado art. 9º da Lei n.PARTE ESPECIAL II – PROFº FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 3 QUESTÕES 1 2 3 4 5 6 7 8 Quais as causas de aumento de pena previstas no art. do CP? A majorante do art. 226. 9º é aplicável também à violência presumida? Em havendo mais de uma causa de aumento de pena. 226. 226 do CP? Qual a polêmica entre Nelson Hungria e Magalhães Noronha acerca da correta interpretação do art.DIREITO PENAL . I. II. 226.

DIREITO PROCESSUAL PENAL I CURSO A DISTÂNCIA MÓDULO X .

CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL PENAL – TOMO I – PROFª ROSANE CIMA CAMPIOTTO

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AÇÃO CIVIL GENERALIDADES Neminem laedere: a ninguém é lícito causar lesão ao direito de outrem. Neste brocardo jurídico reside o fundamento para a denominada actio civilis ex delicto, ação que o prejudicado pode intentar visando unicamente a satisfação do dano causado pelo ilícito penal. O artigo 186 do novo Código Civil estabelece que aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano. Em geral, a transgressão da norma penal determina o surgimento de duas pretensões: a civil, voltada para a satisfação do dano sofrido; e a de caráter penal, ensejando a ação penal para responsabilização do agente transgressor do ordenamento jurídico. Contudo, existem infrações penais que não impõem, necessariamente, um ressarcimento pelo dano causado, como por exemplo, o crime de porte de entorpecentes. Da mesma forma, determinadas condutas permitem a propositura da ação civil de reparação, sem possibilitar, todavia, a promoção da ação penal, como por exemplo, o descumprimento de um contrato, que é mero ilícito civil. De qualquer forma, é efeito extrapenal genérico da condenação criminal de tornar certa a obrigação de reparar o dano, pois a sentença penal condenatória transitada em julgado funciona como título executivo judicial, bastando promover a liquidação do dano para, em seguida, promover a execução civil. A ação penal e a ação civil não são independentes. Caso contrário correr-se-ia o risco de obter-se, para a mesma situação, duas decisões antagônicas: por exemplo, ser o réu condenado pela prática do crime porque seu autor, mas, na ação civil, ser desonerado de qualquer reparação ou ressarcimento, porque se concluiu por sua inocência, porquanto provado não ser ele o autor da infração penal que resultou no prejuízo suportado pelo ofendido. Todavia, a responsabilidade civil independe da penal, sendo possível o desenrolar paralelo e independente da ação penal e da ação civil sobre o mesmo fato criminoso. O ofendido ou seus herdeiros poderá, desde logo, intentar ação civil reparatória de conhecimento, sem precisar aguardar o término da ação penal. Neste caso, o Juiz da ação civil poderá suspender o andamento do processo, pelo prazo máximo de 01 (um) ano, até o julgamento definitivo da ação penal, para evitar decisões contraditórias, como anteriormente ponderado. A responsabilidade penal é absolutamente pessoal e jamais poderá passar da pessoa do infrator. Já a responsabilidade civil poderá restar ao representante legal do ofensor ou, até menos, aos seus herdeiros, guardadas as forças da herança.

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A responsabilidade civil implica em três objetivos: a restituição ou devolução da própria coisa; o ressarcimento ou pagamento do equivalente em espécie; e, ainda, a reparação ou satisfação dos danos não materiais, distinguindo-se o ressarcimento e a reparação, embora em um sentido amplo sejam iguais. Em sentido estrito, a reparação diz respeito ao caso de dano que não for ressarcível, ou seja, de inestimado valor. AÇÃO CIVIL “EX DELICTO” Dois são os tipos de ação visando à reparação do dano causado pela infração penal: a. Execução do Título Executivo Penal: que é a execução da sentença condenatória transitada em julgado; b. Ação Civil de Reparação ou, como também nominada, Actio Civilis ex Delicto: que é ação de conhecimento, que independe de condenação penal para propositura e, conseqüentemente, independe da própria ação penal. Em ambas as hipóteses, os titulares das ações são o ofendido ou os seus herdeiros. Em caso de miserabilidade, a requerimento do ofendido ou de seus herdeiros, o Órgão do Ministério Público poderá propor a ação civil de reparação ou executar a sentença penal condenatória. Mister salientar que faz coisa julgada no cível a sentença penal que reconhecer uma causa eximente de antijuridicidade, ou seja, não poderá haver ação civil de reparação, salvo em duas hipóteses: no estado de necessidade agressivo, onde o agente da conduta sacrifica bem de terceiro inocente, restando ao causador do dano ação regressiva contra aquele que provocou a situação de perigo; e, na legítima defesa, onde por erro na execução, terceira pessoa inocente foi atingida, com a possibilidade de ação regressiva, como acima explanado. A decisão judicial que defere arquivamento de inquérito policial não impede ação civil de reparação, assim como aquela que declara a extinção da punibilidade ou absolve o agente em razão da existência de excludente da culpabilidade e, ainda, a decisão condenatória que concede o perdão judicial, não impedem a reparação do dano causado. Da mesma forma, a sentença absolutória, fundamentada na indigência do acervo probatório não impede a reparação, como também a decisão absolutória pelo fato não constituir crime, pois ainda que o fato não tenha sido considerado ilícito penal, poderá caracterizar ilícito civil.

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QUESTÕES Distinguir o ilícito civil do ilícito penal. Diante de uma sentença penal condenatória, o que é necessário para que a vítima possa receber a reparação do dano decorrente do ilícito penal? 3. O ofendido pode intentar a ação civil de reparação antes da decisão final relativa ao crime que ensejou o dano? Neste caso, o que é possível fazer para evitar decisões contraditórias? Explique. 4. Qual a diferença entre a responsabilidade penal e a responsabilidade civil? Explique. 5. Quais são os objetivos da responsabilidade civil? 6. O que se entende por Actio civilis ex delicto? 7. Quem são os titulares do direito de demandar o sujeito ativo do crime, pleiteando a reparação do dano? E no caso de tais titulares não disporem dos recursos necessários à propositura da ação? 8. Quais são as decisões que, proferidas no juízo criminal, produzem coisa julgada no cível? 9. Quais são as decisões que, proferidas no juízo criminal, não produzem coisa julgada no cível? 10. Assinale a alternativa correta: a) é cabível a ação civil de reparação de dano quando o réu for absolvido por ausência de culpa; b) impede a propositura da ação civil o despacho de arquivamento do inquérito; c) impede a propositura da ação civil a decisão que julgar extinta a punibilidade; d) a absolvição em face do reconhecimento de que o fato não configura ilícito penal não impede a propositura da ação civil 1. 2.

DIREITO PROCESSUAL PENAL II

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SUJEITOS DO FLAGRANTE Em tema de prisão em flagrante, deve-se distinguir o sujeito ativo do sujeito passivo do flagrante. Sujeito ativo é a pessoa que efetua a prisão. Segundo o artigo 301 do Código de Processo Penal, qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em situação de flagrância. Existe, assim, o flagrante compulsório ou obrigatório, que ocorre quando a prisão constituiu obrigação da autoridade policial ou de seus agentes, e o flagrante facultativo, que pode ser realizado ou não a critério do particular. Quando se tratar de flagrante compulsório, o agente é obrigado a efetuar a prisão, não tendo qualquer discricionariedade sobre a conveniência ou não de efetivá-la, ainda que esteja fora de sua circunscrição territorial. Omitindo-se, responderá administrativamente e penalmente. Eventualmente poderá ser responsabilizado até pelo resultado causado, pois podia agir para evitar a consumação do crime, conforme disposto no artigo 13, § 2º, “a”, do Código Penal. O sujeito passivo, por seu turno, corresponde à pessoa que é detida em situação de flagrância. Como regra, qualquer pessoa pode ser presa em flagrante. Todavia, há exceções a essa regra. Não podem ser presas em flagrante, em hipótese alguma, as seguintes pessoas: a) menores de 18 anos, que são, legalmente, considerados inimputáveis (artigo 228 da Constituição Federal e artigo 27 Código Penal); b) Presidente da República (conforme artigo 86, § 3º, da Constituição Federal; c) diplomatas estrangeiros, em razão da Convenção de Viena; d) agente que presta pronto e integral socorro à vítima de acidente de trânsito (artigo 301, da Lei 9.503/97); e) agente que, espontaneamente, se apresenta à autoridade policial, após o cometimento do crime de autoria ignorada (orientação do Supremo Tribunal Federal). Porém não impede que seja preso preventivamente. Além disso, há casos de pessoas que, pela Lei, somente podem ser presas em flagrante quando se tratar de crime inafiançável. Referidas pessoas são: os membros do Congresso Nacional (artigo 53, § 2º, da Constituição Federal); os Deputados Estaduais (artigo 27, § 1º c.c. artigo 53, § 2º, ambos da Constituição Federal, os Magistrados (artigo 33, II, da Lei Orgânica da Magistratura Nacional – LOMN) e os membros do Ministério Público (artigo 40, III, da Lei 8625/93 e artigo 18, II, “d” da Lei Complementar n.º 75/93). Quanto ao advogado, insta esclarecer que o artigo 7º, § 3º, da Lei 8906/94 (Estatuto da Advocacia) estabeleceu que o advogado somente poderá ser preso em flagrante, por motivo relacionado ao exercício da profissão, em caso de crime inafiançável. No tocante à necessidade da presença de um representante da OAB, sob pena de nulidade, para a lavratura do auto de prisão em flagrante de advogado preso por motivo ligado ao exercício da profissão, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI 1127, entendeu pela valia do

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auto de prisão em flagrante, caso a OAB, devidamente comunicada, não se faça presente em tempo razoável. Quanto aos doentes mentais, apesar de serem inimputáveis (artigo 29 do Código Penal), é possível que sejam presos em flagrante, uma vez que a eles pode ser aplicada medida de segurança, cabendo, no caso, a instauração de incidente de insanidade mental (conforme estabelecido no artigo 148 do Código de Processo Penal), com vistas à verificação se, ao tempo da infração, era inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE É o documento que formaliza a prisão. Para sua lavratura é indispensável que haja certeza acerca da materialidade delitiva e indícios mínimos de autoria. Como regra, a autoridade policial que tem atribuição para a lavratura do auto de prisão em flagrante é a do local em que foi realizada a prisão, ainda que seja outro o local do crime. Todavia, caso seja lavrado por outra autoridade que não aquela com atribuição na circunscrição no local em que foi efetivada a prisão, segundo entendimento da jurisprudência, não há nulidade. Depois de lavrado o auto pela autoridade com atribuição no local da prisão, o mesmo será encaminhado à autoridade do local onde o crime foi praticado, que é quem tem atribuição para as investigações. Caso não haja autoridade policial no lugar em que tiver se efetuado a prisão, o preso será logo apresentado à do lugar mais próximo. É o que se depreende do artigo 308 do Código de Processo Penal. Na hipótese de crime militar, a autoridade que lavra o auto é o oficial militar designado, que também presidirá o inquérito policial militar. Quando o crime for praticado na presença da autoridade ou contra esta, no exercício de suas funções, ela mesma poderá presidir a lavratura do auto, do qual constarão a narração do fato, a voz de prisão, as declarações que fizer o preso e o depoimento das testemunhas, sendo tudo assinado pela autoridade, pelo preso e pelas testemunhas, e, após, remetido imediatamente ao juiz competente, salvo se for ele próprio a autoridade que presidiu o auto (artigo 307, do Código de Processo Penal). Neste caso, é imprescindível que o delegado de polícia ou o juiz de direito, ou, ainda, a autoridade administrativa competente estejam no exercício de suas funções. O Código de Processo Penal não fixou qual o prazo que deve ser observado pela autoridade para a lavratura do auto de prisão em flagrante. Não obstante, o artigo 306, § 2º do Código de Processo Penal (com redação dada pela Lei 11.449/2007), estabeleceu que, dentro de 24 horas após a prisão, deve ser entregue ao preso Nota de Culpa, assinada pela autoridade, na qual constará o motivo da prisão, o nome do condutor e o das testemunhas. Portanto, com base no referido dispositivo, a doutrina tem

que deu nova redação ao caput e ao § 3º. lavrando-se. conforme estabelece o artigo 304. § 2º. sendo que. é possível que os policiais sejam considerados testemunhas. as testemunhas. para o fim de integrar o número mínimo exigido. a lei exige que. assim. do artigo 304 do Código de Processo Penal. como nem sempre o flagrante é presenciado por mais de uma pessoa. procedendo. 306.113/2005. sejam ouvidas duas testemunhas. com a tomada por termo de seu depoimento e colheita de sua assinatura desde logo. a falta da entrega da Nota de Culpa ou mesmo a sua entrega fora do prazo assinalado gera nulidade à prisão. uma vez que utiliza a palavra testemunha no plural (“testemunhas”). no mínimo. houve uma alteração em relação ao procedimento a ser observado pela autoridade policial no momento da lavratura do auto de prisão em flagrante. não haverá impedimento à lavratura do auto. deverá esta ouvir o condutor. após cada oitiva a respectiva assinatura. Até o advento dessa Lei a autoridade policial. foi possibilitar a dispensa dos condutores. à oitiva das testemunhas que acompanharam o condutor e ao interrogatório do conduzido. de acordo com a nova sistemática. mediante o respectivo recibo. nesta hipótese. de 13 de maio de 2005. . Por constituir formalidade essencial referente à liberdade da pessoa. na falta de testemunhas presenciais do fato. Observe-se que. Todavia. Da mesma forma. devia lavrar o auto de prisão em flagrante. ao final. e em seguida. a assinatura e entregando cópia do termo ao preso. já que é dentro desse prazo que a Nota de Culpa deve ser entregue ao preso. Além disso. ensejando o seu relaxamento. § 2º. indiretas ou de apresentação). Com o advento da Lei 11. Observa-se. sendo que. que a finalidade do legislador. com a apresentação do preso. do Código de Processo Penal. Justamente para comprovar a entrega da Nota de Culpa no prazo é que o art. serão liberadas. com a apresentação do preso à autoridade policial. o auto de prisão em flagrante.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL PENAL – TOMO II – PROFª ROSANE CIMA CAMPIOTTO 3 entendido que é de 24 horas o prazo para a autoridade lavrar o auto. impedindo que permaneçam durante longo período na Delegacia de Polícia. as testemunhas que o acompanharam. desde logo. previu que a entrega será realizada “mediante recibo” do preso. para que possam retornar às suas atividades normais. ouvindo o condutor. deverão assinar o auto de prisão duas testemunhas que tenham presenciado a apresentação do preso à autoridade policial (testemunhas instrumentárias. colhendo deste. colhendo. depois de ouvidas e colhidas as respectivas assinaturas nos termos. muitas vezes demorado. em seguida. aguardando a lavratura do auto de prisão em flagrante. Agora.113. normalmente policiais militares ou civis no regular exercício de suas funções. é possível computar-se o condutor dentro desse número mínimo. com edição da Lei 11. interrogando o conduzido. em relação e estas últimas. dentro do menor prazo possível.

Quanto à alegação de eventual nulidade. não ensejando o seu relaxamento. exceto quando se tratar de infração de que se livra solto (artigo 321 do Código de Processo Penal) ou se. a autoridade policial mandará que o mesmo seja recolhido à prisão (custodiado). resultar fundada suspeita contra o conduzido. tomada por termo). há alguns julgados da mesma Corte entendendo que há nulidade do auto de prisão lavrado. não havendo nulidade decorrente da ausência do interrogatório. . do Código de Processo Penal. hospitalizado.113/05. não souber ou não puder fazê-lo.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL PENAL – TOMO II – PROFª ROSANE CIMA CAMPIOTTO 4 Em relação ao § 3º. do Código de Processo Penal que. a formalidade constitucional foi cumprida. inciso LXII. na presença do preso. por exemplo. devendo alertá-lo sobre o seu direito constitucional de ficar em silêncio. ao estabelecer que “A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada”. Todavia. da Constituição Federal. assegurado pelo artigo 5º. a autoridade policial somente poderá proceder à lavratura do auto de prisão em flagrante se houver. da Constituição Federal. deve-se presumir que. 2ª parte. decorrente da inobservância do preceito constitucional. comunicar a prisão à família do preso. No caso de ação de iniciativa privada ou de ação pública condicionada à representação. no seu artigo 306. diante da ausência de qualquer menção. caso contrário. afiançável a infração. diante da falta de regulamentação legal acerca de tal providência. Antes de ouvir o conduzido. a autoridade policial deve. que também teve sua redação modificada pela Lei 11. o Superior Tribunal de Justiça já entendeu não haver nulidade na prisão. porém. se o acusado se recusar a assinar. do artigo 304. que imponha a obrigação de constar nos autos que tal comunicação tenha sido efetivada ou. Por outro lado. § 1º. ao menos. enviando o auto de prisão em flagrante para a autoridade policial que detenha tal atribuição. Também o Código de Processo Penal. se tiver atribuição para tanto. foi estabelecido que. prestar a fiança. ou. Contudo. o auto de prisão em flagrante será assinado por duas testemunhas que tenham acompanhado a leitura do auto. possibilitada. há diversos julgados entendendo que a presença do defensor. Caso o conduzido não possa ser ouvido imediatamente (por estar. se das oitivas realizadas. por parte da vítima. caput (com redação dada pela Lei 11449/2007). por força do artigo 5º. No momento do interrogatório do conduzido. supre a falta de comunicação da prisão à família. inciso LXIII. prosseguindo nas investigações. reafirma essa exigência. no momento da lavratura do auto. ou à pessoa por ele indicada. manifestação formal (escrita ou oral. Dispõe o artigo 304. embriagado ou ferido) será ouvido posteriormente. deve a autoridade policial observar as regras legais relativas ao interrogatório judicial.

diante de eventual ilegalidade existente. mas sujeita a autoridade policial à responsabilização administrativa e criminal (crime de abuso de autoridade. da Constituição Federal. qual seja..” Ao receber cópia do auto de prisão em flagrante. Também o membro do Ministério Público. quando vislumbrar a presença de ilegalidade. Encerrado o auto. à Defensoria Pública. previsto no artigo 4º. se o juiz notar a existência de qualquer ilegalidade imediatamente relaxará a prisão. acompanhado de todas as oitivas colhidas.. caput e § 1º. se não resultar fundada suspeita contra o conduzido. na condição de fiscal da lei (“custos legis”) poderá requerer o relaxamento da prisão realizada. do Código de Processo Penal. “c”. a autoridade policial deverá encaminhar cópia do auto de prisão em flagrante. a autoridade policial poderá relaxar a prisão. será encaminhado ao juiz competente o auto de prisão em flagrante acompanhado de todas as oitivas colhidas . se o preso não fornecer o nome de seu advogado. nas vinte e quatro horas que se seguem à prisão. do Código de Processo Penal. A falta de comunicação da prisão à autoridade judiciária. § 1 º. dentro do prazo de 24 horas. . conforme estabelecido no artigo 306. a nota de culpa. conforme redação dada pela Lei 11449/07: “A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada” e “§ 1º: Dentro em 24 h (vinte e quatro horas) depois da prisão. na hipótese inversa. de acordo com a redação dada pela Lei 11449/07 ao artigo 306. assegurando o direito de liberdade da pessoa que se encontra presa. insta consignar que. do artigo 5º. Tal exigência está expressa no artigo 306. não acarreta a nulidade do auto nem da prisão. ao preso. declarando os motivos de tal decisão. conforme prevê o inciso LXV. a Defensoria possa tomar as medidas judiciais cabíveis para fazer cessar a ilegalidade. Por fim. deve ser entregue. a prisão deverá ser comunicada ao juiz competente. mediante o envio de cópia do auto de prisão em flagrante lavrado. do Código de Processo Penal. Frise-se que. § 2º. da Lei 4898/65). segundo entendimento predominante da Jurisprudência. Tal providência se destina a possibilitar que.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL PENAL – TOMO II – PROFª ROSANE CIMA CAMPIOTTO 5 Assim.

Distinguir flagrante compulsório de flagrante facultativo? Quem pode ser o sujeito passivo da prisão em flagrante? Explique. das oitivas realizadas. No que consiste o auto de prisão em flagrante? O que é necessário para que ele seja lavrado? Qual é a autoridade que tem atribuição para a lavratura do auto de prisão em flagrante? O que ocorre se no local em que for efetivada a prisão não houver tal autoridade? Explique. verificar que não existe fundada suspeita contra o conduzido? Explique. não resulta fundada suspeita contra o conduzido. 17. embriagado ou ferido. Quem pode ser o sujeito ativo da prisão em flagrante? Explique. 4. depois de lavrado o auto de prisão em flagrante.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL PENAL – TOMO II – PROFª ROSANE CIMA CAMPIOTTO 6 QUESTÕES 1. 14. O advogado pode ser preso em flagrante? Explique. 5. 12. O que é necessário para que seja lavrado o auto de prisão em flagrante em relação a crime de ação privada ou de pública condicionada a representação? Qual o procedimento que deve ser adotado pela autoridade quando. . 10. 16. após lavrar o auto de prisão em flagrante. Qual é o prazo para a lavratura do auto de prisão em flagrante? Explique. Qual é o número de testemunhas exigido para a lavratura do auto de prisão em flagrante? O que ocorre se tal número não for atingido? Explique. 15. Qual as formalidades que devem ser cumpridas pela autoridade depois de lavrado o auto de prisão em flagrante? Qual a conseqüência do não atendimento a essas formalidades? Explique. declarando os motivos de tal decisão b. Assinale a alternativa incorreta: a. 7. Os doentes mentais podem ser presos em flagrante? Explique. 13. 11. 9. Qual é a finalidade da entrega da nota de culpa? Em que prazo deve ocorrer? Qual a conseqüência da falta da entrega da nota de culpa? Explique qual é o procedimento para a lavratura do auto de prisão em flagrante. 2. Quem preside a lavratura do auto de prisão em flagrante quando o crime for praticado na presença da autoridade ou contra esta. 6. Quais as formalidades que devem ser cumpridas pela autoridade policial antes e durante a oitiva do conduzido? Explique. já que não é possível que seja ouvido em momento posterior 8. caso o conduzido não possa ser ouvido no momento da lavratura do auto de prisão em flagrante. a autoridade policial poderá relaxar a prisão. verificando que. 3. ocorrerá nulidade. por estar hospitalizado. no exercício de suas funções? Explique.

mesmo que se trate de crime militar .CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO PROCESSUAL PENAL – TOMO II – PROFª ROSANE CIMA CAMPIOTTO 7 c. a autoridade judiciária deverá relaxar a prisão d. a autoridade responsável pela lavratura do auto de prisão em flagrante é a policial. se verificar a existência de alguma ilegalidade ao receber a cópia do auto de prisão em flagrante delito.

DIREITO ADMINISTRATIVO CURSO A DISTÂNCIA MÓDULO X .

além do tratamento dado na Lei do Processo Administrativo Federal: A POSIÇÃO DE CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO O autor entende que. A Administração Pública estará impedida de convalidar o ato se existir impugnação administrativa ou judicial. A demonstração. A apresentação posterior do referido pleito por parte do particular convalida o ato administrativo. Este suprimento tanto pode decorrer de um ato da Administração Pública. A seguir serão abordadas duas posições doutrinárias. é denominada de confirmação. a menos que haja vício de competência em ato de conteúdo discricionário. retro. . b) quando. de tal sorte que a desconstituição do ato geraria agravos maiores aos interesses protegidos na ordem jurídica do que os resultantes do ato censurável”. Para Maria Sylvia Zanella Di Pietro. quanto de um ato do particular. Celso Antônio Bandeira de Mello chama de saneamentos apenas a convalidação decorrente de ato de particular. A resposta depende da corrente adotada. com efeitos retroativos à data em que este foi praticado” (Maria Sylvia Zanella Di Pietro). a renúncia da Administração ao poder de anular o ato ilegal. situação que encontra amparo em norma protetora de interesses hierarquicamente superiores ou mais amplos que os residentes na norma violada. ainda que tardia. a não ser que a situação já esteja estabilizada pelo direito. Há uma exceção: admita-se que o ato vinculado tenha sido expedido sem motivação. se há possibilidade de convalidação. segundo o autor citado. também chamada de saneamento. Discute-se se a convalidação é ato vinculado ou discricionário. acerca dos motivos preexistentes à expedição do ato o convalida. Ex: exoneração do servidor a pedido sem que inicialmente tenha havido pedido. A estabilização. o particular devesse manifestar sua vontade e não o tenha inicialmente feito. A convalidação somente é possível se o ato puder ser reproduzido validamente no momento presente. “é o ato administrativo pelo qual é suprido o vício existente em um ato ilegal. o ato deverá ser anulado. na hipótese aventada no item “b”. ocorre em duas hipóteses: a) quando já se escoou o prazo prescricional para a Administração invalidar o ato. a Administração Pública deve optar por tal solução. A autora denomina confirmação tácita a hipótese tratada no item “a” retro mencionado. Não havendo possibilidade de convalidação.DIREITO ADMINISTRATIVO – PROFª CRISTINA APARECIDA FACEIRA MEDINA MOGIONI CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 1 CONVALIDAÇÃO Convalidação. não obstante não decorrido o prazo prescricional. hipótese. para sujeitos de boa-fé. “o ato viciado se categoriza como ampliativo da esfera jurídica dos administrados e deles decorrem sucessivas relações jurídicas que criaram. quando na.

Pela conversão. e outras vezes. se de conteúdo vinculado. de sorte que. Em se tratando de competência exclusiva. não será possível a convalidação. receberá o nome de ratificação. seja ela tomada em sentido amplo ou estrito. no entanto. Havendo vício quanto à forma: admite-se a convalidação desde que ela não seja essencial à validade do ato. chama de confirmação a convalidação do ato por autoridade administrativa diversa daquela que o expediu. quando é possível a convalidação. que é algo diverso da convalidação. como o fato e o direito existente à época da prática do ato administrativo não podem ser retroativamente alterados. da Constituição Federal. se o ato foi praticado por sujeito incompetente. Ex: a competência de dispor. com efeitos retroativos à data do ato administrativo . sobre a organização e funcionamento da Administração federal é do Presidente da República. Pode ocorrer a conversão. como é o caso de Celso Antônio. convalidando-o. sem receber delegação do Presidente da República. apartando-se a Administração Pública de qualquer fim de interesse público ou desviando-se do fim específico disposto em lei para o caso. a convalidação aparece como faculdade da Administração Pública. A POSIÇÃO DE MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO A autora entende que. é possível a convalidação se o ato não era de competência exclusiva de determinada autoridade. No que se refere à finalidade. não há possibilidade de convalidação. tendo em vista os vícios que atingem cada um dos elementos dos atos administrativos. Resta saber. mediante decreto regulamentar. dispôs sobre a organização e funcionamento da Administração Federal relativamente à sua pasta. o ato de convalidação é vinculado. que outros autores.DIREITO ADMINISTRATIVO – PROFª CRISTINA APARECIDA FACEIRA MEDINA MOGIONI CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 2 Ressalte-se. conforme os ensinamentos da autora. poderá o Presidente da República ratificar o ato. a convalidação é obrigatória. às vezes. Havendo vício quanto ao sujeito. Havendo vício quanto ao objeto ou conteúdo: não é possível a convalidação. o ato administrativo é trespassado de uma categoria onde é considerado inválido para outra categoria onde passa a ser considerado válido. não há lugar para convalidação. isto é. denominando ratificação a convalidação do ato feita pela mesma autoridade que o praticou. o ato deve ser anulado. no caso. O motivo é o pressuposto de fato e de direito em que se funda o ato administrativo. discricionário. VI. Tratando-se de vício quanto ao sujeito que pratica o ato. se de conteúdo discricionário. A convalidação. verificado que um Ministro de Estado. ainda. o parágrafo único do mesmo artigo permite a delegação de tal atribuição aos Ministros de Estado. nos termos do que estabelece o artigo 84. Havendo vício quanto ao motivo e à finalidade: não é possível a convalidação. Isto é. No entanto.

então. Vê-se. Quanto a seus destinatários: os atos administrativos classificam-se em gerais e individuais. quanto os atos externos. Ex: conversão da nomeação em comissão para alguém ocupar cargo efetivo em nomeação em comissão para ocupar cargo em comissão. sendo suficiente a cientificação dos destinatários.DIREITO ADMINISTRATIVO – PROFª CRISTINA APARECIDA FACEIRA MEDINA MOGIONI CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 3 convertido. Por serem atos normativos. Tanto os atos internos. São internos os atos que só produzem efeitos no interior das repartições administrativas. Quanto ao seu alcance: atos administrativos internos e externos. podem ser revogados a qualquer momento. Quanto ao seu objeto: os atos administrativos são de império. CLASSIFICAÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS A classificação dos atos administrativos varia de autor para autor. os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração”. que se destinam a todas as pessoas numa mesma situação. . já que ela aparece como faculdade da Administração. nos termos do art. ressalvando-se a via de argüição de inconstitucionalidade.784/99 (LEI DO PROCESSO O artigo 55. Ex: nomeação de servidor. Os atos administrativos gerais são os atos normativos. Os atos de efeitos internos dispensam a publicação em órgão oficial para que tenham vigência. a. b. submetem os atos individuais. c. Os atos individuais são os destinados a pessoa ou pessoas determinadas. 103 da Constituição Federal. O TRATAMENTO DADO NA ADMINISTRATIVO FEDERAL) LEI 9. são os atos que produzem efeitos para além do interior das repartições administrativas. da Lei mencionada dispõe que: “em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros. que a lei trata da convalidação como ato discricionário. podem ser gerais ou individuais. de gestão e de expediente. apresentam vários traços peculiares: não podem ser diretamente atacados administrativa ou judicialmente pela pessoa interessada. Abaixo é destacada a classificação mais usual. Os atos de efeitos externos não dispensam a publicação em órgão oficial para que tenham vigência. Externos. por sua vez.

Simples são os atos que decorrem da manifestação de um só órgão. Os atos de gestão são os praticados pela Administração Pública sem as prerrogativas de autoridade. reporta-se ao tópico de nº 5. não se responsabilizava o monarca pelos atos de autoridade. visando gerir seus bens e serviços. não existe a categoria dos atos compostos. . visto. Essa classificação é repudiada por alguns autores porque não mais estão presentes as razões históricas que justificavam o discrímen entre atos de império e de gestão. sem qualquer conteúdo decisório. Como o rei não podia errar (the king can do no wrong/ Le roi ne peut mal faire).. Ordinariamente. unitários ou colegiados. a classificação surgiu para abrandar a teoria da irresponsabilidade do monarca. a utilização de um bem público por um particular. os atos que dependem de aprovação. Quanto ao seu regramento: os atos administrativos são vinculados e discricionários. Quanto às razões históricas. Complexos são os atos que decorrem da manifestação de pelo menos dois órgãos. Alguns autores ainda incluem nesta categoria os atos negociais com os administrados. complexos e compostos. responsabilizando-se a Administração Pública pelos atos de gestão. são atos compostos. Compostos são os atos que resultam da vontade de um órgão. homologação. e. sob um regime jurídico derrogatório do direito comum. Exemplo: a concessão de aposentadoria ao servidor em razão de invalidez depende de laudo técnico que ateste dita invalidez. d. Quanto à formação dos atos: classificam-se em simples. cujas vontades formam um ato único. deliberação do Tribunal de Impostos e Taxas. bem como porque muitos atos praticados na gestão do patrimônio público e dos serviços públicos são praticados com base no poder de império da Administração Pública. Para não repetir a matéria. laudo técnico. etc. Os atos de expediente são os destinados a conferir andamento aos processos e papéis nas repartições públicas. sendo informado por prerrogativas concedidas à Administração Pública em relação aos administrados. Os atos se dividem em simples e complexos. Para Celso Antônio Bandeira de Mello.DIREITO ADMINISTRATIVO – PROFª CRISTINA APARECIDA FACEIRA MEDINA MOGIONI CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 4 Os atos de império caracterizam-se por sua imposição coativa aos administrados. Exemplo: desapropriação de bem imóvel pelo Presidente da República. mas dependente da manifestação prévia ou posterior por parte de outro órgão. seja unitário ou colegiado. Exemplo: decreto do Presidente da República referendado pelo Ministro de Estado. por exemplo. como.

diante do atual ordenamento jurídico. Quanto à forma. permissão e admissão). procedida por autoridade de um dado órgão. Atende a um interesse do administrado. A LICENÇA. designar a permissão de serviço público como ato administrativo. os atos administrativos podem ser negociais (autorização. ATOS ADMINISTRATIVOS EM ESPÉCIE Maria Sylvia Zanella Di Pietro aponta a seguinte divisão: atos administrativos quanto ao conteúdo e quanto à forma de que se revestem. mediante o qual a Administração Pública faculta ao administrado o exercício de uma atividade. precário.987/95. de cunho discricionário. que deve recair sobre pessoa cujo nome consta de lista tríplice elaborada por outro órgão. sendo impróprio. O autor cita o exemplo de nomeação. despacho e alvará. mediante o qual a Administração Pública outorgava ao particular a execução de um serviço público ou a utilização privativa de bem público. sendo. a internação hospitalar em estabelecimento público de saúde. mediante o qual a Administração Pública faculta ao administrado a prática de ato material ou o uso privativo de bem público. Ex: licença para construir. razão pela qual a Lei 8. a quem atende aos requisitos legais. a Constituição Federal. de regra. desde que preenchidos os requisitos legais. destacam-se os seguintes atos: decreto. de controle (aprovação e homologação) e enunciativos (parecer e visto). . cuida da permissão de serviço público como contrato. gratuito ou oneroso. Atende a um direito do administrado. então. A licença: é ato unilateral. Ex: autorização para porte de arma. circular. Ex: o ingresso de um estudante em estabelecimento oficial de ensino. A PERMISSÃO. portaria. ATOS ADMINISTRATIVOS QUANTO AO CONTEÚDO ATOS ADMINISTRATIVOS NEGOCIAIS: A AUTORIZAÇÃO. menciona a permissão como contrato de adesão. A ADMISSÃO A autorização: é ato unilateral. Ex: permissão de serviço público de transporte e permissão de instalação de banca de jornal em calçadas. No entanto. Quanto ao conteúdo. A admissão: é o ato unilateral e vinculado pelo qual a Administração Pública confere. A permissão: tradicionalmente era entendida como ato administrativo discricionário e precário. que disciplina as concessões e permissões de serviço público. de cunho vinculado. I. em seu artigo 175. licença.DIREITO ADMINISTRATIVO – PROFª CRISTINA APARECIDA FACEIRA MEDINA MOGIONI CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 5 Estes últimos são os que resultam da conjugação de vontades de órgãos diferentes. a inclusão em estabelecimento governamental para a fruição de um serviço público. resolução.

DIREITO ADMINISTRATIVO – PROFª CRISTINA APARECIDA FACEIRA MEDINA MOGIONI CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X 6 ATOS ADMINISTRATIVOS HOMOLOGAÇÃO DE CONTROLE: APROVAÇÃO E A aprovação: é ato unilateral e discricionário pelo qual a Administração Pública exerce o controle sobre um certo ato jurídico.VI. ATOS ADMINISTRATIVOS QUANTO À FORMA O decreto: é a forma pela qual se revestem os atos individuais ou gerais praticados pelos Chefes do Poder Executivo nas diversas esferas de governo (Presidente da República. da Lei 10. ATOS ADMINISTRATIVOS ENUNCIATIVOS: O PARECER E O VISTO O parecer: “é o ato mediante o qual os órgãos consultivos emitem opiniões sobre assuntos técnicos ou jurídicos de sua competência” (Maria Sylvia Zanella Di Pietro / pág. A resolução e a portaria: são formas pelas quais se revestem os atos gerais ou individuais praticados por outras autoridades.177/98). reservando-se a portaria para todas as autoridades. IV. manifestando-se prévia ou posteriormente à sua prática. constitui condição de eficácia do ato. internas e uniformes. até o nível de Diretor de Serviço. da Lei 8. decreto de nomeação (ato individual). 222). Ex: artigo 49. a não ser que a lei estabeleça tal vinculação na hipótese em concreto. veiculando ordens escritas. Ex: homologação do procedimento licitatório pela autoridade competente (art. A homologação: é ato unilateral e vinculado pelo qual a Administração Pública exerce o controle de legalidade do ato administrativo a posteriori. bem como a outras autoridades administrativas. das autoridades aos seus subordinados. A circular: visam ao ordenamento do serviço. quando estabelecido em norma legal específica (artigo 12. Governadores e Prefeitos). às autoridades policiais. da CF. não implica concordância quanto ao seu conteúdo. Ex: decreto regulamentar (ato geral). Por ser discricionário. a resolução é ato administrativo de competência privativa dos Secretários de Estado. O parecer não é vinculativo para a autoridade Administrativa. aos dirigentes das entidades descentralizadas. diversas dos Chefes do Executivo. Ex: visto do chefe imediato a pedido encaminhado por servidor à autoridade de superior instância.666/93). 43. do Procurador Geral do Estado e dos Reitores das Universidades. No Estado de São Paulo. . O visto: é ato unilateral de controle formal de outro ato jurídico.

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O despacho: são as decisões proferidas pela autoridade administrativa em requerimentos e processos sujeitos à sua apreciação. Falase em despacho normativo sempre que uma decisão conferida a um caso concreto deva ser observada, por determinação da autoridade, para todos os outros casos idênticos. O alvará: é a forma pela qual se revestem a licença e a autorização para a prática de ato submetidos ao poder de polícia. Ex: alvará para porte de arma para pesca; alvará de licença para dirigir. OBSERVAÇÃO: Diante da diversidade do sentido dado a certos vocábulos relacionados aos atos administrativos, segue a opinião dos autores citados no texto, esclarecendo o significado apontado por cada um, para melhor compreensão: CONVALIDAÇÃO OU SANEAMENTO: para Maria Sylvia Zanella Di Pietro, são expressões sinônimas. SANEAMENTO: para Celso Antônio Bandeira de Mello é restrita à convalidação por ato de particular. CONFIRMAÇÃO: para Celso Antônio é a convalidação feita por autoridade diversa da que praticou o ato. Para Maria Sylvia, confirmação corresponde à renúncia da Administração Pública ao poder de anular o ato, que pode ocorrer sempre que a anulação causar prejuízo maior do que a manutenção do ato. A autora denomina confirmação tácita a decorrente da prescrição do direito de anular o ato. RATIFICAÇÃO: para Celso Antônio é a convalidação feita pela própria autoridade que praticou o ato. Para Maria Sylvia é a convalidação do ato com vício quanto ao sujeito.

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QUESTÕES 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29. 30. 31. 32. 33. 34. O que é convalidação? É possível convalidar o ato administrativo diante da existência de impugnação administrativa ou judicial? Há exceções? A convalidação é ato vinculado ou discricionário? Como se posiciona a doutrina a respeito do assunto? O que é a ratificação? É possível convalidar ato administrativo havendo vício quanto ao motivo e à finalidade? Por quê? É possível a convalidação de ato administrativo se houver vício quanto ao seu objeto ou conteúdo? O que é a conversão de ato administrativo? Como se classificam os atos administrativos, segundo a classificação mais usual? O que são atos administrativos gerais? O que são atos administrativos individuais? O que são atos administrativos internos? O que são atos administrativos externos? O que são atos administrativos de império? O que são atos administrativos de gestão? O que são atos administrativos de expediente? O que são atos administrativos simples? O que são atos administrativos complexos? O que são atos administrativos compostos? Como se dividem os atos administrativos quanto ao seu conteúdo? O que é autorização? O que é licença? O que é permissão? A partir da Constituição Federal de 1988, está correto designar a permissão de serviço público como ato administrativo? O que é a admissão? O que é aprovação? O que é homologação? O que é parecer? O que é visto? Como se dividem os atos quanto à sua forma? O que é decreto? O que é resolução e portaria? O que é circular? O que é despacho? O que é alvará?

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eficácia e aplicabilidade das normas constitucionais constituem fenômenos conexos. mesmo as denominadas programáticas. No sentido jurídico a eficácia diz respeito à aplicabilidade. de uma maneira geral. Aplicabilidade é o enquadramento de um caso concreto a uma determinada norma. p. pois “uma norma pode ter eficácia jurídica sem ser socialmente eficaz. “é a capacidade de atingir objetivos previamente fixados como metas”. Os dois sentidos da palavra eficácia (social e jurídico).Ob. efeitos jurídicos”.60 2 . Por conseguinte. Eficácia e Aplicabilidade das Normas Constitucionais.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CONSTITUCIONAL . possibilidade e não efetividade. em maior ou menor grau. encarados por prismas diferentes: aquela como potencialidade. como possibilidade de sua aplicação jurídica. São Paulo. leciona José Afonso da Silva: “Uma norma só é aplicável na medida em que é eficaz. Cabe assinalar que. em suma. aspectos talvez do mesmo fenômeno. 1 praticidade ”. esta como realizabilidade. algumas social e jurídica. 2004. Nesse sentido. 6ª edição. também chamada de “efetividade”. Esta pode ser encarada sob dois aspectos: o sintático (diz respeito às relações de coordenação e subordinação das normas constitucionais) e o semântico (sobre sua capacidade de gerar direito subjetivo).. é a “concreta observância da norma no meio social”. como por exemplo. todas as normas constitucionais possuem eficácia jurídica. isto é. p. b) eficácia jurídica. Todavia. outras apenas social. duas espécies de eficácia: a) eficácia social. e não ser efetivamente 2 cumprida no plano social” . Existem. pode gerar certos efeitos jurídicos. é a atuação concreta da norma. portanto. 3ª tiragem. embora diversos. o de revogar normas anteriores. cit. são conexos. uma verdade é certa. Assinalar exatamente qual o grau de eficácia e aplicabilidade de uma norma não é tarefa fácil. 66. . exigibilidade ou executoriedade da norma. Malheiros. 1 . ou seja. todas as normas apresentam uma eficácia. . Percebe-se assim que o assunto é debatido de forma ampla pela doutrina.PROF. Tudo depende da legislação infraconstitucional complementar e da interpretação dada ao dispositivo constitucional correlato. que “designa a qualidade de produzir. CAIO MARCO BERARDO 1 EFICÁCIA E APLICABILIDADE Eficácia de uma norma é a “aptitude” para ser aplicada aos casos concretos (potencialidade).

as normas preceptivas. anteriormente editadas. a não ser quando caírem em desuso. os meramente indicativos e os impositivos. A partir dos estudos de Gaetano Azzariti. a autora aponta que a norma tem possibilidade de ser aplicada. têm vigência. pelos destinatários. A doutrina passou a classificá-las da seguinte forma: a) diretivas ou programáticas. As normas diretivas seriam dirigidas ao legislador encarregado da elaboração da legislação infraconstitucional. Conseqüentemente. a partir do instante em que se cumpriram as condições para tanto exigidas (eficácia jurídica). os comandos jurídicos que contêm. com o avançar dos estudos. Em outras palavras. Ugo Natoli e Balladore Pallieri. reconheceu-se que eram determinadoras de um comando.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CONSTITUCIONAL . Por outro lado. Estas cumprem. vez que. elas se resumiriam a meros enunciados. o grau da eficácia se refere à mensuração das normas. Todas as normas dispostas na Constituição são comandos jurídicos. mas não possuem eficácia (eficácia social). que por violentarem a consciência coletiva não são observadas nem aplicadas. Tal classificação deu-se para reconhecer duas espécies de efeitos. b) preceptivas. há casos em que o órgão competente emite normas. ou seja. Com relação à eficácia em sentido técnico. ou não. ou de aplicabilidade imediata. enquanto esta não surgisse. por isso. não apresentariam todos os elementos necessários à concretização imediata do seu conteúdo. bases e indicativos filosóficos das diretrizes e objetivos do governo. por modificarem ou ab-rogarem leis contrárias. Dotadas de maior concretude é possível encontrar nessas normas todos os elementos necessários à plena produção de seus efeitos. Explica a autora. tais normas foram divididas em duas categorias: as normas diretivas (ou programáticas) e as normas preceptivas. a eficácia se refere ao fato de ser possível detectar a que título os destinatários da norma se ajustam a seu comportamento. obrigatórias. dotadas de uma ordem efetiva e exigem cumprimento. só logrando. ou produzir seus próprios efeitos jurídicos. às prescrições que contêm. ser cumpridas de modo compulsório. sem haver qualquer relação de dependência da sua observância. de exercer. ou seja. constatou-se que qualquer norma constitucional não pode jamais ser totalmente desprovida de eficácia.PROF. seriam aquelas diretamente direcionadas cidadão e ao juiz. Essa idéia não perdurou por muito tempo na Itália e foi muito criticada por Flamínio Franchini. conseqüentemente. as normas diretivas apresentavam-se com alto teor de abstração e imperfeição. Os primeiros debates referentes à eficácia e aos efeitos das normas constitucionais deram-se na Itália. em maior ou menor grau. CAIO MARCO BERARDO 2 Para Maria Helena Diniz. ou não. dirigidas ao legislador sem excluírem a possibilidade de existirem leis editadas em desacordo com elas. . e as normas diretivas foram elevadas à condição das preceptivas.

encontra-se ainda a seguinte classificação das normas constitucionais: a) prescrições mandatárias (mandatory provisions). Utilizando-se do mesmo critério. para sua incidência. Essas por sua vez se subdividem: a) de legislação que não permitiriam aplicação imediata por razões técnicas b) programáticas que seriam preceptivas. de cumprimento irrecusável. realizada pela doutrina norte americana liderada.PROF. “quando uma regra se basta por si mesma. dividiu as normas em duas categorias a primeira não dependendo da edição de leis infraconstitucionais ao contrário da segunda: Self-Executing ou Self-Enforcing ou Self Acting Not Self-Executing ou Not Self-Enforcing ou Not Self Acting Nos Estados Unidos. CAIO MARCO BERARDO 3 c) preceptivas. embora não alcancem a eficácia das leis anteriores enquanto a sua aplicação estiver suspensa. por Tomas Cooley. dizem-se não-bastantes em si”. tornando sem efeito novas leis que as violarem. . obrigatórias. por serem normas constitucionais materiais e essenciais. Quando. Seriam. se tiverem conteúdo regulamentar. permitindo ao legislador dispor diferentemente.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CONSTITUCIONAL . ou não. A primeira classificação. porém. Divergiu de Ruy Barbosa quanto a uma denominação. regulamentação para sua aplicação. diz-se bastante em si. Entretanto estariam dotadas de efeito paralisante impedindo a edição de qualquer norma jurídica contrária a ela. atribuindo-lhe direitos subjetivos. não poderiam incidir e ser aplicadas. sem a criação de novas regras jurídicas que as complementem ou suplementem. principalmente ao Legislativo. em especial: preferiu nominá-las normas bastantes em si. Esse pensamento foi fortalecido a partir da obra de Vezio Crisafulli que classificou as normas constitucionais em dois grandes grupos: • Normas constitucionais de eficácia plena e com imediata aplicação. diversas classificações surgiram por outros autores: Pontes de Miranda ensinou que.. • Normas constitucionais de eficácia limitada. voltadas aos órgãos estatais. pois. normas de eficácia negativa. precisa das regras jurídicas de regulamentação porque. b) prescrições diretórias (directory provisions). mas sem aplicabilidade imediata. no entanto. normas não bastantes em si. conforme dispensassem.

ela permanece como plena. desde logo exigíveis” . subdividindo esse último grupo em normas de conteúdo institutivo ou programático. José Afonso da Silva afirma: “são as que receberam do constituinte normatividade suficiente a sua incidência imediata. Eficácia e Aplicabilidade das Normas Constitucionais. prorrogável uma vez por igual período”. 1988.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CONSTITUCIONAL . ou de conteúdo redutível ou restringível por Michel Temer. .PROF.101. EFICÁCIA CONTIDA Também denominada eficácia prospectiva. CAIO MARCO BERARDO 4 Além disso. constituinte ou não. ou seja. pelas quais se hão de orientar os poderes públicos”. 3 . ou limitada. José Afonso da. são normas de aplicabilidade imediata. designa normas programáticas como “aquelas em que o legislador. SILVA. Algumas Classificações: Rui Barbosa Pontes de Miranda Jorge Miranda Auto executáveis Bastante em si Não executáveis Não bastante em si Exeqüíveis por Não exeqüíveis si mesma por si mesma Luiz Alberto Davi Araujo e Vidal Serrano Nunes Júnior comentam uma série de classificações feitas pela doutrina e apontam logo de início a clássica divisão realizada por José Afonso da Silva colocando as normas como sendo de eficácia plena. porém seus efeitos podem ser limitados através da edição de normas infraconstitucionais posteriores. Malheiros Editores. contida. direta e integral. Situam-se predominantemente entre os elementos orgânicos da Constituição. dentre outros.F. Como exemplo. 3 edição São Paulo. Criam 3 situações subjetivas de vantagem ou de vínculo. o artigo 37. “o prazo de validade do concurso público será de até dois anos. em vez de editar uma norma de aplicação concreta. EFICÁCIA PLENA Independem da edição de leis infraconstitucionais para produzir efeitos. apenas traça linhas diretoras. Não necessitam de providência normativa ulterior para sua aplicação. p. Enquanto não editada qualquer norma que restrinja a sua eficácia. produzem efeitos imediatamente após a promulgação de uma Constituição. São de aplicabilidade imediata. III da C.

atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”. que se resume justamente no fato de servirem como referencial interpretativo para toda legislação infraconstitucional. para isso. CAIO MARCO BERARDO 5 Exemplo clássico citado pela doutrina é o artigo 5o. impedindo. por exemplo. José Afonso da Silva. a edição de normas contrárias. Nesse sentido. em geral. No caso do advogado. necessitam da edição de outras pelo legislador infraconstitucional. EFICÁCIA LIMITADA São normas que. assegura. segundo Willis Santiago Guerra Filho) • Estabelece um dever ao legislador ordinário que pode incidir em inconstitucionalidade por omissão. a norma possui eficácia jurídica imediata. inspirado na doutrina italiana. Tendo em conta o dispositivo acima. caso não observe o comando constitucional. ser bacharel em direito por instituição legalmente reconhecida e ser aprovado no exame de ordem. a possibilidade de restringir o alcance desse mesmo direito. assinalando que. ao mesmo tempo. à princípio um direito de forma ampla. Como exemplo tem-se o artigo 64 do . são de aplicabilidade mediata e reduzida. a doutrina aponta a ocorrência do procedimento hermenêutico de bloqueio. contudo. • Impede a edição de normas contrárias a ela. A partir da existência desses efeitos. poderia exercer qualquer trabalho ofício ou profissão. deixa a critério do legislador ordinário. pois: • Revoga a legislação anterior com ela incompatível. ofício ou profissão. As normas de eficácia limitada dividem-se em dois grandes grupos: a) de conteúdo declaratório institutivo – estabelecem um esquema geral de estruturação e atribuições de órgãos ou institutos públicos para que o legislador ordinário o regulamente. a presença do efeito imediato desse tipo de norma: o garantidor ou paralisante. (procedimento hermenêutico de bloqueio. No entanto. Assim sendo. para exprimir seu real conteúdo. Anote-se.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CONSTITUCIONAL . No momento da promulgação da Constituição esse tipo de norma não possui o condão de produzir todos seus efeitos. qualquer pessoa. observa a produção de um efeito capaz de vincular o legislador infraconstitucional aos vetores apontados por esse tipo de norma. • Constitui sentido teleológico para a interpretação e integração. apesar de limitada. direta e vinculante. que restringe o alcance do dispositivo constitucional. é necessária uma série de requisitos exigidos pela lei. Esse tipo de norma. inciso XIII: “é livre o exercício de qualquer trabalho. na ausência de lei regulamentadora. porém.PROF.

Maria Helena Diniz divide as normas em quatro categorias. podendo articular-se com os governos estaduais e municipais e com instituições públicas e privadas que desejem participar dos eventos. econômica e cultural do País. b) de conteúdo declaratório programático – fixam metas. O artigo 192 § 3 revogado pela Emenda 41/03 previa a fixação dos juros no máximo de 12% ao ano foi entendido como sendo de eficácia limitada.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CONSTITUCIONAL . de eficácia relativa ou complementável são as que dependem totalmente do ordenamento infraconstitucional para surtir efeitos. dividindo as normas constitucionais quanto à eficácia da seguinte maneira: a) Normas constitucionais de organização – organizam o exercício do poder político. Equivalem às cláusulas pétreas. sem nenhuma restrição do conteúdo constitucional. São aquelas que não dependem de mais nada para serem aplicadas. 5 o . Cabe à legislação infraconstitucional estabelecer uma regra de cumprimento mais adequada para essas normas. quanto a esse critério. de sua autoria. São normas cuja matéria é insuscetível de tratamento. b) Normas constitucionais definidoras de direito – têm por objeto fixar os direitos fundamentais dos indivíduos. as normas se dividem em dois grupos: normas de aplicação e normas de integração. social. É criada uma Comissão composta de nove membros. para promover as comemorações do centenário da proclamação da República e da promulgação da primeira Constituição republicana do País. Dividem-se em: a) normas irregulamentáveis — são as que incidem diretamente sobre os fatos regulados. os direitos elencados na Ordem Social . b) normas regulamentáveis — consistem naquelas que permitem uma simples regulamentação. os exemplos 5clássicos são. a Comissão promoverá estudos. senão no nível constitucional. No desenvolvimento de suas atribuições. Art. CAIO MARCO BERARDO 6 ADCT que instituiu a criação de um conselho para a comemoração do 4 centenário da República .PROF. Luiz Roberto Barroso efetua uma classificação particular. debates e avaliações sobre a evolução política.têm por escopo traçar os fins públicos a serem alcançados pelo Estado Carlos Ayres Britto e Celso Bastos efetuam uma classificação diversa: Para os autores. programas e objetivos do Estado. Estão aptas a produzir todos os seus efeitos. impedindo qualquer regramento intercalar. Parágrafo único. Finalmente. Dependia portanto de lei para ser aplicado. desdobrar-se em tantas subcomissões quantas forem necessárias. . podendo. a seu critério. 63. em sua maioria. De eficácia restringível são aquelas que têm sua eficácia dimensionada conforme a lei. sendo três do Poder Legislativo. De eficácia plena são as que em nada dependem da legislação infraconstitucional para surtir efeitos. Supereficazes ou de eficácia absoluta são as de efeito paralisante de toda legislação que com elas sejam incompatíveis. Observe-se 4 . c) Normas constitucionais programáticas . três do Poder Judiciário e três do Poder Executivo. Normas de aplicação.

48. Saraiva. Celso Ribeiro Bastos e Carlos Ayres Britto. p. As normas de integração se dividem em dois grupos: normas completáveis . Normas de integração. ou deficiência instrumental. que diverge de integração. 1982. Enquanto isso não ocorre. . São Paulo. e se tornam. 6 .permite que o legislador infraconstitucional reduza o comando constitucional. Padecem de visceral imprecisão. CAIO MARCO BERARDO 7 que não há qualquer nenhum achatamento do comando constitucional.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CONSTITUCIONAL . as normas produzem todos os seus efeitos. existe uma permanente tensão entre a predisposição para incidir e a efetiva concreção. de 6 modo a surgir uma unidade de conteúdo entre as duas espécies normativas” . em toda a sua potencialidade. “Têm por traço distintivo a abertura de espaço entre o seu desiderato e o efetivo desencadear dos seus efeitos.PROF. mas apenas regulamentação. No seu interior.são aquelas que exigem uma legislação integrativa para a produção integral de seus efeitos. inexeqüíveis. entre elas e a sua real aplicação. normas restringíveis . Daí por que se coloca. outra norma integradora de sentido. Interpretação e aplicabilidade das normas constitucionais. por si mesmas.

ao contrário das normas de eficácia contida e limitada que necessariamente necessitam da lei infraconstitucional. d) Mesmo as normas programáticas geram alguns efeitos. Assinale a alternativa falsa. 7. Defina norma: a) de eficácia absoluta b) super eficaz c) de eficácia restringível d) de eficácia relativa e) de eficácia complementável f) de integração g) de interação 10. 6. CAIO MARCO BERARDO 8 QUESTÕES 1. Como se dividem as normas de eficácia limitada? 8. 3. a social e a jurídica. 4. à verdadeira atuação concreta da norma. e) As normas constitucionais de eficácia plena não dependem de outras para surtir efeitos. algumas social e jurídica. . 2.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO CONSTITUCIONAL . Em que se resume a eficácia de uma norma? Quais as espécies de eficácia citadas pela doutrina? Em que consiste a aplicabilidade de uma norma? Que são normas diretivas? Que são normas preceptivas? Qual a classificação tradicional das normas quanto à eficácia? Defina cada uma das espécies.PROF. Que é o procedimento hermenêutico de bloqueio? 9. outras apenas social. a) Enquanto a eficácia de uma norma corresponde à sua potencialidade para ser aplicada aos casos concretos a aplicabilidade se resume no enquadramento fático de um caso concreto a está norma. b) Existem duas espécies de eficácia. todas as normas apresentam uma eficácia. 5. c) De uma maneira geral.

DIREITO TRIBUTÁRIO CURSO A DISTÂNCIA MÓDULO X .

PROFºs. o Distrito Federal e os Municípios não obtêm recursos apenas pela cobrança de tributos da sua competência. Graficamente os repasses podem ser assim representados: União Distrito Federal Estados Municípios Outro ponto que merece destaque e que será a seguir explorado diz respeito a que a repartição não é realizada adotando-se como base o total arrecadado por cada Pessoa Política. § 5°. Veremos isto em detalhes. REPARTIÇÕES DE TRIBUTOS DA COMPETÊNCIA DA UNIÃO ITR: a União deve repassar 50% (cinqüenta por cento) do ITR arrecadado aos Municípios relativamente aos imóveis neles situados. como o artigo 153. no entanto há ainda outros dispositivos que tratam de matéria relativa a este tema. GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES e DIMAS MONTEIRO DE BARROS 1 REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS Os Estados. Assim. há os que o são e ainda há aqueles que são. recebem recursos da União. Como já vimos anteriormente. Esta redistribuição vertical da arrecadação de tributos é chamada de “Repartição das Receitas Tributárias”. há tributos que não são repartidos. entre Estados e DF. A Emenda Constitucional n° 42. mas apenas relativamente a determinadas hipóteses de incidência. e entre Municípios) e “de cima para baixo” (inexistem repasses de Estados e DF para a União. Já os Municípios. Ela é estabelecida pela própria Constituição Federal nos artigos 157 a 162. Vale dizer. por exemplo. de dezembro de 2003. ou seja. mas também do Estado em que estão situados. mas sim tributo a tributo. ao passo que o Paraná recebe recursos da União somente. – da Reforma Tributária do atual Governo – estabeleceu inovação interessante quanto à repartição da receita desse imposto. e nem de Municípios para Estados e União). Note-se que ela é vertical (não há repasses entre entes da mesma esfera. II. a . Os Estados e o DF recebem repasses da arrecadação de vários impostos da competência da União e de uma de suas contribuições.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO TRIBUTÁRIO. de forma semelhante. Curitiba recebe repasses da União e do Paraná.

ficarão com a totalidade do que arrecadarem. e os Municípios ao pagarem seus agentes (por exemplo. Por exemplo. com 100% do ITR sobre os imóveis neles situados. nenhuma destas unidades federativas pode receber mais de vinte por cento do montante entregue. que na hipótese aqui examinada de repartição do IRF não há exatamente um repasse. o mesmo se processa na relação entre o Poder Público e seus agentes. a Estados.5%) destinam-se ao Fundo de Participação dos Municípios. IRF: o imposto de renda incidente na fonte é aquele em relação ao qual o próprio agente pagador retém o montante do tributo e entrega apenas o valor líquido ao recebedor. Também pertencem aos Estados. Este deverá ser recolhido pela própria empresa aos cofres públicos e não pelos funcionários a despeito de serem os contribuintes. GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES e DIMAS MONTEIRO DE BARROS 2 mesma Emenda possibilitou aos Municípios assumirem as funções de arrecadá-lo e fiscalizá-lo. . Distrito Federal ou Municípios. outros 10% (dez por cento) da arrecadação do IPI devem ser distribuídos aos Estados e ao Distrito Federal na proporção do valor das suas respectivas exportações de produtos industrializados.PROFºs. e os 3% (três por cento) restantes para aplicação em programas de financiamento ao setor produtivo das Regiões Norte. Vinte e dois inteiros e cinco décimos por cento (22. Dos recursos direcionados ao Nordeste. Estes três por cento são a única hipótese de repartição em que os recursos não são dirigidos a Pessoas Políticas. ficam com o seu valor. 47% (quarenta e sete por cento) são repartidos. que simplesmente é o resultado do salário bruto menos o IRF. A União não entrega algo que havia anteriormente arrecadado. as empresas em geral são obrigadas a pagar aos seus empregados apenas o salário líquido. no caso daqueles que exercerem esta faculdade. Esta limitação normalmente prejudica o Estado de São Paulo. se por um lado a União fica desincumbida das funções administrativas (não das legislativas). Independentemente do critério de partilha. IPI e IR: da arrecadação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza (IR) – já descontado o IRF pertencente aos Estados. perde integralmente a arrecadação do imposto. metade deverá ser ao seu semi-árido. Distrito Federal e Municípios visto acima – e do imposto sobre produtos industrializados (IPI). seus servidores públicos) retêm na fonte o imposto de renda. Pois bem. portanto. o Distrito Federal.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO TRIBUTÁRIO. só que. ou seja. Em suma. Nordeste e Centro-Oeste. Os Estados. IPI: além dos 47% vistos acima.5%) destinam-se ao Fundo de Participação dos Estados e Distrito Federal. Note-se. por outro. ao invés de recolherem este tributo aos cofres da União. ou seja. Vinte e um inteiros e cinco décimos por cento (21. ao Distrito Federal e aos Municípios o montante retido na fonte por suas autarquias e fundações. Pois bem.

CIDE-combustíveis: a repartição do montante arrecadado com esta contribuição foi introduzida pela EC n° 42. Curiosamente a Constituição estipula ainda que a alíquota deste imposto. REPARTIÇÕES DE TRIBUTOS PROMOVIDAS PELOS ESTADOS IPVA: devem ser repassados aos Municípios 50% (cinqüenta por cento) do imposto sobre a propriedade de veículos automotores licenciados em seus territórios. mas foi aumentado para 29% pela EC nº 44/04) do produto da arrecadação da CIDE sobre a importação ou comercialização de petróleo e seus derivados.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO TRIBUTÁRIO. o número de habitantes. a área dos Municípios. em ambos os casos em função da operação de origem. Setenta por cento (70%) são repassados aos Municípios e os outros trinta (30%) aos Estados e ao DF. IPI: Os Estados devem repassar aos seus Municípios 25% do IPI que recebem da União em função de suas exportações (10% da arrecadação do IPI como vimos anteriormente). no mínimo. de 19 de dezembro de 2003. Deste montante recebido. . III) – Lei nº 10. por exemplo. Por este critério. no caso dos Territórios. Vinte e nove por cento (o percentual definido pela EC nº 42 era o de 25%. Com isso. Tais critérios podem ser. gás natural e seus derivados e álcool combustível.PROFºs. Municípios “ricos” recebem mais que os “pobres”. A União não fica com nada do que arrecada com o IOF sobre o ouro. serão distribuídos aos Estados e Distrito Federal na forma da lei (art. cujo conjunto de empresas neles situadas mais pagam este imposto. 159. os Estados repassarão 25% (vinte e cinco por cento) aos seus Municípios também na forma da mesma lei (art. realizadas em seus territórios. ICMS: 25% (vinte e cinco por cento) do ICMS arrecadado deve ser entregue aos Municípios. § 4°). 159. na lei federal.866/04. até um quarto dos 25% do ICMS é repartido em função de critérios estabelecidos na lei estadual ou. GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES e DIMAS MONTEIRO DE BARROS 3 IOF-ouro: vimos que sobre o ouro definido por lei como ativo financeiro ou instrumento cambial somente incidirá o IOF. etc. O critério de partilha entre os Municípios deve ser o mesmo do ICMS que vimos no item precedente. busca-se entregar mais recursos aos Municípios. E mais: a arrecadação total será repartida. Três quartos. no presente caso. Para minimizar este efeito concentrador de riqueza. 20% (vinte por cento) devem ser entregues aos Estados e ao Distrito Federal. destes 25% são repassados aos Municípios em função do valor adicionado nas operações relativas à circulação de mercadorias e nas prestações de serviços. deverá ser no mínimo de 1%. Impostos residuais: da arrecadação dos impostos criados pela União com base em sua competência residual.

3. 4. Distrito Federal e os Municípios ao pagarem os seus agentes? Como é repartidos o IPI? Como é repartido o IR? Qual o destino da arrecadação da CIDE-combustíveis enquanto não editada a lei que regulará a sua repartição? Como é feita a repartição do IPVA? Como é feita a repartição do ICMS? 5. 6.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X DIREITO TRIBUTÁRIO.PROFºs. 8. 2. O que é a repartição das receitas tributárias? Como é feito o repasse do ITR pela União? O que é o imposto de renda retido na fonte? Qual é o destino da arrecadação do imposto de renda retido na fonte pelos Estados. 7. 9. GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES e DIMAS MONTEIRO DE BARROS 4 QUESTÕES 1. .

Na nulidade absoluta. Com a morte de um dos credores. 3. Assinale a alternativa incorreta: a. forem removidas para outro local. puro e simples e indivisível. d. b. Nos casos de resolução. Assinale a alternativa incorreta: a. o pagamento pode ser feito a qualquer dos credores. d. a partir da morte do testador. No tocante à interposta pessoa. Na solidariedade ativa. O reconhecimento de filho é um ato solene. sob pena de nulidade de todo testamento. mas conservando a sua unidade. d. cônjuge ou companheiro do não legitimado a suceder. c. o contrato é inválido e ineficaz. Na nulidade relativa. b. Assinale a alternativa correta: a. c. O reconhecimento de filho tem efeito “ex tunc”. puro e simples e divisível. nem sempre a parte tem um direito potestativo de extinguir o contrato. o credor pode fazer a cessão de crédito em favor de terceiro. d. irmão. O reconhecimento de filho é ato personalíssimo. Assinale a alternativa incorreta: a.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X TESTES 1 DIREITO CIVIL / PROCESSO CIVIL / DIREITO COMERCIAL 1. cada um de seus herdeiros terá direito a exigir e receber por inteiro toda a quota que pertencia ao credor morto. na solidariedade ativa não. o contrato é válido e eficaz. separadas do solo. Na solidariedade ativa. 5. com os frutos e rendimentos relativos à deixa. quando o testa de ferro for ascendente. c. a presunção de simulação só será absoluta. puro e simples. aproveita-se aos demais concredores. em regra unilateral. c. c. Navio e aeronave são bens imóveis. solene. No caso de prole eventual. descendente. independentemente de dar preferência aos demais concredores. As testemunhas de testamento não podem ser nomeadas herdeiras nem legatárias. independentemente de caução de ratificação ou de autorização dos demais credores. b. b. 2. Na indivisibilidade ativa a suspensão da prescrição em favor de um dos credores. . O Código de 1916 previa os bens imóveis por acessão intelectual. Assinale a alternativa incorreta: a. Não perdem o caráter de imóveis as edificações que. serlhe-á deferida a sucessão. O reconhecimento de filho é um ato de forma livre. b. As causas de resolução são sempre posteriores à formação do contrato. Os frutos enquanto pendentes são bens imóveis. O testador separado judicialmente ou divorciado pode testar em favor de sua companheira. irrevogável e indivisível. 4. d. retroagindo à data do nascimento do filho. nascendo com vida o herdeiro esperado.

" Essa afirmação está a. fixação de competência para toda e qualquer ação que envolva o insolvente. correta. correta. c. tudo em despacho fundamentado de modo claro e preciso. a administração da sociedade compete aos sócios conjuntamente. execução por concurso universal dos credores. d. O sócio. a "verossimilhança da alegação". . arrecadação de todos os bens do insolvente suscetíveis de penhora. Quais entre os efeitos abaixo não podem ser considerados efeitos da decretação de insolvência civil: a. 1004 e seu parágrafo único do Código Civil). se a cautelar for nominada. d. o "fundado receio de dano irreparável ". quando então será considerado remisso (art. o Código de Processo Civil adotou o princípio da legalidade instrumental. ou. as deliberações deverão sempre ser tomadas por unanimidade. Assinale a alternativa correta: a. Quando competir aos sócios decidir sobre os negócios da sociedade. o deferimento de liminar em ação cautelar . b. por falta grave no cumprimento de suas obrigações. ademais da verificação da existência de "perigo de irreversibilidade do provimento antecipado". porque esses são os requisitos para a concessão de tutela antecipada. mediante iniciativa da maioria dos demais sócios. No tocante à forma dos atos processuais.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X TESTES 2 6. d. Exceto em caso de mora quanto às contribuições previstas em contrato. 9. Auto e Autos são expressões distintas. Todos os atos judiciais devem ser fundamentados. o sócio apenas será excluído judicialmente. ainda. b. Nada dispondo o contrato social. exime-se das dívidas sociais anteriores à sua admissão. c. 7. vencimento antecipado das dívidas do insolvente. b. em casos excepcionais. Mandado de segurança em execução fiscal não tramita durante as férias. c. o "abuso de direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório do réu ". incorreta. "Ainda que possível. b. porque esses são os requisitos para a concessão de liminar em ações cautelares atípicas ou inominadas. como a "prova inequívoca". como é o caso da sustação de protesto. c. d. por incapacidade superveniente. pois esses são os requisitos extrínsecos e intrínsecos da ação cautelar. não dispensa o preenchimento dos requisitos legais. admitido em sociedade simples já constituída. 8. incorreta. Assinale a alternativa incorreta: a.

d. Para execução de duplicata com aceite presumido. no prazo de 60 (sessenta) dias de sua emissão. Na causa superveniente relativamente independente que por si só causa o resultado. 129. sob pena de responder por crime falimentar. O agente que pratica um crime de estupro e outro de atentado violento ao pudor. c. O empresário que emitir duplicata está obrigado a escriturar o “Livro de Registros de Duplicatas”. § 2º. não se colocando. o problema da causalidade. pelo vendedor ao comprador. c. Assinale a alternativa correta: a. o tipo penal não contém nenhum resultado naturalístico. d. incide em concurso material homogêneo pois ambos crimes ofendem bens jurídicos da mesma natureza. . A pena. no concurso material. Para caracterizar a deformidade permanente exige-se impressão horripilante ou insuportável de fixar os olhos. c. a duplicata deve ser encaminhada para aceite. Para a existência do concurso formal de delitos exige-se a presença da unidade de desígnio. O aspecto normativo da omissão é uma necessidade criada pelo princípio da reserva legal. Assinale a alternativa incorreta: a. caracteriza a figura do art.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X TESTES 3 10. A figura prevista no art. 13. A ação penal é pública incondicionada no caso de lesão corporal grave ou gravíssima. A ação de execução de duplicata poderá ser proposta contra os coobrigados. b. Nosso Código Penal adotou. em caso de falência. 129. mantendo-se o outro intacto. DIREITO PENAL / PROCESSO PENAL 11. III. d. Assinale a alternativa correta: a. Quando o agente pratica diversos atos num mesmo contexto pratica diversas condutas caracterizado o concurso formal. I do CP não exige diagnóstico mas apenas o prognóstico de incapacidade definitiva. conhecida também como unidade de intenção. b. 12. deve ser aplicada isoladamente para cada crime e somada afinal. Assinale a alternativa correta: a. o agente responde pelos atos anteriores à ocorrência do resultado. § 2º. o credor deverá apenas apresentar o instrumento de protesto. o “regressus ad infinitum”. c. salvo a figura prevista no § 3º do art. d. pois. Nos termos da Lei n. b.º 5474/68. 129. b. A perda de um olho ou de um ouvido ou de um rim. com estrita observância da ordem em que figurem no título. no que tange à teoria da causalidade. Nos delitos omissivos puros.

por si só. o arquivamento do Inquérito Policial não impede a propositura da ação. 16. de acordo com a maioria da doutrina. b. 300 do CTB. A pena dos crimes sexuais aumenta de ¼ se o sujeito ativo for a babá da vítima do delito. a sentença absolutória penal sempre veda a propositura da ação. c. b. 296 do CTB. c. A sentença absolutória com fundamento em excludente de antijuridicidade não permite a propositura da ação. No auto de prisão em flagrante devem ser ouvidas no mínimo duas testemunhas presenciais do fato ou que tenham assistido à apresentação do conduzido. não é crime. não proíbe. DIREITO TRIBUTÁRIO CONSTITUCIONAL / DIREITO ADMINISTRATIVO / DIREITO 18. A repartição das receitas tributárias é realizada adotando-se como base o total arrecadado por cada pessoa política. d. Assinale a alternativa incorreta: a. O fato de o agente ser casado aumenta de ¼ a pena dos crimes sexuais. 17. d. A prisão em flagrante deve ser imediatamente comunicada ao juiz penal. A União não reparte a arrecadação do IOF-ouro. b. d. b. incondicionadamente. b. c. O incesto. O veto ao art. o Juiz utilizará apenas uma como causa de aumento de pena. A falta de comunicação ao juiz penal não invalida a prisão em flagrante.CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X TESTES 4 14. d. Assinale a alternativa incorreta: a. Em relação às questões propostas assinale a alternativa incorreta: a. prevista na parte especial ou em legislação especial. . a concessão do perdão judicial. Em relação à possibilidade ou não da propositura da ação civil de reparação é correto afirmar que: a. A autoridade policial em nenhuma hipótese pode relaxar a prisão em flagrante sendo de competência do juiz fazê-lo. utilizando as outras como agravantes genéricas ou circunstância judicial. A suspensão da permissão ou da CNH ou a proibição de sua obtenção aplica-se a todos os crimes do CTB. A sentença que declara a extinção da punibilidade impede a propositura da ação. 15. É possível a prisão em flagrante nos delitos de trânsito. c. Se houver mais de uma causa de aumento de pena. Assinale a alternativa correta: a. mas pode aumentar a pena dos crimes sexuais. A proibição de se obter a permissão ou habilitação é uma das conseqüências da reincidência prevista no art.

CURSO A DISTÂNCIA – MÓDULO X TESTES 5 c. De uma maneira geral. à verdadeira atuação concreta da norma. de cunho vinculado. c. Enquanto a eficácia de uma norma corresponde à sua potencialidade para ser aplicada aos casos concretos a aplicabilidade se resume no enquadramento fático de um caso concreto a está norma.º 42 os Municípios podem assumir as funções de arrecadar e fiscalizar o ITR e. outras apenas social. a instalação de banca de jornal em calçadas. inerente ao ato infracional. d. As normas constitucionais de eficácia plena não dependem de outras para surtir efeitos. Na atividade jurisdicional objeto da ação sócio-educativa não prevalece o interesse do ofendido e sim o interesse na apuração do fato e na recomposição do desvalor. se o ato era de competência privativa ou exclusiva de determinada autoridade. Ato administrativo viciado em sua forma pode ser convalidado. d. A competência para a execução das medidas resultantes do ato infracional é sempre a do local da infração. b. d. A licença é ato administrativo unilateral. Existem duas espécies de eficácia. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE 21. Mesmo as normas programáticas geram alguns efeitos. Os Estados não repassam aos seus Municípios o IPI que recebem da União. todas as normas apresentam uma eficácia. Independentemente do tipo de infração. Assinale a alternativa incorreta: a. ficarão com a totalidade do que arrecadarem. . ou seja. como por exemplo. desde que a forma seja essencial à validade do ato. com 100% do ITR sobre os imóveis neles situados. o exercício do direito da ação é exclusivamente do Ministério Público. a. algumas social e jurídica. A competência ratione loci é do local da infração e ratione materiae é da Justiça da Infância e da Juventude. Assinale a alternativa falsa. a social e a jurídica. É exemplo de ato administrativo complexo decreto do Presidente da República referendado pelo Ministro de Estado. caso exerçam essa faculdade. d. e. É possível a convalidação do ato administrativo praticado por sujeito incompetente. c. Assinale a alternativa correta: a. 20. 19. ao contrário das normas de eficácia contida e limitada que necessariamente necessitam da lei infraconstitucional. b. De acordo com a Emenda Constitucional n. mediante o qual a Administração Pública faculta ao administrado o exercício de uma atividade. c. b.

c 7.c 11.d 4.GABARITO MÓDULO X 1.b 8.c .b 19.d 6.b 5.e 21.a 18.d 13.b 17.b 10.c 20.a 3.b 2.a 15.b 14.d 9.c 12.d 16.